libertaria-no-ciberespaco

From: tcmay@netcom.com (Timothy C. May)
Subject: Libertaria in Cyberspace
Date: Tue, 1 Sep 92 11:42:12 PDT

Aqui estão alguns pontos sobre por que o “ciberespaço” ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.

Várias pessoas comentaram recentemente sobre os paraísos libertários oceânicos, os superpetroleiros usados ​​como paraísos de dados, dentre outros mais. Especialmente nos anos 70, houveram várias tentativas frustradas de adquirir ilhas no Pacífico e construir o local que alguns chamavam de “Libertaria”. (Algumas palavras-chave: Vanuatu, Minerva, Mike Oliver, Tonga)

Obter uma ilha inteira é algo problemático. Conseguir o consentimento dos moradores é uma questão (familiar para aqueles que estão na lista dos que resistiram ao debate sobre o desvio do Furacão Andrew). Ser autorizado a funcionar pelas principais potências mundiais é outra questão… Os EUA impuseram embargos comerciais e bloqueios contra muitas nações nas últimas décadas, incluindo Cuba, Coréia do Norte, Líbia, Irã, Iraque e outros países. Além disso, os EUA invadiram alguns países – Panamá é um bom exemplo – cujo governo não gostava. Quanto tempo duraria um superpetroleiro “paraíso de dados” ou um regime libertário em tal ambiente? (O fascinante “Snow Crash” de Stephenson não abordou a questão de por que a “Jangada” não foi simplesmente afundada pelas forças militares remanescentes.)

Devo observar que a recente fragmentação dos países pode oferecer oportunidades para regiões libertárias (ou Partido Pátria Livre – PPL, se você preferir pensar assim). Alguns especularam que a própria Rússia é uma candidata, dado que ela tem pouco investimento no sistema anterior e pode estar disposta a abandonar o estatismo. Se várias dezenas de novos países são formados, algumas oportunidades existem.

O problema básico é que o espaço físico é muito pequeno e muito exposto à visão dos outros. “Libertária” na forma de, digamos, uma ilha, está exposta demais à retaliação das potências mundiais. (Eu não vou entrar na estratégia de “armas nucleares privadas”, sobre a qual preciso pensar mais.)

Uma nação privada flutuante (ou seja lá como for chamada) é muito vulnerável a um único torpedo bem colocado. Mesmo que sirva como uma espécie de banco suíço e, portanto, tenha a mesma proteção que a Suíça obteve (a saber, muitos líderes mantiveram seus roubos), ainda assim, ela seria vulnerável demais a um único atacante ou invasor. A pirataria será apenas um dos problemas.

Finalmente, quantos de nós querem se mudar para uma ilha do Pacífico Sul? Ou uma plataforma de petróleo do Mar do Norte? Ou até mesmo para a Rússia?

O ciberespaço parece mais promissor. Há mais “espaço” no ciberespaço, o que permite mais segurança e espaço mais colonizável. Além disso, esse espaço é coextensivo com nosso espaço físico, acessível com terminais adequados de qualquer lugar do mundo (embora possam haver tentativas no espaço físico de bloquear o acesso, restringir o acesso a métodos criptográficos necessários, etc.).

Eu não vou entrar nos vários métodos criptográficos aqui (veja minha publicação anterior sobre o protocolo “Dining Cryptographers” e várias outras postagens sobre sistemas de chaves públicas, mixagens digitais, dinheiro eletrônico, etc). Leitores interessados ​​têm muitas fontes. (Acabo de ler uma excelente pesquisa sobre essas novas técnicas, a tese de Ph.D. de 1992, de Jurgen Bos, “Practical Privacy”, que lida com esses vários protocolos em um belo livrinho).

Alice e Bob, nossos atores criptográficos favoritos, podem se comunicar e realizar negócios sem nunca se encontrar ou sem que um saiba quem é o outro. Isso pode ser usado para criar comunidades virtuais sujeitas apenas a regras com as quais elas mesmas chegam a um acordo, assim como esta lista de Extropianos. O direito privado é a única lei, pois não há apelo a alguma autoridade superior como o papa ou a polícia. (É por isso que eu disse em várias das minhas postagens sobre o debate sobre do Furacão Andrew, que sou simpático à visão PPL.)

E esta é a vantagem mais convincente da “Cripto Libertária”: um número arbitrariamente grande de “nações” separadas pode existir simultaneamente. Isso permite uma rápida experimentação, auto-seleção e evolução. Se as pessoas se cansarem de alguma comunidade virtual, elas podem sair. Os aspectos criptográficos significam que sua participação em alguma comunidade é desconhecida para os outros (vis-à-vis o mundo físico ou externo, ou seja, seus “nomes verdadeiros”) e a coerção física é reduzida.

Comunalistas são livres para criar um ambiente comunitário, Anacronistas Criativos são livres para criar sua própria ideia de espaço, e assim por diante. Eu não estou nem mesmo entrando nas imagens fotorealistas da realidade virtual, já que mesmo sistemas atuais baseados em texto são comprovadamente suficientes para permitir o tipo de comunidades virtuais que estou descrevendo aqui (e descrito em “True Names” de Ving, em “Neuromancer” de Gibson, em “Islands in the Net” de Sterling e em “Snow Crash” de Stephenson … embora todos eles tenham perdido alguns dos aspectos mais excitantes … talvez meu romance acerte o alvo?).

Mas o governo permitirá esse tipo de coisa? Eles não vão apenas torpedear isso, assim como eles torpedearam um paraíso de dados offshore.

A questão chave é que os sistemas distribuídos não têm nenhum nexo que possa ser eliminado. Nem o Usenet ou o FidoNet podem ser desabilitados por um único governo, já que eles estão no mundo todo. Desligá-los significaria proibir a comunicação entre computadores. E apesar da fala sobre “portas armadilhas” obrigatórias em sistemas de criptografia, a criptografia é fundamentalmente fácil de usar e difícil de detectar. (Para aqueles que duvidam disso, deixe-me descrever um sistema simples que publiquei no sci.crypt há vários anos. Uma fita de áudio digital comum (DAT) transporta mais de um gigabyte de dados. Isso significa que o bit menos significativo (LSB) de uma gravação de áudio DAT carrega cerca de 8 megabytes de dados! Então, Alice é parada pela Polícia de Dados. Eles perguntam se ela está carregando dados ilegais. Ela sorri inocentemente e diz “Não. Eu sei que você vai me procurar.” Eles encontram seu Sony DAT e perguntam sobre sua coleção de fitas e gravações ao vivo. Alice está carregando 80 MB de dados – cerca de 3 dias inteiros de feeds Usenet – em cada fita. As informações são armazenadas nos LSBs, de forma completamente indistinguível dos ruídos do microfone e da amostragem, a menos que você conheça a chave. Métodos similares permitem que dados sejam empacotados de forma indetectável nos LSBs das imagens PICT e GIF, que agora estão inundando a Net, em sons amostrados, e até em mensagens como essa … o “espaço em branco” na margem direita desta mensagem carrega uma mensagem oculta legível apenas para alguns Extropianos escolhidos.)

Já descrevi o uso das religiões e RPGs como uma espécie de cobertura legal para o desenvolvimento e implantação dessas técnicas. Se uma igreja decide oferecer “confessionários digitais” para seus membros distantes, qual será o argumento do governo dos EUA, para insistir em sua justificativa, de que a criptografia não deve ser usada? (Devo observar que psiquiatras e profissionais similares têm uma responsabilidade com seus clientes e com suas agências de licenciamento para garantir a privacidade dos registros dos pacientes. Meus amigos estão usando criptografia para proteger os registros dos pacientes. Esse é apenas um pequeno exemplo de como a criptografia está se entrelaçando no tecido de nossa sociedade eletrônica. Há muitos outros exemplos.)

Em discussões futuras, espero que possamos encontrar algumas abordagens para implantar esses métodos. Passei vários anos pensando sobre isso, mas certamente perdi algumas boas ideias. O “jogo da criptoanarquia” que está sendo planejado, é uma tentativa de fazer com que alguns dos melhores hackers da Bay Area (São Francisco) fiquem pensando nessas questões e em novas fugas. Vários já se ofereceram para ajudar ainda mais.

Alguns comentaram que esta lista não é um local apropriado para discutir essas ideias. Eu acho que é. Não estamos discutindo nada que seja realmente ilegal, mesmo sob os amplos poderes da RICO (Racketeer-Influenced and Corrupt Organizations Act usada para ir atrás das “conspirações” de traficantes de pornografia e de armas, entre outros). O que estamos discutindo são as implicações de longo alcance dessas ideias.

Em conclusão, será mais fácil formar certos tipos de sociedades libertárias no ciberespaço do que no mundo real das nações e locais físicos. O mundo eletrônico não é de forma alguma completo, pois ainda viveremos muito de nossas vidas no mundo físico. Mas a atividade econômica está aumentando acentuadamente no domínio da Internet e essas ideias de “criptoanarquia” irão corroer ainda mais o poder dos estados físicos que taxam e coagem seus residentes.

— Tim May

Fonte:
https://nakamotoinstitute.org/libertaria-in-cyberspace/

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From: tcmay@netcom.com (Timothy C. May)
Subject: Libertaria in Cyberspace
Date: Tue, 1 Sep 92 11:42:12 PDT

Aqui estão alguns pontos sobre por que o “ciberespaço” ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.

Várias pessoas comentaram recentemente sobre os paraísos libertários oceânicos, os superpetroleiros usados ​​como paraísos de dados, dentre outros mais. Especialmente nos anos 70, houveram várias tentativas frustradas de adquirir ilhas no Pacífico e construir o local que alguns chamavam de “Libertaria”. (Algumas palavras-chave: Vanuatu, Minerva, Mike Oliver, Tonga)

Obter uma ilha inteira é algo problemático. Conseguir o consentimento dos moradores é uma questão (familiar para aqueles que estão na lista dos que resistiram ao debate sobre o desvio do Furacão Andrew). Ser autorizado a funcionar pelas principais potências mundiais é outra questão… Os EUA impuseram embargos comerciais e bloqueios contra muitas nações nas últimas décadas, incluindo Cuba, Coréia do Norte, Líbia, Irã, Iraque e outros países. Além disso, os EUA invadiram alguns países – Panamá é um bom exemplo – cujo governo não gostava. Quanto tempo duraria um superpetroleiro “paraíso de dados” ou um regime libertário em tal ambiente? (O fascinante “Snow Crash” de Stephenson não abordou a questão de por que a “Jangada” não foi simplesmente afundada pelas forças militares remanescentes.)

Devo observar que a recente fragmentação dos países pode oferecer oportunidades para regiões libertárias (ou Partido Pátria Livre – PPL, se você preferir pensar assim). Alguns especularam que a própria Rússia é uma candidata, dado que ela tem pouco investimento no sistema anterior e pode estar disposta a abandonar o estatismo. Se várias dezenas de novos países são formados, algumas oportunidades existem.

O problema básico é que o espaço físico é muito pequeno e muito exposto à visão dos outros. “Libertária” na forma de, digamos, uma ilha, está exposta demais à retaliação das potências mundiais. (Eu não vou entrar na estratégia de “armas nucleares privadas”, sobre a qual preciso pensar mais.)

Uma nação privada flutuante (ou seja lá como for chamada) é muito vulnerável a um único torpedo bem colocado. Mesmo que sirva como uma espécie de banco suíço e, portanto, tenha a mesma proteção que a Suíça obteve (a saber, muitos líderes mantiveram seus roubos), ainda assim, ela seria vulnerável demais a um único atacante ou invasor. A pirataria será apenas um dos problemas.

Finalmente, quantos de nós querem se mudar para uma ilha do Pacífico Sul? Ou uma plataforma de petróleo do Mar do Norte? Ou até mesmo para a Rússia?

O ciberespaço parece mais promissor. Há mais “espaço” no ciberespaço, o que permite mais segurança e espaço mais colonizável. Além disso, esse espaço é coextensivo com nosso espaço físico, acessível com terminais adequados de qualquer lugar do mundo (embora possam haver tentativas no espaço físico de bloquear o acesso, restringir o acesso a métodos criptográficos necessários, etc.).

Eu não vou entrar nos vários métodos criptográficos aqui (veja minha publicação anterior sobre o protocolo “Dining Cryptographers” e várias outras postagens sobre sistemas de chaves públicas, mixagens digitais, dinheiro eletrônico, etc). Leitores interessados ​​têm muitas fontes. (Acabo de ler uma excelente pesquisa sobre essas novas técnicas, a tese de Ph.D. de 1992, de Jurgen Bos, “Practical Privacy”, que lida com esses vários protocolos em um belo livrinho).

Alice e Bob, nossos atores criptográficos favoritos, podem se comunicar e realizar negócios sem nunca se encontrar ou sem que um saiba quem é o outro. Isso pode ser usado para criar comunidades virtuais sujeitas apenas a regras com as quais elas mesmas chegam a um acordo, assim como esta lista de Extropianos. O direito privado é a única lei, pois não há apelo a alguma autoridade superior como o papa ou a polícia. (É por isso que eu disse em várias das minhas postagens sobre o debate sobre do Furacão Andrew, que sou simpático à visão PPL.)

E esta é a vantagem mais convincente da “Cripto Libertária”: um número arbitrariamente grande de “nações” separadas pode existir simultaneamente. Isso permite uma rápida experimentação, auto-seleção e evolução. Se as pessoas se cansarem de alguma comunidade virtual, elas podem sair. Os aspectos criptográficos significam que sua participação em alguma comunidade é desconhecida para os outros (vis-à-vis o mundo físico ou externo, ou seja, seus “nomes verdadeiros”) e a coerção física é reduzida.

Comunalistas são livres para criar um ambiente comunitário, Anacronistas Criativos são livres para criar sua própria ideia de espaço, e assim por diante. Eu não estou nem mesmo entrando nas imagens fotorealistas da realidade virtual, já que mesmo sistemas atuais baseados em texto são comprovadamente suficientes para permitir o tipo de comunidades virtuais que estou descrevendo aqui (e descrito em “True Names” de Ving, em “Neuromancer” de Gibson, em “Islands in the Net” de Sterling e em “Snow Crash” de Stephenson … embora todos eles tenham perdido alguns dos aspectos mais excitantes … talvez meu romance acerte o alvo?).

Mas o governo permitirá esse tipo de coisa? Eles não vão apenas torpedear isso, assim como eles torpedearam um paraíso de dados offshore.

A questão chave é que os sistemas distribuídos não têm nenhum nexo que possa ser eliminado. Nem o Usenet ou o FidoNet podem ser desabilitados por um único governo, já que eles estão no mundo todo. Desligá-los significaria proibir a comunicação entre computadores. E apesar da fala sobre “portas armadilhas” obrigatórias em sistemas de criptografia, a criptografia é fundamentalmente fácil de usar e difícil de detectar. (Para aqueles que duvidam disso, deixe-me descrever um sistema simples que publiquei no sci.crypt há vários anos. Uma fita de áudio digital comum (DAT) transporta mais de um gigabyte de dados. Isso significa que o bit menos significativo (LSB) de uma gravação de áudio DAT carrega cerca de 8 megabytes de dados! Então, Alice é parada pela Polícia de Dados. Eles perguntam se ela está carregando dados ilegais. Ela sorri inocentemente e diz “Não. Eu sei que você vai me procurar.” Eles encontram seu Sony DAT e perguntam sobre sua coleção de fitas e gravações ao vivo. Alice está carregando 80 MB de dados – cerca de 3 dias inteiros de feeds Usenet – em cada fita. As informações são armazenadas nos LSBs, de forma completamente indistinguível dos ruídos do microfone e da amostragem, a menos que você conheça a chave. Métodos similares permitem que dados sejam empacotados de forma indetectável nos LSBs das imagens PICT e GIF, que agora estão inundando a Net, em sons amostrados, e até em mensagens como essa … o “espaço em branco” na margem direita desta mensagem carrega uma mensagem oculta legível apenas para alguns Extropianos escolhidos.)

Já descrevi o uso das religiões e RPGs como uma espécie de cobertura legal para o desenvolvimento e implantação dessas técnicas. Se uma igreja decide oferecer “confessionários digitais” para seus membros distantes, qual será o argumento do governo dos EUA, para insistir em sua justificativa, de que a criptografia não deve ser usada? (Devo observar que psiquiatras e profissionais similares têm uma responsabilidade com seus clientes e com suas agências de licenciamento para garantir a privacidade dos registros dos pacientes. Meus amigos estão usando criptografia para proteger os registros dos pacientes. Esse é apenas um pequeno exemplo de como a criptografia está se entrelaçando no tecido de nossa sociedade eletrônica. Há muitos outros exemplos.)

Em discussões futuras, espero que possamos encontrar algumas abordagens para implantar esses métodos. Passei vários anos pensando sobre isso, mas certamente perdi algumas boas ideias. O “jogo da criptoanarquia” que está sendo planejado, é uma tentativa de fazer com que alguns dos melhores hackers da Bay Area (São Francisco) fiquem pensando nessas questões e em novas fugas. Vários já se ofereceram para ajudar ainda mais.

Alguns comentaram que esta lista não é um local apropriado para discutir essas ideias. Eu acho que é. Não estamos discutindo nada que seja realmente ilegal, mesmo sob os amplos poderes da RICO (Racketeer-Influenced and Corrupt Organizations Act usada para ir atrás das “conspirações” de traficantes de pornografia e de armas, entre outros). O que estamos discutindo são as implicações de longo alcance dessas ideias.

Em conclusão, será mais fácil formar certos tipos de sociedades libertárias no ciberespaço do que no mundo real das nações e locais físicos. O mundo eletrônico não é de forma alguma completo, pois ainda viveremos muito de nossas vidas no mundo físico. Mas a atividade econômica está aumentando acentuadamente no domínio da Internet e essas ideias de “criptoanarquia” irão corroer ainda mais o poder dos estados físicos que taxam e coagem seus residentes.

— Tim May

Fonte:
https://nakamotoinstitute.org/libertaria-in-cyberspace/

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From: tcmay@netcom.com (Timothy C. May)
Subject: Libertaria in Cyberspace
Date: Tue, 1 Sep 92 11:42:12 PDT

Aqui estão alguns pontos sobre por que o “ciberespaço” ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.

Várias pessoas comentaram recentemente sobre os paraísos libertários oceânicos, os superpetroleiros usados ​​como paraísos de dados, dentre outros mais. Especialmente nos anos 70, houveram várias tentativas frustradas de adquirir ilhas no Pacífico e construir o local que alguns chamavam de “Libertaria”. (Algumas palavras-chave: Vanuatu, Minerva, Mike Oliver, Tonga)

Obter uma ilha inteira é algo problemático. Conseguir o consentimento dos moradores é uma questão (familiar para aqueles que estão na lista dos que resistiram ao debate sobre o desvio do Furacão Andrew). Ser autorizado a funcionar pelas principais potências mundiais é outra questão… Os EUA impuseram embargos comerciais e bloqueios contra muitas nações nas últimas décadas, incluindo Cuba, Coréia do Norte, Líbia, Irã, Iraque e outros países. Além disso, os EUA invadiram alguns países – Panamá é um bom exemplo – cujo governo não gostava. Quanto tempo duraria um superpetroleiro “paraíso de dados” ou um regime libertário em tal ambiente? (O fascinante “Snow Crash” de Stephenson não abordou a questão de por que a “Jangada” não foi simplesmente afundada pelas forças militares remanescentes.)

Devo observar que a recente fragmentação dos países pode oferecer oportunidades para regiões libertárias (ou Partido Pátria Livre – PPL, se você preferir pensar assim). Alguns especularam que a própria Rússia é uma candidata, dado que ela tem pouco investimento no sistema anterior e pode estar disposta a abandonar o estatismo. Se várias dezenas de novos países são formados, algumas oportunidades existem.

O problema básico é que o espaço físico é muito pequeno e muito exposto à visão dos outros. “Libertária” na forma de, digamos, uma ilha, está exposta demais à retaliação das potências mundiais. (Eu não vou entrar na estratégia de “armas nucleares privadas”, sobre a qual preciso pensar mais.)

Uma nação privada flutuante (ou seja lá como for chamada) é muito vulnerável a um único torpedo bem colocado. Mesmo que sirva como uma espécie de banco suíço e, portanto, tenha a mesma proteção que a Suíça obteve (a saber, muitos líderes mantiveram seus roubos), ainda assim, ela seria vulnerável demais a um único atacante ou invasor. A pirataria será apenas um dos problemas.

Finalmente, quantos de nós querem se mudar para uma ilha do Pacífico Sul? Ou uma plataforma de petróleo do Mar do Norte? Ou até mesmo para a Rússia?

O ciberespaço parece mais promissor. Há mais “espaço” no ciberespaço, o que permite mais segurança e espaço mais colonizável. Além disso, esse espaço é coextensivo com nosso espaço físico, acessível com terminais adequados de qualquer lugar do mundo (embora possam haver tentativas no espaço físico de bloquear o acesso, restringir o acesso a métodos criptográficos necessários, etc.).

Eu não vou entrar nos vários métodos criptográficos aqui (veja minha publicação anterior sobre o protocolo “Dining Cryptographers” e várias outras postagens sobre sistemas de chaves públicas, mixagens digitais, dinheiro eletrônico, etc). Leitores interessados ​​têm muitas fontes. (Acabo de ler uma excelente pesquisa sobre essas novas técnicas, a tese de Ph.D. de 1992, de Jurgen Bos, “Practical Privacy”, que lida com esses vários protocolos em um belo livrinho).

Alice e Bob, nossos atores criptográficos favoritos, podem se comunicar e realizar negócios sem nunca se encontrar ou sem que um saiba quem é o outro. Isso pode ser usado para criar comunidades virtuais sujeitas apenas a regras com as quais elas mesmas chegam a um acordo, assim como esta lista de Extropianos. O direito privado é a única lei, pois não há apelo a alguma autoridade superior como o papa ou a polícia. (É por isso que eu disse em várias das minhas postagens sobre o debate sobre do Furacão Andrew, que sou simpático à visão PPL.)

E esta é a vantagem mais convincente da “Cripto Libertária”: um número arbitrariamente grande de “nações” separadas pode existir simultaneamente. Isso permite uma rápida experimentação, auto-seleção e evolução. Se as pessoas se cansarem de alguma comunidade virtual, elas podem sair. Os aspectos criptográficos significam que sua participação em alguma comunidade é desconhecida para os outros (vis-à-vis o mundo físico ou externo, ou seja, seus “nomes verdadeiros”) e a coerção física é reduzida.

Comunalistas são livres para criar um ambiente comunitário, Anacronistas Criativos são livres para criar sua própria ideia de espaço, e assim por diante. Eu não estou nem mesmo entrando nas imagens fotorealistas da realidade virtual, já que mesmo sistemas atuais baseados em texto são comprovadamente suficientes para permitir o tipo de comunidades virtuais que estou descrevendo aqui (e descrito em “True Names” de Ving, em “Neuromancer” de Gibson, em “Islands in the Net” de Sterling e em “Snow Crash” de Stephenson … embora todos eles tenham perdido alguns dos aspectos mais excitantes … talvez meu romance acerte o alvo?).

Mas o governo permitirá esse tipo de coisa? Eles não vão apenas torpedear isso, assim como eles torpedearam um paraíso de dados offshore.

A questão chave é que os sistemas distribuídos não têm nenhum nexo que possa ser eliminado. Nem o Usenet ou o FidoNet podem ser desabilitados por um único governo, já que eles estão no mundo todo. Desligá-los significaria proibir a comunicação entre computadores. E apesar da fala sobre “portas armadilhas” obrigatórias em sistemas de criptografia, a criptografia é fundamentalmente fácil de usar e difícil de detectar. (Para aqueles que duvidam disso, deixe-me descrever um sistema simples que publiquei no sci.crypt há vários anos. Uma fita de áudio digital comum (DAT) transporta mais de um gigabyte de dados. Isso significa que o bit menos significativo (LSB) de uma gravação de áudio DAT carrega cerca de 8 megabytes de dados! Então, Alice é parada pela Polícia de Dados. Eles perguntam se ela está carregando dados ilegais. Ela sorri inocentemente e diz “Não. Eu sei que você vai me procurar.” Eles encontram seu Sony DAT e perguntam sobre sua coleção de fitas e gravações ao vivo. Alice está carregando 80 MB de dados – cerca de 3 dias inteiros de feeds Usenet – em cada fita. As informações são armazenadas nos LSBs, de forma completamente indistinguível dos ruídos do microfone e da amostragem, a menos que você conheça a chave. Métodos similares permitem que dados sejam empacotados de forma indetectável nos LSBs das imagens PICT e GIF, que agora estão inundando a Net, em sons amostrados, e até em mensagens como essa … o “espaço em branco” na margem direita desta mensagem carrega uma mensagem oculta legível apenas para alguns Extropianos escolhidos.)

Já descrevi o uso das religiões e RPGs como uma espécie de cobertura legal para o desenvolvimento e implantação dessas técnicas. Se uma igreja decide oferecer “confessionários digitais” para seus membros distantes, qual será o argumento do governo dos EUA, para insistir em sua justificativa, de que a criptografia não deve ser usada? (Devo observar que psiquiatras e profissionais similares têm uma responsabilidade com seus clientes e com suas agências de licenciamento para garantir a privacidade dos registros dos pacientes. Meus amigos estão usando criptografia para proteger os registros dos pacientes. Esse é apenas um pequeno exemplo de como a criptografia está se entrelaçando no tecido de nossa sociedade eletrônica. Há muitos outros exemplos.)

Em discussões futuras, espero que possamos encontrar algumas abordagens para implantar esses métodos. Passei vários anos pensando sobre isso, mas certamente perdi algumas boas ideias. O “jogo da criptoanarquia” que está sendo planejado, é uma tentativa de fazer com que alguns dos melhores hackers da Bay Area (São Francisco) fiquem pensando nessas questões e em novas fugas. Vários já se ofereceram para ajudar ainda mais.

Alguns comentaram que esta lista não é um local apropriado para discutir essas ideias. Eu acho que é. Não estamos discutindo nada que seja realmente ilegal, mesmo sob os amplos poderes da RICO (Racketeer-Influenced and Corrupt Organizations Act usada para ir atrás das “conspirações” de traficantes de pornografia e de armas, entre outros). O que estamos discutindo são as implicações de longo alcance dessas ideias.

Em conclusão, será mais fácil formar certos tipos de sociedades libertárias no ciberespaço do que no mundo real das nações e locais físicos. O mundo eletrônico não é de forma alguma completo, pois ainda viveremos muito de nossas vidas no mundo físico. Mas a atividade econômica está aumentando acentuadamente no domínio da Internet e essas ideias de “criptoanarquia” irão corroer ainda mais o poder dos estados físicos que taxam e coagem seus residentes.

— Tim May

Fonte:
https://nakamotoinstitute.org/libertaria-in-cyberspace/

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[OK] Libertária no Ciberespaço

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Subject: Libertaria in Cyberspace
Date: Tue, 1 Sep 92 11:42:12 PDT

Aqui estão alguns pontos sobre por que o “ciberespaço” ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.

Várias pessoas comentaram recentemente sobre os paraísos libertários oceânicos, os superpetroleiros usados ​​como paraísos de dados, dentre outros mais. Especialmente nos anos 70, houveram várias tentativas frustradas de adquirir ilhas no Pacífico e construir o local que alguns chamavam de “Libertaria”. (Algumas palavras-chave: Vanuatu, Minerva, Mike Oliver, Tonga)

Obter uma ilha inteira é algo problemático. Conseguir o consentimento dos moradores é uma questão (familiar para aqueles que estão na lista dos que resistiram ao debate sobre o desvio do Furacão Andrew). Ser autorizado a funcionar pelas principais potências mundiais é outra questão… Os EUA impuseram embargos comerciais e bloqueios contra muitas nações nas últimas décadas, incluindo Cuba, Coréia do Norte, Líbia, Irã, Iraque e outros países. Além disso, os EUA invadiram alguns países – Panamá é um bom exemplo – cujo governo não gostava. Quanto tempo duraria um superpetroleiro “paraíso de dados” ou um regime libertário em tal ambiente? (O fascinante “Snow Crash” de Stephenson não abordou a questão de por que a “Jangada” não foi simplesmente afundada pelas forças militares remanescentes.)

Devo observar que a recente fragmentação dos países pode oferecer oportunidades para regiões libertárias (ou Partido Pátria Livre – PPL, se você preferir pensar assim). Alguns especularam que a própria Rússia é uma candidata, dado que ela tem pouco investimento no sistema anterior e pode estar disposta a abandonar o estatismo. Se várias dezenas de novos países são formados, algumas oportunidades existem.

O problema básico é que o espaço físico é muito pequeno e muito exposto à visão dos outros. “Libertária” na forma de, digamos, uma ilha, está exposta demais à retaliação das potências mundiais. (Eu não vou entrar na estratégia de “armas nucleares privadas”, sobre a qual preciso pensar mais.)

Uma nação privada flutuante (ou seja lá como for chamada) é muito vulnerável a um único torpedo bem colocado. Mesmo que sirva como uma espécie de banco suíço e, portanto, tenha a mesma proteção que a Suíça obteve (a saber, muitos líderes mantiveram seus roubos), ainda assim, ela seria vulnerável demais a um único atacante ou invasor. A pirataria será apenas um dos problemas.

Finalmente, quantos de nós querem se mudar para uma ilha do Pacífico Sul? Ou uma plataforma de petróleo do Mar do Norte? Ou até mesmo para a Rússia?

O ciberespaço parece mais promissor. Há mais “espaço” no ciberespaço, o que permite mais segurança e espaço mais colonizável. Além disso, esse espaço é coextensivo com nosso espaço físico, acessível com terminais adequados de qualquer lugar do mundo (embora possam haver tentativas no espaço físico de bloquear o acesso, restringir o acesso a métodos criptográficos necessários, etc.).

Eu não vou entrar nos vários métodos criptográficos aqui (veja minha publicação anterior sobre o protocolo “Dining Cryptographers” e várias outras postagens sobre sistemas de chaves públicas, mixagens digitais, dinheiro eletrônico, etc). Leitores interessados ​​têm muitas fontes. (Acabo de ler uma excelente pesquisa sobre essas novas técnicas, a tese de Ph.D. de 1992, de Jurgen Bos, “Practical Privacy”, que lida com esses vários protocolos em um belo livrinho).

Alice e Bob, nossos atores criptográficos favoritos, podem se comunicar e realizar negócios sem nunca se encontrar ou sem que um saiba quem é o outro. Isso pode ser usado para criar comunidades virtuais sujeitas apenas a regras com as quais elas mesmas chegam a um acordo, assim como esta lista de Extropianos. O direito privado é a única lei, pois não há apelo a alguma autoridade superior como o papa ou a polícia. (É por isso que eu disse em várias das minhas postagens sobre o debate sobre do Furacão Andrew, que sou simpático à visão PPL.)

E esta é a vantagem mais convincente da “Cripto Libertária”: um número arbitrariamente grande de “nações” separadas pode existir simultaneamente. Isso permite uma rápida experimentação, auto-seleção e evolução. Se as pessoas se cansarem de alguma comunidade virtual, elas podem sair. Os aspectos criptográficos significam que sua participação em alguma comunidade é desconhecida para os outros (vis-à-vis o mundo físico ou externo, ou seja, seus “nomes verdadeiros”) e a coerção física é reduzida.

Comunalistas são livres para criar um ambiente comunitário, Anacronistas Criativos são livres para criar sua própria ideia de espaço, e assim por diante. Eu não estou nem mesmo entrando nas imagens fotorealistas da realidade virtual, já que mesmo sistemas atuais baseados em texto são comprovadamente suficientes para permitir o tipo de comunidades virtuais que estou descrevendo aqui (e descrito em “True Names” de Ving, em “Neuromancer” de Gibson, em “Islands in the Net” de Sterling e em “Snow Crash” de Stephenson … embora todos eles tenham perdido alguns dos aspectos mais excitantes … talvez meu romance acerte o alvo?).

Mas o governo permitirá esse tipo de coisa? Eles não vão apenas torpedear isso, assim como eles torpedearam um paraíso de dados offshore.

A questão chave é que os sistemas distribuídos não têm nenhum nexo que possa ser eliminado. Nem o Usenet ou o FidoNet podem ser desabilitados por um único governo, já que eles estão no mundo todo. Desligá-los significaria proibir a comunicação entre computadores. E apesar da fala sobre “portas armadilhas” obrigatórias em sistemas de criptografia, a criptografia é fundamentalmente fácil de usar e difícil de detectar. (Para aqueles que duvidam disso, deixe-me descrever um sistema simples que publiquei no sci.crypt há vários anos. Uma fita de áudio digital comum (DAT) transporta mais de um gigabyte de dados. Isso significa que o bit menos significativo (LSB) de uma gravação de áudio DAT carrega cerca de 8 megabytes de dados! Então, Alice é parada pela Polícia de Dados. Eles perguntam se ela está carregando dados ilegais. Ela sorri inocentemente e diz “Não. Eu sei que você vai me procurar.” Eles encontram seu Sony DAT e perguntam sobre sua coleção de fitas e gravações ao vivo. Alice está carregando 80 MB de dados – cerca de 3 dias inteiros de feeds Usenet – em cada fita. As informações são armazenadas nos LSBs, de forma completamente indistinguível dos ruídos do microfone e da amostragem, a menos que você conheça a chave. Métodos similares permitem que dados sejam empacotados de forma indetectável nos LSBs das imagens PICT e GIF, que agora estão inundando a Net, em sons amostrados, e até em mensagens como essa … o “espaço em branco” na margem direita desta mensagem carrega uma mensagem oculta legível apenas para alguns Extropianos escolhidos.)

Já descrevi o uso das religiões e RPGs como uma espécie de cobertura legal para o desenvolvimento e implantação dessas técnicas. Se uma igreja decide oferecer “confessionários digitais” para seus membros distantes, qual será o argumento do governo dos EUA, para insistir em sua justificativa, de que a criptografia não deve ser usada? (Devo observar que psiquiatras e profissionais similares têm uma responsabilidade com seus clientes e com suas agências de licenciamento para garantir a privacidade dos registros dos pacientes. Meus amigos estão usando criptografia para proteger os registros dos pacientes. Esse é apenas um pequeno exemplo de como a criptografia está se entrelaçando no tecido de nossa sociedade eletrônica. Há muitos outros exemplos.)

Em discussões futuras, espero que possamos encontrar algumas abordagens para implantar esses métodos. Passei vários anos pensando sobre isso, mas certamente perdi algumas boas ideias. O “jogo da criptoanarquia” que está sendo planejado, é uma tentativa de fazer com que alguns dos melhores hackers da Bay Area (São Francisco) fiquem pensando nessas questões e em novas fugas. Vários já se ofereceram para ajudar ainda mais.

Alguns comentaram que esta lista não é um local apropriado para discutir essas ideias. Eu acho que é. Não estamos discutindo nada que seja realmente ilegal, mesmo sob os amplos poderes da RICO (Racketeer-Influenced and Corrupt Organizations Act usada para ir atrás das “conspirações” de traficantes de pornografia e de armas, entre outros). O que estamos discutindo são as implicações de longo alcance dessas ideias.

Em conclusão, será mais fácil formar certos tipos de sociedades libertárias no ciberespaço do que no mundo real das nações e locais físicos. O mundo eletrônico não é de forma alguma completo, pois ainda viveremos muito de nossas vidas no mundo físico. Mas a atividade econômica está aumentando acentuadamente no domínio da Internet e essas ideias de “criptoanarquia” irão corroer ainda mais o poder dos estados físicos que taxam e coagem seus residentes.

— Tim May

Fonte:
https://nakamotoinstitute.org/libertaria-in-cyberspace/